Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. O Carlos e eu no hotel Palm Plaza & Spa Marrakech, no retorno de um giro ímpar por cidades do Marrocos. Estamos no final da excursão da Special Tours/CVC, mas ainda com muito a conhecer. Ficamos no hotel somente os três brasileiros, eu incluída. Os espanhóis foram embora no dia anterior.

O dia começa com um café da manhã espetacular, vou sempre me lembrar. O iogurte é servido em um copo e é divino, um sabor incrível. Vejo passarinhos no salão imenso e repleto de turistas. A mesma comida do jantar anterior estava presente, muita gente come na primeira refeição. Não deu tempo para o meu cafezinho, tínhamos que encontrar o condutor que nos levaria ao passeio pela parte antiga da cidade.

Às 9 h, o condutor Aiul, que só fala árabe, nos pega em um carro preto chique (Dacia Lodgy) e leva a mim, o Carlos e o Renato ao encontro do guia Tuk. Fala várias línguas e é muito bem preparado. Com a gente, foi no espanhol. Os táxis são amarelos, a cidade é plana e vermelha. Eu gosto muito de cidades espaçosas.

Fomos aos grandiosos Jardins de Menara, os jardins mais conhecidos da cidade e antigos do Ocidente muçulmano. A fama tem a ver com um grande sistema hidráulico do séc. XII. A água vem do Atlas e foram utilizadas ferramentas antigas como pá e picareta, escavavam por baixo e faziam canais subterrâneos conectando com água de poços para lutas contra a falta de água. No inverno chove, mas pouco, tudo é seco demais. O fato de a cidade ser toda verde e sem chuva tem um segredo: esse antigo sistema hidráulico usado na agricultura/irrigação e para beber.

Segundo o site https://visitmarrakech.com, as necessidades hídricas destes espaços eram satisfeitas graças aos esgotos subterrâneos (Khettara), escavados segundo uma técnica iniciada pelos almorávidas a partir do século XI e adotada pelos almóadas, que enriqueciam a rede de canalizações superficiais. A criação desses jardins, segundo Ibn Sahib Assalate, é atribuída a Hajj ibn Yaïch, estudioso e legislador do Império Almóada. Para além das suas funções utilitárias e recreativas, esta piscina servia para o treino de natação dos soldados almóadas, em preparação para a travessia do Mediterrâneo até a Andaluzia. O mesmo site nos conta que autores antigos atribuem seu primeiros desenvolvimento ao sultão almóada ´Abd al-Mu´min ibn ´Ali (1130-1163). O sultão alauita Sidi Muhammed mandou construir ali um pavilhão com um mirante que servia de local para passeios e descanso.

O tanque do séc. XII, enorme para juntar água. 50 m de comprimento, 83 mil m³ de água, 150 m de largura e 2,80 m de profundidade, de acordo com o guia. A comporta abre e leva água por canais para o parque, uma irrigação controlada. As oliveiras começam aqui, são 100 hectares plantados. Mais de 100 canais vindos da cadeia montanhosa Atlas que baixam água sem neve e chuva. Poços evitam inundações. Antigamente se bebia essa água, hoje não mais, pois há a barragem Hassan II.

Os guias gostam de contar detalhes da sua cultura e de falar mal da política. Açafrão e oliveiras são bons laxantes. Os muçulmanos comem ruminantes herbívoros, porco nem eles nem os judeus. Motivo? Porque comem sujeira.

A importância da oliveira é secular. No séc. XX encontraram uma árvore parecendo selvagem. As azeitonas foram trituradas para o azeite e da árvore saiu a pepita argan.

Visita ao exterior da mesquita Koutoubia, irmã gêmea da Giralda de Sevilha na Espanha. Menara significa “farol religioso ou que indica o caminho”. Vemos o minarete: al-manara, um farol que indica o caminho para as chamadas religiosas e o caminho dos viajantes. No Marrocos, funcionava a Rota do Sal, para conservar a saúde para a pele (dermatologia), como feridas de pele de humanos e animais, dromedários, por exemplo. No séc. XVI, o sal era trocado por ouro. Combinado com a Rota do Sal, havia a Rota da Seda, a China oferecia chá, arroz e laranjas, a Índia especiarias. Havia ladrões no Atlas e na Península Ibérica de “olho” nas mercadorias.

Não se bebe água da torneira. No passado, a cabaça era a cantina para levar água com qualidade. O marroquino fala muito em saúde e na importância da água. Nos séculos XI e XII havia a luta para conseguir água boa de beber, viam a neve no Atlas como água. Das especiarias da Índia vieram também plantas compradas para curas. Os guias também falam muito contra armas, indústria farmacêutica e alimentação errada. Antes se comia pão com cevada e trigo, arroz nos finais de semana com resto de carne e peixe. A paella é herança dos árabes da Andaluzia, Espanha. A gente vê policiais a cavalo, são árabes e berberes. Estamos na praça Jmaa el Fnaa, um dos lugares mais interessantes de onde se acessam os souks (mercados) e a medina. Laranjeiras azedas na calçada, vieram da China, fazem sucos bons de vitamina C e são usadas na fabricação de geleias azedas para os britânicos. Há dromedários no local.

Estamos na medina (cidade velha) com a muralha, usada para a segurança à época, pois havia ladrões no passado. No séc. XV, muçulmanos e judeus foram perseguidos pela inquisição, então os judeus fugiram para a medina. A vida era honrada com respeito à religião dos outros. Três bolas no minarete. Convivência boa com a religião. A grua mostra a direção para Meca, o nascer do Sol. O bairro judeu perto do Palácio Real. Casa com pavimento era de judeu.

Os profetas eram intermediários de Deus com o ser humano. O poder leva ao mal. Política mundial difícil. Regras religiosas contra armas. O turista quando entra no país tem que ser protegido.

O shopping Menara Mall. Avenida Estrada da Porta Nova onde há grandes jardins e oliveiras também. Entre 1912 e 1956 o Marrocos foi colônia francesa, era pra ser protetorado, mas não foi. Os franceses construíram igreja, hotel. O rei Hassan II permitiu a nacionalidade dos judeus por meio de um decreto real. Em 1948 muitos foram embora para Israel.

Continuamos a caminhada a pé pela cidade antiga. Muitos turistas em todos os sítios históricos.

Entramos no Palais Bahia, Palácio do Bahia ou Palácio da Bonita, propriedade de um nobre da cidade. Encontramos mais laranjeiras azedas no lugar, substituíram as cabaças. Boa para enxaqueca a flor da laranjeira, usa-se o extrato que é relaxante. Para mulheres, então, com os maridos e as crianças gritando é especial. Achei um comentário engraçado. Para aliviar a cabeça, usa-se com leite. O guia Tuk compra nossas entradas para entrar no palácio.

São 8 hectares. O ministro que o construiu queria uma vida privada. Para isso necessitava de uma passagem cotovelo, um corredor, sem janela para ter privacidade e não ofender ninguém: ricos com pobres juntos. Deus quer o coração, a roupa não interessa, segundo o guia. Para tanto, o uso da vestimenta djellaba (a túnica) que esconde o traje por baixo. Dentro do palácio, um jardim marroquino. Escritórios de secretário e do ministro. O cedro usado. Teto lindo, salas diferentes. Vida administrativa do ministro. Salas para marroquinos diferentes das salas para estrangeiros. Cada sala com teto, tapetes no chão diferentes. Teto com tapetes iguais pareciam espelhos. Lá se faziam tapetes ricos de acabamento, outros de algodão. Para aquecer a casa, braseiro e mobiliário para cobrir o chão no inverno. Quando os franceses se foram, levaram os tapetes. Eram imperialistas. Não era protetorado, mas colonização.

Riad é uma casa com jardim, plantas e laranjeiras. Casas sem jardins também existem. A árvore cedro no Marrocos não é exportada. O muçulmano é monoteísta, crê em Deus. Os guias falam muito na religião deles. Casamento entre membros de famílias diferentes é bom para a paz. Mulheres viúvas seriam a segunda esposa, gesto nobre para a mulher ser amparada. Regra religiosa do passado: a poligamia, até quatro mulheres. A favorita seria a que tivesse um filho homem. Se a concubina tivesse o filho homem, se tornava a favorita e não as esposas. Em 2004, o rei Mohammed VI criou uma nova lei: só há uma segunda esposa se a primeira aceitar e há contrato com vantagens materiais para a primeira. No Palais Bahia, havia três salas para as outras e uma para a favorita. Hoje não mais esse harém todo, a economia não permite e o pensamento muda. O rei inovador Mohammed VI só tem uma mulher. A educação é que conta.

O salão marroquino com sofás e de mármore italiano com acesso privado era o da favorita. O guia nos conta muito sobre a cultura à época. Na religião se aceita o divórcio se o casamento não estiver bom. No Marrocos não se usa burca, não é obrigada a se cobrir toda. Nos jardins de inverno do palácio, havia espaço para as quatro esposas/mulheres em um pátio grande passearem e tomarem vitamina D sem cruzarem uma com a outra. Hoje são usados para eventos culturais, musicais e de casamentos. Os guias falam de forma aberta sobre assuntos matrimoniais.

Vimos plantas de ginseng, boas para a cabeça. Do pátio aberto, saímos para o jardim com uma gateira, ou seja, os gatos entravam pelos buracos na porta a fim de comer os ratos, e ali também funcionava escola para os filhos. Eram selvagens, hoje, não. Atualmente esgotos, antes fossas antissépticas.

Continuamos no Palácio do Bahia. Na casa, os pátios são abertos e as janelas para dentro. Tetos altos e quartos fechados com temperaturas agradáveis para o frio. São pequenos, quadrados, sem janelas, com tapetes, a cama em cima do chão com armários. O teto fechado para evitar temperaturas fortes. Para o verão se usava os quartos maiores com degrau, uma porta dentro da outra. Casa completa com lado para os servos. Muitos detalhes na casa. Quarto pequeno para a mulher amamentar, passagem com três portas. Guardas na passagem cotovelo para evitar a entrada de estrangeiros. Banheiros. Pintura nos tetos feita de cedro, pigmentos, papoula (cor vermelha), alecrim (cor verde), alfavaca, puro açafrão em pó, filamentos, barba do milho pintado, índigo vegetal (azul, usado por tuaregues contra mosquitos), clara de ovo (cor branca), antimônio para proteger os olhos (cor preta).

No mundo muçulmano, não há imagens, consideram idolatria, mas existem a caligrafia (saúde permanente, a escrita), os motivos florais e geométricos.

Os muçulmanos não são fãs de carne vermelha, porque os animais comem coisas sujas. Preferem a carne salgada, cevada fervida e seca, tâmaras com leite, bom para a saúde. É o que comiam nas caravanas do passado. Mulheres puérperas tomam cerveja (cevada) e pão.

Sem dúvida, outro mundo. De lá vamos prosseguir nos passeios.

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.

Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.

Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.

Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.

Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.

Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.

Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).

Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.

A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?

A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic Rose Water Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.

Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.

Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No Hotel Karam Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.

Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.

Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Estamos em Fez e partiremos para Erfoud, passando por cidades pelo caminho e atravessando o Médio Atlas. Acordamos às 6 h, descemos para o café da manhã, que achei fraco para um hotel 5 estrelas. Às 7h30 fomos embora do hotel Zalagh Parc Palace de ônibus. Cidades limpas, em geral, verdes, repletas de cores. Como não se encantar?

Pedágios na rota. As estradas muito boas, verdadeiros tapetes. O guia Abdul I (o II foi o de Fez) nos conta detalhes do clima. Em Marrakech e Fez faz muito calor, uns 50° C, no verão, logo muitos moradores têm casa de veraneio em Ifrane, uma aldeia montanhosa, cuja aparência é de uma vila suíça, com altitude de 1650 m. O pico mais alto vai a 2 mil m. e o clima é de ameno a frio. Outro lugar de montanhas a conhecer, segundo o guia, é Immouzer Kandar para amantes da natureza e alpinismo. O cume da montanha Djebel Abad alcança 1760 m de altura.

Estamos na região de serra, com povoados a 438 km de Marrakech. Há lagos perto. Árvores de cedro, macieiras e amendoeiras, a água usada tem origem nas montanhas. No país é muito comum ver maçãs amarelas, verdes e vermelhas. Região da fruta. No ônibus, continuamos nos comunicando em espanhol e inglês com o guia, ele nos ensina um pouco de árabe.

Na vila de Ifrane, existe o maior estabelecimento privado da África de língua inglesa: Universidade Al Akhawayn. Usa os sistemas de ensino de Oxford e Cambridge com professores da América do Norte, de acordo com Abdul I. São 75 hectares, os estudantes são de diversas nacionalidades, além dos abonados de Fez, Casablanca e Marrakech. Foi fundada em 1995 pelos reis Hassan II, do Marrocos, e Fahd, da Arábia Saudita. Em Ifrane, treina a seleção de atletismo do país, e a seleção de futebol marroquina se concentra no local antes de campeonatos.

Os bosques bonitos de se ver transformam a cidade em magnífica. Diria que é a Gramado (no Rio Grande do Sul) deles. A Wikipédia nos conta que a cidade foi fundada pelos franceses durante o protetorado como estância alpina, tem um aspecto notavelmente europeu, lembrando uma aldeia nos Alpes, por isso ser chamada de a “Pequena Suíça”. Devido à grande altitude, a neve é abundante no inverno e tem clima fresco no verão.

Uma curiosidade: o Leão de Ifrane”, o logotipo mais fotografado da cidade e ícone de toda a população, é uma escultura anônima, feita inteiramente de pedra, de acordo com a página do blog: The lion of Ifrane em Ifrane: 5 opiniões e 3 fotos, já a Wikipédia diz que é obra de 1930, do escultor francês Henri Jean Moreau (1890-1956). Também é dito que o Leão foi esculpido por um soldado alemão durante a II Guerra Mundial, quando Ifrane foi usado como campo de prisioneiros. A escultura é uma homenagem ao último leão selvagem do Atlas, que foi abatido nas proximidades da cidade, no início dos anos 1920. O nosso guia afirma que dá sorte e ter uma foto ao lado dele faz parte do ritual dos viajantes.

Descemos no Hotel Le Chamonix para café e fotos. Aliás, um expresso por 15 DH (R$8,89). Cidade pacata, com um parque em frente (Parc La Prairie) e ao lado, venda de pedras e colares nos bancos de sentar. Que lugar mais formoso. No local se encontra o “Leão de Ifrane ou de Pedra”. Clima no momento de 14º C, uma delícia. Parque florido, tudo tão gracioso. Na calçada do hotel, banca de frutas secas e o mercadinho Caprice Shop para guloseimas. Vendem muitas túnicas em todos os locais. Parece também com Gravatá em Pernambuco, só não o clima congelante, com certeza. As casas são estilo alpino, quem diria que no Marrocos haveria uma cidade assim? Grata surpresa.

Um dos palácios da Família Real do Marrocos está na cidade, onde o rei Mohammed VI e sua família passam o final de ano. Bosques e mais bosques de cedro, são protegidos pelo governo. Aliás, a Wikipédia nos conta que os bosques são semelhantes aos da região de clima frio da Europa, com espécies como o cedro-do-atlas, carvalho-português, azinheiras e o pinheiro-bravo. Estamos em um vale entre as montanhas.

Segundo a Wikipédia, Ifrane é uma cidade e estação de esqui do centro-norte do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Méknes-Tafilalet. Significa “grutas” em berbere. Situa-se nas montanhas do Médio Atlas, a 1700 m de altitude e a 70 km ao sul de Fez. Nos arredores da cidade, há três áreas naturais protegidas: o Parque Nacional de Ifrane, a noroeste; a Floresta de Cedros, ao sul; e a Reserva de Caça de Ifrane, a nordeste.

Saímos de Ifrane, maravilhados, e seguimos pela estrada, utilizada por quem vem de Fez para o deserto e países vizinhos. Vemos o cordeiro de cabeça marrom que come plantas. Caminho verdejante, porque neva. Não há animais selvagens, estamos na Patagônia marroquina.

Que floresta de cedros incrível! Pinheiros e cedros. Há macacos na região, visualizamos alguns. Vimos motocicletas da Alemanha. Quando neva, tudo fica branco. Os nômades moram na localidade, vivem entre as serras. Sim, no Marrocos existem populações nômades. Quando neva, vão para o sul com seus rebanhos de ovinos (ovelhas e cordeiros) e retornam em abril. Antes se movimentavam livremente entre os países, mas com a existência de fronteiras, já não podem mais. Os mais jovens das famílias preferem morar nas cidades.

Vimos montanhas com árvores, onde se pratica esqui, porém é perigoso, por causa dos troncos no percurso. Mais nômades com seus rebanhos. Estão em preparação para a Festa do Cordeiro (em árabe Aid al-Adha), feriado religioso, que ocorre uma vez por ano, em período variável, baseado no calendário lunar islâmico. Sucede a peregrinação à Meca e comemora o sacrifício que Abraão fez por sua fé em Deus. Cada família compra pelo menos um cordeiro por €200 a €250 euros, para a festa dispendem uns €1200 euros. Na cultura local, o “noivo” casa com a família, quando um problema aflora com a esposa, ocorre com a família toda.

Plantações de maçãs, as melhores do país. A água vinda das montanhas é pura. Região de plantações de batata-doce e legumes para consumo próprio das famílias, a terra escura é fértil. Passamos por montanhas rochosas com um córrego ao lado, mais curvas e mais nômades. Controle de documentos do motorista pela gendarmeria, povo elegante.

Que contraste o deserto com a cadeia de montanhas Atlas e seus picos nevados. Prosseguiremos com a jornada em breve pelo Marrocos fascinante.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Hoje é dia 6 de novembro de 2024. Continuamos em Fez no passeio. Vamos a pé à medina. Somos um grupo de 7 turistas: 3 brasileiros e 4 espanhóis. E dois guias: o nosso da excursão Abdul I e o Abdul II, expert em Fez. Muitas dicas do Abdul II. Não há semáforos na cidade antiga. Balak: aparta-te; andak: cuida-te. Cuidado com as mulas e burros, e com os ambulantes, pois fogem da polícia e não dão troco. Não há insegurança na medina em geral. Muito calor. Os clientes satisfeitos trazem muitos turistas. Para tirar fotos, há que pedir permissão. O guia fala muito sobre a cultura local, respeito e educação com os marroquinos. Quando se viaja para outro país, temos que saber dos hábitos locais. O guia declama poemas, canta, nos conta sobre literatura peruana e filologia. Um talento esse Abdul II. Escreve em árabe: “Sejam bem-vindos, sr. Carlos e sra. Mônica” no meu caderninho”.

Ruela na medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

No bairro histórico, há um restaurante do séc. XV com comida caseira para almoço. Café é mais caro que chá. Chá faz parte do menu. Atrás do hotel Fez Heritage Boutique Hotel, casas de ricos. Andamos pela medina. Nós brasileiros nos espantamos como os espanhóis do grupo fumam. Começamos a parte antiga: o labirinto, medieval. O guia Abdul II é amigo de todos, nos leva a um costureiro, em uma sala minúscula, sentado, trabalhando em um sofá. A casa verde com fontes de água, um restaurante caro: Riad al Yacount. Riad significa “casa antiga”.Ruelas com lojas de mosaicos e artesanato, cujas soleiras também são de mosaicos. Ruelas com motos estacionadas, parece Florença-Itália. A Riad Dar Skalli é uma casa com portas de madeira decoradas, incrível. Tudo tão diferente. Acho fantástico saber que pessoas moram nelas. Na placa vemos o nome da rua em árabe, berbere e o nome latino. Quando tem a forma quadrada indica rua com muitas saídas. Na medina labiríntica, há hotéis, albergues (youth hostels), agências de câmbio. Passamos por uma casa de uma família judia: Derb Cohen, ele teólogo.

Os churros (doces) vendidos em outra sala pequena parecem bromas. Outra sala de balas, o botijão de gás é bem pequeno. O arco divide bairros. Ao lado, uma mesquita. O sapateiro é o sacristão da mesquita, chama para a reza e fecha a sapataria, que é um banco de sentar. Mercadinho de frutas, moradores passam tempo ali conversando. Muitos cafés, restaurantes, lojas de mosaicos. Fotos da medina em uma parede. Loja de roupas, costureiros. Mais fresco o clima dentro das ruelas. Nos cantos, lixo. Gatos mil, dizeres religiosos nas paredes. Place Oued Rehacha (praça rio Rehacha), com lojas de roupas. Fonte de água sem água na ruela significa que casas têm água.

Uma escola e uma mesquita em cada bairro. Casas pobres com banhos públicos, a casa tem banheiro para mulheres e crianças, os homens usam o da rua. Um banho turco por 20 DH (R$121,41) oferece massagista para esfoliação da pele nos homens com o banho. Sai limpo e purificado, a pessoa dá o que quer de dinheiro. O guia fala sobre a caridade independente de religião. Na Dar Mia, carpintaria, loja de couro e padaria (pão caseiro). Quem se perder pela medina, não se preocupe, a Central encontra a pessoa. Muitos alfaiates. No passado, pousadas albergavam comerciantes e animais, era um caravançarai gratuito. Hoje são lojas.

Vemos lojas de chaveiros, sapatos marroquinos, bolsas em couro. Interessante que não usam adoçante, é açúcar refinado mesmo. Lojas e lojas, um mercado fascinante. Vimos a pousada Foundouk el Berka. Foundouk significa “estalagem”. Entramos na feira. A barra de madeira divide a zona sagrada. Muito incenso, túnicas belas.

Na porta 4 dentre as 14, a universidade Al Quaraouiyine, a Gran Universidad, com 270 pilares para 22 mil fiéis. Foi fundada em 859 como uma madrasa por Fatima al-Fihri, filha de um próspero comerciante Mohammed al-Fihri. Ela decidiu destinar toda a herança recebida do pai à construção de uma mesquita para a sua comunidade. Nessa mesquita, instalou-se a primeira madraça que se tem notícia. Várias fontes descrevem a madraça medieval como uma universidade, de acordo com a Wikipédia. Similar à mesquita de Córdoba-Espanha. Na madrasa (escola), o primeiro altar com fonte no centro parece com o Patio de los Leones, do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Na mesquita não se entra, só se olha por fora. A feira é uma loucura de gente.

Na universidade, nos conta a Wikipédia, ensinou Maimônides (1138-Córdova, Império Almorávida, hoje Córdoba na Andaluzia-Espanha, falecido no Cairo-Império Aiúbida, hoje Egito, em 1204)), médico, escritor, rabino, conhecedor de astronomia, teologia, letras, lutava contra o analfabetismo. Uma das principais figuras intelectuais do judaísmo medieval. Além de reverenciado pelos historiadores judeus, é também figura proeminente na história das ciências islâmicas e arábicas. Proeminente filósofo, polímata (com conhecimento em diversos assuntos) tanto na tradição judaica quanto na islâmica.

Na biblioteca, pode-se consultar documentos antigos feitos de couro de gazela. Localizada no centro histórico, integra o complexo da universidade e é considerada a mais antiga do mundo em atividade Também fundada no séc. IX, possui mais de 4 mil livros raros e manuscritos árabes, de acordo com a Wikipédia.

Madraça Attarine-Medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Entramos na madrasa ou madraça (escola) Attarine. A Wikipédia nos informa que é uma antiga escola (corânica), fundada em 1310, sendo o edifício construído entre 1323 e 1325 pelo sultão merínida Abuçaíde Otomão II em Fez el-Bali (Fez, a velha), junto à universidade Al Quaraouiyine. Deve seu nome ao soco (bairro de comércio) de perfumes e especiarias vizinho, o Soco de Attarine.

A escola destinava-se a formar os altos funcionários da administração merínida. O pequeno edifício é considerado uma obra-prima da arte decorativa. Já o guia Abdul II nos diz que nela se ensinava teologia superior para futuros imãs ou imamatos, guias religiosos muçulmanos. Nas janelas, dormiam os estudantes pobres, agora monumento. Vimos a sala de oração e aula, o altar (porta) e a sacristia na direção de Meca. Para o guia, nada é desculpa para o muçulmano não orar. Ele fala no Corão e nas escolas xiita, sunita e maliquita (maliquismo: corrente de direito islâmico do Islã sunita), mais moderada, predominante no norte da África, na África Ocidental e em alguns territórios isolados da península Arábica, e seguido por 20 a 35 % dos muçulmanos, segundo a Wikipédia. Na parede da madrasa, o mosaico com preto são letras que foram recitadas para nós. O Abdul II ainda o fez com musicalidade e a devida tradução. Entramos na mesquita. Ao sair, comprei figos secos. Vemos um mausoléu e cemitério perto, velas e incensos são comprados como oferenda.

Os muçulmanos reverenciam Fatima, a filha mais nova do profeta e de sua esposa Khadija. Nasceu em Meca em 605. E morreu em Medina em 632 ou 633, conforme a Wikipédia. Era casada com Ali (o quarto califa para os sunitas ou o primeiro para os xiitas).

Almoço (entrada) no La Medina Bis Restaurant-Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, almoço. Entramos no restaurante pelos banheiros no mosaico, que original. Mesas para o grupo, tudo formoso. La Medina Bis Restaurant, endereço: 13, Bis Derb El Hannan Guerniz. com 10 opções de menu. Para o almoço, de entrada, salada com diversos pratos: beterraba, arroz, feijão marroquino ao molho, azeitonas etc. Prato principal: cuscuz marroquino com batata, cenoura, pimentão e frango. Frutas: tangerina e uvas. Chá de hortelã. De sobremesa: uma rosca, tipo pastel de coco, delícia. Depois rumamos à loja El Corte Marroqui com artesanatos, produtos de prata e joias. O vendedor Jawar, bem-falante. Comprei brincos e pulseira estilizada, bem típica do Marrocos, por 200 DH (R$120,60). Para limpar, bicarbonato.

Bairro de los Curtidores. “Curtidor” em português, aquele que faz curtimento (fonte: Oxford Languages). Mais lojas de couro, são mochilas, bolsas, e muito mais. Em uma delas, subimos ao Curtume (ou tannerie, em francês) Chowara,um dos mais antigos do mundo, por escadas intensas até o terraço. Está em operação há mais de mil anos. O guia da loja nos mostra o processo de curtimento do couro, longo e complicado, e as piscinas embaixo para curtir o produto. Lá há uma cesta com folhas de hortelã para cheirarmos por causa do seu odor forte. Na volta, descemos na loja, com muitos produtos à venda, são jaquetas, botas, bolsas. Produtos bonitos de couro legítimo. Vale ler mais em Curtume Chouara, Fes, Marrocos.

Estamos na praça dos Carpinteiros. Tem loja de tudo, e logicamente carpinteiros, especiarias, ouro, madeira. Praça de los Tejedores (tecelões). Lojas de tecidos mil, echarpes, entramos em uma. O vendedor simpático nos explica como se faz o tecido em lã, algodão (em espanhol). Mostra o trabalho do tear. A peta é rica em fibras de seda (agave). Panos, cachecóis, capas de almofada, bolsas diversas, um deslumbre por €15, €20, €30 euros. Estamos cansados e sentados na loja.

No retorno, estamos exaustos. Muitos ambulantes vendendo seus produtos seguem a gente. Não vi ninguém pedindo esmola. São vendedores, segundo o guia Abdul II. No ônibus ele nos diz “até logo”. Que figura! Sai cantando músicas em espanhol.

Voltamos para o hotel às 18 h. 20 h é o jantar/show (cena/show) que havíamos pago de manhã antes do passeio, €50 euros cada. Nos hotéis em que nos hospedamos há sempre um bar com música árabe, bem estilizado. Pena que fumam dentro. O jantar com música árabe será no Restaurant Palaisal Firdaous no Riad Darif. Decoração árabe, lugar enorme com espaços abertos. O jantar com entrada de pão, feijão-branco, pasta de berinjela, cenoura, beterraba cozidas etc. Prato principal: pastelão de frango e canela. De sobremesa, uma torta redonda de tamanho médio (típica deles). Ainda servem umas roscas, um pouco duras. O vinho Toulal Prestige do Marrocos. A comida estava ótima, mas ainda estávamos cheios do almoço, que foi semelhante. Sem dúvida, as refeições são fartas.

Eram duas mesas, os espanhóis sentaram juntos e fiquei eu e o Carlos em uma mesa sozinhos, aí o casal de Santiago de Compostela (Fran e Silvia, da Venezuela)) vieram sentar com a gente, achei muito querida a atitude deles. Depois da cena, vieram as danças do ventre. A primeira dançarina, tudo bem, mas a segunda só fazia brigar com um dos músicos, a gente não entendia nada, mas deu pra divertir com o inusitado da situação. Depois, ela convidava pessoas da audiência para dançar. Após a dança, veio o mágico. Sinceramente, não compreendi o motivo de ter um mágico ali. O melhor da noite e mais divertido foi quando convidaram o casal que estava conosco e uma outra senhora da excursão para se vestirem a caráter, com roupas da realeza do país. O Fran e a Silvia ficaram um arraso de sultão e sultana. A apresentação deles para o público ocorreu com muitos aplausos, e ela chegou em uma almofada grande, carregada por funcionários do restaurante. Por fim, a foto oficial por 50 DH (R$30,15). Eu sempre compro, não resisto. Valeu? Só pela apresentação final. Foi muito, muito engraçada.

Prosseguiremos para Erfoud.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte

Hoje é quarta-feira, dia 6 de novembro de 2024. Estamos em Fez depois de um dia anterior intenso dentro do ônibus e com muitas paradas em cidades. O hotel Zalagh Parc Palace é belo e estamos desta vez em um quarto mais perto do refeitório. Dormimos tanto, estávamos exaustos. O café da manhã é mais simples que o de Makarrech, ficamos realmente mal-acostumados. Digno de nota foi uma torrada de farinha, açúcar, ovos e amêndoa, simplesmente deliciosa. E o suco de pêssego suculento e o de laranja muito bom. Sempre acho interessante ver saladas de verduras e legumes no café da manhã. Outras culturas gostam. O hotel tem muitos quartos, a gente caminha muito. Enorme, pra variar. O guia Abdul pergunta no lobby quem quer ir a um jantar típico com dança e música à noite (extra). Como todo mundo ia, fomos também, porém caro: €50 euros para cada um. Depois conto mais.

Pegamos o ônibus e lá fomos conhecer a cidade, tão citada pela minha mãe. O clima estava bom, ensolarado. Estamos na cidade moderna, com avenidas largas e prédios baixos até 6 andares. Lembrando que para não quebrar a harmonia arquitetônica do lugar. Outro guia entrou: outro Abdul! Eles se autodenominaram Abdul I (o nosso) e Abdul II. Se falam com beijinhos na face, nada mais cultural. Abdul II tem expertise em Fez.

Comecemos. Faremos a visita completa da cidade religiosa do país, a mais antiga do reino marroquino. O nosso folder da excursão da CVC nos esclarece que Fez foi fundada no séc. VIII por Idriss II e é considerada uma das 4 capitais imperiais. Realizaremos um tour pelos locais mais emblemáticos, como os portões do Palácio Real, o bairro judeu. Acessaremos a medina através do portão de Bab Jeloud onde teremos a possibilidade de viver um retorno ao passado em uma parte da cidade que ainda vive na Idade Média. Conheceremos a vida dentro das muralhas que protegem seu interior formado por centenas de ruas labirínticas organizadas onde os clientes podem viver mil cheiros e sabores no local.

O guia Abdul II a chama de cidade “das mil e uma noites”. A zona ocidental com inúmeras árvores em canteiros centrais, verdadeiros bosques. O Marrocos é um país verde. E é um modelo de tolerância entre países muçulmanos. Não há problemas com outros povos. Prosseguimos na língua espanhola, já que a maioria dos viajantes da excursão são da Espanha. Igrejas católicas, protestantes, sinagogas são vistas. Existem bares com a permissão de venda de bebidas alcoólicas (recordando que a religião do país não permite).

Estamos na avenida Hassan II, os Champs Élysées (“Campos Elísios” de Paris) de Fez. O guia continua com sua fala. As guerras atuais são “petroguerras”, o marroquino não é fanático. Zona francesa no protetorado. “Quando passou a colônia (espanhola, ao noroeste do Marrocos), veio a guerra” (por grande parte do Saara Ocidental contra a Frente Polisário, movimento de libertação local). “País sem cultura, corpo sem alma”; “Turismo é terapia, política é doença”; “Viver a autenticidade é conhecer a parte antiga”, a parte moderna é ocidental. “A medina é o casco viejo de la ciudad”. “Quem conta a história são os vencedores”. “Astúrias é Espanha, o resto são terrenos conquistados”.

Passaremos por locais onde a novela O Clone da TV Globo foi gravada, no país fez o maior sucesso. Os Palácios Reais são da nação e não da Família Real, ou seja, são patrimônio nacional. São a residência do rei Mohammed VI. Em Fez, o Palácio Real tem 82 hectares. Hoje é o dia da Marcha Verde, feriado nacional. Vimos crianças de túnicas vermelhas com a estrela verde, cores da bandeira do país, cantando juntas na rua com o professor.

A universidade mais antiga do mundo, do séc. IX (859 d. C.), se localiza na medina em Fez. Continha sábios persas, muçulmanos e outros. A Wikipédia nos conta que se trata da mesquita e universidade Al Quaraouiyne, também a biblioteca mais antiga do mundo em atividade. Foi criada por Fatima Al-Fihri, filha de um próspero comerciante. Era uma madrasa medieval. Madrasa significa escola em árabe.

Estamos a pé para os passeios. Vemos a placa do portão do Palácio Real. Está escrito: o portão monumental oferece um pouco do seu esplendor. Foi construído em 1960, durante o reinado do rei Hassan II, revelando toda a magnificência do artesanato Fassi, caracterizado pela leveza e simetria da arte e decoração marroquina andaluza. Muito bonita a fachada. Segundo o site https://www.vagamundos.pt/, Fes el Jdid (Fez-a-Nova) foi fundada no séc. XIII, que inclui o Méchouar onde foi erigido o complexo do palácio real. É tão colossal que teve que ficar de fora da cidade velha dando origem à cidade nova.

Também vemos a placa dos Circuitos Turísticos de Fes Medina. “A mãe da ciência é a paciência, não a violência”, diz Abdul II. Há cemitério judeu no canto sudoeste do antigo bairro judeu, denominado de Mellah, do séc. XIV. Também há sinagogas. São 14 milhões de turistas ao ano, a taxa de regresso mostra o sucesso. Muita gente em todos os lugares. O guia Abdul II é simpático, bem-humorado e conversa com todos, parece professor.

Estamos na praça dos Alauitas, antes praça do Sultão. Marrocos, país pobre, africano, terceiro mundista. Os guias são sempre sinceros. O Palácio Real ou Palácio das Sete Portas: Dar elMakhzen. Portas ou portões. Atrás das Sete Portas, uma mesquita, madrasa, centro cultural. Sete Portas, estilo do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Como os arcos da medina de Córdoba-Espanha, as Sete Portas são forradas com lâminas de bronze, pesadas e com valor. As portas são limpas com limão a cada 3 meses. Uma porta ou portão para cada dia da semana. Zona militar depois da zona residencial. Os franceses trouxeram o golfe, futebol, esportes. Cada dinastia renova para ter sua História. Aliás, a Ville Nouvelle (cidade nova) foi projetada e construída pelos franceses durante o período colonial (fonte: https://www.vagamundos.pt/).

“A riqueza começa na mente, no coração e depois no bolso”. No país tem pobreza, mas não miséria. O Abdul II é rico em palavras. Na opinião dele, os protetorados francês e espanhol foram bons para o país. Alguns tinham ideias colonialistas, o que não era bom. “Melhor morar aqui, porque se tiver uma dor, todos ajudam, se for em outro país, será forasteiro”.

Visita de encanto cronológico, vamos do séc. VIII ao XIV. Na medina, ou seja, cidade antiga, ainda vívida e com moradores.Fes el Bali, ou seja, Fez-a-Velha do séc. VIII, Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1981. São 170 hectares, 9600 ruelas, 145 mil pessoas moram no local e encontram-se trabalhadores manuais: alfaiates, costureiras, vendedores, sapateiros etc. São 6 filhos por casal. Milhares de turistas nas ruelas labirínticas, bem policiado. Ali não é tão limpo, soube que a limpeza é feita por senhores com burros que recolhem o lixo e começam o serviço às 6 h. A cada esquina uma brigada turística. A entrada, de acordo com o blog https://www.vagamundos.pt/, ocorre por Bab Bou Jeloud, mais conhecida como a Porta Azul, por causa do painel de azulejos que a decora. Ali passam pessoas, carroças e burros que transportam produtos a caminho dos mercados ou souks.

Segundo Abdul II, da zona moderna para a antiga são dois séculos de mudança de mentalidade. Também há escolas na medina, o professor primário se chama maestro, o professor é de instituto. Um professor se faz presente desde o passado a cada passo. O meio de transporte dentro da medina é cavalo, mula ou burro. Uma amiga da Família Real, a americana Barbara Carter quando viu os animais serem usados na medina, patrocinou um hospital veterinário: a American Fondouk.

Voltamos ao ônibus e subimos a colina rumo ao miradouro Borj Nord, um forte do séc. XVI renovado e convertido em Museu das Armas para ter uma ideia da cidade antiga (medina). De lá, visualizamos a universidade mais moderna, criada pelo rei Mohammed V, pai da nação, falecido em 1961. Há o ensino de filologia, letras e outros cursos e data de 1956. Bem policiado. Da mesma forma, se vê o minarete na parte francesa, considerado o farol e o coração do bairro, a Mesquita Branca. Duas pirâmides verdes, a escola (madrasa) e o Palácio Real, do séc. XIV. Os vendedores trabalham fora das grades no mirante, é para pechinchar nas compras, não há preço fixo. À esquerda, muralha do bairro andaluz. Outro miradouro fica no irmão gêmeo, o forte Borj Sud, no extremo oposto.

Mulheres muçulmanas usam túnicas e os homens também. Os guias criticam a politica argelina e acham que as fronteiras aumentam o rancor das nações.

Do mirante nos dirigimos à cooperativa Mosaico e Cerâmica de Fez (Mosaique et Poterie de Fes). Conhecemos o ofício de fazer a cerâmica. São várias salas com produções diferentes: cortam os mosaicos, colocam em fibra de vidro, pintam, são modelos árabes e berberes. Na loja, existem vasos, fontes de água, pratos, bandejas etc para venda. Tudo muito lindo, eu amo mosaicos, então me deleitei. Comprei uma tartaruga diminuta e estilizada para decoração.

Prosseguiremos em breve com o nosso passeio em Fez, cidade imperdível.

Marrocos colorido-Rabat e Meknes até Fez-dia 2

Marrocos colorido-Rabat e Meknes até Fez-dia 2

Hoje é terça-feira, dia 5 de novembro de 2024, saímos de Marrakech, já passamos por Casablanca e estamos rumo à Rabat. Cruzamos Benslimane. Segundo a Wikipédia, a cidade está situada a pouco mais de 20 km da costa atlântica e a 60 km a sudoeste de Rabat, é conhecida pelo seu clima seco, flores e florestas que são populares entre os caçadores de javali. As florestas estão entre as mais importantes do Marrocos.

Chegamos a Rabat. O dia está ensolarado, os táxis são azuis, mas a fome está matando… Avenida larga onde se localiza o Comitê Olímpico. As placas nas ruas são escritas em árabe e berbere (dialeto), fantástico. Centro Nacional de Defesa. O Marrocos faz fronteira com a Argélia e Mauritânia. Interessante dizer que as crianças são alfabetizadas em árabe e francês, o inglês é estudado no ensino médio.

Cidade verdejante, limpa. Sempre comento que o guia Abdul é muito competente. Por Rabat me apaixonei logo na entrada, eis a capital do país para desfrutar. O Marrocos com população de 40 milhões, tendo o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo ao seu dispor.

Rabat foi fundada pelos almóadas em 1150 e tem muitos pontos de interesse e monumentos históricos para um, dois ou três dias bem passados. A capital de Marrocos é uma grande cidade cosmopolita listada no Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Rabat literalmente significa “lugar fortificado”. Uma cidade embalada pelo Oceano Atlântico, perto da foz do rio Bouregreg. (https://www.joaoleitao.com/viagens/visitar-rabat-marrocos/)

Rabat charmosa. 1.9 milhões de habitantes, a segunda maior cidade do país. Meu estilo arquitetônico de prédios. Avenida à beira mar com palmeiras e casas lindas (o nosso guia informa serem de pessoas ricas). Prédios baixos, mar com rochas, ali estão as piscinas públicas maiores do país. Casas tradicionais dos pescadores, luminárias estilosas nas calçadas, bela Rabat.

Na Fortaleza de Rabat, um guia local nos conduziu. Kasbah dos Udayas (ou Oudaya), sendo kasbah “fortaleza” em árabe. Muitas explicações, só achei muito corrido, nem tive tempo e oportunidade de saber o nome dele. A porta grande era um tribunal, hoje lugar de exposições. O minarete é quadrado diferente dos da Turquia, pois no Marrocos os otomanos não entraram. Gatos mil. Movimento no mercado e as casinhas dentro da fortaleza, são uma lindeza. Ali moraram franceses. Estamos na primeira mesquita do país. A mulher pode rezar em casa, mas no Ramadã se dirige à mesquita, cujas entradas são diferentes para homens e mulheres. Pessoas doentes não tem Ramadã.

Eu em frente à Fortaleza de Rabat-Marrocos-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

A Wikipédia esclarece que a cidade foi fundada em 1150 pelo califa almóada Abde Almumine, que ali construiu uma fortaleza, uma mesquita e uma residência. Tornou-se cidade imperial em 1660 e foi a capital do Protetorado francês de 1912 a 1956. A fortaleza era usada como ponto de ataques contra a Espanha.

Pátio da Fortaleza com a foz do rio Bou Regreg no encontro com o oceano Atlântico-Rabat-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

A Fortaleza é um passeio imperdível, no pátio testemunhamos a beleza do encontro do oceano Atlântico com o rio Bou Regreg. O sol ilumina a paisagem. As fotos ficam um espetáculo. Dentro da fortaleza, há casas, cafés, lojas, tomamos um suco de romã pra matar as saudades (muito comum na Turquia). A avenida El Jamae é demais. Para uma visita ao banheiro, 5 DH (dihan): R$ 3,06 reais. Banheiro como os nossos, diga-se de passagem.

Cemitérios sempre na direção de Meca. Mausoléu de Mohammed V, medina (cidade antiga) de Rabat. Os andaluzes (da Andaluzia espanhola) vivem na cidade. Há bairro judeu. O rio Bou Regreg e seus bairros de pesca. 2,5 milhões de habitantes. Fez, Marrakech, Meknes e Rabat, cidades imperiais.

Um dia especial: a Marcha Verde com música e celebrações. Detalhe: no dia seguinte (6 de novembro) é feriado nacional e vem para a data o presidente da França Emmanuel Macron. O rei Mohammed VI se encontra em Rabat.

Em http://www.tudogeo.com.br, sabemos mais sobre esse dia. Em 16 de outubro de 1975, como ato de nacionalismo, o rei Hassan II convoca os marroquinos a ocuparem o Saara Ocidental. No dia 6 de novembro do mesmo ano, mais de 350 mil voluntários marcharam do norte do reino do Marrocos rumo ao sul da região do Saara Ocidental. Esse momento ficou conhecido como a “Marcha Verde”, movimento cívico-militar de ocupação das terras Saarauís (significa “povo do deserto”). A marcha ocorreu no final da colonização espanhola do Saara ocidental, quando em 1955 a Espanha pretendia ingressar na ONU e precisava entrar em plano de descolonização, logo o Marrocos ganhou sua independência em 1956, reconhecida pela França e Espanha. A Wikipédia nos conta que os Saarauís são um grupo étnico autóctone do Saara.

Mausoléu de Mohammed V-Rabat-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em 1961, faleceu o libertador do Marrocos do domínio francês: Mohammed V. Em homenagem a ele, existe o Mausoléu de Mohammed V, todo no mármore de carrara, concluído em 1971. Estão lá os corpos do pai Mohammed V (falecido em 1961) e seus dois filhos: Abdallah (enterrado em 1983) e Hassan II (enterrado em 1999). O guarda de honra na frente. Conforme a Wikipédia, foi encomendado por Hassan II. O complexo foi projetado pelo arquiteto vietnamita Cong Vo Toan, usando formas tradicionais com materiais modernos. Motivos históricos e artesanato marroquino se fazem presentes como forma de promover o senso de identidade nacional.

Minarete quadrado com ruínas da mesquita-Torre Hassan-Rabat-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Saindo do espaço, fora há ruínas de uma cidade romana. Era para ser uma mesquita (com o minarete), mas ficou sem o teto, as paredes e as colunas ficaram inacabadas, por falta de recursos. Em frente ao mausoléu se situa o minarete Torre Hassan, que parece com a Giralda de Sevilha-Espanha, a parte de cima não foi construída, era pra ter 80 m, porém só tem 44 m. De acordo com a Wikipédia, é um minarete de grandes dimensões construído no séc. XII da Mesquita de Hassan. Um dos ícones de Rabat. Encomendado por Abu Yusuf Yaqub al-Mansur, o terceiro califa do Califado Almóada.

Findo o passeio ao mausoléu, nos despedimos do guia local e há a troca de motorista do ônibus. Entra o Nourdine, gente boa. Continuamos o percurso. Ópera de Rabat. Embaixadas, área nobre da cidade. Segundo a Wikipédia, as casas dos embaixadores estão nos bairros Les Orangers, Mabel ou Agdal Hay Riad Hassan. Vasto plano urbano, arejado, com vegetação exuberante e névoa do oceano.

Estamos com o Abdul que nos explica sobre a guerra diplomática do Marrocos com a Argélia. Ceuta, desde 1547, cidade autônoma da Espanha, no Marrocos. A torre moderna Torre Mohammed VI, de 55 andares, 250 m, será a terceira mais alta da África e terá escritórios, apartamentos e hotel de luxo em Salé, do outro lado do rio Bou Regreg, cidade-dormitório.

O rei também tem palácio em Fez, de 82 hectares. O rei é muito querido, sem dúvida. Patrocina hospitais, bibliotecas, esportes. Vemos os portões do Palácio Real de Rabat (Mechouar) no caminho. O rei se movimenta muito no país. Os policiais que cuidam da segurança do Palácio Real são exclusivos e usam uniformes de cores azul e vermelho, vemos muitos carros. Enorme. Os cavalos do rei são conhecidos.

No país, não aceitam armas, a seguridade é garantida. São 25 anos de prisão para quem carrega armas. As fontes de divisas do país são a agricultura, o turismo e os 5 milhões de marroquinos que mandam dinheiro de fora. O país é importante para a produção cinematográfica. O filme Missão Impossível 5, com o ator norte-americano Tom Cruise, foi filmada em Rabat.

Em Salé, se localiza a Academia de Futebol desde 2010. As equipes fazem concentração e práticas de treinamento no local. Para a Copa do Mundo do Catar, a equipe nacional treinou no local. Como o Abdul é apaixonado por futebol, nos disse que saíram 3 jogadores da Academia de Futebol para a seleção marroquina.

Os guardas de trânsito são chiques. Só vi tanta elegância assim em Milão-Itália. Depois de Salé, enfim, o almoço em uma praça de alimentação com opções diversas. O guia nos levou para o restaurante Les Chênes, onde escolhi brochete de frango com arroz e legumes salteados, mais coca e café, total: 108 DH e 10 % ou R$ 66,00. Muito bom, a fome estava realmente me fazendo sofrer, eram 17 h, pode?

Depois do almoço, mais ônibus, 46 km até Fez, estamos no dia mais puxado. No percurso, atravessamos Meknes, cidade imperial, capital Ismailia, que foi sede administrativa do país de 1672 até 1727. Capital do vinho. Os monumentos estão no restauro. A maior feira agrícola do mundo com a participação de 147 países. Os táxis são azuis-claros. Cada cidade com sua cor de táxi, uma graça. País organizado.

Na Puerta Jueves ou Bab el-Khemis, produtos de segunda mão são vendidos, hábito comum no país, estamos na medina, cidade antiga e histórica. Muralha da cidade. Porta Al Mansur, Porta del Glorioso, praça de Meknes. Cada cidade é mais rica em história. Uma cidade diferente da outra, essa tem ladeiras, o guia brinca que é bom para emagrecer.

Apesar do feriado pela Marcha Verde, está o comércio aberto. Estamos agora na parte nova, situada sobre as dunas e com muitas árvores. Possui as muralhas mais longas do Marrocos (40 km aproximadamente) e dentro há casas, diferentemente de Marrakech que a muralha é menor.

Chegamos a Fez. Muito controle de polícia na entrada das cidades. Luzes vermelhas nos canteiros centrais piscando para os motoristas, afinal já é noite. Entramos por uma via com luminárias bonitas dos dois lados, ida e volta, árvores mil, um corredor verde. Tem algo mais lindo? Fizemos 547 km hoje. Ufa, mais do que Fortaleza-Juazeiro do Norte (531.3 km) no Ceará, Brasil.

No hotel Zalagh Parc Palace (endereço: Loutissment Oued Fes), trocam moedas estrangeiras no balcão, admirável. Prática usual em hotéis. Consegui trocar 70 DH dos Emirados Árabes por 90 DH marroquinos. Na empresa onde sempre compro em Fortaleza confundiram e eu não chequei. Coisas que acontecem. Nesse caso, saí ganhando. Cambiei mais 100 euros. Fomos para o quarto exaustos com as malas e logo descemos para jantar. Dois restaurantes, um para grupos e outro para turistas solos. O buffet bom, mas não excepcional, comida com tempero apimentado leve, ainda bem. Cobraram pela água mineral 25 DH (garrafa grande): R$15,34, e no quarto sem água, ficamos mal-acostumados com o hotel de Marrakech que oferecia de graça.

No dia seguinte, saída às 9 h, oba! Dava para dormir até as 7 h. Que dia mais intenso!

Marrocos colorido-Casablanca-dia 2

Marrocos colorido-Casablanca-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024 e estamos no ônibus vindo de Marrakech rumo a Fez. Passamos por Casablanca para conhecer os pontos turísticos principais.

Estamos nos arredores de Casablanca, passando por outro pedágio: Gare de Peage, em francês mesmo, já que árabe e francês são falados no Marrocos. O nosso guia Abdul continua nos ensinando muito. Bandeiras do país são vistas em firmas, lojas e na estrada. Em um prédio, significa pertencer ao governo.

Chegamos e já sentimos a diferença de Marrakech, primeiro na cor: branca. Os prédios são mais altos, mas com limite. Estamos na maior cidade e com maior tráfego. A poluição se visualiza, o tempo fica nublado. Eis a capital econômica, a cidade dos bancos e da publicidade. Tem o maior porto artificial. Mesmo assim, as companhias existentes em Casablanca se mudaram para Tânger, ao norte, por causa do porto e da distância pequena da Espanha, são 14 km da cidade de Tarifa.

Vale mencionar que na África a maior cidade é Cairo, no Egito, com 21 milhões de habitantes, já Casablanca tem 3,95 milhões em 2024, segundo a World Population Review. Também estão na lista como populosas Luanda em Angola, Joanesburgo na África do Sul, Adis Abeba na Etiópia, dentre outras.

Casablanca, cidade imperial, já foi Anfa ou Anaffa, fundada pelos Berberes em X a. C.. O filme Casablanca que a fez famosa a partir de 1942, é um clássico do cinema. Na verdade, foi mais filmado em Marrakech, conforme o guia nos contou. Com Humphrey Borgart e Ingrid Bergman, a película teve como diretor Michael Curtiz.

Faz parte da história da II Guerra Mundial com a Conferência de Casablanca, que a Wikipédia nos esclarece ter ocorrido no hotel Anfa, em janeiro de 1943, quando o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill se encontraram para planejar a estratégia dos Aliados europeus para a próxima fase da guerra. A Wikiwand acrescenta que estavam presentes na reunião os generais Charles de Gaulle e Henri Giraud representando as forças francesas livres. Daí saiu a “Declaração de Casablanca”, ou seja, a exigência de “rendição incondicional” das potências do Eixo. O premier Josef Stalin se recusou a participar, citando que o conflito em curso em Stalingrado exigia a sua presença na União Soviética.

As ruas lindas com hotéis, jardins e pontes. Existe a parte antiga da cidade, a Medina, menor e menos movimentada que as de Fez e Marrakech.

De acordo com o guia Abdul veremos a segunda maior mesquita do mundo: Hassan II, que perde somente para Meca na Arábia Saudita. Foi erigida entre 1986 e 1993, diz o site http://www.tireabundadosofa.com.br. Também comenta sobre o célebre minarete de 200 m. Desenhada pelo arquiteto francês Michel Pinseau, teve números expressivos: 2500 trabalhadores, 10 mil artesãos a trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nota: a Wikipédia explica que minarete significa “a torre de uma mesquita, local do qual o almuadem anuncia as cinco chamadas diárias à oração”. Também nos menciona que o valor da mesquita em euros foi de 504,85 milhões.

O tour oficial da mesquita Hassan II ocorre em várias línguas e é a única do país que aceita visitação para quem não é muçulmano. Trata-se do maior símbolo do país e atrai milhares de turistas todos os anos. O fato de ser no litoral a embeleza mais ainda. Pela nossa excursão, somente conhecemos o exterior para fotos.

Um detalhe interessante: existe o Museu Judaico de Casablanca, o único museu judaico no mundo árabe. Mostra mais de 2 mil anos de história e tradições dos judeus.

A maioria dos moradores são de fora. O mar tem rochas, as melhores praias do país ficam no norte, em Tânger, por exemplo. O trânsito é digno de nota, intenso, difícil. O povo faz loucuras, anda pelo tráfego, abre porta de carro sem olhar a rua, estaciona de qualquer jeito, uma sandice. O dia ensolarado e quente, contrasta belamente com a cidade branca.

Mulheres ocidentais são vistas. O Marrocos é um país que respeita outras fés, então vemos sinagogas, igrejas, e lógico, mesquitas. Passamos pelo Instituto Cervantes. O Abdul nos ensina que as palmeiras são de dois tipos: a equatorial para decoração, menor; e a mais alta, tamareira, com seus frutos para comer. Que Casablanca mais formosa, limpa, arrumada.

Paramos na praça Mohammed V ou “praça das pombas”, coração da cidade. Em frente, a Ópera e perto o Tribunal de Justiça, cuja inspiração foi árabe andaluza, assim como o prédio da Prefeitura. Na praça, pombos mil. Observamos um tram (trem urbano) passando na nossa frente, bem estiloso. Marrocos surpreendente. No local, há homens berberes vestidos com roupas típicas de vendedores de água: túnica vermelha e chapéus coloridos, recebem gorjeta para fotos. A praça possui jardins bem cuidados, monumentos e fontes, lugar aprazível para passeios e descanso.

Mohammed V, segundo o site www.loucoporviagens.com.br, foi o rei da libertação, sultão do Marrocos de 1927 a 1953. Em fevereiro de 1956, negociou de forma bem-sucedida com a França e a Espanha a independência do Marrocos e, em 1957, assumiu o título de rei e se manteve no trono até 1961.

O rei atual Maomé (Mohammed) VI é figura respeitada, filho de Hassan II. Garante a seguridade e estabilidade, há o primeiro-ministro e representantes, contudo o rei tem poder de decisão. O Marrocos não tem confusão como outros países, de acordo com o Abdul, é porque não tem petróleo, ou seja, não tem “petroguerras”.

O guia sempre fala em táxis, uma graça. São mais de 7 mil. Os táxis pretos só funcionam fora da cidade. O táxi vermelho é o pequeno, para 3 pessoas, e roda dentro da cidade; o branco é para 6 pessoas. É grande e roda fora de Casablanca. Achei um país organizado. Cada cidade com seus táxis de cores diferentes. E detalhe: os taxistas não gostam de Uber.

Muitas mulheres de túnicas coloridas. Como digo, o Marrocos é vibrante.

A gente se dirige à beira mar a fim de conhecer a mesquita Hassan II. São vários prédios, há museu e escola para os imãs, líderes espirituais, com estudos de 4 anos, diz o guia. Ali no passeio conversamos com o Renato, do Rio. Brasileiros se unem, já que o restante do grupo da excursão são de espanhóis. No período do Ramadã, 120 mil pessoas a visitam. O lugar tem poucas cores para os fiéis não perderem a concentração. Casablanca fica chamativa com sua beira mar.

A cidade se situa na costa atlântica, tem o maior porto artificial do país. De lá rumamos à avenida La Corniche, à cerca do mar. Avenida muito formosa com palmeiras e casas antigas e modernas. Os preços são mais altos na região, é mais rica. O calçadão largo com muita vegetação. Eu amei! Vemos o farol. O mar lá embaixo com rochas e sol, uau! A praia Ain Diab é bem conhecida. Ao redor, cadeias de hotéis famosas, por exemplo, o Four Seasons, cadeia francesa. O rei da Arábia Saudita tem dois palácios no Marrocos, uma aqui e outro em Tânger.

Aos sábados, a avenida La Corniche fica um agito à noite, com seus restaurantes e vida noturna em discotecas, região internacional. Olhando para o mar, estão as piscinas construídas que recebem a água do mar. Lugar incrível. Eis a Califórnia do Marrocos, como dizem. Cada casa bela, a maioria branca, com muito estilo.

Em www.loucoporviagens.com.br aprendemos que um bairro conhecido com estilo cosmopolita é Anfa. Suas ruas são arborizadas, há moradias de luxo e refinadas com vistas deslumbrantes do oceano Atlântico e acesso direto a praias.

Há muita umidade em Casablanca, 30 graus aqui é pior que 50 graus em Marrakech. Para os asmáticos é péssimo.

Laranjeiras nos canteiros centrais e palmeiras por todos os lugares. Muito comum ver duas meninas caminhando na rua, uma vestida de forma ocidental e a outra com túnica e hijab (lenço que cobre o cabelo).

Pela cidade, nós no ônibus, reconhecemos os restaurantes de cadeias internacionais como KFC, Pizza Hut, McDonald´s, cafés mil com somente homens sentados na calçada. Atravessamos a movimentada avenida Gandhi.

Cidade imensa, bonita, com avenidas largas e palmeiras. Arquitetura, beira mar, prédios baixos, tudo é um charme. Descobri que meu tipo de cidade está no Marrocos, são muito agradáveis. O país é internacional, com muitas culturas e línguas. Casablanca já foi a mais cara para morar, hoje é Marrakech e Tânger. A dinastia do rei é de linha alauita, tem 400 anos, vem do séc. XVII.

Passamos pela Catedral do Sagrado Coração (25 Rue d´Alger), toda branca, construída durante o período colonial francês, entre 1930 e 1956, combina elementos góticos e art déco. O arquiteto foi Paul Tournon em 1930 (fonte: http://www.viajandocommoises.com.br). Hoje é um centro cultural desde 1956.

A fome nos incomoda, porém soubemos que só depois de chegar a Rabat, capital do país, excursão é assim. O que me salva são os biscoitos de chocolate integral Bauducco que o Carlos tinha. Ufa! Ainda bem. O pior foi o engarrafamento que atrapalhou nossos planos. Que trânsito mais louco e intenso, pior que o nosso e muito. O almoço ficou para mais tarde.

Continuaremos em breve com Rabat. São 94 km.

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024, estamos em Marrakech, a segunda cidade imperial mais antiga do Marrocos, e vamos chegar a Fez no final do dia. Passaremos em Casablanca, Rabat e Meknes antes de chegar a Fez. Viagem de ônibus pelo Marrocos, com a excursão intitulada de Brasileiros nos Encantos do Marrocos pela CVC.

Acordamos às 6h30, 7 h o café da manhã e 8 h já sairíamos do hotel. O café da manhã no Palm Plaza Hotel & Spa em Marrakech é de sonhar. No mesmo salão do jantar do dia anterior, encontramos um buffet fantástico de comidas (para os orientais), salada de frutas, pêssego e pera em calda, comida marroquina, pães variados, um deles de tamanho médio e retangular, com uma casquinha crocante inesquecível, iogurtes cremosos caseiros (uau!) de morango e baunilha etc. Fiquei com vontade de ficar no hotel, porém a jornada estava para começar. Só tínhamos meia hora para comer. O lugar repleto de europeus. Detalhe: o melhor pão que já comi, ao lado do croissant de chocolate do hotel Printemps em Paris no ano de 1997. Como esquecer?

São 8 h e estamos na entrada do hotel com as malas. Lá conhecemos o grupo da agência Special Tours ligada à CVC brasileira. Somos três brasileiros, o Carlos, eu e o Renato, do Rio de Janeiro. As outras pessoas, quatro casais da Espanha. Todos pontuais, ônibus vermelho, motorista pronto, com guia Abdellatif ou Abdul. As conversas com o guia serão em espanhol, aliás, ele fala muito bem. O guia também fala inglês, francês (todo marroquino fala) e outras línguas. Parabéns!

Observo que as mulheres cobrem o cabelo com um lenço (hijab) e usam túnicas coloridas, bonitas, alguns homens também. Estamos em um país muçulmano. Vejo umas de burca, e algumas cobertas no rosto, vê-se que não são do Marrocos, mas de outros países árabes, mais rígidos.

São 240 km para Casablanca em uma autopista. Estamos rumo ao norte em direção ao oceano Atlântico. Informações do Abdul: 14 km separam Tânger da Espanha. No Marrocos, Fez é a cidade mais antiga, Rabat, a capital administrativa e Casablanca, a capital econômica.

Ainda em Marrakech no rumo de Casablanca. Há a muralha da cidade, dentro dela a parte antiga e fora, a nova. É uma fortificação de 19 km que envolve toda a Medina da cidade, erigida em 1122, faz parte do Patrimônio da Humanidade. Passamos por uma avenida, cujo clima é de 28° C, 30° C e fora dela 50° C, vemos quadras de esportes e lugares para piqueniques à noite. Muitas palmeiras, um verde de chamar a atenção. O motivo do clima ameno é o Jardins de Agdal, no local, que segundo a Wikipédia, são constituídos de talhões retangulares de pomares de laranjeiras, limoeiros, romãzeiras, pessegueiros e figueiras, que são ligados por caminhos ladeados de oliveiras. Localizados ao sul do Palácio Dar El Makhzen ou Palácio Real, cobrem uma área de 500 hectares e datam do séc. XII, jardins feitos durante o reinado do califa almóada Abde Almumine. Nos prédios públicos e ligados à realeza se encontram a bandeira do Marrocos e a foto do rei.

O guia ama o futebol brasileiro, sabe tudo. Estamos passando e circundando a muralha por fora. Uma parte foi destruída pelo último terremoto em setembro de 2023, nível 6.8, a maior devastação foi nos arredores de Marrakech, principalmente, em áreas montanhosas de difícil acesso. No total 2 mil pessoas pereceram. Os cemitérios são todos construídos em direção a Meca. Um rio seco pelo caminho, quando chove nas montanhas, ele enche.

5 milhões de marroquinos moram fora do país e gostam de comprar objetos de qualidade de segunda mão. A periferia da cidade tem construções ao longo do rio, antes eram favelas. Edifícios baixos para funcionários públicos, pagam em 25 anos, percebi serem valorizados como categoria profissional. Mais em conta por serem fora da cidade. Mesquita, Tribunal. Chama a atenção o tamanho dos prédios, são baixos para proteger a harmonia da cidade.

O estádio de futebol em forma de muralha, cabem 65 mil pessoas: Grande Estádio de Marrakech. Não é fácil entender o árabe quando o Abdul fala o nome das ruas e lugares. Tudo é plano. A Copa de Futebol da África será no Marrocos em 2025, os estádios estão sendo restaurados. Nas placas de trânsito sempre o árabe e o francês. Segundo o guia, montanha tem 2 mil metros, menos é serra. Pelo caminho, venda de cerâmica.

Polícia na cidade, fora é Gendarmeria, por sinal, são todos muito elegantes. De impressionar. Na autopista, um ônibus vai a 100 km/h, os carros pequenos a 120 km/h. As estradas são um tapete de tão boas. Há muito controle de velocidade.

Pela estrada, observo uma paisagem árida e seca, parece o deserto do Atacama. Do norte do Marrocos há trens para Marrakech, a ferrovia do sul está em construção. A terra é marrom, mais rica, propícia para a plantação de cereais e trigo. Em Marrakech, a terra é vermelha. São 135 lagos para eletricidade e agricultura no país, de acordo com o guia.

Na Cordilheira Atlas neva. Na região montanhosa Rife, no norte, moram os berberes, povo originário do Marrocos. Eles têm um dialeto diferente do árabe de Marrakech. Dentre os países que falam árabe, o de melhor pronúncia é o do Egito. Os marroquinos falam árabe misturado com francês, por isso não entendem bem os dos outros países. Somente compreendem 80% do árabe da vizinha Argélia e 70% do da Tunísia. Esses países e o Marrocos têm o mesmo clima. Nota: o Marrocos foi colônia francesa do final do séc. XIX até 1956. E o francês é disciplina obrigatória nas escolas marroquinas.

Na opinião do nosso guia, o homem marroquino não gosta das películas indianas ou turcas, porque os mocinhos são ricos. Uma comparação ruim, já que o Marrocos é um país pobre, subdesenvolvido. O Abdul é sincero. Muitos filmes são feitos no país, em Ouarzazate, como O Gladiador e Reino dos Céus (Kingdom of Heaven), esse com 2 mil cavalos e 8 meses para construir a fortaleza. Filme muito falado, a Wikipédia nos informa que é de 2005, o diretor britânico Ridley Scott e conta a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Kingdom of Heaven – Wikipédia, a enciclopédia livre

Chove mais no norte. As oliveiras marroquinas levam 5 anos para crescer e são maiores, então os agricultores preferem as espanholas que com 2 anos estão prontas para a colheita e são menores. A cidade Meknes é a capital do vinho, outras cidades também produtoras, como Benslimane, Berkane e Casablanca. Há restrições às bebidas alcoólicas no país, devido à religião. O argan é usado para comer com pão e salada (a fim de controlar o diabetes), evita a aterosclerose e o infarto, e em cosméticos: evita o envelhecimento precoce, hidrata os cabelos e a pele.

Há cooperativas de mulheres trabalhando juntas, fato que os maridos não se incomodam, pelo motivo de não trabalharem com outros homens. O Abdul gosta de nos dizer (para um grupo com cinco mulheres ocidentais) que a mulher no Marrocos é a rainha da casa, a mais importante da família, a dona da casa e que seu papel é cuidar do lar. Outro país, outra cultura.

Vemos muita energia limpa por aqui, energia solar, até o aeroporto de Marrakech utiliza.

Paramos para banheiros e café em uma loja de conveniência da Shell (em francês, um AIRE DE REPOS, são incríveis). Café com leite e um suco de pêssego COMPAL (marca portuguesa), oba!

As estradas sem um remendo. Que inveja! No país se come muito cordeiro. Há uns de cabeça marrom que comem plantas, carne boa para o controle do colesterol, e uns de cabeça branca e olhos negros que são mais caros.

Estamos já perto de Casablanca. Entramos em Settat, cidade onde é mais barato viver do que em Casablanca. Muito comum ver famílias morando juntas em casas nas cercanias. Na parte moderna, prédios rodeados de eucaliptos. Para um marroquino, chá é para todos os momentos. O eucalipto serve para problemas de coluna. Plantas medicinais, chá verde e ducha fria são bons para a saúde. O ginseng vermelho tem ferro. Também encontrado na Mauritânia, país próximo. Mesclas de chás e plantas resultam em afrodisíacos naturais, dão força. Plantação de melão na região. As frutas, devemos perguntar de onde são, porque têm preços diferentes e qualidade também.

No Marrocos existe um problema sério de água, por isso a energia solar é tão utilizada em coleta de água na agricultura.

Importante mencionar a Festa dos Cordeiros ou Festa do Sacrifício, tradicional nos países muçulmanos. Os habitantes oferecem cordeiros às mesquitas, viúvas e pobres. Para um muçulmano, quem pede comida, recebe. A festa, conhecida como Aid al-Adha, marca o fim do Hajj, a peregrinação muçulmana a Meca. Em https://viverviajar.com/festivais-religiosos-do-marrocos-que-encantam-os-viajante-de-todo-mundo.html/ A Festa do Cordeiro e a comemoração do sacrifício de Abraão são celebrados por muçulmanos em todo o mundo com a oferta de um sacrifício de animal, geralmente uma vaca ou um cordeiro, como uma ação de graças a Deus por salvar a vida de Ismael, filho do profeta Abraão. A carne é dividida em três terços, um vai para a pessoa ou pessoas que dão o animal, outro para distribuir entre parentes e o último terço para quem precisa, independente de religião, raça ou nacionalidade.

Shukran Jazilla, muito obrigada. Sou eu, aprendendo com o Abdul um pouquinho de árabe. Não custa nada. Estamos nas adjacências de Casablanca e vemos o maior aeroporto do país.

Em breve, visitaremos a Casablanca, a Cidade Branca.

Marrocos colorido-chegada a Marrakech-dia 1

Marrocos colorido-chegada a Marrakech-dia 1

Hoje é domingo, dia 3 de novembro de 2024 e lá vamos o Carlos e eu para uma nova jornada, desta vez, para pisar em solo africano pela primeira vez. O país escolhido foi o Marrocos, que estava na lista, uma vez que minha mãe sempre falou tão bem da beleza do país. Ainda fala encantada de Fez. Vamos por excursão da CVC (do shopping Del Paseo-Fortaleza) de uma semana. O avião da TAP parte de Fortaleza às 23h15 e às 9h20, hora local, aterrissamos em Lisboa, Portugal. O jantar foi muito bom e assisti a dois filmes, o avião enorme. Já o café da manhã foi simples, um pão frio com presunto e queijo e um suco de laranja da marca COMPAL, a mesma do suco de pêssego que amo.

Segunda, dia 4 de novembro de 2024. Chegada a Lisboa, entramos na fila de controle de passaportes, mas erramos, era mais simples, bastava ir para o outro lado, para a fila dos voos de conexão ou “de ligação”, como se diz em Portugal. Sempre acho o aeroporto de Lisboa gigante. Aliás, não está dando conta de tantos viajantes. A ideia era passar logo e tomar um café para acordar.

Ali mesmo na seção dos voos de conexão, há várias opções para café. No quiosque perto do portão 45, comi, enfim um muffin de chocolate por €4,50 euros. Sonhava fazia tempo. Tinha creme de chocolate dentro com pouco açúcar, que delícia! O café expresso por €1,90 e vamos já se acostumando com a moeda.

Como o voo para Marrakech seria às 13h20, teríamos que almoçar antes. A decisão foi por algo leve, um consome de legumes no First Class Café, por €4,60. Muito bom, por sinal. Estava chovendo em Lisboa, um clima agradável, uns 20° C. Levamos casaco. O turista hoje tem que se precaver com roupas para frio e calor.

Entramos no voo Portugalia/TAP Lisboa-Marrakech e achei interessante algo, só servem água, vendem sanduíches e bebidas. Um espanto! Afinal, é um voo para outro continente.

Ao chegarmos a Marrakech às 15h55, outro clima, bem mais quente. A gente se depara com uma fila enorme para o controle de passaportes. Entra para falar com os oficiais uniformizados em cada guichê só uma pessoa. Incrível a quantidade de turistas. A policial (todos são) muito simpática, pergunta a profissão, aí digo que sou teacher (professora) e que o Carlos atrás de mim é head teacher (diretor de escola (pública)). Ela gostou. Antes, eu havia perguntado se ela falava inglês, porque lá todos falam francês e árabe (uma mistura de árabe com francês, segundo eles). Sim, responde. Anotam um número no nosso passaporte, significa que cada turista é numerado e carimbam (amo carimbos de países visitados). Passamos ainda pelo RAIO X das bagagens, e lá fora do aeroporto o transfer nos esperava. Nome do motorista da van? Tarik. Sempre importante a acolhida, nos faz apreciar o país na entrada. E mais inglês e espanhol. Detalhe: só nós dois na van. Todos dizem You´re welcome (seja bem-vinda/o). O aeroporto tem uma arquitetura arrojada.

O Tarik me coloca em contato via celular com o guia que me explica o horário do jantar no hotel das 19h30 às 22 h. No dia seguinte, saída para Fez de ônibus às 8 h, ou seja, vamos acordar às 6h30 para estar no café às 7 h. Excursão é assim mesmo. Estávamos bem cansados, queríamos dormir um pouquinho mais.

Os táxis têm uma cor dependendo da cidade. Em Marrakech são amarelos. O guia nos conta que o rei é jovem e mais liberal do que em outros países muçulmanos. Nome? Mohammed ben Youssef el-Alaoui ou Maomé VI. Fez já foi a capital do país e tem a universidade mais antiga do mundo: Al-Qarawiyyin ou Karaouine, datada de 859 d. C.. Marrakech é turística, a capital é Rabat. Os prédios são baixos, até 5 andares, já amei. E mais adiante vemos a cadeia montanhosa do Atlas. A principal língua falada é o árabe, mas se fala francês, inglês, espanhol e outras. O Tarik nos deu duas garrafas de água mineral, muito agradável isso.

Segundo a Wikipédia, Marrakech é uma cidade do centro sudoeste do Marrocos, situada no sopé da cordilheira do Atlas. A moeda é Dirham ou DH. Conhecida como a “cidade vermelha”, “pérola do sul” ou “porta do sul”.

Toda cidade marroquina tem uma cor, é um país colorido. Realmente, é muito destacada a cidade vermelha (a gente achou meio ocre ou rosa escuro, deve ser o sol intenso e o calor que desbotam as cores).

O fuso horário é 1 hora a mais do que Lisboa e 4 a mais do que o Brasil.

Estamos no hotel. De primeira, já fenomenal, poucos andares, com vários ambientes, espalhado, lindo, das Arábias! Com uma piscina enorme, tentadora, mas não levamos roupa de banho e nem teríamos muito tempo, na verdade. Os espaços são grandes do hotel, o quarto também. Nome? Palm Plaza Marrakech Hotel & Spa. Na Avenue du 7éme Art, 40000. O hotel é todo róseo, como dizem, vermelho, da cor da cidade. O quarto espaçoso dá gosto. Oferecem água mineral para os dois de graça. Atitude simpática. Chuveiro ótimo, só cuidado com a banheira que é alta e perigosa. Para sair, só na acrobacia.

Vamos para a refeição, que fome! Quantas opções de comida e sobremesas, fiquei estupefata. Hotel 5 estrelas no Marrocos é outra coisa. O refeitório é gigante e atraente. Vamos da pizza à comida marroquina. Aliás, capricham nos temperos, há de se levar remédios pra problemas intestinais. O filme Amores Solitários da Netflix me ajudou a lembrar. Continuamos com a comida… tomate à provençal, paella, saladas diversas, sucos deliciosos de beterraba e cenoura, nunca senti gosto tão apurado, drinques e água. Uau! Que sobremesas magníficas! Aqui começa o “engordol”. Depois do lauto jantar, fomos dar uma caminhada em frente ao hotel e descobrimos uma loja marroquina, cujo vendedor se chamava Karim. Solícito e se virou no inglês. Loja de lembrancinhas e produtos do Marrocos, como roupas, túnicas e muito mais. Al Mazar Artisanat. Comprei logo uma agenda estilo marroquina para os meus apontamentos para o blog por 50 Dihan e uma bata branca por 100 DH. Não é caro. R$1,00 equivale a 1,73 Dirham marroquino. Trocamos 50 euros no próprio hotel, maravilha. Recebemos 520 DH.

No próximo dia, começa a aventura via estradas do país em direção a Fez. Animação não falta. Topam iniciar as descobertas?

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Hoje é dia 11 de abril de 2024, último dia em Lisboa. O Carlos e eu só temos a manhã para ainda fazer algum passeio.

Fomos ao Largo do Carmo a pé, bem perto do hotel Borges Chiado. A intenção era conhecer o Museu Arqueológico do Carmo com a igreja que arriou no terremoto de 1755. Muito interessante as paredes da igreja, a gata mascote do museu, sarcófagos, lápides, túmulos, sendo um deles uma cópia do de Nuno Álvares Pereira. Há filmagens sobre o terremoto na parede em línguas diferentes.

Um pouco de história: a igreja do Convento do Carmo foi mandada construir em 1389 por D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável (antigo comandante do exército, segundo o site http://www.infopedia.pt). Ao longo dos séculos foi constantemente enriquecida com novas capelas e obras de pendor artístico e religioso. No dia 1° de novembro de 1755, os efeitos do terremoto de Lisboa provocaram a derrocada de quase todo o edifício. O incêndio que seguiu completou a destruição. A sua reconstrução inicia-se em 1756, mas as obras foram interrompidas, e no século XIX, sob a influência do Romantismo, decidiu-se não construir o resto do edifício. Em 1864 foi instalado neste espaço um dos primeiros museus de Arte e Arqueologia de Portugal, com coleções de peças recolhidas de antigos mosteiros, de Arqueologia Pré-colombiana, e artefatos da Pré e Proto-história de Portugal.

Na sala 1 do museu, encontram-se artefatos dos mais remotos habitantes do território português, tais como lascas do Paleolítico Inferior e Médio, um notável vaso do Neolítico Antigo, entre outros objetos provenientes de sepulcros megalíticos e de um povoado do Neolítico Final. De épocas mais recentes, destacam-se os conjuntos e artefatos dos povoados calcolíticos de Pedra do Ouro e Pragança, bem como diversos achados isolados da Idade do Bronze e da Idade do Ferro. O núcleo mais importante é o proveniente de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). A grande abundância e variedade de artefatos e restos de alimentos, encontrados nesta complexa fortificação, mostram que foi construída e habitada, entre cerca de 3200 a. C e 1500 a. C, por pequenas comunidades agropastoris, já conhecedores da metalurgia do cobre.

Na sala 2, vemos em exposição um conjunto de obras com cronologia compreendidas entre a época romana e o domínio islâmico do território português. De grande valor histórico, documental e artístico são as três peças representativas da arte moçárabe de Lisboa: o friso dos Leões e os dois pilares decorados com medalhões vegetalistas e grifos.

Na sala 5 está escrito: a memória do fundador da igreja e convento do Carmo, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431), condestável e mordomo-mor do reino, encontra-se presente nesta sala através de uma estátua de vulto que o representa, da réplica do seu túmulo e ainda da maqueta da igreja do Carmo. As escavações arqueológicas realizadas em 1996 e 2008 neste edifício trouxeram à luz do dia um conjunto de objetos que testemunham a vivência quotidiana do convento ao longo dos séculos. Aqui estão expostas imagens dos santos, fragmentos de escultura e arquitetura retabular e ainda um importante acervo de inscrições epigráficas medievais. Merecem ainda especial destaque as quatro placas de alabastro, oriundas das conhecidas oficinas inglesas de Nottingham (século XV). Exibem-se ainda painéis de azulejos setecentistas, alusivos a cenas da Paixão de Cristo (dando continuação aos painéis da sala 4) e vários exemplos de azulejos hispano-árabes.

Vemos o túmulo do rei D. Fernando I, do séc XIV, do Convento de São Francisco de Santarém. Esculpido em relevo, apresenta na testeira, cenas da vida e milagres de São Francisco de Assis. Nas restantes faces da arca e da tampa, os escudos de Portugal e dos Manuéis, figuras religiosas e laicas, bem como um conjunto de seres fantásticos e um alquimista no seu laboratório.

Que visita mais valiosa, saímos deslumbrados. Lisboa é uma festa, globalizada, movimentada, atraente. Acidade homenageia seus heróis em placas em lugares diferentes. Acho isso bonito.

Pagamos €40 euros pelos cafés da manhã. O hotel Borges Chiado cobra. Compramos para levar ao aeroporto pastel de natas e uma empada grande na lanchonete Vitaminas. Sempre nos preparamos com algo para comer em aeroportos.

Estávamos prontos no hotel pelas 11 horas, porém o motorista do transfer nos deixou na mão, a desculpa foi ser difícil estacionar ali perto do hotel por ser um calçadão, isso bem é verdade, porém poderia ter parado nas ruas laterais. Então, uma hora de espera depois, os atendentes do hotel nos ajudaram e pediram um táxi (do sr. João) que nos salvou a não perder o avião. Bom papo. Foram €17 e deu certo. Voamos pela TAP: Lisboa-Fortaleza. De volta, fomos ressarcidos pelo nosso agente de turismo Dennis. Coisas que acontecem a viajantes.

Fim de uma viagem fascinante e com vontade de quero mais. Saudações aos queridos amigos e amigas da boa terra de Portugal.