Campos do Jordão para conhecer-passeio de trenzinho turístico-dia 2
Hoje é dia 15 de março de 2026. Estamos na pousada La Toscana em Campos do Jordão. O café da manhã é delicioso. Frutas diversas, pães: de cebola, caseiro, de cenoura, de mandioquinha, mini- francês, de calabresa, mais: arroz-doce, geleias, gelatinas, bolos e tortas: de maçã, aipim (macaxeira), limão, palmito e pão de queijo, tapioca, ovos mexidos, salsicha ao molho, ufa! Que fartura! Um verdadeiro café colonial. A torta de limão suave, cremosa. A de palmito, se desmancha na boca. Um espetáculo.
Serra da Mantiqueira, natureza pródiga. Na varanda da pousada, um visual lindo e bucólico repleto de passarinhos. Estamos no quarto Chianti na pousada ao lado do Malbec. Para quem ama vinhos, como não ficar impressionada?
Campos do Jordão, lugar de gente bonita. Vamos passear? A pé para pegar o trenzinho. R$40 reais no PIX ou dinheiro, interessante não aceitarem cartão de crédito ou débito. E detalhe: não tem banco nem caixa 24 h em Capivari, só no centro da cidade. O trenzinho saí às 12 h. Antes de entrar no trenzinho (com pneus) decorado, fomos nos informar ali perto sobre o teleférico Morro do Elefante e trenó na montanha. Pagamos meia entrada: R$60,00.
Rota do Trenzinho, ou seja, bairros ou lugares por onde passaremos. São: Vila Simonsen, Ducha de Prata (Vila Inglesa), Alto da Vila Inglesa, Vista Vale dos Sonhos, Vista do Savoy e Fábrica Matriz Spinassi.
Percebi estar na moda para as mulheres shorts de couro preto e meia preta. Trenzinho lotado. Nos arredores, muitas lojas de malharias incríveis e vendas de chocolate. Bourbon Chocolates. Uma loja de chocolates Spinassi chama a atenção pelo layout da loja. Estamos no baixo Capivari.
Começa o percurso. O guia é um comediante. A buzina somos nós, pede uma salva de palmas para ele, esse Jaime é uma graça. Passamos pela loja mais conhecida do Pastelão do Maluf na avenida Macedo Soares. Detalhe: o político Maluf não é o dono do estabelecimento e o pastel é gigante, tem 32 cm. Tem foto do Maluf nas lojas, era frequentador. Sobre o Paulo Maluf, a Wikipédia esclarece que nasceu em 1931, foi governador do estado de São Paulo duas vezes, além de ter tido outros cargos, como deputado federal.
Restaurante Krokodilo, tradicional e temático com entrada e saída com boca de jacaré. Trata-se de um rodízio de carne, queijo, chocolate. De novo no dinheiro ou PIX. Casa do Papai Noel no estacionamento do hotel Terraza. Endereço: rua Senador Roberto Simonsen, 1665.

Chegamos à cachoeira Ducha de Prata. O primeiro ponto turístico. Segundo o guia engraçado, a cachoeira casamenteira e afrodisíaca. Se jogar uma moeda, sai de lá casado (a), para separar… basta empurrar o companheiro. É um piadista mesmo. A gente se diverte. Descemos. Cachoeira pequena com uma estrutura de madeira contornando o córrego. Bem organizada com muitas opções de compras e lembrancinhas ao redor. Cafés, crepes e muito mais. No mercadinho Empório de Campos, queijadinhas, geleias, doce de cidra ralada (novidade!), compota de laranja em calda, biscoitos de polvilho. Maravilha. Estamos na avenida Mariana Baumant. Mais: Pastel Mantiqueira, Chalezinho do Açaí. Não entramos no espaço A Selva, passeio de floresta, com tirolesa. Ali perto, Boulevard Ducha de Prata, centro de compras, endereço: rua Senador Roberto Simonsen, 2485.
Voltamos ao trenzinho. O guia nos conta mais. Era cidade de cura para tratar a tuberculose. Pacientes vinham do mundo todo. Os ingleses moravam aqui. A cachoeira era conhecida como ducha milagrosa. As moedas jogadas eram de cor de prata e refletiam, por isso o nome. O Jaime fala na mansão do Edir Macedo lá no alto. Chama-se Alfa e Ômega, o início e o fim. A mais luxuosa da cidade. No Portal Uai, ficamos sabendo mais informações. A mansão tem 18 suítes com banheiros de hidromassagem, cinema, quadra de squash, elevador panorâmico e um jardim inspirado no Monte das Oliveiras de Jerusalém. São 4 andares. Construída com 600 m² de mármore Botticino importado da Itália, além de materiais folheados a ouro e tintas com pigmentação dourada especial. São 12 mil m² o terreno e a área construída de 3900 a 4000 m². Edir Macedo é dono da TV Record e da Igreja Universal. A mansão está legalmente registrada em nome da igreja, garantindo benefícios fiscais, como não pagar o IPTU, e uso estratégico para a instituição religiosa.
O centro comercial, bancos, farmácias, supermercados estão no bairro Vila Abernéssia. Ou seja, o centro comercial e administrativo.
No Alto Capivari, a Vista Vale dos Sonhos com hotéis chiques, como o Mont Blanc, abandonado por mau gerenciamento. Uma lástima, porque está em ruínas. Na época dos europeus pela cidade, ficaram com medo de neve e construíram casas estilo chalés e castelos. Mas não neva. O ar é seco, não chove no inverno. Chega a fazer abaixo de zero: -4º C, -5º C, -9º C e nada de neve.

Parada. Na fábrica de chocolates Spinassi, degustação de licores, geleias, vinho de pêssego, morango e amora, queijo da serra da Mantiqueira parecido com o da serra da Estrela em Portugal. Excelente o local, na entrada ganhamos chocolate. Amei. A marca Spinassi é local. E forte. A loja é uma tentação, queria ter comprado muito.
As árvores plantadas no meio das calçadas são plátanos da Argentina em homenagem aos bordos, isto é, maple trees do Canadá. A folha dá sorte/fortuna, de acordo com o guia engraçado. A árvore é símbolo do frio de Campos do Jordão. As calçadas ficam repletas de folhas. Linda paisagem.
O aniversário da cidade é dia 29 de abril, foi fundada em 1874, por Mateus da Costa Pinto. As terras com altitude (montanhas) foram chamadas de “Os Campos do Jordão” (apelido das terras). Hoje se diz somente “Campos do Jordão”. Pertencia a Minas Gerais, passou para São Paulo. Por isso o sotaque dos habitantes antigos está mais para mineiro, mais arrastado. Atualmente, é misturado, como dizem.
Passamos pelo Dreams House Park. O site https://dreamshousepark.com.br nos informa que há o Dreamland Museu de Cera, com mais de 90 réplicas realistas de astros de cinema e da música; o Miniland, parque com miniaturas detalhadas de cidades, estações, praias; a Casa do Terror, são 12 cenários tematizados para maximizar a tensão; e o Vale dos Dinossauros, uma trilha jurássica repleta de feras gigantes. É caro por pessoa, uns R$160 reais. Por outro lado, dá para aproveitar muito.
Acaba o passeio, valeu a pena. O guia pede dinheiro para a caixinha, como de praxe. Mereceu. A gente se divertiu. Fomos almoçar perto. Descobrimos um restaurante simples, com comida a quilo, Truta e Cia. Endereço: Engenheiro Diogo José de Carvalho, 47-loja 4. Pelo valor, boa opção e comida de qualidade. Gostei do ambiente, frequentado por moradores.
Um pouco de história da região para finalizar. A Wikipédia nos conta que os primeiros habitantes conhecidos foram os índios pertencentes a várias etnias: puris, caetés, guarulhos e cataguás. A partir do século XVI, a região começou a ser percorrida por desbravadores de origem portuguesa, como Martim Corrêa de Sá, Gaspar Vaz da Cunha e Inácio Caetano Vieira de Carvalho. A família deste último vendeu suas terras na região para Manuel Rodrigues Jordão, cujo sobrenome veio a conferir à região seu nome atual. As terras de Jordão foram loteadas e vendidas na segunda metade do séc. XIX.
Em 20 de setembro de 1790, Inácio Caetano Vieira de Carvalho chegou, ao alto da serra da Mantiqueira, na fazenda Bonsucesso. Desde então, passou a ser hostilizado pelo vizinho João Costa Manso por problemas com os limites da fazenda. Essa briga iniciou uma luta aberta entre paulistas e mineiros que só terminou em 1823, quando morreram os dois. Os Vieira de Carvalho venderam a fazenda Bonsucesso ao brigadeiro Jordão que mudou o nome da fazenda para Natal, mas ficou conhecida como os Campos do Jordão.
Continuaremos em breve.
