Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Dia 6 de outubro de 2023, sexta-feira. Estamos no hostal Terracota. A dormida foi reparadora e o friozinho pela manhã agradável. Deserto é assim mesmo: calor e frio no mesmo dia. Outubro é um mês bom para estar lá. Compramos as passagens do Caetano Alencar da agência de turismo Grandes Viagens em Fortaleza, dica também da Sandra e do Max. O Caetano tem muita experiência em viagens pela América do Sul.

Voltando ao hotel, no momento só tem a gente de hóspedes. Detalhe: vi recente que colocaram a placa com o nome da pousada, que bom. A atendente Yobi é boliviana, um doce de pessoa. O irmão da Sarita, proprietária, mora ao lado em uma casa cujo muro é de galhos secos, bem interessante. Vamos ao café da manhã: tudo é servido na mesa de pouco, mas suficiente: banana, pedaços de maçã e laranja, presunto, queijo, salame, biscoitos, bolo, café e leite, sucrilhos, iogurte, ovos mexidos, um desayuno rico. Aprovado. Depois, ficamos admirando o local, um sítio em plena natureza, um oásis no deserto. Sempre bom mascar as folhas de coca, pois a altitude de 2407 m não brinca, para respirar é custoso. Na Internet vi 2500 m.

E fomos passear: Praça de São Pedro, onde está a prefeitura (Municipalidade) e os Carabineros do Chile (Polícia Nacional). A feirinha é toda colorida com artesanato, comidas, bandeirinhas a enfeitar as árvores, demonstrando ser uma cidade pacata do interior. Não preciso dizer que uma banquinha tinha a bandeira do Rio Grande do Sul: é uma gaúcha casada com um rapaz nativo e vende doces e salgados brasileiros. Entramos na Igreja Matriz, de 1557, com chão e teto de madeira e branca por fora. Simples e rústica. Rumamos ao local onde se localiza a Feira Artesanal, muitas bancas com artesanatos diversos, ótimo para as lembrancinhas. Amo o artesanato andino, produtos de lã de alpaca, bolsinhas, tudo é colorido.

Falando com a Yobi, ela nos deu dica de restaurantes onde os nativos comem e lá fomos nós após a feira de artesanato. Saindo pelos fundos do local, andamos um pouco e encontramos restaurantes, estilo quiosques, um ao lado do outro. Gostamos do Delícias de Cañaveral e pedimos: frango ao forno com batatas fritas e salada mista a 4 mil pesos (uns R$22,00), além de suco de abacaxi e de morango. O de abacaxi da fruta foi o melhor que tomei até hoje. Muitas opções de comida: se pedir a entrada, mais o prato principal e dois agregados, sai 6 mil pesos (uns R$33,00). Para nós, seria muita comida.

Esses restaurantes do povo da terra são os imperdíveis, na minha opinião. A gente observa e conhece os costumes locais. Há gatos e cachorros ao lado, percebi muitos cachorros pelas ruas de São Pedro. Pelo menos, as pessoas cuidam deles, colocam água na porta da loja e dão comida. Ao meu lado, sempre aparece um ou outro, afinal amo animais. Segundo o garçom, existem mais cachorros do que gente. Sem dúvida, o rapaz tem sendo de humor.

Pela cidade, há canaletas de onde a água vinda da Cordilheira dos Andes passa. Lembrei de Mendoza na Argentina (do lado oposto da cordilheira). Em São Pedro, chove muito pouco por ano, a chuva vem da Bolívia, país fronteiriço, mas é algo raro. Os moradores molham a rua, as calçadas e os muros, tamanho o clima seco.

Passamos na pracinha de novo, depois do almoço, um calor de rachar e um sol perigoso fica amenizado debaixo das árvores pimento e algarrobo.

Recebemos o aviso via fone (do chip do Chile que ganhei do Levi da agência de turismo Sol Andino) que o parque Valle da la Luna estava fechado, devido aos ventos de 60 km/h, os quais trazem tempestades de areia. Que fato inusitado! Ruim para a saúde dos olhos e dos ouvidos. Logo, o passeio da tarde foi cancelado. Vamos então aos Museus do Meteorito e do Padre Gustavo Le Paige. No caminho, nos encontramos com o Alan, jovem aventureiro de SP, na fila do banco (uma porta para tirar dinheiro). Dou a dica do Museu do Meteorito e ele dá a dica de umas empanadas incríveis: Empório Andino na Caracoles, 151. Ficamos sonhando com o jantar da noite.

Chegamos no Museu do Meteorito, na rua Tocopilla (nº 201), direto, porém estava fechado, que pena. O horário é das 18 h às 21 h. Expõe 77 meteoritos encontrados no deserto. Acabamos não indo. O Alan foi e gostou, o lugar é pequeno e único.

As cercas das casas feitas de galhos e as ruas de pedregulho fazem de São Pedro um lugar diferente. Continuamos caminhando, quero conhecer o museu Gustavo Le Paige. Antes era no centro, na pracinha, porém mudou para bem mais longe e sem sinalização, as ruas sem placas tornaram a dificuldade maior. Merece ser mais divulgado entre os turistas, nós fomos, porque gostamos de museus.

Quem era Gustavo Le Paige? Jesuíta, arqueólogo, de origem belga. Escavou cemitérios arqueológicos pré-hispânicos. Estão expostos diversos tipos de cerâmicas: polida, manifestação material dos povos pré-hispânicos; monocromática, de pastas e paredes muito finas com tratamento de superfície polida, dando a impressão de estar lustrada; vermelhas; negras etc. Domesticação das lhamas, cestos do Atacama, instrumentos musicais como flautas, trompetas, ocarinas, gorros com bandanas e calota craniana etc. Prática fumatória e inaladora: os indígenas consumiam vegetais com conteúdos alcaloides capazes de gerar alucinações e alterar o estado de consciência em 200 d. C. Túnicas, bolsas com estampas da região. Minerais de cobre usados como oferendas nos rituais religiosos e para lapidação. Mostra de tapeçaria enlaçada e com fibra de alpaca. Túnica Tiawanaku (ou Tiuanaco-sítio arqueológico pré-colombiano no oeste da Bolívia, perto do lago Titicaca) com estampa de pássaro antropomorfizado. Linda! Museu pequeno, situado em contêineres, mas muito válida a visita. Com informação para cegos. Foi uma boa caminhada.

A rua Caracoles é a principal do centro, o “point” de comércio e agências, lojas, restaurantes, me lembrei da rua Broadway em Canoa Quebrada, Ceará. Uma delícia caminhar e ver o movimento seja de dia, seja de noite, lógico que à noite o clima frio é sempre mais aprazível.

O Levi nos disse que os ventos estavam em 53 km/h. O passeio do Vale da Lua foi adiado mesmo. Então decidimos pelas Termas de Puritama no sábado: 95 mil pesos: excursão e ticket de entrada para ambos, em reais R$525,35. Na sexta mesmo à noite, escolhemos o passeio do Tour Astronômico, 50 mil pesos chilenos para ambos: R$276,50. Era para ser às 21 h, mas por conta do tempo nublado só saímos às 21h30. A gente ficou olhando o céu, esperando as nuvens se dissiparem.

Continuaremos em breve com passeios incríveis.

“Quadrinhos”? mas que diabéisso?

“Quadrinhos”? Mas que diabéisso?*

Por Max Krichanã*

A biblioteca laboratório HQLab, que é o embrião do que um dia seja o museu do Instituto de Educação e Pesquisa em Arte Sequencial, propõe-se a estimular pessoas de todas as idades a, basicamente, ler — contudo diferenciando-se de outras bibliotecas por ser referência especializada em HQs e buscar tornar a leitura uma atividade de vários modos interessante e produtiva, não somente como fim em si mesma, mas a partir da utilização dirigida do acervo (em mais de 5 idiomas) disponível.

HISTÓRICO

O HQLab teve início ao ser instalado, em maio de 1998, como acervo anexo da biblioteca George Washington do Instituto Brasil-Estados Unidos no Ceará (IBEU-CE), na sua sede da Aldeota, sob a denominação “Biblioteca de Arte Sequencial Richard Felton Outcault”, tanto em homenagem ao criador da comic strip Hogan’s Alley (que estreou em jornais de Nova York em 1896, destacando o personagem Yellow Kid), como para justificar sua participação nas atividades culturais de uma escola de idiomas. Em sua inauguração, o projeto recebeu a visita do jornalista, quadrinista e escritor Álvaro de Moya, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP, que afirma ser aquela data — 1896 — o marco do “nascimento” do gênero comic art, equiparando a idade dos quadrinhos à do cinema. Notável autoridade brasileira em HQs (pesquise sua biografia!), Moya participou, junto a outros palestrantes, de uma semana de atividades nas dependências do IBEU-CE, incluindo palestras, exposições e mostras, a exibição de curtas e documentários, a performance de atores, músicos e humoristas e uma feira de gibis, que atraíram a atenção de um público variado e atento à inédita programação.

A efígie do personagem Bolão, saída da pena do cartunista cearense Luiz Sá (1907-1979) — que foi para o Rio de Janeiro, na década de 1950, expor seus desenhos e trabalhar com cinema de animação e publicidade, criando a trinca de personagens Reco-Reco, Bolão e Azeitona para a revista O Tico-Tico — tornou-se a identidade formal da logomarca da BASRFO. Trata-se de uma homenagem a um artista da “terrinha”, cujos traços em curva são há mais de 70 anos reconhecidos e admirados em todo o Brasil. Luiz Sá, nascido num 28 de setembro, fez a data tornar-se o “Dia do Quadrinho Cearense”, por lei estadual exarada em 2017 pelo mandato do deputado Renato Roseno (PSOL).

Neste lançamento e enquanto perduraram as suas atividades abertas ao público, a BASRFO (que ficou conhecida como “Gibiteca do IBEU”) destacou-se por mobilizar diversas comunidades culturais da cidade, atraindo, além de quadrinistas e cartunistas, também ilustradores, designers, fanzineiros, humoristas, videomakers, cineastas, titereiros, atores, músicos, arquitetos, decoradores, estudante e outros interessados na Nona Arte — além, é claro, da mídia.

O aspecto central desta iniciativa foi disponibilizar, no contexto institucional do IBEU-CE, em ambiente adequadamente estruturado para a fruição pública, um acervo contendo milhares de edições de revistas, livros, coleções, obras de referência e materiais em áudio e vídeo, em diversos idiomas, associados especificamente aos comics ou “quadrinhos” ou, como grafou o artista norte-americano criador da personagem The Spirit Will Eisner, à “arte sequencial”.

Em 1999, uma avaliação produzida junto à opinião dos consulentes pela diretoria do IBEU-CE e funcionários da biblioteca George Washington demonstrou que a “seção de quadrinhos” havia se integrado e dinamizado a rotina da instituição, fidelizando um público que se dedicava assiduamente a conhecer o amplo espectro de histórias, abordagens e análises oferecidos pelo inacreditável acervo.

Assim, no intervalo 1998-2000, foram promovidos lançamentos de livros e folhetos de cordel, de fanzines e revistas em quadrinhos, e realizaram-se oficinas, exposições, palestras, recitais e debates, concretizando encontros diversos e toda uma difusão de conhecimentos, especialmente a partir de produtores e produtos culturais locais. O planejamento adequado destes eventos levou a sua realização a custos mínimos. Em maio de 1999, o evento Quadrinhos em Festa no IBEU comemorou o primeiro aniversário da biblioteca com uma semana ininterrupta de eventos, apresentando sessões de autógrafos em lançamentos, exibição de documentários e animações, performances de artistas, atores, humoristas e músicos, palestras, oficinas, exposições e a distribuição do fanzine bilíngue Yellowzine, editado junto à Tupynanquim Editora, como forma de homenagear os artistas cearenses do traço, do gesto, da palavra, da musicalidade e da imagem — em sua maior parte criadores que se juntaram à iniciativa do projeto para colaborar com o seu bom desempenho.

Após julho de 2000, a biblioteca laboratório deixou o IBEU-CE e passou a atender somente a estudiosos e pesquisadores, limitando seu acesso a especialistas, sem que o acervo tenha deixado de receber acréscimos. Percebeu-se a necessidade de desenvolver o foco potencial planejado para a iniciativa, aperfeiçoando sua estrutura e organização, de modo a permitir que o projeto prime por sua utilidade, interagindo pedagogicamente com os usuários de toda a rede de ensino, pública e privada.

JUSTIFICATIVA

A atualização e conservação do acervo e o incentivo às atividades do HQLab visam, portanto, a disponibilizar conhecimentos em um contexto dirigido, com o apoio de monitores pedagogos, onde o consulente (criança, jovem, adulto, idoso, alfabetizado ou não), ao escolher um título ou material de sua predileção, inclusive sugerido por seu(s) professor(es), seja capaz de optar por:

a) ler o material confortavelmente, cumpridas as exigências de segurança para o acervo;

b) solicitar a um “contador de histórias” (pedagogo voluntário) que o leia junto com ele;

c) solicitar a um “facilitador de leitura” (pedagogo voluntário) que o oriente para reconhecer letras, sílabas, palavras e frases (individualmente ou em pequenos grupos), caso o deseje, utilizando o material previamente selecionado;

d) pesquisar e aprofundar aspectos encontrados no material escolhido em outras obras e materiais associados (filmes, obras de referência, dicionários especializados, outras publicações análogas, outros idiomas etc.);

e) debater conteúdos pontuais com especialistas convidados;

f) participar de dramatizações, mostras e oficinas de desenho, leitura, escrita e roteiro;

g) ampliar conhecimentos sobre os grandes criadores da literatura universal, nacional e regional, que representam a grandeza da Nona Arte;

h) receber apoio e orientação para desenvolver projetos vinculados à arte sequencial, inclusive a publicação de jornais, livros, folhetos, revistas, fanzines, audiovisuais, blogs etc.

Entre suas atribuições, e naturalmente como parte de sua programação, o HQLab promove (desde 2022), no dia 28 de setembro, o evento “Ceará em Quadrinhos” no auditório da biblioteca da Unifor, reunindo palestrantes vinculados ao ensino e produção de HQs, e almeja:

i) promover outros eventos diversos que contribuam para, além de estimular a leitura e a escrita, incentivar e facilitar o acesso, a inclusão e a participação de seu público em diversas formas de produção de arte e de mídia;

ii) apoiar iniciativas de produção cultural e de inclusão social no âmbito das instituições educacionais públicas e privadas, que se mostrem acessíveis a todas as faixas etárias;

iii) difundir a importância da educação intelectual de crianças e jovens e o respeito aos valores e direitos humanos, ao trabalho, à convivência pacífica e à preservação do meio ambiente, visando a formação de cidadãos conscientes, responsáveis, produtivos, participantes criativos e solidários de seus cotidianos. Tudo isto, grosso modo, estruturado a partir, apenas, do incentivo dirigido à… leitura! O HQLab hoje fica no Meireles, e para uma visita dirigida marque horário usando a hashtag max.krichana na web.

*Comics: que diabéisso? é título de palestra enfocando mestres das HQs entre os séculos XVI e XXI

* Max Krichanã é jornalista, psicopedagogo, indigenista, gibitequeiro e organizador do HQLab-Laboratório de Arte Sequencial-Núcleo de Referência em HQ; publicou em Fortaleza na década de 1990 o periódico Jornal da Praia, com mais de 150 páginas de tiras em quadrinhos de autores cearenses; coautor em publicações que receberam o Prêmio HQMix e editor de folhetos de cordel junto à Tupynanquim Editora; foi homenageado em 2000 como “Personalidade do quadrinho cearense 1999” pelo Estúdio Graphlt com o troféu “Carbono 14”; promoveu diversos eventos, como o “Ceará em Quadrinhos” em 2022 e 2023 no auditório da biblioteca central da Unifor (Universidade de Fortaleza), em homenagem ao dia 28 de setembro, dia do Quadrinho Cearense; é ainda editor de diversos projetos de livros, tradutor, professor de idiomas e estudante de música. Paulistano, é radicado em 4townlazy (Fortaleza) desde 1989.

Gramado-Rio Grande do Sul-2023-Museu Mundo a Vapor e Museu do Automóvel de Canela-quarto dia

Gramado-Rio Grande do Sul-2023-Museu Mundo a Vapor e Museu do Automóvel de Canela-quarto dia

Hoje é dia 13 de abril de 2023. O clima que estava bem quente começa a mudar, chove e tem neblina. Esfria bastante. O gaúcho é um forte por lidar com essas mudanças de clima.

O atendente do Sky Centro Hotel & Spa Jerônimo nos ajuda a comprar ingressos para os museus Vapor e do Automóvel pelo Tchê Ofertas online, vale a pena. Para maiores de 60 anos, é mais em conta. O motorista da Uber, Rafael, é natural de Natal-Rio Grande do Norte, um bom papo. Ele nos deixou na cidade de Canela, ao lado de Gramado.

Vamos ao museu Mundo a Vapor (Dom Luiz Guanella, 1247-Canela). Sempre quis conhecer. Conta a história das máquinas a vapor, o monitor Rian deixa tudo interessante. O museu dentro é colorido, com uma loja de lembrancinhas fantásticas, lanchonete, álcool em gel em todos os lugares, além de uma loja para tirar fotos antigas com roupas e decoração italiana. Do lado de fora, mas dentro do espaço do museu, muitas flores e árvores, e um trenzinho para passeio com fotógrafo na porta.

Vemos a miniatura da primeira máquina a vapor feita por James Watt, patentada em 1769. A primeira máquina de Heron de Alexandria do séc. I foi o primeiro experimento com vapor, era mais uma brincadeira. 1600 anos depois, em 1689, considerada a “era nobre”, aparece a máquina de Thomas Savery. Era usada para retirar água das minas de carvão, hoje é feita de maneira industrial. A pedra de carvão mineral era cinza e tóxica. A máquina era lenta, perigosa e as minas explodiam.

Em 1712, no País de Gales, o motor de Thomas Newcomen conseguia bombear água e mover cargas, porém ainda ineficiente. Já o escocês James Watt (1769), mencionado anteriormente, é considerado o pai da máquina a vapor e deu início à Revolução Industrial. Tirou a bomba e adicionou o volante, a válvula de gaveta e a câmara de condensação. Os cavalos de potência, ele usou como comparação com a máquina dele.

O primeiro veículo motorizado de 1801, um Puffing Devil de Richard Trevithick, da Cornualha, Inglaterra. A história do museu Mundo a Vapor vem de máquinas utilizadas para movimentar as serrarias dos irmãos Omar, Hermes e Benito Urbani. Vemos a primeira máquina criada por Omar aos 16 anos. Benito que teve a ideia de expor as miniaturas. O trem na frente do museu que faz parte do seu layout foi a Locomotiva 721 que sofrera um acidente na estação de Montparnasse em Paris em 1895. O trem andava a 60 km, mas era para estar a 30 km, logo atravessou a estação e ficou pendurado a 12 m. A locomotiva do museu veio de Sorocaba-SP e foi limpa pela Coca-Cola. Eis um museu único no mundo.

Agora o passeio pelos países com suas máquinas. Presenciamos o movimento. Reino Unido. Siderúrgica. Faz a apresentação de fazer um lingote (maleável) de chumbo com estanho. Tocamos nele. Vemos uma termoelétrica em miniatura, queima o combustível e mostra o funcionamento do vapor. Vergalhões e máquina a vapor 12 HP (horsepower). O relógio a vapor, existe outro em Vancouver-Canadá.

Itália. Olaria. Máquina a vapor vertical-18 Hp maromba. Tem argila dentro. Cria o tijolo maciço (10 g) que chega a 7 k no real. Telha prensa para moldar. Telha colonial encaixa uma na outra. Galpão para secagem de tijolos e telhas, depois iam para fornos a 1000º C, a temperatura ideal.

Alemanha. Rolo compressor a 15 km/h. Na década de 1920, na Alemanha, tiveram a ideia de pegar as locomotivas e adaptarem para rolos compressores com 5 m de altura de aço e ferro fundido, inspiração para os tratores na agricultura.

Holanda. Usina eólica. No séc. XII, os moinhos de vento moíam grãos. No séc. XIX, o gerador no moinho: catavento. Na década de 1970, as torres eólicas para até 6 mil residências.

Austrália. Pedreira. Separa pedras como se fazia há 150 anos.

Japão. Usina termoelétrica. Precisa de calor. Queima combustíveis fósseis-carvão mineral-vapor-turbina em movimento gerador ativado.

Estados Unidos. Fábrica de papel. Nova York 1888. Combustível ecológico mais correto: madeira de reflorestamento, queima lenha que gera o vapor, dá movimento e seca o papel. Atualmente, o vapor é usado para secar o papel.

Argentina. Fábrica de ervas (SÓQUE). Rodas de água, produção de chimarrão da árvore de erva mate (Ilex Paraguariensis).

Rússia. Usina Hidrelétrica. Há uma réplica de uma usina em miniatura.

Romênia. Moinho de pedra, roda d´água, moinho para o cuscuz: criação da polenta.

África do Sul. Trator a vapor de 1927 para arar o solo. Lenha e água como combustível.

Canela-RS. Serraria. 1939-indústria madeireira de árvore araucária, hoje protegida por lei. Motor a vapor movimentando a serraria.

Logo depois de volta pelo mundo, pegamos o trenzinho para o passeio final. Não quisemos fotos, mas achei uma boa sugestão para famílias com crianças, uma curtição. Aconselho o museu, fiquei surpreendida com tanto conhecimento e qualidade.

Algo a acrescentar: em 1963, a ferrovia foi extinta na região da serra gaúcha. Percorria Porto Alegre (POA-capital do estado) a Canella e alcançava toda a serra, a rota era POA-Novo Hamburgo-Taquara-Gramado-Várzea Grande-Canella (à época “Canela” era escrita assim).

Saímos do museu e fomos caminhando 1 km até o Museu do Automóvel de Canela. No caminho, almoçamos em um restaurante na beira da Avenida das Hortênsias, 3877: Maison Bercari Restaurante e Fondue, o buffet a R$29,90, preço maravilhoso. Comida caseira boa e de sobremesa: sagu e gelatina de uva com creme, delícia! Lá encontramos um casal de Teresina-Piauí, também turistas. Gente do Brasil todo na linda serra.

Entramos no Museu do Automóvel de Canela, pequeno e fofo (Parque das Nações, 281-Canela). Validamos o ingresso primeiro. Dão cartões para consumo. Na primeira sala, carros antigos como Buick 1925, Pontiac 1931, Ford T 1924, Marmon 1930 etc. A Ford foi a primeira fabricante de carros do Brasil (1919). Na segunda sala, Hudson 1947, Oldsmobile e Cadillac de 1959, Mercedes-Benz 1956, Democrata 1968, dentre outros. Ter visto o Willys Itamaraty Executivo 1968, modelo limusine, que serviu a sete presidentes da República do Brasil e transportou o príncipe Akihito e a princesa Michiko do Japão, a ex-primeira ministra Indira Gandhi da Índia e a rainha Elizabeth II da Inglaterra.

Foi gostoso ter visto um VW Karmann-Ghia 1964, objeto de muitas histórias do meu pai, já que teve esse carro. Já o Fusca 1967 e a Kombi 1973 são sempre minhas paixões. Que museu lindo, colorido, com carros queridos nossos. Lembrei do VW UP e o Gol, carros que amo, mas já não são mais fabricados, logo em breve estarão no museu. Uma tristeza.

De volta ao hotel, pegamos uma motorista da Uber Paula, de Fortaleza-Ceará. Dia completo.

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Viagem sentimental a Recife-Pernambuco-dezembro de 2022-segundo dia

Hoje é dia 06 de dezembro de 2022. O café da manhã do hotel Grand Mercure Boa Viagem é repleto de iguarias. De novidade, dois bolos regionais: o Souza Leão e o de rolo. Bem doces, eu diria que tem que provar. O de rolo é o xodó dos pernambucanos, é Patrimônio Cultural e Imaterial do estado. Parece um rocambole fino, aliás, dizer que é rocambole recheado de goiabada enfurece os pernambucanos. Na verdade, é de uma delicadeza ímpar que o nosso paladar nunca esquece. No refeitório do hotel, o explicativo nos informa que surgiu como uma adaptação do bolo português “Colchão de Noiva”, recheado com nozes e amêndoas. Chegando ao estado, as sinhás (nome como os escravos chamavam as patroas, “sinhá” é originário de “senhora”) afinaram camadas e preencheram com goiabada, sucesso que foi repassado por gerações. Já o Souza Leão tem como ingredientes: massa de mandioca, leite de coco, água, gemas de ovo, açúcar, manteiga e sal. Preciosidades pernambucanas.

Depois de tantas delícias, voltei ao calçadão de Boa Viagem para mais uma caminhada. Gosto de observar o ambiente. Vamos lá: carrinho de venda de abacaxi, senhores jogando dominó, os “bebinhos” tomando a sua cachaça/cana, muitos andantes e as piscinas no mar. O mar convidativo, fiquei arrependida de não ter levado roupa de banho. A praia relativamente limpa. Andar no calçadão é uma glória. Há aparelhos de fazer ginástica em aço com tela de propaganda ao lado se movimentando, muito interessante. O caminho é sombreado na maioria das vezes, muitos coqueiros embelezando a paisagem. Existe o projeto Salva-Arte 2021-Cores Inclusivas, isto é, os antigos postos salva-vidas caíram em abandono e foram reinseridos na paisagem turística como arte. São coloridos e pintados, lindos. Várias lixeiras verdes de plástico no calçadão limpo. A faixa de areia da praia é grande. Nas minhas caminhadas, localizei o Parque dos Coqueiros, uma iniciativa vencedora, frutos e ideia de um grande abnegado em defesa da praia de Boa Viagem: Edson Campos e Silva. No dia 21 de setembro de 1999, um pequeno grupo de colaboradores começou o plantio de coqueiros, tornando mais verde a praia. Sensacional. Também percebi não haver a Zona Azul para os motoristas. Fiquei feliz em saber que podem estacionar sem pagar nada. Parabéns, Recife!

O passeio da manhã foi para o Centro Histórico ou Recife Antigo, dos tempos de colonização portuguesa que começou no séc. XVI e sob a influência dos anos de domínio holandês(1630 a1654). O taxista Flávio nos dá dicas da cidade. E eu vejo um caminhãozinho limpador de calçada, além de um peixe decorativo de arame na calçada para se colocar garrafas PET dentro. Parabéns, Recife!

Descemos no Recife Antigo e nos dirigimos à Rua do Bom Jesus ou Rua dos Judeus. Na av. Alfredo Lisboa se situa a Caixa Cultural Recife, prédio do antigo Bank of London & South America Limited, localizada em frente ao Marco Zero. À época dos holandeses, a rua do Bom Jesus se chamava Rua do Bode. O intuito é conhecer a famosa primeira sinagoga do Brasil Kahal Zur Israel com museu (Rua do Bom Jesus, 197/203).

A visita é um banho de história. Fundada em 1636, é museu desde o ano 2000. Em 1593 chega a Olinda o Visitador do Santo Ofício, Heitor Furtado de Mendonça, ou seja, o representante da Inquisição da Igreja Católica. Seu momento mais vergonhoso e violento. Com a chegada dele, os judeus sofrem perseguição. Bento Teixeira, o autor da Prosopopeia, a primeira obra literária escrita no Brasil foi um exemplo. Outra ilustre da época a ser perseguida foi Branca Dias, a primeira pessoa a cuidar da educação de mulheres no país (escola de prendas domésticas). Era uma das poucas que sabia ler. Triste que ela foi denunciada por uma aluna que desconfiava de suas práticas judaicas disfarçadas. Era casada com Diogo Fernandes, um dos mais importantes conhecedores do fabrico açucareiro. Tinham engenho em Camaragibe e uma casa em Olinda. Em www.aldeiadagente.com.br se aprende muito sobre essa figura marcante. Só lembrando que a cultura canavieira e a comercialização do produto fizeram de Pernambuco uma próspera capitania.

Na Rua dos Judeus residiam aqueles que tinham alcançado as melhores condições econômicas. Nessas casas, a parte residencial se localizava no andar superior, numa delas a sinagoga Zur Israel. Em 1637 o comércio funcionava ali, e moravam senhores de engenho, profissionais liberais etc, as atividades econômicas floresciam.

Em 1654, por conta de perseguições, houve a dispersão dos judeus que foram embora para Amsterdã, Nova York, Caribe e sertão brasileiro.

No segundo andar se encontra a sinagoga. Os símbolos do judaísmo estão lá: a Torá, a Bíblia Hebraica; a Arca da Aliança, a principal representação do Sagrado; NER TAMID, a lâmpada de óleo simbolizando a luz espiritual que a Casa de Israel tem a missão de difundir pelo mundo etc.

Também a exposição do mestre holandês Rembrandt van Rijn (1606-1669) estão presentes, são explicativos das telas com temas judeus em cavaletes. São eles: “O Casamento de Sansão”, de 1638; “A Noiva Judia”, de 1665; “O Retrato de um Ancião”, de 1645, dentre outras obras menos conhecidas do pintor barroco. O bairro judeu Vlooienburg na Amsterdã de 1625 fez parte do repertório visual do pintor. A exposição foi organizada pelo Centro Sefarad de Israel e apoiado pela Embaixada da Espanha no Brasil e Instituto Cervantes de Recife.

Gostei da exposição da medalha em homenagem a Aristides de Sousa Mendes, cônsul de Portugal em Bordeaux na França durante o período salazarista. Salvou mais de 30 mil pessoas do nazismo durante a II Guerra Mundial, dentre eles, 11 mil judeus. Por isso foi reconhecido pelo museu YAD VASHEM em Jerusalém, Israel. Foi emocionante para quem estuda a II Guerra Mundial como eu ler um pouco da história de tão corajoso ser humano. Estão expostos outros símbolos judaicos como a Menorá (representa a luz da Torá), o Sidur (livro de rezas), o Cálice, dentre outros.

A sinagoga foi uma baita visitação. No Recife Antigo se encontram o Centro de Artesanato, cafés e restaurantes. Vale a pena conhecer, só aconselho ficar alerta, pois não é área das mais seguras.

Em breve conto mais…