Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 3

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 3

Hoje é dia 23 de novembro de 2023. Continuamos o nosso passeio de ônibus turístico Linha Turismo. A parada 10 foi no Bosque do Papa/Memorial Polonês. Seguiremos…

Parada 11. Museu Oscar Niemeyer (MON) ou Museu do Olho. De arte contemporânea. O porteiro do museu nos deu a dica do restaurante Barolho ali perto, na rua Manoel Eufrásio, 1350. E rumamos para lá, já que estava na hora do almoço. O Carlos e eu pedimos bife de frango grelhado com salada, arroz integral e feijão (oferta da casa) por R$23,00 cada e dois copos enormes de limonadas. Almoço bom e barato. Tratamento e serviço aprovados.

O museu tem um vão de 65 m, são várias salas e andares, espetacular. Paguei R$15,00 como professora, acima de 60 anos é de graça. Só achei uma burocracia desnecessária na entrada, deixamos a mochila e se levasse meu livrinho de escrita teria que preencher um formulário com meus dados. Sinceramente, nem preenchi. Levei somente o celular.

No dia seguinte, 24 de novembro de 2023, inaugurariam a exposição “Extravagâncias”, de Joana Vasconcelos, artista renomada portuguesa, no espaço do Olho, nos andares da torre e nos espaços Araucária e na rampa. Lá fora chove, bom dia para museu. Passamos quase 3 h, uma visita intensa. Que museu fabuloso!

Vimos obras das artistas Aline Dias, Ana Gonzaléz, Fernanda Valadares etc. As salas da Índia e as Religiões; da Ásia: a Terra, o Homem e os Deuses; da África, Expressões Artísticas de um Continente; de Poty (Lazzarotto), entre dois mundos, dentre outras. Achei bem linda a sala Ningyos, bonecos que emanam bons augúrios. Mais de 3 mil peças da coleção da arte asiática foram doadas pelo embaixador Fausto Godoy ao MON. São presentes auspiciosos para desejar longevidade, saúde e fertilidade aos recém-nascidos. Há um espaço do museu adaptado para ampliar o acesso das pessoas com baixa visão ou cegueira. Importante e inclusivo.

Também há a sala sobre a produção do filme Ivan, O Terrível, de janeiro de 1941. Obra de Serguei Eisenstein, por ordem direta de Stalin, que acreditava ter finalmente domado o diretor. Ele só concordou em dirigir o filme após ter criado a cena do arrependimento de Ivan diante do afresco do Juízo Final na catedral. A primeira série do filme, de 1944, rendeu ao diretor o Prêmio Stalin, a segunda foi banida e o terceiro filme, inacabado, teve seu material destruído em 1951.

Depois da chuva, esfriou. Às 16 h entramos no ônibus. Em cima o ônibus era aberto dos lados e havia um pano para a limpeza dos bancos.

Parada 12. Bosque Alemão. Descemos, mas conhecemos somente o Oratório de Bach, réplica de uma antiga igreja presbiteriana de madeira, onde atualmente ocorrem concertos. O bosque estava fechado. É o memorial germânico da cidade, em homenagem aos primeiros imigrantes alemães no séc. XIX. Ainda há a Torre dos Filósofos (mirante), a trilha de João e Maria que narra o conto dos Irmãos Grimm, a Casa da Bruxa com biblioteca e hora do conto, e a praça da Poesia Germânica com portal que reproduz a fachada da Casa Mila, construção do início do séc. XX. As casas nos arredores do bosque são grandes, bem cuidadas e com jardins em frente. O bosque em frente ajuda no charme. Há propagandas simpáticas pelo caminho para separar o lixo.

Parada 13. Bosque Zaninelli/Universidade Livre do Meio Ambiente. Criado em 1992, o bosque dá um novo uso a uma antiga pedreira, da qual restam um paredão de granito e um lago no meio da mata. A Universidade Livre do Meio Ambiente é feita de troncos de eucaliptos e madeira de construção, para valorização do meio ambiente, preservação e conscientização. Representa os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar. Abriga a Escola Municipal de Sustentabilidade. Foi inaugurada com a presença de Jacques Cousteau. Oferece vista panorâmica do lago e bosque.

Parada 14. Parque São Lourenço. Bom para caminhar, andar de skate e carrinho de rolimã. O parque une natureza, arte e cultura. Implantado em 1972, é um dos mais antigos da cidade, para recuperar estragos do rompimento da represa do rio Belém. Conta também com o Memorial Paranista e o Jardim das Esculturas João Turin, considerado o precursor da escultura do Paraná. O caminho parece com a Zona Sul de Porto Alegre com suas ruas largas e casas.

Parada 15. Ópera de Arame. De 1992. Outro cartão-postal de Curitiba. Eu tinha que conhecer. O lago, a chuva e a ópera, que visual. Mais tarde ocorreria o concerto Candlelight à luz de velas. Que mágico! Restaurante, café, loja, escadas de ferro, um lugar muito original. Há exposição de arte espalhada. Haja escada, mas vale a pena. Segundo o folder Curta Curitiba, a estrutura é tubular e o teto transparente, e compõe o Parque das Pedreiras, junto com a Pedreira Paulo Leminski, de 1989.

Parada 16. Parque Tanguá. Com floresta preservada, cachoeira, lagos, mirante. Um dos melhores locais para apreciar o pôr do sol.

Parada 17. Parque Tingui. O folder Curta Curitiba nos esclarece que o parque foi criado em 1994, localiza-se em uma faixa de preservação junto ao rio Barigui. Tem escultura do cacique Tindiquera, da tribo Tingui. Possui também a obra Raízes Afro-Brasileiras de Emanoel Araújo.

Parada 18. Memorial Ucraniano. Dentro do parque Tingui. Com um portal e réplica da antiga capela de São Miguel, construída em madeira em estilo bizantino, onde há uma exposição de ícones da cultura ucraniana.

Parada 19. Portal Italiano. Adiante está o bairro mais conhecido de Curitiba: Santa Felicidade.

Parada 20. Santa Felicidade. Com cantinas, restaurantes, sorveterias, feira de artesanato, lojas, bem festivo. Vimos a loja de chocolate Florybal, de Gramado-RS. Primeira colônia de imigrantes italianos na cidade. Chegaram a partir de 1872.

Parada 21. Parque Barigui. O rio com o mesmo nome foi represado e formou-se um lago. O parque foi criado em 1972 e é bem frequentado pelos habitantes. Não houve parada pelo perigo, pois o rio/lago estava para transbordar por chuvas recentes.

Parada 22. Torre Panorâmica. Inaugurada em 1991,é suporte de telefonia celular. Tem mirante a 109, 5 m de altura, para uma visão de 360 graus de Curitiba e dos contornos da Serra do Mar.

Parada 23. Setor Histórico. Área de preservação histórica e cultural. Domingo abriga uma feira de artesanato e antiguidades parecida com a de San Telmo em Buenos Aires. O Museu Paranaense se localiza nesta parte antiga da cidade.

Passamos por alguns Faróis do Saber, bibliotecas municipais com um farol como símbolo. Da época do Jaime Lerner como governador, o arquiteto que mudou Curitiba e trouxe inventividades existentes até hoje. Parabéns, a cidade brilha com tanta cultura e natureza.

Praça Garibaldi com palácio Garibaldi, usado para eventos. Local que abrigou os primeiros imigrantes italianos chegados na cidade.

Parada 24. Praça Tiradentes. Marco Zero de Curitiba. Aqui descemos, pois é perto do hotel Bourbon. Apesar de tão importante e histórica, infelizmente, é um local inseguro. Realidade das nossas cidades grandes no Brasil.

Continuaremos nossa jornada em breve.

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 2

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 2

Hoje é dia 23 de novembro de 2023. O café da manhã do Bourbon Curitiba Hotel & Suítes é excelente: seção de sucos detox e outros de frutas, frutas, queijos, presuntos, bolos, croissants, tapioca, iogurtes, encontrei o leite desnatado e … croque monsieur, que interessante. Receita francesa de sanduíche. Começamos bem o dia.

Vamos os passeios. Andamos até a Rua 24 Horas, no caminho passamos pelo relógio de 1914 na praça Osório. Os bancos, árvores altas, floriculturas e cafés fazem a diferença na qualidade de vida do curitibano. Há venda e compra de ouro no Calçadão Rua XV de Novembro. Ali é uma gostosura de sentar nos bancos e sentir o aroma das flores dos canteiros. Vemos os tubos/minhocões pelas avenidas para pegar ônibus, um exemplo é na rua Visconde de Nácar.

Parada 1. Entramos no ônibus Linha Turismo (de cor verde) em frente à Rua 24 Horas. R$50,00 por pessoa para 24 horas, o pagamento é feito dentro do ônibus. A previsão é de chuva, então estamos protegidos e aproveitando. Ficamos na parte de cima e coincidência, como sempre, encontramos uma mãe e uma filha de Tauá-Ceará, a moça estuda em Itajaí-Santa Catarina, foi um bom papo. No ônibus, temos uma perspectiva da cidade, já que as paradas ocorrem em 10 pontos turísticos importantes. A cidade é arborizada e limpíssima o que a torna agradável. São tantas praças e casas dos anos 1930 e 1940, algo que chama atenção.

Parada 2. Museu Ferroviário. O museu é anexo ao Shopping Estação.

Parada 3. Teatro Paiol. O edifício original de 1906 era um paiol de pólvora. Restaurado em 1971, manteve a arquitetura circular romana e passou a ser um teatro de arena, símbolo da mudança cultural de Curitiba, de acordo com o folder Curta Curitiba.

Parada 4. Jardim Botânico. Descemos. Que local mais aprazível, lindo. Bem cuidado, florido, parece uma miniatura do Palácio de Versailles na França. Estufa conhecida por fotos. Na estufa principal há bromélias, banana-do-mato, flor-de-cera e muitas outras belezas. O folder Curta Curitiba nos diz que o Jardim Botânico, ícone da cidade, é inspirado nos jardins franceses. Inaugurado em 1991, possui uma estufa metálica que abriga espécies botânicas que são referência nacional.

Na Galeria das Estações, encontramos o CIBP-Centro de Ilustração Botânico do Paraná, onde encontramos uma lojinha com bolsas, agendas, calendários (R$25,00 a unidade), caderninhos (R$20,00 a unidade), com flores nos produtos, e, ao lado, um Café-Escola do SENAC. Ser tão florido me lembrou da loja da casa do pintor impressionista Claude Monet em Giverny, França. Mas em miniatura, em comparação com a francesa. Logicamente que eu não resistiria a compras e a um café com bala de banana de brinde. Muito bom ter álcool em gel onde formos. Na entrada do Jardim Botânico existe um restaurante/galeteria promissor. Capricham nas flores e plantas. Lugar imperdível.

Curitiba: cidade da reciclagem, inovadora em termos de lixo reciclado. Fazem campanhas por isso. Maravilha!

Às 12 h entramos no ônibus turístico novamente, o almoço seria depois. Há áudios em inglês, francês, espanhol.

Parada 5. Mercado Municipal/Rodoferroviária. O mercado, de 1958, concentra boxes e restaurantes. Na Rodoferroviária se pega o trem para descer a Serra do Mar e conhecer Morretes e Antonina.

Parada 6. Teatro Guaíra/Universidade Federal do Paraná. A sede da primeira universidade do Brasil, fundada em 1912, tem arquitetura neoclássica e domina o lado da praça Santos Andrade. O Teatro Guaíra fica no outro extremo, foi inaugurado em 1970 e é um dos maiores da América Latina, na entrada, tem painel em alto-relevo do artista paranaense Poty Lazzarotto com a história do teatro universal (segundo o folder Curta Curitiba).

Passamos pela histórica praça Tiradentes, onde existe uma estátua do Barão de Rio Branco.

Parada 7. Paço da Liberdade. Foi a primeira sede própria da prefeitura de Curitiba. A construção de 1916 tem detalhes neoclássicos e art-nouveau. Restaurada, mantém as características originais e é um espaço cultural múltiplo com exposições, biblioteca e um café. Aqui não houve parada.

Parada 8. Passeio Público/Memorial Árabe. O Passeio Público é o parque mais antigo da cidade, inaugurado em 1886. Abrigou o zoológico e o portão principal é uma cópia do que existe no cemitério de Cães de Paris. Vizinho está o Memorial Árabe, construído em homenagem à cultura dos países do Oriente Médio. Dentro existe uma biblioteca e pinacoteca referentes à cultura árabe. A praça se chama Gibran Khalil Gibran e a edificação segue a linha mourisca.

Parada 9. Centro Cívico de 1953, ano do centenário da Emancipação Política do Paraná. Sede dos três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Na praça Nossa Senhora da Salete. De arquitetura modernista, com influência de Brasília, foi o primeiro centro cívico do Brasil. O impressionante de Curitiba é ser toda muito arborizada.

Parada 10. Bosque do Papa/Memorial Polonês. Em homenagem ao papa João Paulo II, o museu ao ar livre, com sete casas de troncos encaixados, sem pregos, foi inaugurado em 1980. São casas antigas de colonos poloneses, além do bosque com trilhas e reserva de 300 araucárias. Ali há um museu que mostra objetos do cotidiano, instrumentos de trabalho, móveis e utensílios domésticos, ou seja, formam um memorial à imigração polonesa. Também há uma loja e a capela com a imagem da padroeira, a Virgem Negra de Czestochowa.

Próximas paradas em breve…

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 6-Valle de la Luna

Viagem a São Pedro do Atacama- Chile-2023-Dia 6-Valle de la Luna

Hoje é terça-feira, dia 10 de outubro de 2023. O Carlos e eu começamos o dia passeando pelo centrinho de São Pedro e na Feira Artesanal para compras. O artesanato andino é colorido, vibrante, encantador. Na agência Sol Andino, na rua Caracoles, compramos o passeio ao Vale da Lua (30 mil pesos chilenos-R$161,40 e entrada ao parque 10.800 pesos-R$58,10) com o Ronaldo. Combinação: a van nos busca às 15h30 no hostal Terracota e nos deixa em São Pedro às 20 h. A comunicação é por Whatsapp. Devemos levar água e roupa mais leve. Detalhe: em lojas e agências não disponibilizam a senha do wifi.

Almoço no restaurante Adobe, o do primeiro dia. Queríamos nos dar um presente de fim de viagem. O restaurante da praça era convidativo, mas estava fechado. Que pena! Lindo. Vamos ao cardápio: tomamos água tônica Canada Dry e pedimos os pratos do dia. O Carlos pediu salmão na manteiga com extrato de chañar, e eu crocante de merluza com quinoa temperado. Alta gastronomia, comida espetacular ao som de música andina. Amamos.

A melhor época para conhecer a região é em outubro e novembro, menos quente e menos frio. Em julho é congelante e em dezembro, janeiro e fevereiro chove na Cordilheira dos Andes.

Algumas minúcias sobre São Pedro: a maioria das pessoas usam bonés e chapéus. O sol é inclemente e perigoso, há o solmáforo (termômetro de sol) na praça da prefeitura. Há um posto de gasolina na saída da cidade rumo à Argentina e Bolívia. A gasolina é mais cara que no Brasil, porque se paga imposto específico para as estradas. Da cidade, saem ônibus para a minha linda Salta na Argentina. Cidade inesquecível. Um caminhão joga água nas ruas, por causa da secura e do pó. Turistas estão presentes o ano todo, um pouco menos em maio.

Às 15h50 lá estava o motorista Ivan para nos levar ao parque Vale da Lua, a 2.250 m. O guia Théo. Vamos visitar a Cordilheira do Sal, a Duna Maior, as Minas de Sal, o Mirador de Cari (a pedra do Coyote). Segundo o Guia de São Pedro do Serviço Nacional de Turismo do Chile, o Vale da Lua é uma paisagem de desolação, o vento tem esculpido montes e vales de barro, sal e gesso. Parece outro planeta, daí o nome. Está localizado a sudeste de Calama, a poucos quilômetros antes de chegar a São Pedro. Declarado santuário da natureza em 1982.

Os parques da região são administrados por povos indígenas (Lican Anthay, atacamenhos), então os guardas parques também são. Uns 10 minutos depois, chegamos à base do parque, ficamos na van e o guia sai para fazer os pagamentos.

Estamos a pé na Cordilheira do Sal. São dunas e montanhas de sal, com diferentes tipos de formações e mais dunas ao lado. Que interessante! O grupo se mantém junto, nada de fumar, beber e comer no local. São vários grupos, muitos visitantes. Devemos seguir o guia e não ultrapassar a linha marcada. Na Duna Maior, fizemos uma caminhada de uma hora com uma subida íngreme. Haja sol! No topo, um anfiteatro natural estilo Coliseu, e vimos uma muralha de milhões de anos e linhas horizontais, da mesma forma a linha de água de um passado remoto. Era um rio, hoje não tem vida. Os cristais nas rochas eram o sal da Antiguidade. Incrível! Os indígenas trocavam sal por outros produtos, caçavam e conservavam a carne. Os incas, que estavam espalhados pelo Equador e Amazonas (e outras regiões), vinham atrás do sal. O monopólio do sal era dos indígenas da terra, pagavam aos incas o imposto com sal. Interessante dizer que o gesso/fóssil encontrado na montanha é evidência de água.

Está muito quente, socorro! 90% de sal nas montanhas. Acreditar que um rio passava por aqui é surreal. De acordo com nosso guia, a Terra teve uma mudança climática há 7 mil anos A.C., de 5 mil a 3 mil anos atrás havia água no deserto, depois evaporou. O último glaciar foi de 12 mil atrás, era congelante. Só vimos uma plantinha na duna. Uma sobrevivente.

Em outra montanha, testemunhamos a presença do brilhante silício, usado como semicondutor, matéria-prima de microchips de computadores. Não se extrai, pois desde os anos 90 não é mais necessário. O quartzo e silício são minerais usados na indústria tecnológica.

O Vale de Marte (ou da Morte, como também é conhecido) é composto de formações geológicas, e considerado o planeta Marte para os cientistas, com o mesmo tipo de terra. Nos anos 1970, 80 e 90, a NASA esteve no local para criação de robôs, o Perseverance e outros foram testados no vale. Muito parecido mesmo, vemos de longe.

Descemos a duna de cor escura por conta dos sedimentos. O visual é uma pintura, arrebatador. As formações rochosas formam um lugar único no mundo.

De volta à van, vemos o Vale da Lua com sua parte branca da montanha, do lado direito, areia. Muito silício do lado esquerdo. Embaixo a pé de novo, paramos dentro de uma delimitação, aqui há vento e outro guarda parque se faz presente. O guia nos instrui que o sol tira a água da superfície, mas que debaixo da terra há vida. A parte branca, consequência de 5 a 8 mm de chuva (se chover), é a casa dos micro-organismos que criam oxigênio, eis a floresta com nome de Evaporitas.

No setor Evaporitas, há sol em todos os lugares, no chão, nas montanhas e nas casas onde os indígenas extraem o sal. A terra é de 1 milhão de anos. No local, dentro da delimitação, setor indígena do deserto, há formações de pedra erodidas pelo sal e vento do deserto, uns totens naturais, chamados de Os Vigilantes”. Sãocompostos de granito, quartzo e argila, principalmente.

No lugar, antigamente, o povo consultava os xamãs (indígenas guardiões do povo, líderes espirituais) e faziam festejos com danças e bebidas em homenagem aos totens. Era a conexão ancestral, de cultura indígena. Foi o arqueólogo e padre jesuíta Gustavo Le Paige que chamou Os Vigilantes de Três Marias, fazendo a conexão com a religião católica. O lugar é sagrado. A estrutura representa a ligação dos elementos da Mãe Terra (cultura indígena) que protege a economia, a cultura e o povo. Na parte marcada, o xamã recebia o povo para escutar seus pedidos.

Outra rocha ao lado, os americanos do sul acham parecido com um “coração partido”, já os europeus com um “dinossauro”. Observamos a casa dos mineradores de sal ali adiante.

Vimos ali perto o caminho de terra usado antigamente de Calama a São Pedro entre areia, dunas e montanhas até os anos 1990. Agora é estrada. No percurso, passamos pelo mirador Achaches e vemos o vulcão “Mãe Terra’, ou seja, o majestoso Licancabur.

Paramos na base para banheiros, onde existe um pequeno museu com rochas da Cordilheira dos Andes. Muita gente fazendo seus lanches com suas vans paradas pela estrada. Decididamente, não é turismo fácil, requer muito preparo físico.

Fazemos nosso snack mais adiante no mirante da Cordilheira do Sal, um desbunde de paisagem. Lanche: pisco sour, suco de laranja, azeitonas, frutas como morango e pepinos (parecido com o melão), batatas chips, queijo da Patagônia chilena, pipocas doces (deliciosas, nunca comi igual). No nosso grupo tinha gente da Guatemala, Madri (Espanha), Chile e Liverpool (Inglaterra) e nós. Depois de saciados, rumamos ao pôr do sol no Mirador de Cari (ou Ckari), onde se localiza a pedra do Coyote, uma rocha protuberante, no momento interditada. Não podemos ultrapassar as correntes junto ao desfiladeiro.

A gente vê o pôr do sol após as 19h30 e vamos em direção ao outro lado para se maravilhar com as cores do céu. Uma poesia da natureza. Usar os óculos de sol é obrigatório. O Carlos lembrou de Jujuy, no norte da Argentina, com suas montanhas coloridas. Encontramos lá umas seis jovens portuguesas e batemos altos papos. Turista quando se encontra com turistas fala de? Viagens, logicamente. Também revimos a guia simpática Carolina.

Ao fim do passeio, o guia pediu gorjeta, algo nunca visto por mim naquelas plagas. Demos, embora estranhando. O dia foi mais do que completo, foi um banho de cultura e vida. À noite, empanadas, só pra variar.

Dia 11 de outubro de 2023, dia do retorno a Fortaleza. Em Santiago, saímos do Terminal 1, nacional, e caminhamos por fora do saguão ao Terminal 2, internacional. Tem que ficar ligado. Acho o aeroporto Arturo Merino Benítez muito agradável de se estar.

Depois de um transfer de van de São Pedro do Atacama a Calama (uma hora), três aviões: Calama-Santiago, Santiago-Galeão (Rio de Janeiro), e Galeão-Fortaleza, chegamos exaustos. O Galeão pegamos desorganizado e confuso, com taxas de serviço de 13% nas lanchonetes, caro e serviço vergonhoso. Espero que melhore para quem chega de conexões, principalmente.

Eu tive dois dias de jetlag e o Carlos três. Haja cansaço e moleza, mas… valeu totalmente. Já quero voltar. Queremos desbravar mais o Atacama…

Não se exprime com palavras o deserto do Atacama, mas sim com sensações. Eis um lugar cativante, único no mundo nas suas peculiaridades, beleza árida, gastronomia e vida noturna intensa em São Pedro. Pessoas queridas, simples, acolhedoras como a Yobi, a Paulina, e a Sarita do hostal Terracota, a Leo e a Arellys da excursão a Piedras Rojas, o Ronaldo e o Levi da Agência Sol Andino, os viajantes como nós: a Irene, seu filho Dudu, e o Alan. Quanta gente boa e generosa! Obrigada a todos vocês. O Carlos e eu agradecemos.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 5-Lagunas Baltinache

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Lagunas Baltinache

Hoje é segunda-feira, dia 9 de outubro de 2023. Vemos o vulcão Licancabur, o majestoso, estamos no centro da cidade. Na hostal Terracota, antes de sairmos, nos deparamos com as queridas funcionárias Paulina e Yobi, a quem amamos e elas a nós. Tiramos fotos mil e a Yobi nos convidou para conhecer a terra natal dela: Santa Cruz de la Sierra na Bolívia, nos oferecendo hospedagem. Um doce! Também conhecemos em outro momento as suas duas filhas gêmeas.

Estava na hora do almoço e comemos o prato do dia no restaurante de sempre: Delícias de Cañaveral: batatas, salada e peixe reineta por 4 mil pesos chilenos (R$22,39). Ali encontramos um casal de argentinos que estavam excursionando de motorhome, o sonho do Carlos. Estamos em um tipo de jornada que amo: gente diversa, línguas múltiplas, turistas amantes de natureza e muitos papos.

Combinamos com o Ronaldo da Sol Andino Expediciones o passeio às Lagunas Escondidas de Baltinache (na base de 39 mil pesos-R$218,33 e entrada 10 mil pesos-R$56,01). A agência sempre dá desconto quanto mais se compra pacotes com ela e para aqueles de “maior idade”. A entrada para o Carlos foi de 3 mil pesos.

O passeio de hoje será Lagunas Baltinache, Llano de la Paciencia (Planície da Paciência) e Mirador Cordillera de la Sal (mirante Cordilheira do Sal). O transporte virá nos buscar das 13h30 às 14h10 no hostal. O guia se chama Pablo Quesada e o motorista Edwin. São 56 km até lá, a primeira parte da estrada está boa, mas a segunda sofrível. Detalhe: os guias mandam mensagem pelo Whatsapp, ou seja, celular é obrigatório atualmente. E levar água se faz necessário. Não esquecer de se besuntar de protetor solar no corpo.

Meus tênis estão irreconhecíveis de tanto pó. O solado da minha bota descolou, lembram? Sem sapateiro na cidade, fiquei somente com os tênis. Outra informação: gostam muito de colocar bandeiras do Chile em restaurantes, hotéis e casas.

O guia nos informa que há lugares para trocar de roupas, mas não água para tirar o sal. Tomaremos banho em uma lagoa de água cristalina, muito mais salgada que o Mar Morto no Oriente Médio (com água marrom), são 600 g de sal por litro de água, não vivem animais e molhar os olhos na laguna nem pensar. No final há um lanche.

O Pablo nos mostra a Cordilheira da Morte ou Marte, contém sulfato de cálcio, calcário e sal de comer misturados com lítio, magnésio e arsênico. composta de sedimentos, está fechada desde a pandemia de coronavírus. Fica perto dos telescópios gigantes (projeto ALMA), a região com maior radiação solar do mundo. Vemos o vulcão Lascar (5.592 m), ativo, aberto para subir com fumaça de enxofre. São 4 a 6 horas de visita. Também observamos a Cordilheira do Sal, de origem vulcânica, de cor escura.

Entramos em Peine. A estrada é irregular, deve-se ter cuidado com as cabeças para quem estiver sentado ao lado das janelas. A estrada é de piçarra. Estamos a 2.420 m de altitude. O Vale da Lua não tem vida e a laguna Cejar ainda tem plânctons e um pouco de vida.

Há lítio na região. Chegamos ao local. 1 km de caminhada depois da base para banheiros e vestiários para troca de roupa, afinal vamos nos molhar na laguna. Caminhamos pela passarela de pedras, a terra ao lado é de sal branco (sal mais arsênico). A caminhada é feita no sol muito quente. Fui com protetor solar 50, já colocado, chapéus e canga nas costas. Um calor de rachar.

Temos uns 20 minutos para banho na laguna salgadíssima, o máximo permitido. Que experiência única! Não conseguia ficar de pé, o Carlos tinha que me puxar, a gente flutua facilmente, ninguém afunda. A água fria tornou o banho uma delícia. De lá andamos por outro sendero até as vans. O motorista nos molha para tirar o sal na mangueira improvisada. Não se molha o cabelo na laguna, a gente fica branco de tanto sal. Não há propriedades medicinais e nem vida. Após tirar o sal, entramos na van e voltamos à base para vestiários e banheiros. De roupa trocada, seguimos para São Pedro do Atacama, mas antes vimos o Mirante da Cordilheira do Sal e o Llano de la Paciencia.

O contraste da laguna Baltinache com as pedras escuras e sal ao redor e água cristalina é espetacular. Na verdade, são sete lagos salinos de um azul-turquesa, unidos subterraneamente em pleno deserto. O lanche (snack, como chamam) é no mirador/mirante. A paisagem das rochas com as montanhas de pedras, embaixo um rio seco de areia forma um cenário exótico, lindo. O lanche muito bom com variedade de chips, azeitona (picles), bolo, biscoitos, as bebidas pisco sour (amo!), piña colada e suco de pêssego. Maravilhada de estar em natureza tão colossal.

Detalhes da vida cotidiana de São Pedro: na rua principal Caracoles, colocam recipientes com água para os cachorros de rua, que são muitos. E mais: o chileno vive em um país seguro, por isso é confiante. Em uma loja, a vendedora nos deixou sozinhos cuidando do espaço e foi cambiar dinheiro. Algo a invejar do país vizinho.

São Pedro do Atacama, apaixonante. Nosso passeio está quase no fim.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Hoje é domingo, dia 8 de outubro de 2023. O passeio a Piedras Rojas (Pedras Vermelhas) promete ser muito bonito. Como o local é ventoso, temos que nos agasalhar bem. Eu usei meias térmicas por debaixo das calças compridas, gorro, luvas, duas blusas de lã, além do casaco. Um frio daqueles. Pagamos 55 mil pesos por pessoa (R$309,00) e 23 mil (R$129,26) para a entrada no parque. Para maiores de 60 anos, são 17 mil pesos e para chilenos 15 mil.

O micro-ônibus da Andes Travel nos buscou às 6 h da manhã e chegaremos às 17 h aproximadamente.. O motorista é o Enson e os guias Carolina e Duncan. Detalhe: falam muito bem inglês. A Carolina, um doce. O itinerário no folder é laguna Chaxa, Piedras Rojas, lagunas Miscanti e Meñiques, povoados andinos e Trópico de Capricórnio. Na excursão oferecem café da manhã e almoço. E vamos subir até 4300 m de altitude.

Passamos por um conjunto de árvores, algo raro no deserto do Atacama, o bosque de Tambillo. A paisagem é de areia e montanhas no horizonte. Região de pastoreio, há lhamas e ovelhas. Tamarugo é o fruto dessas árvores “tamargueiras do deserto”, usado moído para fazer pão. A água que vem das montanhas abastece a quantidade de árvores, um verdadeiro oásis.

Passamos por Toconao, um povoado de cor branca com mil habitantes, onde existe uma mina de lítio. O nome indígena significa “lugar de pedras”. Segundo o Guia de São Pedro do Atacama do Serviço Nacional de Turismo do Chile, a vila colonial é inteiramente construída com pedras liparitas de origem vulcânica. O artesanato de pedra vulcânica e a agricultura são as principais fontes de emprego pra seu povo. Ele está localizado a 38 km de São Pedro, a uma altitude de 2485 m. As frutas marmelo, romã, limão e laranja são colhidas na localidade. A água que vem da montanha atravessa o vale.

Deixamos o salar (a parte branca de sal) e chegamos ao altiplano. O sol vai surgindo às 7h30. Areia, pedras, poucas árvores de vez em quando. Arbustos baixos. Estamos na Rota do Deserto e vemos Socaire, outro povoado, um assentamento sem municipalidade. O Guia de São Pedro adiciona que se trata de uma pequena aldeia em cujo interior se encontram imagens de antigos tempos coloniais, também tem artesanato de camelídeos (mamíferos da família dos camelos) e lã de ovelhas. A igreja de São Bartolomeu é uma das mais antigas do norte do Chile, logo possui um histórico significativo. Estamos a 3300 m. Há a plantação de quinoa e alfafa. Possui 120 habitantes e foi construído em 1400 pelos incas.

As águas dos lençóis freáticos vêm de debaixo da cordilheira, são mananciais naturais. Eram glaciares 50 milhões de anos atrás. A estepe alto andina é um tipo de vegetação das montanhas. A paisagem é mais verde. Vicunhas (camelídeo andino) e viscachas (coelho roedor) são vistos. Estamos subindo as montanhas. O guia Duncan nos dá uma aula sobre camelos. Há os domesticados: lhama e alpaca (não da região) e os selvagens: guanaco (de face acinzentada) e vicunha (vive nas altitudes e em harém: 1 macho para 15 fêmeas). As vicunhas não atacam as pessoas, não têm vesícula biliar, por isso bebem água salgada, são herbívoros e precisam de sal, buscam água das lagunas e salares.

Paramos para o café da manhã em uma parte que é um rio flutuante, seco no momento. Os guias e motorista montam a mesa ao lado do micro-ônibus em 10 minutos. Que fome! Conheci duas chilenas de Santiago queridas: a Leontina (Leo) e Arellys. O café foi farto: água quente, chá, chocolate e café em pó, de frutas melancia, kiwi e pepino (parente do melão), salame, queijo, pães/croissants deliciosos, geleia de morango, manteiga e guacamole (de abacate). Muito rica a experiência. E com gente de diversos países.

Vemos o vulcão Meñiques de 4200 m. O guia explicou a razão de não chover no Atacama. A região de Antofagasta, do norte do Chile, é a mais ampla e há quatro cordões montanhosos, começando na Patagônia e indo até Nazca no centro-sul do Peru. O quarto cordão montanhoso é a Cordilheira dos Andes, suas paredes naturais não deixam as 60% das nuvens chegarem, então elas regressam ao oceano. Por isso as poucas nuvens. Ou seja, as cordilheiras atrapalham as chuvas. Chove a cada 2 ou 4 anos, 80 mm por dia, nesse verão passado choveram nove dias. A região de Antofagasta ao norte e Magalhães ao sul. As nuvens não vêm do Oceano Pacífico, os ventos alísios vêm do leste para oeste, aí ocorrem as chuvas. Mais ao norte a 500 km de São Pedro se encontra Quillao, onde chove a cada mil anos, portanto é considerado deserto absoluto.

Mais informações: as lhamas são domesticadas desde 2000 a. C. Carregavam 50 k por 40 km, eram usadas para transporte. As “pascanas” eram lugares de descanso para lhamas e pessoas. O povo que vivia na região era os lican anthay, “lican” significando povo e “anthay” terra.

Chegamos ao Salar de Aguas Calientes (ou Piedras Rojas) na Rota do Deserto. Há a base para a banheiros. Depois rumamos ao sendero (passarela) com caminhada de uma hora para fotos, o mirante é lindo. Vemos montanhas, com o salar embaixo. Difícil respirar, tem que caminhar devagar. O complexo vulcânico Meñiques, com formações rochosas de pedras de erupção vulcânica, crateras, cúpulas de lavas e fluxos (até 5910 m). O vulcão Aguas Calientes ou Simba (5924 m) tem lavas e não tem pedras. Os senderos são de pedra, areia e cascalho. Seguimos parando de vez em quando, por conta da respiração até o lago de sal. Boa caminhada sem muito vento, ainda bem. Esperávamos um tempo ventoso. A laguna se alimenta de água submersa a 40º C que passa pela orelha e sai fria. A respiração é bem complicada. O nome de Piedras Rojas é por conta do ferro existente.

Caminhada desafiadora com tanta altitude, sol e roupas pesadas. Começamos a sentir calor e eu sentindo a cabeça doendo um pouco. Na Rota do Deserto, existem as lagunas Meñiques e Miscanti.

O Guia de São Pedro do Atacama nos diz que pertencem à Reserva Nacional de Flamencos. A avifauna é composta principalmente de flamingos, Caitis, tagua-cornudas e guallatas. Das duas lagoas altiplanas, sobressai Miscanti, por seu grande comprimento e largura. Estão localizadas a 117 km ao sudeste de São Pedro do Atacama, a cerca de 4300 m.

Miscanti significa “lugar de sapos”. Sua cor azul e verde é de chamar a atenção. Não se toma banho, tem 15 km². 30 m de profundidade, mescla água salgada e doce. Tem recargas de infiltração de água de chuva do tipo subterrâneo e termal. Sua descarga é subterrânea e por evaporação. Sua superfície congela no inverno com temperaturas abaixo de zero. Chega a -30º C. As lagoas Miscanti e Meñiques se conectam entre si por baixo da superfície. Flamingos, gansos andinos e vicunhas se encontram no local.

Levem folhas de coca para mascar. A altitude nos faz sofrer. Ufa! Viagem para fazer enquanto se tem joelho e pernas bons.

Os parques da região são administrados pelo SOCAIRE, os guardas parques trabalham em turnos e são indígenas. O Duncan nos informou que são os próprios indígenas que administram os parques.

As visitas são rápidas, mais para fotografias. Vale demais. Na laguna Meñiques, vimos vicunhas na água. De tamanho menor e linda igual. Um grupo de franceses estava lá. Europeus e americanos frequentam muito o Atacama. Observamos lhamas na volta, é um alívio estar descendo.

Agora seguimos para ver a placa do Trópico de Capricórnio. Latitude 23º 26´16´´. O guia Duncan esclarece sobre as linhas divisórias do Trópico de Câncer, do Equador e do Trópico de Capricórnio.

Prosseguiremos para a laguna altiplana Chaxa para ver os flamingos. Está no caminho de Peine (aldeia) e não de Calama (cidade). De acordo com o Guia de São Pedro, foi declarado Monumento Nacional em 1982, Peine é um protótipo dos povos abertos atacamenhos. É possível ver pictogramas interessantes sobre a parede de pedra da Quebrada de las Pictographs.

Os flamingos são aves migratórias. Os do tipo chileno e andino viajam pela Cordilheira dos Andes. Os do tipo James vêm da África, não se misturam, são monogâmicos e os encontrados em Chaxa não se sabe se são machos ou fêmeas. Comem microcrustáceos o tempo todo. O Duncan sempre ensinando. Conhecemos a lagoa, mas estava muito calor e lá há uma casa base com banheiros. E nós empacotados de roupas…

A lagoa Chaxa é rasa com sal em uma formação incomum e fauna magnífica de flamingos de cor rosa. Localiza-se a 62 km ao sul de São Pedro. É local protegido e faz parte da Reserva Nacional de Flamencos, conforme o Guia de São Pedro.

Em Toconao, entramos na ponte do mesmo nome. E vimos a Quebrada de Jerez com água embaixo das rochas da cordilheira, estilo Grand Canyon (EUA) em miniatura. Também conhecida como Ravina de Jere, regada pelo rio Toconao. O Guia de São Pedro adiciona que tem um clima especial para a produção de frutas como peras e marmelos. No local há piscinas e flora abundantes, sendo as espécies de plantas mais comuns o “rabo de raposa” e o cacto.

Na volta, almoçamos pela empresa de turismo com a turma legal no restaurante El Diablillo (rua Le Paige, 502) que oferece carne de lhama, guanaco e avestruz. Comemos pratos combinados e fomos tirando as roupas de frio, pois em São Pedro estava o maior calor. O ônibus foi para outro lugar e do restaurante fomos andando para o hotel. Estava com uma dor de cabeça persistente. A simpática chilena Leo me deu um remédio no percurso, porém tive que tomar outro depois, além de um chá de coca no hotel. Motivo? Privação de sono, mudança de clima radical e altitude.

Obs: o Levi da agência Sol Andino tinha razão: o café da manhã foi às 9 h e o almoço quase 16 h, era necessário levar um lanche, levamos bananas, mas não foram suficientes. Não há estrutura de cafés e lanchonetes pelo caminho, e nem banheiros pelo motivo de estarmos no deserto e em lugares protegidos.

Que aventura de uma vida! Passeio imperdível. Deserto do Atacama irresistível.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Dia 7 de outubro de 2023. No café da manhã no hostal Terracota conhecemos a Paulina, cunhada da Sarita (proprietária), que trabalha na pousada também, além da Yobi. Que funcionárias mais queridas: a Yobi e a Paulina.

Fomos ao centro dar uma passeada. De manhã mais cedo é sempre mais fresquinho, o calor vem ao longo da manhã, aí é perigoso estar no sol. Na praça principal (Plaza de Armas), vemos pessoas da cidade vestidas com roupas de folclore indígenas acompanhadas de banda de música a cantar, dançar pela praça e entrar na igreja de São Pedro do Atacama. Era homenagem a um santo, me disseram. Mais tarde saíram em procissão com o padre e retornaram à igreja. Lembrei do sincretismo religioso da nossa Bahia, no caso: cultura indígena e catolicismo.

Detalhes sobre a Igreja de São Pedro: o blog: https://todososrumos.com nos diz que se trata do principal símbolo turístico do povoado. Construída em 1774 pelos jesuítas espanhóis, suas paredes são feitas com adobe e seu teto com madeira de cacto e couro de lhama, no lugar de pregos. O uso de madeira de cactos exibe uma técnica característica dos povos andinos. Foi declarada Monumento Nacional em 1951. Branca como a neve, é localizada na Praça de Armas e é um legado arquitetônico dos antigos colonizadores espanhóis e foi a partir de sua construção que o povoado foi se consolidando. A torre foi acrescentada em 1890.

De lá atravessamos a Feira Artesanal e chegamos ao restaurante Delícias de Cañaveral novamente. Fui repetir o suco de abacaxi (piña) maravilhoso, comi a segunda empanada do dia anterior de tão grande que era, achei que era napolitana, mas era caprese (do Empório Andino). O Carlos pediu comida mesmo.

Foi um sufoco conseguir as entradas para as Termas de Puritama, com águas termais de 28º a 31º C. A combinação com o Levi da agência Sol Andino foi a seguinte: a van nos pegaria entre 13 h e 13h40 no hostal. Ir de tênis ou bota, mas levar chinelo, pois estaremos dentro de uma quebrada. O valor: na base de 60.000 pesos (agência mais a entrada na reserva). Em reais: R$337,20. Ressalto que há desconto quanto mais passeios você compra na agência e pela idade. Detalhe: em São Pedro nossos pisantes ficam cheios de poeira, as roupas também. Todo mundo vestido de roupa de turista, nada chique. O lugar é seguro, depois das 11 h da noite há pouca gente nas ruas, porém no centrinho sempre há movimento. Engraçado que caiu a sola das minhas botas, ainda bem que levei tênis, pois não há sapateiro em São Pedro.

Ás 13h30 a van da agência Lourdes Expediction Spa nos pegou. O passeio é até as 18 h. O motorista Edwin diz que são 45 minutos para chegar lá (uns 30 km). Subiremos de 2400 m a 3400 m. Se alguém passar mal, tem que avisar. Devemos beber muita água, se não desidrata rapidamente. Vimos o cemitério enorme com muro de barro. A cidade é marrom, de tanto muro de barro e ruas de pedregulho e areia.

Vemos o vulcão Licancabur (5950 m) no horizonte, metade no Chile e metade na Bolívia. Estamos a 60 km da fronteira com o país vizinho. O Salar de Uyuni é próximo. Há passeios de 3 dias (somente ida) ou de 4 dias (ida e volta) com carro apropriado para tal jornada.

Na Reserva de Conservação de Puritama, vemos uma placa com nomes de animais em extinção: gato do deserto, gato andino, suri (tipo de ema), raposa colorada ou andina, vizcacha (um coelho grande) etc.

A van chegou no estacionamento, estava concorrido. Descemos por entre as montanhas de pedras, depois por uma passarela de cor vermelha. Descer é fácil, mas subir, socorro! Alcançamos as cabines de trocas de roupas para mulheres e homens separadamente. Cabines muito simples, mais umas casinhas sem portas separatórias. Tinham armários sem chaves, isso foi chato, por isso todo mundo preferiu deixar seus pertences no chão perto da piscina natural térmica. Eram muitas e no chão. Sinceramente, achei muito rústico, mereceria uma estrutura melhor. Penso que não há cafeteria, porque é uma reserva, não há nem onde comprar água. Logo, tem que levar e se preparar. Para quem conhece Pucón, no centro do Chile, e suas termas fantásticas com estruturas elogiáveis, fica decepcionado. O que vale mesmo no local é o banho de águas de 32º C, relaxantes.

Ficamos umas 2 horas na mesma piscina e conhecemos um bocado de brasileiros de norte a sul. Tinha uma minicascata mais adiante, uma delícia. Que frio na saída. A região mais parece um oásis no meio do deserto.

Na volta, o caminho era mais íngreme, e fomos convidados a retornar de carro com o funcionário do parque, nós e outras pessoas mais idosas. Gostei da gentileza. A estrada é de terra de vulcão, escura.

Na van percebemos o vulcão Sairecabur, montanhas ao lado, no mais, vegetação de deserto, tudo bastante árido. Passamos pelo povoado de Guatin onde vivem de fazer queijo e trabalham nas minas lá perto. Os aventureiros fazem trekking por lá na Quebrada (declive de montanha) de Guatin. Deve ser um passeio lindo para ver cactos gigantes e pequenas cachoeiras emmeio à natureza do deserto.

O motorista nos deixa na rua Caracoles e de lá rumamos ao Rincón del Sal para a nossa sopinha crema de verduras.

Mais passeios em breve… Piedras Rojas, um local fabuloso.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Dia 04 de outubro de 2023. Saída de Fortaleza a Guarulhos (São Paulo). Saímos às 15h45, mas só chegaríamos em São Pedro do Atacama ao meio dia do outro dia.

Dia 05 de outubro de 2023. Guarulhos (SP)-Santiago do Chile, de lá a Calama. Que viagem! Por motivos de greve de terceirizados, atrasou em Fortaleza e em Guarulhos, por isso a LATAM mudou nosso voo para Calama (norte do Chile), melhor. Em Guarulhos, no setor internacional, implicaram com minha almofada de gel, quase não me deixaram passar. Sempre viajo para ficar mais confortável. Em lugar nenhum isso acontece, fiquei perplexa. De Guarulhos a Santiago, serviram frutas, chocolate e um sanduíche de frango, melhor do que o usual servido nacionalmente. É bom levar lanches, pois sentimos uma fome danada em avião.

Em Santiago, no aeroporto Arturo Merino Benitez, saímos do Terminal 2 (internacional) para o 1 (nacional). A mala do Carlos foi direto para Calama, o que nos deu um susto. Ainda bem que um funcionário em Santiago foi desenrolado e nos informou corretamente sobre a bagagem. A minha chegou em Santiago, logo tive que fazer o check-in da mala, despachá-la e passar pela alfândega, logo entramos na fila de checagem. Corremos para alcançar o balcão 27 do T1. Como brasileiro sempre conversa e se ajuda, conhecemos ali mesmo os paulistanos Irene e seu filho Dudu, e o Alan que viajava só. Rapaz jovem corajoso na sua primeira viagem internacional. Todos nós ansiosos pelo deserto do Atacama. O Carlos na sua segunda estada lá. Detalhe: não deu tempo para comer nada, somente tomar um suco de pêssego. Todos os voos lotados, incrível, em plenas quarta e quinta-feira. No voo para Calama o lanche foi gostosinho, mas com muito sal e calórico, da marca Tribu: suflês veganos com farinha de grão-de-bico, feitos com pasta de amendoim e com sal do mar. Fazer o quê? Comer. Em suma: Fortaleza-Guarulhos: 3h15 de voo; Guarulhos-Santiago do Chile: 4h24; Santiago-Calama: 2h44, ufa!

Chegados a Calama, província de El Loa na região de Antofagasta, que é uns 100 km de São Pedro, fomos logo ao guichê da TRANSVIP, o transfer que havia consultado antes pela internet. Ida e volta por 25. 800 pesos chilenos (R$138,55). Pagamos em dinheiro (havíamos comprado uns pesos em Fortaleza para garantir). Deixamos a volta combinada para o dia 11 de outubro e nos pegariam às 5h15, cedo demais, mas era o jeito. Detalhe: em São Pedro o melhor a levar é dólar. Trocam reais também.

Pegamos o transfer e lá vou eu prestando a atenção ao caminho, Calama é a terra do sol e cobre. Estamos no deserto, tudo é muito claro e árido. Não há vegetações. Vejo casas coloridas e prédios altos. A cidade é espalhada. Por conta de São Pedro, muitos estrangeiros passam por ela. Há parque de usina eólica e solar por aqui. As outras localidades da região do deserto possuem nomes indígenas: Tocopilla, Paco Sico, Toconao. Estamos na estrada CH 23, bem sinalizada e de boa qualidade.

A van nos deixa no hostal em São Pedro do Atacama, que não tem placa: Terracota (Tocopilla, 517). Descobri no Booking.com, preço razoável e lugar promissor. Amamos à primeira vista, é um sítio com plantas, árvores, gatos e cachorro. A simpática funcionária Giovana ou Yobi e a proprietária Sarita nos deixam à vontade, pagamento, só depois com calma. A Yobi nos mostra a cozinha e fala sobre o café da manhã. Há chás em sachês, extratos secos ou em folhas na mesa sempre a postos, inclusive o de coca, muito útil por conta da altitude (estamos a 2500 m), pois ameniza a falta de ar e o cansaço. E a água é livre, uma dádiva, uma vez que tomamos muita, por conta da secura do deserto.

Além de cansados demais, estávamos esfomeados. Sinceramente, não vale a pena ir direto, valeu pela experiência de saber que não faremos isso novamente. Melhor, passar um dia ou dois na capital Santiago na ida ou na volta.

Deixamos a bagagem no quarto e saímos para almoçar, eu estava passando mal de fome. O hotel é muito bem localizado, perto do centrinho. A cidade é pequena. Descobrimos o Café Adobe Restaurante, na Caracoles, 211 (com calle Tocopilla). Excelente, comida fina, de chef: frango, molho de tomate e purê de batata especial, além de suco de morango. Encontramos a Irene e Dudu lá. Salve! Na rua Toconao, muitas casas de câmbio. La Llamita, loja de lembrancinhas ali perto.

O povo da terra, percebe-se, é descendente dos indígenas atacamenhos. São Pedro é peculiar, nunca vi lugar igual, é exótico. As ruas de areia, turistas mil. Muitos brasileiros. Se anda a pé, tem uma farmácia, mercadinhos, sorveterias, lojas mil, restaurantes, gamei total. As casas são baixas, têm cor ocre, a cidade tem cor de barro. Muito interessante. O clima de deserto é diferente: de dia muito calor, o sol forte e à noite, frio. Como era outubro, estava suportável o calor e agradável o frio.

Á tarde, “desmaiamos” de tão exaustos. Já à noite, fomos passear. Descobrimos em frente ao Café Adobe, o Rincón del Sal (Caracoles, 218) com opções de comidas, pizzas e… sopa! Crema de verduras por 4500 pesos (R$24,16). A vida é noturna, as ruas ficam vivas, o clima mais suave, achei similar à night de Jericoacoara e Canoa Quebrada no Ceará.

Há de se tomar muita água, pois estamos no deserto mais seco do mundo. Umidade de 10%, é bom evitar carne vermelha, frituras e álcool à noite. E proteger os lábios. Deram a dica de comprar Blistex na farmácia.

Já chegamos a São Pedro com a dica de uma agência de turismo. Obrigada, Sandra Ximenes e Max Krichanã. Sol Andino Expediciones na rua Caracoles, 362. O brasileiro Levi e o colega boliviano Ronaldo, muito solícitos. Ganhei um chip do Chile do Levi, o que se mostrou muito válido. Todas as combinações de turismo são feitas via Whatsapp ou telefonemas. Aliás, muitos bolivianos trabalham lá, é cerca da fronteira com a Bolívia. Na agência, fizemos logo as combinações para os passeios. Muitos viajantes já vão com tudo pago, mas nós gostamos de decidir no momento da chegada. Compramos o passeio ao famoso Valle de la Luna, (Vale da Lua) das 15h45 às 19h30. Eu paguei 40 mil pesos chilenos (R$215,64) e o Carlos 35 mil pesos chilenos (pela idade: R$187,74).

Não resisti a um sorvete na Heladería Babalú (Caracoles, 140) e fiquei encantada com tantos sabores originais: rica-rica (erva com propriedades calmantes), flor do deserto (flor), laranja com gengibre, pera de Páscoa, banana com amora, laranja com cenoura, selva (floresta) negra, frutos vermelhos etc.

São Pedro do Atacama cativa desde o início.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Cambará do Sul-Cânion Itaimbezinho

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Cambará do Sul-Cânion Itaimbezinho

Hoje é quarta-feira, dia 12 de abril de 2023. Estávamos no café da manhã às 7 h, pois às 7h30 era para estar em frente à Brocker Turismo (Avenida das Hortênsias,1845). O ônibus com um bom grupo e a guia Rose. Penso que ela poderia ter falado mais sobre a região, sempre aprendo muito com os profissionais de turismo. O motorista Robson/Sorriso. Ganhamos uma sacochila linda da agência de turismo e já inauguramos. No cânion se sente a presença de Deus, a energia da Natureza com toda a sua intensidade, segundo a Rose.

Vamos à cidade de Cambará do Sul, com 6500 habitantes. Estamos dentro dos Campos de Cima da Serra (gaúcha). A altitude é de 1031 m acima do nível do mar. Está entre as três cidades mais geladas do Brasil. Enquanto na capital do estado Porto Alegre está 27º C, em Gramado 20º C, em Cambará 17º C. São dois meses de calor e o restante frio.

A partir da padaria de Cambará ficamos sem sinal de internet. São 18 km de chão duro, carroçal e é uma RS-429! Uns 35 a 45 minutos. Estaremos no Parque Nacional de Aparados da Serra e o cânion Itaimbezinho é o visitado, tem cânions com profundidade de 1000 metros. Possui 13.141,05 hectares e perímetro de 63 km. Na primeira trilha a estrada é de chão, são 6 km de caminhada (3 de ida e 3 de volta). Faz calor. Cada um com seu ritmo, mas não é um passeio para qualquer um, uma vez que exige esforço físico. A guia fica com o último. A segunda trilha é de 1 km e meio. O almoço é um piquenique oferecido pela agência debaixo de árvores na sede/ponto de apoio.

Passamos por Canela, São Francisco de Paula e chegamos a Cambará do Sul. São 2 h de Gramado até a cidade aproximadamente (113 km). Existe a Rota dos Aparados, vi um grupo de peregrinos com bastão em Gramado. Há pórtico de entrada nas cidades de São Francisco de Paula e Cambará do Sul. As cidades da serra são sempre graciosas.

Chegamos a Cambará do Sul. As casas são espalhadas, há pousadas diversas e casas de madeira coloridas, típicas da região. Igreja da praça com termômetro. Na padaria e confeitaria Dois Irmãos, descemos para pastéis. A proprietária dona Susana é uma simpatia. Pedi pastel de pinhão (semente da araucária, comum na região), suco de laranja e café.

Pelo caminho se veem as árvores pinheiros e araucárias, região pródiga em verde e beleza. No ônibus chacoalhamos muito, é uma aventura. O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) controla o parque que é concessionado. É território aspirante a Território Geoparque Mundial da UNESCO (Caminhos dos Cânions do Sul), está escrito em uma placa.

Vamos às trilhas. Com azaleias e muito verde. Mirante do Cotovelo e mirante da Proa do Navio (o ponto final da trilha), estamos nos 3 km de trilha. O mirante do Urubu, embaixo do cânion é o estado de Santa Catarina. Tanto que pode chegar no local do estado subindo por Praia Grande (SC-450). O cânion Fortaleza, dizem ser o mais bonito, mas é difícil chegar lá. O Itaimbezinho é grandioso, foi um sonho realizado. As fotos do cânion ficam espetaculares com sol.

Fazemos o piquenique na sede/ponto de apoio: cuca (um tipo de bolo de origem alemã), sanduíche, maçã verde e suco de uva. Uma experiência diferente. Depois, mais caminhadas. Mirante da Cachoeira, das Andorinhas, do Véu de Noiva, do Vértice. A última trilha vai até a cachoeira, passa por uma porteira e segue na trilha. Eu não fiz, o Carlos foi. Estava um sol de rachar por ser pós-almoço.

O ponto de apoio tem cafeteria, lanchonete, loja de lembrancinhas: camisetas, ímãs, chocolates caseiros, geleias, muitos produtos em madeira, enfim, produtos da região. Os produtos valem a pena.

Na hora de partir, a guia tinha combinado um local, fomos para lá e o ônibus estava em outro, e a gente andando pra lá e pra cá. Pode? Na volta paramos na padaria Dois Irmãos novamente para banheiros e algo mais. Os doces de brigadeiros e tortas como Marta Rocha foram tentadores. Os doces do Rio Grande do Sul são de sonhar acordado.

Ao chegar, ficamos no hotel, foi um dia completo, porém cansativo. Tomamos sopa de alho-poró com requeijão no hotel.

Prosseguiremos em breve… Gramado tem muito a oferecer.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-segundo dia-segunda parte

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-segundo dia-segunda parte

Hoje é terça-feira, dia 11 de abril de 2023. Continuamos o passeio pelo BUSTOUR, o double-decker gramadense. Gramado surpreende pelo seu tamanho, há muito a ver.

Parada 26: Mirante Belvedere. Ponto turístico com neblina no momento, fenômeno típico da serra gaúcha. Passamos por muitas lojas de móveis renomadas no Brasil: Masotti, Sierra Móveis etc., além de variadas opções de lojas de malharia e sapatos.

São tantos os festivais na região serrana: Festival de Cinema de Gramado, Natal Luz de Gramado, Sonho de Natal de Canela e outros mais. Aliás, a serra gaúcha é composta de outras cidades, como Nova Petrópolis, Bento Gonçalves, Carlos Barbosa, Antônio Prado (considerada a cidade mais italiana do Brasil), dentre outras. A serra tem influência predominante dos imigrantes alemães e italianos que chegaram no local no final do séc. XIX. Antes, no séc. XVIII foram os portugueses das ilhas dos Açores e da Madeira os primeiros a chegar nas serras gaúcha e catarinense. Ainda tem a influência da cultura gaúcha, ou seja, é uma região rica e variada.

Parada 27: Chocolate Prawer. Primeira fábrica de chocolate artesanal do Brasil. Uma atendente da loja nos deu amostras grátis do chocolate no ônibus. Gostei. Parada 28: Exceed Experience Park, o mais moderno parque de games das Américas, localizado na Avenida das Hortênsias, 4510.

Parada 29: Reino do Chocolate Caracol. Espaço temático que mostra a origem do produto desde 1500 a. C., e proporciona uma aventura incrível por salas/museus, tendo o chocolate como protagonista. Possui cafeteria e uma enorme loja, conhecida como a Sala dos Tesouros.

Prosseguimos na Avenida das Hortênsias entre Gramado e Canela. Encontramos no caminho um monumento com as letras esculpidas em madeira: Canela: paixão natural. Boa para fotos, mas há de ter cuidado por conta do movimento de carros na rodovia.

Detalhe: já compramos no ônibus o passeio para os Bondinhos Aéreos: paguei R$80,00 e o Carlos: R$40,00 (maior de 60 anos).

Parada 30: Mundo a Vapor. Vale a pena conhecer, já estamos em Canela.

Parada 31: Museu do Automóvel. Apresenta a evolução dos automóveis de 1920 até hoje. Tem Cadillac 1959, Rolls-Royce 1979, minicarros etc. Também é válida a visita.

O Palácio das Hortênsias também chamado de Solar das Hortênsias foi inaugurada em 1954 à época do governador Ernesto Dorneles como a residência oficial de verão do governador do estado. Vários eventos oficiais importantes ocorreram lá. É um parque e está localizado na av. José Luiz Correa Pinto, 915.

A antiga ferroviária de Canela virou complexo turístico: a Estação de Campos de Canella. Virou centro gastronômico e comercial, e abriga locomotiva revitalizada. Dentro da estação se encontra o parque temático Big Land de brinquedos interativos gigantes. A Catedral de Pedra Nossa Senhora de Lourdes, de 1953, uma das Sete Maravilhas do Brasil, é situada na praça Matriz. A torre tem 65 metros de altura e 12 sinos de bronze, a catedral tem estilo gótico inglês e é revestida de basalto.

Até o prédio da prefeitura tem jardim florido, uma lindeza. Aqui tem Zona Azul (aplicativo de pagamento de estacionamento rotativo).

Parada 1: Catedral de Canela. Troca de monitores no ônibus. Loja BUSTOUR. A cidade era concentrada na região de Banhado Grande onde se situa o Parque do Caracol. Nos anos 50 acabou o ciclo da madeira, então o turismo mostrou a sua fundamental importância desde os anos 60. O nome da cidade de Canela vem da árvore “caneleira” que dava descanso às pessoas.

Parada 2: Saída Centro de Canela. 7 km até o Parque do Caracol. Canela Paixão natural, uma boa propaganda essa, aparece bastante.

Parada 3: Terra Mágica/Florybal/Parque Vale dos Dinossauros. Museu do Caminhão.

Parada 4: Parque do Caracol. Lá viveram os imigrantes, chegados ao Brasil, e os veranistas que vinham de férias. Caracol: nome do arroio (regato) que passava pelas terras. A terra foi desapropriada pelo estado a fim de se construir o parque. Cascata do Caracol com um a queda livre de 131 metros e é a principal atração turística. Museu Egípcio de Canela.

Parada 5: Bondinhos Aéreos. Quem vai para os bondinhos e Skyglass (mirante envidraçado), troca de ônibus. Vamos aos bondinhos, descemos do ônibus e vamos para a entrada. Dois horários para a volta do ônibus: 12h40 ou 13h10. Nos Bondinhos Aéreos cabem 6 pessoas. Estação 1: lojas; Estação 2: Animal. Mirante, trilhas, natureza, Trilha ecológica, espaço com esculturas que falam: são animais feitos de madeira, bom para crianças se divertirem. Estação 3: Cascata do Caracol. Mirante. Fotos daquelas tiradas por fotógrafos do parque. Vale a pena pela beleza do Caracol. No mais, é simples. Ainda há o Eagle (de tecnologia norte-americana, sendo uma cadeira suspensa, presa por cabos de aço, que simula o voo de uma águia a 180 m de distância e cabem duas pessoas) e a tirolesa para os mais aventureiros. Deve provocar uma sensação incrível o passeio. Não fomos ao Skyglass, a plataforma estaiada de aço e vidro que avança 35 m sobre o Vale da Ferradura e tem 360 m de altura. Também não fomos ao Abusado, plataforma de vidro com 10 cadeiras suspensas que passeiam sobre o Cânion, se anda a 360° preso pela cintura embaixo do Skyglass. Uau! Realmente fantástico! Um baita de um empreendimento. Fazem um trabalho ecológico de pássaros e animais nativos muito consistente, mostram a foto e algo escrito sobre eles. Parabéns, Parque do Caracol.

Ser turista nos proporciona conhecer pessoas agradáveis pelo caminho. Sempre muito bom. No caso, uma família de São Bernardo do Campo-São Paulo.

Trocamos de ônibus em frente ao Parque do Caracol. Ainda em Canela, mas no caminho a Gramado. Passamos pelo Parque Temático Mundo Gelado, primeiro parque de gelo da América Latina, onde há um helicóptero dos Marines (fuzileiros navais americanos) para fotos. Castelinho do Caracol, casa de chá e oferece uma torta de maçã conhecida (a apfelstrudel). A árvore araucária é símbolo da região. É considerada “majestade”, os pássaros e humanos se alimentam das suas sementes: os pinhões, era usada na construção civil, não mais.

No Parque do Pinheiro Grosso existe uma espécie de araucária remanescente da floresta nativa, com 45 m de altura. Museu da Moda e dos Beatles. Chegamos a Gramado, uma cidade interligada a outra. Café Colonial Gramado.

Hora do almoço. Decidimos pelo restaurante buffet ou no kilo Pouso Novo na rua Garibaldi, 320, atrás da Rua Coberta. Dica do meu irmão Ricardo. Preço mais em conta, lembrem-se que Gramado é caro demais. R$99,00 o kilo. A comida é farta e boa. Gostei da torta de maçã. Amo! Fiquei refletindo como seria a vida do morador de Gramado com tanta carestia. Aí descobri: quem vive na linda cidade paga bem menos do que o turista, está explicado!

Fomos à loja da Brocker Turismo (Avenida das Hortênsias, 1845) comprar o passeio do dia seguinte: Cânion Itainbezinho. Depois passeio pelo centro. Como é gostoso andar por Gramado.

Para o jantar, ficamos no Sky Centro Hotel & Spa mesmo, à noite há buffet de sopas: 3 sopas com salada por R$39,00, porém preferimos uma sopa somente por R$22,00. Escolhi a típica sopa italiana de capeletti e o Carlos um goulash (tomate, carne, batata e páprica) na pizzaria do hotel La Bella Notte. Conhecemos outra turista gaúcha, moradora no Rio de Janeiro, Marli. Muito bom papo. Aquele abraço! Antes da sopa, fomos a uma loja de conveniência do posto de gasolina ao lado do hotel e encontramos uma cearense de Acaraú chamada Leila. Muitos nordestinos trabalhando na região. Achei ótimo.

No dia seguinte, visita a um lugar imperdível: Itaimbezinho. Em breve…

Carnaval em Maceió-2023-Passeio a São Miguel dos Milagres-quarto dia

Carnaval em Maceió-2023-Passeio a São Miguel dos Milagres-quarto dia

Hoje é dia 20 de fevereiro de 2023, o passeio de hoje é em direção ao litoral norte, na AL101 Norte, só duplicada no início, no rumo de Sonho Verde, São Miguel dos Milagres, Maragogi e Porto de Galinhas em Pernambuco. Vamos conhecer a praia de São Miguel dos Milagres e fazer passeio de bugre pela cidade.

Mas antes falarei sobre o café da manhã do hotel Acqua Inn. Dentre tantas iguarias, macaxeira cozida e bolo de tapioca. Amo! Saímos correndo, pois o ônibus da WS/CVC nos pagou às 6h45 para mais um dia de lindas praias. Detalhe: tudo muito organizado.

Fico observando a orla de Maceió. Há placas dizendo: “a praia e nossa, o lixo é seu”. Algo básico, mas que deve ser dito. Lá estão os garis limpando a praia às 7 h da manhã. As paradas de ônibus são de madeira, bem ajeitadas.

O litoral é todo coqueiral. Belo. A guia Andréa é a mais completa dos guias em informações. O motorista é o Rinaldo. Interessante que todos os guias agradecem a Deus e falam na graça de estarmos vivos.

Passamos por Jacarecica, praia de mar aberto sem a barreira natural de arrecifes. O nome Jacarecica significa “o melhor pedaço do jacaré”. Vemos um calçadão novo, casas simples, prédios da década de 80. Chácaras fechadas para um lado com área verde, condomínios fechados para o lado da orla. A casa do notório PC Farias é avistada. A praia de Guaxuma, área nobre, ainda vai crescer muito. O SESC Guaxuma se situa no local. Os pescadores vão para alto-mar, há comércio, condomínios fechados na praia da Garça Torta, lá existem piscinas naturais. A região é tranquila. Os guias usam uns termos coloquiais que não conhecia, por exemplo: “passa a régua”, ou seja, pára o assunto.

Continuamos por Riacho Doce, onde o escritor José Lins do Rego se inspirou para escrever sua obra Riacho Doce, publicada em 1939. Terra de manguezais, fazem bolo de macaxeira, os pescadores vão para alto-mar. Praia de Pratagy que significa “nas águas da tainha”, o resort Pratagy Beach promete, do tipo all-inclusive; praia da Sereia, onde há a estátua da Sereia do mesmo pernambucano que esculpiu a estátua de Iracema aqui em Fortaleza: José Corbiniano Lins. Na barreira de corais há de se cuidar, pois existe um buraco onde alguns já se afogaram. Os nativos bebem muita cachaça Pitu, o uísque deles.

Ali, no povoado de Pescaria estão manguezais e há a coleta do caranguejo. O rio do mesmo nome tem cor barrenta, escura, o mar entra no rio e alimenta os manguezais. Mais nomes: Maragogi quer dizer “rio dos maracujás” na língua indígena e Aracaju “cajueiro dos papagaios”. Sempre aprendendo.

O afamado Hibiscus Beach Club se localiza na praia de Ipioca, distrito de Floriano Peixoto. A Costa dos Corais vai até Tamandaré em Pernambuco. Outro hotel mencionado foi Salinas de Maceió e o Ipioca Resort está em construção. A região é um paraíso.

Antes de São Miguel, cruzamos Passo de Camaragibe com uma estátua de Padre Cícero na praça. Nesta localidade nasceu Aurélio Buarque de Holanda, formado em Recife-Pernambuco, é dicionarista mor da língua portuguesa, nosso orgulho. Passo era o rio usado por quem vinha da Capitania de Pernambuco, já que Alagoas fazia parte. Na entrada da rodovia que dá para Passo de Camaragibe, há a estátua de um dicionário com a foto de seu autor. Bonita homenagem. A região é de fazendas e usinas. Tudo verde, terra úmida e abençoada. Gado e cavalos mil. Houve alagamento na região em 2022.

Enfim, chegamos a São Miguel dos Milagres. A guia já nos conta a lenda local: um pescador doente encontrou uma imagem de São Miguel e se curou. Logo, o santo foi lavado na fonte de água pura da cidade. A fonte é visitada e a capela de São Miguel na gruta ao lado também. As casinhas são coloridas, baixinhas, do mesmo estilo, o lugar é de paz e tranquilidade. Os terrenos estão encarecendo, muitas construções a caminho, lastimo que muitos coqueiros irão embora.

Ficaremos no ponto de apoio pousada Recanto dos Milagres, com ficha. E devemos fazer a reserva do almoço antes de sair para a praia. A praia é plana, com manguezais do lado direito e esquerdo. A água é turva e a maré ideal para os passeios. Vamos por R$75,00 por pessoa fazer um passeio de jangada até a piscina natural. 1 h e 30 minutos de vida boa. Se quiser, usar o snorkel, pode. Nós preferimos não usar e ficar se deliciando com os peixinhos. Há muito movimento com barcos na praia, gente e música.

Vamos ao passeio de jangada. Vão até 8 pessoas. A praia tem água escura, mas em alto-mar se torna transparente. O mar verde fica raso nas piscinas naturais. O lugar é mais amplo do que o de Maragogi e tem menos gente. Bastante gostoso. Os peixinhos sargentinhos dão o colorido, a areia com pedrinhas é chatinha de andar, mas dá certo. Pode caminhar com chinelos. O sol, o mar, o calor, tudo tão tropical. Delícia. O local se torna mais privado, gostei.

Ao voltarmos já engatamos o passeio de bugre. Mais 1 h e 30 min., R$ 60,00 por pessoa. Atravessamos São Miguel com o bugreiro Gabriel e um casal do Rio de Janeiro (Orlando e Núbia, comerciantes). Aí ele começa contando a lenda com outro detalhe: o pescador tinha lepra e se cura com a imagem de Miguel Arcanjo. Quem nasce lá é milagrense. São 8 mil habitantes, a economia é baseada no comércio e turismo. Vemos a praça Nossa Senhora Mãe do Povo com a paróquia do mesmo nome. Mais prefeitura, centro administrativo, o bairro Povoado Porto da Rua. A cidade é bem espalhada.

Prosseguimos com a primeira parada: a visita à casa simples do casal sensação dona Hilda e o senhor Conconha. Casa de taipa com vendas. A d. Hilda está famosa, já saiu em revista de companhia aérea. Ela merece, abraça todo mundo, é uma figura doce. Tiramos fotos da casa, do coqueiral. Oferecem cafezinho, amam conversar. Lá o Carlos encontrou os biscoitos conhecidos de Maragogi e comprou. Recomendo.

O modo de vida dos nativos é descomplicado, todo mundo se conhece. Vejo umas pousadas atraentes pelo caminho: Corais dos Milagres, Brisa dos Milagres, e muitas outras.

Segunda parada: na fonte milagrosa e na gruta com a imagem de São Miguel ao lado das torneiras com a água curadora. Muita gente da cidade pega água lá. Tomamos água, com certeza e rezamos a São Miguel.

Terceira parada: no alto da cidade no Mirante do Cruzeiro. Existe uma árvore peroba branca de 300 anos no local. O visual vale a pena. É um marco histórico. Na descida passamos pela paróquia Nossa Senhora Mãe do Povo novamente, fundada entre os séculos XVII e XVIII, que está em reforma no momento. No alicerce foram usados corais do mar. Muitas lojas de artesanato ao redor. Passamos pelo distrito de Riacho, pela Capela dos Milagres, particular, e logo pela praia dos Marceneiros, pertencente a Camaragibe.

Retornamos após tirar umas fotos. Chegamos para o almoço na pousada/restaurante Recanto dos Milagres. Filé de peixe grelhado, servido com molho de manteiga, alcaparras, cogumelos e acompanhando arroz à grega e batatas souté por R$115,00. Muito bom. No restaurante conversamos com um casal de Passo Fundo-RS, deram mil dicas de Santa Catarina. Obrigada, Giovani e Elizete.

A cidade toda tem placas escritas Milagres, lojas, restaurantes, pousadas, uma graça. Passeio aprovado, papo bom, guia espetacular. No ônibus da WS, sacos de lixo em cada assento, gostei. Da próxima vez quero conhecer Sonho Verde onde está a afamada praia de Carro Quebrado. Dizem ter boa estrutura.

À noite jantar/lanche no supermercado Palato, pra variar. Em cada cidade, escolho um lugar como meu. Aí vai: crepioca de frango e muçarela, salada de frutas com iogurte e cereais, vou sentir falta. E café com leite, minha marca registrada, estava saudosa. Ainda há mais: no segundo andar há uma loja de casa e decoração de muito bom gosto e no terceiro andar o café/restaurante com muitas opções de entradas, pratos principais e sobremesas. Lugarzinho elegante.

Maceió irresistível! Apaixonante! Pena a viagem estar quase acabando…