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Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 3

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 3

Hoje é dia 23 de novembro de 2023. Continuamos o nosso passeio de ônibus turístico Linha Turismo. A parada 10 foi no Bosque do Papa/Memorial Polonês. Seguiremos…

Parada 11. Museu Oscar Niemeyer (MON) ou Museu do Olho. De arte contemporânea. O porteiro do museu nos deu a dica do restaurante Barolho ali perto, na rua Manoel Eufrásio, 1350. E rumamos para lá, já que estava na hora do almoço. O Carlos e eu pedimos bife de frango grelhado com salada, arroz integral e feijão (oferta da casa) por R$23,00 cada e dois copos enormes de limonadas. Almoço bom e barato. Tratamento e serviço aprovados.

O museu tem um vão de 65 m, são várias salas e andares, espetacular. Paguei R$15,00 como professora, acima de 60 anos é de graça. Só achei uma burocracia desnecessária na entrada, deixamos a mochila e se levasse meu livrinho de escrita teria que preencher um formulário com meus dados. Sinceramente, nem preenchi. Levei somente o celular.

No dia seguinte, 24 de novembro de 2023, inaugurariam a exposição “Extravagâncias”, de Joana Vasconcelos, artista renomada portuguesa, no espaço do Olho, nos andares da torre e nos espaços Araucária e na rampa. Lá fora chove, bom dia para museu. Passamos quase 3 h, uma visita intensa. Que museu fabuloso!

Vimos obras das artistas Aline Dias, Ana Gonzaléz, Fernanda Valadares etc. As salas da Índia e as Religiões; da Ásia: a Terra, o Homem e os Deuses; da África, Expressões Artísticas de um Continente; de Poty (Lazzarotto), entre dois mundos, dentre outras. Achei bem linda a sala Ningyos, bonecos que emanam bons augúrios. Mais de 3 mil peças da coleção da arte asiática foram doadas pelo embaixador Fausto Godoy ao MON. São presentes auspiciosos para desejar longevidade, saúde e fertilidade aos recém-nascidos. Há um espaço do museu adaptado para ampliar o acesso das pessoas com baixa visão ou cegueira. Importante e inclusivo.

Também há a sala sobre a produção do filme Ivan, O Terrível, de janeiro de 1941. Obra de Serguei Eisenstein, por ordem direta de Stalin, que acreditava ter finalmente domado o diretor. Ele só concordou em dirigir o filme após ter criado a cena do arrependimento de Ivan diante do afresco do Juízo Final na catedral. A primeira série do filme, de 1944, rendeu ao diretor o Prêmio Stalin, a segunda foi banida e o terceiro filme, inacabado, teve seu material destruído em 1951.

Depois da chuva, esfriou. Às 16 h entramos no ônibus. Em cima o ônibus era aberto dos lados e havia um pano para a limpeza dos bancos.

Parada 12. Bosque Alemão. Descemos, mas conhecemos somente o Oratório de Bach, réplica de uma antiga igreja presbiteriana de madeira, onde atualmente ocorrem concertos. O bosque estava fechado. É o memorial germânico da cidade, em homenagem aos primeiros imigrantes alemães no séc. XIX. Ainda há a Torre dos Filósofos (mirante), a trilha de João e Maria que narra o conto dos Irmãos Grimm, a Casa da Bruxa com biblioteca e hora do conto, e a praça da Poesia Germânica com portal que reproduz a fachada da Casa Mila, construção do início do séc. XX. As casas nos arredores do bosque são grandes, bem cuidadas e com jardins em frente. O bosque em frente ajuda no charme. Há propagandas simpáticas pelo caminho para separar o lixo.

Parada 13. Bosque Zaninelli/Universidade Livre do Meio Ambiente. Criado em 1992, o bosque dá um novo uso a uma antiga pedreira, da qual restam um paredão de granito e um lago no meio da mata. A Universidade Livre do Meio Ambiente é feita de troncos de eucaliptos e madeira de construção, para valorização do meio ambiente, preservação e conscientização. Representa os quatro elementos da natureza: terra, fogo, água e ar. Abriga a Escola Municipal de Sustentabilidade. Foi inaugurada com a presença de Jacques Cousteau. Oferece vista panorâmica do lago e bosque.

Parada 14. Parque São Lourenço. Bom para caminhar, andar de skate e carrinho de rolimã. O parque une natureza, arte e cultura. Implantado em 1972, é um dos mais antigos da cidade, para recuperar estragos do rompimento da represa do rio Belém. Conta também com o Memorial Paranista e o Jardim das Esculturas João Turin, considerado o precursor da escultura do Paraná. O caminho parece com a Zona Sul de Porto Alegre com suas ruas largas e casas.

Parada 15. Ópera de Arame. De 1992. Outro cartão-postal de Curitiba. Eu tinha que conhecer. O lago, a chuva e a ópera, que visual. Mais tarde ocorreria o concerto Candlelight à luz de velas. Que mágico! Restaurante, café, loja, escadas de ferro, um lugar muito original. Há exposição de arte espalhada. Haja escada, mas vale a pena. Segundo o folder Curta Curitiba, a estrutura é tubular e o teto transparente, e compõe o Parque das Pedreiras, junto com a Pedreira Paulo Leminski, de 1989.

Parada 16. Parque Tanguá. Com floresta preservada, cachoeira, lagos, mirante. Um dos melhores locais para apreciar o pôr do sol.

Parada 17. Parque Tingui. O folder Curta Curitiba nos esclarece que o parque foi criado em 1994, localiza-se em uma faixa de preservação junto ao rio Barigui. Tem escultura do cacique Tindiquera, da tribo Tingui. Possui também a obra Raízes Afro-Brasileiras de Emanoel Araújo.

Parada 18. Memorial Ucraniano. Dentro do parque Tingui. Com um portal e réplica da antiga capela de São Miguel, construída em madeira em estilo bizantino, onde há uma exposição de ícones da cultura ucraniana.

Parada 19. Portal Italiano. Adiante está o bairro mais conhecido de Curitiba: Santa Felicidade.

Parada 20. Santa Felicidade. Com cantinas, restaurantes, sorveterias, feira de artesanato, lojas, bem festivo. Vimos a loja de chocolate Florybal, de Gramado-RS. Primeira colônia de imigrantes italianos na cidade. Chegaram a partir de 1872.

Parada 21. Parque Barigui. O rio com o mesmo nome foi represado e formou-se um lago. O parque foi criado em 1972 e é bem frequentado pelos habitantes. Não houve parada pelo perigo, pois o rio/lago estava para transbordar por chuvas recentes.

Parada 22. Torre Panorâmica. Inaugurada em 1991,é suporte de telefonia celular. Tem mirante a 109, 5 m de altura, para uma visão de 360 graus de Curitiba e dos contornos da Serra do Mar.

Parada 23. Setor Histórico. Área de preservação histórica e cultural. Domingo abriga uma feira de artesanato e antiguidades parecida com a de San Telmo em Buenos Aires. O Museu Paranaense se localiza nesta parte antiga da cidade.

Passamos por alguns Faróis do Saber, bibliotecas municipais com um farol como símbolo. Da época do Jaime Lerner como governador, o arquiteto que mudou Curitiba e trouxe inventividades existentes até hoje. Parabéns, a cidade brilha com tanta cultura e natureza.

Praça Garibaldi com palácio Garibaldi, usado para eventos. Local que abrigou os primeiros imigrantes italianos chegados na cidade.

Parada 24. Praça Tiradentes. Marco Zero de Curitiba. Aqui descemos, pois é perto do hotel Bourbon. Apesar de tão importante e histórica, infelizmente, é um local inseguro. Realidade das nossas cidades grandes no Brasil.

Continuaremos nossa jornada em breve.

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 2

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-passeio de ônibus turístico-parte 2

Hoje é dia 23 de novembro de 2023. O café da manhã do Bourbon Curitiba Hotel & Suítes é excelente: seção de sucos detox e outros de frutas, frutas, queijos, presuntos, bolos, croissants, tapioca, iogurtes, encontrei o leite desnatado e … croque monsieur, que interessante. Receita francesa de sanduíche. Começamos bem o dia.

Vamos os passeios. Andamos até a Rua 24 Horas, no caminho passamos pelo relógio de 1914 na praça Osório. Os bancos, árvores altas, floriculturas e cafés fazem a diferença na qualidade de vida do curitibano. Há venda e compra de ouro no Calçadão Rua XV de Novembro. Ali é uma gostosura de sentar nos bancos e sentir o aroma das flores dos canteiros. Vemos os tubos/minhocões pelas avenidas para pegar ônibus, um exemplo é na rua Visconde de Nácar.

Parada 1. Entramos no ônibus Linha Turismo (de cor verde) em frente à Rua 24 Horas. R$50,00 por pessoa para 24 horas, o pagamento é feito dentro do ônibus. A previsão é de chuva, então estamos protegidos e aproveitando. Ficamos na parte de cima e coincidência, como sempre, encontramos uma mãe e uma filha de Tauá-Ceará, a moça estuda em Itajaí-Santa Catarina, foi um bom papo. No ônibus, temos uma perspectiva da cidade, já que as paradas ocorrem em 10 pontos turísticos importantes. A cidade é arborizada e limpíssima o que a torna agradável. São tantas praças e casas dos anos 1930 e 1940, algo que chama atenção.

Parada 2. Museu Ferroviário. O museu é anexo ao Shopping Estação.

Parada 3. Teatro Paiol. O edifício original de 1906 era um paiol de pólvora. Restaurado em 1971, manteve a arquitetura circular romana e passou a ser um teatro de arena, símbolo da mudança cultural de Curitiba, de acordo com o folder Curta Curitiba.

Parada 4. Jardim Botânico. Descemos. Que local mais aprazível, lindo. Bem cuidado, florido, parece uma miniatura do Palácio de Versailles na França. Estufa conhecida por fotos. Na estufa principal há bromélias, banana-do-mato, flor-de-cera e muitas outras belezas. O folder Curta Curitiba nos diz que o Jardim Botânico, ícone da cidade, é inspirado nos jardins franceses. Inaugurado em 1991, possui uma estufa metálica que abriga espécies botânicas que são referência nacional.

Na Galeria das Estações, encontramos o CIBP-Centro de Ilustração Botânico do Paraná, onde encontramos uma lojinha com bolsas, agendas, calendários (R$25,00 a unidade), caderninhos (R$20,00 a unidade), com flores nos produtos, e, ao lado, um Café-Escola do SENAC. Ser tão florido me lembrou da loja da casa do pintor impressionista Claude Monet em Giverny, França. Mas em miniatura, em comparação com a francesa. Logicamente que eu não resistiria a compras e a um café com bala de banana de brinde. Muito bom ter álcool em gel onde formos. Na entrada do Jardim Botânico existe um restaurante/galeteria promissor. Capricham nas flores e plantas. Lugar imperdível.

Curitiba: cidade da reciclagem, inovadora em termos de lixo reciclado. Fazem campanhas por isso. Maravilha!

Às 12 h entramos no ônibus turístico novamente, o almoço seria depois. Há áudios em inglês, francês, espanhol.

Parada 5. Mercado Municipal/Rodoferroviária. O mercado, de 1958, concentra boxes e restaurantes. Na Rodoferroviária se pega o trem para descer a Serra do Mar e conhecer Morretes e Antonina.

Parada 6. Teatro Guaíra/Universidade Federal do Paraná. A sede da primeira universidade do Brasil, fundada em 1912, tem arquitetura neoclássica e domina o lado da praça Santos Andrade. O Teatro Guaíra fica no outro extremo, foi inaugurado em 1970 e é um dos maiores da América Latina, na entrada, tem painel em alto-relevo do artista paranaense Poty Lazzarotto com a história do teatro universal (segundo o folder Curta Curitiba).

Passamos pela histórica praça Tiradentes, onde existe uma estátua do Barão de Rio Branco.

Parada 7. Paço da Liberdade. Foi a primeira sede própria da prefeitura de Curitiba. A construção de 1916 tem detalhes neoclássicos e art-nouveau. Restaurada, mantém as características originais e é um espaço cultural múltiplo com exposições, biblioteca e um café. Aqui não houve parada.

Parada 8. Passeio Público/Memorial Árabe. O Passeio Público é o parque mais antigo da cidade, inaugurado em 1886. Abrigou o zoológico e o portão principal é uma cópia do que existe no cemitério de Cães de Paris. Vizinho está o Memorial Árabe, construído em homenagem à cultura dos países do Oriente Médio. Dentro existe uma biblioteca e pinacoteca referentes à cultura árabe. A praça se chama Gibran Khalil Gibran e a edificação segue a linha mourisca.

Parada 9. Centro Cívico de 1953, ano do centenário da Emancipação Política do Paraná. Sede dos três poderes do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário. Na praça Nossa Senhora da Salete. De arquitetura modernista, com influência de Brasília, foi o primeiro centro cívico do Brasil. O impressionante de Curitiba é ser toda muito arborizada.

Parada 10. Bosque do Papa/Memorial Polonês. Em homenagem ao papa João Paulo II, o museu ao ar livre, com sete casas de troncos encaixados, sem pregos, foi inaugurado em 1980. São casas antigas de colonos poloneses, além do bosque com trilhas e reserva de 300 araucárias. Ali há um museu que mostra objetos do cotidiano, instrumentos de trabalho, móveis e utensílios domésticos, ou seja, formam um memorial à imigração polonesa. Também há uma loja e a capela com a imagem da padroeira, a Virgem Negra de Czestochowa.

Próximas paradas em breve…

Curitiba-Paraná-Brasil-a capital mais ecológica do país-parte 1

Curitiba-Paraná-Brasil- a capital mais ecológica do país-parte 1

Dia 22 de novembro de 2023. Eis que vou conhecer Curitiba! O Carlos já conhecia e vivia falando na cidade. Saímos às 4h30 da madrugada de Fortaleza-Ceará via Brasília pela LATAM e chegamos em Curitiba às 10h10 da manhã. Obrigada, Dennis, da Bluedream Viagens. O lanche a bordo foi estilizado: pipoca e biscoito integral de chocolate e aveia. Bem diferente. Em Brasília foi rápido, fazia tempo que não pegava um ônibus para chegar ao avião e subia escadas…

O aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais (cidade na grande Curitiba) é uma lindeza. O quiosque Brasileiríssima e a loja Monclo, de aparelhos de cozinha, eu apreciei ver. Saímos pelo portão C a fim de chamar um carro da UBER. Detalhe: R$62,00 até o hotel no centro. Um táxi é uns R$70,00. O motorista Eduardo foi um bom papo. Ao passar no portal, já é Curitiba, cidade pequena, mas com uma região metropolitana imensa.

Falemos no hotel Bourbon Curitiba Hotel & Suítes, rua Cândido Lopes, 102-centro. Fomos pelo sistema Bancorbrás, ou seja, estava pago. Mimo ganho da minha mãe. Fizemos o check-in e fomos almoçar, pois ainda não era hora de entrar no quarto. O restaurante do hotel é sistema buffet, você repete como queira, um desbunde. Na base de R$75,00 mais 10% de serviço, lugar para se dar de presente! Buffet com salmão, saladas, purê de batata com salsa, canelones de ricota com espinafre etc. Doces: estrogonofe de nozes (novidade para mim), pudim, sagu (amo), cheesecake de frutas vermelhas e calda de figo, ufa! Espetacular.

A localização do hotel, o serviço, tudo o mais nos provou que foi uma excelente escolha.

Esse negócio de viajar de madrugada deixa a gente “lesado”. Fomos dar uma boa dormida e sair para conhecer os arredores. Descobrimos ao lado do hotel a Pastelaria e restaurante Bom Dia, com sopas, refeições, lanches, oba! Preço em conta e lugar pra chamar de meu.

Continuamos nas caminhadas. A feira de Natal na praça General Osório é bem ali. Banquinhas de enfeites de Natal e artesanatos, e barraquinhas de comidas de diferentes países: Bolívia, Itália, Polônia e do estado da Bahia. Oferecem pamonha (delícias de milho), choripan (pão com chouriço e tempero), fogazza (uma espécie de pastel com recheios diversos), empanadas salteñas (originárias da região de Salta-Argentina), a bebida quentão (própria para o clima de inverno, feita de cachaça, gengibre, limão e açúcar) e a bebida KOMPOT (extraída do cozimento das frutas como morango, pêssego e amora, servida quente ou fria). Que feira mais convidativa e ocorre em uma praça repleta de árvores com muito verde, jardins e bancos. Já estava gostando muito da cidade.

Também cerca de ali, a famosa Rua 24 Horas, entrada pela rua Visconde de Nácar e término pela rua Visconde do Rio Branco. Lugar obrigatório de comércio com cafés, lojas mil, de cosméticos e outras, restaurantes, em suma, uma galeria bem estilosa. Faz parte da vida social dos curitibanos e local turístico. Funciona das 9 h às 24 h todos os dias da semana. Foi inaugurada pelo então prefeito e arquiteto Jaime Lerner. Segundo o site www.urbs.curitiba.pr.gov.br, foi inaugurada em 12 de setembro de 1991, construída em estrutura metálica tubular em forma de arcos, e dois grandes relógios, um em cada entrada, que marcam as horas em 24 intervalos.

De primeira vista, Curitiba me lembrou de Montevidéu, capital do Uruguai. Pouca gente e poucos carros na rua. Diferentemente de Fortaleza, onde o centro ferve. Imagino que signifique que eles têm bom sistema de transporte público.

Todos com quem conversamos nos alertam para ter cuidado com os drogados nas ruas do centro, na praça Tiradentes, então é demais. Ficamos impressionados com a quantidade de moradores de rua. Dizem que tudo piorou com a pandemia de COVID. Um nos abordou, sem problemas.

Em frente à Rua 24 Horas, existe uma parada do ônibus da Linha Turismo, daqueles de dois andares para conhecer a cidade em 24 h. Aconselho muito, pois é organizado e passa pelos pontos turísticos importantes. Chega nas paradas de meia em meia hora e custa R$ 50,00 o dia, funciona das 8h30 às 17h30.

A cidade é toda natureza, encantadora, limpa. O centro dá gosto. Sempre digo que o básico de uma prefeitura é manter a cidade limpa. E a população também é responsável por isso. Gostei do Bondinho da Leitura, um vagão charmoso usado como biblioteca. Foi instalado nesse local em 1973 e era um espaço de recreação infantil. Desde 2010 funciona como biblioteca, segundo o folder Curta Curitiba a pé. Aí eu pergunto: para uma amante de livros como eu, como não se emocionar com Curitiba? Também no mesmo calçadão da rua XV de Novembro, estava sendo montada a roda gigante de Natal patrocinada pelo grupo Boticário (de perfumaria). Muito simpático tudo. O calçadão também é conhecido como Rua das Flores, primeira rua fechada para o trânsito de carros no Brasil.

Voltamos ao hotel com trovões, parecia que ia chover, ainda bem que foi pouco. O Bourbon fica em frente à Biblioteca Pública do Paraná, cuja edificação é de 1953, e foi inaugurada em comemoração ao centenário de emancipação do Paraná. Possui o maior acervo de publicações do estado, conforme o folder Curta Curitiba a pé.

Para jantar, um lanche de canja na Pastelaria e Restaurante Bom Dia (rua Cândido Lopes, 176). Pessoas solícitas, ambiente agradável. Interessante que misturam o azeite com o vinagre na mesma garrafa. Percebo gostarem bastante de pastel e os chocolates caseiros terem um formato diferente. Vou provar.

O outro dia promete…

Entre a Sombra e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Entre as Sombras e os Sóis, livro lançado por Carlos Reiss em 2023-diretor do Museu do Holocausto de Curitiba-Paraná em Fortaleza-Ceará-Brasil

Em 16 de outubro de 2023, estava eu com alguns participantes do grupo @peloscaminhosdaiiguerramundial no jornal O Povo (Fundação Demócrito Rocha) para um colóquio com o autor Carlos Reiss sobre seu livro Entre as Sombras e os Sóis, a história de Sala Borowiak, sua avó paterna. Editora: Folhas de Relva. Ele nos contou sobre a vida dela e de seu avô como sobreviventes do Holocausto. Estava presente George Legmann, sobrevivente, nascido em um campo de concentração. Ele está na mídia nacional, dá entrevistas e sai em reportagens sobre o Holocausto.

Carlos Reiss

Seus avós poloneses foram sobreviventes do gueto de Varsóvia, onde o avô trabalhava como trabalhador escravo/serralheiro. Perderam toda a família no Holocausto e conseguiram sobreviver e reconstruir suas vidas no Brasil.

Ao escrever o livro Entre Sombras e Sóis, passou por um processo de escritura longo, com lacunas que tiveram que ser preenchidas.

Dirige o primeiro Museu do Holocausto no Brasil, em Curitiba-Paraná. Localização: rua Cel. Agostinho Macedo, 248, fone: (41) 30937461, com visitas gratuitas, sob prévio agendamento em https://agenda.museudoholocausto.org.br.

Menciona o sr. George Legmann, conhecido como o “bebê de Dachau”, um dos 7 bebês nascidos em um campo de concentração. Durante 20 anos, o autor descobriu muitas informações. Em 1994, a avó Sala/Sara faleceu ainda jovem. Quem começou a escrever o livro foi o tio, porém em 1996 morreu. Em 2002, Carlos Reiis usou tudo já escrito como prefácio.

As sombras da avó Sara foram pesadelos e tratamentos de saúde. Teve três filhos, seus sóis, deles tirava seu alimento. A vida dela se equilibrava entre sombras e sóis, tinha 14 anos quando da invasão da Polônia pela Alemanha em 1939. Casou antes de emigrar para o Brasil.

O Brasil sempre foi um grande exemplo de acolhimento para apátridas, refugiados e imigrantes. A partir do Holocausto se criou nominações como a “lei do genocídio” e leis para entrar no país. “A memória é construída”. “Nós olhamos para Auschwitz e o ressignificamos”, depende do olhar. A questão é falar sobre o passado a partir de um trauma como o Holocausto. Cerimônias e orações para homenagear os falecidos são importantes, mas há de educar a partir daí.

Carlos Reiss diz correr contra o tempo para resgatar estas histórias. Lembrar, não esquecer, fortalecer valores e princípios: tolerância, resistência, valor à vida, resiliência. No Museu do Holocausto, há a história com nome e sobrenome de cada pessoa. Em vez de uma pilha de sapatos, o autor prefere um par de sapatos com a história da pessoa. Ele conta a história da sua avó Sara com o seu sapato. Ela costurava e guardava chocolates dos netos em caixa de costura. Doces lembranças.

As vítimas do nazismo foram além de judeus, também homossexuais, doentes mentais, negros alemães, ciganos, comunistas, Testemunhas de Jeová etc.

Empatia não é se colocar no lugar do outro, mas provocar a “empatia”. Se o visitante do Museu do Holocausto sai de lá questionando, refletindo, então a missão do museu como “educador” funcionou. No local, existe um pedaço de uma Torá (livro sagrado do judaísmo) que foi salva por um alemão na guerra (a sinagoga fora incendiada). Ele doou a Israel, que depois foi presenteada ao museu de Curitiba. Neste pedaço da Torá, a Moshe (Moisés) Deus pede o nome das pessoas que o seguiam, isso foi feito com as vítimas do Holocausto para contar a história deles.

Sua outra avó Sofia foi liberada em Dachau, em 29 de abril de 1945. Ela tinha 28 quilos, não tinha força para pegar o pão que os soldados jogavam. Quem pegou, morreu.

George Legmann

Sobrevivente do Holocausto, judeu de família romena, mas que vivia na Hungria, pois a fronteira havia mudado no começo de 1944, quando a sua mãe havia engravidado. Moravam na Transilvânia, historicamente disputada por Romênia e Hungria.

Bebê de Dachau, foi registrado no campo de concentração I Landsberg Kaufering (parte do complexo de Dachau-um campo bem menor). Em outubro de 1944, havia sete mulheres grávidas e estavam desmontando os fornos migratórios. Quem fez seu parto foi o médico judeu dr. Kovacs. Em 27 de janeiro de 1945 foi libertado Auschwitz (Polônia) pelos russos, e Dachau (Alemanha) em 28 de abril de 1945 pelos americanos. Mas antes houve a Marcha da Morte com milhares de prisioneiros de Dachau obrigados a caminhar sob condições implacáveis até Tegernsee, Alemanha.

Na Romênia, os judeus não foram deportados, mas os da Hungria, sim. Dachau foi o primeiro campo a ser construído, em 1933, e iniciou com presos políticos. Hitler esteve preso em Landsberg em 1924. Foram no mínimo 28 mil mortos em Dachau. A mídia dos EUA foi chamada para mostrar o horror lá dentro. 2 mil padres católicos morreram no local. Havia o Pavilhão dos Padres. A casa do prefeito ficava a 500 m do campo. A população foi convocada para enterrar os mortos a fim de “educá-los”, pois diziam não saber de nada. Se não fossem, haveria um Tribunal Militar para o prefeito. O tifo matou muita gente. Eram diversos campos de Dachau.

O aspecto pedagógico, lúdico é mais fácil para o entendimento das novas gerações. A democracia é como uma flor, se não rega, murcha. Há histórias ainda a ser escritas. Às novas gerações devem ser contadas o valor do ser humano. Tem que construir pontes entre as pessoas, atualmente, não se faz isso.

Sérgio Napshan

Diretor da Confederação Israelita do Brasil (CONIB). Muito importante a fala institucional, a comunidade judaica deve criar pontes com a sociedade a fim de divulgar a História. Seu avô materno veio da Ucrânia, era amargurado, triste, calado. Irmão mais velho da família, saiu um pouco antes do Holocausto e emigrou para o Brasil. Perdeu toda a família lá. Em 1984, aos 20 anos, Sérgio começou a se interessar sobre a história familiar. Ao contrário de seu avô, sua avó era falante.

Em 1986, o avô faleceu. Infelizmente, só ele sabia da sua linhagem. A partir daí, o diretor da CONIB se interessou por divulgar o judaísmo. Descobriu em terapia que a sua dedicação à causa é para honrar a sua linhagem falecida: da família Acker. Descobriu isso recentemente e sabe ser sua missão em vida.

Marcus Strozberg

Diretor da Sociedade Israelita do Ceará. Trouxe a exposição “Do Holocausto à Libertação” para o Memorial do Ministério Público do Ceará em Fortaleza, de setembro a outubro de 2023. Celebrando os 12 anos do Museu do Holocausto de Curitiba, do departamento de Educação, trabalho com as novas gerações.

Sua pergunta principal é: O que acertamos e erramos na área educacional?

Conclusão

Carlos Reiss menciona o número de células neonazistas crescentes no Brasil e a materialização do antissemitismo e racismo. Continua buscando respostas para as suas perguntas. Na sua opinião, pode ter faltado um enfoque mais firme e forte de letramento antissemita. É preciso educar a sociedade em um caminho antinazista e antifascista. O museu precisa dialogar com a sociedade, não pode ser bolha de conteúdo e é necessário cultivar valores democráticos.

Adendos:

1. O filme Cântico dos Nomes (Netflix) mostra uma cena com os judeus em uma sinagoga cantando os nomes de vítimas do Holocausto. Filme de 2019, direção de François Girard, atores: Clive Owen e Tim Roth, baseado no livro de Norman Lebrecht.

2. Na série Irmãos de Guerra (Band of Brothers, de 2001-Netflix) mostra uma cena na qual os moradores da cidade são obrigados a enterrar os mortos no campo de concentração. A dramatização e a liberação do campo são vistas. Baseada no livro do historiador Stephen E. Ambrose, tem como atores: Damian Lewis, Ron Livingston, David Schwimmer etc. E criadores: Tom Hanks, Stephen Spielberg e Stephen Ambrose. A Wikipédia adiciona:

“O campo de refugiados foi criado dentro de um campo de concentração militar existente em Landsberg durante a guerra, que em outubro de 1944 comportava mais de 5000 internos, a maioria deles vindos da União Soviética e dos Estados Bálticos.

O campo foi libertado em 28 de abril de 1945 por tropas do Exército dos EUA e por ordem do comandante, general Taylor, as tropas ocupantes permitiram que a imprensa mundial tivesse acesso ao local e mostrasse ao mundo as atrocidades ali cometidas aos prisioneiros; o comandante também obrigou os alemães da cidade, civis e militares, a refletir sobre os crimes cometidos e enterrarem os corpos encontrados com as próprias mãos nuas. Num episódio bastante divulgado na época, duas jovens alemãs que se retiraram do local rindo foram obrigadas a passar a noite no campo com os mortos e a assistir a seu enterro nos dias seguintes”.

3. Muitos pereceram de tifo em campos de concentração, inclusive Anne Frank e sua irmã Margot. Falecidas em fevereiro ou março, um pouco antes da libertação do campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha), em 15 de abril de 1945, pelos britânicos.

4. O site da Enciclopédia do Holocausto acrescenta que apenas 3 dias antes da libertação do campo de Dachau, as SS levaram cerca de 7 mil prisioneiros em uma marcha da morte em direção ao sul, para Tegernsee, na Alemanha. Durou 6 dias o caminho. Quem não mantinha o ritmo, era executado ou morria de fome ou exaustão. No início de maio de 1945, tropas norte-americanas libertaram os sobreviventes dessa marcha da morte.

Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Cases da FEB (Força Expedicionária Brasileira) promovido pelo Instituto Montese em Fortaleza-Ceará-Brasil

Evento ocorrido no Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) em 3 de janeiro de 2024 com a participação de filhos/filhas e parentes de pracinhas, militares, estudiosos e interessados.

Primeiro painel com Júlia Carvalho, Deodato Ramalho e Eleazar de Castro

Júlia Carvalho: filha do cel. Evaristo Fernandes de Oliveira, nascido em Timon-Maranhão. Hoje falecido, completou 73 anos de casado, aos 18 anos partiu para a Itália trabalhando no serviço médico. Era médico veterinário. Foi membro da Associação dos Ex-Combatentes Febianos. Foi docente da Escola de Agronomia da UFC (Universidade Federal do Ceará). Foi sua obra a primeira escola de alfabetização de adultos, era profundamente preocupado com a inclusão social. Deixou como legado a defesa da pátria e da família. Preferia ouvir a falar.

Deodato Ramalho: o sogro “pracinha” Manoel Clodomir de Almeida nasceu em Jaguaretama-CE e faleceu em 1972. Partiu do Rio de Janeiro para a Itália sem nem conhecer a capital cearense Fortaleza. Deodato diz que o povo não tem memória, não é passado na escola a história heroica da FEB. Se os “pracinhas” foram esquecidos, os “soldados da borracha” mais ainda. Vale assistir ao filme “Soldados da Borracha” do cineasta cearense Wolney Oliveira. Foi secretário da Regional 4 da prefeitura de Fortaleza, atualmente é superintendente do Ibama. Comenta sobre o Dr. Ximenes, grande memória, que quando ia para a guerra, ela acabou. Foi o timoneiro da história da FEB em Fortaleza. Em 25 de abril há sempre uma grande festa na Itália, em 2025 serão os 80 anos da Vitória, do fim da guerra. Há desfiles todos os anos em Montese com as crianças cantando o hino da FEB em português. Deodato reforça sua tristeza ao constatar a falta de memória do brasileiro e louva o trabalho incansável de Kátia Sousa e Adriano Andrade, do Instituto Montese, em Fortaleza e de Mário Pereira que foi responsável pelo memorial brasileiro em Pistoia-Itália. O maior fruto da FEB foi ter-nos salvo do nazismo e ter sido tão empático com os italianos.

Eleazar de Castro: autor do livro Pelos Caminhos da II Guerra Mundial (vol. 1-editora Chiado Books) em parceria com sua esposa Goretti Gurgel, ambos responsáveis pelo grupo de estudos @peloscaminhosdaiiguerramundial no Instagram. Estão no Whatsapp, You Tube, fazem palestras, encontros em cafés e participam de viagens temáticas. Eleazar se surpreende com o exército de pessoas nas sombras que estudam a História do Brasil e sua participação na II Guerra Mundial. A cidadania brasileira pode ser resgatada, a Itália é um país-irmão. Contou um fato ocorrido com ele e sua esposa Goretti Gurgel em Montese, quando estavam em uma lanchonete e uma garçonete disse a eles que os brasileiros eram seus libertadores, o casal ficou bastante emocionado. Eleazar fala sobre o sentimento de inferioridade nosso, o complexo de “vira-lata”. Esse sentimento não condiz com a nossa História.

Segundo painel com Carolina Oliveira, ten.-c.el. Macedo e cel. Sales

Carolina Bertrand Rodrigues Oliveira: filha do “pracinha” Geraldo Rodrigues de Oliveira, vivo e lúcido, jogador de dama e dominó. Seu pai que foi soldado da borracha despejou perfume nele antes de partir para a guerra e disse para o filho ir e voltar com o V de vitória. Tem muitas memórias da guerra. Carolina menciona a dra. Elza, de Alagoas, que foi enfermeira na II GM. Legado: a capacidade de adaptação dos brasileiros ao frio e a condições difíceis na Itália.

Ten.-c.el. Macedo: a Kátia Sousa do Instituto Montese o contatou por conta de uma exposição de selos da II GM no Hospital Militar de Fortaleza. É militar do Exército da área de saúde, filho de militar e estudou no Colégio Militar de Fortaleza. É pesquisador da área e se interessou pelo assunto quando pouco se falava na participação dos brasileiros. Somos a única nação sul-americana a enviar uma divisão inteira e a capturar uma divisão inteira de alemães. Fazíamos parte do V Exército americano. Está na hora de resgatarmos a nossa história, uma vez que nossos “pracinhas” participaram de uma das batalhas mais sangrentas contra os alemães, que foi a batalha de Montese. A empatia brasileira sempre chamou a atenção, pois dividiam a sua comida, o seu mingau, com a população que estava passando fome.

Cel. Sales: é o contato da FEB em Fortaleza, responsável pelo Museu da FEB no 10° GAC (Grupo de Artilharia de Campanha). Precisa de ajuda para fazê-lo funcionar. Não recebe visitas regularmente, porque falta estrutura física. Ainda existem quatro Febianos vivos no estado do Ceará. Eleazar de Carvalho propõe um evento aqui em Fortaleza para os 80 anos do fim da II GM na Itália em 2025.

Palestra de Mário Pereira

Pede uma salva de palmas para o Instituto Montese. Filho de Miguel Pereira, “pracinha”, que foi lutar na Itália, casou com uma italiana e lá se instalou. Temos que lutar para que a história da FEB e de todos os outros que lutaram, e dos Soldados da Borracha não seja esquecida.

Mora na Itália e reforça que o Brasil o chama. O seu pai lhe dizia ser o Brasil enorme, mas o menino Mário não acreditava. A FEB criou amores como o dos pais e agora com a namorada também. Tem viajado de carro pelo país: São Bernardo do Campo (SP), Brasília e Santa Maria (RS), e em outros lugares de avião, como Fortaleza (CE).

A grandeza do Brasil tem que se repetir no país, o que os brasileiros fizeram de bem para os italianos é de grandeza. Por exemplo: os americanos davam comida, mas os brasileiros dividiam. Já os ingleses não foram bem-vistos pelos italianos. (E não havia divisão por cores de pele na FEB, todos lutavam juntos. No exército americano havia batalhões só de negros, mas com comandantes brancos). Devemos ter muito orgulho dos nossos pais, pracinhas. Tantas populações e tantas etnias estavam na guerra, os alemães queriam lutar até o último homem. O cel. Nélson de Melo foi o comandante do 6° RI (Regimento de Infantaria). (Sua unidade teve papel destacado na Batalha de Fornovo di Faro). O comandante da Força Expedicionária Brasileira foi o gal. Mascarenhas de Morais. O fator climático era um problema. (Um frio congelante o qual o brasileiro não estava habituado, quem cedeu roupas adequadas aos brasileiros foi os americanos, pois os “pracinhas” não viajaram bem abastecidos de roupas apropriadas pelo governo Vargas).

Foi curador do Monumento Votivo MilitarBrasileiro (MVMB, na Via delle Sei Arcole)) em Pistoia, na Toscana italiana, substituindo o pai. Recebeu muitos veteranos, os conheceu e sentiu a emoção deles em viver aquele momento. Os brasileiros vão lá “aos pingos” e são em maior quantidade que os americanos, que vão em grupos de 300 pessoas. São em geral descendentes dos que lutaram na Itália.

Nos Apeninos (cordilheira), há 2 monumentos americanos, 56 brasileiros. Por que a escola não mostra isso? Em 2012 apresentou um documentário sobre a FEB: O Caminho dos Heróis-A Verdadeira História da FEB, de João Barone, no Colégio Militar de Brasília. Os alunos não conheciam nossa história. O que se estuda nas escolas do Brasil? Continua apresentando o documentário nas escolas com a linguagem dos jovens. O que os pais/pracinhas fizeram deve ser perpetuado.

Algo incrível: três pracinhas foram enterrados por alemães, isso não era comum. A percepção é que eles devem ter lutado bravamente para terem conseguido o respeito deles. Isso diz muito da sua coragem. O esforço e reconhecimento da nova geração de brasileiros para com quem lutou na Itália e venceu militarmente é fundamental para que não sejam esquecidos.

Outras participações importantes: da comitiva do bairro Monte Castelo e de Mário Sérgio do Vale-líder dos veteranos da FAB (Força Aérea Brasileira).

Informações:

(…) O uso de parêntesis explica o significado das siglas ou acrescenta dados relevantes.

1. O Instituto do Ceará é a instituição cultural mais antiga do estado do Ceará, criado em 4 de março de 1887. Localização: rua Barão do Rio Branco, 1599, Fortaleza-CE.

2. O Instituto Montese é uma instituição de cunho histórico, cultural e empreendedorismo no bairro Montese em Fortaleza-CE. Localização: av. Gomes de Matos, 1615. @institutomonteseoficial

3. Em Pistoia-Itália todos os anos no mês de novembro ocorre uma cerimônia cívico-militar em homenagem aos heróis da FEB que lutaram durante a II GM.

4. A Cordilheira dos Apeninos é a coluna dorsal da Itália. Na Campanha da Itália, os alemães usaram os Apeninos como uma barreira defensiva natural contra o avanço dos aliados na Itália continental (fonte: Wikipédia).

5.1. A FEB contou com um efetivo superior de mais de 25 mil militares, divididos em cinco escalões marítimos. As missões iniciais de combate em solo italiano foram efetivadas pelo 1° escalão da FEB, cujo contingente tinha por base o 6° Regimento de Infantaria (RI). As primeiras tropas haviam desembarcado em julho de 1944.

5.2. A 10ª Divisão de Montanhas dos EUA lutou ao lado dos brasileiros sob a égide do IV Corpo de Exército do V Exército de Campanha dos EUA entre os meses de janeiro e abril de 1945, tendo contribuído com as ações vitoriosas da FEB em Monte Castello, La Serra, Castelnuovo e Montese, por exemplo.

5.3. A generosidade e solidariedade dos militares brasileiros foram reconhecidas pela população. Um dos ajudados foi o sr. Paoli, quando tinha 13 anos. Em 1968, ele, habitante de Camaiore, prestou uma homenagem significativa com a construção de uma Cruz metálica de 12 m de altura, fixada sobre o cume do Monte Prano, a 1230 m de altitude. Fonte: www.defesanet.com.br

5.4. A Força Aérea Brasileira (FAB) também deve ser lembrada. Foi responsável por 15% dos veículos inimigos destruídos, 28% das pontes atingidas, além de 36% dos depósitos de combustível e 85% dos depósitos de munição danificados. Fonte: https://www.forte.jor.br

6. Os três pracinhas heróicos que lutaram contra uma companhia alemã foram: Arlindo Lúcio da Silva, 25 anos de idade, de São João del Rei-Minas Gerais, Geraldo Baêta da Cruz, 28 anos, de João Ribeiro-MG e Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, de Rio Preto-MG. Serviram no 11° Regimento de Infantaria Expedicionário. Mesmo com ordens para se render, continuaram em combate até o último cartucho. Fonte: https://fatosmilitares.com

7. Os prisioneiros alemães preferiam se entregar aos militares brasileiros, já que lhe davam um tratamento mais humano.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 6-Valle de la Luna

Viagem a São Pedro do Atacama- Chile-2023-Dia 6-Valle de la Luna

Hoje é terça-feira, dia 10 de outubro de 2023. O Carlos e eu começamos o dia passeando pelo centrinho de São Pedro e na Feira Artesanal para compras. O artesanato andino é colorido, vibrante, encantador. Na agência Sol Andino, na rua Caracoles, compramos o passeio ao Vale da Lua (30 mil pesos chilenos-R$161,40 e entrada ao parque 10.800 pesos-R$58,10) com o Ronaldo. Combinação: a van nos busca às 15h30 no hostal Terracota e nos deixa em São Pedro às 20 h. A comunicação é por Whatsapp. Devemos levar água e roupa mais leve. Detalhe: em lojas e agências não disponibilizam a senha do wifi.

Almoço no restaurante Adobe, o do primeiro dia. Queríamos nos dar um presente de fim de viagem. O restaurante da praça era convidativo, mas estava fechado. Que pena! Lindo. Vamos ao cardápio: tomamos água tônica Canada Dry e pedimos os pratos do dia. O Carlos pediu salmão na manteiga com extrato de chañar, e eu crocante de merluza com quinoa temperado. Alta gastronomia, comida espetacular ao som de música andina. Amamos.

A melhor época para conhecer a região é em outubro e novembro, menos quente e menos frio. Em julho é congelante e em dezembro, janeiro e fevereiro chove na Cordilheira dos Andes.

Algumas minúcias sobre São Pedro: a maioria das pessoas usam bonés e chapéus. O sol é inclemente e perigoso, há o solmáforo (termômetro de sol) na praça da prefeitura. Há um posto de gasolina na saída da cidade rumo à Argentina e Bolívia. A gasolina é mais cara que no Brasil, porque se paga imposto específico para as estradas. Da cidade, saem ônibus para a minha linda Salta na Argentina. Cidade inesquecível. Um caminhão joga água nas ruas, por causa da secura e do pó. Turistas estão presentes o ano todo, um pouco menos em maio.

Às 15h50 lá estava o motorista Ivan para nos levar ao parque Vale da Lua, a 2.250 m. O guia Théo. Vamos visitar a Cordilheira do Sal, a Duna Maior, as Minas de Sal, o Mirador de Cari (a pedra do Coyote). Segundo o Guia de São Pedro do Serviço Nacional de Turismo do Chile, o Vale da Lua é uma paisagem de desolação, o vento tem esculpido montes e vales de barro, sal e gesso. Parece outro planeta, daí o nome. Está localizado a sudeste de Calama, a poucos quilômetros antes de chegar a São Pedro. Declarado santuário da natureza em 1982.

Os parques da região são administrados por povos indígenas (Lican Anthay, atacamenhos), então os guardas parques também são. Uns 10 minutos depois, chegamos à base do parque, ficamos na van e o guia sai para fazer os pagamentos.

Estamos a pé na Cordilheira do Sal. São dunas e montanhas de sal, com diferentes tipos de formações e mais dunas ao lado. Que interessante! O grupo se mantém junto, nada de fumar, beber e comer no local. São vários grupos, muitos visitantes. Devemos seguir o guia e não ultrapassar a linha marcada. Na Duna Maior, fizemos uma caminhada de uma hora com uma subida íngreme. Haja sol! No topo, um anfiteatro natural estilo Coliseu, e vimos uma muralha de milhões de anos e linhas horizontais, da mesma forma a linha de água de um passado remoto. Era um rio, hoje não tem vida. Os cristais nas rochas eram o sal da Antiguidade. Incrível! Os indígenas trocavam sal por outros produtos, caçavam e conservavam a carne. Os incas, que estavam espalhados pelo Equador e Amazonas (e outras regiões), vinham atrás do sal. O monopólio do sal era dos indígenas da terra, pagavam aos incas o imposto com sal. Interessante dizer que o gesso/fóssil encontrado na montanha é evidência de água.

Está muito quente, socorro! 90% de sal nas montanhas. Acreditar que um rio passava por aqui é surreal. De acordo com nosso guia, a Terra teve uma mudança climática há 7 mil anos A.C., de 5 mil a 3 mil anos atrás havia água no deserto, depois evaporou. O último glaciar foi de 12 mil atrás, era congelante. Só vimos uma plantinha na duna. Uma sobrevivente.

Em outra montanha, testemunhamos a presença do brilhante silício, usado como semicondutor, matéria-prima de microchips de computadores. Não se extrai, pois desde os anos 90 não é mais necessário. O quartzo e silício são minerais usados na indústria tecnológica.

O Vale de Marte (ou da Morte, como também é conhecido) é composto de formações geológicas, e considerado o planeta Marte para os cientistas, com o mesmo tipo de terra. Nos anos 1970, 80 e 90, a NASA esteve no local para criação de robôs, o Perseverance e outros foram testados no vale. Muito parecido mesmo, vemos de longe.

Descemos a duna de cor escura por conta dos sedimentos. O visual é uma pintura, arrebatador. As formações rochosas formam um lugar único no mundo.

De volta à van, vemos o Vale da Lua com sua parte branca da montanha, do lado direito, areia. Muito silício do lado esquerdo. Embaixo a pé de novo, paramos dentro de uma delimitação, aqui há vento e outro guarda parque se faz presente. O guia nos instrui que o sol tira a água da superfície, mas que debaixo da terra há vida. A parte branca, consequência de 5 a 8 mm de chuva (se chover), é a casa dos micro-organismos que criam oxigênio, eis a floresta com nome de Evaporitas.

No setor Evaporitas, há sol em todos os lugares, no chão, nas montanhas e nas casas onde os indígenas extraem o sal. A terra é de 1 milhão de anos. No local, dentro da delimitação, setor indígena do deserto, há formações de pedra erodidas pelo sal e vento do deserto, uns totens naturais, chamados de Os Vigilantes”. Sãocompostos de granito, quartzo e argila, principalmente.

No lugar, antigamente, o povo consultava os xamãs (indígenas guardiões do povo, líderes espirituais) e faziam festejos com danças e bebidas em homenagem aos totens. Era a conexão ancestral, de cultura indígena. Foi o arqueólogo e padre jesuíta Gustavo Le Paige que chamou Os Vigilantes de Três Marias, fazendo a conexão com a religião católica. O lugar é sagrado. A estrutura representa a ligação dos elementos da Mãe Terra (cultura indígena) que protege a economia, a cultura e o povo. Na parte marcada, o xamã recebia o povo para escutar seus pedidos.

Outra rocha ao lado, os americanos do sul acham parecido com um “coração partido”, já os europeus com um “dinossauro”. Observamos a casa dos mineradores de sal ali adiante.

Vimos ali perto o caminho de terra usado antigamente de Calama a São Pedro entre areia, dunas e montanhas até os anos 1990. Agora é estrada. No percurso, passamos pelo mirador Achaches e vemos o vulcão “Mãe Terra’, ou seja, o majestoso Licancabur.

Paramos na base para banheiros, onde existe um pequeno museu com rochas da Cordilheira dos Andes. Muita gente fazendo seus lanches com suas vans paradas pela estrada. Decididamente, não é turismo fácil, requer muito preparo físico.

Fazemos nosso snack mais adiante no mirante da Cordilheira do Sal, um desbunde de paisagem. Lanche: pisco sour, suco de laranja, azeitonas, frutas como morango e pepinos (parecido com o melão), batatas chips, queijo da Patagônia chilena, pipocas doces (deliciosas, nunca comi igual). No nosso grupo tinha gente da Guatemala, Madri (Espanha), Chile e Liverpool (Inglaterra) e nós. Depois de saciados, rumamos ao pôr do sol no Mirador de Cari (ou Ckari), onde se localiza a pedra do Coyote, uma rocha protuberante, no momento interditada. Não podemos ultrapassar as correntes junto ao desfiladeiro.

A gente vê o pôr do sol após as 19h30 e vamos em direção ao outro lado para se maravilhar com as cores do céu. Uma poesia da natureza. Usar os óculos de sol é obrigatório. O Carlos lembrou de Jujuy, no norte da Argentina, com suas montanhas coloridas. Encontramos lá umas seis jovens portuguesas e batemos altos papos. Turista quando se encontra com turistas fala de? Viagens, logicamente. Também revimos a guia simpática Carolina.

Ao fim do passeio, o guia pediu gorjeta, algo nunca visto por mim naquelas plagas. Demos, embora estranhando. O dia foi mais do que completo, foi um banho de cultura e vida. À noite, empanadas, só pra variar.

Dia 11 de outubro de 2023, dia do retorno a Fortaleza. Em Santiago, saímos do Terminal 1, nacional, e caminhamos por fora do saguão ao Terminal 2, internacional. Tem que ficar ligado. Acho o aeroporto Arturo Merino Benítez muito agradável de se estar.

Depois de um transfer de van de São Pedro do Atacama a Calama (uma hora), três aviões: Calama-Santiago, Santiago-Galeão (Rio de Janeiro), e Galeão-Fortaleza, chegamos exaustos. O Galeão pegamos desorganizado e confuso, com taxas de serviço de 13% nas lanchonetes, caro e serviço vergonhoso. Espero que melhore para quem chega de conexões, principalmente.

Eu tive dois dias de jetlag e o Carlos três. Haja cansaço e moleza, mas… valeu totalmente. Já quero voltar. Queremos desbravar mais o Atacama…

Não se exprime com palavras o deserto do Atacama, mas sim com sensações. Eis um lugar cativante, único no mundo nas suas peculiaridades, beleza árida, gastronomia e vida noturna intensa em São Pedro. Pessoas queridas, simples, acolhedoras como a Yobi, a Paulina, e a Sarita do hostal Terracota, a Leo e a Arellys da excursão a Piedras Rojas, o Ronaldo e o Levi da Agência Sol Andino, os viajantes como nós: a Irene, seu filho Dudu, e o Alan. Quanta gente boa e generosa! Obrigada a todos vocês. O Carlos e eu agradecemos.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 5-Lagunas Baltinache

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Lagunas Baltinache

Hoje é segunda-feira, dia 9 de outubro de 2023. Vemos o vulcão Licancabur, o majestoso, estamos no centro da cidade. Na hostal Terracota, antes de sairmos, nos deparamos com as queridas funcionárias Paulina e Yobi, a quem amamos e elas a nós. Tiramos fotos mil e a Yobi nos convidou para conhecer a terra natal dela: Santa Cruz de la Sierra na Bolívia, nos oferecendo hospedagem. Um doce! Também conhecemos em outro momento as suas duas filhas gêmeas.

Estava na hora do almoço e comemos o prato do dia no restaurante de sempre: Delícias de Cañaveral: batatas, salada e peixe reineta por 4 mil pesos chilenos (R$22,39). Ali encontramos um casal de argentinos que estavam excursionando de motorhome, o sonho do Carlos. Estamos em um tipo de jornada que amo: gente diversa, línguas múltiplas, turistas amantes de natureza e muitos papos.

Combinamos com o Ronaldo da Sol Andino Expediciones o passeio às Lagunas Escondidas de Baltinache (na base de 39 mil pesos-R$218,33 e entrada 10 mil pesos-R$56,01). A agência sempre dá desconto quanto mais se compra pacotes com ela e para aqueles de “maior idade”. A entrada para o Carlos foi de 3 mil pesos.

O passeio de hoje será Lagunas Baltinache, Llano de la Paciencia (Planície da Paciência) e Mirador Cordillera de la Sal (mirante Cordilheira do Sal). O transporte virá nos buscar das 13h30 às 14h10 no hostal. O guia se chama Pablo Quesada e o motorista Edwin. São 56 km até lá, a primeira parte da estrada está boa, mas a segunda sofrível. Detalhe: os guias mandam mensagem pelo Whatsapp, ou seja, celular é obrigatório atualmente. E levar água se faz necessário. Não esquecer de se besuntar de protetor solar no corpo.

Meus tênis estão irreconhecíveis de tanto pó. O solado da minha bota descolou, lembram? Sem sapateiro na cidade, fiquei somente com os tênis. Outra informação: gostam muito de colocar bandeiras do Chile em restaurantes, hotéis e casas.

O guia nos informa que há lugares para trocar de roupas, mas não água para tirar o sal. Tomaremos banho em uma lagoa de água cristalina, muito mais salgada que o Mar Morto no Oriente Médio (com água marrom), são 600 g de sal por litro de água, não vivem animais e molhar os olhos na laguna nem pensar. No final há um lanche.

O Pablo nos mostra a Cordilheira da Morte ou Marte, contém sulfato de cálcio, calcário e sal de comer misturados com lítio, magnésio e arsênico. composta de sedimentos, está fechada desde a pandemia de coronavírus. Fica perto dos telescópios gigantes (projeto ALMA), a região com maior radiação solar do mundo. Vemos o vulcão Lascar (5.592 m), ativo, aberto para subir com fumaça de enxofre. São 4 a 6 horas de visita. Também observamos a Cordilheira do Sal, de origem vulcânica, de cor escura.

Entramos em Peine. A estrada é irregular, deve-se ter cuidado com as cabeças para quem estiver sentado ao lado das janelas. A estrada é de piçarra. Estamos a 2.420 m de altitude. O Vale da Lua não tem vida e a laguna Cejar ainda tem plânctons e um pouco de vida.

Há lítio na região. Chegamos ao local. 1 km de caminhada depois da base para banheiros e vestiários para troca de roupa, afinal vamos nos molhar na laguna. Caminhamos pela passarela de pedras, a terra ao lado é de sal branco (sal mais arsênico). A caminhada é feita no sol muito quente. Fui com protetor solar 50, já colocado, chapéus e canga nas costas. Um calor de rachar.

Temos uns 20 minutos para banho na laguna salgadíssima, o máximo permitido. Que experiência única! Não conseguia ficar de pé, o Carlos tinha que me puxar, a gente flutua facilmente, ninguém afunda. A água fria tornou o banho uma delícia. De lá andamos por outro sendero até as vans. O motorista nos molha para tirar o sal na mangueira improvisada. Não se molha o cabelo na laguna, a gente fica branco de tanto sal. Não há propriedades medicinais e nem vida. Após tirar o sal, entramos na van e voltamos à base para vestiários e banheiros. De roupa trocada, seguimos para São Pedro do Atacama, mas antes vimos o Mirante da Cordilheira do Sal e o Llano de la Paciencia.

O contraste da laguna Baltinache com as pedras escuras e sal ao redor e água cristalina é espetacular. Na verdade, são sete lagos salinos de um azul-turquesa, unidos subterraneamente em pleno deserto. O lanche (snack, como chamam) é no mirador/mirante. A paisagem das rochas com as montanhas de pedras, embaixo um rio seco de areia forma um cenário exótico, lindo. O lanche muito bom com variedade de chips, azeitona (picles), bolo, biscoitos, as bebidas pisco sour (amo!), piña colada e suco de pêssego. Maravilhada de estar em natureza tão colossal.

Detalhes da vida cotidiana de São Pedro: na rua principal Caracoles, colocam recipientes com água para os cachorros de rua, que são muitos. E mais: o chileno vive em um país seguro, por isso é confiante. Em uma loja, a vendedora nos deixou sozinhos cuidando do espaço e foi cambiar dinheiro. Algo a invejar do país vizinho.

São Pedro do Atacama, apaixonante. Nosso passeio está quase no fim.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 4-Piedras Rojas

Hoje é domingo, dia 8 de outubro de 2023. O passeio a Piedras Rojas (Pedras Vermelhas) promete ser muito bonito. Como o local é ventoso, temos que nos agasalhar bem. Eu usei meias térmicas por debaixo das calças compridas, gorro, luvas, duas blusas de lã, além do casaco. Um frio daqueles. Pagamos 55 mil pesos por pessoa (R$309,00) e 23 mil (R$129,26) para a entrada no parque. Para maiores de 60 anos, são 17 mil pesos e para chilenos 15 mil.

O micro-ônibus da Andes Travel nos buscou às 6 h da manhã e chegaremos às 17 h aproximadamente.. O motorista é o Enson e os guias Carolina e Duncan. Detalhe: falam muito bem inglês. A Carolina, um doce. O itinerário no folder é laguna Chaxa, Piedras Rojas, lagunas Miscanti e Meñiques, povoados andinos e Trópico de Capricórnio. Na excursão oferecem café da manhã e almoço. E vamos subir até 4300 m de altitude.

Passamos por um conjunto de árvores, algo raro no deserto do Atacama, o bosque de Tambillo. A paisagem é de areia e montanhas no horizonte. Região de pastoreio, há lhamas e ovelhas. Tamarugo é o fruto dessas árvores “tamargueiras do deserto”, usado moído para fazer pão. A água que vem das montanhas abastece a quantidade de árvores, um verdadeiro oásis.

Passamos por Toconao, um povoado de cor branca com mil habitantes, onde existe uma mina de lítio. O nome indígena significa “lugar de pedras”. Segundo o Guia de São Pedro do Atacama do Serviço Nacional de Turismo do Chile, a vila colonial é inteiramente construída com pedras liparitas de origem vulcânica. O artesanato de pedra vulcânica e a agricultura são as principais fontes de emprego pra seu povo. Ele está localizado a 38 km de São Pedro, a uma altitude de 2485 m. As frutas marmelo, romã, limão e laranja são colhidas na localidade. A água que vem da montanha atravessa o vale.

Deixamos o salar (a parte branca de sal) e chegamos ao altiplano. O sol vai surgindo às 7h30. Areia, pedras, poucas árvores de vez em quando. Arbustos baixos. Estamos na Rota do Deserto e vemos Socaire, outro povoado, um assentamento sem municipalidade. O Guia de São Pedro adiciona que se trata de uma pequena aldeia em cujo interior se encontram imagens de antigos tempos coloniais, também tem artesanato de camelídeos (mamíferos da família dos camelos) e lã de ovelhas. A igreja de São Bartolomeu é uma das mais antigas do norte do Chile, logo possui um histórico significativo. Estamos a 3300 m. Há a plantação de quinoa e alfafa. Possui 120 habitantes e foi construído em 1400 pelos incas.

As águas dos lençóis freáticos vêm de debaixo da cordilheira, são mananciais naturais. Eram glaciares 50 milhões de anos atrás. A estepe alto andina é um tipo de vegetação das montanhas. A paisagem é mais verde. Vicunhas (camelídeo andino) e viscachas (coelho roedor) são vistos. Estamos subindo as montanhas. O guia Duncan nos dá uma aula sobre camelos. Há os domesticados: lhama e alpaca (não da região) e os selvagens: guanaco (de face acinzentada) e vicunha (vive nas altitudes e em harém: 1 macho para 15 fêmeas). As vicunhas não atacam as pessoas, não têm vesícula biliar, por isso bebem água salgada, são herbívoros e precisam de sal, buscam água das lagunas e salares.

Paramos para o café da manhã em uma parte que é um rio flutuante, seco no momento. Os guias e motorista montam a mesa ao lado do micro-ônibus em 10 minutos. Que fome! Conheci duas chilenas de Santiago queridas: a Leontina (Leo) e Arellys. O café foi farto: água quente, chá, chocolate e café em pó, de frutas melancia, kiwi e pepino (parente do melão), salame, queijo, pães/croissants deliciosos, geleia de morango, manteiga e guacamole (de abacate). Muito rica a experiência. E com gente de diversos países.

Vemos o vulcão Meñiques de 4200 m. O guia explicou a razão de não chover no Atacama. A região de Antofagasta, do norte do Chile, é a mais ampla e há quatro cordões montanhosos, começando na Patagônia e indo até Nazca no centro-sul do Peru. O quarto cordão montanhoso é a Cordilheira dos Andes, suas paredes naturais não deixam as 60% das nuvens chegarem, então elas regressam ao oceano. Por isso as poucas nuvens. Ou seja, as cordilheiras atrapalham as chuvas. Chove a cada 2 ou 4 anos, 80 mm por dia, nesse verão passado choveram nove dias. A região de Antofagasta ao norte e Magalhães ao sul. As nuvens não vêm do Oceano Pacífico, os ventos alísios vêm do leste para oeste, aí ocorrem as chuvas. Mais ao norte a 500 km de São Pedro se encontra Quillao, onde chove a cada mil anos, portanto é considerado deserto absoluto.

Mais informações: as lhamas são domesticadas desde 2000 a. C. Carregavam 50 k por 40 km, eram usadas para transporte. As “pascanas” eram lugares de descanso para lhamas e pessoas. O povo que vivia na região era os lican anthay, “lican” significando povo e “anthay” terra.

Chegamos ao Salar de Aguas Calientes (ou Piedras Rojas) na Rota do Deserto. Há a base para a banheiros. Depois rumamos ao sendero (passarela) com caminhada de uma hora para fotos, o mirante é lindo. Vemos montanhas, com o salar embaixo. Difícil respirar, tem que caminhar devagar. O complexo vulcânico Meñiques, com formações rochosas de pedras de erupção vulcânica, crateras, cúpulas de lavas e fluxos (até 5910 m). O vulcão Aguas Calientes ou Simba (5924 m) tem lavas e não tem pedras. Os senderos são de pedra, areia e cascalho. Seguimos parando de vez em quando, por conta da respiração até o lago de sal. Boa caminhada sem muito vento, ainda bem. Esperávamos um tempo ventoso. A laguna se alimenta de água submersa a 40º C que passa pela orelha e sai fria. A respiração é bem complicada. O nome de Piedras Rojas é por conta do ferro existente.

Caminhada desafiadora com tanta altitude, sol e roupas pesadas. Começamos a sentir calor e eu sentindo a cabeça doendo um pouco. Na Rota do Deserto, existem as lagunas Meñiques e Miscanti.

O Guia de São Pedro do Atacama nos diz que pertencem à Reserva Nacional de Flamencos. A avifauna é composta principalmente de flamingos, Caitis, tagua-cornudas e guallatas. Das duas lagoas altiplanas, sobressai Miscanti, por seu grande comprimento e largura. Estão localizadas a 117 km ao sudeste de São Pedro do Atacama, a cerca de 4300 m.

Miscanti significa “lugar de sapos”. Sua cor azul e verde é de chamar a atenção. Não se toma banho, tem 15 km². 30 m de profundidade, mescla água salgada e doce. Tem recargas de infiltração de água de chuva do tipo subterrâneo e termal. Sua descarga é subterrânea e por evaporação. Sua superfície congela no inverno com temperaturas abaixo de zero. Chega a -30º C. As lagoas Miscanti e Meñiques se conectam entre si por baixo da superfície. Flamingos, gansos andinos e vicunhas se encontram no local.

Levem folhas de coca para mascar. A altitude nos faz sofrer. Ufa! Viagem para fazer enquanto se tem joelho e pernas bons.

Os parques da região são administrados pelo SOCAIRE, os guardas parques trabalham em turnos e são indígenas. O Duncan nos informou que são os próprios indígenas que administram os parques.

As visitas são rápidas, mais para fotografias. Vale demais. Na laguna Meñiques, vimos vicunhas na água. De tamanho menor e linda igual. Um grupo de franceses estava lá. Europeus e americanos frequentam muito o Atacama. Observamos lhamas na volta, é um alívio estar descendo.

Agora seguimos para ver a placa do Trópico de Capricórnio. Latitude 23º 26´16´´. O guia Duncan esclarece sobre as linhas divisórias do Trópico de Câncer, do Equador e do Trópico de Capricórnio.

Prosseguiremos para a laguna altiplana Chaxa para ver os flamingos. Está no caminho de Peine (aldeia) e não de Calama (cidade). De acordo com o Guia de São Pedro, foi declarado Monumento Nacional em 1982, Peine é um protótipo dos povos abertos atacamenhos. É possível ver pictogramas interessantes sobre a parede de pedra da Quebrada de las Pictographs.

Os flamingos são aves migratórias. Os do tipo chileno e andino viajam pela Cordilheira dos Andes. Os do tipo James vêm da África, não se misturam, são monogâmicos e os encontrados em Chaxa não se sabe se são machos ou fêmeas. Comem microcrustáceos o tempo todo. O Duncan sempre ensinando. Conhecemos a lagoa, mas estava muito calor e lá há uma casa base com banheiros. E nós empacotados de roupas…

A lagoa Chaxa é rasa com sal em uma formação incomum e fauna magnífica de flamingos de cor rosa. Localiza-se a 62 km ao sul de São Pedro. É local protegido e faz parte da Reserva Nacional de Flamencos, conforme o Guia de São Pedro.

Em Toconao, entramos na ponte do mesmo nome. E vimos a Quebrada de Jerez com água embaixo das rochas da cordilheira, estilo Grand Canyon (EUA) em miniatura. Também conhecida como Ravina de Jere, regada pelo rio Toconao. O Guia de São Pedro adiciona que tem um clima especial para a produção de frutas como peras e marmelos. No local há piscinas e flora abundantes, sendo as espécies de plantas mais comuns o “rabo de raposa” e o cacto.

Na volta, almoçamos pela empresa de turismo com a turma legal no restaurante El Diablillo (rua Le Paige, 502) que oferece carne de lhama, guanaco e avestruz. Comemos pratos combinados e fomos tirando as roupas de frio, pois em São Pedro estava o maior calor. O ônibus foi para outro lugar e do restaurante fomos andando para o hotel. Estava com uma dor de cabeça persistente. A simpática chilena Leo me deu um remédio no percurso, porém tive que tomar outro depois, além de um chá de coca no hotel. Motivo? Privação de sono, mudança de clima radical e altitude.

Obs: o Levi da agência Sol Andino tinha razão: o café da manhã foi às 9 h e o almoço quase 16 h, era necessário levar um lanche, levamos bananas, mas não foram suficientes. Não há estrutura de cafés e lanchonetes pelo caminho, e nem banheiros pelo motivo de estarmos no deserto e em lugares protegidos.

Que aventura de uma vida! Passeio imperdível. Deserto do Atacama irresistível.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 3-Termas de Puritama

Dia 7 de outubro de 2023. No café da manhã no hostal Terracota conhecemos a Paulina, cunhada da Sarita (proprietária), que trabalha na pousada também, além da Yobi. Que funcionárias mais queridas: a Yobi e a Paulina.

Fomos ao centro dar uma passeada. De manhã mais cedo é sempre mais fresquinho, o calor vem ao longo da manhã, aí é perigoso estar no sol. Na praça principal (Plaza de Armas), vemos pessoas da cidade vestidas com roupas de folclore indígenas acompanhadas de banda de música a cantar, dançar pela praça e entrar na igreja de São Pedro do Atacama. Era homenagem a um santo, me disseram. Mais tarde saíram em procissão com o padre e retornaram à igreja. Lembrei do sincretismo religioso da nossa Bahia, no caso: cultura indígena e catolicismo.

Detalhes sobre a Igreja de São Pedro: o blog: https://todososrumos.com nos diz que se trata do principal símbolo turístico do povoado. Construída em 1774 pelos jesuítas espanhóis, suas paredes são feitas com adobe e seu teto com madeira de cacto e couro de lhama, no lugar de pregos. O uso de madeira de cactos exibe uma técnica característica dos povos andinos. Foi declarada Monumento Nacional em 1951. Branca como a neve, é localizada na Praça de Armas e é um legado arquitetônico dos antigos colonizadores espanhóis e foi a partir de sua construção que o povoado foi se consolidando. A torre foi acrescentada em 1890.

De lá atravessamos a Feira Artesanal e chegamos ao restaurante Delícias de Cañaveral novamente. Fui repetir o suco de abacaxi (piña) maravilhoso, comi a segunda empanada do dia anterior de tão grande que era, achei que era napolitana, mas era caprese (do Empório Andino). O Carlos pediu comida mesmo.

Foi um sufoco conseguir as entradas para as Termas de Puritama, com águas termais de 28º a 31º C. A combinação com o Levi da agência Sol Andino foi a seguinte: a van nos pegaria entre 13 h e 13h40 no hostal. Ir de tênis ou bota, mas levar chinelo, pois estaremos dentro de uma quebrada. O valor: na base de 60.000 pesos (agência mais a entrada na reserva). Em reais: R$337,20. Ressalto que há desconto quanto mais passeios você compra na agência e pela idade. Detalhe: em São Pedro nossos pisantes ficam cheios de poeira, as roupas também. Todo mundo vestido de roupa de turista, nada chique. O lugar é seguro, depois das 11 h da noite há pouca gente nas ruas, porém no centrinho sempre há movimento. Engraçado que caiu a sola das minhas botas, ainda bem que levei tênis, pois não há sapateiro em São Pedro.

Ás 13h30 a van da agência Lourdes Expediction Spa nos pegou. O passeio é até as 18 h. O motorista Edwin diz que são 45 minutos para chegar lá (uns 30 km). Subiremos de 2400 m a 3400 m. Se alguém passar mal, tem que avisar. Devemos beber muita água, se não desidrata rapidamente. Vimos o cemitério enorme com muro de barro. A cidade é marrom, de tanto muro de barro e ruas de pedregulho e areia.

Vemos o vulcão Licancabur (5950 m) no horizonte, metade no Chile e metade na Bolívia. Estamos a 60 km da fronteira com o país vizinho. O Salar de Uyuni é próximo. Há passeios de 3 dias (somente ida) ou de 4 dias (ida e volta) com carro apropriado para tal jornada.

Na Reserva de Conservação de Puritama, vemos uma placa com nomes de animais em extinção: gato do deserto, gato andino, suri (tipo de ema), raposa colorada ou andina, vizcacha (um coelho grande) etc.

A van chegou no estacionamento, estava concorrido. Descemos por entre as montanhas de pedras, depois por uma passarela de cor vermelha. Descer é fácil, mas subir, socorro! Alcançamos as cabines de trocas de roupas para mulheres e homens separadamente. Cabines muito simples, mais umas casinhas sem portas separatórias. Tinham armários sem chaves, isso foi chato, por isso todo mundo preferiu deixar seus pertences no chão perto da piscina natural térmica. Eram muitas e no chão. Sinceramente, achei muito rústico, mereceria uma estrutura melhor. Penso que não há cafeteria, porque é uma reserva, não há nem onde comprar água. Logo, tem que levar e se preparar. Para quem conhece Pucón, no centro do Chile, e suas termas fantásticas com estruturas elogiáveis, fica decepcionado. O que vale mesmo no local é o banho de águas de 32º C, relaxantes.

Ficamos umas 2 horas na mesma piscina e conhecemos um bocado de brasileiros de norte a sul. Tinha uma minicascata mais adiante, uma delícia. Que frio na saída. A região mais parece um oásis no meio do deserto.

Na volta, o caminho era mais íngreme, e fomos convidados a retornar de carro com o funcionário do parque, nós e outras pessoas mais idosas. Gostei da gentileza. A estrada é de terra de vulcão, escura.

Na van percebemos o vulcão Sairecabur, montanhas ao lado, no mais, vegetação de deserto, tudo bastante árido. Passamos pelo povoado de Guatin onde vivem de fazer queijo e trabalham nas minas lá perto. Os aventureiros fazem trekking por lá na Quebrada (declive de montanha) de Guatin. Deve ser um passeio lindo para ver cactos gigantes e pequenas cachoeiras emmeio à natureza do deserto.

O motorista nos deixa na rua Caracoles e de lá rumamos ao Rincón del Sal para a nossa sopinha crema de verduras.

Mais passeios em breve… Piedras Rojas, um local fabuloso.

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Tour Astronômico

Viagem a São Pedro do Atacama-Chile-2023-Dia 2-Tour Astronômico

Dia 6 de outubro de 2023. É noite, está frio e nós esperando o passeio do Tour Astronômico. Por dica do Alan, paulistano aventureiro, descobrimos o Empório Andino (rua Caracoles, 151). Aconselho demais, as empanadas são enormes e deliciosas (3500 pesos chilenos cada). Há também doces e cafés. O maior movimento. Pedimos duas empanadas cada um, e me arrependi. Pois é muita comida, basta uma. Pedi uma de frango e outra napolitana, mais café com leite. O Carlos pediu o mesmo, mas com suco de morango. O clima da cidade à noite é vibrante. E o friozinho de uns 20º C, bem agradável.

Às 21h30 estamos na própria Caracoles em frente à agência Sol Andino Expediciones. O céu está limpo novamente, as nuvens foram embora, então vamos ao Tour Astronômico. O brasileiro Levi, funcionário da agência, nos leva a pé à Praça do Turista (onde ficam as vans e os turistas sentam nos bancos) lá perto e entramos na van com um guia. Somente certas agências de turismo fazem o passeio. Somos um grupo de três chilenos, um peruano, nós brasileiros e uma sul-coreana.

O Tour Astronômico é algo original. 10 minutos da cidade de São Pedro e estamos em um observatório astronômico para ver as estrelas, muito escuro e ermo. Os guias mostram estrelas e planetas com uma caneta laser, estamos divididos em dois grupos: um fala em espanhol e o outro em inglês. Lá sentamos em uma parte alta e tiramos 3 fotos com um fotógrafo profissional. Aliás, recebemos depois pelo Whatsapp do Tour (SOL ANDINO COSMOS.OBS) e elas ficam espetaculares, com o Cosmos atrás da gente. Levamos um binóculo para nos deleitar com a majestade universo. A lanterna do celular ajudou no caminho de tão escuro que era. Bom se agasalhar também, pois no descampado faz mais frio ainda.

Do local andamos até a base a fim de comer snacks (queijo, chocolate, bolo) e tomar vinho e pisco sour . Que bebida mais gostosa. Tudo à vontade.

De lá vamos a pé ver os telescópios, o menor, o maior e um digital. Os dois guias são treinados em astronomia, sabem muito e são apaixonados pelo assunto. Gostei da aula sobre estrelas e planetas. Somos estrelas mesmo, parte do Universo. Aprendi muito. Vimos os planetas Saturno “e seus anéis” e Júpiter “brilhante” pelos telescópios, e a estrela Antares, de cor vermelha, significando que está no fim de sua existência. Implodem e explodem. Testemunhamos gases no céu. Para quem gosta de astronomia, a observação causa uma sensação de felicidade. O deserto do Atacama proporciona o céu mais estrelado e limpo do mundo, é o lugar ideal para isso pela altitude elevada, baixa umidade e clima árido. À noite a temperatura cai e o escuro permite uma visão esplendorosa do céu.

Por curiosidade, é lá no deserto do Atacama que as instalações se localizam, a 35 km do centro de São Pedro, seguindo pela Rua 23. São aqueles telescópios gigantes que vemos na TV. Confesso que achava que o Tour Astronômico era a visitação ao local, mas não. Os telescópios fazem parte do Projeto ALMA. De acordo com o blog: https://fuiegosteitrips.com.br: “O céu do Atacama é tão incrível que diversos países e organizações se juntaram para formar uma associação e investem juntos em muitas pesquisas. Com isso, foram instalados muitos telescópios poderosíssimos. O Projeto Alma (Atacama Large Milimeter Array) estuda a radioastronomia e, para tanto, utiliza radiotelescópios, gigantescas antenas parabólicas. O ALMA, aliás, foi o primeiro no mundo a tirar uma foto de um buraco negro!” Conforme o mesmo blog, depois da pandemia as visitas foram suspensas.  Eu realmente não vi nenhuma programação turística para conhecer o lugar.

Na noite estrelada, conversei bastante com a sul-coreana em inglês, amei! Um doce de pessoa, viajando só, depois iria a Foz do Iguaçu, uma aventura. Falei que amo os doramas (seriados coreanos da Netflix) e ela riu, achou ótimo.

Atraí o que mais queria na viagem: ver um coreano do sul e tomar pisco sour. Matei a vontade. Aliás, segundo a Wikipédia, pisco é uma bebida alcoólica produzida a partir de uvas sem adição de nada, nem água. Baseia-se fundamentalmente na destilação do mosto proveniente de uvas. O coquetel, típico do Peru e Chile, que não é cachaça, é preparado à base de pisco, limão, xarope de açúcar, podendo ou não usar clara de ovo.

Nossa altitude de 2400 m requer muito chá de coca e folha de coca para mascar. Estamos no deserto mais seco do mundo. O passeio acabou pela meia-noite, deixaram o povo na Praça do Turista, estávamos todos radiantes. Já nós fomos de carona com os simpáticos condutor e guia até o nosso hostal Terracota, era o caminho deles. Foram gentis em oferecer carona para a sul-coreana também, afinal era bem tarde e ela uma jovem mulher. Gostei da atitude. O Tour Astronômico é imperdível.

Prosseguiremos com mais passeios em breve.