Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico Yellow Bus

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico Yellow Bus

Hoje é quinta-feira, dia 4 de abril de 2024. Dia para passear de ônibus double-decker por Lisboa. Acordamos tarde, por conta da diferença de fuso horário entre Fortaleza-Ceará-Brasil e Lisboa, 4 horas a mais. Estávamos bem cansados. Decidimos comer no hotel Borges Chiado (rua Garrett, 108), por $10 (euros) cada. Bom custo-benefício. O pequeno almoço ou café da manhã é bem sortido: frutas: maçãs e tangerinas, sucos de máquina, cafés diversos, cogumelos, cereais, feijões, pães, bolos de nozes, chocolate e ananás, tudo com pouco açúcar, iogurte etc. No final, vale a pena. Elegante a sala do café de cor branca e dourada, com lustres bonitos do tipo pendentes, bem Europa. E turistas nas mesas falando alemão, francês, inglês e nós, sensacional! O hotel é decorado com fotos de Lisboa antiga e azulejos. Bem Portugal!

Por ser muito bem localizado, é mais caro, porém vale cada tostão. Estar ao lado do Café A Brasileira e estar em um bairro repleto de teatros, restaurantes, cafés e livraria Bertrand é um show. Trata-se da maior rede de livrarias de Portugal, inaugurada em 1732, por Pedro Faure, na rua Direita do Loreto.

Antes de sairmos do hotel, deixamos reservado o a excursão a Fátima, Nazaré, Batalha e Óbidos domingo por $76 cada, das 8h30 até as 18 h.

Há uma banca de revistas ali perto, do Jorge, onde compramos o passeio do dia. Preferimos ter direito a 48 h por $28. O Jorge vende mapas, linhas de ônibus turísticos e bondes, chocolates, livros e muito mais. E ele nos dá o folder e ensina a chegar na praça da Figueira para pegar o ônibus da linha amarela na sua primeira parada. No caminho, vimos o Café Nicola, as praças do Rossio e Restauradores. Nos perdemos e achávamos que a Restauradores era a Figueira, era pra ter dobrado à esquerda no Rossio, mas tudo bem. Nos encontramos, enfim.

Estamos no ônibus Yellow Bus-Ônibus Amarelo (linha Belém Lisbon) com auriculares e satisfeitos. Vamos sentir Lisboa, topam? Lisboa com suas subidas e descidas, praças, espaços. Estamos na Avenida da Liberdade, audaciosa, luxuosa, uma das avenidas mais caras da Europa, origem do séc. XIX. Edifícios imponentes, calçadas portuguesas, tradicionais quiosques. 1 km de comprimento. Larga, arborizada, imagino o que seja morar lá. Deve ser um paraíso.

A festa de santo Antônio é marcada por desfiles do santo, roupas tradicionais populares, a avenida fica linda, segundo o áudio. Segundo o site www.eurodicas.com.br, em vigor há mais de 90 anos, as marchas populares são parte importante das comemorações da festa. Elas acontecem na noite de 12 de junho na Avenida da Liberdade. Dali, saem pessoas em desfiles com coreografias, roupas tradicionais e música. Ocorrem mais festas do santo em outros bairros também. Eis Lisboa, uma cidade para “turistar’. O transporte facilita a vida do viajante, há os turísticos Yellow Bus e Gray Line (Linha Cinza), o tuk tuk, o tram, o metrô, táxis, Uber, o bonde, e as pernas, bastante válido o exercício. Falando em tuk tuk, vi pela primeira vez. Trata-se de um triciclo coberto que leva de 3 a 6 pessoas e o motorista funciona com guia.

Passamos pela Praça ou Rotunda do Marquês de Pombal, tendo no centro o monumento dedicado a ele (1699-1782) e inaugurado em 1934. Figura da história portuguesa, importante, controverso, carismático, secretário de Estado do Reino de Dom José I (1750-1777), autoritário, reconstruiu Lisboa após o terremoto de 1755. Lisboa é a capital mais ocidental da Europa, são aproximadamente 3 milhões de habitantes. O bairro peculiar Alfama tem becos e ruelas. No séc. XII, os mouros foram expulsos definitivamente da terra portuguesa por Dom Afonso Henriques na batalha de Ourique.

Ruas estreitas e medievais antes do terremoto. Depois, se urbanizou e desenvolveu. O clima está ensolarado, uns 19°C, uma gostosura, basta um casaquinho. Vemos a loja de departamentos que simplesmente acho formidável: o El Corte Inglés, o primeiro fora da Espanha, a loja é enorme, tem de tudo, supermercado e 14 salas de cinema. Muita gente na rua onde formos. A cidade com suas avenidas largas convida a caminhadas. Amo a arquitetura de prédios baixos, tão Europa.

Parque Eduardo VII, inaugurado em 1940, em homenagem ao rei da Inglaterra que visitou a cidade em 1903 para celebrar a aliança entre os dois países. Jardim Amália Rodrigues, em tributo à grande cantora de fado. Conforme a Wikipédia, a rainha Catarina de Bragança foi casada com o rei Carlos II, logo foi rainha consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1662 a 1685. Era filha de Dom João IV e Luísa de Gusmão. Foi quem levou a tradição do chá à Inglaterra. A ligação entre os dois países é antiga. No parque, a vegetação luxuriante com estufa fria, quente e doce, lagos, bosques, lugar imperdível. Há as árvores jacarandás na praça.

Praça das Amoreiras com muitas árvores plantadas para alimentar o bicho da seda para o comércio da época de Marquês de Pombal. Diz-se que ele plantou a primeira amoreira.

Arcos e Aqueduto das Águas Livres, construído entre 1731 e 1799, Monumento Nacional desde 1910, permitiu abastecer de água fresca e potável toda a cidade de Lisboa. Armazenamento de água com galerias e fontes, a água era transportada pela força da gravidade. Algo curioso: nesse século as pessoas só tomavam banho 3 vezes na vida: nascimento, casamento e morte. Colocavam perfume na base dos candelabros para afastar o mau cheiro. No Largo do Rato, do séc. XVIII, os chafarizes faziam a distribuição das águas pela cidade.

Nos prédios baixos é comum ter comércio embaixo. Monumento a Pedro Álvares Cabral, inaugurado em 1941, na freguesia de Santa Isabel. A influência portuguesa foi imensa na África, Ásia e América formando um grande império.

O romântico Jardim da Estrela, onde os habitantes fazem piqueniques e se encontram parques infantis. Basílica da Estrela, onde está o túmulo de D. Maria I, que faleceu no Brasil, e ela mesma mandou erguê-la. Também há pinturas de Pompeo Batoni, pintor italiano de período Rococó. A basílica tem estilo barroco com traços neogóticos do séc. XVIII. De acordo com a Wikipédia, uma curiosidade: foi a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, tendo por base as revelações de Cristo à santa Margarida de Alacoque e reforçadas mais tarde à beata Maria do Divino Coração (Droste zu Vischering) Foi ela que influenciou o papa Leão XIII a efetuar a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus em 11 de junho de 1899.

Amo o sotaque português, desbravamos a cidade lusa ao som de músicas de fado. Vemos o monumento ao Cristo Rei ou Santuário Nacional do Cristo Rei que fica na margem sul de lisboa, do outro lado do Tejo, já na região de Almada em Setúbal. Para chegar lá, deve-se cruzar a ponte 25 de Abril.

Portugal é o país com maior influência árabe do outro lado do Tejo, isso é materializado nos azulejos existentes em pontes, muros, linda decoração. O Museu do Oriente mostra a presença portuguesa nesses países.

Atravessamos a ponte suspensa rodoferroviária 25 de Abril, nome que mudou por conta do fim da ditadura, com a Revolução dos Cravos nessa data. Antes se chamava ponte Salazar. No nível inferior passam trens ou comboios, como chamam. Museu da Carris, uma viagem no tempo com bondes, Centro de Congressos, um dos melhores espaços para receber eventos. Ponte Vasco da Gama.

Rio Tejo, ícone da cidade com calçadão para longas caminhadas. Cordoaria Nacional, com feiras de antiguidades e arte em abril. Museu do Tesouro Real: ouro e diamantes do Brasil, joias da Coroa Portuguesa, conhecimento dos descobrimentos portugueses, lugar mais visitado, orgulho nacional. Museu Nacional dos Coches.

Estamos em Belém. Palácio Nacional de Belém, na praça Afonso de Albuquerque,residência oficial do presidente da República. Quando a bandeira verde está hasteada, o presidente da República se faz presente no local. Monumento Nacional desde 2007. Monumentos, Mosteiro dos Jerônimos ou de Santa Maria de Belém, do séc. XV, estilo manuelino, uma das sete maravilhas de Portugal, com os túmulos de Vasco da Gama, Luís de Camões etc. Jardim Botânico, pastéis de Belém. O rio Tejo chegava até ali e trazia os barcos do mar. Museu Nacional de Arqueologia, Museu da Marinha, Planetário.

Na praça do Império se situa o Centro Cultural de Belém. Torre de Belém. Museu do Combatente.

Fundação Champolimaud, com espaços públicos e lugar de trabalho de cientistas. Lisboa, ponto de encontro de culturas, sempre foi assim e sempre será.

Doca do Bom Sucesso, com iates e barcos, um visual para pinturas. Museu de Arte Popular, tradições e objetos típicos da cultura portuguesa. Padrão dos Descobrimentos, outra marina. Passear pelo calçadão é um primor. Estação Fluvial de Belém, em frente há obras com poesias da artista Sophia de Mello Breyner Andresen O lisboeta aprecia a arte, sem dúvida.

Estação das Docas, armazéns à beira do rio, com restaurantes embalados por muito jazz à noite, onde a animação rola solta. Terminal do Porto de Lisboa que expõe obras modernistas.

Na volta, se vai direto à parada 1, não descemos. Estamos no Bairro Alto. A rua Alexandre Herculano parece uma avenida. Tudo limpo, bonito, ensolarado. Antigamente os lisboetas faziam passeios nos jardins, nas hortas de alface, por isso são conhecidos como “alfacinhas”. Eram alfaces abundantes, aliás, foi o que comeram na época do Cerco de Lisboa em 1147, no período da Reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros. Comiam muito, tinham plantações. A origem da verdura é árabe.

A arte da calçada portuguesa vem de meados do séc. XIX. Eram feitas por mestres calçadeiros. Encontramos nas cores branca e negra em Macau e no Rio de Janeiro, em Copacabana. Hoje é obra de artistas plásticos e arquitetos em espaços públicos. Espelham tendências e hábitos de cada época. Contam histórias e passam mensagens de vida dos santos, batalhas, fábulas.

Na cidade, espetáculos, museus, monumentos dos tradicionais aos arrojados. Muitos brasileiros turistas e moradores. Também vejo pichações em azulejos, uma lástima.

Parque Martim Moniz. Praça da Figueira onde descemos. Descobrimos o restaurante perto “A Moderna”, na Rua dos Currieros. A garçonete Carina, uma simpatia. Pedimos o nosso desejado Bacalhau à Braz, regado ao vinho branco Ermida, português de Gondomar. Para nós dois: $31,95 euros, com duas bicas (cafés) e serviço incluído. Em outra mesa, duas brasileiras Vanessa e Mara, de Santa Maria-RS. Trocamos experiências diversas de viagens, sempre muito positivo esse papo de turistas.

As lojas de lembrancinhas na praça Figueira são uma loucura. Muitos objetos de cortiça, bolsas, carteiras, portas telefones etc. Os chaveiros de sardinhas coloridas de pano foram novidades para mim, tudo é colorido e bonito de se ver.

Na mesma parada 1, se pega o ônibus da Yellow Bus e o da linha moderna (ambos com a mesma cor). Continuaremos em breve com mais passeios.

Lisboa-Portugal-2024-chegada

Lisboa-Portugal-2024-chegada

Hoje é dia 3 de abril de 2024, dia de viajar a Portugal depois de um longo tempo. O Carlos e eu estávamos ansiosos e felizes, pois a terrinha portuguesa é apaixonante. Voamos pela TAP às 4h30 da madrugada de Fortaleza direto a Lisboa, e chegamos às 16 h, hora local. 4 horas de diferença para mais, já que lá é horário de verão. No voo serviram almoço e lanche depois, muito bom. Fomos pela agência Bluedream Viagens do nosso amigo Dennis. Gosto de ter um agente, pois na hora de problemas, sempre temos com quem contar.

Aterrissamos e na saída do desembarque, nossos nomes estavam nos painéis do Ponto de Encontro. Tinha que olhar com cuidado, porque eram muitos nomes. Estávamos com o transfer resolvido. O Yuri nos pegou e levou ao hotel Borges Chiado (rua Garrett, 108) no bairro Chiado. Um achado! Ótima localização e serviço. Tivemos que descer na rua ao lado e o Yuri nos ajudou com as malas. Como o motorista foi amável, demos uma gorjeta de $5 (euros), o que nem sempre fazemos e nunca sei quanto dar, confesso. O clima estava de primavera com sol, promissor. Detalhe: ao chegarmos ao hotel já pagamos $32 de taxa turística (pelos dias a ficar).

Aí fomos explorar as redondezas, pois era a primeira vez que ficávamos no Chiado. Detalhe: ao lado do Café A Brasileira, um luxo. Inaugurado em 1905, se situa à rua Garrett, 120-122. Também ao lado da Pastelaria Benard 104, de 1868, lugar para ficar na calçada e curtir o momento. Gostei da salada de frutas e da sangria de vinho rosé.

O bairro é cheio de opções: shopping, lojas, cafés, feirinha, que felicidade. A sensação é de voltar à casa. Não tenho palavras para transmitir meu amor por nossa pátria mãe, minha história é bem antiga com o país e creio que tenha a ver com o fato de ter sido sempre tão bem recebida lá. Os amigos do norte: Porto, Bragança, Santa Maria da Feira, Ermesinde e Esposende fizeram a diferença na minha vida. Salve, amigos e amigas. Hoje tem a amiga Débora em Leiria (cerca de Nazaré), saudações!

A Padaria Portuguesa com lanche à noite, o dia estava claro às 18h40. Salada com crouton negro e frango e suco de tangerina com maçã. Endereço: Praça Luís de Camões, rua de São Nicolau, 117 Floor (piso). A feira de Páscoa, de 22 de março a 7 de abril, na praça Camões ali pertinho oferece queijo da Serra da Estrela, produtos de cortiça variados (aumentou a oferta desde a última vez que fui), charcutaria (presuntos, salsichas, salames etc), doces portugueses, massas, uma delícia. Muito movimento, gente, música ao vivo, restaurantes com mesas no calçadão, uma festa. Na República da Empada, proveniente de Arraiolos (distrito de Évora), muito a provar.

Entramos na Igreja dos Italianos em frente à praça Camões, tão Itália dentro, com a imagem de Madonna di Loreto. Segundo a Wikipédia, é dedicada à Nossa Senhora do Loreto na Itália, onde se encontra a Casa da Sagrada Família de Nazaré. A igreja se localiza no Largo do Chiado, esquina com rua da Misericórdia. O autor do projeto da construção foi José da Costa e Silva. Com o terremoto de 1755, o templo sofreu grandes estragos e foi reconstruído em 1785. Possui um órgão de tubo, datado do séc. XVIII, e também se encontram armas pontifícias de autoria de Francesco Borromini (1599-1667), ladeados por dois anjos. Ele foi importante na arquitetura barroca romana. Para ler mais sobre o milagre da transladação da Casa da Sagrada Família de Nazaré para Loreto, ver o site Uma relíquia única: a Santa Casa de Loreto – Caminhada de Emaús (caminhadadeemaus.com.br) .

No bairro, muitos restaurantes, tasquinhas (pequenos restaurantes) para se refestelar de bacalhau e sardinhas com vinho. Lojas de lembrancinhas mil, uau, vou endoidar.

No dia seguinte mais perambulações lisbonenses. Lisboa iluminada, como não amá-la?

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 7-Fortaleza del Cerro de Montevideo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 7-Fortaleza del Cerro de Montevideo

Hoje é segunda-feira, dia 24 de abril de 2023. Incrível que a gente achava que era o dia da viagem de volta ao Brasil. Fomos checar, aí descobrimos que seria no dia seguinte e que estávamos “trelelé” da cabeça. Tudo bem, relaxamos e decidimos conhecer a Fortaleza do Cerro de Montevidéu ou Fortaleza General Artigas, onde se localiza o Museu Militar desde 1916.Endereço:Jose Battle y Ordonez, 12800.

Fomos de Uber e nos dirigimos ao cerro, uns 1000 pesos uruguaios (R$140,50) de ida e volta, lugar bem longínquo. O motorista Marcelo nos dá dicas valiosas sobre a cidade. O monte tem 134 metros acima do nível do mar, está no bairro Casabó. Ele não sabe como o Uruguai sobrevive sem petróleo e indústrias, somente com serviços e pecuária. Disse que deveríamos conhecer Cabo Polonio, distante 260 km de Montevidéu. É um balneário rústico, sem luz, interessante e receptivo a turistas do mundo todo pela sua beleza e natureza exuberante e inóspita.

Falemos sobre o cerro. O Museu Militar vale a pena conhecer, mostra batalhas importantes, armas, generais, canhões, e muita história sobre a fundação de Montevidéu, a declaração de independência do Uruguai em 25 de agosto de 1825, mapas etc. O mirante da fortaleza nos proporciona um cenário grandioso da baía de Montevidéu, com o rio da Prata embaixo e a cidade de Montevidéu do outro lado. Também se vê o porto e a refinaria de lá. A dica foi da Shame, atendente do hotel América.

Para chegar no local, tem que tomar cuidado, pois não é um bairro tão policiado. A fortaleza por ser área militar, sim. Melhor não ir de ônibus.

A Fortaleza del Cerro foi construída na pedra em 1809 e fundada pelo governador Francisco Xavier Elio. Ali estava a Guarnição Real Corpo de Artilharia. Segundo a Wikipédia, em posição dominante sobre o monte mais elevado da região, tinha como função a defesa do povoado e seu porto, à margem esquerda do rio da Prata. Trata-se da última fortificação espanhola construída no Uruguai. É um Monumento Nacional desde 1931.

O Marcelo ficou nos esperando e ao sairmos, retornamos ao centro direto para almoçar no El Fogón (rua San José,1080). Eu escolhi tilápia com legumes ao vapor, regada ao vinho jovem Cabernet Franc tinto, da Bodega Tomasi (Região Vinícola Atlântica Lomas de la Paloma/Rocha) e o Carlos: entrecôte bovino com salada, e de sobremesa: sorvete de limão com creme. O garçom Luís muito solícito, queria aprender português. Muito bom almoço, bem servido e tratamento de primeira.

Passeamos à tarde pelo centro. Não se veem fios elétricos nas ruas, por isso as árvores altas. A cidade fica bem mais agradável e bucólica. Perto do hotel América está a Passagemdos Direitos Humanos com o Palácio dosTribunais de um lado e a Suprema Corte do outro. Na avenida 18 de Julho, 1249, paramos no Bar Facal para um café expresso, detalhe: 110 pesos, ou seja, R$15,43. Ali fora está a Fonte dos Cadeados (Fuente de los Candados), local dos românticos frequentadores que colocam cadeados para ter um amor duradouro. Na rua Paraguay, descobrimos o Mercado dos Artesãos, onde indico a lojinha Caravanas com bijuterias originais, aliás, que mercado mais deslumbrante. São os mesmos artesãos do Mercado do Porto. Gostei, artesanato de alto nível, muitos feitos em vidro e osso.

Na praça de Cagancha ou Liberdade, demos uma parada. Para jantar, sanduíches e suco de laranja no Bar Hispano (San José, 1050) com os garçons Eduardo e Gustavo. Ficaram nossos “chapas”.

Dia 25 de abril de 2023. Dia da partida para Porto Alegre-Rio Grande do Sul. Às 12 h o transfer para o aeroporto nos pegou. Fizemos outro passeio pelas ramblas. O motorista Eduardo foi um ótimo guia, aliás, como gostam de nos contar detalhes. A música candombe nasceu no bairro Cordón. A praia Ramirez foi a primeira praia a ser frequentada pelas pessoas que logo depois tomavam chá no Parque Hotel de Montevidéu, de 1909 (hoje sede do Mercosul desde 1997). O bairro Pocitos é uma Copacabana pequena. Depois vem Buceo. Nas ramblas não se aceitam ambulantes. Passamos pelo museu Oceanográfico (Rambla República de Chile, 4215). A ilha das Gaivotas, uma reserva natural. Na praia Malvín se localiza a Casa de Veraneio de Carlos Gardel, Villa Yeruá, hoje museu (Rambla O´Higgins Rimac). Os bairros à beira rio são charmosos. Não se podem construir prédios altos.

Em Punta Gorda se encontram residências bem cuidadas, protegidas, a arquitetura é europeia. Carrasco é a região mais cara da cidade. No séc. XIX era um balneário como Punta del Este é hoje. Era um bairro privado, só entravam pelos portões de Carrasco. Depois o bairro foi crescendo com a venda dos terrenos. O hotel Sofitel Montevideo Casino Carrasco & Spa é um deslumbre. Carrasco é pensado, planejado com parques, árvores, flores, beleza. Vemos o parque Roosevelt no caminho do aeroporto. No aeroporto pediram comprovante de vacina da COVID-19. Havíamos comprado empanadas no centro por garantia.

Chegamos a Porto Alegre-Rio Grande do Sul, meus pais estavam lá. Na quarta, fomos ver a tia Rita no bairro Agronomia, e à tarde passeamos pela praça Comendador Souza Gomes no bairro Tristeza. De triste não tem nada, é alegre e movimentado. Lá nos deparamos com uma feira de verduras, cucas e produtos feitos e plantados pelos agricultores. Fiquei com água na boca. A confeitaria Bassani é uma tentação, antesera o café Itália (Praça Comendador Souza Gomes, 15). Passear pelas casas ao longo do rio/lago Guaíba é um cenário e tanto. As fotos com os barcos velejando viram poesia. Na confeitaria Rony Francês, as tortas são tentadoras (av. Wenceslau Escobar, 2389). À noite pizza com a família e amigos Isa e Fernando na Don Matraconni Pizzeria (av. Wenceslau Escobar, 2320, loja 6). Bom demais estar com os familiares do RS e casal amigo. A Zona Sul do Portinho é uma festa.

No dia seguinte, retorno a Fortaleza. Uma baita viagem. Uruguai, país pequeno, organizado, letrado, bonito e com um povo muito querido. Além de Porto Alegre e Gramado no Rio Grande do Sul, foi uma jornada gastronômica com muito vinho e encontros carinhosos.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 6-Feira Tristán Narvaja

Hoje é domingo, dia 23 de abril de 2023. Fomos de táxi do hotel América (Rio Negro, 1330) à feira usual da cidade aos domingos: Tristán Narvaja, das 8 h às 16 horas, no bairro Cordón. Inicia na rua Tristán Narvaja e se estende por várias quadras nos arredores. Fica perto da Plaza de los Treinta y Tres Orientales na av. 18 de Julho.

É diferente de San Telmo em Buenos Aires-Argentina, pois é mais feira de alimentos, como mel, mate, frutas, sucos, legumes etc. Também há roupas, antiguidades, sebo de livros, chapéus, produtos antigos fora de uso, quinquilharias mil, dentre outros. São quadras e quadras de feira, com muita gente, uma multidão. O povo leva cachorro e mate também, como bons uruguaios. Dá uma canseira de tanto caminhar, uma loucura. De almoço, comemos pizza e crepe acompanhados de suco de quatro frutas em uma banca, um evento. Ali perto música de candombe. Aliás, segundo a Wikipédia, é uma dança com atabaques típicos da América do Sul. Tem um papel significativo na cultura do Uruguai dos últimos 200 anos. Encontrei livros sobre a II Guerra Mundial em um dos sebos. O dono da banca não sabia que o Brasil havia mandado os “pracinhas” para a Itália para lutar contra o nazismo.

Fomos embora a pé, umas 8 quadras, até a av. 18 de Julho no centro. Muito movimento, vimos pedintes também. Passamos pela praça Engenheiro Juan Fabini, onde houve luta de estudantes pela democracia, há uma placa contando a história. As praças têm bancos para os pedestres sentarem, acho fantástico. A paz reina. O café La Pasiva, com sorvete, pelo caminho.

Para se despedir da jornada turística, decidimos pelo restaurante Tannat no jantar. Endereço: San José, 1065, centro. Menu: bife de chorizo com batatas fritas para o Carlos, e para mim frango recheado de queijo e presunto com purê de batata. Vinho Don Pascual 375 ml Varietal Tannat. Uma refeição robusta.

Para fazer a digestão, voltamos à mesma praça mencionada anteriormente. Para nosso divertimento, testemunhamos idosos dançando tango, uma graça. Isso é tão Uruguai. Ao som de tango, os casais bailavam à vontade. Há 9 anos quando estivemos lá já faziam isso. Escutamos também músicas gauchescas. O Carlos e eu sentamos no banco assistindo às danças, uma delícia. Se eu não tivesse acabado de jantar, teria caído no passo. Vimos isso em Córdoba na Argentina também, praças como espaço de danças.

Um pouco da história de Montevidéu. O folder Uruguay Natural do Ministério do Turismo nos informa que a capital foi fundada pelo governador e capitão do rio da Prata Don Bruno Mauricio de Zabala. O processo fundacional da cidade data entre 1724 e 1730, período em que começaram a chegar os primeiros colonizadores provenientes de Buenos Aires e das Ilhas Canárias. Os traçados da cidade foram delineados segundo as Leis das Índias a 45 graus em ângulos retos. A cidade foi muralhada em todo o seu perímetro, encontrando-se a Cidadela onde hoje é a parte ocidental da praça Independência. No ano de 1833 se projeta um novo traçado para a cidade nova que foi plenamente executado a partir de 1861. Diferentemente da Cidade Velha, a Cidade Nova se projetou com ruas amplas e arborizadas, onde se localizaram comércios suntuosos e grandes residências. No entanto, a avenida 18 de julho teve que esperar até o início do século XX para consolidar sua atividade como centro comercial e cívico. Com o traçado da Cidade Nova se criaram dois novos espaços públicos: a praça de Cagancha na avenida 18 de Julho e a praça Independência, onde as redes das duas cidades Velha e Nova se entrelaçam.

Nossa viagem a Montevidéu quase no fim.

Montevidéu-Uruguai-2023-dias 1 e 2

Uruguai-Montevidéu-2023-dias 1 e 2

Hoje é terça-feira, dia 18 de abril de 2023, já estivemos em Gramado-RS, passamos uns dias em Porto Alegre-RS com familiares e rumamos a Montevidéu, capital do país “irmão” Uruguai. Compra de passagens na CVC do shopping Del Paseo em Fortaleza. No aeroporto de Porto Alegre, Salgado Filho, encontramos o restaurante com pratos executivos Belgaleto Di Paolo, da serra gaúcha, promissor, além de Bauducco (panetones), Lugano (chocolates) etc. O avião da companhia aérea Azul de cores vibrantes róseas, gostei. Em 1h10 chegamos ao Uruguai. Nada de carimbo no passaporte, sempre apreciei ficar olhando pros carimbos. Que pena.

O transfer da CVC com o Jonatan deu certo. O aeroporto internacional de Carrasco se situa em Carrasco no departamento de Canelones. Eis a parte chique da cidade, onde se localiza o hotel mais caro de Montevidéu: o Sofitel (antigo Casino).

Chegamos ao nosso velho conhecido hotel America (calle Rio Negro, 1330), com ótima localização, bem perto da Cidade Velha, bairro histórico de Montevidéu. Reservamos pelo Booking para pagar depois. Era hora do almoço e descobrimos um restaurante perto: o El Fogón. Ambiente bonito, comida boa e farta: para o Carlos o tão esperado bife de chorizo e para mim arroz com frango picante. Sempre que chegamos a um lugar, geralmente comemos perto do hotel, ainda estamos para nos aclimatar. Em pesos uruguaios: $790 (R$106,10). Como gostam de futebol, lá estava a indefectível televisão com jogos.

Pós-refeição, saímos caminhando para uma boa digestão. Andamos pelo centro, edifício Salvo (icônico), prédio da Presidência do país (pouca segurança chamou a atenção), praça Independência e arredores. Está frio, afinal é outono, mais frio que em Porto Alegre-RS. Vimos moradores de rua por ali.

Um detalhe que gosto: onde vamos encontramos álcool em gel. E toma-se água da torneira. É um país dito seguro, lógico que tem que ter cuidado na Cidade Velha e no centro à noite.

Hoje é quarta-feira, dia 19 de abril de 2023. Começamos o dia com o café da manhã do hotel, simples, mas satisfatório. A salada de frutas é de compotas, como vejo em muitos outros lugares. Bom mesmo é o doce de leite deles, o melhor do mundo, ao lado do da Argentina.

Saímos para passear a pé. Fiquei encantada com a loja AMM para mulheres. A gente queria mesmo ir à Ciudad Vieja (Cidade Velha), parte mais apaixonante de Montevidéu. Não há semáforos, os carros param na faixa de pedestres. O tempo aqui é outro, mais lento. Visitamos o hotel Palácios, onde ficamos a primeira vez que fomos à cidade. Montevidéu é uma lindeza e já conhecíamos. Esse hotel está sempre lotado. Vimos a La Pasiva, um café frequentado por nós no passado, a Catedral e a Plaza Constitución, local onde ocorre a feira de rua aos domingos.

A praça Constitución é de 1910, na placa está escrito: nas últimas décadas dos séc. XIX a construção de luxuosos edifícios do Clube Uruguai e do Hotel Alambra modificaram substancialmente o entorno da Praça. Desde finais do séc. XVIII, a “Praça Matriz” foi sede de cerimônias oficiais e festas populares como festejos de carnaval ou corrida de touros.

Que vento! Que frio! A Catedral é majestosa, ainda mais ao som de cantos gregorianos. Eis a tumba de Mariano Soler (1846-1908), primeiro arcebispo de Montevidéu. O segundo está na parede-Francisco Aragone (1883-1953). Vimos também a do primeiro vigário apostólico Damaso Antonio Larrañaca (1771-1848), prócer da Independência nacional. E uma homenagem em bronze a Juan Antonio Lavalleja, libertador do país, à frente de 32 companheiros que desembarcaram em Arenal Grande em 19 de abril de 1825 para libertar sua pátria dominada por 8 mil soldados estrangeiros, ganhou a Batalha de Sarandi. Morreu pobre e serviu 43 anos à Pátria. Esteve à frente do primeiro governo.

Andando pela peatonal Sarandi, achei a loja Companhia do Oriente fantástica, com produtos para decoração, além de casacos, chapéus e muito mais (Sarandi, 540), bem estilo Tok Stok. Falando na peatonal (área de pedestres), foi projetada por Pedro Millán em 1726 e tornou-se uma rua exclusiva para pedestres em 1922, localizada no bairro Ciudad Vieja entre o Centro Velho e o Centro Novo. Inspirada na arquitetura francesa, tem um charme único. Fonte: dicasdouruguai.com.br.

Dica de sorveteria: Piwo Helados (Sarandi, 340). Também pode tomar um café. Provei os sorvetes de figo e morango. 200 pesos (R$26,86), sem açúcar. Pouca gente na rua, uma característica da cidade. Bem diferente de Buenos Aires.

Mercado del Puerto, imperdível. Ir a Montevidéu e não conhecer o mercado não dá, é relativamente pequeno e bem acolhedor. Boas promoções, lojas estilosas, sempre um passeio bom. Oferece muitas opções de restaurantes. Gosto da loja para turistas Mercado del Turista. Endoido com tantas maravilhas de lembrancinhas. Em frente ao mercado se situa o Centro de Informações ao Turista, cujo nome é Descobrí Montevidéo. Há um mapa grande da cidade em frente ao local em um totem. Genial. O turista gosta de ser bem informado.

Para almoço, escolhemos o restaurante La Chela (Sarandi, 264). Preço ótimo (280 pesos por pessoa) e lugar transado na madeira clara e escura, com mesas diferentes e cadeiras também, inclusive da máquina de costura Elgin. Os castiçais imitam taças de vinho. Bem original. O menu: picanha com salada russa para o Carlos e para mim sorrentino de frango. Sobremesa: crostata de doce de leite em cima, arroz com leite com marmelada, torta de doce de leite, a escolher. O garçom Julio, muito atencioso.

Ficamos pesarosos em saber que o passeio de ônibus de dois andares pela cidade não seria possível fazer, pois havia parado por conta da pandemia e não retornara. Estava em licitação. Faz uma falta…

Detalhes para os viajantes: no cartão de crédito do estrangeiro em visita ao Uruguai, o imposto IVA (Imposto de Valor Agregado) é deduzido no pagamento de hotéis e restaurantes. Também há o TAX FREE a receber no aeroporto da devolução de compras feitas. Muito bom, uma maneira de levar turistas ao país.

A loja Las Vizcarras Licorería na Bacaray, 1324 nos cativou, local bom para comprar vinhos. E a Harrington, loja pra homens com roupas de frio, calçados, blusas, vale! Comprava uma peça e a outra era pela metade.

Para jantar, depois das caminhadas, supermercado: empanadas e sucos. Sim, no Uruguai não faltam empanadas! Oba! Voltamos ao hotel, escurece cedo e estava muito frio. Nos primeiros dias já percebemos como encareceu o turismo no país. Era muito mais barato. Mesmo assim vale, pois o uruguaio é sempre atencioso e recebe muito bem o visitante.

No dia seguinte, a bucólica Colônia do Sacramento nos espera. Tantas vezes for ao país vizinho, sempre voltaremos à histórica cidade, uma beleza de lugar.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Mercado Municipal, Largo da Ordem e Museu da FEB-última parte

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-Mercado Municipal, Largo da Ordem e Museu da FEB-última parte

Hoje é domingo, dia 26 de novembro de 2023. Dia nublado, 18º C. O Carlos e eu entramos na Linha Turismo (ônibus turístico) de novo na Rua 24 Horas (parada 1) para descer no Mercado Municipal (parada 5). O nosso cartão ainda é válido. Passamos pela praça Rui Barbosa, enorme, limpa com jardins e árvores, o usual da cidade. Vimos a Santa Casa. Há ruas que parecem avenidas e com faixas exclusivas para ônibus.

Descemos no Mercado Municipal. Local com fartura de frutas, especiarias, frutas secas, pinhão, pupunha, vinhos, licores, cachaças, chocolates, queijos, doces árabes, portugueses, uau! Muito rico de opções. Na hora do café expresso, descobrimos do lado de fora do mercado, mas ainda dentro do espaço a Prestinaria Casa dos Pães, o atendente, uma simpatia. Os restaurantes ficam em cima, espaço organizado e limpo.

O tempo do ônibus turístico expirou, então pegamos um táxi cujo motorista era jornalista. Papo bom, nos disse que Curitiba mudou com a presença dos brasileiros de outros estados que vieram morar na cidade. Isso é bom, pois o curitibano era conhecido por ser “fechado”. Minha experiência foi positiva, só tenho elogios para com quem me socializei. Nosso destino é a feira tão aguardada, a do Largo da Ordem no Setor Histórico.

Segundo o folder Curta Curitiba, o Setor Histórico (ou Centro Histórico) é um passeio imperdível por locais que revelam o passado da antiga Vila Nossa Senhora da Luz e cultuam a memória de Curitiba. Nas ruas calçadas com pedras irregulares estão o casario preservado, as igrejas antigas e diversos espaços culturais. É ponto de encontro à noite nos diversos bares e restaurantes e aos domingos pela manhã na tradicional feira de artesanato.

A feira do Largo da Ordem é vibrante, com muitas bancas que oferecem produtos lindos. Vi lojas de antiguidades, uma delas a Antiquário Candelária, uma loja pequena, com tantos produtos variados até o teto, original demais. O dono muito agradável. Na feira se encontra de tudo, objetos de madeira, bijuterias variadas, roupas de lã, camisetas com desenhos de capivara (comprei uma), comidas, chapéus diferentes etc enfim, uma maravilha. Amo feiras! Viva a do Brique em Porto Alegre-RS, a de San Telmo em Buenos Aires-Argentina e por aí vai. Teve feira, nós vamos! Nós e todo mundo, afinal o movimento é grande.

Almoçamos ali perto, no Tuba´s Bar: “prato feito” de bife ou frango, arroz e feijão, batata frita ou macarrão, salada de legumes e verduras, bem farto. Valor: R$20,90. A feira desbunde vale a visita e a diversão.

Fomos de lá a pé até o hotel Bourbon no centro. O hotel realmente é muito bem localizado. Depois rumamos a um museu que queria muito conhecer: o da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Como sou estudante da II Guerra Mundial, tenho predileção por museus assim. Endereço? Rua Comendador Macedo, 655-Alto da XV.

O Museu do Expedicionário me surpreendeu por ser maior do que esperava, com salas equipadas e muito conhecimento. E de graça! Tudo escrito em português e inglês. Aberto aos domingos das 9 h às 12 h e das 13h30 às 17 h. Conta a história dos Febianos, pilotos, aviões usados na II Guerra em miniaturas, fuzis, pistolas, metralhadoras, material de campanha sacos VO (Verde Oliva). Vimos fotos dos heróis na Galeria dos Heróis e a sala General Mascarenhas de Morais que é um auditório. Da Engenharia foram 700 homens. Realizaram suprimento de água e reconhecimentos técnicos.

Um morteiro é diferente de um obuseiro e de um canhão. A sala de enfermaria da FEB, a alimentação, o fogão de campanha modelo 1935, o frio, as galochas, os brasileiros aprendendo a esquiar. O herói Max Wolff Filho. O Cemitério e o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial em Pistoia na Itália recebem mais de 25 mil visitantes ao ano entre turistas, pesquisadores e estudantes, além de familiares dos “pracinhas”. Relembrando a história da participação do Brasil, o site www.defesanet.com.br nos diz que o gal. Mascarenhas de Morais foi o comandante da FEB, que contou com mais de 25 mil homens. As primeiras tropas desembarcaram na Itália em julho de 1944. A 10ª Divisão de Montanhas dos Estados Unidos lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo do Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro a abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.

O museu é em essência a memória da história da Legião Paranaense do Expedicionário. Acervo fenomenal. Foi fundada em 1946 pelos ex-combatentes. O totem do lado de fora nos informa que o museu está vinculado desde 1980 à Secretaria de Estado da Cultura. Armas, medalhas, roupas, fotos, documentos e jornais compõem o acervo, memória permanente da participação paranaense da II Guerra Mundial. Há um tanque M3 Stuart e um P47 Thunderbolt na Praça dos Expedicionários que nos convida a sentar em um banco, contemplar a natureza e apreciar o museu.

No último dia, segunda, dia 27 de novembro, aproveitamos o café da manhã inesquecível. O aroma do hotel é delicioso. Almoçamos no Tom Espaço Gastronômico, comida feita pelo chef: tiras de batata com casca frita, aspargos, filé de frango no ponto, além de folhas, perfeito. Já o do Carlos: salada de entrada com salmão e fudge de pistache. Boa música: Bossa Nova, e a vida é muito boa!

Achei o hotel Bourbon Curitiba Hotel & Suítes acolhedor, um tratamento simpático do jeito que dá vontade de retornar. Detalhe: o povo da terra diz muito “Fique à vontade.” E como não se apaixonar por cidade tão linda? Aos amigos de lá, aquele abraço saudoso.

Curitiba, voltaremos.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Morretes-parte 5

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Morretes-parte 5

Hoje é dia 24 de novembro de 2023. Viemos a Morretes pelo trem Serra Verde Express, de Curitiba descendo a Serra do Mar. No trem perguntaram por mim e pelo Carlos e deram a dica para encontrar a guia Josiane. No saguão do terminal ferroviário, a encontramos e ela indicou a van. Tudo muito organizado.

Estação e cidade pequenas. Bem tranquila, interiorana. O motorista da van: Leandro, o mesmo que pega os turistas nos hotéis. Dá para observar o centro histórico com feira de artesanato e a praça principal. Vamos almoçar e eu ansiosa para conhecer a linda cidade. O combinado é estarmos na van às 14h30.

Hora do almoço. O restaurante é no centro, chamado Olimpo. Estamos como o grupo na varanda, oferecem como entradas bolinhos de peixe, camarão pequenos e pão. O prato principal é o típico barreado para quem gosta de carne. Ensinam como prepará-lo com farinha e arroz ali na hora, servem banana empanada e saladas diversas em uma mesa na sala. O barreado é feito também com cebola e alho misturados à carne, que é fervida por 12 horas. Depois vem a farinha. Já para mim, foi peixe anchova e camarão empanados. E molho com pupunha e camarão, bem suave. Uau! Que fartura! Achei o barreado com cheiro muito forte, já o Carlos amou.

Ao finalizar, tivemos 1 h e meia para passear. Um pouco sobre Morretes. 70 km de Curitiba, situado entre a serra e o litoral, cidade charmosa a mais não poder. É a maior produtora de gengibre do estado do Paraná, por isso os produtos como balas, licores e sorvetes.

Há o rio Nhundiaquara, a Ponte Velha onde se admira o rio, o coreto e o casario colorido, outro mundo, outro tempo. Difícil não se apaixonar. A feirinha no centrinho oferece licores diversos, lembrancinhas mil, balas de banana, gengibre e coco. E há as sorveterias caseiras e antigas como a da Dona Lucy, de 63 anos de existência, uma portinha ao lado do restaurante com sorvetes e picolés artesanais. O Carlos tomou o de framboesa por R$6,00. Eu tão cheia do almoço que nem quis. A rua das Flores é a principal do centro e do comércio. Todo mundo nos recebe com as palavras: “Seja bem-vindo” nas lojas, o forte das vendas são as placas de madeira com dizeres, cachaças, balas, chips, dentre outros.

Há marcos históricos na cidade, como a paróquia Nossa Senhora do Porto, construída no início do séc. XIX. O sino foi doado por Dom Pedro II. Quando foram colocá-lo, ele caiu e rachou. Existem festivais anuais, por exemplo: a Festa da Cachaça em janeiro e a do Barreado em setembro.

Um pouco sobre o rio. Segundo a Wikipédia, nasce da confluência dos rios São João e Ipiranga e suas nascentes estão localizadas a 1400 m de altura dentro da serra de Marumbi. Deságua na foz da baía de Antonina, ou seja, no oceano Atlântico. Permite a prática de canoagem, rafting, pescarias etc nos seus 37 km. O nome indígena significa NHUNDIA-peixe e QUARA-empoçado ou buraco em tupi ou “toca do jundiá”. Foi o nome do vilarejo de Morretes entre 24 de maio de 1869 a 7 de abril de 1870. A partir daí, se chamou de Morretes.

Cidade só de casas, vida pacata. As ruas estreitas com paralelepípedos, os casarões coloniais, as igrejas antigas nos remetem a outro período, outro compasso. Morretes foi fundada em 1721. Uma preciosidade no Brasil. Quem tem pressa em um lugar tão idílico assim? Uma mistura da colonial Paraty no estado do Rio e da bucólica Colônia do Sacramento no Uruguai. Dá vontade de não ir embora. Da próxima vez, vamos pegar o trem e passar o dia todo nos deleitando.

Continuamos o passeio com a parque temático HISGEOPAR (História e Geografia do Paraná) com suas miniaturas. São dois grupos ao mesmo tempo, o barulho é grande no galpão e tive dificuldade em entender o guia Rudi, mas valeu mesmo assim. Ele começa explicando a história do estado. Primeiro os indígenas e depois chegam os europeus na região. As maquetes são ilustrativas. A economia iniciou com a descoberta de ouro em Antonina. Depois os que vieram, partiram para Minas Gerais atrás do metal precioso. A segunda economia mais importante foi o tropeirismo, com pontos de parada no Paraná, assim vilas foram criadas pelo percurso. A pecuária foi consequência natural.

Os trens eram fundamentais, pois carregavam café, madeira e gente. O viaduto do Carvalho na Serra do Mar e a ponte São João estão expostos nas maquetes. Outro ciclo econômico foi a erva mate, os indígenas usavam e os europeus transformaram em produto. O estado do Rio Grande do Sul é o maior consumidor. O ciclo da madeira: o extrativismo da araucária. Desmatavam com machado e animais, quase extinguiram tão preciosa árvore. Só sobrou menos de 1 %. A madeira foi vendida pelo governo para a ferrovia, o monge São José Maria era o líder dos posseiros que lutaram pela terra. O governo mandou o Exército para o local e houve guerra. A faixa oeste de Santa Catarina é o Paraná pós-guerra.

Os engenhos eram braçais, utilizavam animais. No período da erva mate, a produção era artesanal, familiar. O barão do Serro Azul era grande produtor, esteve envolvido na Revolução Federalista e foi assassinado onde está a Cruz do Barão hoje. Vemos as casas antigas de madeira lascada. O papel higiênico da época eram folhas ou sabugo de milho. O banheiro era uma casinha separada da casa principal. O ciclo econômico do café foi substituído pelo ciclo dos grãos no séc. XX. A energia elétrica substituiu tudo que era familiar, simples e artesanal.

Vemos a maior usina hidrelétrica do mundo: Itaipu. Inundou as Sete Quedas da cidade de Guaíra, 150 km acima da barragem de Iguaçu. Era a maior cachoeira do mundo em volume de água, desapareceu com o lago de Itaipu. Em 1982, antes da inundação, muita gente foi para conhecer, mas uma ponte desabou e pessoas morreram. O herói das Sete Quedas, João Mandi, salvou seis pessoas se jogando nas águas para salvá-los. A Wikipédia nos conta que seu nome era João Lima Moraes, que fora pescador, depois vereador de Guaíra por dois mandatos e secretário de esportes. Foi condecorado com o título de Honra ao Mérito e é considerado herói nacional.

Santos Dumont, pai da aviação, é considerado o patrono das Cataratas de Iguaçu, uma vez que eram privadas, todavia ele as descobriu e lutou para que fossem públicas e se tornassem um parque nacional. Hoje é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO em 1986. Conforme o site https://www.itatiaia.com.br/editorias/ultimas-noticias/2023/08/29/santos-dumont-de-patrono-da-aviacao-a-patrono-das-cataratas, as terras pertenciam ao colono espanhol Jesús Val, de 47 anos. Tinha recebido um lote de 1008 hectares da Colônia Militar para fins agrícolas. E neste lote, que ocupava a margem do rio Iguassu junto aos Saltos de Santa Maria estavam nada menos que as Cataratas. Era o presidente do Paraná da época Affonso Alves de Camargo. Em uma viagem de seis dias a cavalo, de carro, de trem, uma aventura difícil, Santos Dumont chegou a Curitiba e pediu a desapropriação das terras ao lado das Cataratas (decreto 653, de 28 de julho de 1916). Em 19 de janeiro de 1939, o presidente da República Getúlio Vargas criava o Parque Nacional do Iguaçu. Por isso a 100 m das quedas está a estátua de Santos Dumont em tamanho natural a fim de homenagear o seu idealizador.

Aconselho demais o HISGEOPAR. Considerei de uma riqueza impressionante a explanação do guia Rudi e os detalhes das miniaturas. Parabéns! Morretes, então, é ímpar. Gamei.

Continuaremos com o passeio à histórica Antonina e sua beleza encantadora.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Cidade e Museu Gustavo Le Paige

Dia 6 de outubro de 2023, sexta-feira. Estamos no hostal Terracota. A dormida foi reparadora e o friozinho pela manhã agradável. Deserto é assim mesmo: calor e frio no mesmo dia. Outubro é um mês bom para estar lá. Compramos as passagens do Caetano Alencar da agência de turismo Grandes Viagens em Fortaleza, dica também da Sandra e do Max. O Caetano tem muita experiência em viagens pela América do Sul.

Voltando ao hotel, no momento só tem a gente de hóspedes. Detalhe: vi recente que colocaram a placa com o nome da pousada, que bom. A atendente Yobi é boliviana, um doce de pessoa. O irmão da Sarita, proprietária, mora ao lado em uma casa cujo muro é de galhos secos, bem interessante. Vamos ao café da manhã: tudo é servido na mesa de pouco, mas suficiente: banana, pedaços de maçã e laranja, presunto, queijo, salame, biscoitos, bolo, café e leite, sucrilhos, iogurte, ovos mexidos, um desayuno rico. Aprovado. Depois, ficamos admirando o local, um sítio em plena natureza, um oásis no deserto. Sempre bom mascar as folhas de coca, pois a altitude de 2407 m não brinca, para respirar é custoso. Na Internet vi 2500 m.

E fomos passear: Praça de São Pedro, onde está a prefeitura (Municipalidade) e os Carabineros do Chile (Polícia Nacional). A feirinha é toda colorida com artesanato, comidas, bandeirinhas a enfeitar as árvores, demonstrando ser uma cidade pacata do interior. Não preciso dizer que uma banquinha tinha a bandeira do Rio Grande do Sul: é uma gaúcha casada com um rapaz nativo e vende doces e salgados brasileiros. Entramos na Igreja Matriz, de 1557, com chão e teto de madeira e branca por fora. Simples e rústica. Rumamos ao local onde se localiza a Feira Artesanal, muitas bancas com artesanatos diversos, ótimo para as lembrancinhas. Amo o artesanato andino, produtos de lã de alpaca, bolsinhas, tudo é colorido.

Falando com a Yobi, ela nos deu dica de restaurantes onde os nativos comem e lá fomos nós após a feira de artesanato. Saindo pelos fundos do local, andamos um pouco e encontramos restaurantes, estilo quiosques, um ao lado do outro. Gostamos do Delícias de Cañaveral e pedimos: frango ao forno com batatas fritas e salada mista a 4 mil pesos (uns R$22,00), além de suco de abacaxi e de morango. O de abacaxi da fruta foi o melhor que tomei até hoje. Muitas opções de comida: se pedir a entrada, mais o prato principal e dois agregados, sai 6 mil pesos (uns R$33,00). Para nós, seria muita comida.

Esses restaurantes do povo da terra são os imperdíveis, na minha opinião. A gente observa e conhece os costumes locais. Há gatos e cachorros ao lado, percebi muitos cachorros pelas ruas de São Pedro. Pelo menos, as pessoas cuidam deles, colocam água na porta da loja e dão comida. Ao meu lado, sempre aparece um ou outro, afinal amo animais. Segundo o garçom, existem mais cachorros do que gente. Sem dúvida, o rapaz tem sendo de humor.

Pela cidade, há canaletas de onde a água vinda da Cordilheira dos Andes passa. Lembrei de Mendoza na Argentina (do lado oposto da cordilheira). Em São Pedro, chove muito pouco por ano, a chuva vem da Bolívia, país fronteiriço, mas é algo raro. Os moradores molham a rua, as calçadas e os muros, tamanho o clima seco.

Passamos na pracinha de novo, depois do almoço, um calor de rachar e um sol perigoso fica amenizado debaixo das árvores pimento e algarrobo.

Recebemos o aviso via fone (do chip do Chile que ganhei do Levi da agência de turismo Sol Andino) que o parque Valle da la Luna estava fechado, devido aos ventos de 60 km/h, os quais trazem tempestades de areia. Que fato inusitado! Ruim para a saúde dos olhos e dos ouvidos. Logo, o passeio da tarde foi cancelado. Vamos então aos Museus do Meteorito e do Padre Gustavo Le Paige. No caminho, nos encontramos com o Alan, jovem aventureiro de SP, na fila do banco (uma porta para tirar dinheiro). Dou a dica do Museu do Meteorito e ele dá a dica de umas empanadas incríveis: Empório Andino na Caracoles, 151. Ficamos sonhando com o jantar da noite.

Chegamos no Museu do Meteorito, na rua Tocopilla (nº 201), direto, porém estava fechado, que pena. O horário é das 18 h às 21 h. Expõe 77 meteoritos encontrados no deserto. Acabamos não indo. O Alan foi e gostou, o lugar é pequeno e único.

As cercas das casas feitas de galhos e as ruas de pedregulho fazem de São Pedro um lugar diferente. Continuamos caminhando, quero conhecer o museu Gustavo Le Paige. Antes era no centro, na pracinha, porém mudou para bem mais longe e sem sinalização, as ruas sem placas tornaram a dificuldade maior. Merece ser mais divulgado entre os turistas, nós fomos, porque gostamos de museus.

Quem era Gustavo Le Paige? Jesuíta, arqueólogo, de origem belga. Escavou cemitérios arqueológicos pré-hispânicos. Estão expostos diversos tipos de cerâmicas: polida, manifestação material dos povos pré-hispânicos; monocromática, de pastas e paredes muito finas com tratamento de superfície polida, dando a impressão de estar lustrada; vermelhas; negras etc. Domesticação das lhamas, cestos do Atacama, instrumentos musicais como flautas, trompetas, ocarinas, gorros com bandanas e calota craniana etc. Prática fumatória e inaladora: os indígenas consumiam vegetais com conteúdos alcaloides capazes de gerar alucinações e alterar o estado de consciência em 200 d. C. Túnicas, bolsas com estampas da região. Minerais de cobre usados como oferendas nos rituais religiosos e para lapidação. Mostra de tapeçaria enlaçada e com fibra de alpaca. Túnica Tiawanaku (ou Tiuanaco-sítio arqueológico pré-colombiano no oeste da Bolívia, perto do lago Titicaca) com estampa de pássaro antropomorfizado. Linda! Museu pequeno, situado em contêineres, mas muito válida a visita. Com informação para cegos. Foi uma boa caminhada.

A rua Caracoles é a principal do centro, o “point” de comércio e agências, lojas, restaurantes, me lembrei da rua Broadway em Canoa Quebrada, Ceará. Uma delícia caminhar e ver o movimento seja de dia, seja de noite, lógico que à noite o clima frio é sempre mais aprazível.

O Levi nos disse que os ventos estavam em 53 km/h. O passeio do Vale da Lua foi adiado mesmo. Então decidimos pelas Termas de Puritama no sábado: 95 mil pesos: excursão e ticket de entrada para ambos, em reais R$525,35. Na sexta mesmo à noite, escolhemos o passeio do Tour Astronômico, 50 mil pesos chilenos para ambos: R$276,50. Era para ser às 21 h, mas por conta do tempo nublado só saímos às 21h30. A gente ficou olhando o céu, esperando as nuvens se dissiparem.

Continuaremos em breve com passeios incríveis.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Chegada

Dia 04 de outubro de 2023. Saída de Fortaleza a Guarulhos (São Paulo). Saímos às 15h45, mas só chegaríamos em São Pedro do Atacama ao meio dia do outro dia.

Dia 05 de outubro de 2023. Guarulhos (SP)-Santiago do Chile, de lá a Calama. Que viagem! Por motivos de greve de terceirizados, atrasou em Fortaleza e em Guarulhos, por isso a LATAM mudou nosso voo para Calama (norte do Chile), melhor. Em Guarulhos, no setor internacional, implicaram com minha almofada de gel, quase não me deixaram passar. Sempre viajo para ficar mais confortável. Em lugar nenhum isso acontece, fiquei perplexa. De Guarulhos a Santiago, serviram frutas, chocolate e um sanduíche de frango, melhor do que o usual servido nacionalmente. É bom levar lanches, pois sentimos uma fome danada em avião.

Em Santiago, no aeroporto Arturo Merino Benitez, saímos do Terminal 2 (internacional) para o 1 (nacional). A mala do Carlos foi direto para Calama, o que nos deu um susto. Ainda bem que um funcionário em Santiago foi desenrolado e nos informou corretamente sobre a bagagem. A minha chegou em Santiago, logo tive que fazer o check-in da mala, despachá-la e passar pela alfândega, logo entramos na fila de checagem. Corremos para alcançar o balcão 27 do T1. Como brasileiro sempre conversa e se ajuda, conhecemos ali mesmo os paulistanos Irene e seu filho Dudu, e o Alan que viajava só. Rapaz jovem corajoso na sua primeira viagem internacional. Todos nós ansiosos pelo deserto do Atacama. O Carlos na sua segunda estada lá. Detalhe: não deu tempo para comer nada, somente tomar um suco de pêssego. Todos os voos lotados, incrível, em plenas quarta e quinta-feira. No voo para Calama o lanche foi gostosinho, mas com muito sal e calórico, da marca Tribu: suflês veganos com farinha de grão-de-bico, feitos com pasta de amendoim e com sal do mar. Fazer o quê? Comer. Em suma: Fortaleza-Guarulhos: 3h15 de voo; Guarulhos-Santiago do Chile: 4h24; Santiago-Calama: 2h44, ufa!

Chegados a Calama, província de El Loa na região de Antofagasta, que é uns 100 km de São Pedro, fomos logo ao guichê da TRANSVIP, o transfer que havia consultado antes pela internet. Ida e volta por 25. 800 pesos chilenos (R$138,55). Pagamos em dinheiro (havíamos comprado uns pesos em Fortaleza para garantir). Deixamos a volta combinada para o dia 11 de outubro e nos pegariam às 5h15, cedo demais, mas era o jeito. Detalhe: em São Pedro o melhor a levar é dólar. Trocam reais também.

Pegamos o transfer e lá vou eu prestando a atenção ao caminho, Calama é a terra do sol e cobre. Estamos no deserto, tudo é muito claro e árido. Não há vegetações. Vejo casas coloridas e prédios altos. A cidade é espalhada. Por conta de São Pedro, muitos estrangeiros passam por ela. Há parque de usina eólica e solar por aqui. As outras localidades da região do deserto possuem nomes indígenas: Tocopilla, Paco Sico, Toconao. Estamos na estrada CH 23, bem sinalizada e de boa qualidade.

A van nos deixa no hostal em São Pedro do Atacama, que não tem placa: Terracota (Tocopilla, 517). Descobri no Booking.com, preço razoável e lugar promissor. Amamos à primeira vista, é um sítio com plantas, árvores, gatos e cachorro. A simpática funcionária Giovana ou Yobi e a proprietária Sarita nos deixam à vontade, pagamento, só depois com calma. A Yobi nos mostra a cozinha e fala sobre o café da manhã. Há chás em sachês, extratos secos ou em folhas na mesa sempre a postos, inclusive o de coca, muito útil por conta da altitude (estamos a 2500 m), pois ameniza a falta de ar e o cansaço. E a água é livre, uma dádiva, uma vez que tomamos muita, por conta da secura do deserto.

Além de cansados demais, estávamos esfomeados. Sinceramente, não vale a pena ir direto, valeu pela experiência de saber que não faremos isso novamente. Melhor, passar um dia ou dois na capital Santiago na ida ou na volta.

Deixamos a bagagem no quarto e saímos para almoçar, eu estava passando mal de fome. O hotel é muito bem localizado, perto do centrinho. A cidade é pequena. Descobrimos o Café Adobe Restaurante, na Caracoles, 211 (com calle Tocopilla). Excelente, comida fina, de chef: frango, molho de tomate e purê de batata especial, além de suco de morango. Encontramos a Irene e Dudu lá. Salve! Na rua Toconao, muitas casas de câmbio. La Llamita, loja de lembrancinhas ali perto.

O povo da terra, percebe-se, é descendente dos indígenas atacamenhos. São Pedro é peculiar, nunca vi lugar igual, é exótico. As ruas de areia, turistas mil. Muitos brasileiros. Se anda a pé, tem uma farmácia, mercadinhos, sorveterias, lojas mil, restaurantes, gamei total. As casas são baixas, têm cor ocre, a cidade tem cor de barro. Muito interessante. O clima de deserto é diferente: de dia muito calor, o sol forte e à noite, frio. Como era outubro, estava suportável o calor e agradável o frio.

Á tarde, “desmaiamos” de tão exaustos. Já à noite, fomos passear. Descobrimos em frente ao Café Adobe, o Rincón del Sal (Caracoles, 218) com opções de comidas, pizzas e… sopa! Crema de verduras por 4500 pesos (R$24,16). A vida é noturna, as ruas ficam vivas, o clima mais suave, achei similar à night de Jericoacoara e Canoa Quebrada no Ceará.

Há de se tomar muita água, pois estamos no deserto mais seco do mundo. Umidade de 10%, é bom evitar carne vermelha, frituras e álcool à noite. E proteger os lábios. Deram a dica de comprar Blistex na farmácia.

Já chegamos a São Pedro com a dica de uma agência de turismo. Obrigada, Sandra Ximenes e Max Krichanã. Sol Andino Expediciones na rua Caracoles, 362. O brasileiro Levi e o colega boliviano Ronaldo, muito solícitos. Ganhei um chip do Chile do Levi, o que se mostrou muito válido. Todas as combinações de turismo são feitas via Whatsapp ou telefonemas. Aliás, muitos bolivianos trabalham lá, é cerca da fronteira com a Bolívia. Na agência, fizemos logo as combinações para os passeios. Muitos viajantes já vão com tudo pago, mas nós gostamos de decidir no momento da chegada. Compramos o passeio ao famoso Valle de la Luna, (Vale da Lua) das 15h45 às 19h30. Eu paguei 40 mil pesos chilenos (R$215,64) e o Carlos 35 mil pesos chilenos (pela idade: R$187,74).

Não resisti a um sorvete na Heladería Babalú (Caracoles, 140) e fiquei encantada com tantos sabores originais: rica-rica (erva com propriedades calmantes), flor do deserto (flor), laranja com gengibre, pera de Páscoa, banana com amora, laranja com cenoura, selva (floresta) negra, frutos vermelhos etc.

São Pedro do Atacama cativa desde o início.

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Chegada

Gramado-Rio Grande do Sul-Brasil-2023-Chegada

Dia 10 de abril de 2023. Lá vamos nós à cidade da paixão nacional: Gramado. Pegamos o voo das 4h30 da madrugada de Fortaleza a Guarulhos-São Paulo e de lá a Porto Alegre pela GOL. Chegando pelas 11h30, pegamos um transfer da CVC com seis pessoas (uma Sprinter), já pago, e rumamos a Gramado por Taquara, mais 2 h de viagem. No caminho, passamos por Sapiranga, Araricá e Parobé.

Chegamos a Gramado, ao Sky Centro Hotel & Spa, localizado à rua João Fish Sobrinho, 115, escolhido por ser perto do centro e de ótima qualidade. Hospedagem via sistema Bancorbras, ou seja, tínhamos direito a 7 diárias. Tomar água da torneira é um luxo. Os atendentes do hotel solícitos e queridos: o pernambucano Rodrigo, o Tony, dentre outros. A cidade repleta de trabalhadores nordestinos, fiquei feliz em ver.

Saímos logo para o almoço. Estava calor. Estávamos muito cansados de tantas horas de viagem. O Galeto Di Paolo estava bem ali, logo foi o escolhido (rua Garibaldi, 23). Muita gente prefere a refeição do tipo Sequência, isto é, um valor fixo com muita comida que começa com uma sopa de capeletti, típica do sul. Nós decidimos pelo prato a la carte mesmo: penne integral ao molho de tomate seco mais o “galeto al primo canto” (receita tradicional gaúcha feita de frangos pequenos assados). Delícia! O restaurante é primoroso e bonito, por isso caro. Pagamos uns R$210,00. Ao longo dos dias, fomos conhecendo opções também muito boas por preços mais acessíveis, embora soubéssemos que Gramado é uma cidade dispendiosa. Planejamento financeiro é necessário.

À noite, o clima estava 22º C, uma maravilha perambular por suas ruas limpas, bem cuidadas. Muito movimento, como sempre, Gramado sempre atrai turistas. As ruas ainda estavam decoradas para a Páscoa. As flores pela cidade toda e os jardins encantam. Passamos pelo prédio do Festival de Cinema de Gramado, o Palácio dos Festivais, situado à av. Borges de Medeiros, 2697, com a estatueta do Kikito exposta, eis a premiação. Surgiu na imaginação da artista Elisabeth Rosenfeld em 1967, como representação do deus do bom humor.

Saímos à procura da Casa da Velha Bruxa, uma confeitaria/ lanchonete original, com guloseimas apetitosas. Pedimos suco de uva branca que nos lembrou a cajuína do Ceará. Bem refrescante. E a torrada da Velha Bruxa com molho da casa. Conversamos bastante com o garçom Pablo, que havia morado em Aquiraz, no Ceará. Ele deu a sugestão da vinícola Jolimont. Segundo ele, o vinho rosé vale a pena. Detalhe: os lugares mais turísticos são sempre os mais custosos. Com os dias, descobrimos outros cantinhos válidos.

Após o jantar, saímos pelo Largo da Borges, Via San Marco, Chocolateria Prawer, Fantástica Casa de Chocolates Florybal etc. A avenida Borges de Medeiros é um evento! Iluminação, multidão, alegria, bom demais.

Meu conhecimento com Gramado remete a minha infância, quando vivia em Porto Alegre (dos 6 aos 12 anos). Ao longo dos anos, sempre voltei e vejo que de uma cidade mais calma e natural, está cada vez mais agitada, cheia de atrações. Uma coisa ninguém duvida, continua bela.