Peru surpreendente-distrito de Barranco-Lima-dia 4
Hoje é quarta-feira, dia 8 de maio de 2024. Estamos no hotel Ibis Lima Miraflores no café da manhã, sempre com novidades: suflê de quinoa, frango salteado, uma fruta chamada de tuna ou figo-da-índia e muito mais. De sobremesa, um flan de baunilha delicioso.
Vamos conhecer um bairro peculiar por ser artístico, dos mais tradicionais e charmosos da cidade: Barranco. A Norma taxista nos leva por 18 soles PEN (R$27,70). Pedimos no hotel, há um guichê na entrada só pra isso. Como já dei aula de inglês para taxistas, simpatizo muito com eles. São bem informados. O trânsito não é fácil, a gasolina é vendida por galão, 4 soles PEN (R$6,16).
Eu no lindo bairro de Barranco-Lima-Peru-foto tirada por Carlos Alencar
Chegamos ao distrito afamado. Que região mais agradável com a praça Villa Real, florida, com palmeiras reais e outras árvores. Em cada uma, uma placa com seu nome, altamente informativo. Em uma está escrito: Cúidame! Gostei. La Ermita de Barranco, do séc. XVIII, é a igreja amarela, cuja estrutura se danificou em 1974 devido a um terremoto. Permanece fechada desde então. Começou como uma capela de humildes pescadores e viajantes. Acompanhou a história do bairro. Tem enorme população de pássaros negros habitando as torres e o telhado, de acordo com o blog www.fuiserviajante.com. Também acrescenta que há portas e varandas de casarões antigos com pisos de ladrilhos. E um mirante atrás da igreja com uma linda vista do Pacífico, mais um lugar onde impera a beleza decadente do bairro.
Monumento histórico Mensageiro da Paz. Vemos a estátua da cantora folclorista Chabuca Granda e a do homem a cavalo José Antonio Lavalle (diplomata, historiador e literata do séc.XIX). A Ponte dos Suspiros, de 1876, carregada de história e beleza, no meio do parque Húsares de Junín, com casas coloridas, restaurantes, cafés, igreja colapsada, galerias de arte. Delícia de passeio. Tudo gracioso, bucólico. Vemos uma mistura de arte e boemia pelas ruas.
Barranco e sua originalidade-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
O Barranco, no séc. XIX, era conhecido como a Cidade dos Moinhos graças à quantidade de moinhos usados para extrair água do subsolo (fonte: https://fatimarodriguez.blogspot.com). As galerias de arte valem a visita. A peruana Jade Rivera, artista plástica internacional, com seus trabalhos importantes. Belos. Pinta flores e colibris, murais belíssimos e máscaras coloridas. Comprei dois postais por 16 soles PEN. Farei quadros.
Subimos para a parte mais alta pela passagem Chabuca Granda e passamos por quiosque de informação, restaurantes, feira artesanal. O bairro é diferente, original com muros pintados. A sorveteria Speciale, com lustres, cadeiras e mesas bonitas, um lugar atraente.
Casas de cores diversas com balcões coloniais e floridos, lembra um pouco Cartagena das Índias na Colômbia. Bairro calmo. Ótimo para as caminhadas turísticas. Aviso no poste: Proibido beber bebidas alcoólicas na via pública. Multa de 247,50 soles PEN (R$379,94).
Descemos pelo caminho chamado de Bajada de Baños (Descida de Banhos) com escadas mil para a praia. Há um mirante antes da avenida e embaixo uma pracinha. Por uma passarela de madeira se chega à praia Barranco, não atravessamos a avenida. O blog www.fuiserviajante.com nos conta ser um cenário bucólico de uma praia de pedras negras e mar gelado do oceano. O mergulho é proibido no mar com aviso.
Barranco e sua praia-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
O tempo nublado. Vemos o farol branco, a marina com iates, a pracinha da orla bem cuidada, praia de cor azul escura com pedras. Dá gosto de ver tanto zelo. Há píeres no mar. A montanha, ao lado direito, de argila com pedras e uma rede protegendo para evitar que elas caiam lá embaixo e pegue os carros em movimento.
A feira de artesanato Pachamama Cultura e Arte oferece comidas e artesanato andino. Praça da Biblioteca Municipal no Parque Municipal, com bancos, tranquilidade, idosos sentados. Coreto. Calçadão na avenida Pedro de Osma. Do outro lado da praça um Starbucks, bom para um café expresso duplo por 7 soles PEN (R$10,74). Também há outros restaurantes como o Papa John´s, o Coffee e Pizza e o KFC.
Manhã imperdível. O bairro me lembra a calmaria da Urca no Rio de Janeiro. A gente escuta os passarinhos, se deleita com a paisagem, vê a vida passar na paz.
À tarde passeio no Museo de Oro y Armas del Mundo (Museu do Ouro e Armas do Mundo).
Hoje é terça-feira, dia 7 de maio de 2024. Estamos no ônibus turístico Turibus, chegamos ao Centro Histórico de Lima. Descemos na praça San Martin, de 1921, de onde faremos uma caminhada. A praça é repleta de guardas. A guia se chama Melissa, o tour é guiado. Comigo e Carlos está um grupo diversificado. Acho bom falar inglês com os dois americanos. Estamos na ruaJirón Carabaya.
Vemos o Gran Hotel Bolivar, de 1924, bonito e antigo, em frente à praça San Martin. Endereço: Jirón de la Unión, 958. O calçadão comercial e residencial Jirón de la Unión é imenso, une as duas praças principais do centro: San Martin e Mayor ou Plaza de Armas. As casas ali construídas com sacadas rebuscadas são coloniais, dos séculos XVI e XVII, já as do séc. XVIII são de estilo neoclássico afrancesado. Interessante acrescentar que as casas republicanas não têm sacadas ou balcones. Tais balcões mostravam a posição econômica da família. Pelo final do séc. XVIII, existiam uns 300 balcones. Aliás, lembra muito a arquitetura de dentro da muralha em Cartagenadas Índias, na Colômbia. No séc. XX, algumas se transformaram em lojas de departamentos e restaurantes.
A Plaza de la Merced (praça da Mercê), segundo https://pinceladaslima.blogspot, é um dos lugares com mais história. Foi o primeiro local do tribunal da Inquisição e também local da declaração de Independência do Peru em 28 de julho de 1821 por dom José de San Martin. Muito se fala no melhor presidente da história do país sendo Ramón Castilla y Marquesado (1797-1867), o primeiro presidente progressista e inovador da República do Peru.
Na basílica e convento Nuestra Señora de la Merced, de 1535, vimos a Virgem de Copacabana. Lá estão os restos mortais do frei espanhol Pedro Urraca, em processo de beatificação. Era da Ordem dos Mercedários. Diz a lenda que cruzou a parede entre a igreja e a casa rosada (ativa para homens). A fachada principal data de 1614. Chama a atenção pela sua beleza. A Wikipédia acrescenta que foi construída pelo padre Pedro Galeano e o mestre de obras foi Andrés de Espinoza.
A Lima colonial do séc. XVI teve influência árabe. Vemos sorveterias, bancas e lojas de churros. A respeito da deliciosa aguardente de uva peruana e chilena: o pisco sour. O coquetel pisco sour, como conhecemos hoje, teve suas primeiras aparições documentadas no Peru dos anos 1920. Nesse período, muitos acreditam que o Pisco Sour nasceu no famoso “Bar Morris” em Lima, fundado por Victor Vaughen Morris, um barman americano. Inspirado pelo clássico Whiskey Sour, Morris teria adaptado a receita usando pisco, criando uma bebida refrescante e única. Gradualmente, bartenders peruanos aperfeiçoaram a receita, e o Pisco Sour se consolidou como parte da cultura peruana, conforme o Blog WebBar em a Origem do Pisco Sour: O Coquetel Que Divide o Peru e o Chile. A guia Melissa reportou algo diferente, disse ter sido criado no hotel Maury (endereço: Jirón Ucayali, 201), mas que foi o Gran Hotel Bolivar que ganhara a fama.
Plaza Mayor-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
Plaza Mayor (praça Maior), espaço público que por motivos de manifestações estava fechado ou havia alguma reunião importante no Palácio do Governo. O calor está grande. Há jardins diversos, árvores, fonte de água no centro da praça. Tudo bem cuidado, amplo, belo. Segundo a Wikipédia, originalmente a Plaza Mayor era rodeada de casario simples de comércio. O site https://guia.melhoresdestinos.com.br adiciona que a Plaza de Armas (praça de Armas) foi onde Francisco Pizarro fundou a cidade de Lima em 1535. Durante a era colonial foi palco de touradas, execução de condenados pela Inquisição Espanhola, declaração de Independência do Peru em 1821, além de ponto de encontro de movimentos libertários a favor da república. Tem mais: o nome Plaza de Armas, normalmente usado em praças de urbanismo espanhol, foi gradualmente substituído por Plaza Mayor durante o período colonial. Este último refletia a identidade da nova cidade de Lima. É ponto de referência para vários locais turísticos, como a Catedral, o Palácio do Governo, o Palácio do Arcebispo, a Casa do Ouvidor e até o Complexo de São Francisco de Assis, que está próximo.
Francisco Pizarro (1476-1541) é personagem histórico. A Wikipédia nos informa que foi um conquistador e explorador espanhol que entrou para a história como o “conquistador do Peru”, tendo submetido o império Inca ao poderio espanhol. Lima foi nomeada de Cidade dos Reis por ele.
A La Casa de Gastronomia Peruana é um museu que mostra a história, origens e comida fusión que dá o título a Lima de “capital gastronômica da América Latina”. Inaugurado em 2011 no antigoPalácio dos Correios, tem por endereço Calle (rua) Jirón Conde de Superunda, 170, ao lado da Plaza Mayor. O chef Gastón Arcurio é venerado, possui restaurantes pela cidade e influencia a culinária peruana. Em Lima, uma simples salada é espetacular.
Convento de Santo Domingo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
Convento de Santo Domingo. A visita: 15 soles PEN (R$22,94), já pago pela Turibus. Fundada em 1535 que foi aumentando de tamanho ao longo do tempo. O primeiro monastério. La Casa de Santos Peruanos (e santos da América). Santa Rosa de Lima, patrona da América, Filipinas e colônias espanholas. A arquitetura do monastério com influência mudéjar árabe. Madeira da América Central, o convento ativo, casas para famílias pobres, colégio Santo Tomas de Aquino. Em 1550, segundo a Wikipédia, as ordens religiosas dos dominicanos, mercedários, franciscanos e outras já atuavam no país a todo o vapor.
A primeira santa das Américas foi Rosa de Lima (1586-1617). Dos 5 santos, 3 eram espanhóis e 2 peruanos. Três estão enterrados no convento, um deles é Santa Rosa de Lima que curava com as mãos, tinha 31 anos de idade quando faleceu de aneurisma da aorta, e teve um milagre comprovado na Europa, conforme a guia. A Wikipédia adiciona que é a padroeira do Peru, foi canonizada em 1671 pelo papa Clemente X, era mística da Ordem Terceira Dominicana e patrona dos floristas, e pessoa de extrema beleza. Sugiro a leitura de Rosa de Lima – Wikipédia, a enciclopédia livre.
Biblioteca do convento de Santo Domingo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
Os claustros do convento de Santo Domingo datam de 1604/1606. O primeiro andar é original. A biblioteca tem mais de 25 mil livros, foi construída no segundo andar, mas se mudou para o primeiro. Várias línguas nativas se encontram em materiais escritos, inclusive em aimará. Os missionários aprenderam as línguas para evangelizar. A primeira universidade das Américas: Universidade Nacional Maior de São Marcos, de 1551. Foi fundada a mando do rei Carlos I da Espanha.
Do Peru também saiu o primeiro santo mulato da América do Sul: São Martinho de Porres (1579-1639). Também dominicano, era conhecido como o santo da vassoura, é o padroeiro dos barbeiros e cabeleireiros. Foi canonizado em 1962 pelo papa João XXIII. Vale a pena ler sobre a vida dele em São Martinho de Porres, o santo da vassoura – 3 de Novembro.
Todas as igrejas coloniais tinham espaços funerários. A catacumba era só para os religiosos. O frade São Martinho de Porres trabalhava no convento. Sala Capitular, Santos Peruanos. Cripta Santa Rosa de Lima, canonizada em 1617. Depósito de ossos. É um cemitério, na verdade, tem 2 metros de profundidade, tumbas de quinze pessoas, três séculos.
Saímos do local, era nossa última parada, estamos no momento na Alameda Chabuca Grande, muito sol do lado de fora. O centro de Lima é Patrimônio Cultural da UNESCO desde 1991. Muitas mulheres como policiais de trânsito.
Chegando a Miraflores, o clima melhora, esfria. Incrível. Passamos pela Embaixada do Brasil, formosa, com um terreno verde. Vemos um supermercado Tottus. De volta ao shopping Larcomar. A praça de alimentação Salazar fica embaixo, pedimos o prato do dia no Pucu Sana: aeropuerto delangostino mais a bebida chicha morada (com ervas, refrescante, parece o aluá cearense). Aeropuerto de langostino é feito de camarões, ovos, arroz, macarrão, cebolinhas, brotos de soja e molho de soja, salteados no wok (tipo de panela/frigideira). 33 soles PEN (R$50,71). Detalhe: todos os restaurantes têm o prato do dia. O IVA é 18%.
Pós-almoço, comprei canetas na loja Miniso, muito legal. E no guichê King Kong, adquiri produtos parecidos com biscoitos doces recheados de lúcuma, maracujá e graviola, por 5,50 soles PEN (R$8,45). Boa lembrança do Peru. Para completar, um café e um muffin de chocolate no Lucio Caffé. O melhor muffin, um bolinho, que já degustei, vem quente e o chocolate derrete por dentro. Amo.
Vamos caminhando até o hotel Ibis Lima Miraflores. O centro com sol é “abafado”, a gente “bronzeia” o rosto, já em Miraflores o clima é outro. A névoa é uma constante em certas horas e a quantidade de árvores ameniza a temperatura, além da proximidade do mar. Um alívio.
Peru surpreendente-rumo ao Centro Histórico de Lima-dia 3
Centro Histórico de Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hoje é dia 7 de maio de 2024. Após o café da manhã do Ibis Lima Miraflores no qual ofereceu legumes salteados, pães diversos, brownies e outras delícias, por 52 soles PEN (R$80,61), rumamos ao guichê do shopping Larcomar (em frente ao hotel JW Marriott) a fim de pegar o ônibus ao Centro Histórico de Lima. Havíamos pago no dia anterior 125 soles PEN por pessoa com desconto de 10 %, em reais: R$193,89.
São 20 min de caminhada apressada. Vamos apreciando o bairro Miraflores. Que gostosura morar em um lugar tão simpático. Passamos por três condomínios fechados de casas, uma mais linda que a outra, nada de estilo moderno. Miraflores funciona e é exemplar em termos de limpeza, segurança e atrativos. Parece com o bairro de Providência de Santiago no Chile. Mesma qualidade de vida.
Vimos a gari, senhorinha agradável, que nos dera informações um dia antes. Falamos com ela, um doce. Varre a rua com vassoura de piaçava. O povo ajuda muito os turistas, são um amor.
Enfim, entramos no Turibus amarelo em direção ao famoso Centro Histórico. A guia Melissa e o motorista Benito, vemos ciclovias nas ruas e um rapaz de bicicleta com carrinhos de doces/pastelaria atrás. E zero de mulheres grisalhas (eu!) e menos cachorros do que no Brasil. Amo observar a vida da cidade.
O ônibus sai às 9h30 e às 14h30, preferimos o da manhã. São 4 h de passeio, com uma caminhada de uma hora, sendo a última visitação no museu/monastério de Santo Domingo (1540). Estamos na av. Armendáriz. Avisam para tomar cuidado com os galhos de árvores no segundo andar do ônibus. Passeio panorâmico. A guia conta que Miraflores era um balneário usado por famílias importantes no séc. XIX, tinha casas de veraneio. Atualmente, são aproximadamente 13 quadras, com área comercial, gastronômica, parques, um distrito moderno e turístico que possui ainda um sítio arqueológico. Vemos a Prefeitura de Miraflores, o Palácio das Artes, ao lado do parque Kennedy, bancos, rua das pizzas. Os policiais usam jaquetas, assim como os cambistas e guardas de trânsito.
Ninguém mexe em uma flor nos parques, parabéns, Lima. Vi a loja Falabella, a “cara” de Buenos Aires (que fechou, infelizmente). Passamos pelo sítio arqueológico Huaca Pucllana, culturas pré-inca, politeístas, de sacrifícios humanos, com conhecimentos avançados de pesca, engenharia, agricultura e também de metalurgia e astronomia. Veneravam o mar, a lua, faziam rituais com mulheres. No mundo andino, o sacrifício era pela fertilidade, pela Mãe terra. Existe a pirâmide do Sol feita de tijolos de barro (arbolitos) em forma de estante de livros, ou seja, técnica de livreiro para absorver as ondas sísmicas da região. Os povos que lá viveram sabiam dos terremotos. São mais de 200 ruínas no país, uma das 3 mais visitadas é o sítio arqueológico da Civilização de Caral, cidade sagrada, a mais antiga da América, no vale do Supe, a 200 km ao norte de Lima.
Lima é a única capital da América do Sul com acesso ao oceano Pacífico. Encontra-se entre o oceano e a cordilheira dos Andes. Ao redor da capital existem muitas montanhas, o clima é subtropical, árido, chove pouco e é muito úmido (66 a 80%). O trânsito é intenso, desgovernado, uma loucura, eis uma questão séria da cidade.
O bairro/distrito de San Isidro foi fundado em 1931, separado de Miraflores. Divide-se em dois setores: à direita, o financeiro e à esquerda, o residencial. A avenida Petit Thouars, do início do séc. XX, é em homenagem ao vice-almirante francês Abel-Nicolas Georges Henri Bergasse du Petit Thouars que lutou na Guerra do Pacífico entre o Chile e uma aliança boliviana-peruana.
No Peru, existem 40 comunidades étnicas com suas características, país multicultural, cuja economia se baseia em mineração, pesca e agricultura. Exportam abacate, cacau, aspargo, uvas, lúcuma, café, manga, quinoa e mirtilo. Comem muito ceviche e lomo saltado. Segundo o Google, é um prato tradicional peruano, uma carne refogada (salteada) que combina tiras de carne bovina com cebolas, tomates, batatas fritas e outros ingredientes, frequentemente servida com arroz. É uma fusão da culinária chinesa (Chifa) com ingredientes peruanos, tendo sido criado por imigrantes chineses no século XIX. As bebidas nacionais são inka cola, chicha morada (parece o aluá do nordeste brasileiro) e pisco sour. Línguas oficiais: espanhol, quíchua e aimará.
Estamos na avenida Javier Prado, universitária, a mais extensa de Lima, vai de oeste a leste. San Isidro, onde se situam as embaixadas, é de classe média. Os semáforos na cidade têm marcadores de tempo, muito prático para o pedestre. Todos respeitam. Que inveja!
Bairro Lince, de classe média, distrito pequeno, onde se localiza o Parque da Reserva em homenagem aos soldados que lutaram na Guerra do Pacífico e também a segunda atração turística mais visitada da cidade: o Circuito Mágico das Águas, a partir das 15 h até a noite. São 13 fontes cibernéticas de onde música, água, som e luzes se mesclam em espetáculos únicos e incríveis. Não fomos, mas meu irmão Ricardo e família assistiram e disseram ser fantástico. Um dos mais antigos parques, de 1929. O Parque da Reserva foi construído para honrar as tropas que defenderam Lima durante a Guerra do Pacífico entre 1879 e 1884, nas batalhas de Miraflores e San Juan, de acordo com o site https://www.viagensmachupicchu.com.br.
O MALI (Museu de Arte de Lima) se localiza no Parque da Exposição, endereço: Paseo Colón,125. Bairro de Santa Beatriz, centro de Lima. A Wikipédia nos conta que foi construído para substituir as muralhas da cidade, demolidas como parte de um projeto de renovação da cidade para sediar uma exposição internacional em 1872.
Distrito de La Victoria. Muito movimentado, de classe média baixa. As guias sempre comentam a classe social. Museu de Arte Italiana, presente da comunidade do respectivo país, de 1923. Museu público, exibe obras de arte italiana de princípios do séc. XX. Praça Miguel Grau, formosa, em pleno centro. Palácio da Justiça, monumental, sede da Suprema Corte do Peru. Segundo o Google, arquiteto: Brunon Paprocki, estilo neoclássico, inaugurado em 1939. Av. Paseo de la República. Localizado em frente ao Paseo de los Heróes Navales.
Chegando ao Centro Histórico, ruas estreitas, com influência europeia. Continuaremos com nosso passeio em breve.
Peru surpreendente-sítio arqueológico Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-dia 2
Shopping Larcomar e o oceano Pacífico-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hoje é segunda-feira, dia 6 de maio de 2024. O Carlos e eu continuamos conhecendo Miraflores, distrito de Lima. Pós almoço no shopping Larcomar, voltamos ao ônibus turístico (Miraflores Bus Turístico) a fim de ficar no sítioarqueológico Huaca Pucllana. Nós o pegamos em frente ao guichê Información Turística Tours &Ticket, com o atendente Mario, na praça Salazar ao lado do shopping.
Estamos na av. La Paz. Não canso de me encantar com a cidade, cujas praças são floridas e belas. O clima esfriou, ainda bem, estávamos com muito calor, afinal saímos do hotel preparados para o frio. Avenida Larco, a principal de Miraflores. O prefeito ou alcalde (em espanhol) de Miraflores é Carlos Canales, fantástico cada distrito ter o seu e saiba que são 43.
Passamos novamente pelo parque central do bairro: Kennedy ou dos Gatos, como é conhecido. Tem estacionamento subterrâneo. A avenida Larco é maravilhosa. Na calle ou rua San Ramón paramos por 10 minutos. Os restaurantes do calçadão são mais em conta. Na rua, vemos cambistas com dinheiro na mão e muito, que inveja! Lembrei de Salta na Argentina onde trocávamos a moeda na rua na maior tranquilidade.
Como os peruanos valorizam seus escritores e pessoas importantes, estamos na avenida RicardoPalma. Nasceu em 1833 e morreu em 1919. Escritor, traduzido em várias línguas, jornalista, escreveu “Tradiciones Peruanas”, foi diretor da Biblioteca Nacional, nomeado em 1883. Olhando para os jardins no meio-fio, tão bem cuidados. Na avenidaPetit Thouars, gostei de ver a soparia “Siete Sopas” de sopas e caldos. Amo canja, eis a razão. São várias lojas na avenida, são três quadras com lojas de artesanato e restaurantes, venda de roupas de lã de alpaca, e ouro. Os Mercados Incas se situam na avenida. Inka Plaza, Indian Market e outras lojas. Considero o artesanato andino belíssimo, por ser colorido e atraente.
Próxima parada: Huaca Pucllana. Cruzamos outra avenida fundamental: av. Arequipa. Rua Tarapacá. Enfim, chegamos, descemos e entramos em grupos separados pela língua falada: espanhol e inglês. Escolhemos espanhol. 15 soles PEN. Estamos em um sítio de mais de 1600 anos, incrível. Há o museu pequeno, fechado, na entrada e o enorme, aberto, a céu aberto. A guia Bianca tem muito a dizer.
Vamos à cronologia dos povos pré-inca e pré-colombianos. Segundo a Wikipédia, primeira fase: Cultura Lima de 200/400 a 700 d. C; segunda fase: Cultura Huari (Wari) de 800 a 900 d. C; terceira fase: Cultura Ychsma de 1000 a 1532.
Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado
O sítio está em processo de recuperação. Existiu de 400 d.C. até 1542, com uma grande pirâmide de 25 m. Interessante que todo o sítio estava debaixo da terra, era um monte, a erosão e a terra caindo na década de 1980. No local, aconteciam treinos de motocross e bicicross até que foram abrir uma avenida e houve a descoberta de ossos e do sítio quando tiraram a terra. O passeio pelo sítio arqueológico dura 1 hora. Pucllana na língua quíchua (ou quéchua) significa “jogar, brincar, fazer carnaval”, de acordo com a Wikipédia.
As descobertas foram de cair o queixo: a população Lima havia construído uma cidade que era perto do mar, foram 200 anos de trabalho, com blocos de barro vertical resistentes a terremotos, tanto que há tremores e terremotos em Lima e lá não atinge, o terreno continua estável. 1000 anos antes era o espaço mais antigo de Miraflores como cidade. A pirâmide era simétrica, um grande pastel retangular com muros amarelos e 7 pisos, além de rampas para chegar ao ponto alto. A parte mais alta era o templo usado para banquetes e conexão com o mar. A parte baixa era pública, onde pescadores, agricultores e artesãos se reuniam. No lugar aconteciam sacrifícios humanos, foram encontrados 30 corpos, mulheres de 16 a 25 anos de idade, eram mães. O motivo era pra trazer fertilidade para o povo e impedir desastres naturais.
A Wikipédia nos conta que a técnica de construção predominante consiste em colocar adobes na posição vertical, alinhados com argamassa na base e parte superior, deixando pequenos espaços vazios nas laterias. Isso dá a ela um aspecto de livros em uma estante, por isso o estudioso PedroVillar Córdova o chamou de “técnica do livreiro”.
Prosseguimos com a nossa caminhada a pé no sol, o local é muito árido. Passamos por uma balsa antiga, conhecida como “Caballito de Totora”. A Wikipédia nos informa que são embarcações usadas por pescadores no Peru nos últimos 3 mil anos e a UOL diz que são barcos pesqueiros individuais, umas pranchas rústicas.
No ponto de sombra, blocos de barro e conchas marinhas trituradas com águas de irrigação secados ao sol. A área de escavação ocorre ao lado sul atualmente, nem tudo foi explorado ainda. Huaca Pucllana foi descoberta em 1981. Subimos a rampa de areia, um esforço grande, para setores exclusivos com tumbas verticais tendo dentro alimentos e sacos. A população era pacífica. Viviam de pescados e da manufatura têxtil, o mar era essencial para eles, estavam a menos de 2 km do mar. A cordilheira dos Andes Centrais se veem daqui. Em 700 d. C., a população Lima sai do local por falta de água, a razão encontrada. Saem os Lima e entram os Wari que usam o sítio como cemitério. 82 tumbas, cada tumba para 3 ou 10 pessoas em posição fetal e com mantas. A cabeça baixa representa o poder. Os Wari sacrificavam bebês de 1 a 5 anos, tradição marcada, não se sabe se os pais também eram sacrificados. Os estudos estão sendo feitos. No norte, o líder e sua família mais animais domésticos eram todos sacrificados. Com as pesquisas, se sabe das enfermidades de quando tinham 40 a 45 anos.
Subiremos mais. Fizeram um promontório de madeira, os povos tinham sempre contato com o mar. Em 1746, houve o maior terremoto do país, cujo epicentro foi em Lima, capital. Depois um tsunami destruiu Callao, na região metropolitana de Lima. Pucllana foi protegida. Eis o ponto mais alto de Lima. Curiosidade: o nome Lima, conforme o Google.com, pode ter a sua origem relacionada com a palavra LIMAQ ou com o idioma aimará. LIMAQ significa “aquele que fala” ou “aquele que tem a capacidade de falar”, o vale do rio Rimaq onde foi fundada Lima, chamava-se Rimaq em quéchua. No idioma aimará, LIMA/LIMAQ significa “flor amarela”. Vemos mais tumbas em posição fetal nos muros. As áreas de escavação não são estáveis. Aliás, sempre quis ver arqueólogos em ação ao vivo. Realizei meu sonho.
Homens/bonecos com oferendas-Huaca Pucllana-Miraflores-Lima-Peru
Na descida, vemos bonecos vestidos como na época segurando oferendas, fato baseado em escavações arqueológicas. Para os Wari (800-900), Pachacamac era o deus dos terremotos, para acalmá-lo, no centro de repositórios haviam cerâmicas com os sacrifícios humanos e oferendas de animais. O Google.com acrescenta que Pachacamac era o deus criador da mitologia inca, reverenciado como um oráculo e centro de peregrinação. O seu nome significa em quíchua “Alma da Terra”. O culto existia desde o império Wari anterior ao império Inca. Já a Wikipédia adiciona que Pacha Kamaq é uma divindade associada aos fenômenos vulcânicos sobre a crosta terrestre. Tinha a capacidade de controlar os movimentos da terra e causar abalos sísmicos. Significa “criador do universo”, onde pacha significa “universo , mundo ou terra” e Kamaq “criador”. Era esposo de Pacha Mama (Mãe Terra) e filho dodeus Sol.
Fim do centro cerimonial. Mais caminhada. Embaixo, na forma real, um casal de cachorros, mais junco, e um pé de algodão. Parece um zoológico com patos crioulos, lhamas e alpacas. Do seu cruzamento saiu o misti (dito pela guia/misto) ou huarizo, menor. Além de preás pequenos, de 1 a 2 anos, para venda, e o cuy, roedor, ou porquinho-da-índia, há plantações de lúcuma, o sabor preferido do Peru, um fruto mistura de “sapoti com abacate”. Tem sabor adocicado idêntico à baunilha.
Parte final: na parte baixa se situava o sítio de trabalhadores de Pucllana, formavam blocos à mão e, posteriormente, eram colocados ao sol, já mencionei que levaram 200 anos para construir. Não há nada escrito, as famílias completas trabalhavam do centro para o mar. Sacerdotes impactavam a cerâmica. A oferenda da cerâmica vazia com figuras e elementos do mar. Templo em direção ao mar. Pucllana, lugar sagrado, usado para entretenimento e para a religião. Os arqueólogos forenses descobrem muito pelos fardos e corpos cobertos. Sabem o extrato social da pessoa, a idade e mais informações do falecido. Trata-se de um trabalho intenso de investigação. São 2500 buracos descobertos. A Wikipédia nos chama a atenção que em 2008 foi descoberta “a dama dos olhos azuis”, como foi denominada, por ter duas pedras azuis no lugar dos olhos, ou seja, eram usados para colocar oferendas. Também consumiam carne de tubarão.
Em pt.wikipédia.org, Pucllanaé um local sagrado (huaca) constituído por uma pirâmide truncada de 25 metros de altura e um conjunto de pátios, praças e muros a nordeste. Possui um salão de exposições, circuito de visitas e outras atrações. Possui seis hectares, mas na década de quarenta do século XX a área era o triplo da atual; o abandono e o desinteresse no passado fizeram com que valiosas evidências e pirâmides menores fossem destruídas para a construção de casas, avenidas e parques.
No museu pequeno e informativo se sabe mais sobre a cultura Wari ou Huari. Eram produtores têxteis. Tecidos feitos para a pós vida. A sociedade Wari foi uma sociedade de caráter imperial cuja capital é o atual departamento de Ayacucho, localizada no centro sul da Cordilheira dos Andes do Peru. Depois de um passeio tão instrutivo, demos um agrado à guia. Que país mais rico de cultura.
Voltamos de ônibus para o shopping Larcomar, compramos no mesmo guichê, na praça Salazar, o passeio para o dia seguinte com 10% de desconto. Dentro do shopping, descobrimos uma loja Columbia, boa para viajantes aventureiros. E jantamos no Lucio Caffé: suco de morango e sanduíche piadina sandwich Inglese que na verdade, é presunto, queijo americano e ovo. Piadina é pão de frigideira. De lá, sorvete no Pinkberry de morango e da fruta tão falada dos peruanos: lúcuma. Deliciosa.
Cuscuz marroquino do almoço-Restaurante L´Orientale-Marrakech-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Hoje é dia 10 de novembro de 2024. Continuamos com o nosso passeio a pé pela parte antiga da cidade. Paramos no Café La Menara para um cafezinho com o guia Tuk. Ele é bom de papo. O marroquino, pelo visto, gosta de cuidar da saúde. Ele dá dicas: o óleo de cactus é um botox natural e o chá das oliveiras é bom para hipertensão.
Passamos pelo bairro judeu Hay El Mellah, na zona sul da medina. Um mercado aberto com lojas diversas. Vemos frutas, lembrancinhas, roupas, massas folheadas fabricadas ali. Motos entre a gente, uma graça. Turistas mil. O rabino morava no bairro e há marroquinos judeus que habitam no momento. Segundo o site https://www.marraquexe.net, algumas diferenças arquitetônicas ocorrem com o resto da medina: as varandas e janelas se abrem para as ruas, as casas são mais altas e os apartamentos menores. Os joalheiros eram tradicionalmente situados no local, já que os judeus tinham um longo e histórico monopólio do ouro no reino marroquino. O souk ou mercado do bairro Mellah foi recentemente renovado graças a doações de judeus americanos e do rei do Marrocos.
Na porta, saímos para a mesquita. Os prédios em Marrakech não podem ser mais altos que o minarete principal da mesquita. O imame (imã), sacerdote muçulmano, tem que memorizar o Corão inteiro, umas 8600 palavras. Para os outros fiéis, devem saber no mínimo o primeiro capítulo. A pessoa que sobe ao minarete e grita ou anuncia a reza é o muazin. Antes não haviam elevadores e alto-falantes. Hoje, ao vivo embaixo e no microfone. Os horários para as orações mudam dependendo da posição do Sol. No mundo inteiro são chamadas simultâneas (adhan), 5 x ao dia: no nascer do Sol, meio-dia, meia tarde, noite e crepúsculo.
O Tuk nos leva a uma farmácia bem conhecida para mostrar produtos: Ircos Cosmetics (endereço:109 Quartier Industrielle) e Herboristerie Bab Agnaou. O farmacêutico fala espanhol e recebe a nós brasileiros (somos três) em uma sala privada e dê-lhe mostrar maravilhas. Óleo de argan como cosmético (não tostado) e para cozinhar (tostado, bom contra o colesterol), para o fortalecimento do cabelo e das unhas. O argan puro, não oleoso, bastam 8 gotas, o oleoso misturado com flor de girassol. Sabonete, creme hidratante, produto para tendinite, creme contra fungos, eczema e óleo contra rosácea. Óleos mil, perfumes como batom de eucalipto, de laranja, almíscar, cristal para sinusite, perfume antitraça, pitaya ou figo da Índia, botox natural em óleo, melhor que rosa mosqueta (4 gotas 3x semana). Pó misturado com açafrão para dor menstrual com água quente. Uau, saí toda perfumada, um lugar que queria ter comprado todo. No final, saí de lá com perfume flor de laranjeira para calmante em forma de batom, se coloca na testa dos dois lados antes de dormir e com chá de cominho para uma boa digestão. Aprendendo com os marroquinos. Demos 60 DH (R$36,14) para o Tuk de presente e nos separamos. Ele perguntou se queríamos ficar pelo local, mas dissemos que depois do almoço iríamos embora.
Pastelão de frutas-sobremesa do almoço-Restaurante L´Orientale-Marrakech-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
O motorista vem nos buscar às 15 h, então ali perto o Tuk nos deixou no restaurante L´ Orientale devidamente recomendados. Av. Mouahidine et Rue Bab Agnaou Marrakech. Restaurante típico marroquino, o valor da refeição com entrada, prato principal e sobremesa por 120 DH (R$72,28), o guia nos ajudou na negociação. Na mesa, toalha marroquina com pétalas, muitos turistas, lugar formoso. Antes, havia comprado chaveiros de lembrancinhas, as lojas são uma loucura e o preço fantástico, pena estar tão na pressa. Vamos ao cardápio: salada crua, cuscuz marroquino e pastelão de laranja, romã e uva, coberto por um creme leve. Refeição suave, delícia! Pra variar, tinha gato perto de mim.
De volta ao hotel às 15 h. À noite tínhamos um jantar sensação. Ficamos sem saber muito bem as diretrizes, isso faltou, porém sabíamos que alguém passaria às 20 h, então estávamos prontos no lobby do hotel Palm Plaza & Spa Marrakech na hora combinada. Chegou o motorista Nordim que já conhecíamos, muito simpático. E rumamos ao Complexo Chez Ali, longe que só, na Route de Casablanca, somente o Carlos e eu, o Renato não quis ir e o pessoal da excursão já havia partido.
Ali se fala o árabe, o berbere e o francês. Chegamos com cavaleiros nos esperando para a foto de entrada. Há a Caverna do Ali Baba com roupas berberes expostas e joias de mulheres. Mulheres vestidas de roupas típicas. Uma era originária de Ouarzazate com tatuagens de henna no queixo. O espaço é gigante, com músicas diversas, grupos de danças e roupas bonitas. São trupes folclóricas de todo o país. Funciona todos os dias, mesmo sendo lugar para turista ver, amei. Nunca vi nada igual. 25 anos atrás era só almoço com espetáculo de cavalos, porém foi crescendo e hoje é imperdível. O rei Hassan II esteve no lugar e gostou. Ajudou com a água e eletricidade. Vemos tendas Kaidal do deserto.
Há várias tendas de restaurantes para grupos grandes, o nosso era só o Carlos e eu, uma pena tanta comida. Bebidas por fora, gastronomia do povo berbere. Primeiro: sopa com especiarias e massa. Muito bom. Segundo: prato principal: tagine de carneiro com ameixas-pretas e sementes. O Carlos aprovou. Os grupos de música com homens e mulheres que estavam do lado de fora entram na tenda e se apresentam para cada mesa. Com roupas e apetrechos de cabelo dos homens diferentes. Que país mais colorido.
Veio o prato principal para mim de cuscuz com frango e legumes, gigantesco. Prato para 10 pessoas, fiquei triste por deixar tanto. Depois, cominho com água para a digestão, mais o prato doce: um pastelão com molho suave e amendoim triturado em cima. Maravilhoso com frutas dentro. Chá de menta e biscoito. Socorro! Vamos explodir! A coca cola: 30 DH (R$18,07). Quase a mesma comida do almoço, ainda estávamos cheios, imaginem.
Espetáculo no Complexo Chez Ali-Marrakech-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Saímos para as arquibancadas já repletas de gente a fim de ver o espetáculo. Em frente, um campo aberto. E vai começar. Dromedários, música árabe, multidão aplaudindo. Cavaleiros berberes fazendo acrobacias nos cavalos e saindo em grupo para atirar suas espingardas em uníssono, ovelhas com pastor, um burrinho fazendo graça, finalmente, todos os grupos de dança e música juntos. Aladim no tapete voando e uma dançarina de dança do ventre no meio do campo, dentro de um local móvel. Fabuloso. Saímos realizados e felizes.
Marrocos, que país marcante e cheio de cores. Amei! Jornada que valeu a pena, indico.
Marrocos colorido-Marrakech-Jardins de Menara, Palácio do Bahia e outras curiosidades-dia 7
Hoje é dia 10 de novembro de 2024. O Carlos e eu no hotel Palm Plaza & Spa Marrakech, no retorno de um giro ímpar por cidades do Marrocos. Estamos no final da excursão da Special Tours/CVC, mas ainda com muito a conhecer. Ficamos no hotel somente os três brasileiros, eu incluída. Os espanhóis foram embora no dia anterior.
O dia começa com um café da manhã espetacular, vou sempre me lembrar. O iogurte é servido em um copo e é divino, um sabor incrível. Vejo passarinhos no salão imenso e repleto de turistas. A mesma comida do jantar anterior estava presente, muita gente come na primeira refeição. Não deu tempo para o meu cafezinho, tínhamos que encontrar o condutor que nos levaria ao passeio pela parte antiga da cidade.
Às 9 h, o condutor Aiul, que só fala árabe, nos pega em um carro preto chique (Dacia Lodgy) e leva a mim, o Carlos e o Renato ao encontro do guia Tuk. Fala várias línguas e é muito bem preparado. Com a gente, foi no espanhol. Os táxis são amarelos, a cidade é plana e vermelha. Eu gosto muito de cidades espaçosas.
Jardins de Menara-Marrakech-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Fomos aos grandiosos Jardins de Menara, os jardins mais conhecidos da cidade e antigos do Ocidente muçulmano. A fama tem a ver com um grande sistema hidráulico do séc. XII. A água vem do Atlas e foram utilizadas ferramentas antigas como pá e picareta, escavavam por baixo e faziam canais subterrâneos conectando com água de poços para lutas contra a falta de água. No inverno chove, mas pouco, tudo é seco demais. O fato de a cidade ser toda verde e sem chuva tem um segredo: esse antigo sistema hidráulico usado na agricultura/irrigação e para beber.
Segundo o site https://visitmarrakech.com, as necessidades hídricas destes espaços eram satisfeitas graças aos esgotos subterrâneos (Khettara), escavados segundo uma técnica iniciada pelos almorávidas a partir do século XI e adotada pelos almóadas, que enriqueciam a rede de canalizações superficiais. A criação desses jardins, segundo Ibn Sahib Assalate, é atribuída a Hajj ibn Yaïch, estudioso e legislador do Império Almóada. Para além das suas funções utilitárias e recreativas, esta piscina servia para o treino de natação dos soldados almóadas, em preparação para a travessia do Mediterrâneo até a Andaluzia. O mesmo site nos conta que autores antigos atribuem seu primeiros desenvolvimento ao sultão almóada ´Abd al-Mu´min ibn ´Ali (1130-1163). O sultão alauita Sidi Muhammed mandou construir ali um pavilhão com um mirante que servia de local para passeios e descanso.
O tanque do séc. XII, enorme para juntar água. 50 m de comprimento, 83 mil m³ de água, 150 m de largura e 2,80 m de profundidade, de acordo com o guia. A comporta abre e leva água por canais para o parque, uma irrigação controlada. As oliveiras começam aqui, são 100 hectares plantados. Mais de 100 canais vindos da cadeia montanhosa Atlas que baixam água sem neve e chuva. Poços evitam inundações. Antigamente se bebia essa água, hoje não mais, pois há a barragem Hassan II.
Os guias gostam de contar detalhes da sua cultura e de falar mal da política. Açafrão e oliveiras são bons laxantes. Os muçulmanos comem ruminantes herbívoros, porco nem eles nem os judeus. Motivo? Porque comem sujeira.
A importância da oliveira é secular. No séc. XX encontraram uma árvore parecendo selvagem. As azeitonas foram trituradas para o azeite e da árvore saiu a pepita argan.
Visita ao exterior da mesquita Koutoubia,irmã gêmea da Giralda de Sevilha na Espanha. Menara significa “farol religioso ou que indica o caminho”. Vemos o minarete: al-manara, um farol que indica o caminho para as chamadas religiosas e o caminho dos viajantes. No Marrocos, funcionava a Rota do Sal, para conservar a saúde para a pele (dermatologia), como feridas de pele de humanos e animais, dromedários, por exemplo. No séc. XVI, o sal era trocado por ouro. Combinado com a Rota do Sal, havia a Rota da Seda, a China oferecia chá, arroz e laranjas, a Índia especiarias. Havia ladrões no Atlas e na Península Ibérica de “olho” nas mercadorias.
Não se bebe água da torneira. No passado, a cabaça era a cantina para levar água com qualidade. O marroquino fala muito em saúde e na importância da água. Nos séculos XI e XII havia a luta para conseguir água boa de beber, viam a neve no Atlas como água. Das especiarias da Índia vieram também plantas compradas para curas. Os guias também falam muito contra armas, indústria farmacêutica e alimentação errada. Antes se comia pão com cevada e trigo, arroz nos finais de semana com resto de carne e peixe. A paella é herança dos árabes da Andaluzia, Espanha. A gente vê policiais a cavalo, são árabes e berberes. Estamos na praça Jmaa el Fnaa, um dos lugares mais interessantes de onde se acessam os souks (mercados) e a medina. Laranjeiras azedas na calçada, vieram da China, fazem sucos bons de vitamina C e são usadas na fabricação de geleias azedas para os britânicos. Há dromedários no local.
Estamos na medina (cidade velha) com a muralha, usada para a segurança à época, pois havia ladrões no passado. No séc. XV, muçulmanos e judeus foram perseguidos pela inquisição, então os judeus fugiram para a medina. A vida era honrada com respeito à religião dos outros. Três bolas no minarete. Convivência boa com a religião. A grua mostra a direção para Meca, o nascer do Sol. O bairro judeu perto do Palácio Real. Casa com pavimento era de judeu.
Os profetas eram intermediários de Deus com o ser humano. O poder leva ao mal. Política mundial difícil. Regras religiosas contra armas. O turista quando entra no país tem que ser protegido.
O shopping Menara Mall. Avenida Estrada da Porta Nova onde há grandes jardins e oliveiras também. Entre 1912 e 1956 o Marrocos foi colônia francesa, era pra ser protetorado, mas não foi. Os franceses construíram igreja, hotel. O rei Hassan II permitiu a nacionalidade dos judeus por meio de um decreto real. Em 1948 muitos foram embora para Israel.
Continuamos a caminhada a pé pela cidade antiga. Muitos turistas em todos os sítios históricos.
Entramos no Palais Bahia, Palácio do Bahia ou Palácio da Bonita, propriedade de um nobre da cidade. Encontramos mais laranjeiras azedas no lugar, substituíram as cabaças. Boa para enxaqueca a flor da laranjeira, usa-se o extrato que é relaxante. Para mulheres, então, com os maridos e as crianças gritando é especial. Achei um comentário engraçado. Para aliviar a cabeça, usa-se com leite. O guia Tuk compra nossas entradas para entrar no palácio.
São 8 hectares. O ministro que o construiu queria uma vida privada. Para isso necessitava de uma passagem cotovelo, um corredor, sem janela para ter privacidade e não ofender ninguém: ricos com pobres juntos. Deus quer o coração, a roupa não interessa, segundo o guia. Para tanto, o uso da vestimenta djellaba (a túnica) que esconde o traje por baixo. Dentro do palácio, um jardim marroquino. Escritórios de secretário e do ministro. O cedro usado. Teto lindo, salas diferentes. Vida administrativa do ministro. Salas para marroquinos diferentes das salas para estrangeiros. Cada sala com teto, tapetes no chão diferentes. Teto com tapetes iguais pareciam espelhos. Lá se faziam tapetes ricos de acabamento, outros de algodão. Para aquecer a casa, braseiro e mobiliário para cobrir o chão no inverno. Quando os franceses se foram, levaram os tapetes. Eram imperialistas. Não era protetorado, mas colonização.
Riad é uma casa com jardim, plantas e laranjeiras. Casas sem jardins também existem. A árvore cedro no Marrocos não é exportada. O muçulmano é monoteísta, crê em Deus. Os guias falam muito na religião deles. Casamento entre membros de famílias diferentes é bom para a paz. Mulheres viúvas seriam a segunda esposa, gesto nobre para a mulher ser amparada. Regra religiosa do passado: a poligamia, até quatro mulheres. A favorita seria a que tivesse um filho homem. Se a concubina tivesse o filho homem, se tornava a favorita e não as esposas. Em 2004, o rei Mohammed VI criou uma nova lei: só há uma segunda esposa se a primeira aceitar e há contrato com vantagens materiais para a primeira. No Palais Bahia, havia três salas para as outras e uma para a favorita. Hoje não mais esse harém todo, a economia não permite e o pensamento muda. O rei inovador Mohammed VI só tem uma mulher. A educação é que conta.
Salão marroquino no Palácio do Bahia-Marrakech-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
O salão marroquino com sofás e de mármore italiano com acesso privado era o da favorita. O guia nos conta muito sobre a cultura à época. Na religião se aceita o divórcio se o casamento não estiver bom. No Marrocos não se usa burca, não é obrigada a se cobrir toda. Nos jardins de inverno do palácio, havia espaço para as quatro esposas/mulheres em um pátio grande passearem e tomarem vitamina D sem cruzarem uma com a outra. Hoje são usados para eventos culturais, musicais e de casamentos. Os guias falam de forma aberta sobre assuntos matrimoniais.
Vimos plantas de ginseng, boas para a cabeça. Do pátio aberto, saímos para o jardim com uma gateira, ou seja, os gatos entravam pelos buracos na porta a fim de comer os ratos, e ali também funcionava escola para os filhos. Eram selvagens, hoje, não. Atualmente esgotos, antes fossas antissépticas.
Continuamos no Palácio do Bahia. Na casa, os pátios são abertos e as janelas para dentro. Tetos altos e quartos fechados com temperaturas agradáveis para o frio. São pequenos, quadrados, sem janelas, com tapetes, a cama em cima do chão com armários. O teto fechado para evitar temperaturas fortes. Para o verão se usava os quartos maiores com degrau, uma porta dentro da outra. Casa completa com lado para os servos. Muitos detalhes na casa. Quarto pequeno para a mulher amamentar, passagem com três portas. Guardas na passagem cotovelo para evitar a entrada de estrangeiros. Banheiros. Pintura nos tetos feita de cedro, pigmentos, papoula (cor vermelha), alecrim (cor verde), alfavaca, puro açafrão em pó, filamentos, barba do milho pintado, índigo vegetal (azul, usado por tuaregues contra mosquitos), clara de ovo (cor branca), antimônio para proteger os olhos (cor preta).
No mundo muçulmano, não há imagens, consideram idolatria, mas existem a caligrafia (saúde permanente, a escrita), os motivos florais e geométricos.
Os muçulmanos não são fãs de carne vermelha, porque os animais comem coisas sujas. Preferem a carne salgada, cevada fervida e seca, tâmaras com leite, bom para a saúde. É o que comiam nas caravanas do passado. Mulheres puérperas tomam cerveja (cevada) e pão.
Sem dúvida, outro mundo. De lá vamos prosseguir nos passeios.
Renato com a gente em frente ao Kasbah Aburir em Ouarzazate-Marrocos-foto selfie tirada pelo Renato
Hoje é sábado, dia 9 de novembro de 2024. Saímos do Hotel Karam Palace em Ouarzazate e vamos aos passeios. O condutor do ônibus se chama Reduan e o guia Abdul. Nosso guia tem conhecimento variado. Conta sobre o argan, comum na região. Segundo o site https://esteticacabofrio.com.br, o argan é um óleo extraído das nozes da árvore de argan, nativa do Marrocos. Amplamente reconhecido por suas propriedades nutritivas e hidratantes, muito bom para a saúde da pele e dos cabelos. O guia continua: o último terremoto destruiu muito do Kasbah Aburir que iremos conhecer por fora. Os kasbahs ou fortalezas ficavam sempre na parte alta para observar os soldados inimigos que vinham para guerrear ou as caravanas que passavam. Estamos na avenida principal, muito formosa, com palmeiras em formato de abacaxi, e tiramos fotos do majestoso kasbah. Passamos pelo Tribunal de Primeira Instância de Ouarzazate, bonito.
Ouarzazate em berbere significa “sem barulho” ou “sem confusão”, tem uns 70 mil habitantes e a maioria deles trabalha nos filmes feitos na cidade, ganham em dólares. Por isso ser chamada de Hollywood marroquina ou do deserto. É a maior cidade do Saara marroquino. Interessante dizer que não encontramos um cinema. As produções cinematográficas são grandes e alguns estúdios são abertos à visitação. Sentimos muito o orgulho do guia com o seu país.
“Cleópatra”, de 1999, foi filmada nos Estúdios Atlas. Para a película Kingdom of Heaven (Reino dos Céus), de 2005, foram usados 300 cavalos, e custou 2 milhões de dólares somente para 35 minutos de filme. Os táxis são amarelos. Na cidade, há várias fortalezas utilizadas, incrível. Uma é a mesma da construção de Jerusalém. Os turistas visitam Ouarzazate para conhecê-las, em um estúdio a entrada é uma claque de filmes. Segundo o guia, nos Cla Studios se produzem filmes, as roupas, manufaturas e armas utilizadas nas produções. Eu nunca conheci uma cidade assim, que vive inteiramente de cinema.
Venda de pratos coloridos e cerâmica pelo caminho. Estamos na direção de Marrakech. Dentro do ônibus, cada turista deu 100 DH (R$57,58) de presente para o nosso guia fantástico Abdul e motorista Reduan. O guia disse que fomos os melhores dos melhores, realmente, o grupo de 16 viajantes, sendo 3 brasileiros, era agradável mesmo. A gente senta junto no café da manhã e jantar e se diverte em “espanhol”. Diga-se de passagem: o espanhol é tão festivo quanto o brasileiro. Somos semelhantes. E na viagem ficamos próximos do guia.
Kasbah Ait Ben Haddoud a 30 km de Ouarzazate-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Estamos na descida da montanha, embaixo de um vale e vemos outro povoado. Impressionante a quantidade de controle nas estradas. Passamos pelo famoso Kasbah Ait Ben Haddoud e suaaldeia, Patrimônio Mundial da UNESCO, desde 1987, e cenário de diversos filmes, como “Gladiador”, de Ridley Scott, de 2000, e a parte 2 do último com Denzel Washington, de 2023. Além de “Sequestro no Mar Vermelho”, de Dante Lam, de 2018, “Rainha do Deserto”, de Werner Herzog, de 2015, “As Quatro Plumas” (The FourFeathers), de Shekhar Kapur, de 2002 etc. Este último é colossal, vale a pena assistir. Na Hollywood da África, existem muitos hotéis e restaurantes.
Estamos a 30 km de Ouarzazate. Descemos do ônibus e entramos em uma loja de um senhor tuaregue que vende armas antigas, cantis (para beber água), produtos decorativos, colares, tudo bem antigo. Casas em terracota com alfafa para aplacar o frio e o calor. Por ali, há lojas e uma varanda para fotografar o Kasbah Ait BenHaddoud. Impressionante, mesmo de longe. Um rio passa na frente, é um cenário árido e de mistério. Testemunhamos os visitantes explorando os cantinhos da fortaleza. No local, uma pequena vila de lojas e casas pequenas. Na de outro tuaregue, venda de joias estilosas em prata. Comprei um anel original por €20 euros. As pulseiras estilosas, a mulherada do grupo “endoidou”. Logo adiante uma loja de aquarelas de diversos tamanhos. Tintas feitas de açafrão, chá e índigo para as pinturas. O índigo é utilizado na coloração de turbantes. Comprei um postal pintado a 100 DH (R$57,58), belo de um kasbah, que coloquei em um porta retrato dourado.
Como o grupo da excursão era amigável, a gente dividia guloseimas no ônibus. Comemos amêndoas, tâmaras e figos secos. Estamos em uma carretera (estrada nacional em espanhol) nova com controle de velocidade. Entendo perfeitamente, pois os motoristas fazem ultrapassagens perigosas.
Cheio de povoados pelo percurso. Sábado é dia de compras para os funcionário públicos. Os ônibus esperam por eles. Gostam de carne de cabra. O guia dá muitas dicas. Há canaletas saindo das montanhas. Controle na estrada de novo. Subimos a montanha agora. Paramos no Restaurant Palaisde Tichka no percurso às 12 h, mas ninguém quis almoçar, só eu… Preferiram seguir adiante. Prosseguimos na subida da montanha, estamos na cadeia montanhosa Atlas. São marrons e verdes por conta das árvores. Marrons por causa do enxofre. O enxofre é amarelo, montanhas com sal, brancas. Terra de ouro e prata, bronze no sul.
Cruzamos o Col du Tichka ou Tizi n´Tichka,conhecida pela sua neve perpétua, mas no momento, estava sem. As mudanças climáticas agindo. A Wikipédia esclarece que se situa a 2260 m de altitude e é um passo de montanha na cordilheira do Alto Atlas. Montanhas de chocolate, no local há cordeiros brancos da cabeça negra, porque tem água. A carretera antiga era pequena. A atual é muito boa. 75% do fosfato do mundo vem do Marrocos. Encontra-se cobalto também.
Enfim, almoço no Café Restaurant Tizi Ait Barka, em Al Haouz Province, Marrakech-Safi, que oferece um visual impactante de montanha e vale lá embaixo. Uma mesa para 16 pessoas. Gostei da venda de postais, cadernos e marcadores de livros, lógico que comprei. 157 DH (R$90,44) mais chocolate da Polônia, uma delícia, parece suíço. Almoço: entrada de azeitona branca temperada e preta que parece ameixa, além do pão, duro de sempre, embora bom. Nunca comi tanta brochete, no caso, de peru e batatas fritas. Na mesa, a maior farra, os espanhóis são muito simpáticos.
Mais informações vindas do guia. Vacas ficam nas casas, as mulheres as alimentam. Vemos muitos tapetes para vender. O Abdul me fala sobre o norte do Marrocos: a cidade de Tânger e Chefchaouen (a cidade azul), quero conhecer. Já nas proximidades de Marrakech, ele nos conta sobre Amelkis Resorts, localizado em Marrakech, no Boulevard Mohammed VI, no sopé das montanhas do Atlas. São casas luxuosas como hotel e morada. Privacidade e campo de golfe com 27 buracos. Usam muita água. Interessante que os marroquinos não jogam golfe, só os estrangeiros. Precisam da autorização da companhia de água e eletricidade para funcionar. Quem tem casa lá são os atores Leonardo Di Caprio, Tom Hanks, o jogador Zidane etc. Existem outros campos de golfe na cidade.
Perto de Marrakech, as antenas de telefone como palmeiras, bem original e integrados à paisagem. O guia sempre fala em funcionários públicos. Pelo visto são valorizados. Têm apartamentos de 52 m² e pagam em 25 anos. A vida é mais fácil para eles do que para o restante da população. Laranjeiras no canteiro central. Entramos em Marrakech pela avenida larga e limpa, rodeada de árvores, um jardim privado onde somente estudantes entram. O clima é melhor entre as árvores.
Ao adentrar o mesmo hotel em que já nos hospedamos no início da viagem em Marrakech, nos despedimos do grupo alegre da nossa excursão e do Abdul no saguão do Palm Plaza Hotel& Spa (Zone Hoteliere De L Agdal em francês). Ele nos deu informações sobre o dia seguinte e nosso voo para mim, Carlos e Renato, nosso bom companheiro de jornada. Quarto melhor ainda, de rei. Saímos depois de nos acomodarmos e fomos passear no (shopping center) Almazar Centre Commercial (em francês), de 3 andares, cerca do hotel. As lojas Miniso (conheci em Lima-Peru e amei), Colin´s e Virgin Megastore são algumas delas. Muitas promoções de roupas/outlets, imperdível, pena eu não ter condições de comprar e tempo.
Jantar no hotel. O melhor buffet, espantoso o número de pessoas, o salão enorme. O feijão é uma fava, comi com arroz. Feijão com arroz, nada mais brasileiro. Doces diversos, pizzas, saladas mil, comidas variadas, tudo perfeito. Depois, hora de se recolher, pois no outro dia mais passeios por Marrakech. Estamos de volta à cidade vermelha.
Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5
Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.
Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.
Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.
O Carlos e eu nas Gargantas de Todra-Tinghir-Marrocos-foto tirada pelo guia Abdul
Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.
Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.
Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.
Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).
Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.
A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?
A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic RoseWater Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.
Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.
Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No HotelKaram Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.
Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.
Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.
Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5
Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Acordei em Erfoud no Kasbah Chergui Hotel às 6 h tomando remédio para enjoo e haja Sonrisal, Luftal e leite de magnésia. Motivo? Os temperos da comida marroquina. Logo, comi pouco no café da manhã, uma pena, pois estava promissor. Falamos para o guia Abdul do meu desconforto e foi muito simples, pois ele nos levou ao refeitório e nos ofereceu água mineral misturada com cumin para o estômago. Todos nós tomamos (o Carlos e Renato também), inclusive o guia. O Abdul disse que era normal se sentir assim, ainda bem que eu havia levado remédio, mas o tempero cumin (ou cominho em bom português) provou ser muito efetivo. Rapidinho eu estava bem. O marroquino usa para salpicar na comida e sempre existe um pratinho com a especiaria em qualquer restaurante. Faz parte da tradição do país, serve para indigestão, gases, assim como para baixar a pressão e o açúcar no sangue. Achei genial.
Nós lá fora, prontos com a bagagem, esperando o grupo da excursão que havia dormido em tendas no deserto. O Fran e a Silvia, casal simpático de Santiago de Compostela-Espanha, foi um deles. Disseram que é fabuloso, nós não fomos, fica pra outra. Como temos muitas dunas no Ceará, confesso não ter pensado no assunto. E era pagamento extra. Nosso guia ficou trocando ideias sobre futebol, ele sabe tudo. Uma graça.
A passarinhada fazendo a sinfonia de madrugada no hotel, algo belo. Interessante que no quarto do hotel, o banheiro era separado. Pia de um lado, chuveiro de outro e por aí vai. Gostei, sempre prático. Só lembro do bed & breakfast que fiquei em Londres a primeira vez.
O guia nos conta que Ouarzazate é a Hollywood do Marrocos. Vários filmes foram gravados no local, como Star Wars, Gladiador 1 e 2 (também em Malta e Itália), Lawrence da Arábia etc.
O ônibus vindo do deserto atrasou quase 1 hora e meia, chegaram e nós logo partimos. Erfoud ou Arfoud, cidade do deserto, um dos Palácios Reais se localiza lá. Prédios baixos, casas ocre, poucas avenidas e ruas, cidade dos bancos, lugar de pedras naturais e fósseis. Cidade das tâmaras, muita gente com as roupas típicas marroquinas: túnicas.
Os muçulmanos, diz o guia, são solidários, dão comida a quem tem fome. No passado, homens tinham até 4 mulheres, hoje ainda existe, mas menos. A religião não aceita a homossexualidade. Nosso grupo tinha 16 pessoas, a grande maioria, de espanhóis.
Paramos no banco para o Fran tirar dinheiro. Vemos o centro de Erfoud. As bicicletas soltas, ninguém mexe. No nosso hotel, percebi que a loja (fantástica para turistas) estava aberta, e o gerente na sua sala anexa ou do lado de fora. Uma simpatia ele, fala inglês e espanhol. O turismo no país é levado a sério e línguas estrangeiras fazem parte do pacote.
Descemos do ônibus em uma loja de tâmaras, escolhida pelo Abdul. A fruta seca do Marrocos é grande e suculenta. 120 DH o quilo (R$68,84). Aceitam euro também. Logicamente, compramos a caixa onde está escrito: Dattes al Majhoul, bem condicionado para viagem, qualidade superior. Na cidade, acontece a maior feira de tâmaras do mundo.
Loja Manar Marble-fósseis nas pedras-Erfoud-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Vamos à loja, um galpão enorme, Manar Marble (Artisanat du Maroc), Route du jorf B.P: 199. Morocco´s Premier Fossil at Stone Souree.Uma fábrica de fósseis e pedras naturais. 350 milhões de anos atrás, a localidade tinha mar, hoje é deserto. Um vendedor da loja nos recebe e mostra o mármore, dentro do bloco muitos fósseis de lulas e caracóis. Rosa do deserto de areia cristalizada. (Eu e o Carlos fugindo dos cigarros dos espanhóis). No chão, fósseis de corais e medusas (de 620 mil anos atrás). Artista esculpe à mão objetos de mármore, 2 meses para fazer isso. Um bloco leva 8 meses e custa 35 mil dólares. Muito do que é esculpido vai para museus. O lugar de exposição das esculturas vale conhecer, há fontes do tipo Jacuzzi com cascata de 600 quilos e mesa por €1400 euros, para a Andaluzia na Espanha. Blocos com fósseis de sardinhas, um calamar (lula) grande, incrível. Linda fonte de mármore com fósseis. Que original. O rapaz nos mostra máquinas de corte e lapidações. Loja única no mundo. Comprei uma tartaruga trabalhada por €10 euros. Passeio imperdível.
Estamos na direção de Marrakech. Os arredores de terra seca, árida, desértica, mas arborizada. Passamos por montanhas enormes que parecem o Centro-Oeste americano, com dunas circundando. Ali foi filmado Sahara (de 2005, com Matthew McConaughey e Penélope Cruz). Em um povoado no caminho, vemos mulheres de túnicas negras, que as protegem do sol, povo berbere. Lugar pacato e peculiar. Andam de jumento com uma proteção de ferro em ambos os lados. Usam motos também.
Pela estrada ou carretera (em espanhol), usam postes de luz com energia solar. Segundo o guia, o Marrocos foi o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência americana em 1777. Os guias marroquinos sabem muito, fiquei maravilhada. Fezna Ouled Jellal naregião deDrâa-Tafilalet, povoado, casas com jardins perto da estrada. Muitas fechadas, porque o povo mora na Europa. Caravana de motorhome que vem de Tânger, no norte, por ferry boat. São italianos. Vemos a montanha onde está escrito “Allah, país, Rei”, símbolo da monarquia alauita. O material usado na construção das casas é terracota, argila cozida no forno, sem ser vitrificada, boa para calor e frio.
Local seco há 44 anos, os montes de terra vistos são poços. Os tuaregues usam roupas de cor azul índigo, são os homens azuis (originários de Tombuctu ou Timbuktu em Mali, país africano). Em Povos de África: Os Tuaregues, os Guerreiros do Saara – Mais Afrika, ficamos sabendo que a vestimenta tradicional, como o tempo tinge a pele de seus portadores, conferindo-lhes uma aparência marcante e misteriosa que se tornou a sua marca registrada.
Passamos por montanhas rochosas como se fossem fragmentadas. Plantação de oliveiras espanholas, palmeiras pequenas, 46 tipos de tâmaras. Outro povoado com mulheres de túnicas pretas e faixas coloridas (da cor da bandeira dos berberes). O Marrocos é interessante, as cores das túnicas mudam de acordo com a cidade. Rua difícil para passar o ônibus. Pueblo/aldeia com feira dia de sexta, casas viradas para a montanha com pedras empilhadas em frente às casas ou na rua ao lado para evitar a água intensa que vem da serra quando chove.
Turma da excursão no Marrocos na loja Souvenir Aicha-a caminho de Tinghir-foto tirada pelo nosso guia Abdul
Na estrada, paramos em uma loja original, por pertencer a uma mulher: Souvenir Aicha. A proprietária Aicha trabalha com mulheres somente. É viúva e tem apoio dos guias de turismo. Vestimos trajes de berberes: as túnicas e tiramos fotos. Um barato. Comprei uma vermelha por 200 DH ou €20 euros.
As casas têm os proprietários que moram fora, principalmente na França, são enormes com 200 m². Passam 11 meses no exterior e um mês com a família na localidade. Alugam mais barato a parte de baixo do imóvel para lojas, assim quem aluga cuida da parte de cima. Uma troca. A vida é mais barata no local do que em Marrakech. Às sextas é dia de festa, vestem branco e vão às mesquitas. A cidade fica sem movimento na hora da oração. Os habitantes são mais tradicionais do que em outros lugares, os jovens não andam de mãos dadas quando namoram, não se veem homens e mulheres juntos, se estiverem, são irmãos. Ou seja, casais andam separados.
Para o muçulmano, o dia da oração é sexta-feira, para o judeu, o sábado e para o cristão, o domingo. Sobre os dromedários, buscam comida soltos e voltam para casa ao fim do dia. Eles têm donos. Mais ao sul do Marrocos, as famílias escolhem o casamento dos filhos, no mais, são livres, segundo Abdul.
Chegamos a Tinghir pela avenida principal larga com postes de luminárias bonitas e vários prédios ao longo dela. Cidade mais antiga do sul, no passado cidade dos judeus. Atualmente eles vivem em Casablanca. Vemos as casas em ruínas onde eles moraram. É costume local não destruir casas antigas, pois são as casas dos pais, da história da família. Tinghir é um oásis. Os berberes habitam no local. Não usam preto, usam uma túnica branca e maior. Os homens de roupa djellaba (túnica). Há albergues para turistas. Terra de prata 925 k e tapetes. Construções na montanha novas e velhas. Quanto maior o número de palmeiras, maior a riqueza da família. Os berberes ainda casam com duas a três mulheres, a segunda precisa da autorização da primeira que negocia uma casa para aceitar, por exemplo. Sempre aprendendo sobre a cultura diferente do país.
Continuaremos com Tinghir e as Gargantas de Todra, lugar impressionante.
Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4
Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Saímos de Fez, já passamos por Ifrane e cruzaremos as cidades de Zaida, Midelt, Rich e Errachidia antes de alcançar Erfoud.
Chegamos a Zaida, cidade de cor amarela, bem desértica, portão do deserto do Saara para os viajantes que vêm de Merzouga e região de Tafilalet. Maçãs por todo o lado. A rua principal com mercados na calçada e restaurantes nos dois lados da rua. Que visual mais diferente de deserto. O guia Abdul comprou maçãs verdes e vermelhas para nós todos, uma atitude simpática. Maçãs deliciosas.
Segundo a Wikipédia, Zaida é uma aldeia berbere na região centro-oeste do Marrocos. Está localizada a 30 km a sudeste da cidade de Midelt e é conhecida pela produção de maçãs. A maioria dos habitantes é de agricultores.
Paramos no Café Restaurant 7 (Ait Ayacherp, 13), endereço: 23 km entre Midelt e Zaida 54375, para café e banhos. Ainda não para almoço. Tomamos um café americano por 20DH (R$11,71) a fim de enganar a fome. Entramos na zona militar, há um presídio à esquerda.
Próxima cidade: Midelt. Vemos o Hotel Taddart, uma fortaleza ou kasbah em árabe, construção do sul. Deserto, calor, a cadeia montanhosa Atlas à vista. Passamos por uma alameda com árvores dos dois lados, controle policial. No Marrocos, as entradas das cidades têm fontes de água com símbolos de frutas, no caso, a maçã. Muito criativo. Vimos um hospital, lojas, prédios, bancos, alamedas, casas quadradas de cor amarela de adobe. Os muros são trabalhados. Fora das casas 40° C e dentro 20° C. As escolas são coloridas, a cidade é grande, toda no adobe. Lembra São Pedro do Atacama no Chile. Há estação de trem e ponte com luminárias e bandeiras. Considero tudo gracioso.
De acordo com a Wikipédia, Midelt é uma cidade no centro do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Meknès-Tafilalet. Situada na junção dos maciços montanhosos do Médio Atlas e do Alto Atlas Oriental, a 1520 m de altitude, tendo por fundo o imponente Jbel Ayachi, um pico que se ergue a 3757 m de altitude, Midelt encontra-se a 190 km a sudeste de Meknès, a 200 km a sul de Fez e a 140 km a norte noroeste de Errachidia. Uma curiosidade: no sul do país está o pico mais alto Jbel Toubkal a 4167 m.
Rumamos ao sul, as montanhas ficam mais avermelhadas. No Atlas, ao norte não neva, ao sul, sim. Sinto falta de placas de trânsito na estrada com distâncias e direções das cidades. Vemos a primeira usina de energia, lá adiante à esquerda energia eólica. Montanhas rochosas, subimos a 1907 m, depois descemos em pista dupla. Que fome! São 12h45 e nós na estrada. Deserto com plantas baixas e o Atlas à frente sem neve.
Montanhas caracoles, ou seja, em forma de caracol. Vimos nômades no rio seco que só tem água quando chove. Essa água não é usada para agricultura, porque tem enxofre. Casas maiores e mais baratas na região. A água pura utilizada pela população é de água vinda da montanha. A eletricidade vem da energia solar, no local, muito frio. De 6 anos para cá, ocorreram mudanças na região com a plantação de oliveiras. Muitas macieiras e outras árvores.
O rio de água quente com enxofre à direita, bom para pessoas com reumatismo e problemas de articulação se banharem. Um oásis ao lado. O governo paga a escavação de muitos poços para a população, afinal estamos no deserto. Cabras, e casas com mais de 2/3 das famílias nelas. País organizado. Compram petróleo do Catar e da Rússia, além de outros países. Testemunhamos mulheres lavando roupas no rio. Zona militar, porque é perto da fronteira com a Argélia. Vemos uma mesquita.
Enfim, almoço em Rich, umas 14 h, estávamos esfomeados! Rich é uma cidade na província de Midelt, região de Drâa-Tafilalet. Anteriormente, pertencia à província de Errachidia, mas desde 2009 faz parte da província de Midelt, diz a Wikipédia. No Café Salama, comida prato executivo: frango assado, legumes, arroz e batata-doce. Levemente apimentado, típico. Na frente do restaurante, uma tenda de um tuareg, feita de pele de dromedário negro. Tuareg, explica a Wikipédia, são do grupo étnico “berberes”, tradicionalmente, pastores nômades, que habitam o deserto do Saara, da Líbia à Nigéria.
Pós-almoço vemos o Grand Canyon do Marrocos. Túnel Zaabal, dentro da montanha do Médio Atlas. Erfoud ou Arfoud a 110 km. Finalmente, vejo uma placa informativa sobre um kasbah na estrada.
São muitos lagos no país, este que vemos não serve para pesca, só para eletricidade e militar, pois possui enxofre. Em pesquisa, vi uns 67. O lago Al-Hassan Addakhil (ou barragem) é enorme, a água vem da montanha e vai se concentrando em buracos no chão, feitos de pedra. Há ruínas de casas ao redor do rio Ziz, porque o governo construiu casas mais adiante. Passamos pelo palácio do rei do Catar em frente da estação de gasolina privada dele.
Mais uma cidade antes de Erfoud, Errachidia. Zona militar, por ser próxima da fronteira com a Argélia. O guia nos informa que se faz serviço militar aos 18 anos por 2 anos. Cada mês, o jovem recebe €200 euros, quem faz geralmente é pobre. Quem tem irmãs somente ou é filho único ou está enfermo não faz. O contrato para quem quer servir por mais tempo é de 10 anos e o governo ajuda a pagar a eletricidade para os militares. Vimos a academia militar que os forma na cidade. O símbolo da monarquia é Alá, País, Rei.
A Wikipédia nos conta que Errachidia ou Er-Rachidia, antigamente chamada Ksar es Souk ou Ighram n Souk em berbere, é uma cidade ao sudeste do Marrocos, capital da província homônima, faz parte da região de Meknès-Tafilalet.
As palmeiras são diferentes na região, menos decorativas, são tamareiras. A fruta tâmara, amada e produzida no Marrocos, é boa para diabéticos, quando o açúcar cai. Há diversos tipos de tâmaras. No período do Ramadã (feriado muçulmano) se come muito.
Oásis/palmeiral de Ziz-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado
Perto de Erfoud, visualizamos um oásis gigante (palmeiral de Ziz) com casas quadradas de adobe ao redor, incrível observar o contraste com a terra seca e árida. Eu não tinha ideia do tamanho de um oásis. Conforme o Abdul, já prendeu fogo em um oásis desses de 11 km de palmeiras.
Finalmente, Erfoud. A porta de entrada para o deserto. O hotel com arcadas é “das Arábias”: Kasbah Hotel Chergui (Route/Rota Errachidia km 5.5). Logo pegamos as malas e fomos deixá-las no quarto. O planejamento com o guia era fazer isso rápido, porque o rapaz do carro 4×4 estava nos esperando a fim de irmos às dunas de Erg Chebbi, onde os 3 dromedários nos esperavam. Muito emocionante estar no deserto do Saara em uma jornada dessas, apreciando a paisagem. Escolhi o animal branco, mansinho, e o apelidei de Carmelo, o condutor era o Ibrahim que falava espanhol.
O Carlos e eu com o dromedário “Carmelo” nas dunas de Erg Chebbi-Marrocos-foto tirada pelo Ibrahim
Experiência que amei. Fiz muito cafuné no Carmelo e no do Carlos que estava atrás de mim, estávamos em fila: eu na frente, o Carlos e o Renato (nosso amigo brasileiro) atrás, seguros por uma corda guiada pelo Ibrahim. Os dromedários (ou camelos da Arábia) são calmos, diferente dos camelos do Egito que, na verdade, são de Mali, maiores, mais brabos e com duas corcundas. Os nossos são menores e têm uma corcunda. Descemos para ver o pôr do sol e entardecer em cima da duna menor. Momento mágico. Depois, o Ibrahim nos mostra uns produtos da região e pede que o ajudemos comprando. Comprei um dromedário bem lindinho de pedra por 100DH (R$58,73). Subimos nos nossos animais e rumamos ao carro 4×4 para a volta ao hotel. Nem todos da excursão escolhem fazer esse passeio.
Para acrescentar, o site Visit Morocco menciona que Merzouga é um dos portões do Saara, uma pequena aldeia perdida no meio das areias. É o território de Erg Chebbi, um mundo de dunas, palmeiras, trilhas e caminhadas. Indica que devemos passear pelo deserto e descobrir trechos de areia banhada pelo sol e pelo silêncio. Caminha-se no meio da imensidão árida, quando na curva de uma duna, se distingue o lago Dayet Srij.
Retornamos ao hotel 4 estrelas, enorme, o quarto com cama gigante, tudo muito lindo e decorado em estilo marroquino, deslumbrante. O jantar em forma de buffet, espetacular. Cheio de americanos. Senti-me “no reino das mil e uma noites”.
Continuaremos com mais aventuras no Marrocos encantado.