Campos do Jordão para conhecer-Mosteiro de São João e Museu Felícia Leirner-dia 4
Hoje é terça-feira, dia 17 de março de 2026. O dia será intenso com vários passeios, estamos com o Leandro, nosso guia, conforme combinado no dia anterior, @leandrocitytour.
Começamos o dia com o café da manhã na pousada La Toscana só pra nós. O Leandro nos pega às 9 h e vai nos contando como é a cidade de Campos do Jordão no seu dia a dia. Há bombeiros, polícia militar e civil, hospital, mas sem UTI, somente em Taubaté, cidade a 55 km de distância. Condomínios por lei só de 4 andares. Bistrô/café em estilo francês Sans Souci, cafeteria mineira: Empório Recanto de Minas. Passamos pelo centro da cidade: Abernéssia. Bem ajeitado. Os nativos moram no local. A cidade tem 48 mil habitantes.


Chegamos ao Mosteiro de São João, de freiras beneditinas. A entrada é uma floresta, tem um lago com carpas coloridas, o lugar transmite paz. A natureza é bem cuidada, com jardins, árvores, tranquilidade. Gruta Nossa Senhora de Lourdes com a sua imagem. Igreja com acústica diferenciada. As freiras estavam rezando com os cânticos: Preces Orações. Cantos gregorianos são ouvidos de manhã e de tarde. Santa Escolástica e são Benedito na parede.
A estrutura do mosteiro é de tijolo à vista e na madeira, possui café, bazar e lojinha com produtos da terra: castanhas, pães, doces, Geleia das Monjas Beneditinas, além de santinhos, almofadas de santos e muito mais. Está lá escrito: “Ora et labora”. Vale a pena conhecer. É um lugar turístico da cidade.

De lá rumamos ao museu Felícia Leirner. No mesmo espaço também se encontra o auditório Claudio Santoro, onde ocorre a apresentação principal do famoso Festival de Inverno todo ano em julho. Concertos de música clássica e também de outros espetáculos e eventos. Outra atração que se vê do local é o Mirante do Baú.
Vamos subindo a serra e conhecendo a Vila Santo Antônio, uma comunidade. O guia nos explica que é seguro cruzar. Acrescenta que “ninguém mexe com ninguém”. Viajar no Brasil requer saber sobre segurança. Ele comenta a respeito da casa de Paulo Maluf, ex-político. Palácio Boa Vista, do governador, com heliporto. Monumento de visitação pública (parte dele é um museu). Alto da Boa Vista. Com condomínios na área. Em Campos do Jordão, tudo que é alto, é nobre: Alto Capivari, Alto da Vila Inglesa, Alto da Boa Vista.
Chegamos. De graça para professores. Um espaço aberto gigantesco com árvores e esculturas. As araucárias dão o toque de beleza. O Leandro ficou nos esperando e nos deixando à vontade. No Centro de Pesquisa e Referência, com biblioteca e obras de escultura, há totens explicativos sobre a artista Felícia Leirner, sua história e a de algumas obras. Confesso que não a conhecia, que pessoa fenomenal. Vemos a obra “Cabeça de Alfredo Landau”, de bronze. As esculturas expostas ao ar livre estão no que era o quintal da casa dela. Viajar é aprender muito.
Ali se situa o auditório Claudio Santoro e um café literário. “Claudio” sem acento mesmo. No auditório se escuta Johann Sebastian Bach, um dos meus preferidos compositores clássicos. Falando um pouco sobre quem foi Claudio Santoro. De acordo com o folder, nasceu em Manaus em 1919, tendo sido um dos mais inquietos e polivalentes músicos do nosso tempo. Recebeu inúmeras premiações e condecorações, foi regente convidado das mais importantes orquestras do Brasil e do mundo. Após sua morte, o governo de São Paulo mudou o nome do auditório Campos do Jordão para Claudio Santoro.
Um pouco sobre este auditório tão impactante. Considerado majestoso, de acordo com o mesmo informativo, foi inaugurado em 1979. Tem capacidade para receber até 820 espectadores, sendo 814 assentos e 6 espaços para cadeirantes. Sua arquitetura moderna mistura elementos rústicos com grandes paredes de vidro que valorizam a luz natural e a paisagem do entorno, sem deixar de cuidar do conforto do público. No palco há fosso para orquestra. Nos bastidores, amplos camarins, salas de ensaio e áreas técnicas. Ou seja, é um auditório moderno que também pensa em acessibilidade para necessidades específicas.
Um pouco sobre o festival de inverno. Segundo o site www.festivalcamposdojordao.org.br, o festival terá mais de 80 apresentações gratuitas. Ocorre este ano de 2026 de 4 de julho a 2 de agosto. A abertura acontece no parque Capivari com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e montagem de “A Flauta Mágica”, de Mozart, no auditório Claudio Santoro.
Saímos do auditório e fomos ao espaço aberto. Estávamos com um mapa/folder. Há três tipos de trajeto: o verde (fácil de locomoção/438 m), o amarelo (intermediário/813 m) e o vermelho (difícil/278 m), uma vez que há subidas e descidas íngremes, e trechos com obstáculos e escadas. A gente caminha muito, tem que ter joelho bom. Por conta do tempo, queríamos ter uma boa ideia, mas não fizemos o percurso completo. Ainda muito a passear pelos afamados parques de Campos do Jordão.
Obras e obras de Felícia Leirner. Divididas por fases: Figurativa, A Caminho da Abstração, Orgânica e Recortes na paisagem. É imperdível. Esculturas de bronze, cimento branco armado com ferro, granito e gesso. Achei tudo um trabalho a ser admirado. Na fase Orgânica/“Um caminho no meio da floresta”, nos deparamos com as obras Habitáculo II, de 1966/67. Parecem casas de gesso. Habitáculo V. Lembra a Casapueblo, em Punta Ballena, Piriápolis, Uruguai. Do artista Carlos Páez Vilaró. Como explicar? A sensação de algo que vemos e nos remete no momento a um local conhecido. Tenho muito esses insights em viagens.

A última fase Recortes na Paisagem. De 1980/82, arte semiótica, tem a obra Composição, em cima do monte e O Pássaro, de 1970. Gostei de O Anjo, da fase Orgânica, de 1969, e de O Segredo, da mesma fase, de 1969. Na fase figurativa, “Mulher Reclinada” e Moça Sentada II, esculturas de bronze, de 1950/1955. Em suma, fiquei maravilhada.
Ufa! Requer esforço subir o morro no sol, nas sombras, o clima é bem mais agradável. Não posso deixar de dizer quem foi Felícia Leirner. Nasceu em Varsóvia, na Polônia em 1904, veio para o Brasil em 1927. O informe nos conta que adotou o país como sua pátria. A paixão por animais e pela natureza era uma característica marcante da personalidade e da obra da artista. Em 1962, mudou-se para Campos do Jordão para viver junto à natureza. Conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua vida. A partir de 1979, quando o museu foi inaugurado, ainda aumentou sua coleção que pode ser vista atualmente. Faleceu em 1996, aos 92 anos de idade.
A área onde estão o museu e o auditório é um importante remanescente da Mata Atlântica. Apresenta uma rica diversidade biológica. São pelo menos 110 espécies de plantas, algumas árvores medem 25 m de altura, 92 espécies de aves e 10 espécies de mamíferos.
São administrados pela ACAM Portinari (Associação Cultural de Apoio ao Museu Casa de Portinari).
O folder completa que o museu Felícia Leirner tem ao todo 88 esculturas, sendo 44 produzidas em bronze, 41 em cimento branco, 2 em granito e 1 em gesso. É uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e tornou-se uma das maiores atrações culturais de Campos do Jordão.
Prosseguiremos em breve com o Mirante do Baú e mais lugares para conhecer.
