Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Hoje é domingo, dia 8 de outubro de 2023. O passeio a Piedras Rojas (Pedras Vermelhas) promete ser muito bonito. Como o local é ventoso, temos que nos agasalhar bem. Eu usei meias térmicas por debaixo das calças compridas, gorro, luvas, duas blusas de lã, além do casaco. Um frio daqueles. Pagamos 55 mil pesos por pessoa (R$309,00) e 23 mil (R$129,26) para a entrada no parque. Para maiores de 60 anos, são 17 mil pesos e para chilenos 15 mil.

O micro-ônibus da Andes Travel nos buscou às 6 h da manhã e chegaremos às 17 h aproximadamente.. O motorista é o Enson e os guias Carolina e Duncan. Detalhe: falam muito bem inglês. A Carolina, um doce. O itinerário no folder é laguna Chaxa, Piedras Rojas, lagunas Miscanti e Meñiques, povoados andinos e Trópico de Capricórnio. Na excursão oferecem café da manhã e almoço. E vamos subir até 4300 m de altitude.

Passamos por um conjunto de árvores, algo raro no deserto do Atacama, o bosque de Tambillo. A paisagem é de areia e montanhas no horizonte. Região de pastoreio, há lhamas e ovelhas. Tamarugo é o fruto dessas árvores “tamargueiras do deserto”, usado moído para fazer pão. A água que vem das montanhas abastece a quantidade de árvores, um verdadeiro oásis.

Passamos por Toconao, um povoado de cor branca com mil habitantes, onde existe uma mina de lítio. O nome indígena significa “lugar de pedras”. Segundo o Guia de São Pedro do Atacama do Serviço Nacional de Turismo do Chile, a vila colonial é inteiramente construída com pedras liparitas de origem vulcânica. O artesanato de pedra vulcânica e a agricultura são as principais fontes de emprego pra seu povo. Ele está localizado a 38 km de São Pedro, a uma altitude de 2485 m. As frutas marmelo, romã, limão e laranja são colhidas na localidade. A água que vem da montanha atravessa o vale.

Deixamos o salar (a parte branca de sal) e chegamos ao altiplano. O sol vai surgindo às 7h30. Areia, pedras, poucas árvores de vez em quando. Arbustos baixos. Estamos na Rota do Deserto e vemos Socaire, outro povoado, um assentamento sem municipalidade. O Guia de São Pedro adiciona que se trata de uma pequena aldeia em cujo interior se encontram imagens de antigos tempos coloniais, também tem artesanato de camelídeos (mamíferos da família dos camelos) e lã de ovelhas. A igreja de São Bartolomeu é uma das mais antigas do norte do Chile, logo possui um histórico significativo. Estamos a 3300 m. Há a plantação de quinoa e alfafa. Possui 120 habitantes e foi construído em 1400 pelos incas.

As águas dos lençóis freáticos vêm de debaixo da cordilheira, são mananciais naturais. Eram glaciares 50 milhões de anos atrás. A estepe alto andina é um tipo de vegetação das montanhas. A paisagem é mais verde. Vicunhas (camelídeo andino) e viscachas (coelho roedor) são vistos. Estamos subindo as montanhas. O guia Duncan nos dá uma aula sobre camelos. Há os domesticados: lhama e alpaca (não da região) e os selvagens: guanaco (de face acinzentada) e vicunha (vive nas altitudes e em harém: 1 macho para 15 fêmeas). As vicunhas não atacam as pessoas, não têm vesícula biliar, por isso bebem água salgada, são herbívoros e precisam de sal, buscam água das lagunas e salares.

Paramos para o café da manhã em uma parte que é um rio flutuante, seco no momento. Os guias e motorista montam a mesa ao lado do micro-ônibus em 10 minutos. Que fome! Conheci duas chilenas de Santiago queridas: a Leontina (Leo) e Arellys. O café foi farto: água quente, chá, chocolate e café em pó, de frutas melancia, kiwi e pepino (parente do melão), salame, queijo, pães/croissants deliciosos, geleia de morango, manteiga e guacamole (de abacate). Muito rica a experiência. E com gente de diversos países.

Vemos o vulcão Meñiques de 4200 m. O guia explicou a razão de não chover no Atacama. A região de Antofagasta, do norte do Chile, é a mais ampla e há quatro cordões montanhosos, começando na Patagônia e indo até Nazca no centro-sul do Peru. O quarto cordão montanhoso é a Cordilheira dos Andes, suas paredes naturais não deixam as 60% das nuvens chegarem, então elas regressam ao oceano. Por isso as poucas nuvens. Ou seja, as cordilheiras atrapalham as chuvas. Chove a cada 2 ou 4 anos, 80 mm por dia, nesse verão passado choveram nove dias. A região de Antofagasta ao norte e Magalhães ao sul. As nuvens não vêm do Oceano Pacífico, os ventos alísios vêm do leste para oeste, aí ocorrem as chuvas. Mais ao norte a 500 km de São Pedro se encontra Quillao, onde chove a cada mil anos, portanto é considerado deserto absoluto.

Mais informações: as lhamas são domesticadas desde 2000 a. C. Carregavam 50 k por 40 km, eram usadas para transporte. As “pascanas” eram lugares de descanso para lhamas e pessoas. O povo que vivia na região era os lican anthay, “lican” significando povo e “anthay” terra.

Chegamos ao Salar de Aguas Calientes (ou Piedras Rojas) na Rota do Deserto. Há a base para a banheiros. Depois rumamos ao sendero (passarela) com caminhada de uma hora para fotos, o mirante é lindo. Vemos montanhas, com o salar embaixo. Difícil respirar, tem que caminhar devagar. O complexo vulcânico Meñiques, com formações rochosas de pedras de erupção vulcânica, crateras, cúpulas de lavas e fluxos (até 5910 m). O vulcão Aguas Calientes ou Simba (5924 m) tem lavas e não tem pedras. Os senderos são de pedra, areia e cascalho. Seguimos parando de vez em quando, por conta da respiração até o lago de sal. Boa caminhada sem muito vento, ainda bem. Esperávamos um tempo ventoso. A laguna se alimenta de água submersa a 40º C que passa pela orelha e sai fria. A respiração é bem complicada. O nome de Piedras Rojas é por conta do ferro existente.

Caminhada desafiadora com tanta altitude, sol e roupas pesadas. Começamos a sentir calor e eu sentindo a cabeça doendo um pouco. Na Rota do Deserto, existem as lagunas Meñiques e Miscanti.

O Guia de São Pedro do Atacama nos diz que pertencem à Reserva Nacional de Flamencos. A avifauna é composta principalmente de flamingos, Caitis, tagua-cornudas e guallatas. Das duas lagoas altiplanas, sobressai Miscanti, por seu grande comprimento e largura. Estão localizadas a 117 km ao sudeste de São Pedro do Atacama, a cerca de 4300 m.

Miscanti significa “lugar de sapos”. Sua cor azul e verde é de chamar a atenção. Não se toma banho, tem 15 km². 30 m de profundidade, mescla água salgada e doce. Tem recargas de infiltração de água de chuva do tipo subterrâneo e termal. Sua descarga é subterrânea e por evaporação. Sua superfície congela no inverno com temperaturas abaixo de zero. Chega a -30º C. As lagoas Miscanti e Meñiques se conectam entre si por baixo da superfície. Flamingos, gansos andinos e vicunhas se encontram no local.

Levem folhas de coca para mascar. A altitude nos faz sofrer. Ufa! Viagem para fazer enquanto se tem joelho e pernas bons.

Os parques da região são administrados pelo SOCAIRE, os guardas parques trabalham em turnos e são indígenas. O Duncan nos informou que são os próprios indígenas que administram os parques.

As visitas são rápidas, mais para fotografias. Vale demais. Na laguna Meñiques, vimos vicunhas na água. De tamanho menor e linda igual. Um grupo de franceses estava lá. Europeus e americanos frequentam muito o Atacama. Observamos lhamas na volta, é um alívio estar descendo.

Agora seguimos para ver a placa do Trópico de Capricórnio. Latitude 23º 26´16´´. O guia Duncan esclarece sobre as linhas divisórias do Trópico de Câncer, do Equador e do Trópico de Capricórnio.

Prosseguiremos para a laguna altiplana Chaxa para ver os flamingos. Está no caminho de Peine (aldeia) e não de Calama (cidade). De acordo com o Guia de São Pedro, foi declarado Monumento Nacional em 1982, Peine é um protótipo dos povos abertos atacamenhos. É possível ver pictogramas interessantes sobre a parede de pedra da Quebrada de las Pictographs.

Os flamingos são aves migratórias. Os do tipo chileno e andino viajam pela Cordilheira dos Andes. Os do tipo James vêm da África, não se misturam, são monogâmicos e os encontrados em Chaxa não se sabe se são machos ou fêmeas. Comem microcrustáceos o tempo todo. O Duncan sempre ensinando. Conhecemos a lagoa, mas estava muito calor e lá há uma casa base com banheiros. E nós empacotados de roupas…

A lagoa Chaxa é rasa com sal em uma formação incomum e fauna magnífica de flamingos de cor rosa. Localiza-se a 62 km ao sul de São Pedro. É local protegido e faz parte da Reserva Nacional de Flamencos, conforme o Guia de São Pedro.

Em Toconao, entramos na ponte do mesmo nome. E vimos a Quebrada de Jerez com água embaixo das rochas da cordilheira, estilo Grand Canyon (EUA) em miniatura. Também conhecida como Ravina de Jere, regada pelo rio Toconao. O Guia de São Pedro adiciona que tem um clima especial para a produção de frutas como peras e marmelos. No local há piscinas e flora abundantes, sendo as espécies de plantas mais comuns o “rabo de raposa” e o cacto.

Na volta, almoçamos pela empresa de turismo com a turma legal no restaurante El Diablillo (rua Le Paige, 502) que oferece carne de lhama, guanaco e avestruz. Comemos pratos combinados e fomos tirando as roupas de frio, pois em São Pedro estava o maior calor. O ônibus foi para outro lugar e do restaurante fomos andando para o hotel. Estava com uma dor de cabeça persistente. A simpática chilena Leo me deu um remédio no percurso, porém tive que tomar outro depois, além de um chá de coca no hotel. Motivo? Privação de sono, mudança de clima radical e altitude.

Obs: o Levi da agência Sol Andino tinha razão: o café da manhã foi às 9 h e o almoço quase 16 h, era necessário levar um lanche, levamos bananas, mas não foram suficientes. Não há estrutura de cafés e lanchonetes pelo caminho, e nem banheiros pelo motivo de estarmos no deserto e em lugares protegidos.

Que aventura de uma vida! Passeio imperdível. Deserto do Atacama irresistível.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Dia 7 de outubro de 2023. No café da manhã no hostal Terracota conhecemos a Paulina, cunhada da Sarita (proprietária), que trabalha na pousada também, além da Yobi. Que funcionárias mais queridas: a Yobi e a Paulina.

Fomos ao centro dar uma passeada. De manhã mais cedo é sempre mais fresquinho, o calor vem ao longo da manhã, aí é perigoso estar no sol. Na praça principal (Plaza de Armas), vemos pessoas da cidade vestidas com roupas de folclore indígenas acompanhadas de banda de música a cantar, dançar pela praça e entrar na igreja de São Pedro do Atacama. Era homenagem a um santo, me disseram. Mais tarde saíram em procissão com o padre e retornaram à igreja. Lembrei do sincretismo religioso da nossa Bahia, no caso: cultura indígena e catolicismo.

Detalhes sobre a Igreja de São Pedro: o blog: https://todososrumos.com nos diz que se trata do principal símbolo turístico do povoado. Construída em 1774 pelos jesuítas espanhóis, suas paredes são feitas com adobe e seu teto com madeira de cacto e couro de lhama, no lugar de pregos. O uso de madeira de cactos exibe uma técnica característica dos povos andinos. Foi declarada Monumento Nacional em 1951. Branca como a neve, é localizada na Praça de Armas e é um legado arquitetônico dos antigos colonizadores espanhóis e foi a partir de sua construção que o povoado foi se consolidando. A torre foi acrescentada em 1890.

De lá atravessamos a Feira Artesanal e chegamos ao restaurante Delícias de Cañaveral novamente. Fui repetir o suco de abacaxi (piña) maravilhoso, comi a segunda empanada do dia anterior de tão grande que era, achei que era napolitana, mas era caprese (do Empório Andino). O Carlos pediu comida mesmo.

Foi um sufoco conseguir as entradas para as Termas de Puritama, com águas termais de 28º a 31º C. A combinação com o Levi da agência Sol Andino foi a seguinte: a van nos pegaria entre 13 h e 13h40 no hostal. Ir de tênis ou bota, mas levar chinelo, pois estaremos dentro de uma quebrada. O valor: na base de 60.000 pesos (agência mais a entrada na reserva). Em reais: R$337,20. Ressalto que há desconto quanto mais passeios você compra na agência e pela idade. Detalhe: em São Pedro nossos pisantes ficam cheios de poeira, as roupas também. Todo mundo vestido de roupa de turista, nada chique. O lugar é seguro, depois das 11 h da noite há pouca gente nas ruas, porém no centrinho sempre há movimento. Engraçado que caiu a sola das minhas botas, ainda bem que levei tênis, pois não há sapateiro em São Pedro.

Ás 13h30 a van da agência Lourdes Expediction Spa nos pegou. O passeio é até as 18 h. O motorista Edwin diz que são 45 minutos para chegar lá (uns 30 km). Subiremos de 2400 m a 3400 m. Se alguém passar mal, tem que avisar. Devemos beber muita água, se não desidrata rapidamente. Vimos o cemitério enorme com muro de barro. A cidade é marrom, de tanto muro de barro e ruas de pedregulho e areia.

Vemos o vulcão Licancabur (5950 m) no horizonte, metade no Chile e metade na Bolívia. Estamos a 60 km da fronteira com o país vizinho. O Salar de Uyuni é próximo. Há passeios de 3 dias (somente ida) ou de 4 dias (ida e volta) com carro apropriado para tal jornada.

Na Reserva de Conservação de Puritama, vemos uma placa com nomes de animais em extinção: gato do deserto, gato andino, suri (tipo de ema), raposa colorada ou andina, vizcacha (um coelho grande) etc.

A van chegou no estacionamento, estava concorrido. Descemos por entre as montanhas de pedras, depois por uma passarela de cor vermelha. Descer é fácil, mas subir, socorro! Alcançamos as cabines de trocas de roupas para mulheres e homens separadamente. Cabines muito simples, mais umas casinhas sem portas separatórias. Tinham armários sem chaves, isso foi chato, por isso todo mundo preferiu deixar seus pertences no chão perto da piscina natural térmica. Eram muitas e no chão. Sinceramente, achei muito rústico, mereceria uma estrutura melhor. Penso que não há cafeteria, porque é uma reserva, não há nem onde comprar água. Logo, tem que levar e se preparar. Para quem conhece Pucón, no centro do Chile, e suas termas fantásticas com estruturas elogiáveis, fica decepcionado. O que vale mesmo no local é o banho de águas de 32º C, relaxantes.

Ficamos umas 2 horas na mesma piscina e conhecemos um bocado de brasileiros de norte a sul. Tinha uma minicascata mais adiante, uma delícia. Que frio na saída. A região mais parece um oásis no meio do deserto.

Na volta, o caminho era mais íngreme, e fomos convidados a retornar de carro com o funcionário do parque, nós e outras pessoas mais idosas. Gostei da gentileza. A estrada é de terra de vulcão, escura.

Na van percebemos o vulcão Sairecabur, montanhas ao lado, no mais, vegetação de deserto, tudo bastante árido. Passamos pelo povoado de Guatin onde vivem de fazer queijo e trabalham nas minas lá perto. Os aventureiros fazem trekking por lá na Quebrada (declive de montanha) de Guatin. Deve ser um passeio lindo para ver cactos gigantes e pequenas cachoeiras emmeio à natureza do deserto.

O motorista nos deixa na rua Caracoles e de lá rumamos ao Rincón del Sal para a nossa sopinha crema de verduras.

Mais passeios em breve… Piedras Rojas, um local fabuloso.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Tour Astronômico

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Tour Astronômico

Dia 6 de outubro de 2023. É noite, está frio e nós esperando o passeio do Tour Astronômico. Por dica do Alan, paulistano aventureiro, descobrimos o Empório Andino (rua Caracoles, 151). Aconselho demais, as empanadas são enormes e deliciosas (3500 pesos chilenos cada). Há também doces e cafés. O maior movimento. Pedimos duas empanadas cada um, e me arrependi. Pois é muita comida, basta uma. Pedi uma de frango e outra napolitana, mais café com leite. O Carlos pediu o mesmo, mas com suco de morango. O clima da cidade à noite é vibrante. E o friozinho de uns 20º C, bem agradável.

Às 21h30 estamos na própria Caracoles em frente à agência Sol Andino Expediciones. O céu está limpo novamente, as nuvens foram embora, então vamos ao Tour Astronômico. O brasileiro Levi, funcionário da agência, nos leva a pé à Praça do Turista (onde ficam as vans e os turistas sentam nos bancos) lá perto e entramos na van com um guia. Somente certas agências de turismo fazem o passeio. Somos um grupo de três chilenos, um peruano, nós brasileiros e uma sul-coreana.

O Tour Astronômico é algo original. 10 minutos da cidade de São Pedro e estamos em um observatório astronômico para ver as estrelas, muito escuro e ermo. Os guias mostram estrelas e planetas com uma caneta laser, estamos divididos em dois grupos: um fala em espanhol e o outro em inglês. Lá sentamos em uma parte alta e tiramos 3 fotos com um fotógrafo profissional. Aliás, recebemos depois pelo Whatsapp do Tour (SOL ANDINO COSMOS.OBS) e elas ficam espetaculares, com o Cosmos atrás da gente. Levamos um binóculo para nos deleitar com a majestade universo. A lanterna do celular ajudou no caminho de tão escuro que era. Bom se agasalhar também, pois no descampado faz mais frio ainda.

Do local andamos até a base a fim de comer snacks (queijo, chocolate, bolo) e tomar vinho e pisco sour . Que bebida mais gostosa. Tudo à vontade.

De lá vamos a pé ver os telescópios, o menor, o maior e um digital. Os dois guias são treinados em astronomia, sabem muito e são apaixonados pelo assunto. Gostei da aula sobre estrelas e planetas. Somos estrelas mesmo, parte do Universo. Aprendi muito. Vimos os planetas Saturno “e seus anéis” e Júpiter “brilhante” pelos telescópios, e a estrela Antares, de cor vermelha, significando que está no fim de sua existência. Implodem e explodem. Testemunhamos gases no céu. Para quem gosta de astronomia, a observação causa uma sensação de felicidade. O deserto do Atacama proporciona o céu mais estrelado e limpo do mundo, é o lugar ideal para isso pela altitude elevada, baixa umidade e clima árido. À noite a temperatura cai e o escuro permite uma visão esplendorosa do céu.

Por curiosidade, é lá no deserto do Atacama que as instalações se localizam, a 35 km do centro de São Pedro, seguindo pela Rua 23. São aqueles telescópios gigantes que vemos na TV. Confesso que achava que o Tour Astronômico era a visitação ao local, mas não. Os telescópios fazem parte do Projeto ALMA. De acordo com o blog: https://fuiegosteitrips.com.br: “O céu do Atacama é tão incrível que diversos países e organizações se juntaram para formar uma associação e investem juntos em muitas pesquisas. Com isso, foram instalados muitos telescópios poderosíssimos. O Projeto Alma (Atacama Large Milimeter Array) estuda a radioastronomia e, para tanto, utiliza radiotelescópios, gigantescas antenas parabólicas. O ALMA, aliás, foi o primeiro no mundo a tirar uma foto de um buraco negro!” Conforme o mesmo blog, depois da pandemia as visitas foram suspensas.  Eu realmente não vi nenhuma programação turística para conhecer o lugar.

Na noite estrelada, conversei bastante com a sul-coreana em inglês, amei! Um doce de pessoa, viajando só, depois iria a Foz do Iguaçu, uma aventura. Falei que amo os doramas (seriados coreanos da Netflix) e ela riu, achou ótimo.

Atraí o que mais queria na viagem: ver um coreano do sul e tomar pisco sour. Matei a vontade. Aliás, segundo a Wikipédia, pisco é uma bebida alcoólica produzida a partir de uvas sem adição de nada, nem água. Baseia-se fundamentalmente na destilação do mosto proveniente de uvas. O coquetel, típico do Peru e Chile, que não é cachaça, é preparado à base de pisco, limão, xarope de açúcar, podendo ou não usar clara de ovo.

Nossa altitude de 2400 m requer muito chá de coca e folha de coca para mascar. Estamos no deserto mais seco do mundo. O passeio acabou pela meia-noite, deixaram o povo na Praça do Turista, estávamos todos radiantes. Já nós fomos de carona com os simpáticos condutor e guia até o nosso hostal Terracota, era o caminho deles. Foram gentis em oferecer carona para a sul-coreana também, afinal era bem tarde e ela uma jovem mulher. Gostei da atitude. O Tour Astronômico é imperdível.

Prosseguiremos com mais passeios em breve.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Dia 6 de outubro de 2023, sexta-feira. Estamos no hostal Terracota. A dormida foi reparadora e o friozinho pela manhã agradável. Deserto é assim mesmo: calor e frio no mesmo dia. Outubro é um mês bom para estar lá. Compramos as passagens do Caetano Alencar da agência de turismo Grandes Viagens em Fortaleza, dica também da Sandra e do Max. O Caetano tem muita experiência em viagens pela América do Sul.

Voltando ao hotel, no momento só tem a gente de hóspedes. Detalhe: vi recente que colocaram a placa com o nome da pousada, que bom. A atendente Yobi é boliviana, um doce de pessoa. O irmão da Sarita, proprietária, mora ao lado em uma casa cujo muro é de galhos secos, bem interessante. Vamos ao café da manhã: tudo é servido na mesa de pouco, mas suficiente: banana, pedaços de maçã e laranja, presunto, queijo, salame, biscoitos, bolo, café e leite, sucrilhos, iogurte, ovos mexidos, um desayuno rico. Aprovado. Depois, ficamos admirando o local, um sítio em plena natureza, um oásis no deserto. Sempre bom mascar as folhas de coca, pois a altitude de 2407 m não brinca, para respirar é custoso. Na Internet vi 2500 m.

E fomos passear: Praça de São Pedro, onde está a prefeitura (Municipalidade) e os Carabineros do Chile (Polícia Nacional). A feirinha é toda colorida com artesanato, comidas, bandeirinhas a enfeitar as árvores, demonstrando ser uma cidade pacata do interior. Não preciso dizer que uma banquinha tinha a bandeira do Rio Grande do Sul: é uma gaúcha casada com um rapaz nativo e vende doces e salgados brasileiros. Entramos na Igreja Matriz, de 1557, com chão e teto de madeira e branca por fora. Simples e rústica. Rumamos ao local onde se localiza a Feira Artesanal, muitas bancas com artesanatos diversos, ótimo para as lembrancinhas. Amo o artesanato andino, produtos de lã de alpaca, bolsinhas, tudo é colorido.

Falando com a Yobi, ela nos deu dica de restaurantes onde os nativos comem e lá fomos nós após a feira de artesanato. Saindo pelos fundos do local, andamos um pouco e encontramos restaurantes, estilo quiosques, um ao lado do outro. Gostamos do Delícias de Cañaveral e pedimos: frango ao forno com batatas fritas e salada mista a 4 mil pesos (uns R$22,00), além de suco de abacaxi e de morango. O de abacaxi da fruta foi o melhor que tomei até hoje. Muitas opções de comida: se pedir a entrada, mais o prato principal e dois agregados, sai 6 mil pesos (uns R$33,00). Para nós, seria muita comida.

Esses restaurantes do povo da terra são os imperdíveis, na minha opinião. A gente observa e conhece os costumes locais. Há gatos e cachorros ao lado, percebi muitos cachorros pelas ruas de São Pedro. Pelo menos, as pessoas cuidam deles, colocam água na porta da loja e dão comida. Ao meu lado, sempre aparece um ou outro, afinal amo animais. Segundo o garçom, existem mais cachorros do que gente. Sem dúvida, o rapaz tem sendo de humor.

Pela cidade, há canaletas de onde a água vinda da Cordilheira dos Andes passa. Lembrei de Mendoza na Argentina (do lado oposto da cordilheira). Em São Pedro, chove muito pouco por ano, a chuva vem da Bolívia, país fronteiriço, mas é algo raro. Os moradores molham a rua, as calçadas e os muros, tamanho o clima seco.

Passamos na pracinha de novo, depois do almoço, um calor de rachar e um sol perigoso fica amenizado debaixo das árvores pimento e algarrobo.

Recebemos o aviso via fone (do chip do Chile que ganhei do Levi da agência de turismo Sol Andino) que o parque Valle da la Luna estava fechado, devido aos ventos de 60 km/h, os quais trazem tempestades de areia. Que fato inusitado! Ruim para a saúde dos olhos e dos ouvidos. Logo, o passeio da tarde foi cancelado. Vamos então aos Museus do Meteorito e do Padre Gustavo Le Paige. No caminho, nos encontramos com o Alan, jovem aventureiro de SP, na fila do banco (uma porta para tirar dinheiro). Dou a dica do Museu do Meteorito e ele dá a dica de umas empanadas incríveis: Empório Andino na Caracoles, 151. Ficamos sonhando com o jantar da noite.

Chegamos no Museu do Meteorito, na rua Tocopilla (nº 201), direto, porém estava fechado, que pena. O horário é das 18 h às 21 h. Expõe 77 meteoritos encontrados no deserto. Acabamos não indo. O Alan foi e gostou, o lugar é pequeno e único.

As cercas das casas feitas de galhos e as ruas de pedregulho fazem de São Pedro um lugar diferente. Continuamos caminhando, quero conhecer o museu Gustavo Le Paige. Antes era no centro, na pracinha, porém mudou para bem mais longe e sem sinalização, as ruas sem placas tornaram a dificuldade maior. Merece ser mais divulgado entre os turistas, nós fomos, porque gostamos de museus.

Quem era Gustavo Le Paige? Jesuíta, arqueólogo, de origem belga. Escavou cemitérios arqueológicos pré-hispânicos. Estão expostos diversos tipos de cerâmicas: polida, manifestação material dos povos pré-hispânicos; monocromática, de pastas e paredes muito finas com tratamento de superfície polida, dando a impressão de estar lustrada; vermelhas; negras etc. Domesticação das lhamas, cestos do Atacama, instrumentos musicais como flautas, trompetas, ocarinas, gorros com bandanas e calota craniana etc. Prática fumatória e inaladora: os indígenas consumiam vegetais com conteúdos alcaloides capazes de gerar alucinações e alterar o estado de consciência em 200 d. C. Túnicas, bolsas com estampas da região. Minerais de cobre usados como oferendas nos rituais religiosos e para lapidação. Mostra de tapeçaria enlaçada e com fibra de alpaca. Túnica Tiawanaku (ou Tiuanaco-sítio arqueológico pré-colombiano no oeste da Bolívia, perto do lago Titicaca) com estampa de pássaro antropomorfizado. Linda! Museu pequeno, situado em contêineres, mas muito válida a visita. Com informação para cegos. Foi uma boa caminhada.

A rua Caracoles é a principal do centro, o “point” de comércio e agências, lojas, restaurantes, me lembrei da rua Broadway em Canoa Quebrada, Ceará. Uma delícia caminhar e ver o movimento seja de dia, seja de noite, lógico que à noite o clima frio é sempre mais aprazível.

O Levi nos disse que os ventos estavam em 53 km/h. O passeio do Vale da Lua foi adiado mesmo. Então decidimos pelas Termas de Puritama no sábado: 95 mil pesos: excursão e ticket de entrada para ambos, em reais R$525,35. Na sexta mesmo à noite, escolhemos o passeio do Tour Astronômico, 50 mil pesos chilenos para ambos: R$276,50. Era para ser às 21 h, mas por conta do tempo nublado só saímos às 21h30. A gente ficou olhando o céu, esperando as nuvens se dissiparem.

Continuaremos em breve com passeios incríveis.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Dia 04 de outubro de 2023. Saída de Fortaleza a Guarulhos (São Paulo). Saímos às 15h45, mas só chegaríamos em São Pedro do Atacama ao meio dia do outro dia.

Dia 05 de outubro de 2023. Guarulhos (SP)-Santiago do Chile, de lá a Calama. Que viagem! Por motivos de greve de terceirizados, atrasou em Fortaleza e em Guarulhos, por isso a LATAM mudou nosso voo para Calama (norte do Chile), melhor. Em Guarulhos, no setor internacional, implicaram com minha almofada de gel, quase não me deixaram passar. Sempre viajo para ficar mais confortável. Em lugar nenhum isso acontece, fiquei perplexa. De Guarulhos a Santiago, serviram frutas, chocolate e um sanduíche de frango, melhor do que o usual servido nacionalmente. É bom levar lanches, pois sentimos uma fome danada em avião.

Em Santiago, no aeroporto Arturo Merino Benitez, saímos do Terminal 2 (internacional) para o 1 (nacional). A mala do Carlos foi direto para Calama, o que nos deu um susto. Ainda bem que um funcionário em Santiago foi desenrolado e nos informou corretamente sobre a bagagem. A minha chegou em Santiago, logo tive que fazer o check-in da mala, despachá-la e passar pela alfândega, logo entramos na fila de checagem. Corremos para alcançar o balcão 27 do T1. Como brasileiro sempre conversa e se ajuda, conhecemos ali mesmo os paulistanos Irene e seu filho Dudu, e o Alan que viajava só. Rapaz jovem corajoso na sua primeira viagem internacional. Todos nós ansiosos pelo deserto do Atacama. O Carlos na sua segunda estada lá. Detalhe: não deu tempo para comer nada, somente tomar um suco de pêssego. Todos os voos lotados, incrível, em plenas quarta e quinta-feira. No voo para Calama o lanche foi gostosinho, mas com muito sal e calórico, da marca Tribu: suflês veganos com farinha de grão-de-bico, feitos com pasta de amendoim e com sal do mar. Fazer o quê? Comer. Em suma: Fortaleza-Guarulhos: 3h15 de voo; Guarulhos-Santiago do Chile: 4h24; Santiago-Calama: 2h44, ufa!

Chegados a Calama, província de El Loa na região de Antofagasta, que é uns 100 km de São Pedro, fomos logo ao guichê da TRANSVIP, o transfer que havia consultado antes pela internet. Ida e volta por 25. 800 pesos chilenos (R$138,55). Pagamos em dinheiro (havíamos comprado uns pesos em Fortaleza para garantir). Deixamos a volta combinada para o dia 11 de outubro e nos pegariam às 5h15, cedo demais, mas era o jeito. Detalhe: em São Pedro o melhor a levar é dólar. Trocam reais também.

Pegamos o transfer e lá vou eu prestando a atenção ao caminho, Calama é a terra do sol e cobre. Estamos no deserto, tudo é muito claro e árido. Não há vegetações. Vejo casas coloridas e prédios altos. A cidade é espalhada. Por conta de São Pedro, muitos estrangeiros passam por ela. Há parque de usina eólica e solar por aqui. As outras localidades da região do deserto possuem nomes indígenas: Tocopilla, Paco Sico, Toconao. Estamos na estrada CH 23, bem sinalizada e de boa qualidade.

A van nos deixa no hostal em São Pedro do Atacama, que não tem placa: Terracota (Tocopilla, 517). Descobri no Booking.com, preço razoável e lugar promissor. Amamos à primeira vista, é um sítio com plantas, árvores, gatos e cachorro. A simpática funcionária Giovana ou Yobi e a proprietária Sarita nos deixam à vontade, pagamento, só depois com calma. A Yobi nos mostra a cozinha e fala sobre o café da manhã. Há chás em sachês, extratos secos ou em folhas na mesa sempre a postos, inclusive o de coca, muito útil por conta da altitude (estamos a 2500 m), pois ameniza a falta de ar e o cansaço. E a água é livre, uma dádiva, uma vez que tomamos muita, por conta da secura do deserto.

Além de cansados demais, estávamos esfomeados. Sinceramente, não vale a pena ir direto, valeu pela experiência de saber que não faremos isso novamente. Melhor, passar um dia ou dois na capital Santiago na ida ou na volta.

Deixamos a bagagem no quarto e saímos para almoçar, eu estava passando mal de fome. O hotel é muito bem localizado, perto do centrinho. A cidade é pequena. Descobrimos o Café Adobe Restaurante, na Caracoles, 211 (com calle Tocopilla). Excelente, comida fina, de chef: frango, molho de tomate e purê de batata especial, além de suco de morango. Encontramos a Irene e Dudu lá. Salve! Na rua Toconao, muitas casas de câmbio. La Llamita, loja de lembrancinhas ali perto.

O povo da terra, percebe-se, é descendente dos indígenas atacamenhos. São Pedro é peculiar, nunca vi lugar igual, é exótico. As ruas de areia, turistas mil. Muitos brasileiros. Se anda a pé, tem uma farmácia, mercadinhos, sorveterias, lojas mil, restaurantes, gamei total. As casas são baixas, têm cor ocre, a cidade tem cor de barro. Muito interessante. O clima de deserto é diferente: de dia muito calor, o sol forte e à noite, frio. Como era outubro, estava suportável o calor e agradável o frio.

Á tarde, “desmaiamos” de tão exaustos. Já à noite, fomos passear. Descobrimos em frente ao Café Adobe, o Rincón del Sal (Caracoles, 218) com opções de comidas, pizzas e… sopa! Crema de verduras por 4500 pesos (R$24,16). A vida é noturna, as ruas ficam vivas, o clima mais suave, achei similar à night de Jericoacoara e Canoa Quebrada no Ceará.

Há de se tomar muita água, pois estamos no deserto mais seco do mundo. Umidade de 10%, é bom evitar carne vermelha, frituras e álcool à noite. E proteger os lábios. Deram a dica de comprar Blistex na farmácia.

Já chegamos a São Pedro com a dica de uma agência de turismo. Obrigada, Sandra Ximenes e Max Krichanã. Sol Andino Expediciones na rua Caracoles, 362. O brasileiro Levi e o colega boliviano Ronaldo, muito solícitos. Ganhei um chip do Chile do Levi, o que se mostrou muito válido. Todas as combinações de turismo são feitas via Whatsapp ou telefonemas. Aliás, muitos bolivianos trabalham lá, é cerca da fronteira com a Bolívia. Na agência, fizemos logo as combinações para os passeios. Muitos viajantes já vão com tudo pago, mas nós gostamos de decidir no momento da chegada. Compramos o passeio ao famoso Valle de la Luna, (Vale da Lua) das 15h45 às 19h30. Eu paguei 40 mil pesos chilenos (R$215,64) e o Carlos 35 mil pesos chilenos (pela idade: R$187,74).

Não resisti a um sorvete na Heladería Babalú (Caracoles, 140) e fiquei encantada com tantos sabores originais: rica-rica (erva com propriedades calmantes), flor do deserto (flor), laranja com gengibre, pera de Páscoa, banana com amora, laranja com cenoura, selva (floresta) negra, frutos vermelhos etc.

São Pedro do Atacama cativa desde o início.

“Quadrinhos”? mas que diabéisso?

“Quadrinhos”? Mas que diabéisso?*

Por Max Krichanã*

A biblioteca laboratório HQLab, que é o embrião do que um dia seja o museu do Instituto de Educação e Pesquisa em Arte Sequencial, propõe-se a estimular pessoas de todas as idades a, basicamente, ler — contudo diferenciando-se de outras bibliotecas por ser referência especializada em HQs e buscar tornar a leitura uma atividade de vários modos interessante e produtiva, não somente como fim em si mesma, mas a partir da utilização dirigida do acervo (em mais de 5 idiomas) disponível.

HISTÓRICO

O HQLab teve início ao ser instalado, em maio de 1998, como acervo anexo da biblioteca George Washington do Instituto Brasil-Estados Unidos no Ceará (IBEU-CE), na sua sede da Aldeota, sob a denominação “Biblioteca de Arte Sequencial Richard Felton Outcault”, tanto em homenagem ao criador da comic strip Hogan’s Alley (que estreou em jornais de Nova York em 1896, destacando o personagem Yellow Kid), como para justificar sua participação nas atividades culturais de uma escola de idiomas. Em sua inauguração, o projeto recebeu a visita do jornalista, quadrinista e escritor Álvaro de Moya, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, que afirma ser aquela data — 1896 — o marco do “nascimento” do gênero comic art, equiparando a idade dos quadrinhos à do cinema. Notável autoridade brasileira em HQs (pesquise sua biografia!), Moya participou, junto a outros palestrantes, de uma semana de atividades nas dependências do IBEU-CE, incluindo palestras, exposições e mostras, a exibição de curtas e documentários, a performance de atores, músicos e humoristas e uma feira de gibis, que atraíram a atenção de um público variado e atento à inédita programação.

A efígie do personagem Bolão, saída da pena do cartunista cearense Luiz Sá (1907-1979) — que foi para o Rio de Janeiro, na década de 1950, expor seus desenhos e trabalhar com cinema de animação e publicidade, criando a trinca de personagens Reco-Reco, Bolão e Azeitona para a revista O Tico-Tico — tornou-se a identidade formal da logomarca da BASRFO. Trata-se de uma homenagem a um artista da “terrinha”, cujos traços em curva são há mais de 70 anos reconhecidos e admirados em todo o Brasil. Luiz Sá, nascido num 28 de setembro, fez a data tornar-se o “Dia do Quadrinho Cearense”, por lei estadual exarada em 2017 pelo mandato do deputado Renato Roseno (PSOL).

Neste lançamento e enquanto perduraram as suas atividades abertas ao público, a BASRFO (que ficou conhecida como “Gibiteca do IBEU”) destacou-se por mobilizar diversas comunidades culturais da cidade, atraindo, além de quadrinistas e cartunistas, também ilustradores, designers, fanzineiros, humoristas, videomakers, cineastas, titereiros, atores, músicos, arquitetos, decoradores, estudante e outros interessados na Nona Arte — além, é claro, da mídia.

O aspecto central desta iniciativa foi disponibilizar, no contexto institucional do IBEU-CE, em ambiente adequadamente estruturado para a fruição pública, um acervo contendo milhares de edições de revistas, livros, coleções, obras de referência e materiais em áudio e vídeo, em diversos idiomas, associados especificamente aos comics ou “quadrinhos” ou, como grafou o artista norte-americano criador da personagem The Spirit Will Eisner, à “arte sequencial”.

Em 1999, uma avaliação produzida junto à opinião dos consulentes pela diretoria do IBEU-CE e funcionários da biblioteca George Washington demonstrou que a “seção de quadrinhos” havia se integrado e dinamizado a rotina da instituição, fidelizando um público que se dedicava assiduamente a conhecer o amplo espectro de histórias, abordagens e análises oferecidos pelo inacreditável acervo.

Assim, no intervalo 1998-2000, foram promovidos lançamentos de livros e folhetos de cordel, de fanzines e revistas em quadrinhos, e realizaram-se oficinas, exposições, palestras, recitais e debates, concretizando encontros diversos e toda uma difusão de conhecimentos, especialmente a partir de produtores e produtos culturais locais. O planejamento adequado destes eventos levou a sua realização a custos mínimos. Em maio de 1999, o evento Quadrinhos em Festa no IBEU comemorou o primeiro aniversário da biblioteca com uma semana ininterrupta de eventos, apresentando sessões de autógrafos em lançamentos, exibição de documentários e animações, performances de artistas, atores, humoristas e músicos, palestras, oficinas, exposições e a distribuição do fanzine bilíngue Yellowzine, editado junto à Tupynanquim Editora, como forma de homenagear os artistas cearenses do traço, do gesto, da palavra, da musicalidade e da imagem — em sua maior parte criadores que se juntaram à iniciativa do projeto para colaborar com o seu bom desempenho.

Após julho de 2000, a biblioteca laboratório deixou o IBEU-CE e passou a atender somente a estudiosos e pesquisadores, limitando seu acesso a especialistas, sem que o acervo tenha deixado de receber acréscimos. Percebeu-se a necessidade de desenvolver o foco potencial planejado para a iniciativa, aperfeiçoando sua estrutura e organização, de modo a permitir que o projeto prime por sua utilidade, interagindo pedagogicamente com os usuários de toda a rede de ensino, pública e privada.

JUSTIFICATIVA

A atualização e conservação do acervo e o incentivo às atividades do HQLab visam, portanto, a disponibilizar conhecimentos em um contexto dirigido, com o apoio de monitores pedagogos, onde o consulente (criança, jovem, adulto, idoso, alfabetizado ou não), ao escolher um título ou material de sua predileção, inclusive sugerido por seu(s) professor(es), seja capaz de optar por:

a) ler o material confortavelmente, cumpridas as exigências de segurança para o acervo;

b) solicitar a um “contador de histórias” (pedagogo voluntário) que o leia junto com ele;

c) solicitar a um “facilitador de leitura” (pedagogo voluntário) que o oriente para reconhecer letras, sílabas, palavras e frases (individualmente ou em pequenos grupos), caso o deseje, utilizando o material previamente selecionado;

d) pesquisar e aprofundar aspectos encontrados no material escolhido em outras obras e materiais associados (filmes, obras de referência, dicionários especializados, outras publicações análogas, outros idiomas etc.);

e) debater conteúdos pontuais com especialistas convidados;

f) participar de dramatizações, mostras e oficinas de desenho, leitura, escrita e roteiro;

g) ampliar conhecimentos sobre os grandes criadores da literatura universal, nacional e regional, que representam a grandeza da Nona Arte;

h) receber apoio e orientação para desenvolver projetos vinculados à arte sequencial, inclusive a publicação de jornais, livros, folhetos, revistas, fanzines, audiovisuais, blogs etc.

Entre suas atribuições, e naturalmente como parte de sua programação, o HQLab promove (desde 2022), no dia 28 de setembro, o evento “Ceará em Quadrinhos” no auditório da biblioteca da Unifor, reunindo palestrantes vinculados ao ensino e produção de HQs, e almeja:

i) promover outros eventos diversos que contribuam para, além de estimular a leitura e a escrita, incentivar e facilitar o acesso, a inclusão e a participação de seu público em diversas formas de produção de arte e de mídia;

ii) apoiar iniciativas de produção cultural e de inclusão social no âmbito das instituições educacionais públicas e privadas, que se mostrem acessíveis a todas as faixas etárias;

iii) difundir a importância da educação intelectual de crianças e jovens e o respeito aos valores e direitos humanos, ao trabalho, à convivência pacífica e à preservação do meio ambiente, visando a formação de cidadãos conscientes, responsáveis, produtivos, participantes criativos e solidários de seus cotidianos. Tudo isto, grosso modo, estruturado a partir, apenas, do incentivo dirigido à… leitura! O HQLab hoje fica no Meireles, e para uma visita dirigida marque horário usando a hashtag max.krichana na web.

*Comics: que diabéisso? é título de palestra enfocando mestres das HQs entre os séculos XVI e XXI

* Max Krichanã é jornalista, psicopedagogo, indigenista, gibitequeiro e organizador do HQLab-Laboratório de Arte Sequencial-Núcleo de Referência em HQ; publicou em Fortaleza na década de 1990 o periódico Jornal da Praia, com mais de 150 páginas de tiras em quadrinhos de autores cearenses; coautor em publicações que receberam o Prêmio HQMix e editor de folhetos de cordel junto à Tupynanquim Editora; foi homenageado em 2000 como “Personalidade do quadrinho cearense 1999” pelo Estúdio Graphlt com o troféu “Carbono 14”; promoveu diversos eventos, como o “Ceará em Quadrinhos” em 2022 e 2023 no auditório da biblioteca central da Unifor (Universidade de Fortaleza), em homenagem ao dia 28 de setembro, dia do Quadrinho Cearense; é ainda editor de diversos projetos de livros, tradutor, professor de idiomas e estudante de música. Paulistano, é radicado em 4townlazy (Fortaleza) desde 1989.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-últimos dias

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-últimos dias

Hoje é dia 14 de abril de 2023, sexta-feira, um dia que era para ser muito celebrado: o aniversário de 70 anos do Carlos. Fomos a Gramado sonhando com o nosso jantar especial, regado a um bom vinho. Porém… ele não estava se sentindo bem, tinha febre e tosse intermitentes. Infelizmente, todo turista é susceptível ao clima. Fomos a uma farmácia perto do hotel: farmácia São João (Av. Borges de Medeiros, 2540, salas 4 e 5). O farmacêutico Abimael muito nos ajudou, porque o Carlos quase desmaiou lá. Que susto! Eis um profissional de qualidade.

Mesmo sem vontade, o tempo passou e já era hora do almoço. Aconselho a Galeteria Di Biasi, muito boa. Endereço? Avenida das Hortênsias, 1885. O nhoque com molho funghi (um cogumelo desidratado e seco) e galeto valeu. Enfim, não foi o jantar sonhado, mas foi um almoço delicioso. Embora, o doente não estivesse animado, continuava a se sentir mal. Obrigada, garçom Adrian, por ter sido bastante solícito.

No hotel Sky Centro Hotel & Spa, o Carlos ganhou um vinho de presente. Atitude simpática, obrigada. O funcionário Rodrigo entregou. Apreciamos muito. A temperatura esfriou, caiu para 14º C, choveu, ouvimos trovões, aí queríamos ligar o aquecedor, mas não pudemos, pois o mesmo só é ligado quando a temperatura está no mínimo de 10º C. Aqui fica uma sugestão para o hotel: os turistas de clima quente não querem passar frio de jeito nenhum. O jeito foi ligar o ar-condicionado.

Após a sopa de capeletti no hotel, enfim decidimos enfrentar o hospital Arcanjo São Miguel (rua Madre Verônica, 396-Centro). A febre persistia e estávamos preocupados. Ainda bem que o pessoal do hotel nos auxiliou e lá fomos nós de Uber. Ficamos um tempão no hospital, o Carlos foi muito bem tratado, recebeu os parabéns de um bocado de gente, mas confesso que estava com medo de ser COVID de novo. Fez os exames necessários e saímos mais de meia-noite pelo menos aliviados, pois era uma virose. Detalhe: onde estamos conhecemos pessoas maravilhosas. O estafe do hospital foi um doce. Agora era tomar os remédios e se curar.

Dia 15 de abril de 2023, sábado. O sol apareceu fraquinho, já não chovia. O Carlos se sentindo um pouquinho melhor, que bom. Gramado não tem sinal de trânsito, é na base da educação mesmo: os carros param para os pedestres na faixa de pedestres. Há lojas com comidas e águas para os cachorros na porta. A avenida Borges de Medeiros é um shopping a céu aberto. Estamos passeando pela linda cidade. A Igreja Matriz São Pedro faz parte da Diocese de Novo Hamburgo. A loja de roupas Cavalo Marinho é minha velha conhecida. O Empório Essenza, com seus cosméticos feitos à base de uva e vinho, é no mínimo inovador. Aqui um adendo: no meu aniversário a gerente Sara me contactou por Whatsapp, achei incrível. De Gramado para Fortaleza! Ganhou mil pontos.

Almoço? No The Beck Restaurante. Na Garibaldi, 293. Um frango grelhado com arroz, batata frita e salada, o feijão foi cortesia por R$29,90? Um achado.

Em Canela, uma confeitaria bem recomendada: Ginger Haus Doces (rua Fernando Ferrari, 313, Vila Luiza). O banoffe (torta de banana originária da Inglaterra) e um café, delícia. Minha sobrinha/afilhada Natália e o namorado Mathias (moram em Porto Alegre-RS e aproveitam muitos finais de semana em Gramado) me pegaram no hotel e me levaram lá à tardinha, o Carlos com febre intermitente não foi. Obrigada, casal querido, foi muito bom ter estado com vocês.

Fomos à rodoviária a pé a fim de comprar as passagens para Porto Alegre. R$67,00 para cada, escolhemos para as 10h45 do outro dia pela companhia Citral. São umas 2 horas e 45 minutos atá a capital. Passamos pela Praça das Etnias. Vimos a Casa Italiana, a Casa Alemã, a Casa do Colono e a Casa Portuguesa. 270 anos de colonização açoriana está escrito na placa. Na Casa do Colono, há doces, shimier (chimia-tipo de geleia para passar no pão ou colocar em doces), mel, quentão (bebida típica do RS no frio), waffle, biscoitos, uma loucura. Ou seja, Gramado é uma festa culinária. Ainda há o Galpão do Imigrante ao lado da rodoviária com seus pães, cucas, doces, uau!

No Centro de Artesanato ali perto, vimos lindezas, acho o artesanato de Gramado algo irresistível, são bonecas de lã, louças, decoração para casa, banheiros, roupas de lã, uma fartura de belezas. Cruzamos a Rua Torta. Muitas lojas de couro legítimo pelo caminho e lojas de lembrancinhas. O turista endoida.

Com o ticket do Bustour tivemos direito a uma visita ao museu do Mundo de Chocolate da Lugano, av. Borges de Medeiros, 2497-Centro. Muito divertido ver ícones turísticos mundiais feitos de chocolate e em tamanhos grandes. Depois, prova de chocolate negro e branco, além de uma loja incrível com muito chocolate. Fantástico! Na cafeteria se ganha desconto de 10% com o ticket do Bustour. Tomamos café e sucos de morango e limonada. O morango no sul tem outro sabor por ser original da terra.

O almoço foi na rua Garibaldi, 271-Centro, com opções mais razoáveis: Ingate Beer Choperia & Petiscaria: à la minuta de frango (prato rápido por R$28,90) valeu a pena. Bem que meu irmão Ricardo deu a dica certa: fora das ruas mais badaladas, os restaurantes são bons e baratos. O jantar foi pizza vegetariana com coca na pizzaria Bella Notte do hotel Sky Centro Hotel & Spa.

Dia 17 de abril de 2023. Partida de Gramado, infelizmente, não deu tempo de comprar cucas na Casa do Colono, preferimos antecipar a saída para as 9h15, assim chegaríamos mais cedo em Porto Alegre, já que meus pais estavam a nossa espera. No ônibus, comemos cookies de aveia com castanhas da Marschner Sabores de Gramado.

Enfim, em POA, com direito à sopa de capeletti, vinho Malbec e pudim de leite condensado na casa do irmão e família. A cunhada cozinha muito bem. Obrigada, Família. Vida boa essa nossa.

No dia seguinte, rumo a Montevidéu no Uruguai. Mais escritas para depois.

Gramado-Rio Grande do Sul-2023-Museu Mundo a Vapor e Museu do Automóvel de Canela-quarto dia

Gramado-Rio Grande do Sul-2023-Museu Mundo a Vapor e Museu do Automóvel de Canela-quarto dia

Hoje é dia 13 de abril de 2023. O clima que estava bem quente começa a mudar, chove e tem neblina. Esfria bastante. O gaúcho é um forte por lidar com essas mudanças de clima.

O atendente do Sky Centro Hotel & Spa Jerônimo nos ajuda a comprar ingressos para os museus Vapor e do Automóvel pelo Tchê Ofertas online, vale a pena. Para maiores de 60 anos, é mais em conta. O motorista da Uber, Rafael, é natural de Natal-Rio Grande do Norte, um bom papo. Ele nos deixou na cidade de Canela, ao lado de Gramado.

Vamos ao museu Mundo a Vapor (Dom Luiz Guanella, 1247-Canela). Sempre quis conhecer. Conta a história das máquinas a vapor, o monitor Rian deixa tudo interessante. O museu dentro é colorido, com uma loja de lembrancinhas fantásticas, lanchonete, álcool em gel em todos os lugares, além de uma loja para tirar fotos antigas com roupas e decoração italiana. Do lado de fora, mas dentro do espaço do museu, muitas flores e árvores, e um trenzinho para passeio com fotógrafo na porta.

Vemos a miniatura da primeira máquina a vapor feita por James Watt, patentada em 1769. A primeira máquina de Heron de Alexandria do séc. I foi o primeiro experimento com vapor, era mais uma brincadeira. 1600 anos depois, em 1689, considerada a “era nobre”, aparece a máquina de Thomas Savery. Era usada para retirar água das minas de carvão, hoje é feita de maneira industrial. A pedra de carvão mineral era cinza e tóxica. A máquina era lenta, perigosa e as minas explodiam.

Em 1712, no País de Gales, o motor de Thomas Newcomen conseguia bombear água e mover cargas, porém ainda ineficiente. Já o escocês James Watt (1769), mencionado anteriormente, é considerado o pai da máquina a vapor e deu início à Revolução Industrial. Tirou a bomba e adicionou o volante, a válvula de gaveta e a câmara de condensação. Os cavalos de potência, ele usou como comparação com a máquina dele.

O primeiro veículo motorizado de 1801, um Puffing Devil de Richard Trevithick, da Cornualha, Inglaterra. A história do museu Mundo a Vapor vem de máquinas utilizadas para movimentar as serrarias dos irmãos Omar, Hermes e Benito Urbani. Vemos a primeira máquina criada por Omar aos 16 anos. Benito que teve a ideia de expor as miniaturas. O trem na frente do museu que faz parte do seu layout foi a Locomotiva 721 que sofrera um acidente na estação de Montparnasse em Paris em 1895. O trem andava a 60 km, mas era para estar a 30 km, logo atravessou a estação e ficou pendurado a 12 m. A locomotiva do museu veio de Sorocaba-SP e foi limpa pela Coca-Cola. Eis um museu único no mundo.

Agora o passeio pelos países com suas máquinas. Presenciamos o movimento. Reino Unido. Siderúrgica. Faz a apresentação de fazer um lingote (maleável) de chumbo com estanho. Tocamos nele. Vemos uma termoelétrica em miniatura, queima o combustível e mostra o funcionamento do vapor. Vergalhões e máquina a vapor 12 HP (horsepower). O relógio a vapor, existe outro em Vancouver-Canadá.

Itália. Olaria. Máquina a vapor vertical-18 Hp maromba. Tem argila dentro. Cria o tijolo maciço (10 g) que chega a 7 k no real. Telha prensa para moldar. Telha colonial encaixa uma na outra. Galpão para secagem de tijolos e telhas, depois iam para fornos a 1000º C, a temperatura ideal.

Alemanha. Rolo compressor a 15 km/h. Na década de 1920, na Alemanha, tiveram a ideia de pegar as locomotivas e adaptarem para rolos compressores com 5 m de altura de aço e ferro fundido, inspiração para os tratores na agricultura.

Holanda. Usina eólica. No séc. XII, os moinhos de vento moíam grãos. No séc. XIX, o gerador no moinho: catavento. Na década de 1970, as torres eólicas para até 6 mil residências.

Austrália. Pedreira. Separa pedras como se fazia há 150 anos.

Japão. Usina termoelétrica. Precisa de calor. Queima combustíveis fósseis-carvão mineral-vapor-turbina em movimento gerador ativado.

Estados Unidos. Fábrica de papel. Nova York 1888. Combustível ecológico mais correto: madeira de reflorestamento, queima lenha que gera o vapor, dá movimento e seca o papel. Atualmente, o vapor é usado para secar o papel.

Argentina. Fábrica de ervas (SÓQUE). Rodas de água, produção de chimarrão da árvore de erva mate (Ilex Paraguariensis).

Rússia. Usina Hidrelétrica. Há uma réplica de uma usina em miniatura.

Romênia. Moinho de pedra, roda d´água, moinho para o cuscuz: criação da polenta.

África do Sul. Trator a vapor de 1927 para arar o solo. Lenha e água como combustível.

Canela-RS. Serraria. 1939-indústria madeireira de árvore araucária, hoje protegida por lei. Motor a vapor movimentando a serraria.

Logo depois de volta pelo mundo, pegamos o trenzinho para o passeio final. Não quisemos fotos, mas achei uma boa sugestão para famílias com crianças, uma curtição. Aconselho o museu, fiquei surpreendida com tanto conhecimento e qualidade.

Algo a acrescentar: em 1963, a ferrovia foi extinta na região da serra gaúcha. Percorria Porto Alegre (POA-capital do estado) a Canella e alcançava toda a serra, a rota era POA-Novo Hamburgo-Taquara-Gramado-Várzea Grande-Canella (à época “Canela” era escrita assim).

Saímos do museu e fomos caminhando 1 km até o Museu do Automóvel de Canela. No caminho, almoçamos em um restaurante na beira da Avenida das Hortênsias, 3877: Maison Bercari Restaurante e Fondue, o buffet a R$29,90, preço maravilhoso. Comida caseira boa e de sobremesa: sagu e gelatina de uva com creme, delícia! Lá encontramos um casal de Teresina-Piauí, também turistas. Gente do Brasil todo na linda serra.

Entramos no Museu do Automóvel de Canela, pequeno e fofo (Parque das Nações, 281-Canela). Validamos o ingresso primeiro. Dão cartões para consumo. Na primeira sala, carros antigos como Buick 1925, Pontiac 1931, Ford T 1924, Marmon 1930 etc. A Ford foi a primeira fabricante de carros do Brasil (1919). Na segunda sala, Hudson 1947, Oldsmobile e Cadillac de 1959, Mercedes-Benz 1956, Democrata 1968, dentre outros. Ter visto o Willys Itamaraty Executivo 1968, modelo limusine, que serviu a sete presidentes da República do Brasil e transportou o príncipe Akihito e a princesa Michiko do Japão, a ex-primeira ministra Indira Gandhi da Índia e a rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Foi gostoso ter visto um VW Karmann-Ghia 1964, objeto de muitas histórias do meu pai, já que teve esse carro. Já o Fusca 1967 e a Kombi 1973 são sempre minhas paixões. Que museu lindo, colorido, com carros queridos nossos. Lembrei do VW UP e o Gol, carros que amo, mas já não são mais fabricados, logo em breve estarão no museu. Uma tristeza.

De volta ao hotel, pegamos uma motorista da Uber Paula, de Fortaleza-Ceará. Dia completo.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Cambará do Sul-Cânion Itaimbezinho

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Cambará do Sul-Cânion Itaimbezinho

Hoje é quarta-feira, dia 12 de abril de 2023. Estávamos no café da manhã às 7 h, pois às 7h30 era para estar em frente à Brocker Turismo (Avenida das Hortênsias,1845). O ônibus com um bom grupo e a guia Rose. Penso que ela poderia ter falado mais sobre a região, sempre aprendo muito com os profissionais de turismo. O motorista Robson/Sorriso. Ganhamos uma sacochila linda da agência de turismo e já inauguramos. No cânion se sente a presença de Deus, a energia da Natureza com toda a sua intensidade, segundo a Rose.

Vamos à cidade de Cambará do Sul, com 6500 habitantes. Estamos dentro dos Campos de Cima da Serra (gaúcha). A altitude é de 1031 m acima do nível do mar. Está entre as três cidades mais geladas do Brasil. Enquanto na capital do estado Porto Alegre está 27º C, em Gramado 20º C, em Cambará 17º C. São dois meses de calor e o restante frio.

A partir da padaria de Cambará ficamos sem sinal de internet. São 18 km de chão duro, carroçal e é uma RS-429! Uns 35 a 45 minutos. Estaremos no Parque Nacional de Aparados da Serra e o cânion Itaimbezinho é o visitado, tem cânions com profundidade de 1000 metros. Possui 13.141,05 hectares e perímetro de 63 km. Na primeira trilha a estrada é de chão, são 6 km de caminhada (3 de ida e 3 de volta). Faz calor. Cada um com seu ritmo, mas não é um passeio para qualquer um, uma vez que exige esforço físico. A guia fica com o último. A segunda trilha é de 1 km e meio. O almoço é um piquenique oferecido pela agência debaixo de árvores na sede/ponto de apoio.

Passamos por Canela, São Francisco de Paula e chegamos a Cambará do Sul. São 2 h de Gramado até a cidade aproximadamente (113 km). Existe a Rota dos Aparados, vi um grupo de peregrinos com bastão em Gramado. Há pórtico de entrada nas cidades de São Francisco de Paula e Cambará do Sul. As cidades da serra são sempre graciosas.

Chegamos a Cambará do Sul. As casas são espalhadas, há pousadas diversas e casas de madeira coloridas, típicas da região. Igreja da praça com termômetro. Na padaria e confeitaria Dois Irmãos, descemos para pastéis. A proprietária dona Susana é uma simpatia. Pedi pastel de pinhão (semente da araucária, comum na região), suco de laranja e café.

Pelo caminho se veem as árvores pinheiros e araucárias, região pródiga em verde e beleza. No ônibus chacoalhamos muito, é uma aventura. O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) controla o parque que é concessionado. É território aspirante a Território Geoparque Mundial da UNESCO (Caminhos dos Cânions do Sul), está escrito em uma placa.

Vamos às trilhas. Com azaleias e muito verde. Mirante do Cotovelo e mirante da Proa do Navio (o ponto final da trilha), estamos nos 3 km de trilha. O mirante do Urubu, embaixo do cânion é o estado de Santa Catarina. Tanto que pode chegar no local do estado subindo por Praia Grande (SC-450). O cânion Fortaleza, dizem ser o mais bonito, mas é difícil chegar lá. O Itaimbezinho é grandioso, foi um sonho realizado. As fotos do cânion ficam espetaculares com sol.

Fazemos o piquenique na sede/ponto de apoio: cuca (um tipo de bolo de origem alemã), sanduíche, maçã verde e suco de uva. Uma experiência diferente. Depois, mais caminhadas. Mirante da Cachoeira, das Andorinhas, do Véu de Noiva, do Vértice. A última trilha vai até a cachoeira, passa por uma porteira e segue na trilha. Eu não fiz, o Carlos foi. Estava um sol de rachar por ser pós-almoço.

O ponto de apoio tem cafeteria, lanchonete, loja de lembrancinhas: camisetas, ímãs, chocolates caseiros, geleias, muitos produtos em madeira, enfim, produtos da região. Os produtos valem a pena.

Na hora de partir, a guia tinha combinado um local, fomos para lá e o ônibus estava em outro, e a gente andando pra lá e pra cá. Pode? Na volta paramos na padaria Dois Irmãos novamente para banheiros e algo mais. Os doces de brigadeiros e tortas como Marta Rocha foram tentadores. Os doces do Rio Grande do Sul são de sonhar acordado.

Ao chegar, ficamos no hotel, foi um dia completo, porém cansativo. Tomamos sopa de alho-poró com requeijão no hotel.

Prosseguiremos em breve… Gramado tem muito a oferecer.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-segundo dia-segunda parte

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-segundo dia-segunda parte

Hoje é terça-feira, dia 11 de abril de 2023. Continuamos o passeio pelo BUSTOUR, o double-decker gramadense. Gramado surpreende pelo seu tamanho, há muito a ver.

Parada 26: Mirante Belvedere. Ponto turístico com neblina no momento, fenômeno típico da serra gaúcha. Passamos por muitas lojas de móveis renomadas no Brasil: Masotti, Sierra Móveis etc., além de variadas opções de lojas de malharia e sapatos.

São tantos os festivais na região serrana: Festival de Cinema de Gramado, Natal Luz de Gramado, Sonho de Natal de Canela e outros mais. Aliás, a serra gaúcha é composta de outras cidades, como Nova Petrópolis, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Antônio Prado (considerada a cidade mais italiana do Brasil), dentre outras. A serra tem influência predominante dos imigrantes alemães e italianos que chegaram no local no final do séc. XIX. Antes, no séc. XVIII foram os portugueses das ilhas dos Açores e da Madeira os primeiros a chegar nas serras gaúcha e catarinense. Ainda tem a influência da cultura gaúcha, ou seja, é uma região rica e variada.

Parada 27: Chocolate Prawer. Primeira fábrica de chocolate artesanal do Brasil. Uma atendente da loja nos deu amostras grátis do chocolate no ônibus. Gostei. Parada 28: Exceed Experience Park, o mais moderno parque de games das Américas, localizado na Avenida das Hortênsias, 4510.

Parada 29: Reino do Chocolate Caracol. Espaço temático que mostra a origem do produto desde 1500 a. C., e proporciona uma aventura incrível por salas/museus, tendo o chocolate como protagonista. Possui cafeteria e uma enorme loja, conhecida como a Sala dos Tesouros.

Prosseguimos na Avenida das Hortênsias entre Gramado e Canela. Encontramos no caminho um monumento com as letras esculpidas em madeira: Canela: paixão natural. Boa para fotos, mas há de ter cuidado por conta do movimento de carros na rodovia.

Detalhe: já compramos no ônibus o passeio para os Bondinhos Aéreos: paguei R$80,00 e o Carlos: R$40,00 (maior de 60 anos).

Parada 30: Mundo a Vapor. Vale a pena conhecer, já estamos em Canela.

Parada 31: Museu do Automóvel. Apresenta a evolução dos automóveis de 1920 até hoje. Tem Cadillac 1959, Rolls-Royce 1979, minicarros etc. Também é válida a visita.

O Palácio das Hortênsias também chamado de Solar das Hortênsias foi inaugurada em 1954 à época do governador Ernesto Dorneles como a residência oficial de verão do governador do estado. Vários eventos oficiais importantes ocorreram lá. É um parque e está localizado na av. José Luiz Correa Pinto, 915.

A antiga ferroviária de Canela virou complexo turístico: a Estação de Campos de Canella. Virou centro gastronômico e comercial, e abriga locomotiva revitalizada. Dentro da estação se encontra o parque temático Big Land de brinquedos interativos gigantes. A Catedral de Pedra Nossa Senhora de Lourdes, de 1953, uma das Sete Maravilhas do Brasil, é situada na praça Matriz. A torre tem 65 metros de altura e 12 sinos de bronze, a catedral tem estilo gótico inglês e é revestida de basalto.

Até o prédio da prefeitura tem jardim florido, uma lindeza. Aqui tem Zona Azul (aplicativo de pagamento de estacionamento rotativo).

Parada 1: Catedral de Canela. Troca de monitores no ônibus. Loja BUSTOUR. A cidade era concentrada na região de Banhado Grande onde se situa o Parque do Caracol. Nos anos 50 acabou o ciclo da madeira, então o turismo mostrou a sua fundamental importância desde os anos 60. O nome da cidade de Canela vem da árvore “caneleira” que dava descanso às pessoas.

Parada 2: Saída Centro de Canela. 7 km até o Parque do Caracol. Canela Paixão natural, uma boa propaganda essa, aparece bastante.

Parada 3: Terra Mágica/Florybal/Parque Vale dos Dinossauros. Museu do Caminhão.

Parada 4: Parque do Caracol. Lá viveram os imigrantes, chegados ao Brasil, e os veranistas que vinham de férias. Caracol: nome do arroio (regato) que passava pelas terras. A terra foi desapropriada pelo estado a fim de se construir o parque. Cascata do Caracol com um a queda livre de 131 metros e é a principal atração turística. Museu Egípcio de Canela.

Parada 5: Bondinhos Aéreos. Quem vai para os bondinhos e Skyglass (mirante envidraçado), troca de ônibus. Vamos aos bondinhos, descemos do ônibus e vamos para a entrada. Dois horários para a volta do ônibus: 12h40 ou 13h10. Nos Bondinhos Aéreos cabem 6 pessoas. Estação 1: lojas; Estação 2: Animal. Mirante, trilhas, natureza, Trilha ecológica, espaço com esculturas que falam: são animais feitos de madeira, bom para crianças se divertirem. Estação 3: Cascata do Caracol. Mirante. Fotos daquelas tiradas por fotógrafos do parque. Vale a pena pela beleza do Caracol. No mais, é simples. Ainda há o Eagle (de tecnologia norte-americana, sendo uma cadeira suspensa, presa por cabos de aço, que simula o voo de uma águia a 180 m de distância e cabem duas pessoas) e a tirolesa para os mais aventureiros. Deve provocar uma sensação incrível o passeio. Não fomos ao Skyglass, a plataforma estaiada de aço e vidro que avança 35 m sobre o Vale da Ferradura e tem 360 m de altura. Também não fomos ao Abusado, plataforma de vidro com 10 cadeiras suspensas que passeiam sobre o Cânion, se anda a 360° preso pela cintura embaixo do Skyglass. Uau! Realmente fantástico! Um baita de um empreendimento. Fazem um trabalho ecológico de pássaros e animais nativos muito consistente, mostram a foto e algo escrito sobre eles. Parabéns, Parque do Caracol.

Ser turista nos proporciona conhecer pessoas agradáveis pelo caminho. Sempre muito bom. No caso, uma família de São Bernardo do Campo-São Paulo.

Trocamos de ônibus em frente ao Parque do Caracol. Ainda em Canela, mas no caminho a Gramado. Passamos pelo Parque Temático Mundo Gelado, primeiro parque de gelo da América Latina, onde há um helicóptero dos Marines (fuzileiros navais americanos) para fotos. Castelinho do Caracol, casa de chá e oferece uma torta de maçã conhecida (a apfelstrudel). A árvore araucária é símbolo da região. É considerada “majestade”, os pássaros e humanos se alimentam das suas sementes: os pinhões, era usada na construção civil, não mais.

No Parque do Pinheiro Grosso existe uma espécie de araucária remanescente da floresta nativa, com 45 m de altura. Museu da Moda e dos Beatles. Chegamos a Gramado, uma cidade interligada a outra. Café Colonial Gramado.

Hora do almoço. Decidimos pelo restaurante buffet ou no kilo Pouso Novo na rua Garibaldi, 320, atrás da Rua Coberta. Dica do meu irmão Ricardo. Preço mais em conta, lembrem-se que Gramado é caro demais. R$99,00 o kilo. A comida é farta e boa. Gostei da torta de maçã. Amo! Fiquei refletindo como seria a vida do morador de Gramado com tanta carestia. Aí descobri: quem vive na linda cidade paga bem menos do que o turista, está explicado!

Fomos à loja da Brocker Turismo (Avenida das Hortênsias, 1845) comprar o passeio do dia seguinte: Cânion Itainbezinho. Depois passeio pelo centro. Como é gostoso andar por Gramado.

Para o jantar, ficamos no Sky Centro Hotel & Spa mesmo, à noite há buffet de sopas: 3 sopas com salada por R$39,00, porém preferimos uma sopa somente por R$22,00. Escolhi a típica sopa italiana de capeletti e o Carlos um goulash (tomate, carne, batata e páprica) na pizzaria do hotel La Bella Notte. Conhecemos outra turista gaúcha, moradora no Rio de Janeiro, Marli. Muito bom papo. Aquele abraço! Antes da sopa, fomos a uma loja de conveniência do posto de gasolina ao lado do hotel e encontramos uma cearense de Acaraú chamada Leila. Muitos nordestinos trabalhando na região. Achei ótimo.

No dia seguinte, visita a um lugar imperdível: Itaimbezinho. Em breve…