Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Hoje é dia 06 de dezembro de 2022. O café da manhã do hotel Grand Mercure Boa Viagem é repleto de iguarias. De novidade, dois bolos regionais: o Souza Leão e o de rolo. Bem doces, eu diria que tem que provar. O de rolo é o xodó dos pernambucanos, é Patrimônio Cultural e Imaterial do estado. Parece um rocambole fino, aliás, dizer que é rocambole recheado de goiabada enfurece os pernambucanos. Na verdade, é de uma delicadeza ímpar que o nosso paladar nunca esquece. No refeitório do hotel, o explicativo nos informa que surgiu como uma adaptação do bolo português “Colchão de Noiva”, recheado com nozes e amêndoas. Chegando ao estado, as sinhás (nome como os escravos chamavam as patroas, “sinhá” é originário de “senhora”) afinaram camadas e preencheram com goiabada, sucesso que foi repassado por gerações. Já o Souza Leão tem como ingredientes: massa de mandioca, leite de coco, água, gemas de ovo, açúcar, manteiga e sal. Preciosidades pernambucanas.

Depois de tantas delícias, voltei ao calçadão de Boa Viagem para mais uma caminhada. Gosto de observar o ambiente. Vamos lá: carrinho de venda de abacaxi, senhores jogando dominó, os “bebinhos” tomando a sua cachaça/cana, muitos andantes e as piscinas no mar. O mar convidativo, fiquei arrependida de não ter levado roupa de banho. A praia relativamente limpa. Andar no calçadão é uma glória. Há aparelhos de fazer ginástica em aço com tela de propaganda ao lado se movimentando, muito interessante. O caminho é sombreado na maioria das vezes, muitos coqueiros embelezando a paisagem. Existe o projeto Salva-Arte 2021-Cores Inclusivas, isto é, os antigos postos salva-vidas caíram em abandono e foram reinseridos na paisagem turística como arte. São coloridos e pintados, lindos. Várias lixeiras verdes de plástico no calçadão limpo. A faixa de areia da praia é grande. Nas minhas caminhadas, localizei o Parque dos Coqueiros, uma iniciativa vencedora, frutos e ideia de um grande abnegado em defesa da praia de Boa Viagem: Edson Campos e Silva. No dia 21 de setembro de 1999, um pequeno grupo de colaboradores começou o plantio de coqueiros, tornando mais verde a praia. Sensacional. Também percebi não haver a Zona Azul para os motoristas. Fiquei feliz em saber que podem estacionar sem pagar nada. Parabéns, Recife!

O passeio da manhã foi para o Centro Histórico ou Recife Antigo, dos tempos de colonização portuguesa que começou no séc. XVI e sob a influência dos anos de domínio holandês(1630 a1654). O taxista Flávio nos dá dicas da cidade. E eu vejo um caminhãozinho limpador de calçada, além de um peixe decorativo de arame na calçada para se colocar garrafas PET dentro. Parabéns, Recife!

Descemos no Recife Antigo e nos dirigimos à Rua do Bom Jesus ou Rua dos Judeus. Na av. Alfredo Lisboa se situa a Caixa Cultural Recife, prédio do antigo Bank of London & South America Limited, localizada em frente ao Marco Zero. À época dos holandeses, a rua do Bom Jesus se chamava Rua do Bode. O intuito é conhecer a famosa primeira sinagoga do Brasil Kahal Zur Israel com museu (Rua do Bom Jesus, 197/203).

A visita é um banho de história. Fundada em 1636, é museu desde o ano 2000. Em 1593 chega a Olinda o Visitador do Santo Ofício, Heitor Furtado de Mendonça, ou seja, o representante da Inquisição da Igreja Católica. Seu momento mais vergonhoso e violento. Com a chegada dele, os judeus sofrem perseguição. Bento Teixeira, o autor da Prosopopeia, a primeira obra literária escrita no Brasil foi um exemplo. Outra ilustre da época a ser perseguida foi Branca Dias, a primeira pessoa a cuidar da educação de mulheres no país (escola de prendas domésticas). Era uma das poucas que sabia ler. Triste que ela foi denunciada por uma aluna que desconfiava de suas práticas judaicas disfarçadas. Era casada com Diogo Fernandes, um dos mais importantes conhecedores do fabrico açucareiro. Tinham engenho em Camaragibe e uma casa em Olinda. Em www.aldeiadagente.com.br se aprende muito sobre essa figura marcante. Só lembrando que a cultura canavieira e a comercialização do produto fizeram de Pernambuco uma próspera capitania.

Na Rua dos Judeus residiam aqueles que tinham alcançado as melhores condições econômicas. Nessas casas, a parte residencial se localizava no andar superior, numa delas a sinagoga Zur Israel. Em 1637 o comércio funcionava ali, e moravam senhores de engenho, profissionais liberais etc, as atividades econômicas floresciam.

Em 1654, por conta de perseguições, houve a dispersão dos judeus que foram embora para Amsterdã, Nova York, Caribe e sertão brasileiro.

No segundo andar se encontra a sinagoga. Os símbolos do judaísmo estão lá: a Torá, a Bíblia Hebraica; a Arca da Aliança, a principal representação do Sagrado; NER TAMID, a lâmpada de óleo simbolizando a luz espiritual que a Casa de Israel tem a missão de difundir pelo mundo etc.

Também a exposição do mestre holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) estão presentes, são explicativos das telas com temas judeus em cavaletes. São eles: “O Casamento de Sansão”, de 1638; “A Noiva Judia”, de 1665; “O Retrato de um Ancião”, de 1645, dentre outras obras menos conhecidas do pintor barroco. O bairro judeu Vlooienburg na Amsterdã de 1625 fez parte do repertório visual do pintor. A exposição foi organizada pelo Centro Sefarad de Israel e apoiado pela Embaixada da Espanha no Brasil e Instituto Cervantes de Recife.

Gostei da exposição da medalha em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordeaux na França durante o período salazarista. Salvou mais de 30 mil pessoas do nazismo durante a II Guerra Mundial, dentre eles, 11 mil judeus. Por isso foi reconhecido pelo museu YAD VASHEM em Jerusalém, Israel. Foi emocionante para quem estuda a II Guerra Mundial como eu ler um pouco da história de tão corajoso ser humano. Estão expostos outros símbolos judaicos como a Menorá (representa a luz da Torá), o Sidur (livro de rezas), o Cálice, dentre outros.

A sinagoga foi uma baita visitação. No Recife Antigo se encontram o Centro de Artesanato, cafés e restaurantes. Vale a pena conhecer, só aconselho ficar alerta, pois não é área das mais seguras.

Em breve conto mais…

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-chegada

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-chegada

Dia 04 de dezembro de 2022, domingo, ida a Recife a fim de buscar meus pais que lá estavam por uma semana, foram pelo sistema Bancorbrás. Peguei o voo da Azul: Fortaleza-Recife e gostei. Ofereceram snacks/lanchinhos generosos, sucos, refrigerantes e água, e os assentos tinham tela para filmes. Saudade de ver um filme assim.

Chegando, me dirijo ao hotel Grand Mercure Boa Viagem (av. Boa Viagem, 4070), muito bem localizado em frente ao mar. Ao encontrar meus pais, já fomos almoçar. Escolhemos no restaurante do hotel uma lasanha vegetariana, obrigada garçom Alves. O estafe do hotel é muito bem preparado e solícito. Para quem aprecia um queijo, a lasanha estava repleta.

À tardinha, passeio no shopping Recife: amo! Estava lotado, lógico, domingo antes do Natal. No Delta Expresso (quiosque de café), pedimos sanduíches e empanada integral. Uma loja interessante: Escrita Fina, para quem gosta de canetas e papelaria como eu. No mais, as lojas são as mesmas dos shoppings em Fortaleza. Acho fantástico observar a multidão tão diferente entre si. Valeu. À noite faz um friozinho.

Dia 05 de dezembro de 2022, segunda-feira, antes do café da manhã do hotel, caminhada pela orla de Boa Viagem. O calçadão é estreito, então fui caminhar na faixa de areia, plana, boa demais! Vou vendo os detalhes, curtindo o momento. Os quiosques estão sendo reformados, vão ficar bonitos e estilosos. Há trabalhadores na praia ajeitando as cadeiras para os banhistas. Pessoas pescando, tomando banho nas piscinas no mar na maré baixa. Na alta, nem pensar, afinal tem tubarão (aviso na praia, cuidado!). Gente se exercitando, ciclistas na faixa de bicicleta e eu a andar, olhando para tudo: mar, areia, jogadores de vôlei, edifícios, sempre linda a Boa Viagem. Detalhe: é o bairro onde tenho parentes queridos. Meu avô materno era pernambucano, logo tenho uma ligação emocional com Recife.

Vamos ao café da manhã. Adoro! Muito variado e delicioso. Pães, queijos diversos, iogurtes, frutas, inhame (uau), bolo de cenoura com calda de chocolate e bolo de tapioca (regional) etc. Dá para sonhar.

Dia de visitar a prima Ritinha que mora perto do hotel. Saudades. A casa antiga da família Dourado se localiza em Morenos, as histórias de família alimentam a alma. Tão espetacular estar com a família pernambucana.

No caminho de volta ao hotel, uma casa antiga nos atraiu. Era a Casa do Brigadeiro, de 11 de outubro de 1944. Está escrito na placa em frente: “Construída ao final da Segunda Guerra Mundial pelo patrono da Força Aérea brasileira, brigadeiro Eduardo Gomes, em meio a poucos vizinhos, mangues e dificuldades viárias. Voltada para o Atlântico, mantendo eterna vigilância do nosso litoral, onde 34 navios brasileiros foram torpedeados, causando a morte de 1081 pessoas, na maioria, civis inocentes. Projeta a grandeza de uma geração de heróis, que souberam hipotecar suas existências a serviço da Pátria, sem nada exigirem, nem mesmo compreensão. O trabalho de conservação da beleza arquitetônica da casa retrata o carinho e o respeito da Família Aeronáutica para com a sociedade pernambucana que há mais de 60 anos acolhe fraternalmente a Força Aérea na terra dos Altos Coqueiros.” Recife, dezembro de 2008.

Almoço no hotel novamente. Risoto de camarão, bonito o prato. À tarde jogo do Brasil e Coreia, a cidade estava em polvorosa e em clima de carnaval. E lá fomos nós assistir no apartamento dos grandes amigos Carminha e Ramiro, em Boa Viagem também. Momento feliz com amigos antigos. O lanche de café, pão e torta de nozes e maçã foi delicioso. À noite, canja no hotel, gostei.

Continuarei com mais detalhes sobre Recife…

A Urgente Educação Histórica para a Paz por Eleazar de Castro

A Urgente Educação Histórica para a Paz

Eleazar de Castro Ribeiro

A II Guerra Mundial é considerada um prolongamento da Primeira (1914-1918), cuja conclusão deixou na Europa uma série de questões não resolvidas, ou mesmo criou problemas novos. O Tratado de Versalhes, imposto à Alemanha pelos vencedores, foi excessivamente pesado e gerou ressentimentos que exacerbaram o revanchismo dos alemães. Ao mesmo tempo, numerosas minorias étnicas foram colocadas sob domínio estrangeiro, criando focos de tensão interna. Finalmente, a disputa das potências industriais por mercados e matérias-primas não foi solucionada satisfatoriamente, pois Alemanha, Itália e Japão continuaram carentes de insumos para suas indústrias.

Configurou-se como uma extrema contradição com os novos tempos vividos pelos europeus nos séculos XIX e XX. Havia um período de exuberante cultura cosmopolita e de florescimento das artes, como resultado do movimento iluminista. A Revolução Industrial trazia esperança de aumento da riqueza mundial e incremento da qualidade de vida.

O sociólogo Norbert Elias, no seu livro Os Alemães, pergunta: como o Holocausto pôde acontecer num país celebrado como a Grécia do século XIX, lugar do nascimento de mentes privilegiadas como Beethoven, Bach, Nietzsche, Thomas Mann, Goethe, Einstein, Hanna Arendt e Karl Marx, dentre outros símbolos culturais? Como admitir uma barbárie tamanha num país civilizado como a Alemanha?

Ele mesmo conclui que processos civilizadores e descivilizadores podem ocorrer simultaneamente em determinadas sociedades, que podem alcançar um estágio admirável, mas, ao mesmo tempo, serem seduzidas por forças que as fazem viver como “bárbaros tardios”. Especialmente quando essas forças são exploradas por discursos radicais e cheios de ressentimentos, como os de Hitler, que se sentiu traído com a derrota da Alemanha na I Guerra.

Isso significa que todos nós – mesmo com educação intelectualmente sofisticada – estamos sujeitos à tentação do radicalismo e da violência do maniqueísmo ideológico que é uma herança da II Guerra.

Até então, as guerras tinham um pano de fundo muito mais geopolítico e territorial. Hitler foi um dos primeiros ditadores mundiais a se utilizar da exclusão ideológica e racial. É inevitável pensar no atual contexto internacional, perigosamente parecido com o da época. Quando achávamos que o mundo havia resolvido essas questões, elas estão retornando de uma forma muito intensa.

O mundo que emergiu do terrível conflito era bastante diferente daquele que existia em 1939. As potências do Eixo estavam esmagadas, mas também a Grã-Bretanha e a França saíram debilitadas da guerra. Para definir a nova relação de forças internacionais, foram criadas duas expressões: superpotências e bipolarização – mostrando que o planeta se encontrava dividido em duas zonas de influência econômica, política e ideológica, controladas respectivamente pelos EUA e URSS. Do confronto entre ambos (Guerra Fria) resultaram a Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1961-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989). Somente em 1985, como início da Perestroika (reestruturação econômica) e da Glasnot (transparência política) implantadas por Gorbachev na URSS, esse cenário instável começou a se desfazer.

Parecia que o mundo estava se dirigindo para a paz, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia (em 2022) nos mostra que os problemas relacionados aos conflitos entre as nações permanecem vivos até hoje, apenas mudando algumas características do contexto histórico onde estão inseridos.

Sinais de que o mundo está reciclando suas questões conflituosas surgem quando se identifica que a extrema-direita foi escolhida para governar em alguns países periféricos. Devemos lembrar que a França e os EUA também entraram no cenário de disputas de matiz ideológico.

Por isso, é imperativo reconhecer que a educação para a paz é uma necessidade superior aos partidos e ideologias. É preciso recordar permanentemente a História para fazê-la viva e pedagógica em nossas sociedades. Que tenhamos sempre em mente a expressão que está escrita nos portais dos museus europeus que tratam do Holocausto: LEMBRAR PARA NÃO REPETIR!

Sobre o autor: Eleazar de Castro é aposentado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e tem uma longa carreira como professor. Sua paixão por História, II Guerra Mundial e viagens o fez escrever o livro imperdível Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1), editora Chiado, com a sua companheira de vida e alma Goretti Gurgel. Moram em Fortaleza-Ceará. E em breve viajarão para mais pesquisas na França e em outros países europeus para o volume 2.

Eu tenho o prazer de conhecê-los e participar de seu grupo de estudos e discussões sobre a II Guerra Mundial no Whatsapp: Pelos Caminhos da II GM. As lives no Instagram aos sábados, geralmente às 16 h, no seu canal @peloscaminhosdaiiguerramundial com estudiosos são um eterno aprendizado. Obrigada, Eleazar, pela sua contribuição importante ao meu blog. Saudações a você e Goretti/Leta.

Turquia pelos meus olhos por Carolina Tavares

Turquia pelos meus olhos por Carolina Tavares

Da série: Psicologia Sem Fronteiras (do Instagram)

Turquia pelos meus olhos: uma viagem terapêutica. Um país que super estimulou meus sentidos.

1. Sua culinária saborosa me incentivou a degustar mais e mais comidas desse lugar mágico. Resultado: + 2 kg.

2. Escutar e acordar com os cânticos das mesquitas ao nascer do sol me fez sentir em um universo paralelo.

3. Observar a simbiose entre Ocidente e Oriente/antigo e moderno me deixou inspirada.

4. Voar de balão foi surreal.

5. Sentir o aroma dos chás de maçã pelos lugares onde passava foi incrível.

O cheiro de cada país, você já parou para pensar nisso? Tão slow esse foco no aqui e agora. Puro mindfulness que fica entranhado em nossas mentes, como tudo que se vive com presença fica, mesmo com o passar dos anos.

É tão o oposto daquelas viagens que mais parecem uma maratona.

E como gosto de mesclar psicologia e viagens, posso hoje falar também de empatia. Que seguramente ser empático é uma habilidade que se pode desenvolver ao longo da vida.

Pra mim tudo começou desde pequena. A educação lá em casa foi voltada sempre para o respeito ao outro. Porque o igual meio que já conhecemos e sabemos como devemos nos comportar diante dele. Mas o diferente, você tem que pedir licença pra entrar, por ser lugar desconhecido.

O respeito é o irmão mais velho da empatia. Ele chega primeiro. Mas antes dele vem um elemento que se chama escuta ativa. Essa eu aprofundei no dia a dia da minha profissão e levo pra vida. Apurei meus sentidos com a prática (esse exercício pode ser feito sempre, mesmo em uma viagem, como citei no início desse texto).

Escuta e interpretação fazem parte da minha rotina. “Sem a prioris, nem julgamentos”, como dizia um professor. Assim é o meu trabalho, compreender com empatia, para ajudar a desfazer os nós e se assegurar que aprenda a desatá-los, para que eu saia de cena quando necessário. Assim é visitar outra cultura. Suave, com as pontas dos pés de início. Por exemplo: em Istambul, entrei numa mesquita com respeito, delicadeza, cabeça coberta, assim como deve ser. Entrando no território do outro para conhecê-lo, para aprender e compreendê-lo melhor. Sem julgamentos.

OBS: o movimento de vida SLOW propõe uma mudança em rotinas aceleradas e MINDFULNESS significa atenção plena a tudo que se faz.

Sobre a autora: Carolina Tavares, minha amiga Carol, é ativa nas redes sociais, apaixonada pela sua profissão de psicóloga, pela família e viajante inveterada. Sempre colabora com o meu blog trazendo artigos instigantes e únicos. Seu estilo de escrita nos convida a ver uma viagem como uma jornada de autoconhecimento. Aprendo muito com ela. Obrigada, amiga Carol!

Bariloche-Argentina2022-Puerto Blest-sétimo dia

Bariloche-Argentina 2022-Puerto Blest-sétimo dia

Hoje é dia 19 de agosto de 2022, e estamos em Bariloche. O café da manhã foi melhor, com quitutes da terra e o mate argentino para os visitantes. Como vamos a Puerto Blest, temos que estar na TURISUR na rua Mitre, 219 em frente ao MacDonald´s às 8h30. O guia é o Sebastian e o motorista é o Sergius. Vai muita gente da excursão. O clima está promissor, não neva ou chove, mas faz o frio de inverno. Iremos também passear pelo Lago Frías e pela Cascata de los Cántaros, todos os passeios localizados na província de Rio Negro.

Em Puerto Pañuelo, saímos do ônibus e nos dirigimos ao terminal do porto, entrada do Parque Nacional Nahuel Huapi, pagamos ($ 3.050,00 pesos argentinos mais a taxa) e mostramos o voucher digital para o guia a fim de subir no catamarã. Partida e chegada sentados. O capitão se chama Alberto. Estamos a 3 km do Chile. Seguimos pelo lago Nahuel Huapi e por um braço que vai a oeste.

Aproximadamente uma hora depois estamos em Puerto Blest, descemos e rumamos ao hotel Puerto Blest, à cafeteria para comer algo, o restaurante se encontra no primeiro piso. Escolhemos sanduíches, saladas, bebidas quentes e frias. O lago tem origem glacial, 40 mil anos atrás era gelo, 10 mil anos atrás o gelo virou rio, a região é pródiga em água.

As árvores alerces da região foram utilizadas para a construção das primeiras casas de Bariloche. Os índios mapuches que viviam na região dois mil anos atrás eram valentes como tigres, faziam canoas e navegavam. As plantas são nativas, o parque é úmido. Estamos na Selva Valdiviana, cuja origem vem de Valdívia, Chile.

Em 1852, o desbravador Perito Moreno chegou à localidade. A Argentina e o Chile tinham fronteiras diferentes, logo Moreno fez o estudo para a nova fronteira: a partir das montanhas e não das águas fronteiriças. Seu trabalho e conhecimento foram tão valorizados pela República Argentina que ele recebeu terras na Patagônia de presente com o direito de escolher o local. Perito Moreno é considerado o pai dos parques nacionais no país entre Neuquén e Rio Negro.

Em 1913, o presidente americano Theodore Roosevelt realizou uma expedição pela América do Sul e veio a Puerto Varas na Patagônia chilena. Perito Moreno e outras pessoas o esperavam em Puerto Blest.

Puerto Blest era Puerto Esperanza no passado. Era fundamental para o intercâmbio entre Argentina e Chile. Na baía de Puerto Blest, o emblemático hotel Puerto Blest era todo na madeira, hoje é mais simples. Entramos no hotel para banheiros, enfim vamos conhecer o lago Frías. O guia Eduardo chama o grupo 1 nome por nome para o ônibus (são dois). Muito organizado, são 3 grupos. O grupo 1: quem comprou em Bariloche o passeio. Grupo 2: quem comprou no catamarã e Grupo 3: quem não vai.

Uma observação: a segurança no catamarã é levada a sério. Falam as instruções de segurança ao Parque Nacional Nahuel Huapi o tempo todo.

De ônibus andamos pela Ruta Nacional 237. Vemos um bosque com passarelas de madeira, ditas senderos, com árvores antigas, um bosque puro de rocha e areia vulcânica. Vamos a Puerto Alegre onde está o rio Frías, um trecho da RN 237. Fica em uma das pontas do lago Frías. Lá pegamos o barco para navegar o lago.

O Bosque Valdiviano tem uns 13 mil anos, os solos férteis, o clima temperado, chuvoso, oceânico. Faz parte do Cruzeiro dos Lagos Andinos, 100 anos atrás já usados pelos jesuítas. Chove muito na região, o verão é mais seco.

O nome de San Carlos de Bariloche teve o nome Carlos acrescentado em 1902, por conta de um comerciante: Don Carlos Wiederhold, principal comerciante da outra margem do lago Nahuel Huapi. Por conta de um engano do nome escrito no destinatário de uma carta para ele como San Carlos, mesmo sendo talvez piada de quem mandou, o nome pegou, segundo o site Bariloche para Brasileiros.

O percurso no lago Frías é bem curto, ele se alimenta das abundantes precipitações da região e dos córregos que descem do glaciar Frías do Cerro Tronador, cujas águas lhe dão a cor esmeralda. A navegação no lago é imperdível e a sua paisagem exuberante, há florestas verdejantes ao redor e montanhas nevadas no horizonte.

Descemos em Puerto Frías, a outra ponta do rio Frías. Caminhamos na neve com cuidado, uma farra. Coisas que são raras na vida. Há uma exposição ali perto do lago: a réplica da moto de Ernesto Che Guevara nomeada de “La Poderosa”, modelo Norton 500 M18, de 1939. Ele passou pelo local com Alberto Granado na sua famosa viagem de motocicleta pela América do Sul. Sugiro assistirem ao filme “Diários de Motocicleta”, de 2003.

A cadeia de montanhas ao redor do lago é impressionante. O Cerro Internacional Tronador se vê do local. O guia chamou de vulcão. Tem nove geleiras. O nome tronador é porque se parece com trovões. Bem perto dali se encontra o Passo Internacional (em espanhol, paso fronterizo Vicente Pérez Rosales) que chega ao Chile. O rio Frías tem o lado superior e o inferior. Passamos pelos dois e rumamos ao Puerto Alegre para pegar o ônibus de volta.

Em Puerto Blest, almoçamos no restaurante do hotel: wrap vegetariano de frango com champignon mais coca. Não havia muitas opções prontas.

Depois, voltamos ao catamarã rumo à Cascata de Cántaros quando saímos da província de Rio Negro rumo a Neuquén. O ambiente é singular, de selva úmida com musgo.

A passarela de madeira (sendero) que sobe aos mirantes é cheia de gelo, temos que nos segurar na amurada. É perigoso, uma aventura. O primeiro mirante é belo e vemos a cascata com sua força incrível. A floresta de coihues, que significam “lugar de água”, se faz presente no caminho. Confesso não ter ido ao segundo mirante, pois havia muita neve e estava com medo de derrapar. Preferi esperar o Carlos sentada com outros visitantes. Há bancos que nos apoiam. Deve ser muito melhor visitar em outra estação, sinceramente. No Bosque da Cascata não se acampa, os turistas só vem de barco, não há estrada ou caminhos, não se pode sujar ou colocar fogo. O verão é mais quente, já o outono é bonito, por causa das cores diversas das árvores em contraste com o lago.

Em uma hora retornamos a Puerto Pañuelo. Descemos mais tarde no centro de Bariloche. Fomos às compras na tentadora rua Mitre. Com certeza, mais alfajores e doces. Lembrando que o doce de leite do país é famoso.

No outro dia, 20 de agosto de 2022, o último, fizemos um passeio pelo lago Nahuel Huapi e seus mirantes, almoçamos no restaurante Família Weiss de novo e voltamos ao hotel. Passeio daqueles inesquecíveis. Obrigada ao Dennis, nosso agente da CVC em Fortaleza-Ceará. Fim de viagem.

Bariloche – Argentina 2022 – um dia em San Martin de los Andes – sexto dia

Bariloche-Argentina 2022-um dia em San Martin de los Andes-sexto dia

Hoje é dia 18 de agosto de 2022. Estamos em Bariloche. Combinamos no dia anterior o passeio a San Martin de los Andes, outra cidade charmosa na Patagônia argentina. Há muito queria conhecer. A van passa às 8h30 no hotel Soft para nos pegar. O retorno será às 18h15. O guia se chama Alejandro e o motorista Palermo. Vamos cruzar a fronteira estadual da província de Rio Negro e chegar à província de Neuquén, então temos que preencher um formulário com nome e número de RG ou passaporte na própria van.

Passamos pelo lago Nahuel Huapi, de acordo com o guia, o quarto maior em tamanho da Argentina, o maior do Parque Nacional Nahuel Huapi, com 530,9 km² de superfície e 10,2 km de largura.

Estamos na afamada Ruta 40, a mais longa estrada do país, corre toda a Cordilheira dos Andes. Beleza não falta nos arredores.

80 km de Bariloche ou 1 h e 15 min depois está Villa Angostura, onde desceremos. Trata-se de outra cidade alpina, uma gracinha. Já conhecia de 2017. A sua arquitetura é rústica com casas de pedra e madeira. Vale a pena visitar. Em espanhol, “villa” significa cidade pequena e “angostura” passagem estreita.

Estamos na Rota dos 7 Lagos, região das mais atrativas. Os lagos são Espejo, Correntoso, Falkner, Machónico, Villarino, Escondido e Lácar. Faremos 4 paradas.

O lago Nahuel Huapi com as montanhas nevadas atrás é espetacular. O parque nacional é conhecido por nos oferecer paisagens suíças. San Martin tem uns 70 mil habitantes e parece com Bariloche e Villa Angostura. Também com a mesma arquitetura. Seu atrativo principal são os cenários idílicos da bela Patagônia.

A última cidade em Rio Negro é Dina Huapi, logo estamos em Neuquén. Há polícia na fronteira. O lago Nahuel Huapi se encontra nas duas províncias ou estados. Nahuel Huapi significa ilha de tigres na língua dos índios mapuches. Eles viviam na região no séc. XIX, eram guerreiros valentes. Homens brancos de Buenos Aires lutaram com eles, e ao vencerem, encamparam a região se tornando consequentemente Argentina. Detalhe: foi o cacique Saihueque que se rendeu aos invasores em 1874.

Vemos a estepe patagônica no caminho, são campos, muitas terras, poucos habitantes e ventos fortes.

Na van escutamos Mercedes Soza e a nossa Alcione. Interessante que quando enxergamos uma pessoa com mate e garrafa térmica, não tenha dúvida, é argentino ou uruguaio. E lá vamos nós pela Ruta 40 repleta de neve, margeando o lago Nahuel Huapi. Um delírio!

Quase 10 h da manhã e nos aproximamos de Villa Angostura, fundada em 1932. O guia diz ser uma aldeia de montanha. Um passeio que já fizemos e aconselho é o do Bosque de Arrayanes (árvores típicas). Lindo! Perto da cidade pequena de três quadras, há a montanha: Cerro Bayo, onde se praticam esportes de inverno como o esqui. No verão, o interesse de gente do mundo todo é o trekking (caminhada intensa) e a pesca. Existe uma estátua em homenagem à truta, peixe procurado por americanos, principalmente.

Ficamos uns 20 minutos somente, fomos a um café para banheiros e café, lógico. Pedi um muffin (bolinho denso) de chocolate e um café. O local é o Cucu Schulz na av. Arrayanes, 44. Como aprecio um muffin.

O frio é grande. Ver Villa Angostura no inverno, totalmente gelada e nevada, é encantadora, bem diferente de conhecê-la na primavera, asseguro. Deixamos a cidade e rumamos a San Martin de los Andes pela mesma estrada: Ruta 40.

O guia Alejandro demonstra muito conhecimento da região. O Parque Nacional Nahuel Huapi teve sua fundação em 1934, conta com 712.160 hectares e protege lagos, lagunas e uma selva fria: Los Alerces com as árvores alerces, enormes, milenares e nativas. O fruto llao llao se encontra lá, doce e saboroso. O Cerro Tronador se situa entre o PN Nahuel Huapi e o PN Vicente Pérez Rosales no Chile. Tem 2642 m de altura e a temperatura é de frio, neve e tormentas o ano todo. Muitos glaciares e águas termais na região. Do outro lado de onde estamos se encontra o Chile e o Oceano Pacífico. Por ali, existe o Paso Internacional Los Libertadores, ligação entre os dois países cuja estrada tem forma de caracóis, o transporte usado é ônibus e carro 4×4.

A primeira parada ocorre no mirador do lago Espejo, dito ponto panorâmico. As árvores coihues são sempre verdes. No outono, elas são coloridas formando um cenário formoso. A laguna congelada se chama San Ferino. Existem cervos colorados na área cujas carnes são apreciadas. O lago Espejo ou Espelho fica lá embaixo, no mirante há muita neve.

Vemos o rio Ruca Malen, depois chegamos ao lago Correntoso, fazemos a segunda parada para fotos no mirante. As montanhas nevadas ao longe e à direita floresta. Os lagos são fabulosos de tão mágicos e no inverno ficam mais chamativos. Lá pescam trutas e há cabanas e hospedagens a mil. Deve ser uma tranquilidade passar uns dias naquele paraíso.

O clima está mais aguentável no momento, ainda bem, pois não chove, venta ou neva. Passamos pelos lagos Escondido, Villarino e fazemos outra parada no Falkner, onde nos aproximamos mais do lago. Há uma placa em homenagem ao explorador/médico Thomas Falkner (1702-1784), além de missionário jesuíta inglês. Este lago Falkner parece uma praia congelada, a água fria é profunda. Pisamos na neve, o lugar é hermoso, como dizem os argentinos.

Como não alugamos roupa para o frio intenso, congelamos. Sinceramente, me arrependi. Fica a sugestão.

Vi a placa do Parque Nacional Lanín e o lago Hermoso. San Martin no noroeste da Patagônia, é a porta de entrada desse parque nacional com florestas, vida selvagem diversa e o vulcão Lanín.

Na cidade é comum comer muito alce, cordeiro e bife de chorizo, da mesma forma truta e pizza napolitana.

Mais um lago: Machónico. Que paisagem a do local. O último lago antes de San Martin se denomina Lácar, fica entre montanhas, é glaciar e continua na cidade a margeando. Possui um pontão para barcos e uma praia com areia. A distância da fronteira com o Chile é de 45 km.

O município, enfim. Segundo Alejandro, existe desde 1898 e era um forte militar. A região era país dos índios mapuches cujo líder era o cacique Saihueque, conforme foi dito anteriormente. Com a vitória do Gal. Roca, a cidade se torna San Martin de los Andes em honra ao Libertador, herói da independência da Argentina, Chile e Peru: Gal. San Martin.

Na cidade, ficamos entre 13 h e 15 h. A ideia era almoçar logo, então o guia nos levou ao restaurante La Nueva Barra (Almirante Brown, 216). O Carlos pediu cordeiro patagônico e eu supremo de frango, ambos com salada de cenoura, alface e tomate. Aprovamos.

Enfim, o sol apareceu e colaborou com nossa excursão. A praça San Martin é o ponto principal, a partir dali desbravamos as ruas adoráveis. Lojas, feirinha de rua, chocolaterias, muitas casas floridas, um encanto. San Martin de los Andes é charmosa, com roseiras nas calçadas, parques, árvores, uma mistura de Villa Angostura e Niagara on the Lake no Canadá. As casas são construídas com muita madeira. Que passeio mais gostoso. Há muita beleza no local, como mirantes, praias, o parque nacional, visita ao vulcão, ou seja, visuais arrebatadores. Deu vontade de conhecer mais, mas fica para outra.

Após as caminhadas, nos direcionamos à Villa Angostura de novo, descemos para um café no mesmo Cucu Schulz e retornamos a Bariloche na hora do rush. Carros em quantidade, como é de se imaginar.

Dia completo e feliz. Em breve Puerto Blest.

Angélica Ellery Barreira Furtado

Angélica Ellery Barreira Furtado

O nome “angélica” se origina de uma flor singela, o significado do nome é harmonia, paz e união, e na Bíblia, o nome diz respeito à angelical, que se assemelha aos anjos. Tudo isso combina com a vó “Jeca”, como era chamada por algumas netas. Para a família, era Lequinha, Teté ou Letinha.

Filha de Ignácio Barreira e Cora Ellery. Ao casar com Antônio Furtado, aos 19 anos, em 1928, manteve o nome da família Ellery Barreira. Sem dúvida, algo moderno para a época.

Teve 10 irmãos e irmãs: Eduardo, Naci, Eduíno, Adalberto, Juarez, Margarida, Violeta, Iridéa, Zé Lito e Cora. Minha avó se dava bem com a irmandade (como diz meu pai Jair). Eram unidos.

Ainda jovem foi interna no colégio Imaculada Conceição. Lá estudava francês com as freiras oriundas da França. Mesmo quando saiu do internato, continuou com aulas particulares de francês e português. A razão de ter saído foi porque sua mãe falecera, então foi morar com sua tia Noca, irmã da mãe Cora e futura madrasta.

A vó “lembrada” era uma artista, sua alma era sensível. Pintava quadros, porcelana, louça; costurava roupas na máquina cantando; tocava piano e tinha aulas no instrumento. Dava conta da casa, cozinhava, reunia a família para a sopa dos domingos à noite, as noras e filhas levavam algo para o jantar, segundo minha mãe Sirley. A porta de entrada da casa estava sempre aberta com a mesa posta para um cafezinho com biscoitos.

Ela e meu avô Antônio casaram em Fortaleza-Ceará e logo se mudaram para Baturité-Ceará. Moraram depois em Fortaleza novamente, em Caicó-Rio Grande do Norte e em Fortaleza de novo. Com o vô já aposentado, rumaram ao Rio de Janeiro para que o filho Eudes fizesse um tratamento. Dois anos e pouco depois retornaram a Fortaleza, sendo que a filha Thaïs ficou no Rio cursando psicologia na universidade.

Tiveram 13 filhos: Sara, Ruth, Ciro, Jair, Mauro, Jorge, José, Dimas, Thaïs, Eudes, Auta, Celso e Gildo. Da lista, a Thaïs, o Eudes e o Celso já faleceram. São muitas histórias de sacrifício, dificuldades, amor e companheirismo.

A vó era conhecida por ter um lar acolhedor, ser hospitaleira, discreta, humana e calma. Ela e o vô recebiam bem as pessoas, exalavam calor humano. Ela serena e plácida, o vô preocupado e afobado, um casal que se complementava. Ambos católicos e piedosos. A vó aplicava injeções em pessoas doentes. Transmitiram valores aos descendentes como ética, honestidade, generosidade e gentileza.

Eis a vó Angélica, querida e amiga de familiares, amigos (as) e vizinhos (as). Vaidosa, faceira, gostava de estar em casa arrumada e na cozinha sempre cheirosa. O batom na boca era sua marca registrada. Era uma Ellery Barreira legítima com as feições do seu rosto, cabelos loiros e olhos azuis. Um ser humano admirável.

Nota da autora: este artigo foi escrito por mim com a colaboração de várias mãos, obrigada a quem contribuiu. Foi lido no segundo almoço da família Ellery Barreira no Clube Ideal em Fortaleza-Ceará no dia 07 de janeiro de 2023.

Bariloche-Argentina 2022-passeio de ônibus turístico-quinto dia

Bariloche- Argentina 2022- passeio de ônibus turístico-quinto dia

Hoje é quarta, dia 17 de agosto de 2022. Pela manhã, neve e frio, andamos pela rua Mitre no centro, a rua do hotel Soft (Mitre 685), onde estamos hospedados. Antes fizemos combinações com o guia Esteban (do nosso pacote da CVC) sobre os passeios de quinta e sexta. Pagamos antecipadamente, vamos para San Martin de los Andes e Puerto Blest.

Voltemos à Calle Mitre, como é bom ver o movimento de gente nas chocolaterias, lojas, cafés etc. O almoço foi no restaurante El Lingüini (Mitre 370): pedimos trutas “ao limão com batatas fritas” e ao “queijo roquefort”, ambas degustadas com vinho Malbec. Gostam mais de batatas do que de arroz na região. Aconselho o local, tudo ótimo.

De lá, pegamos o ônibus turístico “com cara de trem” ($ 2mil pesos argentinos por pessoa) para conhecer mais a cidade. Chama-se El Tren de Bariloche e oferece um voucher para a loja Fusion, que vale uma degustação de vinho (Quaglia 183) após o passeio. O frio é intenso até dentro do ônibus. Socorro! Sai às 10 h, 11h30, 14 h, 15h30, 17 h e 18h30 da esquina da rua Mitre com Villegas a cada 1 h e 15 min. Contamos com a Gimena como guia municipal e com o motorista Claudio.

Vamos os detalhes: passamos pelo Centro Cívico, fundado em 1940, com o intuito de se tornar um centro de turismo e reunião pública, cujo arquiteto foi Ernesto de Estrada. Trata-se de um monumento nacional, um conjunto de edifícios de caráter público, com a estátua do ex-presidente da Argentina Gal. Roca no centro da praça. Lá estão a Torre do Relógio, o Museu da Patagônia Francisco Moreno, a Biblioteca Sarmiento, a Prefeitura etc. O estilo arquitetônico é europeu alpino.

A guia mencionou a cervejaria Wesley (Av. Bustillo 15500) que usa lúpus da região e vi casas antigas encantadoras. Interessante que nem todo mundo que habita em Bariloche conhece as montanhas ou esquia.

No alto da cidade (zona sul), conhecemos o bairro alemão com casas de arquitetura típicas da Alemanha e Suíça, já que tais povos chegaram para viver lá no passado, hoje são alugadas para turistas. O vistoso bairro Belgrano, com seus pinheiros nevados, foi morada de nazistas fugidos no pós II Guerra Mundial da Europa. Como se sabe, o país recebeu muitos na época do presidente Perón.

Neva na cidade de abril a setembro, logo Bariloche é uma pintura de cartão-postal com as casas com neve na frente. Os moradores têm que tirar o gelo, se não é perigoso se machucar. São 200 mil habitantes aproximadamente, de acordo com a guia.

Continuamos pelo bairro Cumbre, bem tranquilo, mas que cresce sem controle. Nem todos têm gás natural contra o frio, então usam lenha.

No mirante, vemos a praça Mallin, coberta de neve. O bairro tem o mesmo nome. Lá descemos do trem/ônibus e os visitantes embevecidos brincam na neve. O Carlos e eu ficamos nas fotos. As casas mais antigas são de madeira e de cores claras.

Em 1930, surgiu a primeira escola; na década de 1950, a primeira central telefônica do país; em 1938, o Hospital Nacional. No Shopping Patagonia (na esquina de Elflein y Onelli) existem cinema, cassino, restaurantes e lojas. Fica para a próxima entrar nele.

Bariloche era uma colônia pastoril e agrícola, hoje é uma potência turística. Algumas ruas importantes são Mitre, Moreno e Palácios. A Festa Nacional da Neve (29 de julho a 06 de agosto), a Semana Santa e a Festa Nacional do Chocolate (entre 18 a 21 de abril) fazem parte do calendário anual.

Fizemos compras de geleias no La Península Chocolates y Dulces (Frey 199) e para jantar, no de sempre, Coffee Store (o sanduíche misto de queijo e presunto e licuado de frutas-um tipo de suco com leite batido) em frente ao hotel, com empanadas do Da Abuela, bem pertinho. Hábitos se criam rapidamente, sem dúvida.

Seguiremos com mais belezas em breve.

QUANDO A CASA DOS AVÓS SE FECHA Por Ana Maria Moura de Souza

QUANDO A CASA DOS AVÓS SE FECHA

Ana Maria Moura de Souza em 14/10/2020

Acho que um dos momentos mais tristes das nossas vidas é quando a porta da casa dos avós se fecha para sempre, ou seja, quando essa porta se fecha, encerramos os encontros com todos os membros da família que, em ocasiões especiais, quando se reúnem, exaltam os sobrenomes como se fossem uma família real e eles (os avós) são culpados e cúmplices de tudo.

Quando fechamos a casa dos avós também terminamos as tardes felizes com tios, primos, netos, sobrinhos, pais, irmãos e até recém-casados que se apaixonam pelo ambiente que ali se respira. Não precisa nem sair de casa, estar na casa dos avós é o que toda família precisa para ser feliz.

As reuniões de Natal, regadas com o cheiro de tinta fresca, que a cada ano que chegam, pensamos “… e se essa for a última vez?” É difícil aceitar que isso tenha um prazo, que um dia tudo ficará coberto de poeira e o riso será uma lembrança longínqua de tempos melhores.

O ano passa enquanto você espera por esses momentos e sem perceber, passamos.

Nota da editora: este artigo mostra a urgência de viver cada momento intensamente, pois tudo passa e o que fica são as ternas lembranças felizes.

Bariloche-Argentina 2022-Cerro Otto-quarto dia

Bariloche-Argentina 2022-Cerro Otto-quarto dia

Hoje é dia 16 de agosto de 2022, dia de visitar o Cerro Otto, a 1405 m acima do nível do mar, localizado à Avenida de los Pioneros km 5, Circuito Chico. A temperatura continua muito fria: 2º C. O teleférico da montanha custa $ 4.500 (pesos argentinos), para maiores de 65 anos $ 3.500 pesos, o ônibus é gratuito. Há horários do ônibus que se pega no guichê do centro na Calle (rua) Mitre a partir das 10 h da manhã, o último às 16h15. O regresso começa às 14h15 e termina às 17h15, ou seja, tem que se programar. Endereço do guichê: esquina da Calle Mitre com Villegas.

O Carlos e eu decidimos pegar o ônibus das 12h, assim almoçaríamos lá. Como já conhecíamos na primavera, a ideia era conhecer no inverno e digo, é bem diferente. Tiritei de frio e nem saí na neve. Já o Carlos se deleitou.

Vamos aos fatos: fila para comprar, fila para entrar no Cerro Otto. É 5 km do centro de Bariloche, bem localizado. No teleférico fechado, estávamos com mais um casal de Porto Alegre-RS. O visual na subida é espetacular: a floresta e a neve. Fomos direto à confeitaria giratória e foi uma boa pedida, porque depois lotou e a gente já estava almoçando na paz. Pode ficar lá uma hora, então ao sentarmos, pedimos suco de laranja, licuado (smoothie) de framboesa com leite e frango grelhado com salada.

O cenário da janela era incrível, tudo congelado, com pouca visibilidade. Tudo girando bem lentamente, é marcante o local. A neve é a senhora das montanhas. A comida ótima e para me satisfazer, pedi a torta selva negra: a framboesa estava demais, assim como o chantilly (fresco e inigualável) e bolo de chocolate. Chego a sonhar com essa iguaria.

O Carlos saiu no mirante, corajoso. Na verdade, estava cheio de gente, o povo se divertindo com a neve, tirando fotos, um evento. E eu mirando pelas janelas de vidro, morrendo de frio.

Antes de sairmos, passamos na pequena galeria de arte existente, a única do mundo situada no pico de uma montanha. Segundo o site http://www.telefericobariloche.com.ar, a Galeria de Arte do Cerro Otto expõe permanentemente e em tamanho natural três obras famosas de Michelangelo Buonarroti: David, La Pietà e Moisés. Todas as cópias realizadas com autorização e certificação do governo italiano.

Descemos novamente pelo teleférico a tempo de pegar o ônibus das 15h15. Lotado, voltamos em pé, ainda bem que é perto do centro.

Paramos cerca da Catedral de San Carlos de Bariloche, de 1944, cujos patronos são Nossa Senhora das Neves e San Carlos Borromeo. O arquiteto foi Alejandro Bustillo, que gratuitamente ofereceu seu projeto à cidade. O engenheiro foi Pedro Faukland e o capataz Esteban Capitanich. O edifício forma uma cruz latina deitada no solo, com a sua cabeceira orientada exatamente a ele. Tem muros de pedra branca e sua altura é de 69 m na agulha do campanário. Na catedral está a imagem de Nossa Senhora de Nahuel Huapi, o dia comemorativo é 3 de maio, data da peregrinação náutica. Dentro, a sensação é de paz, com cantos gregorianos. Muito bonita a igreja, lembra muito do lado de fora a de Canela-RS, toda na pedra.

Na lojinha da catedral, a freira que nos atendeu foi calorosa conosco, logo compramos alfajores e artesanatos de madeira (típicos da região), além de medalhas de Nossa Senhora de Nahuel Huapi por preços em conta.

Na saída, voltamos a pé ao hotel Soft e demos uma parada no Pieros Deli & Café para um suco de framboesa. O jantar foi no Coffee Store em frente ao hotel, só pra variar.

Prosseguiremos com mais belezas em breve.