Marrocos colorido-Ouarzazate até Marrakech-dia 6

Marrocos colorido-Ouarzazate até Marrakech-dia 6

Hoje é sábado, dia 9 de novembro de 2024. Saímos do Hotel Karam Palace em Ouarzazate e vamos aos passeios. O condutor do ônibus se chama Reduan e o guia Abdul. Nosso guia tem conhecimento variado. Conta sobre o argan, comum na região. Segundo o site https://esteticacabofrio.com.br, o argan é um óleo extraído das nozes da árvore de argan, nativa do Marrocos. Amplamente reconhecido por suas propriedades nutritivas e hidratantes, muito bom para a saúde da pele e dos cabelos. O guia continua: o último terremoto destruiu muito do Kasbah Aburir que iremos conhecer por fora. Os kasbahs ou fortalezas ficavam sempre na parte alta para observar os soldados inimigos que vinham para guerrear ou as caravanas que passavam. Estamos na avenida principal, muito formosa, com palmeiras em formato de abacaxi, e tiramos fotos do majestoso kasbah. Passamos pelo Tribunal de Primeira Instância de Ouarzazate, bonito.

Ouarzazate em berbere significa “sem barulho” ou “sem confusão”, tem uns 70 mil habitantes e a maioria deles trabalha nos filmes feitos na cidade, ganham em dólares. Por isso ser chamada de Hollywood marroquina ou do deserto. É a maior cidade do Saara marroquino. Interessante dizer que não encontramos um cinema. As produções cinematográficas são grandes e alguns estúdios são abertos à visitação. Sentimos muito o orgulho do guia com o seu país.

“Cleópatra”, de 1999, foi filmada nos Estúdios Atlas. Para a película Kingdom of Heaven (Reino dos Céus), de 2005, foram usados 300 cavalos, e custou 2 milhões de dólares somente para 35 minutos de filme. Os táxis são amarelos. Na cidade, há várias fortalezas utilizadas, incrível. Uma é a mesma da construção de Jerusalém. Os turistas visitam Ouarzazate para conhecê-las, em um estúdio a entrada é uma claque de filmes. Segundo o guia, nos Cla Studios se produzem filmes, as roupas, manufaturas e armas utilizadas nas produções. Eu nunca conheci uma cidade assim, que vive inteiramente de cinema.

Venda de pratos coloridos e cerâmica pelo caminho. Estamos na direção de Marrakech. Dentro do ônibus, cada turista deu 100 DH (R$57,58) de presente para o nosso guia fantástico Abdul e motorista Reduan. O guia disse que fomos os melhores dos melhores, realmente, o grupo de 16 viajantes, sendo 3 brasileiros, era agradável mesmo. A gente senta junto no café da manhã e jantar e se diverte em “espanhol”. Diga-se de passagem: o espanhol é tão festivo quanto o brasileiro. Somos semelhantes. E na viagem ficamos próximos do guia.

Estamos na descida da montanha, embaixo de um vale e vemos outro povoado. Impressionante a quantidade de controle nas estradas. Passamos pelo famoso Kasbah Ait Ben Haddoud e suaaldeia, Patrimônio Mundial da UNESCO, desde 1987, e cenário de diversos filmes, como “Gladiador”, de Ridley Scott, de 2000, e a parte 2 do último com Denzel Washington, de 2023. Além de “Sequestro no Mar Vermelho”, de Dante Lam, de 2018, “Rainha do Deserto”, de Werner Herzog, de 2015, “As Quatro Plumas” (The Four Feathers), de Shekhar Kapur, de 2002 etc. Este último é colossal, vale a pena assistir. Na Hollywood da África, existem muitos hotéis e restaurantes.

Estamos a 30 km de Ouarzazate. Descemos do ônibus e entramos em uma loja de um senhor tuaregue que vende armas antigas, cantis (para beber água), produtos decorativos, colares, tudo bem antigo. Casas em terracota com alfafa para aplacar o frio e o calor. Por ali, há lojas e uma varanda para fotografar o Kasbah Ait Ben Haddoud. Impressionante, mesmo de longe. Um rio passa na frente, é um cenário árido e de mistério. Testemunhamos os visitantes explorando os cantinhos da fortaleza. No local, uma pequena vila de lojas e casas pequenas. Na de outro tuaregue, venda de joias estilosas em prata. Comprei um anel original por €20 euros. As pulseiras estilosas, a mulherada do grupo “endoidou”. Logo adiante uma loja de aquarelas de diversos tamanhos. Tintas feitas de açafrão, chá e índigo para as pinturas. O índigo é utilizado na coloração de turbantes. Comprei um postal pintado a 100 DH (R$57,58), belo de um kasbah, que coloquei em um porta retrato dourado.

Como o grupo da excursão era amigável, a gente dividia guloseimas no ônibus. Comemos amêndoas, tâmaras e figos secos. Estamos em uma carretera (estrada nacional em espanhol) nova com controle de velocidade. Entendo perfeitamente, pois os motoristas fazem ultrapassagens perigosas.

Cheio de povoados pelo percurso. Sábado é dia de compras para os funcionário públicos. Os ônibus esperam por eles. Gostam de carne de cabra. O guia dá muitas dicas. Há canaletas saindo das montanhas. Controle na estrada de novo. Subimos a montanha agora. Paramos no Restaurant Palais de Tichka no percurso às 12 h, mas ninguém quis almoçar, só eu… Preferiram seguir adiante. Prosseguimos na subida da montanha, estamos na cadeia montanhosa Atlas. São marrons e verdes por conta das árvores. Marrons por causa do enxofre. O enxofre é amarelo, montanhas com sal, brancas. Terra de ouro e prata, bronze no sul.

Cruzamos o Col du Tichka ou Tizi n´Tichka,conhecida pela sua neve perpétua, mas no momento, estava sem. As mudanças climáticas agindo. A Wikipédia esclarece que se situa a 2260 m de altitude e é um passo de montanha na cordilheira do Alto Atlas. Montanhas de chocolate, no local há cordeiros brancos da cabeça negra, porque tem água. A carretera antiga era pequena. A atual é muito boa. 75% do fosfato do mundo vem do Marrocos. Encontra-se cobalto também.

Enfim, almoço no Café Restaurant Tizi Ait Barka, em Al Haouz Province, Marrakech-Safi, que oferece um visual impactante de montanha e vale lá embaixo. Uma mesa para 16 pessoas. Gostei da venda de postais, cadernos e marcadores de livros, lógico que comprei. 157 DH (R$90,44) mais chocolate da Polônia, uma delícia, parece suíço. Almoço: entrada de azeitona branca temperada e preta que parece ameixa, além do pão, duro de sempre, embora bom. Nunca comi tanta brochete, no caso, de peru e batatas fritas. Na mesa, a maior farra, os espanhóis são muito simpáticos.

Mais informações vindas do guia. Vacas ficam nas casas, as mulheres as alimentam. Vemos muitos tapetes para vender. O Abdul me fala sobre o norte do Marrocos: a cidade de Tânger e Chefchaouen (a cidade azul), quero conhecer. Já nas proximidades de Marrakech, ele nos conta sobre Amelkis Resorts, localizado em Marrakech, no Boulevard Mohammed VI, no sopé das montanhas do Atlas. São casas luxuosas como hotel e morada. Privacidade e campo de golfe com 27 buracos. Usam muita água. Interessante que os marroquinos não jogam golfe, só os estrangeiros. Precisam da autorização da companhia de água e eletricidade para funcionar. Quem tem casa lá são os atores Leonardo Di Caprio, Tom Hanks, o jogador Zidane etc. Existem outros campos de golfe na cidade.

Perto de Marrakech, as antenas de telefone como palmeiras, bem original e integrados à paisagem. O guia sempre fala em funcionários públicos. Pelo visto são valorizados. Têm apartamentos de 52 m² e pagam em 25 anos. A vida é mais fácil para eles do que para o restante da população. Laranjeiras no canteiro central. Entramos em Marrakech pela avenida larga e limpa, rodeada de árvores, um jardim privado onde somente estudantes entram. O clima é melhor entre as árvores.

Ao adentrar o mesmo hotel em que já nos hospedamos no início da viagem em Marrakech, nos despedimos do grupo alegre da nossa excursão e do Abdul no saguão do Palm Plaza Hotel& Spa (Zone Hoteliere De L Agdal em francês). Ele nos deu informações sobre o dia seguinte e nosso voo para mim, Carlos e Renato, nosso bom companheiro de jornada. Quarto melhor ainda, de rei. Saímos depois de nos acomodarmos e fomos passear no (shopping center) Almazar Centre Commercial (em francês), de 3 andares, cerca do hotel. As lojas Miniso (conheci em Lima-Peru e amei), Colin´s e Virgin Megastore são algumas delas. Muitas promoções de roupas/outlets, imperdível, pena eu não ter condições de comprar e tempo.

Jantar no hotel. O melhor buffet, espantoso o número de pessoas, o salão enorme. O feijão é uma fava, comi com arroz. Feijão com arroz, nada mais brasileiro. Doces diversos, pizzas, saladas mil, comidas variadas, tudo perfeito. Depois, hora de se recolher, pois no outro dia mais passeios por Marrakech. Estamos de volta à cidade vermelha.

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.

Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.

Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.

Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.

Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.

Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.

Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).

Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.

A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?

A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic Rose Water Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.

Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.

Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No Hotel Karam Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.

Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.

Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.

Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Acordei em Erfoud no Kasbah Chergui Hotel às 6 h tomando remédio para enjoo e haja Sonrisal, Luftal e leite de magnésia. Motivo? Os temperos da comida marroquina. Logo, comi pouco no café da manhã, uma pena, pois estava promissor. Falamos para o guia Abdul do meu desconforto e foi muito simples, pois ele nos levou ao refeitório e nos ofereceu água mineral misturada com cumin para o estômago. Todos nós tomamos (o Carlos e Renato também), inclusive o guia. O Abdul disse que era normal se sentir assim, ainda bem que eu havia levado remédio, mas o tempero cumin (ou cominho em bom português) provou ser muito efetivo. Rapidinho eu estava bem. O marroquino usa para salpicar na comida e sempre existe um pratinho com a especiaria em qualquer restaurante. Faz parte da tradição do país, serve para indigestão, gases, assim como para baixar a pressão e o açúcar no sangue. Achei genial.

Nós lá fora, prontos com a bagagem, esperando o grupo da excursão que havia dormido em tendas no deserto. O Fran e a Silvia, casal simpático de Santiago de Compostela-Espanha, foi um deles. Disseram que é fabuloso, nós não fomos, fica pra outra. Como temos muitas dunas no Ceará, confesso não ter pensado no assunto. E era pagamento extra. Nosso guia ficou trocando ideias sobre futebol, ele sabe tudo. Uma graça.

A passarinhada fazendo a sinfonia de madrugada no hotel, algo belo. Interessante que no quarto do hotel, o banheiro era separado. Pia de um lado, chuveiro de outro e por aí vai. Gostei, sempre prático. Só lembro do bed & breakfast que fiquei em Londres a primeira vez.

O guia nos conta que Ouarzazate é a Hollywood do Marrocos. Vários filmes foram gravados no local, como Star Wars, Gladiador 1 e 2 (também em Malta e Itália), Lawrence da Arábia etc.

O ônibus vindo do deserto atrasou quase 1 hora e meia, chegaram e nós logo partimos. Erfoud ou Arfoud, cidade do deserto, um dos Palácios Reais se localiza lá. Prédios baixos, casas ocre, poucas avenidas e ruas, cidade dos bancos, lugar de pedras naturais e fósseis. Cidade das tâmaras, muita gente com as roupas típicas marroquinas: túnicas.

Os muçulmanos, diz o guia, são solidários, dão comida a quem tem fome. No passado, homens tinham até 4 mulheres, hoje ainda existe, mas menos. A religião não aceita a homossexualidade. Nosso grupo tinha 16 pessoas, a grande maioria, de espanhóis.

Paramos no banco para o Fran tirar dinheiro. Vemos o centro de Erfoud. As bicicletas soltas, ninguém mexe. No nosso hotel, percebi que a loja (fantástica para turistas) estava aberta, e o gerente na sua sala anexa ou do lado de fora. Uma simpatia ele, fala inglês e espanhol. O turismo no país é levado a sério e línguas estrangeiras fazem parte do pacote.

Descemos do ônibus em uma loja de tâmaras, escolhida pelo Abdul. A fruta seca do Marrocos é grande e suculenta. 120 DH o quilo (R$68,84). Aceitam euro também. Logicamente, compramos a caixa onde está escrito: Dattes al Majhoul, bem condicionado para viagem, qualidade superior. Na cidade, acontece a maior feira de tâmaras do mundo.

Vamos à loja, um galpão enorme, Manar Marble (Artisanat du Maroc), Route du jorf B.P: 199. Morocco´s Premier Fossil at Stone Souree. Uma fábrica de fósseis e pedras naturais. 350 milhões de anos atrás, a localidade tinha mar, hoje é deserto. Um vendedor da loja nos recebe e mostra o mármore, dentro do bloco muitos fósseis de lulas e caracóis. Rosa do deserto de areia cristalizada. (Eu e o Carlos fugindo dos cigarros dos espanhóis). No chão, fósseis de corais e medusas (de 620 mil anos atrás). Artista esculpe à mão objetos de mármore, 2 meses para fazer isso. Um bloco leva 8 meses e custa 35 mil dólares. Muito do que é esculpido vai para museus. O lugar de exposição das esculturas vale conhecer, há fontes do tipo Jacuzzi com cascata de 600 quilos e mesa por €1400 euros, para a Andaluzia na Espanha. Blocos com fósseis de sardinhas, um calamar (lula) grande, incrível. Linda fonte de mármore com fósseis. Que original. O rapaz nos mostra máquinas de corte e lapidações. Loja única no mundo. Comprei uma tartaruga trabalhada por €10 euros. Passeio imperdível.

Estamos na direção de Marrakech. Os arredores de terra seca, árida, desértica, mas arborizada. Passamos por montanhas enormes que parecem o Centro-Oeste americano, com dunas circundando. Ali foi filmado Sahara (de 2005, com Matthew McConaughey e Penélope Cruz). Em um povoado no caminho, vemos mulheres de túnicas negras, que as protegem do sol, povo berbere. Lugar pacato e peculiar. Andam de jumento com uma proteção de ferro em ambos os lados. Usam motos também.

Pela estrada ou carretera (em espanhol), usam postes de luz com energia solar. Segundo o guia, o Marrocos foi o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência americana em 1777. Os guias marroquinos sabem muito, fiquei maravilhada. Fezna Ouled Jellal naregião deDrâa-Tafilalet, povoado, casas com jardins perto da estrada. Muitas fechadas, porque o povo mora na Europa. Caravana de motorhome que vem de Tânger, no norte, por ferry boat. São italianos. Vemos a montanha onde está escrito “Allah, país, Rei”, símbolo da monarquia alauita. O material usado na construção das casas é terracota, argila cozida no forno, sem ser vitrificada, boa para calor e frio.

Local seco há 44 anos, os montes de terra vistos são poços. Os tuaregues usam roupas de cor azul índigo, são os homens azuis (originários de Tombuctu ou Timbuktu em Mali, país africano). Em Povos de África: Os Tuaregues, os Guerreiros do Saara – Mais Afrika, ficamos sabendo que a vestimenta tradicional, como o tempo tinge a pele de seus portadores, conferindo-lhes uma aparência marcante e misteriosa que se tornou a sua marca registrada.

Passamos por montanhas rochosas como se fossem fragmentadas. Plantação de oliveiras espanholas, palmeiras pequenas, 46 tipos de tâmaras. Outro povoado com mulheres de túnicas pretas e faixas coloridas (da cor da bandeira dos berberes). O Marrocos é interessante, as cores das túnicas mudam de acordo com a cidade. Rua difícil para passar o ônibus. Pueblo/aldeia com feira dia de sexta, casas viradas para a montanha com pedras empilhadas em frente às casas ou na rua ao lado para evitar a água intensa que vem da serra quando chove.

Na estrada, paramos em uma loja original, por pertencer a uma mulher: Souvenir Aicha. A proprietária Aicha trabalha com mulheres somente. É viúva e tem apoio dos guias de turismo. Vestimos trajes de berberes: as túnicas e tiramos fotos. Um barato. Comprei uma vermelha por 200 DH ou €20 euros.

As casas têm os proprietários que moram fora, principalmente na França, são enormes com 200 m². Passam 11 meses no exterior e um mês com a família na localidade. Alugam mais barato a parte de baixo do imóvel para lojas, assim quem aluga cuida da parte de cima. Uma troca. A vida é mais barata no local do que em Marrakech. Às sextas é dia de festa, vestem branco e vão às mesquitas. A cidade fica sem movimento na hora da oração. Os habitantes são mais tradicionais do que em outros lugares, os jovens não andam de mãos dadas quando namoram, não se veem homens e mulheres juntos, se estiverem, são irmãos. Ou seja, casais andam separados.

Para o muçulmano, o dia da oração é sexta-feira, para o judeu, o sábado e para o cristão, o domingo. Sobre os dromedários, buscam comida soltos e voltam para casa ao fim do dia. Eles têm donos. Mais ao sul do Marrocos, as famílias escolhem o casamento dos filhos, no mais, são livres, segundo Abdul.

Chegamos a Tinghir pela avenida principal larga com postes de luminárias bonitas e vários prédios ao longo dela. Cidade mais antiga do sul, no passado cidade dos judeus. Atualmente eles vivem em Casablanca. Vemos as casas em ruínas onde eles moraram. É costume local não destruir casas antigas, pois são as casas dos pais, da história da família. Tinghir é um oásis. Os berberes habitam no local. Não usam preto, usam uma túnica branca e maior. Os homens de roupa djellaba (túnica). Há albergues para turistas. Terra de prata 925 k e tapetes. Construções na montanha novas e velhas. Quanto maior o número de palmeiras, maior a riqueza da família. Os berberes ainda casam com duas a três mulheres, a segunda precisa da autorização da primeira que negocia uma casa para aceitar, por exemplo. Sempre aprendendo sobre a cultura diferente do país.

Continuaremos com Tinghir e as Gargantas de Todra, lugar impressionante.

Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Saímos de Fez, já passamos por Ifrane e cruzaremos as cidades de Zaida, Midelt, Rich e Errachidia antes de alcançar Erfoud.

Chegamos a Zaida, cidade de cor amarela, bem desértica, portão do deserto do Saara para os viajantes que vêm de Merzouga e região de Tafilalet. Maçãs por todo o lado. A rua principal com mercados na calçada e restaurantes nos dois lados da rua. Que visual mais diferente de deserto. O guia Abdul comprou maçãs verdes e vermelhas para nós todos, uma atitude simpática. Maçãs deliciosas.

Segundo a Wikipédia, Zaida é uma aldeia berbere na região centro-oeste do Marrocos. Está localizada a 30 km a sudeste da cidade de Midelt e é conhecida pela produção de maçãs. A maioria dos habitantes é de agricultores.

Paramos no Café Restaurant 7 (Ait Ayacherp, 13), endereço: 23 km entre Midelt e Zaida 54375, para café e banhos. Ainda não para almoço. Tomamos um café americano por 20DH (R$11,71) a fim de enganar a fome. Entramos na zona militar, há um presídio à esquerda.

Próxima cidade: Midelt. Vemos o Hotel Taddart, uma fortaleza ou kasbah em árabe, construção do sul. Deserto, calor, a cadeia montanhosa Atlas à vista. Passamos por uma alameda com árvores dos dois lados, controle policial. No Marrocos, as entradas das cidades têm fontes de água com símbolos de frutas, no caso, a maçã. Muito criativo. Vimos um hospital, lojas, prédios, bancos, alamedas, casas quadradas de cor amarela de adobe. Os muros são trabalhados. Fora das casas 40° C e dentro 20° C. As escolas são coloridas, a cidade é grande, toda no adobe. Lembra São Pedro do Atacama no Chile. Há estação de trem e ponte com luminárias e bandeiras. Considero tudo gracioso.

De acordo com a Wikipédia, Midelt é uma cidade no centro do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Meknès-Tafilalet. Situada na junção dos maciços montanhosos do Médio Atlas e do Alto Atlas Oriental, a 1520 m de altitude, tendo por fundo o imponente Jbel Ayachi, um pico que se ergue a 3757 m de altitude, Midelt encontra-se a 190 km a sudeste de Meknès, a 200 km a sul de Fez e a 140 km a norte noroeste de Errachidia. Uma curiosidade: no sul do país está o pico mais alto Jbel Toubkal a 4167 m.

Rumamos ao sul, as montanhas ficam mais avermelhadas. No Atlas, ao norte não neva, ao sul, sim. Sinto falta de placas de trânsito na estrada com distâncias e direções das cidades. Vemos a primeira usina de energia, lá adiante à esquerda energia eólica. Montanhas rochosas, subimos a 1907 m, depois descemos em pista dupla. Que fome! São 12h45 e nós na estrada. Deserto com plantas baixas e o Atlas à frente sem neve.

Montanhas caracoles, ou seja, em forma de caracol. Vimos nômades no rio seco que só tem água quando chove. Essa água não é usada para agricultura, porque tem enxofre. Casas maiores e mais baratas na região. A água pura utilizada pela população é de água vinda da montanha. A eletricidade vem da energia solar, no local, muito frio. De 6 anos para cá, ocorreram mudanças na região com a plantação de oliveiras. Muitas macieiras e outras árvores.

O rio de água quente com enxofre à direita, bom para pessoas com reumatismo e problemas de articulação se banharem. Um oásis ao lado. O governo paga a escavação de muitos poços para a população, afinal estamos no deserto. Cabras, e casas com mais de 2/3 das famílias nelas. País organizado. Compram petróleo do Catar e da Rússia, além de outros países. Testemunhamos mulheres lavando roupas no rio. Zona militar, porque é perto da fronteira com a Argélia. Vemos uma mesquita.

Enfim, almoço em Rich, umas 14 h, estávamos esfomeados! Rich é uma cidade na província de Midelt, região de Drâa-Tafilalet. Anteriormente, pertencia à província de Errachidia, mas desde 2009 faz parte da província de Midelt, diz a Wikipédia. No Café Salama, comida prato executivo: frango assado, legumes, arroz e batata-doce. Levemente apimentado, típico. Na frente do restaurante, uma tenda de um tuareg, feita de pele de dromedário negro. Tuareg, explica a Wikipédia, são do grupo étnico “berberes”, tradicionalmente, pastores nômades, que habitam o deserto do Saara, da Líbia à Nigéria.

Pós-almoço vemos o Grand Canyon do Marrocos. Túnel Zaabal, dentro da montanha do Médio Atlas. Erfoud ou Arfoud a 110 km. Finalmente, vejo uma placa informativa sobre um kasbah na estrada.

São muitos lagos no país, este que vemos não serve para pesca, só para eletricidade e militar, pois possui enxofre. Em pesquisa, vi uns 67. O lago Al-Hassan Addakhil (ou barragem) é enorme, a água vem da montanha e vai se concentrando em buracos no chão, feitos de pedra. Há ruínas de casas ao redor do rio Ziz, porque o governo construiu casas mais adiante. Passamos pelo palácio do rei do Catar em frente da estação de gasolina privada dele.

Mais uma cidade antes de Erfoud, Errachidia. Zona militar, por ser próxima da fronteira com a Argélia. O guia nos informa que se faz serviço militar aos 18 anos por 2 anos. Cada mês, o jovem recebe €200 euros, quem faz geralmente é pobre. Quem tem irmãs somente ou é filho único ou está enfermo não faz. O contrato para quem quer servir por mais tempo é de 10 anos e o governo ajuda a pagar a eletricidade para os militares. Vimos a academia militar que os forma na cidade. O símbolo da monarquia é Alá, País, Rei.

A Wikipédia nos conta que Errachidia ou Er-Rachidia, antigamente chamada Ksar es Souk ou Ighram n Souk em berbere, é uma cidade ao sudeste do Marrocos, capital da província homônima, faz parte da região de Meknès-Tafilalet.

As palmeiras são diferentes na região, menos decorativas, são tamareiras. A fruta tâmara, amada e produzida no Marrocos, é boa para diabéticos, quando o açúcar cai. Há diversos tipos de tâmaras. No período do Ramadã (feriado muçulmano) se come muito.

Perto de Erfoud, visualizamos um oásis gigante (palmeiral de Ziz) com casas quadradas de adobe ao redor, incrível observar o contraste com a terra seca e árida. Eu não tinha ideia do tamanho de um oásis. Conforme o Abdul, já prendeu fogo em um oásis desses de 11 km de palmeiras.

Finalmente, Erfoud. A porta de entrada para o deserto. O hotel com arcadas é “das Arábias”: Kasbah Hotel Chergui (Route/Rota Errachidia km 5.5). Logo pegamos as malas e fomos deixá-las no quarto. O planejamento com o guia era fazer isso rápido, porque o rapaz do carro 4×4 estava nos esperando a fim de irmos às dunas de Erg Chebbi, onde os 3 dromedários nos esperavam. Muito emocionante estar no deserto do Saara em uma jornada dessas, apreciando a paisagem. Escolhi o animal branco, mansinho, e o apelidei de Carmelo, o condutor era o Ibrahim que falava espanhol.

Experiência que amei. Fiz muito cafuné no Carmelo e no do Carlos que estava atrás de mim, estávamos em fila: eu na frente, o Carlos e o Renato (nosso amigo brasileiro) atrás, seguros por uma corda guiada pelo Ibrahim. Os dromedários (ou camelos da Arábia) são calmos, diferente dos camelos do Egito que, na verdade, são de Mali, maiores, mais brabos e com duas corcundas. Os nossos são menores e têm uma corcunda. Descemos para ver o pôr do sol e entardecer em cima da duna menor. Momento mágico. Depois, o Ibrahim nos mostra uns produtos da região e pede que o ajudemos comprando. Comprei um dromedário bem lindinho de pedra por 100DH (R$58,73). Subimos nos nossos animais e rumamos ao carro 4×4 para a volta ao hotel. Nem todos da excursão escolhem fazer esse passeio.

Para acrescentar, o site Visit Morocco menciona que Merzouga é um dos portões do Saara, uma pequena aldeia perdida no meio das areias. É o território de Erg Chebbi, um mundo de dunas, palmeiras, trilhas e caminhadas. Indica que devemos passear pelo deserto e descobrir trechos de areia banhada pelo sol e pelo silêncio. Caminha-se no meio da imensidão árida, quando na curva de uma duna, se distingue o lago Dayet Srij.

Retornamos ao hotel 4 estrelas, enorme, o quarto com cama gigante, tudo muito lindo e decorado em estilo marroquino, deslumbrante. O jantar em forma de buffet, espetacular. Cheio de americanos. Senti-me “no reino das mil e uma noites”.

Continuaremos com mais aventuras no Marrocos encantado.

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Ifrane a caminho de Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Estamos em Fez e partiremos para Erfoud, passando por cidades pelo caminho e atravessando o Médio Atlas. Acordamos às 6 h, descemos para o café da manhã, que achei fraco para um hotel 5 estrelas. Às 7h30 fomos embora do hotel Zalagh Parc Palace de ônibus. Cidades limpas, em geral, verdes, repletas de cores. Como não se encantar?

Pedágios na rota. As estradas muito boas, verdadeiros tapetes. O guia Abdul I (o II foi o de Fez) nos conta detalhes do clima. Em Marrakech e Fez faz muito calor, uns 50° C, no verão, logo muitos moradores têm casa de veraneio em Ifrane, uma aldeia montanhosa, cuja aparência é de uma vila suíça, com altitude de 1650 m. O pico mais alto vai a 2 mil m. e o clima é de ameno a frio. Outro lugar de montanhas a conhecer, segundo o guia, é Immouzer Kandar para amantes da natureza e alpinismo. O cume da montanha Djebel Abad alcança 1760 m de altura.

Estamos na região de serra, com povoados a 438 km de Marrakech. Há lagos perto. Árvores de cedro, macieiras e amendoeiras, a água usada tem origem nas montanhas. No país é muito comum ver maçãs amarelas, verdes e vermelhas. Região da fruta. No ônibus, continuamos nos comunicando em espanhol e inglês com o guia, ele nos ensina um pouco de árabe.

Na vila de Ifrane, existe o maior estabelecimento privado da África de língua inglesa: Universidade Al Akhawayn. Usa os sistemas de ensino de Oxford e Cambridge com professores da América do Norte, de acordo com Abdul I. São 75 hectares, os estudantes são de diversas nacionalidades, além dos abonados de Fez, Casablanca e Marrakech. Foi fundada em 1995 pelos reis Hassan II, do Marrocos, e Fahd, da Arábia Saudita. Em Ifrane, treina a seleção de atletismo do país, e a seleção de futebol marroquina se concentra no local antes de campeonatos.

Os bosques bonitos de se ver transformam a cidade em magnífica. Diria que é a Gramado (no Rio Grande do Sul) deles. A Wikipédia nos conta que a cidade foi fundada pelos franceses durante o protetorado como estância alpina, tem um aspecto notavelmente europeu, lembrando uma aldeia nos Alpes, por isso ser chamada de a “Pequena Suíça”. Devido à grande altitude, a neve é abundante no inverno e tem clima fresco no verão.

Uma curiosidade: o Leão de Ifrane”, o logotipo mais fotografado da cidade e ícone de toda a população, é uma escultura anônima, feita inteiramente de pedra, de acordo com a página do blog: The lion of Ifrane em Ifrane: 5 opiniões e 3 fotos, já a Wikipédia diz que é obra de 1930, do escultor francês Henri Jean Moreau (1890-1956). Também é dito que o Leão foi esculpido por um soldado alemão durante a II Guerra Mundial, quando Ifrane foi usado como campo de prisioneiros. A escultura é uma homenagem ao último leão selvagem do Atlas, que foi abatido nas proximidades da cidade, no início dos anos 1920. O nosso guia afirma que dá sorte e ter uma foto ao lado dele faz parte do ritual dos viajantes.

Descemos no Hotel Le Chamonix para café e fotos. Aliás, um expresso por 15 DH (R$8,89). Cidade pacata, com um parque em frente (Parc La Prairie) e ao lado, venda de pedras e colares nos bancos de sentar. Que lugar mais formoso. No local se encontra o “Leão de Ifrane ou de Pedra”. Clima no momento de 14º C, uma delícia. Parque florido, tudo tão gracioso. Na calçada do hotel, banca de frutas secas e o mercadinho Caprice Shop para guloseimas. Vendem muitas túnicas em todos os locais. Parece também com Gravatá em Pernambuco, só não o clima congelante, com certeza. As casas são estilo alpino, quem diria que no Marrocos haveria uma cidade assim? Grata surpresa.

Um dos palácios da Família Real do Marrocos está na cidade, onde o rei Mohammed VI e sua família passam o final de ano. Bosques e mais bosques de cedro, são protegidos pelo governo. Aliás, a Wikipédia nos conta que os bosques são semelhantes aos da região de clima frio da Europa, com espécies como o cedro-do-atlas, carvalho-português, azinheiras e o pinheiro-bravo. Estamos em um vale entre as montanhas.

Segundo a Wikipédia, Ifrane é uma cidade e estação de esqui do centro-norte do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Méknes-Tafilalet. Significa “grutas” em berbere. Situa-se nas montanhas do Médio Atlas, a 1700 m de altitude e a 70 km ao sul de Fez. Nos arredores da cidade, há três áreas naturais protegidas: o Parque Nacional de Ifrane, a noroeste; a Floresta de Cedros, ao sul; e a Reserva de Caça de Ifrane, a nordeste.

Saímos de Ifrane, maravilhados, e seguimos pela estrada, utilizada por quem vem de Fez para o deserto e países vizinhos. Vemos o cordeiro de cabeça marrom que come plantas. Caminho verdejante, porque neva. Não há animais selvagens, estamos na Patagônia marroquina.

Que floresta de cedros incrível! Pinheiros e cedros. Há macacos na região, visualizamos alguns. Vimos motocicletas da Alemanha. Quando neva, tudo fica branco. Os nômades moram na localidade, vivem entre as serras. Sim, no Marrocos existem populações nômades. Quando neva, vão para o sul com seus rebanhos de ovinos (ovelhas e cordeiros) e retornam em abril. Antes se movimentavam livremente entre os países, mas com a existência de fronteiras, já não podem mais. Os mais jovens das famílias preferem morar nas cidades.

Vimos montanhas com árvores, onde se pratica esqui, porém é perigoso, por causa dos troncos no percurso. Mais nômades com seus rebanhos. Estão em preparação para a Festa do Cordeiro (em árabe Aid al-Adha), feriado religioso, que ocorre uma vez por ano, em período variável, baseado no calendário lunar islâmico. Sucede a peregrinação à Meca e comemora o sacrifício que Abraão fez por sua fé em Deus. Cada família compra pelo menos um cordeiro por €200 a €250 euros, para a festa dispendem uns €1200 euros. Na cultura local, o “noivo” casa com a família, quando um problema aflora com a esposa, ocorre com a família toda.

Plantações de maçãs, as melhores do país. A água vinda das montanhas é pura. Região de plantações de batata-doce e legumes para consumo próprio das famílias, a terra escura é fértil. Passamos por montanhas rochosas com um córrego ao lado, mais curvas e mais nômades. Controle de documentos do motorista pela gendarmeria, povo elegante.

Que contraste o deserto com a cadeia de montanhas Atlas e seus picos nevados. Prosseguiremos com a jornada em breve pelo Marrocos fascinante.

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024, estamos em Marrakech, a segunda cidade imperial mais antiga do Marrocos, e vamos chegar a Fez no final do dia. Passaremos em Casablanca, Rabat e Meknes antes de chegar a Fez. Viagem de ônibus pelo Marrocos, com a excursão intitulada de Brasileiros nos Encantos do Marrocos pela CVC.

Acordamos às 6h30, 7 h o café da manhã e 8 h já sairíamos do hotel. O café da manhã no Palm Plaza Hotel & Spa em Marrakech é de sonhar. No mesmo salão do jantar do dia anterior, encontramos um buffet fantástico de comidas (para os orientais), salada de frutas, pêssego e pera em calda, comida marroquina, pães variados, um deles de tamanho médio e retangular, com uma casquinha crocante inesquecível, iogurtes cremosos caseiros (uau!) de morango e baunilha etc. Fiquei com vontade de ficar no hotel, porém a jornada estava para começar. Só tínhamos meia hora para comer. O lugar repleto de europeus. Detalhe: o melhor pão que já comi, ao lado do croissant de chocolate do hotel Printemps em Paris no ano de 1997. Como esquecer?

São 8 h e estamos na entrada do hotel com as malas. Lá conhecemos o grupo da agência Special Tours ligada à CVC brasileira. Somos três brasileiros, o Carlos, eu e o Renato, do Rio de Janeiro. As outras pessoas, quatro casais da Espanha. Todos pontuais, ônibus vermelho, motorista pronto, com guia Abdellatif ou Abdul. As conversas com o guia serão em espanhol, aliás, ele fala muito bem. O guia também fala inglês, francês (todo marroquino fala) e outras línguas. Parabéns!

Observo que as mulheres cobrem o cabelo com um lenço (hijab) e usam túnicas coloridas, bonitas, alguns homens também. Estamos em um país muçulmano. Vejo umas de burca, e algumas cobertas no rosto, vê-se que não são do Marrocos, mas de outros países árabes, mais rígidos.

São 240 km para Casablanca em uma autopista. Estamos rumo ao norte em direção ao oceano Atlântico. Informações do Abdul: 14 km separam Tânger da Espanha. No Marrocos, Fez é a cidade mais antiga, Rabat, a capital administrativa e Casablanca, a capital econômica.

Ainda em Marrakech no rumo de Casablanca. Há a muralha da cidade, dentro dela a parte antiga e fora, a nova. É uma fortificação de 19 km que envolve toda a Medina da cidade, erigida em 1122, faz parte do Patrimônio da Humanidade. Passamos por uma avenida, cujo clima é de 28° C, 30° C e fora dela 50° C, vemos quadras de esportes e lugares para piqueniques à noite. Muitas palmeiras, um verde de chamar a atenção. O motivo do clima ameno é o Jardins de Agdal, no local, que segundo a Wikipédia, são constituídos de talhões retangulares de pomares de laranjeiras, limoeiros, romãzeiras, pessegueiros e figueiras, que são ligados por caminhos ladeados de oliveiras. Localizados ao sul do Palácio Dar El Makhzen ou Palácio Real, cobrem uma área de 500 hectares e datam do séc. XII, jardins feitos durante o reinado do califa almóada Abde Almumine. Nos prédios públicos e ligados à realeza se encontram a bandeira do Marrocos e a foto do rei.

O guia ama o futebol brasileiro, sabe tudo. Estamos passando e circundando a muralha por fora. Uma parte foi destruída pelo último terremoto em setembro de 2023, nível 6.8, a maior devastação foi nos arredores de Marrakech, principalmente, em áreas montanhosas de difícil acesso. No total 2 mil pessoas pereceram. Os cemitérios são todos construídos em direção a Meca. Um rio seco pelo caminho, quando chove nas montanhas, ele enche.

5 milhões de marroquinos moram fora do país e gostam de comprar objetos de qualidade de segunda mão. A periferia da cidade tem construções ao longo do rio, antes eram favelas. Edifícios baixos para funcionários públicos, pagam em 25 anos, percebi serem valorizados como categoria profissional. Mais em conta por serem fora da cidade. Mesquita, Tribunal. Chama a atenção o tamanho dos prédios, são baixos para proteger a harmonia da cidade.

O estádio de futebol em forma de muralha, cabem 65 mil pessoas: Grande Estádio de Marrakech. Não é fácil entender o árabe quando o Abdul fala o nome das ruas e lugares. Tudo é plano. A Copa de Futebol da África será no Marrocos em 2025, os estádios estão sendo restaurados. Nas placas de trânsito sempre o árabe e o francês. Segundo o guia, montanha tem 2 mil metros, menos é serra. Pelo caminho, venda de cerâmica.

Polícia na cidade, fora é Gendarmeria, por sinal, são todos muito elegantes. De impressionar. Na autopista, um ônibus vai a 100 km/h, os carros pequenos a 120 km/h. As estradas são um tapete de tão boas. Há muito controle de velocidade.

Pela estrada, observo uma paisagem árida e seca, parece o deserto do Atacama. Do norte do Marrocos há trens para Marrakech, a ferrovia do sul está em construção. A terra é marrom, mais rica, propícia para a plantação de cereais e trigo. Em Marrakech, a terra é vermelha. São 135 lagos para eletricidade e agricultura no país, de acordo com o guia.

Na Cordilheira Atlas neva. Na região montanhosa Rife, no norte, moram os berberes, povo originário do Marrocos. Eles têm um dialeto diferente do árabe de Marrakech. Dentre os países que falam árabe, o de melhor pronúncia é o do Egito. Os marroquinos falam árabe misturado com francês, por isso não entendem bem os dos outros países. Somente compreendem 80% do árabe da vizinha Argélia e 70% do da Tunísia. Esses países e o Marrocos têm o mesmo clima. Nota: o Marrocos foi colônia francesa do final do séc. XIX até 1956. E o francês é disciplina obrigatória nas escolas marroquinas.

Na opinião do nosso guia, o homem marroquino não gosta das películas indianas ou turcas, porque os mocinhos são ricos. Uma comparação ruim, já que o Marrocos é um país pobre, subdesenvolvido. O Abdul é sincero. Muitos filmes são feitos no país, em Ouarzazate, como O Gladiador e Reino dos Céus (Kingdom of Heaven), esse com 2 mil cavalos e 8 meses para construir a fortaleza. Filme muito falado, a Wikipédia nos informa que é de 2005, o diretor britânico Ridley Scott e conta a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Kingdom of Heaven – Wikipédia, a enciclopédia livre

Chove mais no norte. As oliveiras marroquinas levam 5 anos para crescer e são maiores, então os agricultores preferem as espanholas que com 2 anos estão prontas para a colheita e são menores. A cidade Meknes é a capital do vinho, outras cidades também produtoras, como Benslimane, Berkane e Casablanca. Há restrições às bebidas alcoólicas no país, devido à religião. O argan é usado para comer com pão e salada (a fim de controlar o diabetes), evita a aterosclerose e o infarto, e em cosméticos: evita o envelhecimento precoce, hidrata os cabelos e a pele.

Há cooperativas de mulheres trabalhando juntas, fato que os maridos não se incomodam, pelo motivo de não trabalharem com outros homens. O Abdul gosta de nos dizer (para um grupo com cinco mulheres ocidentais) que a mulher no Marrocos é a rainha da casa, a mais importante da família, a dona da casa e que seu papel é cuidar do lar. Outro país, outra cultura.

Vemos muita energia limpa por aqui, energia solar, até o aeroporto de Marrakech utiliza.

Paramos para banheiros e café em uma loja de conveniência da Shell (em francês, um AIRE DE REPOS, são incríveis). Café com leite e um suco de pêssego COMPAL (marca portuguesa), oba!

As estradas sem um remendo. Que inveja! No país se come muito cordeiro. Há uns de cabeça marrom que comem plantas, carne boa para o controle do colesterol, e uns de cabeça branca e olhos negros que são mais caros.

Estamos já perto de Casablanca. Entramos em Settat, cidade onde é mais barato viver do que em Casablanca. Muito comum ver famílias morando juntas em casas nas cercanias. Na parte moderna, prédios rodeados de eucaliptos. Para um marroquino, chá é para todos os momentos. O eucalipto serve para problemas de coluna. Plantas medicinais, chá verde e ducha fria são bons para a saúde. O ginseng vermelho tem ferro. Também encontrado na Mauritânia, país próximo. Mesclas de chás e plantas resultam em afrodisíacos naturais, dão força. Plantação de melão na região. As frutas, devemos perguntar de onde são, porque têm preços diferentes e qualidade também.

No Marrocos existe um problema sério de água, por isso a energia solar é tão utilizada em coleta de água na agricultura.

Importante mencionar a Festa dos Cordeiros ou Festa do Sacrifício, tradicional nos países muçulmanos. Os habitantes oferecem cordeiros às mesquitas, viúvas e pobres. Para um muçulmano, quem pede comida, recebe. A festa, conhecida como Aid al-Adha, marca o fim do Hajj, a peregrinação muçulmana a Meca. Em https://viverviajar.com/festivais-religiosos-do-marrocos-que-encantam-os-viajante-de-todo-mundo.html/ A Festa do Cordeiro e a comemoração do sacrifício de Abraão são celebrados por muçulmanos em todo o mundo com a oferta de um sacrifício de animal, geralmente uma vaca ou um cordeiro, como uma ação de graças a Deus por salvar a vida de Ismael, filho do profeta Abraão. A carne é dividida em três terços, um vai para a pessoa ou pessoas que dão o animal, outro para distribuir entre parentes e o último terço para quem precisa, independente de religião, raça ou nacionalidade.

Shukran Jazilla, muito obrigada. Sou eu, aprendendo com o Abdul um pouquinho de árabe. Não custa nada. Estamos nas adjacências de Casablanca e vemos o maior aeroporto do país.

Em breve, visitaremos a Casablanca, a Cidade Branca.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Hoje é dia 10 de abril de 2024 e continuamos em Sesimbra. Pós-almoço no restaurante O Canhão perto da Fortaleza de Santiago, decidimos passear pela cidade. A Capela do Espírito Santo dos Mareantes, localizada na rua Cândido dos Reis, 17, só abre às 14 h. Não conhecemos. Estamos na freguesia de Santiago.

Sesimbra é um lugar pacato e pequeno, todo mundo se conhece, pelo que percebi. São três freguesias, ou seja, subdivisões dos municípios: Castelo, Quinta do Conde e Santiago (sede). E praias diversas, como de Alfarim, da Baleeira, da Mijona, da Pipa etc.

A construção da Capela da Santa Casa de Misericórdia iniciou no séc. XVI, ao longo dos séculos teve muitos melhoramentos e possui estilos barroco, manuelino, maneirista, joanino, dentre outros. Velórios de habitantes da cidade ocorrem lá. Situa-se à Rua da República, 36.

Na praça com um pinheiro gigante e jardins ali ao lado da capela, pegamos um táxi com o Miguel para o Castelo de Sesimbra ou Castelo dos Mouros por €10 euros por pessoa. É uma viagem distante e com subidas. A freguesia do Castelo é enorme. O cemitério lá embaixo não se usa mais, as pessoas traziam o morto em uma carroça a mão, incrível por ser um local alto e longe. Eis a igreja onde ocorriam os velórios antigamente: Igreja N. Sra. do Castelo ou N. Sra. da Assunção ou de Santa Maria do Castelo, toda no azulejo branco e azul, datada de 1165. Segundo a Wikipédia, deve ser apreciado com atenção a beleza e história dos azulejos do séc. XVIII. O altar no ouro é um deslumbre.

O visual lá de cima é digno de nota, o taxista Miguel nos deu aula sobre azeites e oliveiras da região.

O mar vai até o rio Tejo. Muito verde, casas magníficas, cabo Espichel, região agrícola, pesqueira, ventosa (perto do oceano Atlântico com mais de mil metros de profundidade). A Wikipédia esclarece que o cabo, a oeste da vila de Sesimbra, marca a extremidade sudoeste da península de Setúbal. Do local, vislumbra-se a vertiginosa e abissal baía dos Lagosteiros. A Ermida da Memória é situada no local, sendo o elemento mais antigo do santuário.

O site bootraveller.com nos conta que existe uma lenda antiga nesse local, proferida por frei Agostinho de Santa Maria que afirmava que N. Sra. apareceu na baía dos Lagosteiros montada numa mula gigante, subiu rocha acima, firmando as mãos e os pés na rocha, à medida que subia, ia deixando seus vestígios. A lenda diz que no local foi edificada a Ermida da Memória, paragem de N. Senhora. As marcas, na verdade, são de dinossauros.

Tem aqueduto e farol. A Wikipédia nos diz que a Casa da Água, edifício terminal do aqueduto abastecia o Santuário do Cabo Espichel ou de N. Sra. da Pedra da Mua, inserido no parque natural da Arrábida, localizado no cabo Espichel.

Vimos as casas dos romeiros ou Casas dos Círios, que fazem parte do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. O site bootraveller.com nos informa que é o primeiro edifício que vemos ao chegar ao lugar. As antigas hospedarias têm atualmente portas e janelas fechadas com cimento para impedir as ocupações ilegais, ao centro, numa simetria perfeita temos o santuário. O taxista nos informa que lá aconteciam festas, casamentos, vida em comunidade.

Conforme a Wikipédia, a Igreja N. Sra. do Cabo Espichel foi edificada no séc. XVIII, com traça atribuída ao arquiteto real João Antunes. Integra o conjunto arquitetônico do Santuário de N. Sra. do Cabo Espichel.

O penhasco atrás da igreja, lugar que pessoas vinham se suicidar até de carro, por isso é proibido passar e tem barreira.

No Miradouro do Monumento Natural dos Lagosteiros encontram-se as pegadas de dinossauros na rocha, conhecida como Pedra de Mua, que tem origem vucânica. De acordo com o site bootraveller.com, no local existe uma placa interpretativa que se encontra vandalizada que falava sobre as pegadas de dinossauros existentes e que são visíveis (com alguma imaginação). Transição do período Jurássico Superior para o Cretássio Inferior. Pegadas pertencentes a saurópodes e terópodes. Estes vestígios permitiram novas conclusões no campo da paleontologia.

Os vinhos alentejanos por causa do calor têm o grau alto. Passamos na volta por Azoia, um vilarejo com casas brancas por causa do calor, cultura típica portuguesa. Queijo de Azoia, de Azeitão e da Serra da Estrela são queijos amanteigados portugueses. Deliciosos.

No final, pagamos €28 euros ao Miguel, foi merecido, mais €4,50 para o ônibus 3721 a fim de retornar a Lisboa.

Detalhe histórico, segundo a Wikipédia: no ano de 1534, a segunda esposa de Henrique VIIIAna Bolena, Rainha de Inglaterra, deu ordem para serem deitadas ao mar todas as imagens sagradas, devido às lutas religiosas tidas. Julga-se que terá sido esse o início da lenda e da crença no Senhor Jesus das Chagas. Mas o mar tem das suas, e a imagem de Jesus crucificado apareceu na praia de Sesimbra. O povo desde logo apadrinhou o Senhor Jesus das Chagas como padroeiro dos pescadores e do povo de Sesimbra. Essa devoção está bem viva há mais de 500 anos, e os sesimbrenses prestam assim homenagem ao seu protetor todos os anos a 4 de Maio.

De volta a Lisboa, chegamos exaustos e ainda fizemos pequenas compras. Para jantar, a nossa lanchonete escolhida Vitaminas: empada de frango, purê de banana com iogurte e cereais, e suco de abacaxi com hortelã. Rua Garrett, 69/71.

Que dia mais empolgante!

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Hoje é sábado, dia 22 de abril de 2023. Às 8h15 da manhã o ônibus da empresa Dreamtour veio nos buscar, o ônibus da Solybus era muito confortável. A guia Laura, parabéns a ela, demonstrou muito conhecimento. Passeio de dia todo.

Vamos passeando pelo centro de Montevidéu com prédios de estilo neoclássico, local altamente habitável. O porto tem 10 m de profundidade. Estamos na Cidade Velha pegando turistas nos hotéis. A cidade é como Fortaleza-Ceará, se dá voltas e voltas para chegar a uma rua. Notei a cidade pouco pichada, fico feliz. Pichação enfeia. Estamos na avenida General Rivera. Como é frio, não se vê gente nas varandas dos apartamentos e as janelas ficam fechadas. Cenário de inverno.

Passamos pelas Ramblas, Costanera, Beira-Mar, são 132,7 km até Punta del Este. Aliás, a terceira vez que vou. Departamento (estado): Canelones. O percurso será pela região leste, Maldonado, balneário Solís (panorâmica-Piriápolis), capela Santo Antônio, café, teleférico, Casa Pueblo-casa/museu de Carlos Paz Vilaró, Punta del Este, almoço, tempo livre.

Os bairros mais caros de Montevidéu pelos idos de 1890 eram fazendas pertencentes a famílias, como a Carrasco. Mandavam filhos varões para a Europa. Criavam vacas. Começaram a Associação Imobiliária e contrataram o arquiteto paisagista francês Carlos Thays, que desenhava jardins e praças. Do centro para lá eram 4 dias a cavalo no areal. O hotel Sofitel era o mais importante em 1944. O corpo diplomático mora em Carrasco atualmente. Também moram jogadores de futebol, é um bairro arborizado e bonito.

Até 1997 Punta del Este era campo e praia, sem planejamento. São uns 24 km do centro de Montevidéu. Em 1995, começaram a construir casas em Canelones para final de semana. Tiveram que colocar pedra ou cimento para construir em cima da areia. Não havia um plano arquitetônico em 2000/2001, sem serviço de esgoto, lixo, era caótico. Com chuvas, as casas se inundavam, virava um lago. A parte sanitária era um horror. Tudo mudou. São 5 milhões de dólares anuais até 2025 para correções e melhorias. Há manguezais na área, porém construíram um shopping center em cima, um desastre, segundo a guia.

No Uruguai o primeiro esporte “paixão nacional” é o ciclismo, o segundo futebol. Passamos por um caminho de bosques, com árvores mil e pelo portal da cidade de Salinas. No balneário Bella Vista, vemos um marzão, com casas lindas na beira mar, tudo tão tranquilo.

O uruguaio gosta mais de Piriápolis do que de Punta del Este. O Cerro (morro) de los Burros é 78% plano, são 170 m de altura, e lá criam gado bom para corte, sua carne é macia. São 21 milhões de cabeças de gado no país, há mais bicho do que gente, além da venda de gado, produzem leite.

Francisco Piria (1847-1933) era uruguaio, neto de genoveses. Ele é o responsável pela criação do balneário em 1890. Ele fica órfão de pai ainda criança e sua mãe o envia para a Itália para que seu cunhado religioso (jesuíta) se ocupe de sua formação. Foi no país que ele começou a cultivar seu amor pelas artes clássicas. Voltando ao Uruguai, trabalhava com comércio em Montevidéu. Compra terras na região de onde seria Piriápolis e aí fez história. Era empresário, alquimista, escritor e político.

A guia menciona o Cerro Pan de Azúcar e o Cerro del Inglês. O site pt.piriapolishoy.com nos conta que o cerro era originalmente chamado de Morro do Inglês, mas foi rebatizado por Francisco Piria como Morro Santo Antônio para atrair casais. Tal morro fica sobre a baía de Piriápolis com uma altura de 130 m. Rambla de los Argentinos (palavra que vem de argento (prata)).

Em Piriápolis, o calçadão é elegante, bonito de se ver, bem cuidado, não há ambulantes nem barracas de comida na praia. Aliás, de acordo com a guia, o uruguaio não “curte” praia. Está situada na costa atlântica do sul do Uruguai e tem edifícios estilo belle époque, como o Argentino Hotel Cassino & Resort. Aliás, este hotel foi fundado em 24 de dezembro de 1930. É situado na Rambla de los Argentinos e foi obra de Piria, traziam até vacas para a hospedagem no passado. O Google nos diz que a pedra fundamental da sua construção foi colocada no ano de 1920, evento no qual esteve presente o presidente Baltasar Brum. A obra foi desenhada pelo arquiteto Pedro Guichot, um francês radicado em Buenos Aires. A cidade é graciosa com casas espaçosas, parece que estamos no Mediterrâneo.

Subiremos o Cerro del Toro. O Cerro del Inglés é rico em pedra magnetita. O mar lá embaixo forma um cenário precioso. No Cerro San Antonio ou do Inglês descemos. Para quem quer um amor, deve-se dar 7 voltas ao redor da capela e fazer um pedido ao santo casamenteiro, além de pendurar o santo no pescoço, assim reza a tradição. O visual de cima é impressionante, vemos bosques e bosques. Lá está o teleférico (aerosillas). São 15 minutos de parada. Há uma cafeteria/restaurante Puerto Alto. A capela é branca com o teto azul, toda com flores artificias dentro, a imagem de santo Antônio é grande.

A guia sempre instruindo a respeito da história do Uruguai. No país não há cultura indígena, houve um genocídio do povo. Em 1965 foram encontrados cemitérios indígenas em serras perto. Yanos, Chanás, Charruas (maioria), Minuanos, dentre outros povos foram eliminados nos idos de 1830/34 por ordem de Fructuoso Rivera (1784-1854), primeiro presidente do Uruguai (foi o terceiro também), porque lutavam pelas suas terras. Só 5 sobreviveram, fugiram para o sul, porém 3 homens, uma mulher e um bebê recém-nascido foram capturados e levados para a França onde foram expostos no zoológico (ou como atração circense). Eram considerados “povos exóticos”. Eles morreram dentro de poucos anos de fome e doenças infecciosas. Detalhe: foram pegos por um escravagista francês. Os restos mortais do cacique Charrua foram trazidos da França. Ver mais no museu de Arte Pré-colombiana e Indígena do Uruguai na rua 25 de Maio na Cidade Velha. Antigamente não se contava a real história sobre os povos originários. Trabalhavam com cerâmica, com a terra, eram caçadores e coletores.

O aeroporto mais próximo de Piriápolis é o de Punta del Este. Interessante dizer que os cantores Roberto Carlos e Shakira são frequentadores.

Vamos à famosa Casapueblo, do artista plástico Carlos Páez Vilaró (1923-2014), imperdível de tão original. Ele foi ceramista, escultor, muralista, empresário, pintor, compositor etc. Nasceu em Montevidéu, morou em Buenos Aires-Argentina nos anos de 1935/1940. Lá participou da vida boêmia e descobriu um mundo diferente da sua classe média familiar. Em Montevidéu, viveu em cortiços e se misturou com estrangeiros, teve contato com a filosofia de vida “candomble” da cultura negra. Ele se apaixonou por essa cultura, rodou o mundo para encontrar as raízes do povo que fora dizimado no Uruguai, percorreu toda a África e morou no Senegal. Viveu também na Espanha em Málaga, onde conheceu Gaudí e Picasso, que foi professor de Vilaró. No Brasil, travou amizade com Vinícius de Moraes, vemos fotos dos dois. Em 1972, seu filho sofreu acidente de avião na Cordilheira dos Andes, esteve entre os 3 sobreviventes, foram 70 dias de fé. Também há fotografias sobre isso e recortes de jornal.

A Casapueblo é toda branca e parece aquelas casas da Grécia no Mediterrâneo, e também as do arquiteto Gaudí em Barcelona-Espanha, dividida em várias partes. As obras de Vilaró são únicas e percebe-se claramente a influência africana. As cores têm um significado total para ele. Eu amo! Toda vez que for, irei à Casapueblo, também museu, e a cada vez surge um conhecimento novo. Desta vez percebi o seu amor por gatos, são várias telas com os bichanos. Identificação total eu senti: cores e gatos. Ali vale passar mais tempo, como sempre vou em excursão, o tempo é limitado.

Mais um pouco sobre tão charmosa casa. No museu tem o histórico: em 1958, Vilaró chegou a Punta Ballena e o lugar o encantou. A desolação da paisagem, sem árvores ou caminhos traçados, sem luz e sem água não frearam seu projeto de construir seu estúdio definitivo de frente para o mar. Inicialmente, ergueu uma pequena casa de lata, onde armazenou portas, velhas, janelas e materiais para a obra de sua futura casa. Logo, com a ajuda de amigos e pescadores criou La Pionera, seu primeiro ateliê de madeira. Mais tarde começou a cobri-la com cimento e a modelá-la com as mãos, como uma escultura, sempre incrustando nas paredes objetos trazidos de suas viagens, e destinando lugares especiais para suas lembranças. Casapueblo continuou crescendo, habitações foram se juntando como vagões a uma locomotiva. Muitas delas construídas quando se anunciava a chegada de amigos que vinham de longe para passar uma temporada nessa casa que provocava tanta curiosidade. Foi assim que se converteu em um ícone do lugar, ponto obrigatório de artistas, colecionadores, personalidades, pesquisadores, estudantes de arquitetura e viajantes andarilhos.

Em breve, Punta del Este, um pedaço do paraíso.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Granja Arenas e ida à Colônia do Sacramento

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Granja Arenas e ida à Colônia do Sacramento

Hoje é quinta-feira, dia 20 de abril de 2023. Pagamos US$ 59 (dólares), ou seja, R$325,00 à época para visitar a cidade colonial Colônia do Sacramento em um bate e volta de Montevidéu. A guia da empresa Ventas se chama Marcela e o motorista Paulo, o ônibus é grande e confortável e nos pegam no hotel América (Rio Negro, 1330) às 9 h da manhã. Já conhecemos Colônia, mas queríamos ir de excursão, pra mim uma novidade. Pelo valor pago, vemos como tudo encareceu no país.

Estamos no outono, quando faz sol, o clima melhora. Fico alérgica com a umidade do frio. Segundo a guia, o Uruguai é um país plano, existe um cerro (colina) em Montevidéu, mas é baixo. 30% da população vive na capital. O nome “Montevidéu” tem origem nos dizeres “eu vi o monte”. Montevidéu é a capital da República Oriental do Uruguai e também departamento, ou seja, estado, onde moram 45% da população do país. Não há petróleo no oceano Atlântico ao seu lado, mas há refinaria. Menor país da América do Sul. O processo fundacional de Montevidéu tem a ver com o controle da entrada do porto.

Uruguai significa “pássaro pintado” na língua guarani. O Rio de la Plata (rio da Prata) é fundamental para o país. Seguimos nosso percurso até Colônia do Sacramento. Estamos na Ruta Nacional Manoel Oribes (militar importante), número 1, que vai até Colônia.

A Marcela acrescenta que a avenida 18 de Julho, principal avenida em Montevidéu, nasce no centro e finaliza na estação rodoviária Tres Cruces, lembra a data da primeira Constituição com princípios da Revolução Francesa. Na Cidade Velha, vivem 15 % da população. São Felipe e São Tiago são os santos padroeiros. A Catedral é a igreja mais destacada do país. Na Peatonal Sarandi há cafeterias, restaurantes, lojas etc e na Ciudad Vieja também se encontra a parte administrativa do governo.

Estamos na área rural, com 15% da população, descendentes de espanhóis. Vemos árvores frutíferas, ovelhas, porcos, galinhas, ervas aromáticas etc. No departamento de São José há 250 mil habitantes, descendentes de espanhóis (maragatos) e italianos. Passamos por fábricas. No rio Santa Lúcia testemunhamos atividades náuticas. A água potável de Montevidéu vem de Águas Corrientes, uma cidade pequena no departamento de Canelones. O rio da Prata origina várias praias.

Há um morro no caminho de 42 m de altitude, usado para a plantação de uvas pretas, fruto da imigração italiana. O vinho de hoje foi a decisão do passado: a uva Tannat que era do sul da França foi plantada no Uruguai com apoio do governo, aí a desenvolveram com a ajuda de franceses e italianos. Aliás, 14 de abril é o dia do Tannat, em homenagem ao imigrante basco-francês Pascoal Harriague. Existem vinícolas reconhecidas: a Bouza, Juanico, H. Stagnari, dentre outras. O Tannat é orgulho nacional. Diga-se de passagem, com merecimento.

Na praia Pascoal, há teatro e mercado de artesanato. São José é produtor de cenoura, batata, espinafre, frutas e criação de vacas, sendo o segundo maior produtor nacional de leite. Eucaliptos foram trazidos da Austrália para proteger as plantações, uma barreira natural. No verão, o clima é de 22º a 32° C e no inverno, de 6º a 11°C.

No passeio, vamos conhecer Granja Arenas (sobrenome da família), um estabelecimento de campo com a criação de animais: cabras, vacas, ovelhas e plantação de legumes. De 1949 até hoje se dedicam a árvores frutíferas. São descendentes de suíços, a casa tem mais de 120 anos e uma parte é museu. A coleção de máquinas fotográficas, cinzeiros, canecas, caixas de fósforos, frascos de perfumes (da esposa), chaveiros, lápis, dentre outros torna o Museu do Lápis algo único. O negócio está na quinta geração. Curioso é o lápis exposto no qual Emílio Arenas, o fundador, foi recebido por Faber Castel na Alemanha há 76 anos. A coleção começou em 1955, só para ter ideia, só de chaveiros são 46 mil, expostos 19 mil. De lápis, são 24 mil. Cinzeiros, 4.500, vidros de perfume, 4900 e por aí vai. Incrível. A caixa registradora pertenceu à loja Tiendas London em Paris. A coleção de chaveiros e lápis está presente no Livro dos Recordes.

Também há a loja grande para degustação de doces e geleias de sabores originais: mate, frutas da floresta, mirtilo, beterraba, morango, cebola etc. Melhor doce de leite da região de Colônia (receita suíça) e queijos. Saí da loja com gostosuras, como não comprar? Só felicidade. Ainda funciona um restaurante e espaço para aluguel de eventos.

As regiões de São José e Colônia têm muito vento. No país usam energia eólica, solar e hidrelétrica (principalmente no rio Uruguai). Ao sul de Colônia se encontra o Departamento de Soriano. Em 1624, Soriano foi a primeira colônia estabelecida pelos espanhóis, depois foi Colônia do Sacramento em 1680 pelos portugueses.

No morro São João (450 m de altura), criam 70% das vacas do país, são de cor preta e dão as melhores carnes. Na Colônia Suíça, há criação de cabras alpinas e produção de leite. A grama tem qualidade, por isso ser o principal produtor de leite. Interessante que plantam girassóis onde há vacas. Elas recebem a vitamina K3 das batatas que comem. Também há a plantação de alfafa e milho.

Em Colônia, descendentes de imigrantes italianos e suíços produzem queijo: 1 kilo necessita de 10 litros de leite. O queijo semiduro parece um parmesão. Verduras, legumes, abóbora, cenoura e azeitonas, com condições ótimas para o terroir da produção de azeite que acumula prêmios internacionais. A uva também se beneficia da terra, são as melhores condições para a produção de vinho.

A guia explicita o que podemos ver em Colônia do Sacramento: Bairro Real (hotel Real San Carlos), Praça de Touros, placa de Colônia-início do bairro histórico, portal, Rua dos Suspiros (Patrimônio Histórico da Humanidade em 1995), Praça Maior 25 de Maio, ruínas do convento de São Francisco, Basílica do Santíssimo Sacramento (estilo neoclássico português), Farol, três ilhas, rio da Prata, 52 km até Buenos Aires-Argentina. Museu Português e outros. Lojas, praça estilo antigo. O restaurante do almoço sugerido se chama Viejo Barrio Restaurante and Bar (rua Vasconcellos, 169)e serve massas e peixes, se encontra dentro do bairro histórico. Detalhe: a gente paga, não está incluído. Serão 3 horas livres na cidade.

Para se ter ideia dos preços: um expresso R$12,00, água de garrafinha R$ 6,00 e uma coca cola R$12,00, bom se preparar financeiramente. A temperatura ótima: 17°C.

35 % das divisas do país vêm do turismo em Colônia do Sacramento, turistas visitam o ano todo. De abril a novembro há eventos e congressos. As palmeiras francesas na entrada da cidade foram trazidas direto das Ilhas Canárias e fazem parte do Patrimônio Artístico.

Continuaremos com a cidade de Colônia do Sacramento. Muito a contar.

Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras

Ceará-Piauí-De Icaraizinho de Amontada a Flecheiras

Hoje é sábado, dia 19 de março de 2022. Indo embora de Icaraí de Amontada, mas antes um café da manhã com pão caseiro recheado de chocolate. Ficarei sonhando com o café da manhã da pousada Vila Icaraí. Só me repetindo que ter os donos cuidando do próprio negócio faz toda a diferença, gosto de hospedagens pessoais.

Conhecemos o Icaraizinho há uns bons 12 anos atrás. A estrada era de piçarra, hoje é asfalto e dizem que por causa das usinas eólicas e não por conta da população. A entrada e saída de Icaraí têm uns quebra-molas altos, um espanto. Uns 25 km até a Sol Poente (CE-085), os buracos na estrada são uma vergonha.

A cidade de Trairi a 68 km. Estamos na Rodovia Dr. Waldemar Alcântara. Falta equipe de manutenção de placas grandes de sinalização com nomes dos lugares e quilometragens. Se queremos ter um turismo internacional, temos muito a melhorar.

Passamos por Angelim, localidade com placas de energia solar (para colocar o motor de caixas de água par funcionar). Depois, Curralinho e Canaã, localidade onde haveria uma missa a São José naquele mesmo dia 19 de março, feriado. Eis o padroeiro do estado do Ceará. Diz a tradição que se chover na data, haverá um inverno bom.

Trairi à direita, as praias de Mundaú e Flecheiras à esquerda. Mais perto, Flecheiras à direita e Mundaú e Emboaca à esquerda. Estamos a 2 km de Flecheiras e 7 km de Guajiru. Praias fantásticas.

Usinas eólicas nas dunas e cheio de novidades em termos de construções. A cada dia Flecheiras muda. Chegamos em 1 h e meia de Icaraizinho. Encontramos os cariocas de ontem, estão encantados com o passeio.

Não tínhamos pousada definida, fomos na aventura. Encontramos vaga na pousada Vira Sol (com Rafaela) na Rua da Praia, 942. São dois prédios, um olhando para o mar. O restaurante da pousada é uma praticidade e gostei da localização com plantas facilitando a discrição dos quartos embaixo.

Algo especial da praia é o banho de mar de água “quente” nas piscinas em frente à pousada. Após o banho, almoço no restaurante da pousada: peixe Galo Alto grelhado, legumes salteados, arroz e farofa. Por R$ 92,00. Comida de beira de praia geralmente é boa. O garçom Batista é atencioso.

À tarde, sorvete Pardal de cajá e graviola na Sorveteria da Lya. Tudo se faz a pé, Flecheiras é pequena. Bem cuidada, é uma das minhas praias preferidas, só não quero muitas construções a fim de não perder o charme. No centrinho, há bloquete, estavam colocando da sorveteria até a igreja de São Pedro. Sempre apreciei caminhar pelo calçadão que se estende pelo litoral. Revemos pousadas conhecidas nas quais já nos hospedamos: O Paiva, Casa do Alemão, The Red House etc. O Paiva tem restaurante muito bom e agora uma Casa de Crepes e Waffles com sabores exóticos, promete. E existe um músico no calçadão em frente tocando sax, chique! Perto da pracinha no centro, há a pousada Ubaia, nossa velha conhecida.

Vamos às novidades no centrinho, a padaria fechou (que pena! A gente jantava lá), mas há supermercado, lojas, pizzarias e restaurantes novos.

Percebi o mar subindo mais. Incrível. O passeio no sábado à noite é uma delícia. Sempre bom reencontrar uma ex-vizinha minha aqui de Fortaleza, Amanda, que mora em Flecheiras com a família. Sua loja Mandarina e a hamburgueria do marido (espanhol) ao lado fazem parte do cotidiano. Bom papo.

Vi placas de campanha pela limpeza na praia e contra paredão de som. Porém, penso que a prefeitura de Trairi deveria ter um pelotão de limpeza de praias fixo, eu vivo recolhendo lixo reciclável. Vamos combinar… limpeza é básico. O calçadão com pedras quebradas há de melhorar. Flecheiras está com muito mais gente, festas e barulho. Para quem gosta de ouvir o som do mar, fica sem opções. O jeito é ir durante a semana.

Dia 20 de março de 2022. O café da manhã básico. Muitas pessoas viajando, pelo visto. Gostei do quarto da pousada com varanda com aquele visual praiano inigualável, dia ensolarado, lindo. O chuveiro foi o melhor até agora. A base de preço na baixa estação é de R$300,00/350,00 a diária. Muitos ônibus com turistas do tipo ida e volta no mesmo dia.

Ao partir de Flecheiras, decidimos dar uma passada na praia de Mundaú, nossa querida, mais calma e tão atrativa quanto Flecheiras para um final de semana. Existe uma APA (Área de Preservação Ambiental) do estuário do rio Mundaú. Na ida, cruzamos a praia de Emboaca, certa vez comemos uma lagosta lá. Em Mundaú, revimos a localidade com suas casas de pescadores e de moradores e fomos até o porto de onde saem os barcos de passeios. Voltaremos, vale a pena.

Fim de viagem. Mais uma jornada por este nosso nordeste brasileiro tão bonito e com tantas variedades de cenários. Passamos por chapada, cidades serranas, parques nacionais, praias, cidades litorâneas, enfim, por muita beleza.