Lisboa-Portugal-pós-Marrocos-2024-Évora-dia 2

Lisboa-Portugal-pós-Marrocos-Évora-dia 2

Hoje é dia 13 de novembro de 2024. Vamos a Évora, cidade imperdível perto de Lisboa, na região do Alentejo (significa “além do Tejo”). Estamos no hotel Duas Nações na Rua da Vitória, 41. Pegamos o metrô linha azul ida e volta. Como temos o cartão, pagamos €3.60 euros em direção ao Jardim Zoológico. Descemos e fomos procurar o Terminal Sete Rios, detalhe: a gente sempre se perde, mas também sempre encontramos um anjo para nos ajudar. Uma senhora nos levou até a entrada. Enfim, deu certo. Paguei €12.50, o Carlos €11.30 (mais de 65 anos).

Fixamos o olhar no painel de chegadas e saídas para saber o portão da Rede Expressos. Não apareceu, por sorte, estávamos na frente do portão, aí a atendente nos indicou. Assentos 21 e 22, 1h e 30 min. de viagem. Não deu tempo para o café.

E vamos observando o visual. Passamos pelo Aqueduto. Obra de engenharia fantástica em uma época em que não havia nem ferro nem cimento. Ponte 25 de Abril, outra obra de engenharia admirável. Estamos no mesmo caminho das cidades de Setúbal e Sesimbra (já estivemos lá). Monumento ao Cristo Rei. Ninhos de cegonhas nas torres de eletricidade. Curiosidade: no Marrocos, são protegidos, se machucá-los é preso.

As estradas um tapete. Estamos no interior de Portugal com gado, muito verde, casas isoladas que parecem fazendas.

Chegamos a Évora e fomos logo tomar um café americano para animar. Máquina de troco. A pé para a cidade histórica. Largo das Alterações de Évora, de 1637. Muito mais frio do que em Lisboa. Trouxe um casaco que não protegeu muito. Como fumam! Observação: quem nasce em Évora é eborense.

Na igreja em que entramos uma exposição dos cristãos perseguidos pelo mundo, da Fundação AIS. Rua Serpa Pinto. Loja Marques Soares, muitas ruelas, Travessa das Cruzes, Mercearia Mimos e Iguarias Amanhecer, restaurante Pipa Redonda. Ladeira, Museu Inatel. Calçadas e ruas de pedra, Loja Mango. Praça principal com igreja e fonte com uma coroa em cima.

Descendo pelos Arcos no corredor de pedra, vemos várias lojas de viajantes Barbour e outras, pastelaria Alabaca, restaurante O Antão, doceria Queijadas d´ Évora. Provamos, por sinal, bem suave o doce típico. Mais lojas atraentes Calzedonia, Parfois (amo!), Eborina, Ale-Hop, um show de lojas. Agências de viagens, Natura (loja linda de roupas coloridas, bijus, bolsas com preços razoáveis). Tudo mais barato do que em Lisboa.

Restaurante Tunnel, bem fofo com fotos de roqueiros e guitarras. Foi onde almoçamos um bom Bacalhau à Braz por €9.50 e tomamos um vinho da casa frutado Montado. Vida boa a nossa.

Que cidade mais agradável! Rua 5 de Outubro e seu comércio forte de cortiça. Também boinas, bonés, tênis. E lá vamos à Basílica Catedral, finalmente. Com torre de 106 degraus, Galeria dos Arcebispos, Coro Alto e claustro. Endereço: Rua do Cenáculo, 1A. Segundo a Wikipédia, a Basílica Sé Nossa Senhora de Assunção ou Sé da Catedral de Évora foi iniciada em 1186 e consagrada em 1204. Esta catedral de granito só ficou pronta em 1250. Seus estilo é romântico, gótico. E se trata da maior catedral medieval de Portugal.

Visita ao Templo de Diana. Perto há a Cartuxa Enoteca, da Fundação Eugênio Almeida. Para quem é amante de vinhos e azeites, um deslumbre ver seus vinhos famosos, como o Pera Manca. No local, vinícola e restaurante de gastronomia alentejana. Rua Vasco da Gama, 15. Estamos no centro histórico de Évora.

Mais caminhada e descobrimos o Mercado Municipal Zé do Bacalhau, com opções diversas: biscoitos de coco, torta de amêndoas, pastel de feijão etc. A Tripadvisor menciona ser o local onde podemos encontrar variedade e qualidade, em especial a loja Zé do Bacalhau que tem enchidos e queijos regionais. Endereço: Praça 1° de Maio, 28.

Convento e Igreja de São Francisco com a afamada Capela dos Ossos na Praça 1° de Maio. Um verdadeiro museu na entrada com um conjunto de esculturas, por exemplo: Santa Águeda, do século XV/XVI, a história do convento, pinturas dos mesmos séculos. Arca tumular dos fundadores do convento. Lápide da fundação do claustro, de 1376.

Um pouco da história do Convento e Igreja de São Francisco. O folder da igreja cita os primeiros franciscanos chegados a Évora em 1224, vindos da Galiza. Do primeiro convento apenas restam vestígios da igreja gótica e uma parte do claustro, edificado em 1376. Conhecido no séc. XVI como o Convento de Ouro, foi difícil manter as prerrogativas como abandono do Paço numa parte do convento até que Filipe II acabou por entregá-lo aos religiosos. A partir do séc. XVI a Ordem Terceira da Penitência de São Francisco veio trazer à igreja um forte cunho devocional e artístico pela contratação de consagrados mestres na instalação e decoração da sua Capela dos Ossos e da Casa do Despacho. A extinção das ordens religiosas em 1834 ditou o rápido declínio do edifício conventual. Mantiveram-se a igreja e a Capela dos Ossos, devido em parte à Ordem Terceira, à intensa devoção popular ao Senhor dos Passos e à passagem da sede da paróquia de São Pedro para a igreja. Em 1892-95 grande parte do arruinado convento foi vendida em hasta pública ao benemérito eborense Francisco Barahona, que mandou construir as habitações ainda hoje existentes e colaborou generosamente no restauro da igreja e Capela dos Ossos.

A Capela dos Ossos, nos explica o informativo, foi construída no séc. XVII, seguindo um modelo então em voga, com a intenção de provocar pela imagem a reflexão sobre a transitoriedade da vida humana e o consequente compromisso de uma permanente vida cristã. Tanto as paredes como os pilares estão revestidos de alguns milhares de ossos e crânios, provenientes dos espaços de enterro ligados ao convento. Os frescos que decoram o teto abobadado, datados de 1810, apresentam uma variedade de símbolos ilustrados por passagens bíblicas e outros com os instrumentos da Paixão de Cristo. À saída da capela, na parede fronteira, um painel azulejar, da autoria do arquiteto Siza Vieira, contrapõe à alusão da morte o milagre da vida.

No primeiro piso, o Núcleo Museológico. O folder nos informa que com as obras de 2014-2015 recuperou-se o espaço do antigo dormitório dos frades, situado sobre a Sala do Capítulo e a Capela dos Ossos, inutilizado desde os finais do séc. XIX. Instalou-se um Núcleo Museológico, a partir dos acervos do próprio convento e de outros conventos franciscanos eborenses extintos. Dele fazem parte obras de pintores como Francisco João e António de Oliveira Bernardes, esculturas dos séculos XVI a XVIII, uma coleção de ourivesaria sacra da mesma época, paramentaria e objetos devocionais.

No segundo piso, a coleção de presépios Canha da Silva. De diferentes países. Belos, os meus preferidos foram os coloridos e originais. De acordo com o mesmo informativo, após a requalificação da igreja, foram abertas ao público as galerias superiores sobre as capelas laterais. Seguindo a espiritualidade franciscana, aí se encontram expostos os presépios da grande coleção particular do major-general Fernando Canha da Silva e sua esposa Fernanda Canha da Silva, mercê da sua formação e sensibilidade religiosas e de um protocolo com a igreja de São Francisco.

Terminados os passeios, retornamos à estação rodoviária. Outro anjo nos guiou para pegar o “autobus”. Hora: 16 h. O ônibus para na rodoviária de Montemor-o-Novo, outra gracinha. Cruzamos a ponte Vasco da Gama ao entardecer. Mais um dia bem aproveitado no lindo Portugal. Ai, como gostamos!

Lisboa-Portugal-pós-Marrocos-2024

Lisboa-Portugal-pós-Marrocos-2024

Hoje é dia 11 de novembro de 2024, estamos partindo do Marrocos e chegando a Lisboa por alguns dias. Vamos nos hospedar no hotel Duas Nações, nosso velho conhecido na Rua da Vitória, 39. Perto da Praça do Comércio na Rua Augusta com Vitória. Já chegamos conversando com o taxista, bom de papo. Lisboa, nos sentimos em casa. Eis a razão de voltarmos sempre.

No hotel, pagamos logo a taxa turismo de €20 euros por pessoa. Quem nos recebe é o Diniz, muito educado. O hotel não é mais o mesmo. O quarto é diminuto, mas o café da manhã muito bom, €10 euros por dia e por pessoa. Cama, chuveiro, localização e preço excelentes. Os dois sócios de antigamente apartaram e dividiram o hotel em dois, ficou bem menor, logicamente. Os atendentes bem solícitos. Vale, mas há de se prevenir que o elevador só dá pra uma pessoa ou para as malas, a gente sobe e desce de escadas. Uma graça. Detalhe: fiquei presa no elevador! Ainda bem que são somente dois andares, melhor de escada.

Lisboa com gente do mundo todo. Uma festa constante. Jantar de sopa de legumes mais salada de frutas no Cais das Colunas, na esquina, na Rua da Vitória, 46.

Fundação Calouste Gulbenkian-Centro de Arte Moderna-Lisboa-Portugal-foto tirada por Mônica D. Furtado

Dia 12 de novembro de 2024. Café da manhã com frutas, Nutella, iogurtes, bolos sem açúcar, tudo bom. A ideia do dia é visitar o museu Calouste Gulbenkian: Fundação Calouste Gulbekian, Centro de Arte Moderna José de Azevedo Perdigão. Metrô 4, estamos na Baixa Chiado e vamos na linha Azul, direção Reboleiras. Vamos lá: passamos por Restauradores, Avenida, Marquês de Pombal, Parque e São Sebastião, onde descemos. A loja de departamentos El Corte Inglés à direita, o Gulbekian à esquerda. Porém… era terça-feira e estava fechado. Que coisa! Tem problema, não, fomos passear por fora do prédio. Onde vamos, sempre temos boas companhias para conversar. Um senhor estava lá nos dando informações. O jardim agradável, bem frequentado pelos moradores. Um café chamado Brunch no Jardim, uma lindeza. €1.10 euro o cafezinho. Detalhe: você paga para uma máquina que dá o troco em cédula e moeda. Uau! Cidade com qualidade de vida por meio de suas áreas verdes para desfrutar.

Eu e o Carlos na Fundação Calouste Gulbenkian do lado de fora-Lisboa-Portugal-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

Depois, um prazer enorme entrar no El Corte Inglés (av. António Augusto Aguiar, 31). A gente ama de paixão. 7 andares de maravilhas. O supermercado é gigante, de babar. Cinemas, restaurantes de tapas, sushi, sopas, empanadas, opções mil. Na hora da comida, fomos ao 7° andar. Taberna portuguesa, cafeteria, restaurante havaiano etc, enfim, escolhemos o Tasca Chic. Menu: Bacalhau a Gomes de Sá com vinho do Alentejo: vinho Lagoalva, uvas: Alfrocheiro e Syrah. Seco e amadeirado. Refeição gourmet com água da bica (torneira). €32 euros cada. Para sobremesa, nada como o Alcoa: os doces são uma perdição. Socorro!

Bacalhau a Gomes de Sá-Tasca Chic-El Corte Inglés-Lisboa-Portugal-foto tirada por Mônica D. Furtado

Para voltar ao hotel, linha Azul, sentido Santa Apolônia. Descemos na Baixa Chiado. Um pastel de nata na Pastelaria Pau de Canela (fabrico próprio), endereço: Rua da Vitória, 57; o picolé natural e sem conservantes de frutas vermelhas no Popbar (rua Augusta, 139) e vamos nos divertindo. O calçadão no centro convida a um passeio. Sapatarias, e a loja de bebidas, de figo seco, de queijos e de chocolates Manuel Tavares Ltda, de 1860 (rua Betesga, 1 A/B). Nada como manter a tradição e entrar em uma loja conhecida. Carrinho de Ginjinha de Óbidos por €1.50 euro no copinho de chocolate Cherry ou Trip, saboroso. Celeiro Drogaria, uma farmácia com artigos variados de cosméticos. Oferece os produtos Couto de Portugal: sabonetes, cremes de mãos etc. Rua 1° de Dezembro, 64. Indico.

Na entrada da sorveteria Popbar, uma grata surpresa. Olhamos pro chão e vimos um vidro protegendo o que parecia ser um sítio arqueológico mais abaixo. E era mesmo. Uma placa de vidro nos conta a descoberta: “Rua Augusta 135, testemunho da transformação de Lisboa ao longo dos séculos. A cidade é feita de múltiplas camadas de história e este edifício é disso prova viva. As escavações arqueológicas aqui realizadas entre 1993 e 1996 revelaram ruínas que remontam ao período romano, quando as esteiras do Tejo (rio) chegava a este local. Nesse tempo existia aqui uma fábrica de salga de peixe. Foram também aqui descobertos vestígios datados do período medieval islâmico entre os séculos XI e XII. Nesta zona da cidade, as ruas repletas de oficinas dirigiam-se ao ainda hoje correntemente denominado Terreiro do Paço e o Rio Tejo. Prosperaram durante vários séculos. No séc. XVI, sobre a olaria medieval islâmica, foi construída uma ferraria, oficina que trabalhava o ferro, cujas ruínas podem ser vistas sob o chão de vidro. Mais tarde, em 1755, um violento terremoto, seguido de tsunami e incêndio, destruíram completamente a Baixa de Lisboa, incluindo a ferraria. Sobre os escombros, foi construída a Baixa Pombalina, incluindo este edifício, com recurso a técnicas antissísmicas inovadoras, característica da reconstrução promovida pelo Marquês de Pombal. A estrutura urbana tornou-se ortogonal, contrastando com a rede orgânica que caracterizava a Baixa pré-pombalina”. A Wikipédia nos informa que são as Galerias Romanas da Rua da Prata (no subsolo a antiga Rua Bela da Rainha) e da Rua da Conceição, estendendo-se até a Rua do Comércio.

Sobre a história do pastel de nata, está escrito em mosaicos na parede da pastelaria Fábrica da Nata: “Os pastéis de nata são uma das mais tradicionais e populares especialidades da doçaria Portuguesa. No final do séc. XVII vários conventos e mosteiros em Portugal produziram uma gama diversa de pastelaria e doçaria à base de ovo, utilizando sobras das claras de ovo utilizadas na engomagem de roupas e no processo de produção de vinho. Com a expulsão das ordens religiosas e o encerramento de muitos conventos e mosteiros no rescaldo da Revolução Liberal de 1820, esta receita saiu dos conventos e tornou-se um ex libris (propriedade de) da doçaria Portuguesa. Desde então, clientes locais e visitantes provam estes deliciosos pastéis polvilhados com canela e açúcar em pós recém-saídos do forno.” Endereço: Rua Augusta, 255 a.

De novo, jantar de sopa, desta vez de abóbora. No Cais das Colunas. Como sempre, sou constante nas escolhas e escolho um lugar pra chamar de meu.

No dia seguinte, passeio a Évora. Nossa segunda vez. Cidade para conhecer, certamente.

Peru surpreendente-conhecendo Lima-Miraflores-dia 2

Peru surpreendente-conhecendo Lima-Miraflores-dia 2

Hoje é dia 6 de maio de 2024. Estamos em Lima no hotel Ibis Reducto Miraflores. O nevoeiro grande, parece que acontece sempre. O café da manhã do hotel pago (52 soles PEN), vale a pena. Do jeito que eu gosto: muita gente falando diversas línguas, de brasileiros só o Carlos e eu. Americanos às pencas. Musli (cereal matinal à base de flocos de aveia crus, fruta e frutos secos), frutas, sucos, pães, tudo muito bom. O tomate está presente, tratado como é, uma fruta. A fruta granadina, tipo um maracujá, me chamou a atenção. O Carlos comeu um goulash, um cozido de carne, e lá estavam as folhas: alfaces e cia.

Pós refeição matinal, nos direcionamos a pé ao shopping Larcomar. No caminho, trocamos dinheiro com um cambista de jaqueta oficial. Para um brasileiro, isso é inacreditável ver alguém com dinheiro vivo em quantidade na rua e em segurança. Que inveja! Boa caminhada para queimar as calorias. Há um guichê dos ônibus Miraflores Bus Turístico, perto do Larcomar. Por 100 soles PEN, pegamos um a fim de passear pelo bairro Miraflores. Das 11 h às 18h30, desce e sobe com horários fixos.

Estamos na praça Salazar, cuja placa em homenagem a Alfredo Salazar (1913-1937) nos diz: alferes (antigo posto militar, seria hoje o de segundo tenente) peruano, herói da aviação que teve como ato heroico evitar que seu avião colidisse com a cidade, salvando muitos “miraflorinos” (em espanhol). Parque rodeado de flores, mirantes e embaixo o shopping convidativo Larcomar. Parece com o shopping Arauco de Santiago do Chile, por ser aberto. Dia nublado, vemos o mar lá embaixo. O miradouro dá para o oceano Pacífico, antes do mar existem falésias cinzas e cobertas por redes. Bem interessante. Na praia, há um píer e a orla é usada para esportes e caminhadas. Trata-se do calçadão urbano Malecón de la Reserva.

O shopping se localiza em cima de uma montanha. Pelas escadas se chega ao Larcomar, fomos pela rampa. Lojas famosas para viajantes, como The North Face, Rockford the Outdoor Experience, roupas de lã lindas, Patagonia, Desigual, Mango etc. Uau! Café por 8 soles PEN. Mais: La Iberica (chocolates), quiosques da Havanna, Don Salazar (café), San Roque (alfajores e outros), Picky (de roupas de lã pra crianças). Muito, muito atraente o centro comercial.

Ao redor do guichê no parque Salazar, há muitos vendedores de passeios. Preferimos o ônibus Miraflores, diário. Por 35 soles PEN, Mario, o vendedor. O percurso total é de 1 h e 20 min. Estamos na parada Larcomar. Em espanhol e inglês, a guia Vilma e o motorista Vicente. Vamos começar?

Av. 28 de Julho em breve. Data importante, independência do Peru. Segundo a www.infoescola.com/peru/historia-do-peru/, foram as batalhas de Junín (6/8/1821) e Ayacucho (9/12/1821), ambas lideradas por Simón Bolívar que tornaram o Peru independente. Celebrado com festas e bandeiras. Já na Venezuela foi em 5/7/1811, liderada pelo mesmo Simón Bolívar e por Francisco Miranda. Foi o primeiro país da América do Sul a se libertar do domínio espanhol.

Av. Larco em homenagem ao ex-prefeito José Larco. Bancos, lojas, cassinos, restaurantes, galerias de arte, casas de câmbio, centros culturais, Centro de Informação ao Turista. Agora sol e calor. O chato disso é tirar o casaco e ficar segurando. Que cidade! Que bairro!

Parque Central de Miraflores ou Parque dos Gatos, muitos foram abandonados e vivem no local.Recebe multa de 4 mil soles PEN quem abandona. Igreja Matriz Virgem Milagrosa. Parque Kennedy, em tributo ao ex-presidente americano John Kennedy, em frente à rua São Ramón. Parada: Pasaje San Ramón. A rua é um calçadão. Bulevar Gastronômico de San Ramón. Tentador, com tantas opções de restaurantes, lindo. Calor, o sol esquenta muito. Detalhe: Lima, capital gastronômica renomada internacionalmente. São 43 bairros ou distritos na cidade, cada um autônomo e com prefeito. Eleições acontecem normalmente. Existe um prefeito geral, de Lima. Gostei da ideia.

Próxima parada: Museu do sítio Pucllana. Sítio arqueológico dentro da cidade. A monumental pirâmide tem 25 m de altura. A língua falada era quéchua ou quíchua, língua inca ancestral. O nome do sítio é Huaca Pucllana, huaca significando “lugar de rituais”. Obs: em Machu Pichu se fala espanhol e quéchua. Descemos do ônibus por 10 min e continuamos a jornada, depois voltaremos. São 15 soles PEN a entrada até as 17 h, um museu a céu aberto. A guia nos informa que ali se praticavam sacrifícios humanos, de mulheres, principalmente. A razão tem a ver com o poder da vida, para impedir desastres naturais e aumentar a fertilidade. Funciona de quarta a domingo. Fico curiosa para conhecer o lugar que era uma cidade sobre a montanha. Pescavam e tinham a cultura têxtil e de fazer cerâmica como trabalho. Havia o culto à Mãe Terra (Pachamama ou Mama Pacha-divindade máxima para os povos andinos, especialmente Quechua e Aymara). Lima era uma sociedade inca na época pré-colombiana. Há muitos sítios arqueológicos no Peru, Machu Pichu é o mais conhecido. Houve outras culturas antes dos incas no país.

Informações: o Peru tem 34.4 milhões de habitantes. Miraflores foi fundada em 1857 e se situa a sudoeste de Lima. Os guardas de trânsito usam chapéus. Avenidas largas com árvores no meio fio. São Miguel Arcanjo, o protetor de Miraflores, com escultura em bronze, em cima de um pilar na rotatória Óvalo Gutiérrez, também praça, localizada no limite dos distritos Miraflores e San Isidro. O Centro Histórico é de 1535. A fundação do convento dominicano ou convento e igreja de Santo Domingo foi de 1540, pelo frei Vicente de Valverde. Eis um do monumentos históricos mais proeminentes da cidade. Para o turista, Lima é preciosa, muito organizada com mapas, folders, tudo fácil. Parabéns, Lima.

Miraflores, cidade-jardim, cidade heroica. Em 1881, a batalha de Miraflores na Guerra do Pacífico entre Peru, aliado à Bolívia e contra o Chile (1879-1883), teve por razão a briga por território. Mais frio agora, 22º C, a neblina retornou. Estamos no outono e acerca do mar.

Prosseguimos no percurso. Parque Maria Reiche com a imitação das linhas de Nazca e pistas de skate. Maria Reiche Neumann foi uma arqueóloga, matemática e tradutora técnica alemã-peruana que as investigou por muitos anos. Tanto Nazca como Lima são Patrimônios da Humanidade. Impressionante como valorizam seus heróis. Os parques são bem cuidados. O almirante Miguel Grau, outro herói. Parque Chino Bicentenario. No calçadão urbano Malecón Cisneros, há o parque Faro de la Marina (Farol da Marina) ou parque Antonio Raimondi, homem que construiu muitos resorts, geógrafo, catedrático. Impressionada com Miraflores e consequentemente, Lima.

Parque do Amor, inspirado no parque Guell de Barcelona-Espanha, com azulejos, também situado no Malecón Cisneros. Inaugurado em 14 de fevereiro de 1993 para homenagear o dia dos namorados (dia diferente do nosso brasileiro). Todo limpo, sem pichação. Que passeio maravilhoso!

Parada no parque Intihuatana, 10 min. Descemos e fomos a um quiosque/creperia. O mirante vislumbra o mar, estamos em cima da montanha, tudo enevoado, mágico. Voltamos ao ônibus. Mais abaixo o parque Gran Mariscal Mariano Necochea, inaugurado em 1949, no centenário de sua morte. Prócer da independência do Peru, vencedor da batalha de Junín.

Próxima parada: Larcomar, desceremos para almoçar e às 14h15 pegaremos o ônibus novamente. Almoço no restaurante Lucio Caffé: prato do dia (creme de frango, batata doce,arroz e ovo) e limonada por 23,90 soles PEN. O banheiro do shopping é inusitado. Da torneira, sai água botando a mão embaixo e ao lado da torneira, e para secar há duas barras de cada lado da torneira de onde sai o “vento secador”. Nunca vi igual.

Miraflores-Lima-Peru, que paraíso. Como podemos não conhecer muito do nosso país vizinho? Tão rico, original e apaixonante.

Em breve, a continuação do passeio de ônibus de onde retornaremos ao sítio arqueológico Huaca Pucllana.

Peru surpreendente-chegada a Lima

Peru surpreendente-chegada a Lima

Hoje é dia 5 de maio de 2024. Tempo para realizar o sonho de conhecer o Peru, tão bem falado pela culinária e riqueza histórica. Vamos lá. Saímos de Fortaleza pela LATAM com troca de avião em Brasília, acho mais fácil de me localizar do que no aeroporto a de Guarulhos-SP. No avião de Fortaleza a Brasília ofereceram polvilho de macaxeira (aipim). Em Brasília, portão 32 e lá rumamos ao sonho. Horário: 9 h, pode entrar no país com identidade ou passaporte. Voo para Lima, tratamento VIP, por ser GOLD PLUS. Detalhe: caí para GOLD recentemente. Os comissários sabem o nome da gente, nunca vi isso. A Tatiana e o José super simpáticos. Falemos no serviço de bordo, ou seja, comida. Lanche de sanduíche de queijo e presunto, bolo, barrinha de cereal de quinoa (ótimo), já vamos nos preparando para a terra onde se come muito esse cereal. Voo ótimo de 4 h e meia, em Lima 2 horas a menos do que no Brasil.

Chegamos e lá estava o transfer nos esperando, hoje em dia gosto de conforto. Detalhe: pacote pela CVC, tudo resolvido com as nossas agentes Débora e Patrícia do shopping Del Paseo, em Fortaleza. O Roberto, da empresa Condor, nos espera no aeroporto de Lima e dá dicas, sempre valiosas. No momento da viagem, 1 sol peruano (PEN) estava R$1,40 reais e $1 dólar, 3,72 soles PEN.

O país está tranquilo para as jornadas. O Aeroporto Internacional Jorge Chávez é em Callao, cidade vizinha a Lima, distante 11 km, siuada na província de Callao. Estamos em direção ao hotel Ibis Lima Reducto Miraflores (Av. Reducto, 1057-Miraflores). No outono à noite uns 17º C, 22º de dia e de madrugada 6º. Em Cusco, 18º C de dia com sol. Para lá é necessário levar repelente.

Continuemos com as observações do Roberto. A estação de trem em Cusco ou Cuzco que leva a Machu Pichu se chama Aguas Calientes, está localizada no povoado de Aguas Calientes aos pés de Machu Pichu. Pedro Castillo é o ex-presidente apartado por haver tentado um golpe de estado. A CNN nos informa que ele foi afastado do cargo e preso após a tentativa de dissolver o Congresso no final de 2022. O oceano Pacífico tem ondas e água fria, já perto do Equador, ao norte do Peru, as correntes mudam e a água fica mais quente. Há vulcões em Arequipa e vi uma rota de evacuação de tsunami no caminho do hotel. São 10 milhões de habitantes na capital. A segunda cidade maior é Arequipa com 850 mil.

É seguro morar e ser turista na parte residencial, fora tem que ter mais cuidado. O interior do país é seguro. As embaixadas ficam no bairro de San Isidro. Passamos pela avenida principal de Miraflores: José Larco. Alguns estabelecimentos chamam a minha atenção: Punto Azul, restaurante de frutos do mar, Pollo a la Brasa (frango) e Comida China, aliás, percebe-se que gostam de comida chinesa. O bairro Barranco é bem próximo e há o museu MALI (Museo de Arte de Lima), no Parque de la Exposición. Motorista bom de papo.

Como é de praxe, no hotel Ibis se paga o café da manhã. 52 soles PEN, das 6h30 às 10 h. O nome do carregador é Félix, saber o nome do povo sempre ajuda. O hotel padrão, em todas as cidades do mesmo jeito. A diferença está no restaurante. Prato: Solterito de quinoa com pollo a las finas hierbas, isto é, uma salada com um bife de frango grelhado, quinoa, cebola, queijo, tomate sem pele e sementes, azeitonas, feijões-verdes (das montanhas), milho, salsinha, sal, pimenta, azeite de oliva e um toque de limão. Com Ginger Ale de refrigerante, amo! Marca Mr. Perkins, extrato natural de gengibre. 86 soles PEN. Como pode uma simples salada ser tão elaborada? Deliciosa.

Depois do almoço e de um descanso, o Carlos e eu rumamos à avenida 28 de Julho a pé para fazer um reconhecimento de área. Vimos casas e ruas maravilhosas que parecem com o bairro de Pinheiros em São Paulo, cujas calçadas são decentes e largas. Um cassino e hotel La Hacienda. Na av. José Larco, estamos à procura de casas de câmbio. Bairro altamente habitável. Na San Martin com Larco, um Centro de Informação ao Turista (Tourist Information Center) para mapas e informações.

O tempo nublado, um friozinho, lugar em que já estou me sentindo empolgada. Não faltam casas de câmbio por ali. Encontramos um Juan Valdez Café e achei interessante o refrigerante típico deles: Inca Kola.

Retornamos ao hotel, cansados da viagem, mas ainda passamos em um mercado para comprar iogurte de pêssego a fim de ser acrescentado ao jantar que foi no quarto com bolachas e barrinhas de cereal e chocolate Bis amargo. Vida boa essa de viajante.

Lima promete…

Marrocos colorido-Marrakech-dia 7-fim de viagem

Marrocos colorido-Marrakech-dia 7-fim de viagem

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. Continuamos com o nosso passeio a pé pela parte antiga da cidade. Paramos no Café La Menara para um cafezinho com o guia Tuk. Ele é bom de papo. O marroquino, pelo visto, gosta de cuidar da saúde. Ele dá dicas: o óleo de cactus é um botox natural e o chá das oliveiras é bom para hipertensão.

Passamos pelo bairro judeu Hay El Mellah, na zona sul da medina. Um mercado aberto com lojas diversas. Vemos frutas, lembrancinhas, roupas, massas folheadas fabricadas ali. Motos entre a gente, uma graça. Turistas mil. O rabino morava no bairro e há marroquinos judeus que habitam no momento. Segundo o site https://www.marraquexe.net, algumas diferenças arquitetônicas ocorrem com o resto da medina: as varandas e janelas se abrem para as ruas, as casas são mais altas e os apartamentos menores. Os joalheiros eram tradicionalmente situados no local, já que os judeus tinham um longo e histórico monopólio do ouro no reino marroquino. O souk ou mercado do bairro Mellah foi recentemente renovado graças a doações de judeus americanos e do rei do Marrocos.

Na porta, saímos para a mesquita. Os prédios em Marrakech não podem ser mais altos que o minarete principal da mesquita. O imame (imã), sacerdote muçulmano, tem que memorizar o Corão inteiro, umas 8600 palavras. Para os outros fiéis, devem saber no mínimo o primeiro capítulo. A pessoa que sobe ao minarete e grita ou anuncia a reza é o muazin. Antes não haviam elevadores e alto-falantes. Hoje, ao vivo embaixo e no microfone. Os horários para as orações mudam dependendo da posição do Sol. No mundo inteiro são chamadas simultâneas (adhan), 5 x ao dia: no nascer do Sol, meio-dia, meia tarde, noite e crepúsculo.

O Tuk nos leva a uma farmácia bem conhecida para mostrar produtos: Ircos Cosmetics (endereço:109 Quartier Industrielle) e Herboristerie Bab Agnaou. O farmacêutico fala espanhol e recebe a nós brasileiros (somos três) em uma sala privada e dê-lhe mostrar maravilhas. Óleo de argan como cosmético (não tostado) e para cozinhar (tostado, bom contra o colesterol), para o fortalecimento do cabelo e das unhas. O argan puro, não oleoso, bastam 8 gotas, o oleoso misturado com flor de girassol. Sabonete, creme hidratante, produto para tendinite, creme contra fungos, eczema e óleo contra rosácea. Óleos mil, perfumes como batom de eucalipto, de laranja, almíscar, cristal para sinusite, perfume antitraça, pitaya ou figo da Índia, botox natural em óleo, melhor que rosa mosqueta (4 gotas 3x semana). Pó misturado com açafrão para dor menstrual com água quente. Uau, saí toda perfumada, um lugar que queria ter comprado todo. No final, saí de lá com perfume flor de laranjeira para calmante em forma de batom, se coloca na testa dos dois lados antes de dormir e com chá de cominho para uma boa digestão. Aprendendo com os marroquinos. Demos 60 DH (R$36,14) para o Tuk de presente e nos separamos. Ele perguntou se queríamos ficar pelo local, mas dissemos que depois do almoço iríamos embora.

O motorista vem nos buscar às 15 h, então ali perto o Tuk nos deixou no restaurante L´ Orientale devidamente recomendados. Av. Mouahidine et Rue Bab Agnaou Marrakech. Restaurante típico marroquino, o valor da refeição com entrada, prato principal e sobremesa por 120 DH (R$72,28), o guia nos ajudou na negociação. Na mesa, toalha marroquina com pétalas, muitos turistas, lugar formoso. Antes, havia comprado chaveiros de lembrancinhas, as lojas são uma loucura e o preço fantástico, pena estar tão na pressa. Vamos ao cardápio: salada crua, cuscuz marroquino e pastelão de laranja, romã e uva, coberto por um creme leve. Refeição suave, delícia! Pra variar, tinha gato perto de mim.

De volta ao hotel às 15 h. À noite tínhamos um jantar sensação. Ficamos sem saber muito bem as diretrizes, isso faltou, porém sabíamos que alguém passaria às 20 h, então estávamos prontos no lobby do hotel Palm Plaza & Spa Marrakech na hora combinada. Chegou o motorista Nordim que já conhecíamos, muito simpático. E rumamos ao Complexo Chez Ali, longe que só, na Route de Casablanca, somente o Carlos e eu, o Renato não quis ir e o pessoal da excursão já havia partido.

Ali se fala o árabe, o berbere e o francês. Chegamos com cavaleiros nos esperando para a foto de entrada. Há a Caverna do Ali Baba com roupas berberes expostas e joias de mulheres. Mulheres vestidas de roupas típicas. Uma era originária de Ouarzazate com tatuagens de henna no queixo. O espaço é gigante, com músicas diversas, grupos de danças e roupas bonitas. São trupes folclóricas de todo o país. Funciona todos os dias, mesmo sendo lugar para turista ver, amei. Nunca vi nada igual. 25 anos atrás era só almoço com espetáculo de cavalos, porém foi crescendo e hoje é imperdível. O rei Hassan II esteve no lugar e gostou. Ajudou com a água e eletricidade. Vemos tendas Kaidal do deserto.

Há várias tendas de restaurantes para grupos grandes, o nosso era só o Carlos e eu, uma pena tanta comida. Bebidas por fora, gastronomia do povo berbere. Primeiro: sopa com especiarias e massa. Muito bom. Segundo: prato principal: tagine de carneiro com ameixas-pretas e sementes. O Carlos aprovou. Os grupos de música com homens e mulheres que estavam do lado de fora entram na tenda e se apresentam para cada mesa. Com roupas e apetrechos de cabelo dos homens diferentes. Que país mais colorido.

Veio o prato principal para mim de cuscuz com frango e legumes, gigantesco. Prato para 10 pessoas, fiquei triste por deixar tanto. Depois, cominho com água para a digestão, mais o prato doce: um pastelão com molho suave e amendoim triturado em cima. Maravilhoso com frutas dentro. Chá de menta e biscoito. Socorro! Vamos explodir! A coca cola: 30 DH (R$18,07). Quase a mesma comida do almoço, ainda estávamos cheios, imaginem.

Saímos para as arquibancadas já repletas de gente a fim de ver o espetáculo. Em frente, um campo aberto. E vai começar. Dromedários, música árabe, multidão aplaudindo. Cavaleiros berberes fazendo acrobacias nos cavalos e saindo em grupo para atirar suas espingardas em uníssono, ovelhas com pastor, um burrinho fazendo graça, finalmente, todos os grupos de dança e música juntos. Aladim no tapete voando e uma dançarina de dança do ventre no meio do campo, dentro de um local móvel. Fabuloso. Saímos realizados e felizes.

Marrocos, que país marcante e cheio de cores. Amei! Jornada que valeu a pena, indico.

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.

Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.

Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.

Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.

Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.

Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.

Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).

Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.

A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?

A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic Rose Water Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.

Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.

Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No Hotel Karam Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.

Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.

Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Hoje é dia 6 de novembro de 2024. Continuamos em Fez no passeio. Vamos a pé à medina. Somos um grupo de 7 turistas: 3 brasileiros e 4 espanhóis. E dois guias: o nosso da excursão Abdul I e o Abdul II, expert em Fez. Muitas dicas do Abdul II. Não há semáforos na cidade antiga. Balak: aparta-te; andak: cuida-te. Cuidado com as mulas e burros, e com os ambulantes, pois fogem da polícia e não dão troco. Não há insegurança na medina em geral. Muito calor. Os clientes satisfeitos trazem muitos turistas. Para tirar fotos, há que pedir permissão. O guia fala muito sobre a cultura local, respeito e educação com os marroquinos. Quando se viaja para outro país, temos que saber dos hábitos locais. O guia declama poemas, canta, nos conta sobre literatura peruana e filologia. Um talento esse Abdul II. Escreve em árabe: “Sejam bem-vindos, sr. Carlos e sra. Mônica” no meu caderninho”.

Ruela na medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

No bairro histórico, há um restaurante do séc. XV com comida caseira para almoço. Café é mais caro que chá. Chá faz parte do menu. Atrás do hotel Fez Heritage Boutique Hotel, casas de ricos. Andamos pela medina. Nós brasileiros nos espantamos como os espanhóis do grupo fumam. Começamos a parte antiga: o labirinto, medieval. O guia Abdul II é amigo de todos, nos leva a um costureiro, em uma sala minúscula, sentado, trabalhando em um sofá. A casa verde com fontes de água, um restaurante caro: Riad al Yacount. Riad significa “casa antiga”.Ruelas com lojas de mosaicos e artesanato, cujas soleiras também são de mosaicos. Ruelas com motos estacionadas, parece Florença-Itália. A Riad Dar Skalli é uma casa com portas de madeira decoradas, incrível. Tudo tão diferente. Acho fantástico saber que pessoas moram nelas. Na placa vemos o nome da rua em árabe, berbere e o nome latino. Quando tem a forma quadrada indica rua com muitas saídas. Na medina labiríntica, há hotéis, albergues (youth hostels), agências de câmbio. Passamos por uma casa de uma família judia: Derb Cohen, ele teólogo.

Os churros (doces) vendidos em outra sala pequena parecem bromas. Outra sala de balas, o botijão de gás é bem pequeno. O arco divide bairros. Ao lado, uma mesquita. O sapateiro é o sacristão da mesquita, chama para a reza e fecha a sapataria, que é um banco de sentar. Mercadinho de frutas, moradores passam tempo ali conversando. Muitos cafés, restaurantes, lojas de mosaicos. Fotos da medina em uma parede. Loja de roupas, costureiros. Mais fresco o clima dentro das ruelas. Nos cantos, lixo. Gatos mil, dizeres religiosos nas paredes. Place Oued Rehacha (praça rio Rehacha), com lojas de roupas. Fonte de água sem água na ruela significa que casas têm água.

Uma escola e uma mesquita em cada bairro. Casas pobres com banhos públicos, a casa tem banheiro para mulheres e crianças, os homens usam o da rua. Um banho turco por 20 DH (R$121,41) oferece massagista para esfoliação da pele nos homens com o banho. Sai limpo e purificado, a pessoa dá o que quer de dinheiro. O guia fala sobre a caridade independente de religião. Na Dar Mia, carpintaria, loja de couro e padaria (pão caseiro). Quem se perder pela medina, não se preocupe, a Central encontra a pessoa. Muitos alfaiates. No passado, pousadas albergavam comerciantes e animais, era um caravançarai gratuito. Hoje são lojas.

Vemos lojas de chaveiros, sapatos marroquinos, bolsas em couro. Interessante que não usam adoçante, é açúcar refinado mesmo. Lojas e lojas, um mercado fascinante. Vimos a pousada Foundouk el Berka. Foundouk significa “estalagem”. Entramos na feira. A barra de madeira divide a zona sagrada. Muito incenso, túnicas belas.

Na porta 4 dentre as 14, a universidade Al Quaraouiyine, a Gran Universidad, com 270 pilares para 22 mil fiéis. Foi fundada em 859 como uma madrasa por Fatima al-Fihri, filha de um próspero comerciante Mohammed al-Fihri. Ela decidiu destinar toda a herança recebida do pai à construção de uma mesquita para a sua comunidade. Nessa mesquita, instalou-se a primeira madraça que se tem notícia. Várias fontes descrevem a madraça medieval como uma universidade, de acordo com a Wikipédia. Similar à mesquita de Córdoba-Espanha. Na madrasa (escola), o primeiro altar com fonte no centro parece com o Patio de los Leones, do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Na mesquita não se entra, só se olha por fora. A feira é uma loucura de gente.

Na universidade, nos conta a Wikipédia, ensinou Maimônides (1138-Córdova, Império Almorávida, hoje Córdoba na Andaluzia-Espanha, falecido no Cairo-Império Aiúbida, hoje Egito, em 1204)), médico, escritor, rabino, conhecedor de astronomia, teologia, letras, lutava contra o analfabetismo. Uma das principais figuras intelectuais do judaísmo medieval. Além de reverenciado pelos historiadores judeus, é também figura proeminente na história das ciências islâmicas e arábicas. Proeminente filósofo, polímata (com conhecimento em diversos assuntos) tanto na tradição judaica quanto na islâmica.

Na biblioteca, pode-se consultar documentos antigos feitos de couro de gazela. Localizada no centro histórico, integra o complexo da universidade e é considerada a mais antiga do mundo em atividade Também fundada no séc. IX, possui mais de 4 mil livros raros e manuscritos árabes, de acordo com a Wikipédia.

Madraça Attarine-Medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Entramos na madrasa ou madraça (escola) Attarine. A Wikipédia nos informa que é uma antiga escola (corânica), fundada em 1310, sendo o edifício construído entre 1323 e 1325 pelo sultão merínida Abuçaíde Otomão II em Fez el-Bali (Fez, a velha), junto à universidade Al Quaraouiyine. Deve seu nome ao soco (bairro de comércio) de perfumes e especiarias vizinho, o Soco de Attarine.

A escola destinava-se a formar os altos funcionários da administração merínida. O pequeno edifício é considerado uma obra-prima da arte decorativa. Já o guia Abdul II nos diz que nela se ensinava teologia superior para futuros imãs ou imamatos, guias religiosos muçulmanos. Nas janelas, dormiam os estudantes pobres, agora monumento. Vimos a sala de oração e aula, o altar (porta) e a sacristia na direção de Meca. Para o guia, nada é desculpa para o muçulmano não orar. Ele fala no Corão e nas escolas xiita, sunita e maliquita (maliquismo: corrente de direito islâmico do Islã sunita), mais moderada, predominante no norte da África, na África Ocidental e em alguns territórios isolados da península Arábica, e seguido por 20 a 35 % dos muçulmanos, segundo a Wikipédia. Na parede da madrasa, o mosaico com preto são letras que foram recitadas para nós. O Abdul II ainda o fez com musicalidade e a devida tradução. Entramos na mesquita. Ao sair, comprei figos secos. Vemos um mausoléu e cemitério perto, velas e incensos são comprados como oferenda.

Os muçulmanos reverenciam Fatima, a filha mais nova do profeta e de sua esposa Khadija. Nasceu em Meca em 605. E morreu em Medina em 632 ou 633, conforme a Wikipédia. Era casada com Ali (o quarto califa para os sunitas ou o primeiro para os xiitas).

Almoço (entrada) no La Medina Bis Restaurant-Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, almoço. Entramos no restaurante pelos banheiros no mosaico, que original. Mesas para o grupo, tudo formoso. La Medina Bis Restaurant, endereço: 13, Bis Derb El Hannan Guerniz. com 10 opções de menu. Para o almoço, de entrada, salada com diversos pratos: beterraba, arroz, feijão marroquino ao molho, azeitonas etc. Prato principal: cuscuz marroquino com batata, cenoura, pimentão e frango. Frutas: tangerina e uvas. Chá de hortelã. De sobremesa: uma rosca, tipo pastel de coco, delícia. Depois rumamos à loja El Corte Marroqui com artesanatos, produtos de prata e joias. O vendedor Jawar, bem-falante. Comprei brincos e pulseira estilizada, bem típica do Marrocos, por 200 DH (R$120,60). Para limpar, bicarbonato.

Bairro de los Curtidores. “Curtidor” em português, aquele que faz curtimento (fonte: Oxford Languages). Mais lojas de couro, são mochilas, bolsas, e muito mais. Em uma delas, subimos ao Curtume (ou tannerie, em francês) Chowara,um dos mais antigos do mundo, por escadas intensas até o terraço. Está em operação há mais de mil anos. O guia da loja nos mostra o processo de curtimento do couro, longo e complicado, e as piscinas embaixo para curtir o produto. Lá há uma cesta com folhas de hortelã para cheirarmos por causa do seu odor forte. Na volta, descemos na loja, com muitos produtos à venda, são jaquetas, botas, bolsas. Produtos bonitos de couro legítimo. Vale ler mais em Curtume Chouara, Fes, Marrocos.

Estamos na praça dos Carpinteiros. Tem loja de tudo, e logicamente carpinteiros, especiarias, ouro, madeira. Praça de los Tejedores (tecelões). Lojas de tecidos mil, echarpes, entramos em uma. O vendedor simpático nos explica como se faz o tecido em lã, algodão (em espanhol). Mostra o trabalho do tear. A peta é rica em fibras de seda (agave). Panos, cachecóis, capas de almofada, bolsas diversas, um deslumbre por €15, €20, €30 euros. Estamos cansados e sentados na loja.

No retorno, estamos exaustos. Muitos ambulantes vendendo seus produtos seguem a gente. Não vi ninguém pedindo esmola. São vendedores, segundo o guia Abdul II. No ônibus ele nos diz “até logo”. Que figura! Sai cantando músicas em espanhol.

Voltamos para o hotel às 18 h. 20 h é o jantar/show (cena/show) que havíamos pago de manhã antes do passeio, €50 euros cada. Nos hotéis em que nos hospedamos há sempre um bar com música árabe, bem estilizado. Pena que fumam dentro. O jantar com música árabe será no Restaurant Palaisal Firdaous no Riad Darif. Decoração árabe, lugar enorme com espaços abertos. O jantar com entrada de pão, feijão-branco, pasta de berinjela, cenoura, beterraba cozidas etc. Prato principal: pastelão de frango e canela. De sobremesa, uma torta redonda de tamanho médio (típica deles). Ainda servem umas roscas, um pouco duras. O vinho Toulal Prestige do Marrocos. A comida estava ótima, mas ainda estávamos cheios do almoço, que foi semelhante. Sem dúvida, as refeições são fartas.

Eram duas mesas, os espanhóis sentaram juntos e fiquei eu e o Carlos em uma mesa sozinhos, aí o casal de Santiago de Compostela (Fran e Silvia, da Venezuela)) vieram sentar com a gente, achei muito querida a atitude deles. Depois da cena, vieram as danças do ventre. A primeira dançarina, tudo bem, mas a segunda só fazia brigar com um dos músicos, a gente não entendia nada, mas deu pra divertir com o inusitado da situação. Depois, ela convidava pessoas da audiência para dançar. Após a dança, veio o mágico. Sinceramente, não compreendi o motivo de ter um mágico ali. O melhor da noite e mais divertido foi quando convidaram o casal que estava conosco e uma outra senhora da excursão para se vestirem a caráter, com roupas da realeza do país. O Fran e a Silvia ficaram um arraso de sultão e sultana. A apresentação deles para o público ocorreu com muitos aplausos, e ela chegou em uma almofada grande, carregada por funcionários do restaurante. Por fim, a foto oficial por 50 DH (R$30,15). Eu sempre compro, não resisto. Valeu? Só pela apresentação final. Foi muito, muito engraçada.

Prosseguiremos para Erfoud.

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024, estamos em Marrakech, a segunda cidade imperial mais antiga do Marrocos, e vamos chegar a Fez no final do dia. Passaremos em Casablanca, Rabat e Meknes antes de chegar a Fez. Viagem de ônibus pelo Marrocos, com a excursão intitulada de Brasileiros nos Encantos do Marrocos pela CVC.

Acordamos às 6h30, 7 h o café da manhã e 8 h já sairíamos do hotel. O café da manhã no Palm Plaza Hotel & Spa em Marrakech é de sonhar. No mesmo salão do jantar do dia anterior, encontramos um buffet fantástico de comidas (para os orientais), salada de frutas, pêssego e pera em calda, comida marroquina, pães variados, um deles de tamanho médio e retangular, com uma casquinha crocante inesquecível, iogurtes cremosos caseiros (uau!) de morango e baunilha etc. Fiquei com vontade de ficar no hotel, porém a jornada estava para começar. Só tínhamos meia hora para comer. O lugar repleto de europeus. Detalhe: o melhor pão que já comi, ao lado do croissant de chocolate do hotel Printemps em Paris no ano de 1997. Como esquecer?

São 8 h e estamos na entrada do hotel com as malas. Lá conhecemos o grupo da agência Special Tours ligada à CVC brasileira. Somos três brasileiros, o Carlos, eu e o Renato, do Rio de Janeiro. As outras pessoas, quatro casais da Espanha. Todos pontuais, ônibus vermelho, motorista pronto, com guia Abdellatif ou Abdul. As conversas com o guia serão em espanhol, aliás, ele fala muito bem. O guia também fala inglês, francês (todo marroquino fala) e outras línguas. Parabéns!

Observo que as mulheres cobrem o cabelo com um lenço (hijab) e usam túnicas coloridas, bonitas, alguns homens também. Estamos em um país muçulmano. Vejo umas de burca, e algumas cobertas no rosto, vê-se que não são do Marrocos, mas de outros países árabes, mais rígidos.

São 240 km para Casablanca em uma autopista. Estamos rumo ao norte em direção ao oceano Atlântico. Informações do Abdul: 14 km separam Tânger da Espanha. No Marrocos, Fez é a cidade mais antiga, Rabat, a capital administrativa e Casablanca, a capital econômica.

Ainda em Marrakech no rumo de Casablanca. Há a muralha da cidade, dentro dela a parte antiga e fora, a nova. É uma fortificação de 19 km que envolve toda a Medina da cidade, erigida em 1122, faz parte do Patrimônio da Humanidade. Passamos por uma avenida, cujo clima é de 28° C, 30° C e fora dela 50° C, vemos quadras de esportes e lugares para piqueniques à noite. Muitas palmeiras, um verde de chamar a atenção. O motivo do clima ameno é o Jardins de Agdal, no local, que segundo a Wikipédia, são constituídos de talhões retangulares de pomares de laranjeiras, limoeiros, romãzeiras, pessegueiros e figueiras, que são ligados por caminhos ladeados de oliveiras. Localizados ao sul do Palácio Dar El Makhzen ou Palácio Real, cobrem uma área de 500 hectares e datam do séc. XII, jardins feitos durante o reinado do califa almóada Abde Almumine. Nos prédios públicos e ligados à realeza se encontram a bandeira do Marrocos e a foto do rei.

O guia ama o futebol brasileiro, sabe tudo. Estamos passando e circundando a muralha por fora. Uma parte foi destruída pelo último terremoto em setembro de 2023, nível 6.8, a maior devastação foi nos arredores de Marrakech, principalmente, em áreas montanhosas de difícil acesso. No total 2 mil pessoas pereceram. Os cemitérios são todos construídos em direção a Meca. Um rio seco pelo caminho, quando chove nas montanhas, ele enche.

5 milhões de marroquinos moram fora do país e gostam de comprar objetos de qualidade de segunda mão. A periferia da cidade tem construções ao longo do rio, antes eram favelas. Edifícios baixos para funcionários públicos, pagam em 25 anos, percebi serem valorizados como categoria profissional. Mais em conta por serem fora da cidade. Mesquita, Tribunal. Chama a atenção o tamanho dos prédios, são baixos para proteger a harmonia da cidade.

O estádio de futebol em forma de muralha, cabem 65 mil pessoas: Grande Estádio de Marrakech. Não é fácil entender o árabe quando o Abdul fala o nome das ruas e lugares. Tudo é plano. A Copa de Futebol da África será no Marrocos em 2025, os estádios estão sendo restaurados. Nas placas de trânsito sempre o árabe e o francês. Segundo o guia, montanha tem 2 mil metros, menos é serra. Pelo caminho, venda de cerâmica.

Polícia na cidade, fora é Gendarmeria, por sinal, são todos muito elegantes. De impressionar. Na autopista, um ônibus vai a 100 km/h, os carros pequenos a 120 km/h. As estradas são um tapete de tão boas. Há muito controle de velocidade.

Pela estrada, observo uma paisagem árida e seca, parece o deserto do Atacama. Do norte do Marrocos há trens para Marrakech, a ferrovia do sul está em construção. A terra é marrom, mais rica, propícia para a plantação de cereais e trigo. Em Marrakech, a terra é vermelha. São 135 lagos para eletricidade e agricultura no país, de acordo com o guia.

Na Cordilheira Atlas neva. Na região montanhosa Rife, no norte, moram os berberes, povo originário do Marrocos. Eles têm um dialeto diferente do árabe de Marrakech. Dentre os países que falam árabe, o de melhor pronúncia é o do Egito. Os marroquinos falam árabe misturado com francês, por isso não entendem bem os dos outros países. Somente compreendem 80% do árabe da vizinha Argélia e 70% do da Tunísia. Esses países e o Marrocos têm o mesmo clima. Nota: o Marrocos foi colônia francesa do final do séc. XIX até 1956. E o francês é disciplina obrigatória nas escolas marroquinas.

Na opinião do nosso guia, o homem marroquino não gosta das películas indianas ou turcas, porque os mocinhos são ricos. Uma comparação ruim, já que o Marrocos é um país pobre, subdesenvolvido. O Abdul é sincero. Muitos filmes são feitos no país, em Ouarzazate, como O Gladiador e Reino dos Céus (Kingdom of Heaven), esse com 2 mil cavalos e 8 meses para construir a fortaleza. Filme muito falado, a Wikipédia nos informa que é de 2005, o diretor britânico Ridley Scott e conta a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Kingdom of Heaven – Wikipédia, a enciclopédia livre

Chove mais no norte. As oliveiras marroquinas levam 5 anos para crescer e são maiores, então os agricultores preferem as espanholas que com 2 anos estão prontas para a colheita e são menores. A cidade Meknes é a capital do vinho, outras cidades também produtoras, como Benslimane, Berkane e Casablanca. Há restrições às bebidas alcoólicas no país, devido à religião. O argan é usado para comer com pão e salada (a fim de controlar o diabetes), evita a aterosclerose e o infarto, e em cosméticos: evita o envelhecimento precoce, hidrata os cabelos e a pele.

Há cooperativas de mulheres trabalhando juntas, fato que os maridos não se incomodam, pelo motivo de não trabalharem com outros homens. O Abdul gosta de nos dizer (para um grupo com cinco mulheres ocidentais) que a mulher no Marrocos é a rainha da casa, a mais importante da família, a dona da casa e que seu papel é cuidar do lar. Outro país, outra cultura.

Vemos muita energia limpa por aqui, energia solar, até o aeroporto de Marrakech utiliza.

Paramos para banheiros e café em uma loja de conveniência da Shell (em francês, um AIRE DE REPOS, são incríveis). Café com leite e um suco de pêssego COMPAL (marca portuguesa), oba!

As estradas sem um remendo. Que inveja! No país se come muito cordeiro. Há uns de cabeça marrom que comem plantas, carne boa para o controle do colesterol, e uns de cabeça branca e olhos negros que são mais caros.

Estamos já perto de Casablanca. Entramos em Settat, cidade onde é mais barato viver do que em Casablanca. Muito comum ver famílias morando juntas em casas nas cercanias. Na parte moderna, prédios rodeados de eucaliptos. Para um marroquino, chá é para todos os momentos. O eucalipto serve para problemas de coluna. Plantas medicinais, chá verde e ducha fria são bons para a saúde. O ginseng vermelho tem ferro. Também encontrado na Mauritânia, país próximo. Mesclas de chás e plantas resultam em afrodisíacos naturais, dão força. Plantação de melão na região. As frutas, devemos perguntar de onde são, porque têm preços diferentes e qualidade também.

No Marrocos existe um problema sério de água, por isso a energia solar é tão utilizada em coleta de água na agricultura.

Importante mencionar a Festa dos Cordeiros ou Festa do Sacrifício, tradicional nos países muçulmanos. Os habitantes oferecem cordeiros às mesquitas, viúvas e pobres. Para um muçulmano, quem pede comida, recebe. A festa, conhecida como Aid al-Adha, marca o fim do Hajj, a peregrinação muçulmana a Meca. Em https://viverviajar.com/festivais-religiosos-do-marrocos-que-encantam-os-viajante-de-todo-mundo.html/ A Festa do Cordeiro e a comemoração do sacrifício de Abraão são celebrados por muçulmanos em todo o mundo com a oferta de um sacrifício de animal, geralmente uma vaca ou um cordeiro, como uma ação de graças a Deus por salvar a vida de Ismael, filho do profeta Abraão. A carne é dividida em três terços, um vai para a pessoa ou pessoas que dão o animal, outro para distribuir entre parentes e o último terço para quem precisa, independente de religião, raça ou nacionalidade.

Shukran Jazilla, muito obrigada. Sou eu, aprendendo com o Abdul um pouquinho de árabe. Não custa nada. Estamos nas adjacências de Casablanca e vemos o maior aeroporto do país.

Em breve, visitaremos a Casablanca, a Cidade Branca.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Hoje é dia 10 de abril de 2024. O café da manhã do hotel Chiado Borges de novidade compotas de abacaxi e pêssego com pouco açúcar. No mais, o de sempre. Todo hotel é assim, em geral, o café fica repetitivo. Perto poderíamos tomar o pequeno almoço, como chamam, e mais barato, já que no hotel nos cobram, porém dava preguiça de sair e comer menos.

A ideia do dia é conhecer Sesimbra, cidade litorânea, distante 40 km de Lisboa, pertencente ao distrito de Setúbal, antiga província de Estremadura. Ouvi falar pelas amigas portuguesas Luísa e Inês, quando lá foram veranear, vindas do norte do país. Saudações, amigas queridas.

Entramos na estação do metrô Baixa-Chiado e haja escadas, a escada rolante para descer não estava funcionando, a de subida estava. €2,30 (euros) o tíquete no guichê mais o cartão, devemos recarregar depois. São 7 paradas até o Jardim Zoológico/estação de ônibus Sete Rios, onde pegaremos o ônibus para Sesimbra. O assento do metrô imita a cortiça, nas costas também, em vermelho e cortiça. Muito giro, como dizem. Gostei.

Alcançamos o Terminal Sete Rios, achei mal sinalizado. O lugar do ônibus para Sesimbra não era dentro, tivemos que dar mil voltas até encontrar a parada do lado de fora, olhando para o Jardim Zoológico, do outro lado da avenida Gulbekian. Na verdade, é Sete Rios P3-Sesimbra (terminal), companhia Carris n° 3721, estação Campolide. Felizmente, sempre há quem ajude. A passagem é €4,50 em moedas. Está explicado porque Sesimbra não é muito conhecida, porque é uma aventura chegar, só nós mesmos. O ônibus a gás natural partiu às 9h45.

Agora, relaxar e ver a paisagem. Estamos passando pela ponte 25 de Abril, temos um visual bonito de Lisboa. Veremos a estátua do Cristo Rei do outro lado do rio Tejo mais de perto. Setúbal do outro lado. Para um lado da estrada Sesimbra/Seixal, de outro Sesimbra/Azeitão. Nas paradas de ônibus, informações pertinentes, bem organizado. Continuamos Sesimbra/Santana. Tudo verde, que país mais arborizado!

A velocidade na estrada é de 50 km/h e vemos casas, lojas de automóveis, de cerâmicas etc.

Chegamos a Sesimbra, descemos no Terminal Carris em frente à Biblioteca. Estamos na pedonal/calçadão. Vamos logo tomar um café na pastelaria O Caseiro, na Av. da Liberdade, 15, repleto de gente. Peço um doce: farinha torrada, típico do local. Muito bom, pouco doce com gosto de chocolate e limão. Onde vamos há europeus “turistando” e aqui vemos o legítimo português.

A praia nos chama, descemos até ela. Que lindeza! O sol escaldante, a cidade muito clara, tem que usar óculos escuros. Tem cheiro de peixe, clima praiano, mar calmo, uma esplanada para as caminhadas, hotéis à beira mar e restaurantes diversos. Agradável de se estar e sentir o momento. Prédios simpáticos e de poucos andares na orla, do jeito que gosto. Sesimbra tem a maioria das casas e edificações de cor branca e telhados vermelhos.

Entramos no Museu Marítimo de Sesimbra dentro da Fortaleza de Santiago, logo ali. Era a casa do governador. À época, o rei de Portugal era D. Carlos I (1863-1908) e D. Amélia (1865-1951), ele era próximo da comunidade pesqueira e fez expedições oceanográficas. Na placa na frente do museu, está escrito Carlos de Bragança “O Rei Pescador”. Herda de seu pai, D. Luís, o “Rei Marinheiro”, a paixão pelos assuntos do mar, o que irá justamente refletir na sua obra artística e científica. No campo das artes plásticas, tinha dotes de aquarelista (utilizando também o pastel e o óleo) e de desenhista; e obteve êxito na área da ornitologia e oceanografia, dentre outros muitos talentos.

Um pouco de história com a Wikipédia: Carlos I foi aclamado rei em 28/12/1889 e teve a presença de seu tio-avô Pedro II, imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Foi casado com a francesa Amélia de Orléans, filha primogênita de Luís Filipe, Conde de Paris (pretendente ao trono da França).

O museu mostra o mobiliário da época, altar de madeira, Chincha ou Arte de Comeiro (Xávega), de 1462, uma técnica de arrastão sobre a arte da pesca de sardinha e carapau. A respeito da indústria conserveira datada de 1896, existiam três fábricas de conservas na cidade. O período mais expressivo foi das fábricas de conserva em azeite na I Guerra Mundial e final da década de 1920 do séc. XX.

Mostra as técnicas de pesca de robalos, pargos, peixe-espada que eram colocados no areal para a venda até os anos 1970. A barca de Sesimbra e aoila (3,30 m de comprimento e 1,52 m de boca): duas embarcações de pesca características até meados do séc. XX. Os barcos de Sesimbra descobriram o mundo. A construção de barcos remete a 7/4/1410, do deão de Coimbra, D. Álvaro Afonso, que menciona os dízimos a pagar pelos calafates e carpinteiros que construíram os barcos.

Em uma sala, a religiosidade dos pescadores. Culto a Santa Maria do Cabo Espichel, do séc. XVII/XVIII. Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Boa Viagem. Sala da Memória, Identidade e Comunidade. Mais escadas em curva se abaixando e saímos na parte de cima da fortaleza, um cenário deslumbrante. Valeu o passeio. Lembrei do Museu do Mar de Parnaíba-Piauí.

Hora do almoço. Descobrimos ali perto o restaurante O Canhão. Robalinho com batatas e legumes salteados para mim, e para o Carlos, bacalhau assado com o refrigerante Ginger Ale, nossa paixão, e vinho verde Azevedo (da região do Minho), perfeito. De entrada nos ofereceram azeitonas e queijo de ovelha cremoso de Azeitão (da região) e pão português. O garçom João Paulo, uma simpatia, conhecedor de Londrina-Paraná. Que refeição deliciosa! Pagamos €50 com a taxa de serviço.

Em breve, prosseguiremos com mais passeios nesta cidade praiana e ensolarada.

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Hoje é terça-feira, dia 9 de abril de 2024. Saímos do hotel Borges Chiado com a intenção de ir aos museus Calouste Gulbenkian e de Arte Antiga de metrô. Fomos informados pelos atendentes solícitos do hotel como chegar lá de tram, porém não deu muito certo. Foi confuso, pegamos o tram 15 (€3,10 euros) direção Belém para o Museu de Arte Antiga no Cais do Sodré, só que no caminho dentro do tram ajudei um bocado de europeus com a máquina de tíquetes, logo perdemos a parada de descida. Descemos duas paradas adiante, caminhamos até a estação Alcântara e atravessamos a avenida por baixo (na Europa se chama subway). Chegamos ao Museu do Oriente, enorme e promissor, mas que não estava nos planos. Endereço: Avenida Brasília, Doca de Alcântara. Ainda bem que os moradores dão informações aos turistas perdidos.

Paguei €8 euros e o Carlos €4. O armário (locker) para as mochilas requer uma moeda de €1 euro, a devolver na saída, perguntamos tudo, nada é escrito.

Vamos à visita. Sala dos tecidos trabalhados com diversos padrões de peixes e frutas, colorido. Têxteis indígenas australianos: Dry Season WindJarracharra, exposição temporária, feitos por mulheres da região Maningrida no oeste de Arnhem Land, Austrália. Outra exposição temporária “O Colecionismo de Frascos de Rapé”, do diplomata Manuel Teixeira Gomes.

Já estou amando o museu, tanto a ver e conhecer. A exposição permanente da presença portuguesa na Ásia com testemunhos, memórias e colecionismo é imperdível. “A Expansão da Fé Cristã”, “Os Deuses do Olimpo”, “Um Mundo de Porcelana Chinesa”: a antiga coleção do diplomata Cunha Alves, peças do séc. XVII a XIX.

Brasões, porcelanas, pratos da China da Dinastia QING (1644-1911), Colecionismo de Arte da Ásia Oriental, o gosto colecionista europeu remonta ao final do Império Romano e ao início da Alta Idade Média, graças à Rota da Seda. Estatuetas funerárias, figura tumular, perfumadores em forma de dragão. Túnicas femininas de seda bordada a fio de ouro, belíssimas.

Budismo, Taoísmo, GUANYN, nome chinês representado por uma figura feminina que significa a compaixão. Armaduras japonesas com leque de guerra utilizado no comando das tropas. Arte dos períodos EDO e MEIJI (1868-1912). Quimono feminino, dos anos 50-60 do Japão com seda lavrada e pintada a mão. Altar SHIBAYAMA, com a figura de Buda sentado.

Pinturas a nanquim com cenas de folclore e costumes coreanos do séc. XIX. Timor-Leste representado por uma escultura mortuária de cavalo e seu cavaleiro, de 1940. Máscaras de 1920, espadas e sabres de 1968. A ilha foi povoada há cerca de 14 mil anos até 2 mil a. C. e foi alvo de sucessivas vagas de colonização. Importante: portas de pau rosa de 1900, painéis decorados das casas timorenses, potes de barro cozido, colheres de chifre de búfalo do séc. XX. Estátuas dos antepassados colocadas no exterior da aldeia em locais de destaque (1900-1930), guarda-joias, filigrana de prata etc.

2° andar. Japão: Festas e Rituais. A cultura oriental me atrai. Kannushi, roupas dos sacerdotes intermediários entre os kami e as pessoas comuns, responsáveis pela manutenção do santuário e pela realização dos rituais e cerimônias religiosas. Xintoísmo, autóctone do país e baseado no antigo culto aos kami, entidades do mundo sobrenatural. Dōsojin, protetores dos viajantes. Rituais de purificação HARAE e MISOGI. Calendários e almanaques: refeição do 1° dia do ano, bebe-se muito saquê, muito doce a e aromatizado com ervas para expulsar a má sorte do ano anterior e pedir saúde.

Eu não tinha ideia da quantidade de atividades feitas no Ano Novo japonês, como banhos, escritas, cartões, sacos da sorte. Darumas para proteção e sorte. Marionetes, talismãs, oráculos de previsão em papéis. Raquetes decoradas com motivos japoneses. Teatro Nō, com auditórios bem frequentados por escolas.

Museu enorme. Biombos e coleção: “Leques Chineses”. Exposições “Marfins de Goa”, “A Índia em Aquarela”, e “Da Terra Santa ao Japão”. Birmânia representada também. A obra de Os Lusíadas, de 1669, de Luís de Camões, o príncipe dos poetas portugueses. Que emoção!

No 5° piso, o restaurante Museu do Oriente/Imppacto, de alto nível, que oferece um visual bonito da marina, porto e ponte 25 de Abril. O menu executivo por 15 euros. Pedi crosta de peixe com legumes salteados adocicados, e o Carlos carne. Sobremesa: abacaxi e amora. E café.

O museu data de 8 de maio de 2008 e foi inaugurado pelo presidente da República, Prof. Dr. Aníbal Cavaco e Silva.

Sou amante de museus. Uma vez um aluno me perguntou para quê museus? Sem a nossa tradição, cultura e história contadas por museus, não somos nada. Por isso amo tudo que aprendo em um. E alguns são fantásticos, como esse Museu do Oriente. Parabéns, Lisboa!

De lá, nos dirigimos a pé ao Museu de Arte Antiga. Em breve, muito a contar.