Montevidéu-Uruguai-2023-dia 5-Piriápolis-Casapueblo
Hoje é sábado, dia 22 de abril de 2023. Às 8h15 da manhã o ônibus da empresa Dreamtour veio nos buscar, o ônibus da Solybus era muito confortável. A guia Laura, parabéns a ela, demonstrou muito conhecimento. Passeio de dia todo.
Vamos passeando pelo centro de Montevidéu com prédios de estilo neoclássico, local altamente habitável. O porto tem 10 m de profundidade. Estamos na Cidade Velha pegando turistas nos hotéis. A cidade é como Fortaleza-Ceará, se dá voltas e voltas para chegar a uma rua. Notei a cidade pouco pichada, fico feliz. Pichação enfeia. Estamos na avenida General Rivera. Como é frio, não se vê gente nas varandas dos apartamentos e as janelas ficam fechadas. Cenário de inverno.
Passamos pelas Ramblas, Costanera, Beira-Mar, são 132,7 km até Punta del Este. Aliás, a terceira vez que vou. Departamento (estado): Canelones. O percurso será pela região leste, Maldonado, balneário Solís (panorâmica-Piriápolis), capela Santo Antônio, café, teleférico, Casa Pueblo-casa/museu de Carlos Paz Vilaró, Punta del Este, almoço, tempo livre.
Os bairros mais caros de Montevidéu pelos idos de 1890 eram fazendas pertencentes a famílias, como a Carrasco. Mandavam filhos varões para a Europa. Criavam vacas. Começaram a Associação Imobiliária e contrataram o arquiteto paisagista francês Carlos Thays, que desenhava jardins e praças. Do centro para lá eram 4 dias a cavalo no areal. O hotel Sofitel era o mais importante em 1944. O corpo diplomático mora em Carrasco atualmente. Também moram jogadores de futebol, é um bairro arborizado e bonito.
Até 1997 Punta del Este era campo e praia, sem planejamento. São uns 24 km do centro de Montevidéu. Em 1995, começaram a construir casas em Canelones para final de semana. Tiveram que colocar pedra ou cimento para construir em cima da areia. Não havia um plano arquitetônico em 2000/2001, sem serviço de esgoto, lixo, era caótico. Com chuvas, as casas se inundavam, virava um lago. A parte sanitária era um horror. Tudo mudou. São 5 milhões de dólares anuais até 2025 para correções e melhorias. Há manguezais na área, porém construíram um shopping center em cima, um desastre, segundo a guia.
No Uruguai o primeiro esporte “paixão nacional” é o ciclismo, o segundo futebol. Passamos por um caminho de bosques, com árvores mil e pelo portal da cidade de Salinas. No balneário Bella Vista, vemos um marzão, com casas lindas na beira mar, tudo tão tranquilo.
O uruguaio gosta mais de Piriápolis do que de Punta del Este. O Cerro (morro) de los Burros é 78% plano, são 170 m de altura, e lá criam gado bom para corte, sua carne é macia. São 21 milhões de cabeças de gado no país, há mais bicho do que gente, além da venda de gado, produzem leite.
Francisco Piria (1847-1933) era uruguaio, neto de genoveses. Ele é o responsável pela criação do balneário em 1890. Ele fica órfão de pai ainda criança e sua mãe o envia para a Itália para que seu cunhado religioso (jesuíta) se ocupe de sua formação. Foi no país que ele começou a cultivar seu amor pelas artes clássicas. Voltando ao Uruguai, trabalhava com comércio em Montevidéu. Compra terras na região de onde seria Piriápolis e aí fez história. Era empresário, alquimista, escritor e político.
A guia menciona o Cerro Pan de Azúcar e o Cerro del Inglês. O site pt.piriapolishoy.com nos conta que o cerro era originalmente chamado de Morro do Inglês, mas foi rebatizado por Francisco Piria como Morro Santo Antônio para atrair casais. Tal morro fica sobre a baía de Piriápolis com uma altura de 130 m. Rambla de los Argentinos (palavra que vem de argento (prata)).
Em Piriápolis, o calçadão é elegante, bonito de se ver, bem cuidado, não há ambulantes nem barracas de comida na praia. Aliás, de acordo com a guia, o uruguaio não “curte” praia. Está situada na costa atlântica do sul do Uruguai e tem edifícios estilo belle époque, como o Argentino Hotel Cassino & Resort. Aliás, este hotel foi fundado em 24 de dezembro de 1930. É situado na Rambla de los Argentinos e foi obra de Piria, traziam até vacas para a hospedagem no passado. O Google nos diz que a pedra fundamental da sua construção foi colocada no ano de 1920, evento no qual esteve presente o presidente Baltasar Brum. A obra foi desenhada pelo arquiteto Pedro Guichot, um francês radicado em Buenos Aires. A cidade é graciosa com casas espaçosas, parece que estamos no Mediterrâneo.
Subiremos o Cerro del Toro. O Cerro del Inglés é rico em pedra magnetita. O mar lá embaixo forma um cenário precioso. No Cerro San Antonio ou do Inglês descemos. Para quem quer um amor, deve-se dar 7 voltas ao redor da capela e fazer um pedido ao santo casamenteiro, além de pendurar o santo no pescoço, assim reza a tradição. O visual de cima é impressionante, vemos bosques e bosques. Lá está o teleférico (aerosillas). São 15 minutos de parada. Há uma cafeteria/restaurante Puerto Alto. A capela é branca com o teto azul, toda com flores artificias dentro, a imagem de santo Antônio é grande.
A guia sempre instruindo a respeito da história do Uruguai. No país não há cultura indígena, houve um genocídio do povo. Em 1965 foram encontrados cemitérios indígenas em serras perto. Yanos, Chanás, Charruas (maioria), Minuanos, dentre outros povos foram eliminados nos idos de 1830/34 por ordem de Fructuoso Rivera (1784-1854), primeiro presidente do Uruguai (foi o terceiro também), porque lutavam pelas suas terras. Só 5 sobreviveram, fugiram para o sul, porém 3 homens, uma mulher e um bebê recém-nascido foram capturados e levados para a França onde foram expostos no zoológico (ou como atração circense). Eram considerados “povos exóticos”. Eles morreram dentro de poucos anos de fome e doenças infecciosas. Detalhe: foram pegos por um escravagista francês. Os restos mortais do cacique Charrua foram trazidos da França. Ver mais no museu de Arte Pré-colombiana e Indígena do Uruguai na rua 25 de Maio na Cidade Velha. Antigamente não se contava a real história sobre os povos originários. Trabalhavam com cerâmica, com a terra, eram caçadores e coletores.
O aeroporto mais próximo de Piriápolis é o de Punta del Este. Interessante dizer que os cantores Roberto Carlos e Shakira são frequentadores.

Vamos à famosa Casapueblo, do artista plástico Carlos Páez Vilaró (1923-2014), imperdível de tão original. Ele foi ceramista, escultor, muralista, empresário, pintor, compositor etc. Nasceu em Montevidéu, morou em Buenos Aires-Argentina nos anos de 1935/1940. Lá participou da vida boêmia e descobriu um mundo diferente da sua classe média familiar. Em Montevidéu, viveu em cortiços e se misturou com estrangeiros, teve contato com a filosofia de vida “candomble” da cultura negra. Ele se apaixonou por essa cultura, rodou o mundo para encontrar as raízes do povo que fora dizimado no Uruguai, percorreu toda a África e morou no Senegal. Viveu também na Espanha em Málaga, onde conheceu Gaudí e Picasso, que foi professor de Vilaró. No Brasil, travou amizade com Vinícius de Moraes, vemos fotos dos dois. Em 1972, seu filho sofreu acidente de avião na Cordilheira dos Andes, esteve entre os 3 sobreviventes, foram 70 dias de fé. Também há fotografias sobre isso e recortes de jornal.


A Casapueblo é toda branca e parece aquelas casas da Grécia no Mediterrâneo, e também as do arquiteto Gaudí em Barcelona-Espanha, dividida em várias partes. As obras de Vilaró são únicas e percebe-se claramente a influência africana. As cores têm um significado total para ele. Eu amo! Toda vez que for, irei à Casapueblo, também museu, e a cada vez surge um conhecimento novo. Desta vez percebi o seu amor por gatos, são várias telas com os bichanos. Identificação total eu senti: cores e gatos. Ali vale passar mais tempo, como sempre vou em excursão, o tempo é limitado.

Mais um pouco sobre tão charmosa casa. No museu tem o histórico: em 1958, Vilaró chegou a Punta Ballena e o lugar o encantou. A desolação da paisagem, sem árvores ou caminhos traçados, sem luz e sem água não frearam seu projeto de construir seu estúdio definitivo de frente para o mar. Inicialmente, ergueu uma pequena casa de lata, onde armazenou portas, velhas, janelas e materiais para a obra de sua futura casa. Logo, com a ajuda de amigos e pescadores criou La Pionera, seu primeiro ateliê de madeira. Mais tarde começou a cobri-la com cimento e a modelá-la com as mãos, como uma escultura, sempre incrustando nas paredes objetos trazidos de suas viagens, e destinando lugares especiais para suas lembranças. Casapueblo continuou crescendo, habitações foram se juntando como vagões a uma locomotiva. Muitas delas construídas quando se anunciava a chegada de amigos que vinham de longe para passar uma temporada nessa casa que provocava tanta curiosidade. Foi assim que se converteu em um ícone do lugar, ponto obrigatório de artistas, colecionadores, personalidades, pesquisadores, estudantes de arquitetura e viajantes andarilhos.
Em breve, Punta del Este, um pedaço do paraíso.






























