Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e Moitas

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e Moitas

Hoje é dia 17 de março de 2022. Estamos na pousada Vila do Icaraí. O café da manhã é saudável: pães caseiros, brioches, frutas, sucos, o usual “gostoso”. Estar juntos com os donos Isabela e João faz a diferença na hospedagem. Interessante que no banheiro do quarto há uma claraboia que ajuda na iluminação natural. Não chove no momento, ainda bem, estamos no período chuvoso. Informe importante: cuidado com o gato Mingau da pousada. Muda de humor de uma hora para a outra.

Vamos passear. Na beira mar, a gente via a bela enseada com coqueiros. Hoje, está coberta por pousadas que foram construídas, aí para ver o mar tem que adentrar as ruelas que dão para a praia, uma lástima. Temo que construam tanto que o Icaraí perca seu charme único, original, bucólico.

A ideia é conhecer a praia de Moitas, distante 6 km. Estamos de carro. A placa indicativa se encontra dentro do Icaraizinho. Tem que prestar a atenção. A estrada é no bloquete, passa-se por usinas eólicas. Calçamento e areia, entramos no local bem falado ultimamente. Fomos atrás de saber mais sobre os passeios de barco no rio Aracatiaçu. A Associação dos Moradores Nativos de Moitas é responsável. O passeio no túnel, a Ilha das Ostras, os igarapés, dizem que vale a pena, estamos curiosos. Há três portos pelo rio, conversamos com o Evandro do Porto Redeão. Fone: 88-981040748. O passeio só sai com a maré alta. E detalhe: duas pessoas por R$150,00. Não tem sinalização para a praia, só vai perguntando, o lugar é espraiado, mais remoto, não tem o movimento de Icaraí. Até carro de boi vimos.

Foi difícil chegar à Barraca da Queila pela falta de sinalização, mas chegamos. Simples, rústica. Há outras barracas à beira mar. O mar é calmo, bonito, fomos caminhando até a barra do rio. Apesar de muito seco, encontramos um ponto de apoio com mesas e bancos de madeira do lado do mar, sem uma viva alma. De longe, vimos um porto com barcos. Na volta, almoçamos na Queila: peixe guarajuba, baião de dois, farofa e molho vinagrete. Nada mais litoral. Comida boa, gostei. Foi boa a dica que nos deram.

Depois do almoço, banho de mar com marolas (pequenas ondas). Praia diferente, há muita gente de Fortaleza que vai direto a Moitas e lá fica. É outro mundo, muito mais tranquilo. Achei a praia parecida com a da Redonda de Icapuí, com o visual dos barcos de pescadores no horizonte. Um cartão-postal.

Retornamos a Icaraizinho (nome carinhoso, aliás) e vamos andar na praia. O entardecer é magnífico, de uma beleza única. As fotos ficam poéticas, surfistas pegam ondas e um professor ensina seus alunos mirins na própria praia, a vida cotidiana da vila. Gente de sorte, não sabem o que é a correria de uma cidade grande. Detalhe: em região de mangue, existe um pernilongo denominado de “mutuca”. Pega a gente sem dó nem piedade, por isso a necessidade de repelente.

Para o jantar, mais empanadas do argentino Martin no “La Juanita” no Saint German Wind Residence, amo! Batemos altos papos com ele. Mora em Icaraizinho. Eu não vejo a hora de chegar a Fortaleza. Empanadas, tudo de bom. Já o suco foi na Casa da Pedra, pois no Martin só tinha refrigerante. A garçonete Nena nos atende novamente. Sugestão da Nena: conhecer a praia de Caetanos de Baixo (onde existe a Bica do Pote, literalmente, uma bica natural que sai de um pote, mas que refresca o visitante acalorado) e de Cima (onde estão os Lençóis: com dunas, lagoas, mar verde azulado), perto de Icaraí. Valeu! No final, fica para a próxima…

Decidimos passar mais um dia em Icaraí, afinal queremos fazer o passeio de barco no mangue com mutucas e repelentes… Depois conto mais.

Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada

Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada

Hoje é dia 16 de março de 2022 e é hora de partir de Jeri. Mas antes tenho algo a dizer. É opinião de moradores que o parque nacional deveria ser privatizado, uma vez que prefeitura e estado não dão conta. Faltam lixeiras e gente para recolher o lixo. As pousadas querem assumir o parque, mas não podem. No final, são os donos das pousadas que cuidam do lixo. Não está certo, pois se paga a entrada e a do carro no estacionamento e entra muito dinheiro. Espero que resolvam isso.

Importante ressaltar que a origem do nome de Jericoacoara é tupi-guarani, significa “buraco das tartarugas”, pelo fato de a praia ser lugar de desova das tartarugas (em www.portaljericoacoara.com.br).

Saímos da pousada, prestes a ir embora. O Carlos pegou o carro no estacionamento, foi de jardineira, porém demorou muito para retornar. Entre 9 h e 10h30, o movimento é grande de transportes de turistas. E detalhe: estava chovendo, logo a rua de areia vira poças de água. Enfim, vamos embora pela praia em direção à praia do Preá. Que aventura! Estamos em um veículo tracionado, tem que ser.

Passamos por dunas, devemos seguir o balizamento, Há uma barra de rio muito forte pelo caminho. Há o perigo de atalhos, por causa de cascalhos e areias traiçoeiras, uau! Tração máxima, adrenalina mil. Prosseguimos pela trilha de areia atrás de uma Hilux e chegamos ao Preá. Rochas na praia. Vida de Indiana Jones.

A vila do Preá é o “point” dos kitesurfistas, com pousadas charmosas ao longo da praia. O local é mais calmo que Jeri. Quem não gosta de fuzuê, fica lá. Faz parte da prefeitura de Cruz. Segundo o Carlos, mudou muito, hoje tem construções mil, um futuro shopping center, restaurantes, lojas etc, em suma, crescendo. Maior do que eu imaginava. A vila é uma gracinha, promete. Detalhe: a Lagoa Azul, que é a continuação da Lagoa do Paraíso em Jeri, se localiza no Preá.

Estamos na CE-182-Rodovia Manoel Raimundo de Medeiros. Passamos pelo distrito de Caiçara. A Lagoa da Jijoca é Área de Proteção Ambiental (APA). Mais 5 km, Lagoa Azul. Em frente, Itarema, Cruz e Fortaleza. O aeroporto é por aqui. Cajueirinho, Aranaú e Lagoa Salgada à esquerda, Cruz (5 km) e Acaraú (13 km) em frente. Nesta região chove bastante, porque toda a costa é verde. Estamos na BR-403, km1.

Entramos em Acaraú, município. Praça do Lazer da Bailarina, entreposto de pesca, adentramos a cidade, limpa, com sinalização, ótimo. Um motoqueiro gente boa nos levou ao caminho de saída, que gentil. Av. Nicodemos Araújo. Rumo a Itarema (16 km). Vemos muitos coqueiros.

O distrito de Juritianha (de Acaraú), cuja paróquia é de Santa Rita de Cássia, nos recebe. Bem arrumadinho. Rua de bloquete. As praias: Espraiado e Volta do Rio. Itarema a 8 km.

Entramos em Itarema no calçamento, passamos pela sede do município. Muitos coqueiros pela estrada. Paramos em um restaurante de estrada Campo Verde, vizinho a um posto de gasolina, para almoçar em Itarema. Comida simples e boa no quilo a R$17,00. Gostei.

A região é verde, bonita de se ver. Icaraí à esquerda, o município de Amontada à direita. A estrada era de piçarra da braba, quando fomos as primeiras vezes conhecer o paraíso. Hoje, asfalto. Chegamos cedo da tarde. Era uma vila de pescadores e ainda é rústica de certa forma, pois não tem caixa de banco ou banco, as operadoras de telefonia são limitadas e por aí vai. A 190 km de Fortaleza, está na Rota do Sol Poente (litoral oeste).

Nos dirigimos à pousada Vila do Icaraí, situada à rua Joaquim Alves Parente, 702 (paga pelo sistema Bancorbras). A coincidência é ser do João (e da Isabela), irmão do Gabriel que já foi chef do restaurante da pousada Hibisco na mesma praia. Hoje, ele é chef do Mandacaru em Pontal de Maceió. Estivemos lá.

Gostei do chalé. A segunda pousada que conheço a ter estendedor de roupas para os hóspedes, acreditem, fundamental para quem vai à praia e tem roupas molhadas. Genial! Amei. Mais, cabides, estantes para malas, lixeira no quarto de cipó, porta-copos nos dois criados-mudos, enfim o conforto para o hóspede pensado em detalhes. Parabéns!

Sempre que íamos a Icaraizinho, ficávamos na pousada Saravá (em frente àpousada Hibisco), atualmente comprada pelo grupo hoteleiro Carmel. Doces lembranças dos queridos Jean Pierre (francês) e Vilma (São Paulo) que moravam na casa no primeiro andar e cuidavam dos hóspedes no térreo. Degustamos muita ostra com vinho branco embaixo do coqueiral. Foram embora para a França, segundo soube, e por motivo de doença, se não jamais teriam deixado lugar tão inebriante. Essas mudanças mexem comigo negativamente, serão casas que faziam parte da paisagem a serem destruídas, uma tristeza. Empreendimentos grandes estão pipocando em todo o litoral do Ceará. Eu gosto mais do simples, natural, original.

Seguimos a rua do colégio, a nossa pousada fica na rua Joaquim Alves Parente, engraçado que existe a rua Pedro Alves Parente. A praça dos Navegantes, onde se situa a igreja (amarela) Nossa Senhora dos Navegantes, é limpa e agradável. Local dos jovens se encontrarem. Boas memórias de sentar na praça à noite e ver o tempo passar. Quase 20 anos sem ir lá. Mudou bastante, muitas construções de pousadas. Para se ter ideia, a gente via o mar com a sua beleza quando sentados na praça, hoje não. Há hotéis ao longo da orla, acabou o visual.

Paramos na Casa de Pedra (rua João de Castro, 2156) para um café. Perto da pracinha, sempre foi boa em termos de lanches. Descobrimos uma loja de empanadas argentinas, filial da de Cumbuco ali perto. Amamos empanadas.

Mais tarde, jantar de crepes de frango e marguerita para nós na Casa de Pedra. Depois, sorvete de chocolate amargo, delícia. Chove. A simpática garçonete Nena foi aluna da Vilma. Ela era professora de matemática da escola pública. Mundo pequeno.

Continuaremos com Icaraizinho. Há muito a oferecer em temos de passeios de barco, bugre e esportes como o kitesurfe. Tem opções de pousadas. São charmosas e a maioria é gerenciada por franceses. Come-se bem. Eis uma praia encantadora.

Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

Hoje é dia 14 de março de 2022. Em Camocim a Beira Mar está repleta de pescadores, o cheiro de peixes e algas é grande.

Um pouco sobre a cidade, segundo a Wikipédia. A antiga vila de Camocim foi fundada em 29 de fevereiro de 1879 e a cidade foi emancipada de Granja em 17 de agosto de 1889. Antes do séc. XVI, o território era ocupado por povos indígenas, tais como Tabajaras, Tremembés, Jenipaboaçus e Cambidas. Camocim vem do tupi-guarani e significa “buraco ou pote para enterrar defunto” (de acordo com Silveira Bueno e Gonçalves Dias). A construção de uma ferrovia na região foi fundamental para o desenvolvimento da então vila e região no séc. XIX. O ramal da Estrada de Ferro de Sobral até Camocim foi fechado em 1977, sob protestos, pertencia desde 1910 `a empresa The South American Railway Construction Limited.

O site http://www.camocim.ce.gov.br nos diz que um camocinense importante foi Pinto Martins, aviador. Há muito potencial turístico nos seus 60 km de praias. A Praia do Maceió e a Ilha da Testa Branca ou Ilha do Amor, do outro lado do rio Coreaú, são promulgadas Áreas de Proteção Ambiental (APA). O píer flutuante, para embarque e desembarque de passageiros que utilizam as lanchas de turismo ou de transporte para as comunidades interioranas, virou atração turística, uma vez que ver o nascer do sol e a lua cheia de lá é impactante. Outro ponto marcante é o Estuário do Rio Coreaú, reserva natural com manguezais, flora e fauna da região, habitat de garças azuis, caranguejos e aves marinhas.

Até logo, Camocim, voltaremos. Uma paixão! Saímos do hotel, sem a ajuda de atendentes. Saímos pela Rua da Independência, estamos no centrão, a pracinha do coreto é uma delícia de tranquilidade. Pegamos o caminho em direção a Granja, que passamos por fora. Parazinho a 20 km. Bem sinalizado. Pegamos a Sol Poente (CE-085). Jijoca em frente, Parazinho à direita. Eram distritos de Granja, hoje emancipados.

Ainda fora do município de Jijoca, contratamos um motoqueiro-guia para nos levar ao Parque Nacional de Jericoacoara. Isso é obrigatório, mas o valor é negociável, cobrou R$60,00. Sai na frente e nós atrás de carro. O Mangue Seco à esquerda, a Lagoa do Paraíso em frente. Estamos na APA de Jericoacoara. Mais uns 20 km chegamos a Jeri, como é carinhosamente conhecida. Vemos pousadas mil, além de restaurantes pelo caminho, estamos em asfalto, piçarra, dunas, uma aventura, bom para carro tracionado. O tempo é invernoso, então são poças e poças de água que cruzamos, altos e baixos, bem Indiana Jones. Tudo verde, passamos pela Lagoa do Paraíso, muito movimento de bugres, motos e carros. Impressionante. Eu diria que o percurso é difícil, tremeluzente, a gente pula dentro do carro, mas é inusitado. As trilhas de areia de dunas e o túnel de cajueiros não têm igual. Que jornada!

Interessante mencionar que conheci Jeri em 1987, era um deslumbre, nem luz tinha. Fui com uma conhecida que topou a viagem de ônibus comum: Fortaleza-Jijoca, 40 paradas, saímos às 8 h e só chegamos a Jeri às 17 h. De Jijoca a Jeri foi no velho pau de arara ou jardineira, uma hora passando por dunas e sacolejando muito. Que máximo! O banho era de poço, meu cabelo ficou um espanto, pois a água era salobra. Boas lembranças… e o forró? A Gente ia de lamparina feita de garrafa pet e vela dentro. Dançava, se divertia, eu nunca havia visto tantos estrangeiros em um só lugar. Jeri sempre foi fascinante. A natureza bela, única, a vila com cachorros soltos e porcos. Era pequena e toda na areia. Andamos de jangada pela manhã, a gente dava conta da vila bem rapidinho, era uma vida lenta, tranquila. Ah! A gente se hospedou na casa de uma nativa. Era outro mundo. Depois voltei nos anos 90, já tinha luz e mais pousadas. Muito divertida, ainda com o forró e muita festa.

Agora em 2022, revejo Jeri e percebo o quanto mudou. Radicalmente. Para começar, existe o aeroporto que trouxe muita gente de fora do Ceará, principalmente, de São Paulo. Em pleno março, na estação das chuvas e Jeri lotada.

Na entrada do Parque Nacional de Jericoacoara há um quiosque onde se pagam as diárias, as pessoas acima de 60, não precisam pagar. A primeira via é do hotel e a segunda, do turista: R$30,00 até 7 dias. Para quem vem de carro tracionado, o estacionamento pago, de R$40,00 a diária, é fora da vila; para quem vem sem carro com tração, o estacionamento é em Jijoca e aí se pega o transporte. No passado, caminhão jardineira; hoje, HILUX com bancos atrás. Quem tem mais de 60 anos, pode ser levado ao hotel no seu próprio carro, porém depois tem que trazer o veículo de volta ao local estipulado. A ADEJERI (Autarquia de Jeri) é responsável por tudo isso.

Enfim, cansados, adentramos o hotel Recanto do Barão, Rua do Forró, 433 (pago pelo sistema Bancorbras). Como só podemos entrar no quarto às 13 h, o Carlos foi deixar o carro no estacionamento e voltou de jardineira própria do local. O hotel repleto de hóspedes, Jeri é sempre um “point”. Na recepção, o goiano Alexandre é solícito e simpático. Nos indicou o Restaurante do Bigode, na mesma rua, ali perto. Menu: um pargo na brasa, com arroz, feijão preto, farofa e macaxeira, foi bem farto. Oferecem suco de graça ou duas caipirinhas. A fome ajuda… O preço do almoço custou R$140,80. Digno de nota dizer que feijão preto é muito apreciado em outras praias do Ceará, como Canoa Quebrada e Icaraizinho de Amontada. Sempre achei interessante.

A vila é um charme, com muitas opções de restaurantes, lojas, cantinhos, cafés, pizzarias etc. Música por todos os lados, gente alegre, a felicidade no ar. Eu fiquei deslumbrada! O calor está intenso, pega fogo. A vila ainda é na areia, dá para entender o motivo pelo qual atrai tanta gente. O lugar é vivo, ferve de tanta atividade.

À tardinha, passeio pela vila. Sorvete no Gelato & Grano, bancos em botijões de leite, original. Vi pousadas antigas, conhecidas minhas, como a Matusa, Hippopotamus, Capitão Thomaz. A pracinha principal é uma lindeza, os becos e detalhes também. Entrei para conhecer a Loja Mundo Jeri, da Associação das Crocheteiras, na rua Principal, s/n. Comprei chapéu e colares de croche, vi maravilhas.

Rumamos à praia, mar calmo, de cor escura, sempre foi assim, era mais distante, hoje se aproximou. A duna do pôr do sol diminuiu muito. Chocante presenciar tal destruição. Era muito alta, lembro que a gente subia todas as tardes e ficava com as canelas doendo, uma lástima estar desaparecendo.

No fim da tarde, há muita gente na praia. Ao sair da Rua Principal, já se está na praia. Carrinhos de bebidas, gente jogando vôlei, comendo, curtindo o visual. Alguns restaurantes chamam a atenção: o Mosquito Blue Restaurant &Wine Bar e o Bar e Restaurante Sol. Transados, bonitos entre coqueiros e árvores outras. O Carlos tomou banho de mar, eu fiquei observando o movimento ao redor e tirando fotos. Há um clima de liberdade diferente. O forró pé de serra propagandeado é ali na praia mesmo, no meio dos carrinhos de bebidas. O antigo forró, infelizmente, não existe mais, é um restaurante atualmente.

Bom dizer que se recicla o lixo no Parque Nacional. Subimos na duna e nos deliciamos com as belezas de Jeri.

Retornamos ao hotel. Comentário: sempre me pergunto em um local praiano como não existe lugar no quarto para as roupas molhadas? Para o jantar, algo simples na Padaria Central Jeri: misto quente (sanduíche de queijo e presunto na chapa) e suco de laranja. Local cheio, em uma segunda-feira, incrível!

Eis Jericoacoara, com tantas opções de comida e lazer que fica difícil decidir. É um caso de amor. A loja Americanas Express, na Rua do Forró, se situa em uma casa linda, de placas de madeira. Jeri é autêntica, única, limpa. Não se usa saco plástico, a sacola dada é de papel. A Natureza agradece.

Continuaremos com Jericoacoara em breve.

Ceará-Piauí-De Luís Correia a Camocim

Ceará-Piauí- De Luís Correia a Camocim

Hoje é 12 de março de 2022 e o dia é de viagem de carro de Luís Correia no Piauí a Camocim no Ceará.

O Carlos e eu vamos pela praia de Macapá em Luís Correia no trajeto da Rodovia Litorânea (PI-117), estrada sem sinalização. Tenho visto muito cachorro de rua. Passamos por muitos condomínios de casas sendo construídos, colônias de férias como a do SESC. Ao longo das estradas, jumentos soltos.

Seguimos por Macapá, o cheiro do marmeleiro está no ar. Tudo é verde, mangue com arbustos médios para altos. Cruzamos o povoado de Carapebas. Mais animais soltos na estrada: cães, vacas e jumentos.

Lá vem o povoado de Camurupim e depois Cajueiro da Praia, Barra Grande e Barrinha. No caminho uma placa convidando para conhecer a árvore Carnaúba da Cobra Encantada.

Entramos em Barra Grande, queríamos conhecer, por ser comentada e por quase termos ficado lá. A chuva deixou as ruas de areia encharcadas, mas deu para perceber ser uma pequena Jericoacoara. Um lugar do estilo alternativo, com muitas pousadas e barracas de praia. Parece uma vila e tem um pouco de tudo. Demos uma parada técnica na Barraca do Sarnei. A praia em forma de baía, tem sargaço, ou seja, algas. O local é tranquilo, pertence ao município de Cajueiro da Praia. Realmente é diferente, deve ser bem interessante à noite.

Na saída, o povoado de Morada Nova, ainda estamos no estado do Piauí, a divisa entre os estados fica a 20 km. Estamos na BR-402, porém nem se percebe, pois não tem acostamento. O verde ao longo da BR vale, o asfalto é ondulante.

Chegamos a Chaval, já no Ceará, e conhecemos sua Igreja Matriz. Gostei do calçamento na cidade e das rochas enormes existentes nela. Isso é peculiar, sem dúvida. Com poucas árvores, deve ser bem quente. Outras localidades na região: Chapada, Barroquinha, Araras, Venâncio e Bitupitá.

Em Bitupitá, vimos a Igreja Matriz de cor branca. A geografia do local faz parte do Delta do Parnaíba. Lá está a praia de Curimãs. Bitupitá pertence ao município de Barroquinhas. A praia renomada pela sua beleza e manguezal de Pontal das Almas se encontra lá. Tanta ruela para chegar à praia, trata-se de uma aldeia de pescadores. O mar fica longe, há tantos barcos na praia. Daqui se vê do outro lado a Barra Grande no estado vizinho.

Almoçamos à beira mar, no rústico Cabana Pueirão Restaurante, o Francy nos atendeu. Pedimos camarão ao molho com leite de coco, batata e cenoura, arroz e salada verde. Por R$70,00 para duas pessoas. Muito bom.

Bitupitá é uma praia selvagem, com urubus na areia esperando pelas vísceras dos peixes, afinal é local de pesca. O cheiro é forte de peixe. Há pracinhas pela orla com coqueiros e bancos diferentes. Muito árido o lugar. A sua entrada com pneus coloridos com plantas dentro, e árvores em crescimento no meio-fio a tornam convidativa. Digno de nota comentar que existe o macaco capelão no Delta do Parnaíba.

Nosso interesse foi só conhecer mesmo, prefiro praias com mais infraestrutura e menos quentes. Valeu ter ido, pois gosto de ter opiniões a respeito dos lugares.

Pegamos a Rodovia Sr. Pedro Veras e saímos de Bitupitá, detalhe: entramos pela mesma rodovia. Ver dunas com carnaúbas pelo trajeto é bonito demais. Estamos na CE-187. Entramos no município de Barroquinha, muito arrumada. Camocim está a 10 km, desde Luís Correia: 302 km.

Camocim, enfim! Viemos pelo litoral. Logo surge o Farol do Trapiá. Cidade plana, bem sinalizada. Fazemos um passeio de carro pela Praça Severiano Morel com a Prefeitura em frente. Vimos a antiga e afamada Estação Ferroviária, marco de tantas viagens do Carlos ao município, o prédio é muito bonito. É uma vergonha para nosso país não usarmos mais trens para locomoção de passageiros.

O rio Coreaú (nome indígena que significa “rio dos marrecos”, segundo Silveira Bueno) com calçadão para longas caminhadas, o antigo Hotel Municipal, hoje Ilha Praia Hotel. A orla do rio com mar é um espetáculo. Encontram-se lá hotéis, restaurantes, quiosques, que delícia. Dá vontade de pular do carro e já começar a desbravar as belezas de Camocim.

Ficamos no Dunas Praia Hotel (Beira Mar, 1449) em frente ao Centro de Artesanato da Prefeitura. R$300,00 por duas noites, preço justo. Estamos à beira mar.

Um pouco mais longe se situa a Praia do Farol, o “point” do kitesurf. Jogam vôlei e há placas contra jogar o lixo, achei o máximo. Barracas de praia e casas diferentes, estilosas. Muitos jovens curtindo a praia, eis uma cidade jovial e alegre. Encantada demais eu estou.

O Farol do Trapiá da Marinha do Brasil chama a atenção. Que lindeza a costa, a praia tem sargaço. Passamos pelo clube da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e pelo atraente restaurante El Mirador.

Para jantar, escolhemos panquecas e sucos no Euclides Restaurante e Pizzaria à Beira Mar. Aconselho. Trata-se de um prato muito procurado no local. Depois, caminhada pelo calçadão, testemunhamos muito movimento nos quiosques, restaurantes, bares, pizzarias e um local com brinquedos para crianças, amei.

Continuaremos com Camocim, cidade que já pretendo retornar e aproveitar mais. Considero uma cidade habitável e com qualidade de vida.

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Hoje é dia 09 de março de 2022. O Carlos e eu estamos saindo da pousada Oca Resort em Piripiri-Piauí, perto do Parque Nacional de Sete Cidades, partindo para Parnaíba-Piauí. Vamos nos hospedar, na verdade, em Luís Correia, ao lado de Parnaíba, pelo sistema de hospedagem Bancorbrás.

O caminho com mata na saída é bonito. Seguimos reto para Piracuruca (em língua tupi, “peixe roncador”). Pra variar, não há sinalização, na ponte do rio Piracuruca dobramos à direita.

Entramos em Piracuruca, cidade com a praça Irmãos Dantas em frente à antiga Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O conjunto arquitetônico com suas casas coloridas é uma lindeza. A vida é tranquila, os moradores sentam na praça para papear. Vimos o calçamento com a pedra Piracuruca em certas partes, em outras o asfalto foi colocado em cima de tão bela pedra. Piracuruca até Parnaíba-127 km.

Pegamos a BR-343 (descobri no mapa). Cruzamos os municípios de Cocal, Caraúbas do Piauí e Buriti dos Lopes. A divisa do Piauí com o Maranhão fica a 62 km. A estrada é um retão e toda verde ao longo dela. As placas de trânsito estão apagadas pela BR, acho isso uma vergonha. Passamos pela Embrapa Meio Norte. 13 km para Parnaíba e 25 km para Luís Correia.

Nos arredores de Parnaíba, há fazendas e restaurantes com produtos do interior. A geografia é plana. Indo adiante, Parná (como é conhecida), à direita Luís Correia. Continuamos na BR-343. A última vez que estive na cidade foi em 2013. Minha história afetiva é antiga com a cidade, por conta de amigas: Rossana Carvalho primeiro (colega de faculdade: Universidade Estadual do Ceará) e depois Minervina Menezes (aluna minha na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará), ambas professoras.

Estamos na Av. Mão Santa em Parnaíba, seguindo em frente a praia do Coqueiro, à direita a Lagoa do Portinho. Passamos pela Casa da Ferrovia de 1922 na rotatória e seguimos ao município de Luís Correia no litoral do Piauí. Vemos a prefeitura, pousadas, lojas, supermercado, enfim encontramos o Rio Poty Hotel Praia situado à rua dos Magistrados, 2350.

Boa infraestrutura de hotel e atendimento, cerca da praia de Atalaia com barracas, como da Hilda, Amarelinho, o Assis etc. Passeamos de carro pela beira mar, para a esquerda vai para o porto, o rio Igaraçu estava bem caudaloso, e visualizamos casas abandonadas; para a direita as casas de veraneio são mais bem cuidadas.

Tentamos a barraca Carlitu´s para almoçar, mas estava fechada (Av. Teresina, 4447-Atalaia). Rumamos à praia do Coqueiro em busca da barraca Sunset (av. Beira Mar, 10789). Nosso almoço foi filé de pargo frito (peixe), com batata-doce frita, baião de dois (feijão com arroz, principalmente), salada, farofa e pirão. Muito farto, mas achamos caro. O forte da região é caranguejos, camarões e pescados.

Após o almoço, mais passeios: pousadas, condomínios, casas, descampados, animais soltos, chegamos até o pequeno farol da Marinha do Brasil. Decidimos conhecer a famosa praia do Macapá, antes da praia do Arrombado (parece com a praia do Balbino no Ceará, luminosidade imensa e com pouca vegetação). O carnaubal com dunas pelo caminho é muito bonito, o asfalto bom. Encontramos um cearense Jean Portela a trabalho na rodovia que nos deu dicas valiosas.

A entrada para Macapá tem casas espalhadas mais simples, muitas lombadas a fim de dificultar a velocidade dos carros e uma placa interessante: Cuidar do meio ambiente, uma questão de atitude. Existem lanchonetes, restaurantes, pousadas e muitos jumentos, uma graça. O lugar é bucólico, sem dúvida. Vimos barracas de praia de madeira, o mar distante com bancos de areia no meio, e contenções contra a maré forte, além de manguezais e barcos coloridos. Lembra a praia de Águas Belas no Ceará, porém mais ampla e deserta. Um bom local para relaxar. O bar e restaurante do Chico Isaura é conhecido. Em frente ao local se formam piscinas naturais. A estrutura é rústica.

Segundo o Guia Piauí Litoral da SETUR (Secretaria de Estado do Turismo: secretário: Flávio Rodrigues Nogueira Júnior) e CCOM (Coordenadoria de Comunicação Social), a vila de pescadores de Macapá teve que ser reconstruída algumas vezes por conta da ação do mar que destruiu as habitações, a capela e até mesmo parte da estrada que lhe dava acesso. Ali acontece o encontro do rio Camurupim com o oceano, formando uma área de mangue semelhante a um minidelta próximo à Barra Grande, onde é possível velejar de kite e se aventurar de caiaque.

À tardinha fizemos reconhecimentos de área em Parnaíba de carro: uma biblioteca em um trem, o calçadão da Beira Rio com o rio Igaraçu (último afluente do rio Parnaíba), o SESC, a Capitania dos Portos, o Parque das Ruínas, o Museu do Mar, o Porto das Barcas, os sobrados históricos, o centro antigo, tudo formoso. Também descobrimos o Hotel Charme Casa de Santo Antônio na praça Santo Antônio, onde se localiza a escola de inglês Speak Up (rua Santo Antônio, 649), da amiga Minervina Menezes.

Parabéns, Parnaíba, por ser muito bem sinalizada, por ter uma população que valoriza seus casarões, a sua história. Linda, cada dia mais. Cidade com qualidade de vida, bem arborizada, com praças mil, onde ainda se mora em casas, algo admirável. O único senão é o calor na época do verão, mas isso se aguenta. Detalhe: estávamos na época de chuva, então foi muita mesmo.

Às 19 horas buscamos a Minervina na escola e seguimos ao Porto das Barcas, “point” com restaurantes, pizzaria, lojas de artesanato, lugar muito agradável com o rio Igaraçu bem ali. Às suas margens se encontra o restaurante Rios, cartão-postal do município. Não poderia faltar uma pizza regada a coca cola da pizzaria Porto das Barcas, cuja placa diz “Pizzaria Comilão”. O imperdível Museu do Mar se situa no local: pequeno, completo e excelente, mostra como eram as vilas e cidades, a tradição do homem do mar, da marisqueira, do pescador de crustáceos, além de barcos expostos etc. Parabéns ao governo do estado. Achei fabulosa a iniciativa.

Dia produtivo. Parnaíba é uma cidade que dá gosto visitar. Estava com saudades. Continuaremos com o passeio do Delta do Parnaíba em breve.

Ceará – Piauí – Parque Nacional de Sete Cidades

Ceará – Piauí – Parque Nacional de Sete Cidades

Hoje é dia 08 de março de 2022, o Carlos e eu estamos de saída do Sítio do Bosco Park na Vila Acarape às 8h30, rumo à Sete Cidades em Piripiri-Piauí. Vamos de carro em direção a Tianguá, ainda bem que estão ajeitando a buraqueira da BR-222. Como sempre, falta sinalização nas nossas BRs. Um detalhe peculiar da região: como vendem panela de alumínio na região. São onipresentes nas lojas.

Tianguá-Sete Cidades: 106 km. É um retão até a entrada do parque. Vamos descendo a Serra da Ibiapaba de forma lenta. Chegamos à divisa dos estados Ceará e Piauí. Viva! Vemos a caatinga verde, sinal de muita chuva. Reto Piripiri; à direita Piracuruca e Parnaíba. Passamos por um lugar esplêndido: Bar Ilha Jenipapo, um bar/restaurante na estrada à beira do rio Jenipapo com as plantas vitórias-régias, que lindo. Só lembrando que são plantas aquáticas, típicas da região amazônica.

Cruzamos o município de São João da Fronteira, continuamos na BR-222. Lá vem o rio Piracuruca com ponte e o distrito de Picarra (Nova Veneza). Vi bodes pela estrada e uma porquinha mamãe. O rio Acauã com ponte, falta sinalização, temos que ficar ligados na entrada à direita para Sete Cidades. Bem antes de Piripiri, não chegamos a Alto Alegre, km 45, e entramos no parque pelo Portão Sul. A entrada é grátis.

Estávamos à procura dos hotéis do IBDF e Fazenda, porém o primeiro foi desativado e o segundo está em reformas, muita decepção para o Carlos que já havia se hospedado neles. Nunca esquece da piscina de água corrente na qual tomou banhos memoráveis. É a quinta visita dele ao parque e a minha primeira. O jeito foi se informar sobre hospedagem e nos indicaram o Oca Tocaríjius Resort, fora do Portão Norte, a 3 km. Primeiro, nos dirigimos ao Centro de Visitantes (a 4 km da bifurcação) no Portão Norte à direita. O caminho é de pedregulhos. Lá, encontramos informações sobre visitas e guias. A lojinha muito simples com camisetas e pouca coisa mais, eu esperava uma infraestrutura mais complexa. Não entregam folders. Logicamente que fiquei de olho em uma camiseta. Se tivesse canetas, eu comprava. São meus xodós de viagem.

Aqui vale um comentário: antes o Parque Nacional de Sete Cidades era de responsabilidade do IBAMA e tinha guarda-florestal. Era permitido ver os sítios de carro e a entrada era cobrada. Recebiam mapas e iam por conta própria. Hoje, o ICMBio é o responsável, porém sofreu cortes robustos do governo federal. O parque está sem manutenção, os letreiros apagados. Acho que fazem milagres com o que recebem. Os guias combinam o melhor horário de passeio com o turista e nós os pagamos. Na entrada e saída anotam a placa do carro, não se cobra, é grátis.

A respeito do parque, o site https://rotacombo.com/blog/parque-nacional-das-sete-cidades nos informa que é uma unidade de conservação brasileira, localizada em uma área de transição entre cerrado e caatinga. São 36 km de proteção integral à natureza, situados na região norte do Piauí. Sua área de 7.700 hectares ocupa 73,77% do município de Piracuruca e 26,71% do município de Brasileira. A Wikipédia complementa que foi criado em 08 de junho de 1961 pelo então presidente da República Jânio Quadros.

Em direção ao Portão Norte, já visualizamos as formações rochosas do tipo paredões. Dentro do parque é bem sinalizado, a rota é feita na piçarra. Muito bom estarmos de jipe Suzuki, pois havia chovido e passamos por córregos e um lago pequeno. Tivemos trepidações, atravessamos lombadas e laguinhos.

O hotel Oca recebe muita gente, está na rodovia PI 111. Pensem em um local original, com chalés de tijolo a vista no meio da natureza da caatinga, florido, repleto de detalhes harmoniosos, com árvores, embora o calor seja enorme. O choque térmico é gritante, já que estávamos no frescor da serra. O ar-condicionado é obrigatório. A dona Maci (gerente) nos acolhe com simpatia e ainda faz o almoço. Parece uma fazenda, com cavalos, gatos, pavão, galinhas, sapos etc, o ritmo é diferente no interior, mais calmo. A fome estava grande, mas o almoço demorou um pouco. A gentileza no trato compensa. Penso que a tranquilidade da vida longe das capitais é o melhor remédio para se viver bem. Eles estão certos. Também agradeço ao Eduardo, Paula e Vitória pelo tratamento de primeira.

O almoço, afinal, foi servido mais para dentro do espaço da Oca, onde há uma infraestrutura de resort. O lugar é surpreendente de tão grande, as pessoas da região vão ao lugar aproveitar o dia. Comida ótima, caseira, valeu a espera. E a dona Maci tão solícita, gente boa.

Após a refeição, um descanso. Nosso passeio será à tarde, não é o ideal, mas o real. Faremos de dentro do carro e nosso guia José Carlos (no Instagram, @oguiazecarlos) vai de moto por R$ 100,00 para duas pessoas motorizadas. O passeio completo seria R$200,00 com o mirante, fica para outra.

Saímos do Centro de Visitantes. A placa principal do Parque Nacional diz que a área aberta à visitação inclui o Circuito das Cidades – quando são vistas as Sete Cidades de Pedra, o Circuito das Águas – com suas piscinas naturais e a Cachoeira do Riachão – e a Trilha da Sambaíba – um caminho entre a vegetação nativa, com espécies características da composição florística do Parque. Os percursos são alternativos e podem ser feitos em jardineiras, bicicletas, tetraciclos e a pé, sempre com acompanhamento dos guias. O Guia Quatro Rodas Brasil (2013) aconselha a ir de dezembro a julho, quando a cachoeira e a piscina natural têm um bom volume de água e a vegetação é mais verde.

O mesmo livro nos conta que ventos, chuvas, calor e flora esculpiram os monumentos naturais, dando origem a símbolos, animais e figuras humanas. São sete grupos de formações rochosas apelidados de “cidades” e a vegetação é uma bela transição entre a caatinga e o cerrado.

Nós escolhemos a visita às “cidades”, pois só tínhamos a tarde para o passeio. Começamos pela 6ª cidade onde está a Pedra da Tartaruga, de arenito. E também existe a rocha em forma de Elefante. Em 1886, um jornalista vindo do Ceará nomeou o parque de “Sete Cidades de Pedras”, de acordo com o guia José Carlos. Acrescenta que a região do parque é muito antiga.

Na 5ª cidade, temos o Rei, o Samurai, o Camelo e a Passagem do Vento. Aqui já foi mar, sabe-se pela presença de sal, conchas e fósseis de peixes. Novelas foram filmadas no Parque Nacional como Milagre de Jesus e Sete Pecados. O Túmulo do Catirina, ou seja, o caixão do pajé se encontra no local. Conhecemos a Gruta do Catirina, onde ele se escondia com seu filho de 13 anos. O site www.portalentretextos.com.br/jose-no-egito-a-gruta-do-catirina esclarece que a citada gruta é assim denominada por ter sido o local onde viveu José Ferreira do Egito, o Catirina, que se retirou do contato com a sociedade para cuidar do filho que sofria de epilepsia, doença considerada demoníaca em sua época. Um buraco de cerca de 20 centímetros embaixo de um bloco rochoso foi o lugar onde ele passou a preparar ervas medicinais, numa luta cotidiana e absolutamente solitária, enquanto mantinha a fé na cura do filho Martinho. Nosso guia adiciona que pessoas vinham de Piripiri trazer milho para o Catirina e que seu filho falecera da enfermidade. Na gruta, vi um buraco usado como pilão.

Na 4ª cidade, conheço a Cidade Encantada com pinturas rupestres de 5 a 10 mil anos de existência. Os índios Tabajaras ali viveram. No Globo Repórter da TV Globo houve uma reportagem sobre o solstício de inverno que ocorre no local. Vemos o mapa do Ceará e do Brasil e Duas Cobras se Beijando. A trilha a pé é bem cansativa. Há a Passagem do Índio ou Passagem Secreta. Árvores como a pequizeira são encontradas, e animais, como o veado mateiro, o mocó, a cotia, cobras variadas, dentre outros. São 22 espécies diferentes de cobras, por exemplo: a ligeirinha e a cobra de chifre.

Na 3ª cidade, a Pedra do Castelo e o Soldado. Testemunhamos um mocó amamentando em uma rocha lá no alto. Também existem a Cabeça de Dom Pedro I, o Macaco Batendo Palmas, o Dedo de Deus, os Três Reis Magos, o Oratório e a Pedra do Galo. Nosso tempo era curto, mas rendeu. Importante citar que a caça é proibida, se caçar vai preso.

Na 2ª cidade, a caminhada é boa. O sítio é belo com uma floresta quando se entra no Arco do Triunfo ou do Desejo. Parece mágico, mais bucólico impossível. Para nós, foi o suficiente, mas ficou faltando a 1ª cidade com a Pedra dos Canhões, o Salão do Pajé, a Pedra da Jia etc.

O passeio é magnífico, vale demais. O Parque Nacional de Sete Cidades é uma preciosidade no Brasil. Merece ser bem cuidado e divulgado. Indico o nosso guia, conhecedor do assunto e simpático.

Voltamos ao hotel e à noite, a chuva com raios, trovões e o coaxar de sapos nos mostrou a natureza na sua exuberância, feliz e poderosa.

Em breve, Parnaíba.

Ceará – Piauí – Viçosa do Ceará

Ceará-Piauí-Viçosa do Ceará

Hoje é dia 07 de março de 2022. Pela manhã estivemos em Ubajara e pela tarde iremos a Viçosa do Ceará, a joia da coroa da Serra da Ibiapaba. Continuamos nossa jornada entre os estados do Ceará e Piauí de carro.

Voltamos a pegar a BR-222 por Tianguá. Muitos caminhões e uma quantidade enorme da fruta jaca pelo caminho. Há falta de sinalização por aqui, ainda mais que estão fazendo a duplicação da BR, tudo muito confuso. Passamos pelo Instituto Federal campus Tianguá, cruzamos o distrito de Bom Jesus, Viçosa está a 21 km, a BR tem problemas de buracos em certos lugares. Inharim, outro distrito. As pessoas vivem com dignidade no interior.

O percurso até Viçosa dá gosto: vemos bananeiras, babaçus, fazendas, granjas, e muito verde.

Viçosa honra seu nome: tem viço: graciosa, limpa, com canteiros centrais bem cuidados e com um povo que zela pela sua cidade. Fiquei extasiada com as praças sem sujeira nenhuma e com estátuas sem pichações. De acordo com o Guia Quaro Rodas Brasil (2013), é declarada Patrimônio Nacional, não tem grande infraestrutura turística, mas é bom passeio de um dia.

Um pouco da sua história. A Wikipédia nos conta que é o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras pertencentes ao ramo Tupi, anacé, arariú e croatá do ramo Tapuia. No ano 1700, os padres jesuítas Manuel Pedroso e Ascenso Gago fundaram oficialmente “a Aldeia da Ibiapaba”, onde hoje se situa Viçosa do Ceará. Em 1759, a aldeia foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América.

Na subida à Igreja do Céu, achei a cidade parecida com Pacoti na Serra de Baturité. Lá, há um complexo com restaurante, palco de eventos, a capela Nossa Senhora das Vitórias, praça de alimentação, lojas de artesanato, a Praça Governador César Cals e o Núcleo Padre Ascenso Gago de Habilitação e Capacitação. Sem esquecer da imagem de Cristo, situada no topo da torre da Igreja do Céu.

A Praça Clóvis Beviláqua, com a estátua dele, é florida, ampla, gostosa de se estar. Lembrei do Crato no Cariri, no sul do Ceará, com a Igreja Matriz em frente à praça principal.

Na frente da praça de Viçosa se localiza a Igreja Matriz Nossa Senhora de Assunção, de cor branca, a mais antiga do Ceará, de 1695. Foi construída por índios e jesuítas. Ao seu redor, existem casas coloridas e antigas de famílias conhecidas no estado. Uma casa histórica é o Casarão dos Pinhos, pertencente ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Diz a placa que foi construída por João Pinho Pessoa em 1850. Possui 186 portas e janelas, é de propriedade da família portuguesa Pinho e foi uma das primeiras casas construídas na Vila Viçosa Real.

Mais adiante, outra praça: do General Tibúrcio. O clima sempre agradável nos leva a aproveitar cada segundo desta cidade amada. Raramente faz calor, então é um paraíso. Lembra muito o Cariri, mistura de Barbalha e Crato.

Os seus habitantes sentem orgulho de seus conterrâneos famosos. De acordo com a Wikipédia, Clóvis Beviláqua (1859-1944), jurista, legislador, filósofo, literato e historiador, é um dos responsáveis pela elaboração do Código Civil brasileiro de 1916; O general Tibúrcio (1837-1885), militar, lutou na Guerra do Paraguai; e outro viçosense ilustre é Felizardo de Pinho Pessoa Filho (1916-), político e farmacêutico.

Não poderia deixar de ir à Casa dos Licores (rua Francisco Caldas da Silveira, 155) do sr. Alfredo Miranda, atração turística, parte da Rota Mirantes da Ibiapaba. Segundo o folder da loja, Alfredo e Terezinha Nogueira Miranda (o casal) começaram a produzir e vender de forma artesanal (e para a sobrevivência da família) licores, cachaças envelhecidas, doces e biscoitos. Por muitos anos, de forma simples e hospitaleira, recebiam os visitantes na sala da sua casa. Além de provar os licores, todos eram recebidos com uma boa dose de conversas animadas, músicas e bom humor do “Velhinho do pife” como muitos costumavam se referir ao dono da casa, que tocava suas composições em uma flauta de taboca (o pife, também fabricado por ele). Para preservar a memória de seus pais, a filha mais velha Tereza Cristina Mapurunga, deu continuidade à produção e ao comércio da antiga bodega.

Quem nos atende foi a Elvira e conta que o sr. Alfredo já falecera. Lá, endoido com tantos licores, doces em barra, doces em calda, geleias, biscoitos, petas, sequilhos e bulins (tradicionais biscoitos de goma) e cachaças. O doce de jaca em calda, recomendo. São 88 sabores de licores entre frutas, ervas e especiarias. Interessante dizer que são feitos em tachos de cobre, fornalhas a lenha, forno de barro, assim como na época colonial do Brasil. Saímos com tantas compras e ainda iríamos rodar muito com eles.

Já fui a Viçosa umas duas vezes anteriormente e digo com felicidade que está cada dia mais bonita.

Toda a cidade é arrumada, com árvores podadas, uma paixão. Para mim, uma das cidades mais bonitas do Ceará. Parabéns à prefeitura, e principalmente, aos seus habitantes. Volto a dizer que este sentimento de pertencimento a uma cidade faz toda a diferença. Pretendemos voltar.

Retornamos à Vila Acarape em Tianguá para o nosso hotel no Sítio do Bosco às 17h45. Detalhe: é perigoso dirigir à noite por conta dos nevoeiros.

A Chapada da Ibiapaba merece mais informações. É localizada em nove cidades: São Benedito, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ubajara, Tianguá, Carnaubal, Viçosa do Ceará, Croatá e Ipu. As temperaturas são amenas por conta da altitude, uns 15º C. A chapada é um gigantesco paredão montanhoso com altitude média de 750 m e 200 km de extensão que fica no extremo oeste do estado do Ceará, na divisa com o estado do Piauí, servindo como marco de divisa entre os dois estados, apesar do problema da região de litígio que já dura séculos, conforme o site https://cearapraias.com.br/chapada-da-ibiapaba-turismo-ecologico-no-interior-cearense.

Dia produtivo e feliz. Em breve, Parque Nacional de Sete Cidades no Piauí.

Ceará – Piauí – Tianguá e Ubajara

Ceará – Piauí – Tianguá e Ubajara

Hoje é segunda-feira, dia 07 de março de 2022. Estamos no hotel do Sítio do Bosco Park na Vila Acarape em Tianguá. Choveu a noite toda, clima muito bom para dormir e relaxar. Geralmente há neblina pela manhã bem cedo e a partir das 18 h. Pouca gente de máscara, na verdade.

O café da manhã foi o suficiente. Gostei da omelete, estou de suéter e shorts. Do hotel para a BR-222 são 1.300 m. A campanha pela limpeza em placas na estrada é uma realidade. Na BR à esquerda vai para Fortaleza (capital do Ceará), e à direita para Teresina (capital do Piauí) e Ubajara. São 42 km para a divisa com o Piauí.

Vamos a Ubajara na Serra da Ibiapaba. Estão alargando a estrada na periferia de Tianguá, vemos muitas lojas de artesanato e restaurantes no caminho. Aliás, comprei uma rapadura de jaca, delícia. Passamos pela rodoviária, entramos no Maxi Atacadão e dobramos à direita na Av. Prefeito Jacques Nunes e seguimos reto. Entramos na cidade de Tianguá, uma beleza. Lembra o Crato (“Cratinho de açúcar”) no sul do Ceará, no Cariri.

Pelas setas, seguimos pela cidade e visualizamos praças, bancos, hospitais (São Camilo e Unimed). Limpa, agradável, com comércio forte. Vimos a igreja Matriz de Sant´Ana, amarela, linda. As ruas sem placas de nomes, pra variar.

Estamos a 15 km de Ubajara. As cidades serranas são interligadas. A gasolina muito cara lá. Fora não há indicativo do Parque Nacional de Ubajara, tem que entrar na cidade para ver as placas. Que beleza de caminho até o parque. Ubajara é outra joia.

Como o bondinho foi reinaugurado em fevereiro de 2022 e estamos na baixa estação, funciona somente de quarta a domingo momentaneamente, por isso apenas passeamos e tiramos fotos no parque. Às segundas fazem a limpeza e manutenção do espaço e aparelhos.

O Mirante Pendurado foi novidade para nós. A natureza ali é viçosa, verde, bela, os funcionários do parque acolhedores. Há também o mirante do bondinho, a infraestrutura do parque foi aumentada. Diga-se de passagem que parques nacionais são de responsabilidade do governo federal, mas o governador do Ceará Camilo Santana encampou o projeto da modernização e restauração do bondinho, afinal é uma atração turística importantíssima para o estado.

Está na placa da reinauguração do local que o Chefe do Parque Nacional de Ubajara é Gilson Luiz Souto Mota; Marcos de Castro Simanovic, o Presidente do Instituto Chico Mendes-ICMBio, e Renê de Almeida Vasconcelos, o Prefeito de Ubajara.

O bondinho leva até a gruta de Ubajara, mas pode-se ir a pé, o esforço e grande. É válido contar sobre a história da gruta. De acordo com a placa do PN, a Gruta de Ubajara se formou após a erosão e o recuo da Serra da Ibiapaba, cujos sedimentos paleozoicos se estendiam por toda a região. A caverna foi esculpida em calcário pré-cambriano há pelo menos 200 mil anos atrás. A água dissolveu o calcário por milhares de anos, formando salões e galerias, que depois foram preenchidas por estalactites e estalagmites, cortinas e outros belos espeleotemas que ornamentam o maior patrimônio espeleológico cearense: a Gruta de Ubajara. As salas são variadas: da Imagem, da Rosa, das Cortinas, dos Retratos, do Índio, dentre outras. E mais: instalado em 1975 e inaugurado em 1976, no interior do Parque Nacional de Ubajara, o equipamento teleférico é do tipo vai e vem composto por um cabo de trilho que corre em movimento alternado, possuindo a distância de aproximadamente 450 metros, com um desnível de 306 metros entre as duas estações. Por último, aparecem as regras do parque para os usuários.

Agora a respeito do Parque Nacional de Ubajara, é uma unidade de conservação federal, administrada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes para conservação da biodiversidade), criado em 30 de abril de 1959, com área de 6.288 ha., inserido no bioma caatinga com remanescentes de mata atlântica, abrange áreas dos municípios de Ubajara, Tianguá e Frecheirinhas.

Acrescentando sobre o parque: existem trilhas a pé de diversos níveis de dificuldade e percursos, e trilhas de bicicletas. Bem ricas as possibilidades de atividades. Há animais variados: macaco prego, jaguatirica, paca, mocó, quati, veado, onça-parda, sagui ou soim, tatu peba, cassaco etc. O passeio matutino valeu a pena. As casas e a região perto do parque são maravilhosas. O hotel Neblina Park ao lado do parque é promissor. Eu já fui à gruta pelo bondinho umas duas vezes anteriormente e também `a Cachoeira do Boi Morto, outra atração fora da cidade. Imperdíveis.

As praças e os canteiros com flores na cidade são uma lindeza. Dá gosto ver um lugar assim, bem cuidado e aprazível. Altamente habitável. A impressão é de que as cidades da Chapada da Ibiapaba são muito amadas e a população se identifica com elas, afinal quem ama, cuida.

Saímos de Ubajara, passamos pelo distrito Vila Tabocas, e voltamos para almoçar no bistrô do Sítio do Bosco, mesma refeição do dia anterior (filé de tilápia, risoni e molho genovese), uma vez que amamos. Antes bebemos um espumante Veuve Calendrin Brut Rosé para aquecer, o clima favorece. Que passeio convidativo.

À tarde, Viçosa do Ceará…

Ceará – Piauí – Chegada a Tianguá

Ceará – Piauí – Chegada a Tianguá

Começamos uma nova jornada de duas semanas pela Serra da Ibiapaba (Tianguá, Ubajara, Viçosa do Ceará – Ceará), Parque Nacional de Sete Cidades e Parnaíba/Luís Correia (Piauí), Camocim, Parque Nacional de Jericoacoara, Icaraizinho de Amontada e Flecheiras (Ceará). Fomos de carro com tração: o Jimny Suzuki do Carlos, afinal antevíamos muitas praias e aventuras pela frente.

Dia 06 de março de 2022. Saímos cedo pela manhã. Em Fortaleza, capital cearense, pegamos a av. Leste Oeste em direção a Caucaia (BR-222). Falta sinalização nas nossas estradas. Cruzamos Capuan, onde alcançamos a BR sentido Itapajé/Sobral. Há uma parte da rodovia feita de concreto, deve ter sido feita pelo Exército (km 25). Qualidade muito boa.

São Gonçalo do Amarante por fora, Croatá, São Luís do Curu. Seguindo para Itapajé, vemos uma pequena serra. Hoje choveu, clima mais ameno. Cadeia de montanhas verdes, bonitas. Iratinga, periferia de Itapajé, serra de Itapajé com menos elevação. Irauçuba no sertão, um dos lugares mais secos do Ceará. O arbusto ralo existente é um pasto considerado excelente para os animais. A planta xique-xique à vontade ao longo da BR. Montanhas com pedras, interessante. Muitas árvores algarobas e juremas a dar sombra. Aguentam o calor extremo. Ponte sobre o riacho Mocó seco. Mocó: tipo de preá selvagem pequeno que se alimenta de xique-xique e habita em rochedos.

Passamos por Coité. Já temos 3 h de viagem. Tudo verde, fazendas, sítios com vacas, bois e bodes. Clima nublado agradável. Forquilha, se emancipou de Sobral. Parada técnica para um café fora de Sobral, chove. Fortaleza – Sobral: 240 km. Seguimos com Aprazível, a sua feira tem 20 anos de tradição. Fecheirinhas no sopé da Chapada da Ibiapaba (Ceará – Piauí). Polo de moda íntima do Ceará. Passamos por fora da fábrica Diamante na BR. Lembrei de Nova Friburgo na serra fluminense no estado do Rio de Janeiro. Ainda tem a Excelência Lingerie.

Estamos quase em Tianguá. Natureza verdejante. Distrito de Bela Vista. Dá gosto subir a serra e vê-la tão bem preservada. Região de muito nevoeiro pelas manhãs e dias chuvosos. Estava com saudades deste clima. Recordo-me de Guaramiranga na serra de Baturité, cerca de Fortaleza. Vemos palmeiras de buriti. A Wikipédia esclarece que a Serra da Ibiapaba também é conhecida como Serra Grande, Chapada da Ibiapaba ou Cuesta da Ibiapaba. De fato, a palavra ibiapaba vem do tupi e significa “terra fundida”.

No km 306 da BR-222, entramos na Vila Acarape à direita. Tem que ficar ligado na placa. Estamos a 10 km antes da cidade de Tianguá. Às 11h30 adentramos o Sítio do Bosco Park, hotel com chalés, restaurante elegante, infraestrutura com piscinas, rampa de voo livre, cascatinha da Mata, parque com esportes radicais, trilhas, mirantes, caverna etc. Local idílico, uma delícia de clima e natureza.

Ressaca da viagem. Na entrada do parque, fazemos o pagamento da diária (uma foi de presente), fazemos o check-in e recebemos uma pulseira para entrar e sair do hotel. Quem fica hospedado, não paga a taxa de entrada. O lugar é bem frequentado pelos serranos. Aliás, a diária é R$300,00, valor justo. O piauiense é um turista muito visto por aqui. A proximidade da fronteira entre os estados Ceará e Piauí ajuda.

O chalé é dentro do complexo, perto da tirolesa e salto de voo livre. Um visual de tirar o fôlego. A árvore babaçu faz parte da paisagem. Almoço no bistrô do complexo. Filé de peixe tilápia com risoni (massa em forma de arroz, de origem italiana) e molho genovese (típico da região de Nápoles, Itália). Excelente! R$69,90 para duas pessoas.

Passeio pelo parque no nosso reconhecimento habitual. Chuviscando. Por dica do proprietário do parque, Bosco, descemos à Caverna do Morcego com escadas de pedra, um pouco íngremes às vezes. E haja joelho! A caverna é de arenito com calcário da região, vale a pena. Mostra que já foi mar a região. De acordo com o jornal Diário do Nordeste de 11/03/2017, a caverna é uma imensa rocha em forma de cogumelo, cercada por mata nativa na encosta da serra.

Depois do esforço físico, sentamos nos bancos de madeira para descansar abaixo das árvores. Ouvir os passarinhos é um luxo.

No café do parque Café e Bar, tomamos nosso lanche de jantar. Lá estava o Bosco novamente. Ele e a esposa moram em um chalé moderno e estiloso naquele paraíso. Fala baixo, é empreendedor e conhece muito da região. Ele nos indicou o Alex, guia do parque Nacional de Ubajara (88-999423051). No momento, o bondinho, recém-reinaugurado, funciona de quarta a domingo, pois estamos na baixa estação. Segundo o empresário, a população está feliz com isso e acrescentou que o governador do Ceará atendeu os pedidos pelo bondinho para a região. Só lembrando que como o parque é nacional, logo deveria ser responsabilidade do governo federal e não estadual.

Mais um pouco sobre o papo com o Bosco. Ele é autodidata em ecologia, botânica, arquitetura, são quase 20 anos em melhoria no sítio. Quando comprou o terreno, o aumentou, plantou 2.500 árvores frutíferas e nativas da região. Também disse que os índios Tapuias e Tabajaras viviam na área e que esses últimos eram guerreiros valentes os quais foram os últimos a serem “vencidos”. Os paredões da serra impediam a colonização.

Para finalizar, uma novidade no complexo. A construção de glampings, ou seja, glamour com campings. Vários chalés, estilo suíços, de arquitetura minimalista sem banheiros e com um só quarto. São casinhas pequenas fofas de se ver. Eu sou maximalista, então nem pensar. O banheiro é fora e para uso comum. Fiz isso nos meus 20 anos em albergues da juventude e achava uma diversão. Considero uma proposta atraente para quem aprecia, sem dúvida. Vai ser um sucesso.

Olhe que sou uma viajante experiente, mas confesso ter ficado impressionada com o Sítio do Bosco. Parabéns! Só tenho elogios.

Prosseguiremos com passeios pela Chapada da Ibiapaba.

Jornada no Rio Grande do Norte – Rumo a Icapuí – Ceará

Jornada no Rio Grande do Norte – Rumo a Icapuí – Ceará

Hoje é dia 21 de outubro de 2021. Estamos de saída de Galinhos no Rio Grande do Norte. O café da manhã da pousada Oásis é maravilhoso, tudo especial, os pães recheados, os bolos com pouco açúcar, os sucos e muito mais.

Do lado do mar, as pousadas são mais frescas, estão no nascente; do lado do rio Aratuá, são mais quentes, estão no poente. Galinhos, uma península com dunas, farol e uma vila de pescadores, é um lugar seguro, com pouca iluminação à noite. A vida é mansa e se tem contato com cachorros, gatos, cavalos; não tem loja de artesanato e sugiro fazerem reciclagem.

Vamos pegar o barco a R$30,00 o casal. Estavam ajeitando a plataforma de embarque e desembarque, logo descemos em um bote com as malas a fim de chegar ao barco de transporte, uma graça. O estacionamento Pratagil onde estava o carro é perto. Demos tchau ao Portal de Galinhos e rumamos à BR-406 em direção à Macau.

Logo, estávamos na estrada. No caminho, passamos por Baixa do Meio, dividida pela BR com rodoviária pequena, ajeitada com praça e canteiro central. Até Alto dos Rodrigues, ficamos impressionados com as várias estações coletoras, mais estação de vapor e centro administrativo da Petrobras. Estamos na região dos cavalos mecânicos, do oleoduto, na Estrada do Óleo.

Passamos por Ipanguaçu, capital nacional da banana. Na cidade, vendas de frutas, macaxeiras, produtos da terra nas portas das casas; limpa e organizada, a estadual RN cruza a cidade. Na entrada de Itajá pegamos a BR-304. Vimos uma olaria, fábrica de cerâmica, na rota. Passamos pela entrada de Assú. Chegamos a Mossoró e paramos em um posto para café e gasosa.

Chegamos a Tibau, que pertence a Grossos, região de salinas. O povo de Mossoró tem casa lá, muito agradável o litoral com pousadas e casas avarandadas, bem refrescantes. Tibau é árido, muito iluminado. Mais árvores, por favor! Interessante que a divisa Rio Grande do Norte/Ceará é uma rocha tipo falésia no mar, porém alguns dizem que é a partir dos bares existentes na divisa dos estados. Inusitado.

Enfim, adentramos Icapuí, já no Ceará na CE-261. O seu coqueiral é digno de fotografias. Praia de Manibu, parque eólico, Peixe Gordo (zona urbana), Melancias de Cima (mirante com o cruzeiro-zona urbana), Melancias de Baixo (zona urbana), Praia de Tremembé, Ibicuitaba (zona urbana-uma gracinha com igreja antiga), Praia de Quitérias (salinas embaixo) e Icapuí (zona urbana) aparecem no trajeto. Descobrimos uma parte da cidade mais baixa que é uma lindeza. Na av. 22 de Janeiro, entramos para a Redonda/Perobas/Ponta Grossa (CE-261).

Na linguagem indígena, Icapuí significa “canoa veloz”, por sinal. Sempre apreciei esta localidade, nos hospedamos na pousada Oh! Linda na praia da Redonda, nossa velha conhecida. Almoçamos peixe Galo Alto, com legumes e arroz. À noite, a velha canja especial deles.

Hoje é dia 22 de outubro de 2021. Último dia da nossa jornada. O café da manhã com o protocolo da COVID, gostei. Farto, no ponto. Há mais mirantes no local, é quase uma floresta de caatinga a área da pousada. Se localiza em cima de uma falésia, o visual do mar é deslumbrante. Os chalés são distantes um do outro, dão o toque de calmaria necessário. Para ir à praia, há de descer uma escadaria existente na pousada ou ir de carro. O problema é ter joelho bom para subir…

Percebi a Redonda melhor, as casas mais bem cuidadas, coloridas, muitos chalés para alugar e, finalmente, fizeram um muro de contenção à beira mar, já que o mar não cansa de avançar, estava precisando. A localidade tem altos e baixos, a caminhada é boa.

Finalizamos nossa jornada em uma das nossas praias preferidas. Dá gosto visitá-la. Que Brasil, que nordeste mais bonito!