Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Hoje é domingo, dia 23 de abril de 2023. Fomos de táxi do hotel América (Rio Negro, 1330) à feira usual da cidade aos domingos: Tristán Narvaja, das 8 h às 16 horas, no bairro Cordón. Inicia na rua Tristán Narvaja e se estende por várias quadras nos arredores. Fica perto da Plaza de los Treinta y Tres Orientales na av. 18 de Julho.

É diferente de San Telmo em Buenos Aires-Argentina, pois é mais feira de alimentos, como mel, mate, frutas, sucos, legumes etc. Também há roupas, antiguidades, sebo de livros, chapéus, produtos antigos fora de uso, quinquilharias mil, dentre outros. São quadras e quadras de feira, com muita gente, uma multidão. O povo leva cachorro e mate também, como bons uruguaios. Dá uma canseira de tanto caminhar, uma loucura. De almoço, comemos pizza e crepe acompanhados de suco de quatro frutas em uma banca, um evento. Ali perto música de candombe. Aliás, segundo a Wikipédia, é uma dança com atabaques típicos da América do Sul. Tem um papel significativo na cultura do Uruguai dos últimos 200 anos. Encontrei livros sobre a II Guerra Mundial em um dos sebos. O dono da banca não sabia que o Brasil havia mandado os “pracinhas” para a Itália para lutar contra o nazismo.

Fomos embora a pé, umas 8 quadras, até a av. 18 de Julho no centro. Muito movimento, vimos pedintes também. Passamos pela praça Engenheiro Juan Fabini, onde houve luta de estudantes pela democracia, há uma placa contando a história. As praças têm bancos para os pedestres sentarem, acho fantástico. A paz reina. O café La Pasiva, com sorvete, pelo caminho.

Para se despedir da jornada turística, decidimos pelo restaurante Tannat no jantar. Endereço: San José, 1065, centro. Menu: bife de chorizo com batatas fritas para o Carlos, e para mim frango recheado de queijo e presunto com purê de batata. Vinho Don Pascual 375 ml Varietal Tannat. Uma refeição robusta.

Para fazer a digestão, voltamos à mesma praça mencionada anteriormente. Para nosso divertimento, testemunhamos idosos dançando tango, uma graça. Isso é tão Uruguai. Ao som de tango, os casais bailavam à vontade. Há 9 anos quando estivemos lá já faziam isso. Escutamos também músicas gauchescas. O Carlos e eu sentamos no banco assistindo às danças, uma delícia. Se eu não tivesse acabado de jantar, teria caído no passo. Vimos isso em Córdoba na Argentina também, praças como espaço de danças.

Um pouco da história de Montevidéu. O folder Uruguay Natural do Ministério do Turismo nos informa que a capital foi fundada pelo governador e capitão do rio da Prata Don Bruno Mauricio de Zabala. O processo fundacional da cidade data entre 1724 e 1730, período em que começaram a chegar os primeiros colonizadores provenientes de Buenos Aires e das Ilhas Canárias. Os traçados da cidade foram delineados segundo as Leis das Índias a 45 graus em ângulos retos. A cidade foi muralhada em todo o seu perímetro, encontrando-se a Cidadela onde hoje é a parte ocidental da praça Independência. No ano de 1833 se projeta um novo traçado para a cidade nova que foi plenamente executado a partir de 1861. Diferentemente da Cidade Velha, a Cidade Nova se projetou com ruas amplas e arborizadas, onde se localizaram comércios suntuosos e grandes residências. No entanto, a avenida 18 de julho teve que esperar até o início do século XX para consolidar sua atividade como centro comercial e cívico. Com o traçado da Cidade Nova se criaram dois novos espaços públicos: a praça de Cagancha na avenida 18 de Julho e a praça Independência, onde as redes das duas cidades Velha e Nova se entrelaçam.

Nossa viagem a Montevidéu quase no fim.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo

Hoje é sábado, dia 22 de abril de 2023. Às 8h15 da manhã o ônibus da empresa Dreamtour veio nos buscar, o ônibus da Solybus era muito confortável. A guia Laura, parabéns a ela, demonstrou muito conhecimento. Passeio de dia todo.

Vamos passeando pelo centro de Montevidéu com prédios de estilo neoclássico, local altamente habitável. O porto tem 10 m de profundidade. Estamos na Cidade Velha pegando turistas nos hotéis. A cidade é como Fortaleza-Ceará, se dá voltas e voltas para chegar a uma rua. Notei a cidade pouco pichada, fico feliz. Pichação enfeia. Estamos na avenida General Rivera. Como é frio, não se vê gente nas varandas dos apartamentos e as janelas ficam fechadas. Cenário de inverno.

Passamos pelas Ramblas, Costanera, Beira-Mar, são 132,7 km até Punta del Este. Aliás, a terceira vez que vou. Departamento (estado): Canelones. O percurso será pela região leste, Maldonado, balneário Solís (panorâmica-Piriápolis), capela Santo Antônio, café, teleférico, Casa Pueblo-casa/museu de Carlos Paz Vilaró, Punta del Este, almoço, tempo livre.

Os bairros mais caros de Montevidéu pelos idos de 1890 eram fazendas pertencentes a famílias, como a Carrasco. Mandavam filhos varões para a Europa. Criavam vacas. Começaram a Associação Imobiliária e contrataram o arquiteto paisagista francês Carlos Thays, que desenhava jardins e praças. Do centro para lá eram 4 dias a cavalo no areal. O hotel Sofitel era o mais importante em 1944. O corpo diplomático mora em Carrasco atualmente. Também moram jogadores de futebol, é um bairro arborizado e bonito.

Até 1997 Punta del Este era campo e praia, sem planejamento. São uns 24 km do centro de Montevidéu. Em 1995, começaram a construir casas em Canelones para final de semana. Tiveram que colocar pedra ou cimento para construir em cima da areia. Não havia um plano arquitetônico em 2000/2001, sem serviço de esgoto, lixo, era caótico. Com chuvas, as casas se inundavam, virava um lago. A parte sanitária era um horror. Tudo mudou. São 5 milhões de dólares anuais até 2025 para correções e melhorias. Há manguezais na área, porém construíram um shopping center em cima, um desastre, segundo a guia.

No Uruguai o primeiro esporte “paixão nacional” é o ciclismo, o segundo futebol. Passamos por um caminho de bosques, com árvores mil e pelo portal da cidade de Salinas. No balneário Bella Vista, vemos um marzão, com casas lindas na beira mar, tudo tão tranquilo.

O uruguaio gosta mais de Piriápolis do que de Punta del Este. O Cerro (morro) de los Burros é 78% plano, são 170 m de altura, e lá criam gado bom para corte, sua carne é macia. São 21 milhões de cabeças de gado no país, há mais bicho do que gente, além da venda de gado, produzem leite.

Francisco Piria (1847-1933) era uruguaio, neto de genoveses. Ele é o responsável pela criação do balneário em 1890. Ele fica órfão de pai ainda criança e sua mãe o envia para a Itália para que seu cunhado religioso (jesuíta) se ocupe de sua formação. Foi no país que ele começou a cultivar seu amor pelas artes clássicas. Voltando ao Uruguai, trabalhava com comércio em Montevidéu. Compra terras na região de onde seria Piriápolis e aí fez história. Era empresário, alquimista, escritor e político.

A guia menciona o Cerro Pan de Azúcar e o Cerro del Inglês. O site pt.piriapolishoy.com nos conta que o cerro era originalmente chamado de Morro do Inglês, mas foi rebatizado por Francisco Piria como Morro Santo Antônio para atrair casais. Tal morro fica sobre a baía de Piriápolis com uma altura de 130 m. Rambla de los Argentinos (palavra que vem de argento (prata)).

Em Piriápolis, o calçadão é elegante, bonito de se ver, bem cuidado, não há ambulantes nem barracas de comida na praia. Aliás, de acordo com a guia, o uruguaio não “curte” praia. Está situada na costa atlântica do sul do Uruguai e tem edifícios estilo belle époque, como o Argentino Hotel Cassino & Resort. Aliás, este hotel foi fundado em 24 de dezembro de 1930. É situado na Rambla de los Argentinos e foi obra de Piria, traziam até vacas para a hospedagem no passado. O Google nos diz que a pedra fundamental da sua construção foi colocada no ano de 1920, evento no qual esteve presente o presidente Baltasar Brum. A obra foi desenhada pelo arquiteto Pedro Guichot, um francês radicado em Buenos Aires. A cidade é graciosa com casas espaçosas, parece que estamos no Mediterrâneo.

Subiremos o Cerro del Toro. O Cerro del Inglés é rico em pedra magnetita. O mar lá embaixo forma um cenário precioso. No Cerro San Antonio ou do Inglês descemos. Para quem quer um amor, deve-se dar 7 voltas ao redor da capela e fazer um pedido ao santo casamenteiro, além de pendurar o santo no pescoço, assim reza a tradição. O visual de cima é impressionante, vemos bosques e bosques. Lá está o teleférico (aerosillas). São 15 minutos de parada. Há uma cafeteria/restaurante Puerto Alto. A capela é branca com o teto azul, toda com flores artificias dentro, a imagem de santo Antônio é grande.

A guia sempre instruindo a respeito da história do Uruguai. No país não há cultura indígena, houve um genocídio do povo. Em 1965 foram encontrados cemitérios indígenas em serras perto. Yanos, Chanás, Charruas (maioria), Minuanos, dentre outros povos foram eliminados nos idos de 1830/34 por ordem de Fructuoso Rivera (1784-1854), primeiro presidente do Uruguai (foi o terceiro também), porque lutavam pelas suas terras. Só 5 sobreviveram, fugiram para o sul, porém 3 homens, uma mulher e um bebê recém-nascido foram capturados e levados para a França onde foram expostos no zoológico (ou como atração circense). Eram considerados “povos exóticos”. Eles morreram dentro de poucos anos de fome e doenças infecciosas. Detalhe: foram pegos por um escravagista francês. Os restos mortais do cacique Charrua foram trazidos da França. Ver mais no museu de Arte Pré-colombiana e Indígena do Uruguai na rua 25 de Maio na Cidade Velha. Antigamente não se contava a real história sobre os povos originários. Trabalhavam com cerâmica, com a terra, eram caçadores e coletores.

O aeroporto mais próximo de Piriápolis é o de Punta del Este. Interessante dizer que os cantores Roberto Carlos e Shakira são frequentadores.

Vamos à famosa Casapueblo, do artista plástico Carlos Páez Vilaró (1923-2014), imperdível de tão original. Ele foi ceramista, escultor, muralista, empresário, pintor, compositor etc. Nasceu em Montevidéu, morou em Buenos Aires-Argentina nos anos de 1935/1940. Lá participou da vida boêmia e descobriu um mundo diferente da sua classe média familiar. Em Montevidéu, viveu em cortiços e se misturou com estrangeiros, teve contato com a filosofia de vida “candomble” da cultura negra. Ele se apaixonou por essa cultura, rodou o mundo para encontrar as raízes do povo que fora dizimado no Uruguai, percorreu toda a África e morou no Senegal. Viveu também na Espanha em Málaga, onde conheceu Gaudí e Picasso, que foi professor de Vilaró. No Brasil, travou amizade com Vinícius de Moraes, vemos fotos dos dois. Em 1972, seu filho sofreu acidente de avião na Cordilheira dos Andes, esteve entre os 3 sobreviventes, foram 70 dias de fé. Também há fotografias sobre isso e recortes de jornal.

A Casapueblo é toda branca e parece aquelas casas da Grécia no Mediterrâneo, e também as do arquiteto Gaudí em Barcelona-Espanha, dividida em várias partes. As obras de Vilaró são únicas e percebe-se claramente a influência africana. As cores têm um significado total para ele. Eu amo! Toda vez que for, irei à Casapueblo, também museu, e a cada vez surge um conhecimento novo. Desta vez percebi o seu amor por gatos, são várias telas com os bichanos. Identificação total eu senti: cores e gatos. Ali vale passar mais tempo, como sempre vou em excursão, o tempo é limitado.

Mais um pouco sobre tão charmosa casa. No museu tem o histórico: em 1958, Vilaró chegou a Punta Ballena e o lugar o encantou. A desolação da paisagem, sem árvores ou caminhos traçados, sem luz e sem água não frearam seu projeto de construir seu estúdio definitivo de frente para o mar. Inicialmente, ergueu uma pequena casa de lata, onde armazenou portas, velhas, janelas e materiais para a obra de sua futura casa. Logo, com a ajuda de amigos e pescadores criou La Pionera, seu primeiro ateliê de madeira. Mais tarde começou a cobri-la com cimento e a modelá-la com as mãos, como uma escultura, sempre incrustando nas paredes objetos trazidos de suas viagens, e destinando lugares especiais para suas lembranças. Casapueblo continuou crescendo, habitações foram se juntando como vagões a uma locomotiva. Muitas delas construídas quando se anunciava a chegada de amigos que vinham de longe para passar uma temporada nessa casa que provocava tanta curiosidade. Foi assim que se converteu em um ícone do lugar, ponto obrigatório de artistas, colecionadores, personalidades, pesquisadores, estudantes de arquitetura e viajantes andarilhos.

Em breve, Punta del Este, um pedaço do paraíso.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Colônia do Sacramento

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Colônia do Sacramento

Hoje é quinta-feira, dia 20 de abril de 2023. Estamos com a guia Marcela e o motorista Paulo da empresa Ventas. Saímos de Montevidéu, já passamos pela Granja Arenas do Museu do Lápis e agora chegamos à Colônia do Sacramento. Vale a pena ir ao Centro de Visitantes pegar mapas para se localizar em uma cidade que se anda a pé.

Segundo o folder da CVC, a mistura de campo, praias e rio dão a este lugar uma moldura natural que se conjuga com a história. O bairro histórico é Patrimônio Histórico da Humanidade desde 1995. A Wikipédia esclarece que se trata do mais antigo assentamento europeu no Uruguai, foi fundada pelos portugueses em janeiro de 1680. Em 1777, com o Tratado de Santo Ildefonso, a colônia tornou-se possessão espanhola.

A guia Marcela nos informa que foi colonizada como um forte militar português. Um dos intuitos era controlar a reserva de ouro e prata e o transporte viário ao interior onde estavam as minas. Era a Colônia de Sacramento de Jesus. O fundador e primeiro governador foi Manoel Lobo (militar, 1635-1683), mandado pelo Príncipe Regente Pedro II de Portugal. A Basílica do Santíssimo Sacramento é a igreja mais antiga, foram 97 anos de domínio português, embora tenha sido atacada sete vezes pelos espanhóis. Em 1777, os portugueses foram embora. Em relação à Basílica do Santíssimo Sacramento, conserva a concepção original de uma nave, muros portugueses de pedra e ladrilho cujo arquiteto foi Tomás Toribo (1808). A fachada e as cúpulas azulejadas dos campanários foram recuperadas a partir do ano 1957 (fonte: folder da Intendência de Colônia).

A arquitetura e estilo portugueses se encontram por todos os lados, nas ruas do bairro histórico, nas casas, nos hábitos. 7 entre 8 casas têm arquitetura portuguesa, apesar de os espanhóis tentarem acabar com o passado português. Na cidade, vivem descendentes de espanhóis e italianos, umas 25 mil pessoas. É a única cidade fundada por portugueses no Uruguai.

O rio da Prata circunda Colônia e a separa da Argentina. Para vir da capital argentina, Buenos Aires, basta pegar o BUQUEBUS (ferry) que chega logo, são 52 km. O rio tem cor marrom, resultado dos sedimentos dos rios Paraná e Uruguai. Turistas argentinos vêm para finais de semana. Algo bem comum. Compram casas na frente do rio para férias ou simplesmente para sábados e domingos. Segundo a Wikipédia, os primeiros europeus a explorarem o rio foram os portugueses João de Lisboa na companhia de Estevão Fróis e o castelhano Juan Díaz de Solís que foi morto e comido pelos nativos. O rio levava ao interior, às minas de prata, por isso o nome do rio.

A Plaza de Toros Real de San Carlos (praça de Touros) de estilo árabe/espanhol funcionou até 1910. Hoje, felizmente, não há mais touradas. O governo federal e estadual investiram e reabriram para eventos culturais, de moda, de arte, é Patrimônio Histórico desde 1992. As três ilhas são San Gabriel, Farallón e Lopez. Na praça do Relógio se vê o pôr do sol junto à família e amigos. No estádio de futebol, o muro é pintado com formas coloridas. Existe um hipódromo na cidade.

A praça 25 de Agosto é linda com árvores mil. A principal se chama Mayor 25 de Mayo. O folder mencionado anteriormente diz que nasce com a fundação, sendo o maior espaço aberto da área. Originalmente usada para manobras militares. Depois, intervenções incorporaram jardins e caminhos que criaram um ambiente agradável, mas que modificaram a percepção original.

As casas vistas por nós são adoráveis, por serem floridas. Caminhamos pelo bairro. Paramos no restaurante Viejo Barrio Restaurante and Bar (Vasconcellos, 169), com comida caseira e bem comentado. As mesinhas na calçada são convidativas. Colônia tem outro compasso, tudo é calmo e lento. O almoço foi peixe grelhado e vinho tannat em jarra. Escutamos passarinhos e temos cachorros ao lado, aliás, vi água para os cães na frente das lojas. Muito justo. Há muitos soltos pela cidade. Detalhe: mulher pode viajar só no Uruguai. É seguro. No nosso passeio havia três.

Após o almoço tranquilo, rumamos à Basílica do Santíssimo Sacramento. Rústica dentro. A av. Gal Flores com plátanos é uma pintura. Vemos lojas, restaurantes, pizzarias, aqui se fuma bastante. Praça Diagonal Gerardo Mattos Rogriguez com fonte de água. Bela.

O restaurante Casa Luthier com calhambeque na frente como jardineira é peculiar. Feita de pedra tosca. O povo da cidade é acolhedor, vi lojas com roupas de inverno estilosas, como ponchos.

Em relação à Basílica do Santíssimo Sacramento, conserva a concepção original de uma nave, muros portugueses de pedra e ladrilho cujo arquiteto foi Tomás Toribo (1808-1810). A fachada e as cúpulas azulejadas dos campanários foram recuperadas a partir do ano 1957 (fonte: folder da Intendência de Colônia). Em 1823, houve uma explosão e parte foi destruída. Em 1957, o arquiteto Miguel Ángel Odriozola a reconstruiu.

Estamos na caminhada tour-histórica com a guia Marcela. Ela marcou um horário depois do almoço e nos encontramos com o grupo na praça das Armas Manoel Lobo. A Casa dos Governadores tinha um torre de vigilância para supervisionar os arredores. As casas da época de Manuel Lobo, primeiro governador português, eram construídas separadas por muros de pedra, desciam a temperatura por canais de água. Quando os espanhóis assumiram Colônia, chegaram a construir casas em cima das portuguesas. A casa de cor branca (1695-1800) é uma pousada hoje e continua com o mobiliário da época. As ruas com paralelepípedos eram construídas por prisioneiros que os carregavam em carros de boi ou carruagens no séc. XVII. A casa histórica portuguesa do séc. XVIII, de cor rosa, foi recuperada com a contribuição da Fundação Calouste Gulbekian (de Portugal) .

Espaço Rebuffo, construção portuguesa para a função pública, modificada no período espanhol. A exibição oferece uma olhada dos tempos pré-histórico até nossos dias. A Vivenda Portuguesa é uma construção popular que resguarda em seu interior os usos folclóricos das províncias portuguesas de Trás-os-Montes, Minho e Alentejo, de acordo com o folder da Intendência de Colônia. Também existem outras edificações portuguesas, como o Espaço Português, o Arquivo Histórico Regional, o Espaço do Azulejo etc.

Navios chegavam com escravos e eles entravam na cidade pela Rua dos Suspiros. Há várias outras histórias sobre tão afamada rua. Fala-se em escravos, sentenciados à morte, dos portugueses com “mulheres da vida”, e da moça com o português militar que fora embora, daí o nome da rua. Digno de nota comentar que o Uruguai foi o primeiro país a libertar os escravos na América do Sul. Conforme o mesmo folder, é tipicamente portuguesa, de traçado e pavimento original, com um escoadouro no meio. A rua tem casas de ambos os lados que pertencem ao primeiro período colonial, donde diversos estilos de construção se conjugam sem perder a individualidade.

Há muito a ver em Colônia. O Farol é visitado. O folder citado antes nos reporta que o Portão do Campo, recuperado entre 1968 e 1971, conserva ainda ruínas da antiga muralha e de sua velha ponte levadiça de madeira. Tachas de bronze na pedra marcam o nível da muralha original, que foi parcialmente consolidada e reconstruída. O Cais de 1866, inicialmente mais largo, contava com um setor perpendicular no extremo sobre o rio. Devido a ser antigo e ao clima, perdeu parte de sua estrutura original, sendo recuperado em 2001 para albergar embarcações esportivas. O Resgate Arqueológico da Casa do Governador, o subsolo da construção portuguesa original destinada à residência do Governador da cidade, foi destruída pelos espanhóis em 1777. Não faltam relíquias a conhecer.

Interessante que o papa João Paulo II rezou missa em Colônia para 40 mil pessoas, depois foi para Salta no norte da Argentina.

Ás 16h15 retornamos a Montevidéu pela Ruta Nacional n°1 ou Ruta Unesco. Dia proveitoso. Colônia, sempre um deleite! Parabéns à guia Marcela, gentil, solícita e com conhecimento do assunto. Deu dicas valiosas sobre espaços interessantes em Montevidéu: baar Fun Fun (Ciudadela, 1229), atrás do teatro Solís; El Milongón (Gaboto, 1810), com apresentação de tango/milonga/dança folclórica e candombe; restaurante El Fogón (San Jose, 1080, centro, esse conhecemos!); Punta Carretas Shopping (Jose Ellauri, 350); e no bairro Pocitos: restaurantes Fellini (Jose Marti, 3408) e La Commedia (El Viejo Pancho, 2414).

Nosso jantar/lanche foi noBar Hispano (San Jose, 1050) nosso velho conhecido. Misto quente e café com leite, para não perder os hábitos. ♥

Prosseguiremos com mais Montevidéu.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Granja Arenas e ida à Colônia do Sacramento

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 3-Granja Arenas e ida à Colônia do Sacramento

Hoje é quinta-feira, dia 20 de abril de 2023. Pagamos US$ 59 (dólares), ou seja, R$325,00 à época para visitar a cidade colonial Colônia do Sacramento em um bate e volta de Montevidéu. A guia da empresa Ventas se chama Marcela e o motorista Paulo, o ônibus é grande e confortável e nos pegam no hotel América (Rio Negro, 1330) às 9 h da manhã. Já conhecemos Colônia, mas queríamos ir de excursão, pra mim uma novidade. Pelo valor pago, vemos como tudo encareceu no país.

Estamos no outono, quando faz sol, o clima melhora. Fico alérgica com a umidade do frio. Segundo a guia, o Uruguai é um país plano, existe um cerro (colina) em Montevidéu, mas é baixo. 30% da população vive na capital. O nome “Montevidéu” tem origem nos dizeres “eu vi o monte”. Montevidéu é a capital da República Oriental do Uruguai e também departamento, ou seja, estado, onde moram 45% da população do país. Não há petróleo no oceano Atlântico ao seu lado, mas há refinaria. Menor país da América do Sul. O processo fundacional de Montevidéu tem a ver com o controle da entrada do porto.

Uruguai significa “pássaro pintado” na língua guarani. O Rio de la Plata (rio da Prata) é fundamental para o país. Seguimos nosso percurso até Colônia do Sacramento. Estamos na Ruta Nacional Manoel Oribes (militar importante), número 1, que vai até Colônia.

A Marcela acrescenta que a avenida 18 de Julho, principal avenida em Montevidéu, nasce no centro e finaliza na estação rodoviária Tres Cruces, lembra a data da primeira Constituição com princípios da Revolução Francesa. Na Cidade Velha, vivem 15 % da população. São Felipe e São Tiago são os santos padroeiros. A Catedral é a igreja mais destacada do país. Na Peatonal Sarandi há cafeterias, restaurantes, lojas etc e na Ciudad Vieja também se encontra a parte administrativa do governo.

Estamos na área rural, com 15% da população, descendentes de espanhóis. Vemos árvores frutíferas, ovelhas, porcos, galinhas, ervas aromáticas etc. No departamento de São José há 250 mil habitantes, descendentes de espanhóis (maragatos) e italianos. Passamos por fábricas. No rio Santa Lúcia testemunhamos atividades náuticas. A água potável de Montevidéu vem de Águas Corrientes, uma cidade pequena no departamento de Canelones. O rio da Prata origina várias praias.

Há um morro no caminho de 42 m de altitude, usado para a plantação de uvas pretas, fruto da imigração italiana. O vinho de hoje foi a decisão do passado: a uva Tannat que era do sul da França foi plantada no Uruguai com apoio do governo, aí a desenvolveram com a ajuda de franceses e italianos. Aliás, 14 de abril é o dia do Tannat, em homenagem ao imigrante basco-francês Pascoal Harriague. Existem vinícolas reconhecidas: a Bouza, Juanico, H. Stagnari, dentre outras. O Tannat é orgulho nacional. Diga-se de passagem, com merecimento.

Na praia Pascoal, há teatro e mercado de artesanato. São José é produtor de cenoura, batata, espinafre, frutas e criação de vacas, sendo o segundo maior produtor nacional de leite. Eucaliptos foram trazidos da Austrália para proteger as plantações, uma barreira natural. No verão, o clima é de 22º a 32° C e no inverno, de 6º a 11°C.

No passeio, vamos conhecer Granja Arenas (sobrenome da família), um estabelecimento de campo com a criação de animais: cabras, vacas, ovelhas e plantação de legumes. De 1949 até hoje se dedicam a árvores frutíferas. São descendentes de suíços, a casa tem mais de 120 anos e uma parte é museu. A coleção de máquinas fotográficas, cinzeiros, canecas, caixas de fósforos, frascos de perfumes (da esposa), chaveiros, lápis, dentre outros torna o Museu do Lápis algo único. O negócio está na quinta geração. Curioso é o lápis exposto no qual Emílio Arenas, o fundador, foi recebido por Faber Castel na Alemanha há 76 anos. A coleção começou em 1955, só para ter ideia, só de chaveiros são 46 mil, expostos 19 mil. De lápis, são 24 mil. Cinzeiros, 4.500, vidros de perfume, 4900 e por aí vai. Incrível. A caixa registradora pertenceu à loja Tiendas London em Paris. A coleção de chaveiros e lápis está presente no Livro dos Recordes.

Também há a loja grande para degustação de doces e geleias de sabores originais: mate, frutas da floresta, mirtilo, beterraba, morango, cebola etc. Melhor doce de leite da região de Colônia (receita suíça) e queijos. Saí da loja com gostosuras, como não comprar? Só felicidade. Ainda funciona um restaurante e espaço para aluguel de eventos.

As regiões de São José e Colônia têm muito vento. No país usam energia eólica, solar e hidrelétrica (principalmente no rio Uruguai). Ao sul de Colônia se encontra o Departamento de Soriano. Em 1624, Soriano foi a primeira colônia estabelecida pelos espanhóis, depois foi Colônia do Sacramento em 1680 pelos portugueses.

No morro São João (450 m de altura), criam 70% das vacas do país, são de cor preta e dão as melhores carnes. Na Colônia Suíça, há criação de cabras alpinas e produção de leite. A grama tem qualidade, por isso ser o principal produtor de leite. Interessante que plantam girassóis onde há vacas. Elas recebem a vitamina K3 das batatas que comem. Também há a plantação de alfafa e milho.

Em Colônia, descendentes de imigrantes italianos e suíços produzem queijo: 1 kilo necessita de 10 litros de leite. O queijo semiduro parece um parmesão. Verduras, legumes, abóbora, cenoura e azeitonas, com condições ótimas para o terroir da produção de azeite que acumula prêmios internacionais. A uva também se beneficia da terra, são as melhores condições para a produção de vinho.

A guia explicita o que podemos ver em Colônia do Sacramento: Bairro Real (hotel Real San Carlos), Praça de Touros, placa de Colônia-início do bairro histórico, portal, Rua dos Suspiros (Patrimônio Histórico da Humanidade em 1995), Praça Maior 25 de Maio, ruínas do convento de São Francisco, Basílica do Santíssimo Sacramento (estilo neoclássico português), Farol, três ilhas, rio da Prata, 52 km até Buenos Aires-Argentina. Museu Português e outros. Lojas, praça estilo antigo. O restaurante do almoço sugerido se chama Viejo Barrio Restaurante and Bar (rua Vasconcellos, 169)e serve massas e peixes, se encontra dentro do bairro histórico. Detalhe: a gente paga, não está incluído. Serão 3 horas livres na cidade.

Para se ter ideia dos preços: um expresso R$12,00, água de garrafinha R$ 6,00 e uma coca cola R$12,00, bom se preparar financeiramente. A temperatura ótima: 17°C.

35 % das divisas do país vêm do turismo em Colônia do Sacramento, turistas visitam o ano todo. De abril a novembro há eventos e congressos. As palmeiras francesas na entrada da cidade foram trazidas direto das Ilhas Canárias e fazem parte do Patrimônio Artístico.

Continuaremos com a cidade de Colônia do Sacramento. Muito a contar.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Mercado Municipal, Largo da Ordem e Museu da FEB-última parte

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-Mercado Municipal, Largo da Ordem e Museu da FEB-última parte

Hoje é domingo, dia 26 de novembro de 2023. Dia nublado, 18º C. O Carlos e eu entramos na Linha Turismo (ônibus turístico) de novo na Rua 24 Horas (parada 1) para descer no Mercado Municipal (parada 5). O nosso cartão ainda é válido. Passamos pela praça Rui Barbosa, enorme, limpa com jardins e árvores, o usual da cidade. Vimos a Santa Casa. Há ruas que parecem avenidas e com faixas exclusivas para ônibus.

Descemos no Mercado Municipal. Local com fartura de frutas, especiarias, frutas secas, pinhão, pupunha, vinhos, licores, cachaças, chocolates, queijos, doces árabes, portugueses, uau! Muito rico de opções. Na hora do café expresso, descobrimos do lado de fora do mercado, mas ainda dentro do espaço a Prestinaria Casa dos Pães, o atendente, uma simpatia. Os restaurantes ficam em cima, espaço organizado e limpo.

O tempo do ônibus turístico expirou, então pegamos um táxi cujo motorista era jornalista. Papo bom, nos disse que Curitiba mudou com a presença dos brasileiros de outros estados que vieram morar na cidade. Isso é bom, pois o curitibano era conhecido por ser “fechado”. Minha experiência foi positiva, só tenho elogios para com quem me socializei. Nosso destino é a feira tão aguardada, a do Largo da Ordem no Setor Histórico.

Segundo o folder Curta Curitiba, o Setor Histórico (ou Centro Histórico) é um passeio imperdível por locais que revelam o passado da antiga Vila Nossa Senhora da Luz e cultuam a memória de Curitiba. Nas ruas calçadas com pedras irregulares estão o casario preservado, as igrejas antigas e diversos espaços culturais. É ponto de encontro à noite nos diversos bares e restaurantes e aos domingos pela manhã na tradicional feira de artesanato.

A feira do Largo da Ordem é vibrante, com muitas bancas que oferecem produtos lindos. Vi lojas de antiguidades, uma delas a Antiquário Candelária, uma loja pequena, com tantos produtos variados até o teto, original demais. O dono muito agradável. Na feira se encontra de tudo, objetos de madeira, bijuterias variadas, roupas de lã, camisetas com desenhos de capivara (comprei uma), comidas, chapéus diferentes etc enfim, uma maravilha. Amo feiras! Viva a do Brique em Porto Alegre-RS, a de San Telmo em Buenos Aires-Argentina e por aí vai. Teve feira, nós vamos! Nós e todo mundo, afinal o movimento é grande.

Almoçamos ali perto, no Tuba´s Bar: “prato feito” de bife ou frango, arroz e feijão, batata frita ou macarrão, salada de legumes e verduras, bem farto. Valor: R$20,90. A feira desbunde vale a visita e a diversão.

Fomos de lá a pé até o hotel Bourbon no centro. O hotel realmente é muito bem localizado. Depois rumamos a um museu que queria muito conhecer: o da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Como sou estudante da II Guerra Mundial, tenho predileção por museus assim. Endereço? Rua Comendador Macedo, 655-Alto da XV.

O Museu do Expedicionário me surpreendeu por ser maior do que esperava, com salas equipadas e muito conhecimento. E de graça! Tudo escrito em português e inglês. Aberto aos domingos das 9 h às 12 h e das 13h30 às 17 h. Conta a história dos Febianos, pilotos, aviões usados na II Guerra em miniaturas, fuzis, pistolas, metralhadoras, material de campanha sacos VO (Verde Oliva). Vimos fotos dos heróis na Galeria dos Heróis e a sala General Mascarenhas de Morais que é um auditório. Da Engenharia foram 700 homens. Realizaram suprimento de água e reconhecimentos técnicos.

Um morteiro é diferente de um obuseiro e de um canhão. A sala de enfermaria da FEB, a alimentação, o fogão de campanha modelo 1935, o frio, as galochas, os brasileiros aprendendo a esquiar. O herói Max Wolff Filho. O Cemitério e o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial em Pistoia na Itália recebem mais de 25 mil visitantes ao ano entre turistas, pesquisadores e estudantes, além de familiares dos “pracinhas”. Relembrando a história da participação do Brasil, o site www.defesanet.com.br nos diz que o gal. Mascarenhas de Morais foi o comandante da FEB, que contou com mais de 25 mil homens. As primeiras tropas desembarcaram na Itália em julho de 1944. A 10ª Divisão de Montanhas dos Estados Unidos lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo do Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro a abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.

O museu é em essência a memória da história da Legião Paranaense do Expedicionário. Acervo fenomenal. Foi fundada em 1946 pelos ex-combatentes. O totem do lado de fora nos informa que o museu está vinculado desde 1980 à Secretaria de Estado da Cultura. Armas, medalhas, roupas, fotos, documentos e jornais compõem o acervo, memória permanente da participação paranaense da II Guerra Mundial. Há um tanque M3 Stuart e um P47 Thunderbolt na Praça dos Expedicionários que nos convida a sentar em um banco, contemplar a natureza e apreciar o museu.

No último dia, segunda, dia 27 de novembro, aproveitamos o café da manhã inesquecível. O aroma do hotel é delicioso. Almoçamos no Tom Espaço Gastronômico, comida feita pelo chef: tiras de batata com casca frita, aspargos, filé de frango no ponto, além de folhas, perfeito. Já o do Carlos: salada de entrada com salmão e fudge de pistache. Boa música: Bossa Nova, e a vida é muito boa!

Achei o hotel Bourbon Curitiba Hotel & Suítes acolhedor, um tratamento simpático do jeito que dá vontade de retornar. Detalhe: o povo da terra diz muito “Fique à vontade.” E como não se apaixonar por cidade tão linda? Aos amigos de lá, aquele abraço saudoso.

Curitiba, voltaremos.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Dia 6 de outubro de 2023, sexta-feira. Estamos no hostal Terracota. A dormida foi reparadora e o friozinho pela manhã agradável. Deserto é assim mesmo: calor e frio no mesmo dia. Outubro é um mês bom para estar lá. Compramos as passagens do Caetano Alencar da agência de turismo Grandes Viagens em Fortaleza, dica também da Sandra e do Max. O Caetano tem muita experiência em viagens pela América do Sul.

Voltando ao hotel, no momento só tem a gente de hóspedes. Detalhe: vi recente que colocaram a placa com o nome da pousada, que bom. A atendente Yobi é boliviana, um doce de pessoa. O irmão da Sarita, proprietária, mora ao lado em uma casa cujo muro é de galhos secos, bem interessante. Vamos ao café da manhã: tudo é servido na mesa de pouco, mas suficiente: banana, pedaços de maçã e laranja, presunto, queijo, salame, biscoitos, bolo, café e leite, sucrilhos, iogurte, ovos mexidos, um desayuno rico. Aprovado. Depois, ficamos admirando o local, um sítio em plena natureza, um oásis no deserto. Sempre bom mascar as folhas de coca, pois a altitude de 2407 m não brinca, para respirar é custoso. Na Internet vi 2500 m.

E fomos passear: Praça de São Pedro, onde está a prefeitura (Municipalidade) e os Carabineros do Chile (Polícia Nacional). A feirinha é toda colorida com artesanato, comidas, bandeirinhas a enfeitar as árvores, demonstrando ser uma cidade pacata do interior. Não preciso dizer que uma banquinha tinha a bandeira do Rio Grande do Sul: é uma gaúcha casada com um rapaz nativo e vende doces e salgados brasileiros. Entramos na Igreja Matriz, de 1557, com chão e teto de madeira e branca por fora. Simples e rústica. Rumamos ao local onde se localiza a Feira Artesanal, muitas bancas com artesanatos diversos, ótimo para as lembrancinhas. Amo o artesanato andino, produtos de lã de alpaca, bolsinhas, tudo é colorido.

Falando com a Yobi, ela nos deu dica de restaurantes onde os nativos comem e lá fomos nós após a feira de artesanato. Saindo pelos fundos do local, andamos um pouco e encontramos restaurantes, estilo quiosques, um ao lado do outro. Gostamos do Delícias de Cañaveral e pedimos: frango ao forno com batatas fritas e salada mista a 4 mil pesos (uns R$22,00), além de suco de abacaxi e de morango. O de abacaxi da fruta foi o melhor que tomei até hoje. Muitas opções de comida: se pedir a entrada, mais o prato principal e dois agregados, sai 6 mil pesos (uns R$33,00). Para nós, seria muita comida.

Esses restaurantes do povo da terra são os imperdíveis, na minha opinião. A gente observa e conhece os costumes locais. Há gatos e cachorros ao lado, percebi muitos cachorros pelas ruas de São Pedro. Pelo menos, as pessoas cuidam deles, colocam água na porta da loja e dão comida. Ao meu lado, sempre aparece um ou outro, afinal amo animais. Segundo o garçom, existem mais cachorros do que gente. Sem dúvida, o rapaz tem sendo de humor.

Pela cidade, há canaletas de onde a água vinda da Cordilheira dos Andes passa. Lembrei de Mendoza na Argentina (do lado oposto da cordilheira). Em São Pedro, chove muito pouco por ano, a chuva vem da Bolívia, país fronteiriço, mas é algo raro. Os moradores molham a rua, as calçadas e os muros, tamanho o clima seco.

Passamos na pracinha de novo, depois do almoço, um calor de rachar e um sol perigoso fica amenizado debaixo das árvores pimento e algarrobo.

Recebemos o aviso via fone (do chip do Chile que ganhei do Levi da agência de turismo Sol Andino) que o parque Valle da la Luna estava fechado, devido aos ventos de 60 km/h, os quais trazem tempestades de areia. Que fato inusitado! Ruim para a saúde dos olhos e dos ouvidos. Logo, o passeio da tarde foi cancelado. Vamos então aos Museus do Meteorito e do Padre Gustavo Le Paige. No caminho, nos encontramos com o Alan, jovem aventureiro de SP, na fila do banco (uma porta para tirar dinheiro). Dou a dica do Museu do Meteorito e ele dá a dica de umas empanadas incríveis: Empório Andino na Caracoles, 151. Ficamos sonhando com o jantar da noite.

Chegamos no Museu do Meteorito, na rua Tocopilla (nº 201), direto, porém estava fechado, que pena. O horário é das 18 h às 21 h. Expõe 77 meteoritos encontrados no deserto. Acabamos não indo. O Alan foi e gostou, o lugar é pequeno e único.

As cercas das casas feitas de galhos e as ruas de pedregulho fazem de São Pedro um lugar diferente. Continuamos caminhando, quero conhecer o museu Gustavo Le Paige. Antes era no centro, na pracinha, porém mudou para bem mais longe e sem sinalização, as ruas sem placas tornaram a dificuldade maior. Merece ser mais divulgado entre os turistas, nós fomos, porque gostamos de museus.

Quem era Gustavo Le Paige? Jesuíta, arqueólogo, de origem belga. Escavou cemitérios arqueológicos pré-hispânicos. Estão expostos diversos tipos de cerâmicas: polida, manifestação material dos povos pré-hispânicos; monocromática, de pastas e paredes muito finas com tratamento de superfície polida, dando a impressão de estar lustrada; vermelhas; negras etc. Domesticação das lhamas, cestos do Atacama, instrumentos musicais como flautas, trompetas, ocarinas, gorros com bandanas e calota craniana etc. Prática fumatória e inaladora: os indígenas consumiam vegetais com conteúdos alcaloides capazes de gerar alucinações e alterar o estado de consciência em 200 d. C. Túnicas, bolsas com estampas da região. Minerais de cobre usados como oferendas nos rituais religiosos e para lapidação. Mostra de tapeçaria enlaçada e com fibra de alpaca. Túnica Tiawanaku (ou Tiuanaco-sítio arqueológico pré-colombiano no oeste da Bolívia, perto do lago Titicaca) com estampa de pássaro antropomorfizado. Linda! Museu pequeno, situado em contêineres, mas muito válida a visita. Com informação para cegos. Foi uma boa caminhada.

A rua Caracoles é a principal do centro, o “point” de comércio e agências, lojas, restaurantes, me lembrei da rua Broadway em Canoa Quebrada, Ceará. Uma delícia caminhar e ver o movimento seja de dia, seja de noite, lógico que à noite o clima frio é sempre mais aprazível.

O Levi nos disse que os ventos estavam em 53 km/h. O passeio do Vale da Lua foi adiado mesmo. Então decidimos pelas Termas de Puritama no sábado: 95 mil pesos: excursão e ticket de entrada para ambos, em reais R$525,35. Na sexta mesmo à noite, escolhemos o passeio do Tour Astronômico, 50 mil pesos chilenos para ambos: R$276,50. Era para ser às 21 h, mas por conta do tempo nublado só saímos às 21h30. A gente ficou olhando o céu, esperando as nuvens se dissiparem.

Continuaremos em breve com passeios incríveis.

“Quadrinhos”? mas que diabéisso?

“Quadrinhos”? Mas que diabéisso?*

Por Max Krichanã*

A biblioteca laboratório HQLab, que é o embrião do que um dia seja o museu do Instituto de Educação e Pesquisa em Arte Sequencial, propõe-se a estimular pessoas de todas as idades a, basicamente, ler — contudo diferenciando-se de outras bibliotecas por ser referência especializada em HQs e buscar tornar a leitura uma atividade de vários modos interessante e produtiva, não somente como fim em si mesma, mas a partir da utilização dirigida do acervo (em mais de 5 idiomas) disponível.

HISTÓRICO

O HQLab teve início ao ser instalado, em maio de 1998, como acervo anexo da biblioteca George Washington do Instituto Brasil-Estados Unidos no Ceará (IBEU-CE), na sua sede da Aldeota, sob a denominação “Biblioteca de Arte Sequencial Richard Felton Outcault”, tanto em homenagem ao criador da comic strip Hogan’s Alley (que estreou em jornais de Nova York em 1896, destacando o personagem Yellow Kid), como para justificar sua participação nas atividades culturais de uma escola de idiomas. Em sua inauguração, o projeto recebeu a visita do jornalista, quadrinista e escritor Álvaro de Moya, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, que afirma ser aquela data — 1896 — o marco do “nascimento” do gênero comic art, equiparando a idade dos quadrinhos à do cinema. Notável autoridade brasileira em HQs (pesquise sua biografia!), Moya participou, junto a outros palestrantes, de uma semana de atividades nas dependências do IBEU-CE, incluindo palestras, exposições e mostras, a exibição de curtas e documentários, a performance de atores, músicos e humoristas e uma feira de gibis, que atraíram a atenção de um público variado e atento à inédita programação.

A efígie do personagem Bolão, saída da pena do cartunista cearense Luiz Sá (1907-1979) — que foi para o Rio de Janeiro, na década de 1950, expor seus desenhos e trabalhar com cinema de animação e publicidade, criando a trinca de personagens Reco-Reco, Bolão e Azeitona para a revista O Tico-Tico — tornou-se a identidade formal da logomarca da BASRFO. Trata-se de uma homenagem a um artista da “terrinha”, cujos traços em curva são há mais de 70 anos reconhecidos e admirados em todo o Brasil. Luiz Sá, nascido num 28 de setembro, fez a data tornar-se o “Dia do Quadrinho Cearense”, por lei estadual exarada em 2017 pelo mandato do deputado Renato Roseno (PSOL).

Neste lançamento e enquanto perduraram as suas atividades abertas ao público, a BASRFO (que ficou conhecida como “Gibiteca do IBEU”) destacou-se por mobilizar diversas comunidades culturais da cidade, atraindo, além de quadrinistas e cartunistas, também ilustradores, designers, fanzineiros, humoristas, videomakers, cineastas, titereiros, atores, músicos, arquitetos, decoradores, estudante e outros interessados na Nona Arte — além, é claro, da mídia.

O aspecto central desta iniciativa foi disponibilizar, no contexto institucional do IBEU-CE, em ambiente adequadamente estruturado para a fruição pública, um acervo contendo milhares de edições de revistas, livros, coleções, obras de referência e materiais em áudio e vídeo, em diversos idiomas, associados especificamente aos comics ou “quadrinhos” ou, como grafou o artista norte-americano criador da personagem The Spirit Will Eisner, à “arte sequencial”.

Em 1999, uma avaliação produzida junto à opinião dos consulentes pela diretoria do IBEU-CE e funcionários da biblioteca George Washington demonstrou que a “seção de quadrinhos” havia se integrado e dinamizado a rotina da instituição, fidelizando um público que se dedicava assiduamente a conhecer o amplo espectro de histórias, abordagens e análises oferecidos pelo inacreditável acervo.

Assim, no intervalo 1998-2000, foram promovidos lançamentos de livros e folhetos de cordel, de fanzines e revistas em quadrinhos, e realizaram-se oficinas, exposições, palestras, recitais e debates, concretizando encontros diversos e toda uma difusão de conhecimentos, especialmente a partir de produtores e produtos culturais locais. O planejamento adequado destes eventos levou a sua realização a custos mínimos. Em maio de 1999, o evento Quadrinhos em Festa no IBEU comemorou o primeiro aniversário da biblioteca com uma semana ininterrupta de eventos, apresentando sessões de autógrafos em lançamentos, exibição de documentários e animações, performances de artistas, atores, humoristas e músicos, palestras, oficinas, exposições e a distribuição do fanzine bilíngue Yellowzine, editado junto à Tupynanquim Editora, como forma de homenagear os artistas cearenses do traço, do gesto, da palavra, da musicalidade e da imagem — em sua maior parte criadores que se juntaram à iniciativa do projeto para colaborar com o seu bom desempenho.

Após julho de 2000, a biblioteca laboratório deixou o IBEU-CE e passou a atender somente a estudiosos e pesquisadores, limitando seu acesso a especialistas, sem que o acervo tenha deixado de receber acréscimos. Percebeu-se a necessidade de desenvolver o foco potencial planejado para a iniciativa, aperfeiçoando sua estrutura e organização, de modo a permitir que o projeto prime por sua utilidade, interagindo pedagogicamente com os usuários de toda a rede de ensino, pública e privada.

JUSTIFICATIVA

A atualização e conservação do acervo e o incentivo às atividades do HQLab visam, portanto, a disponibilizar conhecimentos em um contexto dirigido, com o apoio de monitores pedagogos, onde o consulente (criança, jovem, adulto, idoso, alfabetizado ou não), ao escolher um título ou material de sua predileção, inclusive sugerido por seu(s) professor(es), seja capaz de optar por:

a) ler o material confortavelmente, cumpridas as exigências de segurança para o acervo;

b) solicitar a um “contador de histórias” (pedagogo voluntário) que o leia junto com ele;

c) solicitar a um “facilitador de leitura” (pedagogo voluntário) que o oriente para reconhecer letras, sílabas, palavras e frases (individualmente ou em pequenos grupos), caso o deseje, utilizando o material previamente selecionado;

d) pesquisar e aprofundar aspectos encontrados no material escolhido em outras obras e materiais associados (filmes, obras de referência, dicionários especializados, outras publicações análogas, outros idiomas etc.);

e) debater conteúdos pontuais com especialistas convidados;

f) participar de dramatizações, mostras e oficinas de desenho, leitura, escrita e roteiro;

g) ampliar conhecimentos sobre os grandes criadores da literatura universal, nacional e regional, que representam a grandeza da Nona Arte;

h) receber apoio e orientação para desenvolver projetos vinculados à arte sequencial, inclusive a publicação de jornais, livros, folhetos, revistas, fanzines, audiovisuais, blogs etc.

Entre suas atribuições, e naturalmente como parte de sua programação, o HQLab promove (desde 2022), no dia 28 de setembro, o evento “Ceará em Quadrinhos” no auditório da biblioteca da Unifor, reunindo palestrantes vinculados ao ensino e produção de HQs, e almeja:

i) promover outros eventos diversos que contribuam para, além de estimular a leitura e a escrita, incentivar e facilitar o acesso, a inclusão e a participação de seu público em diversas formas de produção de arte e de mídia;

ii) apoiar iniciativas de produção cultural e de inclusão social no âmbito das instituições educacionais públicas e privadas, que se mostrem acessíveis a todas as faixas etárias;

iii) difundir a importância da educação intelectual de crianças e jovens e o respeito aos valores e direitos humanos, ao trabalho, à convivência pacífica e à preservação do meio ambiente, visando a formação de cidadãos conscientes, responsáveis, produtivos, participantes criativos e solidários de seus cotidianos. Tudo isto, grosso modo, estruturado a partir, apenas, do incentivo dirigido à… leitura! O HQLab hoje fica no Meireles, e para uma visita dirigida marque horário usando a hashtag max.krichana na web.

*Comics: que diabéisso? é título de palestra enfocando mestres das HQs entre os séculos XVI e XXI

* Max Krichanã é jornalista, psicopedagogo, indigenista, gibitequeiro e organizador do HQLab-Laboratório de Arte Sequencial-Núcleo de Referência em HQ; publicou em Fortaleza na década de 1990 o periódico Jornal da Praia, com mais de 150 páginas de tiras em quadrinhos de autores cearenses; coautor em publicações que receberam o Prêmio HQMix e editor de folhetos de cordel junto à Tupynanquim Editora; foi homenageado em 2000 como “Personalidade do quadrinho cearense 1999” pelo Estúdio Graphlt com o troféu “Carbono 14”; promoveu diversos eventos, como o “Ceará em Quadrinhos” em 2022 e 2023 no auditório da biblioteca central da Unifor (Universidade de Fortaleza), em homenagem ao dia 28 de setembro, dia do Quadrinho Cearense; é ainda editor de diversos projetos de livros, tradutor, professor de idiomas e estudante de música. Paulistano, é radicado em 4townlazy (Fortaleza) desde 1989.

Gramado-Rio Grande do Sul-2023-Museu Mundo a Vapor e Museu do Automóvel de Canela-quarto dia

Gramado-Rio Grande do Sul-2023-Museu Mundo a Vapor e Museu do Automóvel de Canela-quarto dia

Hoje é dia 13 de abril de 2023. O clima que estava bem quente começa a mudar, chove e tem neblina. Esfria bastante. O gaúcho é um forte por lidar com essas mudanças de clima.

O atendente do Sky Centro Hotel & Spa Jerônimo nos ajuda a comprar ingressos para os museus Vapor e do Automóvel pelo Tchê Ofertas online, vale a pena. Para maiores de 60 anos, é mais em conta. O motorista da Uber, Rafael, é natural de Natal-Rio Grande do Norte, um bom papo. Ele nos deixou na cidade de Canela, ao lado de Gramado.

Vamos ao museu Mundo a Vapor (Dom Luiz Guanella, 1247-Canela). Sempre quis conhecer. Conta a história das máquinas a vapor, o monitor Rian deixa tudo interessante. O museu dentro é colorido, com uma loja de lembrancinhas fantásticas, lanchonete, álcool em gel em todos os lugares, além de uma loja para tirar fotos antigas com roupas e decoração italiana. Do lado de fora, mas dentro do espaço do museu, muitas flores e árvores, e um trenzinho para passeio com fotógrafo na porta.

Vemos a miniatura da primeira máquina a vapor feita por James Watt, patentada em 1769. A primeira máquina de Heron de Alexandria do séc. I foi o primeiro experimento com vapor, era mais uma brincadeira. 1600 anos depois, em 1689, considerada a “era nobre”, aparece a máquina de Thomas Savery. Era usada para retirar água das minas de carvão, hoje é feita de maneira industrial. A pedra de carvão mineral era cinza e tóxica. A máquina era lenta, perigosa e as minas explodiam.

Em 1712, no País de Gales, o motor de Thomas Newcomen conseguia bombear água e mover cargas, porém ainda ineficiente. Já o escocês James Watt (1769), mencionado anteriormente, é considerado o pai da máquina a vapor e deu início à Revolução Industrial. Tirou a bomba e adicionou o volante, a válvula de gaveta e a câmara de condensação. Os cavalos de potência, ele usou como comparação com a máquina dele.

O primeiro veículo motorizado de 1801, um Puffing Devil de Richard Trevithick, da Cornualha, Inglaterra. A história do museu Mundo a Vapor vem de máquinas utilizadas para movimentar as serrarias dos irmãos Omar, Hermes e Benito Urbani. Vemos a primeira máquina criada por Omar aos 16 anos. Benito que teve a ideia de expor as miniaturas. O trem na frente do museu que faz parte do seu layout foi a Locomotiva 721 que sofrera um acidente na estação de Montparnasse em Paris em 1895. O trem andava a 60 km, mas era para estar a 30 km, logo atravessou a estação e ficou pendurado a 12 m. A locomotiva do museu veio de Sorocaba-SP e foi limpa pela Coca-Cola. Eis um museu único no mundo.

Agora o passeio pelos países com suas máquinas. Presenciamos o movimento. Reino Unido. Siderúrgica. Faz a apresentação de fazer um lingote (maleável) de chumbo com estanho. Tocamos nele. Vemos uma termoelétrica em miniatura, queima o combustível e mostra o funcionamento do vapor. Vergalhões e máquina a vapor 12 HP (horsepower). O relógio a vapor, existe outro em Vancouver-Canadá.

Itália. Olaria. Máquina a vapor vertical-18 Hp maromba. Tem argila dentro. Cria o tijolo maciço (10 g) que chega a 7 k no real. Telha prensa para moldar. Telha colonial encaixa uma na outra. Galpão para secagem de tijolos e telhas, depois iam para fornos a 1000º C, a temperatura ideal.

Alemanha. Rolo compressor a 15 km/h. Na década de 1920, na Alemanha, tiveram a ideia de pegar as locomotivas e adaptarem para rolos compressores com 5 m de altura de aço e ferro fundido, inspiração para os tratores na agricultura.

Holanda. Usina eólica. No séc. XII, os moinhos de vento moíam grãos. No séc. XIX, o gerador no moinho: catavento. Na década de 1970, as torres eólicas para até 6 mil residências.

Austrália. Pedreira. Separa pedras como se fazia há 150 anos.

Japão. Usina termoelétrica. Precisa de calor. Queima combustíveis fósseis-carvão mineral-vapor-turbina em movimento gerador ativado.

Estados Unidos. Fábrica de papel. Nova York 1888. Combustível ecológico mais correto: madeira de reflorestamento, queima lenha que gera o vapor, dá movimento e seca o papel. Atualmente, o vapor é usado para secar o papel.

Argentina. Fábrica de ervas (SÓQUE). Rodas de água, produção de chimarrão da árvore de erva mate (Ilex Paraguariensis).

Rússia. Usina Hidrelétrica. Há uma réplica de uma usina em miniatura.

Romênia. Moinho de pedra, roda d´água, moinho para o cuscuz: criação da polenta.

África do Sul. Trator a vapor de 1927 para arar o solo. Lenha e água como combustível.

Canela-RS. Serraria. 1939-indústria madeireira de árvore araucária, hoje protegida por lei. Motor a vapor movimentando a serraria.

Logo depois de volta pelo mundo, pegamos o trenzinho para o passeio final. Não quisemos fotos, mas achei uma boa sugestão para famílias com crianças, uma curtição. Aconselho o museu, fiquei surpreendida com tanto conhecimento e qualidade.

Algo a acrescentar: em 1963, a ferrovia foi extinta na região da serra gaúcha. Percorria Porto Alegre (POA-capital do estado) a Canella e alcançava toda a serra, a rota era POA-Novo Hamburgo-Taquara-Gramado-Várzea Grande-Canella (à época “Canela” era escrita assim).

Saímos do museu e fomos caminhando 1 km até o Museu do Automóvel de Canela. No caminho, almoçamos em um restaurante na beira da Avenida das Hortênsias, 3877: Maison Bercari Restaurante e Fondue, o buffet a R$29,90, preço maravilhoso. Comida caseira boa e de sobremesa: sagu e gelatina de uva com creme, delícia! Lá encontramos um casal de Teresina-Piauí, também turistas. Gente do Brasil todo na linda serra.

Entramos no Museu do Automóvel de Canela, pequeno e fofo (Parque das Nações, 281-Canela). Validamos o ingresso primeiro. Dão cartões para consumo. Na primeira sala, carros antigos como Buick 1925, Pontiac 1931, Ford T 1924, Marmon 1930 etc. A Ford foi a primeira fabricante de carros do Brasil (1919). Na segunda sala, Hudson 1947, Oldsmobile e Cadillac de 1959, Mercedes-Benz 1956, Democrata 1968, dentre outros. Ter visto o Willys Itamaraty Executivo 1968, modelo limusine, que serviu a sete presidentes da República do Brasil e transportou o príncipe Akihito e a princesa Michiko do Japão, a ex-primeira ministra Indira Gandhi da Índia e a rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Foi gostoso ter visto um VW Karmann-Ghia 1964, objeto de muitas histórias do meu pai, já que teve esse carro. Já o Fusca 1967 e a Kombi 1973 são sempre minhas paixões. Que museu lindo, colorido, com carros queridos nossos. Lembrei do VW UP e o Gol, carros que amo, mas já não são mais fabricados, logo em breve estarão no museu. Uma tristeza.

De volta ao hotel, pegamos uma motorista da Uber Paula, de Fortaleza-Ceará. Dia completo.

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Hoje é dia 06 de dezembro de 2022. O café da manhã do hotel Grand Mercure Boa Viagem é repleto de iguarias. De novidade, dois bolos regionais: o Souza Leão e o de rolo. Bem doces, eu diria que tem que provar. O de rolo é o xodó dos pernambucanos, é Patrimônio Cultural e Imaterial do estado. Parece um rocambole fino, aliás, dizer que é rocambole recheado de goiabada enfurece os pernambucanos. Na verdade, é de uma delicadeza ímpar que o nosso paladar nunca esquece. No refeitório do hotel, o explicativo nos informa que surgiu como uma adaptação do bolo português “Colchão de Noiva”, recheado com nozes e amêndoas. Chegando ao estado, as sinhás (nome como os escravos chamavam as patroas, “sinhá” é originário de “senhora”) afinaram camadas e preencheram com goiabada, sucesso que foi repassado por gerações. Já o Souza Leão tem como ingredientes: massa de mandioca, leite de coco, água, gemas de ovo, açúcar, manteiga e sal. Preciosidades pernambucanas.

Depois de tantas delícias, voltei ao calçadão de Boa Viagem para mais uma caminhada. Gosto de observar o ambiente. Vamos lá: carrinho de venda de abacaxi, senhores jogando dominó, os “bebinhos” tomando a sua cachaça/cana, muitos andantes e as piscinas no mar. O mar convidativo, fiquei arrependida de não ter levado roupa de banho. A praia relativamente limpa. Andar no calçadão é uma glória. Há aparelhos de fazer ginástica em aço com tela de propaganda ao lado se movimentando, muito interessante. O caminho é sombreado na maioria das vezes, muitos coqueiros embelezando a paisagem. Existe o projeto Salva-Arte 2021-Cores Inclusivas, isto é, os antigos postos salva-vidas caíram em abandono e foram reinseridos na paisagem turística como arte. São coloridos e pintados, lindos. Várias lixeiras verdes de plástico no calçadão limpo. A faixa de areia da praia é grande. Nas minhas caminhadas, localizei o Parque dos Coqueiros, uma iniciativa vencedora, frutos e ideia de um grande abnegado em defesa da praia de Boa Viagem: Edson Campos e Silva. No dia 21 de setembro de 1999, um pequeno grupo de colaboradores começou o plantio de coqueiros, tornando mais verde a praia. Sensacional. Também percebi não haver a Zona Azul para os motoristas. Fiquei feliz em saber que podem estacionar sem pagar nada. Parabéns, Recife!

O passeio da manhã foi para o Centro Histórico ou Recife Antigo, dos tempos de colonização portuguesa que começou no séc. XVI e sob a influência dos anos de domínio holandês(1630 a1654). O taxista Flávio nos dá dicas da cidade. E eu vejo um caminhãozinho limpador de calçada, além de um peixe decorativo de arame na calçada para se colocar garrafas PET dentro. Parabéns, Recife!

Descemos no Recife Antigo e nos dirigimos à Rua do Bom Jesus ou Rua dos Judeus. Na av. Alfredo Lisboa se situa a Caixa Cultural Recife, prédio do antigo Bank of London & South America Limited, localizada em frente ao Marco Zero. À época dos holandeses, a rua do Bom Jesus se chamava Rua do Bode. O intuito é conhecer a famosa primeira sinagoga do Brasil Kahal Zur Israel com museu (Rua do Bom Jesus, 197/203).

A visita é um banho de história. Fundada em 1636, é museu desde o ano 2000. Em 1593 chega a Olinda o Visitador do Santo Ofício, Heitor Furtado de Mendonça, ou seja, o representante da Inquisição da Igreja Católica. Seu momento mais vergonhoso e violento. Com a chegada dele, os judeus sofrem perseguição. Bento Teixeira, o autor da Prosopopeia, a primeira obra literária escrita no Brasil foi um exemplo. Outra ilustre da época a ser perseguida foi Branca Dias, a primeira pessoa a cuidar da educação de mulheres no país (escola de prendas domésticas). Era uma das poucas que sabia ler. Triste que ela foi denunciada por uma aluna que desconfiava de suas práticas judaicas disfarçadas. Era casada com Diogo Fernandes, um dos mais importantes conhecedores do fabrico açucareiro. Tinham engenho em Camaragibe e uma casa em Olinda. Em www.aldeiadagente.com.br se aprende muito sobre essa figura marcante. Só lembrando que a cultura canavieira e a comercialização do produto fizeram de Pernambuco uma próspera capitania.

Na Rua dos Judeus residiam aqueles que tinham alcançado as melhores condições econômicas. Nessas casas, a parte residencial se localizava no andar superior, numa delas a sinagoga Zur Israel. Em 1637 o comércio funcionava ali, e moravam senhores de engenho, profissionais liberais etc, as atividades econômicas floresciam.

Em 1654, por conta de perseguições, houve a dispersão dos judeus que foram embora para Amsterdã, Nova York, Caribe e sertão brasileiro.

No segundo andar se encontra a sinagoga. Os símbolos do judaísmo estão lá: a Torá, a Bíblia Hebraica; a Arca da Aliança, a principal representação do Sagrado; NER TAMID, a lâmpada de óleo simbolizando a luz espiritual que a Casa de Israel tem a missão de difundir pelo mundo etc.

Também a exposição do mestre holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) estão presentes, são explicativos das telas com temas judeus em cavaletes. São eles: “O Casamento de Sansão”, de 1638; “A Noiva Judia”, de 1665; “O Retrato de um Ancião”, de 1645, dentre outras obras menos conhecidas do pintor barroco. O bairro judeu Vlooienburg na Amsterdã de 1625 fez parte do repertório visual do pintor. A exposição foi organizada pelo Centro Sefarad de Israel e apoiado pela Embaixada da Espanha no Brasil e Instituto Cervantes de Recife.

Gostei da exposição da medalha em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordeaux na França durante o período salazarista. Salvou mais de 30 mil pessoas do nazismo durante a II Guerra Mundial, dentre eles, 11 mil judeus. Por isso foi reconhecido pelo museu YAD VASHEM em Jerusalém, Israel. Foi emocionante para quem estuda a II Guerra Mundial como eu ler um pouco da história de tão corajoso ser humano. Estão expostos outros símbolos judaicos como a Menorá (representa a luz da Torá), o Sidur (livro de rezas), o Cálice, dentre outros.

A sinagoga foi uma baita visitação. No Recife Antigo se encontram o Centro de Artesanato, cafés e restaurantes. Vale a pena conhecer, só aconselho ficar alerta, pois não é área das mais seguras.

Em breve conto mais…