Ceará-Piauí-Jijoca de Jericoacoara

Ceará-Piauí-Jijoca de Jericoacoara

Hoje é dia 15 de março de 2022 e estamos no Parque Nacional de Jericoacoara. O café da manhã é ao lado da pousada onde estamos hospedados, pois pertence ao mesmo estabelecimento. Recanto do Barão, na Rua do Forró, 433. O café da manhã foi muito bom: tapioca a pedidos, tortinhas de frango, pudim, torta de chocolate com musse em cima, torta de chocolate com cenoura (com pouco açúcar), cuscuz com queijo, frutas variadas, sucos e por aí vai. Na recepção: o goiano Alexandre.

Manhã para ir à praia. O banho de mar com ondas pequenas e sargaço (algas), o mar calmo. A areia é escura, e a praia já foi mais distante. Deu para aliviar o calor. A chuva esparsa. Apesar de estarmos na quadra invernosa, a quentura estava grande.

Para o almoço, seguimos na mesma rua da pousada e fomos ao restaurante Sabor da Terra. A lagosta grelhada na manteiga, arroz branco, brócolis, purê de batata e farofa. Mais uma boa cerveja Corona Extra, vale! O garçom Francisco muito solícito. O lugar é rústico e agradável, na areia. A música é nordestina e o logradouro faz parte da história: o primeiro restaurante da vila (mais de 30 anos).

Outro ponto histórico: a pousada Hippopotamus foi a primeira pousada. O forró do passado que tanto encantava, não existe mais. Atualmente é o restaurante Dona Amélia. Uma lástima ter acabado local tão emblemático de Jeri. No Sabor da Terra foi bom ter visto as fotos antigas na parede. Deu saudades da Jeri que conheci em 1987. Era uma vila de pescadores simples, sem luz, sem água encanada, a gente andava de lamparina pela vila, ia a uma duna gigante, via porcos e galinhas na rua. De outra vez, peguei um bicho-de-pé, uma aventura. O forró era o ponto alto da noite. O som vinha de um aparelho simples e os turistas nacionais e internacionais estavam lá. Era uma diversão. Hoje, o forró pé de serra ocorre onde estão os quiosques de bebidas na beira da praia. Alguns restaurantes também oferecem músicas variadas.

À tarde, momento de passeio até a Pedra Furada por cima do monte. Fomos de charrete com o burrinho Manhoso e quem nos levou foi o Valdemar por R$60,00. A subida é íngreme e o caminho é para os lados do cemitério. No serrote verde, com jumentos e cacto mil, vimos a famosa Pedra Furada lá embaixo no mar. Eu não desci, muito empenho a fazer.

Na volta, já a pé, entramos na igreja de Jeri na Rua da Matriz. Nossa Senhora do Rosário de Fátima ou Nossa Senhora da Consolação é o seu nome. Foi inaugurada em 1964, obra iniciada pelos próprios moradores em 1963 (em www.minube.com.br). Toda na pedra, é graciosa de se ver.

A vila é repleta de diversos becos charmosos, como o Beco do Samba, o Beco da Padaria etc. Falando em padaria, nosso jantar foi um lanche na mesma padaria do dia anterior: Padaria Central Jeri. Misto quente e suco de laranja, ótimo.

O local é pequeno, as ruas são poucas: do Forró, Principal e São Francisco. Nessa, há restaurantes transados, bonitos e se encontra o estrelado Pimenta Verde. Lotação na vila. Os visitantes animados estão andando a pé, à vontade, de chinelos de dedo ou sandálias. MPB nos restaurantes, famílias com crianças, idosos, mochileiros, casais, enfim os turistas e os nativos curtindo a “night”. Em uma terça-feira, achei incrível. O bom é que muitos empregos são gerados.

As lojas de lembrancinhas têm muito a vender. A de bijuterias Contos de Fadas é fantástica, nunca vi igual. Para se ter ideia, existem lojas que não existem em Fortaleza, mas em Jericoacoara. São estilosas. Fiquei tresloucada com tantas maravilhas.

Vale a pena demais! Jeri, atração total. Muitos passeios a fazer, gente bonita e feliz, um arraso. Continuaremos com Icaraizinho de Amontada.

Ceará-Piauí-De Luís Correia a Camocim

Ceará-Piauí- De Luís Correia a Camocim

Hoje é 12 de março de 2022 e o dia é de viagem de carro de Luís Correia no Piauí a Camocim no Ceará.

O Carlos e eu vamos pela praia de Macapá em Luís Correia no trajeto da Rodovia Litorânea (PI-117), estrada sem sinalização. Tenho visto muito cachorro de rua. Passamos por muitos condomínios de casas sendo construídos, colônias de férias como a do SESC. Ao longo das estradas, jumentos soltos.

Seguimos por Macapá, o cheiro do marmeleiro está no ar. Tudo é verde, mangue com arbustos médios para altos. Cruzamos o povoado de Carapebas. Mais animais soltos na estrada: cães, vacas e jumentos.

Lá vem o povoado de Camurupim e depois Cajueiro da Praia, Barra Grande e Barrinha. No caminho uma placa convidando para conhecer a árvore Carnaúba da Cobra Encantada.

Entramos em Barra Grande, queríamos conhecer, por ser comentada e por quase termos ficado lá. A chuva deixou as ruas de areia encharcadas, mas deu para perceber ser uma pequena Jericoacoara. Um lugar do estilo alternativo, com muitas pousadas e barracas de praia. Parece uma vila e tem um pouco de tudo. Demos uma parada técnica na Barraca do Sarnei. A praia em forma de baía, tem sargaço, ou seja, algas. O local é tranquilo, pertence ao município de Cajueiro da Praia. Realmente é diferente, deve ser bem interessante à noite.

Na saída, o povoado de Morada Nova, ainda estamos no estado do Piauí, a divisa entre os estados fica a 20 km. Estamos na BR-402, porém nem se percebe, pois não tem acostamento. O verde ao longo da BR vale, o asfalto é ondulante.

Chegamos a Chaval, já no Ceará, e conhecemos sua Igreja Matriz. Gostei do calçamento na cidade e das rochas enormes existentes nela. Isso é peculiar, sem dúvida. Com poucas árvores, deve ser bem quente. Outras localidades na região: Chapada, Barroquinha, Araras, Venâncio e Bitupitá.

Em Bitupitá, vimos a Igreja Matriz de cor branca. A geografia do local faz parte do Delta do Parnaíba. Lá está a praia de Curimãs. Bitupitá pertence ao município de Barroquinhas. A praia renomada pela sua beleza e manguezal de Pontal das Almas se encontra lá. Tanta ruela para chegar à praia, trata-se de uma aldeia de pescadores. O mar fica longe, há tantos barcos na praia. Daqui se vê do outro lado a Barra Grande no estado vizinho.

Almoçamos à beira mar, no rústico Cabana Pueirão Restaurante, o Francy nos atendeu. Pedimos camarão ao molho com leite de coco, batata e cenoura, arroz e salada verde. Por R$70,00 para duas pessoas. Muito bom.

Bitupitá é uma praia selvagem, com urubus na areia esperando pelas vísceras dos peixes, afinal é local de pesca. O cheiro é forte de peixe. Há pracinhas pela orla com coqueiros e bancos diferentes. Muito árido o lugar. A sua entrada com pneus coloridos com plantas dentro, e árvores em crescimento no meio-fio a tornam convidativa. Digno de nota comentar que existe o macaco capelão no Delta do Parnaíba.

Nosso interesse foi só conhecer mesmo, prefiro praias com mais infraestrutura e menos quentes. Valeu ter ido, pois gosto de ter opiniões a respeito dos lugares.

Pegamos a Rodovia Sr. Pedro Veras e saímos de Bitupitá, detalhe: entramos pela mesma rodovia. Ver dunas com carnaúbas pelo trajeto é bonito demais. Estamos na CE-187. Entramos no município de Barroquinha, muito arrumada. Camocim está a 10 km, desde Luís Correia: 302 km.

Camocim, enfim! Viemos pelo litoral. Logo surge o Farol do Trapiá. Cidade plana, bem sinalizada. Fazemos um passeio de carro pela Praça Severiano Morel com a Prefeitura em frente. Vimos a antiga e afamada Estação Ferroviária, marco de tantas viagens do Carlos ao município, o prédio é muito bonito. É uma vergonha para nosso país não usarmos mais trens para locomoção de passageiros.

O rio Coreaú (nome indígena que significa “rio dos marrecos”, segundo Silveira Bueno) com calçadão para longas caminhadas, o antigo Hotel Municipal, hoje Ilha Praia Hotel. A orla do rio com mar é um espetáculo. Encontram-se lá hotéis, restaurantes, quiosques, que delícia. Dá vontade de pular do carro e já começar a desbravar as belezas de Camocim.

Ficamos no Dunas Praia Hotel (Beira Mar, 1449) em frente ao Centro de Artesanato da Prefeitura. R$300,00 por duas noites, preço justo. Estamos à beira mar.

Um pouco mais longe se situa a Praia do Farol, o “point” do kitesurf. Jogam vôlei e há placas contra jogar o lixo, achei o máximo. Barracas de praia e casas diferentes, estilosas. Muitos jovens curtindo a praia, eis uma cidade jovial e alegre. Encantada demais eu estou.

O Farol do Trapiá da Marinha do Brasil chama a atenção. Que lindeza a costa, a praia tem sargaço. Passamos pelo clube da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e pelo atraente restaurante El Mirador.

Para jantar, escolhemos panquecas e sucos no Euclides Restaurante e Pizzaria à Beira Mar. Aconselho. Trata-se de um prato muito procurado no local. Depois, caminhada pelo calçadão, testemunhamos muito movimento nos quiosques, restaurantes, bares, pizzarias e um local com brinquedos para crianças, amei.

Continuaremos com Camocim, cidade que já pretendo retornar e aproveitar mais. Considero uma cidade habitável e com qualidade de vida.

Ceará-Piauí-somente Parnaíba

Ceará-Piauí-somente Parnaíba

Hoje é dia 10 de março de 2022. De manhã fizemos o passeio ao delta e agora à tarde vamos à praia da Pedra do Sal em Parnaíba. No caminho a usina de energia eólica Delta 1, rodeada por carnaúbas, tudo muito verde. À esquerda o Porto de Tatus, em frente a estrada da Pedra do Sal.

Bodes mil pelo caminho, é uma boa distância até lá, são 16 km do centro da cidade. O acesso é feito pela ponte Simplício Dias (de 1975).Trata-se da única praia localizada no município de Parnaíba na ilha de Santa Isabel no bairro do mesmo nome. O visual da praia Pedra do Sal, com o farol branco de 1873, rodeada de rochas à beira mar e com os barcos forma um cartão-postal. Interessante dizer que no lado leste o mar é agitado e no lado oeste as águas são mansas, de acordo com o Guia Piauí Litoral. Infelizmente, achamos o conjunto poético mal cuidado, com cavalos abandonados e barracas nada vistosas. Uma lástima! Significa que a prefeitura está se importando somente com o turismo no Delta do Parnaíba, e não com um lugar tão promissor? Aliás, é conhecida como tendo um pôr do sol entre os mais bonitos do estado. Eu conheci a Pedra do Sal em outros momentos e era bucólica, romântica, lugar de veraneio com pousadas e tudo o mais. Foi uma tristeza.

De volta à bela Parnaíba, passeio de carro pela Praça da Mulher do Pote (nome original demais!), pela igreja Nossa Senhora de Fátima, Praça da Graça e a maravilhosa Praça Santo Antônio (onde se localiza a escola de inglês Speak Up da amiga Minervina Menezes). Vamos em direção ao Parnaíba Shopping. Passamos pela igreja de São Sebastião (idealizada em 1925 e inaugurada em 1940) na avenida do mesmo nome, avenida essa larga, bonita e com praça arborizada. Eu deliro quando vejo cidades assim. Cruzamos o Monumento da Águia, uma homenagem dos operários parnaibanos ao prefeito da época, Ademar Neves, o reformulador da cidade. Quase não encontro prédios. Muitas casas, uma delícia.

Um pouco sobre a cidade. Segundo o Guia de Bolso de Parnaíba (da Prefeitura de Parnaíba), a Praça da Mulher do Pote é um logradouro que guarda um trabalho artesanal de José Felix da cidade de Nova Jerusalém-PE, esculpido em 1973, foi presente do povo pernambucano ao ilustre parnaibano ex-ministro João Paulo de Reis Velloso que, por sua vez, fez a doação à cidade. A Praça Santo Antônio, local arborizado e ponto de encontro, abriga o monumento do Centenário da Cidade, um obelisco inaugurado em 1944, alusivo aos cem anos da criação da cidade (1844-1944). Na Praça da Graça há o Monumento da Independência do Brasil. Também há outras importantes edificações históricas, como a Casa Grande, o Sobrado Dona Auta, a Igreja de Mont Serrat, a Igreja do Rosário etc.

Chegamos ao shopping, oba! Amo! Nem deu tempo para eu tirar minha roupa do passeio no delta… Então, vamos conhecer o centro de compras. Simples, mas deu para um bom lanche de jantar: um robusto sanduíche natural com suco no Dogão Lanches. Saí feliz.

Dia 11 de março de 2022. Continuamos em Parnaíba. A ideia é visitar a Lagoa do Portinho, uns 3 km de Luís Correia onde estamos hospedados. Área de interesse ecológico, o lugar já mudou bastante desde a primeira vez que conheci. O restaurante O Luís é arrendado por um cearense do mesmo nome. Também há pousada (chalés) no local sem café da manhã. Achei bem agradável o restaurante, ventilado e com um cenário de dunas ao longe com a lagoa em frente, muto lindo. A música ambiente de bom gosto: MPB. Ganhou pontos comigo. Tomamos água de coco curtindo a paisagem única. A flor de marmeleiro aromatiza o caminho da saída do Portinho. Lá é lugar usado pela população como entretenimento. Vale a pena!

No hotel Rio Poty Praia em Luís Correia almoçamos “peixe a belle menieure”(peixe: pescada), excelente. Surpreendeu-nos positivamente. Muito válido só comer lá.

Fomos à Beira Rio com chuva, situado às margens do rio Igaraçu. Depois ao Porto das Barcas comprar artesanato. Íamos ao Caranguejo Expresso, porém a chuva não parava. Situa-se à rua Quetinha Pires, 64-Beira Rio, no Calçadão Cultural da Beira Rio. A torta de caranguejo é o carro-chefe do estabelecimento, que existe há 20 anos. Já provei no passado e digo: é uma maravilha! Imperdível. Fiquei na saudade. E o Carlos nunca comeu.

O Porto das Barcas, segundo o Guia de Bolso de Parnaíba (da prefeitura), é o local de maior identidade cultural e referência histórica da cidade. É um conjunto de armazéns, construção de pedra bruta e argamassa de cal, conchas e óleo de baleia. O Guia Piauí Litoral acrescenta a ‘força dos escravos’. É um marco vivo da fase econômica áurea de Parnaíba. O Espaço Cultural Porto das Barcas, hoje todo restaurado, abriga casas comerciais, lojas de artesanato, restaurantes, auditório, teatro ao ar livre, pousada e agências de ecoturismo.

Após as compras, acabamos jantando com a amiga Minervina no Empório, uma padaria nova perto do apartamento dela no bairro Nossa Senhora de Fátima. Bem atraente, oferece sopas, café, doces, sanduíches etc.

Não posso deixar de mencionar as balinhas de café e goiaba, muito minhas conhecidas, meus presentes favoritos da cidade. Há várias distribuidoras na cidade. A Dona Gracinha Rocha tem fama, há 25 anos adoça a boca dos parnaibanos e visitantes. Local: rua Desembargador Freitas, 1013. Ela chega a fazer mais de 150 kilos por mês, segundo o Guia Piauí Litoral.

O mesmo guia nos conta um pouco da história do município. Os casarões centenários e diversos imóveis eram o reflexo de a cidade ser um importante interposto comercial para o Brasil Colônia. O povoamento da região é um dos mais antigos do Piauí e foi cenário de batalhas entre indígenas e conquistadores, histórias de amor não correspondidos, de paixões entre viajantes e moradores locais, de apogeu e queda de comerciantes e pessoas que mudaram para sempre este ambiente.

Despeço-me de Parnaíba, cidade do meu coração, com um grande abraço à Minervina Menezes e a sua família. Amizade antiga de valor. Parnaíba, foi muito bom revê-la tão bela e amada. Até logo.


Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Hoje é dia 09 de março de 2022. O Carlos e eu estamos saindo da pousada Oca Resort em Piripiri-Piauí, perto do Parque Nacional de Sete Cidades, partindo para Parnaíba-Piauí. Vamos nos hospedar, na verdade, em Luís Correia, ao lado de Parnaíba, pelo sistema de hospedagem Bancorbrás.

O caminho com mata na saída é bonito. Seguimos reto para Piracuruca (em língua tupi, “peixe roncador”). Pra variar, não há sinalização, na ponte do rio Piracuruca dobramos à direita.

Entramos em Piracuruca, cidade com a praça Irmãos Dantas em frente à antiga Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O conjunto arquitetônico com suas casas coloridas é uma lindeza. A vida é tranquila, os moradores sentam na praça para papear. Vimos o calçamento com a pedra Piracuruca em certas partes, em outras o asfalto foi colocado em cima de tão bela pedra. Piracuruca até Parnaíba-127 km.

Pegamos a BR-343 (descobri no mapa). Cruzamos os municípios de Cocal, Caraúbas do Piauí e Buriti dos Lopes. A divisa do Piauí com o Maranhão fica a 62 km. A estrada é um retão e toda verde ao longo dela. As placas de trânsito estão apagadas pela BR, acho isso uma vergonha. Passamos pela Embrapa Meio Norte. 13 km para Parnaíba e 25 km para Luís Correia.

Nos arredores de Parnaíba, há fazendas e restaurantes com produtos do interior. A geografia é plana. Indo adiante, Parná (como é conhecida), à direita Luís Correia. Continuamos na BR-343. A última vez que estive na cidade foi em 2013. Minha história afetiva é antiga com a cidade, por conta de amigas: Rossana Carvalho primeiro (colega de faculdade: Universidade Estadual do Ceará) e depois Minervina Menezes (aluna minha na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará), ambas professoras.

Estamos na Av. Mão Santa em Parnaíba, seguindo em frente a praia do Coqueiro, à direita a Lagoa do Portinho. Passamos pela Casa da Ferrovia de 1922 na rotatória e seguimos ao município de Luís Correia no litoral do Piauí. Vemos a prefeitura, pousadas, lojas, supermercado, enfim encontramos o Rio Poty Hotel Praia situado à rua dos Magistrados, 2350.

Boa infraestrutura de hotel e atendimento, cerca da praia de Atalaia com barracas, como da Hilda, Amarelinho, o Assis etc. Passeamos de carro pela beira mar, para a esquerda vai para o porto, o rio Igaraçu estava bem caudaloso, e visualizamos casas abandonadas; para a direita as casas de veraneio são mais bem cuidadas.

Tentamos a barraca Carlitu´s para almoçar, mas estava fechada (Av. Teresina, 4447-Atalaia). Rumamos à praia do Coqueiro em busca da barraca Sunset (av. Beira Mar, 10789). Nosso almoço foi filé de pargo frito (peixe), com batata-doce frita, baião de dois (feijão com arroz, principalmente), salada, farofa e pirão. Muito farto, mas achamos caro. O forte da região é caranguejos, camarões e pescados.

Após o almoço, mais passeios: pousadas, condomínios, casas, descampados, animais soltos, chegamos até o pequeno farol da Marinha do Brasil. Decidimos conhecer a famosa praia do Macapá, antes da praia do Arrombado (parece com a praia do Balbino no Ceará, luminosidade imensa e com pouca vegetação). O carnaubal com dunas pelo caminho é muito bonito, o asfalto bom. Encontramos um cearense Jean Portela a trabalho na rodovia que nos deu dicas valiosas.

A entrada para Macapá tem casas espalhadas mais simples, muitas lombadas a fim de dificultar a velocidade dos carros e uma placa interessante: Cuidar do meio ambiente, uma questão de atitude. Existem lanchonetes, restaurantes, pousadas e muitos jumentos, uma graça. O lugar é bucólico, sem dúvida. Vimos barracas de praia de madeira, o mar distante com bancos de areia no meio, e contenções contra a maré forte, além de manguezais e barcos coloridos. Lembra a praia de Águas Belas no Ceará, porém mais ampla e deserta. Um bom local para relaxar. O bar e restaurante do Chico Isaura é conhecido. Em frente ao local se formam piscinas naturais. A estrutura é rústica.

Segundo o Guia Piauí Litoral da SETUR (Secretaria de Estado do Turismo: secretário: Flávio Rodrigues Nogueira Júnior) e CCOM (Coordenadoria de Comunicação Social), a vila de pescadores de Macapá teve que ser reconstruída algumas vezes por conta da ação do mar que destruiu as habitações, a capela e até mesmo parte da estrada que lhe dava acesso. Ali acontece o encontro do rio Camurupim com o oceano, formando uma área de mangue semelhante a um minidelta próximo à Barra Grande, onde é possível velejar de kite e se aventurar de caiaque.

À tardinha fizemos reconhecimentos de área em Parnaíba de carro: uma biblioteca em um trem, o calçadão da Beira Rio com o rio Igaraçu (último afluente do rio Parnaíba), o SESC, a Capitania dos Portos, o Parque das Ruínas, o Museu do Mar, o Porto das Barcas, os sobrados históricos, o centro antigo, tudo formoso. Também descobrimos o Hotel Charme Casa de Santo Antônio na praça Santo Antônio, onde se localiza a escola de inglês Speak Up (rua Santo Antônio, 649), da amiga Minervina Menezes.

Parabéns, Parnaíba, por ser muito bem sinalizada, por ter uma população que valoriza seus casarões, a sua história. Linda, cada dia mais. Cidade com qualidade de vida, bem arborizada, com praças mil, onde ainda se mora em casas, algo admirável. O único senão é o calor na época do verão, mas isso se aguenta. Detalhe: estávamos na época de chuva, então foi muita mesmo.

Às 19 horas buscamos a Minervina na escola e seguimos ao Porto das Barcas, “point” com restaurantes, pizzaria, lojas de artesanato, lugar muito agradável com o rio Igaraçu bem ali. Às suas margens se encontra o restaurante Rios, cartão-postal do município. Não poderia faltar uma pizza regada a coca cola da pizzaria Porto das Barcas, cuja placa diz “Pizzaria Comilão”. O imperdível Museu do Mar se situa no local: pequeno, completo e excelente, mostra como eram as vilas e cidades, a tradição do homem do mar, da marisqueira, do pescador de crustáceos, além de barcos expostos etc. Parabéns ao governo do estado. Achei fabulosa a iniciativa.

Dia produtivo. Parnaíba é uma cidade que dá gosto visitar. Estava com saudades. Continuaremos com o passeio do Delta do Parnaíba em breve.

Ceará – Piauí – Viçosa do Ceará

Ceará-Piauí-Viçosa do Ceará

Hoje é dia 07 de março de 2022. Pela manhã estivemos em Ubajara e pela tarde iremos a Viçosa do Ceará, a joia da coroa da Serra da Ibiapaba. Continuamos nossa jornada entre os estados do Ceará e Piauí de carro.

Voltamos a pegar a BR-222 por Tianguá. Muitos caminhões e uma quantidade enorme da fruta jaca pelo caminho. Há falta de sinalização por aqui, ainda mais que estão fazendo a duplicação da BR, tudo muito confuso. Passamos pelo Instituto Federal campus Tianguá, cruzamos o distrito de Bom Jesus, Viçosa está a 21 km, a BR tem problemas de buracos em certos lugares. Inharim, outro distrito. As pessoas vivem com dignidade no interior.

O percurso até Viçosa dá gosto: vemos bananeiras, babaçus, fazendas, granjas, e muito verde.

Viçosa honra seu nome: tem viço: graciosa, limpa, com canteiros centrais bem cuidados e com um povo que zela pela sua cidade. Fiquei extasiada com as praças sem sujeira nenhuma e com estátuas sem pichações. De acordo com o Guia Quaro Rodas Brasil (2013), é declarada Patrimônio Nacional, não tem grande infraestrutura turística, mas é bom passeio de um dia.

Um pouco da sua história. A Wikipédia nos conta que é o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras pertencentes ao ramo Tupi, anacé, arariú e croatá do ramo Tapuia. No ano 1700, os padres jesuítas Manuel Pedroso e Ascenso Gago fundaram oficialmente “a Aldeia da Ibiapaba”, onde hoje se situa Viçosa do Ceará. Em 1759, a aldeia foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América.

Na subida à Igreja do Céu, achei a cidade parecida com Pacoti na Serra de Baturité. Lá, há um complexo com restaurante, palco de eventos, a capela Nossa Senhora das Vitórias, praça de alimentação, lojas de artesanato, a Praça Governador César Cals e o Núcleo Padre Ascenso Gago de Habilitação e Capacitação. Sem esquecer da imagem de Cristo, situada no topo da torre da Igreja do Céu.

A Praça Clóvis Beviláqua, com a estátua dele, é florida, ampla, gostosa de se estar. Lembrei do Crato no Cariri, no sul do Ceará, com a Igreja Matriz em frente à praça principal.

Na frente da praça de Viçosa se localiza a Igreja Matriz Nossa Senhora de Assunção, de cor branca, a mais antiga do Ceará, de 1695. Foi construída por índios e jesuítas. Ao seu redor, existem casas coloridas e antigas de famílias conhecidas no estado. Uma casa histórica é o Casarão dos Pinhos, pertencente ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Diz a placa que foi construída por João Pinho Pessoa em 1850. Possui 186 portas e janelas, é de propriedade da família portuguesa Pinho e foi uma das primeiras casas construídas na Vila Viçosa Real.

Mais adiante, outra praça: do General Tibúrcio. O clima sempre agradável nos leva a aproveitar cada segundo desta cidade amada. Raramente faz calor, então é um paraíso. Lembra muito o Cariri, mistura de Barbalha e Crato.

Os seus habitantes sentem orgulho de seus conterrâneos famosos. De acordo com a Wikipédia, Clóvis Beviláqua (1859-1944), jurista, legislador, filósofo, literato e historiador, é um dos responsáveis pela elaboração do Código Civil brasileiro de 1916; O general Tibúrcio (1837-1885), militar, lutou na Guerra do Paraguai; e outro viçosense ilustre é Felizardo de Pinho Pessoa Filho (1916-), político e farmacêutico.

Não poderia deixar de ir à Casa dos Licores (rua Francisco Caldas da Silveira, 155) do sr. Alfredo Miranda, atração turística, parte da Rota Mirantes da Ibiapaba. Segundo o folder da loja, Alfredo e Terezinha Nogueira Miranda (o casal) começaram a produzir e vender de forma artesanal (e para a sobrevivência da família) licores, cachaças envelhecidas, doces e biscoitos. Por muitos anos, de forma simples e hospitaleira, recebiam os visitantes na sala da sua casa. Além de provar os licores, todos eram recebidos com uma boa dose de conversas animadas, músicas e bom humor do “Velhinho do pife” como muitos costumavam se referir ao dono da casa, que tocava suas composições em uma flauta de taboca (o pife, também fabricado por ele). Para preservar a memória de seus pais, a filha mais velha Tereza Cristina Mapurunga, deu continuidade à produção e ao comércio da antiga bodega.

Quem nos atende foi a Elvira e conta que o sr. Alfredo já falecera. Lá, endoido com tantos licores, doces em barra, doces em calda, geleias, biscoitos, petas, sequilhos e bulins (tradicionais biscoitos de goma) e cachaças. O doce de jaca em calda, recomendo. São 88 sabores de licores entre frutas, ervas e especiarias. Interessante dizer que são feitos em tachos de cobre, fornalhas a lenha, forno de barro, assim como na época colonial do Brasil. Saímos com tantas compras e ainda iríamos rodar muito com eles.

Já fui a Viçosa umas duas vezes anteriormente e digo com felicidade que está cada dia mais bonita.

Toda a cidade é arrumada, com árvores podadas, uma paixão. Para mim, uma das cidades mais bonitas do Ceará. Parabéns à prefeitura, e principalmente, aos seus habitantes. Volto a dizer que este sentimento de pertencimento a uma cidade faz toda a diferença. Pretendemos voltar.

Retornamos à Vila Acarape em Tianguá para o nosso hotel no Sítio do Bosco às 17h45. Detalhe: é perigoso dirigir à noite por conta dos nevoeiros.

A Chapada da Ibiapaba merece mais informações. É localizada em nove cidades: São Benedito, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ubajara, Tianguá, Carnaubal, Viçosa do Ceará, Croatá e Ipu. As temperaturas são amenas por conta da altitude, uns 15º C. A chapada é um gigantesco paredão montanhoso com altitude média de 750 m e 200 km de extensão que fica no extremo oeste do estado do Ceará, na divisa com o estado do Piauí, servindo como marco de divisa entre os dois estados, apesar do problema da região de litígio que já dura séculos, conforme o site https://cearapraias.com.br/chapada-da-ibiapaba-turismo-ecologico-no-interior-cearense.

Dia produtivo e feliz. Em breve, Parque Nacional de Sete Cidades no Piauí.

Sensação de Déjà vu

Sensação de déjà vu em Praga

Ana Tavares

Em viagens acontecem coincidências, fatos bizarros, inexplicáveis. Você já sentiu algo semelhante?

Praga! Sensação de déjà vu… do já visto…

Foi aqui a estranha sensação. Jovem, viajei com duas amigas de Besançon na França para Praga. Jovens com pouco dinheiro no bolso, cabeças a mil, estômagos vazios, nos deparamos com esta rua.

Procurávamos a casa em que Kafka morou. Olho esta casinha azul e digo para minha amiga Tokiko: “já estive aqui”. Ela sorri e me diz que devia ser meu estômago delirando. A outra amiga la peruana loca Cristina me desafia: “O que tem lá dentro, minha Anita?”

Eu digo: “Um grande armário preto, um chão de barro encerado”. Entramos.

Era uma vendinha de suvenires. Uma senhora vendedora me sorria insistentemente, me olhava docemente… A casa tinha o chão vermelho encerado. O grande armário preto estava lá.

A autora Ana Tavares é professora de francês aposentada da Casa de Cultura Francesa da Universidade Federal do Ceará, e também da graduação em letras da Universidade Estadual do Ceará. Ama escrever e viajar. Obrigada, amiga de longa data, por colaborar com o meu blog.

Fortaleza e os idosos

Fortaleza e seus idosos – será amigável a relação?

Eu também sou pedestre, logo observo as calçadas, ruas, cobertura vegetal e por aí vai.

Vamos lá. Árvores? Fortaleza já foi tão arborizada até os anos 70/80 do século passado… Não tem jeito, não consigo deixar de ser nostálgica. Andar pela cidade se torna difícil por conta do sol intenso e falta da proteção das árvores. Isso de dia, logicamente.

Conclusão: se queremos um lugar agradável para viver e caminhar, o mundo verde é fundamental. Por que não exigir dos edifícios sendo construídos, via lei municipal, que as árvores abatidas sejam replantadas no condomínio? Digo isso, porque testemunhei em Santiago do Chile verdadeiras florestas dentro dos limites dos prédios no bairro Providencia. E em Recife-PE, pelo menos, no passado era obrigado a ter esculturas de artistas locais nos condomínios de Boa Viagem. Então, nada é impossível, é uma decisão política.

Continuemos com calçadas… Socorro! Polícia! Novamente, retornemos às décadas de 70/80, quando eram homogêneas e o proprietário cuidava da sua. Sei de muita gente (idosos ou jovens) que já caiu e se machucou no centro, no calçadão da Beira Mar, no bairro Meireles. A prefeitura não cobra do morador e não faz a sua parte como deveria. Apareceu o buraco, conserte, simples assim. Se cada morador que caísse, colocasse na justiça e essa fosse célere, dando ganho de causa ao “machucado”, a situação seria outra. Exemplificando, no Canadá ou nos EUA, ninguém ousa não retirar a neve da sua calçada, porque sabe que virá uma multa daquelas ou terá que pagar o hospital de alguém que escorregou. Sonho com a responsabilização, isto é cidadania.

Agora ruas… O idoso e qualquer pessoa, na verdade, sempre corre o risco de ser atropelado por motoqueiros, preferencialmente. Sei que não é a maioria responsável, mas tem uma minoria, para quem não existe leis de trânsito. Prefeitura? Não vejo agirem. AMC (Autarquia Municipal de Trânsito)? Dentro de carros, multando quem não paga a Zona Azul. Vejo outdoors da prefeitura para o motociclista usar capacete por exemplo, mas isso muda a realidade? Multas, aulas compulsórias e apreensão das motos, sim! Um amigo querido alemão certa vez me disse que seus conterrâneos eram educados no trânsito, muito por conta de multas. Escutei o mesmo em Portugal.

Por último, a nova Beira Mar. Caminho lá e gosto, mas percebo não haver bancos para os idosos sentarem. Será que os realizadores não sabem que também vão envelhecer? Como ser uma cidade amigável sem um detalhe importante desse? E há mais: plantaram carnaúbas ao longo da calçada onde fica a feirinha de artesanato provisoriamente. E dão sombra? Não mesmo. E os coqueiros, cajueiros, juazeiros? Sinceramente… com tanta riqueza de árvores frutíferas, preferiram as de lugares áridos.

Desejo aos idosos autonomia no caminhar, no resolver suas atividades, em respirar sua cidade. Contarei uma historinha. Minha mãe se achava “velha” aos 50 anos aproximadamente, ainda bem que nossa cultura se transformou para melhor. Aí a levei para assistir a uma palestra do padre Lauro Trevisan no ginásio Paulo Sarasate e logo depois viajei com ela a Miami-EUA (e com a amiga Sandra Ximenes). Foi o santo remédio, retornou outra. O idoso americano é independente e mesmo com dificuldade de locomoção, se vira. Foi impactante nossa jornada americana no ano de 1994.

Enfim, como cidadã me sinto na obrigação de escrever sobre os mesmos assuntos que incomodam. Desistir jamais, embora os ouvidos sejam “moucos”. Não canso de almejar uma Fortaleza mais estilo passado, com mais qualidade de vida, clima mais arejado por ter mais árvores e menos asfalto. Afinal, estamos também envelhecendo e o nosso idoso merece RESPEITO.

E aí? Na sua opinião, nossa cidade é amigável ao idoso?

P.S. A pedido dos meus pais, escrevo para relatar que as árvores e plantas da praça das Flores, antes praça do Hospital Militar, na Aldeota está com a cobertura vegetal passando sede e morrendo. Quem cuida da praça? A prefeitura ou o grupo Beto Studart que a reformou e mudou o nome da praça? Gostaria de saber.

A Fortaleza da minha juventude

A Fortaleza da minha juventude

Estou cá relembrando os anos 1980/1990 em Fortaleza, Ceará novamente. Sou nostálgica mesmo, tudo mudou tanto. Algumas mudanças foram positivas e sobre essas escreverei em um futuro breve.

Vamos às recordações. Nossas manhãs no Círculo Militar (no bairro Meireles) para banho de piscina, e no caminho a pé de volta para casa, um grupo de vizinhos e eu parávamos em uma das casas imensas e aconchegantes da av. Dom Luís, e “roubávamos” pitangas da árvore. Que delícia. Ainda havia muitas casas e todas elas com árvores frutíferas, Fortaleza era verde, bucólica e tinha um clima mais agradável. Hoje é uma cidade vertical, a maioria das casas deu lugar a prédios e edifícios, infelizmente.

A turminha de amigos e irmão reunida na Volta da Jurema à noite, nome pela qual a avenida Beira Mar era conhecida. Eram domingos à noite bastante aguardados por nós. A gente (mulherada) conversava e caminhava tanto que me lembro dos amigos “gozando” da cara da gente, e contando quantas voltas a gente dava. Era uma festa.

Dia de sexta à noite era o encontro na Praça Portugal na Aldeota. Eu comprava comida das barraquinhas, revia os amigos, paquerava, conversava, era tudo tão saudável. A vida era para sempre e os amigos também. Tinha também a feirinha da pracinha do bairro de Fátima aos sábados à tardinha. Tudo tão legal. Aonde íamos tinha um amigo ou amiga para papear.

Quando inauguraram o shopping center Iguatemi, uma amiga, nossos irmãos caçulas e eu pegávamos o ônibus e íamos bem felizes comer bolo xadrez nos sábados à tarde. Saudades da Fortaleza da minha juventude, era tão segura. A gente andava muito pela cidade sem medo. Quando eu penso que entrávamos em um ônibus à noite, íamos para outro bairro, voltávamos e nunca nos sentíamos temerosas.

Eu só queria ser bronzeada, achava um charme ver a marca do biquíni. Muita praia e muito óleo Johnson com urucum, a vida era o mar aos domingos na Praia do Futuro pela manhã.

As amigas… tomar café com pão na casa de uma, sair para um cinema com outras, ou com irmãos; ir para a antiga Praia de Iracema como era, um point: o Cais Bar e a sua música MPB, alegria, o mural pintado dos artistas famosos na parede de fora; o restaurante italiano La Trattoria com aquela sangria e lasanha verde; as circuladas pelo calçadão; o mar ali ao lado. Que nostalgia. Viva as companheiras de noitadas maravilhosas.

Recordei-me agora: o Mirante! Como se chama mesmo? Ah, o morro Santa Terezinha no bairro Vicente Pinzón. O visual lá de cima esplendoroso, um mirador com um cenário do mar arrasador. Eu e todo mundo costumávamos levar os turistas para conhecer e jantar em um dos restaurantes localizados em lugar tão idílico. O do peixe na telha era conhecido. As amigas portuguesas do Porto ficaram encantadas. Quem não ia lá aproveitar o esplendor do mirante? Os momentos eram poéticos. E o bar Ponto de Luz, um charme na parte alta da cidade, perto da Praia do Futuro no bairro Dunas? Uau, quanta emoção. E a Ponte Metálica ou Ponte dos Ingleses? Um pôr-do-sol inesquecível visto do píer, com gente tocando música, passeando e se deliciando com o mar. As amigas de Porto Alegre-RS lembram muito bem.

Minha geração, com certeza, não esquece os bons momentos que vivemos. A cada geração, uma cidade diferente. Mas digo para vocês: fui muito feliz como jovem. Aqui deixo o meu abraço carinhoso a cada amiga e amigo daquela época. Tivemos uma juventude livre, leve e solta.

Para concluir, muitos locais mencionados já não existem mais ou ficaram abandonados, uma tristeza. Agora um pouco sobre a Fortaleza atual. Há lugares que gosto imensamente: o Mercado das Flores na praça Joaquim Távora na av. Pontes Vieira, alguns shopping centers, a nova Beira Mar, ótima para as caminhadas e para um banho de mar, dentre outros. Enfim, a cada época uma cidade singular.

A Fortaleza como queremos

A Fortaleza como queremos

Sou uma boa observadora do cotidiano. Escrevo para espalhar ideias, talvez chegue a quem muda a nossa realidade. Como cidadã, espero melhorias em Fortaleza-Ceará.

CALÇADAS

Antigamente as calçadas eram bem cuidadas na cidade. Hoje é uma de cada jeito e ninguém é cobrado a torná-las mais seguras, nem a prefeitura nem o cidadão. O pobre do idoso vive caindo e gente mais jovem também. Se colocassem na justiça, a história era outra. Exemplos positivos no Brasil: o bairro Copacabana no Rio de Janeiro e Balneário Camboriú em Santa Catarina, lugares com o maior número de idosos no Brasil. Moram e se socializam com mais facilidade, porque podem sair na rua. Infelizmente, para nós aqui a pessoa tem que caminhar com muito cuidado e olhando para baixo.

MOTOQUEIROS

Os motoqueiros… Indago se em outras cidades eles se sentem tão livres para não respeitarem a lei de trânsito e de civilidade como aqui. Na ainda existente pandemia de 2020, inventaram agora de andar na contramão em avenidas, porque nas calçadas já assim o fazem. Pobre do pedestre. Onde estão os fiscais da AMC (Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania), tão bons em multar quem estaciona na Zona Azul, mas tão ineficientes em coibir tal ato? Só os vejo dentro dos carros da autarquia.

ZONA AZUL

Já escrevi contra a Zona Azul, mas nós cidadãos não podemos fazer nada, então me rebelo. Não uso, simples assim. Fico indignada, pois colocaram as famigeradas placas em ruas onde há hospitais, farmácias, clínicas  etc e dentro de estacionamentos recuados, próprios de farmácias e padarias. Pode?

SOCIALIZAÇÃO

Triste dizer que Fortaleza não é mais convidativa aos moradores se visitarem. Antes se morava em casas, de um bom tempo para cá, Fortaleza se transformou em cidade de edifícios, logo onde estacionar? Falo em carros, porque acaba sendo o transporte mais disponível à noite. Primeiro, os moradores evitam sair a essa hora, por conta de violência e assaltos; segundo durante o dia, não tem onde deixar o carro, devido à Zona Azul e falta de espaços nas ruas. Lógico que estamos em um ano difícil, este de 2020, porém a situação é essa. Pobre dos idosos com a sua solidão.

PREFEITOS DE ANTIGAMENTE

Ressalto o prefeito Vicente Cavalcante Fialho, a quem não conheci, mas que segundo Carlos Alencar, saía para ver as obras na cidade. O Anuário do Ceará 2020-2021 nos conta que sua gestão ocorreu entre 1971 e 1975, tendo sido um “tocador de obras”. Abriu avenidas fundamentais como a Aguanambi e a Leste Oeste, por exemplo. Não era gestor de gabinete. Outro a ser mencionado é Juraci Magalhães, cuja primeira gestão foi de 1990 a 1993, tendo substituído Ciro Gomes, quando ele saiu para ser governador do estado. Era seu vice na prefeitura. Visitava os empreendimentos na cidade (viadutos, terminais, hospitais) a qualquer hora do dia na sua primeira administração, a qual Carlos Alencar considera a melhor. Ainda teve duas outras gestões, sempre checando o que ocorria na cidade. Lúcio Alcântara fez urbanizações e era muito presente em checar as obras. Sua gestão foi de 1979 a 1982. Criou o parque Adahil Barreto, defendeu o meio ambiente e a limpeza urbana da cidade. E existiu o prefeito Antônio Cambraia, a quem eu gostava muito. Gestão: 1993 a 1996. De acordo com o mesmo anuário citado acima, cuidou de obras de infraestrutura, ampliação do sistema de esgoto, fez obras de calçamento e conservação de vias públicas.

Prefeito tem que andar de ônibus, caminhar pelo centro, falar com a população. Checar se as vias estão “limpas”, se os habitantes estão satisfeitos com o “ônibus lotado em plena pandemia”, se são bem atendidos no hospital público. Deveria perguntar às pessoas o quão “felizes” estão com a conclusão das obras serem tão demoradas. Trabalhar com os catadores de lixo que colocam lixo em terrenos abandonados, e com os bares e restaurantes do Meireles que depositam garrafas e sobras de alimentos nas esquinas da rua Antônio Augusto, para exemplificar.

CAMPANHAS

Sou por campanhas contra o descarte de lixo nas praias e na cidade (faltam lixeiras em Fortaleza), pela educação no trânsito, pelo uso da máscara a fim de proteção contra a COVID. Quem for pela Praia de Iracema ou Beira Mar à tardinha, verá um bocado de gente sem elas e não estão preocupados. Até os turistas. Os hotéis e pousadas não falam que é obrigado? Essa obrigação é uma piada, cabe somente à consciência de cada um.

Em suma, algumas críticas e sugestões foram feitas. Não desisto de almejar uma Fortaleza mais agradável, arborizada, civilizada, segura, justa, decente e boa de viver para seus habitantes.

P.S. Este artigo teve como inspiração Carlos Rodrigues Alencar Lima e sua longa trajetória na cidade como educador e diretor de escola pública.

A Fortaleza que eu conheci

A Fortaleza que eu conheci…

Estamos na década de 80 do século passado. Eu, adolescente em Fortaleza, aproveitava muito.

O clima era bom, com brisas do mar contínuas, o calor não era tão abrasador como hoje. 0s 27°C eram constantes.

Brincávamos na rua, andávamos sem medo, soltos e felizes.

As casas eram tantas, espaçosas, com árvores frutíferas e jardins floridos. Pegávamos pitangas nessas casas. O fortalezense era conhecido pelo seu amor à natureza, todo mundo morava em casa e cuidava do seu quintal. A cidade tinha muitas árvores, notadamente oitizeiros centenários na av. Barão de Studart no bairro Aldeota.

Eu me lembro de perambular de ônibus pela feirinha do bairro de Fátima com a amiga Maria Luiza, companheira inseparável de passeadas. Do bairro de Fátima seguíamos para alguma pizzaria com amigos, isso em um sábado à noite. Meus pais ficavam preocupados e nós satisfeitas com a nossa aventura. Programas inocentes e simples que nos deixavam muito contentes.

Com a mesma Maria Luiza, o irmão caçula dela, André, e o meu irmão Rogério nos deliciávamos com o bolo xadrez à época da inauguração do shopping center Iguatemi. Sempre de ônibus, íamos aos sábados à tarde e aquilo era uma jornada sonhada.

Ainda jovem adulta na década de 90, eu me encontrava com amigas, como a Jocely, na Praia de Iracema para comer a lasanha a bolonhesa ou verde, carros chefe do La Trattoria, e tomar sangria. As mesas quadriculadas em vermelho e branco formavam uma pintura agradável. O chef Alfio oferecia a culinária tipicamente italiana. Também curtir uma música no Cais Bar era obrigatório. E como a gente se divertia. Encontrávamos amigos e batíamos tanto papo. Quantas saudades da boemia daquela geração. A Praia de Iracema era o point da moçada, incrível o movimento. Era uma delícia!

E o Mirante do Morro Santa Teresinha? Nos restaurantes de lá, eu levava os turistas amigos que ficavam maravilhados com a comida (o peixe na telha), o local e o visual abaixo. Frequentei bastante o lugar. E o Ponto de Luz nas Dunas, aquele charme de bar, com música bacana e comidinhas.

O cine Gazeta, cinema do Center Um, contou história aos amantes da Sétima Arte. Às noites de sextas ofereciam sessões de cinema de arte, sempre disputados. As amigas Cynthia e Sandra, Lúcia, as primas gêmeas Flávia e Cinthya, a prima Leyla, companheiras de filmes bons e outras saídas.

E o Pirata Bar com seu forró dia de segunda à noite? Né, prima Rebeca? A noitada do sábado com a prima Vera na Volta da Jurema (Beira Mar). Tudo saudável e jovial, com bons amigos ao lado.

As voltas dadas às sextas-feiras pela tardinha e noite na Praça Portugal para comer alguma coisa, dar umas paqueradas e encontrar as amigas Eveline, Márcia, Maria Luiza, Rosângela. Os domingos eram reservados para o banho no mar na Praia do Futuro e à noite eu nunca faltava à Volta da Jurema. E como a gente ia para lá e para cá… Meu irmão Ricardo e os amigos Roberto e Mário ficavam contando nossas voltas e se divertindo as nossas custas. Tudo era uma grande folia.

Meus irmãos Ricardo e Rogério com seus amigos também amigos meus, tudo tão bom, quanta nostalgia. Saudações aos amigos Robson e Martinha, Ferrer, Rogério, Sérgio e Lilian e tantos outros.

Fortaleza era assim, uma cidade na qual era uma gostosura ser jovem adulto e curtir cada cantinho seu.

Dedico este artigo à Fortaleza da minha juventude, paixão total. Muitos dos locais mencionados não existem mais ou se modificaram para a modernidade. Muito do charme se perdeu, em minha opinião. Aos amigos queridos, alguns ficaram pelo caminho, outros continuam até hoje, esses são valiosos. Queria que os jovens de hoje tivessem a mesma adolescência que tive, com tranquilidade, sem temor de caminhar nas ruas e com tanta leveza.

Dedico este artigo às amigas Carmen (companheira do pilates) e Roberta (proprietária do pilates Roberta Lousada) e agradeço pelo incentivo a escrever sobre a Fortaleza que conheci.