Bela Itália-Sicília-Palermo-dia 7
Hoje é dia 11 de outubro de 2025. Estávamos em Monreale, agora descemos a Palermo às 10h40. De acordo com o folder da Europamundo, a capital siciliana é uma cidade cheia de contrastes com histórias dos árabes, normandos e do esplendor barroco. Estamos com a guia Alessandra no momento.
Vemos a Porta Nova. Teremos momentos para compras, segundo a nossa guia Sabrina, bom lugar para fazer isso, pois os preços são mais em conta. Veremos a Catedral de Palermo, mais bonita por fora do que a de Monreale. Do séc. XII, ambas, de família real normanda. O exterior é espetacular, seu interior foi reformado no séc. XIX e seguiu o estilo neoclássico, mais sóbrio e simples. Mudou o aspecto por dentro.

A capela de santa Rosália, padroeira da cidade, tem seus restos mortais em uma urna de prata. O carro da santa ao lado, usado para a procissão e relicário. Ela vinha de família nobre, rica, aparentada da família real normanda. Estamos falando do séc. XII. Ela nasceu em Agrigento, deixou sua riqueza para se dedicar a Deus e entrou no convento de clausura. Cuidava dos enfermos, foi venerada ainda em vida. Na última parte de sua existência, viveu como eremita em uma gruta no monte Pellegrino, a 430 m. de altura. Quando morreu, foi declarada santa pela população. A Sicília já deu à Itália algumas santas: Rosália e Olívia de Palermo, Ágata de Catânia, e Lúcia de Siracusa.
Em 1647, a peste bubônica chega a Palermo pelos barcos infestados de ratos. Difundiu-se rapidamente e muita gente pereceu. Procissões eram feitas para pedir milagres. A guia nos conta que um dia um homem, caçador na montanha, teve uma visão com Rosália e ela pediu que ele pegasse seus restos mortais na cova e os levassem à cidade para uma procissão. Fizeram a primeira e em 3 dias a peste desapareceu e as pessoas se curaram. Eis a única padroeira de Palermo. A cada 15 de junho, dia do descobrimento das relíquias, a santa é celebrada, mas a procissão ocorre no dia anterior, com o carro representando um barco, já que a peste chegou pelo mar, com a santa em cima. Triunfo da santa sobre a peste. No evento há músicas e espetáculos, a noite é costeira. Por duas horas fogos de artifícios são lançados no mar.
A cova no monte virou o santuário de santa Rosália, construído em 1625. Os peregrinos sobem a pé para pedir milagres, proteção contra enfermidades e levam oferendas em prata e partes do corpo enfermo. Nas paredes e ao redor, existem oferendas pessoais. Em 4 de setembro, dia do seu falecimento, ou em qualquer outro dia do mês, há peregrinação, já que era uma santa peregrina.
Hora de continuar nosso percurso. No ônibus recolhemos uma contribuição para a guia Sabrina, o que é de praxe em excursões. Ela mereceu.
Prédios antigos com sacadas, muitas árvores. Depois da visita à catedral, teremos tempo livre. Porta Nova. Palácio do Governo. Palácio Real ou dos Normandos, sede da Assembleia Regional da Sicília. Com a sua capela Palatina. Diz a guia Alessandra que Carlos V, o Sacro Imperador Romano e Arquiduque da Áustria, derrotou os árabes em Túnis em 1535. 852.768 mil habitantes em Palermo. Depois da Porta Nova, se chega a mais antiga rua: Vittorio Emanuele. Palácio Episcopal ao lado da Catedral de Palermo. Sempre aglomerações, a guia lembra para tomar cuidado com pickpockets (batedores de carteira).
Chegamos à Catedral, o Duomo de Palermo. É incrível. O carro de santa Rosália, neste ano não tiveram dinheiro para fazer grandes modificações nele. A catedral é enorme, sem palavras para descrevê-la, parece um castelo árabe. Na verdade, era uma catedral que virou mesquita e depois voltou a ser catedral, sendo que a construção de como a vemos hoje é do séc. XII. O pórtico estilo gótico-catalão, a cúpula do início do séc. XVIII, neoclássica, a reformaram porque era antiga e queriam que fosse um estilo mais elegante e sensível diferente do exterior. Sete séculos entre o interior e exterior da catedral. Na primeira coluna do pórtico, uma parte do Corão em árabe. Dentro a capela de santa Rosália em prata. Sua imagem, tendo na cabeça uma coroa de rosas. Seu restos mortais estão lá.
Multidão, como sempre. No chão, um relógio astronômico, com os signos do zodíaco, algo considerado profano. O sol entra pelo buraco e indica o signo correto. Era moda nas catedrais italianas de antigamente, se vê na de Bolonha.
O beato Giuseppe Puglisi, morto pela máfia, tem uma capela de mármore rosa. Foi assassinado, porque salvava as crianças da máfia. Em 2013, beatificado pelo papa Francisco. Vemos também quatro tumbas de reis e rainha: Rogério II, Frederico II, Constança II e Henrique VI (imperador do Sacro Império). À época era o reinado das Duas Sicílias: Campanha e Sicília. A guia Alessandra foi embora, assim como três argentinos simpáticos.
Às 13 h entramos no ônibus para o centro. Tempo livre de umas 4 horas para passear. A pedonal é boa para caminhadas. Na livraria Paulinas, comprei um santinho de santa Rosália. No calçadão, restaurantes, bistrôs, lojas, feirinha, lavanderia. Enorme a avenida. Pedimos por ali um café americano e fizemos compras no A´ Putia Sicula, com um pátio dentro e outras lojas. Para aproveitar os banheiros. O táxi tuk tuk Piaggio laranja, uma graça. Maravilha de rua. Vemos motocarrozzetta, divertido. Aquele tipo de veículo com três rodas, uma moto acoplada em um cubículo para um passageiro.
Chegamos ao Teatro Massimo usando um mapa. Debaixo do teatro, a Via Macheda à esquerda. Bares, restaurantes, lojas baratas. Mercado do Capo, melhor frequentar esse. O outro Ballazzon tem pickpockets, de acordo com a Sabrina. Comer, passear, de olhos abertos. Com multidão não se brinca. Á esquerda, Via Ruggero com suas lojas de marcas. Na frente, o Teatro Massimo, onde foi gravada a cena do Padrinho, quando a filha morre, no filme icônico O Poderoso Chefão/The Godfather.

Outro teatro, Politeama. Andamos até os Quatro Cantos, lugar obrigatório, uma vez que são quatro prédios barrocos da época de D. Philippo III. A rua é uma festa. Na Via Maqueda, 253, cheia de gente passando no calçadão, escolhemos o Maqueda Bistrot para se deliciar com uma pasta carbonara e uma com molho de tomate e berinjela, e um chope, mais limoncello (liquor). Rua para compras com muitas opções de lembrancinhas. Cannolo/cassata siciliana, doces típicos. Muita mulheres “de idade” viajando juntas. As estampas coloridas nas roupas de limões sicilianos são demais. Provamos o granite siciliano de morango. €3 (euros). Granite: gelo e sorvete. Leve. Pouco açúcar. Gostei, refrescante, falta provar a cassata.
A gente atravessa a rua e estamos na Via Ruggero (Rogério) com lojas mais conhecidas, como Zara, Calzedonia, Sisley, H&M. A nossa guia Sabrina ganhou uma boneca a “cara dela” e a nomeou de “Sabrina” e juntamente com o boneco Mário e um apito são usados para chamar a nossa atenção. Uma figura! Saímos às 17h30 para pegar o ferry no porto e pernoitar ao som das águas do Mediterrâneo, estamos partindo para Nápoles. Zarpa às 20 h. As embarcações marítimas, como a nossa, são modernas, grandes e com todas as comodidades: bares, restaurantes, salas de festa, lojas, enfim, um espetáculo.
Prosseguiremos em breve.
