Bela Itália-Paola na Calábria-dia 3
Hoje é dia 7 de outubro de 2025. Chegamos a Paola. Segundo http://www.initalytoday.com/pt/calabria/paola/, foi um importante centro religioso desde a idade Helênica e é famosa por ser o local de nascimento de São Francisco de Paula, fundador da ordem dos Mínimos (ordem católica mendicante do séc. XV). O centro fica a 35 km da capital provincial, Cosenza. O site http://www.viajandoparaacalabria.com nos informa que a área comercial é construída em torno da estação ferroviária, e a cidade alterna a área histórica até o morro, onde no topo fica o santuário do santo, e à beira mar na praia.

Rumamos logo para o santuário de São Francisco de Paula. Complexo religioso erguido na rocha, um dos locais mais visitados na Calábria. Um pouco sobre o santo. De acordo com o site https://cruzterrasanta.com.br, seus pais se chamavam Viena de Fuscaldo e Giácomo Daléssio. O casal tinha muita devoção a São Francisco de Assis. Por isso os dois pediram a seu santo a devoção de terem um filho. O casal foi atendido em suas orações. Assim, no dia 27 de março de 1416, o filho nasceu e recebeu o nome de Francisco. Já a guia Sabrina contou que os pais do menino Francisco pediram uma graça a São Francisco de Assis. Tinham 3 filhos, mas Francisco, de 13 anos, tinha problema em um olho. Francisco sarou. Aí a mãe dele ofereceu ao santo a ida de Francisco ao convento para uma vida monástica. Entrou no Convento dos Franciscanos em São Marco Argentano, próximo à cidade de Paola. Decidiu ficar um ano, saiu e foi peregrinar em Assis. Em Roma se chocou com a quantidade de riquezas no Vaticano. Escolheu se retirar em pobreza e meditação como eremita. Vivia em uma gruta e pessoas se juntaram a ele. Sobreviviam com o mínimo. Santo padroeiro da Calábria e dos marinheiros.
No santuário tem a Pietra del Miracolo, ou seja, a Pedra do Milagre. Segundo o Google.com, diz a tradição que foi ali que o santo realizou o milagre de salvar operários durante a construção do complexo, ou está associada ao episódio do seu cordeiro Martinello. Muitos milagres acontecem. Também amava os animais. No local de oração há uma fonte de água milagrosa: Fonte della Cucchiarella. Diz-se que o santo tocou a rocha com o bastão e fez brotar água, hoje considerada sagrada pelos devotos. Podemos beber a água, pega-se da colher que está lá, porém não se deve beber da colher, já que é de todos. O santuário novo não fomos, o antigo é lindo com a capela e seus objetos.

Enfim, nós no santuário. A Calle de los Milagros (Rua dos Milagres), com uma bomba da II Guerra Mundial que não explodiu, considerado um milagre. Via de los Mínimos com a Via Crucis, parece com o caminho de subida à Pousada dos Capuchinhos em Guaramiranga, Ceará. Um caminho longo. Que emoção! Tomamos a água da fonte! Capela, igreja, fonte, Gruta da Penitência, local onde o santo viveu como eremita no séc. XV. Demais! Em igreja italiana não se entra de braços e pernas de fora (desnudo). Estamos no começo da Calábria e daqui se vê o vulcão Stromboli, ativo, situado na ilha de Stromboli (conhecido como o “Farol do Mediterrâneo”, faz parte do arquipélago das ilhas Eólias).
Caminho Pietra del Miracolo. Fantástico, lugar de energia espiritual, único. Meia hora para ver o santuário, regra da excursão. Vamos parar no centro depois para almoço no restaurante Vecchia Paola. Endereço: Corso Garibaldi, 75.
Saindo de Paola, passamos por povoados, como Longobardi, Belmonte Calabro e Amantea, bem espalhada, maior e muito linda. Na região da Calábria, o azeite de oliva é produzido em quantidade. Na Sicília e Puglia também. Em Vibo Valentia, 13% de extravirgem certificado. Mesmo com a seca, conseguiram manter a qualidade e os preços. “Óleo da Calábria” (Olio di Calabria IGP) refere-se a dois produtos distintos e de alta qualidade, conforme o Google.com.: o azeite de oliva extravirgem (de sabor frutado, cor verde dourada e toques picantes/amargos) e a essência/óleo de bergamota (tangerina), aromático e cítrico.
Também na região, fábrica de chocolates. Módica tem o melhor do sul da Itália. Nossa guia é conhecedora do seu país. Fico encantada. As laranjas são vermelhas, cítricas pela substância antocianina. São diferentes pelo clima úmido e quente. O Google.com acrescenta que altos teores desse pigmento natural são encontrados em alimentos cultivados, sendo a laranja moro (uma variedade de laranja sanguínea) e a cebola roxa de Tropea. A antocianina é um flavonoide poderoso responsável pelas cores vibrantes (vermelho escuro, roxo ou azul). Na Sicília: amêndoas e pistache, o mais famosos, de Bronte. Trata-se de um produto D.O.P. (Denominação de Origem Protegida). O pistache é usado em doces, salgados e bebidas. Bronte é uma cidade localizada nas encostas do Etna, a 760 m de altitude. É provável que a posição geográfica e o solo vulcânico sejam os responsáveis pela sua qualidade.
Estamos no ônibus em direção à Sicília. A Sabrina nos conta sobre mitologia grega, forte na cultura, já que a cidade de Messina foi conquistada pelos gregos. No estreito de Messina, Cila e Caríbdis chupavam os barcos. Trata-se de uma lenda cuja história é de amor dramático, traições, amor e paixão. Mitos que alimentam o estreito de Messina. Até o séc. 18 havia uma rocha que parecia um monstro, era a rocha de Cila. Os barcos eram empurrados pelas correntes em cima da rocha, então se criou o mito.
O site http://www.visitcity.info/en/myths-and-legends-in-sicily/ nos apresenta mais sobre o assunto. “A Sicília é uma terra profundamente enraizada em mitos . Das profundezas do Estreito de Messina aos picos do Monte Etna, da costa jônica às ilhas dos ventos, a ilha há muito tempo serve de palco para lendas que misturam natureza, história e imaginação . Deuses gregos, ninfas, heróis clássicos e criaturas lendárias habitam vilarejos, cidades e paisagens deslumbrantes, moldando um patrimônio cultural rico em simbolismo e fascínio. Uma viagem pelos mitos da Sicília é uma viagem à memória e à identidade mais profundas da ilha”. E acrescenta: “Entre as histórias mais emblemáticas, a lenda de Colapesce simboliza o profundo amor que os sicilianos sentem por sua terra. Em Messina, a história conta sobre um jovem pescador com habilidades extraordinárias que foi posto à prova por Frederico II e, por fim, sacrificou-se para salvar a ilha. Ainda hoje, diz-se que Colapesce sustenta uma das três colunas sobre as quais a Sicília repousa, impedindo-a de afundar no mar. Também no Estreito de Messina, ganham forma as lendas de Cila e Caríbdis — os monstros marinhos que destroem e engolfam os marinheiros — juntamente com a história da famosa Fata Morgana , uma miragem ótica que fascinou até os normandos e inspirou inúmeras histórias lendárias”.
À direita, ilhas Eólias. Túneis embaixo de montanhas. O estreito de Messina, mais perto da Sicília. A guia acrescenta que os calabreses e sicilianos querem mais hospitais e não querem fazer uma ponte entre as regiões. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini é o principal impulsionador do projeto. Será uma ponte suspensa com um vão principal de 3,3 km, projetada para ser a mais longa do mundo. O projeto enfrenta décadas de controvérsias.
Para a Sicília se vai de barcos enormes da Villa San Giovanni. Vemos muitos caminhões saindo do barco. Impressionante. Aportaremos no porto histórico de Messina. Bluferries, empresa do grupo Ferrovia do Estado Italiano, com seus ferries gigantes. Levam caminhões e trens. Perdemos o ferry das 15h20, ficamos esperando pelo próximo. Entramos com ônibus e tudo. A gente desce, vai ao banheiro, tira fotos e volta. Um ferry desses é portentoso: leva gente, carros, ônibus, caminhões, uau. É rápido, uns 20 minutos. Se não fosse a fila para o banheiro das mulheres, seria tranquilo… Continuaremos em breve.















