Hoje é dia 14 de agosto de 2022. O Carlos e eu em Bariloche, felizes da vida. Acho fantástico se tomar água da torneira. O café da manhã do hotel Soft (Mitre, 685) foi satisfatório, o que amo é o doce de leite em potinho minúsculo para passarmos no pão ou comermos simplesmente. Estamos muito bem localizados. E a neve caindo do lado de fora, vimos pela janela, algo mágico. Depois, fomos passear na rua (calle) Mitre, fazer parte da magia. Que emoção!
Gostei da loja La Candela a oferecer artesanato, chás e muitas maravilhas. Há lojas na Argentina que não vejo em outros lugares, são tão encantadas, eis a palavra. Continuamos o reconhecimento da área. Cidade charmosa, com seu estilo arquitetônico próprio. Dá gosto. É uma Gramado-RS mais natureza, com suas montanhas, neve, esquiadores, lagos etc.
Torta de frutas vermelhas-Família Weiss-Bariloche-Argentina-foto tirada por Mônica D. FurtadoChocolateria Naturista-Bariloche-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
O almoço foi na famosa Família Weiss, restaurante todo em madeira, a cara de Bariloche. Entrada de pães caseiros com patês, truta com legumes, vinho, torta de framboesa de sobremesa, uau! Vida boa!
Detalhe: trocar dinheiro: reais ou dólares em lojas, quiosques ou com o guia.
Visitamos o shopping Patagonia (entre as ruas Ada Maria Elflein e Clemente Onelli). A loja El Bosque de mimos e lembrancinhas vale a pena. Na cidade, as lojas de chocolates são fantásticas, umas grandes, outras menores. Exemplos: Chocolateria Naturista (o de frutas vermelhas é saborosíssimo), Delícias de la Patagonia, Del Turista, a variedade é enorme. Além de Mamuschka e Rapanui.
Bariloche com neve-Argentina-foto tirada por Mônica D. FurtadoQue frio em Bariloche-Argentina-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
O frio está inclemente e a gente no meio da chuva e neve, era o jeito. Chegamos a pegar -7 graus negativos. Após a viagem, ficam as fotos e ponto final. Neve de novo só em fotografia. kkkk
Para nossa surpresa, descobrimos no hotel Soft uma atendente simpática e solícita, imaginem de onde? De Fortaleza-Ceará. Incrível! Salve, Larissa. Aliás, o pessoal é muito solícito. Fazemos as combinações com o Esteban (guia) para quinta e sexta: Puerto Blest e a cidade de San Martin de los Andes, que queira muito conhecer.
Era segunda-feira e feriado no país: dia do Gal. San Martin. Segundo a Wikipédia, José Francisco de San Martín y Matorras (Yapeyú, 25 de fevereiro de 1778–Boulogne-sur-Mer, 17 de agosto de 1850) foi um general argentino e o primeiro líder da parte sul da América do Sul que obteve sucesso no seu esforço para a independência da Espanha, tendo participado ativamente dos processos de independência da Argentina, do Chile e do Peru. Obervação: ele é idolatrado no país todo.
Há muitas lojas de aluguel de roupas e botas para a neve. Não alugamos, pois não íamos esquiar, depois me arrependi, pois o frio não dava tréguas, a gente empacotado, mas não adiantava. Que frio horroroso.
O dia todo caminhando, não canso de admirar Bariloche. Vale qualquer cansaço em aeroportos para chegar lá.
O jantar foi das obrigatórias e deliciosas empanadas argentinas, salada de fruta e gelatina na calle Mitre, 801, pertinho do hotel. A La Abuela Gourmet vende para fora, logo levamos para o hotel. Dia proveitoso.
Hoje é dia 13 de agosto de 2022. O Carlos e eu pegamos o voo Fortaleza-São Paulo-Bariloche (LATAM). De SP para Bariloche, o voo charter da CVC durou 4 h e meia. Chegamos às 18 h no hotel Soft, pelo pacote da empresa. Hotel no centro, bem localizado na rua (calle) Mitre, 685. O nosso motorista foi o Sebastian. A neblina estava intensa, chovia e as montanhas se cobriam de neve. Nosso intuito foi experienciar o inverno, uma vez que já havíamos ido lá na primavera. Sair de Fortaleza a uns 30 graus C e chegar a – 0 grau não é fácil, mas para viajantes é uma aventura.
Cenas de Bariloche no inverno-fotos tiradas por Mônica D. Furtado
Foi a minha segunda vez em San Carlos de Bariloche, no estado de Rio Negro, na região mais bela do mundo, na minha opinião: a Patagônia. Segundo o nosso guia Esteban, a cidade é diferente e oferece atrações diversas a cada estação. Na língua indígena mapuche, Bariloche significa “homem que fica detrás da montanha”. Já a palavra Patagônia significa “índios de pé grande”. No caminho para o hotel já vamos conhecendo a vegetação típica da região: a estepe patagônica.
Vamos aos detalhes: ficaremos com o guia Esteban a semana toda; não vale a pena usar cartão de crédito, já que o preço será cobrado em pesos argentinos, porém quando chega a fatura, há a conversão do peso oficial para o dólar e do dólar para o real. E nessa questão, o dinheiro perde valor. Por isso, trocamos o dinheiro no hotel com os guias no paralelo ou blue, como chamam. A cotação pode mudar a cada dia. Estava entre 40 a 50 pesos para 1 real.
Cerro Otto em Bariloche-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Na época invernosa, a dica é conhecer os cerros ou montanhas. São cinco na área: Campanário (mirante a 1500 m), Catedral, Otto (onde se situa o parque de neve “Piedras Blancas” com ski-bunda), Lopes (perto da Cordilheira dos Andes a 1700 m) e Bajo (em Villa Angostura na província de Neuquén, cidade a uma hora de Bariloche). No Cerro Lopes, há um restaurante no meio da montanha com caminhada com raquete (snowshoe em inglês) nos pés.
O Esteban aconselha a quem vai às montanhas esquiar, alugar as roupas próprias para a neve ou chuva. Gostei dele, fala português e é desenrolado. Veio de Córdoba para nos assistir, tamanha a quantidade de brasileiros em Bariloche, trabalha indiretamente para a CVC. Na cidade, os restaurantes abrem ao meio dia e fecham às 16 h, já o horário de jantar é das 19h30 até meia-noite.
Como estávamos cansados, decidimos jantar no restaurante ao lado do hotel: Cold Beer Hot Chilly Hot Food: peixe truta ao queijo roquefort com purê de batatas e vinho Malbec. Cheio de turistas da nossa excursão. Comi truta todos os dias, amo! Lá, conhecemos o Edison e a Roberta de Registro-SP, onde eles trabalham com plantas.
Continuaremos em breve. Bariloche promete muitas belezas e trutas…
Hoje é dia 23 de abril de 2022. Estamos em Guaramiranga na serra de Baturité no Ceará, a 108 km de Fortaleza, capital do estado. Cidade serrana amada. Fazia tempo que não voltávamos.
Mosteiro dos Capuchinhos em Guaramiranga-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estamos na Pousada Convento da Gruta, mais conhecida como Mosteiro dos Capuchinhos. O clima de 22°C é uma delícia. Estamos em plena estação invernal ou chuvosa. A natureza exuberante, o clima sempre mais ameno, os pássaros livres e as flores diversas fazem de Guaramiranga um destino procurado.
Vi novidade na pousada: obras do pintor Lucivaldo “de Pacoti” (cidade serrana ao lado de Guaramiranga) nas paredes. As pinturas dele são o retrato da serra, suas paisagens e pássaros são dignos de nota. No mosteiro, ele pintou santos católicos. O rapaz é talentoso.
Chove direto. Infelizmente, não oferecem mais a sopa da noite. Continua o café da manhã e almoço. Efeito da pandemia, dizem. O almoço com vegetais e legumes frescos é bom demais. Para jantar, aconselho descer ao centrinho, pois tem mais opções de refeições. As opções de delivery são limitadas.
Dia 24 de abril de 2022. O café da manhã é farto, bolos de milho verde e mole (típico do Ceará), canjica com pouco açúcar, frutas diversas da região, uma abundância.
Fomos passear e rever os amigos da cidade. Passamos pelo amigo Thiago da pousada Alto da Montanha. A sede é uma verdadeira galeria de arte com quadros de quem? Do Lucivaldo, certamente. Volta e meia nos hospedamos em um dos chalés, junto à mata. Sugiro no restaurante a canja e outros pratos. O café da manhã é um buffet fenomenal.
O Chalé das Montanhas veio abaixo, a pousada era composta de casinhas coloridas que faziam parte da paisagem… uma tristeza. As imobiliárias chegaram lá, fico chocada. No lugar dos chalés, virão construções outras que serão para venda e caríssimas. Não me acostumo com isso, espero de coração que não desvirtuem a beleza da natureza de Guaramiranga. Isso é modernidade?
No centro de Guará (apelido carinhoso), a pracinha com a feirinha, sempre lá. Ao lado, da amiga Ligênia, conheço a Docca Doceria. Saudações a ela e à sua querida mãe, dona Alice. No local, já teve restaurante. No momento, a Ligênia assumiu seu lado doceira. Ela também é uma artesã de qualidade. Sou sua fã.
Não vejo mais a dona Teresinha vendendo doces na pracinha do lado de trás. O seu João Caracas também não vende mais o seu café E Jóia na feirinha. Sinal dos tempos e da pandemia?
A caminhada foi boa, troquei muitos abraços. Também vimos a pousada Casarão dos Uchôa de 1904. Há história na casa. Nunca nos hospedamos lá.
Flor de Guaramiranga-Mosteiro dos Capuchinhos-Guará-foto tirada por Mônica D. FurtadoFlor no jardim do Mosteiro dos Capuchinhos-Guaramiranga-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
O almoço nos Capuchinhos foi perfeito. Tudo cultivado na serra. Os doces de ambrosia e banana são de sonhar. Guaramiranga é produtora de banana e café sombreado.
À tardinha andamos pros lados do restaurante Macario´s e suas vitórias-régias. Uma pintura o lugar. No caminho, passamos pela escola EFM Zélia Matos Brito e pela nova quadra esportiva com piscina para as crianças. A geladeira existente ali perto para doação de livros é um achado. O Manjericão Restaurante e Pesqueiro continua lindo.
Foi feito um calçadão em frente à pracinha principal de Guará com bloquetes, carros não são mais permitidos. Há bancos de madeira distribuídos na praça e peatonal, boa atitude. Achei tudo mais bem cuidado.
O jantar foi de cuscuz e complementos em uma das lanchonetes atrás da pracinha. Depois, sorvete com calda de chocolate amargo (que ainda é muito doce, na minha opinião) na Chocoberry na rua principal. Muitas opções gostosas. Fiquei impressionada com o movimento em um domingo, Guará sempre atrai.
Ao chegar à pousada de volta, um bom papo com o frei Helder, pároco do mosteiro. Muito culto.
Dia 25 de abril de 2022. O café da manhã sempre uma delícia. Os bolos de chocolate e laranja me deixaram querendo mais. Já perceberam que adoro bolo, né?
Vamos a Pacoti, cidade vizinha. É mais cidade que Guaramiranga, a população é maior e tem mais infraestrutura de bancos e comércio. Comprei bolachas na padaria de sempre: Panificadora Bonfim, rua Padre Constantino, 413 no centro. Faz parte da tradição.
Passamos por Forquilha e Botija. Pela Linha da Serra, rota turística, também. E a Pernambuquinho para rever o sr. João Caracas, do Café E Jóia. Gente boa demais. Mora na propriedade com a esposa e planta café. Tem a loja com mel, licores, bananas, passas de banana e café, logicamente.
No mosteiro, conhecemos o Alverne, lugar de meditação onde antes era a pocilga. Hoje é um lugar de veneração a São Francisco de Assis. Sua história é contada em placas quando foi ao Monte Alverne na Toscana (1300 m) e ficou em meditação sozinho em uma caverna na montanha só com pão e água, dados diariamente pelo frei Leão, seu ajudante. Ele testemunhou as Chagas de Cristo nas mãos e pés de Francisco. A capela é feita de madeiras, mesas, bancos reciclados da natureza. Tudo rústico e original.
Da próxima vez faremos a trilha do café e da banana na área do mosteiro, uns 200 m. de altitude. O chão de terra estava perigoso para a gente cair, por conta das chuvas da época e por ser íngreme.
A região da serra de Baturité oferece muito a ver: cachoeiras, o Pico Alto (1.115 m), os sítios históricos de plantação de café, como o São Luís, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, o museu da EPCAR etc. O sítio São Luís de 1858 vale a visita em Pacoti. Pertence à família de Cláudia Goes, por sinal, prima do meu pai. A filha Laura é responsável pela administração. A casa histórica e seus arredores são belos. Fazem um trabalho muito intenso de divulgação da região. Algo louvável.
Gostaria de ressaltar a Villa Nova Holanda em Mulungu. A casa e museu são atualmente mantidos pelo proprietário Max Cid de Holanda Furtado e sua família, são abertos à visitação. Também primo do meu pai. A família é grande… Finalizada em 1920, a casa principal continua com sua arquitetura colonial, típica da serra de Baturité. A família tem origem holandesa e é muito interessante conhecer sua história.
Uma observação: meu pai nasceu em Baturité, no pé da serra, cidade-sede, terra de meus antepassados da família Furtado.
Guaramiranga é preciosa. Nunca passo muito tempo sem visitá-la, a natureza exuberante nos chama e seu charme mais ainda.
Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras
Hoje é sábado, dia 19 de março de 2022. Indo embora de Icaraí de Amontada, mas antes um café da manhã com pão caseiro recheado de chocolate. Ficarei sonhando com o café da manhã da pousada Vila Icaraí. Só me repetindo que ter os donos cuidando do próprio negócio faz toda a diferença, gosto de hospedagens pessoais.
Conhecemos o Icaraizinho há uns bons 12 anos atrás. A estrada era de piçarra, hoje é asfalto e dizem que por causa das usinas eólicas e não por conta da população. A entrada e saída de Icaraí têm uns quebra-molas altos, um espanto. Uns 25 km até a Sol Poente (CE-085), os buracos na estrada são uma vergonha.
A cidade de Trairi a 68 km. Estamos na Rodovia Dr. Waldemar Alcântara. Falta equipe de manutenção de placas grandes de sinalização com nomes dos lugares e quilometragens. Se queremos ter um turismo internacional, temos muito a melhorar.
Passamos por Angelim, localidade com placas de energia solar (para colocar o motor de caixas de água par funcionar). Depois, Curralinho e Canaã, localidade onde haveria uma missa a São José naquele mesmo dia 19 de março, feriado. Eis o padroeiro do estado do Ceará. Diz a tradição que se chover na data, haverá um inverno bom.
Trairi à direita, as praias de Mundaú e Flecheiras à esquerda. Mais perto, Flecheiras à direita e Mundaú e Emboaca à esquerda. Estamos a 2 km de Flecheiras e 7 km de Guajiru. Praias fantásticas.
Usinas eólicas nas dunas e cheio de novidades em termos de construções. A cada dia Flecheiras muda. Chegamos em 1 h e meia de Icaraizinho. Encontramos os cariocas de ontem, estão encantados com o passeio.
Não tínhamos pousada definida, fomos na aventura. Encontramos vaga na pousada Vira Sol (com Rafaela) na Rua da Praia, 942. São dois prédios, um olhando para o mar. O restaurante da pousada é uma praticidade e gostei da localização com plantas facilitando a discrição dos quartos embaixo.
Eu e Flecheiras-Ceará-foto tirada por Carlos AlencarPiscinas naturais em Flecheiras-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Algo especial da praia é o banho de mar de água “quente” nas piscinas em frente à pousada. Após o banho, almoço no restaurante da pousada: peixe Galo Alto grelhado, legumes salteados, arroz e farofa. Por R$ 92,00. Comida de beira de praia geralmente é boa. O garçom Batista é atencioso.
À tarde, sorvete Pardal de cajá e graviola na Sorveteria da Lya. Tudo se faz a pé, Flecheiras é pequena. Bem cuidada, é uma das minhas praias preferidas, só não quero muitas construções a fim de não perder o charme. No centrinho, há bloquete, estavam colocando da sorveteria até a igreja de São Pedro. Sempre apreciei caminhar pelo calçadão que se estende pelo litoral. Revemos pousadas conhecidas nas quais já nos hospedamos: O Paiva, Casa do Alemão, The Red House etc. O Paiva tem restaurante muito bom e agora uma Casa de Crepes e Waffles com sabores exóticos, promete. E existe um músico no calçadão em frente tocando sax, chique! Perto da pracinha no centro, há a pousada Ubaia, nossa velha conhecida.
Vamos às novidades no centrinho, a padaria fechou (que pena! A gente jantava lá), mas há supermercado, lojas, pizzarias e restaurantes novos.
Percebi o mar subindo mais. Incrível. O passeio no sábado à noite é uma delícia. Sempre bom reencontrar uma ex-vizinha minha aqui de Fortaleza, Amanda, que mora em Flecheiras com a família. Sua loja Mandarina e a hamburgueria do marido (espanhol) ao lado fazem parte do cotidiano. Bom papo.
Vi placas de campanha pela limpeza na praia e contra paredão de som. Porém, penso que a prefeitura de Trairi deveria ter um pelotão de limpeza de praias fixo, eu vivo recolhendo lixo reciclável. Vamos combinar… limpeza é básico. O calçadão com pedras quebradas há de melhorar. Flecheiras está com muito mais gente, festas e barulho. Para quem gosta de ouvir o som do mar, fica sem opções. O jeito é ir durante a semana.
Dia 20 de março de 2022. O café da manhã básico. Muitas pessoas viajando, pelo visto. Gostei do quarto da pousada com varanda com aquele visual praiano inigualável, dia ensolarado, lindo. O chuveiro foi o melhor até agora. A base de preço na baixa estação é de R$300,00/350,00 a diária. Muitos ônibus com turistas do tipo ida e volta no mesmo dia.
Ao partir de Flecheiras, decidimos dar uma passada na praia de Mundaú, nossa querida, mais calma e tão atrativa quanto Flecheiras para um final de semana. Existe uma APA (Área de Preservação Ambiental) do estuário do rio Mundaú. Na ida, cruzamos a praia de Emboaca, certa vez comemos uma lagosta lá. Em Mundaú, revimos a localidade com suas casas de pescadores e de moradores e fomos até o porto de onde saem os barcos de passeios. Voltaremos, vale a pena.
Fim de viagem. Mais uma jornada por este nosso nordeste brasileiro tão bonito e com tantas variedades de cenários. Passamos por chapada, cidades serranas, parques nacionais, praias, cidades litorâneas, enfim, por muita beleza.
Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e o passeio de barco no rio Aracatiaçu
Hoje é dia 18 de março de 2022. O café da manhã da pousada Vila Icaraí tem um detalhe saboroso: os pães caseiros feitos por um suíço.
Após o café, aceitamos a dica da Isabela (proprietária da pousada) e fomos para as piscinas naturais ao lado dos currais de peixes, a maré tem que estar baixa. Que banho maravilhoso. Tinha uma família de Curitiba se divertindo com snorkel.
O almoço foi no restaurante Hibisco da suíça Dominique. Pedimos “peixe no limão” por R$86,00 para duas pessoas. 400 g de filé de peixe salteado com molho agridoce de limão e ervas finas. Uma delícia. No passado, o peixe era coberto por uma folha de alumínio, prato igualmente gostoso. Sem dúvida, um restaurante dos melhores. Em Icaraizinho se come feijão preto, hábito comum também em Canoa Quebrada e Jericoacoara. Aproveitamos para conhecer a pousada no mesmo local. A praia é o paraíso dos franceses moradores e visitantes.
Mangue no rio Aracatiaçu-Moitas-Ceará-foto tirada por Mônica D. FurtadoTúnel do Amor no rio Aracatiaçu-Moitas-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
À tarde o passeio de barco em Moitas, 6 km de Icaraí. Escolhemos o Porto das Gamas com o Iran. O barco é uma chalana e se chama Pérola. O barqueiro é o Edinho. Fomos por conta própria, tivemos sorte de encontrar uma família do Rio de Janeiro para ir junto. No passeio do rio Aracatiaçu, nos deleitamos com a bela natureza, o mangue é impressionante. Arraia, robalo, garoupa, peixes diversos existentes no local. O Túnel do Amor é belo, a entrada e saída nos encantam. O rio nasce no município de Sobral (no norte do Ceará), são 3.512 km².
Vamos até os mangues, vimos caranguejo vermelho do mangue. O pernilongo dito borrachudo marca presença. O repelente é obrigatório. Passando pelo mangue, chegamos perto das dunas. Que programa! Para mim, uma novidade, descobri que esse passeio ocorre há uns cinco anos, pois não havia eletricidade antes na região.
Ilha das Ostras em Moitas-Ceará-foto tirada por Mônica D. FurtadoIlhas das Ostras-Moitas-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Descemos na Ilha das Ostras onde o povo come ostras e caranguejos em um restaurante simples. Pode chegar no lugar de bugre por cima das dunas. Tiramos fotos mil. Digo que só agora que os turistas estão descobrindo as maravilhas do passeio. O grupo do Rio se separou da gente e foi com o Iran ver o pôr do sol na duna.
Nós continuamos com o Edinho e voltamos pelas dunas. Ainda bem que não choveu. Há um ponto na duna que tem um lago de água doce debaixo dela, com um bar ao lado, que peculiar. Voltamos ao Porto das Gamas. Aconselho, gostei muito. Pérola passeios: 88-999686717. R$40,00 cada, pago a dinheiro. Na volta de Moitas no escuro, percebi animais na pista, cuidado.
O jantar foi pizza marguerita com coca, uma tradição. O restaurante Hibisco vale a pena. Oferecem amendoim de petisco e existe um cuidado com a natureza quando fazem reciclagem e compostagem. A proprietária ser suíça explica a consciência ecológica. Não vejo isso normalmente, infelizmente. No cardápio sugerem esquecer o celular e se concentrar no som do mar, nos uivos dos ventos e no farfalhar dos coqueiros. Não é deslumbrante? Eu acrescentaria, o diálogo dos grilos. Icaraizinho adorável, grande Dominique. Com a lua cheia, a praia fica mais poética. O garçom Bruno colabora com a sensação boa de acolhimento.
De Icaraizinho viajaremos a Flecheiras. Sempre muito bom estar em um lugar tão mágico.
Hoje é dia 17 de março de 2022. Estamos na pousada Vila do Icaraí. O café da manhã é saudável: pães caseiros, brioches, frutas, sucos, o usual “gostoso”. Estar juntos com os donos Isabela e João faz a diferença na hospedagem. Interessante que no banheiro do quarto há uma claraboia que ajuda na iluminação natural. Não chove no momento, ainda bem, estamos no período chuvoso. Informe importante: cuidado com o gato Mingau da pousada. Muda de humor de uma hora para a outra.
Vamos passear. Na beira mar, a gente via a bela enseada com coqueiros. Hoje, está coberta por pousadas que foram construídas, aí para ver o mar tem que adentrar as ruelas que dão para a praia, uma lástima. Temo que construam tanto que o Icaraí perca seu charme único, original, bucólico.
Praia de Moitas-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
A ideia é conhecer a praia de Moitas, distante 6 km. Estamos de carro. A placa indicativa se encontra dentro do Icaraizinho. Tem que prestar a atenção. A estrada é no bloquete, passa-se por usinas eólicas. Calçamento e areia, entramos no local bem falado ultimamente. Fomos atrás de saber mais sobre os passeios de barco no rio Aracatiaçu. A Associação dos Moradores Nativos de Moitas é responsável. O passeio no túnel, a Ilha das Ostras, os igarapés, dizem que vale a pena, estamos curiosos. Há três portos pelo rio, conversamos com o Evandro do Porto Redeão. Fone: 88-981040748. O passeio só sai com a maré alta. E detalhe: duas pessoas por R$150,00. Não tem sinalização para a praia, só vai perguntando, o lugar é espraiado, mais remoto, não tem o movimento de Icaraí. Até carro de boi vimos.
Foi difícil chegar à Barraca da Queila pela falta de sinalização, mas chegamos. Simples, rústica. Há outras barracas à beira mar. O mar é calmo, bonito, fomos caminhando até a barra do rio. Apesar de muito seco, encontramos um ponto de apoio com mesas e bancos de madeira do lado do mar, sem uma viva alma. De longe, vimos um porto com barcos. Na volta, almoçamos na Queila: peixe guarajuba, baião de dois, farofa e molho vinagrete. Nada mais litoral. Comida boa, gostei. Foi boa a dica que nos deram.
Almoço na Barraca da Queila-Moitas-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Depois do almoço, banho de mar com marolas (pequenas ondas). Praia diferente, há muita gente de Fortaleza que vai direto a Moitas e lá fica. É outro mundo, muito mais tranquilo. Achei a praia parecida com a da Redonda de Icapuí, com o visual dos barcos de pescadores no horizonte. Um cartão-postal.
Retornamos a Icaraizinho (nome carinhoso, aliás) e vamos andar na praia. O entardecer é magnífico, de uma beleza única. As fotos ficam poéticas, surfistas pegam ondas e um professor ensina seus alunos mirins na própria praia, a vida cotidiana da vila. Gente de sorte, não sabem o que é a correria de uma cidade grande. Detalhe: em região de mangue, existe um pernilongo denominado de “mutuca”. Pega a gente sem dó nem piedade, por isso a necessidade de repelente.
Para o jantar, mais empanadas do argentino Martin no “La Juanita” no Saint German Wind Residence, amo! Batemos altos papos com ele. Mora em Icaraizinho. Eu não vejo a hora de chegar a Fortaleza. Empanadas, tudo de bom. Já o suco foi na Casa da Pedra, pois no Martin só tinha refrigerante. A garçonete Nena nos atende novamente. Sugestão da Nena: conhecer a praia de Caetanos de Baixo (onde existe a Bica do Pote, literalmente, uma bica natural que sai de um pote, mas que refresca o visitante acalorado) e de Cima (onde estão os Lençóis: com dunas, lagoas, mar verde azulado), perto de Icaraí. Valeu! No final, fica para a próxima…
Decidimos passar mais um dia em Icaraí, afinal queremos fazer o passeio de barco no mangue com mutucas e repelentes… Depois conto mais.
Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada
Hoje é dia 16 de março de 2022 e é hora de partir de Jeri. Mas antes tenho algo a dizer. É opinião de moradores que o parque nacional deveria ser privatizado, uma vez que prefeitura e estado não dão conta. Faltam lixeiras e gente para recolher o lixo. As pousadas querem assumir o parque, mas não podem. No final, são os donos das pousadas que cuidam do lixo. Não está certo, pois se paga a entrada e a do carro no estacionamento e entra muito dinheiro. Espero que resolvam isso.
Importante ressaltar que a origem do nome de Jericoacoara é tupi-guarani, significa “buraco das tartarugas”, pelo fato de a praia ser lugar de desova das tartarugas (em www.portaljericoacoara.com.br).
Saímos da pousada, prestes a ir embora. O Carlos pegou o carro no estacionamento, foi de jardineira, porém demorou muito para retornar. Entre 9 h e 10h30, o movimento é grande de transportes de turistas. E detalhe: estava chovendo, logo a rua de areia vira poças de água. Enfim, vamos embora pela praia em direção à praia do Preá. Que aventura! Estamos em um veículo tracionado, tem que ser.
Passamos por dunas, devemos seguir o balizamento, Há uma barra de rio muito forte pelo caminho. Há o perigo de atalhos, por causa de cascalhos e areias traiçoeiras, uau! Tração máxima, adrenalina mil. Prosseguimos pela trilha de areia atrás de uma Hilux e chegamos ao Preá. Rochas na praia. Vida de Indiana Jones.
A vila do Preá é o “point” dos kitesurfistas, com pousadas charmosas ao longo da praia. O local é mais calmo que Jeri. Quem não gosta de fuzuê, fica lá. Faz parte da prefeitura de Cruz. Segundo o Carlos, mudou muito, hoje tem construções mil, um futuro shopping center, restaurantes, lojas etc, em suma, crescendo. Maior do que eu imaginava. A vila é uma gracinha, promete. Detalhe: a Lagoa Azul, que é a continuação da Lagoa do Paraíso em Jeri, se localiza no Preá.
Estamos na CE-182-Rodovia Manoel Raimundo de Medeiros. Passamos pelo distrito de Caiçara. A Lagoa da Jijoca é Área de Proteção Ambiental (APA). Mais 5 km, Lagoa Azul. Em frente, Itarema, Cruz e Fortaleza. O aeroporto é por aqui. Cajueirinho, Aranaú e Lagoa Salgada à esquerda, Cruz (5 km) e Acaraú (13 km) em frente. Nesta região chove bastante, porque toda a costa é verde. Estamos na BR-403, km1.
Entramos em Acaraú, município. Praça do Lazer da Bailarina, entreposto de pesca, adentramos a cidade, limpa, com sinalização, ótimo. Um motoqueiro gente boa nos levou ao caminho de saída, que gentil. Av. Nicodemos Araújo. Rumo a Itarema (16 km). Vemos muitos coqueiros.
O distrito de Juritianha (de Acaraú), cuja paróquia é de Santa Rita de Cássia, nos recebe. Bem arrumadinho. Rua de bloquete. As praias: Espraiado e Volta do Rio. Itarema a 8 km.
Entramos em Itarema no calçamento, passamos pela sede do município. Muitos coqueiros pela estrada. Paramos em um restaurante de estrada Campo Verde, vizinho a um posto de gasolina, para almoçar em Itarema. Comida simples e boa no quilo a R$17,00. Gostei.
A região é verde, bonita de se ver. Icaraí à esquerda, o município de Amontada à direita. A estrada era de piçarra da braba, quando fomos as primeiras vezes conhecer o paraíso. Hoje, asfalto. Chegamos cedo da tarde. Era uma vila de pescadores e ainda é rústica de certa forma, pois não tem caixa de banco ou banco, as operadoras de telefonia são limitadas e por aí vai. A 190 km de Fortaleza, está na Rota do Sol Poente (litoral oeste).
Icaraizinho de Amontada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Nos dirigimos à pousada Vila do Icaraí, situada à rua Joaquim Alves Parente, 702 (paga pelo sistema Bancorbras). A coincidência é ser do João (e da Isabela), irmão do Gabriel que já foi chef do restaurante da pousada Hibisco na mesma praia. Hoje, ele é chef do Mandacaru em Pontal de Maceió. Estivemos lá.
Gostei do chalé. A segunda pousada que conheço a ter estendedor de roupas para os hóspedes, acreditem, fundamental para quem vai à praia e tem roupas molhadas. Genial! Amei. Mais, cabides, estantes para malas, lixeira no quarto de cipó, porta-copos nos dois criados-mudos, enfim o conforto para o hóspede pensado em detalhes. Parabéns!
Sempre que íamos a Icaraizinho, ficávamos na pousada Saravá (em frente àpousada Hibisco), atualmente comprada pelo grupo hoteleiro Carmel. Doces lembranças dos queridos Jean Pierre (francês) e Vilma (São Paulo) que moravam na casa no primeiro andar e cuidavam dos hóspedes no térreo. Degustamos muita ostra com vinho branco embaixo do coqueiral. Foram embora para a França, segundo soube, e por motivo de doença, se não jamais teriam deixado lugar tão inebriante. Essas mudanças mexem comigo negativamente, serão casas que faziam parte da paisagem a serem destruídas, uma tristeza. Empreendimentos grandes estão pipocando em todo o litoral do Ceará. Eu gosto mais do simples, natural, original.
Seguimos a rua do colégio, a nossa pousada fica na rua Joaquim Alves Parente, engraçado que existe a rua Pedro Alves Parente. A praça dos Navegantes, onde se situa a igreja (amarela) NossaSenhora dos Navegantes, é limpa e agradável. Local dos jovens se encontrarem. Boas memórias de sentar na praça à noite e ver o tempo passar. Quase 20 anos sem ir lá. Mudou bastante, muitas construções de pousadas. Para se ter ideia, a gente via o mar com a sua beleza quando sentados na praça, hoje não. Há hotéis ao longo da orla, acabou o visual.
Paramos na Casa de Pedra (rua João de Castro, 2156) para um café. Perto da pracinha, sempre foi boa em termos de lanches. Descobrimos uma loja de empanadas argentinas, filial da de Cumbuco ali perto. Amamos empanadas.
Mais tarde, jantar de crepes de frango e marguerita para nós na Casa de Pedra. Depois, sorvete de chocolate amargo, delícia. Chove. A simpática garçonete Nena foi aluna da Vilma. Ela era professora de matemática da escola pública. Mundo pequeno.
Entardecer em Icaraizinho de Amontada-Ceará-foto tirada por Mônica D. Furtado
Continuaremos com Icaraizinho. Há muito a oferecer em temos de passeios de barco, bugre e esportes como o kitesurfe. Tem opções de pousadas. São charmosas e a maioria é gerenciada por franceses. Come-se bem. Eis uma praia encantadora.
Hoje é dia 15 de março de 2022 e estamos no Parque Nacional de Jericoacoara. O café da manhã é ao lado da pousada onde estamos hospedados, pois pertence ao mesmo estabelecimento. Recanto do Barão, na Rua do Forró, 433. O café da manhã foi muito bom: tapioca a pedidos, tortinhas de frango, pudim, torta de chocolate com musse em cima, torta de chocolate com cenoura (com pouco açúcar), cuscuz com queijo, frutas variadas, sucos e por aí vai. Na recepção: o goiano Alexandre.
Manhã para ir à praia. O banho de mar com ondas pequenas e sargaço (algas), o mar calmo. A areia é escura, e a praia já foi mais distante. Deu para aliviar o calor. A chuva esparsa. Apesar de estarmos na quadra invernosa, a quentura estava grande.
Para o almoço, seguimos na mesma rua da pousada e fomos ao restaurante Sabor da Terra. A lagosta grelhada na manteiga, arroz branco, brócolis, purê de batata e farofa. Mais uma boa cerveja Corona Extra, vale! O garçom Francisco muito solícito. O lugar é rústico e agradável, na areia. A música é nordestina e o logradouro faz parte da história: o primeiro restaurante da vila (mais de 30 anos).
Outro ponto histórico: a pousada Hippopotamus foi a primeira pousada. O forró do passado que tanto encantava, não existe mais. Atualmente é o restaurante Dona Amélia. Uma lástima ter acabado local tão emblemático de Jeri. No Sabor da Terra foi bom ter visto as fotos antigas na parede. Deu saudades da Jeri que conheci em 1987. Era uma vila de pescadores simples, sem luz, sem água encanada, a gente andava de lamparina pela vila, ia a uma duna gigante, via porcos e galinhas na rua. De outra vez, peguei um bicho-de-pé, uma aventura. O forró era o ponto alto da noite. O som vinha de um aparelho simples e os turistas nacionais e internacionais estavam lá. Era uma diversão. Hoje, o forró pé de serra ocorre onde estão os quiosques de bebidas na beira da praia. Alguns restaurantes também oferecem músicas variadas.
Pedra Furada-Jericoacoara-foto tirada por Mônica D. Furtado
À tarde, momento de passeio até a Pedra Furada por cima do monte. Fomos de charrete com o burrinho Manhoso e quem nos levou foi o Valdemar por R$60,00. A subida é íngreme e o caminho é para os lados do cemitério. No serrote verde, com jumentos e cacto mil, vimos a famosa Pedra Furada lá embaixo no mar. Eu não desci, muito empenho a fazer.
Igreja N. Sra. da Consolação-Jericoacoara-foto tirada por Mônica D. Furtado
Na volta, já a pé, entramos na igreja de Jeri na Rua da Matriz. Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou Nossa Senhora da Consolação é o seu nome. Foi inaugurada em 1964, obra iniciada pelos próprios moradores em 1963 (em www.minube.com.br). Toda na pedra, é graciosa de se ver.
A vila é repleta de diversos becos charmosos, como o Beco do Samba, o Beco da Padaria etc. Falando em padaria, nosso jantar foi um lanche na mesma padaria do dia anterior: Padaria CentralJeri. Misto quente e suco de laranja, ótimo.
O local é pequeno, as ruas são poucas: do Forró, Principal e São Francisco. Nessa, há restaurantes transados, bonitos e se encontra o estrelado Pimenta Verde. Lotação na vila. Os visitantes animados estão andando a pé, à vontade, de chinelos de dedo ou sandálias. MPB nos restaurantes, famílias com crianças, idosos, mochileiros, casais, enfim os turistas e os nativos curtindo a “night”. Em uma terça-feira, achei incrível. O bom é que muitos empregos são gerados.
As lojas de lembrancinhas têm muito a vender. A de bijuterias Contos de Fadas é fantástica, nunca vi igual. Para se ter ideia, existem lojas que não existem em Fortaleza, mas em Jericoacoara. São estilosas. Fiquei tresloucada com tantas maravilhas.
Vale a pena demais! Jeri, atração total. Muitos passeios a fazer, gente bonita e feliz, um arraso. Continuaremos com Icaraizinho de Amontada.
Hoje é dia 14 de março de 2022. Em Camocim a Beira Mar está repleta de pescadores, o cheiro de peixes e algas é grande.
Um pouco sobre a cidade, segundo a Wikipédia. A antiga vila de Camocim foi fundada em 29 de fevereiro de 1879 e a cidade foi emancipada de Granja em 17 de agosto de 1889. Antes do séc. XVI, o território era ocupado por povos indígenas, tais como Tabajaras, Tremembés, Jenipaboaçus e Cambidas. Camocim vem do tupi-guarani e significa “buraco ou pote para enterrar defunto” (de acordo com Silveira Bueno e Gonçalves Dias). A construção de uma ferrovia na região foi fundamental para o desenvolvimento da então vila e região no séc. XIX. O ramal da Estrada de Ferro de Sobral até Camocim foi fechado em 1977, sob protestos, pertencia desde 1910 `a empresa The South American Railway Construction Limited.
O site http://www.camocim.ce.gov.br nos diz que um camocinense importante foi Pinto Martins, aviador. Há muito potencial turístico nos seus 60 km de praias. A Praia do Maceió e a Ilha da Testa Brancaou Ilha do Amor, do outro lado do rio Coreaú, são promulgadas Áreas de Proteção Ambiental (APA). O píer flutuante, para embarque e desembarque de passageiros que utilizam as lanchas de turismo ou de transporte para as comunidades interioranas, virou atração turística, uma vez que ver o nascer do sol e a lua cheia de lá é impactante. Outro ponto marcante é o Estuário do Rio Coreaú, reserva natural com manguezais, flora e fauna da região, habitat de garças azuis, caranguejos e aves marinhas.
Até logo, Camocim, voltaremos. Uma paixão! Saímos do hotel, sem a ajuda de atendentes. Saímos pela Rua da Independência, estamos no centrão, a pracinha do coreto é uma delícia de tranquilidade. Pegamos o caminho em direção a Granja, que passamos por fora. Parazinho a 20 km. Bem sinalizado. Pegamos a Sol Poente (CE-085). Jijoca em frente, Parazinho à direita. Eram distritos de Granja, hoje emancipados.
Ainda fora do município de Jijoca, contratamos um motoqueiro-guia para nos levar ao ParqueNacional de Jericoacoara. Isso é obrigatório, mas o valor é negociável, cobrou R$60,00. Sai na frente e nós atrás de carro. O Mangue Seco à esquerda, a Lagoa do Paraíso em frente. Estamos na APA de Jericoacoara. Mais uns 20 km chegamos a Jeri, como é carinhosamente conhecida. Vemos pousadas mil, além de restaurantes pelo caminho, estamos em asfalto, piçarra, dunas, uma aventura, bom para carro tracionado. O tempo é invernoso, então são poças e poças de água que cruzamos, altos e baixos, bem Indiana Jones. Tudo verde, passamos pela Lagoa do Paraíso, muito movimento de bugres, motos e carros. Impressionante. Eu diria que o percurso é difícil, tremeluzente, a gente pula dentro do carro, mas é inusitado. As trilhas de areia de dunas e o túnel de cajueiros não têm igual. Que jornada!
Interessante mencionar que conheci Jeri em 1987, era um deslumbre, nem luz tinha. Fui com uma conhecida que topou a viagem de ônibus comum: Fortaleza-Jijoca, 40 paradas, saímos às 8 h e só chegamos a Jeri às 17 h. De Jijoca a Jeri foi no velho pau de arara ou jardineira, uma hora passando por dunas e sacolejando muito. Que máximo! O banho era de poço, meu cabelo ficou um espanto, pois a água era salobra. Boas lembranças… e o forró? A Gente ia de lamparina feita de garrafa pet e vela dentro. Dançava, se divertia, eu nunca havia visto tantos estrangeiros em um só lugar. Jeri sempre foi fascinante. A natureza bela, única, a vila com cachorros soltos e porcos. Era pequena e toda na areia. Andamos de jangada pela manhã, a gente dava conta da vila bem rapidinho, era uma vida lenta, tranquila. Ah! A gente se hospedou na casa de uma nativa. Era outro mundo. Depois voltei nos anos 90, já tinha luz e mais pousadas. Muito divertida, ainda com o forró e muita festa.
Agora em 2022, revejo Jeri e percebo o quanto mudou. Radicalmente. Para começar, existe o aeroporto que trouxe muita gente de fora do Ceará, principalmente, de São Paulo. Em pleno março, na estação das chuvas e Jeri lotada.
Na entrada do Parque Nacional de Jericoacoara há um quiosque onde se pagam as diárias, as pessoas acima de 60, não precisam pagar. A primeira via é do hotel e a segunda, do turista: R$30,00 até 7 dias. Para quem vem de carro tracionado, o estacionamento pago, de R$40,00 a diária, é fora da vila; para quem vem sem carro com tração, o estacionamento é em Jijoca e aí se pega o transporte. No passado, caminhão jardineira; hoje, HILUX com bancos atrás. Quem tem mais de 60 anos, pode ser levado ao hotel no seu próprio carro, porém depois tem que trazer o veículo de volta ao local estipulado. A ADEJERI (Autarquia de Jeri) é responsável por tudo isso.
Enfim, cansados, adentramos o hotel Recanto do Barão, Rua do Forró, 433 (pago pelo sistema Bancorbras). Como só podemos entrar no quarto às 13 h, o Carlos foi deixar o carro no estacionamento e voltou de jardineira própria do local. O hotel repleto de hóspedes, Jeri é sempre um “point”. Na recepção, o goiano Alexandre é solícito e simpático. Nos indicou o Restaurante do Bigode, na mesma rua, ali perto. Menu: um pargo na brasa, com arroz, feijão preto, farofa e macaxeira, foi bem farto. Oferecem suco de graça ou duas caipirinhas. A fome ajuda… O preço do almoço custou R$140,80. Digno de nota dizer que feijão preto é muito apreciado em outras praias do Ceará, como Canoa Quebrada e Icaraizinho de Amontada. Sempre achei interessante.
Rua em Jeri-foto tirada por Mônica D. FurtadoPraia e duna em Jeri-foto tirada por Mônica D. Furtado
A vila é um charme, com muitas opções de restaurantes, lojas, cantinhos, cafés, pizzarias etc. Música por todos os lados, gente alegre, a felicidade no ar. Eu fiquei deslumbrada! O calor está intenso, pega fogo. A vila ainda é na areia, dá para entender o motivo pelo qual atrai tanta gente. O lugar é vivo, ferve de tanta atividade.
À tardinha, passeio pela vila. Sorvete no Gelato & Grano, bancos em botijões de leite, original. Vi pousadas antigas, conhecidas minhas, como a Matusa, Hippopotamus, Capitão Thomaz. A pracinha principal é uma lindeza, os becos e detalhes também. Entrei para conhecer a Loja Mundo Jeri, da Associação das Crocheteiras, na rua Principal, s/n. Comprei chapéu e colares de croche, vi maravilhas.
Rumamos à praia, mar calmo, de cor escura, sempre foi assim, era mais distante, hoje se aproximou. A duna do pôr do sol diminuiu muito. Chocante presenciar tal destruição. Era muito alta, lembro que a gente subia todas as tardes e ficava com as canelas doendo, uma lástima estar desaparecendo.
Anoitecer em Jericoacoara-foto tirada por Mônica D. Furtado
No fim da tarde, há muita gente na praia. Ao sair da Rua Principal, já se está na praia. Carrinhos de bebidas, gente jogando vôlei, comendo, curtindo o visual. Alguns restaurantes chamam a atenção: o Mosquito Blue Restaurant &Wine Bar e o Bar e Restaurante Sol. Transados, bonitos entre coqueiros e árvores outras. O Carlos tomou banho de mar, eu fiquei observando o movimento ao redor e tirando fotos. Há um clima de liberdade diferente. O forró pé de serra propagandeado é ali na praia mesmo, no meio dos carrinhos de bebidas. O antigo forró, infelizmente, não existe mais, é um restaurante atualmente.
Bom dizer que se recicla o lixo no Parque Nacional. Subimos na duna e nos deliciamos com as belezas de Jeri.
Retornamos ao hotel. Comentário: sempre me pergunto em um local praiano como não existe lugar no quarto para as roupas molhadas? Para o jantar, algo simples na Padaria Central Jeri: misto quente (sanduíche de queijo e presunto na chapa) e suco de laranja. Local cheio, em uma segunda-feira, incrível!
Eis Jericoacoara, com tantas opções de comida e lazer que fica difícil decidir. É um caso de amor. A loja Americanas Express, na Rua do Forró, se situa em uma casa linda, de placas de madeira. Jeri é autêntica, única, limpa. Não se usa saco plástico, a sacola dada é de papel. A Natureza agradece.
Hoje é dia 13 de março de 2022, estamos na agradável Camocim, cidade ventilada, toda voltada para o litoral.
O café da manhã foi básico no Dunas Praia Hotel (av. Beira Mar, 1449). Localização muito boa, à beira mar, como o nome da avenida já esclarece. O clima estava abafado com prenúncio de chuva, estamos no inverno no Nordeste do Brasil. Isso significa estação chuvosa.
Vamos passear? O hotel Sun City chama atenção, chique que só. Queremos ir à praia do Maceió, distante 12 km de Camocim. Passamos pela barraca Dona Mazé, pelo restaurante El Mirador e dobramos à esquerda na logomarca do DAER (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem). Vemos condomínios de casas, casas em forma de cubos, bem interessantes. A cidade cresce para essas bandas.
Passamos pelo Lago Seco, que é grande, por campos com gado e pastagem rala. Rodovia asfaltada até lá. Praias, dunas, muitas dunas, mar aberto, um descampado imenso. Área de desova de tartarugas.
Chegamos à zona urbana da Praia do Maceió, um vilarejo com pousadas e mais casas. As pousadas Vila Zen e Casa Grande são atraentes. O local é turístico com muitos ônibus de turismo, passeios em jardineiras, cavalos para se andar na praia, enfim, lugar próprio para hospedagem.
Barra dos Remédios em Camocim-foto tirada por Mônica D. FurtadoFoto bucólica do caminho da Praia do Maceió à Barra dos Remédios-Camocim-foto tirada por Mônica D. Furtado
Pegamos uma trilha na duna para a Barra dos Remédios, lembrando que estamos em um carro tracionado. Falamos com um guarda municipal que nos deu a devida informação. Só vemos dunas e areia pela frente, eis um passeio Indiana Jones. Há poças de águas pelo caminho, gaviões, jumentos e vacas. Vemos comunidades de pescadores. Infelizmente, em um lugar tão ermo existe a falta de consciência das pessoas em jogar garrafas e copos plásticos ali. Não combinam com o paraíso.
Continuamos o percurso. Parque eólico da Praia Formosa, ao lado, choupanas de apoio aos pescadores e seus barcos, turistas fazendo passeio de bugre, cavalos, porcas comendo mato e tomando água doce, praias desertas. Praia da Barrinha, depois Xavier, com casas de pescadores de alvenaria coloridas, algo inédito. Não vimos uma viva alma. Há cultivo de algas e se catam mariscos. Também confeccionam artesanatos com escamas do peixe camurupim e conchas marinhas. Diga-se de passagem, já vi lustres belíssimos para vender na praia de Flexeiras.
Finalmente, a Barra dos Remédios, o encontro do mar com o Rio dos Remédios, o mangue denso completa a paisagem. A praia da Barra dos Remédios possui muitas rochas na areia. Completamente sem ninguém, vale a aventura. Considerada uma das cinco praias desertas mais bonitas do mundo.
Na volta à Praia do Maceió, chuva forte. Seguimos um bugre e nos deparamos com um pequeno santuário de Nossa Senhora de Fátima, santos e Padre Cícero (figura religiosa venerada no Ceará e no Nordeste brasileiro, principalmente, considerado santo pelo povo).
Almoço do O Osmar na Praia do Maceió em Camocim-foto tirada por Mônica D. Furtado
Ao chegarmos, fomos pedir o almoço no restaurante O Osmar à beira mar e tomar banho naquele marzão. O restaurante é aberto nas laterais, dois andares, todo na madeira. O prato de peixe pargo grelhado, baião de dois, salada, farofa e vinagrete foi apetitoso e em conta: R$90,00, e o papo com o garçom Arnaldo (já morou em Fortaleza, logo tínhamos conhecidos em comum) e o dono sr. Osmar nos deu alegria. Gente acolhedora.
O Arnaldo nos deu muitas informações sobre Camocim. Já foi mais completa em termos de instituições, hoje para resolver algo no judiciário, por exemplo, tem que ir a cidades como Chaval ou Jijoca.
Camocim linda-foto tirada por Mônica D. FurtadoVisual de Camocim e seus barcos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Após o retorno a Camocim, à tarde, fomos passear no calçadão enorme da Beira Mar. Que delícia! Os barcos marcam a paisagem com cores que ficam na memória. O rio Coreaú e sua amurada nos presenteiam com fotos incríveis. Passamos pelo armazém e as docas que recebiam mercadoria de fora no passado. Exportavam sal, cera de carnaúba, peles de animais etc. Tempos áureos da cidade. Segundo o Carlos, frequentador na sua juventude, tudo já foi bem mais cuidado, era uma pérola, além de ser importante entreposto comercial. Se eu fiquei maravilhada hoje, imagine naquela época.
Jantamos no restaurante Budega Nordestina na Beira Mar. Temático com símbolos do Nordeste brasileiro e peculiar com nomes da terra para cada tapioca, pastel, prato. Pedimos catrevagem, ou seja, panqueca de frango desfiado com milho, requeijão e queijo mussarela, coberta de molho de tomate da casa. Já contei que saboreamos no dia anterior panquecas também. Sentamos na calçada na farra. De acordo com eles, a comida mais regional do litoral oeste. Há uns dizeres provocativos no local: “Deixe de onda, a gente é moderno!” e mais reza para quebrante e mau olhado: “Quebrante e mau olhado: olho excomungado que te botaram com os olhos na cruz do Senhor. -Vai-te quebrante pras ondas do mar sagrado sem fim, amém”. Assinado Dona Mirtes Rocha. Os nomes das comidas são engraçados: cumade, cumpade, madrinha, arroxado, fuleragem, fuxico, aperreada, apressado, apombaiado etc. Só diversão.
Antes das panquecas saborosas, tomamos um Aperol Spritz, nada mais refrescante! Aperol, espumante, água com gás e rodelas de laranja para celebrar a bela paisagem de Camocim. Viva!
Voltamos a pé para o hotel, tudo calmo. Ver pessoas sentadas na rua e pescadores conversando em grupo enquanto ainda trabalham em suas redes é um bálsamo. Muito salutar caminhar na paz. Gosto de cidades assim, pois oferecem qualidade de vida aos seus habitantes e mais tranquilidade no seu cotidiano.