Bela Itália-Palermo-Nápoles-Pompeia-dias 7 e 8
Hoje é sábado, dia 11 de outubro de 2025. Estamos em Palermo, capital da Sicília e entramos no porto às 17h35 com o ônibus. Nosso ferry noturno para Nápoles parte às 20 h. Faremos a travessia pelo mar Mediterrâneo. O restaurante funciona das 19h30 às 21h30, e a loja do navio fecha às 23 h. O ferry se chama Grandi Navi Veloci Spa M/N Majestic.
Entramos com o grupo da Europamundo, nos hospedamos em um quarto bem funcional e descemos para jantar. É tipo buffet, você escolhe e eles colocam no prato. Pedimos dois pães, ananás, tomate e mussarela Caprese, e um prato de bacalhau. Saiu €31,90 (euros).
Domingo, 12 de outubro de 2025. Acordamos às 5h30, socorro! A noite foi meio pela metade, pois é diferente estar em um ferry, minha primeira experiência dormindo em um, e o peixe do dia anterior não caiu tão bem. O barco a discutir… abre às 6h30 o café da manhã no restaurante, como se o navio chega às 7 h? Fomos ao local, estávamos na fila, e aí achei que seria mais rápido no café ali perto. Só que a caixa registradora do café quebrou, estávamos na espera. Voltamos ao restaurante com a fila maior ainda e pouca gente para atender ao self-service. A sorte foi ter nosso companheiro de viagem Celço (de Santa Catarina) lá, ficamos mais tranquilos. Não tinha quem servisse o presunto e queijo, no fim comemos o que podemos, correndo. €9,20 (euros).
Chegamos a Nápoles, o ônibus saiu e nós entramos nele. A nossa guia Sabrina sempre dando dicas valiosas. Ela que é napolitana sabe. O povo é acolhedor, recebe os imigrantes bem. “Ninguém é excluído”. Continua nos contando sobre a cultura local. A pimentinha que traz sorte, tem que tocar três vezes para ativá-la com a mão esquerda aberta, se for de coral, melhor. Na Antiguidade, eram pagãos e tinham o órgão sexual masculino como propulsor de boa sorte, a igreja Católica acabou com isso. Mas ainda se vê estampado em camisetas, aventais, coisas da região. Achei inusitado. Vi muito isso em Amsterdam-Países Baixos.
A guia segue falando em Pompeia, destruída pelo vulcão Vesúvio. Pessoas que trabalhavam na terra foram encontrando objetos. A cada ano se descobre mais, afinal era uma cidade romana.
Enfim, chegamos ao Parking Turístico e nossa guia local será a Patrícia, brasileira, com rádios para nós. Passaremos uma hora em Pompeia. Ainda não entramos no sítio arqueológico, com escavações e ruínas. O calor e o sol prometem, tem que se proteger com chapéu. A caminhada será árdua. Eu e o Carlos estamos de tênis e bota. Ficamos no Cellini Coralli e Cammi Factory para compras de corais, cafés, banheiros etc. No Cameo Art, o senhor nos mostra como colocar fotos em camafeus e em conchas. Loja fabulosa, embaixo no mármore branco. Vemos obras de arte em conchas. Olhamos com admiração. Em grupos grandes, esperamos ali perto abrirem o portão do local, somos os primeiros, praticamente. No final, vale a pena acordar cedo. Aproveitei para conversar com um casal de alemães simpáticos, bem viajados e vividos. Estavam viajando de motorhome, facilidades da Europa. A multidão continua na espera. Duas pessoas do nosso grupo foram chamadas a mostrar os passaportes, é aleatório.

Vamos ao passeio. São 66 hectares, 47 escavados. A erupção do monte Vesúvio, localizado na baía de Nápoles, ocorreu em 79 d. C., a 10 km da cratera. Foi a maior erupção desde a pré-história, a 30 km de altura, uma força de várias bombas atômicas, ficou noite por três dias por causa das cinzas. Também a cidade de Herculano foi atingida. 2 mil pessoas foram soterradas e enterradas por cinzas, pedras-pomes e pedrinhas. Morreram por gases tóxicos, a lava a 400º C. Com as primeiras lavas, a cidade foi enterrada. As lavas não chegaram onde estamos no momento. Os corpos que veremos no museu são moldes feitos pelo homem. À época Tito era o imperador. Seria muito caro reconstruir, segundo ele, então deixou como estava. Passou uns 1600 anos esquecida. Foi o rei espanhol Carlos III, de Bourbon, que dá início às escavações. Lembrando que à época o sul da Itália era dominado pelos espanhóis. O site www.nationalgeographic.brasil.com diz que o local foi encontrado no séc. XVII, soterrado por pelo menos 6 m de cinzas vulcânicas.
Pompeia era importante, tinha um porto, vivia de comércio. O site Nostrali nos conta que é situada em uma planície fértil, próxima ao rio Sarno. Ocupava uma localização estratégica dentro do Império Romano. A 30 km de Nápoles, na região da Campânia.
Em https://brasilescola.uol.com.br, descobrimos mais sobre a história do lugar. Os historiadores apontam que a região começou a ser habitada por volta da idade do Bronze (entre 3.000 e 1.200 a. C.). Antes dos romanos, a cidade foi ocupada pelos oscos (um povo que habitava a Campânia), gregos, etruscos e samnitas, antes de finalmente ser conquistada pelos romanos. Aí se inicia o período de maior prosperidade da cidade. Como ficava às margens do Mediterrâneo, era utilizada para realizar o transporte de várias mercadorias. Durante o séc. I d. C., Pompeia possuía 12 mil habitantes aproximadamente nos meios urbanos e 24 mil na zona rural.
Os romanos chegam em 3 a. C. O edifício Quatripórtico dos teatros. Corredor, com colunas e tetos. Arquibancadas. Zona dos teatros. Em 2 a. C. foi erigido. O foyer dos teatros, mas mudou de função. 17 anos antes da explosão do Vesúvio, houve um terremoto que abalou toda a área do golfo de Nápoles. As pessoas achavam que era uma montanha fértil, não imaginavam que fosse um vulcão e nem o perigo iminente. Na verdade, estava acordando por meio dos tremores de terra que destruíram o quartel dos gladiadores. Eram escravos e ficavam presos nas celas. Era um teatro. Os arqueólogos encontraram armas ali, hoje estão expostas em Nápoles. A estrutura que vemos é original, mas houve reconstruções modernas. Tijolos usados na época. Anfiteatro com degraus para espetáculos exclusivos. Os romanos criaram a numeração dos assentos.
Via Stabiana, a segunda avenida mais importante de Pompeia. Dividia a cidade em norte e sul. Cruza perpendicularmente a Via da Abundância, formando o coração da zona comercial da cidade. Tinha sete portas. Rua na pedra, três pedras grandes eram as faixas de pedestres. O Google.com destaca a estrutura romana: a rua mostra claramente as calçadas elevadas, as pedras de travessia para pedestres e as guias de pedra que facilitavam o tráfego de carroças. A guia prossegue: as cidades sujas eram limpas. Chovia e os moradores passavam pela faixa de pedestres na altura das calçadas. Ela mostra as marcas das carroças em que os escravos subiam a ladeira, a colina. A pedra retinha a água. Os romanos eram engenheiros. Lojas, casas, edifícios públicos. Entrada com uma porta com tora de madeira. Restaurantes tinham um balcão para a venda de comida rápida e vinho, com braseiro. Comiam durante o dia. Iluminação ruim, o jantar era a principal refeição em casa. Os ricos tinham casas com dois pisos (domus), eram maiores e tinham escravos. Os pobres moravam apertados no primeiro andar, as construções não existem mais. Pão era para ricos e pobres, as padarias faziam farinha com seus moinhos. Totalizavam 36 padarias. O pão era muito comido.
A avenida, Via da Abundância, cortava a cidade leste/oeste. Segundo o Google.com, era a mais importante e central de Pompeia. Funcionava como principal artéria comercial e urbana, conectando o Fórum (centro político) à parte leste da cidade, passando por diversas casas aristocráticas, lojas e termas. Que lugar surpreendente, era enorme. Seriam necessário mais dias para conhecer o parque arqueológico.

As termas eram limpas, espaços públicos e privados. As casas ricas tinham termas particulares. Termas Stabiane. O Google.com nos conta que são um dos complexos termais mais bem preservados, com decorações e afrescos originais. A guia Patrícia continua a informar: forno, calor pelos buracos nas paredes, parede dupla, piso duplo que esquentava a terma. Havia o calidário (lugar da água quente), frigidário (água fria) e o tepidário (banho morno). O sistema de estrutura dupla é ainda usado na Europa. As termas eram um espaço social para reuniões, como clubes. Havia um espaço enorme e ginásio. Vestiário com serviço de massagem.
Interessante notar que prostíbulos populares eram legalizados. Existiam em bares e casas também. O local era marcado com a figura de um órgão sexual masculino em cima da porta. Diga-se de passagem que significava prosperidade. Tríapo era o deus da fertilidade na mitologia grega e romana, e associado à agricultura e virilidade masculina. Eis o Lupanar, localizado no Regio VII do parque arqueológico. No bordel antigo, havia camas e pinturas eróticas nas paredes. Os marinheiros chegavam à cidade e seguiam as setas para o local. De acordo com o site http://www.tudosobrenapoles.com, é um dos pontos que mais chama a atenção dos visitantes. Também acrescenta que o valor do serviço oferecido no local é impactante, pois equivalia uma hora com uma “lupa” (como era conhecida a prostituta) a uma taça de vinho.
Nosso grupo está na Via da Abundância no momento. Vemos uma fonte de água com chifre e frutas. Nós caminhando e olhando para baixo, afinal as ruas são de pedras. Quanto maior o fórum, mais importante era a cidade. Fórum de circulação de pedestres com blocos obstruindo os carros. O mesmo site informa que era o coração da cidade e o centro da vida política, social e religiosa. Havia um grande mercado de peixes, um edifício de administração pública, e templos religiosos. No centro da cidade a imagem de Júpiter.
Vemos o Templo de Apolo, situado nos arredores do fórum. Dedicado ao deus Sol. O site www.tudosobrenapoles.com adiciona o Orto dei Fuggiaschi ou Jardim dos Fugitivos, onde se encontram cadáveres petrificados dos antigos habitantes da cidade que não foram capazes de escapar do Vesúvio. O Teatro Grande, construído no séc. II a. C., tinha capacidade para mais de 5 mil pessoas e era o lugar de diversão preferido dos moradores. A Casa del Fauno, conhecida como a casa com uma pequena escultura de uma de suas fontes, ainda se conserva como uma das mais luxuosas de Pompeia. O site faz um comentário digno de nota: você fará uma viagem no tempo ao passar por ruas de paralelepípedos que antigamente eram cheias de vida e que depois da tragédia foram sepultadas pelas cinzas e presas em uma imobilidade eterna que as conservaria até o final dos tempos. A cidade é Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO desde 1997.
Conforme o site https://brasilescola.uol.com.br, registros datam atividades vulcânicas do Vesúvio entre 1631 e 1944, sendo a última erupção em 1944. Atualmente, permanece adormecido, porém pode sim, voltar à atividade, por isso a cidade é monitorada pelo governo.

As lavas expelidas pelo vulcão eram de cinza, pedra-pomes e pedrinhas, leve, poroso, quente, depois que esfria, cola. Fica a capa de material vulcânico. Um século depois, em 1860, o arqueólogo cria uma técnica para entender a capa. Santuário de Vênus, deusa do amor, foi destruído no terremoto antes. Deusa padroeira. No museu Antiquarium, os moldes dos corpos. Passamos por loja, mesa com objetos encontrados e a mesa de sacrifício de animais com presentes de ex-votos pelas graças recebidas. Incrível. Vemos mais escavações. As visitas vão de 1 h a 5 h. ou mais. A nossa guia local trabalha há 10 anos no lugar, nos diz que a Pompeia nova tem 700 mil habitantes.
O site https://brasilescola.uol.com.br nos ensina que a erupção com cerca de 4 km³ de cinzas e rochas enterrou a cidade e aproximadamente 2 mil pessoas sucumbiram sob várias camadas piroclásticas (conjunto de gás quente, material vulcânico, cinzas e fragmentos de rochas). A cinza se espalhou por Pompeia, petrificando-a e conservando os corpos. Os moradores que não foram desintegrados pelo calor proveniente do vulcão morreram em decorrência dos gases tóxicos, além de serem cobertos por uma nuvem de sílica e óxido de cálcio. Essas substâncias, ao interagirem com o vapor de água do ar em meio ao calor, formaram uma espécie de cimento (de caráter bem rígido), que envolveu o corpo das pessoas. Esse cimento preservou os corpos de muitos habitantes, marcando o momento em que morreram.
Pompeia impressionante. Prosseguiremos com Nápoles.
