Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Estamos em Fez e partiremos para Erfoud, passando por cidades pelo caminho e atravessando o Médio Atlas. Acordamos às 6 h, descemos para o café da manhã, que achei fraco para um hotel 5 estrelas. Às 7h30 fomos embora do hotel Zalagh Parc Palace de ônibus. Cidades limpas, em geral, verdes, repletas de cores. Como não se encantar?

Pedágios na rota. As estradas muito boas, verdadeiros tapetes. O guia Abdul I (o II foi o de Fez) nos conta detalhes do clima. Em Marrakech e Fez faz muito calor, uns 50° C, no verão, logo muitos moradores têm casa de veraneio em Ifrane, uma aldeia montanhosa, cuja aparência é de uma vila suíça, com altitude de 1650 m. O pico mais alto vai a 2 mil m. e o clima é de ameno a frio. Outro lugar de montanhas a conhecer, segundo o guia, é Immouzer Kandar para amantes da natureza e alpinismo. O cume da montanha Djebel Abad alcança 1760 m de altura.

Estamos na região de serra, com povoados a 438 km de Marrakech. Há lagos perto. Árvores de cedro, macieiras e amendoeiras, a água usada tem origem nas montanhas. No país é muito comum ver maçãs amarelas, verdes e vermelhas. Região da fruta. No ônibus, continuamos nos comunicando em espanhol e inglês com o guia, ele nos ensina um pouco de árabe.

Na vila de Ifrane, existe o maior estabelecimento privado da África de língua inglesa: Universidade Al Akhawayn. Usa os sistemas de ensino de Oxford e Cambridge com professores da América do Norte, de acordo com Abdul I. São 75 hectares, os estudantes são de diversas nacionalidades, além dos abonados de Fez, Casablanca e Marrakech. Foi fundada em 1995 pelos reis Hassan II, do Marrocos, e Fahd, da Arábia Saudita. Em Ifrane, treina a seleção de atletismo do país, e a seleção de futebol marroquina se concentra no local antes de campeonatos.

Os bosques bonitos de se ver transformam a cidade em magnífica. Diria que é a Gramado (no Rio Grande do Sul) deles. A Wikipédia nos conta que a cidade foi fundada pelos franceses durante o protetorado como estância alpina, tem um aspecto notavelmente europeu, lembrando uma aldeia nos Alpes, por isso ser chamada de a “Pequena Suíça”. Devido à grande altitude, a neve é abundante no inverno e tem clima fresco no verão.

Uma curiosidade: o Leão de Ifrane”, o logotipo mais fotografado da cidade e ícone de toda a população, é uma escultura anônima, feita inteiramente de pedra, de acordo com a página do blog: The lion of Ifrane em Ifrane: 5 opiniões e 3 fotos, já a Wikipédia diz que é obra de 1930, do escultor francês Henri Jean Moreau (1890-1956). Também é dito que o Leão foi esculpido por um soldado alemão durante a II Guerra Mundial, quando Ifrane foi usado como campo de prisioneiros. A escultura é uma homenagem ao último leão selvagem do Atlas, que foi abatido nas proximidades da cidade, no início dos anos 1920. O nosso guia afirma que dá sorte e ter uma foto ao lado dele faz parte do ritual dos viajantes.

Descemos no Hotel Le Chamonix para café e fotos. Aliás, um expresso por 15 DH (R$8,89). Cidade pacata, com um parque em frente (Parc La Prairie) e ao lado, venda de pedras e colares nos bancos de sentar. Que lugar mais formoso. No local se encontra o “Leão de Ifrane ou de Pedra”. Clima no momento de 14º C, uma delícia. Parque florido, tudo tão gracioso. Na calçada do hotel, banca de frutas secas e o mercadinho Caprice Shop para guloseimas. Vendem muitas túnicas em todos os locais. Parece também com Gravatá em Pernambuco, só não o clima congelante, com certeza. As casas são estilo alpino, quem diria que no Marrocos haveria uma cidade assim? Grata surpresa.

Um dos palácios da Família Real do Marrocos está na cidade, onde o rei Mohammed VI e sua família passam o final de ano. Bosques e mais bosques de cedro, são protegidos pelo governo. Aliás, a Wikipédia nos conta que os bosques são semelhantes aos da região de clima frio da Europa, com espécies como o cedro-do-atlas, carvalho-português, azinheiras e o pinheiro-bravo. Estamos em um vale entre as montanhas.

Segundo a Wikipédia, Ifrane é uma cidade e estação de esqui do centro-norte do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Méknes-Tafilalet. Significa “grutas” em berbere. Situa-se nas montanhas do Médio Atlas, a 1700 m de altitude e a 70 km ao sul de Fez. Nos arredores da cidade, há três áreas naturais protegidas: o Parque Nacional de Ifrane, a noroeste; a Floresta de Cedros, ao sul; e a Reserva de Caça de Ifrane, a nordeste.

Saímos de Ifrane, maravilhados, e seguimos pela estrada, utilizada por quem vem de Fez para o deserto e países vizinhos. Vemos o cordeiro de cabeça marrom que come plantas. Caminho verdejante, porque neva. Não há animais selvagens, estamos na Patagônia marroquina.

Que floresta de cedros incrível! Pinheiros e cedros. Há macacos na região, visualizamos alguns. Vimos motocicletas da Alemanha. Quando neva, tudo fica branco. Os nômades moram na localidade, vivem entre as serras. Sim, no Marrocos existem populações nômades. Quando neva, vão para o sul com seus rebanhos de ovinos (ovelhas e cordeiros) e retornam em abril. Antes se movimentavam livremente entre os países, mas com a existência de fronteiras, já não podem mais. Os mais jovens das famílias preferem morar nas cidades.

Vimos montanhas com árvores, onde se pratica esqui, porém é perigoso, por causa dos troncos no percurso. Mais nômades com seus rebanhos. Estão em preparação para a Festa do Cordeiro (em árabe Aid al-Adha), feriado religioso, que ocorre uma vez por ano, em período variável, baseado no calendário lunar islâmico. Sucede a peregrinação à Meca e comemora o sacrifício que Abraão fez por sua fé em Deus. Cada família compra pelo menos um cordeiro por €200 a €250 euros, para a festa dispendem uns €1200 euros. Na cultura local, o “noivo” casa com a família, quando um problema aflora com a esposa, ocorre com a família toda.

Plantações de maçãs, as melhores do país. A água vinda das montanhas é pura. Região de plantações de batata-doce e legumes para consumo próprio das famílias, a terra escura é fértil. Passamos por montanhas rochosas com um córrego ao lado, mais curvas e mais nômades. Controle de documentos do motorista pela gendarmeria, povo elegante.

Que contraste o deserto com a cadeia de montanhas Atlas e seus picos nevados. Prosseguiremos com a jornada em breve pelo Marrocos fascinante.

2 comentários em “Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Deixar mensagem para Ana Maria de Mesquita Cancelar resposta