Buenos Aires sempre!-2024-Museu Nacional de Arte Decorativo-dia 3

Buenos Aires sempre!-2024-Museu Nacional de Arte Decorativo-dia 3

Hoje é dia 7 de setembro de 2024. Estamos em Buenos Aires no Gran Hotel Buenos Aires (Marcelo T. Alvear, 767). No café da manhã o que aprecio mesmo é o doce de leite. Amo! Como eu já havia mencionado, nos elevadores há homenagens a personalidades do país. No nosso andar, a homenageada é Tita Merello (atriz e tangueira) (1904-2002).

Saímos para os passeios. Pela rua Florida existe um mercado de pequenas lojas que vale a pena conhecer. Live Shop na Florida, 520. Lá têm blusas de lã de padronagens diferentes, do jeito que gosto, além de um Punto Dulce, com alfajores e doces de leite e outros estandes interessantes. Passamos pela porta do Centro Naval. Linda. E rumamos às Galerias Pacífico para almoçar no Madison Café. Menu: surubim com ratatouille (receita francesa) de vegetais, acompanhado de uma taça de vinho branco e um espumante. O peixe surubim, gorduroso como o sirigado, o prato delicioso. Pedimos um café ristretto: café forte, mais intenso e concentrado, e em pequena quantidade, e um espresso: mais suave que o ristretto. Estilo italiano.

Na loja Florida Open Market 25 h, (Florida, 272) alfajores diversos. Somos grande compradores do produto argentino. E descobrimos uma nova casa de tango para conhecermos. O Jimmy, brasileiro de Resende-Rio de Janeiro, da agência Fontenay Tours (Florida, 824) nos deixou curiosos: Tango Esquina Homero, segundo ele, de qualidade. Ficou para a segunda, dia 9 de setembro, às 20 h nos pegarão no hotel. O mesmo Jimmy nos indicou a loja La Fantástica Fábrica del Dulce de Leche na Galeria del Caminante Florida, de brasileiros (Florida, 844). As facilidades no pagamento no cartão de crédito ajudaram.

Depois, enfim fomos ao Museu Nacional de Arte Decorativo. Endereço: Av. del Libertador, 1902. Meu museu favorito por ser belíssimo. Estamos no Palácio Errázuriz Alvear. Começamos com o “Retrato de uma Jovem”, de Charles Chaplin. Sem dúvida, um artista completo. Moedas, pinturas, coleção de pedras chinesas dos séculos XVIII e XIX. Escritório, estilo Luís XVI, de Matías Errázuriz, a sua sala de estudo e trabalho. Vestíbulo: o espaço de transição entre o exterior e a planta nobre do edifício.

Obra de Auguste Rodin, a escultura em bronze “A Eterna Primavera”, de 1884, representando um casal de apaixonados. Pinturas como El Gran Canal, do séc. XVIII, de Michelle Marieschi (1710-1743). O “Salão de Madame”, do séc. XVI, onde Josefina de Alvear organizava reuniões sociais com suas amizades e membros da Sociedade Beneficente. Viúva, casou com Matías Errázuriz, sendo filha de Diego de Alvear. Sempre gosto de saber da história dos palácios e quem morou neles. O “Salão de Baile”, estilo Regência. A decoração interior da sala recria la boiserie (apainelamento) do Salão de Música do príncipe de Soubise, Charles de Rohan, correspondente da Regência na França (1715-1723).

Jardim de inverno ou fumador, estilo Luís XVI, com uma urna funerária do séc. III, de mármore. Comedor, estilo Luís XVI, revestido em diversos mármores franceses, o comedor recria o Salão de Hércules do Palácio de Versalhes. Anna Pavlova, bailarina russa, esteve no local e tinha interesse por cisnes que nadavam no estanque do jardim. Visita ao som de valsas, um sonho. Grande Hall, estilo Renascimento. Pintura de El Greco “Jesus com a Cruz nas Costas”, séculos XVI-XVII. O ponto de partida do Grande Hall são três tapetes monumentais flamengos do séc. XVI da série Escipión el Africano condicionando assim as dimensões do ambiente. Um adendo: Publio Cornelio Escipión (236-183 a.C.), estadista e general romano.

Subindo para o 1º andar. A escultura em bronze O Pensador, de Rodin (1840-1917) e “Gorgona” de Alberto Lago (1885-1960). Vemos o teto de madeira e as sacadas do Grande Hall. Sem palavras para descrever tamanha beleza. Embaixo, muitas cadeiras forradas com audiência para assistir a uma palestra sobre a história do palácio. Fantástico. Museu é para isso: espalhar cultura e encantar.

Do séc. XV, no corredor, “Adoração dos Reis Magos” em mármore, da Itália. “Salão de Família”, estilo Luís XVI, era utilizado para receber visitas chegadas, com o quarto de jogos das crianças. Boudoir (alcova) de Matías Errázuriz em estilo Art Déco.

Lohan, monge budista, dinastia Ming (1368-1644), cerâmica “Três Cores”. “Sala de banho” com piso de mármore em xadrez, banheira e móveis de madeira pesada. Dormitório de Matías Errázuriz, estilo Luís XV. Corredor com tapetes flamengos e cadeiras do séc. XVII. Sala de banho e vestidor de Josefina de Alvear. Um espaço com frascos de farmácia de porcelana. Estilo diretório, uma estética entre os estilos Luís XVI e império, inspirada nas escavações de Pompeia e Herculano, na Itália. Sala de banho fenomenal em uma cúpula de alabastro.

Tapeçaria do séc XV, da França, “Páris e Helena”. E outra tapeçaria “O Rapto de Orítia por Bóreas”, do mesmo país, de 1730. Mitologia grega, sendo “bóreas” o vento do norte que trazia o inverno. Que riqueza! Um banho de aprendizado. A fachada do palácio é pomposa e oferece bancos imitando tecidos com furos (laise) para apreciar o pequeno jardim repleto de roseiras e lavandas. Um ambiente bucólico. O museu foi de graça e pago voluntariamente. Recomendo demais.

Prosseguimos com as caminhadas pelos parques na Av. del Libertador no bairro Recoleta. A praça Mitre repleta de gente sentada no morro. Lá está o monumento em homenagem a Gilbran Khalil Gilbran, poeta e filósofo (1883-1931), no 50° aniversário da independência do Líbano. Praça França. Museu Nacional de Belas Artes, feira da Recoleta e Paseo de las Artesanías. Passeios imperdíveis. Dica de compra: o alfajor de chocolate amargo da marca Entredos é o melhor.

Logo pegamos um táxi na Avenida del Libertador para o hotel e fomos trocar dinheiro na Florida. Detalhe negativo: o taxista na ida para o Museu de Arte Decorativo nos enganou, o taxímetro estava adulterado e cobrou 15 mil pesos (hoje, uns R$56,00). Já o do retorno estava correto e cobrou 3 mil (hoje R$11,21). Que feio isso. Cuidado com os taxistas, bem que isso acontece mesmo com os turistas em outras cidades, infelizmente. Tirando a raiva, a viagem continua…

Jantar de salada no Ditali Pizzas & Comidas (Maipú, 902) e suco de limão, menta e gengibre. Lugar do coração para esta viagem. Na volta para o hotel, a pé, na mesma rua, passamos pelo Centro Cultural Coreano e estavam expostos painéis explicativos sobre a culinária deles: o prato kimchi, na frente. Quem assiste a doramas (séries coreanas), sabe. Estamos na rua em que o escritor Jorge Luís Borges (1899-1986) morou. Ele, ensaísta, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.

Buenos Aires é cultura. Continuaremos com nossos passeios em breve.

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