Berlim e Leste Europeu-Berlim espetacular-passeio pela cidade à noite-dia 5
Hoje é segunda-feira, dia 17 de março de 2025. Continuamos os passeios. O folder da Special Tours nos informa que à noite visitaremos os pontos turísticos com iluminação especial, como o Parlamento, conhecido como Reichtag ou Câmara Baixa, a Chancelaria e outros edifícios governamentais; o iluminado Portão de Brandemburgo, inspirado no Parthenon de Atenas; e a Praça de Potsdam, com restaurantes, bares, cinemas, cafés e edifícios projetados por arquitetos de renome internacional, incluindo José Rafael Moneo e onde o centro da Sony se destaca, com uma enorme cúpula que imita o monte Fuji. Retornaremos ao bairro judeu, cenário da trágica Noite dos Cristais Quebrados durante a época de Hitler.

Depois do bairro judeu e do almoço, rumamos à Catedral ou Berliner Dom. Pagamos €10 (euros) no cartão de crédito (não aceitam dinheiro). Para subir ao domo, são 270 degraus. Que sufoco e frio lá em cima, mas vale demais o visual de 360º. As pernas ficam tremendo. Na volta, já embaixo, há uma sala junto ao altar menor que nos conta a história do compositor barroco Johann Sebastian Bach (1685-1750) e sua família, teve 20 filhos de dois casamentos. Ouvimos as belíssimas músicas dele e dos filhos compositores nos fones de ouvido. Um pouco sobre eles. O filho mais velho de Bach foi Wilhelm Friedmann Bach (1710-1784), o segundo foi Carl Phillip Emanuel Bach (1714-1788), e o mais novo Johann Christian Bach (1735-1782), compositores. E netos, dentre eles, Johann Sebastian Bach, o mais jovem (1748-1778), pintor.
Vimos caixões, tumbas douradas lindas da rainha Sophie Charlotte (1668-1705) e do rei Frederico I (1657-1713). A Catedral é soberba! Toda cheia de detalhes em madeira, repleta de dourado e de mármore. Berlim, um banho de cultura. Antes de sair, um café e um muffin (bolinho que amo!) para dar força no Domcafé no Berliner Dom. O sorvete é da Brandy Brooks. Sempre presto atenção às diferentes marcas de sorvetes.

Detalhes sobre a Catedral. Foi erigida durante o reinado do kaiser (imperador) Guilherme II entre 1894-1905, de acordo com os planos do arquiteto Julius Rachdorff no estilo do Alto Renascimento italiano. A cripta Hohenzollern (dinastia da Casa de Hohenzollern) teve 94 enterros no fim do séc. XVI até o séc. XX, trata-se de um dos mais importantes locais de sepultamento na Europa. São 500 anos de cultura funerária dos Brandemburgo-Prussianos (fonte: folder da Berliner Dom).
Retornamos ao hotel a pé. Às 20h30 começa o passeio opcional Berlim Noturno de ônibus. €50 (euros). Antes da saída, o Carlos e eu dividimos um sanduíche e um smoothie no mercado do hotel. O guia local é o Pablo de novo, o da excursão em si, o Rupert. Parte bonita da cidade. Berlim repleta de luzes. Centro histórico pequeno, cidade enorme. Torre de TV, ponto significativo mais alto; bairro judeu, movimentado com vida noturna, teatro, lojas. 1920: anos dourados, arte, cultura, música e festas. Crise econômica, grande inflação. 1 milhão de marcos=1 dólar. Fácil para estrangeiros, álcool, prostituição, pontos de “noite”. Berlim, capital do império alemão em 1871, já em 1900, grandes fábricas como a Siemens que traziam muitos operários e dinheiro.
Estamos agora a pé, 6ºC, que frio! Era para eu estar mais preparada em termos de agasalhos. Levei e não me lembrei. Aí, tiritei de frio.
Prosseguindo com os anos 1920. Cidade multicultural, artistas, músicos. Marlene Dietrich. Bauhaus, escola de arte vanguardista na Alemanha (fonte: Wikipédia), a música. A pobreza e o desemprego grande. O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães teve seu início em 1919. Em 1920 foi reestruturado e se popularizou como Partido Nazista.
Cabaré como teatro de variedades começa na área. Estamos no bairro Mitte. Havia uns 50 cabarés com fachadas modernistas, estilo francês Art Noveau, cerâmica colorida, arquitetura. O local se chama Hackesche Höfe. Complexo de pátios em frente ao Hackescher Markt. Inaugurado em 1906. Foi construído pelo arquiteto Kurt Berndt e a fachada é obra de August Endell. Com 8 pátios interiores diferentes e interligados, cada pátio, uma função. Que lugar mais original. Berlim surpreendente. Outro pátio com fábrica de guarda-chuvas, luvas, roupas. No passado, bairro de trabalhadores com moradias de luxo para melhorar a economia do bairro (pobres com ricos), pátios espaçosos com aeração (ventilação). As moradias eram insalubres, por isso as janelas grandes. Hoje são escritórios de arquitetura, estúdios de fotografia e lojas especiais, por exemplo: Lumas, Sawade (chocolatier) etc. São desenhistas alemães. Na Rosenthaler Strasse. Parte restaurada a partir do anos 2000. Também moradias de aluguel atualmente. Rua encantadora. Os pátios com lojas atraentes e apartamentos de 150 metros quadrados (€3 mil (euros) de aluguel). Fecham as portas para ter privacidade. 4 andares sem elevador. Estava bem destruído antes, vemos fotos nas paredes (da época da II Guerra Mundial).
Não posso deixar de mencionar o cabaré Chamäleon, cujas raízes históricas remontam ao início do século XX. O site visitBerlin.de nos informa que é localizado no complexo Hackasche Höfe e foi inaugurado como um salão de festas suntuoso. De acordo com o Google.com, na década de 1920, durante os “Anos Dourados” da República de Weimar, Berlim era a capital mundial do cabaré, da liberação sexual e da vanguarda artística. Naquela época,o espaço funcionava principalmente com espetáculos de VAUDEVILLE (teatro de variedades que misturava comédia, música e acrobacias) e bailes. Não existia com o nome de Chamäleon. O prédio sobreviveu à II Guerra Mundial, porém na Berlim dividida no pós-guerra ficou do lado soviético e passou décadas negligenciado, servindo até como armazém. Após a reunificação, um grupo de artistas locais resgatou o espaço em 1991. O nome teatro Chamäleon foi consolidado a partir da sua restruturação em 2004. Hoje, presta homenagem à era de ouros dos cabarés, sendo o coração do Novo Circo em Berlim, misturando acorbacias de altíssimo nível, teatro físico, música e dança, mantendo as mesinhas bistrô originais para que o público assista aos shows bebendo e jantando, como se fazia há um século.
Pizzaria Capvin, uma joia rara no distrito Mitte na rua Rosenthaler. Pátio rosa com ferro, Art Noveau. Endereço: Weinbergsweg, 24. Patrimônio nacional, a escada mais bonita de Berlim, de bronze dos anos 1920. O guia adiciona que burgueses compraram e transformaram o bairro. Cidade da música techno. Jovens ocuparam prédios desocupados 15 anos atrás. Gente com muito dinheiro chegou para morar no local. Berlim é tranquila hoje.
Café Cinema, original dos anos 1920, um beco com jeito alternativo na mesma rua, 39. A burguesia morava na parte ocidental pós-II GM. Fábricas a leste da parte pobre da cidade. Passamos pela loja Kiko by Mila Markt ou Kiko Milano, de cosméticos, bem famosa. Depois da Queda do Muro, o boom da Alemanha Oriental. Jovens vieram para a região. Essa rua era de prostitutas. Mais adiante passamos pela Nova Sinagoga na Oranienburger Strasse.
Friedrichstadt Palast. Teatros e casas de shows, localizado na Friedrichstrasse, 107. Vamos sair da Ponte da Reunificação e ir para a Alemanha Ocidental. Um pouco sobre a ponte. Conecta os bairros Friedrichshain e Kreuzberg, era um ponto de controle durante a Guerra Fria e é afamada pelas suas torres imponentes e arquitetura. Novo bairro de governo da Alemanha. Chancelaria Federal, escritório executivo do Chanceler da Alemanha (inauguração em 1997). A Alemanha como é hoje começa em 1990. Antes era a República Federal com a capital em Bohn (Ocidental) e a República Democrática (RDA) com a capital em Berlim (Oriental).
O Reichstag, prédio que abriga o parlamento alemão (Bundestag). À noite é um desbunde com a iluminação. A fachada externa sobreviveu aos bombardeios na II GM. Norman Foster reconstruiu dentro com a cúpula de vidro. Em 1861, o império alemão foi unificado por Otto von Bismarck após a Guerra Franco-Prussiana. Eram reinos independentes sem um poder central. O Parlamento na República de Weimar tinha Constituição e ideias. Em 1932, Hitler se aproveitou da pobreza e venceu com 32% dos votos. Foi proclamado chanceler com governo minoritário. Hitler governava com Goering e a Polícia. Em 1933, inventou o ataque ao Reichtag e colocou a “culpa” em um deputado do partido comunista. No estado de emergência criado, governou por decretos. Outros partidos de esquerda da coalizão foram considerados culpados e os políticos foram levados a campos de concentração. Final da democracia, único partido legal era o Nacional-Socialista ou Nazismo. Queima do Reichtag, outro ataque. Foi tudo reconstruído: Parlamento e Senado. 84 milhões de habitantes, 630 deputados. Como o Parlamento ficou pequeno para as reuniões, escritórios modernos existem ao lado. Há um memorial com placas de metal com os nomes dos deputados que foram vítimas do nazismo. Latte Zinke é um deles. Hitler começa a ditadura.
Rumamos ao Portão de Brandemburgo. Ali perto existe um memorial espontâneo com 136 cruzes. Foram na verdade 190 mortos que tentaram atravessar o muro do lado oriental para o ocidental e foram assassinados. No portão passava o muro (na rua tem a linha de paralelepípedo mostrando o muro/parede interna e externa/faixa da morte no corredor do meio). Os habitantes da Berlim Ocidental podiam tocar no muro, chegar perto. Entre 1990 e 2000 ocorreu a reconstrução da parte histórica. O Brandemburg Tor sobreviveu aos bombardeios da II GM, é o original, faz parte da antiga muralha defensiva da cidade. Segundo o site https://oquevisitarondeviajar.com.br, é situado na Pariser Platz e foi construído no final do século XVIII como parte de uma série de monumentos que simbolizavam a vitória e a paz na Europa. A escultura que coroa o Portão de Brandemburgo é conhecida como uma Quadriga que representa a deusa (grega) da vitória Nike guiando um carro puxado por quatro cavalos.
De lá chegamos ao Memorial aos Judeus Mortos da Europa ou Memorial do Holocausto. São 19 mil metros quadrados, 2711 blocos de concreto ou estelas em forma de um cemitério labiríntico sobre um terreno levemente ondulado. Blocos de altura diferentes até 5 metros. Feito em 2005, memorial dos mais importantes. Lugar que mexe com os sentidos, dá para sentir ansioso, isolado, angustiado, os interiores são estreitos. Embaixo dos blocos há um Centro de Informação, um museu, que possui várias salas: a de Início (oferece uma visão geral da perseguição aos judeus), a de Dimensões (com cartas, diários e notas finais escritas durante o período), a de Famílias (15 famílias representadas com fotos e documentos pessoais), a de Nomes (a gente escuta os nomes e minibiografias dos perseguidos), a dos Lugares (locais dos crimes na Europa Central e Oriental) e os Terminais (temos acesso aos portais de memória, entrevistas com sobreviventes do Holocausto). Uma visita necessária para reflexão.
Potsdamer Platz. Bairro de arquitetura contemporânea, construída em cima do Muro. Ainda vemos pedaços do muro na calçada. O frio está intenso. 0ºC. 155 km de muro. Parede externa, onde era o muro interno. 1990-2000: prédios novos. Incrível. Melhores arquitetos do mundo vieram para colaborar com a reconstrução da cidade. Observamos a réplica do primeiro semáforo da Europa que pode ser visto na praça Potsdamer, próxima ao cruzamento das ruas Potsdamer Strasse e Stresemannstrasse. O primeiro foi instalado em 1924 (fonte: Globo.com). Hauptbahnhof (estação ferroviária). Trens de norte a sul passam embaixo da estação. Em frente, o Boulevard das Estrelas do cinema alemão. Duas semanas de Festival Internacional de Cinema em Berlim na praça (central) Marlene Dietrich, situada na Potsdamer Platz e batizada com o nome da atriz no final dos anos 1990. Homenageia a estrela mundial do cinema e da canção em Berlim. A Wikipédia destaca que nasceu em Berlim, mas se naturalizou norte-americana. Teve participação importante em sua colaboração humanitária durante a II GM, abrigando exilados e ajudando-os financeiramente. Foi uma opositora apaixonada do nazismo.
Sony Center. Símbolo de poder tecnológico, local renomado, bem diferente, parece a parte de cima de um circo. Cúpula impressionante, estrutura independente sustentada por cabos de cristal, tecido e vidro que mudam de cor. O monte Fuji é representado. De ficar boquiaberto com a beleza. A empresa Sony saiu de Berlim e se mudou para Londres. A pandemia atrapalhou o funcionamento de alguns restaurantes que fecharam as portas por ali. Museu do Cinema de Berlim no piso térreo do Sony Center. Apresenta uma exposição completa sobre a história do cinema alemão.
Ufa! Que cidade! Continuaremos com mais passeios em breve.
