Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Antonina e a estrada da Graciosa-parte 6

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Antonina e a estrada da Graciosa-parte 6

Hoje é sexta-feira, dia 24 de novembro de 2023 e saímos de Morretes e vamos de van rumo à Antonina. A guia Josiane e o motorista Leandro nos acompanham. Somos um grupo do pacote turístico Curitiba-Morretes-Antonina pela Serra Verde Express. Fica a 85 km de Curitiba e a 15 km de Morretes.

Antonina, uma das cidades mais antigas do estado do Paraná. Seu nome é uma homenagem ao príncipe José Francisco Xavier de Paula Domingos António Agostinho Anastácio de Bragança, herdeiro da coroa portuguesa e filho da rainha Maria I e de seu consorte Dom Pedro III.

Um pouco de história. Segundo o site bbc.com/portuguese/geral-59753905, no séc. XVIII, a rainha portuguesa D. Maria I alegou motivos religiosos para vetar a inoculação de seus filhos contra a varíola, em um episódio de grandes consequências tanto para a sua vida quanto para a trajetória de Portugal e do Brasil. O declínio mental que levou a mãe de Dom Pedro I a ficar marcada na história como “a louca” foi influenciado pela morte de seu filho primogênito José (falecido aos 27 anos). Dois meses depois, ela ainda perderia pela doença em um intervalo de semanas-a filha, o genro e o neto.

Conforme o site http://www.antonina.pr.gov.br/pagina/78_Historia-da-Cidade.html, os primeiros vestígios da ocupação de Antonina foram encontrados nos sambaquis (enormes montanhas erguidas em baías, praias ou na foz de grandes rios por povos que habitaram o litoral do Brasil na Pré-História. São formados por cascas de moluscos, principalmente, fonte: super.abril.com.br) da região. Posteriormente, índios carijós habitaram o local, sendo que os primeiros povoados datam de 1648 a 1654. Nasceu das catas e faisqueiras de ouro que em meados do séc. XVII existiam na região. Foi fundada em 12 de setembro de 1714, sendo conhecida como Capela e seus habitantes capelistas. A efetiva ocupação deu-se em 1648, quando o parnaibano Gabriel de Lara, o Capitão povoador, sesmeiro da nova vila (Paranaguá) cedeu aos portugueses António de Leão, Pedro Vaz e Manoel Duarte três sesmarias no litoral de Guarapiroca (primeiro nome de Antonina) as primeiras terras daquela porção litorânea. (Sesmaria: sistema usado pela Coroa portuguesa para o cultivo das terras da colônia na América e para povoar o recém-conhecido território. Fonte: http://www.todamateria.com.br).

Os portugueses enviavam o ouro extraído no local para Portugal. Deixaram casarões coloniais como herança arquitetônica.

No passado, houve guerra entre os portos de Antonina e Paranaguá, o segundo mais movimentado porto do Brasil. A ferrovia diminuiu a importância de Antonina. Era chamada de Freguesia do Pilar de Graciosa antes de ser Antonina.

A região é conhecida por ser produtora de balas de banana. Vamos ao passeio. A sede da Secretaria de Obras, de 1928, já foi matadouro. A estação ferroviária, de 1922, está em reformas. Só vi um semáforo no caminho. Em 1884, a princesa Isabel fez o passeio de Maria Fumaça-trem Caiçara. O trem Antonina-Morretes, com varanda, levou o presidente, de então, Getúlio Vargas. Eis um povo orgulhoso da sua cidade e história.

Conhecemos a igreja Nossa Senhora do Pilar, de 1714, localizada entre a serra e o mar. Descemos no Trapiche Municipal para visitar o local e o novo Mercado Municipal, de 2007 (com banheiros). Existem lojinhas, restaurantes e café. Tudo é pequeno, tranquilo, bucólico. Tiramos fotos, estava chuviscando. No trapiche, os habitantes passeiam, pescam, vivem a vida calma. A baía de Antonina é um braço de mar. Porém, a praia não é para banho, uma vez que é repleta de manguezais onde se veem os guarás. Pássaros belos.

Os casarios com vidros arrendondados pertenciam a famílias de posse. Passamos de van pela rua do carnaval, a cidade é festiva. A praça Cel. Macedo tem um coreto, árvores, uma delícia de sentar.

O porto de Paranaguá se vê de longe, mas não se visita. Vimos o casarão da família Matarazzo. Os casarios coloridos dos barões do café e do mate formam um conjunto arquitetônico formidável. Vimos o antigo clube Ypiranga que é a Câmara Municipal hoje. A farmácia mais antiga do estado, de 1911, com móveis estilo retrô da família Carraro. A prefeitura com homenagem a Dom Pedro II que se hospedara lá. A casa mais antiga da cidade é feita de pedra e de óleo de baleia, é tombada e turística e não pode ser demolida. Parabéns à cidade por conservar os seus marcos históricos.

A novela da Globo “O Astro” teve cenas filmadas em um dos casarões. A bica da cidade é tombada, já que Dom Pedro II tomou água lá, hoje secou a fonte. Vi obras do artista mais afamado do Paraná: Poty Lazarotto mostrando a história da cidade. Antonina estava com o clima nublado, lembra a região de Acarape e Redenção no Ceará. Muito verde, úmida, serena, interiorana. Formosa demais.

O Marco Zero da histórica estrada da Graciosa, de 1878, se encontra atrás do semáforo em Antonina e termina na BR-116. Levou 19 anos para ser construída, era um caminho colonial dos índios carijós que andavam nela para pegar pinhões (fruto da araucária). Está localizada em meio à maior área contínua da mata Atlântica preservada do país. Trata-se da rodovia PR-410.

Sinuosa, uma parte de carroçal e outra parte pavimentada foi importante para os ciclos econômicos: de ouro, madeira, mate, café (a geada negra acabou com o ciclo no estado). Caminho Colonial da Graciosa ou Caminho dos Jesuítas ou calçadinha, liga o primeiro planalto paranaense ao litoral (fonte: /altamontanha.com/caminho-historico-da-graciosa). É responsabilidade do governo estadual.

Só podem transitar carros de pequeno e médio porte. É contemplativa e permite que os curitibanos assem churrasco e aproveitem os espaços livres. Os paralelepípedos nos remetem ao seu passado colonial. Está em restauração por conta de chuvas intensas recentes. Hortênsias e lírios embelezam o caminho. Vimos búfalos e é região de ecoturismo, como rafting, bike crossing, esportes radicais. Há nascentes em abundância. O palmito pupunha (de origem amazônica) é negócio produtivo no Paraná e é forte na região. Numa parte houve desmoronamento, logo estão concretando e colocando telas de proteção na estrada. Acaba em um portal de madeira da época de Jaime Lerner (prefeito/governador). Histórica e antiga, Dom Pedro II e sua comitiva a percorreu a cavalo.

Vale a pena conhecer estrada tão encantadora. Aliás, que dia mais perfeito: Morretes, Antonina e a estrada da Graciosa. Parabéns, guia Josiane e motorista Leandro. Vocês são solícitos e acolhedores. E as cidades visitadas valorizam sua cultura e História, fico deslumbrada com isso.

Continuaremos com mais passeios em Curitiba.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Morretes-parte 5

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Morretes-parte 5

Hoje é dia 24 de novembro de 2023. Viemos a Morretes pelo trem Serra Verde Express, de Curitiba descendo a Serra do Mar. No trem perguntaram por mim e pelo Carlos e deram a dica para encontrar a guia Josiane. No saguão do terminal ferroviário, a encontramos e ela indicou a van. Tudo muito organizado.

Estação e cidade pequenas. Bem tranquila, interiorana. O motorista da van: Leandro, o mesmo que pega os turistas nos hotéis. Dá para observar o centro histórico com feira de artesanato e a praça principal. Vamos almoçar e eu ansiosa para conhecer a linda cidade. O combinado é estarmos na van às 14h30.

Hora do almoço. O restaurante é no centro, chamado Olimpo. Estamos como o grupo na varanda, oferecem como entradas bolinhos de peixe, camarão pequenos e pão. O prato principal é o típico barreado para quem gosta de carne. Ensinam como prepará-lo com farinha e arroz ali na hora, servem banana empanada e saladas diversas em uma mesa na sala. O barreado é feito também com cebola e alho misturados à carne, que é fervida por 12 horas. Depois vem a farinha. Já para mim, foi peixe anchova e camarão empanados. E molho com pupunha e camarão, bem suave. Uau! Que fartura! Achei o barreado com cheiro muito forte, já o Carlos amou.

Ao finalizar, tivemos 1 h e meia para passear. Um pouco sobre Morretes. 70 km de Curitiba, situado entre a serra e o litoral, cidade charmosa a mais não poder. É a maior produtora de gengibre do estado do Paraná, por isso os produtos como balas, licores e sorvetes.

Há o rio Nhundiaquara, a Ponte Velha onde se admira o rio, o coreto e o casario colorido, outro mundo, outro tempo. Difícil não se apaixonar. A feirinha no centrinho oferece licores diversos, lembrancinhas mil, balas de banana, gengibre e coco. E há as sorveterias caseiras e antigas como a da Dona Lucy, de 63 anos de existência, uma portinha ao lado do restaurante com sorvetes e picolés artesanais. O Carlos tomou o de framboesa por R$6,00. Eu tão cheia do almoço que nem quis. A rua das Flores é a principal do centro e do comércio. Todo mundo nos recebe com as palavras: “Seja bem-vindo” nas lojas, o forte das vendas são as placas de madeira com dizeres, cachaças, balas, chips, dentre outros.

Há marcos históricos na cidade, como a paróquia Nossa Senhora do Porto, construída no início do séc. XIX. O sino foi doado por Dom Pedro II. Quando foram colocá-lo, ele caiu e rachou. Existem festivais anuais, por exemplo: a Festa da Cachaça em janeiro e a do Barreado em setembro.

Um pouco sobre o rio. Segundo a Wikipédia, nasce da confluência dos rios São João e Ipiranga e suas nascentes estão localizadas a 1400 m de altura dentro da serra de Marumbi. Deságua na foz da baía de Antonina, ou seja, no oceano Atlântico. Permite a prática de canoagem, rafting, pescarias etc nos seus 37 km. O nome indígena significa NHUNDIA-peixe e QUARA-empoçado ou buraco em tupi ou “toca do jundiá”. Foi o nome do vilarejo de Morretes entre 24 de maio de 1869 a 7 de abril de 1870. A partir daí, se chamou de Morretes.

Cidade só de casas, vida pacata. As ruas estreitas com paralelepípedos, os casarões coloniais, as igrejas antigas nos remetem a outro período, outro compasso. Morretes foi fundada em 1721. Uma preciosidade no Brasil. Quem tem pressa em um lugar tão idílico assim? Uma mistura da colonial Paraty no estado do Rio e da bucólica Colônia do Sacramento no Uruguai. Dá vontade de não ir embora. Da próxima vez, vamos pegar o trem e passar o dia todo nos deleitando.

Continuamos o passeio com a parque temático HISGEOPAR (História e Geografia do Paraná) com suas miniaturas. São dois grupos ao mesmo tempo, o barulho é grande no galpão e tive dificuldade em entender o guia Rudi, mas valeu mesmo assim. Ele começa explicando a história do estado. Primeiro os indígenas e depois chegam os europeus na região. As maquetes são ilustrativas. A economia iniciou com a descoberta de ouro em Antonina. Depois os que vieram, partiram para Minas Gerais atrás do metal precioso. A segunda economia mais importante foi o tropeirismo, com pontos de parada no Paraná, assim vilas foram criadas pelo percurso. A pecuária foi consequência natural.

Os trens eram fundamentais, pois carregavam café, madeira e gente. O viaduto do Carvalho na Serra do Mar e a ponte São João estão expostos nas maquetes. Outro ciclo econômico foi a erva mate, os indígenas usavam e os europeus transformaram em produto. O estado do Rio Grande do Sul é o maior consumidor. O ciclo da madeira: o extrativismo da araucária. Desmatavam com machado e animais, quase extinguiram tão preciosa árvore. Só sobrou menos de 1 %. A madeira foi vendida pelo governo para a ferrovia, o monge São José Maria era o líder dos posseiros que lutaram pela terra. O governo mandou o Exército para o local e houve guerra. A faixa oeste de Santa Catarina é o Paraná pós-guerra.

Os engenhos eram braçais, utilizavam animais. No período da erva mate, a produção era artesanal, familiar. O barão do Serro Azul era grande produtor, esteve envolvido na Revolução Federalista e foi assassinado onde está a Cruz do Barão hoje. Vemos as casas antigas de madeira lascada. O papel higiênico da época eram folhas ou sabugo de milho. O banheiro era uma casinha separada da casa principal. O ciclo econômico do café foi substituído pelo ciclo dos grãos no séc. XX. A energia elétrica substituiu tudo que era familiar, simples e artesanal.

Vemos a maior usina hidrelétrica do mundo: Itaipu. Inundou as Sete Quedas da cidade de Guaíra, 150 km acima da barragem de Iguaçu. Era a maior cachoeira do mundo em volume de água, desapareceu com o lago de Itaipu. Em 1982, antes da inundação, muita gente foi para conhecer, mas uma ponte desabou e pessoas morreram. O herói das Sete Quedas, João Mandi, salvou seis pessoas se jogando nas águas para salvá-los. A Wikipédia nos conta que seu nome era João Lima Moraes, que fora pescador, depois vereador de Guaíra por dois mandatos e secretário de esportes. Foi condecorado com o título de Honra ao Mérito e é considerado herói nacional.

Santos Dumont, pai da aviação, é considerado o patrono das Cataratas de Iguaçu, uma vez que eram privadas, todavia ele as descobriu e lutou para que fossem públicas e se tornassem um parque nacional. Hoje é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 1986. Conforme o site https://www.itatiaia.com.br/editorias/ultimas-noticias/2023/08/29/santos-dumont-de-patrono-da-aviacao-a-patrono-das-cataratas, as terras pertenciam ao colono espanhol Jesús Val, de 47 anos. Tinha recebido um lote de 1008 hectares da Colônia Militar para fins agrícolas. E neste lote, que ocupava a margem do rio Iguassu junto aos Saltos de Santa Maria estavam nada menos que as Cataratas. Era o presidente do Paraná da época Affonso Alves de Camargo. Em uma viagem de seis dias a cavalo, de carro, de trem, uma aventura difícil, Santos Dumont chegou a Curitiba e pediu a desapropriação das terras ao lado das Cataratas (decreto 653, de 28 de julho de 1916). Em 19 de janeiro de 1939, o presidente da República Getúlio Vargas criava o Parque Nacional do Iguaçu. Por isso a 100 m das quedas está a estátua de Santos Dumont em tamanho natural a fim de homenagear o seu idealizador.

Aconselho demais o HISGEOPAR. Considerei de uma riqueza impressionante a explanação do guia Rudi e os detalhes das miniaturas. Parabéns! Morretes, então, é ímpar. Gamei.

Continuaremos com o passeio à histórica Antonina e sua beleza encantadora.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-passeio de trem pela serra do Mar-parte 4

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de trem pela serra do Mar-parte 4

Hoje é dia 24 de novembro de 2023. Em viagens sempre devemos ter os planos A, B, C e D, porque imprevistos acontecem. Que perrengue! O Carlos e eu que somos tão cuidadosos, achávamos que o passeio de trem seria no sábado (25) e não na sexta, logo quando o Leandro, motorista do transfer, nos ligou às 7h10 da manhã, eu assegurei que ele havia se enganado. Fomos checar e ufa! Foi um sufoco, um corre-corre para se vestir, tomar café e pegar um táxi. Nenhum disponível, entramos em uma fila de espera e o terceiro nos atendeu. O Fernando taxista valeu a pena, nos deixou na porta da Serra Verde Express na Rodoferroviária, uns R$20,00. Por sorte, o hotel Bourbon era perto.

A atendente da Serra Verde Express nos recebeu na saída do táxi, e nos levou ao guichê para o recebimento das passagens com QR CODE e mais a etiqueta para colocar na roupa com o nome da guia Josiane. Estava lotado o saguão de gente esperando para entrar no terminal do trem. Havíamos comprado pela internet em Fortaleza o vagão Barão do Serro Azul, um mimo. É caro e válido, já que a varanda panorâmica permite ver a beleza da serra do Mar. Tem que chegar meia hora antes para pegar o ticket. O trem sai às 8h30, porém no nosso dia atrasou, o que achei ótimo, nos deu mais tempo para respirar.

Estava ansiosa por conhecer trajeto tão afamado e fazer este passeio. Falemos um pouco mais no trem: são 3 classes: Turística (mais em conta), Boutique, e Litorina Luxo. São 70 km de trilhos, 13 túneis, 10 estações e 30 pontes e viadutos. 4 h de ida a Morretes onde se desce a serra e 4 h de subida na volta. No trem cabem 1200 pessoas. Compramos o pacote Curitiba-Morretes completo: transfer do hotel, serviço de bordo, almoço típico com barreado e frutos do mar empanados em Morretes, e visita a Antonina, guia, visita ao parque temático Hisgeopar e volta de ônibus, van ou micro-ônibus pela estrada da Graciosa, conhecida por ser da época da colônia e bela. Na nossa classe Boutique, bebidas: café, cerveja, refrigerante a vontade e um lanche. Digo a vocês: vale cada real, pagamos R$902,00 (para maiores de 60 anos com desconto).

O dia promete. Entramos no último vagão lotado, com cadeiras e mesas de 2 e 4 lugares. O nosso de 2. Na nossa mesa está um mapa de viagem com os pontos importantes a observar. Recebemos logo água, tudo muito organizado. Saímos as 8h45. O guia Victor e o atendente Pedro responsáveis pelo vagão. Duração de viagem de 4 h e meia, pois também dividem com os trens de carga hoje. Avisos são dados para a nossa segurança. E lá vem o Pedro com o serviço de bordo: café, bebidas frias, chá-mate gelado, chá, água mineral e cerveja.

Viagem tranquila, o trem vai de 25 a 30 km/h, eis um passeio contemplativo: Curitiba-serra do Mar-Morretes. O Pedro entrega o lanche: uma caixa com propagandas de pousada e aventuras. Dentro um sanduíche croissant com presunto, um croissant doce pequeno recheado de doce de maçã e um saquinho de amendoim. Achei tudo bem profissional. Lembrei muito do trem que pegamos em Salta-norte da Argentina para conhecer San Antonio de los Cobres pela Cordilheira dos Andes: Tren a las Nubes, embora a paisagem e a altitude sejam totalmente diferentes. Aliás, amo trens!

No perímetro urbano não saímos dos 18 km/h. Vemos o Jardim Botânico novamente (estação n° 2). Alcançaremos 954 m de altitude. Até a parada 13 há sinal de celular. O passeio vai até a parada 29-Morretes (miniatura da pérola Paraty, nossa cidade colonial no estado do Rio). Admiro a campanha educacional contra o uso de plástico e a favor da natureza feita no trem. Há vendas de produtos da Serra Verde Express: bonés, chaveiros, ecobag etc. Eu mesma não resisto, estou com o meu quepe de Maquinista.

O visual pelo trajeto é de muito verde, vacas, casas interioranas, tudo tão bucólico. Passamos pela cidade de Piraquara (parada 3), nome de origem indígena significando “toca do peixe ou buraco”. Bem interior, local gracioso, verdejante. O caminho do trem é entre bosques. A represa Caiguava abastece Curitiba de água em 50 %. Estamos entre a serra do Mar e a mata Atlântica. Em 2020 houve seca e restou somente lama. Estação Banhado, rio Ipiranga (nome indígena significa: água vermelha”), vislumbramos o rio duas vezes. Existem as flores hortênsias pelo caminho. O trem dá umas paradas.

A serra do Mar é o único lugar do Brasil com 7 % de área contínua da mata Atlântica, 5 % no restante do país. 1500 tipos de orquídeas, vimos açucenas, lírios do brejo e outras flores. Não posso me abster de expressar minha tristeza com a falta de trens como transporte no Brasil. Exemplificando com o que funcionava entre Fortaleza e Baturité no Ceará. Faz falta.

Passamos pelo reservatório do Marumbi e lá está o rio Ipiranga de novo. Vemos o cânion do Ipiranga, com a cascata Véu de Noiva e a Garganta do Diabo. Túneis. O guia nos conta que o barão do Serro Azul era figura importante e foi assassinado na revolução Federalista. Por isso existe a Cruz do Barão (estação 18).

Ildefonso Pereira Correia, o barão do Serro Azul[1] (Paranaguá6 de agosto de 1849 — Morretes20 de maio de 1894), foi um empresário e político brasileiro, maior exportador de erva-mate do Paraná e maior produtor de erva-mate do mundo. Durante a revolução Federalista, ele e outras cinco pessoas proeminentes da cidade de Curitiba foram executadas sumariamente, por suposta ordem do general Ewerton de Quadros (homem de confiança do marechal Floriano Peixoto), sem qualquer processo legal ou acusação formal, segundo a Wikipédia.

Santuário de Nossa Senhora do Cadeado (estação 19), a princesa Isabel (filha de Dom Pedro II) almoçou lá. Ponte São João, serra do Marumbi, rio São João com cascatas mil. Que região mais fértil, verde, linda. Baía de Antonina no horizonte. Rio Taquaral, casas abandonadas no percurso, estação Marumbi, parece abandonada, casas diversas, no mesmo estilo e cor da estação, para guardas parques e outros.

Indico esse passeio demais, é de encher os olhos e nos dá uma sensação de lirismo. Os atendentes são solícitos, animados e os viajantes ainda mais, gente do Brasil todo. Quem quiser silêncio, não tem. Todo mundo no modo “turista”. Por conta da varanda panorâmica no trem, andamos de lá pra cá e tiramos muitas fotos junto à natureza. Fantástico!

O guia nos assegurou que não se deve deixar de viajar devido ao clima incerto atualmente. E estamos perto da charmosa cidade de Morretes. Parada 29. A estação Paranaguá (31), porto de Paranaguá (32) e a estação Antonina, a última parada: 33.

Seguiremos em breve com Morretes.

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 3

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 3

Hoje é dia 23 de novembro de 2023. Continuamos o nosso passeio de ônibus turístico Linha Turismo. A parada 10 foi no Bosque do Papa/Memorial Polonês. Seguiremos…

Parada 11. Museu Oscar Niemeyer (MON) ou Museu do Olho. De arte contemporânea. O porteiro do museu nos deu a dica do restaurante Barolho ali perto, na rua Manoel Eufrásio, 1350. E rumamos para lá, já que estava na hora do almoço. O Carlos e eu pedimos bife de frango grelhado com salada, arroz integral e feijão (oferta da casa) por R$23,00 cada e dois copos enormes de limonadas. Almoço bom e barato. Tratamento e serviço aprovados.

O museu tem um vão de 65 m, são várias salas e andares, espetacular. Paguei R$15,00 como professora, acima de 60 anos é de graça. Só achei uma burocracia desnecessária na entrada, deixamos a mochila e se levasse meu livrinho de escrita teria que preencher um formulário com meus dados. Sinceramente, nem preenchi. Levei somente o celular.

No dia seguinte, 24 de novembro de 2023, inaugurariam a exposição “Extravagâncias”, de Joana Vasconcelos, artista renomada portuguesa, no espaço do Olho, nos andares da torre e nos espaços Araucária e na rampa. Lá fora chove, bom dia para museu. Passamos quase 3 h, uma visita intensa. Que museu fabuloso!

Vimos obras das artistas Aline Dias, Ana Gonzaléz, Fernanda Valadares etc. As salas da Índia e as Religiões; da Ásia: a Terra, o Homem e os Deuses; da África, Expressões Artísticas de um Continente; de Poty (Lazzarotto), entre dois mundos, dentre outras. Achei bem linda a sala Ningyos, bonecos que emanam bons augúrios. Mais de 3 mil peças da coleção da arte asiática foram doadas pelo embaixador Fausto Godoy ao MON. São presentes auspiciosos para desejar longevidade, saúde e fertilidade aos recém-nascidos. Há um espaço do museu adaptado para ampliar o acesso das pessoas com baixa visão ou cegueira. Importante e inclusivo.

Também há a sala sobre a produção do filme Ivan, O Terrível, de janeiro de 1941. Obra de Serguei Eisenstein, por ordem direta de Stalin, que acreditava ter finalmente domado o diretor. Ele só concordou em dirigir o filme após ter criado a cena do arrependimento de Ivan diante do afresco do Juízo Final na catedral. A primeira série do filme, de 1944, rendeu ao diretor o Prêmio Stalin, a segunda foi banida e o terceiro filme, inacabado, teve seu material destruído em 1951.

Depois da chuva, esfriou. Às 16 h entramos no ônibus. Em cima o ônibus era aberto dos lados e havia um pano para a limpeza dos bancos.

Parada 12. Bosque Alemão. Descemos, mas conhecemos somente o Oratório de Bach, réplica de uma antiga igreja presbiteriana de madeira, onde atualmente ocorrem concertos. O bosque estava fechado. É o memorial germânico da cidade, em homenagem aos primeiros imigrantes alemães no séc. XIX. Ainda há a Torre dos Filósofos (mirante), a trilha de João e Maria que narra o conto dos Irmãos Grimm, a Casa da Bruxa com biblioteca e hora do conto, e a praça da Poesia Germânica com portal que reproduz a fachada da Casa Mila, construção do início do séc. XX. As casas nos arredores do bosque são grandes, bem cuidadas e com jardins em frente. O bosque em frente ajuda no charme. Há propagandas simpáticas pelo caminho para separar o lixo.

Parada 13. Bosque Zaninelli/Universidade Livre do Meio Ambiente. Criado em 1992, o bosque dá um novo uso a uma antiga pedreira, da qual restam um paredão de granito e um lago no meio da mata. A Universidade Livre do Meio Ambiente é feita de troncos de eucaliptos e madeira de construção, para valorização do meio ambiente, preservação e conscientização. Representa os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar. Abriga a Escola Municipal de Sustentabilidade. Foi inaugurada com a presença de Jacques Cousteau. Oferece vista panorâmica do lago e bosque.

Parada 14. Parque São Lourenço. Bom para caminhar, andar de skate e carrinho de rolimã. O parque une natureza, arte e cultura. Implantado em 1972, é um dos mais antigos da cidade, para recuperar estragos do rompimento da represa do rio Belém. Conta também com o Memorial Paranista e o Jardim das Esculturas João Turin, considerado o precursor da escultura do Paraná. O caminho parece com a Zona Sul de Porto Alegre com suas ruas largas e casas.

Parada 15. Ópera de Arame. De 1992. Outro cartão-postal de Curitiba. Eu tinha que conhecer. O lago, a chuva e a ópera, que visual. Mais tarde ocorreria o concerto Candlelight à luz de velas. Que mágico! Restaurante, café, loja, escadas de ferro, um lugar muito original. Há exposição de arte espalhada. Haja escada, mas vale a pena. Segundo o folder Curta Curitiba, a estrutura é tubular e o teto transparente, e compõe o Parque das Pedreiras, junto com a Pedreira Paulo Leminski, de 1989.

Parada 16. Parque Tanguá. Com floresta preservada, cachoeira, lagos, mirante. Um dos melhores locais para apreciar o pôr do sol.

Parada 17. Parque Tingui. O folder Curta Curitiba nos esclarece que o parque foi criado em 1994, localiza-se em uma faixa de preservação junto ao rio Barigui. Tem escultura do cacique Tindiquera, da tribo Tingui. Possui também a obra Raízes Afro-Brasileiras de Emanoel Araújo.

Parada 18. Memorial Ucraniano. Dentro do parque Tingui. Com um portal e réplica da antiga capela de São Miguel, construída em madeira em estilo bizantino, onde há uma exposição de ícones da cultura ucraniana.

Parada 19. Portal Italiano. Adiante está o bairro mais conhecido de Curitiba: Santa Felicidade.

Parada 20. Santa Felicidade. Com cantinas, restaurantes, sorveterias, feira de artesanato, lojas, bem festivo. Vimos a loja de chocolate Florybal, de Gramado-RS. Primeira colônia de imigrantes italianos na cidade. Chegaram a partir de 1872.

Parada 21. Parque Barigui. O rio com o mesmo nome foi represado e formou-se um lago. O parque foi criado em 1972 e é bem frequentado pelos habitantes. Não houve parada pelo perigo, pois o rio/lago estava para transbordar por chuvas recentes.

Parada 22. Torre Panorâmica. Inaugurada em 1991,é suporte de telefonia celular. Tem mirante a 109, 5 m de altura, para uma visão de 360 graus de Curitiba e dos contornos da Serra do Mar.

Parada 23. Setor Histórico. Área de preservação histórica e cultural. Domingo abriga uma feira de artesanato e antiguidades parecida com a de San Telmo em Buenos Aires. O Museu Paranaense se localiza nesta parte antiga da cidade.

Passamos por alguns Faróis do Saber, bibliotecas municipais com um farol como símbolo. Da época do Jaime Lerner como governador, o arquiteto que mudou Curitiba e trouxe inventividades existentes até hoje. Parabéns, a cidade brilha com tanta cultura e natureza.

Praça Garibaldi com palácio Garibaldi, usado para eventos. Local que abrigou os primeiros imigrantes italianos chegados na cidade.

Parada 24. Praça Tiradentes. Marco Zero de Curitiba. Aqui descemos, pois é perto do hotel Bourbon. Apesar de tão importante e histórica, infelizmente, é um local inseguro. Realidade das nossas cidades grandes no Brasil.

Continuaremos nossa jornada em breve.

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 2

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 2

Hoje é dia 23 de novembro de 2023. O café da manhã do Bourbon Curitiba Hotel & Suítes é excelente: seção de sucos detox e outros de frutas, frutas, queijos, presuntos, bolos, croissants, tapioca, iogurtes, encontrei o leite desnatado e … croque monsieur, que interessante. Receita francesa de sanduíche. Começamos bem o dia.

Vamos os passeios. Andamos até a Rua 24 Horas, no caminho passamos pelo relógio de 1914 na praça Osório. Os bancos, árvores altas, floriculturas e cafés fazem a diferença na qualidade de vida do curitibano. Há venda e compra de ouro no Calçadão Rua XV de Novembro. Ali é uma gostosura de sentar nos bancos e sentir o aroma das flores dos canteiros. Vemos os tubos/minhocões pelas avenidas para pegar ônibus, um exemplo é na rua Visconde de Nácar.

Parada 1. Entramos no ônibus Linha Turismo (de cor verde) em frente à Rua 24 Horas. R$50,00 por pessoa para 24 horas, o pagamento é feito dentro do ônibus. A previsão é de chuva, então estamos protegidos e aproveitando. Ficamos na parte de cima e coincidência, como sempre, encontramos uma mãe e uma filha de Tauá-Ceará, a moça estuda em Itajaí-Santa Catarina, foi um bom papo. No ônibus, temos uma perspectiva da cidade, já que as paradas ocorrem em 10 pontos turísticos importantes. A cidade é arborizada e limpíssima o que a torna agradável. São tantas praças e casas dos anos 1930 e 1940, algo que chama atenção.

Parada 2. Museu Ferroviário. O museu é anexo ao Shopping Estação.

Parada 3. Teatro Paiol. O edifício original de 1906 era um paiol de pólvora. Restaurado em 1971, manteve a arquitetura circular romana e passou a ser um teatro de arena, símbolo da mudança cultural de Curitiba, de acordo com o folder Curta Curitiba.

Parada 4. Jardim Botânico. Descemos. Que local mais aprazível, lindo. Bem cuidado, florido, parece uma miniatura do Palácio de Versailles na França. Estufa conhecida por fotos. Na estufa principal há bromélias, banana-do-mato, flor-de-cera e muitas outras belezas. O folder Curta Curitiba nos diz que o Jardim Botânico, ícone da cidade, é inspirado nos jardins franceses. Inaugurado em 1991, possui uma estufa metálica que abriga espécies botânicas que são referência nacional.

Na Galeria das Estações, encontramos o CIBP-Centro de Ilustração Botânico do Paraná, onde encontramos uma lojinha com bolsas, agendas, calendários (R$25,00 a unidade), caderninhos (R$20,00 a unidade), com flores nos produtos, e, ao lado, um Café-Escola do SENAC. Ser tão florido me lembrou da loja da casa do pintor impressionista Claude Monet em Giverny, França. Mas em miniatura, em comparação com a francesa. Logicamente que eu não resistiria a compras e a um café com bala de banana de brinde. Muito bom ter álcool em gel onde formos. Na entrada do Jardim Botânico existe um restaurante/galeteria promissor. Capricham nas flores e plantas. Lugar imperdível.

Curitiba: cidade da reciclagem, inovadora em termos de lixo reciclado. Fazem campanhas por isso. Maravilha!

Às 12 h entramos no ônibus turístico novamente, o almoço seria depois. Há áudios em inglês, francês, espanhol.

Parada 5. Mercado Municipal/Rodoferroviária. O mercado, de 1958, concentra boxes e restaurantes. Na Rodoferroviária se pega o trem para descer a Serra do Mar e conhecer Morretes e Antonina.

Parada 6. Teatro Guaíra/Universidade Federal do Paraná. A sede da primeira universidade do Brasil, fundada em 1912, tem arquitetura neoclássica e domina o lado da praça Santos Andrade. O Teatro Guaíra fica no outro extremo, foi inaugurado em 1970 e é um dos maiores da América Latina, na entrada, tem painel em alto-relevo do artista paranaense Poty Lazzarotto com a história do teatro universal (segundo o folder Curta Curitiba).

Passamos pela histórica praça Tiradentes, onde existe uma estátua do Barão de Rio Branco.

Parada 7. Paço da Liberdade. Foi a primeira sede própria da prefeitura de Curitiba. A construção de 1916 tem detalhes neoclássicos e art-nouveau. Restaurada, mantém as características originais e é um espaço cultural múltiplo com exposições, biblioteca e um café. Aqui não houve parada.

Parada 8. Passeio Público/Memorial Árabe. O Passeio Público é o parque mais antigo da cidade, inaugurado em 1886. Abrigou o zoológico e o portão principal é uma cópia do que existe no cemitério de Cães de Paris. Vizinho está o Memorial Árabe, construído em homenagem à cultura dos países do Oriente Médio. Dentro existe uma biblioteca e pinacoteca referentes à cultura árabe. A praça se chama Gibran Khalil Gibran e a edificação segue a linha mourisca.

Parada 9. Centro Cívico de 1953, ano do centenário da Emancipação Política do Paraná. Sede dos três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Na praça Nossa Senhora da Salete. De arquitetura modernista, com influência de Brasília, foi o primeiro centro cívico do Brasil. O impressionante de Curitiba é ser toda muito arborizada.

Parada 10. Bosque do Papa/Memorial Polonês. Em homenagem ao papa João Paulo II, o museu ao ar livre, com sete casas de troncos encaixados, sem pregos, foi inaugurado em 1980. São casas antigas de colonos poloneses, além do bosque com trilhas e reserva de 300 araucárias. Ali há um museu que mostra objetos do cotidiano, instrumentos de trabalho, móveis e utensílios domésticos, ou seja, formam um memorial à imigração polonesa. Também há uma loja e a capela com a imagem da padroeira, a Virgem Negra de Czestochowa.

Próximas paradas em breve…

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-parte 1

Curitiba-Paraná-Brasil- a capital mais ecológica do país-parte 1

Dia 22 de novembro de 2023. Eis que vou conhecer Curitiba! O Carlos já conhecia e vivia falando na cidade. Saímos às 4h30 da madrugada de Fortaleza-Ceará via Brasília pela LATAM e chegamos em Curitiba às 10h10 da manhã. Obrigada, Dennis, da Bluedream Viagens. O lanche a bordo foi estilizado: pipoca e biscoito integral de chocolate e aveia. Bem diferente. Em Brasília foi rápido, fazia tempo que não pegava um ônibus para chegar ao avião e subia escadas…

O aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais (cidade na grande Curitiba) é uma lindeza. O quiosque Brasileiríssima e a loja Monclo, de aparelhos de cozinha, eu apreciei ver. Saímos pelo portão C a fim de chamar um carro da UBER. Detalhe: R$62,00 até o hotel no centro. Um táxi é uns R$70,00. O motorista Eduardo foi um bom papo. Ao passar no portal, já é Curitiba, cidade pequena, mas com uma região metropolitana imensa.

Falemos no hotel Bourbon Curitiba Hotel & Suítes, rua Cândido Lopes, 102-centro. Fomos pelo sistema Bancorbrás, ou seja, estava pago. Mimo ganho da minha mãe. Fizemos o check-in e fomos almoçar, pois ainda não era hora de entrar no quarto. O restaurante do hotel é sistema buffet, você repete como queira, um desbunde. Na base de R$75,00 mais 10% de serviço, lugar para se dar de presente! Buffet com salmão, saladas, purê de batata com salsa, canelones de ricota com espinafre etc. Doces: estrogonofe de nozes (novidade para mim), pudim, sagu (amo), cheesecake de frutas vermelhas e calda de figo, ufa! Espetacular.

A localização do hotel, o serviço, tudo o mais nos provou que foi uma excelente escolha.

Esse negócio de viajar de madrugada deixa a gente “lesado”. Fomos dar uma boa dormida e sair para conhecer os arredores. Descobrimos ao lado do hotel a Pastelaria e restaurante Bom Dia, com sopas, refeições, lanches, oba! Preço em conta e lugar pra chamar de meu.

Continuamos nas caminhadas. A feira de Natal na praça General Osório é bem ali. Banquinhas de enfeites de Natal e artesanatos, e barraquinhas de comidas de diferentes países: Bolívia, Itália, Polônia e do estado da Bahia. Oferecem pamonha (delícias de milho), choripan (pão com chouriço e tempero), fogazza (uma espécie de pastel com recheios diversos), empanadas salteñas (originárias da região de Salta-Argentina), a bebida quentão (própria para o clima de inverno, feita de cachaça, gengibre, limão e açúcar) e a bebida KOMPOT (extraída do cozimento das frutas como morango, pêssego e amora, servida quente ou fria). Que feira mais convidativa e ocorre em uma praça repleta de árvores com muito verde, jardins e bancos. Já estava gostando muito da cidade.

Também cerca de ali, a famosa Rua 24 Horas, entrada pela rua Visconde de Nácar e término pela rua Visconde do Rio Branco. Lugar obrigatório de comércio com cafés, lojas mil, de cosméticos e outras, restaurantes, em suma, uma galeria bem estilosa. Faz parte da vida social dos curitibanos e local turístico. Funciona das 9 h às 24 h todos os dias da semana. Foi inaugurada pelo então prefeito e arquiteto Jaime Lerner. Segundo o site www.urbs.curitiba.pr.gov.br, foi inaugurada em 12 de setembro de 1991, construída em estrutura metálica tubular em forma de arcos, e dois grandes relógios, um em cada entrada, que marcam as horas em 24 intervalos.

De primeira vista, Curitiba me lembrou de Montevidéu, capital do Uruguai. Pouca gente e poucos carros na rua. Diferentemente de Fortaleza, onde o centro ferve. Imagino que signifique que eles têm bom sistema de transporte público.

Todos com quem conversamos nos alertam para ter cuidado com os drogados nas ruas do centro, na praça Tiradentes, então é demais. Ficamos impressionados com a quantidade de moradores de rua. Dizem que tudo piorou com a pandemia de COVID. Um nos abordou, sem problemas.

Em frente à Rua 24 Horas, existe uma parada do ônibus da Linha Turismo, daqueles de dois andares para conhecer a cidade em 24 h. Aconselho muito, pois é organizado e passa pelos pontos turísticos importantes. Chega nas paradas de meia em meia hora e custa R$ 50,00 o dia, funciona das 8h30 às 17h30.

A cidade é toda natureza, encantadora, limpa. O centro dá gosto. Sempre digo que o básico de uma prefeitura é manter a cidade limpa. E a população também é responsável por isso. Gostei do Bondinho da Leitura, um vagão charmoso usado como biblioteca. Foi instalado nesse local em 1973 e era um espaço de recreação infantil. Desde 2010 funciona como biblioteca, segundo o folder Curta Curitiba a pé. Aí eu pergunto: para uma amante de livros como eu, como não se emocionar com Curitiba? Também no mesmo calçadão da rua XV de Novembro, estava sendo montada a roda gigante de Natal patrocinada pelo grupo Boticário (de perfumaria). Muito simpático tudo. O calçadão também é conhecido como Rua das Flores, primeira rua fechada para o trânsito de carros no Brasil.

Voltamos ao hotel com trovões, parecia que ia chover, ainda bem que foi pouco. O Bourbon fica em frente à Biblioteca Pública do Paraná, cuja edificação é de 1953, e foi inaugurada em comemoração ao centenário de emancipação do Paraná. Possui o maior acervo de publicações do estado, conforme o folder Curta Curitiba a pé.

Para jantar, um lanche de canja na Pastelaria e Restaurante Bom Dia (rua Cândido Lopes, 176). Pessoas solícitas, ambiente agradável. Interessante que misturam o azeite com o vinagre na mesma garrafa. Percebo gostarem bastante de pastel e os chocolates caseiros terem um formato diferente. Vou provar.

O outro dia promete…

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 6-Valle de la Luna

Viagem a São Pedro do Atacama- Chile-2023-Dia 6-Valle de la Luna

Hoje é terça-feira, dia 10 de outubro de 2023. O Carlos e eu começamos o dia passeando pelo centrinho de São Pedro e na Feira Artesanal para compras. O artesanato andino é colorido, vibrante, encantador. Na agência Sol Andino, na rua Caracoles, compramos o passeio ao Vale da Lua (30 mil pesos chilenos-R$161,40 e entrada ao parque 10.800 pesos-R$58,10) com o Ronaldo. Combinação: a van nos busca às 15h30 no hostal Terracota e nos deixa em São Pedro às 20 h. A comunicação é por Whatsapp. Devemos levar água e roupa mais leve. Detalhe: em lojas e agências não disponibilizam a senha do wifi.

Almoço no restaurante Adobe, o do primeiro dia. Queríamos nos dar um presente de fim de viagem. O restaurante da praça era convidativo, mas estava fechado. Que pena! Lindo. Vamos ao cardápio: tomamos água tônica Canada Dry e pedimos os pratos do dia. O Carlos pediu salmão na manteiga com extrato de chañar, e eu crocante de merluza com quinoa temperado. Alta gastronomia, comida espetacular ao som de música andina. Amamos.

A melhor época para conhecer a região é em outubro e novembro, menos quente e menos frio. Em julho é congelante e em dezembro, janeiro e fevereiro chove na Cordilheira dos Andes.

Algumas minúcias sobre São Pedro: a maioria das pessoas usam bonés e chapéus. O sol é inclemente e perigoso, há o solmáforo (termômetro de sol) na praça da prefeitura. Há um posto de gasolina na saída da cidade rumo à Argentina e Bolívia. A gasolina é mais cara que no Brasil, porque se paga imposto específico para as estradas. Da cidade, saem ônibus para a minha linda Salta na Argentina. Cidade inesquecível. Um caminhão joga água nas ruas, por causa da secura e do pó. Turistas estão presentes o ano todo, um pouco menos em maio.

Às 15h50 lá estava o motorista Ivan para nos levar ao parque Vale da Lua, a 2.250 m. O guia Théo. Vamos visitar a Cordilheira do Sal, a Duna Maior, as Minas de Sal, o Mirador de Cari (a pedra do Coyote). Segundo o Guia de São Pedro do Serviço Nacional de Turismo do Chile, o Vale da Lua é uma paisagem de desolação, o vento tem esculpido montes e vales de barro, sal e gesso. Parece outro planeta, daí o nome. Está localizado a sudeste de Calama, a poucos quilômetros antes de chegar a São Pedro. Declarado santuário da natureza em 1982.

Os parques da região são administrados por povos indígenas (Lican Anthay, atacamenhos), então os guardas parques também são. Uns 10 minutos depois, chegamos à base do parque, ficamos na van e o guia sai para fazer os pagamentos.

Estamos a pé na Cordilheira do Sal. São dunas e montanhas de sal, com diferentes tipos de formações e mais dunas ao lado. Que interessante! O grupo se mantém junto, nada de fumar, beber e comer no local. São vários grupos, muitos visitantes. Devemos seguir o guia e não ultrapassar a linha marcada. Na Duna Maior, fizemos uma caminhada de uma hora com uma subida íngreme. Haja sol! No topo, um anfiteatro natural estilo Coliseu, e vimos uma muralha de milhões de anos e linhas horizontais, da mesma forma a linha de água de um passado remoto. Era um rio, hoje não tem vida. Os cristais nas rochas eram o sal da Antiguidade. Incrível! Os indígenas trocavam sal por outros produtos, caçavam e conservavam a carne. Os incas, que estavam espalhados pelo Equador e Amazonas (e outras regiões), vinham atrás do sal. O monopólio do sal era dos indígenas da terra, pagavam aos incas o imposto com sal. Interessante dizer que o gesso/fóssil encontrado na montanha é evidência de água.

Está muito quente, socorro! 90% de sal nas montanhas. Acreditar que um rio passava por aqui é surreal. De acordo com nosso guia, a Terra teve uma mudança climática há 7 mil anos A.C., de 5 mil a 3 mil anos atrás havia água no deserto, depois evaporou. O último glaciar foi de 12 mil atrás, era congelante. Só vimos uma plantinha na duna. Uma sobrevivente.

Em outra montanha, testemunhamos a presença do brilhante silício, usado como semicondutor, matéria-prima de microchips de computadores. Não se extrai, pois desde os anos 90 não é mais necessário. O quartzo e silício são minerais usados na indústria tecnológica.

O Vale de Marte (ou da Morte, como também é conhecido) é composto de formações geológicas, e considerado o planeta Marte para os cientistas, com o mesmo tipo de terra. Nos anos 1970, 80 e 90, a NASA esteve no local para criação de robôs, o Perseverance e outros foram testados no vale. Muito parecido mesmo, vemos de longe.

Descemos a duna de cor escura por conta dos sedimentos. O visual é uma pintura, arrebatador. As formações rochosas formam um lugar único no mundo.

De volta à van, vemos o Vale da Lua com sua parte branca da montanha, do lado direito, areia. Muito silício do lado esquerdo. Embaixo a pé de novo, paramos dentro de uma delimitação, aqui há vento e outro guarda parque se faz presente. O guia nos instrui que o sol tira a água da superfície, mas que debaixo da terra há vida. A parte branca, consequência de 5 a 8 mm de chuva (se chover), é a casa dos micro-organismos que criam oxigênio, eis a floresta com nome de Evaporitas.

No setor Evaporitas, há sol em todos os lugares, no chão, nas montanhas e nas casas onde os indígenas extraem o sal. A terra é de 1 milhão de anos. No local, dentro da delimitação, setor indígena do deserto, há formações de pedra erodidas pelo sal e vento do deserto, uns totens naturais, chamados de Os Vigilantes”. Sãocompostos de granito, quartzo e argila, principalmente.

No lugar, antigamente, o povo consultava os xamãs (indígenas guardiões do povo, líderes espirituais) e faziam festejos com danças e bebidas em homenagem aos totens. Era a conexão ancestral, de cultura indígena. Foi o arqueólogo e padre jesuíta Gustavo Le Paige que chamou Os Vigilantes de Três Marias, fazendo a conexão com a religião católica. O lugar é sagrado. A estrutura representa a ligação dos elementos da Mãe Terra (cultura indígena) que protege a economia, a cultura e o povo. Na parte marcada, o xamã recebia o povo para escutar seus pedidos.

Outra rocha ao lado, os americanos do sul acham parecido com um “coração partido”, já os europeus com um “dinossauro”. Observamos a casa dos mineradores de sal ali adiante.

Vimos ali perto o caminho de terra usado antigamente de Calama a São Pedro entre areia, dunas e montanhas até os anos 1990. Agora é estrada. No percurso, passamos pelo mirador Achaches e vemos o vulcão “Mãe Terra’, ou seja, o majestoso Licancabur.

Paramos na base para banheiros, onde existe um pequeno museu com rochas da Cordilheira dos Andes. Muita gente fazendo seus lanches com suas vans paradas pela estrada. Decididamente, não é turismo fácil, requer muito preparo físico.

Fazemos nosso snack mais adiante no mirante da Cordilheira do Sal, um desbunde de paisagem. Lanche: pisco sour, suco de laranja, azeitonas, frutas como morango e pepinos (parecido com o melão), batatas chips, queijo da Patagônia chilena, pipocas doces (deliciosas, nunca comi igual). No nosso grupo tinha gente da Guatemala, Madri (Espanha), Chile e Liverpool (Inglaterra) e nós. Depois de saciados, rumamos ao pôr do sol no Mirador de Cari (ou Ckari), onde se localiza a pedra do Coyote, uma rocha protuberante, no momento interditada. Não podemos ultrapassar as correntes junto ao desfiladeiro.

A gente vê o pôr do sol após as 19h30 e vamos em direção ao outro lado para se maravilhar com as cores do céu. Uma poesia da natureza. Usar os óculos de sol é obrigatório. O Carlos lembrou de Jujuy, no norte da Argentina, com suas montanhas coloridas. Encontramos lá umas seis jovens portuguesas e batemos altos papos. Turista quando se encontra com turistas fala de? Viagens, logicamente. Também revimos a guia simpática Carolina.

Ao fim do passeio, o guia pediu gorjeta, algo nunca visto por mim naquelas plagas. Demos, embora estranhando. O dia foi mais do que completo, foi um banho de cultura e vida. À noite, empanadas, só pra variar.

Dia 11 de outubro de 2023, dia do retorno a Fortaleza. Em Santiago, saímos do Terminal 1, nacional, e caminhamos por fora do saguão ao Terminal 2, internacional. Tem que ficar ligado. Acho o aeroporto Arturo Merino Benítez muito agradável de se estar.

Depois de um transfer de van de São Pedro do Atacama a Calama (uma hora), três aviões: Calama-Santiago, Santiago-Galeão (Rio de Janeiro), e Galeão-Fortaleza, chegamos exaustos. O Galeão pegamos desorganizado e confuso, com taxas de serviço de 13% nas lanchonetes, caro e serviço vergonhoso. Espero que melhore para quem chega de conexões, principalmente.

Eu tive dois dias de jetlag e o Carlos três. Haja cansaço e moleza, mas… valeu totalmente. Já quero voltar. Queremos desbravar mais o Atacama…

Não se exprime com palavras o deserto do Atacama, mas sim com sensações. Eis um lugar cativante, único no mundo nas suas peculiaridades, beleza árida, gastronomia e vida noturna intensa em São Pedro. Pessoas queridas, simples, acolhedoras como a Yobi, a Paulina, e a Sarita do hostal Terracota, a Leo e a Arellys da excursão a Piedras Rojas, o Ronaldo e o Levi da Agência Sol Andino, os viajantes como nós: a Irene, seu filho Dudu, e o Alan. Quanta gente boa e generosa! Obrigada a todos vocês. O Carlos e eu agradecemos.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 5-Lagunas Baltinache

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Lagunas Baltinache

Hoje é segunda-feira, dia 9 de outubro de 2023. Vemos o vulcão Licancabur, o majestoso, estamos no centro da cidade. Na hostal Terracota, antes de sairmos, nos deparamos com as queridas funcionárias Paulina e Yobi, a quem amamos e elas a nós. Tiramos fotos mil e a Yobi nos convidou para conhecer a terra natal dela: Santa Cruz de la Sierra na Bolívia, nos oferecendo hospedagem. Um doce! Também conhecemos em outro momento as suas duas filhas gêmeas.

Estava na hora do almoço e comemos o prato do dia no restaurante de sempre: Delícias de Cañaveral: batatas, salada e peixe reineta por 4 mil pesos chilenos (R$22,39). Ali encontramos um casal de argentinos que estavam excursionando de motorhome, o sonho do Carlos. Estamos em um tipo de jornada que amo: gente diversa, línguas múltiplas, turistas amantes de natureza e muitos papos.

Combinamos com o Ronaldo da Sol Andino Expediciones o passeio às Lagunas Escondidas de Baltinache (na base de 39 mil pesos-R$218,33 e entrada 10 mil pesos-R$56,01). A agência sempre dá desconto quanto mais se compra pacotes com ela e para aqueles de “maior idade”. A entrada para o Carlos foi de 3 mil pesos.

O passeio de hoje será Lagunas Baltinache, Llano de la Paciencia (Planície da Paciência) e Mirador Cordillera de la Sal (mirante Cordilheira do Sal). O transporte virá nos buscar das 13h30 às 14h10 no hostal. O guia se chama Pablo Quesada e o motorista Edwin. São 56 km até lá, a primeira parte da estrada está boa, mas a segunda sofrível. Detalhe: os guias mandam mensagem pelo Whatsapp, ou seja, celular é obrigatório atualmente. E levar água se faz necessário. Não esquecer de se besuntar de protetor solar no corpo.

Meus tênis estão irreconhecíveis de tanto pó. O solado da minha bota descolou, lembram? Sem sapateiro na cidade, fiquei somente com os tênis. Outra informação: gostam muito de colocar bandeiras do Chile em restaurantes, hotéis e casas.

O guia nos informa que há lugares para trocar de roupas, mas não água para tirar o sal. Tomaremos banho em uma lagoa de água cristalina, muito mais salgada que o Mar Morto no Oriente Médio (com água marrom), são 600 g de sal por litro de água, não vivem animais e molhar os olhos na laguna nem pensar. No final há um lanche.

O Pablo nos mostra a Cordilheira da Morte ou Marte, contém sulfato de cálcio, calcário e sal de comer misturados com lítio, magnésio e arsênico. composta de sedimentos, está fechada desde a pandemia de coronavírus. Fica perto dos telescópios gigantes (projeto ALMA), a região com maior radiação solar do mundo. Vemos o vulcão Lascar (5.592 m), ativo, aberto para subir com fumaça de enxofre. São 4 a 6 horas de visita. Também observamos a Cordilheira do Sal, de origem vulcânica, de cor escura.

Entramos em Peine. A estrada é irregular, deve-se ter cuidado com as cabeças para quem estiver sentado ao lado das janelas. A estrada é de piçarra. Estamos a 2.420 m de altitude. O Vale da Lua não tem vida e a laguna Cejar ainda tem plânctons e um pouco de vida.

Há lítio na região. Chegamos ao local. 1 km de caminhada depois da base para banheiros e vestiários para troca de roupa, afinal vamos nos molhar na laguna. Caminhamos pela passarela de pedras, a terra ao lado é de sal branco (sal mais arsênico). A caminhada é feita no sol muito quente. Fui com protetor solar 50, já colocado, chapéus e canga nas costas. Um calor de rachar.

Temos uns 20 minutos para banho na laguna salgadíssima, o máximo permitido. Que experiência única! Não conseguia ficar de pé, o Carlos tinha que me puxar, a gente flutua facilmente, ninguém afunda. A água fria tornou o banho uma delícia. De lá andamos por outro sendero até as vans. O motorista nos molha para tirar o sal na mangueira improvisada. Não se molha o cabelo na laguna, a gente fica branco de tanto sal. Não há propriedades medicinais e nem vida. Após tirar o sal, entramos na van e voltamos à base para vestiários e banheiros. De roupa trocada, seguimos para São Pedro do Atacama, mas antes vimos o Mirante da Cordilheira do Sal e o Llano de la Paciencia.

O contraste da laguna Baltinache com as pedras escuras e sal ao redor e água cristalina é espetacular. Na verdade, são sete lagos salinos de um azul-turquesa, unidos subterraneamente em pleno deserto. O lanche (snack, como chamam) é no mirador/mirante. A paisagem das rochas com as montanhas de pedras, embaixo um rio seco de areia forma um cenário exótico, lindo. O lanche muito bom com variedade de chips, azeitona (picles), bolo, biscoitos, as bebidas pisco sour (amo!), piña colada e suco de pêssego. Maravilhada de estar em natureza tão colossal.

Detalhes da vida cotidiana de São Pedro: na rua principal Caracoles, colocam recipientes com água para os cachorros de rua, que são muitos. E mais: o chileno vive em um país seguro, por isso é confiante. Em uma loja, a vendedora nos deixou sozinhos cuidando do espaço e foi cambiar dinheiro. Algo a invejar do país vizinho.

São Pedro do Atacama, apaixonante. Nosso passeio está quase no fim.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Hoje é domingo, dia 8 de outubro de 2023. O passeio a Piedras Rojas (Pedras Vermelhas) promete ser muito bonito. Como o local é ventoso, temos que nos agasalhar bem. Eu usei meias térmicas por debaixo das calças compridas, gorro, luvas, duas blusas de lã, além do casaco. Um frio daqueles. Pagamos 55 mil pesos por pessoa (R$309,00) e 23 mil (R$129,26) para a entrada no parque. Para maiores de 60 anos, são 17 mil pesos e para chilenos 15 mil.

O micro-ônibus da Andes Travel nos buscou às 6 h da manhã e chegaremos às 17 h aproximadamente.. O motorista é o Enson e os guias Carolina e Duncan. Detalhe: falam muito bem inglês. A Carolina, um doce. O itinerário no folder é laguna Chaxa, Piedras Rojas, lagunas Miscanti e Meñiques, povoados andinos e Trópico de Capricórnio. Na excursão oferecem café da manhã e almoço. E vamos subir até 4300 m de altitude.

Passamos por um conjunto de árvores, algo raro no deserto do Atacama, o bosque de Tambillo. A paisagem é de areia e montanhas no horizonte. Região de pastoreio, há lhamas e ovelhas. Tamarugo é o fruto dessas árvores “tamargueiras do deserto”, usado moído para fazer pão. A água que vem das montanhas abastece a quantidade de árvores, um verdadeiro oásis.

Passamos por Toconao, um povoado de cor branca com mil habitantes, onde existe uma mina de lítio. O nome indígena significa “lugar de pedras”. Segundo o Guia de São Pedro do Atacama do Serviço Nacional de Turismo do Chile, a vila colonial é inteiramente construída com pedras liparitas de origem vulcânica. O artesanato de pedra vulcânica e a agricultura são as principais fontes de emprego pra seu povo. Ele está localizado a 38 km de São Pedro, a uma altitude de 2485 m. As frutas marmelo, romã, limão e laranja são colhidas na localidade. A água que vem da montanha atravessa o vale.

Deixamos o salar (a parte branca de sal) e chegamos ao altiplano. O sol vai surgindo às 7h30. Areia, pedras, poucas árvores de vez em quando. Arbustos baixos. Estamos na Rota do Deserto e vemos Socaire, outro povoado, um assentamento sem municipalidade. O Guia de São Pedro adiciona que se trata de uma pequena aldeia em cujo interior se encontram imagens de antigos tempos coloniais, também tem artesanato de camelídeos (mamíferos da família dos camelos) e lã de ovelhas. A igreja de São Bartolomeu é uma das mais antigas do norte do Chile, logo possui um histórico significativo. Estamos a 3300 m. Há a plantação de quinoa e alfafa. Possui 120 habitantes e foi construído em 1400 pelos incas.

As águas dos lençóis freáticos vêm de debaixo da cordilheira, são mananciais naturais. Eram glaciares 50 milhões de anos atrás. A estepe alto andina é um tipo de vegetação das montanhas. A paisagem é mais verde. Vicunhas (camelídeo andino) e viscachas (coelho roedor) são vistos. Estamos subindo as montanhas. O guia Duncan nos dá uma aula sobre camelos. Há os domesticados: lhama e alpaca (não da região) e os selvagens: guanaco (de face acinzentada) e vicunha (vive nas altitudes e em harém: 1 macho para 15 fêmeas). As vicunhas não atacam as pessoas, não têm vesícula biliar, por isso bebem água salgada, são herbívoros e precisam de sal, buscam água das lagunas e salares.

Paramos para o café da manhã em uma parte que é um rio flutuante, seco no momento. Os guias e motorista montam a mesa ao lado do micro-ônibus em 10 minutos. Que fome! Conheci duas chilenas de Santiago queridas: a Leontina (Leo) e Arellys. O café foi farto: água quente, chá, chocolate e café em pó, de frutas melancia, kiwi e pepino (parente do melão), salame, queijo, pães/croissants deliciosos, geleia de morango, manteiga e guacamole (de abacate). Muito rica a experiência. E com gente de diversos países.

Vemos o vulcão Meñiques de 4200 m. O guia explicou a razão de não chover no Atacama. A região de Antofagasta, do norte do Chile, é a mais ampla e há quatro cordões montanhosos, começando na Patagônia e indo até Nazca no centro-sul do Peru. O quarto cordão montanhoso é a Cordilheira dos Andes, suas paredes naturais não deixam as 60% das nuvens chegarem, então elas regressam ao oceano. Por isso as poucas nuvens. Ou seja, as cordilheiras atrapalham as chuvas. Chove a cada 2 ou 4 anos, 80 mm por dia, nesse verão passado choveram nove dias. A região de Antofagasta ao norte e Magalhães ao sul. As nuvens não vêm do Oceano Pacífico, os ventos alísios vêm do leste para oeste, aí ocorrem as chuvas. Mais ao norte a 500 km de São Pedro se encontra Quillao, onde chove a cada mil anos, portanto é considerado deserto absoluto.

Mais informações: as lhamas são domesticadas desde 2000 a. C. Carregavam 50 k por 40 km, eram usadas para transporte. As “pascanas” eram lugares de descanso para lhamas e pessoas. O povo que vivia na região era os lican anthay, “lican” significando povo e “anthay” terra.

Chegamos ao Salar de Aguas Calientes (ou Piedras Rojas) na Rota do Deserto. Há a base para a banheiros. Depois rumamos ao sendero (passarela) com caminhada de uma hora para fotos, o mirante é lindo. Vemos montanhas, com o salar embaixo. Difícil respirar, tem que caminhar devagar. O complexo vulcânico Meñiques, com formações rochosas de pedras de erupção vulcânica, crateras, cúpulas de lavas e fluxos (até 5910 m). O vulcão Aguas Calientes ou Simba (5924 m) tem lavas e não tem pedras. Os senderos são de pedra, areia e cascalho. Seguimos parando de vez em quando, por conta da respiração até o lago de sal. Boa caminhada sem muito vento, ainda bem. Esperávamos um tempo ventoso. A laguna se alimenta de água submersa a 40º C que passa pela orelha e sai fria. A respiração é bem complicada. O nome de Piedras Rojas é por conta do ferro existente.

Caminhada desafiadora com tanta altitude, sol e roupas pesadas. Começamos a sentir calor e eu sentindo a cabeça doendo um pouco. Na Rota do Deserto, existem as lagunas Meñiques e Miscanti.

O Guia de São Pedro do Atacama nos diz que pertencem à Reserva Nacional de Flamencos. A avifauna é composta principalmente de flamingos, Caitis, tagua-cornudas e guallatas. Das duas lagoas altiplanas, sobressai Miscanti, por seu grande comprimento e largura. Estão localizadas a 117 km ao sudeste de São Pedro do Atacama, a cerca de 4300 m.

Miscanti significa “lugar de sapos”. Sua cor azul e verde é de chamar a atenção. Não se toma banho, tem 15 km². 30 m de profundidade, mescla água salgada e doce. Tem recargas de infiltração de água de chuva do tipo subterrâneo e termal. Sua descarga é subterrânea e por evaporação. Sua superfície congela no inverno com temperaturas abaixo de zero. Chega a -30º C. As lagoas Miscanti e Meñiques se conectam entre si por baixo da superfície. Flamingos, gansos andinos e vicunhas se encontram no local.

Levem folhas de coca para mascar. A altitude nos faz sofrer. Ufa! Viagem para fazer enquanto se tem joelho e pernas bons.

Os parques da região são administrados pelo SOCAIRE, os guardas parques trabalham em turnos e são indígenas. O Duncan nos informou que são os próprios indígenas que administram os parques.

As visitas são rápidas, mais para fotografias. Vale demais. Na laguna Meñiques, vimos vicunhas na água. De tamanho menor e linda igual. Um grupo de franceses estava lá. Europeus e americanos frequentam muito o Atacama. Observamos lhamas na volta, é um alívio estar descendo.

Agora seguimos para ver a placa do Trópico de Capricórnio. Latitude 23º 26´16´´. O guia Duncan esclarece sobre as linhas divisórias do Trópico de Câncer, do Equador e do Trópico de Capricórnio.

Prosseguiremos para a laguna altiplana Chaxa para ver os flamingos. Está no caminho de Peine (aldeia) e não de Calama (cidade). De acordo com o Guia de São Pedro, foi declarado Monumento Nacional em 1982, Peine é um protótipo dos povos abertos atacamenhos. É possível ver pictogramas interessantes sobre a parede de pedra da Quebrada de las Pictographs.

Os flamingos são aves migratórias. Os do tipo chileno e andino viajam pela Cordilheira dos Andes. Os do tipo James vêm da África, não se misturam, são monogâmicos e os encontrados em Chaxa não se sabe se são machos ou fêmeas. Comem microcrustáceos o tempo todo. O Duncan sempre ensinando. Conhecemos a lagoa, mas estava muito calor e lá há uma casa base com banheiros. E nós empacotados de roupas…

A lagoa Chaxa é rasa com sal em uma formação incomum e fauna magnífica de flamingos de cor rosa. Localiza-se a 62 km ao sul de São Pedro. É local protegido e faz parte da Reserva Nacional de Flamencos, conforme o Guia de São Pedro.

Em Toconao, entramos na ponte do mesmo nome. E vimos a Quebrada de Jerez com água embaixo das rochas da cordilheira, estilo Grand Canyon (EUA) em miniatura. Também conhecida como Ravina de Jere, regada pelo rio Toconao. O Guia de São Pedro adiciona que tem um clima especial para a produção de frutas como peras e marmelos. No local há piscinas e flora abundantes, sendo as espécies de plantas mais comuns o “rabo de raposa” e o cacto.

Na volta, almoçamos pela empresa de turismo com a turma legal no restaurante El Diablillo (rua Le Paige, 502) que oferece carne de lhama, guanaco e avestruz. Comemos pratos combinados e fomos tirando as roupas de frio, pois em São Pedro estava o maior calor. O ônibus foi para outro lugar e do restaurante fomos andando para o hotel. Estava com uma dor de cabeça persistente. A simpática chilena Leo me deu um remédio no percurso, porém tive que tomar outro depois, além de um chá de coca no hotel. Motivo? Privação de sono, mudança de clima radical e altitude.

Obs: o Levi da agência Sol Andino tinha razão: o café da manhã foi às 9 h e o almoço quase 16 h, era necessário levar um lanche, levamos bananas, mas não foram suficientes. Não há estrutura de cafés e lanchonetes pelo caminho, e nem banheiros pelo motivo de estarmos no deserto e em lugares protegidos.

Que aventura de uma vida! Passeio imperdível. Deserto do Atacama irresistível.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Dia 7 de outubro de 2023. No café da manhã no hostal Terracota conhecemos a Paulina, cunhada da Sarita (proprietária), que trabalha na pousada também, além da Yobi. Que funcionárias mais queridas: a Yobi e a Paulina.

Fomos ao centro dar uma passeada. De manhã mais cedo é sempre mais fresquinho, o calor vem ao longo da manhã, aí é perigoso estar no sol. Na praça principal (Plaza de Armas), vemos pessoas da cidade vestidas com roupas de folclore indígenas acompanhadas de banda de música a cantar, dançar pela praça e entrar na igreja de São Pedro do Atacama. Era homenagem a um santo, me disseram. Mais tarde saíram em procissão com o padre e retornaram à igreja. Lembrei do sincretismo religioso da nossa Bahia, no caso: cultura indígena e catolicismo.

Detalhes sobre a Igreja de São Pedro: o blog: https://todososrumos.com nos diz que se trata do principal símbolo turístico do povoado. Construída em 1774 pelos jesuítas espanhóis, suas paredes são feitas com adobe e seu teto com madeira de cacto e couro de lhama, no lugar de pregos. O uso de madeira de cactos exibe uma técnica característica dos povos andinos. Foi declarada Monumento Nacional em 1951. Branca como a neve, é localizada na Praça de Armas e é um legado arquitetônico dos antigos colonizadores espanhóis e foi a partir de sua construção que o povoado foi se consolidando. A torre foi acrescentada em 1890.

De lá atravessamos a Feira Artesanal e chegamos ao restaurante Delícias de Cañaveral novamente. Fui repetir o suco de abacaxi (piña) maravilhoso, comi a segunda empanada do dia anterior de tão grande que era, achei que era napolitana, mas era caprese (do Empório Andino). O Carlos pediu comida mesmo.

Foi um sufoco conseguir as entradas para as Termas de Puritama, com águas termais de 28º a 31º C. A combinação com o Levi da agência Sol Andino foi a seguinte: a van nos pegaria entre 13 h e 13h40 no hostal. Ir de tênis ou bota, mas levar chinelo, pois estaremos dentro de uma quebrada. O valor: na base de 60.000 pesos (agência mais a entrada na reserva). Em reais: R$337,20. Ressalto que há desconto quanto mais passeios você compra na agência e pela idade. Detalhe: em São Pedro nossos pisantes ficam cheios de poeira, as roupas também. Todo mundo vestido de roupa de turista, nada chique. O lugar é seguro, depois das 11 h da noite há pouca gente nas ruas, porém no centrinho sempre há movimento. Engraçado que caiu a sola das minhas botas, ainda bem que levei tênis, pois não há sapateiro em São Pedro.

Ás 13h30 a van da agência Lourdes Expediction Spa nos pegou. O passeio é até as 18 h. O motorista Edwin diz que são 45 minutos para chegar lá (uns 30 km). Subiremos de 2400 m a 3400 m. Se alguém passar mal, tem que avisar. Devemos beber muita água, se não desidrata rapidamente. Vimos o cemitério enorme com muro de barro. A cidade é marrom, de tanto muro de barro e ruas de pedregulho e areia.

Vemos o vulcão Licancabur (5950 m) no horizonte, metade no Chile e metade na Bolívia. Estamos a 60 km da fronteira com o país vizinho. O Salar de Uyuni é próximo. Há passeios de 3 dias (somente ida) ou de 4 dias (ida e volta) com carro apropriado para tal jornada.

Na Reserva de Conservação de Puritama, vemos uma placa com nomes de animais em extinção: gato do deserto, gato andino, suri (tipo de ema), raposa colorada ou andina, vizcacha (um coelho grande) etc.

A van chegou no estacionamento, estava concorrido. Descemos por entre as montanhas de pedras, depois por uma passarela de cor vermelha. Descer é fácil, mas subir, socorro! Alcançamos as cabines de trocas de roupas para mulheres e homens separadamente. Cabines muito simples, mais umas casinhas sem portas separatórias. Tinham armários sem chaves, isso foi chato, por isso todo mundo preferiu deixar seus pertences no chão perto da piscina natural térmica. Eram muitas e no chão. Sinceramente, achei muito rústico, mereceria uma estrutura melhor. Penso que não há cafeteria, porque é uma reserva, não há nem onde comprar água. Logo, tem que levar e se preparar. Para quem conhece Pucón, no centro do Chile, e suas termas fantásticas com estruturas elogiáveis, fica decepcionado. O que vale mesmo no local é o banho de águas de 32º C, relaxantes.

Ficamos umas 2 horas na mesma piscina e conhecemos um bocado de brasileiros de norte a sul. Tinha uma minicascata mais adiante, uma delícia. Que frio na saída. A região mais parece um oásis no meio do deserto.

Na volta, o caminho era mais íngreme, e fomos convidados a retornar de carro com o funcionário do parque, nós e outras pessoas mais idosas. Gostei da gentileza. A estrada é de terra de vulcão, escura.

Na van percebemos o vulcão Sairecabur, montanhas ao lado, no mais, vegetação de deserto, tudo bastante árido. Passamos pelo povoado de Guatin onde vivem de fazer queijo e trabalham nas minas lá perto. Os aventureiros fazem trekking por lá na Quebrada (declive de montanha) de Guatin. Deve ser um passeio lindo para ver cactos gigantes e pequenas cachoeiras emmeio à natureza do deserto.

O motorista nos deixa na rua Caracoles e de lá rumamos ao Rincón del Sal para a nossa sopinha crema de verduras.

Mais passeios em breve… Piedras Rojas, um local fabuloso.