Peru surpreendente-rumo ao Centro Histórico de Lima-dia 3

Peru surpreendente-rumo ao Centro Histórico de Lima-dia 3

Centro Histórico de Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 7 de maio de 2024. Após o café da manhã do Ibis Lima Miraflores no qual ofereceu legumes salteados, pães diversos, brownies e outras delícias, por 52 soles PEN (R$80,61), rumamos ao guichê do shopping Larcomar (em frente ao hotel JW Marriott) a fim de pegar o ônibus ao Centro Histórico de Lima. Havíamos pago no dia anterior 125 soles PEN por pessoa com desconto de 10 %, em reais: R$193,89.

São 20 min de caminhada apressada. Vamos apreciando o bairro Miraflores. Que gostosura morar em um lugar tão simpático. Passamos por três condomínios fechados de casas, uma mais linda que a outra, nada de estilo moderno. Miraflores funciona e é exemplar em termos de limpeza, segurança e atrativos. Parece com o bairro de Providência de Santiago no Chile. Mesma qualidade de vida.

Vimos a gari, senhorinha agradável, que nos dera informações um dia antes. Falamos com ela, um doce. Varre a rua com vassoura de piaçava. O povo ajuda muito os turistas, são um amor.

Enfim, entramos no Turibus amarelo em direção ao famoso Centro Histórico. A guia Melissa e o motorista Benito, vemos ciclovias nas ruas e um rapaz de bicicleta com carrinhos de doces/pastelaria atrás. E zero de mulheres grisalhas (eu!) e menos cachorros do que no Brasil. Amo observar a vida da cidade.

O ônibus sai às 9h30 e às 14h30, preferimos o da manhã. São 4 h de passeio, com uma caminhada de uma hora, sendo a última visitação no museu/monastério de Santo Domingo (1540). Estamos na av. Armendáriz. Avisam para tomar cuidado com os galhos de árvores no segundo andar do ônibus. Passeio panorâmico. A guia conta que Miraflores era um balneário usado por famílias importantes no séc. XIX, tinha casas de veraneio. Atualmente, são aproximadamente 13 quadras, com área comercial, gastronômica, parques, um distrito moderno e turístico que possui ainda um sítio arqueológico. Vemos a Prefeitura de Miraflores, o Palácio das Artes, ao lado do parque Kennedy, bancos, rua das pizzas. Os policiais usam jaquetas, assim como os cambistas e guardas de trânsito.

Ninguém mexe em uma flor nos parques, parabéns, Lima. Vi a loja Falabella, a “cara” de Buenos Aires (que fechou, infelizmente). Passamos pelo sítio arqueológico Huaca Pucllana, culturas pré-inca, politeístas, de sacrifícios humanos, com conhecimentos avançados de pesca, engenharia, agricultura e também de metalurgia e astronomia. Veneravam o mar, a lua, faziam rituais com mulheres. No mundo andino, o sacrifício era pela fertilidade, pela Mãe terra. Existe a pirâmide do Sol feita de tijolos de barro (arbolitos) em forma de estante de livros, ou seja, técnica de livreiro para absorver as ondas sísmicas da região. Os povos que lá viveram sabiam dos terremotos. São mais de 200 ruínas no país, uma das 3 mais visitadas é o sítio arqueológico da Civilização de Caral, cidade sagrada, a mais antiga da América, no vale do Supe, a 200 km ao norte de Lima.

Lima é a única capital da América do Sul com acesso ao oceano Pacífico. Encontra-se entre o oceano e a cordilheira dos Andes. Ao redor da capital existem muitas montanhas, o clima é subtropical, árido, chove pouco e é muito úmido (66 a 80%). O trânsito é intenso, desgovernado, uma loucura, eis uma questão séria da cidade.

O bairro/distrito de San Isidro foi fundado em 1931, separado de Miraflores. Divide-se em dois setores: à direita, o financeiro e à esquerda, o residencial. A avenida Petit Thouars, do início do séc. XX, é em homenagem ao vice-almirante francês Abel-Nicolas Georges Henri Bergasse du Petit Thouars que lutou na Guerra do Pacífico entre o Chile e uma aliança boliviana-peruana.

No Peru, existem 40 comunidades étnicas com suas características, país multicultural, cuja economia se baseia em mineração, pesca e agricultura. Exportam abacate, cacau, aspargo, uvas, lúcuma, café, manga, quinoa e mirtilo. Comem muito ceviche e lomo saltado. Segundo o Google, é um prato tradicional peruano, uma carne refogada (salteada) que combina tiras de carne bovina com cebolas, tomates, batatas fritas e outros ingredientes, frequentemente servida com arroz. É uma fusão da culinária chinesa (Chifa) com ingredientes peruanos, tendo sido criado por imigrantes chineses no século XIX.  As bebidas nacionais são inka cola, chicha morada (parece o aluá do nordeste brasileiro) e pisco sour. Línguas oficiais: espanhol, quíchua e aimará.

Estamos na avenida Javier Prado, universitária, a mais extensa de Lima, vai de oeste a leste. San Isidro, onde se situam as embaixadas, é de classe média. Os semáforos na cidade têm marcadores de tempo, muito prático para o pedestre. Todos respeitam. Que inveja!

Bairro Lince, de classe média, distrito pequeno, onde se localiza o Parque da Reserva em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Pacífico e também a segunda atração turística mais visitada da cidade: o Circuito Mágico das Águas, a partir das 15 h até a noite. São 13 fontes cibernéticas de onde música, água, som e luzes se mesclam em espetáculos únicos e incríveis. Não fomos, mas meu irmão Ricardo e família assistiram e disseram ser fantástico. Um dos mais antigos parques, de 1929. O Parque da Reserva foi construído para honrar as tropas que defenderam Lima durante a Guerra do Pacífico entre 1879 e 1884, nas batalhas de Miraflores e San Juan, de acordo com o site https://www.viagensmachupicchu.com.br.

O MALI (Museu de Arte de Lima) se localiza no Parque da Exposição, endereço: Paseo Colón,125. Bairro de Santa Beatriz, centro de Lima. A Wikipédia nos conta que foi construído para substituir as muralhas da cidade, demolidas como parte de um projeto de renovação da cidade para sediar uma exposição internacional em 1872.

Distrito de La Victoria. Muito movimentado, de classe média baixa. As guias sempre comentam a classe social. Museu de Arte Italiana, presente da comunidade do respectivo país, de 1923. Museu público, exibe obras de arte italiana de princípios do séc. XX. Praça Miguel Grau, formosa, em pleno centro. Palácio da Justiça, monumental, sede da Suprema Corte do Peru. Segundo o Google, arquiteto: Brunon Paprocki, estilo neoclássico, inaugurado em 1939. Av. Paseo de la República. Localizado em frente ao Paseo de los Heróes Navales.

Chegando ao Centro Histórico, ruas estreitas, com influência europeia. Continuaremos com nosso passeio em breve.

Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2

Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2

Shopping Larcomar e o oceano Pacífico-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é segunda-feira, dia 6 de maio de 2024. O Carlos e eu continuamos conhecendo Miraflores, distrito de Lima. Pós almoço no shopping Larcomar, voltamos ao ônibus turístico (Miraflores Bus Turístico) a fim de ficar no sítio arqueológico Huaca Pucllana. Nós o pegamos em frente ao guichê Información Turística Tours & Ticket, com o atendente Mario, na praça Salazar ao lado do shopping.

Estamos na av. La Paz. Não canso de me encantar com a cidade, cujas praças são floridas e belas. O clima esfriou, ainda bem, estávamos com muito calor, afinal saímos do hotel preparados para o frio. Avenida Larco, a principal de Miraflores. O prefeito ou alcalde (em espanhol) de Miraflores é Carlos Canales, fantástico cada distrito ter o seu e saiba que são 43.

Passamos novamente pelo parque central do bairro: Kennedy ou dos Gatos, como é conhecido. Tem estacionamento subterrâneo. A avenida Larco é maravilhosa. Na calle ou rua San Ramón paramos por 10 minutos. Os restaurantes do calçadão são mais em conta. Na rua, vemos cambistas com dinheiro na mão e muito, que inveja! Lembrei de Salta na Argentina onde trocávamos a moeda na rua na maior tranquilidade.

Como os peruanos valorizam seus escritores e pessoas importantes, estamos na avenida Ricardo Palma. Nasceu em 1833 e morreu em 1919. Escritor, traduzido em várias línguas, jornalista, escreveu “Tradiciones Peruanas”, foi diretor da Biblioteca Nacional, nomeado em 1883. Olhando para os jardins no meio-fio, tão bem cuidados. Na avenida Petit Thouars, gostei de ver a soparia “Siete Sopas” de sopas e caldos. Amo canja, eis a razão. São várias lojas na avenida, são três quadras com lojas de artesanato e restaurantes, venda de roupas de lã de alpaca, e ouro. Os Mercados Incas se situam na avenida. Inka Plaza, Indian Market e outras lojas. Considero o artesanato andino belíssimo, por ser colorido e atraente.

Próxima parada: Huaca Pucllana. Cruzamos outra avenida fundamental: av. Arequipa. Rua Tarapacá. Enfim, chegamos, descemos e entramos em grupos separados pela língua falada: espanhol e inglês. Escolhemos espanhol. 15 soles PEN. Estamos em um sítio de mais de 1600 anos, incrível. Há o museu pequeno, fechado, na entrada e o enorme, aberto, a céu aberto. A guia Bianca tem muito a dizer.

Vamos à cronologia dos povos pré-inca e pré-colombianos. Segundo a Wikipédia, primeira fase: Cultura Lima de 200/400 a 700 d. C; segunda fase: Cultura Huari (Wari) de 800 a 900 d. C; terceira fase: Cultura Ychsma de 1000 a 1532.

Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O sítio está em processo de recuperação. Existiu de 400 d.C. até 1542, com uma grande pirâmide de 25 m. Interessante que todo o sítio estava debaixo da terra, era um monte, a erosão e a terra caindo na década de 1980. No local, aconteciam treinos de motocross e bicicross até que foram abrir uma avenida e houve a descoberta de ossos e do sítio quando tiraram a terra. O passeio pelo sítio arqueológico dura 1 hora. Pucllana na língua quíchua (ou quéchua) significa “jogar, brincar, fazer carnaval”, de acordo com a Wikipédia.

As descobertas foram de cair o queixo: a população Lima havia construído uma cidade que era perto do mar, foram 200 anos de trabalho, com blocos de barro vertical resistentes a terremotos, tanto que há tremores e terremotos em Lima e lá não atinge, o terreno continua estável. 1000 anos antes era o espaço mais antigo de Miraflores como cidade. A pirâmide era simétrica, um grande pastel retangular com muros amarelos e 7 pisos, além de rampas para chegar ao ponto alto. A parte mais alta era o templo usado para banquetes e conexão com o mar. A parte baixa era pública, onde pescadores, agricultores e artesãos se reuniam. No lugar aconteciam sacrifícios humanos, foram encontrados 30 corpos, mulheres de 16 a 25 anos de idade, eram mães. O motivo era pra trazer fertilidade para o povo e impedir desastres naturais.

A Wikipédia nos conta que a técnica de construção predominante consiste em colocar adobes na posição vertical, alinhados com argamassa na base e parte superior, deixando pequenos espaços vazios nas laterias. Isso dá a ela um aspecto de livros em uma estante, por isso o estudioso Pedro Villar Córdova o chamou de “técnica do livreiro”.

Prosseguimos com a nossa caminhada a pé no sol, o local é muito árido. Passamos por uma balsa antiga, conhecida como “Caballito de Totora”. A Wikipédia nos informa que são embarcações usadas por pescadores no Peru nos últimos 3 mil anos e a UOL diz que são barcos pesqueiros individuais, umas pranchas rústicas.

No ponto de sombra, blocos de barro e conchas marinhas trituradas com águas de irrigação secados ao sol. A área de escavação ocorre ao lado sul atualmente, nem tudo foi explorado ainda. Huaca Pucllana foi descoberta em 1981. Subimos a rampa de areia, um esforço grande, para setores exclusivos com tumbas verticais tendo dentro alimentos e sacos. A população era pacífica. Viviam de pescados e da manufatura têxtil, o mar era essencial para eles, estavam a menos de 2 km do mar. A cordilheira dos Andes Centrais se veem daqui. Em 700 d. C., a população Lima sai do local por falta de água, a razão encontrada. Saem os Lima e entram os Wari que usam o sítio como cemitério. 82 tumbas, cada tumba para 3 ou 10 pessoas em posição fetal e com mantas. A cabeça baixa representa o poder. Os Wari sacrificavam bebês de 1 a 5 anos, tradição marcada, não se sabe se os pais também eram sacrificados. Os estudos estão sendo feitos. No norte, o líder e sua família mais animais domésticos eram todos sacrificados. Com as pesquisas, se sabe das enfermidades de quando tinham 40 a 45 anos.

Subiremos mais. Fizeram um promontório de madeira, os povos tinham sempre contato com o mar. Em 1746, houve o maior terremoto do país, cujo epicentro foi em Lima, capital. Depois um tsunami destruiu Callao, na região metropolitana de Lima. Pucllana foi protegida. Eis o ponto mais alto de Lima. Curiosidade: o nome Lima, conforme o Google.com, pode ter a sua origem relacionada com a palavra LIMAQ ou com o idioma aimará. LIMAQ significa “aquele que fala” ou “aquele que tem a capacidade de falar”, o vale do rio Rimaq onde foi fundada Lima, chamava-se Rimaq em quéchua. No idioma aimará, LIMA/LIMAQ significa “flor amarela”. Vemos mais tumbas em posição fetal nos muros. As áreas de escavação não são estáveis. Aliás, sempre quis ver arqueólogos em ação ao vivo. Realizei meu sonho.

Homens/bonecos com oferendas-Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru

Na descida, vemos bonecos vestidos como na época segurando oferendas, fato baseado em escavações arqueológicas. Para os Wari (800-900), Pachacamac era o deus dos terremotos, para acalmá-lo, no centro de repositórios haviam cerâmicas com os sacrifícios humanos e oferendas de animais. O Google.com acrescenta que Pachacamac era o deus criador da mitologia inca, reverenciado como um oráculo e centro de peregrinação. O seu nome significa em quíchua “Alma da Terra”. O culto existia desde o império Wari anterior ao império Inca. Já a Wikipédia adiciona que Pacha Kamaq é uma divindade associada aos fenômenos vulcânicos sobre a crosta terrestre. Tinha a capacidade de controlar os movimentos da terra e causar abalos sísmicos. Significa “criador do universo”, onde pacha significa “universo , mundo ou terra” e Kamaq “criador”. Era esposo de Pacha Mama (Mãe Terra) e filho do deus Sol.

Fim do centro cerimonial. Mais caminhada. Embaixo, na forma real, um casal de cachorros, mais junco, e um pé de algodão. Parece um zoológico com patos crioulos, lhamas e alpacas. Do seu cruzamento saiu o misti (dito pela guia/misto) ou huarizo, menor. Além de preás pequenos, de 1 a 2 anos, para venda, e o cuy, roedor, ou porquinho-da-índia, há plantações de lúcuma, o sabor preferido do Peru, um fruto mistura de “sapoti com abacate”. Tem sabor adocicado idêntico à baunilha.

Parte final: na parte baixa se situava o sítio de trabalhadores de Pucllana, formavam blocos à mão e, posteriormente, eram colocados ao sol, já mencionei que levaram 200 anos para construir. Não há nada escrito, as famílias completas trabalhavam do centro para o mar. Sacerdotes impactavam a cerâmica. A oferenda da cerâmica vazia com figuras e elementos do mar. Templo em direção ao mar. Pucllana, lugar sagrado, usado para entretenimento e para a religião. Os arqueólogos forenses descobrem muito pelos fardos e corpos cobertos. Sabem o extrato social da pessoa, a idade e mais informações do falecido. Trata-se de um trabalho intenso de investigação. São 2500 buracos descobertos. A Wikipédia nos chama a atenção que em 2008 foi descoberta “a dama dos olhos azuis”, como foi denominada, por ter duas pedras azuis no lugar dos olhos, ou seja, eram usados para colocar oferendas. Também consumiam carne de tubarão.

Em pt.wikipédia.org, Pucllanaé um local sagrado (huaca) constituído por uma pirâmide truncada de 25 metros de altura e um conjunto de pátios, praças e muros a nordeste. Possui um salão de exposições, circuito de visitas e outras atrações. Possui seis hectares, mas na década de quarenta do século XX a área era o triplo da atual; o abandono e o desinteresse no passado fizeram com que valiosas evidências e pirâmides menores fossem destruídas para a construção de casas, avenidas e parques.

No museu pequeno e informativo se sabe mais sobre a cultura Wari ou Huari. Eram produtores têxteis. Tecidos feitos para a pós vida. A sociedade Wari foi uma sociedade de caráter imperial cuja capital é o atual departamento de Ayacucho, localizada no centro sul da Cordilheira dos Andes do Peru. Depois de um passeio tão instrutivo, demos um agrado à guia. Que país mais rico de cultura.

Voltamos de ônibus para o shopping Larcomar, compramos no mesmo guichê, na praça Salazar, o passeio para o dia seguinte com 10% de desconto. Dentro do shopping, descobrimos uma loja Columbia, boa para viajantes aventureiros. E jantamos no Lucio Caffé: suco de morango e sanduíche piadina sandwich Inglese que na verdade, é presunto, queijo americano e ovo. Piadina é pão de frigideira. De lá, sorvete no Pinkberry de morango e da fruta tão falada dos peruanos: lúcuma. Deliciosa.

Mais passeios amanhã. Bom demais.

Peru surpreendente-conhecendo Lima-Miraflores-dia 2

Peru surpreendente-conhecendo Lima-Miraflores-dia 2

Hoje é dia 6 de maio de 2024. Estamos em Lima no hotel Ibis Reducto Miraflores. O nevoeiro grande, parece que acontece sempre. O café da manhã do hotel pago (52 soles PEN), vale a pena. Do jeito que eu gosto: muita gente falando diversas línguas, de brasileiros só o Carlos e eu. Americanos às pencas. Musli (cereal matinal à base de flocos de aveia crus, fruta e frutos secos), frutas, sucos, pães, tudo muito bom. O tomate está presente, tratado como é, uma fruta. A fruta granadina, tipo um maracujá, me chamou a atenção. O Carlos comeu um goulash, um cozido de carne, e lá estavam as folhas: alfaces e cia.

Pós refeição matinal, nos direcionamos a pé ao shopping Larcomar. No caminho, trocamos dinheiro com um cambista de jaqueta oficial. Para um brasileiro, isso é inacreditável ver alguém com dinheiro vivo em quantidade na rua e em segurança. Que inveja! Boa caminhada para queimar as calorias. Há um guichê dos ônibus Miraflores Bus Turístico, perto do Larcomar. Por 100 soles PEN, pegamos um a fim de passear pelo bairro Miraflores. Das 11 h às 18h30, desce e sobe com horários fixos.

Estamos na praça Salazar, cuja placa em homenagem a Alfredo Salazar (1913-1937) nos diz: alferes (antigo posto militar, seria hoje o de segundo tenente) peruano, herói da aviação que teve como ato heroico evitar que seu avião colidisse com a cidade, salvando muitos “miraflorinos” (em espanhol). Parque rodeado de flores, mirantes e embaixo o shopping convidativo Larcomar. Parece com o shopping Arauco de Santiago do Chile, por ser aberto. Dia nublado, vemos o mar lá embaixo. O miradouro dá para o oceano Pacífico, antes do mar existem falésias cinzas e cobertas por redes. Bem interessante. Na praia, há um píer e a orla é usada para esportes e caminhadas. Trata-se do calçadão urbano Malecón de la Reserva.

O shopping se localiza em cima de uma montanha. Pelas escadas se chega ao Larcomar, fomos pela rampa. Lojas famosas para viajantes, como The North Face, Rockford the Outdoor Experience, roupas de lã lindas, Patagonia, Desigual, Mango etc. Uau! Café por 8 soles PEN. Mais: La Iberica (chocolates), quiosques da Havanna, Don Salazar (café), San Roque (alfajores e outros), Picky (de roupas de lã pra crianças). Muito, muito atraente o centro comercial.

Ao redor do guichê no parque Salazar, há muitos vendedores de passeios. Preferimos o ônibus Miraflores, diário. Por 35 soles PEN, Mario, o vendedor. O percurso total é de 1 h e 20 min. Estamos na parada Larcomar. Em espanhol e inglês, a guia Vilma e o motorista Vicente. Vamos começar?

Av. 28 de Julho em breve. Data importante, independência do Peru. Segundo a www.infoescola.com/peru/historia-do-peru/, foram as batalhas de Junín (6/8/1821) e Ayacucho (9/12/1821), ambas lideradas por Simón Bolívar que tornaram o Peru independente. Celebrado com festas e bandeiras. Já na Venezuela foi em 5/7/1811, liderada pelo mesmo Simón Bolívar e por Francisco Miranda. Foi o primeiro país da América do Sul a se libertar do domínio espanhol.

Av. Larco em homenagem ao ex-prefeito José Larco. Bancos, lojas, cassinos, restaurantes, galerias de arte, casas de câmbio, centros culturais, Centro de Informação ao Turista. Agora sol e calor. O chato disso é tirar o casaco e ficar segurando. Que cidade! Que bairro!

Parque Central de Miraflores ou Parque dos Gatos, muitos foram abandonados e vivem no local.Recebe multa de 4 mil soles PEN quem abandona. Igreja Matriz Virgem Milagrosa. Parque Kennedy, em tributo ao ex-presidente americano John Kennedy, em frente à rua São Ramón. Parada: Pasaje San Ramón. A rua é um calçadão. Bulevar Gastronômico de San Ramón. Tentador, com tantas opções de restaurantes, lindo. Calor, o sol esquenta muito. Detalhe: Lima, capital gastronômica renomada internacionalmente. São 43 bairros ou distritos na cidade, cada um autônomo e com prefeito. Eleições acontecem normalmente. Existe um prefeito geral, de Lima. Gostei da ideia.

Próxima parada: Museu do sítio Pucllana. Sítio arqueológico dentro da cidade. A monumental pirâmide tem 25 m de altura. A língua falada era quéchua ou quíchua, língua inca ancestral. O nome do sítio é Huaca Pucllana, huaca significando “lugar de rituais”. Obs: em Machu Pichu se fala espanhol e quéchua. Descemos do ônibus por 10 min e continuamos a jornada, depois voltaremos. São 15 soles PEN a entrada até as 17 h, um museu a céu aberto. A guia nos informa que ali se praticavam sacrifícios humanos, de mulheres, principalmente. A razão tem a ver com o poder da vida, para impedir desastres naturais e aumentar a fertilidade. Funciona de quarta a domingo. Fico curiosa para conhecer o lugar que era uma cidade sobre a montanha. Pescavam e tinham a cultura têxtil e de fazer cerâmica como trabalho. Havia o culto à Mãe Terra (Pachamama ou Mama Pacha-divindade máxima para os povos andinos, especialmente Quechua e Aymara). Lima era uma sociedade inca na época pré-colombiana. Há muitos sítios arqueológicos no Peru, Machu Pichu é o mais conhecido. Houve outras culturas antes dos incas no país.

Informações: o Peru tem 34.4 milhões de habitantes. Miraflores foi fundada em 1857 e se situa a sudoeste de Lima. Os guardas de trânsito usam chapéus. Avenidas largas com árvores no meio fio. São Miguel Arcanjo, o protetor de Miraflores, com escultura em bronze, em cima de um pilar na rotatória Óvalo Gutiérrez, também praça, localizada no limite dos distritos Miraflores e San Isidro. O Centro Histórico é de 1535. A fundação do convento dominicano ou convento e igreja de Santo Domingo foi de 1540, pelo frei Vicente de Valverde. Eis um do monumentos históricos mais proeminentes da cidade. Para o turista, Lima é preciosa, muito organizada com mapas, folders, tudo fácil. Parabéns, Lima.

Miraflores, cidade-jardim, cidade heroica. Em 1881, a batalha de Miraflores na Guerra do Pacífico entre Peru, aliado à Bolívia e contra o Chile (1879-1883), teve por razão a briga por território. Mais frio agora, 22º C, a neblina retornou. Estamos no outono e acerca do mar.

Prosseguimos no percurso. Parque Maria Reiche com a imitação das linhas de Nazca e pistas de skate. Maria Reiche Neumann foi uma arqueóloga, matemática e tradutora técnica alemã-peruana que as investigou por muitos anos. Tanto Nazca como Lima são Patrimônios da Humanidade. Impressionante como valorizam seus heróis. Os parques são bem cuidados. O almirante Miguel Grau, outro herói. Parque Chino Bicentenario. No calçadão urbano Malecón Cisneros, há o parque Faro de la Marina (Farol da Marina) ou parque Antonio Raimondi, homem que construiu muitos resorts, geógrafo, catedrático. Impressionada com Miraflores e consequentemente, Lima.

Parque do Amor, inspirado no parque Guell de Barcelona-Espanha, com azulejos, também situado no Malecón Cisneros. Inaugurado em 14 de fevereiro de 1993 para homenagear o dia dos namorados (dia diferente do nosso brasileiro). Todo limpo, sem pichação. Que passeio maravilhoso!

Parada no parque Intihuatana, 10 min. Descemos e fomos a um quiosque/creperia. O mirante vislumbra o mar, estamos em cima da montanha, tudo enevoado, mágico. Voltamos ao ônibus. Mais abaixo o parque Gran Mariscal Mariano Necochea, inaugurado em 1949, no centenário de sua morte. Prócer da independência do Peru, vencedor da batalha de Junín.

Próxima parada: Larcomar, desceremos para almoçar e às 14h15 pegaremos o ônibus novamente. Almoço no restaurante Lucio Caffé: prato do dia (creme de frango, batata doce,arroz e ovo) e limonada por 23,90 soles PEN. O banheiro do shopping é inusitado. Da torneira, sai água botando a mão embaixo e ao lado da torneira, e para secar há duas barras de cada lado da torneira de onde sai o “vento secador”. Nunca vi igual.

Miraflores-Lima-Peru, que paraíso. Como podemos não conhecer muito do nosso país vizinho? Tão rico, original e apaixonante.

Em breve, a continuação do passeio de ônibus de onde retornaremos ao sítio arqueológico Huaca Pucllana.

Peru surpreendente-chegada a Lima

Peru surpreendente-chegada a Lima

Hoje é dia 5 de maio de 2024. Tempo para realizar o sonho de conhecer o Peru, tão bem falado pela culinária e riqueza histórica. Vamos lá. Saímos de Fortaleza pela LATAM com troca de avião em Brasília, acho mais fácil de me localizar do que no aeroporto a de Guarulhos-SP. No avião de Fortaleza a Brasília ofereceram polvilho de macaxeira (aipim). Em Brasília, portão 32 e lá rumamos ao sonho. Horário: 9 h, pode entrar no país com identidade ou passaporte. Voo para Lima, tratamento VIP, por ser GOLD PLUS. Detalhe: caí para GOLD recentemente. Os comissários sabem o nome da gente, nunca vi isso. A Tatiana e o José super simpáticos. Falemos no serviço de bordo, ou seja, comida. Lanche de sanduíche de queijo e presunto, bolo, barrinha de cereal de quinoa (ótimo), já vamos nos preparando para a terra onde se come muito esse cereal. Voo ótimo de 4 h e meia, em Lima 2 horas a menos do que no Brasil.

Chegamos e lá estava o transfer nos esperando, hoje em dia gosto de conforto. Detalhe: pacote pela CVC, tudo resolvido com as nossas agentes Débora e Patrícia do shopping Del Paseo, em Fortaleza. O Roberto, da empresa Condor, nos espera no aeroporto de Lima e dá dicas, sempre valiosas. No momento da viagem, 1 sol peruano (PEN) estava R$1,40 reais e $1 dólar, 3,72 soles PEN.

O país está tranquilo para as jornadas. O Aeroporto Internacional Jorge Chávez é em Callao, cidade vizinha a Lima, distante 11 km, siuada na província de Callao. Estamos em direção ao hotel Ibis Lima Reducto Miraflores (Av. Reducto, 1057-Miraflores). No outono à noite uns 17º C, 22º de dia e de madrugada 6º. Em Cusco, 18º C de dia com sol. Para lá é necessário levar repelente.

Continuemos com as observações do Roberto. A estação de trem em Cusco ou Cuzco que leva a Machu Pichu se chama Aguas Calientes, está localizada no povoado de Aguas Calientes aos pés de Machu Pichu. Pedro Castillo é o ex-presidente apartado por haver tentado um golpe de estado. A CNN nos informa que ele foi afastado do cargo e preso após a tentativa de dissolver o Congresso no final de 2022. O oceano Pacífico tem ondas e água fria, já perto do Equador, ao norte do Peru, as correntes mudam e a água fica mais quente. Há vulcões em Arequipa e vi uma rota de evacuação de tsunami no caminho do hotel. São 10 milhões de habitantes na capital. A segunda cidade maior é Arequipa com 850 mil.

É seguro morar e ser turista na parte residencial, fora tem que ter mais cuidado. O interior do país é seguro. As embaixadas ficam no bairro de San Isidro. Passamos pela avenida principal de Miraflores: José Larco. Alguns estabelecimentos chamam a minha atenção: Punto Azul, restaurante de frutos do mar, Pollo a la Brasa (frango) e Comida China, aliás, percebe-se que gostam de comida chinesa. O bairro Barranco é bem próximo e há o museu MALI (Museo de Arte de Lima), no Parque de la Exposición. Motorista bom de papo.

Como é de praxe, no hotel Ibis se paga o café da manhã. 52 soles PEN, das 6h30 às 10 h. O nome do carregador é Félix, saber o nome do povo sempre ajuda. O hotel padrão, em todas as cidades do mesmo jeito. A diferença está no restaurante. Prato: Solterito de quinoa com pollo a las finas hierbas, isto é, uma salada com um bife de frango grelhado, quinoa, cebola, queijo, tomate sem pele e sementes, azeitonas, feijões-verdes (das montanhas), milho, salsinha, sal, pimenta, azeite de oliva e um toque de limão. Com Ginger Ale de refrigerante, amo! Marca Mr. Perkins, extrato natural de gengibre. 86 soles PEN. Como pode uma simples salada ser tão elaborada? Deliciosa.

Depois do almoço e de um descanso, o Carlos e eu rumamos à avenida 28 de Julho a pé para fazer um reconhecimento de área. Vimos casas e ruas maravilhosas que parecem com o bairro de Pinheiros em São Paulo, cujas calçadas são decentes e largas. Um cassino e hotel La Hacienda. Na av. José Larco, estamos à procura de casas de câmbio. Bairro altamente habitável. Na San Martin com Larco, um Centro de Informação ao Turista (Tourist Information Center) para mapas e informações.

O tempo nublado, um friozinho, lugar em que já estou me sentindo empolgada. Não faltam casas de câmbio por ali. Encontramos um Juan Valdez Café e achei interessante o refrigerante típico deles: Inca Kola.

Retornamos ao hotel, cansados da viagem, mas ainda passamos em um mercado para comprar iogurte de pêssego a fim de ser acrescentado ao jantar que foi no quarto com bolachas e barrinhas de cereal e chocolate Bis amargo. Vida boa essa de viajante.

Lima promete…

Marrocos colorido-Marrakech-dia 7-fim de viagem

Marrocos colorido-Marrakech-dia 7-fim de viagem

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. Continuamos com o nosso passeio a pé pela parte antiga da cidade. Paramos no Café La Menara para um cafezinho com o guia Tuk. Ele é bom de papo. O marroquino, pelo visto, gosta de cuidar da saúde. Ele dá dicas: o óleo de cactus é um botox natural e o chá das oliveiras é bom para hipertensão.

Passamos pelo bairro judeu Hay El Mellah, na zona sul da medina. Um mercado aberto com lojas diversas. Vemos frutas, lembrancinhas, roupas, massas folheadas fabricadas ali. Motos entre a gente, uma graça. Turistas mil. O rabino morava no bairro e há marroquinos judeus que habitam no momento. Segundo o site https://www.marraquexe.net, algumas diferenças arquitetônicas ocorrem com o resto da medina: as varandas e janelas se abrem para as ruas, as casas são mais altas e os apartamentos menores. Os joalheiros eram tradicionalmente situados no local, já que os judeus tinham um longo e histórico monopólio do ouro no reino marroquino. O souk ou mercado do bairro Mellah foi recentemente renovado graças a doações de judeus americanos e do rei do Marrocos.

Na porta, saímos para a mesquita. Os prédios em Marrakech não podem ser mais altos que o minarete principal da mesquita. O imame (imã), sacerdote muçulmano, tem que memorizar o Corão inteiro, umas 8600 palavras. Para os outros fiéis, devem saber no mínimo o primeiro capítulo. A pessoa que sobe ao minarete e grita ou anuncia a reza é o muazin. Antes não haviam elevadores e alto-falantes. Hoje, ao vivo embaixo e no microfone. Os horários para as orações mudam dependendo da posição do Sol. No mundo inteiro são chamadas simultâneas (adhan), 5 x ao dia: no nascer do Sol, meio-dia, meia tarde, noite e crepúsculo.

O Tuk nos leva a uma farmácia bem conhecida para mostrar produtos: Ircos Cosmetics (endereço:109 Quartier Industrielle) e Herboristerie Bab Agnaou. O farmacêutico fala espanhol e recebe a nós brasileiros (somos três) em uma sala privada e dê-lhe mostrar maravilhas. Óleo de argan como cosmético (não tostado) e para cozinhar (tostado, bom contra o colesterol), para o fortalecimento do cabelo e das unhas. O argan puro, não oleoso, bastam 8 gotas, o oleoso misturado com flor de girassol. Sabonete, creme hidratante, produto para tendinite, creme contra fungos, eczema e óleo contra rosácea. Óleos mil, perfumes como batom de eucalipto, de laranja, almíscar, cristal para sinusite, perfume antitraça, pitaya ou figo da Índia, botox natural em óleo, melhor que rosa mosqueta (4 gotas 3x semana). Pó misturado com açafrão para dor menstrual com água quente. Uau, saí toda perfumada, um lugar que queria ter comprado todo. No final, saí de lá com perfume flor de laranjeira para calmante em forma de batom, se coloca na testa dos dois lados antes de dormir e com chá de cominho para uma boa digestão. Aprendendo com os marroquinos. Demos 60 DH (R$36,14) para o Tuk de presente e nos separamos. Ele perguntou se queríamos ficar pelo local, mas dissemos que depois do almoço iríamos embora.

O motorista vem nos buscar às 15 h, então ali perto o Tuk nos deixou no restaurante L´ Orientale devidamente recomendados. Av. Mouahidine et Rue Bab Agnaou Marrakech. Restaurante típico marroquino, o valor da refeição com entrada, prato principal e sobremesa por 120 DH (R$72,28), o guia nos ajudou na negociação. Na mesa, toalha marroquina com pétalas, muitos turistas, lugar formoso. Antes, havia comprado chaveiros de lembrancinhas, as lojas são uma loucura e o preço fantástico, pena estar tão na pressa. Vamos ao cardápio: salada crua, cuscuz marroquino e pastelão de laranja, romã e uva, coberto por um creme leve. Refeição suave, delícia! Pra variar, tinha gato perto de mim.

De volta ao hotel às 15 h. À noite tínhamos um jantar sensação. Ficamos sem saber muito bem as diretrizes, isso faltou, porém sabíamos que alguém passaria às 20 h, então estávamos prontos no lobby do hotel Palm Plaza & Spa Marrakech na hora combinada. Chegou o motorista Nordim que já conhecíamos, muito simpático. E rumamos ao Complexo Chez Ali, longe que só, na Route de Casablanca, somente o Carlos e eu, o Renato não quis ir e o pessoal da excursão já havia partido.

Ali se fala o árabe, o berbere e o francês. Chegamos com cavaleiros nos esperando para a foto de entrada. Há a Caverna do Ali Baba com roupas berberes expostas e joias de mulheres. Mulheres vestidas de roupas típicas. Uma era originária de Ouarzazate com tatuagens de henna no queixo. O espaço é gigante, com músicas diversas, grupos de danças e roupas bonitas. São trupes folclóricas de todo o país. Funciona todos os dias, mesmo sendo lugar para turista ver, amei. Nunca vi nada igual. 25 anos atrás era só almoço com espetáculo de cavalos, porém foi crescendo e hoje é imperdível. O rei Hassan II esteve no lugar e gostou. Ajudou com a água e eletricidade. Vemos tendas Kaidal do deserto.

Há várias tendas de restaurantes para grupos grandes, o nosso era só o Carlos e eu, uma pena tanta comida. Bebidas por fora, gastronomia do povo berbere. Primeiro: sopa com especiarias e massa. Muito bom. Segundo: prato principal: tagine de carneiro com ameixas-pretas e sementes. O Carlos aprovou. Os grupos de música com homens e mulheres que estavam do lado de fora entram na tenda e se apresentam para cada mesa. Com roupas e apetrechos de cabelo dos homens diferentes. Que país mais colorido.

Veio o prato principal para mim de cuscuz com frango e legumes, gigantesco. Prato para 10 pessoas, fiquei triste por deixar tanto. Depois, cominho com água para a digestão, mais o prato doce: um pastelão com molho suave e amendoim triturado em cima. Maravilhoso com frutas dentro. Chá de menta e biscoito. Socorro! Vamos explodir! A coca cola: 30 DH (R$18,07). Quase a mesma comida do almoço, ainda estávamos cheios, imaginem.

Saímos para as arquibancadas já repletas de gente a fim de ver o espetáculo. Em frente, um campo aberto. E vai começar. Dromedários, música árabe, multidão aplaudindo. Cavaleiros berberes fazendo acrobacias nos cavalos e saindo em grupo para atirar suas espingardas em uníssono, ovelhas com pastor, um burrinho fazendo graça, finalmente, todos os grupos de dança e música juntos. Aladim no tapete voando e uma dançarina de dança do ventre no meio do campo, dentro de um local móvel. Fabuloso. Saímos realizados e felizes.

Marrocos, que país marcante e cheio de cores. Amei! Jornada que valeu a pena, indico.

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. O Carlos e eu no hotel Palm Plaza & Spa Marrakech, no retorno de um giro ímpar por cidades do Marrocos. Estamos no final da excursão da Special Tours/CVC, mas ainda com muito a conhecer. Ficamos no hotel somente os três brasileiros, eu incluída. Os espanhóis foram embora no dia anterior.

O dia começa com um café da manhã espetacular, vou sempre me lembrar. O iogurte é servido em um copo e é divino, um sabor incrível. Vejo passarinhos no salão imenso e repleto de turistas. A mesma comida do jantar anterior estava presente, muita gente come na primeira refeição. Não deu tempo para o meu cafezinho, tínhamos que encontrar o condutor que nos levaria ao passeio pela parte antiga da cidade.

Às 9 h, o condutor Aiul, que só fala árabe, nos pega em um carro preto chique (Dacia Lodgy) e leva a mim, o Carlos e o Renato ao encontro do guia Tuk. Fala várias línguas e é muito bem preparado. Com a gente, foi no espanhol. Os táxis são amarelos, a cidade é plana e vermelha. Eu gosto muito de cidades espaçosas.

Fomos aos grandiosos Jardins de Menara, os jardins mais conhecidos da cidade e antigos do Ocidente muçulmano. A fama tem a ver com um grande sistema hidráulico do séc. XII. A água vem do Atlas e foram utilizadas ferramentas antigas como pá e picareta, escavavam por baixo e faziam canais subterrâneos conectando com água de poços para lutas contra a falta de água. No inverno chove, mas pouco, tudo é seco demais. O fato de a cidade ser toda verde e sem chuva tem um segredo: esse antigo sistema hidráulico usado na agricultura/irrigação e para beber.

Segundo o site https://visitmarrakech.com, as necessidades hídricas destes espaços eram satisfeitas graças aos esgotos subterrâneos (Khettara), escavados segundo uma técnica iniciada pelos almorávidas a partir do século XI e adotada pelos almóadas, que enriqueciam a rede de canalizações superficiais. A criação desses jardins, segundo Ibn Sahib Assalate, é atribuída a Hajj ibn Yaïch, estudioso e legislador do Império Almóada. Para além das suas funções utilitárias e recreativas, esta piscina servia para o treino de natação dos soldados almóadas, em preparação para a travessia do Mediterrâneo até a Andaluzia. O mesmo site nos conta que autores antigos atribuem seu primeiros desenvolvimento ao sultão almóada ´Abd al-Mu´min ibn ´Ali (1130-1163). O sultão alauita Sidi Muhammed mandou construir ali um pavilhão com um mirante que servia de local para passeios e descanso.

O tanque do séc. XII, enorme para juntar água. 50 m de comprimento, 83 mil m³ de água, 150 m de largura e 2,80 m de profundidade, de acordo com o guia. A comporta abre e leva água por canais para o parque, uma irrigação controlada. As oliveiras começam aqui, são 100 hectares plantados. Mais de 100 canais vindos da cadeia montanhosa Atlas que baixam água sem neve e chuva. Poços evitam inundações. Antigamente se bebia essa água, hoje não mais, pois há a barragem Hassan II.

Os guias gostam de contar detalhes da sua cultura e de falar mal da política. Açafrão e oliveiras são bons laxantes. Os muçulmanos comem ruminantes herbívoros, porco nem eles nem os judeus. Motivo? Porque comem sujeira.

A importância da oliveira é secular. No séc. XX encontraram uma árvore parecendo selvagem. As azeitonas foram trituradas para o azeite e da árvore saiu a pepita argan.

Visita ao exterior da mesquita Koutoubia, irmã gêmea da Giralda de Sevilha na Espanha. Menara significa “farol religioso ou que indica o caminho”. Vemos o minarete: al-manara, um farol que indica o caminho para as chamadas religiosas e o caminho dos viajantes. No Marrocos, funcionava a Rota do Sal, para conservar a saúde para a pele (dermatologia), como feridas de pele de humanos e animais, dromedários, por exemplo. No séc. XVI, o sal era trocado por ouro. Combinado com a Rota do Sal, havia a Rota da Seda, a China oferecia chá, arroz e laranjas, a Índia especiarias. Havia ladrões no Atlas e na Península Ibérica de “olho” nas mercadorias.

Não se bebe água da torneira. No passado, a cabaça era a cantina para levar água com qualidade. O marroquino fala muito em saúde e na importância da água. Nos séculos XI e XII havia a luta para conseguir água boa de beber, viam a neve no Atlas como água. Das especiarias da Índia vieram também plantas compradas para curas. Os guias também falam muito contra armas, indústria farmacêutica e alimentação errada. Antes se comia pão com cevada e trigo, arroz nos finais de semana com resto de carne e peixe. A paella é herança dos árabes da Andaluzia, Espanha. A gente vê policiais a cavalo, são árabes e berberes. Estamos na praça Jmaa el Fnaa, um dos lugares mais interessantes de onde se acessam os souks (mercados) e a medina. Laranjeiras azedas na calçada, vieram da China, fazem sucos bons de vitamina C e são usadas na fabricação de geleias azedas para os britânicos. Há dromedários no local.

Estamos na medina (cidade velha) com a muralha, usada para a segurança à época, pois havia ladrões no passado. No séc. XV, muçulmanos e judeus foram perseguidos pela inquisição, então os judeus fugiram para a medina. A vida era honrada com respeito à religião dos outros. Três bolas no minarete. Convivência boa com a religião. A grua mostra a direção para Meca, o nascer do Sol. O bairro judeu perto do Palácio Real. Casa com pavimento era de judeu.

Os profetas eram intermediários de Deus com o ser humano. O poder leva ao mal. Política mundial difícil. Regras religiosas contra armas. O turista quando entra no país tem que ser protegido.

O shopping Menara Mall. Avenida Estrada da Porta Nova onde há grandes jardins e oliveiras também. Entre 1912 e 1956 o Marrocos foi colônia francesa, era pra ser protetorado, mas não foi. Os franceses construíram igreja, hotel. O rei Hassan II permitiu a nacionalidade dos judeus por meio de um decreto real. Em 1948 muitos foram embora para Israel.

Continuamos a caminhada a pé pela cidade antiga. Muitos turistas em todos os sítios históricos.

Entramos no Palais Bahia, Palácio do Bahia ou Palácio da Bonita, propriedade de um nobre da cidade. Encontramos mais laranjeiras azedas no lugar, substituíram as cabaças. Boa para enxaqueca a flor da laranjeira, usa-se o extrato que é relaxante. Para mulheres, então, com os maridos e as crianças gritando é especial. Achei um comentário engraçado. Para aliviar a cabeça, usa-se com leite. O guia Tuk compra nossas entradas para entrar no palácio.

São 8 hectares. O ministro que o construiu queria uma vida privada. Para isso necessitava de uma passagem cotovelo, um corredor, sem janela para ter privacidade e não ofender ninguém: ricos com pobres juntos. Deus quer o coração, a roupa não interessa, segundo o guia. Para tanto, o uso da vestimenta djellaba (a túnica) que esconde o traje por baixo. Dentro do palácio, um jardim marroquino. Escritórios de secretário e do ministro. O cedro usado. Teto lindo, salas diferentes. Vida administrativa do ministro. Salas para marroquinos diferentes das salas para estrangeiros. Cada sala com teto, tapetes no chão diferentes. Teto com tapetes iguais pareciam espelhos. Lá se faziam tapetes ricos de acabamento, outros de algodão. Para aquecer a casa, braseiro e mobiliário para cobrir o chão no inverno. Quando os franceses se foram, levaram os tapetes. Eram imperialistas. Não era protetorado, mas colonização.

Riad é uma casa com jardim, plantas e laranjeiras. Casas sem jardins também existem. A árvore cedro no Marrocos não é exportada. O muçulmano é monoteísta, crê em Deus. Os guias falam muito na religião deles. Casamento entre membros de famílias diferentes é bom para a paz. Mulheres viúvas seriam a segunda esposa, gesto nobre para a mulher ser amparada. Regra religiosa do passado: a poligamia, até quatro mulheres. A favorita seria a que tivesse um filho homem. Se a concubina tivesse o filho homem, se tornava a favorita e não as esposas. Em 2004, o rei Mohammed VI criou uma nova lei: só há uma segunda esposa se a primeira aceitar e há contrato com vantagens materiais para a primeira. No Palais Bahia, havia três salas para as outras e uma para a favorita. Hoje não mais esse harém todo, a economia não permite e o pensamento muda. O rei inovador Mohammed VI só tem uma mulher. A educação é que conta.

O salão marroquino com sofás e de mármore italiano com acesso privado era o da favorita. O guia nos conta muito sobre a cultura à época. Na religião se aceita o divórcio se o casamento não estiver bom. No Marrocos não se usa burca, não é obrigada a se cobrir toda. Nos jardins de inverno do palácio, havia espaço para as quatro esposas/mulheres em um pátio grande passearem e tomarem vitamina D sem cruzarem uma com a outra. Hoje são usados para eventos culturais, musicais e de casamentos. Os guias falam de forma aberta sobre assuntos matrimoniais.

Vimos plantas de ginseng, boas para a cabeça. Do pátio aberto, saímos para o jardim com uma gateira, ou seja, os gatos entravam pelos buracos na porta a fim de comer os ratos, e ali também funcionava escola para os filhos. Eram selvagens, hoje, não. Atualmente esgotos, antes fossas antissépticas.

Continuamos no Palácio do Bahia. Na casa, os pátios são abertos e as janelas para dentro. Tetos altos e quartos fechados com temperaturas agradáveis para o frio. São pequenos, quadrados, sem janelas, com tapetes, a cama em cima do chão com armários. O teto fechado para evitar temperaturas fortes. Para o verão se usava os quartos maiores com degrau, uma porta dentro da outra. Casa completa com lado para os servos. Muitos detalhes na casa. Quarto pequeno para a mulher amamentar, passagem com três portas. Guardas na passagem cotovelo para evitar a entrada de estrangeiros. Banheiros. Pintura nos tetos feita de cedro, pigmentos, papoula (cor vermelha), alecrim (cor verde), alfavaca, puro açafrão em pó, filamentos, barba do milho pintado, índigo vegetal (azul, usado por tuaregues contra mosquitos), clara de ovo (cor branca), antimônio para proteger os olhos (cor preta).

No mundo muçulmano, não há imagens, consideram idolatria, mas existem a caligrafia (saúde permanente, a escrita), os motivos florais e geométricos.

Os muçulmanos não são fãs de carne vermelha, porque os animais comem coisas sujas. Preferem a carne salgada, cevada fervida e seca, tâmaras com leite, bom para a saúde. É o que comiam nas caravanas do passado. Mulheres puérperas tomam cerveja (cevada) e pão.

Sem dúvida, outro mundo. De lá vamos prosseguir nos passeios.

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.

Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.

Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.

Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.

Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.

Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.

Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).

Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.

A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?

A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic Rose Water Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.

Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.

Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No Hotel Karam Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.

Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.

Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Estamos em Fez e partiremos para Erfoud, passando por cidades pelo caminho e atravessando o Médio Atlas. Acordamos às 6 h, descemos para o café da manhã, que achei fraco para um hotel 5 estrelas. Às 7h30 fomos embora do hotel Zalagh Parc Palace de ônibus. Cidades limpas, em geral, verdes, repletas de cores. Como não se encantar?

Pedágios na rota. As estradas muito boas, verdadeiros tapetes. O guia Abdul I (o II foi o de Fez) nos conta detalhes do clima. Em Marrakech e Fez faz muito calor, uns 50° C, no verão, logo muitos moradores têm casa de veraneio em Ifrane, uma aldeia montanhosa, cuja aparência é de uma vila suíça, com altitude de 1650 m. O pico mais alto vai a 2 mil m. e o clima é de ameno a frio. Outro lugar de montanhas a conhecer, segundo o guia, é Immouzer Kandar para amantes da natureza e alpinismo. O cume da montanha Djebel Abad alcança 1760 m de altura.

Estamos na região de serra, com povoados a 438 km de Marrakech. Há lagos perto. Árvores de cedro, macieiras e amendoeiras, a água usada tem origem nas montanhas. No país é muito comum ver maçãs amarelas, verdes e vermelhas. Região da fruta. No ônibus, continuamos nos comunicando em espanhol e inglês com o guia, ele nos ensina um pouco de árabe.

Na vila de Ifrane, existe o maior estabelecimento privado da África de língua inglesa: Universidade Al Akhawayn. Usa os sistemas de ensino de Oxford e Cambridge com professores da América do Norte, de acordo com Abdul I. São 75 hectares, os estudantes são de diversas nacionalidades, além dos abonados de Fez, Casablanca e Marrakech. Foi fundada em 1995 pelos reis Hassan II, do Marrocos, e Fahd, da Arábia Saudita. Em Ifrane, treina a seleção de atletismo do país, e a seleção de futebol marroquina se concentra no local antes de campeonatos.

Os bosques bonitos de se ver transformam a cidade em magnífica. Diria que é a Gramado (no Rio Grande do Sul) deles. A Wikipédia nos conta que a cidade foi fundada pelos franceses durante o protetorado como estância alpina, tem um aspecto notavelmente europeu, lembrando uma aldeia nos Alpes, por isso ser chamada de a “Pequena Suíça”. Devido à grande altitude, a neve é abundante no inverno e tem clima fresco no verão.

Uma curiosidade: o Leão de Ifrane”, o logotipo mais fotografado da cidade e ícone de toda a população, é uma escultura anônima, feita inteiramente de pedra, de acordo com a página do blog: The lion of Ifrane em Ifrane: 5 opiniões e 3 fotos, já a Wikipédia diz que é obra de 1930, do escultor francês Henri Jean Moreau (1890-1956). Também é dito que o Leão foi esculpido por um soldado alemão durante a II Guerra Mundial, quando Ifrane foi usado como campo de prisioneiros. A escultura é uma homenagem ao último leão selvagem do Atlas, que foi abatido nas proximidades da cidade, no início dos anos 1920. O nosso guia afirma que dá sorte e ter uma foto ao lado dele faz parte do ritual dos viajantes.

Descemos no Hotel Le Chamonix para café e fotos. Aliás, um expresso por 15 DH (R$8,89). Cidade pacata, com um parque em frente (Parc La Prairie) e ao lado, venda de pedras e colares nos bancos de sentar. Que lugar mais formoso. No local se encontra o “Leão de Ifrane ou de Pedra”. Clima no momento de 14º C, uma delícia. Parque florido, tudo tão gracioso. Na calçada do hotel, banca de frutas secas e o mercadinho Caprice Shop para guloseimas. Vendem muitas túnicas em todos os locais. Parece também com Gravatá em Pernambuco, só não o clima congelante, com certeza. As casas são estilo alpino, quem diria que no Marrocos haveria uma cidade assim? Grata surpresa.

Um dos palácios da Família Real do Marrocos está na cidade, onde o rei Mohammed VI e sua família passam o final de ano. Bosques e mais bosques de cedro, são protegidos pelo governo. Aliás, a Wikipédia nos conta que os bosques são semelhantes aos da região de clima frio da Europa, com espécies como o cedro-do-atlas, carvalho-português, azinheiras e o pinheiro-bravo. Estamos em um vale entre as montanhas.

Segundo a Wikipédia, Ifrane é uma cidade e estação de esqui do centro-norte do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Méknes-Tafilalet. Significa “grutas” em berbere. Situa-se nas montanhas do Médio Atlas, a 1700 m de altitude e a 70 km ao sul de Fez. Nos arredores da cidade, há três áreas naturais protegidas: o Parque Nacional de Ifrane, a noroeste; a Floresta de Cedros, ao sul; e a Reserva de Caça de Ifrane, a nordeste.

Saímos de Ifrane, maravilhados, e seguimos pela estrada, utilizada por quem vem de Fez para o deserto e países vizinhos. Vemos o cordeiro de cabeça marrom que come plantas. Caminho verdejante, porque neva. Não há animais selvagens, estamos na Patagônia marroquina.

Que floresta de cedros incrível! Pinheiros e cedros. Há macacos na região, visualizamos alguns. Vimos motocicletas da Alemanha. Quando neva, tudo fica branco. Os nômades moram na localidade, vivem entre as serras. Sim, no Marrocos existem populações nômades. Quando neva, vão para o sul com seus rebanhos de ovinos (ovelhas e cordeiros) e retornam em abril. Antes se movimentavam livremente entre os países, mas com a existência de fronteiras, já não podem mais. Os mais jovens das famílias preferem morar nas cidades.

Vimos montanhas com árvores, onde se pratica esqui, porém é perigoso, por causa dos troncos no percurso. Mais nômades com seus rebanhos. Estão em preparação para a Festa do Cordeiro (em árabe Aid al-Adha), feriado religioso, que ocorre uma vez por ano, em período variável, baseado no calendário lunar islâmico. Sucede a peregrinação à Meca e comemora o sacrifício que Abraão fez por sua fé em Deus. Cada família compra pelo menos um cordeiro por €200 a €250 euros, para a festa dispendem uns €1200 euros. Na cultura local, o “noivo” casa com a família, quando um problema aflora com a esposa, ocorre com a família toda.

Plantações de maçãs, as melhores do país. A água vinda das montanhas é pura. Região de plantações de batata-doce e legumes para consumo próprio das famílias, a terra escura é fértil. Passamos por montanhas rochosas com um córrego ao lado, mais curvas e mais nômades. Controle de documentos do motorista pela gendarmeria, povo elegante.

Que contraste o deserto com a cadeia de montanhas Atlas e seus picos nevados. Prosseguiremos com a jornada em breve pelo Marrocos fascinante.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Hoje é dia 6 de novembro de 2024. Continuamos em Fez no passeio. Vamos a pé à medina. Somos um grupo de 7 turistas: 3 brasileiros e 4 espanhóis. E dois guias: o nosso da excursão Abdul I e o Abdul II, expert em Fez. Muitas dicas do Abdul II. Não há semáforos na cidade antiga. Balak: aparta-te; andak: cuida-te. Cuidado com as mulas e burros, e com os ambulantes, pois fogem da polícia e não dão troco. Não há insegurança na medina em geral. Muito calor. Os clientes satisfeitos trazem muitos turistas. Para tirar fotos, há que pedir permissão. O guia fala muito sobre a cultura local, respeito e educação com os marroquinos. Quando se viaja para outro país, temos que saber dos hábitos locais. O guia declama poemas, canta, nos conta sobre literatura peruana e filologia. Um talento esse Abdul II. Escreve em árabe: “Sejam bem-vindos, sr. Carlos e sra. Mônica” no meu caderninho”.

Ruela na medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

No bairro histórico, há um restaurante do séc. XV com comida caseira para almoço. Café é mais caro que chá. Chá faz parte do menu. Atrás do hotel Fez Heritage Boutique Hotel, casas de ricos. Andamos pela medina. Nós brasileiros nos espantamos como os espanhóis do grupo fumam. Começamos a parte antiga: o labirinto, medieval. O guia Abdul II é amigo de todos, nos leva a um costureiro, em uma sala minúscula, sentado, trabalhando em um sofá. A casa verde com fontes de água, um restaurante caro: Riad al Yacount. Riad significa “casa antiga”.Ruelas com lojas de mosaicos e artesanato, cujas soleiras também são de mosaicos. Ruelas com motos estacionadas, parece Florença-Itália. A Riad Dar Skalli é uma casa com portas de madeira decoradas, incrível. Tudo tão diferente. Acho fantástico saber que pessoas moram nelas. Na placa vemos o nome da rua em árabe, berbere e o nome latino. Quando tem a forma quadrada indica rua com muitas saídas. Na medina labiríntica, há hotéis, albergues (youth hostels), agências de câmbio. Passamos por uma casa de uma família judia: Derb Cohen, ele teólogo.

Os churros (doces) vendidos em outra sala pequena parecem bromas. Outra sala de balas, o botijão de gás é bem pequeno. O arco divide bairros. Ao lado, uma mesquita. O sapateiro é o sacristão da mesquita, chama para a reza e fecha a sapataria, que é um banco de sentar. Mercadinho de frutas, moradores passam tempo ali conversando. Muitos cafés, restaurantes, lojas de mosaicos. Fotos da medina em uma parede. Loja de roupas, costureiros. Mais fresco o clima dentro das ruelas. Nos cantos, lixo. Gatos mil, dizeres religiosos nas paredes. Place Oued Rehacha (praça rio Rehacha), com lojas de roupas. Fonte de água sem água na ruela significa que casas têm água.

Uma escola e uma mesquita em cada bairro. Casas pobres com banhos públicos, a casa tem banheiro para mulheres e crianças, os homens usam o da rua. Um banho turco por 20 DH (R$121,41) oferece massagista para esfoliação da pele nos homens com o banho. Sai limpo e purificado, a pessoa dá o que quer de dinheiro. O guia fala sobre a caridade independente de religião. Na Dar Mia, carpintaria, loja de couro e padaria (pão caseiro). Quem se perder pela medina, não se preocupe, a Central encontra a pessoa. Muitos alfaiates. No passado, pousadas albergavam comerciantes e animais, era um caravançarai gratuito. Hoje são lojas.

Vemos lojas de chaveiros, sapatos marroquinos, bolsas em couro. Interessante que não usam adoçante, é açúcar refinado mesmo. Lojas e lojas, um mercado fascinante. Vimos a pousada Foundouk el Berka. Foundouk significa “estalagem”. Entramos na feira. A barra de madeira divide a zona sagrada. Muito incenso, túnicas belas.

Na porta 4 dentre as 14, a universidade Al Quaraouiyine, a Gran Universidad, com 270 pilares para 22 mil fiéis. Foi fundada em 859 como uma madrasa por Fatima al-Fihri, filha de um próspero comerciante Mohammed al-Fihri. Ela decidiu destinar toda a herança recebida do pai à construção de uma mesquita para a sua comunidade. Nessa mesquita, instalou-se a primeira madraça que se tem notícia. Várias fontes descrevem a madraça medieval como uma universidade, de acordo com a Wikipédia. Similar à mesquita de Córdoba-Espanha. Na madrasa (escola), o primeiro altar com fonte no centro parece com o Patio de los Leones, do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Na mesquita não se entra, só se olha por fora. A feira é uma loucura de gente.

Na universidade, nos conta a Wikipédia, ensinou Maimônides (1138-Córdova, Império Almorávida, hoje Córdoba na Andaluzia-Espanha, falecido no Cairo-Império Aiúbida, hoje Egito, em 1204)), médico, escritor, rabino, conhecedor de astronomia, teologia, letras, lutava contra o analfabetismo. Uma das principais figuras intelectuais do judaísmo medieval. Além de reverenciado pelos historiadores judeus, é também figura proeminente na história das ciências islâmicas e arábicas. Proeminente filósofo, polímata (com conhecimento em diversos assuntos) tanto na tradição judaica quanto na islâmica.

Na biblioteca, pode-se consultar documentos antigos feitos de couro de gazela. Localizada no centro histórico, integra o complexo da universidade e é considerada a mais antiga do mundo em atividade Também fundada no séc. IX, possui mais de 4 mil livros raros e manuscritos árabes, de acordo com a Wikipédia.

Madraça Attarine-Medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Entramos na madrasa ou madraça (escola) Attarine. A Wikipédia nos informa que é uma antiga escola (corânica), fundada em 1310, sendo o edifício construído entre 1323 e 1325 pelo sultão merínida Abuçaíde Otomão II em Fez el-Bali (Fez, a velha), junto à universidade Al Quaraouiyine. Deve seu nome ao soco (bairro de comércio) de perfumes e especiarias vizinho, o Soco de Attarine.

A escola destinava-se a formar os altos funcionários da administração merínida. O pequeno edifício é considerado uma obra-prima da arte decorativa. Já o guia Abdul II nos diz que nela se ensinava teologia superior para futuros imãs ou imamatos, guias religiosos muçulmanos. Nas janelas, dormiam os estudantes pobres, agora monumento. Vimos a sala de oração e aula, o altar (porta) e a sacristia na direção de Meca. Para o guia, nada é desculpa para o muçulmano não orar. Ele fala no Corão e nas escolas xiita, sunita e maliquita (maliquismo: corrente de direito islâmico do Islã sunita), mais moderada, predominante no norte da África, na África Ocidental e em alguns territórios isolados da península Arábica, e seguido por 20 a 35 % dos muçulmanos, segundo a Wikipédia. Na parede da madrasa, o mosaico com preto são letras que foram recitadas para nós. O Abdul II ainda o fez com musicalidade e a devida tradução. Entramos na mesquita. Ao sair, comprei figos secos. Vemos um mausoléu e cemitério perto, velas e incensos são comprados como oferenda.

Os muçulmanos reverenciam Fatima, a filha mais nova do profeta e de sua esposa Khadija. Nasceu em Meca em 605. E morreu em Medina em 632 ou 633, conforme a Wikipédia. Era casada com Ali (o quarto califa para os sunitas ou o primeiro para os xiitas).

Almoço (entrada) no La Medina Bis Restaurant-Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, almoço. Entramos no restaurante pelos banheiros no mosaico, que original. Mesas para o grupo, tudo formoso. La Medina Bis Restaurant, endereço: 13, Bis Derb El Hannan Guerniz. com 10 opções de menu. Para o almoço, de entrada, salada com diversos pratos: beterraba, arroz, feijão marroquino ao molho, azeitonas etc. Prato principal: cuscuz marroquino com batata, cenoura, pimentão e frango. Frutas: tangerina e uvas. Chá de hortelã. De sobremesa: uma rosca, tipo pastel de coco, delícia. Depois rumamos à loja El Corte Marroqui com artesanatos, produtos de prata e joias. O vendedor Jawar, bem-falante. Comprei brincos e pulseira estilizada, bem típica do Marrocos, por 200 DH (R$120,60). Para limpar, bicarbonato.

Bairro de los Curtidores. “Curtidor” em português, aquele que faz curtimento (fonte: Oxford Languages). Mais lojas de couro, são mochilas, bolsas, e muito mais. Em uma delas, subimos ao Curtume (ou tannerie, em francês) Chowara,um dos mais antigos do mundo, por escadas intensas até o terraço. Está em operação há mais de mil anos. O guia da loja nos mostra o processo de curtimento do couro, longo e complicado, e as piscinas embaixo para curtir o produto. Lá há uma cesta com folhas de hortelã para cheirarmos por causa do seu odor forte. Na volta, descemos na loja, com muitos produtos à venda, são jaquetas, botas, bolsas. Produtos bonitos de couro legítimo. Vale ler mais em Curtume Chouara, Fes, Marrocos.

Estamos na praça dos Carpinteiros. Tem loja de tudo, e logicamente carpinteiros, especiarias, ouro, madeira. Praça de los Tejedores (tecelões). Lojas de tecidos mil, echarpes, entramos em uma. O vendedor simpático nos explica como se faz o tecido em lã, algodão (em espanhol). Mostra o trabalho do tear. A peta é rica em fibras de seda (agave). Panos, cachecóis, capas de almofada, bolsas diversas, um deslumbre por €15, €20, €30 euros. Estamos cansados e sentados na loja.

No retorno, estamos exaustos. Muitos ambulantes vendendo seus produtos seguem a gente. Não vi ninguém pedindo esmola. São vendedores, segundo o guia Abdul II. No ônibus ele nos diz “até logo”. Que figura! Sai cantando músicas em espanhol.

Voltamos para o hotel às 18 h. 20 h é o jantar/show (cena/show) que havíamos pago de manhã antes do passeio, €50 euros cada. Nos hotéis em que nos hospedamos há sempre um bar com música árabe, bem estilizado. Pena que fumam dentro. O jantar com música árabe será no Restaurant Palaisal Firdaous no Riad Darif. Decoração árabe, lugar enorme com espaços abertos. O jantar com entrada de pão, feijão-branco, pasta de berinjela, cenoura, beterraba cozidas etc. Prato principal: pastelão de frango e canela. De sobremesa, uma torta redonda de tamanho médio (típica deles). Ainda servem umas roscas, um pouco duras. O vinho Toulal Prestige do Marrocos. A comida estava ótima, mas ainda estávamos cheios do almoço, que foi semelhante. Sem dúvida, as refeições são fartas.

Eram duas mesas, os espanhóis sentaram juntos e fiquei eu e o Carlos em uma mesa sozinhos, aí o casal de Santiago de Compostela (Fran e Silvia, da Venezuela)) vieram sentar com a gente, achei muito querida a atitude deles. Depois da cena, vieram as danças do ventre. A primeira dançarina, tudo bem, mas a segunda só fazia brigar com um dos músicos, a gente não entendia nada, mas deu pra divertir com o inusitado da situação. Depois, ela convidava pessoas da audiência para dançar. Após a dança, veio o mágico. Sinceramente, não compreendi o motivo de ter um mágico ali. O melhor da noite e mais divertido foi quando convidaram o casal que estava conosco e uma outra senhora da excursão para se vestirem a caráter, com roupas da realeza do país. O Fran e a Silvia ficaram um arraso de sultão e sultana. A apresentação deles para o público ocorreu com muitos aplausos, e ela chegou em uma almofada grande, carregada por funcionários do restaurante. Por fim, a foto oficial por 50 DH (R$30,15). Eu sempre compro, não resisto. Valeu? Só pela apresentação final. Foi muito, muito engraçada.

Prosseguiremos para Erfoud.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte

Hoje é quarta-feira, dia 6 de novembro de 2024. Estamos em Fez depois de um dia anterior intenso dentro do ônibus e com muitas paradas em cidades. O hotel Zalagh Parc Palace é belo e estamos desta vez em um quarto mais perto do refeitório. Dormimos tanto, estávamos exaustos. O café da manhã é mais simples que o de Makarrech, ficamos realmente mal-acostumados. Digno de nota foi uma torrada de farinha, açúcar, ovos e amêndoa, simplesmente deliciosa. E o suco de pêssego suculento e o de laranja muito bom. Sempre acho interessante ver saladas de verduras e legumes no café da manhã. Outras culturas gostam. O hotel tem muitos quartos, a gente caminha muito. Enorme, pra variar. O guia Abdul pergunta no lobby quem quer ir a um jantar típico com dança e música à noite (extra). Como todo mundo ia, fomos também, porém caro: €50 euros para cada um. Depois conto mais.

Pegamos o ônibus e lá fomos conhecer a cidade, tão citada pela minha mãe. O clima estava bom, ensolarado. Estamos na cidade moderna, com avenidas largas e prédios baixos até 6 andares. Lembrando que para não quebrar a harmonia arquitetônica do lugar. Outro guia entrou: outro Abdul! Eles se autodenominaram Abdul I (o nosso) e Abdul II. Se falam com beijinhos na face, nada mais cultural. Abdul II tem expertise em Fez.

Comecemos. Faremos a visita completa da cidade religiosa do país, a mais antiga do reino marroquino. O nosso folder da excursão da CVC nos esclarece que Fez foi fundada no séc. VIII por Idriss II e é considerada uma das 4 capitais imperiais. Realizaremos um tour pelos locais mais emblemáticos, como os portões do Palácio Real, o bairro judeu. Acessaremos a medina através do portão de Bab Jeloud onde teremos a possibilidade de viver um retorno ao passado em uma parte da cidade que ainda vive na Idade Média. Conheceremos a vida dentro das muralhas que protegem seu interior formado por centenas de ruas labirínticas organizadas onde os clientes podem viver mil cheiros e sabores no local.

O guia Abdul II a chama de cidade “das mil e uma noites”. A zona ocidental com inúmeras árvores em canteiros centrais, verdadeiros bosques. O Marrocos é um país verde. E é um modelo de tolerância entre países muçulmanos. Não há problemas com outros povos. Prosseguimos na língua espanhola, já que a maioria dos viajantes da excursão são da Espanha. Igrejas católicas, protestantes, sinagogas são vistas. Existem bares com a permissão de venda de bebidas alcoólicas (recordando que a religião do país não permite).

Estamos na avenida Hassan II, os Champs Élysées (“Campos Elísios” de Paris) de Fez. O guia continua com sua fala. As guerras atuais são “petroguerras”, o marroquino não é fanático. Zona francesa no protetorado. “Quando passou a colônia (espanhola, ao noroeste do Marrocos), veio a guerra” (por grande parte do Saara Ocidental contra a Frente Polisário, movimento de libertação local). “País sem cultura, corpo sem alma”; “Turismo é terapia, política é doença”; “Viver a autenticidade é conhecer a parte antiga”, a parte moderna é ocidental. “A medina é o casco viejo de la ciudad”. “Quem conta a história são os vencedores”. “Astúrias é Espanha, o resto são terrenos conquistados”.

Passaremos por locais onde a novela O Clone da TV Globo foi gravada, no país fez o maior sucesso. Os Palácios Reais são da nação e não da Família Real, ou seja, são patrimônio nacional. São a residência do rei Mohammed VI. Em Fez, o Palácio Real tem 82 hectares. Hoje é o dia da Marcha Verde, feriado nacional. Vimos crianças de túnicas vermelhas com a estrela verde, cores da bandeira do país, cantando juntas na rua com o professor.

A universidade mais antiga do mundo, do séc. IX (859 d. C.), se localiza na medina em Fez. Continha sábios persas, muçulmanos e outros. A Wikipédia nos conta que se trata da mesquita e universidade Al Quaraouiyne, também a biblioteca mais antiga do mundo em atividade. Foi criada por Fatima Al-Fihri, filha de um próspero comerciante. Era uma madrasa medieval. Madrasa significa escola em árabe.

Estamos a pé para os passeios. Vemos a placa do portão do Palácio Real. Está escrito: o portão monumental oferece um pouco do seu esplendor. Foi construído em 1960, durante o reinado do rei Hassan II, revelando toda a magnificência do artesanato Fassi, caracterizado pela leveza e simetria da arte e decoração marroquina andaluza. Muito bonita a fachada. Segundo o site https://www.vagamundos.pt/, Fes el Jdid (Fez-a-Nova) foi fundada no séc. XIII, que inclui o Méchouar onde foi erigido o complexo do palácio real. É tão colossal que teve que ficar de fora da cidade velha dando origem à cidade nova.

Também vemos a placa dos Circuitos Turísticos de Fes Medina. “A mãe da ciência é a paciência, não a violência”, diz Abdul II. Há cemitério judeu no canto sudoeste do antigo bairro judeu, denominado de Mellah, do séc. XIV. Também há sinagogas. São 14 milhões de turistas ao ano, a taxa de regresso mostra o sucesso. Muita gente em todos os lugares. O guia Abdul II é simpático, bem-humorado e conversa com todos, parece professor.

Estamos na praça dos Alauitas, antes praça do Sultão. Marrocos, país pobre, africano, terceiro mundista. Os guias são sempre sinceros. O Palácio Real ou Palácio das Sete Portas: Dar elMakhzen. Portas ou portões. Atrás das Sete Portas, uma mesquita, madrasa, centro cultural. Sete Portas, estilo do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Como os arcos da medina de Córdoba-Espanha, as Sete Portas são forradas com lâminas de bronze, pesadas e com valor. As portas são limpas com limão a cada 3 meses. Uma porta ou portão para cada dia da semana. Zona militar depois da zona residencial. Os franceses trouxeram o golfe, futebol, esportes. Cada dinastia renova para ter sua História. Aliás, a Ville Nouvelle (cidade nova) foi projetada e construída pelos franceses durante o período colonial (fonte: https://www.vagamundos.pt/).

“A riqueza começa na mente, no coração e depois no bolso”. No país tem pobreza, mas não miséria. O Abdul II é rico em palavras. Na opinião dele, os protetorados francês e espanhol foram bons para o país. Alguns tinham ideias colonialistas, o que não era bom. “Melhor morar aqui, porque se tiver uma dor, todos ajudam, se for em outro país, será forasteiro”.

Visita de encanto cronológico, vamos do séc. VIII ao XIV. Na medina, ou seja, cidade antiga, ainda vívida e com moradores.Fes el Bali, ou seja, Fez-a-Velha do séc. VIII, Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1981. São 170 hectares, 9600 ruelas, 145 mil pessoas moram no local e encontram-se trabalhadores manuais: alfaiates, costureiras, vendedores, sapateiros etc. São 6 filhos por casal. Milhares de turistas nas ruelas labirínticas, bem policiado. Ali não é tão limpo, soube que a limpeza é feita por senhores com burros que recolhem o lixo e começam o serviço às 6 h. A cada esquina uma brigada turística. A entrada, de acordo com o blog https://www.vagamundos.pt/, ocorre por Bab Bou Jeloud, mais conhecida como a Porta Azul, por causa do painel de azulejos que a decora. Ali passam pessoas, carroças e burros que transportam produtos a caminho dos mercados ou souks.

Segundo Abdul II, da zona moderna para a antiga são dois séculos de mudança de mentalidade. Também há escolas na medina, o professor primário se chama maestro, o professor é de instituto. Um professor se faz presente desde o passado a cada passo. O meio de transporte dentro da medina é cavalo, mula ou burro. Uma amiga da Família Real, a americana Barbara Carter quando viu os animais serem usados na medina, patrocinou um hospital veterinário: a American Fondouk.

Voltamos ao ônibus e subimos a colina rumo ao miradouro Borj Nord, um forte do séc. XVI renovado e convertido em Museu das Armas para ter uma ideia da cidade antiga (medina). De lá, visualizamos a universidade mais moderna, criada pelo rei Mohammed V, pai da nação, falecido em 1961. Há o ensino de filologia, letras e outros cursos e data de 1956. Bem policiado. Da mesma forma, se vê o minarete na parte francesa, considerado o farol e o coração do bairro, a Mesquita Branca. Duas pirâmides verdes, a escola (madrasa) e o Palácio Real, do séc. XIV. Os vendedores trabalham fora das grades no mirante, é para pechinchar nas compras, não há preço fixo. À esquerda, muralha do bairro andaluz. Outro miradouro fica no irmão gêmeo, o forte Borj Sud, no extremo oposto.

Mulheres muçulmanas usam túnicas e os homens também. Os guias criticam a politica argelina e acham que as fronteiras aumentam o rancor das nações.

Do mirante nos dirigimos à cooperativa Mosaico e Cerâmica de Fez (Mosaique et Poterie de Fes). Conhecemos o ofício de fazer a cerâmica. São várias salas com produções diferentes: cortam os mosaicos, colocam em fibra de vidro, pintam, são modelos árabes e berberes. Na loja, existem vasos, fontes de água, pratos, bandejas etc para venda. Tudo muito lindo, eu amo mosaicos, então me deleitei. Comprei uma tartaruga diminuta e estilizada para decoração.

Prosseguiremos em breve com o nosso passeio em Fez, cidade imperdível.