Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Marrocos colorido-Fez-dia 3-segunda parte

Hoje é dia 6 de novembro de 2024. Continuamos em Fez no passeio. Vamos a pé à medina. Somos um grupo de 7 turistas: 3 brasileiros e 4 espanhóis. E dois guias: o nosso da excursão Abdul I e o Abdul II, expert em Fez. Muitas dicas do Abdul II. Não há semáforos na cidade antiga. Balak: aparta-te; andak: cuida-te. Cuidado com as mulas e burros, e com os ambulantes, pois fogem da polícia e não dão troco. Não há insegurança na medina em geral. Muito calor. Os clientes satisfeitos trazem muitos turistas. Para tirar fotos, há que pedir permissão. O guia fala muito sobre a cultura local, respeito e educação com os marroquinos. Quando se viaja para outro país, temos que saber dos hábitos locais. O guia declama poemas, canta, nos conta sobre literatura peruana e filologia. Um talento esse Abdul II. Escreve em árabe: “Sejam bem-vindos, sr. Carlos e sra. Mônica” no meu caderninho”.

Ruela na medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

No bairro histórico, há um restaurante do séc. XV com comida caseira para almoço. Café é mais caro que chá. Chá faz parte do menu. Atrás do hotel Fez Heritage Boutique Hotel, casas de ricos. Andamos pela medina. Nós brasileiros nos espantamos como os espanhóis do grupo fumam. Começamos a parte antiga: o labirinto, medieval. O guia Abdul II é amigo de todos, nos leva a um costureiro, em uma sala minúscula, sentado, trabalhando em um sofá. A casa verde com fontes de água, um restaurante caro: Riad al Yacount. Riad significa “casa antiga”.Ruelas com lojas de mosaicos e artesanato, cujas soleiras também são de mosaicos. Ruelas com motos estacionadas, parece Florença-Itália. A Riad Dar Skalli é uma casa com portas de madeira decoradas, incrível. Tudo tão diferente. Acho fantástico saber que pessoas moram nelas. Na placa vemos o nome da rua em árabe, berbere e o nome latino. Quando tem a forma quadrada indica rua com muitas saídas. Na medina labiríntica, há hotéis, albergues (youth hostels), agências de câmbio. Passamos por uma casa de uma família judia: Derb Cohen, ele teólogo.

Os churros (doces) vendidos em outra sala pequena parecem bromas. Outra sala de balas, o botijão de gás é bem pequeno. O arco divide bairros. Ao lado, uma mesquita. O sapateiro é o sacristão da mesquita, chama para a reza e fecha a sapataria, que é um banco de sentar. Mercadinho de frutas, moradores passam tempo ali conversando. Muitos cafés, restaurantes, lojas de mosaicos. Fotos da medina em uma parede. Loja de roupas, costureiros. Mais fresco o clima dentro das ruelas. Nos cantos, lixo. Gatos mil, dizeres religiosos nas paredes. Place Oued Rehacha (praça rio Rehacha), com lojas de roupas. Fonte de água sem água na ruela significa que casas têm água.

Uma escola e uma mesquita em cada bairro. Casas pobres com banhos públicos, a casa tem banheiro para mulheres e crianças, os homens usam o da rua. Um banho turco por 20 DH (R$121,41) oferece massagista para esfoliação da pele nos homens com o banho. Sai limpo e purificado, a pessoa dá o que quer de dinheiro. O guia fala sobre a caridade independente de religião. Na Dar Mia, carpintaria, loja de couro e padaria (pão caseiro). Quem se perder pela medina, não se preocupe, a Central encontra a pessoa. Muitos alfaiates. No passado, pousadas albergavam comerciantes e animais, era um caravançarai gratuito. Hoje são lojas.

Vemos lojas de chaveiros, sapatos marroquinos, bolsas em couro. Interessante que não usam adoçante, é açúcar refinado mesmo. Lojas e lojas, um mercado fascinante. Vimos a pousada Foundouk el Berka. Foundouk significa “estalagem”. Entramos na feira. A barra de madeira divide a zona sagrada. Muito incenso, túnicas belas.

Na porta 4 dentre as 14, a universidade Al Quaraouiyine, a Gran Universidad, com 270 pilares para 22 mil fiéis. Foi fundada em 859 como uma madrasa por Fatima al-Fihri, filha de um próspero comerciante Mohammed al-Fihri. Ela decidiu destinar toda a herança recebida do pai à construção de uma mesquita para a sua comunidade. Nessa mesquita, instalou-se a primeira madraça que se tem notícia. Várias fontes descrevem a madraça medieval como uma universidade, de acordo com a Wikipédia. Similar à mesquita de Córdoba-Espanha. Na madrasa (escola), o primeiro altar com fonte no centro parece com o Patio de los Leones, do Palácio de Alhambra em Granada-Espanha. Na mesquita não se entra, só se olha por fora. A feira é uma loucura de gente.

Na universidade, nos conta a Wikipédia, ensinou Maimônides (1138-Córdova, Império Almorávida, hoje Córdoba na Andaluzia-Espanha, falecido no Cairo-Império Aiúbida, hoje Egito, em 1204)), médico, escritor, rabino, conhecedor de astronomia, teologia, letras, lutava contra o analfabetismo. Uma das principais figuras intelectuais do judaísmo medieval. Além de reverenciado pelos historiadores judeus, é também figura proeminente na história das ciências islâmicas e arábicas. Proeminente filósofo, polímata (com conhecimento em diversos assuntos) tanto na tradição judaica quanto na islâmica.

Na biblioteca, pode-se consultar documentos antigos feitos de couro de gazela. Localizada no centro histórico, integra o complexo da universidade e é considerada a mais antiga do mundo em atividade Também fundada no séc. IX, possui mais de 4 mil livros raros e manuscritos árabes, de acordo com a Wikipédia.

Madraça Attarine-Medina de Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Entramos na madrasa ou madraça (escola) Attarine. A Wikipédia nos informa que é uma antiga escola (corânica), fundada em 1310, sendo o edifício construído entre 1323 e 1325 pelo sultão merínida Abuçaíde Otomão II em Fez el-Bali (Fez, a velha), junto à universidade Al Quaraouiyine. Deve seu nome ao soco (bairro de comércio) de perfumes e especiarias vizinho, o Soco de Attarine.

A escola destinava-se a formar os altos funcionários da administração merínida. O pequeno edifício é considerado uma obra-prima da arte decorativa. Já o guia Abdul II nos diz que nela se ensinava teologia superior para futuros imãs ou imamatos, guias religiosos muçulmanos. Nas janelas, dormiam os estudantes pobres, agora monumento. Vimos a sala de oração e aula, o altar (porta) e a sacristia na direção de Meca. Para o guia, nada é desculpa para o muçulmano não orar. Ele fala no Corão e nas escolas xiita, sunita e maliquita (maliquismo: corrente de direito islâmico do Islã sunita), mais moderada, predominante no norte da África, na África Ocidental e em alguns territórios isolados da península Arábica, e seguido por 20 a 35 % dos muçulmanos, segundo a Wikipédia. Na parede da madrasa, o mosaico com preto são letras que foram recitadas para nós. O Abdul II ainda o fez com musicalidade e a devida tradução. Entramos na mesquita. Ao sair, comprei figos secos. Vemos um mausoléu e cemitério perto, velas e incensos são comprados como oferenda.

Os muçulmanos reverenciam Fatima, a filha mais nova do profeta e de sua esposa Khadija. Nasceu em Meca em 605. E morreu em Medina em 632 ou 633, conforme a Wikipédia. Era casada com Ali (o quarto califa para os sunitas ou o primeiro para os xiitas).

Almoço (entrada) no La Medina Bis Restaurant-Fez-Marrocos-foto tirada por Mônica D. Furtado

Enfim, almoço. Entramos no restaurante pelos banheiros no mosaico, que original. Mesas para o grupo, tudo formoso. La Medina Bis Restaurant, endereço: 13, Bis Derb El Hannan Guerniz. com 10 opções de menu. Para o almoço, de entrada, salada com diversos pratos: beterraba, arroz, feijão marroquino ao molho, azeitonas etc. Prato principal: cuscuz marroquino com batata, cenoura, pimentão e frango. Frutas: tangerina e uvas. Chá de hortelã. De sobremesa: uma rosca, tipo pastel de coco, delícia. Depois rumamos à loja El Corte Marroqui com artesanatos, produtos de prata e joias. O vendedor Jawar, bem-falante. Comprei brincos e pulseira estilizada, bem típica do Marrocos, por 200 DH (R$120,60). Para limpar, bicarbonato.

Bairro de los Curtidores. “Curtidor” em português, aquele que faz curtimento (fonte: Oxford Languages). Mais lojas de couro, são mochilas, bolsas, e muito mais. Em uma delas, subimos ao Curtume (ou tannerie, em francês) Chowara,um dos mais antigos do mundo, por escadas intensas até o terraço. Está em operação há mais de mil anos. O guia da loja nos mostra o processo de curtimento do couro, longo e complicado, e as piscinas embaixo para curtir o produto. Lá há uma cesta com folhas de hortelã para cheirarmos por causa do seu odor forte. Na volta, descemos na loja, com muitos produtos à venda, são jaquetas, botas, bolsas. Produtos bonitos de couro legítimo. Vale ler mais em Curtume Chouara, Fes, Marrocos.

Estamos na praça dos Carpinteiros. Tem loja de tudo, e logicamente carpinteiros, especiarias, ouro, madeira. Praça de los Tejedores (tecelões). Lojas de tecidos mil, echarpes, entramos em uma. O vendedor simpático nos explica como se faz o tecido em lã, algodão (em espanhol). Mostra o trabalho do tear. A peta é rica em fibras de seda (agave). Panos, cachecóis, capas de almofada, bolsas diversas, um deslumbre por €15, €20, €30 euros. Estamos cansados e sentados na loja.

No retorno, estamos exaustos. Muitos ambulantes vendendo seus produtos seguem a gente. Não vi ninguém pedindo esmola. São vendedores, segundo o guia Abdul II. No ônibus ele nos diz “até logo”. Que figura! Sai cantando músicas em espanhol.

Voltamos para o hotel às 18 h. 20 h é o jantar/show (cena/show) que havíamos pago de manhã antes do passeio, €50 euros cada. Nos hotéis em que nos hospedamos há sempre um bar com música árabe, bem estilizado. Pena que fumam dentro. O jantar com música árabe será no Restaurant Palaisal Firdaous no Riad Darif. Decoração árabe, lugar enorme com espaços abertos. O jantar com entrada de pão, feijão-branco, pasta de berinjela, cenoura, beterraba cozidas etc. Prato principal: pastelão de frango e canela. De sobremesa, uma torta redonda de tamanho médio (típica deles). Ainda servem umas roscas, um pouco duras. O vinho Toulal Prestige do Marrocos. A comida estava ótima, mas ainda estávamos cheios do almoço, que foi semelhante. Sem dúvida, as refeições são fartas.

Eram duas mesas, os espanhóis sentaram juntos e fiquei eu e o Carlos em uma mesa sozinhos, aí o casal de Santiago de Compostela (Fran e Silvia, da Venezuela)) vieram sentar com a gente, achei muito querida a atitude deles. Depois da cena, vieram as danças do ventre. A primeira dançarina, tudo bem, mas a segunda só fazia brigar com um dos músicos, a gente não entendia nada, mas deu pra divertir com o inusitado da situação. Depois, ela convidava pessoas da audiência para dançar. Após a dança, veio o mágico. Sinceramente, não compreendi o motivo de ter um mágico ali. O melhor da noite e mais divertido foi quando convidaram o casal que estava conosco e uma outra senhora da excursão para se vestirem a caráter, com roupas da realeza do país. O Fran e a Silvia ficaram um arraso de sultão e sultana. A apresentação deles para o público ocorreu com muitos aplausos, e ela chegou em uma almofada grande, carregada por funcionários do restaurante. Por fim, a foto oficial por 50 DH (R$30,15). Eu sempre compro, não resisto. Valeu? Só pela apresentação final. Foi muito, muito engraçada.

Prosseguiremos para Erfoud.

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Marrocos colorido-a caminho de Casablanca rumo a Fez-dia 2

Hoje é dia 5 de novembro de 2024, estamos em Marrakech, a segunda cidade imperial mais antiga do Marrocos, e vamos chegar a Fez no final do dia. Passaremos em Casablanca, Rabat e Meknes antes de chegar a Fez. Viagem de ônibus pelo Marrocos, com a excursão intitulada de Brasileiros nos Encantos do Marrocos pela CVC.

Acordamos às 6h30, 7 h o café da manhã e 8 h já sairíamos do hotel. O café da manhã no Palm Plaza Hotel & Spa em Marrakech é de sonhar. No mesmo salão do jantar do dia anterior, encontramos um buffet fantástico de comidas (para os orientais), salada de frutas, pêssego e pera em calda, comida marroquina, pães variados, um deles de tamanho médio e retangular, com uma casquinha crocante inesquecível, iogurtes cremosos caseiros (uau!) de morango e baunilha etc. Fiquei com vontade de ficar no hotel, porém a jornada estava para começar. Só tínhamos meia hora para comer. O lugar repleto de europeus. Detalhe: o melhor pão que já comi, ao lado do croissant de chocolate do hotel Printemps em Paris no ano de 1997. Como esquecer?

São 8 h e estamos na entrada do hotel com as malas. Lá conhecemos o grupo da agência Special Tours ligada à CVC brasileira. Somos três brasileiros, o Carlos, eu e o Renato, do Rio de Janeiro. As outras pessoas, quatro casais da Espanha. Todos pontuais, ônibus vermelho, motorista pronto, com guia Abdellatif ou Abdul. As conversas com o guia serão em espanhol, aliás, ele fala muito bem. O guia também fala inglês, francês (todo marroquino fala) e outras línguas. Parabéns!

Observo que as mulheres cobrem o cabelo com um lenço (hijab) e usam túnicas coloridas, bonitas, alguns homens também. Estamos em um país muçulmano. Vejo umas de burca, e algumas cobertas no rosto, vê-se que não são do Marrocos, mas de outros países árabes, mais rígidos.

São 240 km para Casablanca em uma autopista. Estamos rumo ao norte em direção ao oceano Atlântico. Informações do Abdul: 14 km separam Tânger da Espanha. No Marrocos, Fez é a cidade mais antiga, Rabat, a capital administrativa e Casablanca, a capital econômica.

Ainda em Marrakech no rumo de Casablanca. Há a muralha da cidade, dentro dela a parte antiga e fora, a nova. É uma fortificação de 19 km que envolve toda a Medina da cidade, erigida em 1122, faz parte do Patrimônio da Humanidade. Passamos por uma avenida, cujo clima é de 28° C, 30° C e fora dela 50° C, vemos quadras de esportes e lugares para piqueniques à noite. Muitas palmeiras, um verde de chamar a atenção. O motivo do clima ameno é o Jardins de Agdal, no local, que segundo a Wikipédia, são constituídos de talhões retangulares de pomares de laranjeiras, limoeiros, romãzeiras, pessegueiros e figueiras, que são ligados por caminhos ladeados de oliveiras. Localizados ao sul do Palácio Dar El Makhzen ou Palácio Real, cobrem uma área de 500 hectares e datam do séc. XII, jardins feitos durante o reinado do califa almóada Abde Almumine. Nos prédios públicos e ligados à realeza se encontram a bandeira do Marrocos e a foto do rei.

O guia ama o futebol brasileiro, sabe tudo. Estamos passando e circundando a muralha por fora. Uma parte foi destruída pelo último terremoto em setembro de 2023, nível 6.8, a maior devastação foi nos arredores de Marrakech, principalmente, em áreas montanhosas de difícil acesso. No total 2 mil pessoas pereceram. Os cemitérios são todos construídos em direção a Meca. Um rio seco pelo caminho, quando chove nas montanhas, ele enche.

5 milhões de marroquinos moram fora do país e gostam de comprar objetos de qualidade de segunda mão. A periferia da cidade tem construções ao longo do rio, antes eram favelas. Edifícios baixos para funcionários públicos, pagam em 25 anos, percebi serem valorizados como categoria profissional. Mais em conta por serem fora da cidade. Mesquita, Tribunal. Chama a atenção o tamanho dos prédios, são baixos para proteger a harmonia da cidade.

O estádio de futebol em forma de muralha, cabem 65 mil pessoas: Grande Estádio de Marrakech. Não é fácil entender o árabe quando o Abdul fala o nome das ruas e lugares. Tudo é plano. A Copa de Futebol da África será no Marrocos em 2025, os estádios estão sendo restaurados. Nas placas de trânsito sempre o árabe e o francês. Segundo o guia, montanha tem 2 mil metros, menos é serra. Pelo caminho, venda de cerâmica.

Polícia na cidade, fora é Gendarmeria, por sinal, são todos muito elegantes. De impressionar. Na autopista, um ônibus vai a 100 km/h, os carros pequenos a 120 km/h. As estradas são um tapete de tão boas. Há muito controle de velocidade.

Pela estrada, observo uma paisagem árida e seca, parece o deserto do Atacama. Do norte do Marrocos há trens para Marrakech, a ferrovia do sul está em construção. A terra é marrom, mais rica, propícia para a plantação de cereais e trigo. Em Marrakech, a terra é vermelha. São 135 lagos para eletricidade e agricultura no país, de acordo com o guia.

Na Cordilheira Atlas neva. Na região montanhosa Rife, no norte, moram os berberes, povo originário do Marrocos. Eles têm um dialeto diferente do árabe de Marrakech. Dentre os países que falam árabe, o de melhor pronúncia é o do Egito. Os marroquinos falam árabe misturado com francês, por isso não entendem bem os dos outros países. Somente compreendem 80% do árabe da vizinha Argélia e 70% do da Tunísia. Esses países e o Marrocos têm o mesmo clima. Nota: o Marrocos foi colônia francesa do final do séc. XIX até 1956. E o francês é disciplina obrigatória nas escolas marroquinas.

Na opinião do nosso guia, o homem marroquino não gosta das películas indianas ou turcas, porque os mocinhos são ricos. Uma comparação ruim, já que o Marrocos é um país pobre, subdesenvolvido. O Abdul é sincero. Muitos filmes são feitos no país, em Ouarzazate, como O Gladiador e Reino dos Céus (Kingdom of Heaven), esse com 2 mil cavalos e 8 meses para construir a fortaleza. Filme muito falado, a Wikipédia nos informa que é de 2005, o diretor britânico Ridley Scott e conta a retomada de Jerusalém pelos muçulmanos em 1187. Kingdom of Heaven – Wikipédia, a enciclopédia livre

Chove mais no norte. As oliveiras marroquinas levam 5 anos para crescer e são maiores, então os agricultores preferem as espanholas que com 2 anos estão prontas para a colheita e são menores. A cidade Meknes é a capital do vinho, outras cidades também produtoras, como Benslimane, Berkane e Casablanca. Há restrições às bebidas alcoólicas no país, devido à religião. O argan é usado para comer com pão e salada (a fim de controlar o diabetes), evita a aterosclerose e o infarto, e em cosméticos: evita o envelhecimento precoce, hidrata os cabelos e a pele.

Há cooperativas de mulheres trabalhando juntas, fato que os maridos não se incomodam, pelo motivo de não trabalharem com outros homens. O Abdul gosta de nos dizer (para um grupo com cinco mulheres ocidentais) que a mulher no Marrocos é a rainha da casa, a mais importante da família, a dona da casa e que seu papel é cuidar do lar. Outro país, outra cultura.

Vemos muita energia limpa por aqui, energia solar, até o aeroporto de Marrakech utiliza.

Paramos para banheiros e café em uma loja de conveniência da Shell (em francês, um AIRE DE REPOS, são incríveis). Café com leite e um suco de pêssego COMPAL (marca portuguesa), oba!

As estradas sem um remendo. Que inveja! No país se come muito cordeiro. Há uns de cabeça marrom que comem plantas, carne boa para o controle do colesterol, e uns de cabeça branca e olhos negros que são mais caros.

Estamos já perto de Casablanca. Entramos em Settat, cidade onde é mais barato viver do que em Casablanca. Muito comum ver famílias morando juntas em casas nas cercanias. Na parte moderna, prédios rodeados de eucaliptos. Para um marroquino, chá é para todos os momentos. O eucalipto serve para problemas de coluna. Plantas medicinais, chá verde e ducha fria são bons para a saúde. O ginseng vermelho tem ferro. Também encontrado na Mauritânia, país próximo. Mesclas de chás e plantas resultam em afrodisíacos naturais, dão força. Plantação de melão na região. As frutas, devemos perguntar de onde são, porque têm preços diferentes e qualidade também.

No Marrocos existe um problema sério de água, por isso a energia solar é tão utilizada em coleta de água na agricultura.

Importante mencionar a Festa dos Cordeiros ou Festa do Sacrifício, tradicional nos países muçulmanos. Os habitantes oferecem cordeiros às mesquitas, viúvas e pobres. Para um muçulmano, quem pede comida, recebe. A festa, conhecida como Aid al-Adha, marca o fim do Hajj, a peregrinação muçulmana a Meca. Em https://viverviajar.com/festivais-religiosos-do-marrocos-que-encantam-os-viajante-de-todo-mundo.html/ A Festa do Cordeiro e a comemoração do sacrifício de Abraão são celebrados por muçulmanos em todo o mundo com a oferta de um sacrifício de animal, geralmente uma vaca ou um cordeiro, como uma ação de graças a Deus por salvar a vida de Ismael, filho do profeta Abraão. A carne é dividida em três terços, um vai para a pessoa ou pessoas que dão o animal, outro para distribuir entre parentes e o último terço para quem precisa, independente de religião, raça ou nacionalidade.

Shukran Jazilla, muito obrigada. Sou eu, aprendendo com o Abdul um pouquinho de árabe. Não custa nada. Estamos nas adjacências de Casablanca e vemos o maior aeroporto do país.

Em breve, visitaremos a Casablanca, a Cidade Branca.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Hoje é dia 10 de abril de 2024. O café da manhã do hotel Chiado Borges de novidade compotas de abacaxi e pêssego com pouco açúcar. No mais, o de sempre. Todo hotel é assim, em geral, o café fica repetitivo. Perto poderíamos tomar o pequeno almoço, como chamam, e mais barato, já que no hotel nos cobram, porém dava preguiça de sair e comer menos.

A ideia do dia é conhecer Sesimbra, cidade litorânea, distante 40 km de Lisboa, pertencente ao distrito de Setúbal, antiga província de Estremadura. Ouvi falar pelas amigas portuguesas Luísa e Inês, quando lá foram veranear, vindas do norte do país. Saudações, amigas queridas.

Entramos na estação do metrô Baixa-Chiado e haja escadas, a escada rolante para descer não estava funcionando, a de subida estava. €2,30 (euros) o tíquete no guichê mais o cartão, devemos recarregar depois. São 7 paradas até o Jardim Zoológico/estação de ônibus Sete Rios, onde pegaremos o ônibus para Sesimbra. O assento do metrô imita a cortiça, nas costas também, em vermelho e cortiça. Muito giro, como dizem. Gostei.

Alcançamos o Terminal Sete Rios, achei mal sinalizado. O lugar do ônibus para Sesimbra não era dentro, tivemos que dar mil voltas até encontrar a parada do lado de fora, olhando para o Jardim Zoológico, do outro lado da avenida Gulbekian. Na verdade, é Sete Rios P3-Sesimbra (terminal), companhia Carris n° 3721, estação Campolide. Felizmente, sempre há quem ajude. A passagem é €4,50 em moedas. Está explicado porque Sesimbra não é muito conhecida, porque é uma aventura chegar, só nós mesmos. O ônibus a gás natural partiu às 9h45.

Agora, relaxar e ver a paisagem. Estamos passando pela ponte 25 de Abril, temos um visual bonito de Lisboa. Veremos a estátua do Cristo Rei do outro lado do rio Tejo mais de perto. Setúbal do outro lado. Para um lado da estrada Sesimbra/Seixal, de outro Sesimbra/Azeitão. Nas paradas de ônibus, informações pertinentes, bem organizado. Continuamos Sesimbra/Santana. Tudo verde, que país mais arborizado!

A velocidade na estrada é de 50 km/h e vemos casas, lojas de automóveis, de cerâmicas etc.

Chegamos a Sesimbra, descemos no Terminal Carris em frente à Biblioteca. Estamos na pedonal/calçadão. Vamos logo tomar um café na pastelaria O Caseiro, na Av. da Liberdade, 15, repleto de gente. Peço um doce: farinha torrada, típico do local. Muito bom, pouco doce com gosto de chocolate e limão. Onde vamos há europeus “turistando” e aqui vemos o legítimo português.

A praia nos chama, descemos até ela. Que lindeza! O sol escaldante, a cidade muito clara, tem que usar óculos escuros. Tem cheiro de peixe, clima praiano, mar calmo, uma esplanada para as caminhadas, hotéis à beira mar e restaurantes diversos. Agradável de se estar e sentir o momento. Prédios simpáticos e de poucos andares na orla, do jeito que gosto. Sesimbra tem a maioria das casas e edificações de cor branca e telhados vermelhos.

Entramos no Museu Marítimo de Sesimbra dentro da Fortaleza de Santiago, logo ali. Era a casa do governador. À época, o rei de Portugal era D. Carlos I (1863-1908) e D. Amélia (1865-1951), ele era próximo da comunidade pesqueira e fez expedições oceanográficas. Na placa na frente do museu, está escrito Carlos de Bragança “O Rei Pescador”. Herda de seu pai, D. Luís, o “Rei Marinheiro”, a paixão pelos assuntos do mar, o que irá justamente refletir na sua obra artística e científica. No campo das artes plásticas, tinha dotes de aquarelista (utilizando também o pastel e o óleo) e de desenhista; e obteve êxito na área da ornitologia e oceanografia, dentre outros muitos talentos.

Um pouco de história com a Wikipédia: Carlos I foi aclamado rei em 28/12/1889 e teve a presença de seu tio-avô Pedro II, imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Foi casado com a francesa Amélia de Orléans, filha primogênita de Luís Filipe, Conde de Paris (pretendente ao trono da França).

O museu mostra o mobiliário da época, altar de madeira, Chincha ou Arte de Comeiro (Xávega), de 1462, uma técnica de arrastão sobre a arte da pesca de sardinha e carapau. A respeito da indústria conserveira datada de 1896, existiam três fábricas de conservas na cidade. O período mais expressivo foi das fábricas de conserva em azeite na I Guerra Mundial e final da década de 1920 do séc. XX.

Mostra as técnicas de pesca de robalos, pargos, peixe-espada que eram colocados no areal para a venda até os anos 1970. A barca de Sesimbra e aoila (3,30 m de comprimento e 1,52 m de boca): duas embarcações de pesca características até meados do séc. XX. Os barcos de Sesimbra descobriram o mundo. A construção de barcos remete a 7/4/1410, do deão de Coimbra, D. Álvaro Afonso, que menciona os dízimos a pagar pelos calafates e carpinteiros que construíram os barcos.

Em uma sala, a religiosidade dos pescadores. Culto a Santa Maria do Cabo Espichel, do séc. XVII/XVIII. Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Boa Viagem. Sala da Memória, Identidade e Comunidade. Mais escadas em curva se abaixando e saímos na parte de cima da fortaleza, um cenário deslumbrante. Valeu o passeio. Lembrei do Museu do Mar de Parnaíba-Piauí.

Hora do almoço. Descobrimos ali perto o restaurante O Canhão. Robalinho com batatas e legumes salteados para mim, e para o Carlos, bacalhau assado com o refrigerante Ginger Ale, nossa paixão, e vinho verde Azevedo (da região do Minho), perfeito. De entrada nos ofereceram azeitonas e queijo de ovelha cremoso de Azeitão (da região) e pão português. O garçom João Paulo, uma simpatia, conhecedor de Londrina-Paraná. Que refeição deliciosa! Pagamos €50 com a taxa de serviço.

Em breve, prosseguiremos com mais passeios nesta cidade praiana e ensolarada.

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Lisboa-Portugal-2024-dia 7-Museu do Oriente

Hoje é terça-feira, dia 9 de abril de 2024. Saímos do hotel Borges Chiado com a intenção de ir aos museus Calouste Gulbenkian e de Arte Antiga de metrô. Fomos informados pelos atendentes solícitos do hotel como chegar lá de tram, porém não deu muito certo. Foi confuso, pegamos o tram 15 (€3,10 euros) direção Belém para o Museu de Arte Antiga no Cais do Sodré, só que no caminho dentro do tram ajudei um bocado de europeus com a máquina de tíquetes, logo perdemos a parada de descida. Descemos duas paradas adiante, caminhamos até a estação Alcântara e atravessamos a avenida por baixo (na Europa se chama subway). Chegamos ao Museu do Oriente, enorme e promissor, mas que não estava nos planos. Endereço: Avenida Brasília, Doca de Alcântara. Ainda bem que os moradores dão informações aos turistas perdidos.

Paguei €8 euros e o Carlos €4. O armário (locker) para as mochilas requer uma moeda de €1 euro, a devolver na saída, perguntamos tudo, nada é escrito.

Vamos à visita. Sala dos tecidos trabalhados com diversos padrões de peixes e frutas, colorido. Têxteis indígenas australianos: Dry Season WindJarracharra, exposição temporária, feitos por mulheres da região Maningrida no oeste de Arnhem Land, Austrália. Outra exposição temporária “O Colecionismo de Frascos de Rapé”, do diplomata Manuel Teixeira Gomes.

Já estou amando o museu, tanto a ver e conhecer. A exposição permanente da presença portuguesa na Ásia com testemunhos, memórias e colecionismo é imperdível. “A Expansão da Fé Cristã”, “Os Deuses do Olimpo”, “Um Mundo de Porcelana Chinesa”: a antiga coleção do diplomata Cunha Alves, peças do séc. XVII a XIX.

Brasões, porcelanas, pratos da China da Dinastia QING (1644-1911), Colecionismo de Arte da Ásia Oriental, o gosto colecionista europeu remonta ao final do Império Romano e ao início da Alta Idade Média, graças à Rota da Seda. Estatuetas funerárias, figura tumular, perfumadores em forma de dragão. Túnicas femininas de seda bordada a fio de ouro, belíssimas.

Budismo, Taoísmo, GUANYN, nome chinês representado por uma figura feminina que significa a compaixão. Armaduras japonesas com leque de guerra utilizado no comando das tropas. Arte dos períodos EDO e MEIJI (1868-1912). Quimono feminino, dos anos 50-60 do Japão com seda lavrada e pintada a mão. Altar SHIBAYAMA, com a figura de Buda sentado.

Pinturas a nanquim com cenas de folclore e costumes coreanos do séc. XIX. Timor-Leste representado por uma escultura mortuária de cavalo e seu cavaleiro, de 1940. Máscaras de 1920, espadas e sabres de 1968. A ilha foi povoada há cerca de 14 mil anos até 2 mil a. C. e foi alvo de sucessivas vagas de colonização. Importante: portas de pau rosa de 1900, painéis decorados das casas timorenses, potes de barro cozido, colheres de chifre de búfalo do séc. XX. Estátuas dos antepassados colocadas no exterior da aldeia em locais de destaque (1900-1930), guarda-joias, filigrana de prata etc.

2° andar. Japão: Festas e Rituais. A cultura oriental me atrai. Kannushi, roupas dos sacerdotes intermediários entre os kami e as pessoas comuns, responsáveis pela manutenção do santuário e pela realização dos rituais e cerimônias religiosas. Xintoísmo, autóctone do país e baseado no antigo culto aos kami, entidades do mundo sobrenatural. Dōsojin, protetores dos viajantes. Rituais de purificação HARAE e MISOGI. Calendários e almanaques: refeição do 1° dia do ano, bebe-se muito saquê, muito doce a e aromatizado com ervas para expulsar a má sorte do ano anterior e pedir saúde.

Eu não tinha ideia da quantidade de atividades feitas no Ano Novo japonês, como banhos, escritas, cartões, sacos da sorte. Darumas para proteção e sorte. Marionetes, talismãs, oráculos de previsão em papéis. Raquetes decoradas com motivos japoneses. Teatro Nō, com auditórios bem frequentados por escolas.

Museu enorme. Biombos e coleção: “Leques Chineses”. Exposições “Marfins de Goa”, “A Índia em Aquarela”, e “Da Terra Santa ao Japão”. Birmânia representada também. A obra de Os Lusíadas, de 1669, de Luís de Camões, o príncipe dos poetas portugueses. Que emoção!

No 5° piso, o restaurante Museu do Oriente/Imppacto, de alto nível, que oferece um visual bonito da marina, porto e ponte 25 de Abril. O menu executivo por 15 euros. Pedi crosta de peixe com legumes salteados adocicados, e o Carlos carne. Sobremesa: abacaxi e amora. E café.

O museu data de 8 de maio de 2008 e foi inaugurado pelo presidente da República, Prof. Dr. Aníbal Cavaco e Silva.

Sou amante de museus. Uma vez um aluno me perguntou para quê museus? Sem a nossa tradição, cultura e história contadas por museus, não somos nada. Por isso amo tudo que aprendo em um. E alguns são fantásticos, como esse Museu do Oriente. Parabéns, Lisboa!

De lá, nos dirigimos a pé ao Museu de Arte Antiga. Em breve, muito a contar.

Lisboa-Portugal-2024-dia 6-Tomar

Lisboa-Portugal-2024-dia 6-Tomar

Hoje é segunda, dia 8 de abril de 2024, dia de visitar Tomar, minha segunda vez lá. O Carlos queria muito conhecer de tanto que eu falava. Acordamos às 6h45, pegamos um táxi (€6,30 euros) para a estação de trens Santa Apolônia, mais próxima do hotel Borges Chiado. Saímos sem café da manhã e na estação não encontramos nada aberto.

O trem Regional custou €10,75 euros e a hora foi 7h45. Vamos viajar? Já disse que amo viagens de trem ou comboio? A duração é de 2 h.

Parada ou paragem 1: Estação (ferroviária) do Oriente; parada 2: Póvoa, entra e sai gente, são paquistaneses, africanos, europeus, americanos e nós; parada 3: Alverca do Ribatejo, onde se encontra o Museu do Ar, detalhe: 15º C lá fora, tempo nublado e chuvoso; parada 4: Vila Franca de Xira, comentário a fazer: ninguém ousa passar o sinal de trânsito. respeitam o pedestre que atravessa nas faixas; lá vem o cobrador, bem-vestido de gravata e terno, acho o máximo, conhecido como o sr. picador. Mostramos o bilhete, ele pediu o passaporte dos ingleses perto da gente, o nosso, não.

Parada 5: Azambuja; dentro do trem só aceitam pagamentos do bilhete a dinheiro, quem não tiver, tem que sair; parada 6: Virtudes; parada 7: Reguengo; parada8: Setil; parada 9: Santana-Cartaxo; parada 10: Vale de Santarém. Passamos pelo rio Tejo.

Parada 11: Santarém; parada 12: Vale da Figueira; parada 13: Mato de Miranda; parada 14: Riacho-Torres Novas-Galegã; parada 15: Entroncamento, estação maior. Informe: ver CP Comboios de Portugal no Google que informam tudo: só preencher data, partida e destino. 17º C; parada 16: Lamarosa, e eu de papo com o casal de americanos de Charlestown-Massachussetts, ele de 90 e ela de 88, que disposição! Haviam contratado um guia. A gente foi por conta própria mesmo.

Parada 17: Tomar!!! Descemos e paramos para um cafezinho e uma tosta/misto quente no café mais próximo da estação. São 10 h da manhã.

Estamos na parte histórica, ruelas lindas, praça da República, Câmara Municipal, rua de Serpa Pinto (antiga Corredoura), com calçadão no qual passa carro, parte comercial com restaurantes, tabacarias, lojas e antiquários. Vai acabar em uma ponte que liga a parte antiga à nova e passa pelo rio Nabão. Uma formosura de cenário, a gente se sente em uma pintura impressionista.

Na praça da República se encontra a estátua de D. Gualdim Pais, líder dos Templários. Também conhecidos como Freires de Cristo ou Freires do Templo de Salomão. Foi uma ordem militar de Cavalaria da Igreja Católica. A Wikipédia nos conta que D. Gualdim Pais nasceu em Amares em 1118 e faleceu em Tomar em 1195, foi um cruzado português, Freire Templário e Cavaleiro de D. Afonso Henriques (1128-1185). Fundou as cidades de Tomar e Pombal. Para entender mais sobre os templários, vale pesquisar em Os Templários: os poderosos e temidos monges guerreiros – Ensinar História – Joelza Ester Domingues (ensinarhistoria.com.br) e Os Templários e a Ordem de Cristo | Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (snpcultura.org).

Resolvemos subir ao Castelo de Tomar, obra icônica. Bom ir de tênis ou bota antiderrapante, pois o caminho é de pedra. Ao lado, um bosque com um belo visual da cidade. Estamos no Convento de Cristo. Na entrada, um cavaleiro templário para fotos, uma diversão, paga-se o que quiser. Visitamos os espaços exteriores, as muralhas, a Torre da Condessa, os jardins, muita mata, e nos sentimos em um reino encantado. Vimos mais americanos pelo percurso, sempre simpáticos. Passeio a pé para quem tem joelho e perna bons.

Dentro paga €10 euros ou €5 (terceira idade). A igreja da Ordem dos Templários data do séc. XII, é espetacular, uma obra de arte. Do lado de fora é do séc. XVI, da época de D. Manoel, que foi responsável por muito da construção.

Segundo nos disse a solícita funcionária da igreja, a história dos templários não é ensinada em Portugal, porque a Igreja não os aceitava. Foram protegidos por D. Dinis (1261-1325) que para não os entregar, os transformou em monges da Ordem de Cristo. Na França, no séc. XIV, foram perseguidos e queimados na fogueira. Na Sala do Capítulo, duas televisões contando a história deles. O Claustro de Santa Bárbara, de 1531, cujo arquiteto foi João de Castilho, é digno de foto. O castelo é enorme e são tantos claustros…

Filmes e exibições mostram a Rota dos Templários em outras línguas. Eles estiveram no Médio Tejo, região no centro do país, também em Fátima, Torres Novas etc. Sempre houve tentativas de invasões, como a islâmica, por exemplo, no qual houve confronto. Os cavaleiros templários, liderados por D. Gualdim Pais, defenderam o Castelo. A Porta de Almedina, chamada de Porta de Sangue, confirma a luta sangrenta. Os templários eram Cavaleiros de Cristo, que criaram a Ordem de Cristo, sendo Tomar, o centro nevrálgico.

Também vimos os quartos dos monges, muitos, que são celas. O corredor é tão grande que a gente se perde. De uma das celas, se vê a Janela Manuelina, algo de uma beleza inenarrável. Das janelas dos quartos, vê-se o Aqueduto do Convento de Cristo ou de Pegõesque trazia água para eles. Fabuloso. Os brasileiros são raros, para nós Tomar ainda é desconhecido. Americanos aos montes. Por fim, a loja do castelo, dita Água.

Saindo do castelo, nos dirigimos à cidade novamente. Descemos a grande ladeira de pedras, ufa! Mais para baixo nos deparamos com um prédio que tinha um elevador, ainda bem, pois o esforço foi grande.

A Sinagoga mais antiga de Portugal se localiza em Tomar e data de 1190. Estava fechada, uma pena. A Cidade Templária, o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo são Patrimônio Mundial da UNESCO. A cidade tem tradições, igrejas e jardins, uma maravilha e há uma Festa Templária todos os anos. Muito a ver, ainda tem o Museu Municipal.

Com era feriado, só encontramos poucos restaurantes abertos. Escolhemos o Landeira e pedimos uma feijoada de bacalhau: feijão-branco com cenoura, bacalhau, uns grelos e uma porção de azeitonas, novidade. Grelos são folhas das couves e nabos, muito utilizados na culinária portuguesa como acompanhamento. E um Ginger Ale da Schweppes, além do vinho branco Insólito da região. Delicioso. Lugar bem estiloso com cadeiras e mesas pretas e uma vinoteca. Situado na rua Da Silva Magalhães, 45. Almoço muito bom e atendimento também.

Pós-almoço, rumamos à sinagoga. Apesar de fechada, deu para dar uma olhada e ver as explicações do lado de fora. A sinagoga era o centro da vida comunitária judaica medieval, funcionando como lugar de oração, assembleia e escola. Praticamente intacta, construída no séc. XV, é um raríssimo exemplar de uma sinagoga medieval. Encontra-se na antiga Judiaria Henriquina. Atualmente alberga o Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto. Dos elementos originais conservam-se as quatro colunas e o sistema de acústica (cântaros embutidos nas paredes). No edifício contíguo à sinagoga podem-se ver os vestígios arqueológicos do mikvé, estrutura para os banhos de purificação mais a loja de suvenires dos Templários.

Continuando o passeio pela cidade a pé, chegamos a um parque de jardins: Mata Nacional dos Sete Montes e Porta Almedina do sítio templário. Um jardim formal, uma beleza de se ver, falta pouco para a primavera na Europa. Está escrito no local: espaço bem definido por canteiros de buxo, de traçado geométrico, simples e regulares, ligeiramente desviado do eixo central do vale principal, prolongando-se pelos dois patamares superiores. Estes espaços, contemporâneos entre si, teriam sido uma forma de regularizar o terreno das hortas existentes inicialmente neste vale, bem evidenciado pelo “tanque do meio” e pelo “tanque pequeno” entre os quais a água comunicava por uma coluna.

Estávamos na estação de Tomar às 16 h. Compramos três minutos antes de partirmos. O Carlos queria pegar o ônibus, eu sempre prefiro o comboio. Vamos lá, outras paragens como Carvalho de Figueiredo, Santa Cita, Curvaceiras, Carrascal/Delongo, Soudos/Vila Nova, Lamarosa etc. Clima de 19º C, zona rural com vacas, ovelhas e cavalos.

Na volta a Lisboa, táxi para o hotel, O falante taxista Ricardo nos deu dicas da sua cidade Sesimbra.

No jantar, a lanchonete Vitaminas de novo perto do Borges Chiado. Uma comida saudável como creme de tomate e muçarela (€3,50 euros) e buffet de salada de frutas com iogurte e gelatina (€4,50 euros). A Celeste Tavares nos atendeu novamente, uma simpatia. Para fazer a digestão, descemos a ladeira até o Shopping Armazéns do Chiado. Descobri a Beatriz, brasileira, no quiosque Wood World de relógios estilosos feitos na Espanha por 30 euros. Amei! Comprei um colorido, a minha cara.

Que dia mais encantado. Tomar, cidade mágica!

Lisboa-Portugal-2024-dia 4-Museu Nacional do Azulejo

Lisboa-Portugal-2024-dia 4-Museu Nacional do Azulejo

Hoje é sábado de manhã, dia 6 de abril de 2024. Sempre bom conversar com brasileiros pela viagem. Encontramos o casal Elmar e Ana, de Natal-RN. No lobby do hotel pagamos €89 (euros) cada pela excursão do dia seguinte para Fátima e outras cidades.

Saímos para o passeio do dia. Íamos ao Elevador da Santa Justa, €6 (euros), ida e volta, mas a fila estava grande, desistimos. Então, nos dirigimos à praça da Figueira a fim de pegar o ônibus da linha Moderna novamente. Nosso terceiro dia no double-decker, vale a pena, temos garantido a hora até as 14 h, quando completam 48 horas pagas.

Está 19°C, nublado. Vamos ao Museu Nacional do Azulejo, eu já conhecia, mas o Carlos não. Os lisboetas dirigem com cuidado, afinal são bondes, carros, ônibus, motos (poucas), trams, tuk tuks, ufa! Em uma ambulância estava escrito: “doentes não urgentes”. Tudo que é diferente do Brasil me chama a atenção.

Uma simpatia o motorista Ricardo. Na parada 5, descemos. Eis o museu. Paguei €8 (euros), o Carlos €4, por ter mais de 65 anos. O azulejo é uma arte identitária de Portugal, seu uso tem mais de cinco séculos ininterruptos. Azulejos de motivos islâmicos, de padrão mudéjar (Sevilha-Espanha, de aproximadamente 1503), painel de azulejos enxaquetados. Lá fora um jardim encantado. O lugar é espetacular. Azulejo da capela de N. Sra. da Vida feito por Bartolomeu Vaz de Lemos, de 1580. Retábulo de N. Sra. da Vida. Painel de azulejo padrão ponte de diamante.

Segundo a Wikipédia, a arte mudéjar é um estilo artístico que se desenvolveu entre os séculos XII e XVI nos reinos cristãos da Península Ibérica, que incorpora influências, elementos ou materiais de estilo ibero muçulmano. Já o padrão ponto de diamante, de acordo com o site portuguese-tiles.com, é um motivo decorativo em forma de pirâmide, cujo topo se encontra seccionado e preenchido por um elemento vegetalista. A versão mais comum é uma pequena flor com oito pontas, que com a curvatura das pétalas provoca uma certa sensação de movimento. A representação piramidal é acentuada pelo contraste entre o branco e o azul como forma de reforçar o carácter tridimensional do desenho, que o distingue da tradicional azulejaria de padrão de séc. XVIII.

Azulejo: de origem árabe significa “pequena pedra polida”, designa uma peça cerâmica, geralmente, quadrada em que uma das faces é vidrada. Padrão das Camélias (1640-1650) foi trazido pela porcelana oriental, ficou conhecido como rosa da China ou do Japão. Muito usada em espaços religiosos dedicados à Virgem por ser confundida com uma rosa, símbolo da pureza e virgindade.

Igreja Madre de Deus. Linda, bela, repleta de ouro e de azulejos. Azulejaria atribuída aos neerlandeses Willem van der Kloet (1666-1747) e a Jan van Oort. Era um convento. A Sala Dom Manuel corresponde ao espaço da nave da igreja primitiva do convento da Madre de Deus. No explicativo do museu, da Fundação Millenium BCP, está escrito: Espaço quinhentista profundamente alterado entre 1872 e 1899 no decorrer da campanha de obras então realizadas, tendo-se perdido a memória de sua função original. O teto foi rebaixado e decorado à maneira revivalista do neomanuelino e as paredes revestidas com azulejos do séc. XVIII. Destacam-se, nas paredes laterais, os painéis de temática franciscana, provenientes do convento de Sant´Anna em Lisboa, da autoria de Manuel dos Santos, um dos mais importantes pintores do chamado “Ciclo dos Mestres”(1690-1730), período áureo da azulejaria portuguesa.

No segundo andar, a Sala de Caça. Retratos de Carlos II, rei da Inglaterra, e de Catarina de Bragança, rainha. Sala Santos Simões, com azulejaria barroca da primeira metade do séc. XVIII, apresentando motivos religiosos e das damas da época.

Presépio da Madre de Deus (1700-1730), feito por Dionísio e Antônio Ferreira. Nos quartos do segundo andar, os azulejos eram de tempos mais modernos. Artistas como Manuel Cargaleiro, de 1927; João Abel Manta, de 1928; Querubim Lapa (1925-2016), cuja obra é graciosa. Também se encontram “Espigas e Borboletas” de Rafael Bardalo Pinheiro (1846-1905) e “Sobre a Linha do Horizonte” do alemão Andreas Stöcklein (1957-2024), trabalhos admiráveis.

No terceiro andar, um painel gigante de Lisboa de antes do terremoto de 1755, proveniente do antigo palácio dos Condes de Tetúgal (Rua de S. Tiago à Sé). Muitas estruturas destruídas expondo as consequências do abalo sísmico em grande escala. Da mesma forma há o “Grande Panorama de Lisboa Séc. XXI”, de Joana Vasconcelos (1971), com certificado de autenticidade.

O museu é enorme, maior do que eu lembrava. A lojinha do museu estava fechada por falta de pessoal. Uma pena, porque sou compradora de canetas de museus. Na saída, revi os mesmos dois “pedintes” que estavam no dia anterior, fazem ponto e falam inglês. Que tal? São profissionais do ramo.

Entramos no ônibus da linha Moderna novamente com parada em frente ao museu. Mais passeio. No áudio: “a era dos descobrimentos transformou o mundo, uma nova realidade aconteceu a partir dali. A existência de tomates e batatas na Europa se deve a isso”. Na av. Almirante Reis, os postes de luz têm uma caravela dourada na sua ponta, que original.

Para almoçar, descemos no centro e retornamos ao restaurante bem frequentado A Moderna para mais Bacalhau à Braz, amo! E vinho da casa, tinto, por €6,50 (euros). A garçonete Carina, atenciosa. E como o português gosta de poemas, vale ler os pregados na parede do restaurante. Verde sonho e maresia / Tempestades apregoa / Seu nome próprio-Maria / Seu apelido-Lisboa! Poema Maria Lisboa de David Mourão Ferreira; Lisboa cheira aos cafés do Rossio / E o fado cheira à solidão / Cheira à castanha assada se está frio / Cheira à fruta madura quando é verão / De Carlos Dias. E oúltimo: Numa casa portuguesa fica bem / Pão e Vinho sobre a mesa / E se à porta humildemente bate alguém / Senta-se à mesa c´a gente. De Matos Siqueira e Reinaldo Ferreira.

Sentamos perto de um senhor de Angola que nos indicou o bacalhau assado, fica para uma próxima. De sobremesa uma taça de morangos frescos para mim e para o Carlos, figos secos (havíamos comprado antes), uma delícia. Almoço por €16 (euros) para cada. Preço ótimo. Sugiro visitar a Mercearias Finas, fundada em 1860, na rua da Betesga, 1A. Compramos queijo de figo (doce do Algarve no sul do país), feito com figos secos e amêndoas, e figos secos.

Sábado à tarde. A rua Anchieta, perto do hotel Borges Chiado, é toda de sebos, uma riqueza. A livraria Bertrand, de 1732, a mais antiga do mundo. Subimos até o mirante do Elevador da Santa Justa a pé. O visual é “giro”, como dizem os portugueses. Ali perto vemos a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau Carmo Rooftop (topo do telhado, um terraço sofisticado). Lugar idílico com muita gente.

Entramos na FNAC no Shopping Armazéns do Chiado para ver livros. Na rua Garrett, no centro do bairro Chiado, a loja ALE-HOP de brinquedos é genial, colorida, atraente. Provamos o sorvete da Amorino, enfim. Lisboa é uma festa. Para a noite, um caldo verde no restaurante A Moderna, gostamos de lá. Os pratos são pequenos e redondos, sopa nunca é o prato principal e sim, a entrada. Diferente do nosso costume de jantar “canja”.

Prosseguiremos em breve.

Lisboa-Portugal-2024-dia 3-segundo passeio de Yellow Bus e elétricos

Lisboa-Portugal-2024-dia 3-segundo passeio de Yellow Bus e elétricos

Hoje é sexta-feira, dia 5 de abril de 2024. Vamos passear de novo de Yellow Bus, o ônibus turístico. Afinal, havíamos comprado por 48 horas. Andamos até a praça da Figueira. Entramos no ônibus e seguimos. A intenção era descer na loja de departamentos El Corte Inglés. Estamos no percurso em direção a Belém.

O motorista brasileiro deu dica do shopping Amoreiras e seu mirante com o visual da cidade. Preferem chamar shopping center de “centro comercial”. Vemos o Mercado da Baixa, de 1855, com queijos da serra da Estrela, ginjinha, artesanato de azulejos, muitos decorados com estampas deles. Considero uma beleza. Muitos táxis e tuk tuks ali.

Praça do Rossio, lugar de acontecimentos importantes. Teatro Dona Maria II (irmã do nosso Dom Pedro II), da segunda metade do séc. XIX, além da estação de trens ou comboios, como dizem, a Estação do Rossio. O Obelisco homenageia os portugueses que lutaram pela independência de Portugal da Espanha em 1640.

Na parada 4, descemos no El Corte Inglés. A melhor loja de departamentos, na minha visão. Deliro só de olhar e sentir o perfume. Fomos logo à Timberland a fim de ver sandálias, botas, pisantes para viajantes. O Carlos se entusiasmou e olha que não queria ir à loja. A vendedora atenciosa Isabel Mateus nos deu a dica do cartão do turista com desconto de 10% na próxima compra. Sugestão válida. A loja possui 13 andares, com cafeteria, loja de vinhos, bebidas e azeites, móveis, restaurante, espaço para eventos culturais, supermercado, quiosques etc. Uma loucura gastronômica. Na Alcoa Doçaria Conventual, de 1957, encontramos delícias como Almofadinha de maçã, Torresmo do céu, Segredo de D. Pedro, Mimos de freira, Diário de D. Inês, Jesuíta e outros doces. Escolhi um café com Delícias do convento que era feito com amêndoas e ovos. Uau! Doces conventuais (criados em conventos). Amo de paixão! Quem estiver de dieta, não vá a Portugal, meu conselho. No supermercado, prova de sorvetes de frutas exóticas: graviola, coco, goiaba e açaí. Tive que achar graça, pois são nossas frutas tropicais.

Em frente da seção de roupas do El Corte Inglés, do lado de fora, estava a parada do Yellow Bus-Belém. Entramos, fiquem ligados para não perder o tíquete. Alias, dá desconto em museus. Continuamos. Praça Eduardo VII, Jardim Amália Rodrigues. Detalhe: o bairro Queens em Nova York-EUA tem esse nome em homenagem à rainha Catarina Henriqueta (da Casa de Bragança), portuguesa. Os jacarandás embelezam Lisboa no final da primavera.

Estamos na zona/região das árvores amoreiras. São inúmeras. Shopping das Amoreiras, no mármore rosa e vidro, o primeiro a receber vários prêmios pela sua arquitetura arrojada. Monumento a Pedro Álvares Cabral, que com a sua armada, descobriu o Brasil. Dizem que os portugueses poderiam saber da existência do nosso país, por isso o desvio em Cabo Verde.

Que calor! Ponte 25 de Abril. Ponte Vasco da Gama celebra os 500 anos de descoberta dos Caminhos das Índias. Na ponte, o Bridge Experience é um observatório envidraçado. Rio Tejo, o mais extenso da Europa. Museu Nacional dos Coches. Vi o caminho de evacuação em caso de tsunami. Palácio de Belém, de cor rosa. Lá estava a Família Real na época do terremoto de 1755. Houve danos. Rua de Belém e as várias opções de confeitarias, onde vendem o único pastel de Belém. O Mosteiro dos Jerônimos foi construído com o dinheiro das especiarias, a pimenta, da época das navegações. Jardim da praça do Império Magnífico com seus jardins. Notamos uma máquina que limpa a grama em uma praça. Zona/região de Belém com muitos prédios baixos, cafés, restaurantes, uma lindeza. Avenida da Torre de Belém. Torre de Belém, Patrimônio Mundial da Unesco, parte de defesa da cidade e Torre São Sebastião, desaparecida pelos séculos. Museu de Arte Popular, Padrão dos Descobrimentos. O calçadão ao longo do Tejo incentiva uma boa caminhada. Ponte 25 de Abril acaba em Almada do outro lado do rio, Reserva Natural do Estuário do Tejo.

Estação das Docas, armazéns à beira do Tejo: Havana Bar, Hawaii, Capricciosa Pizzaria, muito movimento. Avenida Infante Santo. Colinas de Lisboa, a parte alta oferece vistas deslumbrantes. Bairro Freguesia de Santo Antônio. Rua do Conde de Redondo. Rua Jacinta Marto. Museu de São Vicente de Fora, com a Galeria das Fábulas (de La Fontaine) em painéis de azulejo.

Descemos do ônibus. Almoço na Cozinha D´Avó Celeste, rua Augusta, 282. Por €14 (euros), filete de bacalhau (bom, mas com espinhas) e bacalhau com natas para mim e Carlos. Chope Imperial (Sagres) para o calor. Vimos uma garçonete argentina e não resistimos, declaramos nosso amor aos hermanos.

Na rua Garrett, perto do hotel Borges Chiado, há lojas brasileiras: Granado e Havaianas. Na praça Camões, música ao vivo brasileira: Bossa Nova e Djavan. Vimos manifestação dos motoristas da TVDE (transporte em veículo descaracterizado a partir de plataforma digital)-Uber.

Na espera do bonde n. 28, considerado a grande estrela sobre trilhos. Transporte comum usado por turistas e moradores. Usamos o mesmo tíquete do Yellow Bus. Ficamos em pé, depois sentei. Vai subindo as ladeiras, há paradas. Vamos até a última, só queremos aproveitar a viagem. Dentro, um aviso para tomar cuidado com os pickpockets, ladrões de ocasião. Só ando com a minha mochila rosa choque pra frente, aprendi na dor em Paris, quando furtaram a minha carteira, creio que dentro de uma farmácia. Enfim…Subimos, novos bairros. Rua Saraiva de Carvalho, bairro Prazeres.

Em Lisboa se chama o bonde de “elétrico”, o 28 passa pelos bairros tradicionais. Alguns são estreitos e históricos. Os pontos de passagem são Praça do Comércio, parada 1. E mais: Praça do Município, Lapa, Estrela, São Bento, Camões (onde pegamos), Chiado, Rua da Conceição, Sé, Portas do Sol, Alfama, Graça, Martim Moniz e Praça do Comércio de novo. Descemos na parada final em Campo de Ourique, em 1h20 min. fizemos o trajeto. Esperamos um pouco e entramos no mesmo bonde com o mesmo condutor simpático.

Na volta, rua Saraiva de Carvalho de novo, eram 20 pessoas sentadas e 38 em pé. Bairro classe média, com prédios baixos, muitas lojas embaixo dos prédios, deve ser bom de viver. Mais turistas que portugueses na área turística. O bonde em frente estava avariado, logo descemos, caminhamos e rumamos à Basílica da Estrela. Testemunhamos condutores descerem de bondes e ajeitarem os trilhos. Fomos em grupo e subimos em outro, enfim. Agora em processo de descida. Rua Calçada da Estrela e rua de São Bento. Detalhe: há motoristas que estacionam seus carros em cima de trilhos e atrapalham o trânsito, aí o bonde não consegue prosseguir. A multa varia de €60 a €300 (euros).

Chegamos à praça Camões. A feirinha sempre convidativa, então comemos uma empada de bacalhau e uma de frango da República das Empadas, €2 (euros) cada. No restaurante O Trevo pedimos a canja com massa redonda por €1,70 euro. Melhor pedir algo diferente, pois deixou a desejar.

Ainda resolvemos passear mais de elétrico, o n. 24 na mesma parada da praça Camões. São 19h10, o dia claro. Bairro Alto, miradouro São Pedro de Alcântara. Rua Dom Pedro V, rua da Escola Politécnica, Mãe de Água das Amoreiras, rua das Amoreiras, término de trajeto na esplanada do Quiosque 24, com venda de vinho, espumante, sucos, café e petiscos mil na praça de Campolide. Mais 15 minutos e entramos no mesmo bonde com o mesmo condutor. Trânsito civilizado. Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Jardim Botânico, rua da Escola Politécnica, restaurante do Jamie Oliver de Lisboa: Jamie´s Italian Lisboa, praça do Príncipe Real, mirador de São Pedro de Alcântara, com outra feirinha de comida, sangria, sabor serrano, mais completa que as outras. O belvedere (mirante) parece uma praça, ali se reúnem artesãos expondo suas obras, artistas de rua e quiosques para um café ou muito mais. Teatro da Trindade e retornamos.

Detalhe: a água de Lisboa é maravilhosa para o cabelo e pele. Uma água que se bebe já diz tudo. Dia completo.

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico da linha Moderna

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico da linha Moderna

Hoje é dia 4 de abril de 2024. Continuamos no passeio de ônibus turístico, saímos do Yellow Bus, almoçamos e prosseguimos à tarde com a linha Moderna.

Às 16h15 na parada 1: Praça da Figueira. Monumento a Dom João I. Praça do Rossio ou Dom Pedro IV, com estátua ao nosso Dom Pedro I, em Portugal, Dom Pedro IV. Café Gelo, café Nicola, lugar de encontro de intelectuais. Estação ferroviária do Rossio no estilo romântico. Obelisco na praça dos Restauradores, no local há salas de espetáculos, casas de ginjinha (licor feito da fruta ginja, típica de Óbidos), Hard Rock Café etc. Lisboa tem cheiro de flores e de mar, diz a canção de fado.

Subimos a Avenida da Liberdade, onde existia o Passeio Público de antigamente. As lojas mais conceituadas, de grife, se encontram nessa avenida tão garbosa. Pessoas da classe alta vivem nela. Calçadas portuguesas do séc. XIX, quiosques, bancos, estátuas e monumentos ligam a Baixa (bairro) à Marquês de Pombal (praça).

Não se vê sujeira em lugar algum, que inveja! As primeiras calçadas portuguesas eram feitas por grilhetas (agrilhoados/presidiários) de joelho no chão e martelo na mão, algo que exige paciência e perícia. O trabalho é encontrado em Macau, Angola e Brasil.

Museus fecham às segundas. Subimos pela rua do Forno do Tijolo, onde se encontram casas bem portuguesas. Mercado Sapador Penha da França. Escutamos fado pelos auriculares do ônibus.

1755, ano do terremoto, tsunami e incêndio na cidade. Destruiu a Baixa e milhares morreram. Influenciou os Iluministas, Voltaire escreveu o poema Candide baseado na tragédia e na grandeza do sismo. Lisboa caracterizada pelo seu clima ameno, céu azul, magia, luz branca, brilho e luminosidade contagia escritores, turistas e pintores.

O comércio de lembrancinhas na cidade está na mão dos paquistaneses. O espanhol São Vicente é o padroeiro de Lisboa. Foi martirizado em Valência e salvo dos urubus por um corvo, também diz a lenda que seus restos mortais foram acompanhados no barco por dois corvos ao chegar a Lisboa em 1173. Vem daí a barco ladeado por dois corvos ilustrar a bandeira de Lisboa. Já o italiano Santo Antônio de Pádua é o mais popular, o santo casamenteiro. Mobiliza milhares de pessoas às festas em junho em sua homenagem. Marchas populares com desfiles nos bairros, fitas, balões, bailes, sardinhas na brasa. Melhor momento para se apaixonar e casar.

Estação ferroviária Santa Apolônia, Museu Militar, Miradouro de Santa Catarina e outros com quiosques para uma bebida e petiscos. Lisboa, próxima do rio e mar, sofria com a presença de piratas no passado remoto. Até então, o caminho parece com o da linha Yellow Bus. De agora em diante, começa a mudar, enfim aparecem as novidades da linha Moderna. Travessa do Terreiro do Trigo e o bairro mais antigo Alfama. Casas de fado, música tradicional portuguesa. Uma vez por ano festas populares no bairro mais peculiar da cidade. Museu do fado, com exposições e ventos em volta da guitarra portuguesa e fado. Nomes de ruas originais, só existentes lá. Mais um exemplo: Boqueirão da Ponta de Lama. Perto de Santa Apolônia, restaurantes e a discoteca mais badalada de Lisboa: Lux Frágil. Vamos em direção ao Parque das Nações.

Peixes, bacalhau, comum ver o seco, encontrado em mercearias, além do atum e da sardinha. A indústria conserveira do país é forte. Queijos, vinho tinto português, pastéis de natas de Belém, doceria portuguesa, produtos de qualidade.

Três transatlânticos no porto. Museu Nacional do Azulejo com a igreja Madre de Deus. Painéis de azulejos do séc. XVII (Casamento da Galinha) e XVIII (História do Chapeleiro). Infante Dom Henrique de Avis (1394-1460), o Rei Navegador, mentor das viagens portuguesas, comparado a Alexandre, o Grande. Filho de Dom João I, de Portugal e Filipa de Lencastre, da Inglaterra. Deu início à globalização. Nova realidade às novas culturas devido às explorações marítimas que mudaram os hábitos dos locais desbravados. Os navegadores eram de Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda.

Freguesia do Beato, zona portuária, a praça 25 de Abril tem estátua de José Guimarães, artista plástico contemporâneo português e calçada portuguesa. A obra em questão está situada no centro da praça e é uma homenagem aos construtores de Lisboa, tem as cores verde e vermelho, tonalidades da bandeira portuguesa. A ponte Vasco da Gama com 17,85 km de extensão, a mais longa da Europa, foi inaugurada com feijoada para a população utilizando a mesa mais comprida do mundo.

O Parque das Nações possui equipamentos culturais e edifícios modernos, foi construído para a EXPO 98. Restaurantes, jardins, contato com o rio Tejo. Com o fim da exposição, tudo foi conservado. Lá estão o Teatro Camões, o Pavilhão do Conhecimento, a Alameda dos Oceanos, o Museu de Ciência com exposições interativas, o Oceanário. Vemos a Estação do Oriente, ou Gare do Oriente, cuja arquitetura é inspirada no mar. Do arquiteto espanhol Calatrava. Interface dos transportes públicos, muito vidro… com obras artísticas de artistas do mundo todo.

Shopping Vasco da Gama. Bairro arborizado, mais moderno, com prédios bem altos. Bastante movimento, projeto que deu certo. Tem vida e é enorme. Lembra o Puerto Madero de Buenos Aires. O edifício mais alto de Portugal, com 143 m, tem restaurante no topo com panorâmica de luxo. Forma de duas velas de um navio, faz lembrar as caravelas do rio Tejo, diz o arquiteto Nuno Leónidas, responsável pelo projeto. O Myriad é um hotel da rede de hotéis SANA e se localiza junto à torre Vasco da Gama.

Lisboa, nome fenício, significa porto seguro, enseada. Os romanos deixaram muralhas. Os muçulmanos deixaram nomes. O primeiro rei foi Afonso Henriques, o Conquistador. Cidade cosmopolita, multicultural, por ela passaram animais e plantas exóticos. Zona de quintas (sítios) nos arredores de Lisboa, com olivais no passado. Vemos o aeroporto internacional Humberto Delgado ou aeroporto de Lisboa, são 30 companhias aéreas, 100 destinos.

Parque da Bela Vista, onde ocorreu o Rock in Rio Lisboa até 2023. Avenida da Ordem dos Enfermeiros, ampla com casas lindas. Almirante Gago Coutinho. Praça Francisco de Sá Carneiro ou praça do Areeiro com monumento do advogado, político pós-revolução e primeiro-ministro, que morreu em 1980 em um acidente aéreo. O número de praças impressiona.

Trouxas de Malveira, doce cuja origem é conventual (dos conventos), usa canela, ovos, açúcar do Brasil e da ilha da Madeira (Portugal) e amêndoas. A variedade de doces chama a atenção.

O consumo de café expresso é motivo para reunião de amigos. Avenida Almirante Reis com ciclovias e árvores no canteiro central. Avenida linda. Vimos barracas com moradores de rua. País pequeno, grande diversidade.

No sul de Lisboa, há praias para surfe. Sesimbra, Setúbal, Parque Natural da Arrábida, Alentejo, vinhos tintos e um patrimônio natural considerável no país, como Évora (Patrimônio da Humanidade).

Calçado Guimarães, enorme. Descemos e caminhamos. Passamos pelo Elevador de Santa Justa ou Elevador do Carmo, feito de ferro, com um mirador e uma vista maravilhosa. Liga a rua do Ouro e a rua do Carmo ao Largo do Carmo. A Fábrica da Nata, pastéis de nata com um café (bica) na praça dos Restauradores. Come-se em pé. A confeitaria Casa Brasileira na rua Augusta oferece travesseiro de Sintra, pastel de Tentúgal, torta de amêndoas etc. O nosso hotel conhecido de outras hospedagens Residencial Duas Nações entre as ruas Augusta e Vitória, andamos até a Praça do Comércio, tiramos fotos do rio Tejo. Muita gente se deleitando com o cenário. Arco da Rua Augusta, €4,50 (euros) a visita. Shopping do Chiado. Jantamos na praça Camões no Marie Blachère Boulangerie: wrap de frango e sanduíche de presunto (sandes de fiambre) com queijo e tomate. Achei o fiambre oleoso, mas o pão estava muito bom.

Em breve mais passeios de ônibus Yellow Bus.

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico Yellow Bus

Lisboa-Portugal-2024-dia 2-passeio de ônibus turístico Yellow Bus

Hoje é quinta-feira, dia 4 de abril de 2024. Dia para passear de ônibus double-decker por Lisboa. Acordamos tarde, por conta da diferença de fuso horário entre Fortaleza-Ceará-Brasil e Lisboa, 4 horas a mais. Estávamos bem cansados. Decidimos comer no hotel Borges Chiado (rua Garrett, 108), por $10 (euros) cada. Bom custo-benefício. O pequeno almoço ou café da manhã é bem sortido: frutas: maçãs e tangerinas, sucos de máquina, cafés diversos, cogumelos, cereais, feijões, pães, bolos de nozes, chocolate e ananás, tudo com pouco açúcar, iogurte etc. No final, vale a pena. Elegante a sala do café de cor branca e dourada, com lustres bonitos do tipo pendentes, bem Europa. E turistas nas mesas falando alemão, francês, inglês e nós, sensacional! O hotel é decorado com fotos de Lisboa antiga e azulejos. Bem Portugal!

Por ser muito bem localizado, é mais caro, porém vale cada tostão. Estar ao lado do Café A Brasileira e estar em um bairro repleto de teatros, restaurantes, cafés e livraria Bertrand é um show. Trata-se da maior rede de livrarias de Portugal, inaugurada em 1732, por Pedro Faure, na rua Direita do Loreto.

Antes de sairmos do hotel, deixamos reservado o a excursão a Fátima, Nazaré, Batalha e Óbidos domingo por $76 cada, das 8h30 até as 18 h.

Há uma banca de revistas ali perto, do Jorge, onde compramos o passeio do dia. Preferimos ter direito a 48 h por $28. O Jorge vende mapas, linhas de ônibus turísticos e bondes, chocolates, livros e muito mais. E ele nos dá o folder e ensina a chegar na praça da Figueira para pegar o ônibus da linha amarela na sua primeira parada. No caminho, vimos o Café Nicola, as praças do Rossio e Restauradores. Nos perdemos e achávamos que a Restauradores era a Figueira, era pra ter dobrado à esquerda no Rossio, mas tudo bem. Nos encontramos, enfim.

Estamos no ônibus Yellow Bus-Ônibus Amarelo (linha Belém Lisbon) com auriculares e satisfeitos. Vamos sentir Lisboa, topam? Lisboa com suas subidas e descidas, praças, espaços. Estamos na Avenida da Liberdade, audaciosa, luxuosa, uma das avenidas mais caras da Europa, origem do séc. XIX. Edifícios imponentes, calçadas portuguesas, tradicionais quiosques. 1 km de comprimento. Larga, arborizada, imagino o que seja morar lá. Deve ser um paraíso.

A festa de santo Antônio é marcada por desfiles do santo, roupas tradicionais populares, a avenida fica linda, segundo o áudio. Segundo o site www.eurodicas.com.br, em vigor há mais de 90 anos, as marchas populares são parte importante das comemorações da festa. Elas acontecem na noite de 12 de junho na Avenida da Liberdade. Dali, saem pessoas em desfiles com coreografias, roupas tradicionais e música. Ocorrem mais festas do santo em outros bairros também. Eis Lisboa, uma cidade para “turistar’. O transporte facilita a vida do viajante, há os turísticos Yellow Bus e Gray Line (Linha Cinza), o tuk tuk, o tram, o metrô, táxis, Uber, o bonde, e as pernas, bastante válido o exercício. Falando em tuk tuk, vi pela primeira vez. Trata-se de um triciclo coberto que leva de 3 a 6 pessoas e o motorista funciona com guia.

Passamos pela Praça ou Rotunda do Marquês de Pombal, tendo no centro o monumento dedicado a ele (1699-1782) e inaugurado em 1934. Figura da história portuguesa, importante, controverso, carismático, secretário de Estado do Reino de Dom José I (1750-1777), autoritário, reconstruiu Lisboa após o terremoto de 1755. Lisboa é a capital mais ocidental da Europa, são aproximadamente 3 milhões de habitantes. O bairro peculiar Alfama tem becos e ruelas. No séc. XII, os mouros foram expulsos definitivamente da terra portuguesa por Dom Afonso Henriques na batalha de Ourique.

Ruas estreitas e medievais antes do terremoto. Depois, se urbanizou e desenvolveu. O clima está ensolarado, uns 19°C, uma gostosura, basta um casaquinho. Vemos a loja de departamentos que simplesmente acho formidável: o El Corte Inglés, o primeiro fora da Espanha, a loja é enorme, tem de tudo, supermercado e 14 salas de cinema. Muita gente na rua onde formos. A cidade com suas avenidas largas convida a caminhadas. Amo a arquitetura de prédios baixos, tão Europa.

Parque Eduardo VII, inaugurado em 1940, em homenagem ao rei da Inglaterra que visitou a cidade em 1903 para celebrar a aliança entre os dois países. Jardim Amália Rodrigues, em tributo à grande cantora de fado. Conforme a Wikipédia, a rainha Catarina de Bragança foi casada com o rei Carlos II, logo foi rainha consorte da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1662 a 1685. Era filha de Dom João IV e Luísa de Gusmão. Foi quem levou a tradição do chá à Inglaterra. A ligação entre os dois países é antiga. No parque, a vegetação luxuriante com estufa fria, quente e doce, lagos, bosques, lugar imperdível. Há as árvores jacarandás na praça.

Praça das Amoreiras com muitas árvores plantadas para alimentar o bicho da seda para o comércio da época de Marquês de Pombal. Diz-se que ele plantou a primeira amoreira.

Arcos e Aqueduto das Águas Livres, construído entre 1731 e 1799, Monumento Nacional desde 1910, permitiu abastecer de água fresca e potável toda a cidade de Lisboa. Armazenamento de água com galerias e fontes, a água era transportada pela força da gravidade. Algo curioso: nesse século as pessoas só tomavam banho 3 vezes na vida: nascimento, casamento e morte. Colocavam perfume na base dos candelabros para afastar o mau cheiro. No Largo do Rato, do séc. XVIII, os chafarizes faziam a distribuição das águas pela cidade.

Nos prédios baixos é comum ter comércio embaixo. Monumento a Pedro Álvares Cabral, inaugurado em 1941, na freguesia de Santa Isabel. A influência portuguesa foi imensa na África, Ásia e América formando um grande império.

O romântico Jardim da Estrela, onde os habitantes fazem piqueniques e se encontram parques infantis. Basílica da Estrela, onde está o túmulo de D. Maria I, que faleceu no Brasil, e ela mesma mandou erguê-la. Também há pinturas de Pompeo Batoni, pintor italiano de período Rococó. A basílica tem estilo barroco com traços neogóticos do séc. XVIII. De acordo com a Wikipédia, uma curiosidade: foi a primeira igreja do mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, tendo por base as revelações de Cristo à santa Margarida de Alacoque e reforçadas mais tarde à beata Maria do Divino Coração (Droste zu Vischering) Foi ela que influenciou o papa Leão XIII a efetuar a consagração do mundo ao Sagrado Coração de Jesus em 11 de junho de 1899.

Amo o sotaque português, desbravamos a cidade lusa ao som de músicas de fado. Vemos o monumento ao Cristo Rei ou Santuário Nacional do Cristo Rei que fica na margem sul de lisboa, do outro lado do Tejo, já na região de Almada em Setúbal. Para chegar lá, deve-se cruzar a ponte 25 de Abril.

Portugal é o país com maior influência árabe do outro lado do Tejo, isso é materializado nos azulejos existentes em pontes, muros, linda decoração. O Museu do Oriente mostra a presença portuguesa nesses países.

Atravessamos a ponte suspensa rodoferroviária 25 de Abril, nome que mudou por conta do fim da ditadura, com a Revolução dos Cravos nessa data. Antes se chamava ponte Salazar. No nível inferior passam trens ou comboios, como chamam. Museu da Carris, uma viagem no tempo com bondes, Centro de Congressos, um dos melhores espaços para receber eventos. Ponte Vasco da Gama.

Rio Tejo, ícone da cidade com calçadão para longas caminhadas. Cordoaria Nacional, com feiras de antiguidades e arte em abril. Museu do Tesouro Real: ouro e diamantes do Brasil, joias da Coroa Portuguesa, conhecimento dos descobrimentos portugueses, lugar mais visitado, orgulho nacional. Museu Nacional dos Coches.

Estamos em Belém. Palácio Nacional de Belém, na praça Afonso de Albuquerque,residência oficial do presidente da República. Quando a bandeira verde está hasteada, o presidente da República se faz presente no local. Monumento Nacional desde 2007. Monumentos, Mosteiro dos Jerônimos ou de Santa Maria de Belém, do séc. XV, estilo manuelino, uma das sete maravilhas de Portugal, com os túmulos de Vasco da Gama, Luís de Camões etc. Jardim Botânico, pastéis de Belém. O rio Tejo chegava até ali e trazia os barcos do mar. Museu Nacional de Arqueologia, Museu da Marinha, Planetário.

Na praça do Império se situa o Centro Cultural de Belém. Torre de Belém. Museu do Combatente.

Fundação Champolimaud, com espaços públicos e lugar de trabalho de cientistas. Lisboa, ponto de encontro de culturas, sempre foi assim e sempre será.

Doca do Bom Sucesso, com iates e barcos, um visual para pinturas. Museu de Arte Popular, tradições e objetos típicos da cultura portuguesa. Padrão dos Descobrimentos, outra marina. Passear pelo calçadão é um primor. Estação Fluvial de Belém, em frente há obras com poesias da artista Sophia de Mello Breyner Andresen O lisboeta aprecia a arte, sem dúvida.

Estação das Docas, armazéns à beira do rio, com restaurantes embalados por muito jazz à noite, onde a animação rola solta. Terminal do Porto de Lisboa que expõe obras modernistas.

Na volta, se vai direto à parada 1, não descemos. Estamos no Bairro Alto. A rua Alexandre Herculano parece uma avenida. Tudo limpo, bonito, ensolarado. Antigamente os lisboetas faziam passeios nos jardins, nas hortas de alface, por isso são conhecidos como “alfacinhas”. Eram alfaces abundantes, aliás, foi o que comeram na época do Cerco de Lisboa em 1147, no período da Reconquista cristã da Península Ibérica aos mouros. Comiam muito, tinham plantações. A origem da verdura é árabe.

A arte da calçada portuguesa vem de meados do séc. XIX. Eram feitas por mestres calçadeiros. Encontramos nas cores branca e negra em Macau e no Rio de Janeiro, em Copacabana. Hoje é obra de artistas plásticos e arquitetos em espaços públicos. Espelham tendências e hábitos de cada época. Contam histórias e passam mensagens de vida dos santos, batalhas, fábulas.

Na cidade, espetáculos, museus, monumentos dos tradicionais aos arrojados. Muitos brasileiros turistas e moradores. Também vejo pichações em azulejos, uma lástima.

Parque Martim Moniz. Praça da Figueira onde descemos. Descobrimos o restaurante perto “A Moderna”, na Rua dos Currieros. A garçonete Carina, uma simpatia. Pedimos o nosso desejado Bacalhau à Braz, regado ao vinho branco Ermida, português de Gondomar. Para nós dois: $31,95 euros, com duas bicas (cafés) e serviço incluído. Em outra mesa, duas brasileiras Vanessa e Mara, de Santa Maria-RS. Trocamos experiências diversas de viagens, sempre muito positivo esse papo de turistas.

As lojas de lembrancinhas na praça Figueira são uma loucura. Muitos objetos de cortiça, bolsas, carteiras, portas telefones etc. Os chaveiros de sardinhas coloridas de pano foram novidades para mim, tudo é colorido e bonito de se ver.

Na mesma parada 1, se pega o ônibus da Yellow Bus e o da linha moderna (ambos com a mesma cor). Continuaremos em breve com mais passeios.

Lisboa-Portugal-2024-chegada

Lisboa-Portugal-2024-chegada

Hoje é dia 3 de abril de 2024, dia de viajar a Portugal depois de um longo tempo. O Carlos e eu estávamos ansiosos e felizes, pois a terrinha portuguesa é apaixonante. Voamos pela TAP às 4h30 da madrugada de Fortaleza direto a Lisboa, e chegamos às 16 h, hora local. 4 horas de diferença para mais, já que lá é horário de verão. No voo serviram almoço e lanche depois, muito bom. Fomos pela agência Bluedream Viagens do nosso amigo Dennis. Gosto de ter um agente, pois na hora de problemas, sempre temos com quem contar.

Aterrissamos e na saída do desembarque, nossos nomes estavam nos painéis do Ponto de Encontro. Tinha que olhar com cuidado, porque eram muitos nomes. Estávamos com o transfer resolvido. O Yuri nos pegou e levou ao hotel Borges Chiado (rua Garrett, 108) no bairro Chiado. Um achado! Ótima localização e serviço. Tivemos que descer na rua ao lado e o Yuri nos ajudou com as malas. Como o motorista foi amável, demos uma gorjeta de $5 (euros), o que nem sempre fazemos e nunca sei quanto dar, confesso. O clima estava de primavera com sol, promissor. Detalhe: ao chegarmos ao hotel já pagamos $32 de taxa turística (pelos dias a ficar).

Aí fomos explorar as redondezas, pois era a primeira vez que ficávamos no Chiado. Detalhe: ao lado do Café A Brasileira, um luxo. Inaugurado em 1905, se situa à rua Garrett, 120-122. Também ao lado da Pastelaria Benard 104, de 1868, lugar para ficar na calçada e curtir o momento. Gostei da salada de frutas e da sangria de vinho rosé.

O bairro é cheio de opções: shopping, lojas, cafés, feirinha, que felicidade. A sensação é de voltar à casa. Não tenho palavras para transmitir meu amor por nossa pátria mãe, minha história é bem antiga com o país e creio que tenha a ver com o fato de ter sido sempre tão bem recebida lá. Os amigos do norte: Porto, Bragança, Santa Maria da Feira, Ermesinde e Esposende fizeram a diferença na minha vida. Salve, amigos e amigas. Hoje tem a amiga Débora em Leiria (cerca de Nazaré), saudações!

A Padaria Portuguesa com lanche à noite, o dia estava claro às 18h40. Salada com crouton negro e frango e suco de tangerina com maçã. Endereço: Praça Luís de Camões, rua de São Nicolau, 117 Floor (piso). A feira de Páscoa, de 22 de março a 7 de abril, na praça Camões ali pertinho oferece queijo da Serra da Estrela, produtos de cortiça variados (aumentou a oferta desde a última vez que fui), charcutaria (presuntos, salsichas, salames etc), doces portugueses, massas, uma delícia. Muito movimento, gente, música ao vivo, restaurantes com mesas no calçadão, uma festa. Na República da Empada, proveniente de Arraiolos (distrito de Évora), muito a provar.

Entramos na Igreja dos Italianos em frente à praça Camões, tão Itália dentro, com a imagem de Madonna di Loreto. Segundo a Wikipédia, é dedicada à Nossa Senhora do Loreto na Itália, onde se encontra a Casa da Sagrada Família de Nazaré. A igreja se localiza no Largo do Chiado, esquina com rua da Misericórdia. O autor do projeto da construção foi José da Costa e Silva. Com o terremoto de 1755, o templo sofreu grandes estragos e foi reconstruído em 1785. Possui um órgão de tubo, datado do séc. XVIII, e também se encontram armas pontifícias de autoria de Francesco Borromini (1599-1667), ladeados por dois anjos. Ele foi importante na arquitetura barroca romana. Para ler mais sobre o milagre da transladação da Casa da Sagrada Família de Nazaré para Loreto, ver o site Uma relíquia única: a Santa Casa de Loreto – Caminhada de Emaús (caminhadadeemaus.com.br) .

No bairro, muitos restaurantes, tasquinhas (pequenos restaurantes) para se refestelar de bacalhau e sardinhas com vinho. Lojas de lembrancinhas mil, uau, vou endoidar.

No dia seguinte mais perambulações lisbonenses. Lisboa iluminada, como não amá-la?