Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Antonina e a estrada da Graciosa-parte 6

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Antonina e a estrada da Graciosa-parte 6

Hoje é sexta-feira, dia 24 de novembro de 2023 e saímos de Morretes e vamos de van rumo à Antonina. A guia Josiane e o motorista Leandro nos acompanham. Somos um grupo do pacote turístico Curitiba-Morretes-Antonina pela Serra Verde Express. Fica a 85 km de Curitiba e a 15 km de Morretes.

Antonina, uma das cidades mais antigas do estado do Paraná. Seu nome é uma homenagem ao príncipe José Francisco Xavier de Paula Domingos António Agostinho Anastácio de Bragança, herdeiro da coroa portuguesa e filho da rainha Maria I e de seu consorte Dom Pedro III.

Um pouco de história. Segundo o site bbc.com/portuguese/geral-59753905, no séc. XVIII, a rainha portuguesa D. Maria I alegou motivos religiosos para vetar a inoculação de seus filhos contra a varíola, em um episódio de grandes consequências tanto para a sua vida quanto para a trajetória de Portugal e do Brasil. O declínio mental que levou a mãe de Dom Pedro I a ficar marcada na história como “a louca” foi influenciado pela morte de seu filho primogênito José (falecido aos 27 anos). Dois meses depois, ela ainda perderia pela doença em um intervalo de semanas-a filha, o genro e o neto.

Conforme o site http://www.antonina.pr.gov.br/pagina/78_Historia-da-Cidade.html, os primeiros vestígios da ocupação de Antonina foram encontrados nos sambaquis (enormes montanhas erguidas em baías, praias ou na foz de grandes rios por povos que habitaram o litoral do Brasil na Pré-História. São formados por cascas de moluscos, principalmente, fonte: super.abril.com.br) da região. Posteriormente, índios carijós habitaram o local, sendo que os primeiros povoados datam de 1648 a 1654. Nasceu das catas e faisqueiras de ouro que em meados do séc. XVII existiam na região. Foi fundada em 12 de setembro de 1714, sendo conhecida como Capela e seus habitantes capelistas. A efetiva ocupação deu-se em 1648, quando o parnaibano Gabriel de Lara, o Capitão povoador, sesmeiro da nova vila (Paranaguá) cedeu aos portugueses António de Leão, Pedro Vaz e Manoel Duarte três sesmarias no litoral de Guarapiroca (primeiro nome de Antonina) as primeiras terras daquela porção litorânea. (Sesmaria: sistema usado pela Coroa portuguesa para o cultivo das terras da colônia na América e para povoar o recém-conhecido território. Fonte: http://www.todamateria.com.br).

Os portugueses enviavam o ouro extraído no local para Portugal. Deixaram casarões coloniais como herança arquitetônica.

No passado, houve guerra entre os portos de Antonina e Paranaguá, o segundo mais movimentado porto do Brasil. A ferrovia diminuiu a importância de Antonina. Era chamada de Freguesia do Pilar de Graciosa antes de ser Antonina.

A região é conhecida por ser produtora de balas de banana. Vamos ao passeio. A sede da Secretaria de Obras, de 1928, já foi matadouro. A estação ferroviária, de 1922, está em reformas. Só vi um semáforo no caminho. Em 1884, a princesa Isabel fez o passeio de Maria Fumaça-trem Caiçara. O trem Antonina-Morretes, com varanda, levou o presidente, de então, Getúlio Vargas. Eis um povo orgulhoso da sua cidade e história.

Conhecemos a igreja Nossa Senhora do Pilar, de 1714, localizada entre a serra e o mar. Descemos no Trapiche Municipal para visitar o local e o novo Mercado Municipal, de 2007 (com banheiros). Existem lojinhas, restaurantes e café. Tudo é pequeno, tranquilo, bucólico. Tiramos fotos, estava chuviscando. No trapiche, os habitantes passeiam, pescam, vivem a vida calma. A baía de Antonina é um braço de mar. Porém, a praia não é para banho, uma vez que é repleta de manguezais onde se veem os guarás. Pássaros belos.

Os casarios com vidros arrendondados pertenciam a famílias de posse. Passamos de van pela rua do carnaval, a cidade é festiva. A praça Cel. Macedo tem um coreto, árvores, uma delícia de sentar.

O porto de Paranaguá se vê de longe, mas não se visita. Vimos o casarão da família Matarazzo. Os casarios coloridos dos barões do café e do mate formam um conjunto arquitetônico formidável. Vimos o antigo clube Ypiranga que é a Câmara Municipal hoje. A farmácia mais antiga do estado, de 1911, com móveis estilo retrô da família Carraro. A prefeitura com homenagem a Dom Pedro II que se hospedara lá. A casa mais antiga da cidade é feita de pedra e de óleo de baleia, é tombada e turística e não pode ser demolida. Parabéns à cidade por conservar os seus marcos históricos.

A novela da Globo “O Astro” teve cenas filmadas em um dos casarões. A bica da cidade é tombada, já que Dom Pedro II tomou água lá, hoje secou a fonte. Vi obras do artista mais afamado do Paraná: Poty Lazarotto mostrando a história da cidade. Antonina estava com o clima nublado, lembra a região de Acarape e Redenção no Ceará. Muito verde, úmida, serena, interiorana. Formosa demais.

O Marco Zero da histórica estrada da Graciosa, de 1878, se encontra atrás do semáforo em Antonina e termina na BR-116. Levou 19 anos para ser construída, era um caminho colonial dos índios carijós que andavam nela para pegar pinhões (fruto da araucária). Está localizada em meio à maior área contínua da mata Atlântica preservada do país. Trata-se da rodovia PR-410.

Sinuosa, uma parte de carroçal e outra parte pavimentada foi importante para os ciclos econômicos: de ouro, madeira, mate, café (a geada negra acabou com o ciclo no estado). Caminho Colonial da Graciosa ou Caminho dos Jesuítas ou calçadinha, liga o primeiro planalto paranaense ao litoral (fonte: /altamontanha.com/caminho-historico-da-graciosa). É responsabilidade do governo estadual.

Só podem transitar carros de pequeno e médio porte. É contemplativa e permite que os curitibanos assem churrasco e aproveitem os espaços livres. Os paralelepípedos nos remetem ao seu passado colonial. Está em restauração por conta de chuvas intensas recentes. Hortênsias e lírios embelezam o caminho. Vimos búfalos e é região de ecoturismo, como rafting, bike crossing, esportes radicais. Há nascentes em abundância. O palmito pupunha (de origem amazônica) é negócio produtivo no Paraná e é forte na região. Numa parte houve desmoronamento, logo estão concretando e colocando telas de proteção na estrada. Acaba em um portal de madeira da época de Jaime Lerner (prefeito/governador). Histórica e antiga, Dom Pedro II e sua comitiva a percorreu a cavalo.

Vale a pena conhecer estrada tão encantadora. Aliás, que dia mais perfeito: Morretes, Antonina e a estrada da Graciosa. Parabéns, guia Josiane e motorista Leandro. Vocês são solícitos e acolhedores. E as cidades visitadas valorizam sua cultura e História, fico deslumbrada com isso.

Continuaremos com mais passeios em Curitiba.

4 comentários em “Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Antonina e a estrada da Graciosa-parte 6

  1. Eu não sabia que a rainha portuguesa D. Maria I alegou motivos religiosos para vetar a inoculação de seus filhos contra a varíola… Hoje seria chamada “negacionista”. Como à época o termo não existia, chamaram-na simplesmente “louca”.

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    1. Querida Helga,
      Sim, verdade, porém ela realmente ficou com problemas mentais, afinal foram mortes na família que a abalaram muito. O termo “louca” foi dado a ela com motivos. Ser negacionista seria pouco, no caso. As Casas Europeias já vacinavam e ela recusou. Obrigada pelo comentário, você sempre presente. Grande abraço.

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