Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Gargantas de Todra, Kelaat-M´Gouna e Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Viemos de Erfoud, estamos em Tinghir e continuaremos até Ouarzazate no percurso de ônibus, distância de 305 km aproximadamente. As Gargantas de Todra distam 15 km de Tinghir.

Segundo a Wikipédia, Tinghir é uma cidade na região de Drâa-Tafilalet, no sul do Alto Atlas e norte do Pequeno Atlas no Marrocos Central. Capital da província de Tinghir, situa-se no centro do oásis do vale do rio Todra (ou Todgha), perto das suas famosas gargantas. O oásis é povoado por amazigues (berberes) muçulmanos. Região de tamareiras, que têm sido substituídas por oliveiras. O oásis tem 30 km de comprimento e 4 km de largura. O clima é árido e subtropical: quente, seco com poucos dias chuvosos.

Em https://www.queroviajarmais.com/pontos-turisticos-do-marrocos, descobrimos mais sobre Todra. Eis o cânion formado pelo rio Todra que corta as montanhas do Atlas e cria um desfiladeiro com paredões de mais de 300 m de altura. Visitado por viajantes, tem pouca infraestrutura e alimentação.

Estamos quase nas Gargantas de Todra, um grande acidente geográfico. Estamos na província de Tinghir. O povoado ao redor é grande e peculiar, tem cor vermelha, e casas com portões de alumínio verdes. Estamos na estrada entre montanhas com o oásis circundando. O hotel Kasbah Taborihte em Tinerhir ou Tinghir é de 1960. Sexta-feira, dia da mesquita e do cuscuz marroquino em família. Vemos muito vermelho e verde, as cores da bandeira. Por isso, o Marrocos colorido. Faz frio. TodraGorges ou Gargantas de Todra. As pessoas frequentam o local para fazer piquenique, se banhar. A via para as gargantas é larga, ali andam ônibus e pessoas. Muitas vendas à esquerda, à direita o rio Todra. Lugar monumental. A água brota do chão e também sai em valas para ser utilizada nas casas. O rio serve para a agricultura. País surpreendente. Oásis verdejante, local para conhecer, o rio acompanha a gente.

Enfim, almoço! Na Maison D´Hotes Anissa/Hotel Restaurant Panoramique, na Gorge Toudra Road 10 km, escolhemos o menu 6: salada com brochete de frango e fruta (tangerina), além de batata e cenoura cozidas. Trocamos a salada por arroz, mas estava uma “papa” e sem sal. Comemos com um visual lindo da varanda. Valeu pelo lugar, vendo o oásis. O garçom fã do jogador de futebol brasileiro Paquetá, sempre me espanto com o poder de penetração do esporte.

Voltamos a Tinghir, cidade toda vermelha, grande, muito ajeitada. Não se vê gente dormindo na rua, isso chama a atenção no país. No sul, as cidades têm a cor das montanhas. O canteiro central é bem largo e repleto de árvores.

Outro acidente geográfico da região é o de Dades, a caminho de Oarzazate. De acordo com a Wikipédia, as Gargantas do Dades, também conhecidas como Vale de Dades, são uma série de desfiladeiros de uádi escarpados e esculpidos pelo rio Dadès. Uádi é um leito seco de rio no qual as águas correm apenas na estação das chuvas. O termo é usado nas regiões desérticas do norte da África e da Ásia. O site https://maisumdestino.com nos conta que os desfiladeiros são compostos de arenito e calcário. Também é conhecido como Vale dos Mil Kasbahs (fortalezas).

Seguimos pela Cidade das Rosas, como é chamada Kelaat M´Gouna, vemos a rosa como símbolo na entrada. Os táxis são rosas, ela é toda dessa cor. Que lugar mais interessante. A Wikipédia nos informa que o Vale das Rosas é o nome turístico dado a vales perto da cidade de Kelaat-M´Gouna, nas montanhas do sul do Alto Atlas. Está situada na província de Tinghir, a 80 km de Ouarzazate.

A cidade é conhecida pela venda de inúmeros produtos cosméticos feitos à base de rosas para mulheres. Tem até festival que, de acordo com o blog www.viajecomigo.com, costuma acontecer no segundo fim de semana de maio e dura três dias. Celebra a finalização da colheita de milhões de rosas. Um dos momentos altos da festa é a coroação da Rainha das Rosas, e também o desfile com carroças decoradas com rosas. Curiosidades: para fazer 1 litro de óleo, são necessárias 5 toneladas de rosas. E a colheita das rosas costuma ser feita pela manhã, por mulheres. Eu amei a cidade. Peculiar demais, como não lembrar do carro rosa dos produtos Mary Kay?

A jornada do dia é longa, são 18h24 e nós em movimento. Paramos em uma das lojas de produtos de rosas: Organic Rose Water Biologique Certifée, Shop of Rose Products. Comprei creme para as mãos e rosto, e seis sabonetes por 100 DH (R$57,99). Se não estivesse tão cansada, teria comprado muito mais. Preços ótimos e produtos únicos. Lá fora 23º C, está friozinho, para os padrões do nordeste brasileiro.

Voltamos ao ônibus. Uns doidos no trânsito. Os caminhões têm luzes coloridas à noite, a gente vê de longe. Quão diferente.

Ufa! Finalmente, chegamos a Ouarzazate. Cidade vermelha também. Avenida longa, bem-arrumada. A impressão que temos ao chegarmos às cidades é sempre de encanto. Sempre há um kasbah. Turismo e cinema são os fortes da cidade. Estamos na Hollywood marroquina. No Hotel Karam Palace, a noite é animada, o hotel é gigante e transado com uma sala de leitura no mosaico e sofás coloridos, a piscina grande no meio do pátio. Grupos de franceses ao redor do conjunto de música árabe instrumental e de uma fogueira, e um bar no meio. Como se diz, “das Arábias”. Eu me belisco nesse ambiente espetacular das mil e uma noites.

Vamos jantar, só sonhando com isso. O buffet é muito bom, estamos na mesa com três casais de espanhóis do grupo. Conversando, entendi que três são parentes e moram em cidades diferentes da Espanha. Por isso a ligação tão próxima deles.

Nos hotéis, em geral, existe uma pessoa para nos mostrar a tradição do chá. Tomamos e tiramos foto. O funcionário do hotel bem solícito. Era mais no sorriso, pois falava pouco francês e nada de espanhol ou inglês. O quarto com duas águas minerais de graça. Atitude simpática. E com chá para tomar à vontade. Só não dá tempo de aproveitar as maravilhas do hotel. No dia seguinte já saímos depois do café da manhã rumo a Marrakech, já no fim da excursão.

Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5

Marrocos colorido-Erfoud e Tinghir até Ouarzazate-dia 5

Hoje é dia 8 de novembro de 2024. Acordei em Erfoud no Kasbah Chergui Hotel às 6 h tomando remédio para enjoo e haja Sonrisal, Luftal e leite de magnésia. Motivo? Os temperos da comida marroquina. Logo, comi pouco no café da manhã, uma pena, pois estava promissor. Falamos para o guia Abdul do meu desconforto e foi muito simples, pois ele nos levou ao refeitório e nos ofereceu água mineral misturada com cumin para o estômago. Todos nós tomamos (o Carlos e Renato também), inclusive o guia. O Abdul disse que era normal se sentir assim, ainda bem que eu havia levado remédio, mas o tempero cumin (ou cominho em bom português) provou ser muito efetivo. Rapidinho eu estava bem. O marroquino usa para salpicar na comida e sempre existe um pratinho com a especiaria em qualquer restaurante. Faz parte da tradição do país, serve para indigestão, gases, assim como para baixar a pressão e o açúcar no sangue. Achei genial.

Nós lá fora, prontos com a bagagem, esperando o grupo da excursão que havia dormido em tendas no deserto. O Fran e a Silvia, casal simpático de Santiago de Compostela-Espanha, foi um deles. Disseram que é fabuloso, nós não fomos, fica pra outra. Como temos muitas dunas no Ceará, confesso não ter pensado no assunto. E era pagamento extra. Nosso guia ficou trocando ideias sobre futebol, ele sabe tudo. Uma graça.

A passarinhada fazendo a sinfonia de madrugada no hotel, algo belo. Interessante que no quarto do hotel, o banheiro era separado. Pia de um lado, chuveiro de outro e por aí vai. Gostei, sempre prático. Só lembro do bed & breakfast que fiquei em Londres a primeira vez.

O guia nos conta que Ouarzazate é a Hollywood do Marrocos. Vários filmes foram gravados no local, como Star Wars, Gladiador 1 e 2 (também em Malta e Itália), Lawrence da Arábia etc.

O ônibus vindo do deserto atrasou quase 1 hora e meia, chegaram e nós logo partimos. Erfoud ou Arfoud, cidade do deserto, um dos Palácios Reais se localiza lá. Prédios baixos, casas ocre, poucas avenidas e ruas, cidade dos bancos, lugar de pedras naturais e fósseis. Cidade das tâmaras, muita gente com as roupas típicas marroquinas: túnicas.

Os muçulmanos, diz o guia, são solidários, dão comida a quem tem fome. No passado, homens tinham até 4 mulheres, hoje ainda existe, mas menos. A religião não aceita a homossexualidade. Nosso grupo tinha 16 pessoas, a grande maioria, de espanhóis.

Paramos no banco para o Fran tirar dinheiro. Vemos o centro de Erfoud. As bicicletas soltas, ninguém mexe. No nosso hotel, percebi que a loja (fantástica para turistas) estava aberta, e o gerente na sua sala anexa ou do lado de fora. Uma simpatia ele, fala inglês e espanhol. O turismo no país é levado a sério e línguas estrangeiras fazem parte do pacote.

Descemos do ônibus em uma loja de tâmaras, escolhida pelo Abdul. A fruta seca do Marrocos é grande e suculenta. 120 DH o quilo (R$68,84). Aceitam euro também. Logicamente, compramos a caixa onde está escrito: Dattes al Majhoul, bem condicionado para viagem, qualidade superior. Na cidade, acontece a maior feira de tâmaras do mundo.

Vamos à loja, um galpão enorme, Manar Marble (Artisanat du Maroc), Route du jorf B.P: 199. Morocco´s Premier Fossil at Stone Souree. Uma fábrica de fósseis e pedras naturais. 350 milhões de anos atrás, a localidade tinha mar, hoje é deserto. Um vendedor da loja nos recebe e mostra o mármore, dentro do bloco muitos fósseis de lulas e caracóis. Rosa do deserto de areia cristalizada. (Eu e o Carlos fugindo dos cigarros dos espanhóis). No chão, fósseis de corais e medusas (de 620 mil anos atrás). Artista esculpe à mão objetos de mármore, 2 meses para fazer isso. Um bloco leva 8 meses e custa 35 mil dólares. Muito do que é esculpido vai para museus. O lugar de exposição das esculturas vale conhecer, há fontes do tipo Jacuzzi com cascata de 600 quilos e mesa por €1400 euros, para a Andaluzia na Espanha. Blocos com fósseis de sardinhas, um calamar (lula) grande, incrível. Linda fonte de mármore com fósseis. Que original. O rapaz nos mostra máquinas de corte e lapidações. Loja única no mundo. Comprei uma tartaruga trabalhada por €10 euros. Passeio imperdível.

Estamos na direção de Marrakech. Os arredores de terra seca, árida, desértica, mas arborizada. Passamos por montanhas enormes que parecem o Centro-Oeste americano, com dunas circundando. Ali foi filmado Sahara (de 2005, com Matthew McConaughey e Penélope Cruz). Em um povoado no caminho, vemos mulheres de túnicas negras, que as protegem do sol, povo berbere. Lugar pacato e peculiar. Andam de jumento com uma proteção de ferro em ambos os lados. Usam motos também.

Pela estrada ou carretera (em espanhol), usam postes de luz com energia solar. Segundo o guia, o Marrocos foi o primeiro país a reconhecer oficialmente a independência americana em 1777. Os guias marroquinos sabem muito, fiquei maravilhada. Fezna Ouled Jellal naregião deDrâa-Tafilalet, povoado, casas com jardins perto da estrada. Muitas fechadas, porque o povo mora na Europa. Caravana de motorhome que vem de Tânger, no norte, por ferry boat. São italianos. Vemos a montanha onde está escrito “Allah, país, Rei”, símbolo da monarquia alauita. O material usado na construção das casas é terracota, argila cozida no forno, sem ser vitrificada, boa para calor e frio.

Local seco há 44 anos, os montes de terra vistos são poços. Os tuaregues usam roupas de cor azul índigo, são os homens azuis (originários de Tombuctu ou Timbuktu em Mali, país africano). Em Povos de África: Os Tuaregues, os Guerreiros do Saara – Mais Afrika, ficamos sabendo que a vestimenta tradicional, como o tempo tinge a pele de seus portadores, conferindo-lhes uma aparência marcante e misteriosa que se tornou a sua marca registrada.

Passamos por montanhas rochosas como se fossem fragmentadas. Plantação de oliveiras espanholas, palmeiras pequenas, 46 tipos de tâmaras. Outro povoado com mulheres de túnicas pretas e faixas coloridas (da cor da bandeira dos berberes). O Marrocos é interessante, as cores das túnicas mudam de acordo com a cidade. Rua difícil para passar o ônibus. Pueblo/aldeia com feira dia de sexta, casas viradas para a montanha com pedras empilhadas em frente às casas ou na rua ao lado para evitar a água intensa que vem da serra quando chove.

Na estrada, paramos em uma loja original, por pertencer a uma mulher: Souvenir Aicha. A proprietária Aicha trabalha com mulheres somente. É viúva e tem apoio dos guias de turismo. Vestimos trajes de berberes: as túnicas e tiramos fotos. Um barato. Comprei uma vermelha por 200 DH ou €20 euros.

As casas têm os proprietários que moram fora, principalmente na França, são enormes com 200 m². Passam 11 meses no exterior e um mês com a família na localidade. Alugam mais barato a parte de baixo do imóvel para lojas, assim quem aluga cuida da parte de cima. Uma troca. A vida é mais barata no local do que em Marrakech. Às sextas é dia de festa, vestem branco e vão às mesquitas. A cidade fica sem movimento na hora da oração. Os habitantes são mais tradicionais do que em outros lugares, os jovens não andam de mãos dadas quando namoram, não se veem homens e mulheres juntos, se estiverem, são irmãos. Ou seja, casais andam separados.

Para o muçulmano, o dia da oração é sexta-feira, para o judeu, o sábado e para o cristão, o domingo. Sobre os dromedários, buscam comida soltos e voltam para casa ao fim do dia. Eles têm donos. Mais ao sul do Marrocos, as famílias escolhem o casamento dos filhos, no mais, são livres, segundo Abdul.

Chegamos a Tinghir pela avenida principal larga com postes de luminárias bonitas e vários prédios ao longo dela. Cidade mais antiga do sul, no passado cidade dos judeus. Atualmente eles vivem em Casablanca. Vemos as casas em ruínas onde eles moraram. É costume local não destruir casas antigas, pois são as casas dos pais, da história da família. Tinghir é um oásis. Os berberes habitam no local. Não usam preto, usam uma túnica branca e maior. Os homens de roupa djellaba (túnica). Há albergues para turistas. Terra de prata 925 k e tapetes. Construções na montanha novas e velhas. Quanto maior o número de palmeiras, maior a riqueza da família. Os berberes ainda casam com duas a três mulheres, a segunda precisa da autorização da primeira que negocia uma casa para aceitar, por exemplo. Sempre aprendendo sobre a cultura diferente do país.

Continuaremos com Tinghir e as Gargantas de Todra, lugar impressionante.

Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4

Marrocos colorido-Zaida, Midelt, Rich e Errachidia até Erfoud-dia 4

Hoje é dia 7 de novembro de 2024. Saímos de Fez, já passamos por Ifrane e cruzaremos as cidades de Zaida, Midelt, Rich e Errachidia antes de alcançar Erfoud.

Chegamos a Zaida, cidade de cor amarela, bem desértica, portão do deserto do Saara para os viajantes que vêm de Merzouga e região de Tafilalet. Maçãs por todo o lado. A rua principal com mercados na calçada e restaurantes nos dois lados da rua. Que visual mais diferente de deserto. O guia Abdul comprou maçãs verdes e vermelhas para nós todos, uma atitude simpática. Maçãs deliciosas.

Segundo a Wikipédia, Zaida é uma aldeia berbere na região centro-oeste do Marrocos. Está localizada a 30 km a sudeste da cidade de Midelt e é conhecida pela produção de maçãs. A maioria dos habitantes é de agricultores.

Paramos no Café Restaurant 7 (Ait Ayacherp, 13), endereço: 23 km entre Midelt e Zaida 54375, para café e banhos. Ainda não para almoço. Tomamos um café americano por 20DH (R$11,71) a fim de enganar a fome. Entramos na zona militar, há um presídio à esquerda.

Próxima cidade: Midelt. Vemos o Hotel Taddart, uma fortaleza ou kasbah em árabe, construção do sul. Deserto, calor, a cadeia montanhosa Atlas à vista. Passamos por uma alameda com árvores dos dois lados, controle policial. No Marrocos, as entradas das cidades têm fontes de água com símbolos de frutas, no caso, a maçã. Muito criativo. Vimos um hospital, lojas, prédios, bancos, alamedas, casas quadradas de cor amarela de adobe. Os muros são trabalhados. Fora das casas 40° C e dentro 20° C. As escolas são coloridas, a cidade é grande, toda no adobe. Lembra São Pedro do Atacama no Chile. Há estação de trem e ponte com luminárias e bandeiras. Considero tudo gracioso.

De acordo com a Wikipédia, Midelt é uma cidade no centro do Marrocos, capital da província homônima, que faz parte da região de Meknès-Tafilalet. Situada na junção dos maciços montanhosos do Médio Atlas e do Alto Atlas Oriental, a 1520 m de altitude, tendo por fundo o imponente Jbel Ayachi, um pico que se ergue a 3757 m de altitude, Midelt encontra-se a 190 km a sudeste de Meknès, a 200 km a sul de Fez e a 140 km a norte noroeste de Errachidia. Uma curiosidade: no sul do país está o pico mais alto Jbel Toubkal a 4167 m.

Rumamos ao sul, as montanhas ficam mais avermelhadas. No Atlas, ao norte não neva, ao sul, sim. Sinto falta de placas de trânsito na estrada com distâncias e direções das cidades. Vemos a primeira usina de energia, lá adiante à esquerda energia eólica. Montanhas rochosas, subimos a 1907 m, depois descemos em pista dupla. Que fome! São 12h45 e nós na estrada. Deserto com plantas baixas e o Atlas à frente sem neve.

Montanhas caracoles, ou seja, em forma de caracol. Vimos nômades no rio seco que só tem água quando chove. Essa água não é usada para agricultura, porque tem enxofre. Casas maiores e mais baratas na região. A água pura utilizada pela população é de água vinda da montanha. A eletricidade vem da energia solar, no local, muito frio. De 6 anos para cá, ocorreram mudanças na região com a plantação de oliveiras. Muitas macieiras e outras árvores.

O rio de água quente com enxofre à direita, bom para pessoas com reumatismo e problemas de articulação se banharem. Um oásis ao lado. O governo paga a escavação de muitos poços para a população, afinal estamos no deserto. Cabras, e casas com mais de 2/3 das famílias nelas. País organizado. Compram petróleo do Catar e da Rússia, além de outros países. Testemunhamos mulheres lavando roupas no rio. Zona militar, porque é perto da fronteira com a Argélia. Vemos uma mesquita.

Enfim, almoço em Rich, umas 14 h, estávamos esfomeados! Rich é uma cidade na província de Midelt, região de Drâa-Tafilalet. Anteriormente, pertencia à província de Errachidia, mas desde 2009 faz parte da província de Midelt, diz a Wikipédia. No Café Salama, comida prato executivo: frango assado, legumes, arroz e batata-doce. Levemente apimentado, típico. Na frente do restaurante, uma tenda de um tuareg, feita de pele de dromedário negro. Tuareg, explica a Wikipédia, são do grupo étnico “berberes”, tradicionalmente, pastores nômades, que habitam o deserto do Saara, da Líbia à Nigéria.

Pós-almoço vemos o Grand Canyon do Marrocos. Túnel Zaabal, dentro da montanha do Médio Atlas. Erfoud ou Arfoud a 110 km. Finalmente, vejo uma placa informativa sobre um kasbah na estrada.

São muitos lagos no país, este que vemos não serve para pesca, só para eletricidade e militar, pois possui enxofre. Em pesquisa, vi uns 67. O lago Al-Hassan Addakhil (ou barragem) é enorme, a água vem da montanha e vai se concentrando em buracos no chão, feitos de pedra. Há ruínas de casas ao redor do rio Ziz, porque o governo construiu casas mais adiante. Passamos pelo palácio do rei do Catar em frente da estação de gasolina privada dele.

Mais uma cidade antes de Erfoud, Errachidia. Zona militar, por ser próxima da fronteira com a Argélia. O guia nos informa que se faz serviço militar aos 18 anos por 2 anos. Cada mês, o jovem recebe €200 euros, quem faz geralmente é pobre. Quem tem irmãs somente ou é filho único ou está enfermo não faz. O contrato para quem quer servir por mais tempo é de 10 anos e o governo ajuda a pagar a eletricidade para os militares. Vimos a academia militar que os forma na cidade. O símbolo da monarquia é Alá, País, Rei.

A Wikipédia nos conta que Errachidia ou Er-Rachidia, antigamente chamada Ksar es Souk ou Ighram n Souk em berbere, é uma cidade ao sudeste do Marrocos, capital da província homônima, faz parte da região de Meknès-Tafilalet.

As palmeiras são diferentes na região, menos decorativas, são tamareiras. A fruta tâmara, amada e produzida no Marrocos, é boa para diabéticos, quando o açúcar cai. Há diversos tipos de tâmaras. No período do Ramadã (feriado muçulmano) se come muito.

Perto de Erfoud, visualizamos um oásis gigante (palmeiral de Ziz) com casas quadradas de adobe ao redor, incrível observar o contraste com a terra seca e árida. Eu não tinha ideia do tamanho de um oásis. Conforme o Abdul, já prendeu fogo em um oásis desses de 11 km de palmeiras.

Finalmente, Erfoud. A porta de entrada para o deserto. O hotel com arcadas é “das Arábias”: Kasbah Hotel Chergui (Route/Rota Errachidia km 5.5). Logo pegamos as malas e fomos deixá-las no quarto. O planejamento com o guia era fazer isso rápido, porque o rapaz do carro 4×4 estava nos esperando a fim de irmos às dunas de Erg Chebbi, onde os 3 dromedários nos esperavam. Muito emocionante estar no deserto do Saara em uma jornada dessas, apreciando a paisagem. Escolhi o animal branco, mansinho, e o apelidei de Carmelo, o condutor era o Ibrahim que falava espanhol.

Experiência que amei. Fiz muito cafuné no Carmelo e no do Carlos que estava atrás de mim, estávamos em fila: eu na frente, o Carlos e o Renato (nosso amigo brasileiro) atrás, seguros por uma corda guiada pelo Ibrahim. Os dromedários (ou camelos da Arábia) são calmos, diferente dos camelos do Egito que, na verdade, são de Mali, maiores, mais brabos e com duas corcundas. Os nossos são menores e têm uma corcunda. Descemos para ver o pôr do sol e entardecer em cima da duna menor. Momento mágico. Depois, o Ibrahim nos mostra uns produtos da região e pede que o ajudemos comprando. Comprei um dromedário bem lindinho de pedra por 100DH (R$58,73). Subimos nos nossos animais e rumamos ao carro 4×4 para a volta ao hotel. Nem todos da excursão escolhem fazer esse passeio.

Para acrescentar, o site Visit Morocco menciona que Merzouga é um dos portões do Saara, uma pequena aldeia perdida no meio das areias. É o território de Erg Chebbi, um mundo de dunas, palmeiras, trilhas e caminhadas. Indica que devemos passear pelo deserto e descobrir trechos de areia banhada pelo sol e pelo silêncio. Caminha-se no meio da imensidão árida, quando na curva de uma duna, se distingue o lago Dayet Srij.

Retornamos ao hotel 4 estrelas, enorme, o quarto com cama gigante, tudo muito lindo e decorado em estilo marroquino, deslumbrante. O jantar em forma de buffet, espetacular. Cheio de americanos. Senti-me “no reino das mil e uma noites”.

Continuaremos com mais aventuras no Marrocos encantado.

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Hoje é dia 6 de novembro de 2024. Continuamos em Fez no passeio. Vamos a pé à medina. Somos um grupo de 7 turistas: 3 brasileiros e 4 espanhóis. E dois guias: o nosso da excursão Abdul I e o Abdul II, expert em Fez. Muitas dicas do Abdul II. Não há semáforos na cidade antiga. Balak: aparta-te; andak: cuida-te. Cuidado com as mulas e burros, e com os ambulantes, pois fogem da polícia e não dão troco. Não há insegurança na medina em geral. Muito calor. Os clientes satisfeitos trazem muitos turistas. Para tirar fotos, há que pedir permissão. O guia fala muito sobre a cultura local, respeito e educação com os marroquinos. Quando se viaja para outro país, temos que saber dos hábitos locais. O guia declama poemas, canta, nos conta sobre literatura peruana e filologia. Um talento esse Abdul II. Escreve em árabe: “Sejam bem-vindos, sr. Carlos e sra. Mônica” no meu caderninho”.

Ruela na medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

No bairro histórico, há um restaurante do séc. XV com comida caseira para almoço. Café é mais caro que chá. Chá faz parte do menu. Atrás do hotel Fez Heritage Boutique Hotel, casas de ricos. Andamos pela medina. Nós brasileiros nos espantamos como os espanhóis do grupo fumam. Começamos a parte antiga: o labirinto, medieval. O guia Abdul II é amigo de todos, nos leva a um costureiro, em uma sala minúscula, sentado, trabalhando em um sofá. A casa verde com fontes de água, um restaurante caro: Riad al Yacount. Riad significa “casa antiga”.Ruelas com lojas de mosaicos e artesanato, cujas soleiras também são de mosaicos. Ruelas com motos estacionadas, parece Florença-Itália. A Riad Dar Skalli é uma casa com portas de madeira decoradas, incrível. Tudo tão diferente. Acho fantástico saber que pessoas moram nelas. Na placa vemos o nome da rua em árabe, berbere e o nome latino. Quando tem a forma quadrada indica rua com muitas saídas. Na medina labiríntica, há hotéis, albergues (youth hostels), agências de câmbio. Passamos por uma casa de uma família judia: Derb Cohen, ele teólogo.

Os churros (doces) vendidos em outra sala pequena parecem bromas. Outra sala de balas, o botijão de gás é bem pequeno. O arco divide bairros. Ao lado, uma mesquita. O sapateiro é o sacristão da mesquita, chama para a reza e fecha a sapataria, que é um banco de sentar. Mercadinho de frutas, moradores passam tempo ali conversando. Muitos cafés, restaurantes, lojas de mosaicos. Fotos da medina em uma parede. Loja de roupas, costureiros. Mais fresco o clima dentro das ruelas. Nos cantos, lixo. Gatos mil, dizeres religiosos nas paredes. Place Oued Rehacha (praça rio Rehacha), com lojas de roupas. Fonte de água sem água na ruela significa que casas têm água.

Uma escola e uma mesquita em cada bairro. Casas pobres com banhos públicos, a casa tem banheiro para mulheres e crianças, os homens usam o da rua. Um banho turco por 20 DH (R$121,41) oferece massagista para esfoliação da pele nos homens com o banho. Sai limpo e purificado, a pessoa dá o que quer de dinheiro. O guia fala sobre a caridade independente de religião. Na Dar Mia, carpintaria, loja de couro e padaria (pão caseiro). Quem se perder pela medina, não se preocupe, a Central encontra a pessoa. Muitos alfaiates. No passado, pousadas albergavam comerciantes e animais, era um caravançarai gratuito. Hoje são lojas.

Vemos lojas de chaveiros, sapatos marroquinos, bolsas em couro. Interessante que não usam adoçante, é açúcar refinado mesmo. Lojas e lojas, um mercado fascinante. Vimos a pousada Foundouk el Berka. Foundouk significa “estalagem”. Entramos na feira. A barra de madeira divide a zona sagrada. Muito incenso, túnicas belas.

Na porta 4 dentre as 14, a universidade Al Quaraouiyine, a Gran Universidad, com 270 pilares para 22 mil fiéis. Foi fundada em 859 como uma madrasa por Fatima al-Fihri, filha de um próspero comerciante Mohammed al-Fihri. Ela decidiu destinar toda a herança recebida do pai à construção de uma mesquita para a sua comunidade. Nessa mesquita, instalou-se a primeira madraça que se tem notícia. Várias fontes descrevem a madraça medieval como uma universidade, de acordo com a Wikipédia. Similar à mesquita de Córdoba-Espanha. Na madrasa (escola), o primeiro altar com fonte no centro parece com o Patio de los Leones, do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Na mesquita não se entra, só se olha por fora. A feira é uma loucura de gente.

Na universidade, nos conta a Wikipédia, ensinou Maimônides (1138-Córdova, Império Almorávida, hoje Córdoba na Andaluzia-Espanha, falecido no Cairo-Império Aiúbida, hoje Egito, em 1204)), médico, escritor, rabino, conhecedor de astronomia, teologia, letras, lutava contra o analfabetismo. Uma das principais figuras intelectuais do judaísmo medieval. Além de reverenciado pelos historiadores judeus, é também figura proeminente na história das ciências islâmicas e arábicas. Proeminente filósofo, polímata (com conhecimento em diversos assuntos) tanto na tradição judaica quanto na islâmica.

Na biblioteca, pode-se consultar documentos antigos feitos de couro de gazela. Localizada no centro histórico, integra o complexo da universidade e é considerada a mais antiga do mundo em atividade Também fundada no séc. IX, possui mais de 4 mil livros raros e manuscritos árabes, de acordo com a Wikipédia.

Madraça Attarine-Medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Entramos na madrasa ou madraça (escola) Attarine. A Wikipédia nos informa que é uma antiga escola (corânica), fundada em 1310, sendo o edifício construído entre 1323 e 1325 pelo sultão merínida Abuçaíde Otomão II em Fez el-Bali (Fez, a velha), junto à universidade Al Quaraouiyine. Deve seu nome ao soco (bairro de comércio) de perfumes e especiarias vizinho, o Soco de Attarine.

A escola destinava-se a formar os altos funcionários da administração merínida. O pequeno edifício é considerado uma obra-prima da arte decorativa. Já o guia Abdul II nos diz que nela se ensinava teologia superior para futuros imãs ou imamatos, guias religiosos muçulmanos. Nas janelas, dormiam os estudantes pobres, agora monumento. Vimos a sala de oração e aula, o altar (porta) e a sacristia na direção de Meca. Para o guia, nada é desculpa para o muçulmano não orar. Ele fala no Corão e nas escolas xiita, sunita e maliquita (maliquismo: corrente de direito islâmico do Islã sunita), mais moderada, predominante no norte da África, na África Ocidental e em alguns territórios isolados da península Arábica, e seguido por 20 a 35 % dos muçulmanos, segundo a Wikipédia. Na parede da madrasa, o mosaico com preto são letras que foram recitadas para nós. O Abdul II ainda o fez com musicalidade e a devida tradução. Entramos na mesquita. Ao sair, comprei figos secos. Vemos um mausoléu e cemitério perto, velas e incensos são comprados como oferenda.

Os muçulmanos reverenciam Fatima, a filha mais nova do profeta e de sua esposa Khadija. Nasceu em Meca em 605. E morreu em Medina em 632 ou 633, conforme a Wikipédia. Era casada com Ali (o quarto califa para os sunitas ou o primeiro para os xiitas).

Almoço (entrada) no La Medina Bis Restaurant-Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, almoço. Entramos no restaurante pelos banheiros no mosaico, que original. Mesas para o grupo, tudo formoso. La Medina Bis Restaurant, endereço: 13, Bis Derb El Hannan Guerniz. com 10 opções de menu. Para o almoço, de entrada, salada com diversos pratos: beterraba, arroz, feijão marroquino ao molho, azeitonas etc. Prato principal: cuscuz marroquino com batata, cenoura, pimentão e frango. Frutas: tangerina e uvas. Chá de hortelã. De sobremesa: uma rosca, tipo pastel de coco, delícia. Depois rumamos à loja El Corte Marroqui com artesanatos, produtos de prata e joias. O vendedor Jawar, bem-falante. Comprei brincos e pulseira estilizada, bem típica do Marrocos, por 200 DH (R$120,60). Para limpar, bicarbonato.

Bairro de los Curtidores. “Curtidor” em português, aquele que faz curtimento (fonte: Oxford Languages). Mais lojas de couro, são mochilas, bolsas, e muito mais. Em uma delas, subimos ao Curtume (ou tannerie, em francês) Chowara,um dos mais antigos do mundo, por escadas intensas até o terraço. Está em operação há mais de mil anos. O guia da loja nos mostra o processo de curtimento do couro, longo e complicado, e as piscinas embaixo para curtir o produto. Lá há uma cesta com folhas de hortelã para cheirarmos por causa do seu odor forte. Na volta, descemos na loja, com muitos produtos à venda, são jaquetas, botas, bolsas. Produtos bonitos de couro legítimo. Vale ler mais em Curtume Chouara, Fes, Marrocos.

Estamos na praça dos Carpinteiros. Tem loja de tudo, e logicamente carpinteiros, especiarias, ouro, madeira. Praça de los Tejedores (tecelões). Lojas de tecidos mil, echarpes, entramos em uma. O vendedor simpático nos explica como se faz o tecido em lã, algodão (em espanhol). Mostra o trabalho do tear. A peta é rica em fibras de seda (agave). Panos, cachecóis, capas de almofada, bolsas diversas, um deslumbre por €15, €20, €30 euros. Estamos cansados e sentados na loja.

No retorno, estamos exaustos. Muitos ambulantes vendendo seus produtos seguem a gente. Não vi ninguém pedindo esmola. São vendedores, segundo o guia Abdul II. No ônibus ele nos diz “até logo”. Que figura! Sai cantando músicas em espanhol.

Voltamos para o hotel às 18 h. 20 h é o jantar/show (cena/show) que havíamos pago de manhã antes do passeio, €50 euros cada. Nos hotéis em que nos hospedamos há sempre um bar com música árabe, bem estilizado. Pena que fumam dentro. O jantar com música árabe será no Restaurant Palaisal Firdaous no Riad Darif. Decoração árabe, lugar enorme com espaços abertos. O jantar com entrada de pão, feijão-branco, pasta de berinjela, cenoura, beterraba cozidas etc. Prato principal: pastelão de frango e canela. De sobremesa, uma torta redonda de tamanho médio (típica deles). Ainda servem umas roscas, um pouco duras. O vinho Toulal Prestige do Marrocos. A comida estava ótima, mas ainda estávamos cheios do almoço, que foi semelhante. Sem dúvida, as refeições são fartas.

Eram duas mesas, os espanhóis sentaram juntos e fiquei eu e o Carlos em uma mesa sozinhos, aí o casal de Santiago de Compostela (Fran e Silvia, da Venezuela)) vieram sentar com a gente, achei muito querida a atitude deles. Depois da cena, vieram as danças do ventre. A primeira dançarina, tudo bem, mas a segunda só fazia brigar com um dos músicos, a gente não entendia nada, mas deu pra divertir com o inusitado da situação. Depois, ela convidava pessoas da audiência para dançar. Após a dança, veio o mágico. Sinceramente, não compreendi o motivo de ter um mágico ali. O melhor da noite e mais divertido foi quando convidaram o casal que estava conosco e uma outra senhora da excursão para se vestirem a caráter, com roupas da realeza do país. O Fran e a Silvia ficaram um arraso de sultão e sultana. A apresentação deles para o público ocorreu com muitos aplausos, e ela chegou em uma almofada grande, carregada por funcionários do restaurante. Por fim, a foto oficial por 50 DH (R$30,15). Eu sempre compro, não resisto. Valeu? Só pela apresentação final. Foi muito, muito engraçada.

Prosseguiremos para Erfoud.

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024, estamos em Marrakech, a segunda cidade imperial mais antiga do Marrocos, e vamos chegar a Fez no final do dia. Passaremos em Casablanca, Rabat e Meknes antes de chegar a Fez. Viagem de ônibus pelo Marrocos, com a excursão intitulada de Brasileiros nos Encantos do Marrocos pela CVC.

Acordamos às 6h30, 7 h o café da manhã e 8 h já sairíamos do hotel. O café da manhã no Palm Plaza Hotel & Spa em Marrakech é de sonhar. No mesmo salão do jantar do dia anterior, encontramos um buffet fantástico de comidas (para os orientais), salada de frutas, pêssego e pera em calda, comida marroquina, pães variados, um deles de tamanho médio e retangular, com uma casquinha crocante inesquecível, iogurtes cremosos caseiros (uau!) de morango e baunilha etc. Fiquei com vontade de ficar no hotel, porém a jornada estava para começar. Só tínhamos meia hora para comer. O lugar repleto de europeus. Detalhe: o melhor pão que já comi, ao lado do croissant de chocolate do hotel Printemps em Paris no ano de 1997. Como esquecer?

São 8 h e estamos na entrada do hotel com as malas. Lá conhecemos o grupo da agência Special Tours ligada à CVC brasileira. Somos três brasileiros, o Carlos, eu e o Renato, do Rio de Janeiro. As outras pessoas, quatro casais da Espanha. Todos pontuais, ônibus vermelho, motorista pronto, com guia Abdellatif ou Abdul. As conversas com o guia serão em espanhol, aliás, ele fala muito bem. O guia também fala inglês, francês (todo marroquino fala) e outras línguas. Parabéns!

Observo que as mulheres cobrem o cabelo com um lenço (hijab) e usam túnicas coloridas, bonitas, alguns homens também. Estamos em um país muçulmano. Vejo umas de burca, e algumas cobertas no rosto, vê-se que não são do Marrocos, mas de outros países árabes, mais rígidos.

São 240 km para Casablanca em uma autopista. Estamos rumo ao norte em direção ao oceano Atlântico. Informações do Abdul: 14 km separam Tânger da Espanha. No Marrocos, Fez é a cidade mais antiga, Rabat, a capital administrativa e Casablanca, a capital econômica.

Ainda em Marrakech no rumo de Casablanca. Há a muralha da cidade, dentro dela a parte antiga e fora, a nova. É uma fortificação de 19 km que envolve toda a Medina da cidade, erigida em 1122, faz parte do Patrimônio da Humanidade. Passamos por uma avenida, cujo clima é de 28° C, 30° C e fora dela 50° C, vemos quadras de esportes e lugares para piqueniques à noite. Muitas palmeiras, um verde de chamar a atenção. O motivo do clima ameno é o Jardins de Agdal, no local, que segundo a Wikipédia, são constituídos de talhões retangulares de pomares de laranjeiras, limoeiros, romãzeiras, pessegueiros e figueiras, que são ligados por caminhos ladeados de oliveiras. Localizados ao sul do Palácio Dar El Makhzen ou Palácio Real, cobrem uma área de 500 hectares e datam do séc. XII, jardins feitos durante o reinado do califa almóada Abde Almumine. Nos prédios públicos e ligados à realeza se encontram a bandeira do Marrocos e a foto do rei.

O guia ama o futebol brasileiro, sabe tudo. Estamos passando e circundando a muralha por fora. Uma parte foi destruída pelo último terremoto em setembro de 2023, nível 6.8, a maior devastação foi nos arredores de Marrakech, principalmente, em áreas montanhosas de difícil acesso. No total 2 mil pessoas pereceram. Os cemitérios são todos construídos em direção a Meca. Um rio seco pelo caminho, quando chove nas montanhas, ele enche.

5 milhões de marroquinos moram fora do país e gostam de comprar objetos de qualidade de segunda mão. A periferia da cidade tem construções ao longo do rio, antes eram favelas. Edifícios baixos para funcionários públicos, pagam em 25 anos, percebi serem valorizados como categoria profissional. Mais em conta por serem fora da cidade. Mesquita, Tribunal. Chama a atenção o tamanho dos prédios, são baixos para proteger a harmonia da cidade.

O estádio de futebol em forma de muralha, cabem 65 mil pessoas: Grande Estádio de Marrakech. Não é fácil entender o árabe quando o Abdul fala o nome das ruas e lugares. Tudo é plano. A Copa de Futebol da África será no Marrocos em 2025, os estádios estão sendo restaurados. Nas placas de trânsito sempre o árabe e o francês. Segundo o guia, montanha tem 2 mil metros, menos é serra. Pelo caminho, venda de cerâmica.

Polícia na cidade, fora é Gendarmeria, por sinal, são todos muito elegantes. De impressionar. Na autopista, um ônibus vai a 100 km/h, os carros pequenos a 120 km/h. As estradas são um tapete de tão boas. Há muito controle de velocidade.

Pela estrada, observo uma paisagem árida e seca, parece o deserto do Atacama. Do norte do Marrocos há trens para Marrakech, a ferrovia do sul está em construção. A terra é marrom, mais rica, propícia para a plantação de cereais e trigo. Em Marrakech, a terra é vermelha. São 135 lagos para eletricidade e agricultura no país, de acordo com o guia.

Na Cordilheira Atlas neva. Na região montanhosa Rife, no norte, moram os berberes, povo originário do Marrocos. Eles têm um dialeto diferente do árabe de Marrakech. Dentre os países que falam árabe, o de melhor pronúncia é o do Egito. Os marroquinos falam árabe misturado com francês, por isso não entendem bem os dos outros países. Somente compreendem 80% do árabe da vizinha Argélia e 70% do da Tunísia. Esses países e o Marrocos têm o mesmo clima. Nota: o Marrocos foi colônia francesa do final do séc. XIX até 1956. E o francês é disciplina obrigatória nas escolas marroquinas.

Na opinião do nosso guia, o homem marroquino não gosta das películas indianas ou turcas, porque os mocinhos são ricos. Uma comparação ruim, já que o Marrocos é um país pobre, subdesenvolvido. O Abdul é sincero. Muitos filmes são feitos no país, em Ouarzazate, como O Gladiador e Reino dos Céus (Kingdom of Heaven), esse com 2 mil cavalos e 8 meses para construir a fortaleza. Filme muito falado, a Wikipédia nos informa que é de 2005, o diretor britânico Ridley Scott e conta a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Kingdom of Heaven – Wikipédia, a enciclopédia livre

Chove mais no norte. As oliveiras marroquinas levam 5 anos para crescer e são maiores, então os agricultores preferem as espanholas que com 2 anos estão prontas para a colheita e são menores. A cidade Meknes é a capital do vinho, outras cidades também produtoras, como Benslimane, Berkane e Casablanca. Há restrições às bebidas alcoólicas no país, devido à religião. O argan é usado para comer com pão e salada (a fim de controlar o diabetes), evita a aterosclerose e o infarto, e em cosméticos: evita o envelhecimento precoce, hidrata os cabelos e a pele.

Há cooperativas de mulheres trabalhando juntas, fato que os maridos não se incomodam, pelo motivo de não trabalharem com outros homens. O Abdul gosta de nos dizer (para um grupo com cinco mulheres ocidentais) que a mulher no Marrocos é a rainha da casa, a mais importante da família, a dona da casa e que seu papel é cuidar do lar. Outro país, outra cultura.

Vemos muita energia limpa por aqui, energia solar, até o aeroporto de Marrakech utiliza.

Paramos para banheiros e café em uma loja de conveniência da Shell (em francês, um AIRE DE REPOS, são incríveis). Café com leite e um suco de pêssego COMPAL (marca portuguesa), oba!

As estradas sem um remendo. Que inveja! No país se come muito cordeiro. Há uns de cabeça marrom que comem plantas, carne boa para o controle do colesterol, e uns de cabeça branca e olhos negros que são mais caros.

Estamos já perto de Casablanca. Entramos em Settat, cidade onde é mais barato viver do que em Casablanca. Muito comum ver famílias morando juntas em casas nas cercanias. Na parte moderna, prédios rodeados de eucaliptos. Para um marroquino, chá é para todos os momentos. O eucalipto serve para problemas de coluna. Plantas medicinais, chá verde e ducha fria são bons para a saúde. O ginseng vermelho tem ferro. Também encontrado na Mauritânia, país próximo. Mesclas de chás e plantas resultam em afrodisíacos naturais, dão força. Plantação de melão na região. As frutas, devemos perguntar de onde são, porque têm preços diferentes e qualidade também.

No Marrocos existe um problema sério de água, por isso a energia solar é tão utilizada em coleta de água na agricultura.

Importante mencionar a Festa dos Cordeiros ou Festa do Sacrifício, tradicional nos países muçulmanos. Os habitantes oferecem cordeiros às mesquitas, viúvas e pobres. Para um muçulmano, quem pede comida, recebe. A festa, conhecida como Aid al-Adha, marca o fim do Hajj, a peregrinação muçulmana a Meca. Em https://viverviajar.com/festivais-religiosos-do-marrocos-que-encantam-os-viajante-de-todo-mundo.html/ A Festa do Cordeiro e a comemoração do sacrifício de Abraão são celebrados por muçulmanos em todo o mundo com a oferta de um sacrifício de animal, geralmente uma vaca ou um cordeiro, como uma ação de graças a Deus por salvar a vida de Ismael, filho do profeta Abraão. A carne é dividida em três terços, um vai para a pessoa ou pessoas que dão o animal, outro para distribuir entre parentes e o último terço para quem precisa, independente de religião, raça ou nacionalidade.

Shukran Jazilla, muito obrigada. Sou eu, aprendendo com o Abdul um pouquinho de árabe. Não custa nada. Estamos nas adjacências de Casablanca e vemos o maior aeroporto do país.

Em breve, visitaremos a Casablanca, a Cidade Branca.

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Hoje é dia 11 de abril de 2024, último dia em Lisboa. O Carlos e eu só temos a manhã para ainda fazer algum passeio.

Fomos ao Largo do Carmo a pé, bem perto do hotel Borges Chiado. A intenção era conhecer o Museu Arqueológico do Carmo com a igreja que arriou no terremoto de 1755. Muito interessante as paredes da igreja, a gata mascote do museu, sarcófagos, lápides, túmulos, sendo um deles uma cópia do de Nuno Álvares Pereira. Há filmagens sobre o terremoto na parede em línguas diferentes.

Um pouco de história: a igreja do Convento do Carmo foi mandada construir em 1389 por D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável (antigo comandante do exército, segundo o site http://www.infopedia.pt). Ao longo dos séculos foi constantemente enriquecida com novas capelas e obras de pendor artístico e religioso. No dia 1° de novembro de 1755, os efeitos do terremoto de Lisboa provocaram a derrocada de quase todo o edifício. O incêndio que seguiu completou a destruição. A sua reconstrução inicia-se em 1756, mas as obras foram interrompidas, e no século XIX, sob a influência do Romantismo, decidiu-se não construir o resto do edifício. Em 1864 foi instalado neste espaço um dos primeiros museus de Arte e Arqueologia de Portugal, com coleções de peças recolhidas de antigos mosteiros, de Arqueologia Pré-colombiana, e artefatos da Pré e Proto-história de Portugal.

Na sala 1 do museu, encontram-se artefatos dos mais remotos habitantes do território português, tais como lascas do Paleolítico Inferior e Médio, um notável vaso do Neolítico Antigo, entre outros objetos provenientes de sepulcros megalíticos e de um povoado do Neolítico Final. De épocas mais recentes, destacam-se os conjuntos e artefatos dos povoados calcolíticos de Pedra do Ouro e Pragança, bem como diversos achados isolados da Idade do Bronze e da Idade do Ferro. O núcleo mais importante é o proveniente de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). A grande abundância e variedade de artefatos e restos de alimentos, encontrados nesta complexa fortificação, mostram que foi construída e habitada, entre cerca de 3200 a. C e 1500 a. C, por pequenas comunidades agropastoris, já conhecedores da metalurgia do cobre.

Na sala 2, vemos em exposição um conjunto de obras com cronologia compreendidas entre a época romana e o domínio islâmico do território português. De grande valor histórico, documental e artístico são as três peças representativas da arte moçárabe de Lisboa: o friso dos Leões e os dois pilares decorados com medalhões vegetalistas e grifos.

Na sala 5 está escrito: a memória do fundador da igreja e convento do Carmo, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431), condestável e mordomo-mor do reino, encontra-se presente nesta sala através de uma estátua de vulto que o representa, da réplica do seu túmulo e ainda da maqueta da igreja do Carmo. As escavações arqueológicas realizadas em 1996 e 2008 neste edifício trouxeram à luz do dia um conjunto de objetos que testemunham a vivência quotidiana do convento ao longo dos séculos. Aqui estão expostas imagens dos santos, fragmentos de escultura e arquitetura retabular e ainda um importante acervo de inscrições epigráficas medievais. Merecem ainda especial destaque as quatro placas de alabastro, oriundas das conhecidas oficinas inglesas de Nottingham (século XV). Exibem-se ainda painéis de azulejos setecentistas, alusivos a cenas da Paixão de Cristo (dando continuação aos painéis da sala 4) e vários exemplos de azulejos hispano-árabes.

Vemos o túmulo do rei D. Fernando I, do séc XIV, do Convento de São Francisco de Santarém. Esculpido em relevo, apresenta na testeira, cenas da vida e milagres de São Francisco de Assis. Nas restantes faces da arca e da tampa, os escudos de Portugal e dos Manuéis, figuras religiosas e laicas, bem como um conjunto de seres fantásticos e um alquimista no seu laboratório.

Que visita mais valiosa, saímos deslumbrados. Lisboa é uma festa, globalizada, movimentada, atraente. Acidade homenageia seus heróis em placas em lugares diferentes. Acho isso bonito.

Pagamos €40 euros pelos cafés da manhã. O hotel Borges Chiado cobra. Compramos para levar ao aeroporto pastel de natas e uma empada grande na lanchonete Vitaminas. Sempre nos preparamos com algo para comer em aeroportos.

Estávamos prontos no hotel pelas 11 horas, porém o motorista do transfer nos deixou na mão, a desculpa foi ser difícil estacionar ali perto do hotel por ser um calçadão, isso bem é verdade, porém poderia ter parado nas ruas laterais. Então, uma hora de espera depois, os atendentes do hotel nos ajudaram e pediram um táxi (do sr. João) que nos salvou a não perder o avião. Bom papo. Foram €17 e deu certo. Voamos pela TAP: Lisboa-Fortaleza. De volta, fomos ressarcidos pelo nosso agente de turismo Dennis. Coisas que acontecem a viajantes.

Fim de uma viagem fascinante e com vontade de quero mais. Saudações aos queridos amigos e amigas da boa terra de Portugal.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Hoje é dia 10 de abril de 2024 e continuamos em Sesimbra. Pós-almoço no restaurante O Canhão perto da Fortaleza de Santiago, decidimos passear pela cidade. A Capela do Espírito Santo dos Mareantes, localizada na rua Cândido dos Reis, 17, só abre às 14 h. Não conhecemos. Estamos na freguesia de Santiago.

Sesimbra é um lugar pacato e pequeno, todo mundo se conhece, pelo que percebi. São três freguesias, ou seja, subdivisões dos municípios: Castelo, Quinta do Conde e Santiago (sede). E praias diversas, como de Alfarim, da Baleeira, da Mijona, da Pipa etc.

A construção da Capela da Santa Casa de Misericórdia iniciou no séc. XVI, ao longo dos séculos teve muitos melhoramentos e possui estilos barroco, manuelino, maneirista, joanino, dentre outros. Velórios de habitantes da cidade ocorrem lá. Situa-se à Rua da República, 36.

Na praça com um pinheiro gigante e jardins ali ao lado da capela, pegamos um táxi com o Miguel para o Castelo de Sesimbra ou Castelo dos Mouros por €10 euros por pessoa. É uma viagem distante e com subidas. A freguesia do Castelo é enorme. O cemitério lá embaixo não se usa mais, as pessoas traziam o morto em uma carroça a mão, incrível por ser um local alto e longe. Eis a igreja onde ocorriam os velórios antigamente: Igreja N. Sra. do Castelo ou N. Sra. da Assunção ou de Santa Maria do Castelo, toda no azulejo branco e azul, datada de 1165. Segundo a Wikipédia, deve ser apreciado com atenção a beleza e história dos azulejos do séc. XVIII. O altar no ouro é um deslumbre.

O visual lá de cima é digno de nota, o taxista Miguel nos deu aula sobre azeites e oliveiras da região.

O mar vai até o rio Tejo. Muito verde, casas magníficas, cabo Espichel, região agrícola, pesqueira, ventosa (perto do oceano Atlântico com mais de mil metros de profundidade). A Wikipédia esclarece que o cabo, a oeste da vila de Sesimbra, marca a extremidade sudoeste da península de Setúbal. Do local, vislumbra-se a vertiginosa e abissal baía dos Lagosteiros. A Ermida da Memória é situada no local, sendo o elemento mais antigo do santuário.

O site bootraveller.com nos conta que existe uma lenda antiga nesse local, proferida por frei Agostinho de Santa Maria que afirmava que N. Sra. apareceu na baía dos Lagosteiros montada numa mula gigante, subiu rocha acima, firmando as mãos e os pés na rocha, à medida que subia, ia deixando seus vestígios. A lenda diz que no local foi edificada a Ermida da Memória, paragem de N. Senhora. As marcas, na verdade, são de dinossauros.

Tem aqueduto e farol. A Wikipédia nos diz que a Casa da Água, edifício terminal do aqueduto abastecia o Santuário do Cabo Espichel ou de N. Sra. da Pedra da Mua, inserido no parque natural da Arrábida, localizado no cabo Espichel.

Vimos as casas dos romeiros ou Casas dos Círios, que fazem parte do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. O site bootraveller.com nos informa que é o primeiro edifício que vemos ao chegar ao lugar. As antigas hospedarias têm atualmente portas e janelas fechadas com cimento para impedir as ocupações ilegais, ao centro, numa simetria perfeita temos o santuário. O taxista nos informa que lá aconteciam festas, casamentos, vida em comunidade.

Conforme a Wikipédia, a Igreja N. Sra. do Cabo Espichel foi edificada no séc. XVIII, com traça atribuída ao arquiteto real João Antunes. Integra o conjunto arquitetônico do Santuário de N. Sra. do Cabo Espichel.

O penhasco atrás da igreja, lugar que pessoas vinham se suicidar até de carro, por isso é proibido passar e tem barreira.

No Miradouro do Monumento Natural dos Lagosteiros encontram-se as pegadas de dinossauros na rocha, conhecida como Pedra de Mua, que tem origem vucânica. De acordo com o site bootraveller.com, no local existe uma placa interpretativa que se encontra vandalizada que falava sobre as pegadas de dinossauros existentes e que são visíveis (com alguma imaginação). Transição do período Jurássico Superior para o Cretássio Inferior. Pegadas pertencentes a saurópodes e terópodes. Estes vestígios permitiram novas conclusões no campo da paleontologia.

Os vinhos alentejanos por causa do calor têm o grau alto. Passamos na volta por Azoia, um vilarejo com casas brancas por causa do calor, cultura típica portuguesa. Queijo de Azoia, de Azeitão e da Serra da Estrela são queijos amanteigados portugueses. Deliciosos.

No final, pagamos €28 euros ao Miguel, foi merecido, mais €4,50 para o ônibus 3721 a fim de retornar a Lisboa.

Detalhe histórico, segundo a Wikipédia: no ano de 1534, a segunda esposa de Henrique VIIIAna Bolena, Rainha de Inglaterra, deu ordem para serem deitadas ao mar todas as imagens sagradas, devido às lutas religiosas tidas. Julga-se que terá sido esse o início da lenda e da crença no Senhor Jesus das Chagas. Mas o mar tem das suas, e a imagem de Jesus crucificado apareceu na praia de Sesimbra. O povo desde logo apadrinhou o Senhor Jesus das Chagas como padroeiro dos pescadores e do povo de Sesimbra. Essa devoção está bem viva há mais de 500 anos, e os sesimbrenses prestam assim homenagem ao seu protetor todos os anos a 4 de Maio.

De volta a Lisboa, chegamos exaustos e ainda fizemos pequenas compras. Para jantar, a nossa lanchonete escolhida Vitaminas: empada de frango, purê de banana com iogurte e cereais, e suco de abacaxi com hortelã. Rua Garrett, 69/71.

Que dia mais empolgante!

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Hoje é dia 10 de abril de 2024. O café da manhã do hotel Chiado Borges de novidade compotas de abacaxi e pêssego com pouco açúcar. No mais, o de sempre. Todo hotel é assim, em geral, o café fica repetitivo. Perto poderíamos tomar o pequeno almoço, como chamam, e mais barato, já que no hotel nos cobram, porém dava preguiça de sair e comer menos.

A ideia do dia é conhecer Sesimbra, cidade litorânea, distante 40 km de Lisboa, pertencente ao distrito de Setúbal, antiga província de Estremadura. Ouvi falar pelas amigas portuguesas Luísa e Inês, quando lá foram veranear, vindas do norte do país. Saudações, amigas queridas.

Entramos na estação do metrô Baixa-Chiado e haja escadas, a escada rolante para descer não estava funcionando, a de subida estava. €2,30 (euros) o tíquete no guichê mais o cartão, devemos recarregar depois. São 7 paradas até o Jardim Zoológico/estação de ônibus Sete Rios, onde pegaremos o ônibus para Sesimbra. O assento do metrô imita a cortiça, nas costas também, em vermelho e cortiça. Muito giro, como dizem. Gostei.

Alcançamos o Terminal Sete Rios, achei mal sinalizado. O lugar do ônibus para Sesimbra não era dentro, tivemos que dar mil voltas até encontrar a parada do lado de fora, olhando para o Jardim Zoológico, do outro lado da avenida Gulbekian. Na verdade, é Sete Rios P3-Sesimbra (terminal), companhia Carris n° 3721, estação Campolide. Felizmente, sempre há quem ajude. A passagem é €4,50 em moedas. Está explicado porque Sesimbra não é muito conhecida, porque é uma aventura chegar, só nós mesmos. O ônibus a gás natural partiu às 9h45.

Agora, relaxar e ver a paisagem. Estamos passando pela ponte 25 de Abril, temos um visual bonito de Lisboa. Veremos a estátua do Cristo Rei do outro lado do rio Tejo mais de perto. Setúbal do outro lado. Para um lado da estrada Sesimbra/Seixal, de outro Sesimbra/Azeitão. Nas paradas de ônibus, informações pertinentes, bem organizado. Continuamos Sesimbra/Santana. Tudo verde, que país mais arborizado!

A velocidade na estrada é de 50 km/h e vemos casas, lojas de automóveis, de cerâmicas etc.

Chegamos a Sesimbra, descemos no Terminal Carris em frente à Biblioteca. Estamos na pedonal/calçadão. Vamos logo tomar um café na pastelaria O Caseiro, na Av. da Liberdade, 15, repleto de gente. Peço um doce: farinha torrada, típico do local. Muito bom, pouco doce com gosto de chocolate e limão. Onde vamos há europeus “turistando” e aqui vemos o legítimo português.

A praia nos chama, descemos até ela. Que lindeza! O sol escaldante, a cidade muito clara, tem que usar óculos escuros. Tem cheiro de peixe, clima praiano, mar calmo, uma esplanada para as caminhadas, hotéis à beira mar e restaurantes diversos. Agradável de se estar e sentir o momento. Prédios simpáticos e de poucos andares na orla, do jeito que gosto. Sesimbra tem a maioria das casas e edificações de cor branca e telhados vermelhos.

Entramos no Museu Marítimo de Sesimbra dentro da Fortaleza de Santiago, logo ali. Era a casa do governador. À época, o rei de Portugal era D. Carlos I (1863-1908) e D. Amélia (1865-1951), ele era próximo da comunidade pesqueira e fez expedições oceanográficas. Na placa na frente do museu, está escrito Carlos de Bragança “O Rei Pescador”. Herda de seu pai, D. Luís, o “Rei Marinheiro”, a paixão pelos assuntos do mar, o que irá justamente refletir na sua obra artística e científica. No campo das artes plásticas, tinha dotes de aquarelista (utilizando também o pastel e o óleo) e de desenhista; e obteve êxito na área da ornitologia e oceanografia, dentre outros muitos talentos.

Um pouco de história com a Wikipédia: Carlos I foi aclamado rei em 28/12/1889 e teve a presença de seu tio-avô Pedro II, imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Foi casado com a francesa Amélia de Orléans, filha primogênita de Luís Filipe, Conde de Paris (pretendente ao trono da França).

O museu mostra o mobiliário da época, altar de madeira, Chincha ou Arte de Comeiro (Xávega), de 1462, uma técnica de arrastão sobre a arte da pesca de sardinha e carapau. A respeito da indústria conserveira datada de 1896, existiam três fábricas de conservas na cidade. O período mais expressivo foi das fábricas de conserva em azeite na I Guerra Mundial e final da década de 1920 do séc. XX.

Mostra as técnicas de pesca de robalos, pargos, peixe-espada que eram colocados no areal para a venda até os anos 1970. A barca de Sesimbra e aoila (3,30 m de comprimento e 1,52 m de boca): duas embarcações de pesca características até meados do séc. XX. Os barcos de Sesimbra descobriram o mundo. A construção de barcos remete a 7/4/1410, do deão de Coimbra, D. Álvaro Afonso, que menciona os dízimos a pagar pelos calafates e carpinteiros que construíram os barcos.

Em uma sala, a religiosidade dos pescadores. Culto a Santa Maria do Cabo Espichel, do séc. XVII/XVIII. Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Boa Viagem. Sala da Memória, Identidade e Comunidade. Mais escadas em curva se abaixando e saímos na parte de cima da fortaleza, um cenário deslumbrante. Valeu o passeio. Lembrei do Museu do Mar de Parnaíba-Piauí.

Hora do almoço. Descobrimos ali perto o restaurante O Canhão. Robalinho com batatas e legumes salteados para mim, e para o Carlos, bacalhau assado com o refrigerante Ginger Ale, nossa paixão, e vinho verde Azevedo (da região do Minho), perfeito. De entrada nos ofereceram azeitonas e queijo de ovelha cremoso de Azeitão (da região) e pão português. O garçom João Paulo, uma simpatia, conhecedor de Londrina-Paraná. Que refeição deliciosa! Pagamos €50 com a taxa de serviço.

Em breve, prosseguiremos com mais passeios nesta cidade praiana e ensolarada.

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA)

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu Nacional de Arte Antiga

Hoje é terça-feira, dia 9 de abril de 2024. Para o Museu Nacional de Arte Antiga, pedimos informações ao guardinha do Museu do Oriente, um senhor muito solícito, e rumamos a pé. Uma boa caminhada, porém confusa, com escadas mil pelo caminho. Chegamos e já estávamos fascinados pela entrada e beleza do prédio. Endereço: Rua das Janelas Verdes, 1249-017. Eu paguei €10 euros de entrada e o Carlos €5. o museu foi fundado em 1884 e adquirida a atual designação em1911.

O folder do museu nos esclarece que é conhecido como o Grande Museu de Portugal e alberga a mais relevante coleção pública do país, da Idade Média até o séc. XXI. Pintura, escultura, ourivesaria, artes decorativas portuguesas, europeias, da África e do Oriente, incluindo o maior número de obras classificadas como “tesouros nacionais”. Entre elas, os Painéis de São Vicente e a Custódia de Belém, símbolos da arte portuguesa dos séculos XV e XVI, e importante obras de Bosch, Memling, Dürer, Rafael ou Piero della Francesca. O jardim do MNAA, com restaurante e esplanada, oferece uma excepcional vista sobre o rio Tejo.

Vemos a história do mobiliário português de 1490 a 1500. E haja caminhada dentro do museu… “A Batalha entre Alexandre, o Grande e o rei Poros no rio Hidaspes”, de Nicolaes Pietersz Berchem (1621/1622-1683) dos Países Baixos, e a Baixela da Coroa Portuguesa de Dom João V/ Dom José I, do séc. XVIII, chamam a atenção. “Salomé”, de Lucas Cranach, o Velho (1472-1553) é espetacular.

O Relógio de Mesa, de Jean-Baptiste Dégré a Paris, de 1778, mereceu uma foto. As obras “Naufrágio” e “Porto do Mar” de Vernet Claude-Joseph (1714-1789), da escola francesa, são deslumbrantes. São tantas obras com motivos religiosos, retratos, batalhas, de material de prata dourada: estatuetas, candelabros, baixelas, talheres, ufa! Da escola alemã “São Jerônimo”, de Albrecht Dürer (1471-1528). Que riqueza! Nós em estado de encantamento, embora cansados. Felizmente, há bancos para descansar.

No 2° andar, maravilhas de ourivesaria e objetos de missa com cálices, cruzes em ouro e prata. O báculo ou cetro do bispo ou cardeal está presente.

A Custódia de Bemposta, de 1876, com rubis, diamantes, esmeraldas, prata dourada, topázios, safiras e crisoberilos é uma relíquia. As porcelanas portuguesas do séc. XVI são belas. Segundo a Wikipédia, a chamada Custódia da Bemposta é uma alfaia litúrgica, peça de ourivesaria e pedraria, de manufatura portuguesa da segunda metade do século XVIII, desenhada pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira. Proveniente da Capela do Paço da Bemposta, conserva-se desde 1876 no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

No 3° andar, pinturas e esculturas portuguesas. Retábulos dos séculos XV e XVI, de Jorge Afonso. Retábulo da Madre de Deus. O presépio, de 38 figuras, do Convento de Santa Teresa de Jesus Carnide, das Carmelitas Descalças, foi feito por António Ferreira (1701-1725).

Para descansar, fomos à cafeteria para um suco Compal de pêssego, minha paixão. Depois saímos do museu e rumamos ao ponto de ônibus para pegar o número 714, porém demorou tanto que desistimos, logo pegamos um táxi por €6,35 euros.

Perto do hotel, compras de vinhos no supermercado Pingo Doce. E descobrimos um sebo fantástico: a livraria Sá da Costa, ao lado do hotel Borges Chiado na rua Garrett, 100/102.

Dia mais memorável, de cultura e aprendizado. Em breve, a cidade litorânea de Sesimbra.

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Hoje é terça-feira, dia 9 de abril de 2024. Saímos do hotel Borges Chiado com a intenção de ir aos museus Calouste Gulbenkian e de Arte Antiga de metrô. Fomos informados pelos atendentes solícitos do hotel como chegar lá de tram, porém não deu muito certo. Foi confuso, pegamos o tram 15 (€3,10 euros) direção Belém para o Museu de Arte Antiga no Cais do Sodré, só que no caminho dentro do tram ajudei um bocado de europeus com a máquina de tíquetes, logo perdemos a parada de descida. Descemos duas paradas adiante, caminhamos até a estação Alcântara e atravessamos a avenida por baixo (na Europa se chama subway). Chegamos ao Museu do Oriente, enorme e promissor, mas que não estava nos planos. Endereço: Avenida Brasília, Doca de Alcântara. Ainda bem que os moradores dão informações aos turistas perdidos.

Paguei €8 euros e o Carlos €4. O armário (locker) para as mochilas requer uma moeda de €1 euro, a devolver na saída, perguntamos tudo, nada é escrito.

Vamos à visita. Sala dos tecidos trabalhados com diversos padrões de peixes e frutas, colorido. Têxteis indígenas australianos: Dry Season WindJarracharra, exposição temporária, feitos por mulheres da região Maningrida no oeste de Arnhem Land, Austrália. Outra exposição temporária “O Colecionismo de Frascos de Rapé”, do diplomata Manuel Teixeira Gomes.

Já estou amando o museu, tanto a ver e conhecer. A exposição permanente da presença portuguesa na Ásia com testemunhos, memórias e colecionismo é imperdível. “A Expansão da Fé Cristã”, “Os Deuses do Olimpo”, “Um Mundo de Porcelana Chinesa”: a antiga coleção do diplomata Cunha Alves, peças do séc. XVII a XIX.

Brasões, porcelanas, pratos da China da Dinastia QING (1644-1911), Colecionismo de Arte da Ásia Oriental, o gosto colecionista europeu remonta ao final do Império Romano e ao início da Alta Idade Média, graças à Rota da Seda. Estatuetas funerárias, figura tumular, perfumadores em forma de dragão. Túnicas femininas de seda bordada a fio de ouro, belíssimas.

Budismo, Taoísmo, GUANYN, nome chinês representado por uma figura feminina que significa a compaixão. Armaduras japonesas com leque de guerra utilizado no comando das tropas. Arte dos períodos EDO e MEIJI (1868-1912). Quimono feminino, dos anos 50-60 do Japão com seda lavrada e pintada a mão. Altar SHIBAYAMA, com a figura de Buda sentado.

Pinturas a nanquim com cenas de folclore e costumes coreanos do séc. XIX. Timor-Leste representado por uma escultura mortuária de cavalo e seu cavaleiro, de 1940. Máscaras de 1920, espadas e sabres de 1968. A ilha foi povoada há cerca de 14 mil anos até 2 mil a. C. e foi alvo de sucessivas vagas de colonização. Importante: portas de pau rosa de 1900, painéis decorados das casas timorenses, potes de barro cozido, colheres de chifre de búfalo do séc. XX. Estátuas dos antepassados colocadas no exterior da aldeia em locais de destaque (1900-1930), guarda-joias, filigrana de prata etc.

2° andar. Japão: Festas e Rituais. A cultura oriental me atrai. Kannushi, roupas dos sacerdotes intermediários entre os kami e as pessoas comuns, responsáveis pela manutenção do santuário e pela realização dos rituais e cerimônias religiosas. Xintoísmo, autóctone do país e baseado no antigo culto aos kami, entidades do mundo sobrenatural. Dōsojin, protetores dos viajantes. Rituais de purificação HARAE e MISOGI. Calendários e almanaques: refeição do 1° dia do ano, bebe-se muito saquê, muito doce a e aromatizado com ervas para expulsar a má sorte do ano anterior e pedir saúde.

Eu não tinha ideia da quantidade de atividades feitas no Ano Novo japonês, como banhos, escritas, cartões, sacos da sorte. Darumas para proteção e sorte. Marionetes, talismãs, oráculos de previsão em papéis. Raquetes decoradas com motivos japoneses. Teatro Nō, com auditórios bem frequentados por escolas.

Museu enorme. Biombos e coleção: “Leques Chineses”. Exposições “Marfins de Goa”, “A Índia em Aquarela”, e “Da Terra Santa ao Japão”. Birmânia representada também. A obra de Os Lusíadas, de 1669, de Luís de Camões, o príncipe dos poetas portugueses. Que emoção!

No 5° piso, o restaurante Museu do Oriente/Imppacto, de alto nível, que oferece um visual bonito da marina, porto e ponte 25 de Abril. O menu executivo por 15 euros. Pedi crosta de peixe com legumes salteados adocicados, e o Carlos carne. Sobremesa: abacaxi e amora. E café.

O museu data de 8 de maio de 2008 e foi inaugurado pelo presidente da República, Prof. Dr. Aníbal Cavaco e Silva.

Sou amante de museus. Uma vez um aluno me perguntou para quê museus? Sem a nossa tradição, cultura e história contadas por museus, não somos nada. Por isso amo tudo que aprendo em um. E alguns são fantásticos, como esse Museu do Oriente. Parabéns, Lisboa!

De lá, nos dirigimos a pé ao Museu de Arte Antiga. Em breve, muito a contar.