Peru surpreendente-ida a Cusco-dia 5

Peru surpreendente-ida a Cusco-dia 5

Hoje é quinta-feira, dia 9 de maio de 2024. Estamos em Lima no café da manhã do hotel Ibis Lima Reducto Miraflores: batatas crocantes, pães com anis, frango ao molho, sucos tropicais de mamão, melão e abacaxi e muito mais. Sempre excelente.

O transfer estava garantido. O Roberto da Condor Travel (pacote da CVC) nos pegou e vamos acompanhando a movimentação da cidade. Estamos em São Miguel a caminho do aeroporto. Vemos mototáxis em certos bairros, em outros como Miraflores, Barranco e San Isidro não são permitidos. Também existem triciclos para levar duas pessoas atrás como transporte, nunca vi algo igual. São encontrados perto de mercados. A polícia é nacional como no Chile: carabineros. Um vai e vem intenso de pessoas e carros.

Chegamos ao aeroporto internacional de Lima: Jorge Chávez. O trabalho do Roberto ótimo, daqueles que resolve tudo, amei. Muitas máquinas para check-in, porém vi guichês com gente, ainda bem. Gosto é de gente mesmo. Lá comemos empanada de frango com salada de frutas no 365 Deli por 24 soles PEN (R$36,92). Melhor viajar guarnecido.

Na chegada a Cusco, uma hora aproximadamente depois, o Oscar do transfer nos espera no aeroporto Tenente Alejandro Velasco Astete. A chegada é por um bairro mais popular, parece a Rocinha do Rio de Janeiro na montanha. Casas simples no tijolo à vista. O Oscar vai nos dando dicas da ida a Machu Picchu no dia 12 (domingo). Detalhe: deixamos tudo pago em Fortaleza-CE. O clima de 24° C no máximo. Levar passaporte e repelente, a saída às 5h15 da manhã. O trem sai às 7h45 e desce até Águas Calientes, 9 km de distância até o sítio arqueológico, 14 horas totais de passeio com almoço, no local famoso, umas 3 h. Retornaremos para a estação Machu Picchu às 17h40. O Google nos informa que Águas Calientes, também conhecida como Machu Picchu Pueblo, é um pequeno povoado, situado no fundo do vale abaixo de Machu Picchu. É a última parada do trem antes da subida ao mais famoso sítio arqueológico do Peru.

Em Cusco (ou Cuzco) adentramos o Tampu Hotel Boutique (av. Sol, 341-centro, a 200 m da praça principal) às 15h45. Oscar simpático! O Centro Histórico é outro capítulo! Vamos no chá de coca. Não há elevadores por aqui, tudo tem que ser devagar, já que a altitude não brinca. Altitude: 3400 m. Atendente: Bernard. Muitas agências de turismo e casas de câmbio perto. O hotel é em frente à Universidade Andina Del Cusco. Calçadas de pedra em estilo colonial, com prédios baixos, estamos bem localizados.

Cusco-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Via movimentada, estamos na avenida El Sol, com comércio, lojas, floricultura. O Palácio da Justiça com bancos para sentar na calçada, uma delícia. Lindo. Plaza Mayor, a praça principal, bela, impressionante. Restaurantes ao redor, paramos para uma sopa: canja. Servida com um pão (tipo biscoito) quentinho acompanhado de margarina no Plaza Café a fim de se adaptar. No primeiro dia em Cusco é saudável tomar à noite uma sopa dietética de frango. Estamos sem pressa. Enfim, provamos o famoso refrigerante Inca Kola (desde 1935), um guaraná bem leve.

Infelizmente, não basta só no Brasil, até aqui tem brasileiro no restaurante falando alto ao telefone em vídeo para todos ouvirem. Que vergonha!

À noite estava com dor de cabeça na frente e atrás, parecia uma sinusite. Tomei Dorflex e fui dormir.

No dia seguinte, a continuação de um sonho.

Peru surpreendente-Museu Ouro do Peru e de Armas do Mundo-Lima-dia 4

Peru surpreendente-Museu Ouro do Peru e de Armas do Mundo-Lima-dia 4

Hoje é dia 8 de maio de 2024, pela manhã estivemos no distrito de Barranco e prosseguimos com a visita a um museu imperdível no bairro vizinho chamado Surco. Por 20 soles PEN (R$30,95), fomos com o taxista Marco António, bom de prosa. Ele nos contou que o prefeito da municipalidade fica 4 anos no poder e o de bairros de Lima fica 5 anos, podendo se reeleger.

Estamos longe de Miraflores, em uma área residencial com condomínios fechados, um bairro enorme. Chegamos ao museu bem conhecido: Museo Oro del Perú y Armas del Mundo. 30 soles PEN para sênior. Segundo o Google, é um museu arqueológico e militar sediado no distrito de Santiago de Surco. Foi criado na década de 1960 a partir da coleção privada do empresário e diplomata peruano Miguel Mujica Gallo. O blog Viagens Machu Picchu destaca que o museu detém um extensa coleção de peças de ouro e prata que foram rastreadas até as culturas pré-colombianas. Adiciona serem histórias de civilizações milenares como a Moche, Sipan, Mochica, Lambayaque e Chimu as quais viveram no Peru entre os séculos III e XV, muito antes dos Incas.

Colares em exposição no Museu Ouro do Peru e Armas do Mundo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Vamos conhecer? Vasos, fragmentos de ouro e prata, estilo Lambayeque, de 700 a 1350 d. C. E pulseiras e colares, eram povos mineradores. Faca cerimonial: Tumi, da cultura Chiribaya, de 1100 a 1450 d. C. da costa sul do país. Narigueiras de ouro, estilo Moche, de 100 a 700 d. C. Objetos, estilo Vicús, de 200 a 600 d. C. Colares incríveis e argolas, estilo Frias, de 300 a 500 d. C. Estilo Nazca, de 200 a. C. a 600 d. C. Fragmentos de borda tridimensional, representações ornitomorfas (aves) e fitomorfas (vegetais). Ponchos ou UNKU com lâminas de ouro. Cerâmica, estilo Chancay, de 1300 a 1450 d. C. Esculturas em forma de garrafas. Múmias em posição flexionada da costa sul do Peru. Múmia com três crianças. Um colar com contas de marfim, pérolas e ouro, colonial. Belo. De artesãos da costa norte. Do mesmo local, instrumentos musicais feitos de osso animal.

É tanto ouro que o museu é uma caixa forte. Colher de cobre com desenhos geométricos na alça, estilo Inca, de 1450 a 1532 d. C. O império Inca abarcou os atuais territórios do Peru, Colômbia, Equador, Bolívia e Chile.

Ademais, cântaro com galette escultural, estilo Moche, de 100 a 700 d. C. Lindo. Vemos instrumentos de agricultores e de pescadores: remos, timões, arpões.

No primeiro andar, armas mil de várias épocas, pertencentes a diferentes presidentes, binóculos, relógios, roupas militares, condecorações. Armaduras, rifles, peças de artilharia, de 1862, usadas na Guerra da Secessão americana (1861-1865). Armaduras medievais do séc. XV, adagas venezianas dos séc XVII e XVIII, e muito mais. De cair o queixo.

Armaduras samurais no Museu Ouro do Peru e Armas do Mundo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

A espada de Alexandre I, czar da Rússia (1812) está presente. Espadas samurais dos séculos XVI, XVII e XVIII do Japão. A história deles me atrai. Além de esporas, estribos, rifles afegãos e malaios, tapa-olhos, selas. Do séc. XIX, estribos chilenos de madeira decorados com desenhos. Na Sala Japonesa, armaduras samurais com sabres. Impressionantes. Lembrei demais do Instituto Ricardo Brennand ou Castelo de Brennand em Recife-Pernambuco.

Curioso ter visto em forma de um buquê estilizado, um quadro dado ao nosso Dom Pedro II, pela Tripla Aliança com as Repúblicas da Argentina e Uruguai, onde se lê: Al Magnanimo Emperador de Brasil, datado de 1865. Bem bonito. Certamente referente à Guerra do Paraguai (1864-1870). E uma arma dada ao capitão J.C. Porter (USMC, ou seja, Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos) pelos seus amigos da Companhia Fox em 1945. História e II Guerra Mundial, não resisto…

Estão expostos os silícios utilizados por Santa Rosa de Lima. Ela comia pouco e os usava por debaixo das roupas, com o intuito de se autoflagelar pelos pecadores.

O taxista nos pega às 14h30 e nos leva ao hotel de volta. Marco António “de palavra”. No Ibis Lima Miraflores, rumamos ao restaurante, que fome! Pedimos logo o suco chicha morada, feito de milho roxo, canela e suco de limão, para refrescar. E um prato: La Causa Limeña y el Ceviche de Pota. 33 soles PEN (R$51,09). Está escrito no cardápio: nosso clássico ceviche de lula (um molusco marinho) servido sobre uma receita tradicional de batata prensada, pimentão amarelo, lagostins, limão e abacate. Uma combinação generosa.

Depois, shopping Larcomar. Na parte de cima há um espaço bom para uma feira alternativa de roupas, bolsas, bijuterias etc. Encontramos um argentino vendendo pães em forma de pastéis (nosso jantar). Voltamos ao shopping, embaixo, e adquirimos mais king kongs (biscoitos recheados originais) de lúcuma no quiosque com o mesmo nome. Na Sangucheria, compramos para levar sucos de abacaxi e morango. Tomamos no lobby do hotel sentados, rodeados de americanos, em clima de despedida da cidade e já com saudades. Que Lima espetacular!

Cusco em breve!

Peru surpreendente-distrito de Barranco-Lima-dia 4

Peru surpreendente-distrito de Barranco-Lima-dia 4

Hoje é quarta-feira, dia 8 de maio de 2024. Estamos no hotel Ibis Lima Miraflores no café da manhã, sempre com novidades: suflê de quinoa, frango salteado, uma fruta chamada de tuna ou figo-da-índia e muito mais. De sobremesa, um flan de baunilha delicioso.

Vamos conhecer um bairro peculiar por ser artístico, dos mais tradicionais e charmosos da cidade: Barranco. A Norma taxista nos leva por 18 soles PEN (R$27,70). Pedimos no hotel, há um guichê na entrada só pra isso. Como já dei aula de inglês para taxistas, simpatizo muito com eles. São bem informados. O trânsito não é fácil, a gasolina é vendida por galão, 4 soles PEN (R$6,16).

Eu no lindo bairro de Barranco-Lima-Peru-foto tirada por Carlos Alencar

Chegamos ao distrito afamado. Que região mais agradável com a praça Villa Real, florida, com palmeiras reais e outras árvores. Em cada uma, uma placa com seu nome, altamente informativo. Em uma está escrito: Cúidame! Gostei. La Ermita de Barranco, do séc. XVIII, é a igreja amarela, cuja estrutura se danificou em 1974 devido a um terremoto. Permanece fechada desde então. Começou como uma capela de humildes pescadores e viajantes. Acompanhou a história do bairro. Tem enorme população de pássaros negros habitando as torres e o telhado, de acordo com o blog www.fuiserviajante.com. Também acrescenta que há portas e varandas de casarões antigos com pisos de ladrilhos. E um mirante atrás da igreja com uma linda vista do Pacífico, mais um lugar onde impera a beleza decadente do bairro.

Monumento histórico Mensageiro da Paz. Vemos a estátua da cantora folclorista Chabuca Granda e a do homem a cavalo José Antonio Lavalle (diplomata, historiador e literata do séc.XIX). A Ponte dos Suspiros, de 1876, carregada de história e beleza, no meio do parque Húsares de Junín, com casas coloridas, restaurantes, cafés, igreja colapsada, galerias de arte. Delícia de passeio. Tudo gracioso, bucólico. Vemos uma mistura de arte e boemia pelas ruas.

Barranco e sua originalidade-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O Barranco, no séc. XIX, era conhecido como a Cidade dos Moinhos graças à quantidade de moinhos usados para extrair água do subsolo (fonte: https://fatimarodriguez.blogspot.com). As galerias de arte valem a visita. A peruana Jade Rivera, artista plástica internacional, com seus trabalhos importantes. Belos. Pinta flores e colibris, murais belíssimos e máscaras coloridas. Comprei dois postais por 16 soles PEN. Farei quadros.

Subimos para a parte mais alta pela passagem Chabuca Granda e passamos por quiosque de informação, restaurantes, feira artesanal. O bairro é diferente, original com muros pintados. A sorveteria Speciale, com lustres, cadeiras e mesas bonitas, um lugar atraente.

Casas de cores diversas com balcões coloniais e floridos, lembra um pouco Cartagena das Índias na Colômbia. Bairro calmo. Ótimo para as caminhadas turísticas. Aviso no poste: Proibido beber bebidas alcoólicas na via pública. Multa de 247,50 soles PEN (R$379,94).

Descemos pelo caminho chamado de Bajada de Baños (Descida de Banhos) com escadas mil para a praia. Há um mirante antes da avenida e embaixo uma pracinha. Por uma passarela de madeira se chega à praia Barranco, não atravessamos a avenida. O blog www.fuiserviajante.com nos conta ser um cenário bucólico de uma praia de pedras negras e mar gelado do oceano. O mergulho é proibido no mar com aviso.

Barranco e sua praia-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O tempo nublado. Vemos o farol branco, a marina com iates, a pracinha da orla bem cuidada, praia de cor azul escura com pedras. Dá gosto de ver tanto zelo. Há píeres no mar. A montanha, ao lado direito, de argila com pedras e uma rede protegendo para evitar que elas caiam lá embaixo e pegue os carros em movimento.

A feira de artesanato Pachamama Cultura e Arte oferece comidas e artesanato andino. Praça da Biblioteca Municipal no Parque Municipal, com bancos, tranquilidade, idosos sentados. Coreto. Calçadão na avenida Pedro de Osma. Do outro lado da praça um Starbucks, bom para um café expresso duplo por 7 soles PEN (R$10,74). Também há outros restaurantes como o Papa John´s, o Coffee e Pizza e o KFC.

Manhã imperdível. O bairro me lembra a calmaria da Urca no Rio de Janeiro. A gente escuta os passarinhos, se deleita com a paisagem, vê a vida passar na paz.

À tarde passeio no Museo de Oro y Armas del Mundo (Museu do Ouro e Armas do Mundo).

Peru surpreendente-Centro Histórico de Lima-dia 3

Peru surpreendente-Centro Histórico de Lima-dia 3

Hoje é terça-feira, dia 7 de maio de 2024. Estamos no ônibus turístico Turibus, chegamos ao Centro Histórico de Lima. Descemos na praça San Martin, de 1921, de onde faremos uma caminhada. A praça é repleta de guardas. A guia se chama Melissa, o tour é guiado. Comigo e Carlos está um grupo diversificado. Acho bom falar inglês com os dois americanos. Estamos na rua Jirón Carabaya.

Vemos o Gran Hotel Bolivar, de 1924, bonito e antigo, em frente à praça San Martin. Endereço: Jirón de la Unión, 958. O calçadão comercial e residencial Jirón de la Unión é imenso, une as duas praças principais do centro: San Martin e Mayor ou Plaza de Armas. As casas ali construídas com sacadas rebuscadas são coloniais, dos séculos XVI e XVII, já as do séc. XVIII são de estilo neoclássico afrancesado. Interessante acrescentar que as casas republicanas não têm sacadas ou balcones. Tais balcões mostravam a posição econômica da família. Pelo final do séc. XVIII, existiam uns 300 balcones. Aliás, lembra muito a arquitetura de dentro da muralha em Cartagena das Índias, na Colômbia. No séc. XX, algumas se transformaram em lojas de departamentos e restaurantes.

A Plaza de la Merced (praça da Mercê), segundo https://pinceladaslima.blogspot, é um dos lugares com mais história. Foi o primeiro local do tribunal da Inquisição e também local da declaração de Independência do Peru em 28 de julho de 1821 por dom José de San Martin. Muito se fala no melhor presidente da história do país sendo Ramón Castilla y Marquesado (1797-1867), o primeiro presidente progressista e inovador da República do Peru.

Na basílica e convento Nuestra Señora de la Merced, de 1535, vimos a Virgem de Copacabana. Lá estão os restos mortais do frei espanhol Pedro Urraca, em processo de beatificação. Era da Ordem dos Mercedários. Diz a lenda que cruzou a parede entre a igreja e a casa rosada (ativa para homens). A fachada principal data de 1614. Chama a atenção pela sua beleza. A Wikipédia acrescenta que foi construída pelo padre Pedro Galeano e o mestre de obras foi Andrés de Espinoza.

A Lima colonial do séc. XVI teve influência árabe. Vemos sorveterias, bancas e lojas de churros. A respeito da deliciosa aguardente de uva peruana e chilena: o pisco sour. O coquetel pisco sour, como conhecemos hoje, teve suas primeiras aparições documentadas no Peru dos anos 1920. Nesse período, muitos acreditam que o Pisco Sour nasceu no famoso “Bar Morris” em Lima, fundado por Victor Vaughen Morris, um barman americano. Inspirado pelo clássico Whiskey Sour, Morris teria adaptado a receita usando pisco, criando uma bebida refrescante e única. Gradualmente, bartenders peruanos aperfeiçoaram a receita, e o Pisco Sour se consolidou como parte da cultura peruana, conforme o Blog WebBar em a Origem do Pisco Sour: O Coquetel Que Divide o Peru e o Chile. A guia Melissa reportou algo diferente, disse ter sido criado no hotel Maury (endereço: Jirón Ucayali, 201), mas que foi o Gran Hotel Bolivar que ganhara a fama.

Plaza Mayor-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Plaza Mayor (praça Maior), espaço público que por motivos de manifestações estava fechado ou havia alguma reunião importante no Palácio do Governo. O calor está grande. Há jardins diversos, árvores, fonte de água no centro da praça. Tudo bem cuidado, amplo, belo. Segundo a Wikipédia, originalmente a Plaza Mayor era rodeada de casario simples de comércio. O site https://guia.melhoresdestinos.com.br adiciona que a Plaza de Armas (praça de Armas) foi onde Francisco Pizarro fundou a cidade de Lima em 1535. Durante a era colonial foi palco de touradas, execução de condenados pela Inquisição Espanhola, declaração de Independência do Peru em 1821, além de ponto de encontro de movimentos libertários a favor da república. Tem mais: o nome Plaza de Armas, normalmente usado em praças de urbanismo espanhol, foi gradualmente substituído por Plaza Mayor durante o período colonial. Este último refletia a identidade da nova cidade de Lima. É ponto de referência para vários locais turísticos, como a Catedral, o Palácio do Governo, o Palácio do Arcebispo, a Casa do Ouvidor e até o Complexo de São Francisco de Assis, que está próximo.

A Wikipédia nos conta que a Catedral Metropolitana de Lima, cujo estilo é neoclássica e renascentista, é Patrimônio da Humanidade. A construção começou em 1535 e teve como arquiteto Francisco Becerra. De acordo com o Google, os restos mortais de Pizarro estão localizados na Catedral de Lima, em uma capela especialmente dedicada a albergar seus restos. Essa ubicação cumpre com sua última vontade, expressa em seu testamento, de ser enterrado na catedral da cidade que fundou. O site www.cuscoperu.com nos esclarece que é monumento de grande beleza arquitetônica e importância histórica, refletindo a influência da arte religiosa na capital peruana. Situa-se na Plaza de Armas. Museu e igreja. Custa 30 soles PEN. Em reais R$45,89.

Francisco Pizarro (1476-1541) é personagem histórico. A Wikipédia nos informa que foi um conquistador e explorador espanhol que entrou para a história como o “conquistador do Peru”, tendo submetido o império Inca ao poderio espanhol. Lima foi nomeada de Cidade dos Reis por ele.

A La Casa de Gastronomia Peruana é um museu que mostra a história, origens e comida fusión que dá o título a Lima de “capital gastronômica da América Latina”. Inaugurado em 2011 no antigoPalácio dos Correios, tem por endereço Calle (rua) Jirón Conde de Superunda, 170, ao lado da Plaza Mayor. O chef Gastón Arcurio é venerado, possui restaurantes pela cidade e influencia a culinária peruana. Em Lima, uma simples salada é espetacular.

Convento de Santo Domingo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Convento de Santo Domingo. A visita: 15 soles PEN (R$22,94), já pago pela Turibus. Fundada em 1535 que foi aumentando de tamanho ao longo do tempo. O primeiro monastério. La Casa de Santos Peruanos (e santos da América). Santa Rosa de Lima, patrona da América, Filipinas e colônias espanholas. A arquitetura do monastério com influência mudéjar árabe. Madeira da América Central, o convento ativo, casas para famílias pobres, colégio Santo Tomas de Aquino. Em 1550, segundo a Wikipédia, as ordens religiosas dos dominicanos, mercedários, franciscanos e outras já atuavam no país a todo o vapor.

A primeira santa das Américas foi Rosa de Lima (1586-1617). Dos 5 santos, 3 eram espanhóis e 2 peruanos. Três estão enterrados no convento, um deles é Santa Rosa de Lima que curava com as mãos, tinha 31 anos de idade quando faleceu de aneurisma da aorta, e teve um milagre comprovado na Europa, conforme a guia. A Wikipédia adiciona que é a padroeira do Peru, foi canonizada em 1671 pelo papa Clemente X, era mística da Ordem Terceira Dominicana e patrona dos floristas, e pessoa de extrema beleza. Sugiro a leitura de Rosa de Lima – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Biblioteca do convento de Santo Domingo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Os claustros do convento de Santo Domingo datam de 1604/1606. O primeiro andar é original. A biblioteca tem mais de 25 mil livros, foi construída no segundo andar, mas se mudou para o primeiro. Várias línguas nativas se encontram em materiais escritos, inclusive em aimará. Os missionários aprenderam as línguas para evangelizar. A primeira universidade das Américas: Universidade Nacional Maior de São Marcos, de 1551. Foi fundada a mando do rei Carlos I da Espanha.

Do Peru também saiu o primeiro santo mulato da América do Sul: São Martinho de Porres (1579-1639). Também dominicano, era conhecido como o santo da vassoura, é o padroeiro dos barbeiros e cabeleireiros. Foi canonizado em 1962 pelo papa João XXIII. Vale a pena ler sobre a vida dele em São Martinho de Porres, o santo da vassoura – 3 de Novembro.

Todas as igrejas coloniais tinham espaços funerários. A catacumba era só para os religiosos. O frade São Martinho de Porres trabalhava no convento. Sala Capitular, Santos Peruanos. Cripta Santa Rosa de Lima, canonizada em 1617. Depósito de ossos. É um cemitério, na verdade, tem 2 metros de profundidade, tumbas de quinze pessoas, três séculos.

Saímos do local, era nossa última parada, estamos no momento na Alameda Chabuca Grande, muito sol do lado de fora. O centro de Lima é Patrimônio Cultural da UNESCO desde 1991. Muitas mulheres como policiais de trânsito.

Chegando a Miraflores, o clima melhora, esfria. Incrível. Passamos pela Embaixada do Brasil, formosa, com um terreno verde. Vemos um supermercado Tottus. De volta ao shopping Larcomar. A praça de alimentação Salazar fica embaixo, pedimos o prato do dia no Pucu Sana: aeropuerto de langostino mais a bebida chicha morada (com ervas, refrescante, parece o aluá cearense). Aeropuerto de langostino é feito de camarões, ovos, arroz, macarrão, cebolinhas, brotos de soja e molho de soja, salteados no wok (tipo de panela/frigideira). 33 soles PEN (R$50,71). Detalhe: todos os restaurantes têm o prato do dia. O IVA é 18%.

Pós-almoço, comprei canetas na loja Miniso, muito legal. E no guichê King Kong, adquiri produtos parecidos com biscoitos doces recheados de lúcuma, maracujá e graviola, por 5,50 soles PEN (R$8,45). Boa lembrança do Peru. Para completar, um café e um muffin de chocolate no Lucio Caffé. O melhor muffin, um bolinho, que já degustei, vem quente e o chocolate derrete por dentro. Amo.

Vamos caminhando até o hotel Ibis Lima Miraflores. O centro com sol é “abafado”, a gente “bronzeia” o rosto, já em Miraflores o clima é outro. A névoa é uma constante em certas horas e a quantidade de árvores ameniza a temperatura, além da proximidade do mar. Um alívio.

Continuaremos o passeio no bairro Barranco…

Peru surpreendente-rumo ao Centro Histórico de Lima-dia 3

Peru surpreendente-rumo ao Centro Histórico de Lima-dia 3

Centro Histórico de Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é dia 7 de maio de 2024. Após o café da manhã do Ibis Lima Miraflores no qual ofereceu legumes salteados, pães diversos, brownies e outras delícias, por 52 soles PEN (R$80,61), rumamos ao guichê do shopping Larcomar (em frente ao hotel JW Marriott) a fim de pegar o ônibus ao Centro Histórico de Lima. Havíamos pago no dia anterior 125 soles PEN por pessoa com desconto de 10 %, em reais: R$193,89.

São 20 min de caminhada apressada. Vamos apreciando o bairro Miraflores. Que gostosura morar em um lugar tão simpático. Passamos por três condomínios fechados de casas, uma mais linda que a outra, nada de estilo moderno. Miraflores funciona e é exemplar em termos de limpeza, segurança e atrativos. Parece com o bairro de Providência de Santiago no Chile. Mesma qualidade de vida.

Vimos a gari, senhorinha agradável, que nos dera informações um dia antes. Falamos com ela, um doce. Varre a rua com vassoura de piaçava. O povo ajuda muito os turistas, são um amor.

Enfim, entramos no Turibus amarelo em direção ao famoso Centro Histórico. A guia Melissa e o motorista Benito, vemos ciclovias nas ruas e um rapaz de bicicleta com carrinhos de doces/pastelaria atrás. E zero de mulheres grisalhas (eu!) e menos cachorros do que no Brasil. Amo observar a vida da cidade.

O ônibus sai às 9h30 e às 14h30, preferimos o da manhã. São 4 h de passeio, com uma caminhada de uma hora, sendo a última visitação no museu/monastério de Santo Domingo (1540). Estamos na av. Armendáriz. Avisam para tomar cuidado com os galhos de árvores no segundo andar do ônibus. Passeio panorâmico. A guia conta que Miraflores era um balneário usado por famílias importantes no séc. XIX, tinha casas de veraneio. Atualmente, são aproximadamente 13 quadras, com área comercial, gastronômica, parques, um distrito moderno e turístico que possui ainda um sítio arqueológico. Vemos a Prefeitura de Miraflores, o Palácio das Artes, ao lado do parque Kennedy, bancos, rua das pizzas. Os policiais usam jaquetas, assim como os cambistas e guardas de trânsito.

Ninguém mexe em uma flor nos parques, parabéns, Lima. Vi a loja Falabella, a “cara” de Buenos Aires (que fechou, infelizmente). Passamos pelo sítio arqueológico Huaca Pucllana, culturas pré-inca, politeístas, de sacrifícios humanos, com conhecimentos avançados de pesca, engenharia, agricultura e também de metalurgia e astronomia. Veneravam o mar, a lua, faziam rituais com mulheres. No mundo andino, o sacrifício era pela fertilidade, pela Mãe terra. Existe a pirâmide do Sol feita de tijolos de barro (arbolitos) em forma de estante de livros, ou seja, técnica de livreiro para absorver as ondas sísmicas da região. Os povos que lá viveram sabiam dos terremotos. São mais de 200 ruínas no país, uma das 3 mais visitadas é o sítio arqueológico da Civilização de Caral, cidade sagrada, a mais antiga da América, no vale do Supe, a 200 km ao norte de Lima.

Lima é a única capital da América do Sul com acesso ao oceano Pacífico. Encontra-se entre o oceano e a cordilheira dos Andes. Ao redor da capital existem muitas montanhas, o clima é subtropical, árido, chove pouco e é muito úmido (66 a 80%). O trânsito é intenso, desgovernado, uma loucura, eis uma questão séria da cidade.

O bairro/distrito de San Isidro foi fundado em 1931, separado de Miraflores. Divide-se em dois setores: à direita, o financeiro e à esquerda, o residencial. A avenida Petit Thouars, do início do séc. XX, é em homenagem ao vice-almirante francês Abel-Nicolas Georges Henri Bergasse du Petit Thouars que lutou na Guerra do Pacífico entre o Chile e uma aliança boliviana-peruana.

No Peru, existem 40 comunidades étnicas com suas características, país multicultural, cuja economia se baseia em mineração, pesca e agricultura. Exportam abacate, cacau, aspargo, uvas, lúcuma, café, manga, quinoa e mirtilo. Comem muito ceviche e lomo saltado. Segundo o Google, é um prato tradicional peruano, uma carne refogada (salteada) que combina tiras de carne bovina com cebolas, tomates, batatas fritas e outros ingredientes, frequentemente servida com arroz. É uma fusão da culinária chinesa (Chifa) com ingredientes peruanos, tendo sido criado por imigrantes chineses no século XIX.  As bebidas nacionais são inka cola, chicha morada (parece o aluá do nordeste brasileiro) e pisco sour. Línguas oficiais: espanhol, quíchua e aimará.

Estamos na avenida Javier Prado, universitária, a mais extensa de Lima, vai de oeste a leste. San Isidro, onde se situam as embaixadas, é de classe média. Os semáforos na cidade têm marcadores de tempo, muito prático para o pedestre. Todos respeitam. Que inveja!

Bairro Lince, de classe média, distrito pequeno, onde se localiza o Parque da Reserva em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Pacífico e também a segunda atração turística mais visitada da cidade: o Circuito Mágico das Águas, a partir das 15 h até a noite. São 13 fontes cibernéticas de onde música, água, som e luzes se mesclam em espetáculos únicos e incríveis. Não fomos, mas meu irmão Ricardo e família assistiram e disseram ser fantástico. Um dos mais antigos parques, de 1929. O Parque da Reserva foi construído para honrar as tropas que defenderam Lima durante a Guerra do Pacífico entre 1879 e 1884, nas batalhas de Miraflores e San Juan, de acordo com o site https://www.viagensmachupicchu.com.br.

O MALI (Museu de Arte de Lima) se localiza no Parque da Exposição, endereço: Paseo Colón,125. Bairro de Santa Beatriz, centro de Lima. A Wikipédia nos conta que foi construído para substituir as muralhas da cidade, demolidas como parte de um projeto de renovação da cidade para sediar uma exposição internacional em 1872.

Distrito de La Victoria. Muito movimentado, de classe média baixa. As guias sempre comentam a classe social. Museu de Arte Italiana, presente da comunidade do respectivo país, de 1923. Museu público, exibe obras de arte italiana de princípios do séc. XX. Praça Miguel Grau, formosa, em pleno centro. Palácio da Justiça, monumental, sede da Suprema Corte do Peru. Segundo o Google, arquiteto: Brunon Paprocki, estilo neoclássico, inaugurado em 1939. Av. Paseo de la República. Localizado em frente ao Paseo de los Heróes Navales.

Chegando ao Centro Histórico, ruas estreitas, com influência europeia. Continuaremos com nosso passeio em breve.

Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2

Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2

Shopping Larcomar e o oceano Pacífico-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Hoje é segunda-feira, dia 6 de maio de 2024. O Carlos e eu continuamos conhecendo Miraflores, distrito de Lima. Pós almoço no shopping Larcomar, voltamos ao ônibus turístico (Miraflores Bus Turístico) a fim de ficar no sítio arqueológico Huaca Pucllana. Nós o pegamos em frente ao guichê Información Turística Tours & Ticket, com o atendente Mario, na praça Salazar ao lado do shopping.

Estamos na av. La Paz. Não canso de me encantar com a cidade, cujas praças são floridas e belas. O clima esfriou, ainda bem, estávamos com muito calor, afinal saímos do hotel preparados para o frio. Avenida Larco, a principal de Miraflores. O prefeito ou alcalde (em espanhol) de Miraflores é Carlos Canales, fantástico cada distrito ter o seu e saiba que são 43.

Passamos novamente pelo parque central do bairro: Kennedy ou dos Gatos, como é conhecido. Tem estacionamento subterrâneo. A avenida Larco é maravilhosa. Na calle ou rua San Ramón paramos por 10 minutos. Os restaurantes do calçadão são mais em conta. Na rua, vemos cambistas com dinheiro na mão e muito, que inveja! Lembrei de Salta na Argentina onde trocávamos a moeda na rua na maior tranquilidade.

Como os peruanos valorizam seus escritores e pessoas importantes, estamos na avenida Ricardo Palma. Nasceu em 1833 e morreu em 1919. Escritor, traduzido em várias línguas, jornalista, escreveu “Tradiciones Peruanas”, foi diretor da Biblioteca Nacional, nomeado em 1883. Olhando para os jardins no meio-fio, tão bem cuidados. Na avenida Petit Thouars, gostei de ver a soparia “Siete Sopas” de sopas e caldos. Amo canja, eis a razão. São várias lojas na avenida, são três quadras com lojas de artesanato e restaurantes, venda de roupas de lã de alpaca, e ouro. Os Mercados Incas se situam na avenida. Inka Plaza, Indian Market e outras lojas. Considero o artesanato andino belíssimo, por ser colorido e atraente.

Próxima parada: Huaca Pucllana. Cruzamos outra avenida fundamental: av. Arequipa. Rua Tarapacá. Enfim, chegamos, descemos e entramos em grupos separados pela língua falada: espanhol e inglês. Escolhemos espanhol. 15 soles PEN. Estamos em um sítio de mais de 1600 anos, incrível. Há o museu pequeno, fechado, na entrada e o enorme, aberto, a céu aberto. A guia Bianca tem muito a dizer.

Vamos à cronologia dos povos pré-inca e pré-colombianos. Segundo a Wikipédia, primeira fase: Cultura Lima de 200/400 a 700 d. C; segunda fase: Cultura Huari (Wari) de 800 a 900 d. C; terceira fase: Cultura Ychsma de 1000 a 1532.

Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

O sítio está em processo de recuperação. Existiu de 400 d.C. até 1542, com uma grande pirâmide de 25 m. Interessante que todo o sítio estava debaixo da terra, era um monte, a erosão e a terra caindo na década de 1980. No local, aconteciam treinos de motocross e bicicross até que foram abrir uma avenida e houve a descoberta de ossos e do sítio quando tiraram a terra. O passeio pelo sítio arqueológico dura 1 hora. Pucllana na língua quíchua (ou quéchua) significa “jogar, brincar, fazer carnaval”, de acordo com a Wikipédia.

As descobertas foram de cair o queixo: a população Lima havia construído uma cidade que era perto do mar, foram 200 anos de trabalho, com blocos de barro vertical resistentes a terremotos, tanto que há tremores e terremotos em Lima e lá não atinge, o terreno continua estável. 1000 anos antes era o espaço mais antigo de Miraflores como cidade. A pirâmide era simétrica, um grande pastel retangular com muros amarelos e 7 pisos, além de rampas para chegar ao ponto alto. A parte mais alta era o templo usado para banquetes e conexão com o mar. A parte baixa era pública, onde pescadores, agricultores e artesãos se reuniam. No lugar aconteciam sacrifícios humanos, foram encontrados 30 corpos, mulheres de 16 a 25 anos de idade, eram mães. O motivo era pra trazer fertilidade para o povo e impedir desastres naturais.

A Wikipédia nos conta que a técnica de construção predominante consiste em colocar adobes na posição vertical, alinhados com argamassa na base e parte superior, deixando pequenos espaços vazios nas laterias. Isso dá a ela um aspecto de livros em uma estante, por isso o estudioso Pedro Villar Córdova o chamou de “técnica do livreiro”.

Prosseguimos com a nossa caminhada a pé no sol, o local é muito árido. Passamos por uma balsa antiga, conhecida como “Caballito de Totora”. A Wikipédia nos informa que são embarcações usadas por pescadores no Peru nos últimos 3 mil anos e a UOL diz que são barcos pesqueiros individuais, umas pranchas rústicas.

No ponto de sombra, blocos de barro e conchas marinhas trituradas com águas de irrigação secados ao sol. A área de escavação ocorre ao lado sul atualmente, nem tudo foi explorado ainda. Huaca Pucllana foi descoberta em 1981. Subimos a rampa de areia, um esforço grande, para setores exclusivos com tumbas verticais tendo dentro alimentos e sacos. A população era pacífica. Viviam de pescados e da manufatura têxtil, o mar era essencial para eles, estavam a menos de 2 km do mar. A cordilheira dos Andes Centrais se veem daqui. Em 700 d. C., a população Lima sai do local por falta de água, a razão encontrada. Saem os Lima e entram os Wari que usam o sítio como cemitério. 82 tumbas, cada tumba para 3 ou 10 pessoas em posição fetal e com mantas. A cabeça baixa representa o poder. Os Wari sacrificavam bebês de 1 a 5 anos, tradição marcada, não se sabe se os pais também eram sacrificados. Os estudos estão sendo feitos. No norte, o líder e sua família mais animais domésticos eram todos sacrificados. Com as pesquisas, se sabe das enfermidades de quando tinham 40 a 45 anos.

Subiremos mais. Fizeram um promontório de madeira, os povos tinham sempre contato com o mar. Em 1746, houve o maior terremoto do país, cujo epicentro foi em Lima, capital. Depois um tsunami destruiu Callao, na região metropolitana de Lima. Pucllana foi protegida. Eis o ponto mais alto de Lima. Curiosidade: o nome Lima, conforme o Google.com, pode ter a sua origem relacionada com a palavra LIMAQ ou com o idioma aimará. LIMAQ significa “aquele que fala” ou “aquele que tem a capacidade de falar”, o vale do rio Rimaq onde foi fundada Lima, chamava-se Rimaq em quéchua. No idioma aimará, LIMA/LIMAQ significa “flor amarela”. Vemos mais tumbas em posição fetal nos muros. As áreas de escavação não são estáveis. Aliás, sempre quis ver arqueólogos em ação ao vivo. Realizei meu sonho.

Homens/bonecos com oferendas-Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru

Na descida, vemos bonecos vestidos como na época segurando oferendas, fato baseado em escavações arqueológicas. Para os Wari (800-900), Pachacamac era o deus dos terremotos, para acalmá-lo, no centro de repositórios haviam cerâmicas com os sacrifícios humanos e oferendas de animais. O Google.com acrescenta que Pachacamac era o deus criador da mitologia inca, reverenciado como um oráculo e centro de peregrinação. O seu nome significa em quíchua “Alma da Terra”. O culto existia desde o império Wari anterior ao império Inca. Já a Wikipédia adiciona que Pacha Kamaq é uma divindade associada aos fenômenos vulcânicos sobre a crosta terrestre. Tinha a capacidade de controlar os movimentos da terra e causar abalos sísmicos. Significa “criador do universo”, onde pacha significa “universo , mundo ou terra” e Kamaq “criador”. Era esposo de Pacha Mama (Mãe Terra) e filho do deus Sol.

Fim do centro cerimonial. Mais caminhada. Embaixo, na forma real, um casal de cachorros, mais junco, e um pé de algodão. Parece um zoológico com patos crioulos, lhamas e alpacas. Do seu cruzamento saiu o misti (dito pela guia/misto) ou huarizo, menor. Além de preás pequenos, de 1 a 2 anos, para venda, e o cuy, roedor, ou porquinho-da-índia, há plantações de lúcuma, o sabor preferido do Peru, um fruto mistura de “sapoti com abacate”. Tem sabor adocicado idêntico à baunilha.

Parte final: na parte baixa se situava o sítio de trabalhadores de Pucllana, formavam blocos à mão e, posteriormente, eram colocados ao sol, já mencionei que levaram 200 anos para construir. Não há nada escrito, as famílias completas trabalhavam do centro para o mar. Sacerdotes impactavam a cerâmica. A oferenda da cerâmica vazia com figuras e elementos do mar. Templo em direção ao mar. Pucllana, lugar sagrado, usado para entretenimento e para a religião. Os arqueólogos forenses descobrem muito pelos fardos e corpos cobertos. Sabem o extrato social da pessoa, a idade e mais informações do falecido. Trata-se de um trabalho intenso de investigação. São 2500 buracos descobertos. A Wikipédia nos chama a atenção que em 2008 foi descoberta “a dama dos olhos azuis”, como foi denominada, por ter duas pedras azuis no lugar dos olhos, ou seja, eram usados para colocar oferendas. Também consumiam carne de tubarão.

Em pt.wikipédia.org, Pucllanaé um local sagrado (huaca) constituído por uma pirâmide truncada de 25 metros de altura e um conjunto de pátios, praças e muros a nordeste. Possui um salão de exposições, circuito de visitas e outras atrações. Possui seis hectares, mas na década de quarenta do século XX a área era o triplo da atual; o abandono e o desinteresse no passado fizeram com que valiosas evidências e pirâmides menores fossem destruídas para a construção de casas, avenidas e parques.

No museu pequeno e informativo se sabe mais sobre a cultura Wari ou Huari. Eram produtores têxteis. Tecidos feitos para a pós vida. A sociedade Wari foi uma sociedade de caráter imperial cuja capital é o atual departamento de Ayacucho, localizada no centro sul da Cordilheira dos Andes do Peru. Depois de um passeio tão instrutivo, demos um agrado à guia. Que país mais rico de cultura.

Voltamos de ônibus para o shopping Larcomar, compramos no mesmo guichê, na praça Salazar, o passeio para o dia seguinte com 10% de desconto. Dentro do shopping, descobrimos uma loja Columbia, boa para viajantes aventureiros. E jantamos no Lucio Caffé: suco de morango e sanduíche piadina sandwich Inglese que na verdade, é presunto, queijo americano e ovo. Piadina é pão de frigideira. De lá, sorvete no Pinkberry de morango e da fruta tão falada dos peruanos: lúcuma. Deliciosa.

Mais passeios amanhã. Bom demais.

Peru surpreendente-conhecendo Lima-Miraflores-dia 2

Peru surpreendente-conhecendo Lima-Miraflores-dia 2

Hoje é dia 6 de maio de 2024. Estamos em Lima no hotel Ibis Reducto Miraflores. O nevoeiro grande, parece que acontece sempre. O café da manhã do hotel pago (52 soles PEN), vale a pena. Do jeito que eu gosto: muita gente falando diversas línguas, de brasileiros só o Carlos e eu. Americanos às pencas. Musli (cereal matinal à base de flocos de aveia crus, fruta e frutos secos), frutas, sucos, pães, tudo muito bom. O tomate está presente, tratado como é, uma fruta. A fruta granadina, tipo um maracujá, me chamou a atenção. O Carlos comeu um goulash, um cozido de carne, e lá estavam as folhas: alfaces e cia.

Pós refeição matinal, nos direcionamos a pé ao shopping Larcomar. No caminho, trocamos dinheiro com um cambista de jaqueta oficial. Para um brasileiro, isso é inacreditável ver alguém com dinheiro vivo em quantidade na rua e em segurança. Que inveja! Boa caminhada para queimar as calorias. Há um guichê dos ônibus Miraflores Bus Turístico, perto do Larcomar. Por 100 soles PEN, pegamos um a fim de passear pelo bairro Miraflores. Das 11 h às 18h30, desce e sobe com horários fixos.

Estamos na praça Salazar, cuja placa em homenagem a Alfredo Salazar (1913-1937) nos diz: alferes (antigo posto militar, seria hoje o de segundo tenente) peruano, herói da aviação que teve como ato heroico evitar que seu avião colidisse com a cidade, salvando muitos “miraflorinos” (em espanhol). Parque rodeado de flores, mirantes e embaixo o shopping convidativo Larcomar. Parece com o shopping Arauco de Santiago do Chile, por ser aberto. Dia nublado, vemos o mar lá embaixo. O miradouro dá para o oceano Pacífico, antes do mar existem falésias cinzas e cobertas por redes. Bem interessante. Na praia, há um píer e a orla é usada para esportes e caminhadas. Trata-se do calçadão urbano Malecón de la Reserva.

O shopping se localiza em cima de uma montanha. Pelas escadas se chega ao Larcomar, fomos pela rampa. Lojas famosas para viajantes, como The North Face, Rockford the Outdoor Experience, roupas de lã lindas, Patagonia, Desigual, Mango etc. Uau! Café por 8 soles PEN. Mais: La Iberica (chocolates), quiosques da Havanna, Don Salazar (café), San Roque (alfajores e outros), Picky (de roupas de lã pra crianças). Muito, muito atraente o centro comercial.

Ao redor do guichê no parque Salazar, há muitos vendedores de passeios. Preferimos o ônibus Miraflores, diário. Por 35 soles PEN, Mario, o vendedor. O percurso total é de 1 h e 20 min. Estamos na parada Larcomar. Em espanhol e inglês, a guia Vilma e o motorista Vicente. Vamos começar?

Av. 28 de Julho em breve. Data importante, independência do Peru. Segundo a www.infoescola.com/peru/historia-do-peru/, foram as batalhas de Junín (6/8/1821) e Ayacucho (9/12/1821), ambas lideradas por Simón Bolívar que tornaram o Peru independente. Celebrado com festas e bandeiras. Já na Venezuela foi em 5/7/1811, liderada pelo mesmo Simón Bolívar e por Francisco Miranda. Foi o primeiro país da América do Sul a se libertar do domínio espanhol.

Av. Larco em homenagem ao ex-prefeito José Larco. Bancos, lojas, cassinos, restaurantes, galerias de arte, casas de câmbio, centros culturais, Centro de Informação ao Turista. Agora sol e calor. O chato disso é tirar o casaco e ficar segurando. Que cidade! Que bairro!

Parque Central de Miraflores ou Parque dos Gatos, muitos foram abandonados e vivem no local.Recebe multa de 4 mil soles PEN quem abandona. Igreja Matriz Virgem Milagrosa. Parque Kennedy, em tributo ao ex-presidente americano John Kennedy, em frente à rua São Ramón. Parada: Pasaje San Ramón. A rua é um calçadão. Bulevar Gastronômico de San Ramón. Tentador, com tantas opções de restaurantes, lindo. Calor, o sol esquenta muito. Detalhe: Lima, capital gastronômica renomada internacionalmente. São 43 bairros ou distritos na cidade, cada um autônomo e com prefeito. Eleições acontecem normalmente. Existe um prefeito geral, de Lima. Gostei da ideia.

Próxima parada: Museu do sítio Pucllana. Sítio arqueológico dentro da cidade. A monumental pirâmide tem 25 m de altura. A língua falada era quéchua ou quíchua, língua inca ancestral. O nome do sítio é Huaca Pucllana, huaca significando “lugar de rituais”. Obs: em Machu Pichu se fala espanhol e quéchua. Descemos do ônibus por 10 min e continuamos a jornada, depois voltaremos. São 15 soles PEN a entrada até as 17 h, um museu a céu aberto. A guia nos informa que ali se praticavam sacrifícios humanos, de mulheres, principalmente. A razão tem a ver com o poder da vida, para impedir desastres naturais e aumentar a fertilidade. Funciona de quarta a domingo. Fico curiosa para conhecer o lugar que era uma cidade sobre a montanha. Pescavam e tinham a cultura têxtil e de fazer cerâmica como trabalho. Havia o culto à Mãe Terra (Pachamama ou Mama Pacha-divindade máxima para os povos andinos, especialmente Quechua e Aymara). Lima era uma sociedade inca na época pré-colombiana. Há muitos sítios arqueológicos no Peru, Machu Pichu é o mais conhecido. Houve outras culturas antes dos incas no país.

Informações: o Peru tem 34.4 milhões de habitantes. Miraflores foi fundada em 1857 e se situa a sudoeste de Lima. Os guardas de trânsito usam chapéus. Avenidas largas com árvores no meio fio. São Miguel Arcanjo, o protetor de Miraflores, com escultura em bronze, em cima de um pilar na rotatória Óvalo Gutiérrez, também praça, localizada no limite dos distritos Miraflores e San Isidro. O Centro Histórico é de 1535. A fundação do convento dominicano ou convento e igreja de Santo Domingo foi de 1540, pelo frei Vicente de Valverde. Eis um do monumentos históricos mais proeminentes da cidade. Para o turista, Lima é preciosa, muito organizada com mapas, folders, tudo fácil. Parabéns, Lima.

Miraflores, cidade-jardim, cidade heroica. Em 1881, a batalha de Miraflores na Guerra do Pacífico entre Peru, aliado à Bolívia e contra o Chile (1879-1883), teve por razão a briga por território. Mais frio agora, 22º C, a neblina retornou. Estamos no outono e acerca do mar.

Prosseguimos no percurso. Parque Maria Reiche com a imitação das linhas de Nazca e pistas de skate. Maria Reiche Neumann foi uma arqueóloga, matemática e tradutora técnica alemã-peruana que as investigou por muitos anos. Tanto Nazca como Lima são Patrimônios da Humanidade. Impressionante como valorizam seus heróis. Os parques são bem cuidados. O almirante Miguel Grau, outro herói. Parque Chino Bicentenario. No calçadão urbano Malecón Cisneros, há o parque Faro de la Marina (Farol da Marina) ou parque Antonio Raimondi, homem que construiu muitos resorts, geógrafo, catedrático. Impressionada com Miraflores e consequentemente, Lima.

Parque do Amor, inspirado no parque Guell de Barcelona-Espanha, com azulejos, também situado no Malecón Cisneros. Inaugurado em 14 de fevereiro de 1993 para homenagear o dia dos namorados (dia diferente do nosso brasileiro). Todo limpo, sem pichação. Que passeio maravilhoso!

Parada no parque Intihuatana, 10 min. Descemos e fomos a um quiosque/creperia. O mirante vislumbra o mar, estamos em cima da montanha, tudo enevoado, mágico. Voltamos ao ônibus. Mais abaixo o parque Gran Mariscal Mariano Necochea, inaugurado em 1949, no centenário de sua morte. Prócer da independência do Peru, vencedor da batalha de Junín.

Próxima parada: Larcomar, desceremos para almoçar e às 14h15 pegaremos o ônibus novamente. Almoço no restaurante Lucio Caffé: prato do dia (creme de frango, batata doce,arroz e ovo) e limonada por 23,90 soles PEN. O banheiro do shopping é inusitado. Da torneira, sai água botando a mão embaixo e ao lado da torneira, e para secar há duas barras de cada lado da torneira de onde sai o “vento secador”. Nunca vi igual.

Miraflores-Lima-Peru, que paraíso. Como podemos não conhecer muito do nosso país vizinho? Tão rico, original e apaixonante.

Em breve, a continuação do passeio de ônibus de onde retornaremos ao sítio arqueológico Huaca Pucllana.

Peru surpreendente-chegada a Lima

Peru surpreendente-chegada a Lima

Hoje é dia 5 de maio de 2024. Tempo para realizar o sonho de conhecer o Peru, tão bem falado pela culinária e riqueza histórica. Vamos lá. Saímos de Fortaleza pela LATAM com troca de avião em Brasília, acho mais fácil de me localizar do que no aeroporto a de Guarulhos-SP. No avião de Fortaleza a Brasília ofereceram polvilho de macaxeira (aipim). Em Brasília, portão 32 e lá rumamos ao sonho. Horário: 9 h, pode entrar no país com identidade ou passaporte. Voo para Lima, tratamento VIP, por ser GOLD PLUS. Detalhe: caí para GOLD recentemente. Os comissários sabem o nome da gente, nunca vi isso. A Tatiana e o José super simpáticos. Falemos no serviço de bordo, ou seja, comida. Lanche de sanduíche de queijo e presunto, bolo, barrinha de cereal de quinoa (ótimo), já vamos nos preparando para a terra onde se come muito esse cereal. Voo ótimo de 4 h e meia, em Lima 2 horas a menos do que no Brasil.

Chegamos e lá estava o transfer nos esperando, hoje em dia gosto de conforto. Detalhe: pacote pela CVC, tudo resolvido com as nossas agentes Débora e Patrícia do shopping Del Paseo, em Fortaleza. O Roberto, da empresa Condor, nos espera no aeroporto de Lima e dá dicas, sempre valiosas. No momento da viagem, 1 sol peruano (PEN) estava R$1,40 reais e $1 dólar, 3,72 soles PEN.

O país está tranquilo para as jornadas. O Aeroporto Internacional Jorge Chávez é em Callao, cidade vizinha a Lima, distante 11 km, siuada na província de Callao. Estamos em direção ao hotel Ibis Lima Reducto Miraflores (Av. Reducto, 1057-Miraflores). No outono à noite uns 17º C, 22º de dia e de madrugada 6º. Em Cusco, 18º C de dia com sol. Para lá é necessário levar repelente.

Continuemos com as observações do Roberto. A estação de trem em Cusco ou Cuzco que leva a Machu Pichu se chama Aguas Calientes, está localizada no povoado de Aguas Calientes aos pés de Machu Pichu. Pedro Castillo é o ex-presidente apartado por haver tentado um golpe de estado. A CNN nos informa que ele foi afastado do cargo e preso após a tentativa de dissolver o Congresso no final de 2022. O oceano Pacífico tem ondas e água fria, já perto do Equador, ao norte do Peru, as correntes mudam e a água fica mais quente. Há vulcões em Arequipa e vi uma rota de evacuação de tsunami no caminho do hotel. São 10 milhões de habitantes na capital. A segunda cidade maior é Arequipa com 850 mil.

É seguro morar e ser turista na parte residencial, fora tem que ter mais cuidado. O interior do país é seguro. As embaixadas ficam no bairro de San Isidro. Passamos pela avenida principal de Miraflores: José Larco. Alguns estabelecimentos chamam a minha atenção: Punto Azul, restaurante de frutos do mar, Pollo a la Brasa (frango) e Comida China, aliás, percebe-se que gostam de comida chinesa. O bairro Barranco é bem próximo e há o museu MALI (Museo de Arte de Lima), no Parque de la Exposición. Motorista bom de papo.

Como é de praxe, no hotel Ibis se paga o café da manhã. 52 soles PEN, das 6h30 às 10 h. O nome do carregador é Félix, saber o nome do povo sempre ajuda. O hotel padrão, em todas as cidades do mesmo jeito. A diferença está no restaurante. Prato: Solterito de quinoa com pollo a las finas hierbas, isto é, uma salada com um bife de frango grelhado, quinoa, cebola, queijo, tomate sem pele e sementes, azeitonas, feijões-verdes (das montanhas), milho, salsinha, sal, pimenta, azeite de oliva e um toque de limão. Com Ginger Ale de refrigerante, amo! Marca Mr. Perkins, extrato natural de gengibre. 86 soles PEN. Como pode uma simples salada ser tão elaborada? Deliciosa.

Depois do almoço e de um descanso, o Carlos e eu rumamos à avenida 28 de Julho a pé para fazer um reconhecimento de área. Vimos casas e ruas maravilhosas que parecem com o bairro de Pinheiros em São Paulo, cujas calçadas são decentes e largas. Um cassino e hotel La Hacienda. Na av. José Larco, estamos à procura de casas de câmbio. Bairro altamente habitável. Na San Martin com Larco, um Centro de Informação ao Turista (Tourist Information Center) para mapas e informações.

O tempo nublado, um friozinho, lugar em que já estou me sentindo empolgada. Não faltam casas de câmbio por ali. Encontramos um Juan Valdez Café e achei interessante o refrigerante típico deles: Inca Kola.

Retornamos ao hotel, cansados da viagem, mas ainda passamos em um mercado para comprar iogurte de pêssego a fim de ser acrescentado ao jantar que foi no quarto com bolachas e barrinhas de cereal e chocolate Bis amargo. Vida boa essa de viajante.

Lima promete…

Marrocos colorido-Marrakech-dia 7-fim de viagem

Marrocos colorido-Marrakech-dia 7-fim de viagem

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. Continuamos com o nosso passeio a pé pela parte antiga da cidade. Paramos no Café La Menara para um cafezinho com o guia Tuk. Ele é bom de papo. O marroquino, pelo visto, gosta de cuidar da saúde. Ele dá dicas: o óleo de cactus é um botox natural e o chá das oliveiras é bom para hipertensão.

Passamos pelo bairro judeu Hay El Mellah, na zona sul da medina. Um mercado aberto com lojas diversas. Vemos frutas, lembrancinhas, roupas, massas folheadas fabricadas ali. Motos entre a gente, uma graça. Turistas mil. O rabino morava no bairro e há marroquinos judeus que habitam no momento. Segundo o site https://www.marraquexe.net, algumas diferenças arquitetônicas ocorrem com o resto da medina: as varandas e janelas se abrem para as ruas, as casas são mais altas e os apartamentos menores. Os joalheiros eram tradicionalmente situados no local, já que os judeus tinham um longo e histórico monopólio do ouro no reino marroquino. O souk ou mercado do bairro Mellah foi recentemente renovado graças a doações de judeus americanos e do rei do Marrocos.

Na porta, saímos para a mesquita. Os prédios em Marrakech não podem ser mais altos que o minarete principal da mesquita. O imame (imã), sacerdote muçulmano, tem que memorizar o Corão inteiro, umas 8600 palavras. Para os outros fiéis, devem saber no mínimo o primeiro capítulo. A pessoa que sobe ao minarete e grita ou anuncia a reza é o muazin. Antes não haviam elevadores e alto-falantes. Hoje, ao vivo embaixo e no microfone. Os horários para as orações mudam dependendo da posição do Sol. No mundo inteiro são chamadas simultâneas (adhan), 5 x ao dia: no nascer do Sol, meio-dia, meia tarde, noite e crepúsculo.

O Tuk nos leva a uma farmácia bem conhecida para mostrar produtos: Ircos Cosmetics (endereço:109 Quartier Industrielle) e Herboristerie Bab Agnaou. O farmacêutico fala espanhol e recebe a nós brasileiros (somos três) em uma sala privada e dê-lhe mostrar maravilhas. Óleo de argan como cosmético (não tostado) e para cozinhar (tostado, bom contra o colesterol), para o fortalecimento do cabelo e das unhas. O argan puro, não oleoso, bastam 8 gotas, o oleoso misturado com flor de girassol. Sabonete, creme hidratante, produto para tendinite, creme contra fungos, eczema e óleo contra rosácea. Óleos mil, perfumes como batom de eucalipto, de laranja, almíscar, cristal para sinusite, perfume antitraça, pitaya ou figo da Índia, botox natural em óleo, melhor que rosa mosqueta (4 gotas 3x semana). Pó misturado com açafrão para dor menstrual com água quente. Uau, saí toda perfumada, um lugar que queria ter comprado todo. No final, saí de lá com perfume flor de laranjeira para calmante em forma de batom, se coloca na testa dos dois lados antes de dormir e com chá de cominho para uma boa digestão. Aprendendo com os marroquinos. Demos 60 DH (R$36,14) para o Tuk de presente e nos separamos. Ele perguntou se queríamos ficar pelo local, mas dissemos que depois do almoço iríamos embora.

O motorista vem nos buscar às 15 h, então ali perto o Tuk nos deixou no restaurante L´ Orientale devidamente recomendados. Av. Mouahidine et Rue Bab Agnaou Marrakech. Restaurante típico marroquino, o valor da refeição com entrada, prato principal e sobremesa por 120 DH (R$72,28), o guia nos ajudou na negociação. Na mesa, toalha marroquina com pétalas, muitos turistas, lugar formoso. Antes, havia comprado chaveiros de lembrancinhas, as lojas são uma loucura e o preço fantástico, pena estar tão na pressa. Vamos ao cardápio: salada crua, cuscuz marroquino e pastelão de laranja, romã e uva, coberto por um creme leve. Refeição suave, delícia! Pra variar, tinha gato perto de mim.

De volta ao hotel às 15 h. À noite tínhamos um jantar sensação. Ficamos sem saber muito bem as diretrizes, isso faltou, porém sabíamos que alguém passaria às 20 h, então estávamos prontos no lobby do hotel Palm Plaza & Spa Marrakech na hora combinada. Chegou o motorista Nordim que já conhecíamos, muito simpático. E rumamos ao Complexo Chez Ali, longe que só, na Route de Casablanca, somente o Carlos e eu, o Renato não quis ir e o pessoal da excursão já havia partido.

Ali se fala o árabe, o berbere e o francês. Chegamos com cavaleiros nos esperando para a foto de entrada. Há a Caverna do Ali Baba com roupas berberes expostas e joias de mulheres. Mulheres vestidas de roupas típicas. Uma era originária de Ouarzazate com tatuagens de henna no queixo. O espaço é gigante, com músicas diversas, grupos de danças e roupas bonitas. São trupes folclóricas de todo o país. Funciona todos os dias, mesmo sendo lugar para turista ver, amei. Nunca vi nada igual. 25 anos atrás era só almoço com espetáculo de cavalos, porém foi crescendo e hoje é imperdível. O rei Hassan II esteve no lugar e gostou. Ajudou com a água e eletricidade. Vemos tendas Kaidal do deserto.

Há várias tendas de restaurantes para grupos grandes, o nosso era só o Carlos e eu, uma pena tanta comida. Bebidas por fora, gastronomia do povo berbere. Primeiro: sopa com especiarias e massa. Muito bom. Segundo: prato principal: tagine de carneiro com ameixas-pretas e sementes. O Carlos aprovou. Os grupos de música com homens e mulheres que estavam do lado de fora entram na tenda e se apresentam para cada mesa. Com roupas e apetrechos de cabelo dos homens diferentes. Que país mais colorido.

Veio o prato principal para mim de cuscuz com frango e legumes, gigantesco. Prato para 10 pessoas, fiquei triste por deixar tanto. Depois, cominho com água para a digestão, mais o prato doce: um pastelão com molho suave e amendoim triturado em cima. Maravilhoso com frutas dentro. Chá de menta e biscoito. Socorro! Vamos explodir! A coca cola: 30 DH (R$18,07). Quase a mesma comida do almoço, ainda estávamos cheios, imaginem.

Saímos para as arquibancadas já repletas de gente a fim de ver o espetáculo. Em frente, um campo aberto. E vai começar. Dromedários, música árabe, multidão aplaudindo. Cavaleiros berberes fazendo acrobacias nos cavalos e saindo em grupo para atirar suas espingardas em uníssono, ovelhas com pastor, um burrinho fazendo graça, finalmente, todos os grupos de dança e música juntos. Aladim no tapete voando e uma dançarina de dança do ventre no meio do campo, dentro de um local móvel. Fabuloso. Saímos realizados e felizes.

Marrocos, que país marcante e cheio de cores. Amei! Jornada que valeu a pena, indico.

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7

Hoje é dia 10 de novembro de 2024. O Carlos e eu no hotel Palm Plaza & Spa Marrakech, no retorno de um giro ímpar por cidades do Marrocos. Estamos no final da excursão da Special Tours/CVC, mas ainda com muito a conhecer. Ficamos no hotel somente os três brasileiros, eu incluída. Os espanhóis foram embora no dia anterior.

O dia começa com um café da manhã espetacular, vou sempre me lembrar. O iogurte é servido em um copo e é divino, um sabor incrível. Vejo passarinhos no salão imenso e repleto de turistas. A mesma comida do jantar anterior estava presente, muita gente come na primeira refeição. Não deu tempo para o meu cafezinho, tínhamos que encontrar o condutor que nos levaria ao passeio pela parte antiga da cidade.

Às 9 h, o condutor Aiul, que só fala árabe, nos pega em um carro preto chique (Dacia Lodgy) e leva a mim, o Carlos e o Renato ao encontro do guia Tuk. Fala várias línguas e é muito bem preparado. Com a gente, foi no espanhol. Os táxis são amarelos, a cidade é plana e vermelha. Eu gosto muito de cidades espaçosas.

Fomos aos grandiosos Jardins de Menara, os jardins mais conhecidos da cidade e antigos do Ocidente muçulmano. A fama tem a ver com um grande sistema hidráulico do séc. XII. A água vem do Atlas e foram utilizadas ferramentas antigas como pá e picareta, escavavam por baixo e faziam canais subterrâneos conectando com água de poços para lutas contra a falta de água. No inverno chove, mas pouco, tudo é seco demais. O fato de a cidade ser toda verde e sem chuva tem um segredo: esse antigo sistema hidráulico usado na agricultura/irrigação e para beber.

Segundo o site https://visitmarrakech.com, as necessidades hídricas destes espaços eram satisfeitas graças aos esgotos subterrâneos (Khettara), escavados segundo uma técnica iniciada pelos almorávidas a partir do século XI e adotada pelos almóadas, que enriqueciam a rede de canalizações superficiais. A criação desses jardins, segundo Ibn Sahib Assalate, é atribuída a Hajj ibn Yaïch, estudioso e legislador do Império Almóada. Para além das suas funções utilitárias e recreativas, esta piscina servia para o treino de natação dos soldados almóadas, em preparação para a travessia do Mediterrâneo até a Andaluzia. O mesmo site nos conta que autores antigos atribuem seu primeiros desenvolvimento ao sultão almóada ´Abd al-Mu´min ibn ´Ali (1130-1163). O sultão alauita Sidi Muhammed mandou construir ali um pavilhão com um mirante que servia de local para passeios e descanso.

O tanque do séc. XII, enorme para juntar água. 50 m de comprimento, 83 mil m³ de água, 150 m de largura e 2,80 m de profundidade, de acordo com o guia. A comporta abre e leva água por canais para o parque, uma irrigação controlada. As oliveiras começam aqui, são 100 hectares plantados. Mais de 100 canais vindos da cadeia montanhosa Atlas que baixam água sem neve e chuva. Poços evitam inundações. Antigamente se bebia essa água, hoje não mais, pois há a barragem Hassan II.

Os guias gostam de contar detalhes da sua cultura e de falar mal da política. Açafrão e oliveiras são bons laxantes. Os muçulmanos comem ruminantes herbívoros, porco nem eles nem os judeus. Motivo? Porque comem sujeira.

A importância da oliveira é secular. No séc. XX encontraram uma árvore parecendo selvagem. As azeitonas foram trituradas para o azeite e da árvore saiu a pepita argan.

Visita ao exterior da mesquita Koutoubia, irmã gêmea da Giralda de Sevilha na Espanha. Menara significa “farol religioso ou que indica o caminho”. Vemos o minarete: al-manara, um farol que indica o caminho para as chamadas religiosas e o caminho dos viajantes. No Marrocos, funcionava a Rota do Sal, para conservar a saúde para a pele (dermatologia), como feridas de pele de humanos e animais, dromedários, por exemplo. No séc. XVI, o sal era trocado por ouro. Combinado com a Rota do Sal, havia a Rota da Seda, a China oferecia chá, arroz e laranjas, a Índia especiarias. Havia ladrões no Atlas e na Península Ibérica de “olho” nas mercadorias.

Não se bebe água da torneira. No passado, a cabaça era a cantina para levar água com qualidade. O marroquino fala muito em saúde e na importância da água. Nos séculos XI e XII havia a luta para conseguir água boa de beber, viam a neve no Atlas como água. Das especiarias da Índia vieram também plantas compradas para curas. Os guias também falam muito contra armas, indústria farmacêutica e alimentação errada. Antes se comia pão com cevada e trigo, arroz nos finais de semana com resto de carne e peixe. A paella é herança dos árabes da Andaluzia, Espanha. A gente vê policiais a cavalo, são árabes e berberes. Estamos na praça Jmaa el Fnaa, um dos lugares mais interessantes de onde se acessam os souks (mercados) e a medina. Laranjeiras azedas na calçada, vieram da China, fazem sucos bons de vitamina C e são usadas na fabricação de geleias azedas para os britânicos. Há dromedários no local.

Estamos na medina (cidade velha) com a muralha, usada para a segurança à época, pois havia ladrões no passado. No séc. XV, muçulmanos e judeus foram perseguidos pela inquisição, então os judeus fugiram para a medina. A vida era honrada com respeito à religião dos outros. Três bolas no minarete. Convivência boa com a religião. A grua mostra a direção para Meca, o nascer do Sol. O bairro judeu perto do Palácio Real. Casa com pavimento era de judeu.

Os profetas eram intermediários de Deus com o ser humano. O poder leva ao mal. Política mundial difícil. Regras religiosas contra armas. O turista quando entra no país tem que ser protegido.

O shopping Menara Mall. Avenida Estrada da Porta Nova onde há grandes jardins e oliveiras também. Entre 1912 e 1956 o Marrocos foi colônia francesa, era pra ser protetorado, mas não foi. Os franceses construíram igreja, hotel. O rei Hassan II permitiu a nacionalidade dos judeus por meio de um decreto real. Em 1948 muitos foram embora para Israel.

Continuamos a caminhada a pé pela cidade antiga. Muitos turistas em todos os sítios históricos.

Entramos no Palais Bahia, Palácio do Bahia ou Palácio da Bonita, propriedade de um nobre da cidade. Encontramos mais laranjeiras azedas no lugar, substituíram as cabaças. Boa para enxaqueca a flor da laranjeira, usa-se o extrato que é relaxante. Para mulheres, então, com os maridos e as crianças gritando é especial. Achei um comentário engraçado. Para aliviar a cabeça, usa-se com leite. O guia Tuk compra nossas entradas para entrar no palácio.

São 8 hectares. O ministro que o construiu queria uma vida privada. Para isso necessitava de uma passagem cotovelo, um corredor, sem janela para ter privacidade e não ofender ninguém: ricos com pobres juntos. Deus quer o coração, a roupa não interessa, segundo o guia. Para tanto, o uso da vestimenta djellaba (a túnica) que esconde o traje por baixo. Dentro do palácio, um jardim marroquino. Escritórios de secretário e do ministro. O cedro usado. Teto lindo, salas diferentes. Vida administrativa do ministro. Salas para marroquinos diferentes das salas para estrangeiros. Cada sala com teto, tapetes no chão diferentes. Teto com tapetes iguais pareciam espelhos. Lá se faziam tapetes ricos de acabamento, outros de algodão. Para aquecer a casa, braseiro e mobiliário para cobrir o chão no inverno. Quando os franceses se foram, levaram os tapetes. Eram imperialistas. Não era protetorado, mas colonização.

Riad é uma casa com jardim, plantas e laranjeiras. Casas sem jardins também existem. A árvore cedro no Marrocos não é exportada. O muçulmano é monoteísta, crê em Deus. Os guias falam muito na religião deles. Casamento entre membros de famílias diferentes é bom para a paz. Mulheres viúvas seriam a segunda esposa, gesto nobre para a mulher ser amparada. Regra religiosa do passado: a poligamia, até quatro mulheres. A favorita seria a que tivesse um filho homem. Se a concubina tivesse o filho homem, se tornava a favorita e não as esposas. Em 2004, o rei Mohammed VI criou uma nova lei: só há uma segunda esposa se a primeira aceitar e há contrato com vantagens materiais para a primeira. No Palais Bahia, havia três salas para as outras e uma para a favorita. Hoje não mais esse harém todo, a economia não permite e o pensamento muda. O rei inovador Mohammed VI só tem uma mulher. A educação é que conta.

O salão marroquino com sofás e de mármore italiano com acesso privado era o da favorita. O guia nos conta muito sobre a cultura à época. Na religião se aceita o divórcio se o casamento não estiver bom. No Marrocos não se usa burca, não é obrigada a se cobrir toda. Nos jardins de inverno do palácio, havia espaço para as quatro esposas/mulheres em um pátio grande passearem e tomarem vitamina D sem cruzarem uma com a outra. Hoje são usados para eventos culturais, musicais e de casamentos. Os guias falam de forma aberta sobre assuntos matrimoniais.

Vimos plantas de ginseng, boas para a cabeça. Do pátio aberto, saímos para o jardim com uma gateira, ou seja, os gatos entravam pelos buracos na porta a fim de comer os ratos, e ali também funcionava escola para os filhos. Eram selvagens, hoje, não. Atualmente esgotos, antes fossas antissépticas.

Continuamos no Palácio do Bahia. Na casa, os pátios são abertos e as janelas para dentro. Tetos altos e quartos fechados com temperaturas agradáveis para o frio. São pequenos, quadrados, sem janelas, com tapetes, a cama em cima do chão com armários. O teto fechado para evitar temperaturas fortes. Para o verão se usava os quartos maiores com degrau, uma porta dentro da outra. Casa completa com lado para os servos. Muitos detalhes na casa. Quarto pequeno para a mulher amamentar, passagem com três portas. Guardas na passagem cotovelo para evitar a entrada de estrangeiros. Banheiros. Pintura nos tetos feita de cedro, pigmentos, papoula (cor vermelha), alecrim (cor verde), alfavaca, puro açafrão em pó, filamentos, barba do milho pintado, índigo vegetal (azul, usado por tuaregues contra mosquitos), clara de ovo (cor branca), antimônio para proteger os olhos (cor preta).

No mundo muçulmano, não há imagens, consideram idolatria, mas existem a caligrafia (saúde permanente, a escrita), os motivos florais e geométricos.

Os muçulmanos não são fãs de carne vermelha, porque os animais comem coisas sujas. Preferem a carne salgada, cevada fervida e seca, tâmaras com leite, bom para a saúde. É o que comiam nas caravanas do passado. Mulheres puérperas tomam cerveja (cevada) e pão.

Sem dúvida, outro mundo. De lá vamos prosseguir nos passeios.