Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6

Bela Itália-Sicília-Agrigento-dia 6


Hoje é dia 10 de outubro de 2025. Estamos no hotel Baia di Ulisse em Agrigento (em siciliano Girgenti). O café da manhã com os nossos companheiros de excursão Nilson e Glória. Achei razoável a refeição, gostei do iogurte, mas os bolos secos e croissants grandes demais não foram tentadores. No mais, o hotel lindo, especial.


A guia Sabrina se preocupa com banheiros para a gente, muito delicado isso. Conhecer pessoas simpáticas em viagens é bom demais. Valeu, Ana Braghirolly. De dentro do ônibus, observo casas brancas, beges ou amarelas ao redor da praia, a maioria de dois pavimentos. Também comum ver a venda de colares de corais vermelhos, bijux lindas. A Sabrina é uma figura, nunca vi igual. Uma capacidade linguística invejável, criativa, simpática, justa e que “bota moral” no ônibus. Motorista: Alberto.


A cidade nova, grande, fica perto dos templos. Nos hospedamos na praia. O diferencial em Agrigento são os templos gregos. A terra é seca, de oliveiras e cactos. Antes, os templos eram abertos e de graça, hoje, não. O principal é o Templo da Concórdia, um dos melhores exemplos da Grécia antiga, símbolo da paz. Eram pagãos.

Descemos do ônibus. Na entrada, passamos pelo controle de metal. Banheiros e lojinhas ao lado. Começa o passeio. Estamos no Vale dos Templos. Colonos gregos moraram no local. Há dois rios secos. Região de agricultura. Vamos à história. Segundo a Wikipédia, a cidade foi fundada em 581 a. C. por alguns habitantes de Gela, com o nome de Acragas, homônimo ao rio que banha o território. A localização em um penhasco na costa sul da Sicília, cercado por dois rios (o Hypsas e o Acragas) era estratégica para facilitar a defesa da cidade nas épocas de guerra. A dominação grega durou aproximadamente 370 anos, período em que Acragas adquiriu grande poder e esplendor.


Continuamos nossa aventura com uma outra guia, local: a Rosa. O sol promete ser intenso. Subimos pela passagem de concreto. A pedra local, caliza, hoje, era areia antes. Os cartagineses escravos que construíram os templos. A pedra caliza se oxida e forma manchas vermelhas. Se a pedra não é limpa, fica toda negra. Limpeza de técnica antiga com fósseis triturados.


Conhecemos o Templo de Juno/Hera Lacínia, onde se casavam. Os noivos faziam uma prova antes do enlace, ofereciam um cordeiro branco e antes de matá-lo, o molhavam com força com água fria. Se ele tremesse, não havia casamento. A guia repleta de histórias, disse serem supersticiosos. Antes não havia registro civil. A boda era para a cidade toda. As mulheres tinham importância para os gregos, pois havia templo para as mulheres casadas sem filhos.


A luz do sol iluminava os templos. Só os sacerdotes entravam neles. Lugar estratégico para a construção, na colina. Árabes destruíram, porém foram refeitos acima para a defesa contra o inimigo que chegava pelo mar.
Templos protegidos pelos deuses, existiam muralhas. O Vale dos Templos termina no Templo da Concórdia. Caminho antigo, com rua usada por carros e ônibus antes, mas ao se tornar Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997, não permitiram mais. Amêndoas florescem em fevereiro e parece neve. Panorama branco. Festa da Amêndoa em Flor em Agrigento. Amêndoas viram doces e leite.


O imperador Constantino I deu liberdade de culto aos cristãos, então não precisavam mais se esconder. Um pouco de história: conforme a Wikipédia, ele nasceu em 272 d. C e morreu em 337 d. C. Tornou-se imperador em 306 d. C. O site https://aventurasnahistoria.com.br nos conta que foi o primeiro imperador romano convertido ao cristianismo, sendo responsável pelo fim da proibição do culto no início do séc. IV, fato que fez seu nome entrar para a a História. Ele fundou uma nova capital Constantinopla (atual Istambul), que se tornaria um centro importante para o cristianismo e a cultura ocidental.


Vemos as tumbas arcosolium (catacumbas dos cristãos), escavadas na rocha, ou Necropoli Paleocristiana (cemitério dos primeiros cristãos), do séc. IV e VII d. C. Os mortos ficavam dentro e se fechava com uma laje horizontal que repousa em um nicho, rebocado e pintado com um teto arqueado. A guia Rosa menciona as flores para melhorar o cheiro. Quando alguém morria, a Morte entrava e levava a pessoa, por isso o uso do preto a fim de se esconder da Morte.


Muralha convertida em cemitério, um memorial. Jardins da Memória, instituído em 3 de dezembro de 2015. Ou Il Giardini dei Giusti di Tutto il Mondo, quer dizer, o Jardim dos Justos de Todo o Mundo. Emocionante. Placas de bronze com a história de pessoas corajosas que fizeram diferença no mundo. Gente morta pela máfia, nazismo, ETA, enfim, gente inocente. São alguns eternizados: Beppe Montana, Rocco Chinnici, Oscar Arnulfo Montero, dentre outros. Fiquei tocada ao ver a homenagem aos jovens Hans e Sophie Scholl e à Juventude da Rosa Branca. Eram jovens estudantes, católicos, protestantes, ortodoxos, da Universidade de Munique, que unidos pela paixão à verdade e unidos na mesma fé, se opunham ao regime nazista e decidiram espalhar flyers (folhetos pequenos voadores) denunciando os horrores e as mentiras do regime. Diziam: “Nós não iremos ficar calados, nós seremos sua má consciência e a Rosa Branca não vai lhes dar paz”. Suas atividades duraram de junho de 1942 a fevereiro de 1943. Presos e sentenciados à morte pela guilhotina, tiveram como seu último grito: “Vida longa à liberdade”. Por isso a Rosa Branca continua a assombrar a consciência de cada um.


As duas guias fazem uma dobradinha: a Rosa no português e a Sabrina no espanhol. Tudo muito rápido. Detalhe: a Rosa é brasileira, professora de crianças, e na hora livre, guia de turismo. Ao olhar para trás, vemos o Vale dos Templos parecido com o Olimpo, espetacular.


Caminha-se muito no sol. Preparam na época do Natal uma árvore no Templo da Concórdia, aliás, o mais impactante. E há uma oliveira de 600 anos no local. O templo é iluminado à noite. Ao redor dos templos, exposição de 17 esculturas com personagens da mitologia grega. Ali onde estávamos, vimos Ícaro Caído (de bronze, 2011). Autor: Igor Mitoraj (Oederan-Polônia, 1944-Paris-França, 2014). A Wikipédia nos informa que esse artista e escultor monumental era conhecido pelas suas esculturas fragmentadas do corpo humano.


A guia Rosa em ação. Antes se entrava no templo, todavia os turistas roubavam pedaços e escreviam nas paredes. Os templos foram construídos com rodas de pedras, se encaixavam como Legos. Eram escravos cartagineses que ganhavam 5 dracmas (moeda usada na Grécia antiga) ao dia. Foram 70 anos de construção (de 480 a. C a 406 a. C.), muitos escravos pereceram. Estilo dórico clássico. De qualquer lugar se vê o Templo da Concórdia. Não havia barro à época, só pintura. Uma placa em mármore foi encontrada. Como se localiza na parte argilosa da colina, foi melhor preservado. Foi uma igreja cristã com muro, então as colinas e arcos foram conservados. Como uma basílica com três naves. Ali foi a igreja de São Pedro e São Paulo, do séc. VI d. C., com comunhão, matrimônio. Em 1750, um católico quebrou os muros e logo voltou a ser um templo. Os pagãos faziam sacrifícios (hecatombe) no altar, 100 touros, por exemplo. Pequenas tumbas foram encontradas, por isso virou cemitério. Seis colinas no largo frontal. 2500 anos desta maravilha.


De acordo com descobrindoasicilia.com, a Villa Aurea era a casa de Alexander Hardcastle, um arqueólogo inglês que nos anos 20 do século passado investiu todo o seu patrimônio em escavações no Vale dos Templos. Outros templos, além do de Juno e da Concórdia, são: Héracles (Hércules), Zeus Olímpico, Castor e Pólux, Vulcano e Asclépio. O site https://mapcarta.com acrescenta que a Villa Aurea fica a 160 m do Templo de Hércules. É um edifício histórico e encontra-se perto do sítio arqueológico Necropoli Giambertoni e Grotta Fragapane.


O site https://g1.globo.com nos esclarece que só as sacerdotisas e sacerdotes da antiguidade entravam nos templos, para as cerimônias de adoração dos deuses pagãos. Trata-se de um dos maiores parques arqueológicos do mundo. Agrigento foi uma das maiores cidades do Mediterrâneo, com 200 mil habitantes. Píndaro, poeta e historiador da antiguidade escreveu que lá se fazia tanta festa e que as pessoas se divertiam de tal maneira que era como se não existisse o amanhã. Em todos os templos, o da Concórdia foi o único que ficou em pé e resistiu aos terremotos da idade Média que derrubaram os outros monumentos. Diferentemente da guia Rosa, o site diz que as oferendas de comida e animais às divindades aconteciam do lado de fora do templo.


Os gregos viviam de teatro. Vários grupos separados vendo as relíquias, caminhamos muito no sol. Chama a atenção a quantidade de americanos. Imperdível a visita. Prosseguiremos nosso percurso até Marsala, Erice e Palermo.

Deixe um comentário