Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 1

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 1

Hoje é dia 15 de agosto de 2022. Às 8 h saímos do hotel com o grupo do Circuito Chico (circuito menor) e Cerro Campanário (faz parte do itinerário da empresa turística CVC). Havia outras programações. Como não têm telefones no quarto, vamos no velho despertador para acordar no horário certo. Interessante ainda haver bidê no banheiro.

Em Bariloche, não há sinais de trânsito, só faixas de pedestre. Povo educado respeita o pedestre.

O nosso motorista é o Malem e o guia se chama Fabrício, também guia do Parque Nacional Nahuel Huapi. O passeio promete. Passamos pela Catedral de San Carlos de Bariloche e lago Nahuel Huapi, pelo lado oeste da cidade. O lago, por sinal, margeia o parque nacional citado acima. Aliás, Nahuel Huapi na língua indígena Mapuche significa: “ilha do tigre”. Reconhecemos o hotel Huinid, onde nos hospedamos há 5 anos. É amplo, perto do lago, com um cenário encantado, porém mais longe do centro.

O famoso hotel Llao-Llao (se fala chao chao) fica a 25 km do centro, indo em direção à Cordilheira dos Andes. Os bairros residenciais se desenvolvem pelo setor oeste. Vimos florestas e muita neve. O Cerro Otto com o teleférico se localiza por estas redondezas.

Toda arquitetura de Bariloche é adaptada ao clima de montanha: neve, chuva e vento. Trata-se do estilo andino, próprio da cidade. A gente delira ao ver a neve nas calçadas, em cima dos carros, é surreal para um brasileiro que sente calor o ano todo. Estamos na avenida Ezequiel Bustillo (se fala busticho). Os telhados das casas em “V” invertido existem para drenar a água da neve. A partir da década de 1990, casas começaram a ser construídas no estilo de montanha alpino, europeu, com madeira e pedra.

Cruzamos o colégio São Patrício, santo padroeiro da Irlanda. Na verdade, os irlandeses não fazem parte da coletividade, mas os alemães, italianos, suíços, eslovenos e dinamarqueses, sim.

O turismo ocorre o ano todo, para cada clima, algo diferente a se fazer. No verão, por exemplo, com o clima de 30º, 34º C, se pratica rafting, trilhas e pesca. Junto ao inverno, são as principais temporadas de turistas. Bariloche é sempre bela, isso é destacável.

No passeio, há um fotógrafo a bordo do nosso ônibus: Martin. Ele cobrou uns R$100,00 por 25 fotos digitais, contudo pedimos somente uma e valeu a pena (nós no teleférico do Campanário). A neve vai caindo e nós nos deliciando. Vemos longe o Cerro Catedral. Há praias públicas nas margens do lago Nahuel Huapi: a Playa Bonita é uma delas. Tem ótima infraestrutura e fica cheia no verão.

O guia nos conta que o principal lago é Nahuel Huapi, mas também há o Gutiérrez e o Moreno.

A Escola Militar de Montanha Gal. Juan Domingo Perón é uma instituição tradicional e só existe em Bariloche, Mendoza (na região de Cuyo) e Jujuy (no norte). Na cidade são 60 anos de treinamentos de combate de montanha, por isso praticam esqui, escalada, práticas de esportes de inverno.

Outro detalhe importante: a cidade tem o maior número de cientistas da Argentina. Lá se encontra o Centro Atômico Bariloche-Instituto Balseiro-responsável pela pesquisa em física e engenharia nuclear. Fazem investigação aplicada para o uso pacífico de energia nuclear. Trata-se de um dos centros de pesquisa e desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O INVAP é uma empresa de alta tecnologia com projetos das áreas: nuclear, aeroespacial (satélites, radares), química, médica, petróleo e governamental. Empresas consideradas verdes se mudam para o município.

A cidade é grande e espraiada, não tem edifícios altos, são aproximadamente 150 mil habitantes. Como é limitada pela geografia (das montanhas), o tráfego de carros atrapalha, os congestionamentos são constantes.

Conhecemos outra praia do lago Nahuel Huapi: a Bahia Serena com areia e neve. Um visual e tanto. Praia pequena com 200 m de extensão. Passamos por açougues, cabeleireiros, restaurantes e hotéis. O setor oeste é lotado. O caminhão da prefeitura tira a neve, passam um líquido de solução salina para quebrar o gelo. Pista com muita neve.

Às vezes o Cerro Campanário abre mais tarde, justamente por causa das nevascas. Considerado pequeno, tem 1049 m de altura, às margens do lago Nahuel Huapi. A floresta ao redor é nativa: ciprestes e introduzida: pinheiros do Hemisfério Norte. Quanta neve! Os animais encontrados são puma, raposa, cervos da região, condor andino etc.

As nevascas fazem árvores caírem e fios elétricos ficarem prejudicados. São os problemas de um clima adverso.

Continuaremos mais com o passeio em breve.

Bariloche-Argentina 2022-segundo dia

Bariloche-Argentina-segundo dia

Hoje é dia 14 de agosto de 2022. O Carlos e eu em Bariloche, felizes da vida. Acho fantástico se tomar água da torneira. O café da manhã do hotel Soft (Mitre, 685) foi satisfatório, o que amo é o doce de leite em potinho minúsculo para passarmos no pão ou comermos simplesmente. Estamos muito bem localizados. E a neve caindo do lado de fora, vimos pela janela, algo mágico. Depois, fomos passear na rua (calle) Mitre, fazer parte da magia. Que emoção!

Gostei da loja La Candela a oferecer artesanato, chás e muitas maravilhas. Há lojas na Argentina que não vejo em outros lugares, são tão encantadas, eis a palavra. Continuamos o reconhecimento da área. Cidade charmosa, com seu estilo arquitetônico próprio. Dá gosto. É uma Gramado-RS mais natureza, com suas montanhas, neve, esquiadores, lagos etc.

O almoço foi na famosa Família Weiss, restaurante todo em madeira, a cara de Bariloche. Entrada de pães caseiros com patês, truta com legumes, vinho, torta de framboesa de sobremesa, uau! Vida boa!

Detalhe: trocar dinheiro: reais ou dólares em lojas, quiosques ou com o guia.

Visitamos o shopping Patagonia (entre as ruas Ada Maria Elflein e Clemente Onelli). A loja El Bosque de mimos e lembrancinhas vale a pena. Na cidade, as lojas de chocolates são fantásticas, umas grandes, outras menores. Exemplos: Chocolateria Naturista (o de frutas vermelhas é saborosíssimo), Delícias de la Patagonia, Del Turista, a variedade é enorme. Além de Mamuschka e Rapanui.

O frio está inclemente e a gente no meio da chuva e neve, era o jeito. Chegamos a pegar -7 graus negativos. Após a viagem, ficam as fotos e ponto final. Neve de novo só em fotografia. kkkk

Para nossa surpresa, descobrimos no hotel Soft uma atendente simpática e solícita, imaginem de onde? De Fortaleza-Ceará. Incrível! Salve, Larissa. Aliás, o pessoal é muito solícito. Fazemos as combinações com o Esteban (guia) para quinta e sexta: Puerto Blest e a cidade de San Martin de los Andes, que queira muito conhecer.

Era segunda-feira e feriado no país: dia do Gal. San Martin. Segundo a Wikipédia, José Francisco de San Martín y Matorras (Yapeyú, 25 de fevereiro de 1778Boulogne-sur-Mer, 17 de agosto de 1850) foi um general argentino e o primeiro líder da parte sul da América do Sul que obteve sucesso no seu esforço para a independência da Espanha, tendo participado ativamente dos processos de independência da Argentina, do Chile e do Peru. Obervação: ele é idolatrado no país todo.

Há muitas lojas de aluguel de roupas e botas para a neve. Não alugamos, pois não íamos esquiar, depois me arrependi, pois o frio não dava tréguas, a gente empacotado, mas não adiantava. Que frio horroroso.

O dia todo caminhando, não canso de admirar Bariloche. Vale qualquer cansaço em aeroportos para chegar lá.

O jantar foi das obrigatórias e deliciosas empanadas argentinas, salada de fruta e gelatina na calle Mitre, 801, pertinho do hotel. A La Abuela Gourmet vende para fora, logo levamos para o hotel. Dia proveitoso.

Seguiremos com mais belezas.

Bariloche-Argentina 2022

Bariloche-Argentina-2022-chegada

Hoje é dia 13 de agosto de 2022. O Carlos e eu pegamos o voo Fortaleza-São Paulo-Bariloche (LATAM). De SP para Bariloche, o voo charter da CVC durou 4 h e meia. Chegamos às 18 h no hotel Soft, pelo pacote da empresa. Hotel no centro, bem localizado na rua (calle) Mitre, 685. O nosso motorista foi o Sebastian. A neblina estava intensa, chovia e as montanhas se cobriam de neve. Nosso intuito foi experienciar o inverno, uma vez que já havíamos ido lá na primavera. Sair de Fortaleza a uns 30 graus C e chegar a – 0 grau não é fácil, mas para viajantes é uma aventura.

Foi a minha segunda vez em San Carlos de Bariloche, no estado de Rio Negro, na região mais bela do mundo, na minha opinião: a Patagônia. Segundo o nosso guia Esteban, a cidade é diferente e oferece atrações diversas a cada estação. Na língua indígena mapuche, Bariloche significa “homem que fica detrás da montanha”. Já a palavra Patagônia significa “índios de pé grande”. No caminho para o hotel já vamos conhecendo a vegetação típica da região: a estepe patagônica.

Vamos aos detalhes: ficaremos com o guia Esteban a semana toda; não vale a pena usar cartão de crédito, já que o preço será cobrado em pesos argentinos, porém quando chega a fatura, há a conversão do peso oficial para o dólar e do dólar para o real. E nessa questão, o dinheiro perde valor. Por isso, trocamos o dinheiro no hotel com os guias no paralelo ou blue, como chamam. A cotação pode mudar a cada dia. Estava entre 40 a 50 pesos para 1 real.

Na época invernosa, a dica é conhecer os cerros ou montanhas. São cinco na área: Campanário (mirante a 1500 m), Catedral, Otto (onde se situa o parque de neve “Piedras Blancas” com ski-bunda), Lopes (perto da Cordilheira dos Andes a 1700 m) e Bajo (em Villa Angostura na província de Neuquén, cidade a uma hora de Bariloche). No Cerro Lopes, há um restaurante no meio da montanha com caminhada com raquete (snowshoe em inglês) nos pés.

O Esteban aconselha a quem vai às montanhas esquiar, alugar as roupas próprias para a neve ou chuva. Gostei dele, fala português e é desenrolado. Veio de Córdoba para nos assistir, tamanha a quantidade de brasileiros em Bariloche, trabalha indiretamente para a CVC. Na cidade, os restaurantes abrem ao meio dia e fecham às 16 h, já o horário de jantar é das 19h30 até meia-noite.

Como estávamos cansados, decidimos jantar no restaurante ao lado do hotel: Cold Beer Hot Chilly Hot Food: peixe truta ao queijo roquefort com purê de batatas e vinho Malbec. Cheio de turistas da nossa excursão. Comi truta todos os dias, amo! Lá, conhecemos o Edison e a Roberta de Registro-SP, onde eles trabalham com plantas.

Continuaremos em breve. Bariloche promete muitas belezas e trutas…

Guaramiranga-Ceará-2022

Guaramiranga-Ceará-2022

Hoje é dia 23 de abril de 2022. Estamos em Guaramiranga na serra de Baturité no Ceará, a 108 km de Fortaleza, capital do estado. Cidade serrana amada. Fazia tempo que não voltávamos.

Estamos na Pousada Convento da Gruta, mais conhecida como Mosteiro dos Capuchinhos. O clima de 22°C é uma delícia. Estamos em plena estação invernal ou chuvosa. A natureza exuberante, o clima sempre mais ameno, os pássaros livres e as flores diversas fazem de Guaramiranga um destino procurado.

Vi novidade na pousada: obras do pintor Lucivaldo “de Pacoti” (cidade serrana ao lado de Guaramiranga) nas paredes. As pinturas dele são o retrato da serra, suas paisagens e pássaros são dignos de nota. No mosteiro, ele pintou santos católicos. O rapaz é talentoso.

Chove direto. Infelizmente, não oferecem mais a sopa da noite. Continua o café da manhã e almoço. Efeito da pandemia, dizem. O almoço com vegetais e legumes frescos é bom demais. Para jantar, aconselho descer ao centrinho, pois tem mais opções de refeições. As opções de delivery são limitadas.

Dia 24 de abril de 2022. O café da manhã é farto, bolos de milho verde e mole (típico do Ceará), canjica com pouco açúcar, frutas diversas da região, uma abundância.

Fomos passear e rever os amigos da cidade. Passamos pelo amigo Thiago da pousada Alto da Montanha. A sede é uma verdadeira galeria de arte com quadros de quem? Do Lucivaldo, certamente. Volta e meia nos hospedamos em um dos chalés, junto à mata. Sugiro no restaurante a canja e outros pratos. O café da manhã é um buffet fenomenal.

O Chalé das Montanhas veio abaixo, a pousada era composta de casinhas coloridas que faziam parte da paisagem… uma tristeza. As imobiliárias chegaram lá, fico chocada. No lugar dos chalés, virão construções outras que serão para venda e caríssimas. Não me acostumo com isso, espero de coração que não desvirtuem a beleza da natureza de Guaramiranga. Isso é modernidade?

No centro de Guará (apelido carinhoso), a pracinha com a feirinha, sempre lá. Ao lado, da amiga Ligênia, conheço a Docca Doceria. Saudações a ela e à sua querida mãe, dona Alice. No local, já teve restaurante. No momento, a Ligênia assumiu seu lado doceira. Ela também é uma artesã de qualidade. Sou sua fã.

Não vejo mais a dona Teresinha vendendo doces na pracinha do lado de trás. O seu João Caracas também não vende mais o seu café E Jóia na feirinha. Sinal dos tempos e da pandemia?

A caminhada foi boa, troquei muitos abraços. Também vimos a pousada Casarão dos Uchôa de 1904. Há história na casa. Nunca nos hospedamos lá.

O almoço nos Capuchinhos foi perfeito. Tudo cultivado na serra. Os doces de ambrosia e banana são de sonhar. Guaramiranga é produtora de banana e café sombreado.

À tardinha andamos pros lados do restaurante Macario´s e suas vitórias-régias. Uma pintura o lugar. No caminho, passamos pela escola EFM Zélia Matos Brito e pela nova quadra esportiva com piscina para as crianças. A geladeira existente ali perto para doação de livros é um achado. O Manjericão Restaurante e Pesqueiro continua lindo.

Foi feito um calçadão em frente à pracinha principal de Guará com bloquetes, carros não são mais permitidos. Há bancos de madeira distribuídos na praça e peatonal, boa atitude. Achei tudo mais bem cuidado.

O jantar foi de cuscuz e complementos em uma das lanchonetes atrás da pracinha. Depois, sorvete com calda de chocolate amargo (que ainda é muito doce, na minha opinião) na Chocoberry na rua principal. Muitas opções gostosas. Fiquei impressionada com o movimento em um domingo, Guará sempre atrai.

Ao chegar à pousada de volta, um bom papo com o frei Helder, pároco do mosteiro. Muito culto.

Dia 25 de abril de 2022. O café da manhã sempre uma delícia. Os bolos de chocolate e laranja me deixaram querendo mais. Já perceberam que adoro bolo, né?

Vamos a Pacoti, cidade vizinha. É mais cidade que Guaramiranga, a população é maior e tem mais infraestrutura de bancos e comércio. Comprei bolachas na padaria de sempre: Panificadora Bonfim, rua Padre Constantino, 413 no centro. Faz parte da tradição.

Passamos por Forquilha e Botija. Pela Linha da Serra, rota turística, também. E a Pernambuquinho para rever o sr. João Caracas, do Café E Jóia. Gente boa demais. Mora na propriedade com a esposa e planta café. Tem a loja com mel, licores, bananas, passas de banana e café, logicamente.

No mosteiro, conhecemos o Alverne, lugar de meditação onde antes era a pocilga. Hoje é um lugar de veneração a São Francisco de Assis. Sua história é contada em placas quando foi ao Monte Alverne na Toscana (1300 m) e ficou em meditação sozinho em uma caverna na montanha só com pão e água, dados diariamente pelo frei Leão, seu ajudante. Ele testemunhou as Chagas de Cristo nas mãos e pés de Francisco. A capela é feita de madeiras, mesas, bancos reciclados da natureza. Tudo rústico e original.

Da próxima vez faremos a trilha do café e da banana na área do mosteiro, uns 200 m. de altitude. O chão de terra estava perigoso para a gente cair, por conta das chuvas da época e por ser íngreme.

A região da serra de Baturité oferece muito a ver: cachoeiras, o Pico Alto (1.115 m), os sítios históricos de plantação de café, como o São Luís, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, o museu da EPCAR etc. O sítio São Luís de 1858 vale a visita em Pacoti. Pertence à família de Cláudia Goes, por sinal, prima do meu pai. A filha Laura é responsável pela administração. A casa histórica e seus arredores são belos. Fazem um trabalho muito intenso de divulgação da região. Algo louvável.

Gostaria de ressaltar a Villa Nova Holanda em Mulungu. A casa e museu são atualmente mantidos pelo proprietário Max Cid de Holanda Furtado e sua família, são abertos à visitação. Também primo do meu pai. A família é grande… Finalizada em 1920, a casa principal continua com sua arquitetura colonial, típica da serra de Baturité. A família tem origem holandesa e é muito interessante conhecer sua história.

Uma observação: meu pai nasceu em Baturité, no pé da serra, cidade-sede, terra de meus antepassados da família Furtado.

Guaramiranga é preciosa. Nunca passo muito tempo sem visitá-la, a natureza exuberante nos chama e seu charme mais ainda.

Ceará-Piauí-Jijoca de Jericoacoara

Ceará-Piauí-Jijoca de Jericoacoara

Hoje é dia 15 de março de 2022 e estamos no Parque Nacional de Jericoacoara. O café da manhã é ao lado da pousada onde estamos hospedados, pois pertence ao mesmo estabelecimento. Recanto do Barão, na Rua do Forró, 433. O café da manhã foi muito bom: tapioca a pedidos, tortinhas de frango, pudim, torta de chocolate com musse em cima, torta de chocolate com cenoura (com pouco açúcar), cuscuz com queijo, frutas variadas, sucos e por aí vai. Na recepção: o goiano Alexandre.

Manhã para ir à praia. O banho de mar com ondas pequenas e sargaço (algas), o mar calmo. A areia é escura, e a praia já foi mais distante. Deu para aliviar o calor. A chuva esparsa. Apesar de estarmos na quadra invernosa, a quentura estava grande.

Para o almoço, seguimos na mesma rua da pousada e fomos ao restaurante Sabor da Terra. A lagosta grelhada na manteiga, arroz branco, brócolis, purê de batata e farofa. Mais uma boa cerveja Corona Extra, vale! O garçom Francisco muito solícito. O lugar é rústico e agradável, na areia. A música é nordestina e o logradouro faz parte da história: o primeiro restaurante da vila (mais de 30 anos).

Outro ponto histórico: a pousada Hippopotamus foi a primeira pousada. O forró do passado que tanto encantava, não existe mais. Atualmente é o restaurante Dona Amélia. Uma lástima ter acabado local tão emblemático de Jeri. No Sabor da Terra foi bom ter visto as fotos antigas na parede. Deu saudades da Jeri que conheci em 1987. Era uma vila de pescadores simples, sem luz, sem água encanada, a gente andava de lamparina pela vila, ia a uma duna gigante, via porcos e galinhas na rua. De outra vez, peguei um bicho-de-pé, uma aventura. O forró era o ponto alto da noite. O som vinha de um aparelho simples e os turistas nacionais e internacionais estavam lá. Era uma diversão. Hoje, o forró pé de serra ocorre onde estão os quiosques de bebidas na beira da praia. Alguns restaurantes também oferecem músicas variadas.

À tarde, momento de passeio até a Pedra Furada por cima do monte. Fomos de charrete com o burrinho Manhoso e quem nos levou foi o Valdemar por R$60,00. A subida é íngreme e o caminho é para os lados do cemitério. No serrote verde, com jumentos e cacto mil, vimos a famosa Pedra Furada lá embaixo no mar. Eu não desci, muito empenho a fazer.

Na volta, já a pé, entramos na igreja de Jeri na Rua da Matriz. Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou Nossa Senhora da Consolação é o seu nome. Foi inaugurada em 1964, obra iniciada pelos próprios moradores em 1963 (em www.minube.com.br). Toda na pedra, é graciosa de se ver.

A vila é repleta de diversos becos charmosos, como o Beco do Samba, o Beco da Padaria etc. Falando em padaria, nosso jantar foi um lanche na mesma padaria do dia anterior: Padaria Central Jeri. Misto quente e suco de laranja, ótimo.

O local é pequeno, as ruas são poucas: do Forró, Principal e São Francisco. Nessa, há restaurantes transados, bonitos e se encontra o estrelado Pimenta Verde. Lotação na vila. Os visitantes animados estão andando a pé, à vontade, de chinelos de dedo ou sandálias. MPB nos restaurantes, famílias com crianças, idosos, mochileiros, casais, enfim os turistas e os nativos curtindo a “night”. Em uma terça-feira, achei incrível. O bom é que muitos empregos são gerados.

As lojas de lembrancinhas têm muito a vender. A de bijuterias Contos de Fadas é fantástica, nunca vi igual. Para se ter ideia, existem lojas que não existem em Fortaleza, mas em Jericoacoara. São estilosas. Fiquei tresloucada com tantas maravilhas.

Vale a pena demais! Jeri, atração total. Muitos passeios a fazer, gente bonita e feliz, um arraso. Continuaremos com Icaraizinho de Amontada.

Ceará-Piauí-De Luís Correia a Camocim

Ceará-Piauí- De Luís Correia a Camocim

Hoje é 12 de março de 2022 e o dia é de viagem de carro de Luís Correia no Piauí a Camocim no Ceará.

O Carlos e eu vamos pela praia de Macapá em Luís Correia no trajeto da Rodovia Litorânea (PI-117), estrada sem sinalização. Tenho visto muito cachorro de rua. Passamos por muitos condomínios de casas sendo construídos, colônias de férias como a do SESC. Ao longo das estradas, jumentos soltos.

Seguimos por Macapá, o cheiro do marmeleiro está no ar. Tudo é verde, mangue com arbustos médios para altos. Cruzamos o povoado de Carapebas. Mais animais soltos na estrada: cães, vacas e jumentos.

Lá vem o povoado de Camurupim e depois Cajueiro da Praia, Barra Grande e Barrinha. No caminho uma placa convidando para conhecer a árvore Carnaúba da Cobra Encantada.

Entramos em Barra Grande, queríamos conhecer, por ser comentada e por quase termos ficado lá. A chuva deixou as ruas de areia encharcadas, mas deu para perceber ser uma pequena Jericoacoara. Um lugar do estilo alternativo, com muitas pousadas e barracas de praia. Parece uma vila e tem um pouco de tudo. Demos uma parada técnica na Barraca do Sarnei. A praia em forma de baía, tem sargaço, ou seja, algas. O local é tranquilo, pertence ao município de Cajueiro da Praia. Realmente é diferente, deve ser bem interessante à noite.

Na saída, o povoado de Morada Nova, ainda estamos no estado do Piauí, a divisa entre os estados fica a 20 km. Estamos na BR-402, porém nem se percebe, pois não tem acostamento. O verde ao longo da BR vale, o asfalto é ondulante.

Chegamos a Chaval, já no Ceará, e conhecemos sua Igreja Matriz. Gostei do calçamento na cidade e das rochas enormes existentes nela. Isso é peculiar, sem dúvida. Com poucas árvores, deve ser bem quente. Outras localidades na região: Chapada, Barroquinha, Araras, Venâncio e Bitupitá.

Em Bitupitá, vimos a Igreja Matriz de cor branca. A geografia do local faz parte do Delta do Parnaíba. Lá está a praia de Curimãs. Bitupitá pertence ao município de Barroquinhas. A praia renomada pela sua beleza e manguezal de Pontal das Almas se encontra lá. Tanta ruela para chegar à praia, trata-se de uma aldeia de pescadores. O mar fica longe, há tantos barcos na praia. Daqui se vê do outro lado a Barra Grande no estado vizinho.

Almoçamos à beira mar, no rústico Cabana Pueirão Restaurante, o Francy nos atendeu. Pedimos camarão ao molho com leite de coco, batata e cenoura, arroz e salada verde. Por R$70,00 para duas pessoas. Muito bom.

Bitupitá é uma praia selvagem, com urubus na areia esperando pelas vísceras dos peixes, afinal é local de pesca. O cheiro é forte de peixe. Há pracinhas pela orla com coqueiros e bancos diferentes. Muito árido o lugar. A sua entrada com pneus coloridos com plantas dentro, e árvores em crescimento no meio-fio a tornam convidativa. Digno de nota comentar que existe o macaco capelão no Delta do Parnaíba.

Nosso interesse foi só conhecer mesmo, prefiro praias com mais infraestrutura e menos quentes. Valeu ter ido, pois gosto de ter opiniões a respeito dos lugares.

Pegamos a Rodovia Sr. Pedro Veras e saímos de Bitupitá, detalhe: entramos pela mesma rodovia. Ver dunas com carnaúbas pelo trajeto é bonito demais. Estamos na CE-187. Entramos no município de Barroquinha, muito arrumada. Camocim está a 10 km, desde Luís Correia: 302 km.

Camocim, enfim! Viemos pelo litoral. Logo surge o Farol do Trapiá. Cidade plana, bem sinalizada. Fazemos um passeio de carro pela Praça Severiano Morel com a Prefeitura em frente. Vimos a antiga e afamada Estação Ferroviária, marco de tantas viagens do Carlos ao município, o prédio é muito bonito. É uma vergonha para nosso país não usarmos mais trens para locomoção de passageiros.

O rio Coreaú (nome indígena que significa “rio dos marrecos”, segundo Silveira Bueno) com calçadão para longas caminhadas, o antigo Hotel Municipal, hoje Ilha Praia Hotel. A orla do rio com mar é um espetáculo. Encontram-se lá hotéis, restaurantes, quiosques, que delícia. Dá vontade de pular do carro e já começar a desbravar as belezas de Camocim.

Ficamos no Dunas Praia Hotel (Beira Mar, 1449) em frente ao Centro de Artesanato da Prefeitura. R$300,00 por duas noites, preço justo. Estamos à beira mar.

Um pouco mais longe se situa a Praia do Farol, o “point” do kitesurf. Jogam vôlei e há placas contra jogar o lixo, achei o máximo. Barracas de praia e casas diferentes, estilosas. Muitos jovens curtindo a praia, eis uma cidade jovial e alegre. Encantada demais eu estou.

O Farol do Trapiá da Marinha do Brasil chama a atenção. Que lindeza a costa, a praia tem sargaço. Passamos pelo clube da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e pelo atraente restaurante El Mirador.

Para jantar, escolhemos panquecas e sucos no Euclides Restaurante e Pizzaria à Beira Mar. Aconselho. Trata-se de um prato muito procurado no local. Depois, caminhada pelo calçadão, testemunhamos muito movimento nos quiosques, restaurantes, bares, pizzarias e um local com brinquedos para crianças, amei.

Continuaremos com Camocim, cidade que já pretendo retornar e aproveitar mais. Considero uma cidade habitável e com qualidade de vida.

Ceará-Piauí-somente Parnaíba

Ceará-Piauí-somente Parnaíba

Hoje é dia 10 de março de 2022. De manhã fizemos o passeio ao delta e agora à tarde vamos à praia da Pedra do Sal em Parnaíba. No caminho a usina de energia eólica Delta 1, rodeada por carnaúbas, tudo muito verde. À esquerda o Porto de Tatus, em frente a estrada da Pedra do Sal.

Bodes mil pelo caminho, é uma boa distância até lá, são 16 km do centro da cidade. O acesso é feito pela ponte Simplício Dias (de 1975).Trata-se da única praia localizada no município de Parnaíba na ilha de Santa Isabel no bairro do mesmo nome. O visual da praia Pedra do Sal, com o farol branco de 1873, rodeada de rochas à beira mar e com os barcos forma um cartão-postal. Interessante dizer que no lado leste o mar é agitado e no lado oeste as águas são mansas, de acordo com o Guia Piauí Litoral. Infelizmente, achamos o conjunto poético mal cuidado, com cavalos abandonados e barracas nada vistosas. Uma lástima! Significa que a prefeitura está se importando somente com o turismo no Delta do Parnaíba, e não com um lugar tão promissor? Aliás, é conhecida como tendo um pôr do sol entre os mais bonitos do estado. Eu conheci a Pedra do Sal em outros momentos e era bucólica, romântica, lugar de veraneio com pousadas e tudo o mais. Foi uma tristeza.

De volta à bela Parnaíba, passeio de carro pela Praça da Mulher do Pote (nome original demais!), pela igreja Nossa Senhora de Fátima, Praça da Graça e a maravilhosa Praça Santo Antônio (onde se localiza a escola de inglês Speak Up da amiga Minervina Menezes). Vamos em direção ao Parnaíba Shopping. Passamos pela igreja de São Sebastião (idealizada em 1925 e inaugurada em 1940) na avenida do mesmo nome, avenida essa larga, bonita e com praça arborizada. Eu deliro quando vejo cidades assim. Cruzamos o Monumento da Águia, uma homenagem dos operários parnaibanos ao prefeito da época, Ademar Neves, o reformulador da cidade. Quase não encontro prédios. Muitas casas, uma delícia.

Um pouco sobre a cidade. Segundo o Guia de Bolso de Parnaíba (da Prefeitura de Parnaíba), a Praça da Mulher do Pote é um logradouro que guarda um trabalho artesanal de José Felix da cidade de Nova Jerusalém-PE, esculpido em 1973, foi presente do povo pernambucano ao ilustre parnaibano ex-ministro João Paulo de Reis Velloso que, por sua vez, fez a doação à cidade. A Praça Santo Antônio, local arborizado e ponto de encontro, abriga o monumento do Centenário da Cidade, um obelisco inaugurado em 1944, alusivo aos cem anos da criação da cidade (1844-1944). Na Praça da Graça há o Monumento da Independência do Brasil. Também há outras importantes edificações históricas, como a Casa Grande, o Sobrado Dona Auta, a Igreja de Mont Serrat, a Igreja do Rosário etc.

Chegamos ao shopping, oba! Amo! Nem deu tempo para eu tirar minha roupa do passeio no delta… Então, vamos conhecer o centro de compras. Simples, mas deu para um bom lanche de jantar: um robusto sanduíche natural com suco no Dogão Lanches. Saí feliz.

Dia 11 de março de 2022. Continuamos em Parnaíba. A ideia é visitar a Lagoa do Portinho, uns 3 km de Luís Correia onde estamos hospedados. Área de interesse ecológico, o lugar já mudou bastante desde a primeira vez que conheci. O restaurante O Luís é arrendado por um cearense do mesmo nome. Também há pousada (chalés) no local sem café da manhã. Achei bem agradável o restaurante, ventilado e com um cenário de dunas ao longe com a lagoa em frente, muto lindo. A música ambiente de bom gosto: MPB. Ganhou pontos comigo. Tomamos água de coco curtindo a paisagem única. A flor de marmeleiro aromatiza o caminho da saída do Portinho. Lá é lugar usado pela população como entretenimento. Vale a pena!

No hotel Rio Poty Praia em Luís Correia almoçamos “peixe a belle menieure”(peixe: pescada), excelente. Surpreendeu-nos positivamente. Muito válido só comer lá.

Fomos à Beira Rio com chuva, situado às margens do rio Igaraçu. Depois ao Porto das Barcas comprar artesanato. Íamos ao Caranguejo Expresso, porém a chuva não parava. Situa-se à rua Quetinha Pires, 64-Beira Rio, no Calçadão Cultural da Beira Rio. A torta de caranguejo é o carro-chefe do estabelecimento, que existe há 20 anos. Já provei no passado e digo: é uma maravilha! Imperdível. Fiquei na saudade. E o Carlos nunca comeu.

O Porto das Barcas, segundo o Guia de Bolso de Parnaíba (da prefeitura), é o local de maior identidade cultural e referência histórica da cidade. É um conjunto de armazéns, construção de pedra bruta e argamassa de cal, conchas e óleo de baleia. O Guia Piauí Litoral acrescenta a ‘força dos escravos’. É um marco vivo da fase econômica áurea de Parnaíba. O Espaço Cultural Porto das Barcas, hoje todo restaurado, abriga casas comerciais, lojas de artesanato, restaurantes, auditório, teatro ao ar livre, pousada e agências de ecoturismo.

Após as compras, acabamos jantando com a amiga Minervina no Empório, uma padaria nova perto do apartamento dela no bairro Nossa Senhora de Fátima. Bem atraente, oferece sopas, café, doces, sanduíches etc.

Não posso deixar de mencionar as balinhas de café e goiaba, muito minhas conhecidas, meus presentes favoritos da cidade. Há várias distribuidoras na cidade. A Dona Gracinha Rocha tem fama, há 25 anos adoça a boca dos parnaibanos e visitantes. Local: rua Desembargador Freitas, 1013. Ela chega a fazer mais de 150 kilos por mês, segundo o Guia Piauí Litoral.

O mesmo guia nos conta um pouco da história do município. Os casarões centenários e diversos imóveis eram o reflexo de a cidade ser um importante interposto comercial para o Brasil Colônia. O povoamento da região é um dos mais antigos do Piauí e foi cenário de batalhas entre indígenas e conquistadores, histórias de amor não correspondidos, de paixões entre viajantes e moradores locais, de apogeu e queda de comerciantes e pessoas que mudaram para sempre este ambiente.

Despeço-me de Parnaíba, cidade do meu coração, com um grande abraço à Minervina Menezes e a sua família. Amizade antiga de valor. Parnaíba, foi muito bom revê-la tão bela e amada. Até logo.


Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Hoje é dia 09 de março de 2022. O Carlos e eu estamos saindo da pousada Oca Resort em Piripiri-Piauí, perto do Parque Nacional de Sete Cidades, partindo para Parnaíba-Piauí. Vamos nos hospedar, na verdade, em Luís Correia, ao lado de Parnaíba, pelo sistema de hospedagem Bancorbrás.

O caminho com mata na saída é bonito. Seguimos reto para Piracuruca (em língua tupi, “peixe roncador”). Pra variar, não há sinalização, na ponte do rio Piracuruca dobramos à direita.

Entramos em Piracuruca, cidade com a praça Irmãos Dantas em frente à antiga Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O conjunto arquitetônico com suas casas coloridas é uma lindeza. A vida é tranquila, os moradores sentam na praça para papear. Vimos o calçamento com a pedra Piracuruca em certas partes, em outras o asfalto foi colocado em cima de tão bela pedra. Piracuruca até Parnaíba-127 km.

Pegamos a BR-343 (descobri no mapa). Cruzamos os municípios de Cocal, Caraúbas do Piauí e Buriti dos Lopes. A divisa do Piauí com o Maranhão fica a 62 km. A estrada é um retão e toda verde ao longo dela. As placas de trânsito estão apagadas pela BR, acho isso uma vergonha. Passamos pela Embrapa Meio Norte. 13 km para Parnaíba e 25 km para Luís Correia.

Nos arredores de Parnaíba, há fazendas e restaurantes com produtos do interior. A geografia é plana. Indo adiante, Parná (como é conhecida), à direita Luís Correia. Continuamos na BR-343. A última vez que estive na cidade foi em 2013. Minha história afetiva é antiga com a cidade, por conta de amigas: Rossana Carvalho primeiro (colega de faculdade: Universidade Estadual do Ceará) e depois Minervina Menezes (aluna minha na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará), ambas professoras.

Estamos na Av. Mão Santa em Parnaíba, seguindo em frente a praia do Coqueiro, à direita a Lagoa do Portinho. Passamos pela Casa da Ferrovia de 1922 na rotatória e seguimos ao município de Luís Correia no litoral do Piauí. Vemos a prefeitura, pousadas, lojas, supermercado, enfim encontramos o Rio Poty Hotel Praia situado à rua dos Magistrados, 2350.

Boa infraestrutura de hotel e atendimento, cerca da praia de Atalaia com barracas, como da Hilda, Amarelinho, o Assis etc. Passeamos de carro pela beira mar, para a esquerda vai para o porto, o rio Igaraçu estava bem caudaloso, e visualizamos casas abandonadas; para a direita as casas de veraneio são mais bem cuidadas.

Tentamos a barraca Carlitu´s para almoçar, mas estava fechada (Av. Teresina, 4447-Atalaia). Rumamos à praia do Coqueiro em busca da barraca Sunset (av. Beira Mar, 10789). Nosso almoço foi filé de pargo frito (peixe), com batata-doce frita, baião de dois (feijão com arroz, principalmente), salada, farofa e pirão. Muito farto, mas achamos caro. O forte da região é caranguejos, camarões e pescados.

Após o almoço, mais passeios: pousadas, condomínios, casas, descampados, animais soltos, chegamos até o pequeno farol da Marinha do Brasil. Decidimos conhecer a famosa praia do Macapá, antes da praia do Arrombado (parece com a praia do Balbino no Ceará, luminosidade imensa e com pouca vegetação). O carnaubal com dunas pelo caminho é muito bonito, o asfalto bom. Encontramos um cearense Jean Portela a trabalho na rodovia que nos deu dicas valiosas.

A entrada para Macapá tem casas espalhadas mais simples, muitas lombadas a fim de dificultar a velocidade dos carros e uma placa interessante: Cuidar do meio ambiente, uma questão de atitude. Existem lanchonetes, restaurantes, pousadas e muitos jumentos, uma graça. O lugar é bucólico, sem dúvida. Vimos barracas de praia de madeira, o mar distante com bancos de areia no meio, e contenções contra a maré forte, além de manguezais e barcos coloridos. Lembra a praia de Águas Belas no Ceará, porém mais ampla e deserta. Um bom local para relaxar. O bar e restaurante do Chico Isaura é conhecido. Em frente ao local se formam piscinas naturais. A estrutura é rústica.

Segundo o Guia Piauí Litoral da SETUR (Secretaria de Estado do Turismo: secretário: Flávio Rodrigues Nogueira Júnior) e CCOM (Coordenadoria de Comunicação Social), a vila de pescadores de Macapá teve que ser reconstruída algumas vezes por conta da ação do mar que destruiu as habitações, a capela e até mesmo parte da estrada que lhe dava acesso. Ali acontece o encontro do rio Camurupim com o oceano, formando uma área de mangue semelhante a um minidelta próximo à Barra Grande, onde é possível velejar de kite e se aventurar de caiaque.

À tardinha fizemos reconhecimentos de área em Parnaíba de carro: uma biblioteca em um trem, o calçadão da Beira Rio com o rio Igaraçu (último afluente do rio Parnaíba), o SESC, a Capitania dos Portos, o Parque das Ruínas, o Museu do Mar, o Porto das Barcas, os sobrados históricos, o centro antigo, tudo formoso. Também descobrimos o Hotel Charme Casa de Santo Antônio na praça Santo Antônio, onde se localiza a escola de inglês Speak Up (rua Santo Antônio, 649), da amiga Minervina Menezes.

Parabéns, Parnaíba, por ser muito bem sinalizada, por ter uma população que valoriza seus casarões, a sua história. Linda, cada dia mais. Cidade com qualidade de vida, bem arborizada, com praças mil, onde ainda se mora em casas, algo admirável. O único senão é o calor na época do verão, mas isso se aguenta. Detalhe: estávamos na época de chuva, então foi muita mesmo.

Às 19 horas buscamos a Minervina na escola e seguimos ao Porto das Barcas, “point” com restaurantes, pizzaria, lojas de artesanato, lugar muito agradável com o rio Igaraçu bem ali. Às suas margens se encontra o restaurante Rios, cartão-postal do município. Não poderia faltar uma pizza regada a coca cola da pizzaria Porto das Barcas, cuja placa diz “Pizzaria Comilão”. O imperdível Museu do Mar se situa no local: pequeno, completo e excelente, mostra como eram as vilas e cidades, a tradição do homem do mar, da marisqueira, do pescador de crustáceos, além de barcos expostos etc. Parabéns ao governo do estado. Achei fabulosa a iniciativa.

Dia produtivo. Parnaíba é uma cidade que dá gosto visitar. Estava com saudades. Continuaremos com o passeio do Delta do Parnaíba em breve.

Ceará – Piauí – Viçosa do Ceará

Ceará-Piauí-Viçosa do Ceará

Hoje é dia 07 de março de 2022. Pela manhã estivemos em Ubajara e pela tarde iremos a Viçosa do Ceará, a joia da coroa da Serra da Ibiapaba. Continuamos nossa jornada entre os estados do Ceará e Piauí de carro.

Voltamos a pegar a BR-222 por Tianguá. Muitos caminhões e uma quantidade enorme da fruta jaca pelo caminho. Há falta de sinalização por aqui, ainda mais que estão fazendo a duplicação da BR, tudo muito confuso. Passamos pelo Instituto Federal campus Tianguá, cruzamos o distrito de Bom Jesus, Viçosa está a 21 km, a BR tem problemas de buracos em certos lugares. Inharim, outro distrito. As pessoas vivem com dignidade no interior.

O percurso até Viçosa dá gosto: vemos bananeiras, babaçus, fazendas, granjas, e muito verde.

Viçosa honra seu nome: tem viço: graciosa, limpa, com canteiros centrais bem cuidados e com um povo que zela pela sua cidade. Fiquei extasiada com as praças sem sujeira nenhuma e com estátuas sem pichações. De acordo com o Guia Quaro Rodas Brasil (2013), é declarada Patrimônio Nacional, não tem grande infraestrutura turística, mas é bom passeio de um dia.

Um pouco da sua história. A Wikipédia nos conta que é o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras pertencentes ao ramo Tupi, anacé, arariú e croatá do ramo Tapuia. No ano 1700, os padres jesuítas Manuel Pedroso e Ascenso Gago fundaram oficialmente “a Aldeia da Ibiapaba”, onde hoje se situa Viçosa do Ceará. Em 1759, a aldeia foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América.

Na subida à Igreja do Céu, achei a cidade parecida com Pacoti na Serra de Baturité. Lá, há um complexo com restaurante, palco de eventos, a capela Nossa Senhora das Vitórias, praça de alimentação, lojas de artesanato, a Praça Governador César Cals e o Núcleo Padre Ascenso Gago de Habilitação e Capacitação. Sem esquecer da imagem de Cristo, situada no topo da torre da Igreja do Céu.

A Praça Clóvis Beviláqua, com a estátua dele, é florida, ampla, gostosa de se estar. Lembrei do Crato no Cariri, no sul do Ceará, com a Igreja Matriz em frente à praça principal.

Na frente da praça de Viçosa se localiza a Igreja Matriz Nossa Senhora de Assunção, de cor branca, a mais antiga do Ceará, de 1695. Foi construída por índios e jesuítas. Ao seu redor, existem casas coloridas e antigas de famílias conhecidas no estado. Uma casa histórica é o Casarão dos Pinhos, pertencente ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Diz a placa que foi construída por João Pinho Pessoa em 1850. Possui 186 portas e janelas, é de propriedade da família portuguesa Pinho e foi uma das primeiras casas construídas na Vila Viçosa Real.

Mais adiante, outra praça: do General Tibúrcio. O clima sempre agradável nos leva a aproveitar cada segundo desta cidade amada. Raramente faz calor, então é um paraíso. Lembra muito o Cariri, mistura de Barbalha e Crato.

Os seus habitantes sentem orgulho de seus conterrâneos famosos. De acordo com a Wikipédia, Clóvis Beviláqua (1859-1944), jurista, legislador, filósofo, literato e historiador, é um dos responsáveis pela elaboração do Código Civil brasileiro de 1916; O general Tibúrcio (1837-1885), militar, lutou na Guerra do Paraguai; e outro viçosense ilustre é Felizardo de Pinho Pessoa Filho (1916-), político e farmacêutico.

Não poderia deixar de ir à Casa dos Licores (rua Francisco Caldas da Silveira, 155) do sr. Alfredo Miranda, atração turística, parte da Rota Mirantes da Ibiapaba. Segundo o folder da loja, Alfredo e Terezinha Nogueira Miranda (o casal) começaram a produzir e vender de forma artesanal (e para a sobrevivência da família) licores, cachaças envelhecidas, doces e biscoitos. Por muitos anos, de forma simples e hospitaleira, recebiam os visitantes na sala da sua casa. Além de provar os licores, todos eram recebidos com uma boa dose de conversas animadas, músicas e bom humor do “Velhinho do pife” como muitos costumavam se referir ao dono da casa, que tocava suas composições em uma flauta de taboca (o pife, também fabricado por ele). Para preservar a memória de seus pais, a filha mais velha Tereza Cristina Mapurunga, deu continuidade à produção e ao comércio da antiga bodega.

Quem nos atende foi a Elvira e conta que o sr. Alfredo já falecera. Lá, endoido com tantos licores, doces em barra, doces em calda, geleias, biscoitos, petas, sequilhos e bulins (tradicionais biscoitos de goma) e cachaças. O doce de jaca em calda, recomendo. São 88 sabores de licores entre frutas, ervas e especiarias. Interessante dizer que são feitos em tachos de cobre, fornalhas a lenha, forno de barro, assim como na época colonial do Brasil. Saímos com tantas compras e ainda iríamos rodar muito com eles.

Já fui a Viçosa umas duas vezes anteriormente e digo com felicidade que está cada dia mais bonita.

Toda a cidade é arrumada, com árvores podadas, uma paixão. Para mim, uma das cidades mais bonitas do Ceará. Parabéns à prefeitura, e principalmente, aos seus habitantes. Volto a dizer que este sentimento de pertencimento a uma cidade faz toda a diferença. Pretendemos voltar.

Retornamos à Vila Acarape em Tianguá para o nosso hotel no Sítio do Bosco às 17h45. Detalhe: é perigoso dirigir à noite por conta dos nevoeiros.

A Chapada da Ibiapaba merece mais informações. É localizada em nove cidades: São Benedito, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ubajara, Tianguá, Carnaubal, Viçosa do Ceará, Croatá e Ipu. As temperaturas são amenas por conta da altitude, uns 15º C. A chapada é um gigantesco paredão montanhoso com altitude média de 750 m e 200 km de extensão que fica no extremo oeste do estado do Ceará, na divisa com o estado do Piauí, servindo como marco de divisa entre os dois estados, apesar do problema da região de litígio que já dura séculos, conforme o site https://cearapraias.com.br/chapada-da-ibiapaba-turismo-ecologico-no-interior-cearense.

Dia produtivo e feliz. Em breve, Parque Nacional de Sete Cidades no Piauí.

Sensação de Déjà vu

Sensação de déjà vu em Praga

Ana Tavares

Em viagens acontecem coincidências, fatos bizarros, inexplicáveis. Você já sentiu algo semelhante?

Praga! Sensação de déjà vu… do já visto…

Foi aqui a estranha sensação. Jovem, viajei com duas amigas de Besançon na França para Praga. Jovens com pouco dinheiro no bolso, cabeças a mil, estômagos vazios, nos deparamos com esta rua.

Procurávamos a casa em que Kafka morou. Olho esta casinha azul e digo para minha amiga Tokiko: “já estive aqui”. Ela sorri e me diz que devia ser meu estômago delirando. A outra amiga la peruana loca Cristina me desafia: “O que tem lá dentro, minha Anita?”

Eu digo: “Um grande armário preto, um chão de barro encerado”. Entramos.

Era uma vendinha de suvenires. Uma senhora vendedora me sorria insistentemente, me olhava docemente… A casa tinha o chão vermelho encerado. O grande armário preto estava lá.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.