Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Morretes-parte 5

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Morretes-parte 5

Hoje é dia 24 de novembro de 2023. Viemos a Morretes pelo trem Serra Verde Express, de Curitiba descendo a Serra do Mar. No trem perguntaram por mim e pelo Carlos e deram a dica para encontrar a guia Josiane. No saguão do terminal ferroviário, a encontramos e ela indicou a van. Tudo muito organizado.

Estação e cidade pequenas. Bem tranquila, interiorana. O motorista da van: Leandro, o mesmo que pega os turistas nos hotéis. Dá para observar o centro histórico com feira de artesanato e a praça principal. Vamos almoçar e eu ansiosa para conhecer a linda cidade. O combinado é estarmos na van às 14h30.

Hora do almoço. O restaurante é no centro, chamado Olimpo. Estamos como o grupo na varanda, oferecem como entradas bolinhos de peixe, camarão pequenos e pão. O prato principal é o típico barreado para quem gosta de carne. Ensinam como prepará-lo com farinha e arroz ali na hora, servem banana empanada e saladas diversas em uma mesa na sala. O barreado é feito também com cebola e alho misturados à carne, que é fervida por 12 horas. Depois vem a farinha. Já para mim, foi peixe anchova e camarão empanados. E molho com pupunha e camarão, bem suave. Uau! Que fartura! Achei o barreado com cheiro muito forte, já o Carlos amou.

Ao finalizar, tivemos 1 h e meia para passear. Um pouco sobre Morretes. 70 km de Curitiba, situado entre a serra e o litoral, cidade charmosa a mais não poder. É a maior produtora de gengibre do estado do Paraná, por isso os produtos como balas, licores e sorvetes.

Há o rio Nhundiaquara, a Ponte Velha onde se admira o rio, o coreto e o casario colorido, outro mundo, outro tempo. Difícil não se apaixonar. A feirinha no centrinho oferece licores diversos, lembrancinhas mil, balas de banana, gengibre e coco. E há as sorveterias caseiras e antigas como a da Dona Lucy, de 63 anos de existência, uma portinha ao lado do restaurante com sorvetes e picolés artesanais. O Carlos tomou o de framboesa por R$6,00. Eu tão cheia do almoço que nem quis. A rua das Flores é a principal do centro e do comércio. Todo mundo nos recebe com as palavras: “Seja bem-vindo” nas lojas, o forte das vendas são as placas de madeira com dizeres, cachaças, balas, chips, dentre outros.

Há marcos históricos na cidade, como a paróquia Nossa Senhora do Porto, construída no início do séc. XIX. O sino foi doado por Dom Pedro II. Quando foram colocá-lo, ele caiu e rachou. Existem festivais anuais, por exemplo: a Festa da Cachaça em janeiro e a do Barreado em setembro.

Um pouco sobre o rio. Segundo a Wikipédia, nasce da confluência dos rios São João e Ipiranga e suas nascentes estão localizadas a 1400 m de altura dentro da serra de Marumbi. Deságua na foz da baía de Antonina, ou seja, no oceano Atlântico. Permite a prática de canoagem, rafting, pescarias etc nos seus 37 km. O nome indígena significa NHUNDIA-peixe e QUARA-empoçado ou buraco em tupi ou “toca do jundiá”. Foi o nome do vilarejo de Morretes entre 24 de maio de 1869 a 7 de abril de 1870. A partir daí, se chamou de Morretes.

Cidade só de casas, vida pacata. As ruas estreitas com paralelepípedos, os casarões coloniais, as igrejas antigas nos remetem a outro período, outro compasso. Morretes foi fundada em 1721. Uma preciosidade no Brasil. Quem tem pressa em um lugar tão idílico assim? Uma mistura da colonial Paraty no estado do Rio e da bucólica Colônia do Sacramento no Uruguai. Dá vontade de não ir embora. Da próxima vez, vamos pegar o trem e passar o dia todo nos deleitando.

Continuamos o passeio com a parque temático HISGEOPAR (História e Geografia do Paraná) com suas miniaturas. São dois grupos ao mesmo tempo, o barulho é grande no galpão e tive dificuldade em entender o guia Rudi, mas valeu mesmo assim. Ele começa explicando a história do estado. Primeiro os indígenas e depois chegam os europeus na região. As maquetes são ilustrativas. A economia iniciou com a descoberta de ouro em Antonina. Depois os que vieram, partiram para Minas Gerais atrás do metal precioso. A segunda economia mais importante foi o tropeirismo, com pontos de parada no Paraná, assim vilas foram criadas pelo percurso. A pecuária foi consequência natural.

Os trens eram fundamentais, pois carregavam café, madeira e gente. O viaduto do Carvalho na Serra do Mar e a ponte São João estão expostos nas maquetes. Outro ciclo econômico foi a erva mate, os indígenas usavam e os europeus transformaram em produto. O estado do Rio Grande do Sul é o maior consumidor. O ciclo da madeira: o extrativismo da araucária. Desmatavam com machado e animais, quase extinguiram tão preciosa árvore. Só sobrou menos de 1 %. A madeira foi vendida pelo governo para a ferrovia, o monge São José Maria era o líder dos posseiros que lutaram pela terra. O governo mandou o Exército para o local e houve guerra. A faixa oeste de Santa Catarina é o Paraná pós-guerra.

Os engenhos eram braçais, utilizavam animais. No período da erva mate, a produção era artesanal, familiar. O barão do Serro Azul era grande produtor, esteve envolvido na Revolução Federalista e foi assassinado onde está a Cruz do Barão hoje. Vemos as casas antigas de madeira lascada. O papel higiênico da época eram folhas ou sabugo de milho. O banheiro era uma casinha separada da casa principal. O ciclo econômico do café foi substituído pelo ciclo dos grãos no séc. XX. A energia elétrica substituiu tudo que era familiar, simples e artesanal.

Vemos a maior usina hidrelétrica do mundo: Itaipu. Inundou as Sete Quedas da cidade de Guaíra, 150 km acima da barragem de Iguaçu. Era a maior cachoeira do mundo em volume de água, desapareceu com o lago de Itaipu. Em 1982, antes da inundação, muita gente foi para conhecer, mas uma ponte desabou e pessoas morreram. O herói das Sete Quedas, João Mandi, salvou seis pessoas se jogando nas águas para salvá-los. A Wikipédia nos conta que seu nome era João Lima Moraes, que fora pescador, depois vereador de Guaíra por dois mandatos e secretário de esportes. Foi condecorado com o título de Honra ao Mérito e é considerado herói nacional.

Santos Dumont, pai da aviação, é considerado o patrono das Cataratas de Iguaçu, uma vez que eram privadas, todavia ele as descobriu e lutou para que fossem públicas e se tornassem um parque nacional. Hoje é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 1986. Conforme o site https://www.itatiaia.com.br/editorias/ultimas-noticias/2023/08/29/santos-dumont-de-patrono-da-aviacao-a-patrono-das-cataratas, as terras pertenciam ao colono espanhol Jesús Val, de 47 anos. Tinha recebido um lote de 1008 hectares da Colônia Militar para fins agrícolas. E neste lote, que ocupava a margem do rio Iguassu junto aos Saltos de Santa Maria estavam nada menos que as Cataratas. Era o presidente do Paraná da época Affonso Alves de Camargo. Em uma viagem de seis dias a cavalo, de carro, de trem, uma aventura difícil, Santos Dumont chegou a Curitiba e pediu a desapropriação das terras ao lado das Cataratas (decreto 653, de 28 de julho de 1916). Em 19 de janeiro de 1939, o presidente da República Getúlio Vargas criava o Parque Nacional do Iguaçu. Por isso a 100 m das quedas está a estátua de Santos Dumont em tamanho natural a fim de homenagear o seu idealizador.

Aconselho demais o HISGEOPAR. Considerei de uma riqueza impressionante a explanação do guia Rudi e os detalhes das miniaturas. Parabéns! Morretes, então, é ímpar. Gamei.

Continuaremos com o passeio à histórica Antonina e sua beleza encantadora.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Dia 6 de outubro de 2023, sexta-feira. Estamos no hostal Terracota. A dormida foi reparadora e o friozinho pela manhã agradável. Deserto é assim mesmo: calor e frio no mesmo dia. Outubro é um mês bom para estar lá. Compramos as passagens do Caetano Alencar da agência de turismo Grandes Viagens em Fortaleza, dica também da Sandra e do Max. O Caetano tem muita experiência em viagens pela América do Sul.

Voltando ao hotel, no momento só tem a gente de hóspedes. Detalhe: vi recente que colocaram a placa com o nome da pousada, que bom. A atendente Yobi é boliviana, um doce de pessoa. O irmão da Sarita, proprietária, mora ao lado em uma casa cujo muro é de galhos secos, bem interessante. Vamos ao café da manhã: tudo é servido na mesa de pouco, mas suficiente: banana, pedaços de maçã e laranja, presunto, queijo, salame, biscoitos, bolo, café e leite, sucrilhos, iogurte, ovos mexidos, um desayuno rico. Aprovado. Depois, ficamos admirando o local, um sítio em plena natureza, um oásis no deserto. Sempre bom mascar as folhas de coca, pois a altitude de 2407 m não brinca, para respirar é custoso. Na Internet vi 2500 m.

E fomos passear: Praça de São Pedro, onde está a prefeitura (Municipalidade) e os Carabineros do Chile (Polícia Nacional). A feirinha é toda colorida com artesanato, comidas, bandeirinhas a enfeitar as árvores, demonstrando ser uma cidade pacata do interior. Não preciso dizer que uma banquinha tinha a bandeira do Rio Grande do Sul: é uma gaúcha casada com um rapaz nativo e vende doces e salgados brasileiros. Entramos na Igreja Matriz, de 1557, com chão e teto de madeira e branca por fora. Simples e rústica. Rumamos ao local onde se localiza a Feira Artesanal, muitas bancas com artesanatos diversos, ótimo para as lembrancinhas. Amo o artesanato andino, produtos de lã de alpaca, bolsinhas, tudo é colorido.

Falando com a Yobi, ela nos deu dica de restaurantes onde os nativos comem e lá fomos nós após a feira de artesanato. Saindo pelos fundos do local, andamos um pouco e encontramos restaurantes, estilo quiosques, um ao lado do outro. Gostamos do Delícias de Cañaveral e pedimos: frango ao forno com batatas fritas e salada mista a 4 mil pesos (uns R$22,00), além de suco de abacaxi e de morango. O de abacaxi da fruta foi o melhor que tomei até hoje. Muitas opções de comida: se pedir a entrada, mais o prato principal e dois agregados, sai 6 mil pesos (uns R$33,00). Para nós, seria muita comida.

Esses restaurantes do povo da terra são os imperdíveis, na minha opinião. A gente observa e conhece os costumes locais. Há gatos e cachorros ao lado, percebi muitos cachorros pelas ruas de São Pedro. Pelo menos, as pessoas cuidam deles, colocam água na porta da loja e dão comida. Ao meu lado, sempre aparece um ou outro, afinal amo animais. Segundo o garçom, existem mais cachorros do que gente. Sem dúvida, o rapaz tem sendo de humor.

Pela cidade, há canaletas de onde a água vinda da Cordilheira dos Andes passa. Lembrei de Mendoza na Argentina (do lado oposto da cordilheira). Em São Pedro, chove muito pouco por ano, a chuva vem da Bolívia, país fronteiriço, mas é algo raro. Os moradores molham a rua, as calçadas e os muros, tamanho o clima seco.

Passamos na pracinha de novo, depois do almoço, um calor de rachar e um sol perigoso fica amenizado debaixo das árvores pimento e algarrobo.

Recebemos o aviso via fone (do chip do Chile que ganhei do Levi da agência de turismo Sol Andino) que o parque Valle da la Luna estava fechado, devido aos ventos de 60 km/h, os quais trazem tempestades de areia. Que fato inusitado! Ruim para a saúde dos olhos e dos ouvidos. Logo, o passeio da tarde foi cancelado. Vamos então aos Museus do Meteorito e do Padre Gustavo Le Paige. No caminho, nos encontramos com o Alan, jovem aventureiro de SP, na fila do banco (uma porta para tirar dinheiro). Dou a dica do Museu do Meteorito e ele dá a dica de umas empanadas incríveis: Empório Andino na Caracoles, 151. Ficamos sonhando com o jantar da noite.

Chegamos no Museu do Meteorito, na rua Tocopilla (nº 201), direto, porém estava fechado, que pena. O horário é das 18 h às 21 h. Expõe 77 meteoritos encontrados no deserto. Acabamos não indo. O Alan foi e gostou, o lugar é pequeno e único.

As cercas das casas feitas de galhos e as ruas de pedregulho fazem de São Pedro um lugar diferente. Continuamos caminhando, quero conhecer o museu Gustavo Le Paige. Antes era no centro, na pracinha, porém mudou para bem mais longe e sem sinalização, as ruas sem placas tornaram a dificuldade maior. Merece ser mais divulgado entre os turistas, nós fomos, porque gostamos de museus.

Quem era Gustavo Le Paige? Jesuíta, arqueólogo, de origem belga. Escavou cemitérios arqueológicos pré-hispânicos. Estão expostos diversos tipos de cerâmicas: polida, manifestação material dos povos pré-hispânicos; monocromática, de pastas e paredes muito finas com tratamento de superfície polida, dando a impressão de estar lustrada; vermelhas; negras etc. Domesticação das lhamas, cestos do Atacama, instrumentos musicais como flautas, trompetas, ocarinas, gorros com bandanas e calota craniana etc. Prática fumatória e inaladora: os indígenas consumiam vegetais com conteúdos alcaloides capazes de gerar alucinações e alterar o estado de consciência em 200 d. C. Túnicas, bolsas com estampas da região. Minerais de cobre usados como oferendas nos rituais religiosos e para lapidação. Mostra de tapeçaria enlaçada e com fibra de alpaca. Túnica Tiawanaku (ou Tiuanaco-sítio arqueológico pré-colombiano no oeste da Bolívia, perto do lago Titicaca) com estampa de pássaro antropomorfizado. Linda! Museu pequeno, situado em contêineres, mas muito válida a visita. Com informação para cegos. Foi uma boa caminhada.

A rua Caracoles é a principal do centro, o “point” de comércio e agências, lojas, restaurantes, me lembrei da rua Broadway em Canoa Quebrada, Ceará. Uma delícia caminhar e ver o movimento seja de dia, seja de noite, lógico que à noite o clima frio é sempre mais aprazível.

O Levi nos disse que os ventos estavam em 53 km/h. O passeio do Vale da Lua foi adiado mesmo. Então decidimos pelas Termas de Puritama no sábado: 95 mil pesos: excursão e ticket de entrada para ambos, em reais R$525,35. Na sexta mesmo à noite, escolhemos o passeio do Tour Astronômico, 50 mil pesos chilenos para ambos: R$276,50. Era para ser às 21 h, mas por conta do tempo nublado só saímos às 21h30. A gente ficou olhando o céu, esperando as nuvens se dissiparem.

Continuaremos em breve com passeios incríveis.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Dia 04 de outubro de 2023. Saída de Fortaleza a Guarulhos (São Paulo). Saímos às 15h45, mas só chegaríamos em São Pedro do Atacama ao meio dia do outro dia.

Dia 05 de outubro de 2023. Guarulhos (SP)-Santiago do Chile, de lá a Calama. Que viagem! Por motivos de greve de terceirizados, atrasou em Fortaleza e em Guarulhos, por isso a LATAM mudou nosso voo para Calama (norte do Chile), melhor. Em Guarulhos, no setor internacional, implicaram com minha almofada de gel, quase não me deixaram passar. Sempre viajo para ficar mais confortável. Em lugar nenhum isso acontece, fiquei perplexa. De Guarulhos a Santiago, serviram frutas, chocolate e um sanduíche de frango, melhor do que o usual servido nacionalmente. É bom levar lanches, pois sentimos uma fome danada em avião.

Em Santiago, no aeroporto Arturo Merino Benitez, saímos do Terminal 2 (internacional) para o 1 (nacional). A mala do Carlos foi direto para Calama, o que nos deu um susto. Ainda bem que um funcionário em Santiago foi desenrolado e nos informou corretamente sobre a bagagem. A minha chegou em Santiago, logo tive que fazer o check-in da mala, despachá-la e passar pela alfândega, logo entramos na fila de checagem. Corremos para alcançar o balcão 27 do T1. Como brasileiro sempre conversa e se ajuda, conhecemos ali mesmo os paulistanos Irene e seu filho Dudu, e o Alan que viajava só. Rapaz jovem corajoso na sua primeira viagem internacional. Todos nós ansiosos pelo deserto do Atacama. O Carlos na sua segunda estada lá. Detalhe: não deu tempo para comer nada, somente tomar um suco de pêssego. Todos os voos lotados, incrível, em plenas quarta e quinta-feira. No voo para Calama o lanche foi gostosinho, mas com muito sal e calórico, da marca Tribu: suflês veganos com farinha de grão-de-bico, feitos com pasta de amendoim e com sal do mar. Fazer o quê? Comer. Em suma: Fortaleza-Guarulhos: 3h15 de voo; Guarulhos-Santiago do Chile: 4h24; Santiago-Calama: 2h44, ufa!

Chegados a Calama, província de El Loa na região de Antofagasta, que é uns 100 km de São Pedro, fomos logo ao guichê da TRANSVIP, o transfer que havia consultado antes pela internet. Ida e volta por 25. 800 pesos chilenos (R$138,55). Pagamos em dinheiro (havíamos comprado uns pesos em Fortaleza para garantir). Deixamos a volta combinada para o dia 11 de outubro e nos pegariam às 5h15, cedo demais, mas era o jeito. Detalhe: em São Pedro o melhor a levar é dólar. Trocam reais também.

Pegamos o transfer e lá vou eu prestando a atenção ao caminho, Calama é a terra do sol e cobre. Estamos no deserto, tudo é muito claro e árido. Não há vegetações. Vejo casas coloridas e prédios altos. A cidade é espalhada. Por conta de São Pedro, muitos estrangeiros passam por ela. Há parque de usina eólica e solar por aqui. As outras localidades da região do deserto possuem nomes indígenas: Tocopilla, Paco Sico, Toconao. Estamos na estrada CH 23, bem sinalizada e de boa qualidade.

A van nos deixa no hostal em São Pedro do Atacama, que não tem placa: Terracota (Tocopilla, 517). Descobri no Booking.com, preço razoável e lugar promissor. Amamos à primeira vista, é um sítio com plantas, árvores, gatos e cachorro. A simpática funcionária Giovana ou Yobi e a proprietária Sarita nos deixam à vontade, pagamento, só depois com calma. A Yobi nos mostra a cozinha e fala sobre o café da manhã. Há chás em sachês, extratos secos ou em folhas na mesa sempre a postos, inclusive o de coca, muito útil por conta da altitude (estamos a 2500 m), pois ameniza a falta de ar e o cansaço. E a água é livre, uma dádiva, uma vez que tomamos muita, por conta da secura do deserto.

Além de cansados demais, estávamos esfomeados. Sinceramente, não vale a pena ir direto, valeu pela experiência de saber que não faremos isso novamente. Melhor, passar um dia ou dois na capital Santiago na ida ou na volta.

Deixamos a bagagem no quarto e saímos para almoçar, eu estava passando mal de fome. O hotel é muito bem localizado, perto do centrinho. A cidade é pequena. Descobrimos o Café Adobe Restaurante, na Caracoles, 211 (com calle Tocopilla). Excelente, comida fina, de chef: frango, molho de tomate e purê de batata especial, além de suco de morango. Encontramos a Irene e Dudu lá. Salve! Na rua Toconao, muitas casas de câmbio. La Llamita, loja de lembrancinhas ali perto.

O povo da terra, percebe-se, é descendente dos indígenas atacamenhos. São Pedro é peculiar, nunca vi lugar igual, é exótico. As ruas de areia, turistas mil. Muitos brasileiros. Se anda a pé, tem uma farmácia, mercadinhos, sorveterias, lojas mil, restaurantes, gamei total. As casas são baixas, têm cor ocre, a cidade tem cor de barro. Muito interessante. O clima de deserto é diferente: de dia muito calor, o sol forte e à noite, frio. Como era outubro, estava suportável o calor e agradável o frio.

Á tarde, “desmaiamos” de tão exaustos. Já à noite, fomos passear. Descobrimos em frente ao Café Adobe, o Rincón del Sal (Caracoles, 218) com opções de comidas, pizzas e… sopa! Crema de verduras por 4500 pesos (R$24,16). A vida é noturna, as ruas ficam vivas, o clima mais suave, achei similar à night de Jericoacoara e Canoa Quebrada no Ceará.

Há de se tomar muita água, pois estamos no deserto mais seco do mundo. Umidade de 10%, é bom evitar carne vermelha, frituras e álcool à noite. E proteger os lábios. Deram a dica de comprar Blistex na farmácia.

Já chegamos a São Pedro com a dica de uma agência de turismo. Obrigada, Sandra Ximenes e Max Krichanã. Sol Andino Expediciones na rua Caracoles, 362. O brasileiro Levi e o colega boliviano Ronaldo, muito solícitos. Ganhei um chip do Chile do Levi, o que se mostrou muito válido. Todas as combinações de turismo são feitas via Whatsapp ou telefonemas. Aliás, muitos bolivianos trabalham lá, é cerca da fronteira com a Bolívia. Na agência, fizemos logo as combinações para os passeios. Muitos viajantes já vão com tudo pago, mas nós gostamos de decidir no momento da chegada. Compramos o passeio ao famoso Valle de la Luna, (Vale da Lua) das 15h45 às 19h30. Eu paguei 40 mil pesos chilenos (R$215,64) e o Carlos 35 mil pesos chilenos (pela idade: R$187,74).

Não resisti a um sorvete na Heladería Babalú (Caracoles, 140) e fiquei encantada com tantos sabores originais: rica-rica (erva com propriedades calmantes), flor do deserto (flor), laranja com gengibre, pera de Páscoa, banana com amora, laranja com cenoura, selva (floresta) negra, frutos vermelhos etc.

São Pedro do Atacama cativa desde o início.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Chegada

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Chegada

Dia 10 de abril de 2023. Lá vamos nós à cidade da paixão nacional: Gramado. Pegamos o voo das 4h30 da madrugada de Fortaleza a Guarulhos-São Paulo e de lá a Porto Alegre pela GOL. Chegando pelas 11h30, pegamos um transfer da CVC com seis pessoas (uma Sprinter), já pago, e rumamos a Gramado por Taquara, mais 2 h de viagem. No caminho, passamos por Sapiranga, Araricá e Parobé.

Chegamos a Gramado, ao Sky Centro Hotel & Spa, localizado à rua João Fish Sobrinho, 115, escolhido por ser perto do centro e de ótima qualidade. Hospedagem via sistema Bancorbras, ou seja, tínhamos direito a 7 diárias. Tomar água da torneira é um luxo. Os atendentes do hotel solícitos e queridos: o pernambucano Rodrigo, o Tony, dentre outros. A cidade repleta de trabalhadores nordestinos, fiquei feliz em ver.

Saímos logo para o almoço. Estava calor. Estávamos muito cansados de tantas horas de viagem. O Galeto Di Paolo estava bem ali, logo foi o escolhido (rua Garibaldi, 23). Muita gente prefere a refeição do tipo Sequência, isto é, um valor fixo com muita comida que começa com uma sopa de capeletti, típica do sul. Nós decidimos pelo prato a la carte mesmo: penne integral ao molho de tomate seco mais o “galeto al primo canto” (receita tradicional gaúcha feita de frangos pequenos assados). Delícia! O restaurante é primoroso e bonito, por isso caro. Pagamos uns R$210,00. Ao longo dos dias, fomos conhecendo opções também muito boas por preços mais acessíveis, embora soubéssemos que Gramado é uma cidade dispendiosa. Planejamento financeiro é necessário.

À noite, o clima estava 22º C, uma maravilha perambular por suas ruas limpas, bem cuidadas. Muito movimento, como sempre, Gramado sempre atrai turistas. As ruas ainda estavam decoradas para a Páscoa. As flores pela cidade toda e os jardins encantam. Passamos pelo prédio do Festival de Cinema de Gramado, o Palácio dos Festivais, situado à av. Borges de Medeiros, 2697, com a estatueta do Kikito exposta, eis a premiação. Surgiu na imaginação da artista Elisabeth Rosenfeld em 1967, como representação do deus do bom humor.

Saímos à procura da Casa da Velha Bruxa, uma confeitaria/ lanchonete original, com guloseimas apetitosas. Pedimos suco de uva branca que nos lembrou a cajuína do Ceará. Bem refrescante. E a torrada da Velha Bruxa com molho da casa. Conversamos bastante com o garçom Pablo, que havia morado em Aquiraz, no Ceará. Ele deu a sugestão da vinícola Jolimont. Segundo ele, o vinho rosé vale a pena. Detalhe: os lugares mais turísticos são sempre os mais custosos. Com os dias, descobrimos outros cantinhos válidos.

Após o jantar, saímos pelo Largo da Borges, Via San Marco, Chocolateria Prawer, Fantástica Casa de Chocolates Florybal etc. A avenida Borges de Medeiros é um evento! Iluminação, multidão, alegria, bom demais.

Meu conhecimento com Gramado remete a minha infância, quando vivia em Porto Alegre (dos 6 aos 12 anos). Ao longo dos anos, sempre voltei e vejo que de uma cidade mais calma e natural, está cada vez mais agitada, cheia de atrações. Uma coisa ninguém duvida, continua bela.

Paixão por Buenos Aires-2022-Museu Nacional de Belas Artes e outros passeios-fim de viagem

Paixão por Buenos Aires-2022-Museu Nacional de Belas Artes e outros passeios-fim de viagem

Hoje é dia 27 de outubro de 2022, dia para continuar o passeio de ônibus turístico Buenos Aires Bus, uma vez que ainda temos horas a completar das 48 horas compradas. Temos direito até às 11h35.

O Carlos e eu fomos para uma fila na parada 01: Teatro Colón. Vamos seguindo o caminho e nos deleitando. A praça Lavalle faz homenagem ao político Juan Lavalle. Algo muito instrutivo do ônibus é escutar propagandas para não jogar lixo na rua e incentivo à reciclagem. Aliás, os canudos usados na cidade são recicláveis. Sacola plástica na Argentina não é bem-vinda faz tempo, cada um que carregue suas compras do supermercado como achar melhor. Em 1976, quando estive em família em Posadas, essa atitude nos chamou a atenção.

A avenida Corrientes tem sebos, pizzarias, ali foi o primeiro ajuntamento de Pedro de Mendoza, o primeiro fundador de Buenos Aires.

Outro detalhe interessante: os recicladores na rua andam de tênis, se vestem com um uniforme com a estampa da prefeitura, carregam um carrinho coberto com sacos de estopa, ou seja, há um cuidado com eles e uma padronização. Aprovado. Prefeitura de Fortaleza, vá conhecer o exemplo de Buenos Aires e efetivar aqui.

Museu da Casa Rosada no subterrâneo. Conta a história do país. A loja I ♥ GIFTS se encontra em todos os lugares. Lembrancinhas que amo. Vemos a Praça do Congresso, vizinha está a praça Mariano Moreno com uma das três réplicas de “O Pensador” do escultor francês Auguste Rodin.

Como em toda cidade grande, existem descuidistas, cuidado com bolsas, carteiras, mochilas. Assalto a mão armada, não são comuns.

O Palácio do Congresso, construído entre 1898 e 1906. No bairro de Montserrat viveu a população negra. Na av. Belgrano está a igreja de N. Sra. de Montserrat com a imagem da Virgem Negra de Montserrat. Por ali vimos outra manifestação de trabalhadores feita de modo pacífico, as pessoas sentadas segurando bandeiras. O edifício Otto Wulff é de 1914.

A Faculdade de Engenharia é de meados do século XX, seu prédio tem estilo monumental e neoclássico. O edifício fora construído para a Fundação Maria Eva Duarte Perón, porém com a morte de sua fundadora em 1952, o prédio nunca foi usado. O tango é patrimônio mundial pela UNESCO. A primeira vez que vejo uma cuidadora de cães com cinco cachorros. Estava sentindo falta. São uma instituição argentina. Cidade toda monitorada pela Polícia da Cidade.

O MACBA-Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires, ao lado do Museu Moderno. Zona Sul. A cidade é civilizada, param para pedestres que atravessam na faixa. Algo tão simples. Museu das Comunicações. Porto Madero. Muitos grafites artísticos pela cidade, dizem tudo pela pintura: pró e contra muitos assuntos. Museu do Cinema próximo ao bairro La Boca.

Cidade dividida por comunas, muito organizada, estamos na Comuna 4. O estádio La Bombonera é de 25 de maio de 1940. Muitas homenagens em forma de pinturas ao grande jogador de futebol Maradona em frente a lojas, padarias, muros. O restaurante Museu del Jamón (Presunto) no Porto Madero promete. A Fragata Sarmiento, lançada ao mar em 1857, no Dique 3 do Puerto Madero.

Descemos na parada 14 e fomos caminhando até o shopping Patio Bullrich a fim de almoçar. Encontramos o restaurante Sensu, a comidinha de frango, arroz e vegetais estava satisfatória. A proprietária muito simpática. Valeu ter conhecido o shopping.

Após uma boa caminhada de umas seis quadras longas, chegamos ao Museu Nacional de Belas Artes, de graça. Oba! Arte argentina, artefatos andinos, obras das batalhas da Guerra do Paraguai, esculturas de Rodin, coleção de leques (albanicos) e de peinetas das espanholas (enfeites de cabelo), admiráveis. Arte francesa do séc. XIX. Aprendi que Paris foi idealizada por Napoleão III (séc XIX) como traçados urbanos, ele dividiu a cidade em bairros a fim de acabar com a peste bubônica e as revoluções populares. Impressionistas franceses, Escola Flamenga dentre outras maravilhas. Ver crianças no museu alegra a alma. Que museu! Imperdível. Uma vez um aluno me indagou o porquê de ter museus, e eu respondi: “Não existimos como civilização sem eles”.

De lá rumamos ao Café Tortoni, de 1858. A torta de maçã e a de floresta negra, para eles, selva negra é tradição. Perto do hotel República, descobrimos mercados pra comprar alfajores, no Chino e no Carrefour Market. Bons e baratos.

Dia 28 de outubro de 2022. Caminhamos ao redor do Teatro Colón que estava cheio de estudantes para adentrá-lo. Perto do Obelisco outra manifestação de trabalhadores, sempre pacífica, com bandeiras. O Museu Judaico cobra 10 dólares a entrada ou 2.500 pesos à época. Não entramos, porque já conhecíamos.

O Café Petit Colón, uma lindeza, estilo Paris, mais caro que o Tortoni. Perto do teatro e da Corrientes, há lojas de ouro, compra e venda. Na rua Saenz Peña, descobrimos uma loja de doces de leite tendo brasileiros como vendedores: Dulce de Leche &Co. Sabores Argentinos. Uma variedade de doces, alfajores, chocolates, uma maravilha. Vi muitas lojas novas como essa. Em frente, outra manifestação de residentes e médicos, protestando contra a jornada de trabalho de 36 horas seguidas. O calor grande, multidão nas ruas. Fico sempre embasbacada.

Almoço no Alma, lugar transado e amplo do tipo café e lanchonete. Almoço: limonada com menta e peito de frango (pechuga) grelhado com salada. Passeio à tarde, compras na loja Cuesta Blanca na rua Florida com Juan Perón, que diversidade de roupas lindas.

Terminamos a tardinha no velho café Tortoni, nosso querido. Lá há lançamentos de livros, show de tango e muita gente animada.

Sábado, 29 de outubro de 2022. Último dia, mas ainda deu para voltar para as Galerias Pacífico e almoçar no Madison Café, que gostamos. O suco de limão com gengibre e menta, não esquecerei. Na rua Tucumán, encontramos o Sabores Express, com empanadas prontas, então levamos ao aeroporto. Empanadas, tudo de bom.

Fim de viagem com elogios ao hotel Globales República e seu pessoal simpático e solícito e ao Júnior, da CVC, que muito nos ajudou com a troca de dinheiro e transfers.

Buenos Aires, até a volta. Já com saudades…

Paixão por Buenos Aires-2022-Outro dia de passeio de ônibus turístico e chá da tarde no hotel Alvear-quinto dia

Paixão por Buenos Aires-2022-Outro dia de passeio de ônibus turístico e chá da tarde no hotel Alvear-quinto dia

Hoje é dia 26 de outubro de 2022. O café da manhã do hotel Globales República farto com croissants diversos, ovos mexidos, batata em cubos, tortinhas, laticínios, iogurtes cremosos etc e o doce de leite Verónica, de 1923, em sachê. Delícia!

Como o Carlos e eu ainda tínhamos tempo para passear mais, voltamos ao ônibus turístico, afinal havíamos pago por 48 horas. Pegamos no mesmo local do dia anterior.

Comecemos com as informações. A primeira viagem de trem na Argentina foi feita em 1857. Passamos pela praça Lavalle. Praça dos Tribunais. Av. Corrientes a que nunca dorme, sedia livrarias e teatros e ruma ao afamado Obelisco. Av. Presidente Sáens Peña. O prédio Cabildo em branco com a bandeira do país por cima, era a administração do governo e da justiça na época colonial. Hoje é sede do Museu Histórico Nacional e da Revolução de Maio.

Pirâmide de Maio, monumento equestre ao Gal. Belgrano-criador da bandeira argentina. Praça de Maio-Juan de Garay (segundo fundador da cidade). Av. de Maio. Café Tortoni sempre cheio, um sucesso. Teatro Liceo com “Elena Roger canta Edith Piaf”, Confiteria (confeitaria) del Molino, Congresso Nacional, edificação linda. Mosteiro de Santo Domingo (com visitas guiadas) ou Basílica N. Sra. do Rosário.

Buenos Aires é a prova que calçadas decentes favorecem a caminhada, carros não se fazem necessários e o transporte público é bem utilizado. A quantidade de árvores deixa a cidade mais bucólica e aconchegante. Os cães com seus tutores nas praças na maior alegria sempre chamam a atenção.

Av. Paseo Colón. Na zona sul de Buenos Aires se percebe a mistura de culturas devido a imigrantes do mundo todo. As tradições culturais vieram disso: a habanera (música cubana), o chotis (música e baile da Boêmia), o candomble (música e dança da África), as línguas diversas. Na Boca havia inundações do rio da Prata. Tem uma personalidade única, é musical, colorida.

Prédios parecidos com os do centro de Porto Alegre-RS com persianas e sem sacadas. Ministério Público, Av. Brasil. Vários pequenos teatros pela cidade.

A igreja San Juan Evangelista da ordem dos salesianos tem um colégio ao lado com murais de santos na frente.

Vimos uma manifestação pelo caminho de pessoas com jaquetas verdes. Isso é muito comum na capital. As placas nas ruas mostram as direções das atrações turísticas e os minutos pra chegar lá. Fantástico. Monumento de Pedro de Mendoza (primeiro fundador de Buenos Aires) no parque Lezama. Darling Tennis Club, de 1918. Madero Tango, casa de shows. Porto Madero.

A universidade UCA, ou seja, a PUC deles é enorme, são quatro prédios e vemos os alunos nas salas de aula. O World Skate Games ou Jogos Mundiais de Skate ocorreu na cidade em 2022. A Costanera Sur é muito agradável, trata-se de um calçadão para correr, andar à beira de um braço do rio. A Reserva Ecológica estava fechada devido ao mau tempo. Estão construindo o Paseo de los Pescadores. Lá está o Buquebus, empresa de ferryboat, que navega no rio da Prata entre Montevidéu e Colônia do Sacramento no Uruguai e Buenos Aires. Já viajamos de Buenos Aires a Montevidéu anos atrás, vivência recompensadora, e tinha cafeteria e duty free.

O Centro Naval na rua Florida, de 1882, em estilo francês, foi construído pelos primeiros formandos da Marinha como um clube para suas diversas atividades. Av. Córdoba. Até o séc. XVIII o bairro Retiro estava abandonado. A edificação de palácios na área ocorreu por conta do projeto de europeização. No bairro havia uma praça de touros. Praça San Martin. Museu de Armas da Nação criado pelo Gal. Rocas. 649 caídos na Guerra das Malvinas. Av. Del Libertador. Museu da Imigração.

Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA). Museu de Arte Hispanoamericano Fernándes Blanco no Palácio Noel. Palácio Bulrich, onde aconteciam leilões de joias, arte etc. Praça Carlos Thays, ele paisagista, onde há obra do artista colombiano Fernando Botero: a escultura O Torso Masculino, e da argentina Marta Minujín com sua escultura: a estátua às Nações Unidas, dentre outras obras.

Palácio Nacional das Artes onde a sociedade de classe alta começou a dar os primeiros passos de tango (que era discriminado no início).

Descemos no MALBA para rever o grande museu e a obra Abapuru de Tarsila do Amaral, de 1928. Lá estão obras do movimento modernista da América Latina: os brasileiros Rubem Valentim e Cândido Portinari, os argentinos León Ferrari e Nicolás García Uriburu, o uruguaio Joaquín Torres García, dentre outros artistas. Lembrando que este último tem um museu com o seu nome em Montevidéu-Uruguai. A exposição Diego y Yo de Frida Kahlo, de 26/08/2022 a 01/09/2023, com 176 pinturas e 82 desenhos dela foi fabulosa. Tudo escuro, espaço pequeno. Muita gente extasiada. Frida não era católica, mas tinha influência da religião nas suas obras. A sua mãe era mexicana de origem indígena e o seu pai judeu alemão, fotógrafo. Morreu em 1954 por uma broncopneumonia. Que museu imperdível, também há um cinema de arte no espaço.

Pegamos de volta o Buenos Aires Bus em direção ao hotel República no centro. Chamou a atenção as propagandas do filme Argentina 1985 com o fabuloso Ricardo Darín na Prime Video pelo caminho. Descemos no Teatro Collón, detalhe: nem todo ônibus turístico tem proteção em cima. Retorno ao hotel.

Às 17 h estávamos no hotel Alvear para o aclamado chá da tarde, sonho de luxo, antigo, a ser realizado. Fomos de táxi, uns 450 pesos. Chegamos e percebemos gente mais elegante e outras mais à vontade. O importante é se divertir com tantas iguarias. Fomos muito bem tratados. Há a primeira, a segunda e a terceira bandejas de guloseimas. Chá à vontade. Acho que só nós comemos tudo, uma graça, estávamos em transe. Tomamos o espumante rosé e ainda havia uma torta a escolher. Eu preferi torta de amêndoas com creme de frutas vermelhas e o Carlos pistache cremoso. Dos deuses! Um sonho. São dois salões usados para celebrações de festas, como aniversários com bolo e velas. Experiência daquelas que vale cada tostão.

Após a gente se refestelar com o chá, saímos e fomos caminhar na Recoleta para o lado do cemitério onde está o túmulo da Evita Perón, eis o Cemitério da Recoleta. Ao lado se encontra a igreja N. Sra. do Pilar, estava na hora da missa. Muitos restaurantes e cervejarias ao redor, gente jovem, animada, um “point”. Que evento esta cidade!

Paixão por Buenos Aires-2022-Galerias Pacífico e Señor Tango-terceiro dia

Paixão por Buenos Aires-Galerias Pacífico e Señor Tango-terceiro dia

Hoje é dia 24 de outubro de 2022. Estamos no hotel República perto do Obelisco, o café da manhã com seus croissants deliciosos, provei o mais fininho. Sempre muito bom. E o doce de leite, não perco.

Hoje depois de compras na farmácia ao lado (creme de mãos, probióticos, alcachofra e remédio com boldo para digestão, tudo bem em conta), rumamos à famosa e agradável rua Florida. Fomos pela rua Lavalle, mais linda ainda. Encontrei na Florida a loja de blusas de lã que já conhecia e havia feitos compras de outra vez. Nome? Genoa Sweaters, Calle Florida 683. O centro limpo, policiado, com muitas bancas, bom de andar, com árvores no meio do calçadão. Vi poucos moradores de rua. Amo o centro de Buenos Aires, sem dúvida, meu preferido.

A Galerias Pacífico (rua Florida com Córdoba) nos deleita com seus aromas, tem lojas especiais. Trata-se de um shopping bonito. No segundo piso, havia uma exposição de obras de arte e roupas recicláveis feitas por modistas/estilistas famosos do país. Achei fantástico. No térreo, reencontrei a minha loja de perfumes favorita: VZ, gosto de body splash, desta vez descobri um de gengibre com limão. Os produtos são alto-astral e transmitem energia positiva. O creme de mãos que comprei se chama This is peace (Esta é a paz) e acrescenta “respira profundo e medita”. No mínimo, original.

O almoço foi também no térreo, no Madison Café. A salada COBB foi novidade, tinha abacate, folhas verdes frescas, tomate-cereja, ovo, bacon e queijo gorgonzola. Simplesmente demais. Além de suco de limão, com menta e gengibre, próprio para aplacar o calor.

Ao sair da Galerias Pacífico, continuamos o passeio pelo centro, seguimos pela Florida, Lavalle, Tucumán, onde vimos lojas de vinhos, sapatos, roupas, bolsas de couro, lembrancinhas etc. Existem lojas de decoração, que não encontro em Fortaleza-Ceará, com objetos de casas tentadores. Os produtos de couro argentinos são muito bem-feitos. As bolsas são lindas. Para homens, há muita variedade de sapatos, cintos e roupas.

Havíamos combinado com o rapaz da CVC para nos pegar às 19h30 a fim de nos levar ao show de tango. Detalhe: já fui a vários, por exemplo: El Viejo Almacén, Café de los Angelitos, Astor Piazzolla, Café Tortoni etc. Antigamente, o show era só de tango, hoje oferecem shows de folclore incluído.

Lá vamos nós ao Señor Tango, no bairro Barracas, localizado à rua Hipolito Vieytes, 1655. O espetáculo foi declarado de interesse cultural pelo Ministério da Cultura do Governo de Buenos Aires. É o mais conhecido e oferece jantar e show. É um dos mais caros, por sinal, mas vale cada tostão.

Sentamos com duas pernambucanas Gil e Val, primas. O menu depende da escolha de cada um, o meu foi de creme de espinafre como entrada, truta como prato principal e de sobremesa tiramisu. O Carlos ficou com o bife de chorizo como prato principal. O nosso vinho foi Cafayate Malbec. O lugar é precioso, o show estilo hollywoodiano é muito vibrante, tem acrobacias, parece um show de circo, os dançarinos usam roupas belas e dançam de forma magistral. O proprietário do Señor Tango, Fernando Soler, canta, interage com o público e dá um show de carisma. É um evento e tanto, eu queria muito conhecer. Confesso, porém, que gosto mais do show de tango como era. Pelo visto, não existe mais.

O garçom que nos atendeu pediu uma gorjeta de $1000 pesos, achamos exagerado, demos como grupo menos e ele não gostou. Foi a primeira vez que testemunhei isso, algo totalmente dispensável. Chegamos ao hotel à 1 h da madrugada, cheios de vinho e animados.

Continuaremos nossa viagem em breve.

Paixão por Buenos Aires-chegada

Paixão por Buenos Aires-2022-chegada

Nada mais fácil do que escrever sobre a capital da Argentina, meu sangue ferve naquela terra. Algo que não sei explicar, chego lá e fico mais do que radiante. Meu coração e alma pedem que voltemos sempre. Ainda bem que o Carlos, meu companheiro de aventuras e de vida, concorda. Nossa jornada em Buenos Aires ocorreu entre 22 e 30 de outubro de 2022.

Dia 22 de outubro de 2022, sábado. Voamos pela GOL às 9h50, voo direto de Fortaleza a Buenos Aires, descendo no aeroporto Jorge Newbery dentro da cidade. Um luxo! 5 h e meia de viagem com almoço de frango, arroz e uma tortinha de chocolate com pouco açúcar. O papo com o argentino Hugo foi agradável, a filha dele tem uma pousada aqui no Ceará na ilha de Guajiru em Itarema. Vimos fotos e nos encantamos.

Como tínhamos combinado o transfer com a CVC, o Gustavo foi nos buscar com a van no aeroporto. Antigamente íamos de ônibus, táxi, a gente se virava, hoje não, queremos conforto e facilidade. Marcas da idade? Ele nos deu o folder de passeios e de shows de tango, tudo muito organizado. A gente queria mais saber dos tangos, uma vez que já fizemos muitos passeios na cidade em outras viagens.

No hotel Globales República (Calle Cerrito, 370), perto do Obelisco, já estava o Júnior da CVC nos esperando, aí nos ajudou com o check-in e trocou dinheiro para nós. Só tenho elogios. Já coloquei o whatsapp dele no celular. Isso facilita a vida do turista. Detalhe: o pagamento do hotel foi feito pelo Bancorbrás, sistema de viagens que utilizamos uma vez por ano. Esperávamos um quarto maior, mas a boa localização e o pessoal do hotel compensaram.

Fomos dar uma reconhecida de área pós check-in na região que é muito central com Starbucks, lojas de lembrancinhas, farmácias, restaurantes e cafés. Amo os kioskos (pequenas lojas que vendem tudo de alfajores, os biscoitos doces típicos, chocolates etc) e percebi lojas novas somente de doces de leite, maravilha! Estamos no centro, lugar para caminhar e ser feliz. Jantamos frango grelhado com salada considerável no próprio hotel. Preço: AR$ 1200 pesos pelo prato individual (hoje em maio de 2023 seria R$ 25,44). Lembrando que o momento é positivo para o turista brasileiro, o nosso real está mais do que valorizado lá. A inflação maltrata os hermanos, logo os preços são mutáveis.

Buenos Aires da última vez que fomos em 2016 estava mal cuidada, porém desta vez foi uma grata surpresa. Amei tê-la visto pujante, com muito movimento, limpa, amada, um arraso.

Estávamos cansados e logo fomos dormir. Continuaremos com o domingo na feira de San Telmo.

Carnaval em Maceió-2023-últimos dias

Carnaval em Maceió-2023-últimos dias

Hoje é dia 21 de fevereiro de 2023, terça-feira gorda de carnaval. O momento é aproveitar a cidade e conhecer um pouco mais. O café da manhã do hotel Acqua Inn de novidade teve omelete fit e bolos diversos com pouco açúcar. O de chocolate com calda de chocolate estava divino.

Vamos a pé até Pajuçara, estamos em Ponta Verde. Vemos a estátua em bronze de Guimarães Rosa no calçadão e a placa em homenagem aos quatro jangadeiros que saíram da Enseada de Pajuçara e navegaram ao Rio de Janeiro no dia de 27 de agosto de 1922 a fim de celebrar o Centenário da Independência na capital federal de então. O dia está nublado, o calor abafado, a orla lotada. Também observamos a estátua do almirante Tamandaré (1807-1897), considerado herói brasileiro e patrono da Marinha do Brasil.

Entramos no Pavilhão do Artesanato de Pajuçara. Tudo bem colorido, muitas variações de saídas de banho, trabalhos em filé, chaveiros, muito a ver. Uma água de coco na Bodega da Tapioca ameniza o calor. Ali perto descobrimos uma feira de artesanato original: a feira Guerreiros da Arte, boxes de madeira bem criativos, bancos e árvores decoradas, tudo mais artístico pra venda. Situa-se na praça Lions em frente à galeria Paiva no shopping Lions.

Maceió convida a longas caminhadas, isso é fantástico. O turista delira. Em Pajuçara existem piscinas naturais que se alcançam por meio de jangadas.

No hotel ganhamos um voucher com desconto de 10% no almoço do restaurante Janga. Como havíamos esquecido, resolvemos almoçar no supermercado Palato, no restaurante estiloso do terceiro andar (misturaram madeira, plantas e a cor preta, logo o resultado é bonito). Pedimos o prato de Legumes à Provençal com camarão (o peixe robalo foi substituído, pois estava em falta), mais filé para o Carlos, além de uma cerveja Corona. Os legumes: abobrinha, tomate-cereja, batata-doce e berinjela, achei demais. Os garçons solícitos de boina preta, calça, sapatos e avental pretos e camisa branca, gostei. A sobremesa creme brullée para ser feliz. Para quem não conhece, a grosso modo, é uma sobremesa francesa que parece Cremogema com casquinha de açúcar refinado. Para completar, um café carioca com água e um bolinho mini. Que refeição!

Na volta ao hotel, vemos o farol vermelho e branco na ponta de Ponta Verde.

Na caminhada pós-descanso do almoço, a maré está alta. A estátua do Aurélio Buarque de Holanda, dicionarista, está no calçadão. O alagoano cultiva seus conterrâneos ilustres, gosto disso. Muitas lixeiras de plástico azuis na orla, muitos quiosques grandes de tapiocarias. Restaurantes bem frequentados, como Barrica´s e Amendoeiras. A beira mar de Maceió é bem sinalizada, com o nome dos locais e início dos bairros. Os canteiros centrais são verdadeiras praças com bancos e coqueiros, ou seja, conforto para o pedestre. As pessoas levam suas cadeiras de praia, ali sentam, convidam os amigos, conversam, bebem, comem, uma graça. Isso é ser uma cidade habitável e humanizada. Por ser plana, é boa para o idoso. Chama a atenção ter menos motos no trânsito. Visivelmente, é uma cidade com menos desigualdade de renda, não se vê tanta riqueza ostensiva nem tanta miséria inaceitável. O fato do estado de Alagoas ser menor e sua capital ter muito menos habitantes do que Fortaleza, por exemplo, ajuda nisso.

A cadeira gigante boa para tirar foto fica em frente ao supermercado Palato em Ponta Verde. E a placa “Eu Amo Maceió” estilizada também tem fila. Maceió é espraiada, espaçosa, dá uma sensação boa na gente.

O jantar no Janga enfim aconteceu. Trouxemos o voucher do desconto. O garçom Alan nos serviu, pedimos Tilápia Primavera: filé de peixe grelhado e coberto com alho crocante e folhas de manjericão fresco servido com salada primavera-cenoura, cebola, vagem e mix de pimentões salteados com azeite e alho-finalizados com alho poró crocante e molho cítrico. Acompanha arroz integral. A bebida foi suco de maracujá. Fenomenal, valeu a espera. Da próxima vez, conheceremos o Bodega do Sertão, que parece uma grande chaleira decorada, no bairro Jatiúca.

Dia 22 de fevereiro de 2023, quarta-feira de cinzas, dia de ir embora com saudades. Detalhes a ressaltar: no café da manhã tinha banana da terra, tapiocas recheadas de coco, presunto e queijo e macaxeira. Nada melhor. No nordeste brasileiro, os cafés da manhã provocam deleite.

No aeroporto, apreciei a loja de bijuterias Palhas da Terra com brincos, colares e pulseiras atraentes.

Até logo, Maceió, espero voltar sempre. Valeu o passeio. Parabéns pela organização, e obrigada, Débora e Natália da CVC Del Paseo-Fortaleza.