Nada mais fácil do que escrever sobre a capital da Argentina, meu sangue ferve naquela terra. Algo que não sei explicar, chego lá e fico mais do que radiante. Meu coração e alma pedem que voltemos sempre. Ainda bem que o Carlos, meu companheiro de aventuras e de vida, concorda. Nossa jornada em Buenos Aires ocorreu entre 22 e 30 de outubro de 2022.
Dia 22 de outubro de 2022, sábado. Voamos pela GOL às 9h50, voo direto de Fortaleza a Buenos Aires, descendo no aeroporto Jorge Newbery dentro da cidade. Um luxo! 5 h e meia de viagem com almoço de frango, arroz e uma tortinha de chocolate com pouco açúcar. O papo com o argentino Hugo foi agradável, a filha dele tem uma pousada aqui no Ceará na ilha de Guajiru em Itarema. Vimos fotos e nos encantamos.
Como tínhamos combinado o transfer com a CVC, o Gustavo foi nos buscar com a van no aeroporto. Antigamente íamos de ônibus, táxi, a gente se virava, hoje não, queremos conforto e facilidade. Marcas da idade? Ele nos deu o folder de passeios e de shows de tango, tudo muito organizado. A gente queria mais saber dos tangos, uma vez que já fizemos muitos passeios na cidade em outras viagens.
Café da manhã no hotel República-Buenos Aires-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
No hotel Globales República (Calle Cerrito, 370), perto do Obelisco, já estava o Júnior da CVC nos esperando, aí nos ajudou com o check-in e trocou dinheiro para nós. Só tenho elogios. Já coloquei o whatsapp dele no celular. Isso facilita a vida do turista. Detalhe: o pagamento do hotel foi feito pelo Bancorbrás, sistema de viagens que utilizamos uma vez por ano. Esperávamos um quarto maior, mas a boa localização e o pessoal do hotel compensaram.
Fomos dar uma reconhecida de área pós check-in na região que é muito central com Starbucks, lojas de lembrancinhas, farmácias, restaurantes e cafés. Amo os kioskos (pequenas lojas que vendem tudo de alfajores, os biscoitos doces típicos, chocolates etc) e percebi lojas novas somente de doces de leite, maravilha! Estamos no centro, lugar para caminhar e ser feliz. Jantamos frango grelhado com salada considerável no próprio hotel. Preço: AR$ 1200 pesos pelo prato individual (hoje em maio de 2023 seria R$ 25,44). Lembrando que o momento é positivo para o turista brasileiro, o nosso real está mais do que valorizado lá. A inflação maltrata os hermanos, logo os preços são mutáveis.
Buenos Aires da última vez que fomos em 2016 estava mal cuidada, porém desta vez foi uma grata surpresa. Amei tê-la visto pujante, com muito movimento, limpa, amada, um arraso.
Estávamos cansados e logo fomos dormir. Continuaremos com o domingo na feira de San Telmo.
Hoje é dia 21 de fevereiro de 2023, terça-feira gorda de carnaval. O momento é aproveitar a cidade e conhecer um pouco mais. O café da manhã do hotel Acqua Inn de novidade teve omelete fit e bolos diversos com pouco açúcar. O de chocolate com calda de chocolate estava divino.
Vamos a pé até Pajuçara, estamos em Ponta Verde. Vemos a estátua em bronze de Guimarães Rosa no calçadão e a placa em homenagem aos quatro jangadeiros que saíram da Enseada de Pajuçara e navegaram ao Rio de Janeiro no dia de 27 de agosto de 1922 a fim de celebrar o Centenário da Independência na capital federal de então. O dia está nublado, o calor abafado, a orla lotada. Também observamos a estátua do almirante Tamandaré (1807-1897), considerado herói brasileiro e patrono da Marinha do Brasil.
Entramos no Pavilhão do Artesanato de Pajuçara. Tudo bem colorido, muitas variações de saídas de banho, trabalhos em filé, chaveiros, muito a ver. Uma água de coco na Bodega da Tapioca ameniza o calor. Ali perto descobrimos uma feira de artesanato original: a feira Guerreiros da Arte, boxes de madeira bem criativos, bancos e árvores decoradas, tudo mais artístico pra venda. Situa-se na praça Lions em frente à galeria Paiva no shopping Lions.
Maceió convida a longas caminhadas, isso é fantástico. O turista delira. Em Pajuçara existem piscinas naturais que se alcançam por meio de jangadas.
No hotel ganhamos um voucher com desconto de 10% no almoço do restaurante Janga. Como havíamos esquecido, resolvemos almoçar no supermercado Palato, no restaurante estiloso do terceiro andar (misturaram madeira, plantas e a cor preta, logo o resultado é bonito). Pedimos o prato de Legumes à Provençal com camarão (o peixe robalo foi substituído, pois estava em falta), mais filé para o Carlos, além de uma cerveja Corona. Os legumes: abobrinha, tomate-cereja, batata-doce e berinjela, achei demais. Os garçons solícitos de boina preta, calça, sapatos e avental pretos e camisa branca, gostei. A sobremesa creme brullée para ser feliz. Para quem não conhece, a grosso modo, é uma sobremesa francesa que parece Cremogema com casquinha de açúcar refinado. Para completar, um café carioca com água e um bolinho mini. Que refeição!
Na volta ao hotel, vemos o farol vermelho e branco na ponta de Ponta Verde.
Na caminhada pós-descanso do almoço, a maré está alta. A estátua do Aurélio Buarque de Holanda, dicionarista, está no calçadão. O alagoano cultiva seus conterrâneos ilustres, gosto disso. Muitas lixeiras de plástico azuis na orla, muitos quiosques grandes de tapiocarias. Restaurantes bem frequentados, como Barrica´s e Amendoeiras. A beira mar de Maceió é bem sinalizada, com o nome dos locais e início dos bairros. Os canteiros centrais são verdadeiras praças com bancos e coqueiros, ou seja, conforto para o pedestre. As pessoas levam suas cadeiras de praia, ali sentam, convidam os amigos, conversam, bebem, comem, uma graça. Isso é ser uma cidade habitável e humanizada. Por ser plana, é boa para o idoso. Chama a atenção ter menos motos no trânsito. Visivelmente, é uma cidade com menos desigualdade de renda, não se vê tanta riqueza ostensiva nem tanta miséria inaceitável. O fato do estado de Alagoas ser menor e sua capital ter muito menos habitantes do que Fortaleza, por exemplo, ajuda nisso.
A cadeira gigante boa para tirar foto fica em frente ao supermercado Palato em Ponta Verde. E a placa “Eu Amo Maceió” estilizada também tem fila. Maceió é espraiada, espaçosa, dá uma sensação boa na gente.
Jantar no restaurante Janga-Maceió-Alagoas-foto tirada por Mônica D. FurtadoEu com a estátua de Aurélio Buarque de Holanda-Maceió-Alagoas-foto de Carlos Alencar
O jantar no Janga enfim aconteceu. Trouxemos o voucher do desconto. O garçom Alan nos serviu, pedimos Tilápia Primavera: filé de peixe grelhado e coberto com alho crocante e folhas de manjericão fresco servido com salada primavera-cenoura, cebola, vagem e mix de pimentões salteados com azeite e alho-finalizados com alho poró crocante e molho cítrico. Acompanha arroz integral. A bebida foi suco de maracujá. Fenomenal, valeu a espera. Da próxima vez, conheceremos o Bodega do Sertão, que parece uma grande chaleira decorada, no bairro Jatiúca.
Dia 22 de fevereiro de 2023, quarta-feira de cinzas, dia de ir embora com saudades. Detalhes a ressaltar: no café da manhã tinha banana da terra, tapiocas recheadas de coco, presunto e queijo e macaxeira. Nada melhor. No nordeste brasileiro, os cafés da manhã provocam deleite.
No aeroporto, apreciei a loja de bijuterias Palhas da Terra com brincos, colares e pulseiras atraentes.
Até logo, Maceió, espero voltar sempre. Valeu o passeio. Parabéns pela organização, e obrigada, Débora e Natália da CVC Del Paseo-Fortaleza.
Hoje é dia 17 de fevereiro de 2023, sexta-feira. A intenção de passar o carnaval em Maceió, capital das Alagoas, no nordeste brasileiro é passear e relaxar. Não estou mais na vibe de folia faz tempo.
O voo da LATAM Fortaleza-Maceió direto é uma maravilha: das 14h20 às 15h30. Fomos pela CVC, agência shopping Del Paseo com Débora e Natália. 27 km separam o aeroporto do litoral. Os guias Lionel ou Messi e o Leonardo, além do motorista Halisson estavam a nossa espera. Dizem ser seguro andar na orla, o clima está entre 29º C e 31º C. Devemos usar muito protetor solar e aí entregaram o encarte dos passeios, um por dia.
Ficamos no hotel Acqua Inn em Ponta Verde (rua Engenheiro Mário de Gusmão, 988), entre os bairros de Jatiúca e Pajuçara. A loja de conveniência do hotel chamada Aquarium é uma pedida para lanches, pratos rápidos e guloseimas. Ao lado do hotel há lojas e farmácia, muito bem localizado. A loja Querida B. Acessórios é de endoidar. Maceió pede caminhadas. Gostoso de ver prédios baixos de até nove andares, agradáveis e convidativos. A cidade continua limpa e verde. Que delícia! Sempre que vou a Maceió, fico encantada.
Maceió no carnaval 2023-Ponta Verde-foto tirada por Mônica D. Furtado
Achei confuso o calçadão da orla de Ponta Verde, com pedestres (faixa verde) e bicicletas dividindo o mesmo espaço, embora haja uma ciclovia na cor vermelha, logo vamos andando com cuidado. Chegamos a um supermercado promissor. Dentro é estiloso, espaçoso e decorado no preto e no tijolo à vista, data de 1992 e cresceu como padaria. Eis o Palato na rua Deputado José Lages, 700. O seu Espaço Saúde com lanches rápidos, pizzas, crepes, tapiocas, saladas diversas etc no térreo é demais. Onde sentamos existe um janelão de vidro que dá para uma pracinha em frente ao calçadão, um visual de primeira. Amei a salada de frutas e as crepiocas (tapiocas com ovo). Quando aprecio um lugar assim, volto sempre. Interessante que em frente ao supermercado, há uma cadeira de praia gigante para os turistas tirarem fotos na pracinha em frente, uma graça. Havia uma pessoa com uma escada ganhando um troquinho para ajudar a subir na cadeira, é isso aí. Nem tiramos fotos, afinal todos os dias havia uma multidão esperando.
Ao sair de lá na caminhada até o hotel, percebo ainda haver muitas casas sem eletrificação, ponto para Maceió, apesar de que algumas já estejam na mira da construção civil. Uma lástima. Para mim cidade com qualidade de vida tem muitas casas e árvores. E pedestres na rua.
Descobrimos uma creperia que fica próxima do hotel, estava fechando para o carnaval. Nome: Amo Crepes eSaladas na rua Pompeu Sarmento, 52. A decoração com lustres esverdeados nas árvores é uma beleza. Dá água na boca.
Como no dia seguinte o passeio é para a praia de Maragogi, tendo que acordar às 4h30 da madrugada, pedimos o kit de café da manhã no Aquarium para ser pego às 21h30. Muito bom isso. Maragogi: 124 km distante de Maceió, perto da fronteira do estado de Pernambuco. A maré baixa seria bem cedo no dia seguinte, então às 5h10 o ônibus da WS (coligada à CVC) nos pegará. Cedo demais, mas fazer o quê? Acordar e sair feliz.
E vamos começar as aventuras nas praias paradisíacas de Alagoas.
Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022 -já no fim
Ainda estamos no dia 6 de dezembro de 2022, terça-feira à tarde. Meus pais e eu estamos no Shopping Recife e vamos almoçar no espaço Skillus-um self-service excelente by Itamar Silva. O garçom Alex, gente boa, fez a maior propaganda do Bolo de Noiva com queijo do reino, produzido por Cecília Chaves. Amei o local, a comida e as sobremesas.
Após o almoço, meus pais foram para o hotel e eu me dirigi ao café São Braz, ao lado do supermercado Bom Preço. Sempre que venho a Recife, este lugar é parada obrigatória. Vejo o cardápio na espera pela companheira Joaquina Ramos, do grupo de estudos de @peloscaminhosdaiiguerramundial. A gente já tomou café em Fortaleza e agora na cidade dela, é cearense de Recife.
Interessante um costume da terra: escrever os ingredientes dos bolos. Vamos lá: o Bolo de Noiva-manteiga, farinha de trigo, chocolate, açúcar, ameixa, uva passa, frutas cristalizadas, ovos e vinho tinto; o bolo Souza Leão-massa de mandioca, açúcar, ovos, manteiga, leite de coco, sal e corante; e o meu preferido bolo de tapioca-leite de coco, leite, açúcar, coco ralado e massa de tapioca. São servidos como bolinhos redondos, antes era em fatias. Gostei, tudo muito arrumado.
Detalhe: perto do Café São Braz há debaixo da escada rolante o Espaço da Boa Idade com mesas e cadeiras. Um ponto de encontro para idosos. Demais! O shopping é enorme e oferece muitos bancos, sinal que pensam no bom convívio social e de descanso.
Eu com a Joaquina Ramos no café São Braz no Shopping Recife-foto tirada pela garçoneteBolo de Noiva-típico da terra pernambucana-foto tirada por Mônica D. Furtado
A Joaquina chega, colocamos os papos em dia e enfim, eu peço o meu bolo de tapioca com café. Valeu, Joaquina!
Á noite, jantar com a família Dourado no apartamento da prima Ritinha. Emocionante o nosso encontro. Lá estão os familiares: os irmãos Rita, Luiz Antônio e Lúcia e as filhas da Rita: Adriana e Lúcia com marido Tonico. Laços de sangue próximos dando muito aconchego. Obrigada, família.
Dia 07 de dezembro de 2022, quarta-feira. No café da manhã conheci o casal de Rosario, Argentina, terra do Messi!!! Conversamos muito, afinal não posso ver argentinos que declaro o meu amor ao país deles. No café da manhã, a novidade foi o bolo de milho e o de tapioca, uau!
Mais uma caminhada pelo calçadão, exercício importante, ainda mais depois de tantas guloseimas… O semáforo tem tempo, mostra os pontos verdes diminuindo, acho fantástico. Dá mais segurança ao pedestre. Quero isso em Fortaleza. Cuidado com as bicicletas: não respeitam o pedestre! Os garis limpam a praia a qualquer hora, outra diferença da minha cidade. Os quiosques à beira mar tem beirais para dar sombra e são revestidos com azulejaria em referência ao antigo calçadão.
Voltamos ao Shopping Recife para almoçar, de novo no Skillus, amamos. Desta vez, provamos o Bolo de Noiva by Cecília Chaves. Maravilhoso! Imperdível e com pouco açúcar. Senti o gosto da ameixa e do vinho. De lá, fui passear e comprar quitutes para trazer para casa. Fiz compras de bolo de rolo, logicamente, e descobri um biscoito chamado Lolita, recheado de goiabada, não conhecia. Também encontrei a loja Casa Feliz, não mais existente em Fortaleza. Encontrei uma em Jericoacoara-Ceará. É uma loja de quadros, chaveiros e decorações estilosos. Fiz a festa.
No outro dia, dia da partida, o café da manhã teve bolo de macaxeira e banana da terra cozida. Delícia total! Que passeio mais agradável esse, fica no pensamento a música símbolo do carnaval, sempre cantada, de Alceu Valença: “Voltei, Recife/ Foi a saudade que me trouxe pelo braço …” Voltaremos, com certeza.
Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia
Hoje é dia 06 de dezembro de 2022. O café da manhã do hotel Grand Mercure Boa Viagem é repleto de iguarias. De novidade, dois bolos regionais: o Souza Leão e o de rolo. Bem doces, eu diria que tem que provar. O de rolo é o xodó dos pernambucanos, é Patrimônio Cultural e Imaterial do estado. Parece um rocambole fino, aliás, dizer que é rocambole recheado de goiabada enfurece os pernambucanos. Na verdade, é de uma delicadeza ímpar que o nosso paladar nunca esquece. No refeitório do hotel, o explicativo nos informa que surgiu como uma adaptação do bolo português “Colchão de Noiva”, recheado com nozes e amêndoas. Chegando ao estado, as sinhás (nome como os escravos chamavam as patroas, “sinhá” é originário de “senhora”) afinaram camadas e preencheram com goiabada, sucesso que foi repassado por gerações. Já o Souza Leão tem como ingredientes: massa de mandioca, leite de coco, água, gemas de ovo, açúcar, manteiga e sal. Preciosidades pernambucanas.
Projeto Salva-Arte 2021-Recife-Pernambuco-foto tirada por Mônica D. Furtado
Depois de tantas delícias, voltei ao calçadão de Boa Viagem para mais uma caminhada. Gosto de observar o ambiente. Vamos lá: carrinho de venda de abacaxi, senhores jogando dominó, os “bebinhos” tomando a sua cachaça/cana, muitos andantes e as piscinas no mar. O mar convidativo, fiquei arrependida de não ter levado roupa de banho. A praia relativamente limpa. Andar no calçadão é uma glória. Há aparelhos de fazer ginástica em aço com tela de propaganda ao lado se movimentando, muito interessante. O caminho é sombreado na maioria das vezes, muitos coqueiros embelezando a paisagem. Existe o projeto Salva-Arte 2021-Cores Inclusivas, isto é, os antigos postos salva-vidas caíram em abandono e foram reinseridos na paisagem turística como arte. São coloridos e pintados, lindos. Várias lixeiras verdes de plástico no calçadão limpo. A faixa de areia da praia é grande. Nas minhas caminhadas, localizei o Parque dos Coqueiros, uma iniciativa vencedora, frutos e ideia de um grande abnegado em defesa da praia de Boa Viagem: Edson Campos e Silva. No dia 21 de setembro de 1999, um pequeno grupo de colaboradores começou o plantio de coqueiros, tornando mais verde a praia. Sensacional. Também percebi não haver a Zona Azul para os motoristas. Fiquei feliz em saber que podem estacionar sem pagar nada. Parabéns, Recife!
Recife Antigo-foto tirada por Mônica D. FurtadoCentro Histórico ou Recife Antigo-foto tirada por Mônica D. Furtado
O passeio da manhã foi para o Centro Histórico ou Recife Antigo, dos tempos de colonização portuguesa que começou no séc. XVI e sob a influência dos anos de domínio holandês(1630 a1654). O taxista Flávio nos dá dicas da cidade. E eu vejo um caminhãozinho limpador de calçada, além de um peixe decorativo de arame na calçada para se colocar garrafas PET dentro. Parabéns, Recife!
Descemos no Recife Antigo e nos dirigimos à Rua do Bom Jesus ou Rua dos Judeus. Na av. Alfredo Lisboa se situa a Caixa Cultural Recife, prédio do antigo Bank of London & SouthAmerica Limited, localizada em frente ao Marco Zero. À época dos holandeses, a rua do Bom Jesus se chamava Rua do Bode. O intuito é conhecer a famosa primeira sinagoga do Brasil Kahal Zur Israel com museu (Rua do Bom Jesus, 197/203).
A visita é um banho de história. Fundada em 1636, é museu desde o ano 2000. Em 1593 chega a Olinda o Visitador do Santo Ofício, Heitor Furtado de Mendonça, ou seja, o representante da Inquisição da Igreja Católica. Seu momento mais vergonhoso e violento. Com a chegada dele, os judeus sofrem perseguição. Bento Teixeira, o autor da Prosopopeia, a primeira obra literária escrita no Brasil foi um exemplo. Outra ilustre da época a ser perseguida foi Branca Dias, a primeira pessoa a cuidar da educação de mulheres no país (escola de prendas domésticas). Era uma das poucas que sabia ler. Triste que ela foi denunciada por uma aluna que desconfiava de suas práticas judaicas disfarçadas. Era casada com Diogo Fernandes, um dos mais importantes conhecedores do fabrico açucareiro. Tinham engenho em Camaragibe e uma casa em Olinda. Em www.aldeiadagente.com.br se aprende muito sobre essa figura marcante. Só lembrando que a cultura canavieira e a comercialização do produto fizeram de Pernambuco uma próspera capitania.
Na Rua dos Judeus residiam aqueles que tinham alcançado as melhores condições econômicas. Nessas casas, a parte residencial se localizava no andar superior, numa delas a sinagoga Zur Israel. Em 1637 o comércio funcionava ali, e moravam senhores de engenho, profissionais liberais etc, as atividades econômicas floresciam.
Em 1654, por conta de perseguições, houve a dispersão dos judeus que foram embora para Amsterdã, Nova York, Caribe e sertão brasileiro.
No segundo andar se encontra a sinagoga. Os símbolos do judaísmo estão lá: a Torá, a Bíblia Hebraica; a Arca da Aliança, a principal representação do Sagrado; NER TAMID, a lâmpada de óleo simbolizando a luz espiritual que a Casa de Israel tem a missão de difundir pelo mundo etc.
Também a exposição do mestre holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) estão presentes, são explicativos das telas com temas judeus em cavaletes. São eles: “O Casamento de Sansão”, de 1638; “A Noiva Judia”, de 1665; “O Retrato de um Ancião”, de 1645, dentre outras obras menos conhecidas do pintor barroco. O bairro judeu Vlooienburg na Amsterdã de 1625 fez parte do repertório visual do pintor. A exposição foi organizada pelo Centro Sefarad de Israel e apoiado pela Embaixada da Espanha no Brasil e Instituto Cervantes de Recife.
Gostei da exposição da medalha em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordeaux na França durante o período salazarista. Salvou mais de 30 mil pessoas do nazismo durante a II Guerra Mundial, dentre eles, 11 mil judeus. Por isso foi reconhecido pelo museu YAD VASHEM em Jerusalém, Israel. Foi emocionante para quem estuda a II Guerra Mundial como eu ler um pouco da história de tão corajoso ser humano. Estão expostos outros símbolos judaicos como a Menorá (representa a luz da Torá), o Sidur (livro de rezas), o Cálice, dentre outros.
A sinagoga foi uma baita visitação. No Recife Antigo se encontram o Centro de Artesanato, cafés e restaurantes. Vale a pena conhecer, só aconselho ficar alerta, pois não é área das mais seguras.
Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-chegada
Dia 04 de dezembro de 2022, domingo, ida a Recife a fim de buscar meus pais que lá estavam por uma semana, foram pelo sistema Bancorbrás. Peguei o voo da Azul: Fortaleza-Recife e gostei. Ofereceram snacks/lanchinhos generosos, sucos, refrigerantes e água, e os assentos tinham tela para filmes. Saudade de ver um filme assim.
Chegando, me dirijo ao hotel Grand Mercure Boa Viagem (av. Boa Viagem, 4070), muito bem localizado em frente ao mar. Ao encontrar meus pais, já fomos almoçar. Escolhemos no restaurante do hotel uma lasanha vegetariana, obrigada garçom Alves. O estafe do hotel é muito bem preparado e solícito. Para quem aprecia um queijo, a lasanha estava repleta.
À tardinha, passeio no shopping Recife: amo! Estava lotado, lógico, domingo antes do Natal. No Delta Expresso (quiosque de café), pedimos sanduíches e empanada integral. Uma loja interessante: Escrita Fina, para quem gosta de canetas e papelaria como eu. No mais, as lojas são as mesmas dos shoppings em Fortaleza. Acho fantástico observar a multidão tão diferente entre si. Valeu. À noite faz um friozinho.
Praia de Boa Viagem-Recife-Pernambuco-foto tirada por Mônica D. FurtadoPiscinas naturais em Boa Viagem-Recife-Pernambuco-foto tirada por Mônica D. Furtado
Dia 05 de dezembro de 2022, segunda-feira, antes do café da manhã do hotel, caminhada pela orla de Boa Viagem. O calçadão é estreito, então fui caminhar na faixa de areia, plana, boa demais! Vou vendo os detalhes, curtindo o momento. Os quiosques estão sendo reformados, vão ficar bonitos e estilosos. Há trabalhadores na praia ajeitando as cadeiras para os banhistas. Pessoas pescando, tomando banho nas piscinas no mar na maré baixa. Na alta, nem pensar, afinal tem tubarão (aviso na praia, cuidado!). Gente se exercitando, ciclistas na faixa de bicicleta e eu a andar, olhando para tudo: mar, areia, jogadores de vôlei, edifícios, sempre linda a Boa Viagem. Detalhe: é o bairro onde tenho parentes queridos. Meu avô materno era pernambucano, logo tenho uma ligação emocional com Recife.
Vamos ao café da manhã. Adoro! Muito variado e delicioso. Pães, queijos diversos, iogurtes, frutas, inhame (uau), bolo de cenoura com calda de chocolate e bolo de tapioca (regional) etc. Dá para sonhar.
Dia de visitar a prima Ritinha que mora perto do hotel. Saudades. A casa antiga da família Dourado se localiza em Morenos, as histórias de família alimentam a alma. Tão espetacular estar com a família pernambucana.
No caminho de volta ao hotel, uma casa antiga nos atraiu. Era a Casa do Brigadeiro, de 11 de outubro de 1944. Está escrito na placa em frente: “Construída ao final da Segunda Guerra Mundial pelo patrono da Força Aérea brasileira, brigadeiro Eduardo Gomes, em meio a poucos vizinhos, mangues e dificuldades viárias. Voltada para o Atlântico, mantendo eterna vigilância do nosso litoral, onde 34 navios brasileiros foram torpedeados, causando a morte de 1081 pessoas, na maioria, civis inocentes. Projeta a grandeza de uma geração de heróis, que souberam hipotecar suas existências a serviço da Pátria, sem nada exigirem, nem mesmo compreensão. O trabalho de conservação da beleza arquitetônica da casa retrata o carinho e o respeito da Família Aeronáutica para com a sociedade pernambucana que há mais de 60 anos acolhe fraternalmente a Força Aérea na terra dos Altos Coqueiros.” Recife, dezembro de 2008.
Almoço no hotel novamente. Risoto de camarão, bonito o prato. À tarde jogo do Brasil e Coreia, a cidade estava em polvorosa e em clima de carnaval. E lá fomos nós assistir no apartamento dos grandes amigos Carminha e Ramiro, em Boa Viagem também. Momento feliz com amigos antigos. O lanche de café, pão e torta de nozes e maçã foi delicioso. À noite, canja no hotel, gostei.
Bariloche-Argentina 2022-um dia em San Martin de los Andes-sexto dia
Lago Correntoso-Ruta 40-Patagônia-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hoje é dia 18 de agosto de 2022. Estamos em Bariloche. Combinamos no dia anterior o passeio a San Martin de losAndes, outra cidade charmosa na Patagônia argentina. Há muito queria conhecer. A van passa às 8h30 no hotel Soft para nos pegar. O retorno será às 18h15. O guia se chama Alejandro e o motorista Palermo. Vamos cruzar a fronteira estadual da província de Rio Negro e chegar à província de Neuquén, então temos que preencher um formulário com nome e número de RG ou passaporte na própria van.
Passamos pelo lago Nahuel Huapi, de acordo com o guia, o quarto maior em tamanho da Argentina, o maior do Parque Nacional Nahuel Huapi, com 530,9 km² de superfície e 10,2 km de largura.
Estamos na afamada Ruta 40, a mais longa estrada do país, corre toda a Cordilheira dos Andes. Beleza não falta nos arredores.
80 km de Bariloche ou 1 h e 15 min depois está Villa Angostura, onde desceremos. Trata-se de outra cidade alpina, uma gracinha. Já conhecia de 2017. A sua arquitetura é rústica com casas de pedra e madeira. Vale a pena visitar. Em espanhol, “villa” significa cidade pequena e “angostura” passagem estreita.
Estamos na Rota dos 7 Lagos, região das mais atrativas. Os lagos são Espejo, Correntoso, Falkner, Machónico, Villarino, Escondido e Lácar. Faremos 4 paradas.
O lago Nahuel Huapi com as montanhas nevadas atrás é espetacular. O parque nacional é conhecido por nos oferecer paisagens suíças. San Martin tem uns 70 mil habitantes e parece com Bariloche e Villa Angostura. Também com a mesma arquitetura. Seu atrativo principal são os cenários idílicos da bela Patagônia.
A última cidade em Rio Negro é Dina Huapi, logo estamos em Neuquén. Há polícia na fronteira. O lago Nahuel Huapi se encontra nas duas províncias ou estados. Nahuel Huapi significa ilha de tigres na língua dos índios mapuches. Eles viviam na região no séc. XIX, eram guerreiros valentes. Homens brancos de Buenos Aires lutaram com eles, e ao vencerem, encamparam a região se tornando consequentemente Argentina. Detalhe: foi o cacique Saihueque que se rendeu aos invasores em 1874.
Vemos a estepe patagônica no caminho, são campos, muitas terras, poucos habitantes e ventos fortes.
Na van escutamos Mercedes Soza e a nossa Alcione. Interessante que quando enxergamos uma pessoa com mate e garrafa térmica, não tenha dúvida, é argentino ou uruguaio. E lá vamos nós pela Ruta 40 repleta de neve, margeando o lago Nahuel Huapi. Um delírio!
Quase 10 h da manhã e nos aproximamos de Villa Angostura, fundada em 1932. O guia diz ser uma aldeia de montanha. Um passeio que já fizemos e aconselho é o do Bosque de Arrayanes (árvores típicas). Lindo! Perto da cidade pequena de três quadras, há a montanha: Cerro Bayo, onde se praticam esportes de inverno como o esqui. No verão, o interesse de gente do mundo todo é o trekking (caminhada intensa) e a pesca. Existe uma estátua em homenagem à truta, peixe procurado por americanos, principalmente.
Ficamos uns 20 minutos somente, fomos a um café para banheiros e café, lógico. Pedi um muffin (bolinho denso) de chocolate e um café. O local é o Cucu Schulz na av. Arrayanes, 44. Como aprecio um muffin.
O frio é grande. Ver Villa Angostura no inverno, totalmente gelada e nevada, é encantadora, bem diferente de conhecê-la na primavera, asseguro. Deixamos a cidade e rumamos a San Martin de los Andes pela mesma estrada: Ruta 40.
O guia Alejandro demonstra muito conhecimento da região. O Parque Nacional Nahuel Huapi teve sua fundação em 1934, conta com 712.160 hectares e protege lagos, lagunas e uma selva fria: Los Alerces com as árvores alerces, enormes, milenares e nativas. O fruto llao llao se encontra lá, doce e saboroso. O Cerro Tronador se situa entre o PN Nahuel Huapi e o PN Vicente Pérez Rosales no Chile. Tem 2642 m de altura e a temperatura é de frio, neve e tormentas o ano todo. Muitos glaciares e águas termais na região. Do outro lado de onde estamos se encontra o Chile e o Oceano Pacífico. Por ali, existe o Paso Internacional Los Libertadores, ligação entre os dois países cuja estrada tem forma de caracóis, o transporte usado é ônibus e carro 4×4.
A primeira parada ocorre no mirador do lago Espejo, dito ponto panorâmico. As árvores coihues são sempre verdes. No outono, elas são coloridas formando um cenário formoso. A laguna congelada se chama San Ferino. Existem cervos colorados na área cujas carnes são apreciadas. O lago Espejo ou Espelho fica lá embaixo, no mirante há muita neve.
Vemos o rio Ruca Malen, depois chegamos ao lago Correntoso, fazemos a segunda parada para fotos no mirante. As montanhas nevadas ao longe e à direita floresta. Os lagos são fabulosos de tão mágicos e no inverno ficam mais chamativos. Lá pescam trutas e há cabanas e hospedagens a mil. Deve ser uma tranquilidade passar uns dias naquele paraíso.
Lago Falkner-Ruta 40-Argentina-foto tirada por Mônica D. FurtadoLago Falkner e sua beleza-Ruta 40-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
O clima está mais aguentável no momento, ainda bem, pois não chove, venta ou neva. Passamos pelos lagos Escondido, Villarino e fazemos outra parada no Falkner, onde nos aproximamos mais do lago. Há uma placa em homenagem ao explorador/médico Thomas Falkner (1702-1784), além de missionário jesuíta inglês. Este lago Falkner parece uma praia congelada, a água fria é profunda. Pisamos na neve, o lugar é hermoso, como dizem os argentinos.
Como não alugamos roupa para o frio intenso, congelamos. Sinceramente, me arrependi. Fica a sugestão.
Vi a placa do Parque Nacional Lanín e o lago Hermoso. San Martin no noroeste da Patagônia, é a porta de entrada desse parque nacional com florestas, vida selvagem diversa e o vulcão Lanín.
Na cidade é comum comer muito alce, cordeiro e bife de chorizo, da mesma forma truta e pizza napolitana.
Mais um lago: Machónico. Que paisagem a do local. O último lago antes de San Martin se denomina Lácar, fica entre montanhas, é glaciar e continua na cidade a margeando. Possui um pontão para barcos e uma praia com areia. A distância da fronteira com o Chile é de 45 km.
O município, enfim. Segundo Alejandro, existe desde 1898 e era um forte militar. A região era país dos índios mapuches cujo líder era o cacique Saihueque, conforme foi dito anteriormente. Com a vitória do Gal. Roca, a cidade se torna San Martin de los Andes em honra ao Libertador, herói da independência da Argentina, Chile e Peru: Gal. San Martin.
Na cidade, ficamos entre 13 h e 15 h. A ideia era almoçar logo, então o guia nos levou ao restaurante La Nueva Barra (Almirante Brown, 216). O Carlos pediu cordeiro patagônico e eu supremo de frango, ambos com salada de cenoura, alface e tomate. Aprovamos.
Lago Lácar em San Martin de los Andes-Argentina-foto tirada por Mônica D. FurtadoSan Martin de los Andes-Patagônia argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Enfim, o sol apareceu e colaborou com nossa excursão. A praça San Martin é o ponto principal, a partir dali desbravamos as ruas adoráveis. Lojas, feirinha de rua, chocolaterias, muitas casas floridas, um encanto. San Martin de los Andes é charmosa, com roseiras nas calçadas, parques, árvores, uma mistura de Villa Angostura e Niagara on the Lake no Canadá. As casas são construídas com muita madeira. Que passeio mais gostoso. Há muita beleza no local, como mirantes, praias, o parque nacional, visita ao vulcão, ou seja, visuais arrebatadores. Deu vontade de conhecer mais, mas fica para outra.
Após as caminhadas, nos direcionamos à Villa Angostura de novo, descemos para um café no mesmo Cucu Schulz e retornamos a Bariloche na hora do rush. Carros em quantidade, como é de se imaginar.
Bariloche- Argentina 2022- passeio de ônibus turístico-quinto dia
Hoje é quarta, dia 17 de agosto de 2022. Pela manhã, neve e frio, andamos pela rua Mitre no centro, a rua do hotel Soft (Mitre 685), onde estamos hospedados. Antes fizemos combinações com o guia Esteban (do nosso pacote da CVC) sobre os passeios de quinta e sexta. Pagamos antecipadamente, vamos para San Martin de los Andes e Puerto Blest.
Voltemos à Calle Mitre, como é bom ver o movimento de gente nas chocolaterias, lojas, cafés etc. O almoço foi no restaurante El Lingüini (Mitre 370): pedimos trutas “ao limão com batatas fritas” e ao “queijo roquefort”, ambas degustadas com vinho Malbec. Gostam mais de batatas do que de arroz na região. Aconselho o local, tudo ótimo.
De lá, pegamos o ônibus turístico “com cara de trem” ($ 2mil pesos argentinos por pessoa) para conhecer mais a cidade. Chama-se El Tren de Bariloche e oferece um voucher para a loja Fusion, que vale uma degustação de vinho (Quaglia 183) após o passeio. O frio é intenso até dentro do ônibus. Socorro! Sai às 10 h, 11h30, 14 h, 15h30, 17 h e 18h30 da esquina da rua Mitre com Villegas a cada 1 h e 15 min. Contamos com a Gimena como guia municipal e com o motorista Claudio.
Centro Cívico-Bariloche-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vamos os detalhes: passamos pelo Centro Cívico, fundado em 1940, com o intuito de se tornar um centro de turismo e reunião pública, cujo arquiteto foi Ernesto de Estrada. Trata-se de um monumento nacional, um conjunto de edifícios de caráter público, com a estátua do ex-presidente da Argentina Gal. Roca no centro da praça. Lá estão a Torre do Relógio, o Museu da Patagônia Francisco Moreno, a Biblioteca Sarmiento, a Prefeitura etc. O estilo arquitetônico é europeu alpino.
A guia mencionou a cervejaria Wesley (Av. Bustillo 15500) que usa lúpus da região e vi casas antigas encantadoras. Interessante que nem todo mundo que habita em Bariloche conhece as montanhas ou esquia.
No alto da cidade (zona sul), conhecemos o bairro alemão com casas de arquitetura típicas da Alemanha e Suíça, já que tais povos chegaram para viver lá no passado, hoje são alugadas para turistas. O vistoso bairro Belgrano, com seus pinheiros nevados, foi morada de nazistas fugidos no pós II Guerra Mundial da Europa. Como se sabe, o país recebeu muitos na época do presidente Perón.
Neva na cidade de abril a setembro, logo Bariloche é uma pintura de cartão-postal com as casas com neve na frente. Os moradores têm que tirar o gelo, se não é perigoso se machucar. São 200 mil habitantes aproximadamente, de acordo com a guia.
Continuamos pelo bairro Cumbre, bem tranquilo, mas que cresce sem controle. Nem todos têm gás natural contra o frio, então usam lenha.
Carlos e eu na praça Mallin-Bariloche-Argentina-foto selfie tirada por Mônica D. FurtadoPasseio de ônibus turístico em Bariloche-Argentina-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado
No mirante, vemos a praça Mallin, coberta de neve. O bairro tem o mesmo nome. Lá descemos do trem/ônibus e os visitantes embevecidos brincam na neve. O Carlos e eu ficamos nas fotos. As casas mais antigas são de madeira e de cores claras.
Em 1930, surgiu a primeira escola; na década de 1950, a primeira central telefônica do país; em 1938, o Hospital Nacional. No Shopping Patagonia (na esquina de Elflein y Onelli) existem cinema, cassino, restaurantes e lojas. Fica para a próxima entrar nele.
Bariloche era uma colônia pastoril e agrícola, hoje é uma potência turística. Algumas ruas importantes são Mitre, Moreno e Palácios. A Festa Nacional da Neve (29 de julho a 06 de agosto), a Semana Santa e a Festa Nacional do Chocolate (entre 18 a 21 de abril) fazem parte do calendário anual.
Fizemos compras de geleias no La Península Chocolates y Dulces (Frey 199) e para jantar, no de sempre, Coffee Store (o sanduíche misto de queijo e presunto e licuado de frutas-um tipo de suco com leite batido) em frente ao hotel, com empanadas do Da Abuela, bem pertinho. Hábitos se criam rapidamente, sem dúvida.
Hoje é dia 16 de agosto de 2022, dia de visitar o Cerro Otto, a 1405 m acima do nível do mar, localizado à Avenida de los Pioneros km 5, Circuito Chico. A temperatura continua muito fria: 2º C. O teleférico da montanha custa $ 4.500 (pesos argentinos), para maiores de 65 anos $ 3.500 pesos, o ônibus é gratuito. Há horários do ônibus que se pega no guichê do centro na Calle (rua) Mitre a partir das 10 h da manhã, o último às 16h15. O regresso começa às 14h15 e termina às 17h15, ou seja, tem que se programar. Endereço do guichê: esquina da Calle Mitre com Villegas.
O Carlos e eu decidimos pegar o ônibus das 12h, assim almoçaríamos lá. Como já conhecíamos na primavera, a ideia era conhecer no inverno e digo, é bem diferente. Tiritei de frio e nem saí na neve. Já o Carlos se deleitou.
Vamos aos fatos: fila para comprar, fila para entrar no Cerro Otto. É 5 km do centro de Bariloche, bem localizado. No teleférico fechado, estávamos com mais um casal de Porto Alegre-RS. O visual na subida é espetacular: a floresta e a neve. Fomos direto à confeitaria giratória e foi uma boa pedida, porque depois lotou e a gente já estava almoçando na paz. Pode ficar lá uma hora, então ao sentarmos, pedimos suco de laranja, licuado (smoothie) de framboesa com leite e frango grelhado com salada.
Neve no Cerro Otto-Bariloche-Argentina-foto tirada por Mônica D. Furtado
O cenário da janela era incrível, tudo congelado, com pouca visibilidade. Tudo girando bem lentamente, é marcante o local. A neve é a senhora das montanhas. A comida ótima e para me satisfazer, pedi a torta selva negra: a framboesa estava demais, assim como o chantilly (fresco e inigualável) e bolo de chocolate. Chego a sonhar com essa iguaria.
O Carlos saiu no mirante, corajoso. Na verdade, estava cheio de gente, o povo se divertindo com a neve, tirando fotos, um evento. E eu mirando pelas janelas de vidro, morrendo de frio.
Antes de sairmos, passamos na pequena galeria de arte existente, a única do mundo situada no pico de uma montanha. Segundo o site http://www.telefericobariloche.com.ar, a Galeria de Arte do Cerro Otto expõe permanentemente e em tamanho natural três obras famosas de Michelangelo Buonarroti: David, La Pietà e Moisés. Todas as cópias realizadas com autorização e certificação do governo italiano.
Descemos novamente pelo teleférico a tempo de pegar o ônibus das 15h15. Lotado, voltamos em pé, ainda bem que é perto do centro.
Paramos cerca da Catedral de San Carlos de Bariloche, de 1944, cujos patronos são Nossa Senhora das Neves e San Carlos Borromeo. O arquiteto foi Alejandro Bustillo, que gratuitamente ofereceu seu projeto à cidade. O engenheiro foi Pedro Faukland e o capataz Esteban Capitanich. O edifício forma uma cruz latina deitada no solo, com a sua cabeceira orientada exatamente a ele. Tem muros de pedra branca e sua altura é de 69 m na agulha do campanário. Na catedral está a imagem de Nossa Senhora de Nahuel Huapi, o dia comemorativo é 3 de maio, data da peregrinação náutica. Dentro, a sensação é de paz, com cantos gregorianos. Muito bonita a igreja, lembra muito do lado de fora a de Canela-RS, toda na pedra.
Na lojinha da catedral, a freira que nos atendeu foi calorosa conosco, logo compramos alfajores e artesanatos de madeira (típicos da região), além de medalhas de Nossa Senhora de Nahuel Huapi por preços em conta.
Na saída, voltamos a pé ao hotel Soft e demos uma parada no Pieros Deli & Café para um suco de framboesa. O jantar foi no Coffee Store em frente ao hotel, só pra variar.
Bariloche-Argentina-terceiro dia-Circuito Chico e Campanário 2
Hoje é dia 15 de agosto de 2022 e continuamos no nosso passeio intitulado Circuito Chico. Damos uma parada na loja Nature Laps (av. Bustillo, 19.500), onde vendem produtos feitos de rosa mosqueta. Segundo o guia Fabrício, a rosa mosqueta é exuberante nesta região patagônica, pois é encontrada nos Andes, e seu arbusto é selvagem. É usada para cremes para a pele, mãos, chá (antioxidante), licor, doce etc. O óleo, extraído da semente, tira manchas, diminui rugas e estrias. Só pode ser usado à noite. Na apresentação na loja, oferecem chá e passam creme e óleo na mão da gente. Como é algo típico deles, comprei um bocadinho de coisas, mas não é barato.
Vemos o Clube de Regatas à direita. Fazem caiaque com rafting no verão (clima seco) no braço Campanário do lago Nahuel Huapi. Já no inverno, o clima é úmido. Estações diferentes, atividades diversas no Parque Nacional Nahuel Huapi, que rodeia Bariloche. Tal parque teve como primeiro presidente Bustillo, o nome da avenida. E foi também o primeiro parque nacional argentino. Foi a partir daí que começou a transformação da cidade em lugar turístico, com o dinheiro do Estado Nacional dado ao parque.
Um pouco da história argentina. Perito Moreno (1852-1919) chegou ao lago Nahuel Huapi em 1876. Eis Francisco Moreno, conhecido por Perito. Explorador, colecionador de fósseis, tinha paixão por paleontologia e antropologia. Foi ele que baseou a linha fronteiriça entre Argentina e Chile nos cumes das montanhas e não mais em cursos de água. Por causa dele, a Argentina ganhou mais 42.000 km. Ele percorria o território a cavalo e a pé. Em sua homenagem há a geleira famosa com seu nome em El Calafate e a cidade na Patagônia dita Perito Moreno. Por isso se diz no país: “um homem, um glaciar, uma cidade”.
Puerto Blest, outra atração turística que ainda vamos conhecer, é protegida pelo PN Nahuel Huapi. Segundo a Wikipédia, o parque tem 712. 160 mil hectares em uma faixa de 50 a 60 km recostada sobre a Cordilheira dos Andes, ao sudoeste da província de Neuquén e noroeste da província de Rio Negro.
Fazemos outra parada em Puerto Pañuelo (porto), onde se pega o barco para a Ilha Vitória e Puerto Blest.
Interessante dizer que perguntei ao guia sobre Trevelin na província de Chubut, também na Patagônia, mais ao sul, são 217 km de Bariloche. Quero conhecer seus campos de tulipas a céu aberto, são únicos na América do Sul. Outra informação: a Ruta Nacional 40 (de 5400 km) vai do sul da Cordilheira dos Andes (província de Santa Cruz) até a divisa com a Bolívia, ou seja, corta 11 províncias, trata-se da mais extensa rodovia do país. Muita beleza a ver, com certeza, que digam os aventureiros e viajantes. Mais um lugar a conhecer: Puerto Madryn para ver baleias e pinguins.
O afamado hotel resort Llao Llao (se pronuncia chao chao) fica bem ali, se vê do Porto Pañuelo, na avenida Ezequiel Bustillo km 25. É o hotel mais exclusivo da Patagônia argentina por muitos motivos: 5 estrelas, histórico, completo, com campo de golfe de 18 buracos e dá para o lago Nahuel Huapi e Moreno, além de estar rodeado pelo Cerro Lopez e Tronador, logo o cenário é deslumbrante. Excursão não entra, mas para um curioso entrar deve fazer reserva, e a diária custa 400 dólares. Data do ano 1939 e o arquiteto foi Alejandro Bustillo. Notável como gostam de dizer o nome do arquiteto, acho positivo isso. O tipo do hotel para se hospedar antes de morrer, como se diz.
Outros hotéis históricos, segundo o Fabrício, são o Amancay e o Tunquelén. O primeiro nome é uma flor em língua mapuche, e o segundo significa “lugar de descanso”.
As árvores mais utilizadas na região são o coihue (ou carvalho, a árvore mais úmida da região) e o cipreste (madeira bonita estilo andino). A madeira é isolante do frio e calor.
Os coihues são muito encontrados no Cerro Campanário, algo belíssimo de ver com neve. Aliás, campanário tem o sentido de “torre de igreja onde estão os sinos”, de acordo com www.dicio.combr.
Teleférico do Cerro Campanário-Bariloche-foto tirada por Mônica D. FurtadoNós no Cerro Campanário-Bariloche-foto tirada pelo fotógrafo Martin
Enfim, vamos à montanha, pegamos o teleférico (onde o fotógrafo Martin tira nossa foto) sob neve e frio polar, ufa! Não foi fácil e a nossa roupa não deu conta. Mas, maravilhados, o Carlos e eu parecíamos crianças se esbaldando com tanta beleza. Depois de meia hora de subida com a vista dos lagos e floresta nativa (os coihues), chegamos à parte alta do Campanário. A nevasca intensa, abaixo de zero, tiramos fotos e fomos à confeitaria do local, bem mais quente e local fechado. Que alívio! Aproveitamos para nos aquecer com empanadas, e tortas de selva negra (no Brasil, floresta negra) e de nozes. Mais o café indefectível, logicamente. Quantas delícias! Na foto abaixo, a selva negra, típica da região, é a do Cerro Otto, simplesmente imperdível.
Descemos na cadeirinha do teleférico novamente, com o vento patagônico a nos atingir. E neve e frio. No verão, pode nevar também e o vento é tão intenso que atinge o deserto, isto é, a estepe patagônica, com suas plantas baixas e espinhosas (que vão do aeroporto ao Atlântico).
Retornamos à cidade de Bariloche, passeio de meio dia imperdível, eu diria. Só há edifícios baixos no centro, nos bairros residenciais unicamente casas. Para mim, modelo de cidade.
Torta de selva negra-Cerro Otto-Bariloche-foto tirada por Mônica D. Furtado Strudel de maçã e sorvete de morango-Família Weiss-Bariloche-foto tirada por Mônica D. Furtado
Almoço na Família Weiss, pra variar: truta com ervas finas, bife de chorizo com batatas fritas (para o Carlos), sobremesa de strudel de maçã e sorvete de morango. E café. Eu diria que é o nosso restaurante favorito, a atmosfera, a decoração na madeira, bem aconchegante. Endereço: calle Vice Almirante O´Connor, 401, esquina com Palacios).
A chuva e a neve não dão trégua. Faz – 2º C, porém a sensação térmica é de – 8º C. Socorro! Não nasci pra isso, decididamente. De agora em diante, neve só em fotos.
O jantar foi no Coffee Store em frente ao hotel: empanadas, sanduíche de frango e suco de laranja, bem básico. Tomei este café/lanchonete como meu.
Dia completo e lindo. Bariloche é uma mistura de Gramado no Rio Grande do Sul e Pucón no centro do Chile. Ambos lugares para visitar, sem dúvida.