Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade-dia 4
Hoje é domingo, dia 16 de março de 2025. Dia especial, porque o Carlos e eu reencontraremos a amiga Ute Hermanns. Foi professora visitante na Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará (UFC) por 4 anos, e daí nasceu nossa amizade. Desde que foi embora de Fortaleza-Ceará, vive em Berlim, sendo professora de alemão para refugiados. Logo, foi uma grande alegria estarmos juntos. Ela nos encontra no lobby do hotel Park Inn by Radisson. Lá vamos de S-Bahn ao zoológico. Compramos os tíquetes na máquina. Detalhe: é o sistema de transporte de trens suburbanos e metropolitanos de superfície rápidos (fonte: Wikipédia).
A nossa amiga vai nos contando sobre a cidade. Feira das pulgas no parque Tiergarten aos domingos, enorme, vemos muito de Berlim de S-Bahn. Como existem museus na cidade. Igreja Memorial Imperador Guilherme ou Gedächtniskirche, destruída na II Guerra Mundial. O Google.com cita que é localizada na praça Breitscheidplatz, tem ao lado uma nova igreja moderna com uma torre octogonal e paredes de vidro azul. Inaugurada em 1961. A igreja antiga era neorromântica do séc. XIX. A torre danificada foi mantida de pé como um memorial de guerra e símbolo de paz. Batom e Caixa de Pó de Arroz, nomeados carinhosamente pelos berlinenses. Lá vemos os nomes dos mortos no atentado de Natal no dia 19 de dezembro de 2016, além de proteção de sacos, alambrados e cones de ferro na avenida por causa do ocorrido. Sempre tocante.
Bikini Berlin, loja de departamento. O jardim zoológico, o mais antigo do país, foi fundado em 1844. A visita foi presente da Ute. Obrigada! Vemos pandas gigantes (mamãe e dois filhotes gêmeos). Chamam-se Leni e Lotti. O panda papai está separado da família. Os bebês pandas nasceram em agosto de 2024, não mamam mais, comem bambu, tinham 13 kilos à época da viagem. São a sensação do zoo. Recebem biscoito como recompensa, não saem do recinto, por segurança de saúde, já a mãe deles pode sair. Eles têm uma vértebra especial que facilita a maneira como sentam, de forma confortável. O casal é formado por Meng Meng (ela) e Jiao Qing (ele). Os pandas são ativos, curiosos e desobedientes.
A seção de macacos é dividida por salas. São chimpanzés, orangotangos, gorilas. Ficam dentro no frio e para dormir há a parte de fora, melhor para eles. Vemos um orangotango da Sumatra, um gorila namorando e outro filosofando, eis o Fatou, é velho e só. A sua companheira havia morrido em 2010, a Gigi. Mais girafas, elefantes, bambis etc. Elefantes fêmeas levam a gestação por 22 meses. Os elefantes pesam de 2 a 7 toneladas, dependendo do sexo, idade e espécie. Passam 15 a 16 horas do dia comendo.
De lá, a pé passamos no Memorial de Tiergassentraße 4 ou Memorial e Centro de Informações para as Vítimas dos Assassinatos de “Eutanásia” do Nacional-Socialismo. Aparecem os nomes de médicos, enfermeiros e setor administrativo envolvidos nas mortes por Aktion 4 (programa de eugenia) com fotos da casa destruída, onde funcionava a mansão que servia como sede administrativa e central de planejamento dos massacres. Hoje, um memorial ao lado da Casa de Concertos Philarmonie (Filarmônica). O Google.com adiciona que o local homenageia as mais de 70 mil pessoas com deficiências físicas e mentais ou doenças crônicas exterminadas pelo regime nazista entre 1939 e 1945. A exposição é ao ar livre com painéis multimídia contendo documentos originais, áudios, vídeos e depoimentos de testemunhas da época. Vale a pena conhecer, é uma visita intensa. Berlim é história in loco. Detalhe: segundo o site https://www.todamateira.com.br, eugenia é a seleção dos seres humanos com base em suas características hereditárias com o objetivo de melhorar as gerações futuras.
Filarmônica e Sala de Música de Câmara. Sony Center, biblioteca, museus. E rumamos ao Gemäldegalerie, museu com exposição de pintura europeia dos séculos XVI a XIX. Localizada na Kulturforum (Fórum Cultural) cerca da Potsdamer Platz. Exposição temporária de 60 pinturas protegidas do museu da Ucrânia: Odesa Museum of Western and Eastern Art, de arte ocidental e oriental. Com molduras mais simples. Vemos pintores como Albert Edelfelt (1845-1905), cuja obra é “Virgin and Child” (A Virgem e a Criança), Gerard David (1460-1523), com “Lamentation of Christ” (Lamentação de Cristo). Está escrito no museu: “A representação de Maria, a mãe de Jesus, é um dos temas mais antigos das pinturas europeias”. Outros pintores: Francesco Granacci, amigo de Michelangelo; Giovanni Battista Salvi, chamado de Sassoferrato com a obra Head of the Virgin (Cabeça da Virgem), de 1685. Além de Canaletto, com a obra “Venice, Canal Grande”, de 1735; pinturas sacras de 1410, 1437, 1859; e também encontramos pinturas de Lucas Cranach, o Velho. Esculturas na madeira, e muito mais. Imperdível o museu. Endereço: Johanna und Eduard Arnhold Platz, 10785. Europa é cultura.
Do museu, partimos para o almoço no apartamento da amiga Ute. Entramos no ônibus de dois andares na rua Kurfürstenstraße. Chegando ao bairro residencial dela, Schöneberg, em uma lindeza de prédio com jardim verdejante. Lugar bucólico. Lá estava a gatinha da Ute: Xica da Silva, cearense. Linda e amada. No almoço, também me reencontrei com o ex-colega da Casa de Cultura Britânica (UFC), Alcir Pereira, que habita em Berlim há muitos anos com a família. Depois da refeição agradável e calorosa, saímos a passear com os dois amigos.
Estivemos no parque Volkspark Schöneberg perto do apartamento da Ute. Parque com um bar de biergarten (com mesas grandes em um jardim para encontros alegres regados a cervejas). O parque tem locais de festas animadas para homossexuais. O povo joga bocha. Vimos o monumento do Veado Dourado. A companhia de lixo estava em greve. Lá também tem dessas coisas…
A Ute vai falando dos Places of Remembrance (Lugares de Memória). Em postes, vimos muitas, são placas com escritas das leis que foram decididas antes da II Guerra Mundial pelo partido nazista e foram alijando os judeus da vida civil. Bastante comovente. A Wikipédia nos informa que é um memorial que consiste em 80 diferentes placas afixadas em postes de luz no distrito bavariano de Schöneberg. São de alumínio, medem 50 × 70 cm e são distribuídas pela localidade. Cada placa tem uma simples imagem com uma lei antisemita de 1933 a 1945, relacionada à imagem desenhada na parte de trás. Foram instaladas no bairro em 1993. Na comunidade, residia uma população de judeus classe média alta. Antes de 1933, 16 mil viviam lá, milhares foram deportados pelo partido nazista.



Vemos muitas Pedras de Tropeço nas calçadas com um mini-histórico de judeus que foram levados a campos de concentração forçosamente e seus destinos. Sempre triste testemunhar a maldade humana. O site https://simplesmenteberlim.com destaca que são “pedras de tropeço” ou em alemão Stolpersteine. São pequenas placas de metal criadas pelo artista alemão Gunter Demnig e instaladas nas calçadas de várias cidades europeias, incluindo Berlim. Essas placas individuais lembram vítimas do regime nazista, principalmente, judeus, mas também dissidentes políticos, homossexuais, ciganos e outros perseguidos. Cada pedra é gravada com o nome, data de nascimento e destino do indivíduo que sofreu sob o regime e é afixada na calçada diante da moradia da vítima.
Também passamos por um memorial onde existiu a sinagoga de Schöneberg. Bem bonito em cimento. Está escrito: “Aqui ficava uma sinagoga entre 1909 e 1956. Ela não foi destruída durante a Noite dos Cristais em 9 de novembro de 1938, devido a sua localização em um edifício residencial. Após a expulsão e o extermínio dos cidadãos judeus pelos nacional-socialistas, a sinagoga perdeu sua função e foi demolida em 1956”. Localizada na (rua) Münchener Straße. O site Blogger.com salienta que a sinagoga foi projetada pelo arquiteto Max Fraenkel e inaugurada em 1910. Ficava próxima à Bayesricher Platz. Acrescenta que em 1938 foi saqueada, mas não queimada e que continuando a sofrer graves danos com as bombas da guerra (II GM), ficou sem condições de restauração. O memorial atual se situa exatamente onde ficava o templo, hoje funciona uma escola. Está no nível da rua e os jardins do colégio foram desenhados seguindo o contorno original das fundações da sinagoga para preservar sua memória. (Fonte: sites Kommot e Blogger.com.)
Sempre emocionante estar entre amigos em outra cidade, ainda mais em Berlim, com tanto a aprender. Na Bayerischer Platz, na estação de trem Merringdamm, pegamos o metrô U7 e descemos quase na porta do prédio do Alcir. No bairro Kreuzeberg. Descemos na estação 46 E Stadmitte na praça Gendarmenmarkt, do séc. XVII, verdadeiro tesouro cultural e arquitetônico da cidade, de acordo com o site guiabrasileiroemberlim.com.br. Vimos a Casa de Concerto Berlim, linda, a Igreja Francesa, feita pelos huguenotes, e a Igreja Alemã. A estátua do poeta Schiller, a praça Bebelplatz onde foram queimados os 10 mil livros, hoje um memorial: a “Biblioteca sem Livros”. Olhando para baixo através do vidro, percebemos as prateleiras serem brancas. Em cima, ao redor da vidraça, testemunhamos homenagens em formas de velas acesas.
Uma caminhada cultural e histórica, chegamos perto do nosso hotel, ainda tomamos um café com a Ute e Alcir. Já era noite. Estávamos todos cansados, andamos mais de 12 km. Isso que é bom na Europa, poder passear tanto assim pela cidade. O clima ajuda, as calçadas também. Dia perfeito, agradecimentos efusivos aos queridos amigos que dedicaram seu tempo precioso a mim e ao Carlos.
No dia seguinte, começa a excursão de fato. Não preciso dizer que Berlim conquista nossos corações.
