Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 2

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 2

Hoje é dia 15 de agosto de 2022 e continuamos no nosso passeio intitulado Circuito Chico. Damos uma parada na loja Nature Laps (av. Bustillo, 19.500), onde vendem produtos feitos de rosa mosqueta. Segundo o guia Fabrício, a rosa mosqueta é exuberante nesta região patagônica, pois é encontrada nos Andes, e seu arbusto é selvagem. É usada para cremes para a pele, mãos, chá (antioxidante), licor, doce etc. O óleo, extraído da semente, tira manchas, diminui rugas e estrias. Só pode ser usado à noite. Na apresentação na loja, oferecem chá e passam creme e óleo na mão da gente. Como é algo típico deles, comprei um bocadinho de coisas, mas não é barato.

Vemos o Clube de Regatas à direita. Fazem caiaque com rafting no verão (clima seco) no braço Campanário do lago Nahuel Huapi. Já no inverno, o clima é úmido. Estações diferentes, atividades diversas no Parque Nacional Nahuel Huapi, que rodeia Bariloche. Tal parque teve como primeiro presidente Bustillo, o nome da avenida. E foi também o primeiro parque nacional argentino. Foi a partir daí que começou a transformação da cidade em lugar turístico, com o dinheiro do Estado Nacional dado ao parque.

Um pouco da história argentina. Perito Moreno (1852-1919) chegou ao lago Nahuel Huapi em 1876. Eis Francisco Moreno, conhecido por Perito. Explorador, colecionador de fósseis, tinha paixão por paleontologia e antropologia. Foi ele que baseou a linha fronteiriça entre Argentina e Chile nos cumes das montanhas e não mais em cursos de água. Por causa dele, a Argentina ganhou mais 42.000 km. Ele percorria o território a cavalo e a pé. Em sua homenagem há a geleira famosa com seu nome em El Calafate e a cidade na Patagônia dita Perito Moreno. Por isso se diz no país: “um homem, um glaciar, uma cidade”.

Puerto Blest, outra atração turística que ainda vamos conhecer, é protegida pelo PN Nahuel Huapi. Segundo a Wikipédia, o parque tem 712. 160 mil hectares em uma faixa de 50 a 60 km recostada sobre a Cordilheira dos Andes, ao sudoeste da província de Neuquén e noroeste da província de Rio Negro.

Fazemos outra parada em Puerto Pañuelo (porto), onde se pega o barco para a Ilha Vitória e Puerto Blest.

Interessante dizer que perguntei ao guia sobre Trevelin na província de Chubut, também na Patagônia, mais ao sul, são 217 km de Bariloche. Quero conhecer seus campos de tulipas a céu aberto, são únicos na América do Sul. Outra informação: a Ruta Nacional 40 (de 5400 km) vai do sul da Cordilheira dos Andes (província de Santa Cruz) até a divisa com a Bolívia, ou seja, corta 11 províncias, trata-se da mais extensa rodovia do país. Muita beleza a ver, com certeza, que digam os aventureiros e viajantes. Mais um lugar a conhecer: Puerto Madryn para ver baleias e pinguins.

O afamado hotel resort Llao Llao (se pronuncia chao chao) fica bem ali, se vê do Porto Pañuelo, na avenida Ezequiel Bustillo km 25. É o hotel mais exclusivo da Patagônia argentina por muitos motivos: 5 estrelas, histórico, completo, com campo de golfe de 18 buracos e dá para o lago Nahuel Huapi e Moreno, além de estar rodeado pelo Cerro Lopez e Tronador, logo o cenário é deslumbrante. Excursão não entra, mas para um curioso entrar deve fazer reserva, e a diária custa 400 dólares. Data do ano 1939 e o arquiteto foi Alejandro Bustillo. Notável como gostam de dizer o nome do arquiteto, acho positivo isso. O tipo do hotel para se hospedar antes de morrer, como se diz.

Outros hotéis históricos, segundo o Fabrício, são o Amancay e o Tunquelén. O primeiro nome é uma flor em língua mapuche, e o segundo significa “lugar de descanso”.

As árvores mais utilizadas na região são o coihue (ou carvalho, a árvore mais úmida da região) e o cipreste (madeira bonita estilo andino). A madeira é isolante do frio e calor.

Os coihues são muito encontrados no Cerro Campanário, algo belíssimo de ver com neve. Aliás, campanário tem o sentido de “torre de igreja onde estão os sinos”, de acordo com www.dicio.combr.

Enfim, vamos à montanha, pegamos o teleférico (onde o fotógrafo Martin tira nossa foto) sob neve e frio polar, ufa! Não foi fácil e a nossa roupa não deu conta. Mas, maravilhados, o Carlos e eu parecíamos crianças se esbaldando com tanta beleza. Depois de meia hora de subida com a vista dos lagos e floresta nativa (os coihues), chegamos à parte alta do Campanário. A nevasca intensa, abaixo de zero, tiramos fotos e fomos à confeitaria do local, bem mais quente e local fechado. Que alívio! Aproveitamos para nos aquecer com empanadas, e tortas de selva negra (no Brasil, floresta negra) e de nozes. Mais o café indefectível, logicamente. Quantas delícias! Na foto abaixo, a selva negra, típica da região, é a do Cerro Otto, simplesmente imperdível.

Descemos na cadeirinha do teleférico novamente, com o vento patagônico a nos atingir. E neve e frio. No verão, pode nevar também e o vento é tão intenso que atinge o deserto, isto é, a estepe patagônica, com suas plantas baixas e espinhosas (que vão do aeroporto ao Atlântico).

Retornamos à cidade de Bariloche, passeio de meio dia imperdível, eu diria. Só há edifícios baixos no centro, nos bairros residenciais unicamente casas. Para mim, modelo de cidade.

Almoço na Família Weiss, pra variar: truta com ervas finas, bife de chorizo com batatas fritas (para o Carlos), sobremesa de strudel de maçã e sorvete de morango. E café. Eu diria que é o nosso restaurante favorito, a atmosfera, a decoração na madeira, bem aconchegante. Endereço: calle Vice Almirante O´Connor, 401, esquina com Palacios).

A chuva e a neve não dão trégua. Faz – 2º C, porém a sensação térmica é de – 8º C. Socorro! Não nasci pra isso, decididamente. De agora em diante, neve só em fotos.

O jantar foi no Coffee Store em frente ao hotel: empanadas, sanduíche de frango e suco de laranja, bem básico. Tomei este café/lanchonete como meu.

Dia completo e lindo. Bariloche é uma mistura de Gramado no Rio Grande do Sul e Pucón no centro do Chile. Ambos lugares para visitar, sem dúvida.

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 1

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 1

Hoje é dia 15 de agosto de 2022. Às 8 h saímos do hotel com o grupo do Circuito Chico (circuito menor) e Cerro Campanário (faz parte do itinerário da empresa turística CVC). Havia outras programações. Como não têm telefones no quarto, vamos no velho despertador para acordar no horário certo. Interessante ainda haver bidê no banheiro.

Em Bariloche, não há sinais de trânsito, só faixas de pedestre. Povo educado respeita o pedestre.

O nosso motorista é o Malem e o guia se chama Fabrício, também guia do Parque Nacional Nahuel Huapi. O passeio promete. Passamos pela Catedral de San Carlos de Bariloche e lago Nahuel Huapi, pelo lado oeste da cidade. O lago, por sinal, margeia o parque nacional citado acima. Aliás, Nahuel Huapi na língua indígena Mapuche significa: “ilha do tigre”. Reconhecemos o hotel Huinid, onde nos hospedamos há 5 anos. É amplo, perto do lago, com um cenário encantado, porém mais longe do centro.

O famoso hotel Llao-Llao (se fala chao chao) fica a 25 km do centro, indo em direção à Cordilheira dos Andes. Os bairros residenciais se desenvolvem pelo setor oeste. Vimos florestas e muita neve. O Cerro Otto com o teleférico se localiza por estas redondezas.

Toda arquitetura de Bariloche é adaptada ao clima de montanha: neve, chuva e vento. Trata-se do estilo andino, próprio da cidade. A gente delira ao ver a neve nas calçadas, em cima dos carros, é surreal para um brasileiro que sente calor o ano todo. Estamos na avenida Ezequiel Bustillo (se fala busticho). Os telhados das casas em “V” invertido existem para drenar a água da neve. A partir da década de 1990, casas começaram a ser construídas no estilo de montanha alpino, europeu, com madeira e pedra.

Cruzamos o colégio São Patrício, santo padroeiro da Irlanda. Na verdade, os irlandeses não fazem parte da coletividade, mas os alemães, italianos, suíços, eslovenos e dinamarqueses, sim.

O turismo ocorre o ano todo, para cada clima, algo diferente a se fazer. No verão, por exemplo, com o clima de 30º, 34º C, se pratica rafting, trilhas e pesca. Junto ao inverno, são as principais temporadas de turistas. Bariloche é sempre bela, isso é destacável.

No passeio, há um fotógrafo a bordo do nosso ônibus: Martin. Ele cobrou uns R$100,00 por 25 fotos digitais, contudo pedimos somente uma e valeu a pena (nós no teleférico do Campanário). A neve vai caindo e nós nos deliciando. Vemos longe o Cerro Catedral. Há praias públicas nas margens do lago Nahuel Huapi: a Playa Bonita é uma delas. Tem ótima infraestrutura e fica cheia no verão.

O guia nos conta que o principal lago é Nahuel Huapi, mas também há o Gutiérrez e o Moreno.

A Escola Militar de Montanha Gal. Juan Domingo Perón é uma instituição tradicional e só existe em Bariloche, Mendoza (na região de Cuyo) e Jujuy (no norte). Na cidade são 60 anos de treinamentos de combate de montanha, por isso praticam esqui, escalada, práticas de esportes de inverno.

Outro detalhe importante: a cidade tem o maior número de cientistas da Argentina. Lá se encontra o Centro Atômico Bariloche-Instituto Balseiro-responsável pela pesquisa em física e engenharia nuclear. Fazem investigação aplicada para o uso pacífico de energia nuclear. Trata-se de um dos centros de pesquisa e desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O INVAP é uma empresa de alta tecnologia com projetos das áreas: nuclear, aeroespacial (satélites, radares), química, médica, petróleo e governamental. Empresas consideradas verdes se mudam para o município.

A cidade é grande e espraiada, não tem edifícios altos, são aproximadamente 150 mil habitantes. Como é limitada pela geografia (das montanhas), o tráfego de carros atrapalha, os congestionamentos são constantes.

Conhecemos outra praia do lago Nahuel Huapi: a Bahia Serena com areia e neve. Um visual e tanto. Praia pequena com 200 m de extensão. Passamos por açougues, cabeleireiros, restaurantes e hotéis. O setor oeste é lotado. O caminhão da prefeitura tira a neve, passam um líquido de solução salina para quebrar o gelo. Pista com muita neve.

Às vezes o Cerro Campanário abre mais tarde, justamente por causa das nevascas. Considerado pequeno, tem 1049 m de altura, às margens do lago Nahuel Huapi. A floresta ao redor é nativa: ciprestes e introduzida: pinheiros do Hemisfério Norte. Quanta neve! Os animais encontrados são puma, raposa, cervos da região, condor andino etc.

As nevascas fazem árvores caírem e fios elétricos ficarem prejudicados. São os problemas de um clima adverso.

Continuaremos mais com o passeio em breve.

Bariloche-Argentina 2022-segundo dia

Bariloche-Argentina-segundo dia

Hoje é dia 14 de agosto de 2022. O Carlos e eu em Bariloche, felizes da vida. Acho fantástico se tomar água da torneira. O café da manhã do hotel Soft (Mitre, 685) foi satisfatório, o que amo é o doce de leite em potinho minúsculo para passarmos no pão ou comermos simplesmente. Estamos muito bem localizados. E a neve caindo do lado de fora, vimos pela janela, algo mágico. Depois, fomos passear na rua (calle) Mitre, fazer parte da magia. Que emoção!

Gostei da loja La Candela a oferecer artesanato, chás e muitas maravilhas. Há lojas na Argentina que não vejo em outros lugares, são tão encantadas, eis a palavra. Continuamos o reconhecimento da área. Cidade charmosa, com seu estilo arquitetônico próprio. Dá gosto. É uma Gramado-RS mais natureza, com suas montanhas, neve, esquiadores, lagos etc.

O almoço foi na famosa Família Weiss, restaurante todo em madeira, a cara de Bariloche. Entrada de pães caseiros com patês, truta com legumes, vinho, torta de framboesa de sobremesa, uau! Vida boa!

Detalhe: trocar dinheiro: reais ou dólares em lojas, quiosques ou com o guia.

Visitamos o shopping Patagonia (entre as ruas Ada Maria Elflein e Clemente Onelli). A loja El Bosque de mimos e lembrancinhas vale a pena. Na cidade, as lojas de chocolates são fantásticas, umas grandes, outras menores. Exemplos: Chocolateria Naturista (o de frutas vermelhas é saborosíssimo), Delícias de la Patagonia, Del Turista, a variedade é enorme. Além de Mamuschka e Rapanui.

O frio está inclemente e a gente no meio da chuva e neve, era o jeito. Chegamos a pegar -7 graus negativos. Após a viagem, ficam as fotos e ponto final. Neve de novo só em fotografia. kkkk

Para nossa surpresa, descobrimos no hotel Soft uma atendente simpática e solícita, imaginem de onde? De Fortaleza-Ceará. Incrível! Salve, Larissa. Aliás, o pessoal é muito solícito. Fazemos as combinações com o Esteban (guia) para quinta e sexta: Puerto Blest e a cidade de San Martin de los Andes, que queira muito conhecer.

Era segunda-feira e feriado no país: dia do Gal. San Martin. Segundo a Wikipédia, José Francisco de San Martín y Matorras (Yapeyú, 25 de fevereiro de 1778Boulogne-sur-Mer, 17 de agosto de 1850) foi um general argentino e o primeiro líder da parte sul da América do Sul que obteve sucesso no seu esforço para a independência da Espanha, tendo participado ativamente dos processos de independência da Argentina, do Chile e do Peru. Obervação: ele é idolatrado no país todo.

Há muitas lojas de aluguel de roupas e botas para a neve. Não alugamos, pois não íamos esquiar, depois me arrependi, pois o frio não dava tréguas, a gente empacotado, mas não adiantava. Que frio horroroso.

O dia todo caminhando, não canso de admirar Bariloche. Vale qualquer cansaço em aeroportos para chegar lá.

O jantar foi das obrigatórias e deliciosas empanadas argentinas, salada de fruta e gelatina na calle Mitre, 801, pertinho do hotel. A La Abuela Gourmet vende para fora, logo levamos para o hotel. Dia proveitoso.

Seguiremos com mais belezas.

Bariloche-Argentina 2022

Bariloche-Argentina-2022-chegada

Hoje é dia 13 de agosto de 2022. O Carlos e eu pegamos o voo Fortaleza-São Paulo-Bariloche (LATAM). De SP para Bariloche, o voo charter da CVC durou 4 h e meia. Chegamos às 18 h no hotel Soft, pelo pacote da empresa. Hotel no centro, bem localizado na rua (calle) Mitre, 685. O nosso motorista foi o Sebastian. A neblina estava intensa, chovia e as montanhas se cobriam de neve. Nosso intuito foi experienciar o inverno, uma vez que já havíamos ido lá na primavera. Sair de Fortaleza a uns 30 graus C e chegar a – 0 grau não é fácil, mas para viajantes é uma aventura.

Foi a minha segunda vez em San Carlos de Bariloche, no estado de Rio Negro, na região mais bela do mundo, na minha opinião: a Patagônia. Segundo o nosso guia Esteban, a cidade é diferente e oferece atrações diversas a cada estação. Na língua indígena mapuche, Bariloche significa “homem que fica detrás da montanha”. Já a palavra Patagônia significa “índios de pé grande”. No caminho para o hotel já vamos conhecendo a vegetação típica da região: a estepe patagônica.

Vamos aos detalhes: ficaremos com o guia Esteban a semana toda; não vale a pena usar cartão de crédito, já que o preço será cobrado em pesos argentinos, porém quando chega a fatura, há a conversão do peso oficial para o dólar e do dólar para o real. E nessa questão, o dinheiro perde valor. Por isso, trocamos o dinheiro no hotel com os guias no paralelo ou blue, como chamam. A cotação pode mudar a cada dia. Estava entre 40 a 50 pesos para 1 real.

Na época invernosa, a dica é conhecer os cerros ou montanhas. São cinco na área: Campanário (mirante a 1500 m), Catedral, Otto (onde se situa o parque de neve “Piedras Blancas” com ski-bunda), Lopes (perto da Cordilheira dos Andes a 1700 m) e Bajo (em Villa Angostura na província de Neuquén, cidade a uma hora de Bariloche). No Cerro Lopes, há um restaurante no meio da montanha com caminhada com raquete (snowshoe em inglês) nos pés.

O Esteban aconselha a quem vai às montanhas esquiar, alugar as roupas próprias para a neve ou chuva. Gostei dele, fala português e é desenrolado. Veio de Córdoba para nos assistir, tamanha a quantidade de brasileiros em Bariloche, trabalha indiretamente para a CVC. Na cidade, os restaurantes abrem ao meio dia e fecham às 16 h, já o horário de jantar é das 19h30 até meia-noite.

Como estávamos cansados, decidimos jantar no restaurante ao lado do hotel: Cold Beer Hot Chilly Hot Food: peixe truta ao queijo roquefort com purê de batatas e vinho Malbec. Cheio de turistas da nossa excursão. Comi truta todos os dias, amo! Lá, conhecemos o Edison e a Roberta de Registro-SP, onde eles trabalham com plantas.

Continuaremos em breve. Bariloche promete muitas belezas e trutas…

Guaramiranga-Ceará-2022

Guaramiranga-Ceará-2022

Hoje é dia 23 de abril de 2022. Estamos em Guaramiranga na serra de Baturité no Ceará, a 108 km de Fortaleza, capital do estado. Cidade serrana amada. Fazia tempo que não voltávamos.

Estamos na Pousada Convento da Gruta, mais conhecida como Mosteiro dos Capuchinhos. O clima de 22°C é uma delícia. Estamos em plena estação invernal ou chuvosa. A natureza exuberante, o clima sempre mais ameno, os pássaros livres e as flores diversas fazem de Guaramiranga um destino procurado.

Vi novidade na pousada: obras do pintor Lucivaldo “de Pacoti” (cidade serrana ao lado de Guaramiranga) nas paredes. As pinturas dele são o retrato da serra, suas paisagens e pássaros são dignos de nota. No mosteiro, ele pintou santos católicos. O rapaz é talentoso.

Chove direto. Infelizmente, não oferecem mais a sopa da noite. Continua o café da manhã e almoço. Efeito da pandemia, dizem. O almoço com vegetais e legumes frescos é bom demais. Para jantar, aconselho descer ao centrinho, pois tem mais opções de refeições. As opções de delivery são limitadas.

Dia 24 de abril de 2022. O café da manhã é farto, bolos de milho verde e mole (típico do Ceará), canjica com pouco açúcar, frutas diversas da região, uma abundância.

Fomos passear e rever os amigos da cidade. Passamos pelo amigo Thiago da pousada Alto da Montanha. A sede é uma verdadeira galeria de arte com quadros de quem? Do Lucivaldo, certamente. Volta e meia nos hospedamos em um dos chalés, junto à mata. Sugiro no restaurante a canja e outros pratos. O café da manhã é um buffet fenomenal.

O Chalé das Montanhas veio abaixo, a pousada era composta de casinhas coloridas que faziam parte da paisagem… uma tristeza. As imobiliárias chegaram lá, fico chocada. No lugar dos chalés, virão construções outras que serão para venda e caríssimas. Não me acostumo com isso, espero de coração que não desvirtuem a beleza da natureza de Guaramiranga. Isso é modernidade?

No centro de Guará (apelido carinhoso), a pracinha com a feirinha, sempre lá. Ao lado, da amiga Ligênia, conheço a Docca Doceria. Saudações a ela e à sua querida mãe, dona Alice. No local, já teve restaurante. No momento, a Ligênia assumiu seu lado doceira. Ela também é uma artesã de qualidade. Sou sua fã.

Não vejo mais a dona Teresinha vendendo doces na pracinha do lado de trás. O seu João Caracas também não vende mais o seu café E Jóia na feirinha. Sinal dos tempos e da pandemia?

A caminhada foi boa, troquei muitos abraços. Também vimos a pousada Casarão dos Uchôa de 1904. Há história na casa. Nunca nos hospedamos lá.

O almoço nos Capuchinhos foi perfeito. Tudo cultivado na serra. Os doces de ambrosia e banana são de sonhar. Guaramiranga é produtora de banana e café sombreado.

À tardinha andamos pros lados do restaurante Macario´s e suas vitórias-régias. Uma pintura o lugar. No caminho, passamos pela escola EFM Zélia Matos Brito e pela nova quadra esportiva com piscina para as crianças. A geladeira existente ali perto para doação de livros é um achado. O Manjericão Restaurante e Pesqueiro continua lindo.

Foi feito um calçadão em frente à pracinha principal de Guará com bloquetes, carros não são mais permitidos. Há bancos de madeira distribuídos na praça e peatonal, boa atitude. Achei tudo mais bem cuidado.

O jantar foi de cuscuz e complementos em uma das lanchonetes atrás da pracinha. Depois, sorvete com calda de chocolate amargo (que ainda é muito doce, na minha opinião) na Chocoberry na rua principal. Muitas opções gostosas. Fiquei impressionada com o movimento em um domingo, Guará sempre atrai.

Ao chegar à pousada de volta, um bom papo com o frei Helder, pároco do mosteiro. Muito culto.

Dia 25 de abril de 2022. O café da manhã sempre uma delícia. Os bolos de chocolate e laranja me deixaram querendo mais. Já perceberam que adoro bolo, né?

Vamos a Pacoti, cidade vizinha. É mais cidade que Guaramiranga, a população é maior e tem mais infraestrutura de bancos e comércio. Comprei bolachas na padaria de sempre: Panificadora Bonfim, rua Padre Constantino, 413 no centro. Faz parte da tradição.

Passamos por Forquilha e Botija. Pela Linha da Serra, rota turística, também. E a Pernambuquinho para rever o sr. João Caracas, do Café E Jóia. Gente boa demais. Mora na propriedade com a esposa e planta café. Tem a loja com mel, licores, bananas, passas de banana e café, logicamente.

No mosteiro, conhecemos o Alverne, lugar de meditação onde antes era a pocilga. Hoje é um lugar de veneração a São Francisco de Assis. Sua história é contada em placas quando foi ao Monte Alverne na Toscana (1300 m) e ficou em meditação sozinho em uma caverna na montanha só com pão e água, dados diariamente pelo frei Leão, seu ajudante. Ele testemunhou as Chagas de Cristo nas mãos e pés de Francisco. A capela é feita de madeiras, mesas, bancos reciclados da natureza. Tudo rústico e original.

Da próxima vez faremos a trilha do café e da banana na área do mosteiro, uns 200 m. de altitude. O chão de terra estava perigoso para a gente cair, por conta das chuvas da época e por ser íngreme.

A região da serra de Baturité oferece muito a ver: cachoeiras, o Pico Alto (1.115 m), os sítios históricos de plantação de café, como o São Luís, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, o museu da EPCAR etc. O sítio São Luís de 1858 vale a visita em Pacoti. Pertence à família de Cláudia Goes, por sinal, prima do meu pai. A filha Laura é responsável pela administração. A casa histórica e seus arredores são belos. Fazem um trabalho muito intenso de divulgação da região. Algo louvável.

Gostaria de ressaltar a Villa Nova Holanda em Mulungu. A casa e museu são atualmente mantidos pelo proprietário Max Cid de Holanda Furtado e sua família, são abertos à visitação. Também primo do meu pai. A família é grande… Finalizada em 1920, a casa principal continua com sua arquitetura colonial, típica da serra de Baturité. A família tem origem holandesa e é muito interessante conhecer sua história.

Uma observação: meu pai nasceu em Baturité, no pé da serra, cidade-sede, terra de meus antepassados da família Furtado.

Guaramiranga é preciosa. Nunca passo muito tempo sem visitá-la, a natureza exuberante nos chama e seu charme mais ainda.

Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras

Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras

Hoje é sábado, dia 19 de março de 2022. Indo embora de Icaraí de Amontada, mas antes um café da manhã com pão caseiro recheado de chocolate. Ficarei sonhando com o café da manhã da pousada Vila Icaraí. Só me repetindo que ter os donos cuidando do próprio negócio faz toda a diferença, gosto de hospedagens pessoais.

Conhecemos o Icaraizinho há uns bons 12 anos atrás. A estrada era de piçarra, hoje é asfalto e dizem que por causa das usinas eólicas e não por conta da população. A entrada e saída de Icaraí têm uns quebra-molas altos, um espanto. Uns 25 km até a Sol Poente (CE-085), os buracos na estrada são uma vergonha.

A cidade de Trairi a 68 km. Estamos na Rodovia Dr. Waldemar Alcântara. Falta equipe de manutenção de placas grandes de sinalização com nomes dos lugares e quilometragens. Se queremos ter um turismo internacional, temos muito a melhorar.

Passamos por Angelim, localidade com placas de energia solar (para colocar o motor de caixas de água par funcionar). Depois, Curralinho e Canaã, localidade onde haveria uma missa a São José naquele mesmo dia 19 de março, feriado. Eis o padroeiro do estado do Ceará. Diz a tradição que se chover na data, haverá um inverno bom.

Trairi à direita, as praias de Mundaú e Flecheiras à esquerda. Mais perto, Flecheiras à direita e Mundaú e Emboaca à esquerda. Estamos a 2 km de Flecheiras e 7 km de Guajiru. Praias fantásticas.

Usinas eólicas nas dunas e cheio de novidades em termos de construções. A cada dia Flecheiras muda. Chegamos em 1 h e meia de Icaraizinho. Encontramos os cariocas de ontem, estão encantados com o passeio.

Não tínhamos pousada definida, fomos na aventura. Encontramos vaga na pousada Vira Sol (com Rafaela) na Rua da Praia, 942. São dois prédios, um olhando para o mar. O restaurante da pousada é uma praticidade e gostei da localização com plantas facilitando a discrição dos quartos embaixo.

Algo especial da praia é o banho de mar de água “quente” nas piscinas em frente à pousada. Após o banho, almoço no restaurante da pousada: peixe Galo Alto grelhado, legumes salteados, arroz e farofa. Por R$ 92,00. Comida de beira de praia geralmente é boa. O garçom Batista é atencioso.

À tarde, sorvete Pardal de cajá e graviola na Sorveteria da Lya. Tudo se faz a pé, Flecheiras é pequena. Bem cuidada, é uma das minhas praias preferidas, só não quero muitas construções a fim de não perder o charme. No centrinho, há bloquete, estavam colocando da sorveteria até a igreja de São Pedro. Sempre apreciei caminhar pelo calçadão que se estende pelo litoral. Revemos pousadas conhecidas nas quais já nos hospedamos: O Paiva, Casa do Alemão, The Red House etc. O Paiva tem restaurante muito bom e agora uma Casa de Crepes e Waffles com sabores exóticos, promete. E existe um músico no calçadão em frente tocando sax, chique! Perto da pracinha no centro, há a pousada Ubaia, nossa velha conhecida.

Vamos às novidades no centrinho, a padaria fechou (que pena! A gente jantava lá), mas há supermercado, lojas, pizzarias e restaurantes novos.

Percebi o mar subindo mais. Incrível. O passeio no sábado à noite é uma delícia. Sempre bom reencontrar uma ex-vizinha minha aqui de Fortaleza, Amanda, que mora em Flecheiras com a família. Sua loja Mandarina e a hamburgueria do marido (espanhol) ao lado fazem parte do cotidiano. Bom papo.

Vi placas de campanha pela limpeza na praia e contra paredão de som. Porém, penso que a prefeitura de Trairi deveria ter um pelotão de limpeza de praias fixo, eu vivo recolhendo lixo reciclável. Vamos combinar… limpeza é básico. O calçadão com pedras quebradas há de melhorar. Flecheiras está com muito mais gente, festas e barulho. Para quem gosta de ouvir o som do mar, fica sem opções. O jeito é ir durante a semana.

Dia 20 de março de 2022. O café da manhã básico. Muitas pessoas viajando, pelo visto. Gostei do quarto da pousada com varanda com aquele visual praiano inigualável, dia ensolarado, lindo. O chuveiro foi o melhor até agora. A base de preço na baixa estação é de R$300,00/350,00 a diária. Muitos ônibus com turistas do tipo ida e volta no mesmo dia.

Ao partir de Flecheiras, decidimos dar uma passada na praia de Mundaú, nossa querida, mais calma e tão atrativa quanto Flecheiras para um final de semana. Existe uma APA (Área de Preservação Ambiental) do estuário do rio Mundaú. Na ida, cruzamos a praia de Emboaca, certa vez comemos uma lagosta lá. Em Mundaú, revimos a localidade com suas casas de pescadores e de moradores e fomos até o porto de onde saem os barcos de passeios. Voltaremos, vale a pena.

Fim de viagem. Mais uma jornada por este nosso nordeste brasileiro tão bonito e com tantas variedades de cenários. Passamos por chapada, cidades serranas, parques nacionais, praias, cidades litorâneas, enfim, por muita beleza.

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e o passeio de barco no rio Aracatiaçu

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e o passeio de barco no rio Aracatiaçu

Hoje é dia 18 de março de 2022. O café da manhã da pousada Vila Icaraí tem um detalhe saboroso: os pães caseiros feitos por um suíço.

Após o café, aceitamos a dica da Isabela (proprietária da pousada) e fomos para as piscinas naturais ao lado dos currais de peixes, a maré tem que estar baixa. Que banho maravilhoso. Tinha uma família de Curitiba se divertindo com snorkel.

O almoço foi no restaurante Hibisco da suíça Dominique. Pedimos “peixe no limão” por R$86,00 para duas pessoas. 400 g de filé de peixe salteado com molho agridoce de limão e ervas finas. Uma delícia. No passado, o peixe era coberto por uma folha de alumínio, prato igualmente gostoso. Sem dúvida, um restaurante dos melhores. Em Icaraizinho se come feijão preto, hábito comum também em Canoa Quebrada e Jericoacoara. Aproveitamos para conhecer a pousada no mesmo local. A praia é o paraíso dos franceses moradores e visitantes.

À tarde o passeio de barco em Moitas, 6 km de Icaraí. Escolhemos o Porto das Gamas com o Iran. O barco é uma chalana e se chama Pérola. O barqueiro é o Edinho. Fomos por conta própria, tivemos sorte de encontrar uma família do Rio de Janeiro para ir junto. No passeio do rio Aracatiaçu, nos deleitamos com a bela natureza, o mangue é impressionante. Arraia, robalo, garoupa, peixes diversos existentes no local. O Túnel do Amor é belo, a entrada e saída nos encantam. O rio nasce no município de Sobral (no norte do Ceará), são 3.512 km².

Vamos até os mangues, vimos caranguejo vermelho do mangue. O pernilongo dito borrachudo marca presença. O repelente é obrigatório. Passando pelo mangue, chegamos perto das dunas. Que programa! Para mim, uma novidade, descobri que esse passeio ocorre há uns cinco anos, pois não havia eletricidade antes na região.

Descemos na Ilha das Ostras onde o povo come ostras e caranguejos em um restaurante simples. Pode chegar no lugar de bugre por cima das dunas. Tiramos fotos mil. Digo que só agora que os turistas estão descobrindo as maravilhas do passeio. O grupo do Rio se separou da gente e foi com o Iran ver o pôr do sol na duna.

Nós continuamos com o Edinho e voltamos pelas dunas. Ainda bem que não choveu. Há um ponto na duna que tem um lago de água doce debaixo dela, com um bar ao lado, que peculiar. Voltamos ao Porto das Gamas. Aconselho, gostei muito. Pérola passeios: 88-999686717. R$40,00 cada, pago a dinheiro. Na volta de Moitas no escuro, percebi animais na pista, cuidado.

O jantar foi pizza marguerita com coca, uma tradição. O restaurante Hibisco vale a pena. Oferecem amendoim de petisco e existe um cuidado com a natureza quando fazem reciclagem e compostagem. A proprietária ser suíça explica a consciência ecológica. Não vejo isso normalmente, infelizmente. No cardápio sugerem esquecer o celular e se concentrar no som do mar, nos uivos dos ventos e no farfalhar dos coqueiros. Não é deslumbrante? Eu acrescentaria, o diálogo dos grilos. Icaraizinho adorável, grande Dominique. Com a lua cheia, a praia fica mais poética. O garçom Bruno colabora com a sensação boa de acolhimento.

De Icaraizinho viajaremos a Flecheiras. Sempre muito bom estar em um lugar tão mágico.

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e Moitas

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e Moitas

Hoje é dia 17 de março de 2022. Estamos na pousada Vila do Icaraí. O café da manhã é saudável: pães caseiros, brioches, frutas, sucos, o usual “gostoso”. Estar juntos com os donos Isabela e João faz a diferença na hospedagem. Interessante que no banheiro do quarto há uma claraboia que ajuda na iluminação natural. Não chove no momento, ainda bem, estamos no período chuvoso. Informe importante: cuidado com o gato Mingau da pousada. Muda de humor de uma hora para a outra.

Vamos passear. Na beira mar, a gente via a bela enseada com coqueiros. Hoje, está coberta por pousadas que foram construídas, aí para ver o mar tem que adentrar as ruelas que dão para a praia, uma lástima. Temo que construam tanto que o Icaraí perca seu charme único, original, bucólico.

A ideia é conhecer a praia de Moitas, distante 6 km. Estamos de carro. A placa indicativa se encontra dentro do Icaraizinho. Tem que prestar a atenção. A estrada é no bloquete, passa-se por usinas eólicas. Calçamento e areia, entramos no local bem falado ultimamente. Fomos atrás de saber mais sobre os passeios de barco no rio Aracatiaçu. A Associação dos Moradores Nativos de Moitas é responsável. O passeio no túnel, a Ilha das Ostras, os igarapés, dizem que vale a pena, estamos curiosos. Há três portos pelo rio, conversamos com o Evandro do Porto Redeão. Fone: 88-981040748. O passeio só sai com a maré alta. E detalhe: duas pessoas por R$150,00. Não tem sinalização para a praia, só vai perguntando, o lugar é espraiado, mais remoto, não tem o movimento de Icaraí. Até carro de boi vimos.

Foi difícil chegar à Barraca da Queila pela falta de sinalização, mas chegamos. Simples, rústica. Há outras barracas à beira mar. O mar é calmo, bonito, fomos caminhando até a barra do rio. Apesar de muito seco, encontramos um ponto de apoio com mesas e bancos de madeira do lado do mar, sem uma viva alma. De longe, vimos um porto com barcos. Na volta, almoçamos na Queila: peixe guarajuba, baião de dois, farofa e molho vinagrete. Nada mais litoral. Comida boa, gostei. Foi boa a dica que nos deram.

Depois do almoço, banho de mar com marolas (pequenas ondas). Praia diferente, há muita gente de Fortaleza que vai direto a Moitas e lá fica. É outro mundo, muito mais tranquilo. Achei a praia parecida com a da Redonda de Icapuí, com o visual dos barcos de pescadores no horizonte. Um cartão-postal.

Retornamos a Icaraizinho (nome carinhoso, aliás) e vamos andar na praia. O entardecer é magnífico, de uma beleza única. As fotos ficam poéticas, surfistas pegam ondas e um professor ensina seus alunos mirins na própria praia, a vida cotidiana da vila. Gente de sorte, não sabem o que é a correria de uma cidade grande. Detalhe: em região de mangue, existe um pernilongo denominado de “mutuca”. Pega a gente sem dó nem piedade, por isso a necessidade de repelente.

Para o jantar, mais empanadas do argentino Martin no “La Juanita” no Saint German Wind Residence, amo! Batemos altos papos com ele. Mora em Icaraizinho. Eu não vejo a hora de chegar a Fortaleza. Empanadas, tudo de bom. Já o suco foi na Casa da Pedra, pois no Martin só tinha refrigerante. A garçonete Nena nos atende novamente. Sugestão da Nena: conhecer a praia de Caetanos de Baixo (onde existe a Bica do Pote, literalmente, uma bica natural que sai de um pote, mas que refresca o visitante acalorado) e de Cima (onde estão os Lençóis: com dunas, lagoas, mar verde azulado), perto de Icaraí. Valeu! No final, fica para a próxima…

Decidimos passar mais um dia em Icaraí, afinal queremos fazer o passeio de barco no mangue com mutucas e repelentes… Depois conto mais.

Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada

Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada

Hoje é dia 16 de março de 2022 e é hora de partir de Jeri. Mas antes tenho algo a dizer. É opinião de moradores que o parque nacional deveria ser privatizado, uma vez que prefeitura e estado não dão conta. Faltam lixeiras e gente para recolher o lixo. As pousadas querem assumir o parque, mas não podem. No final, são os donos das pousadas que cuidam do lixo. Não está certo, pois se paga a entrada e a do carro no estacionamento e entra muito dinheiro. Espero que resolvam isso.

Importante ressaltar que a origem do nome de Jericoacoara é tupi-guarani, significa “buraco das tartarugas”, pelo fato de a praia ser lugar de desova das tartarugas (em www.portaljericoacoara.com.br).

Saímos da pousada, prestes a ir embora. O Carlos pegou o carro no estacionamento, foi de jardineira, porém demorou muito para retornar. Entre 9 h e 10h30, o movimento é grande de transportes de turistas. E detalhe: estava chovendo, logo a rua de areia vira poças de água. Enfim, vamos embora pela praia em direção à praia do Preá. Que aventura! Estamos em um veículo tracionado, tem que ser.

Passamos por dunas, devemos seguir o balizamento, Há uma barra de rio muito forte pelo caminho. Há o perigo de atalhos, por causa de cascalhos e areias traiçoeiras, uau! Tração máxima, adrenalina mil. Prosseguimos pela trilha de areia atrás de uma Hilux e chegamos ao Preá. Rochas na praia. Vida de Indiana Jones.

A vila do Preá é o “point” dos kitesurfistas, com pousadas charmosas ao longo da praia. O local é mais calmo que Jeri. Quem não gosta de fuzuê, fica lá. Faz parte da prefeitura de Cruz. Segundo o Carlos, mudou muito, hoje tem construções mil, um futuro shopping center, restaurantes, lojas etc, em suma, crescendo. Maior do que eu imaginava. A vila é uma gracinha, promete. Detalhe: a Lagoa Azul, que é a continuação da Lagoa do Paraíso em Jeri, se localiza no Preá.

Estamos na CE-182-Rodovia Manoel Raimundo de Medeiros. Passamos pelo distrito de Caiçara. A Lagoa da Jijoca é Área de Proteção Ambiental (APA). Mais 5 km, Lagoa Azul. Em frente, Itarema, Cruz e Fortaleza. O aeroporto é por aqui. Cajueirinho, Aranaú e Lagoa Salgada à esquerda, Cruz (5 km) e Acaraú (13 km) em frente. Nesta região chove bastante, porque toda a costa é verde. Estamos na BR-403, km1.

Entramos em Acaraú, município. Praça do Lazer da Bailarina, entreposto de pesca, adentramos a cidade, limpa, com sinalização, ótimo. Um motoqueiro gente boa nos levou ao caminho de saída, que gentil. Av. Nicodemos Araújo. Rumo a Itarema (16 km). Vemos muitos coqueiros.

O distrito de Juritianha (de Acaraú), cuja paróquia é de Santa Rita de Cássia, nos recebe. Bem arrumadinho. Rua de bloquete. As praias: Espraiado e Volta do Rio. Itarema a 8 km.

Entramos em Itarema no calçamento, passamos pela sede do município. Muitos coqueiros pela estrada. Paramos em um restaurante de estrada Campo Verde, vizinho a um posto de gasolina, para almoçar em Itarema. Comida simples e boa no quilo a R$17,00. Gostei.

A região é verde, bonita de se ver. Icaraí à esquerda, o município de Amontada à direita. A estrada era de piçarra da braba, quando fomos as primeiras vezes conhecer o paraíso. Hoje, asfalto. Chegamos cedo da tarde. Era uma vila de pescadores e ainda é rústica de certa forma, pois não tem caixa de banco ou banco, as operadoras de telefonia são limitadas e por aí vai. A 190 km de Fortaleza, está na Rota do Sol Poente (litoral oeste).

Nos dirigimos à pousada Vila do Icaraí, situada à rua Joaquim Alves Parente, 702 (paga pelo sistema Bancorbras). A coincidência é ser do João (e da Isabela), irmão do Gabriel que já foi chef do restaurante da pousada Hibisco na mesma praia. Hoje, ele é chef do Mandacaru em Pontal de Maceió. Estivemos lá.

Gostei do chalé. A segunda pousada que conheço a ter estendedor de roupas para os hóspedes, acreditem, fundamental para quem vai à praia e tem roupas molhadas. Genial! Amei. Mais, cabides, estantes para malas, lixeira no quarto de cipó, porta-copos nos dois criados-mudos, enfim o conforto para o hóspede pensado em detalhes. Parabéns!

Sempre que íamos a Icaraizinho, ficávamos na pousada Saravá (em frente àpousada Hibisco), atualmente comprada pelo grupo hoteleiro Carmel. Doces lembranças dos queridos Jean Pierre (francês) e Vilma (São Paulo) que moravam na casa no primeiro andar e cuidavam dos hóspedes no térreo. Degustamos muita ostra com vinho branco embaixo do coqueiral. Foram embora para a França, segundo soube, e por motivo de doença, se não jamais teriam deixado lugar tão inebriante. Essas mudanças mexem comigo negativamente, serão casas que faziam parte da paisagem a serem destruídas, uma tristeza. Empreendimentos grandes estão pipocando em todo o litoral do Ceará. Eu gosto mais do simples, natural, original.

Seguimos a rua do colégio, a nossa pousada fica na rua Joaquim Alves Parente, engraçado que existe a rua Pedro Alves Parente. A praça dos Navegantes, onde se situa a igreja (amarela) Nossa Senhora dos Navegantes, é limpa e agradável. Local dos jovens se encontrarem. Boas memórias de sentar na praça à noite e ver o tempo passar. Quase 20 anos sem ir lá. Mudou bastante, muitas construções de pousadas. Para se ter ideia, a gente via o mar com a sua beleza quando sentados na praça, hoje não. Há hotéis ao longo da orla, acabou o visual.

Paramos na Casa de Pedra (rua João de Castro, 2156) para um café. Perto da pracinha, sempre foi boa em termos de lanches. Descobrimos uma loja de empanadas argentinas, filial da de Cumbuco ali perto. Amamos empanadas.

Mais tarde, jantar de crepes de frango e marguerita para nós na Casa de Pedra. Depois, sorvete de chocolate amargo, delícia. Chove. A simpática garçonete Nena foi aluna da Vilma. Ela era professora de matemática da escola pública. Mundo pequeno.

Continuaremos com Icaraizinho. Há muito a oferecer em temos de passeios de barco, bugre e esportes como o kitesurfe. Tem opções de pousadas. São charmosas e a maioria é gerenciada por franceses. Come-se bem. Eis uma praia encantadora.

Ceará-Piauí-Jijoca de Jericoacoara

Ceará-Piauí-Jijoca de Jericoacoara

Hoje é dia 15 de março de 2022 e estamos no Parque Nacional de Jericoacoara. O café da manhã é ao lado da pousada onde estamos hospedados, pois pertence ao mesmo estabelecimento. Recanto do Barão, na Rua do Forró, 433. O café da manhã foi muito bom: tapioca a pedidos, tortinhas de frango, pudim, torta de chocolate com musse em cima, torta de chocolate com cenoura (com pouco açúcar), cuscuz com queijo, frutas variadas, sucos e por aí vai. Na recepção: o goiano Alexandre.

Manhã para ir à praia. O banho de mar com ondas pequenas e sargaço (algas), o mar calmo. A areia é escura, e a praia já foi mais distante. Deu para aliviar o calor. A chuva esparsa. Apesar de estarmos na quadra invernosa, a quentura estava grande.

Para o almoço, seguimos na mesma rua da pousada e fomos ao restaurante Sabor da Terra. A lagosta grelhada na manteiga, arroz branco, brócolis, purê de batata e farofa. Mais uma boa cerveja Corona Extra, vale! O garçom Francisco muito solícito. O lugar é rústico e agradável, na areia. A música é nordestina e o logradouro faz parte da história: o primeiro restaurante da vila (mais de 30 anos).

Outro ponto histórico: a pousada Hippopotamus foi a primeira pousada. O forró do passado que tanto encantava, não existe mais. Atualmente é o restaurante Dona Amélia. Uma lástima ter acabado local tão emblemático de Jeri. No Sabor da Terra foi bom ter visto as fotos antigas na parede. Deu saudades da Jeri que conheci em 1987. Era uma vila de pescadores simples, sem luz, sem água encanada, a gente andava de lamparina pela vila, ia a uma duna gigante, via porcos e galinhas na rua. De outra vez, peguei um bicho-de-pé, uma aventura. O forró era o ponto alto da noite. O som vinha de um aparelho simples e os turistas nacionais e internacionais estavam lá. Era uma diversão. Hoje, o forró pé de serra ocorre onde estão os quiosques de bebidas na beira da praia. Alguns restaurantes também oferecem músicas variadas.

À tarde, momento de passeio até a Pedra Furada por cima do monte. Fomos de charrete com o burrinho Manhoso e quem nos levou foi o Valdemar por R$60,00. A subida é íngreme e o caminho é para os lados do cemitério. No serrote verde, com jumentos e cacto mil, vimos a famosa Pedra Furada lá embaixo no mar. Eu não desci, muito empenho a fazer.

Na volta, já a pé, entramos na igreja de Jeri na Rua da Matriz. Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou Nossa Senhora da Consolação é o seu nome. Foi inaugurada em 1964, obra iniciada pelos próprios moradores em 1963 (em www.minube.com.br). Toda na pedra, é graciosa de se ver.

A vila é repleta de diversos becos charmosos, como o Beco do Samba, o Beco da Padaria etc. Falando em padaria, nosso jantar foi um lanche na mesma padaria do dia anterior: Padaria Central Jeri. Misto quente e suco de laranja, ótimo.

O local é pequeno, as ruas são poucas: do Forró, Principal e São Francisco. Nessa, há restaurantes transados, bonitos e se encontra o estrelado Pimenta Verde. Lotação na vila. Os visitantes animados estão andando a pé, à vontade, de chinelos de dedo ou sandálias. MPB nos restaurantes, famílias com crianças, idosos, mochileiros, casais, enfim os turistas e os nativos curtindo a “night”. Em uma terça-feira, achei incrível. O bom é que muitos empregos são gerados.

As lojas de lembrancinhas têm muito a vender. A de bijuterias Contos de Fadas é fantástica, nunca vi igual. Para se ter ideia, existem lojas que não existem em Fortaleza, mas em Jericoacoara. São estilosas. Fiquei tresloucada com tantas maravilhas.

Vale a pena demais! Jeri, atração total. Muitos passeios a fazer, gente bonita e feliz, um arraso. Continuaremos com Icaraizinho de Amontada.