Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Colônia do Sacramento

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Colônia do Sacramento

Hoje é quinta-feira, dia 20 de abril de 2023. Estamos com a guia Marcela e o motorista Paulo da empresa Ventas. Saímos de Montevidéu, já passamos pela Granja Arenas do Museu do Lápis e agora chegamos à Colônia do Sacramento. Vale a pena ir ao Centro de Visitantes pegar mapas para se localizar em uma cidade que se anda a pé.

Segundo o folder da CVC, a mistura de campo, praias e rio dão a este lugar uma moldura natural que se conjuga com a história. O bairro histórico é Patrimônio Histórico da Humanidade desde 1995. A Wikipédia esclarece que se trata do mais antigo assentamento europeu no Uruguai, foi fundada pelos portugueses em janeiro de 1680. Em 1777, com o Tratado de Santo Ildefonso, a colônia tornou-se possessão espanhola.

A guia Marcela nos informa que foi colonizada como um forte militar português. Um dos intuitos era controlar a reserva de ouro e prata e o transporte viário ao interior onde estavam as minas. Era a Colônia de Sacramento de Jesus. O fundador e primeiro governador foi Manoel Lobo (militar, 1635-1683), mandado pelo Príncipe Regente Pedro II de Portugal. A Basílica do Santíssimo Sacramento é a igreja mais antiga, foram 97 anos de domínio português, embora tenha sido atacada sete vezes pelos espanhóis. Em 1777, os portugueses foram embora. Em relação à Basílica do Santíssimo Sacramento, conserva a concepção original de uma nave, muros portugueses de pedra e ladrilho cujo arquiteto foi Tomás Toribo (1808). A fachada e as cúpulas azulejadas dos campanários foram recuperadas a partir do ano 1957 (fonte: folder da Intendência de Colônia).

A arquitetura e estilo portugueses se encontram por todos os lados, nas ruas do bairro histórico, nas casas, nos hábitos. 7 entre 8 casas têm arquitetura portuguesa, apesar de os espanhóis tentarem acabar com o passado português. Na cidade, vivem descendentes de espanhóis e italianos, umas 25 mil pessoas. É a única cidade fundada por portugueses no Uruguai.

O rio da Prata circunda Colônia e a separa da Argentina. Para vir da capital argentina, Buenos Aires, basta pegar o BUQUEBUS (ferry) que chega logo, são 52 km. O rio tem cor marrom, resultado dos sedimentos dos rios Paraná e Uruguai. Turistas argentinos vêm para finais de semana. Algo bem comum. Compram casas na frente do rio para férias ou simplesmente para sábados e domingos. Segundo a Wikipédia, os primeiros europeus a explorarem o rio foram os portugueses João de Lisboa na companhia de Estevão Fróis e o castelhano Juan Díaz de Solís que foi morto e comido pelos nativos. O rio levava ao interior, às minas de prata, por isso o nome do rio.

A Plaza de Toros Real de San Carlos (praça de Touros) de estilo árabe/espanhol funcionou até 1910. Hoje, felizmente, não há mais touradas. O governo federal e estadual investiram e reabriram para eventos culturais, de moda, de arte, é Patrimônio Histórico desde 1992. As três ilhas são San Gabriel, Farallón e Lopez. Na praça do Relógio se vê o pôr do sol junto à família e amigos. No estádio de futebol, o muro é pintado com formas coloridas. Existe um hipódromo na cidade.

A praça 25 de Agosto é linda com árvores mil. A principal se chama Mayor 25 de Mayo. O folder mencionado anteriormente diz que nasce com a fundação, sendo o maior espaço aberto da área. Originalmente usada para manobras militares. Depois, intervenções incorporaram jardins e caminhos que criaram um ambiente agradável, mas que modificaram a percepção original.

As casas vistas por nós são adoráveis, por serem floridas. Caminhamos pelo bairro. Paramos no restaurante Viejo Barrio Restaurante and Bar (Vasconcellos, 169), com comida caseira e bem comentado. As mesinhas na calçada são convidativas. Colônia tem outro compasso, tudo é calmo e lento. O almoço foi peixe grelhado e vinho tannat em jarra. Escutamos passarinhos e temos cachorros ao lado, aliás, vi água para os cães na frente das lojas. Muito justo. Há muitos soltos pela cidade. Detalhe: mulher pode viajar só no Uruguai. É seguro. No nosso passeio havia três.

Após o almoço tranquilo, rumamos à Basílica do Santíssimo Sacramento. Rústica dentro. A av. Gal Flores com plátanos é uma pintura. Vemos lojas, restaurantes, pizzarias, aqui se fuma bastante. Praça Diagonal Gerardo Mattos Rogriguez com fonte de água. Bela.

O restaurante Casa Luthier com calhambeque na frente como jardineira é peculiar. Feita de pedra tosca. O povo da cidade é acolhedor, vi lojas com roupas de inverno estilosas, como ponchos.

Em relação à Basílica do Santíssimo Sacramento, conserva a concepção original de uma nave, muros portugueses de pedra e ladrilho cujo arquiteto foi Tomás Toribo (1808-1810). A fachada e as cúpulas azulejadas dos campanários foram recuperadas a partir do ano 1957 (fonte: folder da Intendência de Colônia). Em 1823, houve uma explosão e parte foi destruída. Em 1957, o arquiteto Miguel Ángel Odriozola a reconstruiu.

Estamos na caminhada tour-histórica com a guia Marcela. Ela marcou um horário depois do almoço e nos encontramos com o grupo na praça das Armas Manoel Lobo. A Casa dos Governadores tinha um torre de vigilância para supervisionar os arredores. As casas da época de Manuel Lobo, primeiro governador português, eram construídas separadas por muros de pedra, desciam a temperatura por canais de água. Quando os espanhóis assumiram Colônia, chegaram a construir casas em cima das portuguesas. A casa de cor branca (1695-1800) é uma pousada hoje e continua com o mobiliário da época. As ruas com paralelepípedos eram construídas por prisioneiros que os carregavam em carros de boi ou carruagens no séc. XVII. A casa histórica portuguesa do séc. XVIII, de cor rosa, foi recuperada com a contribuição da Fundação Calouste Gulbekian (de Portugal) .

Espaço Rebuffo, construção portuguesa para a função pública, modificada no período espanhol. A exibição oferece uma olhada dos tempos pré-histórico até nossos dias. A Vivenda Portuguesa é uma construção popular que resguarda em seu interior os usos folclóricos das províncias portuguesas de Trás-os-Montes, Minho e Alentejo, de acordo com o folder da Intendência de Colônia. Também existem outras edificações portuguesas, como o Espaço Português, o Arquivo Histórico Regional, o Espaço do Azulejo etc.

Navios chegavam com escravos e eles entravam na cidade pela Rua dos Suspiros. Há várias outras histórias sobre tão afamada rua. Fala-se em escravos, sentenciados à morte, dos portugueses com “mulheres da vida”, e da moça com o português militar que fora embora, daí o nome da rua. Digno de nota comentar que o Uruguai foi o primeiro país a libertar os escravos na América do Sul. Conforme o mesmo folder, é tipicamente portuguesa, de traçado e pavimento original, com um escoadouro no meio. A rua tem casas de ambos os lados que pertencem ao primeiro período colonial, donde diversos estilos de construção se conjugam sem perder a individualidade.

Há muito a ver em Colônia. O Farol é visitado. O folder citado antes nos reporta que o Portão do Campo, recuperado entre 1968 e 1971, conserva ainda ruínas da antiga muralha e de sua velha ponte levadiça de madeira. Tachas de bronze na pedra marcam o nível da muralha original, que foi parcialmente consolidada e reconstruída. O Cais de 1866, inicialmente mais largo, contava com um setor perpendicular no extremo sobre o rio. Devido a ser antigo e ao clima, perdeu parte de sua estrutura original, sendo recuperado em 2001 para albergar embarcações esportivas. O Resgate Arqueológico da Casa do Governador, o subsolo da construção portuguesa original destinada à residência do Governador da cidade, foi destruída pelos espanhóis em 1777. Não faltam relíquias a conhecer.

Interessante que o papa João Paulo II rezou missa em Colônia para 40 mil pessoas, depois foi para Salta no norte da Argentina.

Ás 16h15 retornamos a Montevidéu pela Ruta Nacional n°1 ou Ruta Unesco. Dia proveitoso. Colônia, sempre um deleite! Parabéns à guia Marcela, gentil, solícita e com conhecimento do assunto. Deu dicas valiosas sobre espaços interessantes em Montevidéu: baar Fun Fun (Ciudadela, 1229), atrás do teatro Solís; El Milongón (Gaboto, 1810), com apresentação de tango/milonga/dança folclórica e candombe; restaurante El Fogón (San Jose, 1080, centro, esse conhecemos!); Punta Carretas Shopping (Jose Ellauri, 350); e no bairro Pocitos: restaurantes Fellini (Jose Marti, 3408) e La Commedia (El Viejo Pancho, 2414).

Nosso jantar/lanche foi noBar Hispano (San Jose, 1050) nosso velho conhecido. Misto quente e café com leite, para não perder os hábitos. ♥

Prosseguiremos com mais Montevidéu.

Montevidéu-Uruguai-2023-dias 1 e 2

Uruguai-Montevidéu-2023-dias 1 e 2

Hoje é terça-feira, dia 18 de abril de 2023, já estivemos em Gramado-RS, passamos uns dias em Porto Alegre-RS com familiares e rumamos a Montevidéu, capital do país “irmão” Uruguai. Compra de passagens na CVC do shopping Del Paseo em Fortaleza. No aeroporto de Porto Alegre, Salgado Filho, encontramos o restaurante com pratos executivos Belgaleto Di Paolo, da serra gaúcha, promissor, além de Bauducco (panetones), Lugano (chocolates) etc. O avião da companhia aérea Azul de cores vibrantes róseas, gostei. Em 1h10 chegamos ao Uruguai. Nada de carimbo no passaporte, sempre apreciei ficar olhando pros carimbos. Que pena.

O transfer da CVC com o Jonatan deu certo. O aeroporto internacional de Carrasco se situa em Carrasco no departamento de Canelones. Eis a parte chique da cidade, onde se localiza o hotel mais caro de Montevidéu: o Sofitel (antigo Casino).

Chegamos ao nosso velho conhecido hotel America (calle Rio Negro, 1330), com ótima localização, bem perto da Cidade Velha, bairro histórico de Montevidéu. Reservamos pelo Booking para pagar depois. Era hora do almoço e descobrimos um restaurante perto: o El Fogón. Ambiente bonito, comida boa e farta: para o Carlos o tão esperado bife de chorizo e para mim arroz com frango picante. Sempre que chegamos a um lugar, geralmente comemos perto do hotel, ainda estamos para nos aclimatar. Em pesos uruguaios: $790 (R$106,10). Como gostam de futebol, lá estava a indefectível televisão com jogos.

Pós-refeição, saímos caminhando para uma boa digestão. Andamos pelo centro, edifício Salvo (icônico), prédio da Presidência do país (pouca segurança chamou a atenção), praça Independência e arredores. Está frio, afinal é outono, mais frio que em Porto Alegre-RS. Vimos moradores de rua por ali.

Um detalhe que gosto: onde vamos encontramos álcool em gel. E toma-se água da torneira. É um país dito seguro, lógico que tem que ter cuidado na Cidade Velha e no centro à noite.

Hoje é quarta-feira, dia 19 de abril de 2023. Começamos o dia com o café da manhã do hotel, simples, mas satisfatório. A salada de frutas é de compotas, como vejo em muitos outros lugares. Bom mesmo é o doce de leite deles, o melhor do mundo, ao lado do da Argentina.

Saímos para passear a pé. Fiquei encantada com a loja AMM para mulheres. A gente queria mesmo ir à Ciudad Vieja (Cidade Velha), parte mais apaixonante de Montevidéu. Não há semáforos, os carros param na faixa de pedestres. O tempo aqui é outro, mais lento. Visitamos o hotel Palácios, onde ficamos a primeira vez que fomos à cidade. Montevidéu é uma lindeza e já conhecíamos. Esse hotel está sempre lotado. Vimos a La Pasiva, um café frequentado por nós no passado, a Catedral e a Plaza Constitución, local onde ocorre a feira de rua aos domingos.

A praça Constitución é de 1910, na placa está escrito: nas últimas décadas dos séc. XIX a construção de luxuosos edifícios do Clube Uruguai e do Hotel Alambra modificaram substancialmente o entorno da Praça. Desde finais do séc. XVIII, a “Praça Matriz” foi sede de cerimônias oficiais e festas populares como festejos de carnaval ou corrida de touros.

Que vento! Que frio! A Catedral é majestosa, ainda mais ao som de cantos gregorianos. Eis a tumba de Mariano Soler (1846-1908), primeiro arcebispo de Montevidéu. O segundo está na parede-Francisco Aragone (1883-1953). Vimos também a do primeiro vigário apostólico Damaso Antonio Larrañaca (1771-1848), prócer da Independência nacional. E uma homenagem em bronze a Juan Antonio Lavalleja, libertador do país, à frente de 32 companheiros que desembarcaram em Arenal Grande em 19 de abril de 1825 para libertar sua pátria dominada por 8 mil soldados estrangeiros, ganhou a Batalha de Sarandi. Morreu pobre e serviu 43 anos à Pátria. Esteve à frente do primeiro governo.

Andando pela peatonal Sarandi, achei a loja Companhia do Oriente fantástica, com produtos para decoração, além de casacos, chapéus e muito mais (Sarandi, 540), bem estilo Tok Stok. Falando na peatonal (área de pedestres), foi projetada por Pedro Millán em 1726 e tornou-se uma rua exclusiva para pedestres em 1922, localizada no bairro Ciudad Vieja entre o Centro Velho e o Centro Novo. Inspirada na arquitetura francesa, tem um charme único. Fonte: dicasdouruguai.com.br.

Dica de sorveteria: Piwo Helados (Sarandi, 340). Também pode tomar um café. Provei os sorvetes de figo e morango. 200 pesos (R$26,86), sem açúcar. Pouca gente na rua, uma característica da cidade. Bem diferente de Buenos Aires.

Mercado del Puerto, imperdível. Ir a Montevidéu e não conhecer o mercado não dá, é relativamente pequeno e bem acolhedor. Boas promoções, lojas estilosas, sempre um passeio bom. Oferece muitas opções de restaurantes. Gosto da loja para turistas Mercado del Turista. Endoido com tantas maravilhas de lembrancinhas. Em frente ao mercado se situa o Centro de Informações ao Turista, cujo nome é Descobrí Montevidéo. Há um mapa grande da cidade em frente ao local em um totem. Genial. O turista gosta de ser bem informado.

Para almoço, escolhemos o restaurante La Chela (Sarandi, 264). Preço ótimo (280 pesos por pessoa) e lugar transado na madeira clara e escura, com mesas diferentes e cadeiras também, inclusive da máquina de costura Elgin. Os castiçais imitam taças de vinho. Bem original. O menu: picanha com salada russa para o Carlos e para mim sorrentino de frango. Sobremesa: crostata de doce de leite em cima, arroz com leite com marmelada, torta de doce de leite, a escolher. O garçom Julio, muito atencioso.

Ficamos pesarosos em saber que o passeio de ônibus de dois andares pela cidade não seria possível fazer, pois havia parado por conta da pandemia e não retornara. Estava em licitação. Faz uma falta…

Detalhes para os viajantes: no cartão de crédito do estrangeiro em visita ao Uruguai, o imposto IVA (Imposto de Valor Agregado) é deduzido no pagamento de hotéis e restaurantes. Também há o TAX FREE a receber no aeroporto da devolução de compras feitas. Muito bom, uma maneira de levar turistas ao país.

A loja Las Vizcarras Licorería na Bacaray, 1324 nos cativou, local bom para comprar vinhos. E a Harrington, loja pra homens com roupas de frio, calçados, blusas, vale! Comprava uma peça e a outra era pela metade.

Para jantar, depois das caminhadas, supermercado: empanadas e sucos. Sim, no Uruguai não faltam empanadas! Oba! Voltamos ao hotel, escurece cedo e estava muito frio. Nos primeiros dias já percebemos como encareceu o turismo no país. Era muito mais barato. Mesmo assim vale, pois o uruguaio é sempre atencioso e recebe muito bem o visitante.

No dia seguinte, a bucólica Colônia do Sacramento nos espera. Tantas vezes for ao país vizinho, sempre voltaremos à histórica cidade, uma beleza de lugar.

Entre a Sombra e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Entre as Sombras e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Em 16 de outubro de 2023, estava eu com alguns participantes do grupo @peloscaminhosdaiiguerramundial no jornal O Povo (Fundação Demócrito Rocha) para um colóquio com o autor Carlos Reiss sobre seu livro Entre as Sombras e os Sóis, a história de Sala Borowiak, sua avó paterna. Editora: Folhas de Relva. Ele nos contou sobre a vida dela e de seu avô como sobreviventes do Holocausto. Estava presente George Legmann, sobrevivente, nascido em um campo de concentração. Ele está na mídia nacional, dá entrevistas e sai em reportagens sobre o Holocausto.

Carlos Reiss

Seus avós poloneses foram sobreviventes do gueto de Varsóvia, onde o avô trabalhava como trabalhador escravo/serralheiro. Perderam toda a família no Holocausto e conseguiram sobreviver e reconstruir suas vidas no Brasil.

Ao escrever o livro Entre Sombras e Sóis, passou por um processo de escritura longo, com lacunas que tiveram que ser preenchidas.

Dirige o primeiro Museu do Holocausto no Brasil, em Curitiba-Paraná. Localização: rua Cel. Agostinho Macedo, 248, fone: (41) 30937461, com visitas gratuitas, sob prévio agendamento em https://agenda.museudoholocausto.org.br.

Menciona o sr. George Legmann, conhecido como o “bebê de Dachau”, um dos 7 bebês nascidos em um campo de concentração. Durante 20 anos, o autor descobriu muitas informações. Em 1994, a avó Sala/Sara faleceu ainda jovem. Quem começou a escrever o livro foi o tio, porém em 1996 morreu. Em 2002, Carlos Reiis usou tudo já escrito como prefácio.

As sombras da avó Sara foram pesadelos e tratamentos de saúde. Teve três filhos, seus sóis, deles tirava seu alimento. A vida dela se equilibrava entre sombras e sóis, tinha 14 anos quando da invasão da Polônia pela Alemanha em 1939. Casou antes de emigrar para o Brasil.

O Brasil sempre foi um grande exemplo de acolhimento para apátridas, refugiados e imigrantes. A partir do Holocausto se criou nominações como a “lei do genocídio” e leis para entrar no país. “A memória é construída”. “Nós olhamos para Auschwitz e o ressignificamos”, depende do olhar. A questão é falar sobre o passado a partir de um trauma como o Holocausto. Cerimônias e orações para homenagear os falecidos são importantes, mas há de educar a partir daí.

Carlos Reiss diz correr contra o tempo para resgatar estas histórias. Lembrar, não esquecer, fortalecer valores e princípios: tolerância, resistência, valor à vida, resiliência. No Museu do Holocausto, há a história com nome e sobrenome de cada pessoa. Em vez de uma pilha de sapatos, o autor prefere um par de sapatos com a história da pessoa. Ele conta a história da sua avó Sara com o seu sapato. Ela costurava e guardava chocolates dos netos em caixa de costura. Doces lembranças.

As vítimas do nazismo foram além de judeus, também homossexuais, doentes mentais, negros alemães, ciganos, comunistas, Testemunhas de Jeová etc.

Empatia não é se colocar no lugar do outro, mas provocar a “empatia”. Se o visitante do Museu do Holocausto sai de lá questionando, refletindo, então a missão do museu como “educador” funcionou. No local, existe um pedaço de uma Torá (livro sagrado do judaísmo) que foi salva por um alemão na guerra (a sinagoga fora incendiada). Ele doou a Israel, que depois foi presenteada ao museu de Curitiba. Neste pedaço da Torá, a Moshe (Moisés) Deus pede o nome das pessoas que o seguiam, isso foi feito com as vítimas do Holocausto para contar a história deles.

Sua outra avó Sofia foi liberada em Dachau, em 29 de abril de 1945. Ela tinha 28 quilos, não tinha força para pegar o pão que os soldados jogavam. Quem pegou, morreu.

George Legmann

Sobrevivente do Holocausto, judeu de família romena, mas que vivia na Hungria, pois a fronteira havia mudado no começo de 1944, quando a sua mãe havia engravidado. Moravam na Transilvânia, historicamente disputada por Romênia e Hungria.

Bebê de Dachau, foi registrado no campo de concentração I Landsberg Kaufering (parte do complexo de Dachau-um campo bem menor). Em outubro de 1944, havia sete mulheres grávidas e estavam desmontando os fornos migratórios. Quem fez seu parto foi o médico judeu dr. Kovacs. Em 27 de janeiro de 1945 foi libertado Auschwitz (Polônia) pelos russos, e Dachau (Alemanha) em 28 de abril de 1945 pelos americanos. Mas antes houve a Marcha da Morte com milhares de prisioneiros de Dachau obrigados a caminhar sob condições implacáveis até Tegernsee, Alemanha.

Na Romênia, os judeus não foram deportados, mas os da Hungria, sim. Dachau foi o primeiro campo a ser construído, em 1933, e iniciou com presos políticos. Hitler esteve preso em Landsberg em 1924. Foram no mínimo 28 mil mortos em Dachau. A mídia dos EUA foi chamada para mostrar o horror lá dentro. 2 mil padres católicos morreram no local. Havia o Pavilhão dos Padres. A casa do prefeito ficava a 500 m do campo. A população foi convocada para enterrar os mortos a fim de “educá-los”, pois diziam não saber de nada. Se não fossem, haveria um Tribunal Militar para o prefeito. O tifo matou muita gente. Eram diversos campos de Dachau.

O aspecto pedagógico, lúdico é mais fácil para o entendimento das novas gerações. A democracia é como uma flor, se não rega, murcha. Há histórias ainda a ser escritas. Às novas gerações devem ser contadas o valor do ser humano. Tem que construir pontes entre as pessoas, atualmente, não se faz isso.

Sérgio Napshan

Diretor da Confederação Israelita do Brasil (CONIB). Muito importante a fala institucional, a comunidade judaica deve criar pontes com a sociedade a fim de divulgar a História. Seu avô materno veio da Ucrânia, era amargurado, triste, calado. Irmão mais velho da família, saiu um pouco antes do Holocausto e emigrou para o Brasil. Perdeu toda a família lá. Em 1984, aos 20 anos, Sérgio começou a se interessar sobre a história familiar. Ao contrário de seu avô, sua avó era falante.

Em 1986, o avô faleceu. Infelizmente, só ele sabia da sua linhagem. A partir daí, o diretor da CONIB se interessou por divulgar o judaísmo. Descobriu em terapia que a sua dedicação à causa é para honrar a sua linhagem falecida: da família Acker. Descobriu isso recentemente e sabe ser sua missão em vida.

Marcus Strozberg

Diretor da Sociedade Israelita do Ceará. Trouxe a exposição “Do Holocausto à Libertação” para o Memorial do Ministério Público do Ceará em Fortaleza, de setembro a outubro de 2023. Celebrando os 12 anos do Museu do Holocausto de Curitiba, do departamento de Educação, trabalho com as novas gerações.

Sua pergunta principal é: O que acertamos e erramos na área educacional?

Conclusão

Carlos Reiss menciona o número de células neonazistas crescentes no Brasil e a materialização do antissemitismo e racismo. Continua buscando respostas para as suas perguntas. Na sua opinião, pode ter faltado um enfoque mais firme e forte de letramento antissemita. É preciso educar a sociedade em um caminho antinazista e antifascista. O museu precisa dialogar com a sociedade, não pode ser bolha de conteúdo e é necessário cultivar valores democráticos.

Adendos:

1. O filme Cântico dos Nomes (Netflix) mostra uma cena com os judeus em uma sinagoga cantando os nomes de vítimas do Holocausto. Filme de 2019, direção de François Girard, atores: Clive Owen e Tim Roth, baseado no livro de Norman Lebrecht.

2. Na série Irmãos de Guerra (Band of Brothers, de 2001-Netflix) mostra uma cena na qual os moradores da cidade são obrigados a enterrar os mortos no campo de concentração. A dramatização e a liberação do campo são vistas. Baseada no livro do historiador Stephen E. Ambrose, tem como atores: Damian Lewis, Ron Livingston, David Schwimmer etc. E criadores: Tom Hanks, Stephen Spielberg e Stephen Ambrose. A Wikipédia adiciona:

“O campo de refugiados foi criado dentro de um campo de concentração militar existente em Landsberg durante a guerra, que em outubro de 1944 comportava mais de 5000 internos, a maioria deles vindos da União Soviética e dos Estados Bálticos.

O campo foi libertado em 28 de abril de 1945 por tropas do Exército dos EUA e por ordem do comandante, general Taylor, as tropas ocupantes permitiram que a imprensa mundial tivesse acesso ao local e mostrasse ao mundo as atrocidades ali cometidas aos prisioneiros; o comandante também obrigou os alemães da cidade, civis e militares, a refletir sobre os crimes cometidos e enterrarem os corpos encontrados com as próprias mãos nuas. Num episódio bastante divulgado na época, duas jovens alemãs que se retiraram do local rindo foram obrigadas a passar a noite no campo com os mortos e a assistir a seu enterro nos dias seguintes”.

3. Muitos pereceram de tifo em campos de concentração, inclusive Anne Frank e sua irmã Margot. Falecidas em fevereiro ou março, um pouco antes da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha), em 15 de abril de 1945, pelos britânicos.

4. O site da Enciclopédia do Holocausto acrescenta que apenas 3 dias antes da libertação do campo de Dachau, as SS levaram cerca de 7 mil prisioneiros em uma marcha da morte em direção ao sul, para Tegernsee, na Alemanha. Durou 6 dias o caminho. Quem não mantinha o ritmo, era executado ou morria de fome ou exaustão. No início de maio de 1945, tropas norte-americanas libertaram os sobreviventes dessa marcha da morte.

Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Evento ocorrido no Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) em 3 de janeiro de 2024 com a participação de filhos/filhas e parentes de pracinhas, militares, estudiosos e interessados.

Primeiro painel com Júlia Carvalho, Deodato Ramalho e Eleazar de Castro

Júlia Carvalho: filha do cel. Evaristo Fernandes de Oliveira, nascido em Timon-Maranhão. Hoje falecido, completou 73 anos de casado, aos 18 anos partiu para a Itália trabalhando no serviço médico. Era médico veterinário. Foi membro da Associação dos Ex-Combatentes Febianos. Foi docente da Escola de Agronomia da UFC (Universidade Federal do Ceará). Foi sua obra a primeira escola de alfabetização de adultos, era profundamente preocupado com a inclusão social. Deixou como legado a defesa da pátria e da família. Preferia ouvir a falar.

Deodato Ramalho: o sogro “pracinha” Manoel Clodomir de Almeida nasceu em Jaguaretama-CE e faleceu em 1972. Partiu do Rio de Janeiro para a Itália sem nem conhecer a capital cearense Fortaleza. Deodato diz que o povo não tem memória, não é passado na escola a história heroica da FEB. Se os “pracinhas” foram esquecidos, os “soldados da borracha” mais ainda. Vale assistir ao filme “Soldados da Borracha” do cineasta cearense Wolney Oliveira. Foi secretário da Regional 4 da prefeitura de Fortaleza, atualmente é superintendente do Ibama. Comenta sobre o Dr. Ximenes, grande memória, que quando ia para a guerra, ela acabou. Foi o timoneiro da história da FEB em Fortaleza. Em 25 de abril há sempre uma grande festa na Itália, em 2025 serão os 80 anos da Vitória, do fim da guerra. Há desfiles todos os anos em Montese com as crianças cantando o hino da FEB em português. Deodato reforça sua tristeza ao constatar a falta de memória do brasileiro e louva o trabalho incansável de Kátia Sousa e Adriano Andrade, do Instituto Montese, em Fortaleza e de Mário Pereira que foi responsável pelo memorial brasileiro em Pistoia-Itália. O maior fruto da FEB foi ter-nos salvo do nazismo e ter sido tão empático com os italianos.

Eleazar de Castro: autor do livro Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1-editora Chiado Books) em parceria com sua esposa Goretti Gurgel, ambos responsáveis pelo grupo de estudos @peloscaminhosdaiiguerramundial no Instagram. Estão no Whatsapp, You Tube, fazem palestras, encontros em cafés e participam de viagens temáticas. Eleazar se surpreende com o exército de pessoas nas sombras que estudam a História do Brasil e sua participação na II Guerra Mundial. A cidadania brasileira pode ser resgatada, a Itália é um país-irmão. Contou um fato ocorrido com ele e sua esposa Goretti Gurgel em Montese, quando estavam em uma lanchonete e uma garçonete disse a eles que os brasileiros eram seus libertadores, o casal ficou bastante emocionado. Eleazar fala sobre o sentimento de inferioridade nosso, o complexo de “vira-lata”. Esse sentimento não condiz com a nossa História.

Segundo painel com Carolina Oliveira, ten.-c.el. Macedo e cel. Sales

Carolina Bertrand Rodrigues Oliveira: filha do “pracinha” Geraldo Rodrigues de Oliveira, vivo e lúcido, jogador de dama e dominó. Seu pai que foi soldado da borracha despejou perfume nele antes de partir para a guerra e disse para o filho ir e voltar com o V de vitória. Tem muitas memórias da guerra. Carolina menciona a dra. Elza, de Alagoas, que foi enfermeira na II GM. Legado: a capacidade de adaptação dos brasileiros ao frio e a condições difíceis na Itália.

Ten.-c.el. Macedo: a Kátia Sousa do Instituto Montese o contatou por conta de uma exposição de selos da II GM no Hospital Militar de Fortaleza. É militar do Exército da área de saúde, filho de militar e estudou no Colégio Militar de Fortaleza. É pesquisador da área e se interessou pelo assunto quando pouco se falava na participação dos brasileiros. Somos a única nação sul-americana a enviar uma divisão inteira e a capturar uma divisão inteira de alemães. Fazíamos parte do V Exército americano. Está na hora de resgatarmos a nossa história, uma vez que nossos “pracinhas” participaram de uma das batalhas mais sangrentas contra os alemães, que foi a batalha de Montese. A empatia brasileira sempre chamou a atenção, pois dividiam a sua comida, o seu mingau, com a população que estava passando fome.

Cel. Sales: é o contato da FEB em Fortaleza, responsável pelo Museu da FEB no 10° GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Precisa de ajuda para fazê-lo funcionar. Não recebe visitas regularmente, porque falta estrutura física. Ainda existem quatro Febianos vivos no estado do Ceará. Eleazar de Carvalho propõe um evento aqui em Fortaleza para os 80 anos do fim da II GM na Itália em 2025.

Palestra de Mário Pereira

Pede uma salva de palmas para o Instituto Montese. Filho de Miguel Pereira, “pracinha”, que foi lutar na Itália, casou com uma italiana e lá se instalou. Temos que lutar para que a história da FEB e de todos os outros que lutaram, e dos Soldados da Borracha não seja esquecida.

Mora na Itália e reforça que o Brasil o chama. O seu pai lhe dizia ser o Brasil enorme, mas o menino Mário não acreditava. A FEB criou amores como o dos pais e agora com a namorada também. Tem viajado de carro pelo país: São Bernardo do Campo (SP), Brasília e Santa Maria (RS), e em outros lugares de avião, como Fortaleza (CE).

A grandeza do Brasil tem que se repetir no país, o que os brasileiros fizeram de bem para os italianos é de grandeza. Por exemplo: os americanos davam comida, mas os brasileiros dividiam. Já os ingleses não foram bem-vistos pelos italianos. (E não havia divisão por cores de pele na FEB, todos lutavam juntos. No exército americano havia batalhões só de negros, mas com comandantes brancos). Devemos ter muito orgulho dos nossos pais, pracinhas. Tantas populações e tantas etnias estavam na guerra, os alemães queriam lutar até o último homem. O cel. Nélson de Melo foi o comandante do 6° RI (Regimento de Infantaria). (Sua unidade teve papel destacado na Batalha de Fornovo di Faro). O comandante da Força Expedicionária Brasileira foi o gal. Mascarenhas de Morais. O fator climático era um problema. (Um frio congelante o qual o brasileiro não estava habituado, quem cedeu roupas adequadas aos brasileiros foi os americanos, pois os “pracinhas” não viajaram bem abastecidos de roupas apropriadas pelo governo Vargas).

Foi curador do Monumento Votivo MilitarBrasileiro (MVMB, na Via delle Sei Arcole)) em Pistoia, na Toscana italiana, substituindo o pai. Recebeu muitos veteranos, os conheceu e sentiu a emoção deles em viver aquele momento. Os brasileiros vão lá “aos pingos” e são em maior quantidade que os americanos, que vão em grupos de 300 pessoas. São em geral descendentes dos que lutaram na Itália.

Nos Apeninos (cordilheira), há 2 monumentos americanos, 56 brasileiros. Por que a escola não mostra isso? Em 2012 apresentou um documentário sobre a FEB: O Caminho dos Heróis-A Verdadeira História da FEB, de João Barone, no Colégio Militar de Brasília. Os alunos não conheciam nossa história. O que se estuda nas escolas do Brasil? Continua apresentando o documentário nas escolas com a linguagem dos jovens. O que os pais/pracinhas fizeram deve ser perpetuado.

Algo incrível: três pracinhas foram enterrados por alemães, isso não era comum. A percepção é que eles devem ter lutado bravamente para terem conseguido o respeito deles. Isso diz muito da sua coragem. O esforço e reconhecimento da nova geração de brasileiros para com quem lutou na Itália e venceu militarmente é fundamental para que não sejam esquecidos.

Outras participações importantes: da comitiva do bairro Monte Castelo e de Mário Sérgio do Vale-líder dos veteranos da FAB (Força Aérea Brasileira).

Informações:

(…) O uso de parêntesis explica o significado das siglas ou acrescenta dados relevantes.

1. O Instituto do Ceará é a instituição cultural mais antiga do estado do Ceará, criado em 4 de março de 1887. Localização: rua Barão do Rio Branco, 1599, Fortaleza-CE.

2. O Instituto Montese é uma instituição de cunho histórico, cultural e empreendedorismo no bairro Montese em Fortaleza-CE. Localização: av. Gomes de Matos, 1615. @institutomonteseoficial

3. Em Pistoia-Itália todos os anos no mês de novembro ocorre uma cerimônia cívico-militar em homenagem aos heróis da FEB que lutaram durante a II GM.

4. A Cordilheira dos Apeninos é a coluna dorsal da Itália. Na Campanha da Itália, os alemães usaram os Apeninos como uma barreira defensiva natural contra o avanço dos aliados na Itália continental (fonte: Wikipédia).

5.1. A FEB contou com um efetivo superior de mais de 25 mil militares, divididos em cinco escalões marítimos. As missões iniciais de combate em solo italiano foram efetivadas pelo 1° escalão da FEB, cujo contingente tinha por base o 6° Regimento de Infantaria (RI). As primeiras tropas haviam desembarcado em julho de 1944.

5.2. A 10ª Divisão de Montanhas dos EUA lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo de Exército do V Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro e abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.

5.3. A generosidade e solidariedade dos militares brasileiros foram reconhecidas pela população. Um dos ajudados foi o sr. Paoli, quando tinha 13 anos. Em 1968, ele, habitante de Camaiore, prestou uma homenagem significativa com a construção de uma Cruz metálica de 12 m de altura, fixada sobre o cume do Monte Prano, a 1230 m de altitude. Fonte: www.defesanet.com.br

5.4. A Força Aérea Brasileira (FAB) também deve ser lembrada. Foi responsável por 15% dos veículos inimigos destruídos, 28% das pontes atingidas, além de 36% dos depósitos de combustível e 85% dos depósitos de munição danificados. Fonte: https://www.forte.jor.br

6. Os três pracinhas heróicos que lutaram contra uma companhia alemã foram: Arlindo Lúcio da Silva, 25 anos de idade, de São João del Rei-Minas Gerais, Geraldo Baêta da Cruz, 28 anos, de João Ribeiro-MG e Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, de Rio Preto-MG. Serviram no 11° Regimento de Infantaria Expedicionário. Mesmo com ordens para se render, continuaram em combate até o último cartucho. Fonte: https://fatosmilitares.com

7. Os prisioneiros alemães preferiam se entregar aos militares brasileiros, já que lhe davam um tratamento mais humano.

A Urgente Educação Histórica para a Paz por Eleazar de Castro

A Urgente Educação Histórica para a Paz

Eleazar de Castro Ribeiro

A II Guerra Mundial é considerada um prolongamento da Primeira (1914-1918), cuja conclusão deixou na Europa uma série de questões não resolvidas, ou mesmo criou problemas novos. O Tratado de Versalhes, imposto à Alemanha pelos vencedores, foi excessivamente pesado e gerou ressentimentos que exacerbaram o revanchismo dos alemães. Ao mesmo tempo, numerosas minorias étnicas foram colocadas sob domínio estrangeiro, criando focos de tensão interna. Finalmente, a disputa das potências industriais por mercados e matérias-primas não foi solucionada satisfatoriamente, pois Alemanha, Itália e Japão continuaram carentes de insumos para suas indústrias.

Configurou-se como uma extrema contradição com os novos tempos vividos pelos europeus nos séculos XIX e XX. Havia um período de exuberante cultura cosmopolita e de florescimento das artes, como resultado do movimento iluminista. A Revolução Industrial trazia esperança de aumento da riqueza mundial e incremento da qualidade de vida.

O sociólogo Norbert Elias, no seu livro Os Alemães, pergunta: como o Holocausto pôde acontecer num país celebrado como a Grécia do século XIX, lugar do nascimento de mentes privilegiadas como Beethoven, Bach, Nietzsche, Thomas Mann, Goethe, Einstein, Hanna Arendt e Karl Marx, dentre outros símbolos culturais? Como admitir uma barbárie tamanha num país civilizado como a Alemanha?

Ele mesmo conclui que processos civilizadores e descivilizadores podem ocorrer simultaneamente em determinadas sociedades, que podem alcançar um estágio admirável, mas, ao mesmo tempo, serem seduzidas por forças que as fazem viver como “bárbaros tardios”. Especialmente quando essas forças são exploradas por discursos radicais e cheios de ressentimentos, como os de Hitler, que se sentiu traído com a derrota da Alemanha na I Guerra.

Isso significa que todos nós – mesmo com educação intelectualmente sofisticada – estamos sujeitos à tentação do radicalismo e da violência do maniqueísmo ideológico que é uma herança da II Guerra.

Até então, as guerras tinham um pano de fundo muito mais geopolítico e territorial. Hitler foi um dos primeiros ditadores mundiais a se utilizar da exclusão ideológica e racial. É inevitável pensar no atual contexto internacional, perigosamente parecido com o da época. Quando achávamos que o mundo havia resolvido essas questões, elas estão retornando de uma forma muito intensa.

O mundo que emergiu do terrível conflito era bastante diferente daquele que existia em 1939. As potências do Eixo estavam esmagadas, mas também a Grã-Bretanha e a França saíram debilitadas da guerra. Para definir a nova relação de forças internacionais, foram criadas duas expressões: superpotências e bipolarização – mostrando que o planeta se encontrava dividido em duas zonas de influência econômica, política e ideológica, controladas respectivamente pelos EUA e URSS. Do confronto entre ambos (Guerra Fria) resultaram a Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1961-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989). Somente em 1985, como início da Perestroika (reestruturação econômica) e da Glasnot (transparência política) implantadas por Gorbachev na URSS, esse cenário instável começou a se desfazer.

Parecia que o mundo estava se dirigindo para a paz, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia (em 2022) nos mostra que os problemas relacionados aos conflitos entre as nações permanecem vivos até hoje, apenas mudando algumas características do contexto histórico onde estão inseridos.

Sinais de que o mundo está reciclando suas questões conflituosas surgem quando se identifica que a extrema-direita foi escolhida para governar em alguns países periféricos. Devemos lembrar que a França e os EUA também entraram no cenário de disputas de matiz ideológico.

Por isso, é imperativo reconhecer que a educação para a paz é uma necessidade superior aos partidos e ideologias. É preciso recordar permanentemente a História para fazê-la viva e pedagógica em nossas sociedades. Que tenhamos sempre em mente a expressão que está escrita nos portais dos museus europeus que tratam do Holocausto: LEMBRAR PARA NÃO REPETIR!

Sobre o autor: Eleazar de Castro é aposentado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e tem uma longa carreira como professor. Sua paixão por História, II Guerra Mundial e viagens o fez escrever o livro imperdível Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1), editora Chiado, com a sua companheira de vida e alma Goretti Gurgel. Moram em Fortaleza-Ceará. E em breve viajarão para mais pesquisas na França e em outros países europeus para o volume 2.

Eu tenho o prazer de conhecê-los e participar de seu grupo de estudos e discussões sobre a II Guerra Mundial no Whatsapp: Pelos Caminhos da II GM. As lives no Instagram aos sábados, geralmente às 16 h, no seu canal @peloscaminhosdaiiguerramundial com estudiosos são um eterno aprendizado. Obrigada, Eleazar, pela sua contribuição importante ao meu blog. Saudações a você e Goretti/Leta.