Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-primeira parte

Hoje é quarta-feira, dia 6 de novembro de 2024. Estamos em Fez depois de um dia anterior intenso dentro do ônibus e com muitas paradas em cidades. O hotel Zalagh Parc Palace é belo e estamos desta vez em um quarto mais perto do refeitório. Dormimos tanto, estávamos exaustos. O café da manhã é mais simples que o de Makarrech, ficamos realmente mal-acostumados. Digno de nota foi uma torrada de farinha, açúcar, ovos e amêndoa, simplesmente deliciosa. E o suco de pêssego suculento e o de laranja muito bom. Sempre acho interessante ver saladas de verduras e legumes no café da manhã. Outras culturas gostam. O hotel tem muitos quartos, a gente caminha muito. Enorme, pra variar. O guia Abdul pergunta no lobby quem quer ir a um jantar típico com dança e música à noite (extra). Como todo mundo ia, fomos também, porém caro: €50 euros para cada um. Depois conto mais.

Pegamos o ônibus e lá fomos conhecer a cidade, tão citada pela minha mãe. O clima estava bom, ensolarado. Estamos na cidade moderna, com avenidas largas e prédios baixos até 6 andares. Lembrando que para não quebrar a harmonia arquitetônica do lugar. Outro guia entrou: outro Abdul! Eles se autodenominaram Abdul I (o nosso) e Abdul II. Se falam com beijinhos na face, nada mais cultural. Abdul II tem expertise em Fez.

Comecemos. Faremos a visita completa da cidade religiosa do país, a mais antiga do reino marroquino. O nosso folder da excursão da CVC nos esclarece que Fez foi fundada no séc. VIII por Idriss II e é considerada uma das 4 capitais imperiais. Realizaremos um tour pelos locais mais emblemáticos, como os portões do Palácio Real, o bairro judeu. Acessaremos a medina através do portão de Bab Jeloud onde teremos a possibilidade de viver um retorno ao passado em uma parte da cidade que ainda vive na Idade Média. Conheceremos a vida dentro das muralhas que protegem seu interior formado por centenas de ruas labirínticas organizadas onde os clientes podem viver mil cheiros e sabores no local.

O guia Abdul II a chama de cidade “das mil e uma noites”. A zona ocidental com inúmeras árvores em canteiros centrais, verdadeiros bosques. O Marrocos é um país verde. E é um modelo de tolerância entre países muçulmanos. Não há problemas com outros povos. Prosseguimos na língua espanhola, já que a maioria dos viajantes da excursão são da Espanha. Igrejas católicas, protestantes, sinagogas são vistas. Existem bares com a permissão de venda de bebidas alcoólicas (recordando que a religião do país não permite).

Estamos na avenida Hassan II, os Champs Élysées (“Campos Elísios” de Paris) de Fez. O guia continua com sua fala. As guerras atuais são “petroguerras”, o marroquino não é fanático. Zona francesa no protetorado. “Quando passou a colônia (espanhola, ao noroeste do Marrocos), veio a guerra” (por grande parte do Saara Ocidental contra a Frente Polisário, movimento de libertação local). “País sem cultura, corpo sem alma”; “Turismo é terapia, política é doença”; “Viver a autenticidade é conhecer a parte antiga”, a parte moderna é ocidental. “A medina é o casco viejo de la ciudad”. “Quem conta a história são os vencedores”. “Astúrias é Espanha, o resto são terrenos conquistados”.

Passaremos por locais onde a novela O Clone da TV Globo foi gravada, no país fez o maior sucesso. Os Palácios Reais são da nação e não da Família Real, ou seja, são patrimônio nacional. São a residência do rei Mohammed VI. Em Fez, o Palácio Real tem 82 hectares. Hoje é o dia da Marcha Verde, feriado nacional. Vimos crianças de túnicas vermelhas com a estrela verde, cores da bandeira do país, cantando juntas na rua com o professor.

A universidade mais antiga do mundo, do séc. IX (859 d. C.), se localiza na medina em Fez. Continha sábios persas, muçulmanos e outros. A Wikipédia nos conta que se trata da mesquita e universidade Al Quaraouiyne, também a biblioteca mais antiga do mundo em atividade. Foi criada por Fatima Al-Fihri, filha de um próspero comerciante. Era uma madrasa medieval. Madrasa significa escola em árabe.

Estamos a pé para os passeios. Vemos a placa do portão do Palácio Real. Está escrito: o portão monumental oferece um pouco do seu esplendor. Foi construído em 1960, durante o reinado do rei Hassan II, revelando toda a magnificência do artesanato Fassi, caracterizado pela leveza e simetria da arte e decoração marroquina andaluza. Muito bonita a fachada. Segundo o site https://www.vagamundos.pt/, Fes el Jdid (Fez-a-Nova) foi fundada no séc. XIII, que inclui o Méchouar onde foi erigido o complexo do palácio real. É tão colossal que teve que ficar de fora da cidade velha dando origem à cidade nova.

Também vemos a placa dos Circuitos Turísticos de Fes Medina. “A mãe da ciência é a paciência, não a violência”, diz Abdul II. Há cemitério judeu no canto sudoeste do antigo bairro judeu, denominado de Mellah, do séc. XIV. Também há sinagogas. São 14 milhões de turistas ao ano, a taxa de regresso mostra o sucesso. Muita gente em todos os lugares. O guia Abdul II é simpático, bem-humorado e conversa com todos, parece professor.

Estamos na praça dos Alauitas, antes praça do Sultão. Marrocos, país pobre, africano, terceiro mundista. Os guias são sempre sinceros. O Palácio Real ou Palácio das Sete Portas: Dar elMakhzen. Portas ou portões. Atrás das Sete Portas, uma mesquita, madrasa, centro cultural. Sete Portas, estilo do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Como os arcos da medina de Córdoba-Espanha, as Sete Portas são forradas com lâminas de bronze, pesadas e com valor. As portas são limpas com limão a cada 3 meses. Uma porta ou portão para cada dia da semana. Zona militar depois da zona residencial. Os franceses trouxeram o golfe, futebol, esportes. Cada dinastia renova para ter sua História. Aliás, a Ville Nouvelle (cidade nova) foi projetada e construída pelos franceses durante o período colonial (fonte: https://www.vagamundos.pt/).

“A riqueza começa na mente, no coração e depois no bolso”. No país tem pobreza, mas não miséria. O Abdul II é rico em palavras. Na opinião dele, os protetorados francês e espanhol foram bons para o país. Alguns tinham ideias colonialistas, o que não era bom. “Melhor morar aqui, porque se tiver uma dor, todos ajudam, se for em outro país, será forasteiro”.

Visita de encanto cronológico, vamos do séc. VIII ao XIV. Na medina, ou seja, cidade antiga, ainda vívida e com moradores.Fes el Bali, ou seja, Fez-a-Velha do séc. VIII, Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1981. São 170 hectares, 9600 ruelas, 145 mil pessoas moram no local e encontram-se trabalhadores manuais: alfaiates, costureiras, vendedores, sapateiros etc. São 6 filhos por casal. Milhares de turistas nas ruelas labirínticas, bem policiado. Ali não é tão limpo, soube que a limpeza é feita por senhores com burros que recolhem o lixo e começam o serviço às 6 h. A cada esquina uma brigada turística. A entrada, de acordo com o blog https://www.vagamundos.pt/, ocorre por Bab Bou Jeloud, mais conhecida como a Porta Azul, por causa do painel de azulejos que a decora. Ali passam pessoas, carroças e burros que transportam produtos a caminho dos mercados ou souks.

Segundo Abdul II, da zona moderna para a antiga são dois séculos de mudança de mentalidade. Também há escolas na medina, o professor primário se chama maestro, o professor é de instituto. Um professor se faz presente desde o passado a cada passo. O meio de transporte dentro da medina é cavalo, mula ou burro. Uma amiga da Família Real, a americana Barbara Carter quando viu os animais serem usados na medina, patrocinou um hospital veterinário: a American Fondouk.

Voltamos ao ônibus e subimos a colina rumo ao miradouro Borj Nord, um forte do séc. XVI renovado e convertido em Museu das Armas para ter uma ideia da cidade antiga (medina). De lá, visualizamos a universidade mais moderna, criada pelo rei Mohammed V, pai da nação, falecido em 1961. Há o ensino de filologia, letras e outros cursos e data de 1956. Bem policiado. Da mesma forma, se vê o minarete na parte francesa, considerado o farol e o coração do bairro, a Mesquita Branca. Duas pirâmides verdes, a escola (madrasa) e o Palácio Real, do séc. XIV. Os vendedores trabalham fora das grades no mirante, é para pechinchar nas compras, não há preço fixo. À esquerda, muralha do bairro andaluz. Outro miradouro fica no irmão gêmeo, o forte Borj Sud, no extremo oposto.

Mulheres muçulmanas usam túnicas e os homens também. Os guias criticam a politica argelina e acham que as fronteiras aumentam o rancor das nações.

Do mirante nos dirigimos à cooperativa Mosaico e Cerâmica de Fez (Mosaique et Poterie de Fes). Conhecemos o ofício de fazer a cerâmica. São várias salas com produções diferentes: cortam os mosaicos, colocam em fibra de vidro, pintam, são modelos árabes e berberes. Na loja, existem vasos, fontes de água, pratos, bandejas etc para venda. Tudo muito lindo, eu amo mosaicos, então me deleitei. Comprei uma tartaruga diminuta e estilizada para decoração.

Prosseguiremos em breve com o nosso passeio em Fez, cidade imperdível.

Marrocos colorido-Rabat e Meknes até Fez-dia 2

Marrocos colorido-Rabat e Meknes até Fez-dia 2

Hoje é terça-feira, dia 5 de novembro de 2024, saímos de Marrakech, já passamos por Casablanca e estamos rumo à Rabat. Cruzamos Benslimane. Segundo a Wikipédia, a cidade está situada a pouco mais de 20 km da costa atlântica e a 60 km a sudoeste de Rabat, é conhecida pelo seu clima seco, flores e florestas que são populares entre os caçadores de javali. As florestas estão entre as mais importantes do Marrocos.

Chegamos a Rabat. O dia está ensolarado, os táxis são azuis, mas a fome está matando… Avenida larga onde se localiza o Comitê Olímpico. As placas nas ruas são escritas em árabe e berbere (dialeto), fantástico. Centro Nacional de Defesa. O Marrocos faz fronteira com a Argélia e Mauritânia. Interessante dizer que as crianças são alfabetizadas em árabe e francês, o inglês é estudado no ensino médio.

Cidade verdejante, limpa. Sempre comento que o guia Abdul é muito competente. Por Rabat me apaixonei logo na entrada, eis a capital do país para desfrutar. O Marrocos com população de 40 milhões, tendo o oceano Atlântico e o mar Mediterrâneo ao seu dispor.

Rabat foi fundada pelos almóadas em 1150 e tem muitos pontos de interesse e monumentos históricos para um, dois ou três dias bem passados. A capital de Marrocos é uma grande cidade cosmopolita listada no Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Rabat literalmente significa “lugar fortificado”. Uma cidade embalada pelo Oceano Atlântico, perto da foz do rio Bouregreg. (https://www.joaoleitao.com/viagens/visitar-rabat-marrocos/)

Rabat charmosa. 1.9 milhões de habitantes, a segunda maior cidade do país. Meu estilo arquitetônico de prédios. Avenida à beira mar com palmeiras e casas lindas (o nosso guia informa serem de pessoas ricas). Prédios baixos, mar com rochas, ali estão as piscinas públicas maiores do país. Casas tradicionais dos pescadores, luminárias estilosas nas calçadas, bela Rabat.

Na Fortaleza de Rabat, um guia local nos conduziu. Kasbah dos Udayas (ou Oudaya), sendo kasbah “fortaleza” em árabe. Muitas explicações, só achei muito corrido, nem tive tempo e oportunidade de saber o nome dele. A porta grande era um tribunal, hoje lugar de exposições. O minarete é quadrado diferente dos da Turquia, pois no Marrocos os otomanos não entraram. Gatos mil. Movimento no mercado e as casinhas dentro da fortaleza, são uma lindeza. Ali moraram franceses. Estamos na primeira mesquita do país. A mulher pode rezar em casa, mas no Ramadã se dirige à mesquita, cujas entradas são diferentes para homens e mulheres. Pessoas doentes não tem Ramadã.

Eu em frente à Fortaleza de Rabat-Marrocos-foto selfie tirada por Mônica D. Furtado

A Wikipédia esclarece que a cidade foi fundada em 1150 pelo califa almóada Abde Almumine, que ali construiu uma fortaleza, uma mesquita e uma residência. Tornou-se cidade imperial em 1660 e foi a capital do Protetorado francês de 1912 a 1956. A fortaleza era usada como ponto de ataques contra a Espanha.

Pátio da Fortaleza com a foz do rio Bou Regreg no encontro com o oceano Atlântico-Rabat-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

A Fortaleza é um passeio imperdível, no pátio testemunhamos a beleza do encontro do oceano Atlântico com o rio Bou Regreg. O sol ilumina a paisagem. As fotos ficam um espetáculo. Dentro da fortaleza, há casas, cafés, lojas, tomamos um suco de romã pra matar as saudades (muito comum na Turquia). A avenida El Jamae é demais. Para uma visita ao banheiro, 5 DH (dihan): R$ 3,06 reais. Banheiro como os nossos, diga-se de passagem.

Cemitérios sempre na direção de Meca. Mausoléu de Mohammed V, medina (cidade antiga) de Rabat. Os andaluzes (da Andaluzia espanhola) vivem na cidade. Há bairro judeu. O rio Bou Regreg e seus bairros de pesca. 2,5 milhões de habitantes. Fez, Marrakech, Meknes e Rabat, cidades imperiais.

Um dia especial: a Marcha Verde com música e celebrações. Detalhe: no dia seguinte (6 de novembro) é feriado nacional e vem para a data o presidente da França Emmanuel Macron. O rei Mohammed VI se encontra em Rabat.

Em http://www.tudogeo.com.br, sabemos mais sobre esse dia. Em 16 de outubro de 1975, como ato de nacionalismo, o rei Hassan II convoca os marroquinos a ocuparem o Saara Ocidental. No dia 6 de novembro do mesmo ano, mais de 350 mil voluntários marcharam do norte do reino do Marrocos rumo ao sul da região do Saara Ocidental. Esse momento ficou conhecido como a “Marcha Verde”, movimento cívico-militar de ocupação das terras Saarauís (significa “povo do deserto”). A marcha ocorreu no final da colonização espanhola do Saara ocidental, quando em 1955 a Espanha pretendia ingressar na ONU e precisava entrar em plano de descolonização, logo o Marrocos ganhou sua independência em 1956, reconhecida pela França e Espanha. A Wikipédia nos conta que os Saarauís são um grupo étnico autóctone do Saara.

Mausoléu de Mohammed V-Rabat-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em 1961, faleceu o libertador do Marrocos do domínio francês: Mohammed V. Em homenagem a ele, existe o Mausoléu de Mohammed V, todo no mármore de carrara, concluído em 1971. Estão lá os corpos do pai Mohammed V (falecido em 1961) e seus dois filhos: Abdallah (enterrado em 1983) e Hassan II (enterrado em 1999). O guarda de honra na frente. Conforme a Wikipédia, foi encomendado por Hassan II. O complexo foi projetado pelo arquiteto vietnamita Cong Vo Toan, usando formas tradicionais com materiais modernos. Motivos históricos e artesanato marroquino se fazem presentes como forma de promover o senso de identidade nacional.

Minarete quadrado com ruínas da mesquita-Torre Hassan-Rabat-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Saindo do espaço, fora há ruínas de uma cidade romana. Era para ser uma mesquita (com o minarete), mas ficou sem o teto, as paredes e as colunas ficaram inacabadas, por falta de recursos. Em frente ao mausoléu se situa o minarete Torre Hassan, que parece com a Giralda de Sevilha-Espanha, a parte de cima não foi construída, era pra ter 80 m, porém só tem 44 m. De acordo com a Wikipédia, é um minarete de grandes dimensões construído no séc. XII da Mesquita de Hassan. Um dos ícones de Rabat. Encomendado por Abu Yusuf Yaqub al-Mansur, o terceiro califa do Califado Almóada.

Findo o passeio ao mausoléu, nos despedimos do guia local e há a troca de motorista do ônibus. Entra o Nourdine, gente boa. Continuamos o percurso. Ópera de Rabat. Embaixadas, área nobre da cidade. Segundo a Wikipédia, as casas dos embaixadores estão nos bairros Les Orangers, Mabel ou Agdal Hay Riad Hassan. Vasto plano urbano, arejado, com vegetação exuberante e névoa do oceano.

Estamos com o Abdul que nos explica sobre a guerra diplomática do Marrocos com a Argélia. Ceuta, desde 1547, cidade autônoma da Espanha, no Marrocos. A torre moderna Torre Mohammed VI, de 55 andares, 250 m, será a terceira mais alta da África e terá escritórios, apartamentos e hotel de luxo em Salé, do outro lado do rio Bou Regreg, cidade-dormitório.

O rei também tem palácio em Fez, de 82 hectares. O rei é muito querido, sem dúvida. Patrocina hospitais, bibliotecas, esportes. Vemos os portões do Palácio Real de Rabat (Mechouar) no caminho. O rei se movimenta muito no país. Os policiais que cuidam da segurança do Palácio Real são exclusivos e usam uniformes de cores azul e vermelho, vemos muitos carros. Enorme. Os cavalos do rei são conhecidos.

No país, não aceitam armas, a seguridade é garantida. São 25 anos de prisão para quem carrega armas. As fontes de divisas do país são a agricultura, o turismo e os 5 milhões de marroquinos que mandam dinheiro de fora. O país é importante para a produção cinematográfica. O filme Missão Impossível 5, com o ator norte-americano Tom Cruise, foi filmada em Rabat.

Em Salé, se localiza a Academia de Futebol desde 2010. As equipes fazem concentração e práticas de treinamento no local. Para a Copa do Mundo do Catar, a equipe nacional treinou no local. Como o Abdul é apaixonado por futebol, nos disse que saíram 3 jogadores da Academia de Futebol para a seleção marroquina.

Os guardas de trânsito são chiques. Só vi tanta elegância assim em Milão-Itália. Depois de Salé, enfim, o almoço em uma praça de alimentação com opções diversas. O guia nos levou para o restaurante Les Chênes, onde escolhi brochete de frango com arroz e legumes salteados, mais coca e café, total: 108 DH e 10 % ou R$ 66,00. Muito bom, a fome estava realmente me fazendo sofrer, eram 17 h, pode?

Depois do almoço, mais ônibus, 46 km até Fez, estamos no dia mais puxado. No percurso, atravessamos Meknes, cidade imperial, capital Ismailia, que foi sede administrativa do país de 1672 até 1727. Capital do vinho. Os monumentos estão no restauro. A maior feira agrícola do mundo com a participação de 147 países. Os táxis são azuis-claros. Cada cidade com sua cor de táxi, uma graça. País organizado.

Na Puerta Jueves ou Bab el-Khemis, produtos de segunda mão são vendidos, hábito comum no país, estamos na medina, cidade antiga e histórica. Muralha da cidade. Porta Al Mansur, Porta del Glorioso, praça de Meknes. Cada cidade é mais rica em história. Uma cidade diferente da outra, essa tem ladeiras, o guia brinca que é bom para emagrecer.

Apesar do feriado pela Marcha Verde, está o comércio aberto. Estamos agora na parte nova, situada sobre as dunas e com muitas árvores. Possui as muralhas mais longas do Marrocos (40 km aproximadamente) e dentro há casas, diferentemente de Marrakech que a muralha é menor.

Chegamos a Fez. Muito controle de polícia na entrada das cidades. Luzes vermelhas nos canteiros centrais piscando para os motoristas, afinal já é noite. Entramos por uma via com luminárias bonitas dos dois lados, ida e volta, árvores mil, um corredor verde. Tem algo mais lindo? Fizemos 547 km hoje. Ufa, mais do que Fortaleza-Juazeiro do Norte (531.3 km) no Ceará, Brasil.

No hotel Zalagh Parc Palace (endereço: Loutissment Oued Fes), trocam moedas estrangeiras no balcão, admirável. Prática usual em hotéis. Consegui trocar 70 DH dos Emirados Árabes por 90 DH marroquinos. Na empresa onde sempre compro em Fortaleza confundiram e eu não chequei. Coisas que acontecem. Nesse caso, saí ganhando. Cambiei mais 100 euros. Fomos para o quarto exaustos com as malas e logo descemos para jantar. Dois restaurantes, um para grupos e outro para turistas solos. O buffet bom, mas não excepcional, comida com tempero apimentado leve, ainda bem. Cobraram pela água mineral 25 DH (garrafa grande): R$15,34, e no quarto sem água, ficamos mal-acostumados com o hotel de Marrakech que oferecia de graça.

No dia seguinte, saída às 9 h, oba! Dava para dormir até as 7 h. Que dia mais intenso!

Marrocos colorido-Casablanca-dia 2

Marrocos colorido-Casablanca-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024 e estamos no ônibus vindo de Marrakech rumo a Fez. Passamos por Casablanca para conhecer os pontos turísticos principais.

Estamos nos arredores de Casablanca, passando por outro pedágio: Gare de Peage, em francês mesmo, já que árabe e francês são falados no Marrocos. O nosso guia Abdul continua nos ensinando muito. Bandeiras do país são vistas em firmas, lojas e na estrada. Em um prédio, significa pertencer ao governo.

Chegamos e já sentimos a diferença de Marrakech, primeiro na cor: branca. Os prédios são mais altos, mas com limite. Estamos na maior cidade e com maior tráfego. A poluição se visualiza, o tempo fica nublado. Eis a capital econômica, a cidade dos bancos e da publicidade. Tem o maior porto artificial. Mesmo assim, as companhias existentes em Casablanca se mudaram para Tânger, ao norte, por causa do porto e da distância pequena da Espanha, são 14 km da cidade de Tarifa.

Vale mencionar que na África a maior cidade é Cairo, no Egito, com 21 milhões de habitantes, já Casablanca tem 3,95 milhões em 2024, segundo a World Population Review. Também estão na lista como populosas Luanda em Angola, Joanesburgo na África do Sul, Adis Abeba na Etiópia, dentre outras.

Casablanca, cidade imperial, já foi Anfa ou Anaffa, fundada pelos Berberes em X a. C.. O filme Casablanca que a fez famosa a partir de 1942, é um clássico do cinema. Na verdade, foi mais filmado em Marrakech, conforme o guia nos contou. Com Humphrey Borgart e Ingrid Bergman, a película teve como diretor Michael Curtiz.

Faz parte da história da II Guerra Mundial com a Conferência de Casablanca, que a Wikipédia nos esclarece ter ocorrido no hotel Anfa, em janeiro de 1943, quando o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill se encontraram para planejar a estratégia dos Aliados europeus para a próxima fase da guerra. A Wikiwand acrescenta que estavam presentes na reunião os generais Charles de Gaulle e Henri Giraud representando as forças francesas livres. Daí saiu a “Declaração de Casablanca”, ou seja, a exigência de “rendição incondicional” das potências do Eixo. O premier Josef Stalin se recusou a participar, citando que o conflito em curso em Stalingrado exigia a sua presença na União Soviética.

As ruas lindas com hotéis, jardins e pontes. Existe a parte antiga da cidade, a Medina, menor e menos movimentada que as de Fez e Marrakech.

De acordo com o guia Abdul veremos a segunda maior mesquita do mundo: Hassan II, que perde somente para Meca na Arábia Saudita. Foi erigida entre 1986 e 1993, diz o site http://www.tireabundadosofa.com.br. Também comenta sobre o célebre minarete de 200 m. Desenhada pelo arquiteto francês Michel Pinseau, teve números expressivos: 2500 trabalhadores, 10 mil artesãos a trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nota: a Wikipédia explica que minarete significa “a torre de uma mesquita, local do qual o almuadem anuncia as cinco chamadas diárias à oração”. Também nos menciona que o valor da mesquita em euros foi de 504,85 milhões.

O tour oficial da mesquita Hassan II ocorre em várias línguas e é a única do país que aceita visitação para quem não é muçulmano. Trata-se do maior símbolo do país e atrai milhares de turistas todos os anos. O fato de ser no litoral a embeleza mais ainda. Pela nossa excursão, somente conhecemos o exterior para fotos.

Um detalhe interessante: existe o Museu Judaico de Casablanca, o único museu judaico no mundo árabe. Mostra mais de 2 mil anos de história e tradições dos judeus.

A maioria dos moradores são de fora. O mar tem rochas, as melhores praias do país ficam no norte, em Tânger, por exemplo. O trânsito é digno de nota, intenso, difícil. O povo faz loucuras, anda pelo tráfego, abre porta de carro sem olhar a rua, estaciona de qualquer jeito, uma sandice. O dia ensolarado e quente, contrasta belamente com a cidade branca.

Mulheres ocidentais são vistas. O Marrocos é um país que respeita outras fés, então vemos sinagogas, igrejas, e lógico, mesquitas. Passamos pelo Instituto Cervantes. O Abdul nos ensina que as palmeiras são de dois tipos: a equatorial para decoração, menor; e a mais alta, tamareira, com seus frutos para comer. Que Casablanca mais formosa, limpa, arrumada.

Paramos na praça Mohammed V ou “praça das pombas”, coração da cidade. Em frente, a Ópera e perto o Tribunal de Justiça, cuja inspiração foi árabe andaluza, assim como o prédio da Prefeitura. Na praça, pombos mil. Observamos um tram (trem urbano) passando na nossa frente, bem estiloso. Marrocos surpreendente. No local, há homens berberes vestidos com roupas típicas de vendedores de água: túnica vermelha e chapéus coloridos, recebem gorjeta para fotos. A praça possui jardins bem cuidados, monumentos e fontes, lugar aprazível para passeios e descanso.

Mohammed V, segundo o site www.loucoporviagens.com.br, foi o rei da libertação, sultão do Marrocos de 1927 a 1953. Em fevereiro de 1956, negociou de forma bem-sucedida com a França e a Espanha a independência do Marrocos e, em 1957, assumiu o título de rei e se manteve no trono até 1961.

O rei atual Maomé (Mohammed) VI é figura respeitada, filho de Hassan II. Garante a seguridade e estabilidade, há o primeiro-ministro e representantes, contudo o rei tem poder de decisão. O Marrocos não tem confusão como outros países, de acordo com o Abdul, é porque não tem petróleo, ou seja, não tem “petroguerras”.

O guia sempre fala em táxis, uma graça. São mais de 7 mil. Os táxis pretos só funcionam fora da cidade. O táxi vermelho é o pequeno, para 3 pessoas, e roda dentro da cidade; o branco é para 6 pessoas. É grande e roda fora de Casablanca. Achei um país organizado. Cada cidade com seus táxis de cores diferentes. E detalhe: os taxistas não gostam de Uber.

Muitas mulheres de túnicas coloridas. Como digo, o Marrocos é vibrante.

A gente se dirige à beira mar a fim de conhecer a mesquita Hassan II. São vários prédios, há museu e escola para os imãs, líderes espirituais, com estudos de 4 anos, diz o guia. Ali no passeio conversamos com o Renato, do Rio. Brasileiros se unem, já que o restante do grupo da excursão são de espanhóis. No período do Ramadã, 120 mil pessoas a visitam. O lugar tem poucas cores para os fiéis não perderem a concentração. Casablanca fica chamativa com sua beira mar.

A cidade se situa na costa atlântica, tem o maior porto artificial do país. De lá rumamos à avenida La Corniche, à cerca do mar. Avenida muito formosa com palmeiras e casas antigas e modernas. Os preços são mais altos na região, é mais rica. O calçadão largo com muita vegetação. Eu amei! Vemos o farol. O mar lá embaixo com rochas e sol, uau! A praia Ain Diab é bem conhecida. Ao redor, cadeias de hotéis famosas, por exemplo, o Four Seasons, cadeia francesa. O rei da Arábia Saudita tem dois palácios no Marrocos, uma aqui e outro em Tânger.

Aos sábados, a avenida La Corniche fica um agito à noite, com seus restaurantes e vida noturna em discotecas, região internacional. Olhando para o mar, estão as piscinas construídas que recebem a água do mar. Lugar incrível. Eis a Califórnia do Marrocos, como dizem. Cada casa bela, a maioria branca, com muito estilo.

Em www.loucoporviagens.com.br aprendemos que um bairro conhecido com estilo cosmopolita é Anfa. Suas ruas são arborizadas, há moradias de luxo e refinadas com vistas deslumbrantes do oceano Atlântico e acesso direto a praias.

Há muita umidade em Casablanca, 30 graus aqui é pior que 50 graus em Marrakech. Para os asmáticos é péssimo.

Laranjeiras nos canteiros centrais e palmeiras por todos os lugares. Muito comum ver duas meninas caminhando na rua, uma vestida de forma ocidental e a outra com túnica e hijab (lenço que cobre o cabelo).

Pela cidade, nós no ônibus, reconhecemos os restaurantes de cadeias internacionais como KFC, Pizza Hut, McDonald´s, cafés mil com somente homens sentados na calçada. Atravessamos a movimentada avenida Gandhi.

Cidade imensa, bonita, com avenidas largas e palmeiras. Arquitetura, beira mar, prédios baixos, tudo é um charme. Descobri que meu tipo de cidade está no Marrocos, são muito agradáveis. O país é internacional, com muitas culturas e línguas. Casablanca já foi a mais cara para morar, hoje é Marrakech e Tânger. A dinastia do rei é de linha alauita, tem 400 anos, vem do séc. XVII.

Passamos pela Catedral do Sagrado Coração (25 Rue d´Alger), toda branca, construída durante o período colonial francês, entre 1930 e 1956, combina elementos góticos e art déco. O arquiteto foi Paul Tournon em 1930 (fonte: http://www.viajandocommoises.com.br). Hoje é um centro cultural desde 1956.

A fome nos incomoda, porém soubemos que só depois de chegar a Rabat, capital do país, excursão é assim. O que me salva são os biscoitos de chocolate integral Bauducco que o Carlos tinha. Ufa! Ainda bem. O pior foi o engarrafamento que atrapalhou nossos planos. Que trânsito mais louco e intenso, pior que o nosso e muito. O almoço ficou para mais tarde.

Continuaremos em breve com Rabat. São 94 km.

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024, estamos em Marrakech, a segunda cidade imperial mais antiga do Marrocos, e vamos chegar a Fez no final do dia. Passaremos em Casablanca, Rabat e Meknes antes de chegar a Fez. Viagem de ônibus pelo Marrocos, com a excursão intitulada de Brasileiros nos Encantos do Marrocos pela CVC.

Acordamos às 6h30, 7 h o café da manhã e 8 h já sairíamos do hotel. O café da manhã no Palm Plaza Hotel & Spa em Marrakech é de sonhar. No mesmo salão do jantar do dia anterior, encontramos um buffet fantástico de comidas (para os orientais), salada de frutas, pêssego e pera em calda, comida marroquina, pães variados, um deles de tamanho médio e retangular, com uma casquinha crocante inesquecível, iogurtes cremosos caseiros (uau!) de morango e baunilha etc. Fiquei com vontade de ficar no hotel, porém a jornada estava para começar. Só tínhamos meia hora para comer. O lugar repleto de europeus. Detalhe: o melhor pão que já comi, ao lado do croissant de chocolate do hotel Printemps em Paris no ano de 1997. Como esquecer?

São 8 h e estamos na entrada do hotel com as malas. Lá conhecemos o grupo da agência Special Tours ligada à CVC brasileira. Somos três brasileiros, o Carlos, eu e o Renato, do Rio de Janeiro. As outras pessoas, quatro casais da Espanha. Todos pontuais, ônibus vermelho, motorista pronto, com guia Abdellatif ou Abdul. As conversas com o guia serão em espanhol, aliás, ele fala muito bem. O guia também fala inglês, francês (todo marroquino fala) e outras línguas. Parabéns!

Observo que as mulheres cobrem o cabelo com um lenço (hijab) e usam túnicas coloridas, bonitas, alguns homens também. Estamos em um país muçulmano. Vejo umas de burca, e algumas cobertas no rosto, vê-se que não são do Marrocos, mas de outros países árabes, mais rígidos.

São 240 km para Casablanca em uma autopista. Estamos rumo ao norte em direção ao oceano Atlântico. Informações do Abdul: 14 km separam Tânger da Espanha. No Marrocos, Fez é a cidade mais antiga, Rabat, a capital administrativa e Casablanca, a capital econômica.

Ainda em Marrakech no rumo de Casablanca. Há a muralha da cidade, dentro dela a parte antiga e fora, a nova. É uma fortificação de 19 km que envolve toda a Medina da cidade, erigida em 1122, faz parte do Patrimônio da Humanidade. Passamos por uma avenida, cujo clima é de 28° C, 30° C e fora dela 50° C, vemos quadras de esportes e lugares para piqueniques à noite. Muitas palmeiras, um verde de chamar a atenção. O motivo do clima ameno é o Jardins de Agdal, no local, que segundo a Wikipédia, são constituídos de talhões retangulares de pomares de laranjeiras, limoeiros, romãzeiras, pessegueiros e figueiras, que são ligados por caminhos ladeados de oliveiras. Localizados ao sul do Palácio Dar El Makhzen ou Palácio Real, cobrem uma área de 500 hectares e datam do séc. XII, jardins feitos durante o reinado do califa almóada Abde Almumine. Nos prédios públicos e ligados à realeza se encontram a bandeira do Marrocos e a foto do rei.

O guia ama o futebol brasileiro, sabe tudo. Estamos passando e circundando a muralha por fora. Uma parte foi destruída pelo último terremoto em setembro de 2023, nível 6.8, a maior devastação foi nos arredores de Marrakech, principalmente, em áreas montanhosas de difícil acesso. No total 2 mil pessoas pereceram. Os cemitérios são todos construídos em direção a Meca. Um rio seco pelo caminho, quando chove nas montanhas, ele enche.

5 milhões de marroquinos moram fora do país e gostam de comprar objetos de qualidade de segunda mão. A periferia da cidade tem construções ao longo do rio, antes eram favelas. Edifícios baixos para funcionários públicos, pagam em 25 anos, percebi serem valorizados como categoria profissional. Mais em conta por serem fora da cidade. Mesquita, Tribunal. Chama a atenção o tamanho dos prédios, são baixos para proteger a harmonia da cidade.

O estádio de futebol em forma de muralha, cabem 65 mil pessoas: Grande Estádio de Marrakech. Não é fácil entender o árabe quando o Abdul fala o nome das ruas e lugares. Tudo é plano. A Copa de Futebol da África será no Marrocos em 2025, os estádios estão sendo restaurados. Nas placas de trânsito sempre o árabe e o francês. Segundo o guia, montanha tem 2 mil metros, menos é serra. Pelo caminho, venda de cerâmica.

Polícia na cidade, fora é Gendarmeria, por sinal, são todos muito elegantes. De impressionar. Na autopista, um ônibus vai a 100 km/h, os carros pequenos a 120 km/h. As estradas são um tapete de tão boas. Há muito controle de velocidade.

Pela estrada, observo uma paisagem árida e seca, parece o deserto do Atacama. Do norte do Marrocos há trens para Marrakech, a ferrovia do sul está em construção. A terra é marrom, mais rica, propícia para a plantação de cereais e trigo. Em Marrakech, a terra é vermelha. São 135 lagos para eletricidade e agricultura no país, de acordo com o guia.

Na Cordilheira Atlas neva. Na região montanhosa Rife, no norte, moram os berberes, povo originário do Marrocos. Eles têm um dialeto diferente do árabe de Marrakech. Dentre os países que falam árabe, o de melhor pronúncia é o do Egito. Os marroquinos falam árabe misturado com francês, por isso não entendem bem os dos outros países. Somente compreendem 80% do árabe da vizinha Argélia e 70% do da Tunísia. Esses países e o Marrocos têm o mesmo clima. Nota: o Marrocos foi colônia francesa do final do séc. XIX até 1956. E o francês é disciplina obrigatória nas escolas marroquinas.

Na opinião do nosso guia, o homem marroquino não gosta das películas indianas ou turcas, porque os mocinhos são ricos. Uma comparação ruim, já que o Marrocos é um país pobre, subdesenvolvido. O Abdul é sincero. Muitos filmes são feitos no país, em Ouarzazate, como O Gladiador e Reino dos Céus (Kingdom of Heaven), esse com 2 mil cavalos e 8 meses para construir a fortaleza. Filme muito falado, a Wikipédia nos informa que é de 2005, o diretor britânico Ridley Scott e conta a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Kingdom of Heaven – Wikipédia, a enciclopédia livre

Chove mais no norte. As oliveiras marroquinas levam 5 anos para crescer e são maiores, então os agricultores preferem as espanholas que com 2 anos estão prontas para a colheita e são menores. A cidade Meknes é a capital do vinho, outras cidades também produtoras, como Benslimane, Berkane e Casablanca. Há restrições às bebidas alcoólicas no país, devido à religião. O argan é usado para comer com pão e salada (a fim de controlar o diabetes), evita a aterosclerose e o infarto, e em cosméticos: evita o envelhecimento precoce, hidrata os cabelos e a pele.

Há cooperativas de mulheres trabalhando juntas, fato que os maridos não se incomodam, pelo motivo de não trabalharem com outros homens. O Abdul gosta de nos dizer (para um grupo com cinco mulheres ocidentais) que a mulher no Marrocos é a rainha da casa, a mais importante da família, a dona da casa e que seu papel é cuidar do lar. Outro país, outra cultura.

Vemos muita energia limpa por aqui, energia solar, até o aeroporto de Marrakech utiliza.

Paramos para banheiros e café em uma loja de conveniência da Shell (em francês, um AIRE DE REPOS, são incríveis). Café com leite e um suco de pêssego COMPAL (marca portuguesa), oba!

As estradas sem um remendo. Que inveja! No país se come muito cordeiro. Há uns de cabeça marrom que comem plantas, carne boa para o controle do colesterol, e uns de cabeça branca e olhos negros que são mais caros.

Estamos já perto de Casablanca. Entramos em Settat, cidade onde é mais barato viver do que em Casablanca. Muito comum ver famílias morando juntas em casas nas cercanias. Na parte moderna, prédios rodeados de eucaliptos. Para um marroquino, chá é para todos os momentos. O eucalipto serve para problemas de coluna. Plantas medicinais, chá verde e ducha fria são bons para a saúde. O ginseng vermelho tem ferro. Também encontrado na Mauritânia, país próximo. Mesclas de chás e plantas resultam em afrodisíacos naturais, dão força. Plantação de melão na região. As frutas, devemos perguntar de onde são, porque têm preços diferentes e qualidade também.

No Marrocos existe um problema sério de água, por isso a energia solar é tão utilizada em coleta de água na agricultura.

Importante mencionar a Festa dos Cordeiros ou Festa do Sacrifício, tradicional nos países muçulmanos. Os habitantes oferecem cordeiros às mesquitas, viúvas e pobres. Para um muçulmano, quem pede comida, recebe. A festa, conhecida como Aid al-Adha, marca o fim do Hajj, a peregrinação muçulmana a Meca. Em https://viverviajar.com/festivais-religiosos-do-marrocos-que-encantam-os-viajante-de-todo-mundo.html/ A Festa do Cordeiro e a comemoração do sacrifício de Abraão são celebrados por muçulmanos em todo o mundo com a oferta de um sacrifício de animal, geralmente uma vaca ou um cordeiro, como uma ação de graças a Deus por salvar a vida de Ismael, filho do profeta Abraão. A carne é dividida em três terços, um vai para a pessoa ou pessoas que dão o animal, outro para distribuir entre parentes e o último terço para quem precisa, independente de religião, raça ou nacionalidade.

Shukran Jazilla, muito obrigada. Sou eu, aprendendo com o Abdul um pouquinho de árabe. Não custa nada. Estamos nas adjacências de Casablanca e vemos o maior aeroporto do país.

Em breve, visitaremos a Casablanca, a Cidade Branca.

Marrocos colorido-chegada a Marrakech-dia 1

Marrocos colorido-chegada a Marrakech-dia 1

Hoje é domingo, dia 3 de novembro de 2024 e lá vamos o Carlos e eu para uma nova jornada, desta vez, para pisar em solo africano pela primeira vez. O país escolhido foi o Marrocos, que estava na lista, uma vez que minha mãe sempre falou tão bem da beleza do país. Ainda fala encantada de Fez. Vamos por excursão da CVC (do shopping Del Paseo-Fortaleza) de uma semana. O avião da TAP parte de Fortaleza às 23h15 e às 9h20, hora local, aterrissamos em Lisboa, Portugal. O jantar foi muito bom e assisti a dois filmes, o avião enorme. Já o café da manhã foi simples, um pão frio com presunto e queijo e um suco de laranja da marca COMPAL, a mesma do suco de pêssego que amo.

Segunda, dia 4 de novembro de 2024. Chegada a Lisboa, entramos na fila de controle de passaportes, mas erramos, era mais simples, bastava ir para o outro lado, para a fila dos voos de conexão ou “de ligação”, como se diz em Portugal. Sempre acho o aeroporto de Lisboa gigante. Aliás, não está dando conta de tantos viajantes. A ideia era passar logo e tomar um café para acordar.

Ali mesmo na seção dos voos de conexão, há várias opções para café. No quiosque perto do portão 45, comi, enfim um muffin de chocolate por €4,50 euros. Sonhava fazia tempo. Tinha creme de chocolate dentro com pouco açúcar, que delícia! O café expresso por €1,90 e vamos já se acostumando com a moeda.

Como o voo para Marrakech seria às 13h20, teríamos que almoçar antes. A decisão foi por algo leve, um consome de legumes no First Class Café, por €4,60. Muito bom, por sinal. Estava chovendo em Lisboa, um clima agradável, uns 20° C. Levamos casaco. O turista hoje tem que se precaver com roupas para frio e calor.

Entramos no voo Portugalia/TAP Lisboa-Marrakech e achei interessante algo, só servem água, vendem sanduíches e bebidas. Um espanto! Afinal, é um voo para outro continente.

Ao chegarmos a Marrakech às 15h55, outro clima, bem mais quente. A gente se depara com uma fila enorme para o controle de passaportes. Entra para falar com os oficiais uniformizados em cada guichê só uma pessoa. Incrível a quantidade de turistas. A policial (todos são) muito simpática, pergunta a profissão, aí digo que sou teacher (professora) e que o Carlos atrás de mim é head teacher (diretor de escola (pública)). Ela gostou. Antes, eu havia perguntado se ela falava inglês, porque lá todos falam francês e árabe (uma mistura de árabe com francês, segundo eles). Sim, responde. Anotam um número no nosso passaporte, significa que cada turista é numerado e carimbam (amo carimbos de países visitados). Passamos ainda pelo RAIO X das bagagens, e lá fora do aeroporto o transfer nos esperava. Nome do motorista da van? Tarik. Sempre importante a acolhida, nos faz apreciar o país na entrada. E mais inglês e espanhol. Detalhe: só nós dois na van. Todos dizem You´re welcome (seja bem-vinda/o). O aeroporto tem uma arquitetura arrojada.

O Tarik me coloca em contato via celular com o guia que me explica o horário do jantar no hotel das 19h30 às 22 h. No dia seguinte, saída para Fez de ônibus às 8 h, ou seja, vamos acordar às 6h30 para estar no café às 7 h. Excursão é assim mesmo. Estávamos bem cansados, queríamos dormir um pouquinho mais.

Os táxis têm uma cor dependendo da cidade. Em Marrakech são amarelos. O guia nos conta que o rei é jovem e mais liberal do que em outros países muçulmanos. Nome? Mohammed ben Youssef el-Alaoui ou Maomé VI. Fez já foi a capital do país e tem a universidade mais antiga do mundo: Al-Qarawiyyin ou Karaouine, datada de 859 d. C.. Marrakech é turística, a capital é Rabat. Os prédios são baixos, até 5 andares, já amei. E mais adiante vemos a cadeia montanhosa do Atlas. A principal língua falada é o árabe, mas se fala francês, inglês, espanhol e outras. O Tarik nos deu duas garrafas de água mineral, muito agradável isso.

Segundo a Wikipédia, Marrakech é uma cidade do centro sudoeste do Marrocos, situada no sopé da cordilheira do Atlas. A moeda é Dirham ou DH. Conhecida como a “cidade vermelha”, “pérola do sul” ou “porta do sul”.

Toda cidade marroquina tem uma cor, é um país colorido. Realmente, é muito destacada a cidade vermelha (a gente achou meio ocre ou rosa escuro, deve ser o sol intenso e o calor que desbotam as cores).

O fuso horário é 1 hora a mais do que Lisboa e 4 a mais do que o Brasil.

Estamos no hotel. De primeira, já fenomenal, poucos andares, com vários ambientes, espalhado, lindo, das Arábias! Com uma piscina enorme, tentadora, mas não levamos roupa de banho e nem teríamos muito tempo, na verdade. Os espaços são grandes do hotel, o quarto também. Nome? Palm Plaza Marrakech Hotel & Spa. Na Avenue du 7éme Art, 40000. O hotel é todo róseo, como dizem, vermelho, da cor da cidade. O quarto espaçoso dá gosto. Oferecem água mineral para os dois de graça. Atitude simpática. Chuveiro ótimo, só cuidado com a banheira que é alta e perigosa. Para sair, só na acrobacia.

Vamos para a refeição, que fome! Quantas opções de comida e sobremesas, fiquei estupefata. Hotel 5 estrelas no Marrocos é outra coisa. O refeitório é gigante e atraente. Vamos da pizza à comida marroquina. Aliás, capricham nos temperos, há de se levar remédios pra problemas intestinais. O filme Amores Solitários da Netflix me ajudou a lembrar. Continuamos com a comida… tomate à provençal, paella, saladas diversas, sucos deliciosos de beterraba e cenoura, nunca senti gosto tão apurado, drinques e água. Uau! Que sobremesas magníficas! Aqui começa o “engordol”. Depois do lauto jantar, fomos dar uma caminhada em frente ao hotel e descobrimos uma loja marroquina, cujo vendedor se chamava Karim. Solícito e se virou no inglês. Loja de lembrancinhas e produtos do Marrocos, como roupas, túnicas e muito mais. Al Mazar Artisanat. Comprei logo uma agenda estilo marroquina para os meus apontamentos para o blog por 50 Dihan e uma bata branca por 100 DH. Não é caro. R$1,00 equivale a 1,73 Dirham marroquino. Trocamos 50 euros no próprio hotel, maravilha. Recebemos 520 DH.

No próximo dia, começa a aventura via estradas do país em direção a Fez. Animação não falta. Topam iniciar as descobertas?

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Hoje é dia 11 de abril de 2024, último dia em Lisboa. O Carlos e eu só temos a manhã para ainda fazer algum passeio.

Fomos ao Largo do Carmo a pé, bem perto do hotel Borges Chiado. A intenção era conhecer o Museu Arqueológico do Carmo com a igreja que arriou no terremoto de 1755. Muito interessante as paredes da igreja, a gata mascote do museu, sarcófagos, lápides, túmulos, sendo um deles uma cópia do de Nuno Álvares Pereira. Há filmagens sobre o terremoto na parede em línguas diferentes.

Um pouco de história: a igreja do Convento do Carmo foi mandada construir em 1389 por D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável (antigo comandante do exército, segundo o site http://www.infopedia.pt). Ao longo dos séculos foi constantemente enriquecida com novas capelas e obras de pendor artístico e religioso. No dia 1° de novembro de 1755, os efeitos do terremoto de Lisboa provocaram a derrocada de quase todo o edifício. O incêndio que seguiu completou a destruição. A sua reconstrução inicia-se em 1756, mas as obras foram interrompidas, e no século XIX, sob a influência do Romantismo, decidiu-se não construir o resto do edifício. Em 1864 foi instalado neste espaço um dos primeiros museus de Arte e Arqueologia de Portugal, com coleções de peças recolhidas de antigos mosteiros, de Arqueologia Pré-colombiana, e artefatos da Pré e Proto-história de Portugal.

Na sala 1 do museu, encontram-se artefatos dos mais remotos habitantes do território português, tais como lascas do Paleolítico Inferior e Médio, um notável vaso do Neolítico Antigo, entre outros objetos provenientes de sepulcros megalíticos e de um povoado do Neolítico Final. De épocas mais recentes, destacam-se os conjuntos e artefatos dos povoados calcolíticos de Pedra do Ouro e Pragança, bem como diversos achados isolados da Idade do Bronze e da Idade do Ferro. O núcleo mais importante é o proveniente de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). A grande abundância e variedade de artefatos e restos de alimentos, encontrados nesta complexa fortificação, mostram que foi construída e habitada, entre cerca de 3200 a. C e 1500 a. C, por pequenas comunidades agropastoris, já conhecedores da metalurgia do cobre.

Na sala 2, vemos em exposição um conjunto de obras com cronologia compreendidas entre a época romana e o domínio islâmico do território português. De grande valor histórico, documental e artístico são as três peças representativas da arte moçárabe de Lisboa: o friso dos Leões e os dois pilares decorados com medalhões vegetalistas e grifos.

Na sala 5 está escrito: a memória do fundador da igreja e convento do Carmo, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431), condestável e mordomo-mor do reino, encontra-se presente nesta sala através de uma estátua de vulto que o representa, da réplica do seu túmulo e ainda da maqueta da igreja do Carmo. As escavações arqueológicas realizadas em 1996 e 2008 neste edifício trouxeram à luz do dia um conjunto de objetos que testemunham a vivência quotidiana do convento ao longo dos séculos. Aqui estão expostas imagens dos santos, fragmentos de escultura e arquitetura retabular e ainda um importante acervo de inscrições epigráficas medievais. Merecem ainda especial destaque as quatro placas de alabastro, oriundas das conhecidas oficinas inglesas de Nottingham (século XV). Exibem-se ainda painéis de azulejos setecentistas, alusivos a cenas da Paixão de Cristo (dando continuação aos painéis da sala 4) e vários exemplos de azulejos hispano-árabes.

Vemos o túmulo do rei D. Fernando I, do séc XIV, do Convento de São Francisco de Santarém. Esculpido em relevo, apresenta na testeira, cenas da vida e milagres de São Francisco de Assis. Nas restantes faces da arca e da tampa, os escudos de Portugal e dos Manuéis, figuras religiosas e laicas, bem como um conjunto de seres fantásticos e um alquimista no seu laboratório.

Que visita mais valiosa, saímos deslumbrados. Lisboa é uma festa, globalizada, movimentada, atraente. Acidade homenageia seus heróis em placas em lugares diferentes. Acho isso bonito.

Pagamos €40 euros pelos cafés da manhã. O hotel Borges Chiado cobra. Compramos para levar ao aeroporto pastel de natas e uma empada grande na lanchonete Vitaminas. Sempre nos preparamos com algo para comer em aeroportos.

Estávamos prontos no hotel pelas 11 horas, porém o motorista do transfer nos deixou na mão, a desculpa foi ser difícil estacionar ali perto do hotel por ser um calçadão, isso bem é verdade, porém poderia ter parado nas ruas laterais. Então, uma hora de espera depois, os atendentes do hotel nos ajudaram e pediram um táxi (do sr. João) que nos salvou a não perder o avião. Bom papo. Foram €17 e deu certo. Voamos pela TAP: Lisboa-Fortaleza. De volta, fomos ressarcidos pelo nosso agente de turismo Dennis. Coisas que acontecem a viajantes.

Fim de uma viagem fascinante e com vontade de quero mais. Saudações aos queridos amigos e amigas da boa terra de Portugal.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Hoje é dia 10 de abril de 2024 e continuamos em Sesimbra. Pós-almoço no restaurante O Canhão perto da Fortaleza de Santiago, decidimos passear pela cidade. A Capela do Espírito Santo dos Mareantes, localizada na rua Cândido dos Reis, 17, só abre às 14 h. Não conhecemos. Estamos na freguesia de Santiago.

Sesimbra é um lugar pacato e pequeno, todo mundo se conhece, pelo que percebi. São três freguesias, ou seja, subdivisões dos municípios: Castelo, Quinta do Conde e Santiago (sede). E praias diversas, como de Alfarim, da Baleeira, da Mijona, da Pipa etc.

A construção da Capela da Santa Casa de Misericórdia iniciou no séc. XVI, ao longo dos séculos teve muitos melhoramentos e possui estilos barroco, manuelino, maneirista, joanino, dentre outros. Velórios de habitantes da cidade ocorrem lá. Situa-se à Rua da República, 36.

Na praça com um pinheiro gigante e jardins ali ao lado da capela, pegamos um táxi com o Miguel para o Castelo de Sesimbra ou Castelo dos Mouros por €10 euros por pessoa. É uma viagem distante e com subidas. A freguesia do Castelo é enorme. O cemitério lá embaixo não se usa mais, as pessoas traziam o morto em uma carroça a mão, incrível por ser um local alto e longe. Eis a igreja onde ocorriam os velórios antigamente: Igreja N. Sra. do Castelo ou N. Sra. da Assunção ou de Santa Maria do Castelo, toda no azulejo branco e azul, datada de 1165. Segundo a Wikipédia, deve ser apreciado com atenção a beleza e história dos azulejos do séc. XVIII. O altar no ouro é um deslumbre.

O visual lá de cima é digno de nota, o taxista Miguel nos deu aula sobre azeites e oliveiras da região.

O mar vai até o rio Tejo. Muito verde, casas magníficas, cabo Espichel, região agrícola, pesqueira, ventosa (perto do oceano Atlântico com mais de mil metros de profundidade). A Wikipédia esclarece que o cabo, a oeste da vila de Sesimbra, marca a extremidade sudoeste da península de Setúbal. Do local, vislumbra-se a vertiginosa e abissal baía dos Lagosteiros. A Ermida da Memória é situada no local, sendo o elemento mais antigo do santuário.

O site bootraveller.com nos conta que existe uma lenda antiga nesse local, proferida por frei Agostinho de Santa Maria que afirmava que N. Sra. apareceu na baía dos Lagosteiros montada numa mula gigante, subiu rocha acima, firmando as mãos e os pés na rocha, à medida que subia, ia deixando seus vestígios. A lenda diz que no local foi edificada a Ermida da Memória, paragem de N. Senhora. As marcas, na verdade, são de dinossauros.

Tem aqueduto e farol. A Wikipédia nos diz que a Casa da Água, edifício terminal do aqueduto abastecia o Santuário do Cabo Espichel ou de N. Sra. da Pedra da Mua, inserido no parque natural da Arrábida, localizado no cabo Espichel.

Vimos as casas dos romeiros ou Casas dos Círios, que fazem parte do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. O site bootraveller.com nos informa que é o primeiro edifício que vemos ao chegar ao lugar. As antigas hospedarias têm atualmente portas e janelas fechadas com cimento para impedir as ocupações ilegais, ao centro, numa simetria perfeita temos o santuário. O taxista nos informa que lá aconteciam festas, casamentos, vida em comunidade.

Conforme a Wikipédia, a Igreja N. Sra. do Cabo Espichel foi edificada no séc. XVIII, com traça atribuída ao arquiteto real João Antunes. Integra o conjunto arquitetônico do Santuário de N. Sra. do Cabo Espichel.

O penhasco atrás da igreja, lugar que pessoas vinham se suicidar até de carro, por isso é proibido passar e tem barreira.

No Miradouro do Monumento Natural dos Lagosteiros encontram-se as pegadas de dinossauros na rocha, conhecida como Pedra de Mua, que tem origem vucânica. De acordo com o site bootraveller.com, no local existe uma placa interpretativa que se encontra vandalizada que falava sobre as pegadas de dinossauros existentes e que são visíveis (com alguma imaginação). Transição do período Jurássico Superior para o Cretássio Inferior. Pegadas pertencentes a saurópodes e terópodes. Estes vestígios permitiram novas conclusões no campo da paleontologia.

Os vinhos alentejanos por causa do calor têm o grau alto. Passamos na volta por Azoia, um vilarejo com casas brancas por causa do calor, cultura típica portuguesa. Queijo de Azoia, de Azeitão e da Serra da Estrela são queijos amanteigados portugueses. Deliciosos.

No final, pagamos €28 euros ao Miguel, foi merecido, mais €4,50 para o ônibus 3721 a fim de retornar a Lisboa.

Detalhe histórico, segundo a Wikipédia: no ano de 1534, a segunda esposa de Henrique VIIIAna Bolena, Rainha de Inglaterra, deu ordem para serem deitadas ao mar todas as imagens sagradas, devido às lutas religiosas tidas. Julga-se que terá sido esse o início da lenda e da crença no Senhor Jesus das Chagas. Mas o mar tem das suas, e a imagem de Jesus crucificado apareceu na praia de Sesimbra. O povo desde logo apadrinhou o Senhor Jesus das Chagas como padroeiro dos pescadores e do povo de Sesimbra. Essa devoção está bem viva há mais de 500 anos, e os sesimbrenses prestam assim homenagem ao seu protetor todos os anos a 4 de Maio.

De volta a Lisboa, chegamos exaustos e ainda fizemos pequenas compras. Para jantar, a nossa lanchonete escolhida Vitaminas: empada de frango, purê de banana com iogurte e cereais, e suco de abacaxi com hortelã. Rua Garrett, 69/71.

Que dia mais empolgante!

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Hoje é dia 10 de abril de 2024. O café da manhã do hotel Chiado Borges de novidade compotas de abacaxi e pêssego com pouco açúcar. No mais, o de sempre. Todo hotel é assim, em geral, o café fica repetitivo. Perto poderíamos tomar o pequeno almoço, como chamam, e mais barato, já que no hotel nos cobram, porém dava preguiça de sair e comer menos.

A ideia do dia é conhecer Sesimbra, cidade litorânea, distante 40 km de Lisboa, pertencente ao distrito de Setúbal, antiga província de Estremadura. Ouvi falar pelas amigas portuguesas Luísa e Inês, quando lá foram veranear, vindas do norte do país. Saudações, amigas queridas.

Entramos na estação do metrô Baixa-Chiado e haja escadas, a escada rolante para descer não estava funcionando, a de subida estava. €2,30 (euros) o tíquete no guichê mais o cartão, devemos recarregar depois. São 7 paradas até o Jardim Zoológico/estação de ônibus Sete Rios, onde pegaremos o ônibus para Sesimbra. O assento do metrô imita a cortiça, nas costas também, em vermelho e cortiça. Muito giro, como dizem. Gostei.

Alcançamos o Terminal Sete Rios, achei mal sinalizado. O lugar do ônibus para Sesimbra não era dentro, tivemos que dar mil voltas até encontrar a parada do lado de fora, olhando para o Jardim Zoológico, do outro lado da avenida Gulbekian. Na verdade, é Sete Rios P3-Sesimbra (terminal), companhia Carris n° 3721, estação Campolide. Felizmente, sempre há quem ajude. A passagem é €4,50 em moedas. Está explicado porque Sesimbra não é muito conhecida, porque é uma aventura chegar, só nós mesmos. O ônibus a gás natural partiu às 9h45.

Agora, relaxar e ver a paisagem. Estamos passando pela ponte 25 de Abril, temos um visual bonito de Lisboa. Veremos a estátua do Cristo Rei do outro lado do rio Tejo mais de perto. Setúbal do outro lado. Para um lado da estrada Sesimbra/Seixal, de outro Sesimbra/Azeitão. Nas paradas de ônibus, informações pertinentes, bem organizado. Continuamos Sesimbra/Santana. Tudo verde, que país mais arborizado!

A velocidade na estrada é de 50 km/h e vemos casas, lojas de automóveis, de cerâmicas etc.

Chegamos a Sesimbra, descemos no Terminal Carris em frente à Biblioteca. Estamos na pedonal/calçadão. Vamos logo tomar um café na pastelaria O Caseiro, na Av. da Liberdade, 15, repleto de gente. Peço um doce: farinha torrada, típico do local. Muito bom, pouco doce com gosto de chocolate e limão. Onde vamos há europeus “turistando” e aqui vemos o legítimo português.

A praia nos chama, descemos até ela. Que lindeza! O sol escaldante, a cidade muito clara, tem que usar óculos escuros. Tem cheiro de peixe, clima praiano, mar calmo, uma esplanada para as caminhadas, hotéis à beira mar e restaurantes diversos. Agradável de se estar e sentir o momento. Prédios simpáticos e de poucos andares na orla, do jeito que gosto. Sesimbra tem a maioria das casas e edificações de cor branca e telhados vermelhos.

Entramos no Museu Marítimo de Sesimbra dentro da Fortaleza de Santiago, logo ali. Era a casa do governador. À época, o rei de Portugal era D. Carlos I (1863-1908) e D. Amélia (1865-1951), ele era próximo da comunidade pesqueira e fez expedições oceanográficas. Na placa na frente do museu, está escrito Carlos de Bragança “O Rei Pescador”. Herda de seu pai, D. Luís, o “Rei Marinheiro”, a paixão pelos assuntos do mar, o que irá justamente refletir na sua obra artística e científica. No campo das artes plásticas, tinha dotes de aquarelista (utilizando também o pastel e o óleo) e de desenhista; e obteve êxito na área da ornitologia e oceanografia, dentre outros muitos talentos.

Um pouco de história com a Wikipédia: Carlos I foi aclamado rei em 28/12/1889 e teve a presença de seu tio-avô Pedro II, imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Foi casado com a francesa Amélia de Orléans, filha primogênita de Luís Filipe, Conde de Paris (pretendente ao trono da França).

O museu mostra o mobiliário da época, altar de madeira, Chincha ou Arte de Comeiro (Xávega), de 1462, uma técnica de arrastão sobre a arte da pesca de sardinha e carapau. A respeito da indústria conserveira datada de 1896, existiam três fábricas de conservas na cidade. O período mais expressivo foi das fábricas de conserva em azeite na I Guerra Mundial e final da década de 1920 do séc. XX.

Mostra as técnicas de pesca de robalos, pargos, peixe-espada que eram colocados no areal para a venda até os anos 1970. A barca de Sesimbra e aoila (3,30 m de comprimento e 1,52 m de boca): duas embarcações de pesca características até meados do séc. XX. Os barcos de Sesimbra descobriram o mundo. A construção de barcos remete a 7/4/1410, do deão de Coimbra, D. Álvaro Afonso, que menciona os dízimos a pagar pelos calafates e carpinteiros que construíram os barcos.

Em uma sala, a religiosidade dos pescadores. Culto a Santa Maria do Cabo Espichel, do séc. XVII/XVIII. Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Boa Viagem. Sala da Memória, Identidade e Comunidade. Mais escadas em curva se abaixando e saímos na parte de cima da fortaleza, um cenário deslumbrante. Valeu o passeio. Lembrei do Museu do Mar de Parnaíba-Piauí.

Hora do almoço. Descobrimos ali perto o restaurante O Canhão. Robalinho com batatas e legumes salteados para mim, e para o Carlos, bacalhau assado com o refrigerante Ginger Ale, nossa paixão, e vinho verde Azevedo (da região do Minho), perfeito. De entrada nos ofereceram azeitonas e queijo de ovelha cremoso de Azeitão (da região) e pão português. O garçom João Paulo, uma simpatia, conhecedor de Londrina-Paraná. Que refeição deliciosa! Pagamos €50 com a taxa de serviço.

Em breve, prosseguiremos com mais passeios nesta cidade praiana e ensolarada.

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu Nacional de Arte Antiga

Hoje é terça-feira, dia 9 de abril de 2024. Para o Museu Nacional de Arte Antiga, pedimos informações ao guardinha do Museu do Oriente, um senhor muito solícito, e rumamos a pé. Uma boa caminhada, porém confusa, com escadas mil pelo caminho. Chegamos e já estávamos fascinados pela entrada e beleza do prédio. Endereço: Rua das Janelas Verdes, 1249-017. Eu paguei €10 euros de entrada e o Carlos €5. o museu foi fundado em 1884 e adquirida a atual designação em1911.

O folder do museu nos esclarece que é conhecido como o Grande Museu de Portugal e alberga a mais relevante coleção pública do país, da Idade Média até o séc. XXI. Pintura, escultura, ourivesaria, artes decorativas portuguesas, europeias, da África e do Oriente, incluindo o maior número de obras classificadas como “tesouros nacionais”. Entre elas, os Painéis de São Vicente e a Custódia de Belém, símbolos da arte portuguesa dos séculos XV e XVI, e importante obras de Bosch, Memling, Dürer, Rafael ou Piero della Francesca. O jardim do MNAA, com restaurante e esplanada, oferece uma excepcional vista sobre o rio Tejo.

Vemos a história do mobiliário português de 1490 a 1500. E haja caminhada dentro do museu… “A Batalha entre Alexandre, o Grande e o rei Poros no rio Hidaspes”, de Nicolaes Pietersz Berchem (1621/1622-1683) dos Países Baixos, e a Baixela da Coroa Portuguesa de Dom João V/ Dom José I, do séc. XVIII, chamam a atenção. “Salomé”, de Lucas Cranach, o Velho (1472-1553) é espetacular.

O Relógio de Mesa, de Jean-Baptiste Dégré a Paris, de 1778, mereceu uma foto. As obras “Naufrágio” e “Porto do Mar” de Vernet Claude-Joseph (1714-1789), da escola francesa, são deslumbrantes. São tantas obras com motivos religiosos, retratos, batalhas, de material de prata dourada: estatuetas, candelabros, baixelas, talheres, ufa! Da escola alemã “São Jerônimo”, de Albrecht Dürer (1471-1528). Que riqueza! Nós em estado de encantamento, embora cansados. Felizmente, há bancos para descansar.

No 2° andar, maravilhas de ourivesaria e objetos de missa com cálices, cruzes em ouro e prata. O báculo ou cetro do bispo ou cardeal está presente.

A Custódia de Bemposta, de 1876, com rubis, diamantes, esmeraldas, prata dourada, topázios, safiras e crisoberilos é uma relíquia. As porcelanas portuguesas do séc. XVI são belas. Segundo a Wikipédia, a chamada Custódia da Bemposta é uma alfaia litúrgica, peça de ourivesaria e pedraria, de manufatura portuguesa da segunda metade do século XVIII, desenhada pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira. Proveniente da Capela do Paço da Bemposta, conserva-se desde 1876 no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

No 3° andar, pinturas e esculturas portuguesas. Retábulos dos séculos XV e XVI, de Jorge Afonso. Retábulo da Madre de Deus. O presépio, de 38 figuras, do Convento de Santa Teresa de Jesus Carnide, das Carmelitas Descalças, foi feito por António Ferreira (1701-1725).

Para descansar, fomos à cafeteria para um suco Compal de pêssego, minha paixão. Depois saímos do museu e rumamos ao ponto de ônibus para pegar o número 714, porém demorou tanto que desistimos, logo pegamos um táxi por €6,35 euros.

Perto do hotel, compras de vinhos no supermercado Pingo Doce. E descobrimos um sebo fantástico: a livraria Sá da Costa, ao lado do hotel Borges Chiado na rua Garrett, 100/102.

Dia mais memorável, de cultura e aprendizado. Em breve, a cidade litorânea de Sesimbra.

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Hoje é terça-feira, dia 9 de abril de 2024. Saímos do hotel Borges Chiado com a intenção de ir aos museus Calouste Gulbenkian e de Arte Antiga de metrô. Fomos informados pelos atendentes solícitos do hotel como chegar lá de tram, porém não deu muito certo. Foi confuso, pegamos o tram 15 (€3,10 euros) direção Belém para o Museu de Arte Antiga no Cais do Sodré, só que no caminho dentro do tram ajudei um bocado de europeus com a máquina de tíquetes, logo perdemos a parada de descida. Descemos duas paradas adiante, caminhamos até a estação Alcântara e atravessamos a avenida por baixo (na Europa se chama subway). Chegamos ao Museu do Oriente, enorme e promissor, mas que não estava nos planos. Endereço: Avenida Brasília, Doca de Alcântara. Ainda bem que os moradores dão informações aos turistas perdidos.

Paguei €8 euros e o Carlos €4. O armário (locker) para as mochilas requer uma moeda de €1 euro, a devolver na saída, perguntamos tudo, nada é escrito.

Vamos à visita. Sala dos tecidos trabalhados com diversos padrões de peixes e frutas, colorido. Têxteis indígenas australianos: Dry Season WindJarracharra, exposição temporária, feitos por mulheres da região Maningrida no oeste de Arnhem Land, Austrália. Outra exposição temporária “O Colecionismo de Frascos de Rapé”, do diplomata Manuel Teixeira Gomes.

Já estou amando o museu, tanto a ver e conhecer. A exposição permanente da presença portuguesa na Ásia com testemunhos, memórias e colecionismo é imperdível. “A Expansão da Fé Cristã”, “Os Deuses do Olimpo”, “Um Mundo de Porcelana Chinesa”: a antiga coleção do diplomata Cunha Alves, peças do séc. XVII a XIX.

Brasões, porcelanas, pratos da China da Dinastia QING (1644-1911), Colecionismo de Arte da Ásia Oriental, o gosto colecionista europeu remonta ao final do Império Romano e ao início da Alta Idade Média, graças à Rota da Seda. Estatuetas funerárias, figura tumular, perfumadores em forma de dragão. Túnicas femininas de seda bordada a fio de ouro, belíssimas.

Budismo, Taoísmo, GUANYN, nome chinês representado por uma figura feminina que significa a compaixão. Armaduras japonesas com leque de guerra utilizado no comando das tropas. Arte dos períodos EDO e MEIJI (1868-1912). Quimono feminino, dos anos 50-60 do Japão com seda lavrada e pintada a mão. Altar SHIBAYAMA, com a figura de Buda sentado.

Pinturas a nanquim com cenas de folclore e costumes coreanos do séc. XIX. Timor-Leste representado por uma escultura mortuária de cavalo e seu cavaleiro, de 1940. Máscaras de 1920, espadas e sabres de 1968. A ilha foi povoada há cerca de 14 mil anos até 2 mil a. C. e foi alvo de sucessivas vagas de colonização. Importante: portas de pau rosa de 1900, painéis decorados das casas timorenses, potes de barro cozido, colheres de chifre de búfalo do séc. XX. Estátuas dos antepassados colocadas no exterior da aldeia em locais de destaque (1900-1930), guarda-joias, filigrana de prata etc.

2° andar. Japão: Festas e Rituais. A cultura oriental me atrai. Kannushi, roupas dos sacerdotes intermediários entre os kami e as pessoas comuns, responsáveis pela manutenção do santuário e pela realização dos rituais e cerimônias religiosas. Xintoísmo, autóctone do país e baseado no antigo culto aos kami, entidades do mundo sobrenatural. Dōsojin, protetores dos viajantes. Rituais de purificação HARAE e MISOGI. Calendários e almanaques: refeição do 1° dia do ano, bebe-se muito saquê, muito doce a e aromatizado com ervas para expulsar a má sorte do ano anterior e pedir saúde.

Eu não tinha ideia da quantidade de atividades feitas no Ano Novo japonês, como banhos, escritas, cartões, sacos da sorte. Darumas para proteção e sorte. Marionetes, talismãs, oráculos de previsão em papéis. Raquetes decoradas com motivos japoneses. Teatro Nō, com auditórios bem frequentados por escolas.

Museu enorme. Biombos e coleção: “Leques Chineses”. Exposições “Marfins de Goa”, “A Índia em Aquarela”, e “Da Terra Santa ao Japão”. Birmânia representada também. A obra de Os Lusíadas, de 1669, de Luís de Camões, o príncipe dos poetas portugueses. Que emoção!

No 5° piso, o restaurante Museu do Oriente/Imppacto, de alto nível, que oferece um visual bonito da marina, porto e ponte 25 de Abril. O menu executivo por 15 euros. Pedi crosta de peixe com legumes salteados adocicados, e o Carlos carne. Sobremesa: abacaxi e amora. E café.

O museu data de 8 de maio de 2008 e foi inaugurado pelo presidente da República, Prof. Dr. Aníbal Cavaco e Silva.

Sou amante de museus. Uma vez um aluno me perguntou para quê museus? Sem a nossa tradição, cultura e história contadas por museus, não somos nada. Por isso amo tudo que aprendo em um. E alguns são fantásticos, como esse Museu do Oriente. Parabéns, Lisboa!

De lá, nos dirigimos a pé ao Museu de Arte Antiga. Em breve, muito a contar.