Bela Itália-Sicília-Palermo e Monreale-dias 6 e 7

Hoje é dia 10 de outubro de 2025. Saímos de Erice e vamos rumo a Palermo, capital da Sicília. Estamos no ônibus com o grupo da Europamundo, com a guia Sabrina e motorista Alberto.
Nas placas nas estradas não aparecem a distância entre as cidades, como no Brasil. Estamos passando na região de Isola delle Femmine, arredores de Palermo. A guia nos conta sobre o golpe cruel para o Estado que combatia o crime organizado em 23 de maio de 1992, quando uma explosão potente nesta mesma estrada que vai ao aeroporto de Palermo, atingiu o juiz anti-máfia Giovanni Falcone, sua esposa e 3 pessoas da sua escolta. No km 5 uma carga imensa de explosivos provocou um buraco de 1 m de profundidade. Falcone era símbolo da luta contra a Cosa Nostra. A máfia estava inserida nas altas esferas do governo. Cem mafiosos haviam sido condenados. O juiz voltava de uma viagem de final de semana a Roma pelo aeroporto Fiumicino em um avião repleto de políticos. Não sabia que estava em perigo, saiu do aeroporto de Palermo em carros.
O aeroporto de Palermo se chama Punta Raisi, ou hoje, oficialmente, Falcone-Borsellino. Um carro os segue na lateral, quando o carro de Falcone diminui a velocidade, a 8 minutos, km 5 da A-29, há um cruzamento. Na casa branca na montanha ao lado, o botão da explosão foi apertado. Ele não morreu, se golpeou no asfalto. Os da frente morreram na hora. Foi ao hospital e morreu pelas feridas no crânio. A detonação foi terrível, acionada por controle remoto. A Wikipédia acrescenta que foi uma carga de 1000 kg de TNT, previamente colocada no túnel de drenagem sob a rodovia. O italiano não quer a máfia. Aos funerais compareceram personalidades importantes e imagens das viúvas dos guarda-costas apareceram na tela. Passamos por dois obeliscos, um de cada lado da estrada, em homenagem aos mortos.
A máfia no passado se encarregava das cidades. Falcone era muito amigo de Paolo Borsellino, que estava com outras pessoas e também foi morto 52 dias depois. Borsellino sabia que estava marcado para morrer.
Eis a Palermo da Cosa Nostra, mas com pessoas de coração grande. Não se pode estacionar um ônibus sem pagar para a máfia, assim como quando os negócios são abertos, também pagam. A Polícia e o Estado não fazem nada, eis o sul da Itália, segundo nossa guia. As funerárias foram o primeiro negócio da máfia, são da mesma família de Nápoles. O caguete ou delator, eles chamam de “arrependido”. Antes não matavam crianças, mulheres e religiosos. Porém, tudo mudou quando mataram um padre (cura) de nome Giuseppe Puglisi (beatificado pela igreja Católica), aí desrespeitaram seu pacto. Perto do hotel, foto de Falcone e Borsellino.
A Wikipédia salienta que o juiz Falcone (Palermo, 1939-Isola delle Femmine, 1992) havia recebido prêmios no mundo todo pela sua imparcialidade, foi assassinado por Giovanni Brusca a mando do mafioso Salvatore Riina. A operação Mãos Limpas começou depois de sua morte. Já Paolo Borsellino era procurador e também estava engajado no combate à máfia.
Chegamos a Palermo. O hotel enorme perto da praia: San Paolo Palace. Jantar às 20 h. Café da manhã entre 7 e 9 h, sairemos às 9 h. O jantar foi de salada com queijo de búfala e tomate, o peixe muito bom. O grupo na mesa estava divertido e de bom papo com o Nilson, Glória, Juliana e outros. O visual da janela: barcos no mar. Lindo. Demos tchau pra nossa companheira de viagem Ana Maria e três argentinos legais. O hotel San Paolo Palace precisando de mais cuidados, uma vez que recebe muitos grupos de turistas. No mais, o chuveiro ótimo.
Dia 11 de outubro de 2025. Palermo. O pão do café da manhã delicioso. A farinha é diferente da do Brasil. Conversamos com a Maristela e Vilmar de Florianópolis-Santa Catarina. Pessoal legal. Os elevadores são poucos nos hotéis, o grupo vai se conhecendo aos poucos. Hotel lotado.
Vamos em direção a Monreale. Estaremos com a guia Alessandra e auriculares, como sempre. Saindo do hotel, a marina e suas palmeiras chamam a atenção. No ônibus, mais papo com a Roseli e Liliane, umas queridas. A cidade vai melhorando e se tornando muito agradável com árvores e prédios antigos. A impressão de entrada em Palermo não foi positiva.
O centro da cidade com seu “casco” antigo. Catedral de Palermo, zona comercial com lojas modernas. Vamos direto a Monreale, uma comuna (cidade), 10 km de Palermo, declarada Patrimônio da Humanidade (UNESCO) pelo seu conjunto arquitetônico. Tem prefeitura. Lá está a Catedral de Monreale, separada da de Palermo. Do séc. XII as duas. Quando os normandos, católicos, conquistaram a Sicília, erigiram as catedrais.
Dois irmãos queriam construir duas catedrais preciosas, a de Monreale, mais bonita por dentro e a de Palermo, por fora. Estamos em Monreale. Tribunal de Justiça, cidade antiga com muralha, única de proteção feita pelos fenícios. Aliás, Palermo foi fundada por eles, que eram comerciantes, então Palermo virou um dos mais importantes portos do mundo antigo em 8 a. C. Vemos onde passava a muralha, com a Porta Nova, onde estava a antiga. Praça Independência, rua mais larga que conecta Palermo a Monreale. Por aqui se pelearam Garibaldi e a dinastia real dos Bourbons.
Antes não havia nada, só a finca real dos reis normandos. Palácios foram edificados para se refrescarem dos calores sicilianos, era fora de Palermo, hoje é continuação. 764 m de altitude o monte Caputo.
A Wikipédia destaca que a lenda narra que certo dia Guilherme II (da Sicília) adormeceu sob uma árvore no campo e em sonho lhe apareceu a Virgem Maria que disse; “Neste lugar onde dormes está escondido o maior tesouro do mundo. Escava-o e com ele constrói um templo em minha homenagem”. Seguindo o mandado, ao acordar o rei ordenou que assim fosse feito e ali encontrou um tesouro de moedas de ouro, empregadas na construção do santuário. Para a decoração foram chamados mestres árabes, venezianos e bizantinos especializados na técnica do mosaico, cobrindo o abside (semi-cúpula hemisférica, típica bizantina cristã primitiva) e as paredes com painéis de excepcional valor artístico. A guia conta que ele gastou muito e desta forma começou a história da Virgem Maria.
Ao redor, se desenvolveu o vilarejo de Monreale. Os primeiros habitantes foram os que ergueram a catedral, eram árabes e bizantinos. Os normandos integravam os impérios em paz. Havia catedrais e igrejas, sendo que havia uma mescla de culturas na catedral. Árabes e normandos com religiões diferentes, eram muçulmanos e católicos ortodoxos e cristãos.
Estamos percorrendo a rua de ônibus. O entorno muda para verdejante. Escadas para subir ou táxis para Monreale. Vemos vendas de cebolas. Montanhas e verde. Vale Dourado, cheio de cítricos (limões) e quatro rios antigamente, hoje área verde onde muitas pessoas vivem com tranquilidade, era uma muralha natural o vale, com água e protegida. Depois da visita, sairemos às 10h40, pois haverá um casamento na catedral, decorada, às 11 h. Vemos edifícios por aqui.
Estamos a pé. Subida com esforço, na escada, várias vendas de lenços, bijuterias, lembrancinhas e muito mais. Vemos o símbolo da Sicília: de acordo com o site Descobrindo a Sicília, a Trinácria é uma cabeça de medusa com três pernas dobradas, importante para os sicilianos e usada como amuleto. No percurso, há três promontórios e três portas. Muito comum encontrar a cabeça da medusa, da mitologia grega, que transformava em pedra a quem a olhava nos olhos.

Catedral de Monreale, lotada. Segundo a Wikipédia, a catedral Santa Maria Nova, uma das mais importantes construções sacras da cultura normanda na Itália. Foi construída em 1174. É Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2015 como parte do itinerário árabe-normando de Palermo. Tem uma porta preciosa, por fora, uma gravura original do século XVIII, gravada por Philibert-Louis Debucourt (1771-1801), que representa um grupo de caça na floresta intitulado “A Caçada”, feita a partir de uma pintura de Carle Vernet (1758-1836). Localizada na praça Guilherme II. Entrada com a estátua do rei e da Virgem Maria. Em estilo bizantino com ouro. Na capela-mor, a joia da arte árabe-normando: Cristo Pantocrator (Cristo Criador de Todas as Coisas), conforme o site www.historiadasartes.com, com a Virgem e o Menino, santos e anjos abaixo.
O órgão é digno de nota. O site http://www.wineinsicily.com destaca que foi construído pela firma Rufati, de Pádua, entre 1957 e 1967. São seis teclados com 61 teclas cada, 10 mil tubos de madeira e metal, subdivididos em três corpos sonoros; o console é, entre os que se movem, o mais largo do mundo, e existem 400 comandos ou paradas. Segundo a guia Alessandra, o som se distribui em diferentes lugares e acrescenta que três organistas são chamados para tocar em ocasiões de concertos. Vem organista do mundo todo, em bodas só usam um.
No chão, mármores do Egito usados nas tumbas dos faraós. Guilherme I, o pai do fundador, El Malo (O Mau), não gostava do povo. Guilherme II, El Bueno (O Bom). Morreu aos 36 anos. Não esperava morrer, a sua tumba foi feita pós-morte de mármore de carrara. A Virgem do Povo, do final de 1400, venerada. Uma capela dentro, no séc. XVII foi finalizada com mármores. Na frente à direita, o trono do rei, com escada para a sua coroação: “Sou rei por vontade divina”. Ao lado, o trono do bispo, mais simples que a do rei. Cenas do Novo Testamento: lava-pés, beijo de Judas, ressurreição de Cristo, são Pedro (em dourado) no trono. Pedro crucificado de cabeça para baixo, não quis morrer como Cristo.
Praça Via Emanuele. A descida pelas lojas e vendas. Compramos camisetas, chocolates, panos de prato. Preços módicos. Tudo colorido, chapéus, roupas, xales pashminas. Poucos banheiros públicos na vila: €1 (euro), pias com manivelas em todos os lugares na venda de frutas, no estacionamento, €2 (euros) o suco de laranja com sumo de limão. Delícia.
Continuaremos com Palermo.
