Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Hoje é dia 06 de dezembro de 2022. O café da manhã do hotel Grand Mercure Boa Viagem é repleto de iguarias. De novidade, dois bolos regionais: o Souza Leão e o de rolo. Bem doces, eu diria que tem que provar. O de rolo é o xodó dos pernambucanos, é Patrimônio Cultural e Imaterial do estado. Parece um rocambole fino, aliás, dizer que é rocambole recheado de goiabada enfurece os pernambucanos. Na verdade, é de uma delicadeza ímpar que o nosso paladar nunca esquece. No refeitório do hotel, o explicativo nos informa que surgiu como uma adaptação do bolo português “Colchão de Noiva”, recheado com nozes e amêndoas. Chegando ao estado, as sinhás (nome como os escravos chamavam as patroas, “sinhá” é originário de “senhora”) afinaram camadas e preencheram com goiabada, sucesso que foi repassado por gerações. Já o Souza Leão tem como ingredientes: massa de mandioca, leite de coco, água, gemas de ovo, açúcar, manteiga e sal. Preciosidades pernambucanas.

Depois de tantas delícias, voltei ao calçadão de Boa Viagem para mais uma caminhada. Gosto de observar o ambiente. Vamos lá: carrinho de venda de abacaxi, senhores jogando dominó, os “bebinhos” tomando a sua cachaça/cana, muitos andantes e as piscinas no mar. O mar convidativo, fiquei arrependida de não ter levado roupa de banho. A praia relativamente limpa. Andar no calçadão é uma glória. Há aparelhos de fazer ginástica em aço com tela de propaganda ao lado se movimentando, muito interessante. O caminho é sombreado na maioria das vezes, muitos coqueiros embelezando a paisagem. Existe o projeto Salva-Arte 2021-Cores Inclusivas, isto é, os antigos postos salva-vidas caíram em abandono e foram reinseridos na paisagem turística como arte. São coloridos e pintados, lindos. Várias lixeiras verdes de plástico no calçadão limpo. A faixa de areia da praia é grande. Nas minhas caminhadas, localizei o Parque dos Coqueiros, uma iniciativa vencedora, frutos e ideia de um grande abnegado em defesa da praia de Boa Viagem: Edson Campos e Silva. No dia 21 de setembro de 1999, um pequeno grupo de colaboradores começou o plantio de coqueiros, tornando mais verde a praia. Sensacional. Também percebi não haver a Zona Azul para os motoristas. Fiquei feliz em saber que podem estacionar sem pagar nada. Parabéns, Recife!

O passeio da manhã foi para o Centro Histórico ou Recife Antigo, dos tempos de colonização portuguesa que começou no séc. XVI e sob a influência dos anos de domínio holandês(1630 a1654). O taxista Flávio nos dá dicas da cidade. E eu vejo um caminhãozinho limpador de calçada, além de um peixe decorativo de arame na calçada para se colocar garrafas PET dentro. Parabéns, Recife!

Descemos no Recife Antigo e nos dirigimos à Rua do Bom Jesus ou Rua dos Judeus. Na av. Alfredo Lisboa se situa a Caixa Cultural Recife, prédio do antigo Bank of London & South America Limited, localizada em frente ao Marco Zero. À época dos holandeses, a rua do Bom Jesus se chamava Rua do Bode. O intuito é conhecer a famosa primeira sinagoga do Brasil Kahal Zur Israel com museu (Rua do Bom Jesus, 197/203).

A visita é um banho de história. Fundada em 1636, é museu desde o ano 2000. Em 1593 chega a Olinda o Visitador do Santo Ofício, Heitor Furtado de Mendonça, ou seja, o representante da Inquisição da Igreja Católica. Seu momento mais vergonhoso e violento. Com a chegada dele, os judeus sofrem perseguição. Bento Teixeira, o autor da Prosopopeia, a primeira obra literária escrita no Brasil foi um exemplo. Outra ilustre da época a ser perseguida foi Branca Dias, a primeira pessoa a cuidar da educação de mulheres no país (escola de prendas domésticas). Era uma das poucas que sabia ler. Triste que ela foi denunciada por uma aluna que desconfiava de suas práticas judaicas disfarçadas. Era casada com Diogo Fernandes, um dos mais importantes conhecedores do fabrico açucareiro. Tinham engenho em Camaragibe e uma casa em Olinda. Em www.aldeiadagente.com.br se aprende muito sobre essa figura marcante. Só lembrando que a cultura canavieira e a comercialização do produto fizeram de Pernambuco uma próspera capitania.

Na Rua dos Judeus residiam aqueles que tinham alcançado as melhores condições econômicas. Nessas casas, a parte residencial se localizava no andar superior, numa delas a sinagoga Zur Israel. Em 1637 o comércio funcionava ali, e moravam senhores de engenho, profissionais liberais etc, as atividades econômicas floresciam.

Em 1654, por conta de perseguições, houve a dispersão dos judeus que foram embora para Amsterdã, Nova York, Caribe e sertão brasileiro.

No segundo andar se encontra a sinagoga. Os símbolos do judaísmo estão lá: a Torá, a Bíblia Hebraica; a Arca da Aliança, a principal representação do Sagrado; NER TAMID, a lâmpada de óleo simbolizando a luz espiritual que a Casa de Israel tem a missão de difundir pelo mundo etc.

Também a exposição do mestre holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) estão presentes, são explicativos das telas com temas judeus em cavaletes. São eles: “O Casamento de Sansão”, de 1638; “A Noiva Judia”, de 1665; “O Retrato de um Ancião”, de 1645, dentre outras obras menos conhecidas do pintor barroco. O bairro judeu Vlooienburg na Amsterdã de 1625 fez parte do repertório visual do pintor. A exposição foi organizada pelo Centro Sefarad de Israel e apoiado pela Embaixada da Espanha no Brasil e Instituto Cervantes de Recife.

Gostei da exposição da medalha em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordeaux na França durante o período salazarista. Salvou mais de 30 mil pessoas do nazismo durante a II Guerra Mundial, dentre eles, 11 mil judeus. Por isso foi reconhecido pelo museu YAD VASHEM em Jerusalém, Israel. Foi emocionante para quem estuda a II Guerra Mundial como eu ler um pouco da história de tão corajoso ser humano. Estão expostos outros símbolos judaicos como a Menorá (representa a luz da Torá), o Sidur (livro de rezas), o Cálice, dentre outros.

A sinagoga foi uma baita visitação. No Recife Antigo se encontram o Centro de Artesanato, cafés e restaurantes. Vale a pena conhecer, só aconselho ficar alerta, pois não é área das mais seguras.

Em breve conto mais…

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-chegada

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-chegada

Dia 04 de dezembro de 2022, domingo, ida a Recife a fim de buscar meus pais que lá estavam por uma semana, foram pelo sistema Bancorbrás. Peguei o voo da Azul: Fortaleza-Recife e gostei. Ofereceram snacks/lanchinhos generosos, sucos, refrigerantes e água, e os assentos tinham tela para filmes. Saudade de ver um filme assim.

Chegando, me dirijo ao hotel Grand Mercure Boa Viagem (av. Boa Viagem, 4070), muito bem localizado em frente ao mar. Ao encontrar meus pais, já fomos almoçar. Escolhemos no restaurante do hotel uma lasanha vegetariana, obrigada garçom Alves. O estafe do hotel é muito bem preparado e solícito. Para quem aprecia um queijo, a lasanha estava repleta.

À tardinha, passeio no shopping Recife: amo! Estava lotado, lógico, domingo antes do Natal. No Delta Expresso (quiosque de café), pedimos sanduíches e empanada integral. Uma loja interessante: Escrita Fina, para quem gosta de canetas e papelaria como eu. No mais, as lojas são as mesmas dos shoppings em Fortaleza. Acho fantástico observar a multidão tão diferente entre si. Valeu. À noite faz um friozinho.

Dia 05 de dezembro de 2022, segunda-feira, antes do café da manhã do hotel, caminhada pela orla de Boa Viagem. O calçadão é estreito, então fui caminhar na faixa de areia, plana, boa demais! Vou vendo os detalhes, curtindo o momento. Os quiosques estão sendo reformados, vão ficar bonitos e estilosos. Há trabalhadores na praia ajeitando as cadeiras para os banhistas. Pessoas pescando, tomando banho nas piscinas no mar na maré baixa. Na alta, nem pensar, afinal tem tubarão (aviso na praia, cuidado!). Gente se exercitando, ciclistas na faixa de bicicleta e eu a andar, olhando para tudo: mar, areia, jogadores de vôlei, edifícios, sempre linda a Boa Viagem. Detalhe: é o bairro onde tenho parentes queridos. Meu avô materno era pernambucano, logo tenho uma ligação emocional com Recife.

Vamos ao café da manhã. Adoro! Muito variado e delicioso. Pães, queijos diversos, iogurtes, frutas, inhame (uau), bolo de cenoura com calda de chocolate e bolo de tapioca (regional) etc. Dá para sonhar.

Dia de visitar a prima Ritinha que mora perto do hotel. Saudades. A casa antiga da família Dourado se localiza em Morenos, as histórias de família alimentam a alma. Tão espetacular estar com a família pernambucana.

No caminho de volta ao hotel, uma casa antiga nos atraiu. Era a Casa do Brigadeiro, de 11 de outubro de 1944. Está escrito na placa em frente: “Construída ao final da Segunda Guerra Mundial pelo patrono da Força Aérea brasileira, brigadeiro Eduardo Gomes, em meio a poucos vizinhos, mangues e dificuldades viárias. Voltada para o Atlântico, mantendo eterna vigilância do nosso litoral, onde 34 navios brasileiros foram torpedeados, causando a morte de 1081 pessoas, na maioria, civis inocentes. Projeta a grandeza de uma geração de heróis, que souberam hipotecar suas existências a serviço da Pátria, sem nada exigirem, nem mesmo compreensão. O trabalho de conservação da beleza arquitetônica da casa retrata o carinho e o respeito da Família Aeronáutica para com a sociedade pernambucana que há mais de 60 anos acolhe fraternalmente a Força Aérea na terra dos Altos Coqueiros.” Recife, dezembro de 2008.

Almoço no hotel novamente. Risoto de camarão, bonito o prato. À tarde jogo do Brasil e Coreia, a cidade estava em polvorosa e em clima de carnaval. E lá fomos nós assistir no apartamento dos grandes amigos Carminha e Ramiro, em Boa Viagem também. Momento feliz com amigos antigos. O lanche de café, pão e torta de nozes e maçã foi delicioso. À noite, canja no hotel, gostei.

Continuarei com mais detalhes sobre Recife…

Bariloche – Argentina 2022 – um dia em San Martin de los Andes – sexto dia

Bariloche-Argentina 2022-um dia em San Martin de los Andes-sexto dia

Hoje é dia 18 de agosto de 2022. Estamos em Bariloche. Combinamos no dia anterior o passeio a San Martin de los Andes, outra cidade charmosa na Patagônia argentina. Há muito queria conhecer. A van passa às 8h30 no hotel Soft para nos pegar. O retorno será às 18h15. O guia se chama Alejandro e o motorista Palermo. Vamos cruzar a fronteira estadual da província de Rio Negro e chegar à província de Neuquén, então temos que preencher um formulário com nome e número de RG ou passaporte na própria van.

Passamos pelo lago Nahuel Huapi, de acordo com o guia, o quarto maior em tamanho da Argentina, o maior do Parque Nacional Nahuel Huapi, com 530,9 km² de superfície e 10,2 km de largura.

Estamos na afamada Ruta 40, a mais longa estrada do país, corre toda a Cordilheira dos Andes. Beleza não falta nos arredores.

80 km de Bariloche ou 1 h e 15 min depois está Villa Angostura, onde desceremos. Trata-se de outra cidade alpina, uma gracinha. Já conhecia de 2017. A sua arquitetura é rústica com casas de pedra e madeira. Vale a pena visitar. Em espanhol, “villa” significa cidade pequena e “angostura” passagem estreita.

Estamos na Rota dos 7 Lagos, região das mais atrativas. Os lagos são Espejo, Correntoso, Falkner, Machónico, Villarino, Escondido e Lácar. Faremos 4 paradas.

O lago Nahuel Huapi com as montanhas nevadas atrás é espetacular. O parque nacional é conhecido por nos oferecer paisagens suíças. San Martin tem uns 70 mil habitantes e parece com Bariloche e Villa Angostura. Também com a mesma arquitetura. Seu atrativo principal são os cenários idílicos da bela Patagônia.

A última cidade em Rio Negro é Dina Huapi, logo estamos em Neuquén. Há polícia na fronteira. O lago Nahuel Huapi se encontra nas duas províncias ou estados. Nahuel Huapi significa ilha de tigres na língua dos índios mapuches. Eles viviam na região no séc. XIX, eram guerreiros valentes. Homens brancos de Buenos Aires lutaram com eles, e ao vencerem, encamparam a região se tornando consequentemente Argentina. Detalhe: foi o cacique Saihueque que se rendeu aos invasores em 1874.

Vemos a estepe patagônica no caminho, são campos, muitas terras, poucos habitantes e ventos fortes.

Na van escutamos Mercedes Soza e a nossa Alcione. Interessante que quando enxergamos uma pessoa com mate e garrafa térmica, não tenha dúvida, é argentino ou uruguaio. E lá vamos nós pela Ruta 40 repleta de neve, margeando o lago Nahuel Huapi. Um delírio!

Quase 10 h da manhã e nos aproximamos de Villa Angostura, fundada em 1932. O guia diz ser uma aldeia de montanha. Um passeio que já fizemos e aconselho é o do Bosque de Arrayanes (árvores típicas). Lindo! Perto da cidade pequena de três quadras, há a montanha: Cerro Bayo, onde se praticam esportes de inverno como o esqui. No verão, o interesse de gente do mundo todo é o trekking (caminhada intensa) e a pesca. Existe uma estátua em homenagem à truta, peixe procurado por americanos, principalmente.

Ficamos uns 20 minutos somente, fomos a um café para banheiros e café, lógico. Pedi um muffin (bolinho denso) de chocolate e um café. O local é o Cucu Schulz na av. Arrayanes, 44. Como aprecio um muffin.

O frio é grande. Ver Villa Angostura no inverno, totalmente gelada e nevada, é encantadora, bem diferente de conhecê-la na primavera, asseguro. Deixamos a cidade e rumamos a San Martin de los Andes pela mesma estrada: Ruta 40.

O guia Alejandro demonstra muito conhecimento da região. O Parque Nacional Nahuel Huapi teve sua fundação em 1934, conta com 712.160 hectares e protege lagos, lagunas e uma selva fria: Los Alerces com as árvores alerces, enormes, milenares e nativas. O fruto llao llao se encontra lá, doce e saboroso. O Cerro Tronador se situa entre o PN Nahuel Huapi e o PN Vicente Pérez Rosales no Chile. Tem 2642 m de altura e a temperatura é de frio, neve e tormentas o ano todo. Muitos glaciares e águas termais na região. Do outro lado de onde estamos se encontra o Chile e o Oceano Pacífico. Por ali, existe o Paso Internacional Los Libertadores, ligação entre os dois países cuja estrada tem forma de caracóis, o transporte usado é ônibus e carro 4×4.

A primeira parada ocorre no mirador do lago Espejo, dito ponto panorâmico. As árvores coihues são sempre verdes. No outono, elas são coloridas formando um cenário formoso. A laguna congelada se chama San Ferino. Existem cervos colorados na área cujas carnes são apreciadas. O lago Espejo ou Espelho fica lá embaixo, no mirante há muita neve.

Vemos o rio Ruca Malen, depois chegamos ao lago Correntoso, fazemos a segunda parada para fotos no mirante. As montanhas nevadas ao longe e à direita floresta. Os lagos são fabulosos de tão mágicos e no inverno ficam mais chamativos. Lá pescam trutas e há cabanas e hospedagens a mil. Deve ser uma tranquilidade passar uns dias naquele paraíso.

O clima está mais aguentável no momento, ainda bem, pois não chove, venta ou neva. Passamos pelos lagos Escondido, Villarino e fazemos outra parada no Falkner, onde nos aproximamos mais do lago. Há uma placa em homenagem ao explorador/médico Thomas Falkner (1702-1784), além de missionário jesuíta inglês. Este lago Falkner parece uma praia congelada, a água fria é profunda. Pisamos na neve, o lugar é hermoso, como dizem os argentinos.

Como não alugamos roupa para o frio intenso, congelamos. Sinceramente, me arrependi. Fica a sugestão.

Vi a placa do Parque Nacional Lanín e o lago Hermoso. San Martin no noroeste da Patagônia, é a porta de entrada desse parque nacional com florestas, vida selvagem diversa e o vulcão Lanín.

Na cidade é comum comer muito alce, cordeiro e bife de chorizo, da mesma forma truta e pizza napolitana.

Mais um lago: Machónico. Que paisagem a do local. O último lago antes de San Martin se denomina Lácar, fica entre montanhas, é glaciar e continua na cidade a margeando. Possui um pontão para barcos e uma praia com areia. A distância da fronteira com o Chile é de 45 km.

O município, enfim. Segundo Alejandro, existe desde 1898 e era um forte militar. A região era país dos índios mapuches cujo líder era o cacique Saihueque, conforme foi dito anteriormente. Com a vitória do Gal. Roca, a cidade se torna San Martin de los Andes em honra ao Libertador, herói da independência da Argentina, Chile e Peru: Gal. San Martin.

Na cidade, ficamos entre 13 h e 15 h. A ideia era almoçar logo, então o guia nos levou ao restaurante La Nueva Barra (Almirante Brown, 216). O Carlos pediu cordeiro patagônico e eu supremo de frango, ambos com salada de cenoura, alface e tomate. Aprovamos.

Enfim, o sol apareceu e colaborou com nossa excursão. A praça San Martin é o ponto principal, a partir dali desbravamos as ruas adoráveis. Lojas, feirinha de rua, chocolaterias, muitas casas floridas, um encanto. San Martin de los Andes é charmosa, com roseiras nas calçadas, parques, árvores, uma mistura de Villa Angostura e Niagara on the Lake no Canadá. As casas são construídas com muita madeira. Que passeio mais gostoso. Há muita beleza no local, como mirantes, praias, o parque nacional, visita ao vulcão, ou seja, visuais arrebatadores. Deu vontade de conhecer mais, mas fica para outra.

Após as caminhadas, nos direcionamos à Villa Angostura de novo, descemos para um café no mesmo Cucu Schulz e retornamos a Bariloche na hora do rush. Carros em quantidade, como é de se imaginar.

Dia completo e feliz. Em breve Puerto Blest.

Bariloche-Argentina 2022-passeio de ônibus turístico-quinto dia

Bariloche- Argentina 2022- passeio de ônibus turístico-quinto dia

Hoje é quarta, dia 17 de agosto de 2022. Pela manhã, neve e frio, andamos pela rua Mitre no centro, a rua do hotel Soft (Mitre 685), onde estamos hospedados. Antes fizemos combinações com o guia Esteban (do nosso pacote da CVC) sobre os passeios de quinta e sexta. Pagamos antecipadamente, vamos para San Martin de los Andes e Puerto Blest.

Voltemos à Calle Mitre, como é bom ver o movimento de gente nas chocolaterias, lojas, cafés etc. O almoço foi no restaurante El Lingüini (Mitre 370): pedimos trutas “ao limão com batatas fritas” e ao “queijo roquefort”, ambas degustadas com vinho Malbec. Gostam mais de batatas do que de arroz na região. Aconselho o local, tudo ótimo.

De lá, pegamos o ônibus turístico “com cara de trem” ($ 2mil pesos argentinos por pessoa) para conhecer mais a cidade. Chama-se El Tren de Bariloche e oferece um voucher para a loja Fusion, que vale uma degustação de vinho (Quaglia 183) após o passeio. O frio é intenso até dentro do ônibus. Socorro! Sai às 10 h, 11h30, 14 h, 15h30, 17 h e 18h30 da esquina da rua Mitre com Villegas a cada 1 h e 15 min. Contamos com a Gimena como guia municipal e com o motorista Claudio.

Vamos os detalhes: passamos pelo Centro Cívico, fundado em 1940, com o intuito de se tornar um centro de turismo e reunião pública, cujo arquiteto foi Ernesto de Estrada. Trata-se de um monumento nacional, um conjunto de edifícios de caráter público, com a estátua do ex-presidente da Argentina Gal. Roca no centro da praça. Lá estão a Torre do Relógio, o Museu da Patagônia Francisco Moreno, a Biblioteca Sarmiento, a Prefeitura etc. O estilo arquitetônico é europeu alpino.

A guia mencionou a cervejaria Wesley (Av. Bustillo 15500) que usa lúpus da região e vi casas antigas encantadoras. Interessante que nem todo mundo que habita em Bariloche conhece as montanhas ou esquia.

No alto da cidade (zona sul), conhecemos o bairro alemão com casas de arquitetura típicas da Alemanha e Suíça, já que tais povos chegaram para viver lá no passado, hoje são alugadas para turistas. O vistoso bairro Belgrano, com seus pinheiros nevados, foi morada de nazistas fugidos no pós II Guerra Mundial da Europa. Como se sabe, o país recebeu muitos na época do presidente Perón.

Neva na cidade de abril a setembro, logo Bariloche é uma pintura de cartão-postal com as casas com neve na frente. Os moradores têm que tirar o gelo, se não é perigoso se machucar. São 200 mil habitantes aproximadamente, de acordo com a guia.

Continuamos pelo bairro Cumbre, bem tranquilo, mas que cresce sem controle. Nem todos têm gás natural contra o frio, então usam lenha.

No mirante, vemos a praça Mallin, coberta de neve. O bairro tem o mesmo nome. Lá descemos do trem/ônibus e os visitantes embevecidos brincam na neve. O Carlos e eu ficamos nas fotos. As casas mais antigas são de madeira e de cores claras.

Em 1930, surgiu a primeira escola; na década de 1950, a primeira central telefônica do país; em 1938, o Hospital Nacional. No Shopping Patagonia (na esquina de Elflein y Onelli) existem cinema, cassino, restaurantes e lojas. Fica para a próxima entrar nele.

Bariloche era uma colônia pastoril e agrícola, hoje é uma potência turística. Algumas ruas importantes são Mitre, Moreno e Palácios. A Festa Nacional da Neve (29 de julho a 06 de agosto), a Semana Santa e a Festa Nacional do Chocolate (entre 18 a 21 de abril) fazem parte do calendário anual.

Fizemos compras de geleias no La Península Chocolates y Dulces (Frey 199) e para jantar, no de sempre, Coffee Store (o sanduíche misto de queijo e presunto e licuado de frutas-um tipo de suco com leite batido) em frente ao hotel, com empanadas do Da Abuela, bem pertinho. Hábitos se criam rapidamente, sem dúvida.

Seguiremos com mais belezas em breve.

Bariloche-Argentina 2022-Cerro Otto-quarto dia

Bariloche-Argentina 2022-Cerro Otto-quarto dia

Hoje é dia 16 de agosto de 2022, dia de visitar o Cerro Otto, a 1405 m acima do nível do mar, localizado à Avenida de los Pioneros km 5, Circuito Chico. A temperatura continua muito fria: 2º C. O teleférico da montanha custa $ 4.500 (pesos argentinos), para maiores de 65 anos $ 3.500 pesos, o ônibus é gratuito. Há horários do ônibus que se pega no guichê do centro na Calle (rua) Mitre a partir das 10 h da manhã, o último às 16h15. O regresso começa às 14h15 e termina às 17h15, ou seja, tem que se programar. Endereço do guichê: esquina da Calle Mitre com Villegas.

O Carlos e eu decidimos pegar o ônibus das 12h, assim almoçaríamos lá. Como já conhecíamos na primavera, a ideia era conhecer no inverno e digo, é bem diferente. Tiritei de frio e nem saí na neve. Já o Carlos se deleitou.

Vamos aos fatos: fila para comprar, fila para entrar no Cerro Otto. É 5 km do centro de Bariloche, bem localizado. No teleférico fechado, estávamos com mais um casal de Porto Alegre-RS. O visual na subida é espetacular: a floresta e a neve. Fomos direto à confeitaria giratória e foi uma boa pedida, porque depois lotou e a gente já estava almoçando na paz. Pode ficar lá uma hora, então ao sentarmos, pedimos suco de laranja, licuado (smoothie) de framboesa com leite e frango grelhado com salada.

O cenário da janela era incrível, tudo congelado, com pouca visibilidade. Tudo girando bem lentamente, é marcante o local. A neve é a senhora das montanhas. A comida ótima e para me satisfazer, pedi a torta selva negra: a framboesa estava demais, assim como o chantilly (fresco e inigualável) e bolo de chocolate. Chego a sonhar com essa iguaria.

O Carlos saiu no mirante, corajoso. Na verdade, estava cheio de gente, o povo se divertindo com a neve, tirando fotos, um evento. E eu mirando pelas janelas de vidro, morrendo de frio.

Antes de sairmos, passamos na pequena galeria de arte existente, a única do mundo situada no pico de uma montanha. Segundo o site http://www.telefericobariloche.com.ar, a Galeria de Arte do Cerro Otto expõe permanentemente e em tamanho natural três obras famosas de Michelangelo Buonarroti: David, La Pietà e Moisés. Todas as cópias realizadas com autorização e certificação do governo italiano.

Descemos novamente pelo teleférico a tempo de pegar o ônibus das 15h15. Lotado, voltamos em pé, ainda bem que é perto do centro.

Paramos cerca da Catedral de San Carlos de Bariloche, de 1944, cujos patronos são Nossa Senhora das Neves e San Carlos Borromeo. O arquiteto foi Alejandro Bustillo, que gratuitamente ofereceu seu projeto à cidade. O engenheiro foi Pedro Faukland e o capataz Esteban Capitanich. O edifício forma uma cruz latina deitada no solo, com a sua cabeceira orientada exatamente a ele. Tem muros de pedra branca e sua altura é de 69 m na agulha do campanário. Na catedral está a imagem de Nossa Senhora de Nahuel Huapi, o dia comemorativo é 3 de maio, data da peregrinação náutica. Dentro, a sensação é de paz, com cantos gregorianos. Muito bonita a igreja, lembra muito do lado de fora a de Canela-RS, toda na pedra.

Na lojinha da catedral, a freira que nos atendeu foi calorosa conosco, logo compramos alfajores e artesanatos de madeira (típicos da região), além de medalhas de Nossa Senhora de Nahuel Huapi por preços em conta.

Na saída, voltamos a pé ao hotel Soft e demos uma parada no Pieros Deli & Café para um suco de framboesa. O jantar foi no Coffee Store em frente ao hotel, só pra variar.

Prosseguiremos com mais belezas em breve.

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 2

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 2

Hoje é dia 15 de agosto de 2022 e continuamos no nosso passeio intitulado Circuito Chico. Damos uma parada na loja Nature Laps (av. Bustillo, 19.500), onde vendem produtos feitos de rosa mosqueta. Segundo o guia Fabrício, a rosa mosqueta é exuberante nesta região patagônica, pois é encontrada nos Andes, e seu arbusto é selvagem. É usada para cremes para a pele, mãos, chá (antioxidante), licor, doce etc. O óleo, extraído da semente, tira manchas, diminui rugas e estrias. Só pode ser usado à noite. Na apresentação na loja, oferecem chá e passam creme e óleo na mão da gente. Como é algo típico deles, comprei um bocadinho de coisas, mas não é barato.

Vemos o Clube de Regatas à direita. Fazem caiaque com rafting no verão (clima seco) no braço Campanário do lago Nahuel Huapi. Já no inverno, o clima é úmido. Estações diferentes, atividades diversas no Parque Nacional Nahuel Huapi, que rodeia Bariloche. Tal parque teve como primeiro presidente Bustillo, o nome da avenida. E foi também o primeiro parque nacional argentino. Foi a partir daí que começou a transformação da cidade em lugar turístico, com o dinheiro do Estado Nacional dado ao parque.

Um pouco da história argentina. Perito Moreno (1852-1919) chegou ao lago Nahuel Huapi em 1876. Eis Francisco Moreno, conhecido por Perito. Explorador, colecionador de fósseis, tinha paixão por paleontologia e antropologia. Foi ele que baseou a linha fronteiriça entre Argentina e Chile nos cumes das montanhas e não mais em cursos de água. Por causa dele, a Argentina ganhou mais 42.000 km. Ele percorria o território a cavalo e a pé. Em sua homenagem há a geleira famosa com seu nome em El Calafate e a cidade na Patagônia dita Perito Moreno. Por isso se diz no país: “um homem, um glaciar, uma cidade”.

Puerto Blest, outra atração turística que ainda vamos conhecer, é protegida pelo PN Nahuel Huapi. Segundo a Wikipédia, o parque tem 712. 160 mil hectares em uma faixa de 50 a 60 km recostada sobre a Cordilheira dos Andes, ao sudoeste da província de Neuquén e noroeste da província de Rio Negro.

Fazemos outra parada em Puerto Pañuelo (porto), onde se pega o barco para a Ilha Vitória e Puerto Blest.

Interessante dizer que perguntei ao guia sobre Trevelin na província de Chubut, também na Patagônia, mais ao sul, são 217 km de Bariloche. Quero conhecer seus campos de tulipas a céu aberto, são únicos na América do Sul. Outra informação: a Ruta Nacional 40 (de 5400 km) vai do sul da Cordilheira dos Andes (província de Santa Cruz) até a divisa com a Bolívia, ou seja, corta 11 províncias, trata-se da mais extensa rodovia do país. Muita beleza a ver, com certeza, que digam os aventureiros e viajantes. Mais um lugar a conhecer: Puerto Madryn para ver baleias e pinguins.

O afamado hotel resort Llao Llao (se pronuncia chao chao) fica bem ali, se vê do Porto Pañuelo, na avenida Ezequiel Bustillo km 25. É o hotel mais exclusivo da Patagônia argentina por muitos motivos: 5 estrelas, histórico, completo, com campo de golfe de 18 buracos e dá para o lago Nahuel Huapi e Moreno, além de estar rodeado pelo Cerro Lopez e Tronador, logo o cenário é deslumbrante. Excursão não entra, mas para um curioso entrar deve fazer reserva, e a diária custa 400 dólares. Data do ano 1939 e o arquiteto foi Alejandro Bustillo. Notável como gostam de dizer o nome do arquiteto, acho positivo isso. O tipo do hotel para se hospedar antes de morrer, como se diz.

Outros hotéis históricos, segundo o Fabrício, são o Amancay e o Tunquelén. O primeiro nome é uma flor em língua mapuche, e o segundo significa “lugar de descanso”.

As árvores mais utilizadas na região são o coihue (ou carvalho, a árvore mais úmida da região) e o cipreste (madeira bonita estilo andino). A madeira é isolante do frio e calor.

Os coihues são muito encontrados no Cerro Campanário, algo belíssimo de ver com neve. Aliás, campanário tem o sentido de “torre de igreja onde estão os sinos”, de acordo com www.dicio.combr.

Enfim, vamos à montanha, pegamos o teleférico (onde o fotógrafo Martin tira nossa foto) sob neve e frio polar, ufa! Não foi fácil e a nossa roupa não deu conta. Mas, maravilhados, o Carlos e eu parecíamos crianças se esbaldando com tanta beleza. Depois de meia hora de subida com a vista dos lagos e floresta nativa (os coihues), chegamos à parte alta do Campanário. A nevasca intensa, abaixo de zero, tiramos fotos e fomos à confeitaria do local, bem mais quente e local fechado. Que alívio! Aproveitamos para nos aquecer com empanadas, e tortas de selva negra (no Brasil, floresta negra) e de nozes. Mais o café indefectível, logicamente. Quantas delícias! Na foto abaixo, a selva negra, típica da região, é a do Cerro Otto, simplesmente imperdível.

Descemos na cadeirinha do teleférico novamente, com o vento patagônico a nos atingir. E neve e frio. No verão, pode nevar também e o vento é tão intenso que atinge o deserto, isto é, a estepe patagônica, com suas plantas baixas e espinhosas (que vão do aeroporto ao Atlântico).

Retornamos à cidade de Bariloche, passeio de meio dia imperdível, eu diria. Só há edifícios baixos no centro, nos bairros residenciais unicamente casas. Para mim, modelo de cidade.

Almoço na Família Weiss, pra variar: truta com ervas finas, bife de chorizo com batatas fritas (para o Carlos), sobremesa de strudel de maçã e sorvete de morango. E café. Eu diria que é o nosso restaurante favorito, a atmosfera, a decoração na madeira, bem aconchegante. Endereço: calle Vice Almirante O´Connor, 401, esquina com Palacios).

A chuva e a neve não dão trégua. Faz – 2º C, porém a sensação térmica é de – 8º C. Socorro! Não nasci pra isso, decididamente. De agora em diante, neve só em fotos.

O jantar foi no Coffee Store em frente ao hotel: empanadas, sanduíche de frango e suco de laranja, bem básico. Tomei este café/lanchonete como meu.

Dia completo e lindo. Bariloche é uma mistura de Gramado no Rio Grande do Sul e Pucón no centro do Chile. Ambos lugares para visitar, sem dúvida.

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 1

Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 1

Hoje é dia 15 de agosto de 2022. Às 8 h saímos do hotel com o grupo do Circuito Chico (circuito menor) e Cerro Campanário (faz parte do itinerário da empresa turística CVC). Havia outras programações. Como não têm telefones no quarto, vamos no velho despertador para acordar no horário certo. Interessante ainda haver bidê no banheiro.

Em Bariloche, não há sinais de trânsito, só faixas de pedestre. Povo educado respeita o pedestre.

O nosso motorista é o Malem e o guia se chama Fabrício, também guia do Parque Nacional Nahuel Huapi. O passeio promete. Passamos pela Catedral de San Carlos de Bariloche e lago Nahuel Huapi, pelo lado oeste da cidade. O lago, por sinal, margeia o parque nacional citado acima. Aliás, Nahuel Huapi na língua indígena Mapuche significa: “ilha do tigre”. Reconhecemos o hotel Huinid, onde nos hospedamos há 5 anos. É amplo, perto do lago, com um cenário encantado, porém mais longe do centro.

O famoso hotel Llao-Llao (se fala chao chao) fica a 25 km do centro, indo em direção à Cordilheira dos Andes. Os bairros residenciais se desenvolvem pelo setor oeste. Vimos florestas e muita neve. O Cerro Otto com o teleférico se localiza por estas redondezas.

Toda arquitetura de Bariloche é adaptada ao clima de montanha: neve, chuva e vento. Trata-se do estilo andino, próprio da cidade. A gente delira ao ver a neve nas calçadas, em cima dos carros, é surreal para um brasileiro que sente calor o ano todo. Estamos na avenida Ezequiel Bustillo (se fala busticho). Os telhados das casas em “V” invertido existem para drenar a água da neve. A partir da década de 1990, casas começaram a ser construídas no estilo de montanha alpino, europeu, com madeira e pedra.

Cruzamos o colégio São Patrício, santo padroeiro da Irlanda. Na verdade, os irlandeses não fazem parte da coletividade, mas os alemães, italianos, suíços, eslovenos e dinamarqueses, sim.

O turismo ocorre o ano todo, para cada clima, algo diferente a se fazer. No verão, por exemplo, com o clima de 30º, 34º C, se pratica rafting, trilhas e pesca. Junto ao inverno, são as principais temporadas de turistas. Bariloche é sempre bela, isso é destacável.

No passeio, há um fotógrafo a bordo do nosso ônibus: Martin. Ele cobrou uns R$100,00 por 25 fotos digitais, contudo pedimos somente uma e valeu a pena (nós no teleférico do Campanário). A neve vai caindo e nós nos deliciando. Vemos longe o Cerro Catedral. Há praias públicas nas margens do lago Nahuel Huapi: a Playa Bonita é uma delas. Tem ótima infraestrutura e fica cheia no verão.

O guia nos conta que o principal lago é Nahuel Huapi, mas também há o Gutiérrez e o Moreno.

A Escola Militar de Montanha Gal. Juan Domingo Perón é uma instituição tradicional e só existe em Bariloche, Mendoza (na região de Cuyo) e Jujuy (no norte). Na cidade são 60 anos de treinamentos de combate de montanha, por isso praticam esqui, escalada, práticas de esportes de inverno.

Outro detalhe importante: a cidade tem o maior número de cientistas da Argentina. Lá se encontra o Centro Atômico Bariloche-Instituto Balseiro-responsável pela pesquisa em física e engenharia nuclear. Fazem investigação aplicada para o uso pacífico de energia nuclear. Trata-se de um dos centros de pesquisa e desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O INVAP é uma empresa de alta tecnologia com projetos das áreas: nuclear, aeroespacial (satélites, radares), química, médica, petróleo e governamental. Empresas consideradas verdes se mudam para o município.

A cidade é grande e espraiada, não tem edifícios altos, são aproximadamente 150 mil habitantes. Como é limitada pela geografia (das montanhas), o tráfego de carros atrapalha, os congestionamentos são constantes.

Conhecemos outra praia do lago Nahuel Huapi: a Bahia Serena com areia e neve. Um visual e tanto. Praia pequena com 200 m de extensão. Passamos por açougues, cabeleireiros, restaurantes e hotéis. O setor oeste é lotado. O caminhão da prefeitura tira a neve, passam um líquido de solução salina para quebrar o gelo. Pista com muita neve.

Às vezes o Cerro Campanário abre mais tarde, justamente por causa das nevascas. Considerado pequeno, tem 1049 m de altura, às margens do lago Nahuel Huapi. A floresta ao redor é nativa: ciprestes e introduzida: pinheiros do Hemisfério Norte. Quanta neve! Os animais encontrados são puma, raposa, cervos da região, condor andino etc.

As nevascas fazem árvores caírem e fios elétricos ficarem prejudicados. São os problemas de um clima adverso.

Continuaremos mais com o passeio em breve.

Bariloche-Argentina 2022-segundo dia

Bariloche-Argentina-segundo dia

Hoje é dia 14 de agosto de 2022. O Carlos e eu em Bariloche, felizes da vida. Acho fantástico se tomar água da torneira. O café da manhã do hotel Soft (Mitre, 685) foi satisfatório, o que amo é o doce de leite em potinho minúsculo para passarmos no pão ou comermos simplesmente. Estamos muito bem localizados. E a neve caindo do lado de fora, vimos pela janela, algo mágico. Depois, fomos passear na rua (calle) Mitre, fazer parte da magia. Que emoção!

Gostei da loja La Candela a oferecer artesanato, chás e muitas maravilhas. Há lojas na Argentina que não vejo em outros lugares, são tão encantadas, eis a palavra. Continuamos o reconhecimento da área. Cidade charmosa, com seu estilo arquitetônico próprio. Dá gosto. É uma Gramado-RS mais natureza, com suas montanhas, neve, esquiadores, lagos etc.

O almoço foi na famosa Família Weiss, restaurante todo em madeira, a cara de Bariloche. Entrada de pães caseiros com patês, truta com legumes, vinho, torta de framboesa de sobremesa, uau! Vida boa!

Detalhe: trocar dinheiro: reais ou dólares em lojas, quiosques ou com o guia.

Visitamos o shopping Patagonia (entre as ruas Ada Maria Elflein e Clemente Onelli). A loja El Bosque de mimos e lembrancinhas vale a pena. Na cidade, as lojas de chocolates são fantásticas, umas grandes, outras menores. Exemplos: Chocolateria Naturista (o de frutas vermelhas é saborosíssimo), Delícias de la Patagonia, Del Turista, a variedade é enorme. Além de Mamuschka e Rapanui.

O frio está inclemente e a gente no meio da chuva e neve, era o jeito. Chegamos a pegar -7 graus negativos. Após a viagem, ficam as fotos e ponto final. Neve de novo só em fotografia. kkkk

Para nossa surpresa, descobrimos no hotel Soft uma atendente simpática e solícita, imaginem de onde? De Fortaleza-Ceará. Incrível! Salve, Larissa. Aliás, o pessoal é muito solícito. Fazemos as combinações com o Esteban (guia) para quinta e sexta: Puerto Blest e a cidade de San Martin de los Andes, que queira muito conhecer.

Era segunda-feira e feriado no país: dia do Gal. San Martin. Segundo a Wikipédia, José Francisco de San Martín y Matorras (Yapeyú, 25 de fevereiro de 1778–Boulogne-sur-Mer, 17 de agosto de 1850) foi um general argentino e o primeiro líder da parte sul da América do Sul que obteve sucesso no seu esforço para a independência da Espanha, tendo participado ativamente dos processos de independência da Argentina, do Chile e do Peru. Obervação: ele é idolatrado no país todo.

Há muitas lojas de aluguel de roupas e botas para a neve. Não alugamos, pois não íamos esquiar, depois me arrependi, pois o frio não dava tréguas, a gente empacotado, mas não adiantava. Que frio horroroso.

O dia todo caminhando, não canso de admirar Bariloche. Vale qualquer cansaço em aeroportos para chegar lá.

O jantar foi das obrigatórias e deliciosas empanadas argentinas, salada de fruta e gelatina na calle Mitre, 801, pertinho do hotel. A La Abuela Gourmet vende para fora, logo levamos para o hotel. Dia proveitoso.

Seguiremos com mais belezas.

Bariloche-Argentina 2022

Bariloche-Argentina-2022-chegada

Hoje é dia 13 de agosto de 2022. O Carlos e eu pegamos o voo Fortaleza-São Paulo-Bariloche (LATAM). De SP para Bariloche, o voo charter da CVC durou 4 h e meia. Chegamos às 18 h no hotel Soft, pelo pacote da empresa. Hotel no centro, bem localizado na rua (calle) Mitre, 685. O nosso motorista foi o Sebastian. A neblina estava intensa, chovia e as montanhas se cobriam de neve. Nosso intuito foi experienciar o inverno, uma vez que já havíamos ido lá na primavera. Sair de Fortaleza a uns 30 graus C e chegar a – 0 grau não é fácil, mas para viajantes é uma aventura.

Foi a minha segunda vez em San Carlos de Bariloche, no estado de Rio Negro, na região mais bela do mundo, na minha opinião: a Patagônia. Segundo o nosso guia Esteban, a cidade é diferente e oferece atrações diversas a cada estação. Na língua indígena mapuche, Bariloche significa “homem que fica detrás da montanha”. Já a palavra Patagônia significa “índios de pé grande”. No caminho para o hotel já vamos conhecendo a vegetação típica da região: a estepe patagônica.

Vamos aos detalhes: ficaremos com o guia Esteban a semana toda; não vale a pena usar cartão de crédito, já que o preço será cobrado em pesos argentinos, porém quando chega a fatura, há a conversão do peso oficial para o dólar e do dólar para o real. E nessa questão, o dinheiro perde valor. Por isso, trocamos o dinheiro no hotel com os guias no paralelo ou blue, como chamam. A cotação pode mudar a cada dia. Estava entre 40 a 50 pesos para 1 real.

Na época invernosa, a dica é conhecer os cerros ou montanhas. São cinco na área: Campanário (mirante a 1500 m), Catedral, Otto (onde se situa o parque de neve “Piedras Blancas” com ski-bunda), Lopes (perto da Cordilheira dos Andes a 1700 m) e Bajo (em Villa Angostura na província de Neuquén, cidade a uma hora de Bariloche). No Cerro Lopes, há um restaurante no meio da montanha com caminhada com raquete (snowshoe em inglês) nos pés.

O Esteban aconselha a quem vai às montanhas esquiar, alugar as roupas próprias para a neve ou chuva. Gostei dele, fala português e é desenrolado. Veio de Córdoba para nos assistir, tamanha a quantidade de brasileiros em Bariloche, trabalha indiretamente para a CVC. Na cidade, os restaurantes abrem ao meio dia e fecham às 16 h, já o horário de jantar é das 19h30 até meia-noite.

Como estávamos cansados, decidimos jantar no restaurante ao lado do hotel: Cold Beer Hot Chilly Hot Food: peixe truta ao queijo roquefort com purê de batatas e vinho Malbec. Cheio de turistas da nossa excursão. Comi truta todos os dias, amo! Lá, conhecemos o Edison e a Roberta de Registro-SP, onde eles trabalham com plantas.

Continuaremos em breve. Bariloche promete muitas belezas e trutas…

Guaramiranga-Ceará-2022

Guaramiranga-Ceará-2022

Hoje é dia 23 de abril de 2022. Estamos em Guaramiranga na serra de Baturité no Ceará, a 108 km de Fortaleza, capital do estado. Cidade serrana amada. Fazia tempo que não voltávamos.

Estamos na Pousada Convento da Gruta, mais conhecida como Mosteiro dos Capuchinhos. O clima de 22°C é uma delícia. Estamos em plena estação invernal ou chuvosa. A natureza exuberante, o clima sempre mais ameno, os pássaros livres e as flores diversas fazem de Guaramiranga um destino procurado.

Vi novidade na pousada: obras do pintor Lucivaldo “de Pacoti” (cidade serrana ao lado de Guaramiranga) nas paredes. As pinturas dele são o retrato da serra, suas paisagens e pássaros são dignos de nota. No mosteiro, ele pintou santos católicos. O rapaz é talentoso.

Chove direto. Infelizmente, não oferecem mais a sopa da noite. Continua o café da manhã e almoço. Efeito da pandemia, dizem. O almoço com vegetais e legumes frescos é bom demais. Para jantar, aconselho descer ao centrinho, pois tem mais opções de refeições. As opções de delivery são limitadas.

Dia 24 de abril de 2022. O café da manhã é farto, bolos de milho verde e mole (típico do Ceará), canjica com pouco açúcar, frutas diversas da região, uma abundância.

Fomos passear e rever os amigos da cidade. Passamos pelo amigo Thiago da pousada Alto da Montanha. A sede é uma verdadeira galeria de arte com quadros de quem? Do Lucivaldo, certamente. Volta e meia nos hospedamos em um dos chalés, junto à mata. Sugiro no restaurante a canja e outros pratos. O café da manhã é um buffet fenomenal.

O Chalé das Montanhas veio abaixo, a pousada era composta de casinhas coloridas que faziam parte da paisagem… uma tristeza. As imobiliárias chegaram lá, fico chocada. No lugar dos chalés, virão construções outras que serão para venda e caríssimas. Não me acostumo com isso, espero de coração que não desvirtuem a beleza da natureza de Guaramiranga. Isso é modernidade?

No centro de Guará (apelido carinhoso), a pracinha com a feirinha, sempre lá. Ao lado, da amiga Ligênia, conheço a Docca Doceria. Saudações a ela e à sua querida mãe, dona Alice. No local, já teve restaurante. No momento, a Ligênia assumiu seu lado doceira. Ela também é uma artesã de qualidade. Sou sua fã.

Não vejo mais a dona Teresinha vendendo doces na pracinha do lado de trás. O seu João Caracas também não vende mais o seu café E Jóia na feirinha. Sinal dos tempos e da pandemia?

A caminhada foi boa, troquei muitos abraços. Também vimos a pousada Casarão dos Uchôa de 1904. Há história na casa. Nunca nos hospedamos lá.

O almoço nos Capuchinhos foi perfeito. Tudo cultivado na serra. Os doces de ambrosia e banana são de sonhar. Guaramiranga é produtora de banana e café sombreado.

À tardinha andamos pros lados do restaurante Macario´s e suas vitórias-régias. Uma pintura o lugar. No caminho, passamos pela escola EFM Zélia Matos Brito e pela nova quadra esportiva com piscina para as crianças. A geladeira existente ali perto para doação de livros é um achado. O Manjericão Restaurante e Pesqueiro continua lindo.

Foi feito um calçadão em frente à pracinha principal de Guará com bloquetes, carros não são mais permitidos. Há bancos de madeira distribuídos na praça e peatonal, boa atitude. Achei tudo mais bem cuidado.

O jantar foi de cuscuz e complementos em uma das lanchonetes atrás da pracinha. Depois, sorvete com calda de chocolate amargo (que ainda é muito doce, na minha opinião) na Chocoberry na rua principal. Muitas opções gostosas. Fiquei impressionada com o movimento em um domingo, Guará sempre atrai.

Ao chegar à pousada de volta, um bom papo com o frei Helder, pároco do mosteiro. Muito culto.

Dia 25 de abril de 2022. O café da manhã sempre uma delícia. Os bolos de chocolate e laranja me deixaram querendo mais. Já perceberam que adoro bolo, né?

Vamos a Pacoti, cidade vizinha. É mais cidade que Guaramiranga, a população é maior e tem mais infraestrutura de bancos e comércio. Comprei bolachas na padaria de sempre: Panificadora Bonfim, rua Padre Constantino, 413 no centro. Faz parte da tradição.

Passamos por Forquilha e Botija. Pela Linha da Serra, rota turística, também. E a Pernambuquinho para rever o sr. João Caracas, do Café E Jóia. Gente boa demais. Mora na propriedade com a esposa e planta café. Tem a loja com mel, licores, bananas, passas de banana e café, logicamente.

No mosteiro, conhecemos o Alverne, lugar de meditação onde antes era a pocilga. Hoje é um lugar de veneração a São Francisco de Assis. Sua história é contada em placas quando foi ao Monte Alverne na Toscana (1300 m) e ficou em meditação sozinho em uma caverna na montanha só com pão e água, dados diariamente pelo frei Leão, seu ajudante. Ele testemunhou as Chagas de Cristo nas mãos e pés de Francisco. A capela é feita de madeiras, mesas, bancos reciclados da natureza. Tudo rústico e original.

Da próxima vez faremos a trilha do café e da banana na área do mosteiro, uns 200 m. de altitude. O chão de terra estava perigoso para a gente cair, por conta das chuvas da época e por ser íngreme.

A região da serra de Baturité oferece muito a ver: cachoeiras, o Pico Alto (1.115 m), os sítios históricos de plantação de café, como o São Luís, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, o museu da EPCAR etc. O sítio São Luís de 1858 vale a visita em Pacoti. Pertence à família de Cláudia Goes, por sinal, prima do meu pai. A filha Laura é responsável pela administração. A casa histórica e seus arredores são belos. Fazem um trabalho muito intenso de divulgação da região. Algo louvável.

Gostaria de ressaltar a Villa Nova Holanda em Mulungu. A casa e museu são atualmente mantidos pelo proprietário Max Cid de Holanda Furtado e sua família, são abertos à visitação. Também primo do meu pai. A família é grande… Finalizada em 1920, a casa principal continua com sua arquitetura colonial, típica da serra de Baturité. A família tem origem holandesa e é muito interessante conhecer sua história.

Uma observação: meu pai nasceu em Baturité, no pé da serra, cidade-sede, terra de meus antepassados da família Furtado.

Guaramiranga é preciosa. Nunca passo muito tempo sem visitá-la, a natureza exuberante nos chama e seu charme mais ainda.