Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Hoje é sábado, dia 22 de abril de 2023. Às 8h15 da manhã o ônibus da empresa Dreamtour veio nos buscar, o ônibus da Solybus era muito confortável. A guia Laura, parabéns a ela, demonstrou muito conhecimento. Passeio de dia todo.

Vamos passeando pelo centro de Montevidéu com prédios de estilo neoclássico, local altamente habitável. O porto tem 10 m de profundidade. Estamos na Cidade Velha pegando turistas nos hotéis. A cidade é como Fortaleza-Ceará, se dá voltas e voltas para chegar a uma rua. Notei a cidade pouco pichada, fico feliz. Pichação enfeia. Estamos na avenida General Rivera. Como é frio, não se vê gente nas varandas dos apartamentos e as janelas ficam fechadas. Cenário de inverno.

Passamos pelas Ramblas, Costanera, Beira-Mar, são 132,7 km até Punta del Este. Aliás, a terceira vez que vou. Departamento (estado): Canelones. O percurso será pela região leste, Maldonado, balneário Solís (panorâmica-Piriápolis), capela Santo Antônio, café, teleférico, Casa Pueblo-casa/museu de Carlos Paz Vilaró, Punta del Este, almoço, tempo livre.

Os bairros mais caros de Montevidéu pelos idos de 1890 eram fazendas pertencentes a famílias, como a Carrasco. Mandavam filhos varões para a Europa. Criavam vacas. Começaram a Associação Imobiliária e contrataram o arquiteto paisagista francês Carlos Thays, que desenhava jardins e praças. Do centro para lá eram 4 dias a cavalo no areal. O hotel Sofitel era o mais importante em 1944. O corpo diplomático mora em Carrasco atualmente. Também moram jogadores de futebol, é um bairro arborizado e bonito.

Até 1997 Punta del Este era campo e praia, sem planejamento. São uns 24 km do centro de Montevidéu. Em 1995, começaram a construir casas em Canelones para final de semana. Tiveram que colocar pedra ou cimento para construir em cima da areia. Não havia um plano arquitetônico em 2000/2001, sem serviço de esgoto, lixo, era caótico. Com chuvas, as casas se inundavam, virava um lago. A parte sanitária era um horror. Tudo mudou. São 5 milhões de dólares anuais até 2025 para correções e melhorias. Há manguezais na área, porém construíram um shopping center em cima, um desastre, segundo a guia.

No Uruguai o primeiro esporte “paixão nacional” é o ciclismo, o segundo futebol. Passamos por um caminho de bosques, com árvores mil e pelo portal da cidade de Salinas. No balneário Bella Vista, vemos um marzão, com casas lindas na beira mar, tudo tão tranquilo.

O uruguaio gosta mais de Piriápolis do que de Punta del Este. O Cerro (morro) de los Burros é 78% plano, são 170 m de altura, e lá criam gado bom para corte, sua carne é macia. São 21 milhões de cabeças de gado no país, há mais bicho do que gente, além da venda de gado, produzem leite.

Francisco Piria (1847-1933) era uruguaio, neto de genoveses. Ele é o responsável pela criação do balneário em 1890. Ele fica órfão de pai ainda criança e sua mãe o envia para a Itália para que seu cunhado religioso (jesuíta) se ocupe de sua formação. Foi no país que ele começou a cultivar seu amor pelas artes clássicas. Voltando ao Uruguai, trabalhava com comércio em Montevidéu. Compra terras na região de onde seria Piriápolis e aí fez história. Era empresário, alquimista, escritor e político.

A guia menciona o Cerro Pan de Azúcar e o Cerro del Inglês. O site pt.piriapolishoy.com nos conta que o cerro era originalmente chamado de Morro do Inglês, mas foi rebatizado por Francisco Piria como Morro Santo Antônio para atrair casais. Tal morro fica sobre a baía de Piriápolis com uma altura de 130 m. Rambla de los Argentinos (palavra que vem de argento (prata)).

Em Piriápolis, o calçadão é elegante, bonito de se ver, bem cuidado, não há ambulantes nem barracas de comida na praia. Aliás, de acordo com a guia, o uruguaio não “curte” praia. Está situada na costa atlântica do sul do Uruguai e tem edifícios estilo belle époque, como o Argentino Hotel Cassino & Resort. Aliás, este hotel foi fundado em 24 de dezembro de 1930. É situado na Rambla de los Argentinos e foi obra de Piria, traziam até vacas para a hospedagem no passado. O Google nos diz que a pedra fundamental da sua construção foi colocada no ano de 1920, evento no qual esteve presente o presidente Baltasar Brum. A obra foi desenhada pelo arquiteto Pedro Guichot, um francês radicado em Buenos Aires. A cidade é graciosa com casas espaçosas, parece que estamos no Mediterrâneo.

Subiremos o Cerro del Toro. O Cerro del Inglés é rico em pedra magnetita. O mar lá embaixo forma um cenário precioso. No Cerro San Antonio ou do Inglês descemos. Para quem quer um amor, deve-se dar 7 voltas ao redor da capela e fazer um pedido ao santo casamenteiro, além de pendurar o santo no pescoço, assim reza a tradição. O visual de cima é impressionante, vemos bosques e bosques. Lá está o teleférico (aerosillas). São 15 minutos de parada. Há uma cafeteria/restaurante Puerto Alto. A capela é branca com o teto azul, toda com flores artificias dentro, a imagem de santo Antônio é grande.

A guia sempre instruindo a respeito da história do Uruguai. No país não há cultura indígena, houve um genocídio do povo. Em 1965 foram encontrados cemitérios indígenas em serras perto. Yanos, Chanás, Charruas (maioria), Minuanos, dentre outros povos foram eliminados nos idos de 1830/34 por ordem de Fructuoso Rivera (1784-1854), primeiro presidente do Uruguai (foi o terceiro também), porque lutavam pelas suas terras. Só 5 sobreviveram, fugiram para o sul, porém 3 homens, uma mulher e um bebê recém-nascido foram capturados e levados para a França onde foram expostos no zoológico (ou como atração circense). Eram considerados “povos exóticos”. Eles morreram dentro de poucos anos de fome e doenças infecciosas. Detalhe: foram pegos por um escravagista francês. Os restos mortais do cacique Charrua foram trazidos da França. Ver mais no museu de Arte Pré-colombiana e Indígena do Uruguai na rua 25 de Maio na Cidade Velha. Antigamente não se contava a real história sobre os povos originários. Trabalhavam com cerâmica, com a terra, eram caçadores e coletores.

O aeroporto mais próximo de Piriápolis é o de Punta del Este. Interessante dizer que os cantores Roberto Carlos e Shakira são frequentadores.

Vamos à famosa Casapueblo, do artista plástico Carlos Páez Vilaró (1923-2014), imperdível de tão original. Ele foi ceramista, escultor, muralista, empresário, pintor, compositor etc. Nasceu em Montevidéu, morou em Buenos Aires-Argentina nos anos de 1935/1940. Lá participou da vida boêmia e descobriu um mundo diferente da sua classe média familiar. Em Montevidéu, viveu em cortiços e se misturou com estrangeiros, teve contato com a filosofia de vida “candomble” da cultura negra. Ele se apaixonou por essa cultura, rodou o mundo para encontrar as raízes do povo que fora dizimado no Uruguai, percorreu toda a África e morou no Senegal. Viveu também na Espanha em Málaga, onde conheceu Gaudí e Picasso, que foi professor de Vilaró. No Brasil, travou amizade com Vinícius de Moraes, vemos fotos dos dois. Em 1972, seu filho sofreu acidente de avião na Cordilheira dos Andes, esteve entre os 3 sobreviventes, foram 70 dias de fé. Também há fotografias sobre isso e recortes de jornal.

A Casapueblo é toda branca e parece aquelas casas da Grécia no Mediterrâneo, e também as do arquiteto Gaudí em Barcelona-Espanha, dividida em várias partes. As obras de Vilaró são únicas e percebe-se claramente a influência africana. As cores têm um significado total para ele. Eu amo! Toda vez que for, irei à Casapueblo, também museu, e a cada vez surge um conhecimento novo. Desta vez percebi o seu amor por gatos, são várias telas com os bichanos. Identificação total eu senti: cores e gatos. Ali vale passar mais tempo, como sempre vou em excursão, o tempo é limitado.

Mais um pouco sobre tão charmosa casa. No museu tem o histórico: em 1958, Vilaró chegou a Punta Ballena e o lugar o encantou. A desolação da paisagem, sem árvores ou caminhos traçados, sem luz e sem água não frearam seu projeto de construir seu estúdio definitivo de frente para o mar. Inicialmente, ergueu uma pequena casa de lata, onde armazenou portas, velhas, janelas e materiais para a obra de sua futura casa. Logo, com a ajuda de amigos e pescadores criou La Pionera, seu primeiro ateliê de madeira. Mais tarde começou a cobri-la com cimento e a modelá-la com as mãos, como uma escultura, sempre incrustando nas paredes objetos trazidos de suas viagens, e destinando lugares especiais para suas lembranças. Casapueblo continuou crescendo, habitações foram se juntando como vagões a uma locomotiva. Muitas delas construídas quando se anunciava a chegada de amigos que vinham de longe para passar uma temporada nessa casa que provocava tanta curiosidade. Foi assim que se converteu em um ícone do lugar, ponto obrigatório de artistas, colecionadores, personalidades, pesquisadores, estudantes de arquitetura e viajantes andarilhos.

Em breve, Punta del Este, um pedaço do paraíso.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Granja Arenas e ida à Colônia do Sacramento

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Granja Arenas e ida à Colônia do Sacramento

Hoje é quinta-feira, dia 20 de abril de 2023. Pagamos US$ 59 (dólares), ou seja, R$325,00 à época para visitar a cidade colonial Colônia do Sacramento em um bate e volta de Montevidéu. A guia da empresa Ventas se chama Marcela e o motorista Paulo, o ônibus é grande e confortável e nos pegam no hotel América (Rio Negro, 1330) às 9 h da manhã. Já conhecemos Colônia, mas queríamos ir de excursão, pra mim uma novidade. Pelo valor pago, vemos como tudo encareceu no país.

Estamos no outono, quando faz sol, o clima melhora. Fico alérgica com a umidade do frio. Segundo a guia, o Uruguai é um país plano, existe um cerro (colina) em Montevidéu, mas é baixo. 30% da população vive na capital. O nome “Montevidéu” tem origem nos dizeres “eu vi o monte”. Montevidéu é a capital da República Oriental do Uruguai e também departamento, ou seja, estado, onde moram 45% da população do país. Não há petróleo no oceano Atlântico ao seu lado, mas há refinaria. Menor país da América do Sul. O processo fundacional de Montevidéu tem a ver com o controle da entrada do porto.

Uruguai significa “pássaro pintado” na língua guarani. O Rio de la Plata (rio da Prata) é fundamental para o país. Seguimos nosso percurso até Colônia do Sacramento. Estamos na Ruta Nacional Manoel Oribes (militar importante), número 1, que vai até Colônia.

A Marcela acrescenta que a avenida 18 de Julho, principal avenida em Montevidéu, nasce no centro e finaliza na estação rodoviária Tres Cruces, lembra a data da primeira Constituição com princípios da Revolução Francesa. Na Cidade Velha, vivem 15 % da população. São Felipe e São Tiago são os santos padroeiros. A Catedral é a igreja mais destacada do país. Na Peatonal Sarandi há cafeterias, restaurantes, lojas etc e na Ciudad Vieja também se encontra a parte administrativa do governo.

Estamos na área rural, com 15% da população, descendentes de espanhóis. Vemos árvores frutíferas, ovelhas, porcos, galinhas, ervas aromáticas etc. No departamento de São José há 250 mil habitantes, descendentes de espanhóis (maragatos) e italianos. Passamos por fábricas. No rio Santa Lúcia testemunhamos atividades náuticas. A água potável de Montevidéu vem de Águas Corrientes, uma cidade pequena no departamento de Canelones. O rio da Prata origina várias praias.

Há um morro no caminho de 42 m de altitude, usado para a plantação de uvas pretas, fruto da imigração italiana. O vinho de hoje foi a decisão do passado: a uva Tannat que era do sul da França foi plantada no Uruguai com apoio do governo, aí a desenvolveram com a ajuda de franceses e italianos. Aliás, 14 de abril é o dia do Tannat, em homenagem ao imigrante basco-francês Pascoal Harriague. Existem vinícolas reconhecidas: a Bouza, Juanico, H. Stagnari, dentre outras. O Tannat é orgulho nacional. Diga-se de passagem, com merecimento.

Na praia Pascoal, há teatro e mercado de artesanato. São José é produtor de cenoura, batata, espinafre, frutas e criação de vacas, sendo o segundo maior produtor nacional de leite. Eucaliptos foram trazidos da Austrália para proteger as plantações, uma barreira natural. No verão, o clima é de 22º a 32° C e no inverno, de 6º a 11°C.

No passeio, vamos conhecer Granja Arenas (sobrenome da família), um estabelecimento de campo com a criação de animais: cabras, vacas, ovelhas e plantação de legumes. De 1949 até hoje se dedicam a árvores frutíferas. São descendentes de suíços, a casa tem mais de 120 anos e uma parte é museu. A coleção de máquinas fotográficas, cinzeiros, canecas, caixas de fósforos, frascos de perfumes (da esposa), chaveiros, lápis, dentre outros torna o Museu do Lápis algo único. O negócio está na quinta geração. Curioso é o lápis exposto no qual Emílio Arenas, o fundador, foi recebido por Faber Castel na Alemanha há 76 anos. A coleção começou em 1955, só para ter ideia, só de chaveiros são 46 mil, expostos 19 mil. De lápis, são 24 mil. Cinzeiros, 4.500, vidros de perfume, 4900 e por aí vai. Incrível. A caixa registradora pertenceu à loja Tiendas London em Paris. A coleção de chaveiros e lápis está presente no Livro dos Recordes.

Também há a loja grande para degustação de doces e geleias de sabores originais: mate, frutas da floresta, mirtilo, beterraba, morango, cebola etc. Melhor doce de leite da região de Colônia (receita suíça) e queijos. Saí da loja com gostosuras, como não comprar? Só felicidade. Ainda funciona um restaurante e espaço para aluguel de eventos.

As regiões de São José e Colônia têm muito vento. No país usam energia eólica, solar e hidrelétrica (principalmente no rio Uruguai). Ao sul de Colônia se encontra o Departamento de Soriano. Em 1624, Soriano foi a primeira colônia estabelecida pelos espanhóis, depois foi Colônia do Sacramento em 1680 pelos portugueses.

No morro São João (450 m de altura), criam 70% das vacas do país, são de cor preta e dão as melhores carnes. Na Colônia Suíça, há criação de cabras alpinas e produção de leite. A grama tem qualidade, por isso ser o principal produtor de leite. Interessante que plantam girassóis onde há vacas. Elas recebem a vitamina K3 das batatas que comem. Também há a plantação de alfafa e milho.

Em Colônia, descendentes de imigrantes italianos e suíços produzem queijo: 1 kilo necessita de 10 litros de leite. O queijo semiduro parece um parmesão. Verduras, legumes, abóbora, cenoura e azeitonas, com condições ótimas para o terroir da produção de azeite que acumula prêmios internacionais. A uva também se beneficia da terra, são as melhores condições para a produção de vinho.

A guia explicita o que podemos ver em Colônia do Sacramento: Bairro Real (hotel Real San Carlos), Praça de Touros, placa de Colônia-início do bairro histórico, portal, Rua dos Suspiros (Patrimônio Histórico da Humanidade em 1995), Praça Maior 25 de Maio, ruínas do convento de São Francisco, Basílica do Santíssimo Sacramento (estilo neoclássico português), Farol, três ilhas, rio da Prata, 52 km até Buenos Aires-Argentina. Museu Português e outros. Lojas, praça estilo antigo. O restaurante do almoço sugerido se chama Viejo Barrio Restaurante and Bar (rua Vasconcellos, 169)e serve massas e peixes, se encontra dentro do bairro histórico. Detalhe: a gente paga, não está incluído. Serão 3 horas livres na cidade.

Para se ter ideia dos preços: um expresso R$12,00, água de garrafinha R$ 6,00 e uma coca cola R$12,00, bom se preparar financeiramente. A temperatura ótima: 17°C.

35 % das divisas do país vêm do turismo em Colônia do Sacramento, turistas visitam o ano todo. De abril a novembro há eventos e congressos. As palmeiras francesas na entrada da cidade foram trazidas direto das Ilhas Canárias e fazem parte do Patrimônio Artístico.

Continuaremos com a cidade de Colônia do Sacramento. Muito a contar.

Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras

Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras

Hoje é sábado, dia 19 de março de 2022. Indo embora de Icaraí de Amontada, mas antes um café da manhã com pão caseiro recheado de chocolate. Ficarei sonhando com o café da manhã da pousada Vila Icaraí. Só me repetindo que ter os donos cuidando do próprio negócio faz toda a diferença, gosto de hospedagens pessoais.

Conhecemos o Icaraizinho há uns bons 12 anos atrás. A estrada era de piçarra, hoje é asfalto e dizem que por causa das usinas eólicas e não por conta da população. A entrada e saída de Icaraí têm uns quebra-molas altos, um espanto. Uns 25 km até a Sol Poente (CE-085), os buracos na estrada são uma vergonha.

A cidade de Trairi a 68 km. Estamos na Rodovia Dr. Waldemar Alcântara. Falta equipe de manutenção de placas grandes de sinalização com nomes dos lugares e quilometragens. Se queremos ter um turismo internacional, temos muito a melhorar.

Passamos por Angelim, localidade com placas de energia solar (para colocar o motor de caixas de água par funcionar). Depois, Curralinho e Canaã, localidade onde haveria uma missa a São José naquele mesmo dia 19 de março, feriado. Eis o padroeiro do estado do Ceará. Diz a tradição que se chover na data, haverá um inverno bom.

Trairi à direita, as praias de Mundaú e Flecheiras à esquerda. Mais perto, Flecheiras à direita e Mundaú e Emboaca à esquerda. Estamos a 2 km de Flecheiras e 7 km de Guajiru. Praias fantásticas.

Usinas eólicas nas dunas e cheio de novidades em termos de construções. A cada dia Flecheiras muda. Chegamos em 1 h e meia de Icaraizinho. Encontramos os cariocas de ontem, estão encantados com o passeio.

Não tínhamos pousada definida, fomos na aventura. Encontramos vaga na pousada Vira Sol (com Rafaela) na Rua da Praia, 942. São dois prédios, um olhando para o mar. O restaurante da pousada é uma praticidade e gostei da localização com plantas facilitando a discrição dos quartos embaixo.

Algo especial da praia é o banho de mar de água “quente” nas piscinas em frente à pousada. Após o banho, almoço no restaurante da pousada: peixe Galo Alto grelhado, legumes salteados, arroz e farofa. Por R$ 92,00. Comida de beira de praia geralmente é boa. O garçom Batista é atencioso.

À tarde, sorvete Pardal de cajá e graviola na Sorveteria da Lya. Tudo se faz a pé, Flecheiras é pequena. Bem cuidada, é uma das minhas praias preferidas, só não quero muitas construções a fim de não perder o charme. No centrinho, há bloquete, estavam colocando da sorveteria até a igreja de São Pedro. Sempre apreciei caminhar pelo calçadão que se estende pelo litoral. Revemos pousadas conhecidas nas quais já nos hospedamos: O Paiva, Casa do Alemão, The Red House etc. O Paiva tem restaurante muito bom e agora uma Casa de Crepes e Waffles com sabores exóticos, promete. E existe um músico no calçadão em frente tocando sax, chique! Perto da pracinha no centro, há a pousada Ubaia, nossa velha conhecida.

Vamos às novidades no centrinho, a padaria fechou (que pena! A gente jantava lá), mas há supermercado, lojas, pizzarias e restaurantes novos.

Percebi o mar subindo mais. Incrível. O passeio no sábado à noite é uma delícia. Sempre bom reencontrar uma ex-vizinha minha aqui de Fortaleza, Amanda, que mora em Flecheiras com a família. Sua loja Mandarina e a hamburgueria do marido (espanhol) ao lado fazem parte do cotidiano. Bom papo.

Vi placas de campanha pela limpeza na praia e contra paredão de som. Porém, penso que a prefeitura de Trairi deveria ter um pelotão de limpeza de praias fixo, eu vivo recolhendo lixo reciclável. Vamos combinar… limpeza é básico. O calçadão com pedras quebradas há de melhorar. Flecheiras está com muito mais gente, festas e barulho. Para quem gosta de ouvir o som do mar, fica sem opções. O jeito é ir durante a semana.

Dia 20 de março de 2022. O café da manhã básico. Muitas pessoas viajando, pelo visto. Gostei do quarto da pousada com varanda com aquele visual praiano inigualável, dia ensolarado, lindo. O chuveiro foi o melhor até agora. A base de preço na baixa estação é de R$300,00/350,00 a diária. Muitos ônibus com turistas do tipo ida e volta no mesmo dia.

Ao partir de Flecheiras, decidimos dar uma passada na praia de Mundaú, nossa querida, mais calma e tão atrativa quanto Flecheiras para um final de semana. Existe uma APA (Área de Preservação Ambiental) do estuário do rio Mundaú. Na ida, cruzamos a praia de Emboaca, certa vez comemos uma lagosta lá. Em Mundaú, revimos a localidade com suas casas de pescadores e de moradores e fomos até o porto de onde saem os barcos de passeios. Voltaremos, vale a pena.

Fim de viagem. Mais uma jornada por este nosso nordeste brasileiro tão bonito e com tantas variedades de cenários. Passamos por chapada, cidades serranas, parques nacionais, praias, cidades litorâneas, enfim, por muita beleza.

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e Moitas

Ceará-Piauí-Icaraizinho de Amontada e Moitas

Hoje é dia 17 de março de 2022. Estamos na pousada Vila do Icaraí. O café da manhã é saudável: pães caseiros, brioches, frutas, sucos, o usual “gostoso”. Estar juntos com os donos Isabela e João faz a diferença na hospedagem. Interessante que no banheiro do quarto há uma claraboia que ajuda na iluminação natural. Não chove no momento, ainda bem, estamos no período chuvoso. Informe importante: cuidado com o gato Mingau da pousada. Muda de humor de uma hora para a outra.

Vamos passear. Na beira mar, a gente via a bela enseada com coqueiros. Hoje, está coberta por pousadas que foram construídas, aí para ver o mar tem que adentrar as ruelas que dão para a praia, uma lástima. Temo que construam tanto que o Icaraí perca seu charme único, original, bucólico.

A ideia é conhecer a praia de Moitas, distante 6 km. Estamos de carro. A placa indicativa se encontra dentro do Icaraizinho. Tem que prestar a atenção. A estrada é no bloquete, passa-se por usinas eólicas. Calçamento e areia, entramos no local bem falado ultimamente. Fomos atrás de saber mais sobre os passeios de barco no rio Aracatiaçu. A Associação dos Moradores Nativos de Moitas é responsável. O passeio no túnel, a Ilha das Ostras, os igarapés, dizem que vale a pena, estamos curiosos. Há três portos pelo rio, conversamos com o Evandro do Porto Redeão. Fone: 88-981040748. O passeio só sai com a maré alta. E detalhe: duas pessoas por R$150,00. Não tem sinalização para a praia, só vai perguntando, o lugar é espraiado, mais remoto, não tem o movimento de Icaraí. Até carro de boi vimos.

Foi difícil chegar à Barraca da Queila pela falta de sinalização, mas chegamos. Simples, rústica. Há outras barracas à beira mar. O mar é calmo, bonito, fomos caminhando até a barra do rio. Apesar de muito seco, encontramos um ponto de apoio com mesas e bancos de madeira do lado do mar, sem uma viva alma. De longe, vimos um porto com barcos. Na volta, almoçamos na Queila: peixe guarajuba, baião de dois, farofa e molho vinagrete. Nada mais litoral. Comida boa, gostei. Foi boa a dica que nos deram.

Depois do almoço, banho de mar com marolas (pequenas ondas). Praia diferente, há muita gente de Fortaleza que vai direto a Moitas e lá fica. É outro mundo, muito mais tranquilo. Achei a praia parecida com a da Redonda de Icapuí, com o visual dos barcos de pescadores no horizonte. Um cartão-postal.

Retornamos a Icaraizinho (nome carinhoso, aliás) e vamos andar na praia. O entardecer é magnífico, de uma beleza única. As fotos ficam poéticas, surfistas pegam ondas e um professor ensina seus alunos mirins na própria praia, a vida cotidiana da vila. Gente de sorte, não sabem o que é a correria de uma cidade grande. Detalhe: em região de mangue, existe um pernilongo denominado de “mutuca”. Pega a gente sem dó nem piedade, por isso a necessidade de repelente.

Para o jantar, mais empanadas do argentino Martin no “La Juanita” no Saint German Wind Residence, amo! Batemos altos papos com ele. Mora em Icaraizinho. Eu não vejo a hora de chegar a Fortaleza. Empanadas, tudo de bom. Já o suco foi na Casa da Pedra, pois no Martin só tinha refrigerante. A garçonete Nena nos atende novamente. Sugestão da Nena: conhecer a praia de Caetanos de Baixo (onde existe a Bica do Pote, literalmente, uma bica natural que sai de um pote, mas que refresca o visitante acalorado) e de Cima (onde estão os Lençóis: com dunas, lagoas, mar verde azulado), perto de Icaraí. Valeu! No final, fica para a próxima…

Decidimos passar mais um dia em Icaraí, afinal queremos fazer o passeio de barco no mangue com mutucas e repelentes… Depois conto mais.

Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada

Ceará-Piauí-de Jericoacoara a Icaraizinho de Amontada

Hoje é dia 16 de março de 2022 e é hora de partir de Jeri. Mas antes tenho algo a dizer. É opinião de moradores que o parque nacional deveria ser privatizado, uma vez que prefeitura e estado não dão conta. Faltam lixeiras e gente para recolher o lixo. As pousadas querem assumir o parque, mas não podem. No final, são os donos das pousadas que cuidam do lixo. Não está certo, pois se paga a entrada e a do carro no estacionamento e entra muito dinheiro. Espero que resolvam isso.

Importante ressaltar que a origem do nome de Jericoacoara é tupi-guarani, significa “buraco das tartarugas”, pelo fato de a praia ser lugar de desova das tartarugas (em www.portaljericoacoara.com.br).

Saímos da pousada, prestes a ir embora. O Carlos pegou o carro no estacionamento, foi de jardineira, porém demorou muito para retornar. Entre 9 h e 10h30, o movimento é grande de transportes de turistas. E detalhe: estava chovendo, logo a rua de areia vira poças de água. Enfim, vamos embora pela praia em direção à praia do Preá. Que aventura! Estamos em um veículo tracionado, tem que ser.

Passamos por dunas, devemos seguir o balizamento, Há uma barra de rio muito forte pelo caminho. Há o perigo de atalhos, por causa de cascalhos e areias traiçoeiras, uau! Tração máxima, adrenalina mil. Prosseguimos pela trilha de areia atrás de uma Hilux e chegamos ao Preá. Rochas na praia. Vida de Indiana Jones.

A vila do Preá é o “point” dos kitesurfistas, com pousadas charmosas ao longo da praia. O local é mais calmo que Jeri. Quem não gosta de fuzuê, fica lá. Faz parte da prefeitura de Cruz. Segundo o Carlos, mudou muito, hoje tem construções mil, um futuro shopping center, restaurantes, lojas etc, em suma, crescendo. Maior do que eu imaginava. A vila é uma gracinha, promete. Detalhe: a Lagoa Azul, que é a continuação da Lagoa do Paraíso em Jeri, se localiza no Preá.

Estamos na CE-182-Rodovia Manoel Raimundo de Medeiros. Passamos pelo distrito de Caiçara. A Lagoa da Jijoca é Área de Proteção Ambiental (APA). Mais 5 km, Lagoa Azul. Em frente, Itarema, Cruz e Fortaleza. O aeroporto é por aqui. Cajueirinho, Aranaú e Lagoa Salgada à esquerda, Cruz (5 km) e Acaraú (13 km) em frente. Nesta região chove bastante, porque toda a costa é verde. Estamos na BR-403, km1.

Entramos em Acaraú, município. Praça do Lazer da Bailarina, entreposto de pesca, adentramos a cidade, limpa, com sinalização, ótimo. Um motoqueiro gente boa nos levou ao caminho de saída, que gentil. Av. Nicodemos Araújo. Rumo a Itarema (16 km). Vemos muitos coqueiros.

O distrito de Juritianha (de Acaraú), cuja paróquia é de Santa Rita de Cássia, nos recebe. Bem arrumadinho. Rua de bloquete. As praias: Espraiado e Volta do Rio. Itarema a 8 km.

Entramos em Itarema no calçamento, passamos pela sede do município. Muitos coqueiros pela estrada. Paramos em um restaurante de estrada Campo Verde, vizinho a um posto de gasolina, para almoçar em Itarema. Comida simples e boa no quilo a R$17,00. Gostei.

A região é verde, bonita de se ver. Icaraí à esquerda, o município de Amontada à direita. A estrada era de piçarra da braba, quando fomos as primeiras vezes conhecer o paraíso. Hoje, asfalto. Chegamos cedo da tarde. Era uma vila de pescadores e ainda é rústica de certa forma, pois não tem caixa de banco ou banco, as operadoras de telefonia são limitadas e por aí vai. A 190 km de Fortaleza, está na Rota do Sol Poente (litoral oeste).

Nos dirigimos à pousada Vila do Icaraí, situada à rua Joaquim Alves Parente, 702 (paga pelo sistema Bancorbras). A coincidência é ser do João (e da Isabela), irmão do Gabriel que já foi chef do restaurante da pousada Hibisco na mesma praia. Hoje, ele é chef do Mandacaru em Pontal de Maceió. Estivemos lá.

Gostei do chalé. A segunda pousada que conheço a ter estendedor de roupas para os hóspedes, acreditem, fundamental para quem vai à praia e tem roupas molhadas. Genial! Amei. Mais, cabides, estantes para malas, lixeira no quarto de cipó, porta-copos nos dois criados-mudos, enfim o conforto para o hóspede pensado em detalhes. Parabéns!

Sempre que íamos a Icaraizinho, ficávamos na pousada Saravá (em frente àpousada Hibisco), atualmente comprada pelo grupo hoteleiro Carmel. Doces lembranças dos queridos Jean Pierre (francês) e Vilma (São Paulo) que moravam na casa no primeiro andar e cuidavam dos hóspedes no térreo. Degustamos muita ostra com vinho branco embaixo do coqueiral. Foram embora para a França, segundo soube, e por motivo de doença, se não jamais teriam deixado lugar tão inebriante. Essas mudanças mexem comigo negativamente, serão casas que faziam parte da paisagem a serem destruídas, uma tristeza. Empreendimentos grandes estão pipocando em todo o litoral do Ceará. Eu gosto mais do simples, natural, original.

Seguimos a rua do colégio, a nossa pousada fica na rua Joaquim Alves Parente, engraçado que existe a rua Pedro Alves Parente. A praça dos Navegantes, onde se situa a igreja (amarela) Nossa Senhora dos Navegantes, é limpa e agradável. Local dos jovens se encontrarem. Boas memórias de sentar na praça à noite e ver o tempo passar. Quase 20 anos sem ir lá. Mudou bastante, muitas construções de pousadas. Para se ter ideia, a gente via o mar com a sua beleza quando sentados na praça, hoje não. Há hotéis ao longo da orla, acabou o visual.

Paramos na Casa de Pedra (rua João de Castro, 2156) para um café. Perto da pracinha, sempre foi boa em termos de lanches. Descobrimos uma loja de empanadas argentinas, filial da de Cumbuco ali perto. Amamos empanadas.

Mais tarde, jantar de crepes de frango e marguerita para nós na Casa de Pedra. Depois, sorvete de chocolate amargo, delícia. Chove. A simpática garçonete Nena foi aluna da Vilma. Ela era professora de matemática da escola pública. Mundo pequeno.

Continuaremos com Icaraizinho. Há muito a oferecer em temos de passeios de barco, bugre e esportes como o kitesurfe. Tem opções de pousadas. São charmosas e a maioria é gerenciada por franceses. Come-se bem. Eis uma praia encantadora.

Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

Ceará-Piauí-Camocim rumo a Jericoacoara

Hoje é dia 14 de março de 2022. Em Camocim a Beira Mar está repleta de pescadores, o cheiro de peixes e algas é grande.

Um pouco sobre a cidade, segundo a Wikipédia. A antiga vila de Camocim foi fundada em 29 de fevereiro de 1879 e a cidade foi emancipada de Granja em 17 de agosto de 1889. Antes do séc. XVI, o território era ocupado por povos indígenas, tais como Tabajaras, Tremembés, Jenipaboaçus e Cambidas. Camocim vem do tupi-guarani e significa “buraco ou pote para enterrar defunto” (de acordo com Silveira Bueno e Gonçalves Dias). A construção de uma ferrovia na região foi fundamental para o desenvolvimento da então vila e região no séc. XIX. O ramal da Estrada de Ferro de Sobral até Camocim foi fechado em 1977, sob protestos, pertencia desde 1910 `a empresa The South American Railway Construction Limited.

O site http://www.camocim.ce.gov.br nos diz que um camocinense importante foi Pinto Martins, aviador. Há muito potencial turístico nos seus 60 km de praias. A Praia do Maceió e a Ilha da Testa Branca ou Ilha do Amor, do outro lado do rio Coreaú, são promulgadas Áreas de Proteção Ambiental (APA). O píer flutuante, para embarque e desembarque de passageiros que utilizam as lanchas de turismo ou de transporte para as comunidades interioranas, virou atração turística, uma vez que ver o nascer do sol e a lua cheia de lá é impactante. Outro ponto marcante é o Estuário do Rio Coreaú, reserva natural com manguezais, flora e fauna da região, habitat de garças azuis, caranguejos e aves marinhas.

Até logo, Camocim, voltaremos. Uma paixão! Saímos do hotel, sem a ajuda de atendentes. Saímos pela Rua da Independência, estamos no centrão, a pracinha do coreto é uma delícia de tranquilidade. Pegamos o caminho em direção a Granja, que passamos por fora. Parazinho a 20 km. Bem sinalizado. Pegamos a Sol Poente (CE-085). Jijoca em frente, Parazinho à direita. Eram distritos de Granja, hoje emancipados.

Ainda fora do município de Jijoca, contratamos um motoqueiro-guia para nos levar ao Parque Nacional de Jericoacoara. Isso é obrigatório, mas o valor é negociável, cobrou R$60,00. Sai na frente e nós atrás de carro. O Mangue Seco à esquerda, a Lagoa do Paraíso em frente. Estamos na APA de Jericoacoara. Mais uns 20 km chegamos a Jeri, como é carinhosamente conhecida. Vemos pousadas mil, além de restaurantes pelo caminho, estamos em asfalto, piçarra, dunas, uma aventura, bom para carro tracionado. O tempo é invernoso, então são poças e poças de água que cruzamos, altos e baixos, bem Indiana Jones. Tudo verde, passamos pela Lagoa do Paraíso, muito movimento de bugres, motos e carros. Impressionante. Eu diria que o percurso é difícil, tremeluzente, a gente pula dentro do carro, mas é inusitado. As trilhas de areia de dunas e o túnel de cajueiros não têm igual. Que jornada!

Interessante mencionar que conheci Jeri em 1987, era um deslumbre, nem luz tinha. Fui com uma conhecida que topou a viagem de ônibus comum: Fortaleza-Jijoca, 40 paradas, saímos às 8 h e só chegamos a Jeri às 17 h. De Jijoca a Jeri foi no velho pau de arara ou jardineira, uma hora passando por dunas e sacolejando muito. Que máximo! O banho era de poço, meu cabelo ficou um espanto, pois a água era salobra. Boas lembranças… e o forró? A Gente ia de lamparina feita de garrafa pet e vela dentro. Dançava, se divertia, eu nunca havia visto tantos estrangeiros em um só lugar. Jeri sempre foi fascinante. A natureza bela, única, a vila com cachorros soltos e porcos. Era pequena e toda na areia. Andamos de jangada pela manhã, a gente dava conta da vila bem rapidinho, era uma vida lenta, tranquila. Ah! A gente se hospedou na casa de uma nativa. Era outro mundo. Depois voltei nos anos 90, já tinha luz e mais pousadas. Muito divertida, ainda com o forró e muita festa.

Agora em 2022, revejo Jeri e percebo o quanto mudou. Radicalmente. Para começar, existe o aeroporto que trouxe muita gente de fora do Ceará, principalmente, de São Paulo. Em pleno março, na estação das chuvas e Jeri lotada.

Na entrada do Parque Nacional de Jericoacoara há um quiosque onde se pagam as diárias, as pessoas acima de 60, não precisam pagar. A primeira via é do hotel e a segunda, do turista: R$30,00 até 7 dias. Para quem vem de carro tracionado, o estacionamento pago, de R$40,00 a diária, é fora da vila; para quem vem sem carro com tração, o estacionamento é em Jijoca e aí se pega o transporte. No passado, caminhão jardineira; hoje, HILUX com bancos atrás. Quem tem mais de 60 anos, pode ser levado ao hotel no seu próprio carro, porém depois tem que trazer o veículo de volta ao local estipulado. A ADEJERI (Autarquia de Jeri) é responsável por tudo isso.

Enfim, cansados, adentramos o hotel Recanto do Barão, Rua do Forró, 433 (pago pelo sistema Bancorbras). Como só podemos entrar no quarto às 13 h, o Carlos foi deixar o carro no estacionamento e voltou de jardineira própria do local. O hotel repleto de hóspedes, Jeri é sempre um “point”. Na recepção, o goiano Alexandre é solícito e simpático. Nos indicou o Restaurante do Bigode, na mesma rua, ali perto. Menu: um pargo na brasa, com arroz, feijão preto, farofa e macaxeira, foi bem farto. Oferecem suco de graça ou duas caipirinhas. A fome ajuda… O preço do almoço custou R$140,80. Digno de nota dizer que feijão preto é muito apreciado em outras praias do Ceará, como Canoa Quebrada e Icaraizinho de Amontada. Sempre achei interessante.

A vila é um charme, com muitas opções de restaurantes, lojas, cantinhos, cafés, pizzarias etc. Música por todos os lados, gente alegre, a felicidade no ar. Eu fiquei deslumbrada! O calor está intenso, pega fogo. A vila ainda é na areia, dá para entender o motivo pelo qual atrai tanta gente. O lugar é vivo, ferve de tanta atividade.

À tardinha, passeio pela vila. Sorvete no Gelato & Grano, bancos em botijões de leite, original. Vi pousadas antigas, conhecidas minhas, como a Matusa, Hippopotamus, Capitão Thomaz. A pracinha principal é uma lindeza, os becos e detalhes também. Entrei para conhecer a Loja Mundo Jeri, da Associação das Crocheteiras, na rua Principal, s/n. Comprei chapéu e colares de croche, vi maravilhas.

Rumamos à praia, mar calmo, de cor escura, sempre foi assim, era mais distante, hoje se aproximou. A duna do pôr do sol diminuiu muito. Chocante presenciar tal destruição. Era muito alta, lembro que a gente subia todas as tardes e ficava com as canelas doendo, uma lástima estar desaparecendo.

No fim da tarde, há muita gente na praia. Ao sair da Rua Principal, já se está na praia. Carrinhos de bebidas, gente jogando vôlei, comendo, curtindo o visual. Alguns restaurantes chamam a atenção: o Mosquito Blue Restaurant &Wine Bar e o Bar e Restaurante Sol. Transados, bonitos entre coqueiros e árvores outras. O Carlos tomou banho de mar, eu fiquei observando o movimento ao redor e tirando fotos. Há um clima de liberdade diferente. O forró pé de serra propagandeado é ali na praia mesmo, no meio dos carrinhos de bebidas. O antigo forró, infelizmente, não existe mais, é um restaurante atualmente.

Bom dizer que se recicla o lixo no Parque Nacional. Subimos na duna e nos deliciamos com as belezas de Jeri.

Retornamos ao hotel. Comentário: sempre me pergunto em um local praiano como não existe lugar no quarto para as roupas molhadas? Para o jantar, algo simples na Padaria Central Jeri: misto quente (sanduíche de queijo e presunto na chapa) e suco de laranja. Local cheio, em uma segunda-feira, incrível!

Eis Jericoacoara, com tantas opções de comida e lazer que fica difícil decidir. É um caso de amor. A loja Americanas Express, na Rua do Forró, se situa em uma casa linda, de placas de madeira. Jeri é autêntica, única, limpa. Não se usa saco plástico, a sacola dada é de papel. A Natureza agradece.

Continuaremos com Jericoacoara em breve.

Ceará-Piauí-De Luís Correia a Camocim

Ceará-Piauí- De Luís Correia a Camocim

Hoje é 12 de março de 2022 e o dia é de viagem de carro de Luís Correia no Piauí a Camocim no Ceará.

O Carlos e eu vamos pela praia de Macapá em Luís Correia no trajeto da Rodovia Litorânea (PI-117), estrada sem sinalização. Tenho visto muito cachorro de rua. Passamos por muitos condomínios de casas sendo construídos, colônias de férias como a do SESC. Ao longo das estradas, jumentos soltos.

Seguimos por Macapá, o cheiro do marmeleiro está no ar. Tudo é verde, mangue com arbustos médios para altos. Cruzamos o povoado de Carapebas. Mais animais soltos na estrada: cães, vacas e jumentos.

Lá vem o povoado de Camurupim e depois Cajueiro da Praia, Barra Grande e Barrinha. No caminho uma placa convidando para conhecer a árvore Carnaúba da Cobra Encantada.

Entramos em Barra Grande, queríamos conhecer, por ser comentada e por quase termos ficado lá. A chuva deixou as ruas de areia encharcadas, mas deu para perceber ser uma pequena Jericoacoara. Um lugar do estilo alternativo, com muitas pousadas e barracas de praia. Parece uma vila e tem um pouco de tudo. Demos uma parada técnica na Barraca do Sarnei. A praia em forma de baía, tem sargaço, ou seja, algas. O local é tranquilo, pertence ao município de Cajueiro da Praia. Realmente é diferente, deve ser bem interessante à noite.

Na saída, o povoado de Morada Nova, ainda estamos no estado do Piauí, a divisa entre os estados fica a 20 km. Estamos na BR-402, porém nem se percebe, pois não tem acostamento. O verde ao longo da BR vale, o asfalto é ondulante.

Chegamos a Chaval, já no Ceará, e conhecemos sua Igreja Matriz. Gostei do calçamento na cidade e das rochas enormes existentes nela. Isso é peculiar, sem dúvida. Com poucas árvores, deve ser bem quente. Outras localidades na região: Chapada, Barroquinha, Araras, Venâncio e Bitupitá.

Em Bitupitá, vimos a Igreja Matriz de cor branca. A geografia do local faz parte do Delta do Parnaíba. Lá está a praia de Curimãs. Bitupitá pertence ao município de Barroquinhas. A praia renomada pela sua beleza e manguezal de Pontal das Almas se encontra lá. Tanta ruela para chegar à praia, trata-se de uma aldeia de pescadores. O mar fica longe, há tantos barcos na praia. Daqui se vê do outro lado a Barra Grande no estado vizinho.

Almoçamos à beira mar, no rústico Cabana Pueirão Restaurante, o Francy nos atendeu. Pedimos camarão ao molho com leite de coco, batata e cenoura, arroz e salada verde. Por R$70,00 para duas pessoas. Muito bom.

Bitupitá é uma praia selvagem, com urubus na areia esperando pelas vísceras dos peixes, afinal é local de pesca. O cheiro é forte de peixe. Há pracinhas pela orla com coqueiros e bancos diferentes. Muito árido o lugar. A sua entrada com pneus coloridos com plantas dentro, e árvores em crescimento no meio-fio a tornam convidativa. Digno de nota comentar que existe o macaco capelão no Delta do Parnaíba.

Nosso interesse foi só conhecer mesmo, prefiro praias com mais infraestrutura e menos quentes. Valeu ter ido, pois gosto de ter opiniões a respeito dos lugares.

Pegamos a Rodovia Sr. Pedro Veras e saímos de Bitupitá, detalhe: entramos pela mesma rodovia. Ver dunas com carnaúbas pelo trajeto é bonito demais. Estamos na CE-187. Entramos no município de Barroquinha, muito arrumada. Camocim está a 10 km, desde Luís Correia: 302 km.

Camocim, enfim! Viemos pelo litoral. Logo surge o Farol do Trapiá. Cidade plana, bem sinalizada. Fazemos um passeio de carro pela Praça Severiano Morel com a Prefeitura em frente. Vimos a antiga e afamada Estação Ferroviária, marco de tantas viagens do Carlos ao município, o prédio é muito bonito. É uma vergonha para nosso país não usarmos mais trens para locomoção de passageiros.

O rio Coreaú (nome indígena que significa “rio dos marrecos”, segundo Silveira Bueno) com calçadão para longas caminhadas, o antigo Hotel Municipal, hoje Ilha Praia Hotel. A orla do rio com mar é um espetáculo. Encontram-se lá hotéis, restaurantes, quiosques, que delícia. Dá vontade de pular do carro e já começar a desbravar as belezas de Camocim.

Ficamos no Dunas Praia Hotel (Beira Mar, 1449) em frente ao Centro de Artesanato da Prefeitura. R$300,00 por duas noites, preço justo. Estamos à beira mar.

Um pouco mais longe se situa a Praia do Farol, o “point” do kitesurf. Jogam vôlei e há placas contra jogar o lixo, achei o máximo. Barracas de praia e casas diferentes, estilosas. Muitos jovens curtindo a praia, eis uma cidade jovial e alegre. Encantada demais eu estou.

O Farol do Trapiá da Marinha do Brasil chama a atenção. Que lindeza a costa, a praia tem sargaço. Passamos pelo clube da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) e pelo atraente restaurante El Mirador.

Para jantar, escolhemos panquecas e sucos no Euclides Restaurante e Pizzaria à Beira Mar. Aconselho. Trata-se de um prato muito procurado no local. Depois, caminhada pelo calçadão, testemunhamos muito movimento nos quiosques, restaurantes, bares, pizzarias e um local com brinquedos para crianças, amei.

Continuaremos com Camocim, cidade que já pretendo retornar e aproveitar mais. Considero uma cidade habitável e com qualidade de vida.

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Ceará-Piauí-Parnaíba e Luís Correia

Hoje é dia 09 de março de 2022. O Carlos e eu estamos saindo da pousada Oca Resort em Piripiri-Piauí, perto do Parque Nacional de Sete Cidades, partindo para Parnaíba-Piauí. Vamos nos hospedar, na verdade, em Luís Correia, ao lado de Parnaíba, pelo sistema de hospedagem Bancorbrás.

O caminho com mata na saída é bonito. Seguimos reto para Piracuruca (em língua tupi, “peixe roncador”). Pra variar, não há sinalização, na ponte do rio Piracuruca dobramos à direita.

Entramos em Piracuruca, cidade com a praça Irmãos Dantas em frente à antiga Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo. O conjunto arquitetônico com suas casas coloridas é uma lindeza. A vida é tranquila, os moradores sentam na praça para papear. Vimos o calçamento com a pedra Piracuruca em certas partes, em outras o asfalto foi colocado em cima de tão bela pedra. Piracuruca até Parnaíba-127 km.

Pegamos a BR-343 (descobri no mapa). Cruzamos os municípios de Cocal, Caraúbas do Piauí e Buriti dos Lopes. A divisa do Piauí com o Maranhão fica a 62 km. A estrada é um retão e toda verde ao longo dela. As placas de trânsito estão apagadas pela BR, acho isso uma vergonha. Passamos pela Embrapa Meio Norte. 13 km para Parnaíba e 25 km para Luís Correia.

Nos arredores de Parnaíba, há fazendas e restaurantes com produtos do interior. A geografia é plana. Indo adiante, Parná (como é conhecida), à direita Luís Correia. Continuamos na BR-343. A última vez que estive na cidade foi em 2013. Minha história afetiva é antiga com a cidade, por conta de amigas: Rossana Carvalho primeiro (colega de faculdade: Universidade Estadual do Ceará) e depois Minervina Menezes (aluna minha na Casa de Cultura Britânica da Universidade Federal do Ceará), ambas professoras.

Estamos na Av. Mão Santa em Parnaíba, seguindo em frente a praia do Coqueiro, à direita a Lagoa do Portinho. Passamos pela Casa da Ferrovia de 1922 na rotatória e seguimos ao município de Luís Correia no litoral do Piauí. Vemos a prefeitura, pousadas, lojas, supermercado, enfim encontramos o Rio Poty Hotel Praia situado à rua dos Magistrados, 2350.

Boa infraestrutura de hotel e atendimento, cerca da praia de Atalaia com barracas, como da Hilda, Amarelinho, o Assis etc. Passeamos de carro pela beira mar, para a esquerda vai para o porto, o rio Igaraçu estava bem caudaloso, e visualizamos casas abandonadas; para a direita as casas de veraneio são mais bem cuidadas.

Tentamos a barraca Carlitu´s para almoçar, mas estava fechada (Av. Teresina, 4447-Atalaia). Rumamos à praia do Coqueiro em busca da barraca Sunset (av. Beira Mar, 10789). Nosso almoço foi filé de pargo frito (peixe), com batata-doce frita, baião de dois (feijão com arroz, principalmente), salada, farofa e pirão. Muito farto, mas achamos caro. O forte da região é caranguejos, camarões e pescados.

Após o almoço, mais passeios: pousadas, condomínios, casas, descampados, animais soltos, chegamos até o pequeno farol da Marinha do Brasil. Decidimos conhecer a famosa praia do Macapá, antes da praia do Arrombado (parece com a praia do Balbino no Ceará, luminosidade imensa e com pouca vegetação). O carnaubal com dunas pelo caminho é muito bonito, o asfalto bom. Encontramos um cearense Jean Portela a trabalho na rodovia que nos deu dicas valiosas.

A entrada para Macapá tem casas espalhadas mais simples, muitas lombadas a fim de dificultar a velocidade dos carros e uma placa interessante: Cuidar do meio ambiente, uma questão de atitude. Existem lanchonetes, restaurantes, pousadas e muitos jumentos, uma graça. O lugar é bucólico, sem dúvida. Vimos barracas de praia de madeira, o mar distante com bancos de areia no meio, e contenções contra a maré forte, além de manguezais e barcos coloridos. Lembra a praia de Águas Belas no Ceará, porém mais ampla e deserta. Um bom local para relaxar. O bar e restaurante do Chico Isaura é conhecido. Em frente ao local se formam piscinas naturais. A estrutura é rústica.

Segundo o Guia Piauí Litoral da SETUR (Secretaria de Estado do Turismo: secretário: Flávio Rodrigues Nogueira Júnior) e CCOM (Coordenadoria de Comunicação Social), a vila de pescadores de Macapá teve que ser reconstruída algumas vezes por conta da ação do mar que destruiu as habitações, a capela e até mesmo parte da estrada que lhe dava acesso. Ali acontece o encontro do rio Camurupim com o oceano, formando uma área de mangue semelhante a um minidelta próximo à Barra Grande, onde é possível velejar de kite e se aventurar de caiaque.

À tardinha fizemos reconhecimentos de área em Parnaíba de carro: uma biblioteca em um trem, o calçadão da Beira Rio com o rio Igaraçu (último afluente do rio Parnaíba), o SESC, a Capitania dos Portos, o Parque das Ruínas, o Museu do Mar, o Porto das Barcas, os sobrados históricos, o centro antigo, tudo formoso. Também descobrimos o Hotel Charme Casa de Santo Antônio na praça Santo Antônio, onde se localiza a escola de inglês Speak Up (rua Santo Antônio, 649), da amiga Minervina Menezes.

Parabéns, Parnaíba, por ser muito bem sinalizada, por ter uma população que valoriza seus casarões, a sua história. Linda, cada dia mais. Cidade com qualidade de vida, bem arborizada, com praças mil, onde ainda se mora em casas, algo admirável. O único senão é o calor na época do verão, mas isso se aguenta. Detalhe: estávamos na época de chuva, então foi muita mesmo.

Às 19 horas buscamos a Minervina na escola e seguimos ao Porto das Barcas, “point” com restaurantes, pizzaria, lojas de artesanato, lugar muito agradável com o rio Igaraçu bem ali. Às suas margens se encontra o restaurante Rios, cartão-postal do município. Não poderia faltar uma pizza regada a coca cola da pizzaria Porto das Barcas, cuja placa diz “Pizzaria Comilão”. O imperdível Museu do Mar se situa no local: pequeno, completo e excelente, mostra como eram as vilas e cidades, a tradição do homem do mar, da marisqueira, do pescador de crustáceos, além de barcos expostos etc. Parabéns ao governo do estado. Achei fabulosa a iniciativa.

Dia produtivo. Parnaíba é uma cidade que dá gosto visitar. Estava com saudades. Continuaremos com o passeio do Delta do Parnaíba em breve.

Ceará – Piauí – Parque Nacional de Sete Cidades

Ceará – Piauí – Parque Nacional de Sete Cidades

Hoje é dia 08 de março de 2022, o Carlos e eu estamos de saída do Sítio do Bosco Park na Vila Acarape às 8h30, rumo à Sete Cidades em Piripiri-Piauí. Vamos de carro em direção a Tianguá, ainda bem que estão ajeitando a buraqueira da BR-222. Como sempre, falta sinalização nas nossas BRs. Um detalhe peculiar da região: como vendem panela de alumínio na região. São onipresentes nas lojas.

Tianguá-Sete Cidades: 106 km. É um retão até a entrada do parque. Vamos descendo a Serra da Ibiapaba de forma lenta. Chegamos à divisa dos estados Ceará e Piauí. Viva! Vemos a caatinga verde, sinal de muita chuva. Reto Piripiri; à direita Piracuruca e Parnaíba. Passamos por um lugar esplêndido: Bar Ilha Jenipapo, um bar/restaurante na estrada à beira do rio Jenipapo com as plantas vitórias-régias, que lindo. Só lembrando que são plantas aquáticas, típicas da região amazônica.

Cruzamos o município de São João da Fronteira, continuamos na BR-222. Lá vem o rio Piracuruca com ponte e o distrito de Picarra (Nova Veneza). Vi bodes pela estrada e uma porquinha mamãe. O rio Acauã com ponte, falta sinalização, temos que ficar ligados na entrada à direita para Sete Cidades. Bem antes de Piripiri, não chegamos a Alto Alegre, km 45, e entramos no parque pelo Portão Sul. A entrada é grátis.

Estávamos à procura dos hotéis do IBDF e Fazenda, porém o primeiro foi desativado e o segundo está em reformas, muita decepção para o Carlos que já havia se hospedado neles. Nunca esquece da piscina de água corrente na qual tomou banhos memoráveis. É a quinta visita dele ao parque e a minha primeira. O jeito foi se informar sobre hospedagem e nos indicaram o Oca Tocaríjius Resort, fora do Portão Norte, a 3 km. Primeiro, nos dirigimos ao Centro de Visitantes (a 4 km da bifurcação) no Portão Norte à direita. O caminho é de pedregulhos. Lá, encontramos informações sobre visitas e guias. A lojinha muito simples com camisetas e pouca coisa mais, eu esperava uma infraestrutura mais complexa. Não entregam folders. Logicamente que fiquei de olho em uma camiseta. Se tivesse canetas, eu comprava. São meus xodós de viagem.

Aqui vale um comentário: antes o Parque Nacional de Sete Cidades era de responsabilidade do IBAMA e tinha guarda-florestal. Era permitido ver os sítios de carro e a entrada era cobrada. Recebiam mapas e iam por conta própria. Hoje, o ICMBio é o responsável, porém sofreu cortes robustos do governo federal. O parque está sem manutenção, os letreiros apagados. Acho que fazem milagres com o que recebem. Os guias combinam o melhor horário de passeio com o turista e nós os pagamos. Na entrada e saída anotam a placa do carro, não se cobra, é grátis.

A respeito do parque, o site https://rotacombo.com/blog/parque-nacional-das-sete-cidades nos informa que é uma unidade de conservação brasileira, localizada em uma área de transição entre cerrado e caatinga. São 36 km de proteção integral à natureza, situados na região norte do Piauí. Sua área de 7.700 hectares ocupa 73,77% do município de Piracuruca e 26,71% do município de Brasileira. A Wikipédia complementa que foi criado em 08 de junho de 1961 pelo então presidente da República Jânio Quadros.

Em direção ao Portão Norte, já visualizamos as formações rochosas do tipo paredões. Dentro do parque é bem sinalizado, a rota é feita na piçarra. Muito bom estarmos de jipe Suzuki, pois havia chovido e passamos por córregos e um lago pequeno. Tivemos trepidações, atravessamos lombadas e laguinhos.

O hotel Oca recebe muita gente, está na rodovia PI 111. Pensem em um local original, com chalés de tijolo a vista no meio da natureza da caatinga, florido, repleto de detalhes harmoniosos, com árvores, embora o calor seja enorme. O choque térmico é gritante, já que estávamos no frescor da serra. O ar-condicionado é obrigatório. A dona Maci (gerente) nos acolhe com simpatia e ainda faz o almoço. Parece uma fazenda, com cavalos, gatos, pavão, galinhas, sapos etc, o ritmo é diferente no interior, mais calmo. A fome estava grande, mas o almoço demorou um pouco. A gentileza no trato compensa. Penso que a tranquilidade da vida longe das capitais é o melhor remédio para se viver bem. Eles estão certos. Também agradeço ao Eduardo, Paula e Vitória pelo tratamento de primeira.

O almoço, afinal, foi servido mais para dentro do espaço da Oca, onde há uma infraestrutura de resort. O lugar é surpreendente de tão grande, as pessoas da região vão ao lugar aproveitar o dia. Comida ótima, caseira, valeu a espera. E a dona Maci tão solícita, gente boa.

Após a refeição, um descanso. Nosso passeio será à tarde, não é o ideal, mas o real. Faremos de dentro do carro e nosso guia José Carlos (no Instagram, @oguiazecarlos) vai de moto por R$ 100,00 para duas pessoas motorizadas. O passeio completo seria R$200,00 com o mirante, fica para outra.

Saímos do Centro de Visitantes. A placa principal do Parque Nacional diz que a área aberta à visitação inclui o Circuito das Cidades – quando são vistas as Sete Cidades de Pedra, o Circuito das Águas – com suas piscinas naturais e a Cachoeira do Riachão – e a Trilha da Sambaíba – um caminho entre a vegetação nativa, com espécies características da composição florística do Parque. Os percursos são alternativos e podem ser feitos em jardineiras, bicicletas, tetraciclos e a pé, sempre com acompanhamento dos guias. O Guia Quatro Rodas Brasil (2013) aconselha a ir de dezembro a julho, quando a cachoeira e a piscina natural têm um bom volume de água e a vegetação é mais verde.

O mesmo livro nos conta que ventos, chuvas, calor e flora esculpiram os monumentos naturais, dando origem a símbolos, animais e figuras humanas. São sete grupos de formações rochosas apelidados de “cidades” e a vegetação é uma bela transição entre a caatinga e o cerrado.

Nós escolhemos a visita às “cidades”, pois só tínhamos a tarde para o passeio. Começamos pela 6ª cidade onde está a Pedra da Tartaruga, de arenito. E também existe a rocha em forma de Elefante. Em 1886, um jornalista vindo do Ceará nomeou o parque de “Sete Cidades de Pedras”, de acordo com o guia José Carlos. Acrescenta que a região do parque é muito antiga.

Na 5ª cidade, temos o Rei, o Samurai, o Camelo e a Passagem do Vento. Aqui já foi mar, sabe-se pela presença de sal, conchas e fósseis de peixes. Novelas foram filmadas no Parque Nacional como Milagre de Jesus e Sete Pecados. O Túmulo do Catirina, ou seja, o caixão do pajé se encontra no local. Conhecemos a Gruta do Catirina, onde ele se escondia com seu filho de 13 anos. O site www.portalentretextos.com.br/jose-no-egito-a-gruta-do-catirina esclarece que a citada gruta é assim denominada por ter sido o local onde viveu José Ferreira do Egito, o Catirina, que se retirou do contato com a sociedade para cuidar do filho que sofria de epilepsia, doença considerada demoníaca em sua época. Um buraco de cerca de 20 centímetros embaixo de um bloco rochoso foi o lugar onde ele passou a preparar ervas medicinais, numa luta cotidiana e absolutamente solitária, enquanto mantinha a fé na cura do filho Martinho. Nosso guia adiciona que pessoas vinham de Piripiri trazer milho para o Catirina e que seu filho falecera da enfermidade. Na gruta, vi um buraco usado como pilão.

Na 4ª cidade, conheço a Cidade Encantada com pinturas rupestres de 5 a 10 mil anos de existência. Os índios Tabajaras ali viveram. No Globo Repórter da TV Globo houve uma reportagem sobre o solstício de inverno que ocorre no local. Vemos o mapa do Ceará e do Brasil e Duas Cobras se Beijando. A trilha a pé é bem cansativa. Há a Passagem do Índio ou Passagem Secreta. Árvores como a pequizeira são encontradas, e animais, como o veado mateiro, o mocó, a cotia, cobras variadas, dentre outros. São 22 espécies diferentes de cobras, por exemplo: a ligeirinha e a cobra de chifre.

Na 3ª cidade, a Pedra do Castelo e o Soldado. Testemunhamos um mocó amamentando em uma rocha lá no alto. Também existem a Cabeça de Dom Pedro I, o Macaco Batendo Palmas, o Dedo de Deus, os Três Reis Magos, o Oratório e a Pedra do Galo. Nosso tempo era curto, mas rendeu. Importante citar que a caça é proibida, se caçar vai preso.

Na 2ª cidade, a caminhada é boa. O sítio é belo com uma floresta quando se entra no Arco do Triunfo ou do Desejo. Parece mágico, mais bucólico impossível. Para nós, foi o suficiente, mas ficou faltando a 1ª cidade com a Pedra dos Canhões, o Salão do Pajé, a Pedra da Jia etc.

O passeio é magnífico, vale demais. O Parque Nacional de Sete Cidades é uma preciosidade no Brasil. Merece ser bem cuidado e divulgado. Indico o nosso guia, conhecedor do assunto e simpático.

Voltamos ao hotel e à noite, a chuva com raios, trovões e o coaxar de sapos nos mostrou a natureza na sua exuberância, feliz e poderosa.

Em breve, Parnaíba.

Ceará – Piauí – Viçosa do Ceará

Ceará-Piauí-Viçosa do Ceará

Hoje é dia 07 de março de 2022. Pela manhã estivemos em Ubajara e pela tarde iremos a Viçosa do Ceará, a joia da coroa da Serra da Ibiapaba. Continuamos nossa jornada entre os estados do Ceará e Piauí de carro.

Voltamos a pegar a BR-222 por Tianguá. Muitos caminhões e uma quantidade enorme da fruta jaca pelo caminho. Há falta de sinalização por aqui, ainda mais que estão fazendo a duplicação da BR, tudo muito confuso. Passamos pelo Instituto Federal campus Tianguá, cruzamos o distrito de Bom Jesus, Viçosa está a 21 km, a BR tem problemas de buracos em certos lugares. Inharim, outro distrito. As pessoas vivem com dignidade no interior.

O percurso até Viçosa dá gosto: vemos bananeiras, babaçus, fazendas, granjas, e muito verde.

Viçosa honra seu nome: tem viço: graciosa, limpa, com canteiros centrais bem cuidados e com um povo que zela pela sua cidade. Fiquei extasiada com as praças sem sujeira nenhuma e com estátuas sem pichações. De acordo com o Guia Quaro Rodas Brasil (2013), é declarada Patrimônio Nacional, não tem grande infraestrutura turística, mas é bom passeio de um dia.

Um pouco da sua história. A Wikipédia nos conta que é o primeiro município criado na Serra da Ibiapaba, inicialmente habitada por índios Tabajaras pertencentes ao ramo Tupi, anacé, arariú e croatá do ramo Tapuia. No ano 1700, os padres jesuítas Manuel Pedroso e Ascenso Gago fundaram oficialmente “a Aldeia da Ibiapaba”, onde hoje se situa Viçosa do Ceará. Em 1759, a aldeia foi elevada à categoria de Vila, recebendo o nome de Vila Viçosa Real da América.

Na subida à Igreja do Céu, achei a cidade parecida com Pacoti na Serra de Baturité. Lá, há um complexo com restaurante, palco de eventos, a capela Nossa Senhora das Vitórias, praça de alimentação, lojas de artesanato, a Praça Governador César Cals e o Núcleo Padre Ascenso Gago de Habilitação e Capacitação. Sem esquecer da imagem de Cristo, situada no topo da torre da Igreja do Céu.

A Praça Clóvis Beviláqua, com a estátua dele, é florida, ampla, gostosa de se estar. Lembrei do Crato no Cariri, no sul do Ceará, com a Igreja Matriz em frente à praça principal.

Na frente da praça de Viçosa se localiza a Igreja Matriz Nossa Senhora de Assunção, de cor branca, a mais antiga do Ceará, de 1695. Foi construída por índios e jesuítas. Ao seu redor, existem casas coloridas e antigas de famílias conhecidas no estado. Uma casa histórica é o Casarão dos Pinhos, pertencente ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Diz a placa que foi construída por João Pinho Pessoa em 1850. Possui 186 portas e janelas, é de propriedade da família portuguesa Pinho e foi uma das primeiras casas construídas na Vila Viçosa Real.

Mais adiante, outra praça: do General Tibúrcio. O clima sempre agradável nos leva a aproveitar cada segundo desta cidade amada. Raramente faz calor, então é um paraíso. Lembra muito o Cariri, mistura de Barbalha e Crato.

Os seus habitantes sentem orgulho de seus conterrâneos famosos. De acordo com a Wikipédia, Clóvis Beviláqua (1859-1944), jurista, legislador, filósofo, literato e historiador, é um dos responsáveis pela elaboração do Código Civil brasileiro de 1916; O general Tibúrcio (1837-1885), militar, lutou na Guerra do Paraguai; e outro viçosense ilustre é Felizardo de Pinho Pessoa Filho (1916-), político e farmacêutico.

Não poderia deixar de ir à Casa dos Licores (rua Francisco Caldas da Silveira, 155) do sr. Alfredo Miranda, atração turística, parte da Rota Mirantes da Ibiapaba. Segundo o folder da loja, Alfredo e Terezinha Nogueira Miranda (o casal) começaram a produzir e vender de forma artesanal (e para a sobrevivência da família) licores, cachaças envelhecidas, doces e biscoitos. Por muitos anos, de forma simples e hospitaleira, recebiam os visitantes na sala da sua casa. Além de provar os licores, todos eram recebidos com uma boa dose de conversas animadas, músicas e bom humor do “Velhinho do pife” como muitos costumavam se referir ao dono da casa, que tocava suas composições em uma flauta de taboca (o pife, também fabricado por ele). Para preservar a memória de seus pais, a filha mais velha Tereza Cristina Mapurunga, deu continuidade à produção e ao comércio da antiga bodega.

Quem nos atende foi a Elvira e conta que o sr. Alfredo já falecera. Lá, endoido com tantos licores, doces em barra, doces em calda, geleias, biscoitos, petas, sequilhos e bulins (tradicionais biscoitos de goma) e cachaças. O doce de jaca em calda, recomendo. São 88 sabores de licores entre frutas, ervas e especiarias. Interessante dizer que são feitos em tachos de cobre, fornalhas a lenha, forno de barro, assim como na época colonial do Brasil. Saímos com tantas compras e ainda iríamos rodar muito com eles.

Já fui a Viçosa umas duas vezes anteriormente e digo com felicidade que está cada dia mais bonita.

Toda a cidade é arrumada, com árvores podadas, uma paixão. Para mim, uma das cidades mais bonitas do Ceará. Parabéns à prefeitura, e principalmente, aos seus habitantes. Volto a dizer que este sentimento de pertencimento a uma cidade faz toda a diferença. Pretendemos voltar.

Retornamos à Vila Acarape em Tianguá para o nosso hotel no Sítio do Bosco às 17h45. Detalhe: é perigoso dirigir à noite por conta dos nevoeiros.

A Chapada da Ibiapaba merece mais informações. É localizada em nove cidades: São Benedito, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ubajara, Tianguá, Carnaubal, Viçosa do Ceará, Croatá e Ipu. As temperaturas são amenas por conta da altitude, uns 15º C. A chapada é um gigantesco paredão montanhoso com altitude média de 750 m e 200 km de extensão que fica no extremo oeste do estado do Ceará, na divisa com o estado do Piauí, servindo como marco de divisa entre os dois estados, apesar do problema da região de litígio que já dura séculos, conforme o site https://cearapraias.com.br/chapada-da-ibiapaba-turismo-ecologico-no-interior-cearense.

Dia produtivo e feliz. Em breve, Parque Nacional de Sete Cidades no Piauí.