Lisboa-Portugal-2024-dia 4-Museu Nacional do Azulejo

Lisboa-Portugal-2024-dia 4-Museu Nacional do Azulejo

Hoje é sábado de manhã, dia 6 de abril de 2024. Sempre bom conversar com brasileiros pela viagem. Encontramos o casal Elmar e Ana, de Natal-RN. No lobby do hotel pagamos €89 (euros) cada pela excursão do dia seguinte para Fátima e outras cidades.

Saímos para o passeio do dia. Íamos ao Elevador da Santa Justa, €6 (euros), ida e volta, mas a fila estava grande, desistimos. Então, nos dirigimos à praça da Figueira a fim de pegar o ônibus da linha Moderna novamente. Nosso terceiro dia no double-decker, vale a pena, temos garantido a hora até as 14 h, quando completam 48 horas pagas.

Está 19°C, nublado. Vamos ao Museu Nacional do Azulejo, eu já conhecia, mas o Carlos não. Os lisboetas dirigem com cuidado, afinal são bondes, carros, ônibus, motos (poucas), trams, tuk tuks, ufa! Em uma ambulância estava escrito: “doentes não urgentes”. Tudo que é diferente do Brasil me chama a atenção.

Uma simpatia o motorista Ricardo. Na parada 5, descemos. Eis o museu. Paguei €8 (euros), o Carlos €4, por ter mais de 65 anos. O azulejo é uma arte identitária de Portugal, seu uso tem mais de cinco séculos ininterruptos. Azulejos de motivos islâmicos, de padrão mudéjar (Sevilha-Espanha, de aproximadamente 1503), painel de azulejos enxaquetados. Lá fora um jardim encantado. O lugar é espetacular. Azulejo da capela de N. Sra. da Vida feito por Bartolomeu Vaz de Lemos, de 1580. Retábulo de N. Sra. da Vida. Painel de azulejo padrão ponte de diamante.

Segundo a Wikipédia, a arte mudéjar é um estilo artístico que se desenvolveu entre os séculos XII e XVI nos reinos cristãos da Península Ibérica, que incorpora influências, elementos ou materiais de estilo ibero muçulmano. Já o padrão ponto de diamante, de acordo com o site portuguese-tiles.com, é um motivo decorativo em forma de pirâmide, cujo topo se encontra seccionado e preenchido por um elemento vegetalista. A versão mais comum é uma pequena flor com oito pontas, que com a curvatura das pétalas provoca uma certa sensação de movimento. A representação piramidal é acentuada pelo contraste entre o branco e o azul como forma de reforçar o carácter tridimensional do desenho, que o distingue da tradicional azulejaria de padrão de séc. XVIII.

Azulejo: de origem árabe significa “pequena pedra polida”, designa uma peça cerâmica, geralmente, quadrada em que uma das faces é vidrada. Padrão das Camélias (1640-1650) foi trazido pela porcelana oriental, ficou conhecido como rosa da China ou do Japão. Muito usada em espaços religiosos dedicados à Virgem por ser confundida com uma rosa, símbolo da pureza e virgindade.

Igreja Madre de Deus. Linda, bela, repleta de ouro e de azulejos. Azulejaria atribuída aos neerlandeses Willem van der Kloet (1666-1747) e a Jan van Oort. Era um convento. A Sala Dom Manuel corresponde ao espaço da nave da igreja primitiva do convento da Madre de Deus. No explicativo do museu, da Fundação Millenium BCP, está escrito: Espaço quinhentista profundamente alterado entre 1872 e 1899 no decorrer da campanha de obras então realizadas, tendo-se perdido a memória de sua função original. O teto foi rebaixado e decorado à maneira revivalista do neomanuelino e as paredes revestidas com azulejos do séc. XVIII. Destacam-se, nas paredes laterais, os painéis de temática franciscana, provenientes do convento de Sant´Anna em Lisboa, da autoria de Manuel dos Santos, um dos mais importantes pintores do chamado “Ciclo dos Mestres”(1690-1730), período áureo da azulejaria portuguesa.

No segundo andar, a Sala de Caça. Retratos de Carlos II, rei da Inglaterra, e de Catarina de Bragança, rainha. Sala Santos Simões, com azulejaria barroca da primeira metade do séc. XVIII, apresentando motivos religiosos e das damas da época.

Presépio da Madre de Deus (1700-1730), feito por Dionísio e Antônio Ferreira. Nos quartos do segundo andar, os azulejos eram de tempos mais modernos. Artistas como Manuel Cargaleiro, de 1927; João Abel Manta, de 1928; Querubim Lapa (1925-2016), cuja obra é graciosa. Também se encontram “Espigas e Borboletas” de Rafael Bardalo Pinheiro (1846-1905) e “Sobre a Linha do Horizonte” do alemão Andreas Stöcklein (1957-2024), trabalhos admiráveis.

No terceiro andar, um painel gigante de Lisboa de antes do terremoto de 1755, proveniente do antigo palácio dos Condes de Tetúgal (Rua de S. Tiago à Sé). Muitas estruturas destruídas expondo as consequências do abalo sísmico em grande escala. Da mesma forma há o “Grande Panorama de Lisboa Séc. XXI”, de Joana Vasconcelos (1971), com certificado de autenticidade.

O museu é enorme, maior do que eu lembrava. A lojinha do museu estava fechada por falta de pessoal. Uma pena, porque sou compradora de canetas de museus. Na saída, revi os mesmos dois “pedintes” que estavam no dia anterior, fazem ponto e falam inglês. Que tal? São profissionais do ramo.

Entramos no ônibus da linha Moderna novamente com parada em frente ao museu. Mais passeio. No áudio: “a era dos descobrimentos transformou o mundo, uma nova realidade aconteceu a partir dali. A existência de tomates e batatas na Europa se deve a isso”. Na av. Almirante Reis, os postes de luz têm uma caravela dourada na sua ponta, que original.

Para almoçar, descemos no centro e retornamos ao restaurante bem frequentado A Moderna para mais Bacalhau à Braz, amo! E vinho da casa, tinto, por €6,50 (euros). A garçonete Carina, atenciosa. E como o português gosta de poemas, vale ler os pregados na parede do restaurante. Verde sonho e maresia / Tempestades apregoa / Seu nome próprio-Maria / Seu apelido-Lisboa! Poema Maria Lisboa de David Mourão Ferreira; Lisboa cheira aos cafés do Rossio / E o fado cheira à solidão / Cheira à castanha assada se está frio / Cheira à fruta madura quando é verão / De Carlos Dias. E oúltimo: Numa casa portuguesa fica bem / Pão e Vinho sobre a mesa / E se à porta humildemente bate alguém / Senta-se à mesa c´a gente. De Matos Siqueira e Reinaldo Ferreira.

Sentamos perto de um senhor de Angola que nos indicou o bacalhau assado, fica para uma próxima. De sobremesa uma taça de morangos frescos para mim e para o Carlos, figos secos (havíamos comprado antes), uma delícia. Almoço por €16 (euros) para cada. Preço ótimo. Sugiro visitar a Mercearias Finas, fundada em 1860, na rua da Betesga, 1A. Compramos queijo de figo (doce do Algarve no sul do país), feito com figos secos e amêndoas, e figos secos.

Sábado à tarde. A rua Anchieta, perto do hotel Borges Chiado, é toda de sebos, uma riqueza. A livraria Bertrand, de 1732, a mais antiga do mundo. Subimos até o mirante do Elevador da Santa Justa a pé. O visual é “giro”, como dizem os portugueses. Ali perto vemos a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau Carmo Rooftop (topo do telhado, um terraço sofisticado). Lugar idílico com muita gente.

Entramos na FNAC no Shopping Armazéns do Chiado para ver livros. Na rua Garrett, no centro do bairro Chiado, a loja ALE-HOP de brinquedos é genial, colorida, atraente. Provamos o sorvete da Amorino, enfim. Lisboa é uma festa. Para a noite, um caldo verde no restaurante A Moderna, gostamos de lá. Os pratos são pequenos e redondos, sopa nunca é o prato principal e sim, a entrada. Diferente do nosso costume de jantar “canja”.

Prosseguiremos em breve.

2 comentários em “Lisboa-Portugal-2024-dia 4-Museu Nacional do Azulejo

  1. Mônica, que linda a Igreja Madre de Deus! Eu amo as igrejas e as catedrais. A partir da tua informação aqui fui ao Google Maps e pude ver melhor essa maravilha, ampliando minha “visita guiada” no YouTube, tendo podido ver o belíssimo Presépio da Igreja da Madre de Deus, no Museu do Azulejo, onde “todas as figuras têm uma relação entre si, através de gestos ou olhares, permitindo uma narrativa visual”. Impressionante! https://www.youtube.com/watch?v=IwiyabRygRM

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