Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte
Hoje é quarta-feira, dia 6 de novembro de 2024. Estamos em Fez depois de um dia anterior intenso dentro do ônibus e com muitas paradas em cidades. O hotel Zalagh Parc Palace é belo e estamos desta vez em um quarto mais perto do refeitório. Dormimos tanto, estávamos exaustos. O café da manhã é mais simples que o de Makarrech, ficamos realmente mal-acostumados. Digno de nota foi uma torrada de farinha, açúcar, ovos e amêndoa, simplesmente deliciosa. E o suco de pêssego suculento e o de laranja muito bom. Sempre acho interessante ver saladas de verduras e legumes no café da manhã. Outras culturas gostam. O hotel tem muitos quartos, a gente caminha muito. Enorme, pra variar. O guia Abdul pergunta no lobby quem quer ir a um jantar típico com dança e música à noite (extra). Como todo mundo ia, fomos também, porém caro: €50 euros para cada um. Depois conto mais.

Pegamos o ônibus e lá fomos conhecer a cidade, tão citada pela minha mãe. O clima estava bom, ensolarado. Estamos na cidade moderna, com avenidas largas e prédios baixos até 6 andares. Lembrando que para não quebrar a harmonia arquitetônica do lugar. Outro guia entrou: outro Abdul! Eles se autodenominaram Abdul I (o nosso) e Abdul II. Se falam com beijinhos na face, nada mais cultural. Abdul II tem expertise em Fez.
Comecemos. Faremos a visita completa da cidade religiosa do país, a mais antiga do reino marroquino. O nosso folder da excursão da CVC nos esclarece que Fez foi fundada no séc. VIII por Idriss II e é considerada uma das 4 capitais imperiais. Realizaremos um tour pelos locais mais emblemáticos, como os portões do Palácio Real, o bairro judeu. Acessaremos a medina através do portão de Bab Jeloud onde teremos a possibilidade de viver um retorno ao passado em uma parte da cidade que ainda vive na Idade Média. Conheceremos a vida dentro das muralhas que protegem seu interior formado por centenas de ruas labirínticas organizadas onde os clientes podem viver mil cheiros e sabores no local.
O guia Abdul II a chama de cidade “das mil e uma noites”. A zona ocidental com inúmeras árvores em canteiros centrais, verdadeiros bosques. O Marrocos é um país verde. E é um modelo de tolerância entre países muçulmanos. Não há problemas com outros povos. Prosseguimos na língua espanhola, já que a maioria dos viajantes da excursão são da Espanha. Igrejas católicas, protestantes, sinagogas são vistas. Existem bares com a permissão de venda de bebidas alcoólicas (recordando que a religião do país não permite).
Estamos na avenida Hassan II, os Champs Élysées (“Campos Elísios” de Paris) de Fez. O guia continua com sua fala. As guerras atuais são “petroguerras”, o marroquino não é fanático. Zona francesa no protetorado. “Quando passou a colônia (espanhola, ao noroeste do Marrocos), veio a guerra” (por grande parte do Saara Ocidental contra a Frente Polisário, movimento de libertação local). “País sem cultura, corpo sem alma”; “Turismo é terapia, política é doença”; “Viver a autenticidade é conhecer a parte antiga”, a parte moderna é ocidental. “A medina é o casco viejo de la ciudad”. “Quem conta a história são os vencedores”. “Astúrias é Espanha, o resto são terrenos conquistados”.
Passaremos por locais onde a novela O Clone da TV Globo foi gravada, no país fez o maior sucesso. Os Palácios Reais são da nação e não da Família Real, ou seja, são patrimônio nacional. São a residência do rei Mohammed VI. Em Fez, o Palácio Real tem 82 hectares. Hoje é o dia da Marcha Verde, feriado nacional. Vimos crianças de túnicas vermelhas com a estrela verde, cores da bandeira do país, cantando juntas na rua com o professor.
A universidade mais antiga do mundo, do séc. IX (859 d. C.), se localiza na medina em Fez. Continha sábios persas, muçulmanos e outros. A Wikipédia nos conta que se trata da mesquita e universidade Al Quaraouiyne, também a biblioteca mais antiga do mundo em atividade. Foi criada por Fatima Al-Fihri, filha de um próspero comerciante. Era uma madrasa medieval. Madrasa significa escola em árabe.
Estamos a pé para os passeios. Vemos a placa do portão do Palácio Real. Está escrito: o portão monumental oferece um pouco do seu esplendor. Foi construído em 1960, durante o reinado do rei Hassan II, revelando toda a magnificência do artesanato Fassi, caracterizado pela leveza e simetria da arte e decoração marroquina andaluza. Muito bonita a fachada. Segundo o site https://www.vagamundos.pt/, Fes el Jdid (Fez-a-Nova) foi fundada no séc. XIII, que inclui o Méchouar onde foi erigido o complexo do palácio real. É tão colossal que teve que ficar de fora da cidade velha dando origem à cidade nova.
Também vemos a placa dos Circuitos Turísticos de Fes Medina. “A mãe da ciência é a paciência, não a violência”, diz Abdul II. Há cemitério judeu no canto sudoeste do antigo bairro judeu, denominado de Mellah, do séc. XIV. Também há sinagogas. São 14 milhões de turistas ao ano, a taxa de regresso mostra o sucesso. Muita gente em todos os lugares. O guia Abdul II é simpático, bem-humorado e conversa com todos, parece professor.
Estamos na praça dos Alauitas, antes praça do Sultão. Marrocos, país pobre, africano, terceiro mundista. Os guias são sempre sinceros. O Palácio Real ou Palácio das Sete Portas: Dar elMakhzen. Portas ou portões. Atrás das Sete Portas, uma mesquita, madrasa, centro cultural. Sete Portas, estilo do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Como os arcos da medina de Córdoba-Espanha, as Sete Portas são forradas com lâminas de bronze, pesadas e com valor. As portas são limpas com limão a cada 3 meses. Uma porta ou portão para cada dia da semana. Zona militar depois da zona residencial. Os franceses trouxeram o golfe, futebol, esportes. Cada dinastia renova para ter sua História. Aliás, a Ville Nouvelle (cidade nova) foi projetada e construída pelos franceses durante o período colonial (fonte: https://www.vagamundos.pt/).
“A riqueza começa na mente, no coração e depois no bolso”. No país tem pobreza, mas não miséria. O Abdul II é rico em palavras. Na opinião dele, os protetorados francês e espanhol foram bons para o país. Alguns tinham ideias colonialistas, o que não era bom. “Melhor morar aqui, porque se tiver uma dor, todos ajudam, se for em outro país, será forasteiro”.
Visita de encanto cronológico, vamos do séc. VIII ao XIV. Na medina, ou seja, cidade antiga, ainda vívida e com moradores.Fes el Bali, ou seja, Fez-a-Velha do séc. VIII, Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1981. São 170 hectares, 9600 ruelas, 145 mil pessoas moram no local e encontram-se trabalhadores manuais: alfaiates, costureiras, vendedores, sapateiros etc. São 6 filhos por casal. Milhares de turistas nas ruelas labirínticas, bem policiado. Ali não é tão limpo, soube que a limpeza é feita por senhores com burros que recolhem o lixo e começam o serviço às 6 h. A cada esquina uma brigada turística. A entrada, de acordo com o blog https://www.vagamundos.pt/, ocorre por Bab Bou Jeloud, mais conhecida como a Porta Azul, por causa do painel de azulejos que a decora. Ali passam pessoas, carroças e burros que transportam produtos a caminho dos mercados ou souks.
Segundo Abdul II, da zona moderna para a antiga são dois séculos de mudança de mentalidade. Também há escolas na medina, o professor primário se chama maestro, o professor é de instituto. Um professor se faz presente desde o passado a cada passo. O meio de transporte dentro da medina é cavalo, mula ou burro. Uma amiga da Família Real, a americana Barbara Carter quando viu os animais serem usados na medina, patrocinou um hospital veterinário: a American Fondouk.

Voltamos ao ônibus e subimos a colina rumo ao miradouro Borj Nord, um forte do séc. XVI renovado e convertido em Museu das Armas para ter uma ideia da cidade antiga (medina). De lá, visualizamos a universidade mais moderna, criada pelo rei Mohammed V, pai da nação, falecido em 1961. Há o ensino de filologia, letras e outros cursos e data de 1956. Bem policiado. Da mesma forma, se vê o minarete na parte francesa, considerado o farol e o coração do bairro, a Mesquita Branca. Duas pirâmides verdes, a escola (madrasa) e o Palácio Real, do séc. XIV. Os vendedores trabalham fora das grades no mirante, é para pechinchar nas compras, não há preço fixo. À esquerda, muralha do bairro andaluz. Outro miradouro fica no irmão gêmeo, o forte Borj Sud, no extremo oposto.
Mulheres muçulmanas usam túnicas e os homens também. Os guias criticam a politica argelina e acham que as fronteiras aumentam o rancor das nações.



Do mirante nos dirigimos à cooperativa Mosaico e Cerâmica de Fez (Mosaique et Poterie de Fes). Conhecemos o ofício de fazer a cerâmica. São várias salas com produções diferentes: cortam os mosaicos, colocam em fibra de vidro, pintam, são modelos árabes e berberes. Na loja, existem vasos, fontes de água, pratos, bandejas etc para venda. Tudo muito lindo, eu amo mosaicos, então me deleitei. Comprei uma tartaruga diminuta e estilizada para decoração.
Prosseguiremos em breve com o nosso passeio em Fez, cidade imperdível.































