Lisboa-Portugal-2024-dia 3-segundo passeio de Yellow Bus e elétricos

Lisboa-Portugal-2024-dia 3-segundo passeio de Yellow Bus e elétricos

Hoje é sexta-feira, dia 5 de abril de 2024. Vamos passear de novo de Yellow Bus, o ônibus turístico. Afinal, havíamos comprado por 48 horas. Andamos até a praça da Figueira. Entramos no ônibus e seguimos. A intenção era descer na loja de departamentos El Corte Inglés. Estamos no percurso em direção a Belém.

O motorista brasileiro deu dica do shopping Amoreiras e seu mirante com o visual da cidade. Preferem chamar shopping center de “centro comercial”. Vemos o Mercado da Baixa, de 1855, com queijos da serra da Estrela, ginjinha, artesanato de azulejos, muitos decorados com estampas deles. Considero uma beleza. Muitos táxis e tuk tuks ali.

Praça do Rossio, lugar de acontecimentos importantes. Teatro Dona Maria II (irmã do nosso Dom Pedro II), da segunda metade do séc. XIX, além da estação de trens ou comboios, como dizem, a Estação do Rossio. O Obelisco homenageia os portugueses que lutaram pela independência de Portugal da Espanha em 1640.

Na parada 4, descemos no El Corte Inglés. A melhor loja de departamentos, na minha visão. Deliro só de olhar e sentir o perfume. Fomos logo à Timberland a fim de ver sandálias, botas, pisantes para viajantes. O Carlos se entusiasmou e olha que não queria ir à loja. A vendedora atenciosa Isabel Mateus nos deu a dica do cartão do turista com desconto de 10% na próxima compra. Sugestão válida. A loja possui 13 andares, com cafeteria, loja de vinhos, bebidas e azeites, móveis, restaurante, espaço para eventos culturais, supermercado, quiosques etc. Uma loucura gastronômica. Na Alcoa Doçaria Conventual, de 1957, encontramos delícias como Almofadinha de maçã, Torresmo do céu, Segredo de D. Pedro, Mimos de freira, Diário de D. Inês, Jesuíta e outros doces. Escolhi um café com Delícias do convento que era feito com amêndoas e ovos. Uau! Doces conventuais (criados em conventos). Amo de paixão! Quem estiver de dieta, não vá a Portugal, meu conselho. No supermercado, prova de sorvetes de frutas exóticas: graviola, coco, goiaba e açaí. Tive que achar graça, pois são nossas frutas tropicais.

Em frente da seção de roupas do El Corte Inglés, do lado de fora, estava a parada do Yellow Bus-Belém. Entramos, fiquem ligados para não perder o tíquete. Alias, dá desconto em museus. Continuamos. Praça Eduardo VII, Jardim Amália Rodrigues. Detalhe: o bairro Queens em Nova York-EUA tem esse nome em homenagem à rainha Catarina Henriqueta (da Casa de Bragança), portuguesa. Os jacarandás embelezam Lisboa no final da primavera.

Estamos na zona/região das árvores amoreiras. São inúmeras. Shopping das Amoreiras, no mármore rosa e vidro, o primeiro a receber vários prêmios pela sua arquitetura arrojada. Monumento a Pedro Álvares Cabral, que com a sua armada, descobriu o Brasil. Dizem que os portugueses poderiam saber da existência do nosso país, por isso o desvio em Cabo Verde.

Que calor! Ponte 25 de Abril. Ponte Vasco da Gama celebra os 500 anos de descoberta dos Caminhos das Índias. Na ponte, o Bridge Experience é um observatório envidraçado. Rio Tejo, o mais extenso da Europa. Museu Nacional dos Coches. Vi o caminho de evacuação em caso de tsunami. Palácio de Belém, de cor rosa. Lá estava a Família Real na época do terremoto de 1755. Houve danos. Rua de Belém e as várias opções de confeitarias, onde vendem o único pastel de Belém. O Mosteiro dos Jerônimos foi construído com o dinheiro das especiarias, a pimenta, da época das navegações. Jardim da praça do Império Magnífico com seus jardins. Notamos uma máquina que limpa a grama em uma praça. Zona/região de Belém com muitos prédios baixos, cafés, restaurantes, uma lindeza. Avenida da Torre de Belém. Torre de Belém, Patrimônio Mundial da Unesco, parte de defesa da cidade e Torre São Sebastião, desaparecida pelos séculos. Museu de Arte Popular, Padrão dos Descobrimentos. O calçadão ao longo do Tejo incentiva uma boa caminhada. Ponte 25 de Abril acaba em Almada do outro lado do rio, Reserva Natural do Estuário do Tejo.

Estação das Docas, armazéns à beira do Tejo: Havana Bar, Hawaii, Capricciosa Pizzaria, muito movimento. Avenida Infante Santo. Colinas de Lisboa, a parte alta oferece vistas deslumbrantes. Bairro Freguesia de Santo Antônio. Rua do Conde de Redondo. Rua Jacinta Marto. Museu de São Vicente de Fora, com a Galeria das Fábulas (de La Fontaine) em painéis de azulejo.

Descemos do ônibus. Almoço na Cozinha D´Avó Celeste, rua Augusta, 282. Por €14 (euros), filete de bacalhau (bom, mas com espinhas) e bacalhau com natas para mim e Carlos. Chope Imperial (Sagres) para o calor. Vimos uma garçonete argentina e não resistimos, declaramos nosso amor aos hermanos.

Na rua Garrett, perto do hotel Borges Chiado, há lojas brasileiras: Granado e Havaianas. Na praça Camões, música ao vivo brasileira: Bossa Nova e Djavan. Vimos manifestação dos motoristas da TVDE (transporte em veículo descaracterizado a partir de plataforma digital)-Uber.

Na espera do bonde n. 28, considerado a grande estrela sobre trilhos. Transporte comum usado por turistas e moradores. Usamos o mesmo tíquete do Yellow Bus. Ficamos em pé, depois sentei. Vai subindo as ladeiras, há paradas. Vamos até a última, só queremos aproveitar a viagem. Dentro, um aviso para tomar cuidado com os pickpockets, ladrões de ocasião. Só ando com a minha mochila rosa choque pra frente, aprendi na dor em Paris, quando furtaram a minha carteira, creio que dentro de uma farmácia. Enfim…Subimos, novos bairros. Rua Saraiva de Carvalho, bairro Prazeres.

Em Lisboa se chama o bonde de “elétrico”, o 28 passa pelos bairros tradicionais. Alguns são estreitos e históricos. Os pontos de passagem são Praça do Comércio, parada 1. E mais: Praça do Município, Lapa, Estrela, São Bento, Camões (onde pegamos), Chiado, Rua da Conceição, Sé, Portas do Sol, Alfama, Graça, Martim Moniz e Praça do Comércio de novo. Descemos na parada final em Campo de Ourique, em 1h20 min. fizemos o trajeto. Esperamos um pouco e entramos no mesmo bonde com o mesmo condutor simpático.

Na volta, rua Saraiva de Carvalho de novo, eram 20 pessoas sentadas e 38 em pé. Bairro classe média, com prédios baixos, muitas lojas embaixo dos prédios, deve ser bom de viver. Mais turistas que portugueses na área turística. O bonde em frente estava avariado, logo descemos, caminhamos e rumamos à Basílica da Estrela. Testemunhamos condutores descerem de bondes e ajeitarem os trilhos. Fomos em grupo e subimos em outro, enfim. Agora em processo de descida. Rua Calçada da Estrela e rua de São Bento. Detalhe: há motoristas que estacionam seus carros em cima de trilhos e atrapalham o trânsito, aí o bonde não consegue prosseguir. A multa varia de €60 a €300 (euros).

Chegamos à praça Camões. A feirinha sempre convidativa, então comemos uma empada de bacalhau e uma de frango da República das Empadas, €2 (euros) cada. No restaurante O Trevo pedimos a canja com massa redonda por €1,70 euro. Melhor pedir algo diferente, pois deixou a desejar.

Ainda resolvemos passear mais de elétrico, o n. 24 na mesma parada da praça Camões. São 19h10, o dia claro. Bairro Alto, miradouro São Pedro de Alcântara. Rua Dom Pedro V, rua da Escola Politécnica, Mãe de Água das Amoreiras, rua das Amoreiras, término de trajeto na esplanada do Quiosque 24, com venda de vinho, espumante, sucos, café e petiscos mil na praça de Campolide. Mais 15 minutos e entramos no mesmo bonde com o mesmo condutor. Trânsito civilizado. Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Jardim Botânico, rua da Escola Politécnica, restaurante do Jamie Oliver de Lisboa: Jamie´s Italian Lisboa, praça do Príncipe Real, mirador de São Pedro de Alcântara, com outra feirinha de comida, sangria, sabor serrano, mais completa que as outras. O belvedere (mirante) parece uma praça, ali se reúnem artesãos expondo suas obras, artistas de rua e quiosques para um café ou muito mais. Teatro da Trindade e retornamos.

Detalhe: a água de Lisboa é maravilhosa para o cabelo e pele. Uma água que se bebe já diz tudo. Dia completo.

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico da linha Moderna

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico da linha Moderna

Hoje é dia 4 de abril de 2024. Continuamos no passeio de ônibus turístico, saímos do Yellow Bus, almoçamos e prosseguimos à tarde com a linha Moderna.

Às 16h15 na parada 1: Praça da Figueira. Monumento a Dom João I. Praça do Rossio ou Dom Pedro IV, com estátua ao nosso Dom Pedro I, em Portugal, Dom Pedro IV. Café Gelo, café Nicola, lugar de encontro de intelectuais. Estação ferroviária do Rossio no estilo romântico. Obelisco na praça dos Restauradores, no local há salas de espetáculos, casas de ginjinha (licor feito da fruta ginja, típica de Óbidos), Hard Rock Café etc. Lisboa tem cheiro de flores e de mar, diz a canção de fado.

Subimos a Avenida da Liberdade, onde existia o Passeio Público de antigamente. As lojas mais conceituadas, de grife, se encontram nessa avenida tão garbosa. Pessoas da classe alta vivem nela. Calçadas portuguesas do séc. XIX, quiosques, bancos, estátuas e monumentos ligam a Baixa (bairro) à Marquês de Pombal (praça).

Não se vê sujeira em lugar algum, que inveja! As primeiras calçadas portuguesas eram feitas por grilhetas (agrilhoados/presidiários) de joelho no chão e martelo na mão, algo que exige paciência e perícia. O trabalho é encontrado em Macau, Angola e Brasil.

Museus fecham às segundas. Subimos pela rua do Forno do Tijolo, onde se encontram casas bem portuguesas. Mercado Sapador Penha da França. Escutamos fado pelos auriculares do ônibus.

1755, ano do terremoto, tsunami e incêndio na cidade. Destruiu a Baixa e milhares morreram. Influenciou os Iluministas, Voltaire escreveu o poema Candide baseado na tragédia e na grandeza do sismo. Lisboa caracterizada pelo seu clima ameno, céu azul, magia, luz branca, brilho e luminosidade contagia escritores, turistas e pintores.

O comércio de lembrancinhas na cidade está na mão dos paquistaneses. O espanhol São Vicente é o padroeiro de Lisboa. Foi martirizado em Valência e salvo dos urubus por um corvo, também diz a lenda que seus restos mortais foram acompanhados no barco por dois corvos ao chegar a Lisboa em 1173. Vem daí a barco ladeado por dois corvos ilustrar a bandeira de Lisboa. Já o italiano Santo Antônio de Pádua é o mais popular, o santo casamenteiro. Mobiliza milhares de pessoas às festas em junho em sua homenagem. Marchas populares com desfiles nos bairros, fitas, balões, bailes, sardinhas na brasa. Melhor momento para se apaixonar e casar.

Estação ferroviária Santa Apolônia, Museu Militar, Miradouro de Santa Catarina e outros com quiosques para uma bebida e petiscos. Lisboa, próxima do rio e mar, sofria com a presença de piratas no passado remoto. Até então, o caminho parece com o da linha Yellow Bus. De agora em diante, começa a mudar, enfim aparecem as novidades da linha Moderna. Travessa do Terreiro do Trigo e o bairro mais antigo Alfama. Casas de fado, música tradicional portuguesa. Uma vez por ano festas populares no bairro mais peculiar da cidade. Museu do fado, com exposições e ventos em volta da guitarra portuguesa e fado. Nomes de ruas originais, só existentes lá. Mais um exemplo: Boqueirão da Ponta de Lama. Perto de Santa Apolônia, restaurantes e a discoteca mais badalada de Lisboa: Lux Frágil. Vamos em direção ao Parque das Nações.

Peixes, bacalhau, comum ver o seco, encontrado em mercearias, além do atum e da sardinha. A indústria conserveira do país é forte. Queijos, vinho tinto português, pastéis de natas de Belém, doceria portuguesa, produtos de qualidade.

Três transatlânticos no porto. Museu Nacional do Azulejo com a igreja Madre de Deus. Painéis de azulejos do séc. XVII (Casamento da Galinha) e XVIII (História do Chapeleiro). Infante Dom Henrique de Avis (1394-1460), o Rei Navegador, mentor das viagens portuguesas, comparado a Alexandre, o Grande. Filho de Dom João I, de Portugal e Filipa de Lencastre, da Inglaterra. Deu início à globalização. Nova realidade às novas culturas devido às explorações marítimas que mudaram os hábitos dos locais desbravados. Os navegadores eram de Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda.

Freguesia do Beato, zona portuária, a praça 25 de Abril tem estátua de José Guimarães, artista plástico contemporâneo português e calçada portuguesa. A obra em questão está situada no centro da praça e é uma homenagem aos construtores de Lisboa, tem as cores verde e vermelho, tonalidades da bandeira portuguesa. A ponte Vasco da Gama com 17,85 km de extensão, a mais longa da Europa, foi inaugurada com feijoada para a população utilizando a mesa mais comprida do mundo.

O Parque das Nações possui equipamentos culturais e edifícios modernos, foi construído para a EXPO 98. Restaurantes, jardins, contato com o rio Tejo. Com o fim da exposição, tudo foi conservado. Lá estão o Teatro Camões, o Pavilhão do Conhecimento, a Alameda dos Oceanos, o Museu de Ciência com exposições interativas, o Oceanário. Vemos a Estação do Oriente, ou Gare do Oriente, cuja arquitetura é inspirada no mar. Do arquiteto espanhol Calatrava. Interface dos transportes públicos, muito vidro… com obras artísticas de artistas do mundo todo.

Shopping Vasco da Gama. Bairro arborizado, mais moderno, com prédios bem altos. Bastante movimento, projeto que deu certo. Tem vida e é enorme. Lembra o Puerto Madero de Buenos Aires. O edifício mais alto de Portugal, com 143 m, tem restaurante no topo com panorâmica de luxo. Forma de duas velas de um navio, faz lembrar as caravelas do rio Tejo, diz o arquiteto Nuno Leónidas, responsável pelo projeto. O Myriad é um hotel da rede de hotéis SANA e se localiza junto à torre Vasco da Gama.

Lisboa, nome fenício, significa porto seguro, enseada. Os romanos deixaram muralhas. Os muçulmanos deixaram nomes. O primeiro rei foi Afonso Henriques, o Conquistador. Cidade cosmopolita, multicultural, por ela passaram animais e plantas exóticos. Zona de quintas (sítios) nos arredores de Lisboa, com olivais no passado. Vemos o aeroporto internacional Humberto Delgado ou aeroporto de Lisboa, são 30 companhias aéreas, 100 destinos.

Parque da Bela Vista, onde ocorreu o Rock in Rio Lisboa até 2023. Avenida da Ordem dos Enfermeiros, ampla com casas lindas. Almirante Gago Coutinho. Praça Francisco de Sá Carneiro ou praça do Areeiro com monumento do advogado, político pós-revolução e primeiro-ministro, que morreu em 1980 em um acidente aéreo. O número de praças impressiona.

Trouxas de Malveira, doce cuja origem é conventual (dos conventos), usa canela, ovos, açúcar do Brasil e da ilha da Madeira (Portugal) e amêndoas. A variedade de doces chama a atenção.

O consumo de café expresso é motivo para reunião de amigos. Avenida Almirante Reis com ciclovias e árvores no canteiro central. Avenida linda. Vimos barracas com moradores de rua. País pequeno, grande diversidade.

No sul de Lisboa, há praias para surfe. Sesimbra, Setúbal, Parque Natural da Arrábida, Alentejo, vinhos tintos e um patrimônio natural considerável no país, como Évora (Patrimônio da Humanidade).

Calçado Guimarães, enorme. Descemos e caminhamos. Passamos pelo Elevador de Santa Justa ou Elevador do Carmo, feito de ferro, com um mirador e uma vista maravilhosa. Liga a rua do Ouro e a rua do Carmo ao Largo do Carmo. A Fábrica da Nata, pastéis de nata com um café (bica) na praça dos Restauradores. Come-se em pé. A confeitaria Casa Brasileira na rua Augusta oferece travesseiro de Sintra, pastel de Tentúgal, torta de amêndoas etc. O nosso hotel conhecido de outras hospedagens Residencial Duas Nações entre as ruas Augusta e Vitória, andamos até a Praça do Comércio, tiramos fotos do rio Tejo. Muita gente se deleitando com o cenário. Arco da Rua Augusta, €4,50 (euros) a visita. Shopping do Chiado. Jantamos na praça Camões no Marie Blachère Boulangerie: wrap de frango e sanduíche de presunto (sandes de fiambre) com queijo e tomate. Achei o fiambre oleoso, mas o pão estava muito bom.

Em breve mais passeios de ônibus Yellow Bus.

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico Yellow Bus

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico Yellow Bus

Hoje é quinta-feira, dia 4 de abril de 2024. Dia para passear de ônibus double-decker por Lisboa. Acordamos tarde, por conta da diferença de fuso horário entre Fortaleza-Ceará-Brasil e Lisboa, 4 horas a mais. Estávamos bem cansados. Decidimos comer no hotel Borges Chiado (rua Garrett, 108), por $10 (euros) cada. Bom custo-benefício. O pequeno almoço ou café da manhã é bem sortido: frutas: maçãs e tangerinas, sucos de máquina, cafés diversos, cogumelos, cereais, feijões, pães, bolos de nozes, chocolate e ananás, tudo com pouco açúcar, iogurte etc. No final, vale a pena. Elegante a sala do café de cor branca e dourada, com lustres bonitos do tipo pendentes, bem Europa. E turistas nas mesas falando alemão, francês, inglês e nós, sensacional! O hotel é decorado com fotos de Lisboa antiga e azulejos. Bem Portugal!

Por ser muito bem localizado, é mais caro, porém vale cada tostão. Estar ao lado do Café A Brasileira e estar em um bairro repleto de teatros, restaurantes, cafés e livraria Bertrand é um show. Trata-se da maior rede de livrarias de Portugal, inaugurada em 1732, por Pedro Faure, na rua Direita do Loreto.

Antes de sairmos do hotel, deixamos reservado o a excursão a Fátima, Nazaré, Batalha e Óbidos domingo por $76 cada, das 8h30 até as 18 h.

Há uma banca de revistas ali perto, do Jorge, onde compramos o passeio do dia. Preferimos ter direito a 48 h por $28. O Jorge vende mapas, linhas de ônibus turísticos e bondes, chocolates, livros e muito mais. E ele nos dá o folder e ensina a chegar na praça da Figueira para pegar o ônibus da linha amarela na sua primeira parada. No caminho, vimos o Café Nicola, as praças do Rossio e Restauradores. Nos perdemos e achávamos que a Restauradores era a Figueira, era pra ter dobrado à esquerda no Rossio, mas tudo bem. Nos encontramos, enfim.

Estamos no ônibus Yellow Bus-Ônibus Amarelo (linha Belém Lisbon) com auriculares e satisfeitos. Vamos sentir Lisboa, topam? Lisboa com suas subidas e descidas, praças, espaços. Estamos na Avenida da Liberdade, audaciosa, luxuosa, uma das avenidas mais caras da Europa, origem do séc. XIX. Edifícios imponentes, calçadas portuguesas, tradicionais quiosques. 1 km de comprimento. Larga, arborizada, imagino o que seja morar lá. Deve ser um paraíso.

A festa de santo Antônio é marcada por desfiles do santo, roupas tradicionais populares, a avenida fica linda, segundo o áudio. Segundo o site www.eurodicas.com.br, em vigor há mais de 90 anos, as marchas populares são parte importante das comemorações da festa. Elas acontecem na noite de 12 de junho na Avenida da Liberdade. Dali, saem pessoas em desfiles com coreografias, roupas tradicionais e música. Ocorrem mais festas do santo em outros bairros também. Eis Lisboa, uma cidade para “turistar’. O transporte facilita a vida do viajante, há os turísticos Yellow Bus e Gray Line (Linha Cinza), o tuk tuk, o tram, o metrô, táxis, Uber, o bonde, e as pernas, bastante válido o exercício. Falando em tuk tuk, vi pela primeira vez. Trata-se de um triciclo coberto que leva de 3 a 6 pessoas e o motorista funciona com guia.

Passamos pela Praça ou Rotunda do Marquês de Pombal, tendo no centro o monumento dedicado a ele (1699-1782) e inaugurado em 1934. Figura da história portuguesa, importante, controverso, carismático, secretário de Estado do Reino de Dom José I (1750-1777), autoritário, reconstruiu Lisboa após o terremoto de 1755. Lisboa é a capital mais ocidental da Europa, são aproximadamente 3 milhões de habitantes. O bairro peculiar Alfama tem becos e ruelas. No séc. XII, os mouros foram expulsos definitivamente da terra portuguesa por Dom Afonso Henriques na batalha de Ourique.

Ruas estreitas e medievais antes do terremoto. Depois, se urbanizou e desenvolveu. O clima está ensolarado, uns 19°C, uma gostosura, basta um casaquinho. Vemos a loja de departamentos que simplesmente acho formidável: o El Corte Inglés, o primeiro fora da Espanha, a loja é enorme, tem de tudo, supermercado e 14 salas de cinema. Muita gente na rua onde formos. A cidade com suas avenidas largas convida a caminhadas. Amo a arquitetura de prédios baixos, tão Europa.

Parque Eduardo VII, inaugurado em 1940, em homenagem ao rei da Inglaterra que visitou a cidade em 1903 para celebrar a aliança entre os dois países. Jardim Amália Rodrigues, em tributo à grande cantora de fado. Conforme a Wikipédia, a rainha Catarina de Bragança foi casada com o rei Carlos II, logo foi rainha consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1662 a 1685. Era filha de Dom João IV e Luísa de Gusmão. Foi quem levou a tradição do chá à Inglaterra. A ligação entre os dois países é antiga. No parque, a vegetação luxuriante com estufa fria, quente e doce, lagos, bosques, lugar imperdível. Há as árvores jacarandás na praça.

Praça das Amoreiras com muitas árvores plantadas para alimentar o bicho da seda para o comércio da época de Marquês de Pombal. Diz-se que ele plantou a primeira amoreira.

Arcos e Aqueduto das Águas Livres, construído entre 1731 e 1799, Monumento Nacional desde 1910, permitiu abastecer de água fresca e potável toda a cidade de Lisboa. Armazenamento de água com galerias e fontes, a água era transportada pela força da gravidade. Algo curioso: nesse século as pessoas só tomavam banho 3 vezes na vida: nascimento, casamento e morte. Colocavam perfume na base dos candelabros para afastar o mau cheiro. No Largo do Rato, do séc. XVIII, os chafarizes faziam a distribuição das águas pela cidade.

Nos prédios baixos é comum ter comércio embaixo. Monumento a Pedro Álvares Cabral, inaugurado em 1941, na freguesia de Santa Isabel. A influência portuguesa foi imensa na África, Ásia e América formando um grande império.

O romântico Jardim da Estrela, onde os habitantes fazem piqueniques e se encontram parques infantis. Basílica da Estrela, onde está o túmulo de D. Maria I, que faleceu no Brasil, e ela mesma mandou erguê-la. Também há pinturas de Pompeo Batoni, pintor italiano de período Rococó. A basílica tem estilo barroco com traços neogóticos do séc. XVIII. De acordo com a Wikipédia, uma curiosidade: foi a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, tendo por base as revelações de Cristo à santa Margarida de Alacoque e reforçadas mais tarde à beata Maria do Divino Coração (Droste zu Vischering) Foi ela que influenciou o papa Leão XIII a efetuar a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus em 11 de junho de 1899.

Amo o sotaque português, desbravamos a cidade lusa ao som de músicas de fado. Vemos o monumento ao Cristo Rei ou Santuário Nacional do Cristo Rei que fica na margem sul de lisboa, do outro lado do Tejo, já na região de Almada em Setúbal. Para chegar lá, deve-se cruzar a ponte 25 de Abril.

Portugal é o país com maior influência árabe do outro lado do Tejo, isso é materializado nos azulejos existentes em pontes, muros, linda decoração. O Museu do Oriente mostra a presença portuguesa nesses países.

Atravessamos a ponte suspensa rodoferroviária 25 de Abril, nome que mudou por conta do fim da ditadura, com a Revolução dos Cravos nessa data. Antes se chamava ponte Salazar. No nível inferior passam trens ou comboios, como chamam. Museu da Carris, uma viagem no tempo com bondes, Centro de Congressos, um dos melhores espaços para receber eventos. Ponte Vasco da Gama.

Rio Tejo, ícone da cidade com calçadão para longas caminhadas. Cordoaria Nacional, com feiras de antiguidades e arte em abril. Museu do Tesouro Real: ouro e diamantes do Brasil, joias da Coroa Portuguesa, conhecimento dos descobrimentos portugueses, lugar mais visitado, orgulho nacional. Museu Nacional dos Coches.

Estamos em Belém. Palácio Nacional de Belém, na praça Afonso de Albuquerque,residência oficial do presidente da República. Quando a bandeira verde está hasteada, o presidente da República se faz presente no local. Monumento Nacional desde 2007. Monumentos, Mosteiro dos Jerônimos ou de Santa Maria de Belém, do séc. XV, estilo manuelino, uma das sete maravilhas de Portugal, com os túmulos de Vasco da Gama, Luís de Camões etc. Jardim Botânico, pastéis de Belém. O rio Tejo chegava até ali e trazia os barcos do mar. Museu Nacional de Arqueologia, Museu da Marinha, Planetário.

Na praça do Império se situa o Centro Cultural de Belém. Torre de Belém. Museu do Combatente.

Fundação Champolimaud, com espaços públicos e lugar de trabalho de cientistas. Lisboa, ponto de encontro de culturas, sempre foi assim e sempre será.

Doca do Bom Sucesso, com iates e barcos, um visual para pinturas. Museu de Arte Popular, tradições e objetos típicos da cultura portuguesa. Padrão dos Descobrimentos, outra marina. Passear pelo calçadão é um primor. Estação Fluvial de Belém, em frente há obras com poesias da artista Sophia de Mello Breyner Andresen O lisboeta aprecia a arte, sem dúvida.

Estação das Docas, armazéns à beira do rio, com restaurantes embalados por muito jazz à noite, onde a animação rola solta. Terminal do Porto de Lisboa que expõe obras modernistas.

Na volta, se vai direto à parada 1, não descemos. Estamos no Bairro Alto. A rua Alexandre Herculano parece uma avenida. Tudo limpo, bonito, ensolarado. Antigamente os lisboetas faziam passeios nos jardins, nas hortas de alface, por isso são conhecidos como “alfacinhas”. Eram alfaces abundantes, aliás, foi o que comeram na época do Cerco de Lisboa em 1147, no período da Reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros. Comiam muito, tinham plantações. A origem da verdura é árabe.

A arte da calçada portuguesa vem de meados do séc. XIX. Eram feitas por mestres calçadeiros. Encontramos nas cores branca e negra em Macau e no Rio de Janeiro, em Copacabana. Hoje é obra de artistas plásticos e arquitetos em espaços públicos. Espelham tendências e hábitos de cada época. Contam histórias e passam mensagens de vida dos santos, batalhas, fábulas.

Na cidade, espetáculos, museus, monumentos dos tradicionais aos arrojados. Muitos brasileiros turistas e moradores. Também vejo pichações em azulejos, uma lástima.

Parque Martim Moniz. Praça da Figueira onde descemos. Descobrimos o restaurante perto “A Moderna”, na Rua dos Currieros. A garçonete Carina, uma simpatia. Pedimos o nosso desejado Bacalhau à Braz, regado ao vinho branco Ermida, português de Gondomar. Para nós dois: $31,95 euros, com duas bicas (cafés) e serviço incluído. Em outra mesa, duas brasileiras Vanessa e Mara, de Santa Maria-RS. Trocamos experiências diversas de viagens, sempre muito positivo esse papo de turistas.

As lojas de lembrancinhas na praça Figueira são uma loucura. Muitos objetos de cortiça, bolsas, carteiras, portas telefones etc. Os chaveiros de sardinhas coloridas de pano foram novidades para mim, tudo é colorido e bonito de se ver.

Na mesma parada 1, se pega o ônibus da Yellow Bus e o da linha moderna (ambos com a mesma cor). Continuaremos em breve com mais passeios.

Lisboa-Portugal-2024-chegada

Lisboa-Portugal-2024-chegada

Hoje é dia 3 de abril de 2024, dia de viajar a Portugal depois de um longo tempo. O Carlos e eu estávamos ansiosos e felizes, pois a terrinha portuguesa é apaixonante. Voamos pela TAP às 4h30 da madrugada de Fortaleza direto a Lisboa, e chegamos às 16 h, hora local. 4 horas de diferença para mais, já que lá é horário de verão. No voo serviram almoço e lanche depois, muito bom. Fomos pela agência Bluedream Viagens do nosso amigo Dennis. Gosto de ter um agente, pois na hora de problemas, sempre temos com quem contar.

Aterrissamos e na saída do desembarque, nossos nomes estavam nos painéis do Ponto de Encontro. Tinha que olhar com cuidado, porque eram muitos nomes. Estávamos com o transfer resolvido. O Yuri nos pegou e levou ao hotel Borges Chiado (rua Garrett, 108) no bairro Chiado. Um achado! Ótima localização e serviço. Tivemos que descer na rua ao lado e o Yuri nos ajudou com as malas. Como o motorista foi amável, demos uma gorjeta de $5 (euros), o que nem sempre fazemos e nunca sei quanto dar, confesso. O clima estava de primavera com sol, promissor. Detalhe: ao chegarmos ao hotel já pagamos $32 de taxa turística (pelos dias a ficar).

Aí fomos explorar as redondezas, pois era a primeira vez que ficávamos no Chiado. Detalhe: ao lado do Café A Brasileira, um luxo. Inaugurado em 1905, se situa à rua Garrett, 120-122. Também ao lado da Pastelaria Benard 104, de 1868, lugar para ficar na calçada e curtir o momento. Gostei da salada de frutas e da sangria de vinho rosé.

O bairro é cheio de opções: shopping, lojas, cafés, feirinha, que felicidade. A sensação é de voltar à casa. Não tenho palavras para transmitir meu amor por nossa pátria mãe, minha história é bem antiga com o país e creio que tenha a ver com o fato de ter sido sempre tão bem recebida lá. Os amigos do norte: Porto, Bragança, Santa Maria da Feira, Ermesinde e Esposende fizeram a diferença na minha vida. Salve, amigos e amigas. Hoje tem a amiga Débora em Leiria (cerca de Nazaré), saudações!

A Padaria Portuguesa com lanche à noite, o dia estava claro às 18h40. Salada com crouton negro e frango e suco de tangerina com maçã. Endereço: Praça Luís de Camões, rua de São Nicolau, 117 Floor (piso). A feira de Páscoa, de 22 de março a 7 de abril, na praça Camões ali pertinho oferece queijo da Serra da Estrela, produtos de cortiça variados (aumentou a oferta desde a última vez que fui), charcutaria (presuntos, salsichas, salames etc), doces portugueses, massas, uma delícia. Muito movimento, gente, música ao vivo, restaurantes com mesas no calçadão, uma festa. Na República da Empada, proveniente de Arraiolos (distrito de Évora), muito a provar.

Entramos na Igreja dos Italianos em frente à praça Camões, tão Itália dentro, com a imagem de Madonna di Loreto. Segundo a Wikipédia, é dedicada à Nossa Senhora do Loreto na Itália, onde se encontra a Casa da Sagrada Família de Nazaré. A igreja se localiza no Largo do Chiado, esquina com rua da Misericórdia. O autor do projeto da construção foi José da Costa e Silva. Com o terremoto de 1755, o templo sofreu grandes estragos e foi reconstruído em 1785. Possui um órgão de tubo, datado do séc. XVIII, e também se encontram armas pontifícias de autoria de Francesco Borromini (1599-1667), ladeados por dois anjos. Ele foi importante na arquitetura barroca romana. Para ler mais sobre o milagre da transladação da Casa da Sagrada Família de Nazaré para Loreto, ver o site Uma relíquia única: a Santa Casa de Loreto – Caminhada de Emaús (caminhadadeemaus.com.br) .

No bairro, muitos restaurantes, tasquinhas (pequenos restaurantes) para se refestelar de bacalhau e sardinhas com vinho. Lojas de lembrancinhas mil, uau, vou endoidar.

No dia seguinte mais perambulações lisbonenses. Lisboa iluminada, como não amá-la?

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 7-Fortaleza del Cerro de Montevideo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 7-Fortaleza del Cerro de Montevideo

Hoje é segunda-feira, dia 24 de abril de 2023. Incrível que a gente achava que era o dia da viagem de volta ao Brasil. Fomos checar, aí descobrimos que seria no dia seguinte e que estávamos “trelelé” da cabeça. Tudo bem, relaxamos e decidimos conhecer a Fortaleza do Cerro de Montevidéu ou Fortaleza General Artigas, onde se localiza o Museu Militar desde 1916.Endereço:Jose Battle y Ordonez, 12800.

Fomos de Uber e nos dirigimos ao cerro, uns 1000 pesos uruguaios (R$140,50) de ida e volta, lugar bem longínquo. O motorista Marcelo nos dá dicas valiosas sobre a cidade. O monte tem 134 metros acima do nível do mar, está no bairro Casabó. Ele não sabe como o Uruguai sobrevive sem petróleo e indústrias, somente com serviços e pecuária. Disse que deveríamos conhecer Cabo Polonio, distante 260 km de Montevidéu. É um balneário rústico, sem luz, interessante e receptivo a turistas do mundo todo pela sua beleza e natureza exuberante e inóspita.

Falemos sobre o cerro. O Museu Militar vale a pena conhecer, mostra batalhas importantes, armas, generais, canhões, e muita história sobre a fundação de Montevidéu, a declaração de independência do Uruguai em 25 de agosto de 1825, mapas etc. O mirante da fortaleza nos proporciona um cenário grandioso da baía de Montevidéu, com o rio da Prata embaixo e a cidade de Montevidéu do outro lado. Também se vê o porto e a refinaria de lá. A dica foi da Shame, atendente do hotel América.

Para chegar no local, tem que tomar cuidado, pois não é um bairro tão policiado. A fortaleza por ser área militar, sim. Melhor não ir de ônibus.

A Fortaleza del Cerro foi construída na pedra em 1809 e fundada pelo governador Francisco Xavier Elio. Ali estava a Guarnição Real Corpo de Artilharia. Segundo a Wikipédia, em posição dominante sobre o monte mais elevado da região, tinha como função a defesa do povoado e seu porto, à margem esquerda do rio da Prata. Trata-se da última fortificação espanhola construída no Uruguai. É um Monumento Nacional desde 1931.

O Marcelo ficou nos esperando e ao sairmos, retornamos ao centro direto para almoçar no El Fogón (rua San José,1080). Eu escolhi tilápia com legumes ao vapor, regada ao vinho jovem Cabernet Franc tinto, da Bodega Tomasi (Região Vinícola Atlântica Lomas de la Paloma/Rocha) e o Carlos: entrecôte bovino com salada, e de sobremesa: sorvete de limão com creme. O garçom Luís muito solícito, queria aprender português. Muito bom almoço, bem servido e tratamento de primeira.

Passeamos à tarde pelo centro. Não se veem fios elétricos nas ruas, por isso as árvores altas. A cidade fica bem mais agradável e bucólica. Perto do hotel América está a Passagemdos Direitos Humanos com o Palácio dosTribunais de um lado e a Suprema Corte do outro. Na avenida 18 de Julho, 1249, paramos no Bar Facal para um café expresso, detalhe: 110 pesos, ou seja, R$15,43. Ali fora está a Fonte dos Cadeados (Fuente de los Candados), local dos românticos frequentadores que colocam cadeados para ter um amor duradouro. Na rua Paraguay, descobrimos o Mercado dos Artesãos, onde indico a lojinha Caravanas com bijuterias originais, aliás, que mercado mais deslumbrante. São os mesmos artesãos do Mercado do Porto. Gostei, artesanato de alto nível, muitos feitos em vidro e osso.

Na praça de Cagancha ou Liberdade, demos uma parada. Para jantar, sanduíches e suco de laranja no Bar Hispano (San José, 1050) com os garçons Eduardo e Gustavo. Ficaram nossos “chapas”.

Dia 25 de abril de 2023. Dia da partida para Porto Alegre-Rio Grande do Sul. Às 12 h o transfer para o aeroporto nos pegou. Fizemos outro passeio pelas ramblas. O motorista Eduardo foi um ótimo guia, aliás, como gostam de nos contar detalhes. A música candombe nasceu no bairro Cordón. A praia Ramirez foi a primeira praia a ser frequentada pelas pessoas que logo depois tomavam chá no Parque Hotel de Montevidéu, de 1909 (hoje sede do Mercosul desde 1997). O bairro Pocitos é uma Copacabana pequena. Depois vem Buceo. Nas ramblas não se aceitam ambulantes. Passamos pelo museu Oceanográfico (Rambla República de Chile, 4215). A ilha das Gaivotas, uma reserva natural. Na praia Malvín se localiza a Casa de Veraneio de Carlos Gardel, Villa Yeruá, hoje museu (Rambla O´Higgins Rimac). Os bairros à beira rio são charmosos. Não se podem construir prédios altos.

Em Punta Gorda se encontram residências bem cuidadas, protegidas, a arquitetura é europeia. Carrasco é a região mais cara da cidade. No séc. XIX era um balneário como Punta del Este é hoje. Era um bairro privado, só entravam pelos portões de Carrasco. Depois o bairro foi crescendo com a venda dos terrenos. O hotel Sofitel Montevideo Casino Carrasco & Spa é um deslumbre. Carrasco é pensado, planejado com parques, árvores, flores, beleza. Vemos o parque Roosevelt no caminho do aeroporto. No aeroporto pediram comprovante de vacina da COVID-19. Havíamos comprado empanadas no centro por garantia.

Chegamos a Porto Alegre-Rio Grande do Sul, meus pais estavam lá. Na quarta, fomos ver a tia Rita no bairro Agronomia, e à tarde passeamos pela praça Comendador Souza Gomes no bairro Tristeza. De triste não tem nada, é alegre e movimentado. Lá nos deparamos com uma feira de verduras, cucas e produtos feitos e plantados pelos agricultores. Fiquei com água na boca. A confeitaria Bassani é uma tentação, antesera o café Itália (Praça Comendador Souza Gomes, 15). Passear pelas casas ao longo do rio/lago Guaíba é um cenário e tanto. As fotos com os barcos velejando viram poesia. Na confeitaria Rony Francês, as tortas são tentadoras (av. Wenceslau Escobar, 2389). À noite pizza com a família e amigos Isa e Fernando na Don Matraconni Pizzeria (av. Wenceslau Escobar, 2320, loja 6). Bom demais estar com os familiares do RS e casal amigo. A Zona Sul do Portinho é uma festa.

No dia seguinte, retorno a Fortaleza. Uma baita viagem. Uruguai, país pequeno, organizado, letrado, bonito e com um povo muito querido. Além de Porto Alegre e Gramado no Rio Grande do Sul, foi uma jornada gastronômica com muito vinho e encontros carinhosos.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Hoje é domingo, dia 23 de abril de 2023. Fomos de táxi do hotel América (Rio Negro, 1330) à feira usual da cidade aos domingos: Tristán Narvaja, das 8 h às 16 horas, no bairro Cordón. Inicia na rua Tristán Narvaja e se estende por várias quadras nos arredores. Fica perto da Plaza de los Treinta y Tres Orientales na av. 18 de Julho.

É diferente de San Telmo em Buenos Aires-Argentina, pois é mais feira de alimentos, como mel, mate, frutas, sucos, legumes etc. Também há roupas, antiguidades, sebo de livros, chapéus, produtos antigos fora de uso, quinquilharias mil, dentre outros. São quadras e quadras de feira, com muita gente, uma multidão. O povo leva cachorro e mate também, como bons uruguaios. Dá uma canseira de tanto caminhar, uma loucura. De almoço, comemos pizza e crepe acompanhados de suco de quatro frutas em uma banca, um evento. Ali perto música de candombe. Aliás, segundo a Wikipédia, é uma dança com atabaques típicos da América do Sul. Tem um papel significativo na cultura do Uruguai dos últimos 200 anos. Encontrei livros sobre a II Guerra Mundial em um dos sebos. O dono da banca não sabia que o Brasil havia mandado os “pracinhas” para a Itália para lutar contra o nazismo.

Fomos embora a pé, umas 8 quadras, até a av. 18 de Julho no centro. Muito movimento, vimos pedintes também. Passamos pela praça Engenheiro Juan Fabini, onde houve luta de estudantes pela democracia, há uma placa contando a história. As praças têm bancos para os pedestres sentarem, acho fantástico. A paz reina. O café La Pasiva, com sorvete, pelo caminho.

Para se despedir da jornada turística, decidimos pelo restaurante Tannat no jantar. Endereço: San José, 1065, centro. Menu: bife de chorizo com batatas fritas para o Carlos, e para mim frango recheado de queijo e presunto com purê de batata. Vinho Don Pascual 375 ml Varietal Tannat. Uma refeição robusta.

Para fazer a digestão, voltamos à mesma praça mencionada anteriormente. Para nosso divertimento, testemunhamos idosos dançando tango, uma graça. Isso é tão Uruguai. Ao som de tango, os casais bailavam à vontade. Há 9 anos quando estivemos lá já faziam isso. Escutamos também músicas gauchescas. O Carlos e eu sentamos no banco assistindo às danças, uma delícia. Se eu não tivesse acabado de jantar, teria caído no passo. Vimos isso em Córdoba na Argentina também, praças como espaço de danças.

Um pouco da história de Montevidéu. O folder Uruguay Natural do Ministério do Turismo nos informa que a capital foi fundada pelo governador e capitão do rio da Prata Don Bruno Mauricio de Zabala. O processo fundacional da cidade data entre 1724 e 1730, período em que começaram a chegar os primeiros colonizadores provenientes de Buenos Aires e das Ilhas Canárias. Os traçados da cidade foram delineados segundo as Leis das Índias a 45 graus em ângulos retos. A cidade foi muralhada em todo o seu perímetro, encontrando-se a Cidadela onde hoje é a parte ocidental da praça Independência. No ano de 1833 se projeta um novo traçado para a cidade nova que foi plenamente executado a partir de 1861. Diferentemente da Cidade Velha, a Cidade Nova se projetou com ruas amplas e arborizadas, onde se localizaram comércios suntuosos e grandes residências. No entanto, a avenida 18 de julho teve que esperar até o início do século XX para consolidar sua atividade como centro comercial e cívico. Com o traçado da Cidade Nova se criaram dois novos espaços públicos: a praça de Cagancha na avenida 18 de Julho e a praça Independência, onde as redes das duas cidades Velha e Nova se entrelaçam.

Nossa viagem a Montevidéu quase no fim.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Hoje é dia 22 de abril de 2023, viemos de Piriápolis em direção a Punta del Este, balneário e praia desejado por argentinos, brasileiros e uruguaios, conhecida como a Mônaco ou St. Tropez da América do Sul. Continuamos no nosso passeio de um dia com o motorista Carlos e a guia Laura da empresa Dreamtour.

Entramos pela beira-mar. A sua economia é autônoma, o padrão é alto, uns 32 milhões de dólares se encontram neste local. Até os bairros mais simples são fenomenais, Punta é diferente do resto do país em termos de riqueza concentrada. Mais de 9 mil pessoas vivem na cidade ao longo do ano. O padrão arquitetônico é planejado, tudo deve ser perfeito, há lei municipal que assegure isso.

É uma cidade localizada no departamento de Maldonado que atrai milhares de turistas o ano todo. Quantas vezes eu for ao Uruguai, retornarei a Punta. É a nossa terceira visita, lugar apaixonante de estar.

Estamos no ônibus e a guia vai explicitando Punta. Muitos prédios, segundo a guia Laura, foram terminados durante a pandemia de COVID-19. Punta não nasceu como os outros balneários, até 1920 era uma vila de pescadores. Em 1930/35 se andava a cavalo. Até 1948 viviam de pesca e extração de óleo de baleia. Os ingleses trouxeram o ladrilho hidráulico. Em 1945/50 o humorista mexicano Cantinflas morou lá. Em 1997 o famoso hotel Conrad (5 estrelas) foi inaugurado, tendo um cassino privado e centro de espetáculos. Aliás, os cassinos no Uruguai são 50 % do governo e 50 % privados. Carlos Villaró, da Casapueblo, de Punta Ballena, criou a primeira campanha publicitária de Punta del Este e trouxe Sophia Loren, Marlon Brando, Cantinflas, Burt Bachara etc.

Punta é tranquila com praças, prédios variados, são 35 bairros, uns prédios mais chiques, outros mais simples com tijolo à vista, cada prédio diferente. Tudo é bonito. A cidade tem o Punta Shopping, distrito gourmet, o restaurante francês mais caro, design, muitos bosques e parques belos. O museu Ralli tem exposição permanente de Salvador Dalí. Ali se encontram obras de Botero, Amaya, e de outros artistas de renome (endereço: Los Arrayanes, sem número, bairro Beverly Hills). Vale uma visita, infelizmente, não tivemos tempo e a entrada é gratuita. O cantor Roberto Carlos tem casa próxima. As casas têm guarita, não têm numeração, mas nome. Parece a praia Pontal de Maceió-Fortim no Ceará, algo bem original.

Por aqui se faz passeio de casas chiques, de famosos como em Hollywood, Los Angeles nos EUA, uma casa que nos é mostrada é a da família Grendene, dona das marcas Melissa, Rider e outras. Para nós, bastava a casa dos caseiros que já é fenomenal…

Os bosques têm flores silvestres. Seguimos na avenida Las Palmas, parece Jurerê Internacional em Santa Catarina. Tudo é amplo, limpo, cuidado, dá gosto. Em 2016 foi inaugurado o Centro de Convenções com arquitetura inovadora para 4500 pessoas ao mesmo tempo. Para crianças, a dica é o parque temático El Jaguel (jaguar), endereço: av. Aparicio Saraiva Camino- A La Barra.

Interessante que a escola pensa em educação financeira para as crianças. A guia nos conta que a viagem de final de ano de conclusão do fundamental é muito planejada. Os pais não gastam nada, durante um ano, as crianças vendem artesanato e outras coisas, a ideia é ensiná-las a economizar e valorizar o dinheiro depois da escola primária ou fundamental. No último dia choram todos de emoção. O país é pequeno e organizado.

Estamos passeando de ônibus, rumamos à La Barra, ao lado de Punta, mais agreste, natural, deve ser uma delícia de morar. Em 1965 foi inaugurada a ponte sobre o rio Maldonado, única com pé hidráulico no país. Ali ocorre o encontro do rio com o mar.

Entre 2021 e 2023 centenas de radares para controlar a velocidade foram implantados. Motivo: muitos acidentes e mortes de argentinos por conta do consumo de bebidas. Punta vive da economia, construção civil e turismo. Só para se ter ideia em janeiro se aluga um apartamento por 2 mil dólares ao dia.

Passamos pela Casa Rayban onde todas as janelas foram feitas pela empresa, são fotocromáticas. Na Casa Amare viveu o ex-ditador do Chile Stroessner. No edifício Acqua, sem paredes, há uma piscina olímpica por apartamento, cada um vale 4 milhões de dólares. A casa alugada pela Embaixada dos Estados Unidos já hospedou Barack Obama e Bill Clinton, e chamam de chalé… O primeiro investimento de Trump Júnior foi o The Grand Hotel, também existe na cidade o Trump Tower, investimento do Trump.

Estamos na Rambla Lorenzo Battle Pacheco. Nos anos 70 começa a evolução da cidade. De 1980 a 1999 torres foram construídas e Punta explodiu. Já foi paraíso fiscal por muitos anos, dinheiro de corrupção ou narcotráfico, atualmente não se pode mais ter empresa em Punta, só se tiver mais de 5 anos no país. O Uruguai é sério com isso.

A escultura La Mano está sendo restaurada. De acordo com a Wikipédia, La Mano (A Mão), Los Dedos (Os Dedos) ou Hombre emergiendo a la vida (Homem emergindo da vida) é uma escultura de cinco dedos parcialmente enterrados na areia, localizada na parada 1, na Praia Brava. Concluída em fevereiro de 1982, foi feita pelo artista chileno Mario Irarrázabal.

Vimos o Iate Clube, uma beleza, muito caro se hospedar sendo associado, imagine se não for. Vemos lobos e leões marinhos no Iate Clube. O farol é do século XIX no extremo sul da península e possui uma plataforma de observação. Que passeio! O rio da Prata se encontra com o oceano Atlântico.

Em Punta Salinas, vemos a bandeira uruguaia enorme. É o ponto mais austral do país. Pisamos na plazoleta (pracinha) Grã-Bretanha. No meio do século XIX, o alemão Luís Burmester explorou uma salina na península, dando origem ao nome. Uma curiosidade sobre a história da II Guerra Mundial: segundo o blog guia.melhoresdestinos.com.br, ali fica exposta a âncora do Navio Ajax, que participou da histórica batalha do Rio da Prata naquela região em dezembro de 1939, travada entre as Marinhas inglesa e alemã, as duas potências mundiais em mar. Foi a primeira grande batalha naval da II Guerra.

O almoço foi quase 15 h no restaurante Charrúa (Calle 28 Los Meros), com muitas opções de saladas, carnes e peixes. Pedimos uma cerveja Patricia Lager para matar as saudades. A guia combinou de nos encontrar na Rua 30 depois de um passeio ao ar livre. Fomos para a tal rua e descemos rumo ao mar em direção ao Iate Clube. O calçadão é divino com dois mirantes de madeira. Palmeiras, gente curtindo o visual do mar, ufa! Uma sensação gostosa.

Ambiente acolhedor com muita gente conversando, passeando, tomando mate. Lixeiras de concreto na praia, os edifícios e restaurantes se localizam à beira mar. Um show. Na beira da praia tem grama e as árvores (palmeiras) têm um tronco menor, mas a copa é enorme, vieram da França. As sementes são amarelas, que cenário. No caminho, tomamos um sorvete de arándano (mirtilo) com creme de morango na sorveteria Pecas na Rua 30.

O Google nos reporta que Punta del Este é uma cidade turística situada numa península estreita no sudeste do Uruguai. A popular praia Brava é conhecida pelo surf intenso, bem como pela escultura La Mano. Na costa oeste, a praia Mansa tem águas calmas e de pouca profundidade. O artesanato local é vendido na praça Artigas, junto às lojas sofisticadas da avenida Gorlero.

Na volta a Montevidéu, no ônibus, somos presenteados com um pôr do sol espetacular que mais se assemelha a uma bola de fogo laranja com vermelho. Conclusão memorável para um dia incomum.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Hoje é sábado, dia 22 de abril de 2023. Às 8h15 da manhã o ônibus da empresa Dreamtour veio nos buscar, o ônibus da Solybus era muito confortável. A guia Laura, parabéns a ela, demonstrou muito conhecimento. Passeio de dia todo.

Vamos passeando pelo centro de Montevidéu com prédios de estilo neoclássico, local altamente habitável. O porto tem 10 m de profundidade. Estamos na Cidade Velha pegando turistas nos hotéis. A cidade é como Fortaleza-Ceará, se dá voltas e voltas para chegar a uma rua. Notei a cidade pouco pichada, fico feliz. Pichação enfeia. Estamos na avenida General Rivera. Como é frio, não se vê gente nas varandas dos apartamentos e as janelas ficam fechadas. Cenário de inverno.

Passamos pelas Ramblas, Costanera, Beira-Mar, são 132,7 km até Punta del Este. Aliás, a terceira vez que vou. Departamento (estado): Canelones. O percurso será pela região leste, Maldonado, balneário Solís (panorâmica-Piriápolis), capela Santo Antônio, café, teleférico, Casa Pueblo-casa/museu de Carlos Paz Vilaró, Punta del Este, almoço, tempo livre.

Os bairros mais caros de Montevidéu pelos idos de 1890 eram fazendas pertencentes a famílias, como a Carrasco. Mandavam filhos varões para a Europa. Criavam vacas. Começaram a Associação Imobiliária e contrataram o arquiteto paisagista francês Carlos Thays, que desenhava jardins e praças. Do centro para lá eram 4 dias a cavalo no areal. O hotel Sofitel era o mais importante em 1944. O corpo diplomático mora em Carrasco atualmente. Também moram jogadores de futebol, é um bairro arborizado e bonito.

Até 1997 Punta del Este era campo e praia, sem planejamento. São uns 24 km do centro de Montevidéu. Em 1995, começaram a construir casas em Canelones para final de semana. Tiveram que colocar pedra ou cimento para construir em cima da areia. Não havia um plano arquitetônico em 2000/2001, sem serviço de esgoto, lixo, era caótico. Com chuvas, as casas se inundavam, virava um lago. A parte sanitária era um horror. Tudo mudou. São 5 milhões de dólares anuais até 2025 para correções e melhorias. Há manguezais na área, porém construíram um shopping center em cima, um desastre, segundo a guia.

No Uruguai o primeiro esporte “paixão nacional” é o ciclismo, o segundo futebol. Passamos por um caminho de bosques, com árvores mil e pelo portal da cidade de Salinas. No balneário Bella Vista, vemos um marzão, com casas lindas na beira mar, tudo tão tranquilo.

O uruguaio gosta mais de Piriápolis do que de Punta del Este. O Cerro (morro) de los Burros é 78% plano, são 170 m de altura, e lá criam gado bom para corte, sua carne é macia. São 21 milhões de cabeças de gado no país, há mais bicho do que gente, além da venda de gado, produzem leite.

Francisco Piria (1847-1933) era uruguaio, neto de genoveses. Ele é o responsável pela criação do balneário em 1890. Ele fica órfão de pai ainda criança e sua mãe o envia para a Itália para que seu cunhado religioso (jesuíta) se ocupe de sua formação. Foi no país que ele começou a cultivar seu amor pelas artes clássicas. Voltando ao Uruguai, trabalhava com comércio em Montevidéu. Compra terras na região de onde seria Piriápolis e aí fez história. Era empresário, alquimista, escritor e político.

A guia menciona o Cerro Pan de Azúcar e o Cerro del Inglês. O site pt.piriapolishoy.com nos conta que o cerro era originalmente chamado de Morro do Inglês, mas foi rebatizado por Francisco Piria como Morro Santo Antônio para atrair casais. Tal morro fica sobre a baía de Piriápolis com uma altura de 130 m. Rambla de los Argentinos (palavra que vem de argento (prata)).

Em Piriápolis, o calçadão é elegante, bonito de se ver, bem cuidado, não há ambulantes nem barracas de comida na praia. Aliás, de acordo com a guia, o uruguaio não “curte” praia. Está situada na costa atlântica do sul do Uruguai e tem edifícios estilo belle époque, como o Argentino Hotel Cassino & Resort. Aliás, este hotel foi fundado em 24 de dezembro de 1930. É situado na Rambla de los Argentinos e foi obra de Piria, traziam até vacas para a hospedagem no passado. O Google nos diz que a pedra fundamental da sua construção foi colocada no ano de 1920, evento no qual esteve presente o presidente Baltasar Brum. A obra foi desenhada pelo arquiteto Pedro Guichot, um francês radicado em Buenos Aires. A cidade é graciosa com casas espaçosas, parece que estamos no Mediterrâneo.

Subiremos o Cerro del Toro. O Cerro del Inglés é rico em pedra magnetita. O mar lá embaixo forma um cenário precioso. No Cerro San Antonio ou do Inglês descemos. Para quem quer um amor, deve-se dar 7 voltas ao redor da capela e fazer um pedido ao santo casamenteiro, além de pendurar o santo no pescoço, assim reza a tradição. O visual de cima é impressionante, vemos bosques e bosques. Lá está o teleférico (aerosillas). São 15 minutos de parada. Há uma cafeteria/restaurante Puerto Alto. A capela é branca com o teto azul, toda com flores artificias dentro, a imagem de santo Antônio é grande.

A guia sempre instruindo a respeito da história do Uruguai. No país não há cultura indígena, houve um genocídio do povo. Em 1965 foram encontrados cemitérios indígenas em serras perto. Yanos, Chanás, Charruas (maioria), Minuanos, dentre outros povos foram eliminados nos idos de 1830/34 por ordem de Fructuoso Rivera (1784-1854), primeiro presidente do Uruguai (foi o terceiro também), porque lutavam pelas suas terras. Só 5 sobreviveram, fugiram para o sul, porém 3 homens, uma mulher e um bebê recém-nascido foram capturados e levados para a França onde foram expostos no zoológico (ou como atração circense). Eram considerados “povos exóticos”. Eles morreram dentro de poucos anos de fome e doenças infecciosas. Detalhe: foram pegos por um escravagista francês. Os restos mortais do cacique Charrua foram trazidos da França. Ver mais no museu de Arte Pré-colombiana e Indígena do Uruguai na rua 25 de Maio na Cidade Velha. Antigamente não se contava a real história sobre os povos originários. Trabalhavam com cerâmica, com a terra, eram caçadores e coletores.

O aeroporto mais próximo de Piriápolis é o de Punta del Este. Interessante dizer que os cantores Roberto Carlos e Shakira são frequentadores.

Vamos à famosa Casapueblo, do artista plástico Carlos Páez Vilaró (1923-2014), imperdível de tão original. Ele foi ceramista, escultor, muralista, empresário, pintor, compositor etc. Nasceu em Montevidéu, morou em Buenos Aires-Argentina nos anos de 1935/1940. Lá participou da vida boêmia e descobriu um mundo diferente da sua classe média familiar. Em Montevidéu, viveu em cortiços e se misturou com estrangeiros, teve contato com a filosofia de vida “candomble” da cultura negra. Ele se apaixonou por essa cultura, rodou o mundo para encontrar as raízes do povo que fora dizimado no Uruguai, percorreu toda a África e morou no Senegal. Viveu também na Espanha em Málaga, onde conheceu Gaudí e Picasso, que foi professor de Vilaró. No Brasil, travou amizade com Vinícius de Moraes, vemos fotos dos dois. Em 1972, seu filho sofreu acidente de avião na Cordilheira dos Andes, esteve entre os 3 sobreviventes, foram 70 dias de fé. Também há fotografias sobre isso e recortes de jornal.

A Casapueblo é toda branca e parece aquelas casas da Grécia no Mediterrâneo, e também as do arquiteto Gaudí em Barcelona-Espanha, dividida em várias partes. As obras de Vilaró são únicas e percebe-se claramente a influência africana. As cores têm um significado total para ele. Eu amo! Toda vez que for, irei à Casapueblo, também museu, e a cada vez surge um conhecimento novo. Desta vez percebi o seu amor por gatos, são várias telas com os bichanos. Identificação total eu senti: cores e gatos. Ali vale passar mais tempo, como sempre vou em excursão, o tempo é limitado.

Mais um pouco sobre tão charmosa casa. No museu tem o histórico: em 1958, Vilaró chegou a Punta Ballena e o lugar o encantou. A desolação da paisagem, sem árvores ou caminhos traçados, sem luz e sem água não frearam seu projeto de construir seu estúdio definitivo de frente para o mar. Inicialmente, ergueu uma pequena casa de lata, onde armazenou portas, velhas, janelas e materiais para a obra de sua futura casa. Logo, com a ajuda de amigos e pescadores criou La Pionera, seu primeiro ateliê de madeira. Mais tarde começou a cobri-la com cimento e a modelá-la com as mãos, como uma escultura, sempre incrustando nas paredes objetos trazidos de suas viagens, e destinando lugares especiais para suas lembranças. Casapueblo continuou crescendo, habitações foram se juntando como vagões a uma locomotiva. Muitas delas construídas quando se anunciava a chegada de amigos que vinham de longe para passar uma temporada nessa casa que provocava tanta curiosidade. Foi assim que se converteu em um ícone do lugar, ponto obrigatório de artistas, colecionadores, personalidades, pesquisadores, estudantes de arquitetura e viajantes andarilhos.

Em breve, Punta del Este, um pedaço do paraíso.

Montevidéu-Uruguai-2023-passeio nas Ramblas, shopping Punta Carretas e Memorial do Holocausto do Povo Judeu-dia 4

Montevidéu-Uruguai-2023-passeio nas Ramblas, shopping Punta Carretas e Memorial do Holocausto do Povo Judeu-dia 4.

Sexta-feira, dia 21 de abril de 2023. Dia de passeio em Montevidéu nas lindas Ramblas, a beira rio (rio da Prata) deles. Mais parece uma beira mar, na verdade, por ter praias pelo caminho. Fomos a pé saindo do hotel América (rua Rio Negro, 1330), com o sol o calor aumentava. E a gente vai tirando casaco e roupas de lã.

Rumamos até a Playa (praia) Ramirez. Praia com areia escura, havia pouca gente conversando na praia. Vemos o parque Rodó, nós sem wifi e táxi difícil de encontrar. Que cansaço! A rambla é extensa demais. Muito bem cuidada, por sinal. Entramos no bairro Pocitos, na Boulevar España. Uau! Aqui a história muda, pois há cada casa linda, muitas árvores, prédios robustos, muito agradável. Prédios com varandas, amo! Avenida (da praia) larga, show!

Sobre o parque Rodó, diz o site guia.melhoresdestinos.com.br que é um dos mais visitados da cidade. O nome homenageia o escritor uruguaio José Enrique Rodó, tem amplos gramados, um lago, árvores, monumentos e chafarizes. Ao longo de sete quadras, oferece uma área verde ótima para caminhadas, passeios de bicicleta e a prática de esportes. O Museu Nacional de Artes Visuais se encontra no local e a primeira biblioteca infantil da América Latina foi construída ali em 1935, em forma de castelo.

Enfim, um táxi! 320 pesos uruguaios (R$42,59) para o shopping Punta Carretas, queria muito conhecer. Endereço: rua José Ellauri, 350. Considerado o melhor da cidade, foi há alguns anos a penitenciária de segurança máxima. O site viveruruguay.com nos explica que lá estiveram presos guerrilheiros do grupo político Tupamaro, incluído o ex-presidente José Mujica. Em 1971, mais de 100 presos fugiram por meio de um túnel cavado de 45 m desde a cela de número 73 (a penitenciária contava com 400 celas) que se conectava com uma casa que ficava na frente do estabelecimento penitenciário. Pepe Mujica foi um dos que escapou. A penitenciária deixou de funcionar em 1986 e em 1994 abriu as portas como um shopping center. Fazia parte do projeto de reciclagem o arquiteto uruguaio Casildo Rodríguez e o argentino Juan Carlos López, autor das Galerias Pacífico em Buenos Aires.

Shopping bom para almoçar depois de tanto esforço físico nas ramblas. No Buffet Express, pedimos: milanesa com arroz à grega e salada por 295 pesos (R$39,26); e o Carlos: taco de carne bem completo com presunto, queijo, molho barbecue e salada (alface, tomate e cebola). Comida simples que matou a fome. A sorveteria Le Cigalle: chocolate e creme de figo turco, valeu. A loja Indian expõe roupas encantadoras. Detalhe: as sacolas de plástico são pagas. Outra loja que gostei foi a Mumuso com objetos para casa, crianças, produtos para pele, escovas, coisinhas pequenas. Só a arcada de entrada do shopping center já vale a visita.

Na saída, uma parada de táxi à frente com um senhor organizando a fila. Percebi proteção de vidro no táxi, vi isso há muito tempo em Nova York, EUA.

Pedi ao taxista pra ficar um tempinho no Memorial do Holocausto do Povo Judeu. Para quem gosta do tema da II Guerra Mundial, não perderia por nada. Tirei muitas fotos, são lápides, colunas e pedras que compõem o memorial. Lugar simples, bucólico e singelo que impacta com sua história de dor. Segundo a Wikipédia, é um memorial ao ar livre dedicado às vítimas do Holocausto. Está localizado na junção da Rambla Presidente Wilson com a Av. Artigas, no bairro de Punta Carretas às margens do rio da Prata. Declarado Monumento Histórico Nacional. Em uma das lápides, encontrei o histórico de Ana Balog (Montevidéu, 1929-Auschwitz, (Polônia) 1945): judia uruguaia, emigrou para a Hungria com sua mãe e irmã. Foi detida aos 15 anos em Nyirmerggyes (Hungria) e deportada junto com sua avó para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz. Recebeu a lápide de homenagem da Prefeitura Municipal de Montevidéu e da comunidade judia uruguaia em 20 de julho de 2009.

De dentro do carro, fomos visualizando a Rambla República do Peru, na praia de Pocitos. Vemos muito movimento, há vida, gente sentada no banco contínuo de alvenaria, muitos outros bancos de madeira disponíveis, carros, atletas correndo, um visual de primeira. Os prédios atraentes, com poucos andares, uma beleza! Um lugar convidativo e habitável. Parece Camboriú em Santa Catarina, mas sem os paredões de edifícios. Eis Montevidéu das esculturas, estátuas, parques, árvores, praças, natureza. Esta parte da cidade realmente é um cartão-postal. Por isso muita gente prefere se hospedar em Pocitos. Já a gente aprecia a calmaria do centro, e também porque é mais perto da apaixonante Cidade Velha.

As ramblas são para encontros, com espaço verde para esportes e pesca, pode se sentar em uma cadeira e contemplar o rio da Prata. O pôr do sol é alaranjado, mágico. O prédio sede do Mercosul é no bairro Parque Rodó. Era um hotel/cassino. O taxista, sr. Eduardo, muito solícito, nos deu dicas de turismo.

De volta ao centro, paramos no nosso velho conhecido Bar Hispano (Calle San Jose,150) para um lanche de jantar: misto quente, suco de laranja, café com leite, torta de limão, biscoitos, tratamento de primeira do garçom Rafael, parecido com o meu irmão Ricardo.

Depois, demos uma caminhada pela avenida 18 de Julho. Muitas lojas do shopping Punta Carretas no local. Em frente à Suprema Corte, manifestação na praça dos Armênios contra o extermínio deles pela Turquia na II Guerra Mundial.

Há uma placa patrocinada pela COCA COLA na qual está escrito a respeito da avenida 18 de Julho, a mais importante da cidade: No ano de 1830, foi jurada a primeira Constituição de acordo com as formalidades estabelecidas em lei de 26 de junho de 1830. Em Montevidéu, o ato se realizou na Sala do Cabildo (Conselho Municipal à época de colônia espanhola), com a participação das mais altas autoridades civis, eclesiásticas e militares e à frente da Praça Matriz prestou juramento ao povo.

Em suma, o uruguaio preserva a sua História, seus monumentos, suas estátuas, considero isso muito bonito.

Em breve, o paraíso de Punta del Este.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Colônia do Sacramento

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Colônia do Sacramento

Hoje é quinta-feira, dia 20 de abril de 2023. Estamos com a guia Marcela e o motorista Paulo da empresa Ventas. Saímos de Montevidéu, já passamos pela Granja Arenas do Museu do Lápis e agora chegamos à Colônia do Sacramento. Vale a pena ir ao Centro de Visitantes pegar mapas para se localizar em uma cidade que se anda a pé.

Segundo o folder da CVC, a mistura de campo, praias e rio dão a este lugar uma moldura natural que se conjuga com a história. O bairro histórico é Patrimônio Histórico da Humanidade desde 1995. A Wikipédia esclarece que se trata do mais antigo assentamento europeu no Uruguai, foi fundada pelos portugueses em janeiro de 1680. Em 1777, com o Tratado de Santo Ildefonso, a colônia tornou-se possessão espanhola.

A guia Marcela nos informa que foi colonizada como um forte militar português. Um dos intuitos era controlar a reserva de ouro e prata e o transporte viário ao interior onde estavam as minas. Era a Colônia de Sacramento de Jesus. O fundador e primeiro governador foi Manoel Lobo (militar, 1635-1683), mandado pelo Príncipe Regente Pedro II de Portugal. A Basílica do Santíssimo Sacramento é a igreja mais antiga, foram 97 anos de domínio português, embora tenha sido atacada sete vezes pelos espanhóis. Em 1777, os portugueses foram embora. Em relação à Basílica do Santíssimo Sacramento, conserva a concepção original de uma nave, muros portugueses de pedra e ladrilho cujo arquiteto foi Tomás Toribo (1808). A fachada e as cúpulas azulejadas dos campanários foram recuperadas a partir do ano 1957 (fonte: folder da Intendência de Colônia).

A arquitetura e estilo portugueses se encontram por todos os lados, nas ruas do bairro histórico, nas casas, nos hábitos. 7 entre 8 casas têm arquitetura portuguesa, apesar de os espanhóis tentarem acabar com o passado português. Na cidade, vivem descendentes de espanhóis e italianos, umas 25 mil pessoas. É a única cidade fundada por portugueses no Uruguai.

O rio da Prata circunda Colônia e a separa da Argentina. Para vir da capital argentina, Buenos Aires, basta pegar o BUQUEBUS (ferry) que chega logo, são 52 km. O rio tem cor marrom, resultado dos sedimentos dos rios Paraná e Uruguai. Turistas argentinos vêm para finais de semana. Algo bem comum. Compram casas na frente do rio para férias ou simplesmente para sábados e domingos. Segundo a Wikipédia, os primeiros europeus a explorarem o rio foram os portugueses João de Lisboa na companhia de Estevão Fróis e o castelhano Juan Díaz de Solís que foi morto e comido pelos nativos. O rio levava ao interior, às minas de prata, por isso o nome do rio.

A Plaza de Toros Real de San Carlos (praça de Touros) de estilo árabe/espanhol funcionou até 1910. Hoje, felizmente, não há mais touradas. O governo federal e estadual investiram e reabriram para eventos culturais, de moda, de arte, é Patrimônio Histórico desde 1992. As três ilhas são San Gabriel, Farallón e Lopez. Na praça do Relógio se vê o pôr do sol junto à família e amigos. No estádio de futebol, o muro é pintado com formas coloridas. Existe um hipódromo na cidade.

A praça 25 de Agosto é linda com árvores mil. A principal se chama Mayor 25 de Mayo. O folder mencionado anteriormente diz que nasce com a fundação, sendo o maior espaço aberto da área. Originalmente usada para manobras militares. Depois, intervenções incorporaram jardins e caminhos que criaram um ambiente agradável, mas que modificaram a percepção original.

As casas vistas por nós são adoráveis, por serem floridas. Caminhamos pelo bairro. Paramos no restaurante Viejo Barrio Restaurante and Bar (Vasconcellos, 169), com comida caseira e bem comentado. As mesinhas na calçada são convidativas. Colônia tem outro compasso, tudo é calmo e lento. O almoço foi peixe grelhado e vinho tannat em jarra. Escutamos passarinhos e temos cachorros ao lado, aliás, vi água para os cães na frente das lojas. Muito justo. Há muitos soltos pela cidade. Detalhe: mulher pode viajar só no Uruguai. É seguro. No nosso passeio havia três.

Após o almoço tranquilo, rumamos à Basílica do Santíssimo Sacramento. Rústica dentro. A av. Gal Flores com plátanos é uma pintura. Vemos lojas, restaurantes, pizzarias, aqui se fuma bastante. Praça Diagonal Gerardo Mattos Rogriguez com fonte de água. Bela.

O restaurante Casa Luthier com calhambeque na frente como jardineira é peculiar. Feita de pedra tosca. O povo da cidade é acolhedor, vi lojas com roupas de inverno estilosas, como ponchos.

Em relação à Basílica do Santíssimo Sacramento, conserva a concepção original de uma nave, muros portugueses de pedra e ladrilho cujo arquiteto foi Tomás Toribo (1808-1810). A fachada e as cúpulas azulejadas dos campanários foram recuperadas a partir do ano 1957 (fonte: folder da Intendência de Colônia). Em 1823, houve uma explosão e parte foi destruída. Em 1957, o arquiteto Miguel Ángel Odriozola a reconstruiu.

Estamos na caminhada tour-histórica com a guia Marcela. Ela marcou um horário depois do almoço e nos encontramos com o grupo na praça das Armas Manoel Lobo. A Casa dos Governadores tinha um torre de vigilância para supervisionar os arredores. As casas da época de Manuel Lobo, primeiro governador português, eram construídas separadas por muros de pedra, desciam a temperatura por canais de água. Quando os espanhóis assumiram Colônia, chegaram a construir casas em cima das portuguesas. A casa de cor branca (1695-1800) é uma pousada hoje e continua com o mobiliário da época. As ruas com paralelepípedos eram construídas por prisioneiros que os carregavam em carros de boi ou carruagens no séc. XVII. A casa histórica portuguesa do séc. XVIII, de cor rosa, foi recuperada com a contribuição da Fundação Calouste Gulbekian (de Portugal) .

Espaço Rebuffo, construção portuguesa para a função pública, modificada no período espanhol. A exibição oferece uma olhada dos tempos pré-histórico até nossos dias. A Vivenda Portuguesa é uma construção popular que resguarda em seu interior os usos folclóricos das províncias portuguesas de Trás-os-Montes, Minho e Alentejo, de acordo com o folder da Intendência de Colônia. Também existem outras edificações portuguesas, como o Espaço Português, o Arquivo Histórico Regional, o Espaço do Azulejo etc.

Navios chegavam com escravos e eles entravam na cidade pela Rua dos Suspiros. Há várias outras histórias sobre tão afamada rua. Fala-se em escravos, sentenciados à morte, dos portugueses com “mulheres da vida”, e da moça com o português militar que fora embora, daí o nome da rua. Digno de nota comentar que o Uruguai foi o primeiro país a libertar os escravos na América do Sul. Conforme o mesmo folder, é tipicamente portuguesa, de traçado e pavimento original, com um escoadouro no meio. A rua tem casas de ambos os lados que pertencem ao primeiro período colonial, donde diversos estilos de construção se conjugam sem perder a individualidade.

Há muito a ver em Colônia. O Farol é visitado. O folder citado antes nos reporta que o Portão do Campo, recuperado entre 1968 e 1971, conserva ainda ruínas da antiga muralha e de sua velha ponte levadiça de madeira. Tachas de bronze na pedra marcam o nível da muralha original, que foi parcialmente consolidada e reconstruída. O Cais de 1866, inicialmente mais largo, contava com um setor perpendicular no extremo sobre o rio. Devido a ser antigo e ao clima, perdeu parte de sua estrutura original, sendo recuperado em 2001 para albergar embarcações esportivas. O Resgate Arqueológico da Casa do Governador, o subsolo da construção portuguesa original destinada à residência do Governador da cidade, foi destruída pelos espanhóis em 1777. Não faltam relíquias a conhecer.

Interessante que o papa João Paulo II rezou missa em Colônia para 40 mil pessoas, depois foi para Salta no norte da Argentina.

Ás 16h15 retornamos a Montevidéu pela Ruta Nacional n°1 ou Ruta Unesco. Dia proveitoso. Colônia, sempre um deleite! Parabéns à guia Marcela, gentil, solícita e com conhecimento do assunto. Deu dicas valiosas sobre espaços interessantes em Montevidéu: baar Fun Fun (Ciudadela, 1229), atrás do teatro Solís; El Milongón (Gaboto, 1810), com apresentação de tango/milonga/dança folclórica e candombe; restaurante El Fogón (San Jose, 1080, centro, esse conhecemos!); Punta Carretas Shopping (Jose Ellauri, 350); e no bairro Pocitos: restaurantes Fellini (Jose Marti, 3408) e La Commedia (El Viejo Pancho, 2414).

Nosso jantar/lanche foi noBar Hispano (San Jose, 1050) nosso velho conhecido. Misto quente e café com leite, para não perder os hábitos. ♥

Prosseguiremos com mais Montevidéu.