O Rio de Janeiro continua lindo-feirinha de Ipanema-dia 6 e outras carioquices-dia 7

O Rio de Janeiro continua lindo-feirinha de Ipanema-dia 6 e outras carioquices-dia 7

Hoje é domingo, dia 17 de agosto de 2025. O café da manhã do hotel Socialtel Copacabana (rua Almirante Gonçalves, 5) teve um bolo de chocolate com coco coberto com creme de leite Ninho delicioso. Poucas frutas, muitas opções de pães recheados. E com aquela paisagem de Copacabana com muita luz e sol. Pensem em um rooftop (terraço) mais abençoado. Detalhe importante: a água da cidade faz bem à pele e ao cabelo. Um tratamento de beleza.

A pé vamos em direção ao bairro de Ipanema, ao lado de Copacabana. Vemos uma feira tradicional no Posto 6 a vender legumes, verduras, frutas e peixe fresco. Segundo o site Foursquare, tem o melhor pastel da cidade e ocorre aos domingos. Na avenida Rainha Elizabeth da Bélgica, de acordo com a placa. Começa quase no final da Avenida Atlântica em Copacabana e termina na av. Vieira Souto em Ipanema. Muito movimento, por mim já ficava lá. Boa caminhada no sol até a rua Visconde de Pirajá.

Feirinha de Ipanema-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Chegamos à feirinha de Ipanema. Amo essa feira hippie (mercado de pulgas), acontece aos domingos, das 10 h às 18 h na praça Gal. Osório. Tudo colorido, bolsas, quadros, incensos, roupas, artesanatos. As americanas comprando os biquínis verde-amarelos, franceses, argentinos, italianos, uma festa. Se morasse no Rio, iria todos os domingos, com certeza. Fiz minhas compras, saí satisfeita e fomos nos encontrar com o amigo Carlos Renato e conhecer sua amada Simone. Um doce de pessoa.

Escolhemos o restaurante Tropikus (rua Visconde de Pirajá, 111), de comida a quilo, restaurante excelente, lotado, pra variar. O que não falta na cidade é gente. Gostei de tudo, de diferente a pera ao vinho, o arroz verde (com brócolis) e as sobremesas… torta de pistache, de chocolate e coco, uau. Os bolos são molhados, bem recheados, clara influência portuguesa. Amo! Saímos de lá e ainda fomos tomar sorvete na Vitali Gelato Artesanal (rua Visconde de Pirajá, 177), dica do Renato e Simone.

Nós com o Renato e Simone no calçadão do Arpoador-Rio de Janeiro-foto selfie tirada por Carlos Renato Machado

Domingo, dia ótimo para passear pela orla. Caminhamos de Ipanema pelo Arpoador até Copacabana. Multidão na rua, na praia, na calçada. Uma banda pelo percurso tocando Coldplay, foto com a estátua do grande Tom Jobim, compositor, maestro, bossa-novista. Que emoção!

À noite no rooftop do hotel, tínhamos direito a uma caipirinha às 18 h, então como perdermos? Presente do hotel. Depois uma salada grega pra mim e um cuscuz marroquino vegano para o Carlos. Vida boa essa nossa.

Na TV do quarto, não há televisão aberta e os canais de streaming só com a senha. Achei diferente isso. Logicamente, que fui para os meus doramas. Pois é, sou dorameira de carteirinha.

Dia 18 de agosto de 2025, dia 7 e último dia. Ficávamos sempre bestificados com a paisagem na hora do café da manhã. O cenário de mar se equipara ao da praia da Redonda em Icapuí, estado do Ceará, a diferença é grande, mas a emoção é a mesma: a baía de Copacabana e seu esplendor, assim como os barquinhos e jangadas na praia com o mar verde do Ceará.

Café da manhã com bolo de aipim (macaxeira) e coco, repeti. E haja quilos a mais…

Descobrimos o Shopping Cassino Atlântico em Ipanema, localizado à Avenida Atlântica, 4240, com lojas de antiguidades diversas, uma Tok Stok, estúdio de beleza, centro médico. Quimera Antiguidades, com suas caixas de madeira dos anos 40. As galerias de arte chamam a atenção. A Mitie Ywamoto e a Patrícia Costa. Obras muito bonitas e cheias de vida. Na Parceria Copacabana, vi roupas e artigos lindos. Bem Rio, com suas cores. O carioca aprecia flores, cores, vida, me identifiquei demais com a vibração da cidade. Tenho alma carioca. Para quem gosta de móveis antigos e modernos, e antiguidades, eis um lugar para visitar.

No térreo do shopping, o guichê de uma ideia original, a do ônibus Rio Samba Bus, estilo hop-on hop-off, ou seja, desce em paradas estabelecidas e oferece um city tour panorâmico musical, vale por 24 h, R$150,00 no momento. Da próxima vez, queremos aproveitar.

De despedida do lindo Rio, um almoço no Dom Camillo (Av. Atlântica, 3056). Menu: Caneloni Verdi di Parma e Ravioli di Vitello (carne de bezerro jovem) com funghi (cogumelo desidratado ou seco). E taças generosas de um bom Frascatti, branco, leve, que saudades desse vinho. E azeite Tempio e viva a Itália! Para completar, um bom espresso, per favore! Bem frequentado por gente da terra, italianos e turistas encantados. Lá oferecem a pink lemonade: morango com limão, eu fazia em casa, mas não sabia o nome.

À tardinha, caminhada até a Gelateria Piemonte (Av. Atlântica, 3056) pela calçada de cá do hotel. Sorvetes de limão siciliano, chocolate amargo 70% e pistache, e que farra! Interessante que vendem sorvetes para cães com fruta e água. E vou observando a calçada com umas quantas pedras soltas. Está na hora de manutenção. Milho verde no palito, um sucesso. Antes eu via mais pessoas levando o carrinho com bolos diversos, algo que só vi no Rio e em Paraty-RJ. Acho fantástico. Desta vez, só vi uma vez. E a feirinha de Copacabana com suas variadas opções de lembrancinhas, camisetas da Seleção Brasileira e biquínis com as nossas cores. Muito bom ver tantos turistas.

Dia 19 de agosto de 2025. Dia da partida. O clima de 20° a 23°C. De dia sol, de manhã cedo e à tardinha começava o vento forte. Bom para um casaco. O Rio é bom de ir em agosto. O Genilson, segurança do hotel, bom papo e solícito. O hotel vale a pena. A estátua do Jorginho Guinle em frente ao Copacabana Palace, hotel que é meu sonho de consumo. E no aeroporto Santos Dumont, comprei enfim os biscoitos Globo, estava curiosa. São de polvilho e tem salgado ou doce. Nada mais são que nossa “peta” no Ceará.

Obrigada, Rio de Janeiro, amigos e amigas pelo reencontro feliz. Retornaremos. Dennis, nosso agente da BLUEDREAM VIAGENS, valeu.

O Rio de Janeiro continua lindo-Copacabana-dia 1

O Rio de Janeiro continua lindo-Copacabana-dia 1

Hoje é dia 12 de agosto de 2025, vamos em viagem ao Rio de Janeiro depois de longos anos. Motivo? Medo da violência. Porém resolvemos averiguar in loco e lá fomos o Carlos e eu, meu fiel escudeiro. Não quisemos descer no aeroporto Galeão, então viajamos Fortaleza-São Paulo-Rio para chegar pelo Santos Dumont (na praça Senador Salgado Filho, no centro). Não me arrependo de ter viajado mais horas.

Como tínhamos uma semana pelo Bancorbrás (sistema de hospedagem), depois de muito analisar, escolhemos o Socialtel Copacabana, muito bem localizado, perto do Forte de Copacabana e sem aditivo, ou seja, extra no pagamento. Detalhe: o Rio está muito caro e todos os outros hotéis tinham aditivo no bairro. Endereço: Rua Almirante Gonçalves, 5, entre as ruas Aires Saldanha e Djalma Ulrich, posto 5.

Comecemos nossas aventuras. Quem nos recebe é o Victor, atendente. O hotel bem organizado e ajeitado. Tem rooftop (andar da cobertura com um visual de primeira) e restaurante no local: Samba Sky Rooftop. Ganhamos dois drinques: duas caipirinhas a serem pedidas entre 18 h e 18h30. Queríamos almoçar no aeroporto, contudo na saída não tinham opções, fomos ao hotel e comemos um bom frango grelhado no restaurante lá pelas 15 h. Preço: R$40,00.

Problemas com malas sempre acontecem. A mala do Carlos foi pra outra cidade, mas chegou no dia seguinte. Desta vez, não tenho do que reclamar da TAM, agiram eficientemente.

Enfim, hora de curtir a cidade. A feirinha de Copacabana bem pertinho, com lembrancinhas mil, bolsas, caderninhos, camisetas da Seleção Canarinho etc. Com certeza, visitaremos mais vezes. E vamos explorar o famoso calçadão de Copacabana, com aqueles desenhos geométricos inigualáveis. Limpo, repleto de turistas estrangeiros, com ambulantes espalhando seus objetos, principalmente, cangas e bolsas. Tudo colorido, do jeito que gosto. Como amam o Rio! Fico impressionada com a quantidade de gente de outros países falando várias línguas, sobretudo, americanos e argentinos. Muita, muita gente.

E rumamos ao Forte de Copacabana, construção histórica, inaugurada em 28 de setembro de 1914. Localizado na praça Coronel Eugênio Franco, 1. Entramos e me deparei com uma exposição nas paredes do muro sobre a FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Itália. Mais encanto para mim, já que me interesso pela II Guerra Mundial. Um pouco sobre a nossa história. No painel FEB/O Brasil em Guerra: Em 22 de agosto de 1942 o governo brasileiro reconhecia o estado de beligerância. Nove dias depois foi declarada a guerra aos países do Eixo. No painel FEB/Formação e Adestramento: Após a declaração de guerra, tiveram início os preparativos para a formação da FEB. Coube diretamente ao Presidente da República, Getúlio Vargas, a nomeação do General de Divisão João Batista Mascarenhas de Moraes para Comandante da FEB. A partir daí, foram escolhidos os três Regimentos que iriam compor a espinha dorsal da FEB: 1° Regimento de Infantaria, sediado no Rio de Janeiro, 11° Regimento de Infantaria, sediado em Minas Gerais e 6° Regimento de Infantaria, sediado no Estado de São Paulo. No painel FEB/A Cobra Fumou/A FEB Parte para a Itália: Com o passar do tempo e diante de tantas adversidades, a imprensa começou a noticiar que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil enviar soldados para a guerra. No dia 2 de julho de 1944 a cobra fumou! O 1° Escalão da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) composto por 5.081 homens partiu para a Itália, a bordo do navio General Mann. São vários painéis explicativos da nossa participação. Muito bem escolhido o local, por ali passam pessoas que não sabem da nossa importância no teatro de guerra da Itália. Um comentário: na região onde ocorreram as batalhas, os brasileiros são homenageados e considerados salvadores até hoje, graças aos nossos pracinhas valorosos.

Estar no Forte de Copacabana é ter a chance de se deparar com um cenário incomparável da cidade mais charmosa do planeta. A natureza é prodigiosa. Um verdadeiro cartão postal. E logicamente queríamos matar as saudades do Café do Forte (confeitaria Colombo). Embora não seja a do centro, que está incluída na lista dos 10 cafés mais bonitos do mundo (endereço: rua Gonçalves Dias, 32). Deu para perceber que sou deslumbrada pelo Rio de Janeiro? E estamos só iniciando…

Não sei explicar para vocês, mas há cidades no mundo que quando piso, sinto uma felicidade de alma. O Rio é uma delas. Não ficaremos sem ir por tanto tempo mais. No forte, em uma sala há uma exposição do soldado do Exército brasileiro, e na outra 51 anos de amizade Brasil e China.

Na confeitaria, as mesas lotadas e até fora. Sorte delas, têm a oportunidade de mirar a baía que se forma. Demoram para atender a gente. Fizemos um lanche de jantar: suco e misto quente no pão Petrópolis ou Blumenau, típico da cidade. Bem sortido e delicioso, bem molinho.

Voltamos a pé pelo calçadão, sem dúvida. Copacabana é para caminhar muito. A vida no bairro é radiante. A cidade reflete o espírito do carioca: festivo, bem-humorado, alegre, musical. Nas ruas, bares diversos, como gostam. Em um deles, um grupo de amigos cantando “happy birthday” (feliz aniversário), devem ser americanos, e em outro local, em uma mesa, senhores jogando baralho. Acho uma graça! Como “vivem” nas calçadas o seu dia a dia.

Continuaremos em breve.

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. O Carlos e eu no hotel Palm Plaza & Spa Marrakech, no retorno de um giro ímpar por cidades do Marrocos. Estamos no final da excursão da Special Tours/CVC, mas ainda com muito a conhecer. Ficamos no hotel somente os três brasileiros, eu incluída. Os espanhóis foram embora no dia anterior.

O dia começa com um café da manhã espetacular, vou sempre me lembrar. O iogurte é servido em um copo e é divino, um sabor incrível. Vejo passarinhos no salão imenso e repleto de turistas. A mesma comida do jantar anterior estava presente, muita gente come na primeira refeição. Não deu tempo para o meu cafezinho, tínhamos que encontrar o condutor que nos levaria ao passeio pela parte antiga da cidade.

Às 9 h, o condutor Aiul, que só fala árabe, nos pega em um carro preto chique (Dacia Lodgy) e leva a mim, o Carlos e o Renato ao encontro do guia Tuk. Fala várias línguas e é muito bem preparado. Com a gente, foi no espanhol. Os táxis são amarelos, a cidade é plana e vermelha. Eu gosto muito de cidades espaçosas.

Fomos aos grandiosos Jardins de Menara, os jardins mais conhecidos da cidade e antigos do Ocidente muçulmano. A fama tem a ver com um grande sistema hidráulico do séc. XII. A água vem do Atlas e foram utilizadas ferramentas antigas como pá e picareta, escavavam por baixo e faziam canais subterrâneos conectando com água de poços para lutas contra a falta de água. No inverno chove, mas pouco, tudo é seco demais. O fato de a cidade ser toda verde e sem chuva tem um segredo: esse antigo sistema hidráulico usado na agricultura/irrigação e para beber.

Segundo o site https://visitmarrakech.com, as necessidades hídricas destes espaços eram satisfeitas graças aos esgotos subterrâneos (Khettara), escavados segundo uma técnica iniciada pelos almorávidas a partir do século XI e adotada pelos almóadas, que enriqueciam a rede de canalizações superficiais. A criação desses jardins, segundo Ibn Sahib Assalate, é atribuída a Hajj ibn Yaïch, estudioso e legislador do Império Almóada. Para além das suas funções utilitárias e recreativas, esta piscina servia para o treino de natação dos soldados almóadas, em preparação para a travessia do Mediterrâneo até a Andaluzia. O mesmo site nos conta que autores antigos atribuem seu primeiros desenvolvimento ao sultão almóada ´Abd al-Mu´min ibn ´Ali (1130-1163). O sultão alauita Sidi Muhammed mandou construir ali um pavilhão com um mirante que servia de local para passeios e descanso.

O tanque do séc. XII, enorme para juntar água. 50 m de comprimento, 83 mil m³ de água, 150 m de largura e 2,80 m de profundidade, de acordo com o guia. A comporta abre e leva água por canais para o parque, uma irrigação controlada. As oliveiras começam aqui, são 100 hectares plantados. Mais de 100 canais vindos da cadeia montanhosa Atlas que baixam água sem neve e chuva. Poços evitam inundações. Antigamente se bebia essa água, hoje não mais, pois há a barragem Hassan II.

Os guias gostam de contar detalhes da sua cultura e de falar mal da política. Açafrão e oliveiras são bons laxantes. Os muçulmanos comem ruminantes herbívoros, porco nem eles nem os judeus. Motivo? Porque comem sujeira.

A importância da oliveira é secular. No séc. XX encontraram uma árvore parecendo selvagem. As azeitonas foram trituradas para o azeite e da árvore saiu a pepita argan.

Visita ao exterior da mesquita Koutoubia, irmã gêmea da Giralda de Sevilha na Espanha. Menara significa “farol religioso ou que indica o caminho”. Vemos o minarete: al-manara, um farol que indica o caminho para as chamadas religiosas e o caminho dos viajantes. No Marrocos, funcionava a Rota do Sal, para conservar a saúde para a pele (dermatologia), como feridas de pele de humanos e animais, dromedários, por exemplo. No séc. XVI, o sal era trocado por ouro. Combinado com a Rota do Sal, havia a Rota da Seda, a China oferecia chá, arroz e laranjas, a Índia especiarias. Havia ladrões no Atlas e na Península Ibérica de “olho” nas mercadorias.

Não se bebe água da torneira. No passado, a cabaça era a cantina para levar água com qualidade. O marroquino fala muito em saúde e na importância da água. Nos séculos XI e XII havia a luta para conseguir água boa de beber, viam a neve no Atlas como água. Das especiarias da Índia vieram também plantas compradas para curas. Os guias também falam muito contra armas, indústria farmacêutica e alimentação errada. Antes se comia pão com cevada e trigo, arroz nos finais de semana com resto de carne e peixe. A paella é herança dos árabes da Andaluzia, Espanha. A gente vê policiais a cavalo, são árabes e berberes. Estamos na praça Jmaa el Fnaa, um dos lugares mais interessantes de onde se acessam os souks (mercados) e a medina. Laranjeiras azedas na calçada, vieram da China, fazem sucos bons de vitamina C e são usadas na fabricação de geleias azedas para os britânicos. Há dromedários no local.

Estamos na medina (cidade velha) com a muralha, usada para a segurança à época, pois havia ladrões no passado. No séc. XV, muçulmanos e judeus foram perseguidos pela inquisição, então os judeus fugiram para a medina. A vida era honrada com respeito à religião dos outros. Três bolas no minarete. Convivência boa com a religião. A grua mostra a direção para Meca, o nascer do Sol. O bairro judeu perto do Palácio Real. Casa com pavimento era de judeu.

Os profetas eram intermediários de Deus com o ser humano. O poder leva ao mal. Política mundial difícil. Regras religiosas contra armas. O turista quando entra no país tem que ser protegido.

O shopping Menara Mall. Avenida Estrada da Porta Nova onde há grandes jardins e oliveiras também. Entre 1912 e 1956 o Marrocos foi colônia francesa, era pra ser protetorado, mas não foi. Os franceses construíram igreja, hotel. O rei Hassan II permitiu a nacionalidade dos judeus por meio de um decreto real. Em 1948 muitos foram embora para Israel.

Continuamos a caminhada a pé pela cidade antiga. Muitos turistas em todos os sítios históricos.

Entramos no Palais Bahia, Palácio do Bahia ou Palácio da Bonita, propriedade de um nobre da cidade. Encontramos mais laranjeiras azedas no lugar, substituíram as cabaças. Boa para enxaqueca a flor da laranjeira, usa-se o extrato que é relaxante. Para mulheres, então, com os maridos e as crianças gritando é especial. Achei um comentário engraçado. Para aliviar a cabeça, usa-se com leite. O guia Tuk compra nossas entradas para entrar no palácio.

São 8 hectares. O ministro que o construiu queria uma vida privada. Para isso necessitava de uma passagem cotovelo, um corredor, sem janela para ter privacidade e não ofender ninguém: ricos com pobres juntos. Deus quer o coração, a roupa não interessa, segundo o guia. Para tanto, o uso da vestimenta djellaba (a túnica) que esconde o traje por baixo. Dentro do palácio, um jardim marroquino. Escritórios de secretário e do ministro. O cedro usado. Teto lindo, salas diferentes. Vida administrativa do ministro. Salas para marroquinos diferentes das salas para estrangeiros. Cada sala com teto, tapetes no chão diferentes. Teto com tapetes iguais pareciam espelhos. Lá se faziam tapetes ricos de acabamento, outros de algodão. Para aquecer a casa, braseiro e mobiliário para cobrir o chão no inverno. Quando os franceses se foram, levaram os tapetes. Eram imperialistas. Não era protetorado, mas colonização.

Riad é uma casa com jardim, plantas e laranjeiras. Casas sem jardins também existem. A árvore cedro no Marrocos não é exportada. O muçulmano é monoteísta, crê em Deus. Os guias falam muito na religião deles. Casamento entre membros de famílias diferentes é bom para a paz. Mulheres viúvas seriam a segunda esposa, gesto nobre para a mulher ser amparada. Regra religiosa do passado: a poligamia, até quatro mulheres. A favorita seria a que tivesse um filho homem. Se a concubina tivesse o filho homem, se tornava a favorita e não as esposas. Em 2004, o rei Mohammed VI criou uma nova lei: só há uma segunda esposa se a primeira aceitar e há contrato com vantagens materiais para a primeira. No Palais Bahia, havia três salas para as outras e uma para a favorita. Hoje não mais esse harém todo, a economia não permite e o pensamento muda. O rei inovador Mohammed VI só tem uma mulher. A educação é que conta.

O salão marroquino com sofás e de mármore italiano com acesso privado era o da favorita. O guia nos conta muito sobre a cultura à época. Na religião se aceita o divórcio se o casamento não estiver bom. No Marrocos não se usa burca, não é obrigada a se cobrir toda. Nos jardins de inverno do palácio, havia espaço para as quatro esposas/mulheres em um pátio grande passearem e tomarem vitamina D sem cruzarem uma com a outra. Hoje são usados para eventos culturais, musicais e de casamentos. Os guias falam de forma aberta sobre assuntos matrimoniais.

Vimos plantas de ginseng, boas para a cabeça. Do pátio aberto, saímos para o jardim com uma gateira, ou seja, os gatos entravam pelos buracos na porta a fim de comer os ratos, e ali também funcionava escola para os filhos. Eram selvagens, hoje, não. Atualmente esgotos, antes fossas antissépticas.

Continuamos no Palácio do Bahia. Na casa, os pátios são abertos e as janelas para dentro. Tetos altos e quartos fechados com temperaturas agradáveis para o frio. São pequenos, quadrados, sem janelas, com tapetes, a cama em cima do chão com armários. O teto fechado para evitar temperaturas fortes. Para o verão se usava os quartos maiores com degrau, uma porta dentro da outra. Casa completa com lado para os servos. Muitos detalhes na casa. Quarto pequeno para a mulher amamentar, passagem com três portas. Guardas na passagem cotovelo para evitar a entrada de estrangeiros. Banheiros. Pintura nos tetos feita de cedro, pigmentos, papoula (cor vermelha), alecrim (cor verde), alfavaca, puro açafrão em pó, filamentos, barba do milho pintado, índigo vegetal (azul, usado por tuaregues contra mosquitos), clara de ovo (cor branca), antimônio para proteger os olhos (cor preta).

No mundo muçulmano, não há imagens, consideram idolatria, mas existem a caligrafia (saúde permanente, a escrita), os motivos florais e geométricos.

Os muçulmanos não são fãs de carne vermelha, porque os animais comem coisas sujas. Preferem a carne salgada, cevada fervida e seca, tâmaras com leite, bom para a saúde. É o que comiam nas caravanas do passado. Mulheres puérperas tomam cerveja (cevada) e pão.

Sem dúvida, outro mundo. De lá vamos prosseguir nos passeios.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Hoje é dia 6 de novembro de 2024. Continuamos em Fez no passeio. Vamos a pé à medina. Somos um grupo de 7 turistas: 3 brasileiros e 4 espanhóis. E dois guias: o nosso da excursão Abdul I e o Abdul II, expert em Fez. Muitas dicas do Abdul II. Não há semáforos na cidade antiga. Balak: aparta-te; andak: cuida-te. Cuidado com as mulas e burros, e com os ambulantes, pois fogem da polícia e não dão troco. Não há insegurança na medina em geral. Muito calor. Os clientes satisfeitos trazem muitos turistas. Para tirar fotos, há que pedir permissão. O guia fala muito sobre a cultura local, respeito e educação com os marroquinos. Quando se viaja para outro país, temos que saber dos hábitos locais. O guia declama poemas, canta, nos conta sobre literatura peruana e filologia. Um talento esse Abdul II. Escreve em árabe: “Sejam bem-vindos, sr. Carlos e sra. Mônica” no meu caderninho”.

Ruela na medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

No bairro histórico, há um restaurante do séc. XV com comida caseira para almoço. Café é mais caro que chá. Chá faz parte do menu. Atrás do hotel Fez Heritage Boutique Hotel, casas de ricos. Andamos pela medina. Nós brasileiros nos espantamos como os espanhóis do grupo fumam. Começamos a parte antiga: o labirinto, medieval. O guia Abdul II é amigo de todos, nos leva a um costureiro, em uma sala minúscula, sentado, trabalhando em um sofá. A casa verde com fontes de água, um restaurante caro: Riad al Yacount. Riad significa “casa antiga”.Ruelas com lojas de mosaicos e artesanato, cujas soleiras também são de mosaicos. Ruelas com motos estacionadas, parece Florença-Itália. A Riad Dar Skalli é uma casa com portas de madeira decoradas, incrível. Tudo tão diferente. Acho fantástico saber que pessoas moram nelas. Na placa vemos o nome da rua em árabe, berbere e o nome latino. Quando tem a forma quadrada indica rua com muitas saídas. Na medina labiríntica, há hotéis, albergues (youth hostels), agências de câmbio. Passamos por uma casa de uma família judia: Derb Cohen, ele teólogo.

Os churros (doces) vendidos em outra sala pequena parecem bromas. Outra sala de balas, o botijão de gás é bem pequeno. O arco divide bairros. Ao lado, uma mesquita. O sapateiro é o sacristão da mesquita, chama para a reza e fecha a sapataria, que é um banco de sentar. Mercadinho de frutas, moradores passam tempo ali conversando. Muitos cafés, restaurantes, lojas de mosaicos. Fotos da medina em uma parede. Loja de roupas, costureiros. Mais fresco o clima dentro das ruelas. Nos cantos, lixo. Gatos mil, dizeres religiosos nas paredes. Place Oued Rehacha (praça rio Rehacha), com lojas de roupas. Fonte de água sem água na ruela significa que casas têm água.

Uma escola e uma mesquita em cada bairro. Casas pobres com banhos públicos, a casa tem banheiro para mulheres e crianças, os homens usam o da rua. Um banho turco por 20 DH (R$121,41) oferece massagista para esfoliação da pele nos homens com o banho. Sai limpo e purificado, a pessoa dá o que quer de dinheiro. O guia fala sobre a caridade independente de religião. Na Dar Mia, carpintaria, loja de couro e padaria (pão caseiro). Quem se perder pela medina, não se preocupe, a Central encontra a pessoa. Muitos alfaiates. No passado, pousadas albergavam comerciantes e animais, era um caravançarai gratuito. Hoje são lojas.

Vemos lojas de chaveiros, sapatos marroquinos, bolsas em couro. Interessante que não usam adoçante, é açúcar refinado mesmo. Lojas e lojas, um mercado fascinante. Vimos a pousada Foundouk el Berka. Foundouk significa “estalagem”. Entramos na feira. A barra de madeira divide a zona sagrada. Muito incenso, túnicas belas.

Na porta 4 dentre as 14, a universidade Al Quaraouiyine, a Gran Universidad, com 270 pilares para 22 mil fiéis. Foi fundada em 859 como uma madrasa por Fatima al-Fihri, filha de um próspero comerciante Mohammed al-Fihri. Ela decidiu destinar toda a herança recebida do pai à construção de uma mesquita para a sua comunidade. Nessa mesquita, instalou-se a primeira madraça que se tem notícia. Várias fontes descrevem a madraça medieval como uma universidade, de acordo com a Wikipédia. Similar à mesquita de Córdoba-Espanha. Na madrasa (escola), o primeiro altar com fonte no centro parece com o Patio de los Leones, do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Na mesquita não se entra, só se olha por fora. A feira é uma loucura de gente.

Na universidade, nos conta a Wikipédia, ensinou Maimônides (1138-Córdova, Império Almorávida, hoje Córdoba na Andaluzia-Espanha, falecido no Cairo-Império Aiúbida, hoje Egito, em 1204)), médico, escritor, rabino, conhecedor de astronomia, teologia, letras, lutava contra o analfabetismo. Uma das principais figuras intelectuais do judaísmo medieval. Além de reverenciado pelos historiadores judeus, é também figura proeminente na história das ciências islâmicas e arábicas. Proeminente filósofo, polímata (com conhecimento em diversos assuntos) tanto na tradição judaica quanto na islâmica.

Na biblioteca, pode-se consultar documentos antigos feitos de couro de gazela. Localizada no centro histórico, integra o complexo da universidade e é considerada a mais antiga do mundo em atividade Também fundada no séc. IX, possui mais de 4 mil livros raros e manuscritos árabes, de acordo com a Wikipédia.

Madraça Attarine-Medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Entramos na madrasa ou madraça (escola) Attarine. A Wikipédia nos informa que é uma antiga escola (corânica), fundada em 1310, sendo o edifício construído entre 1323 e 1325 pelo sultão merínida Abuçaíde Otomão II em Fez el-Bali (Fez, a velha), junto à universidade Al Quaraouiyine. Deve seu nome ao soco (bairro de comércio) de perfumes e especiarias vizinho, o Soco de Attarine.

A escola destinava-se a formar os altos funcionários da administração merínida. O pequeno edifício é considerado uma obra-prima da arte decorativa. Já o guia Abdul II nos diz que nela se ensinava teologia superior para futuros imãs ou imamatos, guias religiosos muçulmanos. Nas janelas, dormiam os estudantes pobres, agora monumento. Vimos a sala de oração e aula, o altar (porta) e a sacristia na direção de Meca. Para o guia, nada é desculpa para o muçulmano não orar. Ele fala no Corão e nas escolas xiita, sunita e maliquita (maliquismo: corrente de direito islâmico do Islã sunita), mais moderada, predominante no norte da África, na África Ocidental e em alguns territórios isolados da península Arábica, e seguido por 20 a 35 % dos muçulmanos, segundo a Wikipédia. Na parede da madrasa, o mosaico com preto são letras que foram recitadas para nós. O Abdul II ainda o fez com musicalidade e a devida tradução. Entramos na mesquita. Ao sair, comprei figos secos. Vemos um mausoléu e cemitério perto, velas e incensos são comprados como oferenda.

Os muçulmanos reverenciam Fatima, a filha mais nova do profeta e de sua esposa Khadija. Nasceu em Meca em 605. E morreu em Medina em 632 ou 633, conforme a Wikipédia. Era casada com Ali (o quarto califa para os sunitas ou o primeiro para os xiitas).

Almoço (entrada) no La Medina Bis Restaurant-Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, almoço. Entramos no restaurante pelos banheiros no mosaico, que original. Mesas para o grupo, tudo formoso. La Medina Bis Restaurant, endereço: 13, Bis Derb El Hannan Guerniz. com 10 opções de menu. Para o almoço, de entrada, salada com diversos pratos: beterraba, arroz, feijão marroquino ao molho, azeitonas etc. Prato principal: cuscuz marroquino com batata, cenoura, pimentão e frango. Frutas: tangerina e uvas. Chá de hortelã. De sobremesa: uma rosca, tipo pastel de coco, delícia. Depois rumamos à loja El Corte Marroqui com artesanatos, produtos de prata e joias. O vendedor Jawar, bem-falante. Comprei brincos e pulseira estilizada, bem típica do Marrocos, por 200 DH (R$120,60). Para limpar, bicarbonato.

Bairro de los Curtidores. “Curtidor” em português, aquele que faz curtimento (fonte: Oxford Languages). Mais lojas de couro, são mochilas, bolsas, e muito mais. Em uma delas, subimos ao Curtume (ou tannerie, em francês) Chowara,um dos mais antigos do mundo, por escadas intensas até o terraço. Está em operação há mais de mil anos. O guia da loja nos mostra o processo de curtimento do couro, longo e complicado, e as piscinas embaixo para curtir o produto. Lá há uma cesta com folhas de hortelã para cheirarmos por causa do seu odor forte. Na volta, descemos na loja, com muitos produtos à venda, são jaquetas, botas, bolsas. Produtos bonitos de couro legítimo. Vale ler mais em Curtume Chouara, Fes, Marrocos.

Estamos na praça dos Carpinteiros. Tem loja de tudo, e logicamente carpinteiros, especiarias, ouro, madeira. Praça de los Tejedores (tecelões). Lojas de tecidos mil, echarpes, entramos em uma. O vendedor simpático nos explica como se faz o tecido em lã, algodão (em espanhol). Mostra o trabalho do tear. A peta é rica em fibras de seda (agave). Panos, cachecóis, capas de almofada, bolsas diversas, um deslumbre por €15, €20, €30 euros. Estamos cansados e sentados na loja.

No retorno, estamos exaustos. Muitos ambulantes vendendo seus produtos seguem a gente. Não vi ninguém pedindo esmola. São vendedores, segundo o guia Abdul II. No ônibus ele nos diz “até logo”. Que figura! Sai cantando músicas em espanhol.

Voltamos para o hotel às 18 h. 20 h é o jantar/show (cena/show) que havíamos pago de manhã antes do passeio, €50 euros cada. Nos hotéis em que nos hospedamos há sempre um bar com música árabe, bem estilizado. Pena que fumam dentro. O jantar com música árabe será no Restaurant Palaisal Firdaous no Riad Darif. Decoração árabe, lugar enorme com espaços abertos. O jantar com entrada de pão, feijão-branco, pasta de berinjela, cenoura, beterraba cozidas etc. Prato principal: pastelão de frango e canela. De sobremesa, uma torta redonda de tamanho médio (típica deles). Ainda servem umas roscas, um pouco duras. O vinho Toulal Prestige do Marrocos. A comida estava ótima, mas ainda estávamos cheios do almoço, que foi semelhante. Sem dúvida, as refeições são fartas.

Eram duas mesas, os espanhóis sentaram juntos e fiquei eu e o Carlos em uma mesa sozinhos, aí o casal de Santiago de Compostela (Fran e Silvia, da Venezuela)) vieram sentar com a gente, achei muito querida a atitude deles. Depois da cena, vieram as danças do ventre. A primeira dançarina, tudo bem, mas a segunda só fazia brigar com um dos músicos, a gente não entendia nada, mas deu pra divertir com o inusitado da situação. Depois, ela convidava pessoas da audiência para dançar. Após a dança, veio o mágico. Sinceramente, não compreendi o motivo de ter um mágico ali. O melhor da noite e mais divertido foi quando convidaram o casal que estava conosco e uma outra senhora da excursão para se vestirem a caráter, com roupas da realeza do país. O Fran e a Silvia ficaram um arraso de sultão e sultana. A apresentação deles para o público ocorreu com muitos aplausos, e ela chegou em uma almofada grande, carregada por funcionários do restaurante. Por fim, a foto oficial por 50 DH (R$30,15). Eu sempre compro, não resisto. Valeu? Só pela apresentação final. Foi muito, muito engraçada.

Prosseguiremos para Erfoud.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Hoje é domingo, dia 23 de abril de 2023. Fomos de táxi do hotel América (Rio Negro, 1330) à feira usual da cidade aos domingos: Tristán Narvaja, das 8 h às 16 horas, no bairro Cordón. Inicia na rua Tristán Narvaja e se estende por várias quadras nos arredores. Fica perto da Plaza de los Treinta y Tres Orientales na av. 18 de Julho.

É diferente de San Telmo em Buenos Aires-Argentina, pois é mais feira de alimentos, como mel, mate, frutas, sucos, legumes etc. Também há roupas, antiguidades, sebo de livros, chapéus, produtos antigos fora de uso, quinquilharias mil, dentre outros. São quadras e quadras de feira, com muita gente, uma multidão. O povo leva cachorro e mate também, como bons uruguaios. Dá uma canseira de tanto caminhar, uma loucura. De almoço, comemos pizza e crepe acompanhados de suco de quatro frutas em uma banca, um evento. Ali perto música de candombe. Aliás, segundo a Wikipédia, é uma dança com atabaques típicos da América do Sul. Tem um papel significativo na cultura do Uruguai dos últimos 200 anos. Encontrei livros sobre a II Guerra Mundial em um dos sebos. O dono da banca não sabia que o Brasil havia mandado os “pracinhas” para a Itália para lutar contra o nazismo.

Fomos embora a pé, umas 8 quadras, até a av. 18 de Julho no centro. Muito movimento, vimos pedintes também. Passamos pela praça Engenheiro Juan Fabini, onde houve luta de estudantes pela democracia, há uma placa contando a história. As praças têm bancos para os pedestres sentarem, acho fantástico. A paz reina. O café La Pasiva, com sorvete, pelo caminho.

Para se despedir da jornada turística, decidimos pelo restaurante Tannat no jantar. Endereço: San José, 1065, centro. Menu: bife de chorizo com batatas fritas para o Carlos, e para mim frango recheado de queijo e presunto com purê de batata. Vinho Don Pascual 375 ml Varietal Tannat. Uma refeição robusta.

Para fazer a digestão, voltamos à mesma praça mencionada anteriormente. Para nosso divertimento, testemunhamos idosos dançando tango, uma graça. Isso é tão Uruguai. Ao som de tango, os casais bailavam à vontade. Há 9 anos quando estivemos lá já faziam isso. Escutamos também músicas gauchescas. O Carlos e eu sentamos no banco assistindo às danças, uma delícia. Se eu não tivesse acabado de jantar, teria caído no passo. Vimos isso em Córdoba na Argentina também, praças como espaço de danças.

Um pouco da história de Montevidéu. O folder Uruguay Natural do Ministério do Turismo nos informa que a capital foi fundada pelo governador e capitão do rio da Prata Don Bruno Mauricio de Zabala. O processo fundacional da cidade data entre 1724 e 1730, período em que começaram a chegar os primeiros colonizadores provenientes de Buenos Aires e das Ilhas Canárias. Os traçados da cidade foram delineados segundo as Leis das Índias a 45 graus em ângulos retos. A cidade foi muralhada em todo o seu perímetro, encontrando-se a Cidadela onde hoje é a parte ocidental da praça Independência. No ano de 1833 se projeta um novo traçado para a cidade nova que foi plenamente executado a partir de 1861. Diferentemente da Cidade Velha, a Cidade Nova se projetou com ruas amplas e arborizadas, onde se localizaram comércios suntuosos e grandes residências. No entanto, a avenida 18 de julho teve que esperar até o início do século XX para consolidar sua atividade como centro comercial e cívico. Com o traçado da Cidade Nova se criaram dois novos espaços públicos: a praça de Cagancha na avenida 18 de Julho e a praça Independência, onde as redes das duas cidades Velha e Nova se entrelaçam.

Nossa viagem a Montevidéu quase no fim.

Turquia pelos meus olhos por Carolina Tavares

Turquia pelos meus olhos por Carolina Tavares

Da série: Psicologia Sem Fronteiras (do Instagram)

Turquia pelos meus olhos: uma viagem terapêutica. Um país que super estimulou meus sentidos.

1. Sua culinária saborosa me incentivou a degustar mais e mais comidas desse lugar mágico. Resultado: + 2 kg.

2. Escutar e acordar com os cânticos das mesquitas ao nascer do sol me fez sentir em um universo paralelo.

3. Observar a simbiose entre Ocidente e Oriente/antigo e moderno me deixou inspirada.

4. Voar de balão foi surreal.

5. Sentir o aroma dos chás de maçã pelos lugares onde passava foi incrível.

O cheiro de cada país, você já parou para pensar nisso? Tão slow esse foco no aqui e agora. Puro mindfulness que fica entranhado em nossas mentes, como tudo que se vive com presença fica, mesmo com o passar dos anos.

É tão o oposto daquelas viagens que mais parecem uma maratona.

E como gosto de mesclar psicologia e viagens, posso hoje falar também de empatia. Que seguramente ser empático é uma habilidade que se pode desenvolver ao longo da vida.

Pra mim tudo começou desde pequena. A educação lá em casa foi voltada sempre para o respeito ao outro. Porque o igual meio que já conhecemos e sabemos como devemos nos comportar diante dele. Mas o diferente, você tem que pedir licença pra entrar, por ser lugar desconhecido.

O respeito é o irmão mais velho da empatia. Ele chega primeiro. Mas antes dele vem um elemento que se chama escuta ativa. Essa eu aprofundei no dia a dia da minha profissão e levo pra vida. Apurei meus sentidos com a prática (esse exercício pode ser feito sempre, mesmo em uma viagem, como citei no início desse texto).

Escuta e interpretação fazem parte da minha rotina. “Sem a prioris, nem julgamentos”, como dizia um professor. Assim é o meu trabalho, compreender com empatia, para ajudar a desfazer os nós e se assegurar que aprenda a desatá-los, para que eu saia de cena quando necessário. Assim é visitar outra cultura. Suave, com as pontas dos pés de início. Por exemplo: em Istambul, entrei numa mesquita com respeito, delicadeza, cabeça coberta, assim como deve ser. Entrando no território do outro para conhecê-lo, para aprender e compreendê-lo melhor. Sem julgamentos.

OBS: o movimento de vida SLOW propõe uma mudança em rotinas aceleradas e MINDFULNESS significa atenção plena a tudo que se faz.

Sobre a autora: Carolina Tavares, minha amiga Carol, é ativa nas redes sociais, apaixonada pela sua profissão de psicóloga, pela família e viajante inveterada. Sempre colabora com o meu blog trazendo artigos instigantes e únicos. Seu estilo de escrita nos convida a ver uma viagem como uma jornada de autoconhecimento. Aprendo muito com ela. Obrigada, amiga Carol!

Coleção: Contos de Natal por Ana Tavares

Coleção: Contos de Natal por Ana Tavares

Minha Árvore de Natal

Ser grato, agradecer, será fácil? Quando a gente agradece, a alma liberta.

Nas mínimas coisas, podemos agradecer, quer ver? Se despedir de um par de sapato velho querido, aquele que se moldou nos teus pés, que te acompanhou para tantos lugares? Pois bem, é chegada a hora de doá-lo para alguém, hora de agradecer aos céus por ter te permitido as belas caminhadas com ele.

Esta semana, resolvi desembalar minhas coisas de Natal. Disse adeus para muitas delas, agradecida por tantos belos natais que passamos juntas… Surpreendida, observo que os três últimos “andares” de minha querida árvore de Natal, que me acompanha há mais de 12 anos, se quebraram. Não resistiram à maresia… No primeiro instante, senti que a tristeza bateu. No segundo, eu disse: hora de agradecer tantos natais passados juntos, você me embalava até com bilhetinhos de agradecimentos, não era, Ana? Era…

Então, obrigada, muito obrigada. Este ano, coração apertado, nos despediremos. No próximo ano, você irá para um asilo de velhinhos, encantá-los. Aqui em casa, sentirei sua falta, viu?

Te agradeço pelos belíssimos momentos em que você esteve junto a mim. Merci.

O Natal que Papai Noel adormeceu

Árvore de Natal sem graça, vela esmaecida, presente de/para, anjo pálido, festão desbotado… foi tudo isso em um Natal longínquo. Com o diagnóstico de câncer na mão, esperando começar o longo calvário de cirurgia, quimioterapia e suas consequências logo após o período das festas…

Atordoada (será que Papai Noel adormeceu?) olhava para as lâmpadas que piscavam em minha árvore de Natal e para minha linda filha Carol que mal começava a dizer mamãe…

Foi neste Natal que prometi a mim mesma que ia lutar para viver! Fiz este relato para mostrar que a vida é assim! Tem horas que nos sentimos reis e rainhas do mundo, horas em que somos humildes servos.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Fortaleza e os idosos

Fortaleza e seus idosos – será amigável a relação?

Eu também sou pedestre, logo observo as calçadas, ruas, cobertura vegetal e por aí vai.

Vamos lá. Árvores? Fortaleza já foi tão arborizada até os anos 70/80 do século passado… Não tem jeito, não consigo deixar de ser nostálgica. Andar pela cidade se torna difícil por conta do sol intenso e falta da proteção das árvores. Isso de dia, logicamente.

Conclusão: se queremos um lugar agradável para viver e caminhar, o mundo verde é fundamental. Por que não exigir dos edifícios sendo construídos, via lei municipal, que as árvores abatidas sejam replantadas no condomínio? Digo isso, porque testemunhei em Santiago do Chile verdadeiras florestas dentro dos limites dos prédios no bairro Providencia. E em Recife-PE, pelo menos, no passado era obrigado a ter esculturas de artistas locais nos condomínios de Boa Viagem. Então, nada é impossível, é uma decisão política.

Continuemos com calçadas… Socorro! Polícia! Novamente, retornemos às décadas de 70/80, quando eram homogêneas e o proprietário cuidava da sua. Sei de muita gente (idosos ou jovens) que já caiu e se machucou no centro, no calçadão da Beira Mar, no bairro Meireles. A prefeitura não cobra do morador e não faz a sua parte como deveria. Apareceu o buraco, conserte, simples assim. Se cada morador que caísse, colocasse na justiça e essa fosse célere, dando ganho de causa ao “machucado”, a situação seria outra. Exemplificando, no Canadá ou nos EUA, ninguém ousa não retirar a neve da sua calçada, porque sabe que virá uma multa daquelas ou terá que pagar o hospital de alguém que escorregou. Sonho com a responsabilização, isto é cidadania.

Agora ruas… O idoso e qualquer pessoa, na verdade, sempre corre o risco de ser atropelado por motoqueiros, preferencialmente. Sei que não é a maioria responsável, mas tem uma minoria, para quem não existe leis de trânsito. Prefeitura? Não vejo agirem. AMC (Autarquia Municipal de Trânsito)? Dentro de carros, multando quem não paga a Zona Azul. Vejo outdoors da prefeitura para o motociclista usar capacete por exemplo, mas isso muda a realidade? Multas, aulas compulsórias e apreensão das motos, sim! Um amigo querido alemão certa vez me disse que seus conterrâneos eram educados no trânsito, muito por conta de multas. Escutei o mesmo em Portugal.

Por último, a nova Beira Mar. Caminho lá e gosto, mas percebo não haver bancos para os idosos sentarem. Será que os realizadores não sabem que também vão envelhecer? Como ser uma cidade amigável sem um detalhe importante desse? E há mais: plantaram carnaúbas ao longo da calçada onde fica a feirinha de artesanato provisoriamente. E dão sombra? Não mesmo. E os coqueiros, cajueiros, juazeiros? Sinceramente… com tanta riqueza de árvores frutíferas, preferiram as de lugares áridos.

Desejo aos idosos autonomia no caminhar, no resolver suas atividades, em respirar sua cidade. Contarei uma historinha. Minha mãe se achava “velha” aos 50 anos aproximadamente, ainda bem que nossa cultura se transformou para melhor. Aí a levei para assistir a uma palestra do padre Lauro Trevisan no ginásio Paulo Sarasate e logo depois viajei com ela a Miami-EUA (e com a amiga Sandra Ximenes). Foi o santo remédio, retornou outra. O idoso americano é independente e mesmo com dificuldade de locomoção, se vira. Foi impactante nossa jornada americana no ano de 1994.

Enfim, como cidadã me sinto na obrigação de escrever sobre os mesmos assuntos que incomodam. Desistir jamais, embora os ouvidos sejam “moucos”. Não canso de almejar uma Fortaleza mais estilo passado, com mais qualidade de vida, clima mais arejado por ter mais árvores e menos asfalto. Afinal, estamos também envelhecendo e o nosso idoso merece RESPEITO.

E aí? Na sua opinião, nossa cidade é amigável ao idoso?

P.S. A pedido dos meus pais, escrevo para relatar que as árvores e plantas da praça das Flores, antes praça do Hospital Militar, na Aldeota está com a cobertura vegetal passando sede e morrendo. Quem cuida da praça? A prefeitura ou o grupo Beto Studart que a reformou e mudou o nome da praça? Gostaria de saber.

Valores Agregados

Valores Agregados

Ana Tavares

Para quê tanta coisa? Assustei-me pela quantidade de coisas acumuladas. Roupas. Sapatos. Livros. Louças. Objetos de decoração, quadros e quadrinhos…

Quantos valores agregados à minha vida? Em que momentos comprei tudo isso, por quê? Em cada objeto uma lembrança, em cada roupa a evocação de um momento, alguns bons, outros nem tanto.

Na pandemia, revisei um por um, coisa por coisa, cada momento, perguntei-me: preciso disso, posso me desfazer?

E assim comecei uma longa viagem dentro de mim mesma. Quantas viagens incalculáveis fazemos dentro de nós, né? Quantas fazemos fora de nós, quantas fazemos para desvendar o mundo, ver o diferente, nos divertimos e nos construímos? Em cada uma delas, trazemos um pedacinho do país que conhecemos, gostamos e queremos trazer conosco… Mas por qual motivo os 8 casacos de frio, as 22 echarpes, botas e as roupas de inverno pesado se moro em Fortaleza sob sol forte de 30 graus?

Colocando estas questões, iniciei meu desapego das coisas que me aprisionavam, para no lugar delas colocar sentimentos edificantes, projetos promessas… Confesso a grande dificuldade que tive para escolher a quem doar roupas de frio numa cidade onde o sol intenso, céu azul limpíssimo prometem não ceder lugar à chuva, ao frio, nos proporcionando no máximo 26° C de temperatura amena…

O resultado foi prazeroso. Primeiro o ato de doar, depois o de desocupar, criar espaços para projetos novos, espaços livres, sensação de não ter agregado valor sentimental a esses objetos.

Continuei o segundo descarte. Fiz o mesmo com bolsas, sapatos, sandálias, vestidos, blusas, saias, calças… Coisas que quase nunca usava. Aí o prazer foi intenso ao ver que em minha cidade tinha tanta gente à espera de uma doação.

O interessante é que acompanhado a este gesto de doação veio o compromisso de não mais preencher os espaços vazios dos armários e também não ceder ao apelo de fazer compras desnecessárias.

Como uma onda que me pegou e revirou, a necessidade do descarte se estendeu para tudo: dos livros às louças, das panelas às formas de tortas, talheres, copos, para quê tanta coisa, meu Deus??? Se for receber mais de vinte pessoas em casa, alugo todos os utensílios! Impagável foi ver que nada se abarrota aqui em casa!!!

Espaços vazios e vida minimalista abrirão espaços para novas ressignificações, para coisas importantes, como por exemplo: dedicação moderada para jardinagem, fazer um novo curso e aprender a escrever, visitar e ajudar amigos a ingressar na vida minimalista e abrir os olhos para o mundo.

P.S. A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Viaje Slow

VIAJE SLOW

Ana Carolina Tavares

Você já parou para pensar que cada lugar visitado é como uma página escrita no seu diário da vida?

Já parou para refletir que o seu ritmo influencia diretamente nas suas vivências e lembranças?

Se você optar por quantidade, ou seja, o maior número de cidades/países possíveis por viagem, pode ser que veja muita coisa sim, é uma forma de viajar que preza pela economia de tempo. A questão é que quando fazemos isso, corremos o risco de não SENTIR. As memórias afetivas dificilmente poderão ser descritas nas páginas do seu diário da vida. Mas, tenho uma boa notícia. Existe uma outra forma de viajar.

Essa maneira de flanar pelo mundo nos permite utilizar nossa presença por inteiro. Nos permite usar os nossos 5 sentidos. Nos faz, mesmo depois de muitos anos da viagem, recordar intensamente tudo aquilo que vivemos ali. Uma música que faz arrepiar, um cheiro que invade nossa memória, uma foto que nos deixa emocionados..

Viajar é estar presente no aqui-e-agora, é a porçãozinha mágica. Viajar fazendo coisas que têm a ver com a sua singularidade. Levar seus hobbies e sua subjetividade na mala. Sim, é permitido e você não pagará multa por excesso, eu garanto. Permitir-se não ser cópia de ninguém, indo para determinadas atrações que não te interessam, só porque todo mundo vai. Livre-se disso, você vai tirar um peso enorme das suas costas. Vou explicar: Se você ama salsa ou tango e não se interessa por ver todas as estátuas da cidade, sinta-se livre para fazer uma aula de dança na beira do Rio Sena (por exemplo). Será uma experiência única ser VOCÊ. É um verdadeiro ato revolucionário não fazer o que todos fazem se você não tem vontade.

Viaje slow, viva esse momento com a sua singularidade e ele será divertido, desestressante e inesquecível. 💓

P.S. A autora Ana Carolina Tavares é psicóloga, viajante e escritora. Colabora no meu blog com sua escrita leve e refrescante. A você, Carol, o meu agradecimento.

Psicóloga CRP11/ 08796

Instagram: autoamor_feminino