Marrocos colorido-Casablanca-dia 2
Hoje é dia 5 de novembro de 2024 e estamos no ônibus vindo de Marrakech rumo a Fez. Passamos por Casablanca para conhecer os pontos turísticos principais.
Estamos nos arredores de Casablanca, passando por outro pedágio: Gare de Peage, em francês mesmo, já que árabe e francês são falados no Marrocos. O nosso guia Abdul continua nos ensinando muito. Bandeiras do país são vistas em firmas, lojas e na estrada. Em um prédio, significa pertencer ao governo.
Chegamos e já sentimos a diferença de Marrakech, primeiro na cor: branca. Os prédios são mais altos, mas com limite. Estamos na maior cidade e com maior tráfego. A poluição se visualiza, o tempo fica nublado. Eis a capital econômica, a cidade dos bancos e da publicidade. Tem o maior porto artificial. Mesmo assim, as companhias existentes em Casablanca se mudaram para Tânger, ao norte, por causa do porto e da distância pequena da Espanha, são 14 km da cidade de Tarifa.
Vale mencionar que na África a maior cidade é Cairo, no Egito, com 21 milhões de habitantes, já Casablanca tem 3,95 milhões em 2024, segundo a World Population Review. Também estão na lista como populosas Luanda em Angola, Joanesburgo na África do Sul, Adis Abeba na Etiópia, dentre outras.
Casablanca, cidade imperial, já foi Anfa ou Anaffa, fundada pelos Berberes em X a. C.. O filme Casablanca que a fez famosa a partir de 1942, é um clássico do cinema. Na verdade, foi mais filmado em Marrakech, conforme o guia nos contou. Com Humphrey Borgart e Ingrid Bergman, a película teve como diretor Michael Curtiz.
Faz parte da história da II Guerra Mundial com a Conferência de Casablanca, que a Wikipédia nos esclarece ter ocorrido no hotel Anfa, em janeiro de 1943, quando o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill se encontraram para planejar a estratégia dos Aliados europeus para a próxima fase da guerra. A Wikiwand acrescenta que estavam presentes na reunião os generais Charles de Gaulle e Henri Giraud representando as forças francesas livres. Daí saiu a “Declaração de Casablanca”, ou seja, a exigência de “rendição incondicional” das potências do Eixo. O premier Josef Stalin se recusou a participar, citando que o conflito em curso em Stalingrado exigia a sua presença na União Soviética.
As ruas lindas com hotéis, jardins e pontes. Existe a parte antiga da cidade, a Medina, menor e menos movimentada que as de Fez e Marrakech.
De acordo com o guia Abdul veremos a segunda maior mesquita do mundo: Hassan II, que perde somente para Meca na Arábia Saudita. Foi erigida entre 1986 e 1993, diz o site http://www.tireabundadosofa.com.br. Também comenta sobre o célebre minarete de 200 m. Desenhada pelo arquiteto francês Michel Pinseau, teve números expressivos: 2500 trabalhadores, 10 mil artesãos a trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Nota: a Wikipédia explica que minarete significa “a torre de uma mesquita, local do qual o almuadem anuncia as cinco chamadas diárias à oração”. Também nos menciona que o valor da mesquita em euros foi de 504,85 milhões.
O tour oficial da mesquita Hassan II ocorre em várias línguas e é a única do país que aceita visitação para quem não é muçulmano. Trata-se do maior símbolo do país e atrai milhares de turistas todos os anos. O fato de ser no litoral a embeleza mais ainda. Pela nossa excursão, somente conhecemos o exterior para fotos.
Um detalhe interessante: existe o Museu Judaico de Casablanca, o único museu judaico no mundo árabe. Mostra mais de 2 mil anos de história e tradições dos judeus.
A maioria dos moradores são de fora. O mar tem rochas, as melhores praias do país ficam no norte, em Tânger, por exemplo. O trânsito é digno de nota, intenso, difícil. O povo faz loucuras, anda pelo tráfego, abre porta de carro sem olhar a rua, estaciona de qualquer jeito, uma sandice. O dia ensolarado e quente, contrasta belamente com a cidade branca.
Mulheres ocidentais são vistas. O Marrocos é um país que respeita outras fés, então vemos sinagogas, igrejas, e lógico, mesquitas. Passamos pelo Instituto Cervantes. O Abdul nos ensina que as palmeiras são de dois tipos: a equatorial para decoração, menor; e a mais alta, tamareira, com seus frutos para comer. Que Casablanca mais formosa, limpa, arrumada.

Paramos na praça Mohammed V ou “praça das pombas”, coração da cidade. Em frente, a Ópera e perto o Tribunal de Justiça, cuja inspiração foi árabe andaluza, assim como o prédio da Prefeitura. Na praça, pombos mil. Observamos um tram (trem urbano) passando na nossa frente, bem estiloso. Marrocos surpreendente. No local, há homens berberes vestidos com roupas típicas de vendedores de água: túnica vermelha e chapéus coloridos, recebem gorjeta para fotos. A praça possui jardins bem cuidados, monumentos e fontes, lugar aprazível para passeios e descanso.
Mohammed V, segundo o site www.loucoporviagens.com.br, foi o rei da libertação, sultão do Marrocos de 1927 a 1953. Em fevereiro de 1956, negociou de forma bem-sucedida com a França e a Espanha a independência do Marrocos e, em 1957, assumiu o título de rei e se manteve no trono até 1961.
O rei atual Maomé (Mohammed) VI é figura respeitada, filho de Hassan II. Garante a seguridade e estabilidade, há o primeiro-ministro e representantes, contudo o rei tem poder de decisão. O Marrocos não tem confusão como outros países, de acordo com o Abdul, é porque não tem petróleo, ou seja, não tem “petroguerras”.
O guia sempre fala em táxis, uma graça. São mais de 7 mil. Os táxis pretos só funcionam fora da cidade. O táxi vermelho é o pequeno, para 3 pessoas, e roda dentro da cidade; o branco é para 6 pessoas. É grande e roda fora de Casablanca. Achei um país organizado. Cada cidade com seus táxis de cores diferentes. E detalhe: os taxistas não gostam de Uber.
Muitas mulheres de túnicas coloridas. Como digo, o Marrocos é vibrante.


A gente se dirige à beira mar a fim de conhecer a mesquita Hassan II. São vários prédios, há museu e escola para os imãs, líderes espirituais, com estudos de 4 anos, diz o guia. Ali no passeio conversamos com o Renato, do Rio. Brasileiros se unem, já que o restante do grupo da excursão são de espanhóis. No período do Ramadã, 120 mil pessoas a visitam. O lugar tem poucas cores para os fiéis não perderem a concentração. Casablanca fica chamativa com sua beira mar.
A cidade se situa na costa atlântica, tem o maior porto artificial do país. De lá rumamos à avenida La Corniche, à cerca do mar. Avenida muito formosa com palmeiras e casas antigas e modernas. Os preços são mais altos na região, é mais rica. O calçadão largo com muita vegetação. Eu amei! Vemos o farol. O mar lá embaixo com rochas e sol, uau! A praia Ain Diab é bem conhecida. Ao redor, cadeias de hotéis famosas, por exemplo, o Four Seasons, cadeia francesa. O rei da Arábia Saudita tem dois palácios no Marrocos, uma aqui e outro em Tânger.


Aos sábados, a avenida La Corniche fica um agito à noite, com seus restaurantes e vida noturna em discotecas, região internacional. Olhando para o mar, estão as piscinas construídas que recebem a água do mar. Lugar incrível. Eis a Califórnia do Marrocos, como dizem. Cada casa bela, a maioria branca, com muito estilo.
Em www.loucoporviagens.com.br aprendemos que um bairro conhecido com estilo cosmopolita é Anfa. Suas ruas são arborizadas, há moradias de luxo e refinadas com vistas deslumbrantes do oceano Atlântico e acesso direto a praias.
Há muita umidade em Casablanca, 30 graus aqui é pior que 50 graus em Marrakech. Para os asmáticos é péssimo.
Laranjeiras nos canteiros centrais e palmeiras por todos os lugares. Muito comum ver duas meninas caminhando na rua, uma vestida de forma ocidental e a outra com túnica e hijab (lenço que cobre o cabelo).
Pela cidade, nós no ônibus, reconhecemos os restaurantes de cadeias internacionais como KFC, Pizza Hut, McDonald´s, cafés mil com somente homens sentados na calçada. Atravessamos a movimentada avenida Gandhi.
Cidade imensa, bonita, com avenidas largas e palmeiras. Arquitetura, beira mar, prédios baixos, tudo é um charme. Descobri que meu tipo de cidade está no Marrocos, são muito agradáveis. O país é internacional, com muitas culturas e línguas. Casablanca já foi a mais cara para morar, hoje é Marrakech e Tânger. A dinastia do rei é de linha alauita, tem 400 anos, vem do séc. XVII.
Passamos pela Catedral do Sagrado Coração (25 Rue d´Alger), toda branca, construída durante o período colonial francês, entre 1930 e 1956, combina elementos góticos e art déco. O arquiteto foi Paul Tournon em 1930 (fonte: http://www.viajandocommoises.com.br). Hoje é um centro cultural desde 1956.
A fome nos incomoda, porém soubemos que só depois de chegar a Rabat, capital do país, excursão é assim. O que me salva são os biscoitos de chocolate integral Bauducco que o Carlos tinha. Ufa! Ainda bem. O pior foi o engarrafamento que atrapalhou nossos planos. Que trânsito mais louco e intenso, pior que o nosso e muito. O almoço ficou para mais tarde.
Continuaremos em breve com Rabat. São 94 km.






























