Lisboa-Portugal-2024-dia 6-Tomar
Hoje é segunda, dia 8 de abril de 2024, dia de visitar Tomar, minha segunda vez lá. O Carlos queria muito conhecer de tanto que eu falava. Acordamos às 6h45, pegamos um táxi (€6,30 euros) para a estação de trens Santa Apolônia, mais próxima do hotel Borges Chiado. Saímos sem café da manhã e na estação não encontramos nada aberto.
O trem Regional custou €10,75 euros e a hora foi 7h45. Vamos viajar? Já disse que amo viagens de trem ou comboio? A duração é de 2 h.
Parada ou paragem 1: Estação (ferroviária) do Oriente; parada 2: Póvoa, entra e sai gente, são paquistaneses, africanos, europeus, americanos e nós; parada 3: Alverca do Ribatejo, onde se encontra o Museu do Ar, detalhe: 15º C lá fora, tempo nublado e chuvoso; parada 4: Vila Franca de Xira, comentário a fazer: ninguém ousa passar o sinal de trânsito. respeitam o pedestre que atravessa nas faixas; lá vem o cobrador, bem-vestido de gravata e terno, acho o máximo, conhecido como o sr. picador. Mostramos o bilhete, ele pediu o passaporte dos ingleses perto da gente, o nosso, não.
Parada 5: Azambuja; dentro do trem só aceitam pagamentos do bilhete a dinheiro, quem não tiver, tem que sair; parada 6: Virtudes; parada 7: Reguengo; parada8: Setil; parada 9: Santana-Cartaxo; parada 10: Vale de Santarém. Passamos pelo rio Tejo.
Parada 11: Santarém; parada 12: Vale da Figueira; parada 13: Mato de Miranda; parada 14: Riacho-Torres Novas-Galegã; parada 15: Entroncamento, estação maior. Informe: ver CP Comboios de Portugal no Google que informam tudo: só preencher data, partida e destino. 17º C; parada 16: Lamarosa, e eu de papo com o casal de americanos de Charlestown-Massachussetts, ele de 90 e ela de 88, que disposição! Haviam contratado um guia. A gente foi por conta própria mesmo.
Parada 17: Tomar!!! Descemos e paramos para um cafezinho e uma tosta/misto quente no café mais próximo da estação. São 10 h da manhã.

Estamos na parte histórica, ruelas lindas, praça da República, Câmara Municipal, rua de Serpa Pinto (antiga Corredoura), com calçadão no qual passa carro, parte comercial com restaurantes, tabacarias, lojas e antiquários. Vai acabar em uma ponte que liga a parte antiga à nova e passa pelo rio Nabão. Uma formosura de cenário, a gente se sente em uma pintura impressionista.
Na praça da República se encontra a estátua de D. Gualdim Pais, líder dos Templários. Também conhecidos como Freires de Cristo ou Freires do Templo de Salomão. Foi uma ordem militar de Cavalaria da Igreja Católica. A Wikipédia nos conta que D. Gualdim Pais nasceu em Amares em 1118 e faleceu em Tomar em 1195, foi um cruzado português, Freire Templário e Cavaleiro de D. Afonso Henriques (1128-1185). Fundou as cidades de Tomar e Pombal. Para entender mais sobre os templários, vale pesquisar em Os Templários: os poderosos e temidos monges guerreiros – Ensinar História – Joelza Ester Domingues (ensinarhistoria.com.br) e Os Templários e a Ordem de Cristo | Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (snpcultura.org).

Resolvemos subir ao Castelo de Tomar, obra icônica. Bom ir de tênis ou bota antiderrapante, pois o caminho é de pedra. Ao lado, um bosque com um belo visual da cidade. Estamos no Convento de Cristo. Na entrada, um cavaleiro templário para fotos, uma diversão, paga-se o que quiser. Visitamos os espaços exteriores, as muralhas, a Torre da Condessa, os jardins, muita mata, e nos sentimos em um reino encantado. Vimos mais americanos pelo percurso, sempre simpáticos. Passeio a pé para quem tem joelho e perna bons.
Dentro paga €10 euros ou €5 (terceira idade). A igreja da Ordem dos Templários data do séc. XII, é espetacular, uma obra de arte. Do lado de fora é do séc. XVI, da época de D. Manoel, que foi responsável por muito da construção.
Segundo nos disse a solícita funcionária da igreja, a história dos templários não é ensinada em Portugal, porque a Igreja não os aceitava. Foram protegidos por D. Dinis (1261-1325) que para não os entregar, os transformou em monges da Ordem de Cristo. Na França, no séc. XIV, foram perseguidos e queimados na fogueira. Na Sala do Capítulo, duas televisões contando a história deles. O Claustro de Santa Bárbara, de 1531, cujo arquiteto foi João de Castilho, é digno de foto. O castelo é enorme e são tantos claustros…
Filmes e exibições mostram a Rota dos Templários em outras línguas. Eles estiveram no Médio Tejo, região no centro do país, também em Fátima, Torres Novas etc. Sempre houve tentativas de invasões, como a islâmica, por exemplo, no qual houve confronto. Os cavaleiros templários, liderados por D. Gualdim Pais, defenderam o Castelo. A Porta de Almedina, chamada de Porta de Sangue, confirma a luta sangrenta. Os templários eram Cavaleiros de Cristo, que criaram a Ordem de Cristo, sendo Tomar, o centro nevrálgico.


Também vimos os quartos dos monges, muitos, que são celas. O corredor é tão grande que a gente se perde. De uma das celas, se vê a Janela Manuelina, algo de uma beleza inenarrável. Das janelas dos quartos, vê-se o Aqueduto do Convento de Cristo ou de Pegõesque trazia água para eles. Fabuloso. Os brasileiros são raros, para nós Tomar ainda é desconhecido. Americanos aos montes. Por fim, a loja do castelo, dita Água.
Saindo do castelo, nos dirigimos à cidade novamente. Descemos a grande ladeira de pedras, ufa! Mais para baixo nos deparamos com um prédio que tinha um elevador, ainda bem, pois o esforço foi grande.
A Sinagoga mais antiga de Portugal se localiza em Tomar e data de 1190. Estava fechada, uma pena. A Cidade Templária, o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo são Patrimônio Mundial da UNESCO. A cidade tem tradições, igrejas e jardins, uma maravilha e há uma Festa Templária todos os anos. Muito a ver, ainda tem o Museu Municipal.
Com era feriado, só encontramos poucos restaurantes abertos. Escolhemos o Landeira e pedimos uma feijoada de bacalhau: feijão-branco com cenoura, bacalhau, uns grelos e uma porção de azeitonas, novidade. Grelos são folhas das couves e nabos, muito utilizados na culinária portuguesa como acompanhamento. E um Ginger Ale da Schweppes, além do vinho branco Insólito da região. Delicioso. Lugar bem estiloso com cadeiras e mesas pretas e uma vinoteca. Situado na rua Da Silva Magalhães, 45. Almoço muito bom e atendimento também.
Pós-almoço, rumamos à sinagoga. Apesar de fechada, deu para dar uma olhada e ver as explicações do lado de fora. A sinagoga era o centro da vida comunitária judaica medieval, funcionando como lugar de oração, assembleia e escola. Praticamente intacta, construída no séc. XV, é um raríssimo exemplar de uma sinagoga medieval. Encontra-se na antiga Judiaria Henriquina. Atualmente alberga o Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto. Dos elementos originais conservam-se as quatro colunas e o sistema de acústica (cântaros embutidos nas paredes). No edifício contíguo à sinagoga podem-se ver os vestígios arqueológicos do mikvé, estrutura para os banhos de purificação mais a loja de suvenires dos Templários.
Continuando o passeio pela cidade a pé, chegamos a um parque de jardins: Mata Nacional dos Sete Montes e Porta Almedina do sítio templário. Um jardim formal, uma beleza de se ver, falta pouco para a primavera na Europa. Está escrito no local: espaço bem definido por canteiros de buxo, de traçado geométrico, simples e regulares, ligeiramente desviado do eixo central do vale principal, prolongando-se pelos dois patamares superiores. Estes espaços, contemporâneos entre si, teriam sido uma forma de regularizar o terreno das hortas existentes inicialmente neste vale, bem evidenciado pelo “tanque do meio” e pelo “tanque pequeno” entre os quais a água comunicava por uma coluna.
Estávamos na estação de Tomar às 16 h. Compramos três minutos antes de partirmos. O Carlos queria pegar o ônibus, eu sempre prefiro o comboio. Vamos lá, outras paragens como Carvalho de Figueiredo, Santa Cita, Curvaceiras, Carrascal/Delongo, Soudos/Vila Nova, Lamarosa etc. Clima de 19º C, zona rural com vacas, ovelhas e cavalos.
Na volta a Lisboa, táxi para o hotel, O falante taxista Ricardo nos deu dicas da sua cidade Sesimbra.
No jantar, a lanchonete Vitaminas de novo perto do Borges Chiado. Uma comida saudável como creme de tomate e muçarela (€3,50 euros) e buffet de salada de frutas com iogurte e gelatina (€4,50 euros). A Celeste Tavares nos atendeu novamente, uma simpatia. Para fazer a digestão, descemos a ladeira até o Shopping Armazéns do Chiado. Descobri a Beatriz, brasileira, no quiosque Wood World de relógios estilosos feitos na Espanha por 30 euros. Amei! Comprei um colorido, a minha cara.
Que dia mais encantado. Tomar, cidade mágica!































