Buenos Aires!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Buenos Aires sempre!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Hoje é dia 9 de setembro de 2024, de manhã estivemos no Centro Cultural Coreano e à tarde iremos ao Museu do Holocausto. Para entrar é necessário fazer um pré-agendamento e levar o passaporte no dia estabelecido. Temos 2 h de visita. Fiz isso com muita antecedência ainda em Fortaleza-Ceará. Programação para o dia 9 de setembro das 14h30 às 16h30. E lá fomos nós de táxi para o bairro Recoleta, Calle Montevideo, 919. Para quem tem interesse em história, é um “prato cheio”, como se diz. Considero uma visita impactante e obrigatória. Pagamos 3200 pesos (em reais R$11,75 hoje). Conhecer a história nos ajuda a ter consciência e a não repetir os mesmos erros.

Logo na entrada, vemos um painel com a porcentagem da população judaica na Europa antes do Holocausto. Em 1939, 7 em cada 1000 eram judeus, em 2019, só 2 em cada 1000. No museu estão expostos objetos de uso religioso, de uso cotidiano, máquinas fotográficas como testemunho de vida familiar etc.

Muito a ver no local. Testemunhos de famílias, triângulos nas roupas dos perseguidos: rosa para homossexuais, verde para delinquentes, vermelho para políticos, roxo para Testemunhas de Jeová, cinza para ciganos e associais. Para os judeus, a cor era amarela. Em 1934 já morria um anarquista chamado Erich Mühsam (1878-1934). Segundo a Wikipédia, era ensaísta, poeta, dramaturgo judaico alemão, antimilitarista. Assassinado como “um dos judeus subversivos” no campo de concentração de Oranienburg, Alemanha, em 9 de julho de 1934.

Hitler era um grande ator. Propagandas antissemitas. Painéis fora de ordem cronológica com as proibições a judeus: frequentar balneários em 1938; casamentos entre judeus e cidadãos do Estado de sangue alemão e sangue misto em setembro de 1935; trabalhar como funcionário público em abril de 1933;, expulsos do Exército em maio de 1935; e crianças expulsas da escola pública em novembro de 1938. Ainda: ter telefone, usar ou instalar em julho de 1940. Em maio de 1935, os jornalistas judeus são excluídos do periodismo da Alemanha.

Objetos recuperados do Pogrom, significado: perseguição deliberada de um grupo étnico, de novembro de 1938: SIDUR, livro de orações (e bênçãos diárias) de uma sinagoga em Viena, Áustria; cabides da loja de Rathenow de Markus Lieber; o chamado para as ordens de ler a TORÁ, proveniente da sinagoga de Brette Baden, Berlim. 7500 comércios/propriedades e 67 sinagogas foram destruídos. O site www.worldhistory.org ou Enciclopédia da História Mundial nos conta que a “Noite dos Cristais” ou a “Noite dos Vidros Quebrados” ou o “Pogrom de Novembro” ocorreu em 9 e 10 de novembro de 1938, tendo sido um ataque contra judeus e propriedades dos judeus na Alemanha e Áustria.

Na Argentina, em Buenos Aires, o Luna Park onde nazistas se reuniam para celebrações em 1938. Os judeus na Plaza San Martin. Em 1889 chegam judeus imigrados ao país. Associação Cultural Pestalozzi de judeus antinazistas. Segundo o escritor francês Albert Camus: “Os jornalistas são os historiadores do instante”.

O uniforme militar de Gladys Mary Helliwell, do Corpo de Inteligência Britânica assentado em Wentworth, Grã-Bretanha. Gladys casou com Santiago Arturo Knight na Inglaterra em 1943 e se radicou na Argentina em 1946.

Castelo de Hartheim, em Alkoven, perto de Linz na Áustria, onde exterminaram pessoas com deficiências com crematório. Plano sistemático de extermínio pela pureza da raça ariana. “Eutanásia”, foram 250 mil assassinatos na Alemanha. Alteravam a causa da morte (eutanásia T 4) para ocultar assassinatos. Desde o asilo de Schloss Liebenau (em Berlim, Alemanha) eram levados ao centro de extermínio Grafeneck em Gomadingen, Alemanha. Programa de “eugenia e critanisia” AKTION T4, 1939.

Churchill. Qual é o nosso objetivo? A vitória, a vitória a qualquer preço, vitória apesar do terror, vitória pelo longo e árduo que seja o caminho, porque sem vitória não há sobrevivência.

As informações nos painéis digitais são completas. Sobre o Gueto de Lodz (Polônia). O Conselho Judaico vivia dilemas, acabava obedecendo aos nazistas e iam contra o seu povo. No fim, todos morreram em campos de concentração. Como Chaim Mordechaj e Rumkows Ki, que morreu com a família em Auschwitz (no sul da Polônia) em 1944. Pereciam de fome e doenças também. Filmagens originais feitas pelos nazis do Gueto de Varsóvia (Polônia) em maio e junho de 1942.

No 1° andar. Principais sítios de matança, onde atuaram as unidades móveis de EINSANTZGRUPPEN nos territórios soviéticos ocupados por nazistas em 1941. Fotos de fuzilamentos (com fuzis) na Letônia em 1941: 2749 vítimas. Os painéis digitais que mostram os campos de concentração, de extermínio e trânsito são muito bem-feitos.

Conferência de Wannsee, em 20 de janeiro de 1942, com fotos dos participantes e cartas convites onde ocorreu a discussão sobre a Solução Final. Aparecem os números de judeus na Europa. De acordo com a Wikipédia, estavam presentes na reunião membros superiores do governo da Alemanha nazista e líderes da SS, tendo como presidente Reinhard Heydrich. Otto Hofmann, Heinrich Müller, Adolf Eichmann e outros decidiram como seria feito o genocídio da população judaica na Europa.

Resistência nos campos de concentração, nos bosques, nos guetos. Aba Kovner, líder da resistência no Gueto de Vilna (na Lituânia) em 1941. Ele foi chamado à luta armada no gueto em 31 de dezembro de 1941 e disse: “Irmãos, é preferível morrer como combatentes livres do que viver nas mãos de assassinos. Resistamos! Resistamos! Até o último alento.”

Babi Yar. Barranca ao noroeste de Kiev, Ucrânia. 33771 judeus foram assassinados em dois dias em 28 e 29 de setembro de 1941 pelos EINSATZKOMMANDO do EINSANTZGRUPPEN C, polícias alemãs e ucranianas.

Os judeus pegos e levados a campos de concentração ficavam 15 dias no trem hermeticamente fechado sem ar, luz, água, comida, uma experiência devastadora. Hanna Lévy-Hass, sobrevivente do Holocausto. Ao longo de 33 meses (1942 a 1944), os nazis usaram 2000 trens para transportar judeus pelos campos. 15 guardas bastavam para vigiar um trem com mil prisioneiros. Entre março de 1942 e fevereiro de 1943 foram assassinados 10 mil judeus por dia. Em 20 meses foram exterminados 4,5 milhões, 75% das vítimas do Holocausto. 250 mil morreram congelados, de inanição ou fuzilados.

As Marchas da Morte em 1944/45 ante o avanço soviético. Conforme a Wikipédia, a Marcha da Morte ocorreu no final da II Guerra Mundial, quando os nazistas começaram a transferir prisioneiros de campos de concentração devido à invasão da Normandia e ao avanço das tropas soviéticas. Os evacuados foram os que estavam em áreas ameaçadas como Auschwitz e Stutthof para locais mais seguros na Alemanha. O site https://holocaustoempt.ces.uc.pt adiciona que as marchas eram responsáveis por inúmeras mortes, notadamente, eram feitas a pé, percorrendo centenas de quilômetros em condições terríveis, sem alimento nem vestuário adequado, e ainda no pico do inverno.

Em 27 de março de 1945, a Argentina declarou guerra à Alemanha. Muitos criminosos nazistas foram para o país no pós-guerra. Dentre eles: Adolf Eichmann, Erich Priebke, Josef Mengele, Ante Pavelic etc. Vemos suas fichas técnicas.

Uma seção escura de cenas fortes de judeus prisioneiros no campo de Bergen-Belsen em 1945 foram filmadas pelas forças britânicas. Imagens chocantes.

Em um setor de homenagens aos que partiram, deixamos as nossas pedrinhas. Na tradição judaica, as pedras representam o permanente, o que devemos lembrar e o que não permitimos que se esqueça.

Que museu excelente, daqueles inesquecíveis. Na saída, cartazes contra as propagandas enganosas que causam intolerância e ódio, de modo a sermos mais conscientes. Teorias da conspiração, notícias falsas, como distinguir o real do falso. O Holocausto dos judeus foi provocado, teve muitas informações falsas contra eles, promovendo o ódio (Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, era expert no assunto).

Mas ainda não acabou, há uma sala com o testemunho interativo de sobreviventes do projeto Dimensões em Testemunho, da USC Shoa Foundation (Fundação). Lea Zajac de Novera, foto de 31 de dezembro de 1926, na Polônia. Emigrou para Buenos Aires com seu marido sobrevivente e tiveram dois filhos.

Continuando, uma exposição interativa no 1º andar, com guia, sobre as Testemunhas de Jeová, grupo perseguido pelos nazistas. 25 mil pessoas na Alemanha em 65 milhões de habitantes. Eles eram neutros politicamente, estudavam a Bíblia, todos eram iguais. Em 1929, as Testemunhas haviam advertido a comunidade mundial através de suas publicações contra o Nacional-Socialismo (partido nazista). O feroz ataque a eles começou em 1933. Colocavam-se abertamente por campanhas, cartas, resistência política, expuseram as atrocidades publicamente. Havia um conflito direto entre a lei e a lei de Deus. Só obedeciam a Deus.

Martin Bertram tinha uma padaria e se recusou a obedecer aos nazis, ou seja, a não receber judeus, que eram considerados companheiros pelas Testemunhas de Jeová. 4500 foram mandados para campos de concentração, 16 mil perseguidos, 1750 perderam a vida, 600 internados em reformatórios, 13 mil encarcerados, 548 executados. Eles eram inquebrantáveis perante torturas. Nem crianças escapavam do sofrimento: fotografias de Ruth Danner, 7 anos; Berthold Mewes, 13 anos.

Não faziam saudação a Hitler, nos campos de concentração as mulheres se ajudavam e se consolavam com a Bíblia. Para escapar, teriam que assinar uma declaração desistindo de sua fé, a fim de ter vantagens. Não aceitavam. Os nazis os separavam de outros grupos para eles não divulgarem sua fé. Iam para Sachsenhausen depois para outros campos. Morreram por seus princípios, eram inabaláveis.

August Dickmann, objetor de consciência, não aceitou o recrutamento militar e foi morto. Aparece a foto da família Kaselowski e de Johann Rachuba, que foi torturado. Na Marcha da Morte, 23 Testemunhas carregavam os doentes e dividiam a carga. Todos sobreviveram. 33 mil prisioneiros de Sachsenhausen andaram 250 km até o mar, onde barcos seriam destroçados.

No pós-guerra muitos foram para o Uruguai, Argentina e Brasil. Em 1955, 107 mil Testemunhas se reuniram em Nuremberg (Alemanha). Em 2017, o Supremo Tribunal Russo os declarou extremistas pelas suas publicações baseadas na Bíblia. A Rússia proibiu o site oficial e confiscou suas propriedades. Muitos têm sido presos e maltratados.

O que dizer depois de tudo isso? Que aula! O Museu do Holocausto serve também para refletirmos sobre nossas vidas em tempos de paz. O lema do meu grupo de estudo @peloscaminhosdaiiguerramundial é: Lembrar para não repetir.

Buenos Aires, muito a aprender.

O Rio de Janeiro continua lindo-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial e AquaRio-dia 2

O Rio de Janeiro continua lindo-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial e AquaRio-dia 2

Hoje é quarta-feira, dia 13 de agosto de 2025. O Carlos e eu nos sentimos ressacados da viagem do dia anterior. O café da manhã no rooftop (topo do telhado) do hotel Socialtel Copacabana nos desperta, com certeza. Nunca vi uma pintura tão bela de Copacabana como das janelas do restaurante. Um espetáculo de dia ensolarado. O clima ainda está ameno, mas vai esquentar. Rio de Janeiro no verão, nem pensar! Estamos no final do inverno. No local, muitos argentinos e vários outros grupos de turistas. O suco de morango é tradicional. O buffet é sortido, gostei do bolo de aipim/macaxeira com coco, uau!

O dia é para conhecer o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial, localizado na av. Infante Dom Henrique, na Glória. Contratamos o taxista sr. Zé Carlos e ele nos esperou lá, pois ainda queríamos ir ao Museu do Amanhã, no Porto Maravilha.

Falando um pouco sobre o monumento. Vale a pena visitar. Achei um museu levado a sério, com tudo traduzido para o inglês. Segundo o folder, foi inaugurado em 5 de agosto de 1960 e abriga os restos mortais de 467 militares que tombaram no teatro de operações da Itália, e o nome dos 2.236 heróis da Marinha de Guerra, Marinha Mercante e do Exército brasileiro que morreram no nosso litoral durante a guerra. A autoria é dos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas Marinho, sendo um dos principais pontos turísticos da cidade.

Lápides dos pracinhas tombados na Itália-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O seu idealizador foi o marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira a fim de homenagear aqueles que perderam a vida nos campos de batalha da Itália. Nas palavras do marechal: “Eu os levei para o sacrifício; cabia-me trazê-los de volta”. No Mausoléu estão sepultados os pracinhas que tombaram na II Guerra. Lá está a lápide do sargento Hermínio, cearense, bem conhecido aqui em Fortaleza. Nome completo: Hermínio Aurélio Sampaio (nascido em 17-06-1912 e morto em 12-12-1944). O Patamar abriga painéis em cerâmica em homenagem à Marinha, um jardim interior e um lago; a Plataforma compreende o Pórtico Monumental, o Túmulo do Soldado Desconhecido e esculturas homenageando as três Forças Armadas, e a Sala de Exposições exibe peças e armamentos utilizados na guerra. Para quem se interessa pela II Guerra é de uma riqueza ímpar de informações.

Do local fomos ao centro, muito trânsito. O taxista bom de papo. Descemos na praça Mauá, perto do Museu do Amanhã. Limpa, bem policiada, com lixeiras laranjas. Sempre observo a limpeza de uma cidade. Para nossa decepção, em plena quarta, o museu estava fechado. Então, rumamos ao AquaRio, amo visitar aquários. Que calor, um sol escaldante.

Estava ocorrendo um evento impactante com uma multidão: o Innovation Week, de 12 a 15 de agosto, no Porto Maravilha. E nós caminhando entre os participantes, íamos pelo calçadão. Foi uma região que de degradada virou renovada. Parabéns, Rio. Só achei o sol de matar e faltam árvores. Hora de almoçar. No caminho, encontramos o Gastronomia Itinerante Café e Restaurante, em frente aos armazéns do Innovation Week. Pequeno e aconchegante, gostamos. Pedimos o velho frango grelhado com arroz, legumes, e farofa, e suco de abacaxi. Para os dois: R$118,00 além dos cafés expressos. Que calor! Esses pequenos restaurantes e botecos são a cara da cidade. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) passa entre os galpões e o restaurante.

Continuamos a caminhada pelo calçadão no sol até o AquaRio. Endereço: Praça Muhammad Ali, Gambôa/Porto Maravilha. Entramos no prédio e descobrimos também ter o Museu de Cera Dreamland e o G1 Experience da GLOBO, no 4° andar, com 20 atrações imersivas com estúdios da emissora de TV (para celebrar os seus 100 anos). Nós decidimos somente pelo aquário (3° andar) com a atração: Mar de Espelhos (2° andar) por conta do tempo. A funcionária Keila nos atendeu na entrada. Mais de 60 anos tem desconto. Eu paguei R$108,00 por ambas as atrações. Não é barato, mas depois de conhecer o AquaRio, pensei ser válido e muito.

Espaço no AquaRio-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

De acordo com o site do AquaRio: www.aquariomarinhodorio.com.br, são 26 mil m² de área construída e 4,5 milhões de litros d´água. É o maior aquário marinho da América do Sul. São 10 mil moradores de 350 espécies do Brasil e do mundo, divididos em mais de 28 recintos, ou melhor, lares.

Vamos conhecer. Medusa que não queima e não nada. Mututuca (cobra), cavalo-marinho, moreia pintada, moreia leopardo. Que lindeza! Conchas e moluscos. Gastrópodes: lesmas-do-mar, búzios, caramujos. Bivalves: ostras, mexilhões, conchas de vários lugares do mundo. Raias vielas: grupo de tubarões, feitos de cartilagem. Baiacu mirim. Campanha intensa contra sacos plásticos. Piranhas: são detritívoras, se alimentam de restos de matéria orgânica. Por este motivo, são importantes para a manutenção da saúde dos rios da região onde existem.

Bichinho fofinho é o axolote (o “x” se pronuncia /ks/), não conhecia. É um anfíbio que permanece dentro da água. Criticamente em perigo. Se encontra no lago Xochimilco, na cidade do México, um lago poluído, sujo, um habitat fragmentado. Lá estão tilápias e carpas, espécies invasoras. O axolote é o símbolo nacional do México, presente em obras de arte, brinquedos, quadrinhos e até na nota de 50 pesos. Para o povo mexicano, ele representa identidade, resistência e a riqueza da fauna endêmica do país. É parente dos sapos, pererecas e rãs, é salamandra, não faz metamorfose. Mede cerca de 15 a 30 centímetros, pesa 125 a 180 g e vive de 8 a 10 anos na natureza. Característica neotênica, conserva as características da fase juvenil e larval ao longo da vida.

Aquário-AquaRio-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O aquário de peixes e arraias, e o túnel por onde passamos é entusiasmante. A seção de corais é colorida, bela, com vários tanques. Sem corais, não viveremos. O AquaRio é uma verdadeira escola da natureza. São vários vídeos de aula. Fantástico. Aprendi muito e gostei de ver os mergulhadores alimentando os peixes no grande aquário. Algo interessante sobre a imobilidade tônica para tirar sangue dos tubarões, anestesiam tocando nas terminações nervosas.

O AquaRio merece demais uma visita. Do 3° andar nos dirigimos ao 2° andar para conhecer o Mar de Espelhos. Sinceramente, não acho que foi válido. Apreciei somente a última sala com suas projeções bonitas de paisagens e figuras. Não se pode tirar fotos, a não ser a oficial. As outras salas não me chamaram a atenção.

Na entrada está o restaurante Point da Elis, para pipocas e salgadinhos. Há lojas em cada espaço, divididas. Fiquei tentada pelas camisetas, bolsas, bichinhos de pelúcia, canetas, mas tudo caro, que pena.

Em breve, mais passeios. O Rio tem muito a oferecer.

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Punta del Este

Hoje é dia 22 de abril de 2023, viemos de Piriápolis em direção a Punta del Este, balneário e praia desejado por argentinos, brasileiros e uruguaios, conhecida como a Mônaco ou St. Tropez da América do Sul. Continuamos no nosso passeio de um dia com o motorista Carlos e a guia Laura da empresa Dreamtour.

Entramos pela beira-mar. A sua economia é autônoma, o padrão é alto, uns 32 milhões de dólares se encontram neste local. Até os bairros mais simples são fenomenais, Punta é diferente do resto do país em termos de riqueza concentrada. Mais de 9 mil pessoas vivem na cidade ao longo do ano. O padrão arquitetônico é planejado, tudo deve ser perfeito, há lei municipal que assegure isso.

É uma cidade localizada no departamento de Maldonado que atrai milhares de turistas o ano todo. Quantas vezes eu for ao Uruguai, retornarei a Punta. É a nossa terceira visita, lugar apaixonante de estar.

Estamos no ônibus e a guia vai explicitando Punta. Muitos prédios, segundo a guia Laura, foram terminados durante a pandemia de COVID-19. Punta não nasceu como os outros balneários, até 1920 era uma vila de pescadores. Em 1930/35 se andava a cavalo. Até 1948 viviam de pesca e extração de óleo de baleia. Os ingleses trouxeram o ladrilho hidráulico. Em 1945/50 o humorista mexicano Cantinflas morou lá. Em 1997 o famoso hotel Conrad (5 estrelas) foi inaugurado, tendo um cassino privado e centro de espetáculos. Aliás, os cassinos no Uruguai são 50 % do governo e 50 % privados. Carlos Villaró, da Casapueblo, de Punta Ballena, criou a primeira campanha publicitária de Punta del Este e trouxe Sophia Loren, Marlon Brando, Cantinflas, Burt Bachara etc.

Punta é tranquila com praças, prédios variados, são 35 bairros, uns prédios mais chiques, outros mais simples com tijolo à vista, cada prédio diferente. Tudo é bonito. A cidade tem o Punta Shopping, distrito gourmet, o restaurante francês mais caro, design, muitos bosques e parques belos. O museu Ralli tem exposição permanente de Salvador Dalí. Ali se encontram obras de Botero, Amaya, e de outros artistas de renome (endereço: Los Arrayanes, sem número, bairro Beverly Hills). Vale uma visita, infelizmente, não tivemos tempo e a entrada é gratuita. O cantor Roberto Carlos tem casa próxima. As casas têm guarita, não têm numeração, mas nome. Parece a praia Pontal de Maceió-Fortim no Ceará, algo bem original.

Por aqui se faz passeio de casas chiques, de famosos como em Hollywood, Los Angeles nos EUA, uma casa que nos é mostrada é a da família Grendene, dona das marcas Melissa, Rider e outras. Para nós, bastava a casa dos caseiros que já é fenomenal…

Os bosques têm flores silvestres. Seguimos na avenida Las Palmas, parece Jurerê Internacional em Santa Catarina. Tudo é amplo, limpo, cuidado, dá gosto. Em 2016 foi inaugurado o Centro de Convenções com arquitetura inovadora para 4500 pessoas ao mesmo tempo. Para crianças, a dica é o parque temático El Jaguel (jaguar), endereço: av. Aparicio Saraiva Camino- A La Barra.

Interessante que a escola pensa em educação financeira para as crianças. A guia nos conta que a viagem de final de ano de conclusão do fundamental é muito planejada. Os pais não gastam nada, durante um ano, as crianças vendem artesanato e outras coisas, a ideia é ensiná-las a economizar e valorizar o dinheiro depois da escola primária ou fundamental. No último dia choram todos de emoção. O país é pequeno e organizado.

Estamos passeando de ônibus, rumamos à La Barra, ao lado de Punta, mais agreste, natural, deve ser uma delícia de morar. Em 1965 foi inaugurada a ponte sobre o rio Maldonado, única com pé hidráulico no país. Ali ocorre o encontro do rio com o mar.

Entre 2021 e 2023 centenas de radares para controlar a velocidade foram implantados. Motivo: muitos acidentes e mortes de argentinos por conta do consumo de bebidas. Punta vive da economia, construção civil e turismo. Só para se ter ideia em janeiro se aluga um apartamento por 2 mil dólares ao dia.

Passamos pela Casa Rayban onde todas as janelas foram feitas pela empresa, são fotocromáticas. Na Casa Amare viveu o ex-ditador do Chile Stroessner. No edifício Acqua, sem paredes, há uma piscina olímpica por apartamento, cada um vale 4 milhões de dólares. A casa alugada pela Embaixada dos Estados Unidos já hospedou Barack Obama e Bill Clinton, e chamam de chalé… O primeiro investimento de Trump Júnior foi o The Grand Hotel, também existe na cidade o Trump Tower, investimento do Trump.

Estamos na Rambla Lorenzo Battle Pacheco. Nos anos 70 começa a evolução da cidade. De 1980 a 1999 torres foram construídas e Punta explodiu. Já foi paraíso fiscal por muitos anos, dinheiro de corrupção ou narcotráfico, atualmente não se pode mais ter empresa em Punta, só se tiver mais de 5 anos no país. O Uruguai é sério com isso.

A escultura La Mano está sendo restaurada. De acordo com a Wikipédia, La Mano (A Mão), Los Dedos (Os Dedos) ou Hombre emergiendo a la vida (Homem emergindo da vida) é uma escultura de cinco dedos parcialmente enterrados na areia, localizada na parada 1, na Praia Brava. Concluída em fevereiro de 1982, foi feita pelo artista chileno Mario Irarrázabal.

Vimos o Iate Clube, uma beleza, muito caro se hospedar sendo associado, imagine se não for. Vemos lobos e leões marinhos no Iate Clube. O farol é do século XIX no extremo sul da península e possui uma plataforma de observação. Que passeio! O rio da Prata se encontra com o oceano Atlântico.

Em Punta Salinas, vemos a bandeira uruguaia enorme. É o ponto mais austral do país. Pisamos na plazoleta (pracinha) Grã-Bretanha. No meio do século XIX, o alemão Luís Burmester explorou uma salina na península, dando origem ao nome. Uma curiosidade sobre a história da II Guerra Mundial: segundo o blog guia.melhoresdestinos.com.br, ali fica exposta a âncora do Navio Ajax, que participou da histórica batalha do Rio da Prata naquela região em dezembro de 1939, travada entre as Marinhas inglesa e alemã, as duas potências mundiais em mar. Foi a primeira grande batalha naval da II Guerra.

O almoço foi quase 15 h no restaurante Charrúa (Calle 28 Los Meros), com muitas opções de saladas, carnes e peixes. Pedimos uma cerveja Patricia Lager para matar as saudades. A guia combinou de nos encontrar na Rua 30 depois de um passeio ao ar livre. Fomos para a tal rua e descemos rumo ao mar em direção ao Iate Clube. O calçadão é divino com dois mirantes de madeira. Palmeiras, gente curtindo o visual do mar, ufa! Uma sensação gostosa.

Ambiente acolhedor com muita gente conversando, passeando, tomando mate. Lixeiras de concreto na praia, os edifícios e restaurantes se localizam à beira mar. Um show. Na beira da praia tem grama e as árvores (palmeiras) têm um tronco menor, mas a copa é enorme, vieram da França. As sementes são amarelas, que cenário. No caminho, tomamos um sorvete de arándano (mirtilo) com creme de morango na sorveteria Pecas na Rua 30.

O Google nos reporta que Punta del Este é uma cidade turística situada numa península estreita no sudeste do Uruguai. A popular praia Brava é conhecida pelo surf intenso, bem como pela escultura La Mano. Na costa oeste, a praia Mansa tem águas calmas e de pouca profundidade. O artesanato local é vendido na praça Artigas, junto às lojas sofisticadas da avenida Gorlero.

Na volta a Montevidéu, no ônibus, somos presenteados com um pôr do sol espetacular que mais se assemelha a uma bola de fogo laranja com vermelho. Conclusão memorável para um dia incomum.

Montevidéu-Uruguai-2023-passeio nas Ramblas, shopping Punta Carretas e Memorial do Holocausto do Povo Judeu-dia 4

Montevidéu-Uruguai-2023-passeio nas Ramblas, shopping Punta Carretas e Memorial do Holocausto do Povo Judeu-dia 4.

Sexta-feira, dia 21 de abril de 2023. Dia de passeio em Montevidéu nas lindas Ramblas, a beira rio (rio da Prata) deles. Mais parece uma beira mar, na verdade, por ter praias pelo caminho. Fomos a pé saindo do hotel América (rua Rio Negro, 1330), com o sol o calor aumentava. E a gente vai tirando casaco e roupas de lã.

Rumamos até a Playa (praia) Ramirez. Praia com areia escura, havia pouca gente conversando na praia. Vemos o parque Rodó, nós sem wifi e táxi difícil de encontrar. Que cansaço! A rambla é extensa demais. Muito bem cuidada, por sinal. Entramos no bairro Pocitos, na Boulevar España. Uau! Aqui a história muda, pois há cada casa linda, muitas árvores, prédios robustos, muito agradável. Prédios com varandas, amo! Avenida (da praia) larga, show!

Sobre o parque Rodó, diz o site guia.melhoresdestinos.com.br que é um dos mais visitados da cidade. O nome homenageia o escritor uruguaio José Enrique Rodó, tem amplos gramados, um lago, árvores, monumentos e chafarizes. Ao longo de sete quadras, oferece uma área verde ótima para caminhadas, passeios de bicicleta e a prática de esportes. O Museu Nacional de Artes Visuais se encontra no local e a primeira biblioteca infantil da América Latina foi construída ali em 1935, em forma de castelo.

Enfim, um táxi! 320 pesos uruguaios (R$42,59) para o shopping Punta Carretas, queria muito conhecer. Endereço: rua José Ellauri, 350. Considerado o melhor da cidade, foi há alguns anos a penitenciária de segurança máxima. O site viveruruguay.com nos explica que lá estiveram presos guerrilheiros do grupo político Tupamaro, incluído o ex-presidente José Mujica. Em 1971, mais de 100 presos fugiram por meio de um túnel cavado de 45 m desde a cela de número 73 (a penitenciária contava com 400 celas) que se conectava com uma casa que ficava na frente do estabelecimento penitenciário. Pepe Mujica foi um dos que escapou. A penitenciária deixou de funcionar em 1986 e em 1994 abriu as portas como um shopping center. Fazia parte do projeto de reciclagem o arquiteto uruguaio Casildo Rodríguez e o argentino Juan Carlos López, autor das Galerias Pacífico em Buenos Aires.

Shopping bom para almoçar depois de tanto esforço físico nas ramblas. No Buffet Express, pedimos: milanesa com arroz à grega e salada por 295 pesos (R$39,26); e o Carlos: taco de carne bem completo com presunto, queijo, molho barbecue e salada (alface, tomate e cebola). Comida simples que matou a fome. A sorveteria Le Cigalle: chocolate e creme de figo turco, valeu. A loja Indian expõe roupas encantadoras. Detalhe: as sacolas de plástico são pagas. Outra loja que gostei foi a Mumuso com objetos para casa, crianças, produtos para pele, escovas, coisinhas pequenas. Só a arcada de entrada do shopping center já vale a visita.

Na saída, uma parada de táxi à frente com um senhor organizando a fila. Percebi proteção de vidro no táxi, vi isso há muito tempo em Nova York, EUA.

Pedi ao taxista pra ficar um tempinho no Memorial do Holocausto do Povo Judeu. Para quem gosta do tema da II Guerra Mundial, não perderia por nada. Tirei muitas fotos, são lápides, colunas e pedras que compõem o memorial. Lugar simples, bucólico e singelo que impacta com sua história de dor. Segundo a Wikipédia, é um memorial ao ar livre dedicado às vítimas do Holocausto. Está localizado na junção da Rambla Presidente Wilson com a Av. Artigas, no bairro de Punta Carretas às margens do rio da Prata. Declarado Monumento Histórico Nacional. Em uma das lápides, encontrei o histórico de Ana Balog (Montevidéu, 1929-Auschwitz, (Polônia) 1945): judia uruguaia, emigrou para a Hungria com sua mãe e irmã. Foi detida aos 15 anos em Nyirmerggyes (Hungria) e deportada junto com sua avó para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz. Recebeu a lápide de homenagem da Prefeitura Municipal de Montevidéu e da comunidade judia uruguaia em 20 de julho de 2009.

De dentro do carro, fomos visualizando a Rambla República do Peru, na praia de Pocitos. Vemos muito movimento, há vida, gente sentada no banco contínuo de alvenaria, muitos outros bancos de madeira disponíveis, carros, atletas correndo, um visual de primeira. Os prédios atraentes, com poucos andares, uma beleza! Um lugar convidativo e habitável. Parece Camboriú em Santa Catarina, mas sem os paredões de edifícios. Eis Montevidéu das esculturas, estátuas, parques, árvores, praças, natureza. Esta parte da cidade realmente é um cartão-postal. Por isso muita gente prefere se hospedar em Pocitos. Já a gente aprecia a calmaria do centro, e também porque é mais perto da apaixonante Cidade Velha.

As ramblas são para encontros, com espaço verde para esportes e pesca, pode se sentar em uma cadeira e contemplar o rio da Prata. O pôr do sol é alaranjado, mágico. O prédio sede do Mercosul é no bairro Parque Rodó. Era um hotel/cassino. O taxista, sr. Eduardo, muito solícito, nos deu dicas de turismo.

De volta ao centro, paramos no nosso velho conhecido Bar Hispano (Calle San Jose,150) para um lanche de jantar: misto quente, suco de laranja, café com leite, torta de limão, biscoitos, tratamento de primeira do garçom Rafael, parecido com o meu irmão Ricardo.

Depois, demos uma caminhada pela avenida 18 de Julho. Muitas lojas do shopping Punta Carretas no local. Em frente à Suprema Corte, manifestação na praça dos Armênios contra o extermínio deles pela Turquia na II Guerra Mundial.

Há uma placa patrocinada pela COCA COLA na qual está escrito a respeito da avenida 18 de Julho, a mais importante da cidade: No ano de 1830, foi jurada a primeira Constituição de acordo com as formalidades estabelecidas em lei de 26 de junho de 1830. Em Montevidéu, o ato se realizou na Sala do Cabildo (Conselho Municipal à época de colônia espanhola), com a participação das mais altas autoridades civis, eclesiásticas e militares e à frente da Praça Matriz prestou juramento ao povo.

Em suma, o uruguaio preserva a sua História, seus monumentos, suas estátuas, considero isso muito bonito.

Em breve, o paraíso de Punta del Este.

Curitiba-Paraná-Brasil-a cidade mais ecológica do país-Mercado Municipal, Largo da Ordem e Museu da FEB-última parte

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-Mercado Municipal, Largo da Ordem e Museu da FEB-última parte

Hoje é domingo, dia 26 de novembro de 2023. Dia nublado, 18º C. O Carlos e eu entramos na Linha Turismo (ônibus turístico) de novo na Rua 24 Horas (parada 1) para descer no Mercado Municipal (parada 5). O nosso cartão ainda é válido. Passamos pela praça Rui Barbosa, enorme, limpa com jardins e árvores, o usual da cidade. Vimos a Santa Casa. Há ruas que parecem avenidas e com faixas exclusivas para ônibus.

Descemos no Mercado Municipal. Local com fartura de frutas, especiarias, frutas secas, pinhão, pupunha, vinhos, licores, cachaças, chocolates, queijos, doces árabes, portugueses, uau! Muito rico de opções. Na hora do café expresso, descobrimos do lado de fora do mercado, mas ainda dentro do espaço a Prestinaria Casa dos Pães, o atendente, uma simpatia. Os restaurantes ficam em cima, espaço organizado e limpo.

O tempo do ônibus turístico expirou, então pegamos um táxi cujo motorista era jornalista. Papo bom, nos disse que Curitiba mudou com a presença dos brasileiros de outros estados que vieram morar na cidade. Isso é bom, pois o curitibano era conhecido por ser “fechado”. Minha experiência foi positiva, só tenho elogios para com quem me socializei. Nosso destino é a feira tão aguardada, a do Largo da Ordem no Setor Histórico.

Segundo o folder Curta Curitiba, o Setor Histórico (ou Centro Histórico) é um passeio imperdível por locais que revelam o passado da antiga Vila Nossa Senhora da Luz e cultuam a memória de Curitiba. Nas ruas calçadas com pedras irregulares estão o casario preservado, as igrejas antigas e diversos espaços culturais. É ponto de encontro à noite nos diversos bares e restaurantes e aos domingos pela manhã na tradicional feira de artesanato.

A feira do Largo da Ordem é vibrante, com muitas bancas que oferecem produtos lindos. Vi lojas de antiguidades, uma delas a Antiquário Candelária, uma loja pequena, com tantos produtos variados até o teto, original demais. O dono muito agradável. Na feira se encontra de tudo, objetos de madeira, bijuterias variadas, roupas de lã, camisetas com desenhos de capivara (comprei uma), comidas, chapéus diferentes etc enfim, uma maravilha. Amo feiras! Viva a do Brique em Porto Alegre-RS, a de San Telmo em Buenos Aires-Argentina e por aí vai. Teve feira, nós vamos! Nós e todo mundo, afinal o movimento é grande.

Almoçamos ali perto, no Tuba´s Bar: “prato feito” de bife ou frango, arroz e feijão, batata frita ou macarrão, salada de legumes e verduras, bem farto. Valor: R$20,90. A feira desbunde vale a visita e a diversão.

Fomos de lá a pé até o hotel Bourbon no centro. O hotel realmente é muito bem localizado. Depois rumamos a um museu que queria muito conhecer: o da FEB (Força Expedicionária Brasileira). Como sou estudante da II Guerra Mundial, tenho predileção por museus assim. Endereço? Rua Comendador Macedo, 655-Alto da XV.

O Museu do Expedicionário me surpreendeu por ser maior do que esperava, com salas equipadas e muito conhecimento. E de graça! Tudo escrito em português e inglês. Aberto aos domingos das 9 h às 12 h e das 13h30 às 17 h. Conta a história dos Febianos, pilotos, aviões usados na II Guerra em miniaturas, fuzis, pistolas, metralhadoras, material de campanha sacos VO (Verde Oliva). Vimos fotos dos heróis na Galeria dos Heróis e a sala General Mascarenhas de Morais que é um auditório. Da Engenharia foram 700 homens. Realizaram suprimento de água e reconhecimentos técnicos.

Um morteiro é diferente de um obuseiro e de um canhão. A sala de enfermaria da FEB, a alimentação, o fogão de campanha modelo 1935, o frio, as galochas, os brasileiros aprendendo a esquiar. O herói Max Wolff Filho. O Cemitério e o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial em Pistoia na Itália recebem mais de 25 mil visitantes ao ano entre turistas, pesquisadores e estudantes, além de familiares dos “pracinhas”. Relembrando a história da participação do Brasil, o site www.defesanet.com.br nos diz que o gal. Mascarenhas de Morais foi o comandante da FEB, que contou com mais de 25 mil homens. As primeiras tropas desembarcaram na Itália em julho de 1944. A 10ª Divisão de Montanhas dos Estados Unidos lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo do Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro a abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.

O museu é em essência a memória da história da Legião Paranaense do Expedicionário. Acervo fenomenal. Foi fundada em 1946 pelos ex-combatentes. O totem do lado de fora nos informa que o museu está vinculado desde 1980 à Secretaria de Estado da Cultura. Armas, medalhas, roupas, fotos, documentos e jornais compõem o acervo, memória permanente da participação paranaense da II Guerra Mundial. Há um tanque M3 Stuart e um P47 Thunderbolt na Praça dos Expedicionários que nos convida a sentar em um banco, contemplar a natureza e apreciar o museu.

No último dia, segunda, dia 27 de novembro, aproveitamos o café da manhã inesquecível. O aroma do hotel é delicioso. Almoçamos no Tom Espaço Gastronômico, comida feita pelo chef: tiras de batata com casca frita, aspargos, filé de frango no ponto, além de folhas, perfeito. Já o do Carlos: salada de entrada com salmão e fudge de pistache. Boa música: Bossa Nova, e a vida é muito boa!

Achei o hotel Bourbon Curitiba Hotel & Suítes acolhedor, um tratamento simpático do jeito que dá vontade de retornar. Detalhe: o povo da terra diz muito “Fique à vontade.” E como não se apaixonar por cidade tão linda? Aos amigos de lá, aquele abraço saudoso.

Curitiba, voltaremos.

Entre a Sombra e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Entre as Sombras e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Em 16 de outubro de 2023, estava eu com alguns participantes do grupo @peloscaminhosdaiiguerramundial no jornal O Povo (Fundação Demócrito Rocha) para um colóquio com o autor Carlos Reiss sobre seu livro Entre as Sombras e os Sóis, a história de Sala Borowiak, sua avó paterna. Editora: Folhas de Relva. Ele nos contou sobre a vida dela e de seu avô como sobreviventes do Holocausto. Estava presente George Legmann, sobrevivente, nascido em um campo de concentração. Ele está na mídia nacional, dá entrevistas e sai em reportagens sobre o Holocausto.

Carlos Reiss

Seus avós poloneses foram sobreviventes do gueto de Varsóvia, onde o avô trabalhava como trabalhador escravo/serralheiro. Perderam toda a família no Holocausto e conseguiram sobreviver e reconstruir suas vidas no Brasil.

Ao escrever o livro Entre Sombras e Sóis, passou por um processo de escritura longo, com lacunas que tiveram que ser preenchidas.

Dirige o primeiro Museu do Holocausto no Brasil, em Curitiba-Paraná. Localização: rua Cel. Agostinho Macedo, 248, fone: (41) 30937461, com visitas gratuitas, sob prévio agendamento em https://agenda.museudoholocausto.org.br.

Menciona o sr. George Legmann, conhecido como o “bebê de Dachau”, um dos 7 bebês nascidos em um campo de concentração. Durante 20 anos, o autor descobriu muitas informações. Em 1994, a avó Sala/Sara faleceu ainda jovem. Quem começou a escrever o livro foi o tio, porém em 1996 morreu. Em 2002, Carlos Reiis usou tudo já escrito como prefácio.

As sombras da avó Sara foram pesadelos e tratamentos de saúde. Teve três filhos, seus sóis, deles tirava seu alimento. A vida dela se equilibrava entre sombras e sóis, tinha 14 anos quando da invasão da Polônia pela Alemanha em 1939. Casou antes de emigrar para o Brasil.

O Brasil sempre foi um grande exemplo de acolhimento para apátridas, refugiados e imigrantes. A partir do Holocausto se criou nominações como a “lei do genocídio” e leis para entrar no país. “A memória é construída”. “Nós olhamos para Auschwitz e o ressignificamos”, depende do olhar. A questão é falar sobre o passado a partir de um trauma como o Holocausto. Cerimônias e orações para homenagear os falecidos são importantes, mas há de educar a partir daí.

Carlos Reiss diz correr contra o tempo para resgatar estas histórias. Lembrar, não esquecer, fortalecer valores e princípios: tolerância, resistência, valor à vida, resiliência. No Museu do Holocausto, há a história com nome e sobrenome de cada pessoa. Em vez de uma pilha de sapatos, o autor prefere um par de sapatos com a história da pessoa. Ele conta a história da sua avó Sara com o seu sapato. Ela costurava e guardava chocolates dos netos em caixa de costura. Doces lembranças.

As vítimas do nazismo foram além de judeus, também homossexuais, doentes mentais, negros alemães, ciganos, comunistas, Testemunhas de Jeová etc.

Empatia não é se colocar no lugar do outro, mas provocar a “empatia”. Se o visitante do Museu do Holocausto sai de lá questionando, refletindo, então a missão do museu como “educador” funcionou. No local, existe um pedaço de uma Torá (livro sagrado do judaísmo) que foi salva por um alemão na guerra (a sinagoga fora incendiada). Ele doou a Israel, que depois foi presenteada ao museu de Curitiba. Neste pedaço da Torá, a Moshe (Moisés) Deus pede o nome das pessoas que o seguiam, isso foi feito com as vítimas do Holocausto para contar a história deles.

Sua outra avó Sofia foi liberada em Dachau, em 29 de abril de 1945. Ela tinha 28 quilos, não tinha força para pegar o pão que os soldados jogavam. Quem pegou, morreu.

George Legmann

Sobrevivente do Holocausto, judeu de família romena, mas que vivia na Hungria, pois a fronteira havia mudado no começo de 1944, quando a sua mãe havia engravidado. Moravam na Transilvânia, historicamente disputada por Romênia e Hungria.

Bebê de Dachau, foi registrado no campo de concentração I Landsberg Kaufering (parte do complexo de Dachau-um campo bem menor). Em outubro de 1944, havia sete mulheres grávidas e estavam desmontando os fornos migratórios. Quem fez seu parto foi o médico judeu dr. Kovacs. Em 27 de janeiro de 1945 foi libertado Auschwitz (Polônia) pelos russos, e Dachau (Alemanha) em 28 de abril de 1945 pelos americanos. Mas antes houve a Marcha da Morte com milhares de prisioneiros de Dachau obrigados a caminhar sob condições implacáveis até Tegernsee, Alemanha.

Na Romênia, os judeus não foram deportados, mas os da Hungria, sim. Dachau foi o primeiro campo a ser construído, em 1933, e iniciou com presos políticos. Hitler esteve preso em Landsberg em 1924. Foram no mínimo 28 mil mortos em Dachau. A mídia dos EUA foi chamada para mostrar o horror lá dentro. 2 mil padres católicos morreram no local. Havia o Pavilhão dos Padres. A casa do prefeito ficava a 500 m do campo. A população foi convocada para enterrar os mortos a fim de “educá-los”, pois diziam não saber de nada. Se não fossem, haveria um Tribunal Militar para o prefeito. O tifo matou muita gente. Eram diversos campos de Dachau.

O aspecto pedagógico, lúdico é mais fácil para o entendimento das novas gerações. A democracia é como uma flor, se não rega, murcha. Há histórias ainda a ser escritas. Às novas gerações devem ser contadas o valor do ser humano. Tem que construir pontes entre as pessoas, atualmente, não se faz isso.

Sérgio Napshan

Diretor da Confederação Israelita do Brasil (CONIB). Muito importante a fala institucional, a comunidade judaica deve criar pontes com a sociedade a fim de divulgar a História. Seu avô materno veio da Ucrânia, era amargurado, triste, calado. Irmão mais velho da família, saiu um pouco antes do Holocausto e emigrou para o Brasil. Perdeu toda a família lá. Em 1984, aos 20 anos, Sérgio começou a se interessar sobre a história familiar. Ao contrário de seu avô, sua avó era falante.

Em 1986, o avô faleceu. Infelizmente, só ele sabia da sua linhagem. A partir daí, o diretor da CONIB se interessou por divulgar o judaísmo. Descobriu em terapia que a sua dedicação à causa é para honrar a sua linhagem falecida: da família Acker. Descobriu isso recentemente e sabe ser sua missão em vida.

Marcus Strozberg

Diretor da Sociedade Israelita do Ceará. Trouxe a exposição “Do Holocausto à Libertação” para o Memorial do Ministério Público do Ceará em Fortaleza, de setembro a outubro de 2023. Celebrando os 12 anos do Museu do Holocausto de Curitiba, do departamento de Educação, trabalho com as novas gerações.

Sua pergunta principal é: O que acertamos e erramos na área educacional?

Conclusão

Carlos Reiss menciona o número de células neonazistas crescentes no Brasil e a materialização do antissemitismo e racismo. Continua buscando respostas para as suas perguntas. Na sua opinião, pode ter faltado um enfoque mais firme e forte de letramento antissemita. É preciso educar a sociedade em um caminho antinazista e antifascista. O museu precisa dialogar com a sociedade, não pode ser bolha de conteúdo e é necessário cultivar valores democráticos.

Adendos:

1. O filme Cântico dos Nomes (Netflix) mostra uma cena com os judeus em uma sinagoga cantando os nomes de vítimas do Holocausto. Filme de 2019, direção de François Girard, atores: Clive Owen e Tim Roth, baseado no livro de Norman Lebrecht.

2. Na série Irmãos de Guerra (Band of Brothers, de 2001-Netflix) mostra uma cena na qual os moradores da cidade são obrigados a enterrar os mortos no campo de concentração. A dramatização e a liberação do campo são vistas. Baseada no livro do historiador Stephen E. Ambrose, tem como atores: Damian Lewis, Ron Livingston, David Schwimmer etc. E criadores: Tom Hanks, Stephen Spielberg e Stephen Ambrose. A Wikipédia adiciona:

“O campo de refugiados foi criado dentro de um campo de concentração militar existente em Landsberg durante a guerra, que em outubro de 1944 comportava mais de 5000 internos, a maioria deles vindos da União Soviética e dos Estados Bálticos.

O campo foi libertado em 28 de abril de 1945 por tropas do Exército dos EUA e por ordem do comandante, general Taylor, as tropas ocupantes permitiram que a imprensa mundial tivesse acesso ao local e mostrasse ao mundo as atrocidades ali cometidas aos prisioneiros; o comandante também obrigou os alemães da cidade, civis e militares, a refletir sobre os crimes cometidos e enterrarem os corpos encontrados com as próprias mãos nuas. Num episódio bastante divulgado na época, duas jovens alemãs que se retiraram do local rindo foram obrigadas a passar a noite no campo com os mortos e a assistir a seu enterro nos dias seguintes”.

3. Muitos pereceram de tifo em campos de concentração, inclusive Anne Frank e sua irmã Margot. Falecidas em fevereiro ou março, um pouco antes da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha), em 15 de abril de 1945, pelos britânicos.

4. O site da Enciclopédia do Holocausto acrescenta que apenas 3 dias antes da libertação do campo de Dachau, as SS levaram cerca de 7 mil prisioneiros em uma marcha da morte em direção ao sul, para Tegernsee, na Alemanha. Durou 6 dias o caminho. Quem não mantinha o ritmo, era executado ou morria de fome ou exaustão. No início de maio de 1945, tropas norte-americanas libertaram os sobreviventes dessa marcha da morte.

Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Evento ocorrido no Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) em 3 de janeiro de 2024 com a participação de filhos/filhas e parentes de pracinhas, militares, estudiosos e interessados.

Primeiro painel com Júlia Carvalho, Deodato Ramalho e Eleazar de Castro

Júlia Carvalho: filha do cel. Evaristo Fernandes de Oliveira, nascido em Timon-Maranhão. Hoje falecido, completou 73 anos de casado, aos 18 anos partiu para a Itália trabalhando no serviço médico. Era médico veterinário. Foi membro da Associação dos Ex-Combatentes Febianos. Foi docente da Escola de Agronomia da UFC (Universidade Federal do Ceará). Foi sua obra a primeira escola de alfabetização de adultos, era profundamente preocupado com a inclusão social. Deixou como legado a defesa da pátria e da família. Preferia ouvir a falar.

Deodato Ramalho: o sogro “pracinha” Manoel Clodomir de Almeida nasceu em Jaguaretama-CE e faleceu em 1972. Partiu do Rio de Janeiro para a Itália sem nem conhecer a capital cearense Fortaleza. Deodato diz que o povo não tem memória, não é passado na escola a história heroica da FEB. Se os “pracinhas” foram esquecidos, os “soldados da borracha” mais ainda. Vale assistir ao filme “Soldados da Borracha” do cineasta cearense Wolney Oliveira. Foi secretário da Regional 4 da prefeitura de Fortaleza, atualmente é superintendente do Ibama. Comenta sobre o Dr. Ximenes, grande memória, que quando ia para a guerra, ela acabou. Foi o timoneiro da história da FEB em Fortaleza. Em 25 de abril há sempre uma grande festa na Itália, em 2025 serão os 80 anos da Vitória, do fim da guerra. Há desfiles todos os anos em Montese com as crianças cantando o hino da FEB em português. Deodato reforça sua tristeza ao constatar a falta de memória do brasileiro e louva o trabalho incansável de Kátia Sousa e Adriano Andrade, do Instituto Montese, em Fortaleza e de Mário Pereira que foi responsável pelo memorial brasileiro em Pistoia-Itália. O maior fruto da FEB foi ter-nos salvo do nazismo e ter sido tão empático com os italianos.

Eleazar de Castro: autor do livro Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1-editora Chiado Books) em parceria com sua esposa Goretti Gurgel, ambos responsáveis pelo grupo de estudos @peloscaminhosdaiiguerramundial no Instagram. Estão no Whatsapp, You Tube, fazem palestras, encontros em cafés e participam de viagens temáticas. Eleazar se surpreende com o exército de pessoas nas sombras que estudam a História do Brasil e sua participação na II Guerra Mundial. A cidadania brasileira pode ser resgatada, a Itália é um país-irmão. Contou um fato ocorrido com ele e sua esposa Goretti Gurgel em Montese, quando estavam em uma lanchonete e uma garçonete disse a eles que os brasileiros eram seus libertadores, o casal ficou bastante emocionado. Eleazar fala sobre o sentimento de inferioridade nosso, o complexo de “vira-lata”. Esse sentimento não condiz com a nossa História.

Segundo painel com Carolina Oliveira, ten.-c.el. Macedo e cel. Sales

Carolina Bertrand Rodrigues Oliveira: filha do “pracinha” Geraldo Rodrigues de Oliveira, vivo e lúcido, jogador de dama e dominó. Seu pai que foi soldado da borracha despejou perfume nele antes de partir para a guerra e disse para o filho ir e voltar com o V de vitória. Tem muitas memórias da guerra. Carolina menciona a dra. Elza, de Alagoas, que foi enfermeira na II GM. Legado: a capacidade de adaptação dos brasileiros ao frio e a condições difíceis na Itália.

Ten.-c.el. Macedo: a Kátia Sousa do Instituto Montese o contatou por conta de uma exposição de selos da II GM no Hospital Militar de Fortaleza. É militar do Exército da área de saúde, filho de militar e estudou no Colégio Militar de Fortaleza. É pesquisador da área e se interessou pelo assunto quando pouco se falava na participação dos brasileiros. Somos a única nação sul-americana a enviar uma divisão inteira e a capturar uma divisão inteira de alemães. Fazíamos parte do V Exército americano. Está na hora de resgatarmos a nossa história, uma vez que nossos “pracinhas” participaram de uma das batalhas mais sangrentas contra os alemães, que foi a batalha de Montese. A empatia brasileira sempre chamou a atenção, pois dividiam a sua comida, o seu mingau, com a população que estava passando fome.

Cel. Sales: é o contato da FEB em Fortaleza, responsável pelo Museu da FEB no 10° GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Precisa de ajuda para fazê-lo funcionar. Não recebe visitas regularmente, porque falta estrutura física. Ainda existem quatro Febianos vivos no estado do Ceará. Eleazar de Carvalho propõe um evento aqui em Fortaleza para os 80 anos do fim da II GM na Itália em 2025.

Palestra de Mário Pereira

Pede uma salva de palmas para o Instituto Montese. Filho de Miguel Pereira, “pracinha”, que foi lutar na Itália, casou com uma italiana e lá se instalou. Temos que lutar para que a história da FEB e de todos os outros que lutaram, e dos Soldados da Borracha não seja esquecida.

Mora na Itália e reforça que o Brasil o chama. O seu pai lhe dizia ser o Brasil enorme, mas o menino Mário não acreditava. A FEB criou amores como o dos pais e agora com a namorada também. Tem viajado de carro pelo país: São Bernardo do Campo (SP), Brasília e Santa Maria (RS), e em outros lugares de avião, como Fortaleza (CE).

A grandeza do Brasil tem que se repetir no país, o que os brasileiros fizeram de bem para os italianos é de grandeza. Por exemplo: os americanos davam comida, mas os brasileiros dividiam. Já os ingleses não foram bem-vistos pelos italianos. (E não havia divisão por cores de pele na FEB, todos lutavam juntos. No exército americano havia batalhões só de negros, mas com comandantes brancos). Devemos ter muito orgulho dos nossos pais, pracinhas. Tantas populações e tantas etnias estavam na guerra, os alemães queriam lutar até o último homem. O cel. Nélson de Melo foi o comandante do 6° RI (Regimento de Infantaria). (Sua unidade teve papel destacado na Batalha de Fornovo di Faro). O comandante da Força Expedicionária Brasileira foi o gal. Mascarenhas de Morais. O fator climático era um problema. (Um frio congelante o qual o brasileiro não estava habituado, quem cedeu roupas adequadas aos brasileiros foi os americanos, pois os “pracinhas” não viajaram bem abastecidos de roupas apropriadas pelo governo Vargas).

Foi curador do Monumento Votivo MilitarBrasileiro (MVMB, na Via delle Sei Arcole)) em Pistoia, na Toscana italiana, substituindo o pai. Recebeu muitos veteranos, os conheceu e sentiu a emoção deles em viver aquele momento. Os brasileiros vão lá “aos pingos” e são em maior quantidade que os americanos, que vão em grupos de 300 pessoas. São em geral descendentes dos que lutaram na Itália.

Nos Apeninos (cordilheira), há 2 monumentos americanos, 56 brasileiros. Por que a escola não mostra isso? Em 2012 apresentou um documentário sobre a FEB: O Caminho dos Heróis-A Verdadeira História da FEB, de João Barone, no Colégio Militar de Brasília. Os alunos não conheciam nossa história. O que se estuda nas escolas do Brasil? Continua apresentando o documentário nas escolas com a linguagem dos jovens. O que os pais/pracinhas fizeram deve ser perpetuado.

Algo incrível: três pracinhas foram enterrados por alemães, isso não era comum. A percepção é que eles devem ter lutado bravamente para terem conseguido o respeito deles. Isso diz muito da sua coragem. O esforço e reconhecimento da nova geração de brasileiros para com quem lutou na Itália e venceu militarmente é fundamental para que não sejam esquecidos.

Outras participações importantes: da comitiva do bairro Monte Castelo e de Mário Sérgio do Vale-líder dos veteranos da FAB (Força Aérea Brasileira).

Informações:

(…) O uso de parêntesis explica o significado das siglas ou acrescenta dados relevantes.

1. O Instituto do Ceará é a instituição cultural mais antiga do estado do Ceará, criado em 4 de março de 1887. Localização: rua Barão do Rio Branco, 1599, Fortaleza-CE.

2. O Instituto Montese é uma instituição de cunho histórico, cultural e empreendedorismo no bairro Montese em Fortaleza-CE. Localização: av. Gomes de Matos, 1615. @institutomonteseoficial

3. Em Pistoia-Itália todos os anos no mês de novembro ocorre uma cerimônia cívico-militar em homenagem aos heróis da FEB que lutaram durante a II GM.

4. A Cordilheira dos Apeninos é a coluna dorsal da Itália. Na Campanha da Itália, os alemães usaram os Apeninos como uma barreira defensiva natural contra o avanço dos aliados na Itália continental (fonte: Wikipédia).

5.1. A FEB contou com um efetivo superior de mais de 25 mil militares, divididos em cinco escalões marítimos. As missões iniciais de combate em solo italiano foram efetivadas pelo 1° escalão da FEB, cujo contingente tinha por base o 6° Regimento de Infantaria (RI). As primeiras tropas haviam desembarcado em julho de 1944.

5.2. A 10ª Divisão de Montanhas dos EUA lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo de Exército do V Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro e abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.

5.3. A generosidade e solidariedade dos militares brasileiros foram reconhecidas pela população. Um dos ajudados foi o sr. Paoli, quando tinha 13 anos. Em 1968, ele, habitante de Camaiore, prestou uma homenagem significativa com a construção de uma Cruz metálica de 12 m de altura, fixada sobre o cume do Monte Prano, a 1230 m de altitude. Fonte: www.defesanet.com.br

5.4. A Força Aérea Brasileira (FAB) também deve ser lembrada. Foi responsável por 15% dos veículos inimigos destruídos, 28% das pontes atingidas, além de 36% dos depósitos de combustível e 85% dos depósitos de munição danificados. Fonte: https://www.forte.jor.br

6. Os três pracinhas heróicos que lutaram contra uma companhia alemã foram: Arlindo Lúcio da Silva, 25 anos de idade, de São João del Rei-Minas Gerais, Geraldo Baêta da Cruz, 28 anos, de João Ribeiro-MG e Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, de Rio Preto-MG. Serviram no 11° Regimento de Infantaria Expedicionário. Mesmo com ordens para se render, continuaram em combate até o último cartucho. Fonte: https://fatosmilitares.com

7. Os prisioneiros alemães preferiam se entregar aos militares brasileiros, já que lhe davam um tratamento mais humano.

A Urgente Educação Histórica para a Paz por Eleazar de Castro

A Urgente Educação Histórica para a Paz

Eleazar de Castro Ribeiro

A II Guerra Mundial é considerada um prolongamento da Primeira (1914-1918), cuja conclusão deixou na Europa uma série de questões não resolvidas, ou mesmo criou problemas novos. O Tratado de Versalhes, imposto à Alemanha pelos vencedores, foi excessivamente pesado e gerou ressentimentos que exacerbaram o revanchismo dos alemães. Ao mesmo tempo, numerosas minorias étnicas foram colocadas sob domínio estrangeiro, criando focos de tensão interna. Finalmente, a disputa das potências industriais por mercados e matérias-primas não foi solucionada satisfatoriamente, pois Alemanha, Itália e Japão continuaram carentes de insumos para suas indústrias.

Configurou-se como uma extrema contradição com os novos tempos vividos pelos europeus nos séculos XIX e XX. Havia um período de exuberante cultura cosmopolita e de florescimento das artes, como resultado do movimento iluminista. A Revolução Industrial trazia esperança de aumento da riqueza mundial e incremento da qualidade de vida.

O sociólogo Norbert Elias, no seu livro Os Alemães, pergunta: como o Holocausto pôde acontecer num país celebrado como a Grécia do século XIX, lugar do nascimento de mentes privilegiadas como Beethoven, Bach, Nietzsche, Thomas Mann, Goethe, Einstein, Hanna Arendt e Karl Marx, dentre outros símbolos culturais? Como admitir uma barbárie tamanha num país civilizado como a Alemanha?

Ele mesmo conclui que processos civilizadores e descivilizadores podem ocorrer simultaneamente em determinadas sociedades, que podem alcançar um estágio admirável, mas, ao mesmo tempo, serem seduzidas por forças que as fazem viver como “bárbaros tardios”. Especialmente quando essas forças são exploradas por discursos radicais e cheios de ressentimentos, como os de Hitler, que se sentiu traído com a derrota da Alemanha na I Guerra.

Isso significa que todos nós – mesmo com educação intelectualmente sofisticada – estamos sujeitos à tentação do radicalismo e da violência do maniqueísmo ideológico que é uma herança da II Guerra.

Até então, as guerras tinham um pano de fundo muito mais geopolítico e territorial. Hitler foi um dos primeiros ditadores mundiais a se utilizar da exclusão ideológica e racial. É inevitável pensar no atual contexto internacional, perigosamente parecido com o da época. Quando achávamos que o mundo havia resolvido essas questões, elas estão retornando de uma forma muito intensa.

O mundo que emergiu do terrível conflito era bastante diferente daquele que existia em 1939. As potências do Eixo estavam esmagadas, mas também a Grã-Bretanha e a França saíram debilitadas da guerra. Para definir a nova relação de forças internacionais, foram criadas duas expressões: superpotências e bipolarização – mostrando que o planeta se encontrava dividido em duas zonas de influência econômica, política e ideológica, controladas respectivamente pelos EUA e URSS. Do confronto entre ambos (Guerra Fria) resultaram a Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1961-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989). Somente em 1985, como início da Perestroika (reestruturação econômica) e da Glasnot (transparência política) implantadas por Gorbachev na URSS, esse cenário instável começou a se desfazer.

Parecia que o mundo estava se dirigindo para a paz, mas a invasão da Ucrânia pela Rússia (em 2022) nos mostra que os problemas relacionados aos conflitos entre as nações permanecem vivos até hoje, apenas mudando algumas características do contexto histórico onde estão inseridos.

Sinais de que o mundo está reciclando suas questões conflituosas surgem quando se identifica que a extrema-direita foi escolhida para governar em alguns países periféricos. Devemos lembrar que a França e os EUA também entraram no cenário de disputas de matiz ideológico.

Por isso, é imperativo reconhecer que a educação para a paz é uma necessidade superior aos partidos e ideologias. É preciso recordar permanentemente a História para fazê-la viva e pedagógica em nossas sociedades. Que tenhamos sempre em mente a expressão que está escrita nos portais dos museus europeus que tratam do Holocausto: LEMBRAR PARA NÃO REPETIR!

Sobre o autor: Eleazar de Castro é aposentado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e tem uma longa carreira como professor. Sua paixão por História, II Guerra Mundial e viagens o fez escrever o livro imperdível Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1), editora Chiado, com a sua companheira de vida e alma Goretti Gurgel. Moram em Fortaleza-Ceará. E em breve viajarão para mais pesquisas na França e em outros países europeus para o volume 2.

Eu tenho o prazer de conhecê-los e participar de seu grupo de estudos e discussões sobre a II Guerra Mundial no Whatsapp: Pelos Caminhos da II GM. As lives no Instagram aos sábados, geralmente às 16 h, no seu canal @peloscaminhosdaiiguerramundial com estudiosos são um eterno aprendizado. Obrigada, Eleazar, pela sua contribuição importante ao meu blog. Saudações a você e Goretti/Leta.