Buenos Aires!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Buenos Aires sempre!-2024-Museu do Holocausto-dia 5

Hoje é dia 9 de setembro de 2024, de manhã estivemos no Centro Cultural Coreano e à tarde iremos ao Museu do Holocausto. Para entrar é necessário fazer um pré-agendamento e levar o passaporte no dia estabelecido. Temos 2 h de visita. Fiz isso com muita antecedência ainda em Fortaleza-Ceará. Programação para o dia 9 de setembro das 14h30 às 16h30. E lá fomos nós de táxi para o bairro Recoleta, Calle Montevideo, 919. Para quem tem interesse em história, é um “prato cheio”, como se diz. Considero uma visita impactante e obrigatória. Pagamos 3200 pesos (em reais R$11,75 hoje). Conhecer a história nos ajuda a ter consciência e a não repetir os mesmos erros.

Logo na entrada, vemos um painel com a porcentagem da população judaica na Europa antes do Holocausto. Em 1939, 7 em cada 1000 eram judeus, em 2019, só 2 em cada 1000. No museu estão expostos objetos de uso religioso, de uso cotidiano, máquinas fotográficas como testemunho de vida familiar etc.

Muito a ver no local. Testemunhos de famílias, triângulos nas roupas dos perseguidos: rosa para homossexuais, verde para delinquentes, vermelho para políticos, roxo para Testemunhas de Jeová, cinza para ciganos e associais. Para os judeus, a cor era amarela. Em 1934 já morria um anarquista chamado Erich Mühsam (1878-1934). Segundo a Wikipédia, era ensaísta, poeta, dramaturgo judaico alemão, antimilitarista. Assassinado como “um dos judeus subversivos” no campo de concentração de Oranienburg, Alemanha, em 9 de julho de 1934.

Hitler era um grande ator. Propagandas antissemitas. Painéis fora de ordem cronológica com as proibições a judeus: frequentar balneários em 1938; casamentos entre judeus e cidadãos do Estado de sangue alemão e sangue misto em setembro de 1935; trabalhar como funcionário público em abril de 1933;, expulsos do Exército em maio de 1935; e crianças expulsas da escola pública em novembro de 1938. Ainda: ter telefone, usar ou instalar em julho de 1940. Em maio de 1935, os jornalistas judeus são excluídos do periodismo da Alemanha.

Objetos recuperados do Pogrom, significado: perseguição deliberada de um grupo étnico, de novembro de 1938: SIDUR, livro de orações (e bênçãos diárias) de uma sinagoga em Viena, Áustria; cabides da loja de Rathenow de Markus Lieber; o chamado para as ordens de ler a TORÁ, proveniente da sinagoga de Brette Baden, Berlim. 7500 comércios/propriedades e 67 sinagogas foram destruídos. O site www.worldhistory.org ou Enciclopédia da História Mundial nos conta que a “Noite dos Cristais” ou a “Noite dos Vidros Quebrados” ou o “Pogrom de Novembro” ocorreu em 9 e 10 de novembro de 1938, tendo sido um ataque contra judeus e propriedades dos judeus na Alemanha e Áustria.

Na Argentina, em Buenos Aires, o Luna Park onde nazistas se reuniam para celebrações em 1938. Os judeus na Plaza San Martin. Em 1889 chegam judeus imigrados ao país. Associação Cultural Pestalozzi de judeus antinazistas. Segundo o escritor francês Albert Camus: “Os jornalistas são os historiadores do instante”.

O uniforme militar de Gladys Mary Helliwell, do Corpo de Inteligência Britânica assentado em Wentworth, Grã-Bretanha. Gladys casou com Santiago Arturo Knight na Inglaterra em 1943 e se radicou na Argentina em 1946.

Castelo de Hartheim, em Alkoven, perto de Linz na Áustria, onde exterminaram pessoas com deficiências com crematório. Plano sistemático de extermínio pela pureza da raça ariana. “Eutanásia”, foram 250 mil assassinatos na Alemanha. Alteravam a causa da morte (eutanásia T 4) para ocultar assassinatos. Desde o asilo de Schloss Liebenau (em Berlim, Alemanha) eram levados ao centro de extermínio Grafeneck em Gomadingen, Alemanha. Programa de “eugenia e critanisia” AKTION T4, 1939.

Churchill. Qual é o nosso objetivo? A vitória, a vitória a qualquer preço, vitória apesar do terror, vitória pelo longo e árduo que seja o caminho, porque sem vitória não há sobrevivência.

As informações nos painéis digitais são completas. Sobre o Gueto de Lodz (Polônia). O Conselho Judaico vivia dilemas, acabava obedecendo aos nazistas e iam contra o seu povo. No fim, todos morreram em campos de concentração. Como Chaim Mordechaj e Rumkows Ki, que morreu com a família em Auschwitz (no sul da Polônia) em 1944. Pereciam de fome e doenças também. Filmagens originais feitas pelos nazis do Gueto de Varsóvia (Polônia) em maio e junho de 1942.

No 1° andar. Principais sítios de matança, onde atuaram as unidades móveis de EINSANTZGRUPPEN nos territórios soviéticos ocupados por nazistas em 1941. Fotos de fuzilamentos (com fuzis) na Letônia em 1941: 2749 vítimas. Os painéis digitais que mostram os campos de concentração, de extermínio e trânsito são muito bem-feitos.

Conferência de Wannsee, em 20 de janeiro de 1942, com fotos dos participantes e cartas convites onde ocorreu a discussão sobre a Solução Final. Aparecem os números de judeus na Europa. De acordo com a Wikipédia, estavam presentes na reunião membros superiores do governo da Alemanha nazista e líderes da SS, tendo como presidente Reinhard Heydrich. Otto Hofmann, Heinrich Müller, Adolf Eichmann e outros decidiram como seria feito o genocídio da população judaica na Europa.

Resistência nos campos de concentração, nos bosques, nos guetos. Aba Kovner, líder da resistência no Gueto de Vilna (na Lituânia) em 1941. Ele foi chamado à luta armada no gueto em 31 de dezembro de 1941 e disse: “Irmãos, é preferível morrer como combatentes livres do que viver nas mãos de assassinos. Resistamos! Resistamos! Até o último alento.”

Babi Yar. Barranca ao noroeste de Kiev, Ucrânia. 33771 judeus foram assassinados em dois dias em 28 e 29 de setembro de 1941 pelos EINSATZKOMMANDO do EINSANTZGRUPPEN C, polícias alemãs e ucranianas.

Os judeus pegos e levados a campos de concentração ficavam 15 dias no trem hermeticamente fechado sem ar, luz, água, comida, uma experiência devastadora. Hanna Lévy-Hass, sobrevivente do Holocausto. Ao longo de 33 meses (1942 a 1944), os nazis usaram 2000 trens para transportar judeus pelos campos. 15 guardas bastavam para vigiar um trem com mil prisioneiros. Entre março de 1942 e fevereiro de 1943 foram assassinados 10 mil judeus por dia. Em 20 meses foram exterminados 4,5 milhões, 75% das vítimas do Holocausto. 250 mil morreram congelados, de inanição ou fuzilados.

As Marchas da Morte em 1944/45 ante o avanço soviético. Conforme a Wikipédia, a Marcha da Morte ocorreu no final da II Guerra Mundial, quando os nazistas começaram a transferir prisioneiros de campos de concentração devido à invasão da Normandia e ao avanço das tropas soviéticas. Os evacuados foram os que estavam em áreas ameaçadas como Auschwitz e Stutthof para locais mais seguros na Alemanha. O site https://holocaustoempt.ces.uc.pt adiciona que as marchas eram responsáveis por inúmeras mortes, notadamente, eram feitas a pé, percorrendo centenas de quilômetros em condições terríveis, sem alimento nem vestuário adequado, e ainda no pico do inverno.

Em 27 de março de 1945, a Argentina declarou guerra à Alemanha. Muitos criminosos nazistas foram para o país no pós-guerra. Dentre eles: Adolf Eichmann, Erich Priebke, Josef Mengele, Ante Pavelic etc. Vemos suas fichas técnicas.

Uma seção escura de cenas fortes de judeus prisioneiros no campo de Bergen-Belsen em 1945 foram filmadas pelas forças britânicas. Imagens chocantes.

Em um setor de homenagens aos que partiram, deixamos as nossas pedrinhas. Na tradição judaica, as pedras representam o permanente, o que devemos lembrar e o que não permitimos que se esqueça.

Que museu excelente, daqueles inesquecíveis. Na saída, cartazes contra as propagandas enganosas que causam intolerância e ódio, de modo a sermos mais conscientes. Teorias da conspiração, notícias falsas, como distinguir o real do falso. O Holocausto dos judeus foi provocado, teve muitas informações falsas contra eles, promovendo o ódio (Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, era expert no assunto).

Mas ainda não acabou, há uma sala com o testemunho interativo de sobreviventes do projeto Dimensões em Testemunho, da USC Shoa Foundation (Fundação). Lea Zajac de Novera, foto de 31 de dezembro de 1926, na Polônia. Emigrou para Buenos Aires com seu marido sobrevivente e tiveram dois filhos.

Continuando, uma exposição interativa no 1º andar, com guia, sobre as Testemunhas de Jeová, grupo perseguido pelos nazistas. 25 mil pessoas na Alemanha em 65 milhões de habitantes. Eles eram neutros politicamente, estudavam a Bíblia, todos eram iguais. Em 1929, as Testemunhas haviam advertido a comunidade mundial através de suas publicações contra o Nacional-Socialismo (partido nazista). O feroz ataque a eles começou em 1933. Colocavam-se abertamente por campanhas, cartas, resistência política, expuseram as atrocidades publicamente. Havia um conflito direto entre a lei e a lei de Deus. Só obedeciam a Deus.

Martin Bertram tinha uma padaria e se recusou a obedecer aos nazis, ou seja, a não receber judeus, que eram considerados companheiros pelas Testemunhas de Jeová. 4500 foram mandados para campos de concentração, 16 mil perseguidos, 1750 perderam a vida, 600 internados em reformatórios, 13 mil encarcerados, 548 executados. Eles eram inquebrantáveis perante torturas. Nem crianças escapavam do sofrimento: fotografias de Ruth Danner, 7 anos; Berthold Mewes, 13 anos.

Não faziam saudação a Hitler, nos campos de concentração as mulheres se ajudavam e se consolavam com a Bíblia. Para escapar, teriam que assinar uma declaração desistindo de sua fé, a fim de ter vantagens. Não aceitavam. Os nazis os separavam de outros grupos para eles não divulgarem sua fé. Iam para Sachsenhausen depois para outros campos. Morreram por seus princípios, eram inabaláveis.

August Dickmann, objetor de consciência, não aceitou o recrutamento militar e foi morto. Aparece a foto da família Kaselowski e de Johann Rachuba, que foi torturado. Na Marcha da Morte, 23 Testemunhas carregavam os doentes e dividiam a carga. Todos sobreviveram. 33 mil prisioneiros de Sachsenhausen andaram 250 km até o mar, onde barcos seriam destroçados.

No pós-guerra muitos foram para o Uruguai, Argentina e Brasil. Em 1955, 107 mil Testemunhas se reuniram em Nuremberg (Alemanha). Em 2017, o Supremo Tribunal Russo os declarou extremistas pelas suas publicações baseadas na Bíblia. A Rússia proibiu o site oficial e confiscou suas propriedades. Muitos têm sido presos e maltratados.

O que dizer depois de tudo isso? Que aula! O Museu do Holocausto serve também para refletirmos sobre nossas vidas em tempos de paz. O lema do meu grupo de estudo @peloscaminhosdaiiguerramundial é: Lembrar para não repetir.

Buenos Aires, muito a aprender.

O Rio de Janeiro continua lindo-Cais do Valongo-dia 2

O Rio de Janeiro continua lindo-Cais do Valongo-dia 2

Hoje é quarta-feira, dia 13 de agosto de 2025. Estávamos no AquaRio, no Porto Maravilha, e fomos a pé até o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo. Queria muito conhecer. Endereço: rua Barão de Tefé, Saúde. Os totens educativos nos contam a história da região da Pequena África, sob a curadoria da professora Ynaê Lopes dos Santos, especialista em história da escravidão (fonte: Abril.com).

Cais do Valongo-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Construído em 1811, foi o principal porto de entrada das pessoas escravizadas trazidas da África. Em 1843, o espaço foi configurado para receber a princesa Tereza Cristina de Bourbon, a noiva de D. Pedro II, e renomeado como Cais da Imperatriz.

Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas pela Educação (UNESCO) em 2017, como sítio de memória e reconhecimento das heranças africanas no Brasil. Os painéis explicativos no local nos dão uma aula de História do Brasil. O Mercado do Valongo fazia parte de um complexo escravagista que incluía as lojas de venda próximas ao cais, o Cemitério de Pretos Novos, o Lazareto e o Cais do Valongo.

Datas: 1774-transferência do comércio de escravizados para a região do Valongo; 1811-construção do cais; 1831-desativação do cais/lei de proibição do tráfico de africanos para o Brasil; Lazareto-para onde iam os doentes em quarentena; 1774-instalado o Cemitério dos Pretos Novos. Na atual rua Pedro Ernesto, área de 90 m², o cemitério era administrado pela igreja Católica e deveria garantir o sepultamento desses africanos escravizados. O sítio arqueológico Trapiche Pedra do Sol, um quilombo, sediava a luta de resistência do povo negro herdeiro contra a invisibilidade e o racismo estrutural. 1871-Construção do Armazém Docas D. Pedro II, projetado pelo engenheiro André Rebouças, filho da eminente família Rebouças. Uma das primeiras construções brasileiras a não utilizar mão de obra escravizada.

Pequena África-um território que abrange uma parte da área central da cidade e da região portuária que vai do Cais do Valongo até a atual Praça Onze. Recebeu um milhão de africanos: homens, mulheres e crianças entre 1774 e 1831. Foi um dos primeiros locais de desembarques de africanos escravizados do mundo. Africanos: angolas, minas, benguelas, cabindas, monjolos, congos, quiloas, rebolos, moçambiques etc. Assim eram chamados, por conta de suas procedências.

Cais do Valongo2-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Segundo a Wikipédia, o Cais do Valongo é um antigo cais na zona portuária do Rio de Janeiro, entre as ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral. Foi construído pela Intendência Geral da Polícia da Corte em 1811 e desativado com a proibição do tráfico transatlântico de escravos pela Inglaterra em 1831. Durante os vinte anos de operação, se tornou o maior porto receptor da diáspora africana do mundo.

Estátuas representativas de pessoas escravizadas-Cais do Valongo-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

Em um dos totens explicativos está escrito que com as reformas urbanísticas da cidade no início do séc. XX, o local foi aterrado em 1911. Nas escavações que ocorreram durante a Operação Urbana Consorciada Porto Maravilha, em 2011, foram encontrados no atual sítio arqueológico inúmeros vestígios, dentre os quais, amuletos e objetos de uso pessoal desses homens e mulheres brutalmente retirados de suas nações, oriundo principalmente das regiões da África Central e Costa da Mina. Que aula de história mais espetacular!

Pegamos um taxista Vanderson, também guia turístico. Voltamos à Copacabana à tardinha e descobrimos perto do hotel Socialtel Copacabana o Bico Café e Bar, na av. N. Sra. de Copacabana, 1258. Pedi o sanduíche Light do Bico 32: blanquet de peru, queijo minas, ovo frito, cream cheese e alface americano, com suco/vitamina de morango, framboesa e amora, delícia. No caminho de volta ao hotel, encontramos outra lanchonete para o dia seguinte: Total Sucos, na mesma avenida, 1133. Lá vi docinhos gigantes: brigadeiros e bem-casados, fiquei tentada.

Dia muito produtivo. Mais passeios virão. Impossível não entrar na vibração de vida do carioca, ou seja, curtir a cidade nas calçadas, bares, restaurantes. Essa vibração nos contagia. Rio de Janeiro apaixonante.

O Rio de Janeiro continua lindo-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial e AquaRio-dia 2

O Rio de Janeiro continua lindo-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial e AquaRio-dia 2

Hoje é quarta-feira, dia 13 de agosto de 2025. O Carlos e eu nos sentimos ressacados da viagem do dia anterior. O café da manhã no rooftop (topo do telhado) do hotel Socialtel Copacabana nos desperta, com certeza. Nunca vi uma pintura tão bela de Copacabana como das janelas do restaurante. Um espetáculo de dia ensolarado. O clima ainda está ameno, mas vai esquentar. Rio de Janeiro no verão, nem pensar! Estamos no final do inverno. No local, muitos argentinos e vários outros grupos de turistas. O suco de morango é tradicional. O buffet é sortido, gostei do bolo de aipim/macaxeira com coco, uau!

O dia é para conhecer o Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial, localizado na av. Infante Dom Henrique, na Glória. Contratamos o taxista sr. Zé Carlos e ele nos esperou lá, pois ainda queríamos ir ao Museu do Amanhã, no Porto Maravilha.

Falando um pouco sobre o monumento. Vale a pena visitar. Achei um museu levado a sério, com tudo traduzido para o inglês. Segundo o folder, foi inaugurado em 5 de agosto de 1960 e abriga os restos mortais de 467 militares que tombaram no teatro de operações da Itália, e o nome dos 2.236 heróis da Marinha de Guerra, Marinha Mercante e do Exército brasileiro que morreram no nosso litoral durante a guerra. A autoria é dos arquitetos Marcos Konder Netto e Hélio Ribas Marinho, sendo um dos principais pontos turísticos da cidade.

Lápides dos pracinhas tombados na Itália-Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O seu idealizador foi o marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira a fim de homenagear aqueles que perderam a vida nos campos de batalha da Itália. Nas palavras do marechal: “Eu os levei para o sacrifício; cabia-me trazê-los de volta”. No Mausoléu estão sepultados os pracinhas que tombaram na II Guerra. Lá está a lápide do sargento Hermínio, cearense, bem conhecido aqui em Fortaleza. Nome completo: Hermínio Aurélio Sampaio (nascido em 17-06-1912 e morto em 12-12-1944). O Patamar abriga painéis em cerâmica em homenagem à Marinha, um jardim interior e um lago; a Plataforma compreende o Pórtico Monumental, o Túmulo do Soldado Desconhecido e esculturas homenageando as três Forças Armadas, e a Sala de Exposições exibe peças e armamentos utilizados na guerra. Para quem se interessa pela II Guerra é de uma riqueza ímpar de informações.

Do local fomos ao centro, muito trânsito. O taxista bom de papo. Descemos na praça Mauá, perto do Museu do Amanhã. Limpa, bem policiada, com lixeiras laranjas. Sempre observo a limpeza de uma cidade. Para nossa decepção, em plena quarta, o museu estava fechado. Então, rumamos ao AquaRio, amo visitar aquários. Que calor, um sol escaldante.

Estava ocorrendo um evento impactante com uma multidão: o Innovation Week, de 12 a 15 de agosto, no Porto Maravilha. E nós caminhando entre os participantes, íamos pelo calçadão. Foi uma região que de degradada virou renovada. Parabéns, Rio. Só achei o sol de matar e faltam árvores. Hora de almoçar. No caminho, encontramos o Gastronomia Itinerante Café e Restaurante, em frente aos armazéns do Innovation Week. Pequeno e aconchegante, gostamos. Pedimos o velho frango grelhado com arroz, legumes, e farofa, e suco de abacaxi. Para os dois: R$118,00 além dos cafés expressos. Que calor! Esses pequenos restaurantes e botecos são a cara da cidade. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) passa entre os galpões e o restaurante.

Continuamos a caminhada pelo calçadão no sol até o AquaRio. Endereço: Praça Muhammad Ali, Gambôa/Porto Maravilha. Entramos no prédio e descobrimos também ter o Museu de Cera Dreamland e o G1 Experience da GLOBO, no 4° andar, com 20 atrações imersivas com estúdios da emissora de TV (para celebrar os seus 100 anos). Nós decidimos somente pelo aquário (3° andar) com a atração: Mar de Espelhos (2° andar) por conta do tempo. A funcionária Keila nos atendeu na entrada. Mais de 60 anos tem desconto. Eu paguei R$108,00 por ambas as atrações. Não é barato, mas depois de conhecer o AquaRio, pensei ser válido e muito.

Espaço no AquaRio-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

De acordo com o site do AquaRio: www.aquariomarinhodorio.com.br, são 26 mil m² de área construída e 4,5 milhões de litros d´água. É o maior aquário marinho da América do Sul. São 10 mil moradores de 350 espécies do Brasil e do mundo, divididos em mais de 28 recintos, ou melhor, lares.

Vamos conhecer. Medusa que não queima e não nada. Mututuca (cobra), cavalo-marinho, moreia pintada, moreia leopardo. Que lindeza! Conchas e moluscos. Gastrópodes: lesmas-do-mar, búzios, caramujos. Bivalves: ostras, mexilhões, conchas de vários lugares do mundo. Raias vielas: grupo de tubarões, feitos de cartilagem. Baiacu mirim. Campanha intensa contra sacos plásticos. Piranhas: são detritívoras, se alimentam de restos de matéria orgânica. Por este motivo, são importantes para a manutenção da saúde dos rios da região onde existem.

Bichinho fofinho é o axolote (o “x” se pronuncia /ks/), não conhecia. É um anfíbio que permanece dentro da água. Criticamente em perigo. Se encontra no lago Xochimilco, na cidade do México, um lago poluído, sujo, um habitat fragmentado. Lá estão tilápias e carpas, espécies invasoras. O axolote é o símbolo nacional do México, presente em obras de arte, brinquedos, quadrinhos e até na nota de 50 pesos. Para o povo mexicano, ele representa identidade, resistência e a riqueza da fauna endêmica do país. É parente dos sapos, pererecas e rãs, é salamandra, não faz metamorfose. Mede cerca de 15 a 30 centímetros, pesa 125 a 180 g e vive de 8 a 10 anos na natureza. Característica neotênica, conserva as características da fase juvenil e larval ao longo da vida.

Aquário-AquaRio-Rio de Janeiro-foto tirada por Mônica D. Furtado

O aquário de peixes e arraias, e o túnel por onde passamos é entusiasmante. A seção de corais é colorida, bela, com vários tanques. Sem corais, não viveremos. O AquaRio é uma verdadeira escola da natureza. São vários vídeos de aula. Fantástico. Aprendi muito e gostei de ver os mergulhadores alimentando os peixes no grande aquário. Algo interessante sobre a imobilidade tônica para tirar sangue dos tubarões, anestesiam tocando nas terminações nervosas.

O AquaRio merece demais uma visita. Do 3° andar nos dirigimos ao 2° andar para conhecer o Mar de Espelhos. Sinceramente, não acho que foi válido. Apreciei somente a última sala com suas projeções bonitas de paisagens e figuras. Não se pode tirar fotos, a não ser a oficial. As outras salas não me chamaram a atenção.

Na entrada está o restaurante Point da Elis, para pipocas e salgadinhos. Há lojas em cada espaço, divididas. Fiquei tentada pelas camisetas, bolsas, bichinhos de pelúcia, canetas, mas tudo caro, que pena.

Em breve, mais passeios. O Rio tem muito a oferecer.

Peru surpreendente-Centro Histórico de Lima-dia 3

Peru surpreendente-Centro Histórico de Lima-dia 3

Hoje é terça-feira, dia 7 de maio de 2024. Estamos no ônibus turístico Turibus, chegamos ao Centro Histórico de Lima. Descemos na praça San Martin, de 1921, de onde faremos uma caminhada. A praça é repleta de guardas. A guia se chama Melissa, o tour é guiado. Comigo e Carlos está um grupo diversificado. Acho bom falar inglês com os dois americanos. Estamos na rua Jirón Carabaya.

Vemos o Gran Hotel Bolivar, de 1924, bonito e antigo, em frente à praça San Martin. Endereço: Jirón de la Unión, 958. O calçadão comercial e residencial Jirón de la Unión é imenso, une as duas praças principais do centro: San Martin e Mayor ou Plaza de Armas. As casas ali construídas com sacadas rebuscadas são coloniais, dos séculos XVI e XVII, já as do séc. XVIII são de estilo neoclássico afrancesado. Interessante acrescentar que as casas republicanas não têm sacadas ou balcones. Tais balcões mostravam a posição econômica da família. Pelo final do séc. XVIII, existiam uns 300 balcones. Aliás, lembra muito a arquitetura de dentro da muralha em Cartagena das Índias, na Colômbia. No séc. XX, algumas se transformaram em lojas de departamentos e restaurantes.

A Plaza de la Merced (praça da Mercê), segundo https://pinceladaslima.blogspot, é um dos lugares com mais história. Foi o primeiro local do tribunal da Inquisição e também local da declaração de Independência do Peru em 28 de julho de 1821 por dom José de San Martin. Muito se fala no melhor presidente da história do país sendo Ramón Castilla y Marquesado (1797-1867), o primeiro presidente progressista e inovador da República do Peru.

Na basílica e convento Nuestra Señora de la Merced, de 1535, vimos a Virgem de Copacabana. Lá estão os restos mortais do frei espanhol Pedro Urraca, em processo de beatificação. Era da Ordem dos Mercedários. Diz a lenda que cruzou a parede entre a igreja e a casa rosada (ativa para homens). A fachada principal data de 1614. Chama a atenção pela sua beleza. A Wikipédia acrescenta que foi construída pelo padre Pedro Galeano e o mestre de obras foi Andrés de Espinoza.

A Lima colonial do séc. XVI teve influência árabe. Vemos sorveterias, bancas e lojas de churros. A respeito da deliciosa aguardente de uva peruana e chilena: o pisco sour. O coquetel pisco sour, como conhecemos hoje, teve suas primeiras aparições documentadas no Peru dos anos 1920. Nesse período, muitos acreditam que o Pisco Sour nasceu no famoso “Bar Morris” em Lima, fundado por Victor Vaughen Morris, um barman americano. Inspirado pelo clássico Whiskey Sour, Morris teria adaptado a receita usando pisco, criando uma bebida refrescante e única. Gradualmente, bartenders peruanos aperfeiçoaram a receita, e o Pisco Sour se consolidou como parte da cultura peruana, conforme o Blog WebBar em a Origem do Pisco Sour: O Coquetel Que Divide o Peru e o Chile. A guia Melissa reportou algo diferente, disse ter sido criado no hotel Maury (endereço: Jirón Ucayali, 201), mas que foi o Gran Hotel Bolivar que ganhara a fama.

Plaza Mayor-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Plaza Mayor (praça Maior), espaço público que por motivos de manifestações estava fechado ou havia alguma reunião importante no Palácio do Governo. O calor está grande. Há jardins diversos, árvores, fonte de água no centro da praça. Tudo bem cuidado, amplo, belo. Segundo a Wikipédia, originalmente a Plaza Mayor era rodeada de casario simples de comércio. O site https://guia.melhoresdestinos.com.br adiciona que a Plaza de Armas (praça de Armas) foi onde Francisco Pizarro fundou a cidade de Lima em 1535. Durante a era colonial foi palco de touradas, execução de condenados pela Inquisição Espanhola, declaração de Independência do Peru em 1821, além de ponto de encontro de movimentos libertários a favor da república. Tem mais: o nome Plaza de Armas, normalmente usado em praças de urbanismo espanhol, foi gradualmente substituído por Plaza Mayor durante o período colonial. Este último refletia a identidade da nova cidade de Lima. É ponto de referência para vários locais turísticos, como a Catedral, o Palácio do Governo, o Palácio do Arcebispo, a Casa do Ouvidor e até o Complexo de São Francisco de Assis, que está próximo.

A Wikipédia nos conta que a Catedral Metropolitana de Lima, cujo estilo é neoclássica e renascentista, é Patrimônio da Humanidade. A construção começou em 1535 e teve como arquiteto Francisco Becerra. De acordo com o Google, os restos mortais de Pizarro estão localizados na Catedral de Lima, em uma capela especialmente dedicada a albergar seus restos. Essa ubicação cumpre com sua última vontade, expressa em seu testamento, de ser enterrado na catedral da cidade que fundou. O site www.cuscoperu.com nos esclarece que é monumento de grande beleza arquitetônica e importância histórica, refletindo a influência da arte religiosa na capital peruana. Situa-se na Plaza de Armas. Museu e igreja. Custa 30 soles PEN. Em reais R$45,89.

Francisco Pizarro (1476-1541) é personagem histórico. A Wikipédia nos informa que foi um conquistador e explorador espanhol que entrou para a história como o “conquistador do Peru”, tendo submetido o império Inca ao poderio espanhol. Lima foi nomeada de Cidade dos Reis por ele.

A La Casa de Gastronomia Peruana é um museu que mostra a história, origens e comida fusión que dá o título a Lima de “capital gastronômica da América Latina”. Inaugurado em 2011 no antigoPalácio dos Correios, tem por endereço Calle (rua) Jirón Conde de Superunda, 170, ao lado da Plaza Mayor. O chef Gastón Arcurio é venerado, possui restaurantes pela cidade e influencia a culinária peruana. Em Lima, uma simples salada é espetacular.

Convento de Santo Domingo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Convento de Santo Domingo. A visita: 15 soles PEN (R$22,94), já pago pela Turibus. Fundada em 1535 que foi aumentando de tamanho ao longo do tempo. O primeiro monastério. La Casa de Santos Peruanos (e santos da América). Santa Rosa de Lima, patrona da América, Filipinas e colônias espanholas. A arquitetura do monastério com influência mudéjar árabe. Madeira da América Central, o convento ativo, casas para famílias pobres, colégio Santo Tomas de Aquino. Em 1550, segundo a Wikipédia, as ordens religiosas dos dominicanos, mercedários, franciscanos e outras já atuavam no país a todo o vapor.

A primeira santa das Américas foi Rosa de Lima (1586-1617). Dos 5 santos, 3 eram espanhóis e 2 peruanos. Três estão enterrados no convento, um deles é Santa Rosa de Lima que curava com as mãos, tinha 31 anos de idade quando faleceu de aneurisma da aorta, e teve um milagre comprovado na Europa, conforme a guia. A Wikipédia adiciona que é a padroeira do Peru, foi canonizada em 1671 pelo papa Clemente X, era mística da Ordem Terceira Dominicana e patrona dos floristas, e pessoa de extrema beleza. Sugiro a leitura de Rosa de Lima – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Biblioteca do convento de Santo Domingo-Lima-Peru-foto tirada por Mônica D. Furtado

Os claustros do convento de Santo Domingo datam de 1604/1606. O primeiro andar é original. A biblioteca tem mais de 25 mil livros, foi construída no segundo andar, mas se mudou para o primeiro. Várias línguas nativas se encontram em materiais escritos, inclusive em aimará. Os missionários aprenderam as línguas para evangelizar. A primeira universidade das Américas: Universidade Nacional Maior de São Marcos, de 1551. Foi fundada a mando do rei Carlos I da Espanha.

Do Peru também saiu o primeiro santo mulato da América do Sul: São Martinho de Porres (1579-1639). Também dominicano, era conhecido como o santo da vassoura, é o padroeiro dos barbeiros e cabeleireiros. Foi canonizado em 1962 pelo papa João XXIII. Vale a pena ler sobre a vida dele em São Martinho de Porres, o santo da vassoura – 3 de Novembro.

Todas as igrejas coloniais tinham espaços funerários. A catacumba era só para os religiosos. O frade São Martinho de Porres trabalhava no convento. Sala Capitular, Santos Peruanos. Cripta Santa Rosa de Lima, canonizada em 1617. Depósito de ossos. É um cemitério, na verdade, tem 2 metros de profundidade, tumbas de quinze pessoas, três séculos.

Saímos do local, era nossa última parada, estamos no momento na Alameda Chabuca Grande, muito sol do lado de fora. O centro de Lima é Patrimônio Cultural da UNESCO desde 1991. Muitas mulheres como policiais de trânsito.

Chegando a Miraflores, o clima melhora, esfria. Incrível. Passamos pela Embaixada do Brasil, formosa, com um terreno verde. Vemos um supermercado Tottus. De volta ao shopping Larcomar. A praça de alimentação Salazar fica embaixo, pedimos o prato do dia no Pucu Sana: aeropuerto de langostino mais a bebida chicha morada (com ervas, refrescante, parece o aluá cearense). Aeropuerto de langostino é feito de camarões, ovos, arroz, macarrão, cebolinhas, brotos de soja e molho de soja, salteados no wok (tipo de panela/frigideira). 33 soles PEN (R$50,71). Detalhe: todos os restaurantes têm o prato do dia. O IVA é 18%.

Pós-almoço, comprei canetas na loja Miniso, muito legal. E no guichê King Kong, adquiri produtos parecidos com biscoitos doces recheados de lúcuma, maracujá e graviola, por 5,50 soles PEN (R$8,45). Boa lembrança do Peru. Para completar, um café e um muffin de chocolate no Lucio Caffé. O melhor muffin, um bolinho, que já degustei, vem quente e o chocolate derrete por dentro. Amo.

Vamos caminhando até o hotel Ibis Lima Miraflores. O centro com sol é “abafado”, a gente “bronzeia” o rosto, já em Miraflores o clima é outro. A névoa é uma constante em certas horas e a quantidade de árvores ameniza a temperatura, além da proximidade do mar. Um alívio.

Continuaremos o passeio no bairro Barranco…

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Lisboa-Portugal-2024-dia 9-Museu Arqueológico do Carmo

Hoje é dia 11 de abril de 2024, último dia em Lisboa. O Carlos e eu só temos a manhã para ainda fazer algum passeio.

Fomos ao Largo do Carmo a pé, bem perto do hotel Borges Chiado. A intenção era conhecer o Museu Arqueológico do Carmo com a igreja que arriou no terremoto de 1755. Muito interessante as paredes da igreja, a gata mascote do museu, sarcófagos, lápides, túmulos, sendo um deles uma cópia do de Nuno Álvares Pereira. Há filmagens sobre o terremoto na parede em línguas diferentes.

Um pouco de história: a igreja do Convento do Carmo foi mandada construir em 1389 por D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável (antigo comandante do exército, segundo o site http://www.infopedia.pt). Ao longo dos séculos foi constantemente enriquecida com novas capelas e obras de pendor artístico e religioso. No dia 1° de novembro de 1755, os efeitos do terremoto de Lisboa provocaram a derrocada de quase todo o edifício. O incêndio que seguiu completou a destruição. A sua reconstrução inicia-se em 1756, mas as obras foram interrompidas, e no século XIX, sob a influência do Romantismo, decidiu-se não construir o resto do edifício. Em 1864 foi instalado neste espaço um dos primeiros museus de Arte e Arqueologia de Portugal, com coleções de peças recolhidas de antigos mosteiros, de Arqueologia Pré-colombiana, e artefatos da Pré e Proto-história de Portugal.

Na sala 1 do museu, encontram-se artefatos dos mais remotos habitantes do território português, tais como lascas do Paleolítico Inferior e Médio, um notável vaso do Neolítico Antigo, entre outros objetos provenientes de sepulcros megalíticos e de um povoado do Neolítico Final. De épocas mais recentes, destacam-se os conjuntos e artefatos dos povoados calcolíticos de Pedra do Ouro e Pragança, bem como diversos achados isolados da Idade do Bronze e da Idade do Ferro. O núcleo mais importante é o proveniente de Vila Nova de São Pedro (Azambuja). A grande abundância e variedade de artefatos e restos de alimentos, encontrados nesta complexa fortificação, mostram que foi construída e habitada, entre cerca de 3200 a. C e 1500 a. C, por pequenas comunidades agropastoris, já conhecedores da metalurgia do cobre.

Na sala 2, vemos em exposição um conjunto de obras com cronologia compreendidas entre a época romana e o domínio islâmico do território português. De grande valor histórico, documental e artístico são as três peças representativas da arte moçárabe de Lisboa: o friso dos Leões e os dois pilares decorados com medalhões vegetalistas e grifos.

Na sala 5 está escrito: a memória do fundador da igreja e convento do Carmo, D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431), condestável e mordomo-mor do reino, encontra-se presente nesta sala através de uma estátua de vulto que o representa, da réplica do seu túmulo e ainda da maqueta da igreja do Carmo. As escavações arqueológicas realizadas em 1996 e 2008 neste edifício trouxeram à luz do dia um conjunto de objetos que testemunham a vivência quotidiana do convento ao longo dos séculos. Aqui estão expostas imagens dos santos, fragmentos de escultura e arquitetura retabular e ainda um importante acervo de inscrições epigráficas medievais. Merecem ainda especial destaque as quatro placas de alabastro, oriundas das conhecidas oficinas inglesas de Nottingham (século XV). Exibem-se ainda painéis de azulejos setecentistas, alusivos a cenas da Paixão de Cristo (dando continuação aos painéis da sala 4) e vários exemplos de azulejos hispano-árabes.

Vemos o túmulo do rei D. Fernando I, do séc XIV, do Convento de São Francisco de Santarém. Esculpido em relevo, apresenta na testeira, cenas da vida e milagres de São Francisco de Assis. Nas restantes faces da arca e da tampa, os escudos de Portugal e dos Manuéis, figuras religiosas e laicas, bem como um conjunto de seres fantásticos e um alquimista no seu laboratório.

Que visita mais valiosa, saímos deslumbrados. Lisboa é uma festa, globalizada, movimentada, atraente. Acidade homenageia seus heróis em placas em lugares diferentes. Acho isso bonito.

Pagamos €40 euros pelos cafés da manhã. O hotel Borges Chiado cobra. Compramos para levar ao aeroporto pastel de natas e uma empada grande na lanchonete Vitaminas. Sempre nos preparamos com algo para comer em aeroportos.

Estávamos prontos no hotel pelas 11 horas, porém o motorista do transfer nos deixou na mão, a desculpa foi ser difícil estacionar ali perto do hotel por ser um calçadão, isso bem é verdade, porém poderia ter parado nas ruas laterais. Então, uma hora de espera depois, os atendentes do hotel nos ajudaram e pediram um táxi (do sr. João) que nos salvou a não perder o avião. Bom papo. Foram €17 e deu certo. Voamos pela TAP: Lisboa-Fortaleza. De volta, fomos ressarcidos pelo nosso agente de turismo Dennis. Coisas que acontecem a viajantes.

Fim de uma viagem fascinante e com vontade de quero mais. Saudações aos queridos amigos e amigas da boa terra de Portugal.

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 2

Hoje é dia 10 de abril de 2024 e continuamos em Sesimbra. Pós-almoço no restaurante O Canhão perto da Fortaleza de Santiago, decidimos passear pela cidade. A Capela do Espírito Santo dos Mareantes, localizada na rua Cândido dos Reis, 17, só abre às 14 h. Não conhecemos. Estamos na freguesia de Santiago.

Sesimbra é um lugar pacato e pequeno, todo mundo se conhece, pelo que percebi. São três freguesias, ou seja, subdivisões dos municípios: Castelo, Quinta do Conde e Santiago (sede). E praias diversas, como de Alfarim, da Baleeira, da Mijona, da Pipa etc.

A construção da Capela da Santa Casa de Misericórdia iniciou no séc. XVI, ao longo dos séculos teve muitos melhoramentos e possui estilos barroco, manuelino, maneirista, joanino, dentre outros. Velórios de habitantes da cidade ocorrem lá. Situa-se à Rua da República, 36.

Na praça com um pinheiro gigante e jardins ali ao lado da capela, pegamos um táxi com o Miguel para o Castelo de Sesimbra ou Castelo dos Mouros por €10 euros por pessoa. É uma viagem distante e com subidas. A freguesia do Castelo é enorme. O cemitério lá embaixo não se usa mais, as pessoas traziam o morto em uma carroça a mão, incrível por ser um local alto e longe. Eis a igreja onde ocorriam os velórios antigamente: Igreja N. Sra. do Castelo ou N. Sra. da Assunção ou de Santa Maria do Castelo, toda no azulejo branco e azul, datada de 1165. Segundo a Wikipédia, deve ser apreciado com atenção a beleza e história dos azulejos do séc. XVIII. O altar no ouro é um deslumbre.

O visual lá de cima é digno de nota, o taxista Miguel nos deu aula sobre azeites e oliveiras da região.

O mar vai até o rio Tejo. Muito verde, casas magníficas, cabo Espichel, região agrícola, pesqueira, ventosa (perto do oceano Atlântico com mais de mil metros de profundidade). A Wikipédia esclarece que o cabo, a oeste da vila de Sesimbra, marca a extremidade sudoeste da península de Setúbal. Do local, vislumbra-se a vertiginosa e abissal baía dos Lagosteiros. A Ermida da Memória é situada no local, sendo o elemento mais antigo do santuário.

O site bootraveller.com nos conta que existe uma lenda antiga nesse local, proferida por frei Agostinho de Santa Maria que afirmava que N. Sra. apareceu na baía dos Lagosteiros montada numa mula gigante, subiu rocha acima, firmando as mãos e os pés na rocha, à medida que subia, ia deixando seus vestígios. A lenda diz que no local foi edificada a Ermida da Memória, paragem de N. Senhora. As marcas, na verdade, são de dinossauros.

Tem aqueduto e farol. A Wikipédia nos diz que a Casa da Água, edifício terminal do aqueduto abastecia o Santuário do Cabo Espichel ou de N. Sra. da Pedra da Mua, inserido no parque natural da Arrábida, localizado no cabo Espichel.

Vimos as casas dos romeiros ou Casas dos Círios, que fazem parte do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. O site bootraveller.com nos informa que é o primeiro edifício que vemos ao chegar ao lugar. As antigas hospedarias têm atualmente portas e janelas fechadas com cimento para impedir as ocupações ilegais, ao centro, numa simetria perfeita temos o santuário. O taxista nos informa que lá aconteciam festas, casamentos, vida em comunidade.

Conforme a Wikipédia, a Igreja N. Sra. do Cabo Espichel foi edificada no séc. XVIII, com traça atribuída ao arquiteto real João Antunes. Integra o conjunto arquitetônico do Santuário de N. Sra. do Cabo Espichel.

O penhasco atrás da igreja, lugar que pessoas vinham se suicidar até de carro, por isso é proibido passar e tem barreira.

No Miradouro do Monumento Natural dos Lagosteiros encontram-se as pegadas de dinossauros na rocha, conhecida como Pedra de Mua, que tem origem vucânica. De acordo com o site bootraveller.com, no local existe uma placa interpretativa que se encontra vandalizada que falava sobre as pegadas de dinossauros existentes e que são visíveis (com alguma imaginação). Transição do período Jurássico Superior para o Cretássio Inferior. Pegadas pertencentes a saurópodes e terópodes. Estes vestígios permitiram novas conclusões no campo da paleontologia.

Os vinhos alentejanos por causa do calor têm o grau alto. Passamos na volta por Azoia, um vilarejo com casas brancas por causa do calor, cultura típica portuguesa. Queijo de Azoia, de Azeitão e da Serra da Estrela são queijos amanteigados portugueses. Deliciosos.

No final, pagamos €28 euros ao Miguel, foi merecido, mais €4,50 para o ônibus 3721 a fim de retornar a Lisboa.

Detalhe histórico, segundo a Wikipédia: no ano de 1534, a segunda esposa de Henrique VIIIAna Bolena, Rainha de Inglaterra, deu ordem para serem deitadas ao mar todas as imagens sagradas, devido às lutas religiosas tidas. Julga-se que terá sido esse o início da lenda e da crença no Senhor Jesus das Chagas. Mas o mar tem das suas, e a imagem de Jesus crucificado apareceu na praia de Sesimbra. O povo desde logo apadrinhou o Senhor Jesus das Chagas como padroeiro dos pescadores e do povo de Sesimbra. Essa devoção está bem viva há mais de 500 anos, e os sesimbrenses prestam assim homenagem ao seu protetor todos os anos a 4 de Maio.

De volta a Lisboa, chegamos exaustos e ainda fizemos pequenas compras. Para jantar, a nossa lanchonete escolhida Vitaminas: empada de frango, purê de banana com iogurte e cereais, e suco de abacaxi com hortelã. Rua Garrett, 69/71.

Que dia mais empolgante!

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Lisboa-Portugal-2024-dia 8-Sesimbra 1

Hoje é dia 10 de abril de 2024. O café da manhã do hotel Chiado Borges de novidade compotas de abacaxi e pêssego com pouco açúcar. No mais, o de sempre. Todo hotel é assim, em geral, o café fica repetitivo. Perto poderíamos tomar o pequeno almoço, como chamam, e mais barato, já que no hotel nos cobram, porém dava preguiça de sair e comer menos.

A ideia do dia é conhecer Sesimbra, cidade litorânea, distante 40 km de Lisboa, pertencente ao distrito de Setúbal, antiga província de Estremadura. Ouvi falar pelas amigas portuguesas Luísa e Inês, quando lá foram veranear, vindas do norte do país. Saudações, amigas queridas.

Entramos na estação do metrô Baixa-Chiado e haja escadas, a escada rolante para descer não estava funcionando, a de subida estava. €2,30 (euros) o tíquete no guichê mais o cartão, devemos recarregar depois. São 7 paradas até o Jardim Zoológico/estação de ônibus Sete Rios, onde pegaremos o ônibus para Sesimbra. O assento do metrô imita a cortiça, nas costas também, em vermelho e cortiça. Muito giro, como dizem. Gostei.

Alcançamos o Terminal Sete Rios, achei mal sinalizado. O lugar do ônibus para Sesimbra não era dentro, tivemos que dar mil voltas até encontrar a parada do lado de fora, olhando para o Jardim Zoológico, do outro lado da avenida Gulbekian. Na verdade, é Sete Rios P3-Sesimbra (terminal), companhia Carris n° 3721, estação Campolide. Felizmente, sempre há quem ajude. A passagem é €4,50 em moedas. Está explicado porque Sesimbra não é muito conhecida, porque é uma aventura chegar, só nós mesmos. O ônibus a gás natural partiu às 9h45.

Agora, relaxar e ver a paisagem. Estamos passando pela ponte 25 de Abril, temos um visual bonito de Lisboa. Veremos a estátua do Cristo Rei do outro lado do rio Tejo mais de perto. Setúbal do outro lado. Para um lado da estrada Sesimbra/Seixal, de outro Sesimbra/Azeitão. Nas paradas de ônibus, informações pertinentes, bem organizado. Continuamos Sesimbra/Santana. Tudo verde, que país mais arborizado!

A velocidade na estrada é de 50 km/h e vemos casas, lojas de automóveis, de cerâmicas etc.

Chegamos a Sesimbra, descemos no Terminal Carris em frente à Biblioteca. Estamos na pedonal/calçadão. Vamos logo tomar um café na pastelaria O Caseiro, na Av. da Liberdade, 15, repleto de gente. Peço um doce: farinha torrada, típico do local. Muito bom, pouco doce com gosto de chocolate e limão. Onde vamos há europeus “turistando” e aqui vemos o legítimo português.

A praia nos chama, descemos até ela. Que lindeza! O sol escaldante, a cidade muito clara, tem que usar óculos escuros. Tem cheiro de peixe, clima praiano, mar calmo, uma esplanada para as caminhadas, hotéis à beira mar e restaurantes diversos. Agradável de se estar e sentir o momento. Prédios simpáticos e de poucos andares na orla, do jeito que gosto. Sesimbra tem a maioria das casas e edificações de cor branca e telhados vermelhos.

Entramos no Museu Marítimo de Sesimbra dentro da Fortaleza de Santiago, logo ali. Era a casa do governador. À época, o rei de Portugal era D. Carlos I (1863-1908) e D. Amélia (1865-1951), ele era próximo da comunidade pesqueira e fez expedições oceanográficas. Na placa na frente do museu, está escrito Carlos de Bragança “O Rei Pescador”. Herda de seu pai, D. Luís, o “Rei Marinheiro”, a paixão pelos assuntos do mar, o que irá justamente refletir na sua obra artística e científica. No campo das artes plásticas, tinha dotes de aquarelista (utilizando também o pastel e o óleo) e de desenhista; e obteve êxito na área da ornitologia e oceanografia, dentre outros muitos talentos.

Um pouco de história com a Wikipédia: Carlos I foi aclamado rei em 28/12/1889 e teve a presença de seu tio-avô Pedro II, imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Foi casado com a francesa Amélia de Orléans, filha primogênita de Luís Filipe, Conde de Paris (pretendente ao trono da França).

O museu mostra o mobiliário da época, altar de madeira, Chincha ou Arte de Comeiro (Xávega), de 1462, uma técnica de arrastão sobre a arte da pesca de sardinha e carapau. A respeito da indústria conserveira datada de 1896, existiam três fábricas de conservas na cidade. O período mais expressivo foi das fábricas de conserva em azeite na I Guerra Mundial e final da década de 1920 do séc. XX.

Mostra as técnicas de pesca de robalos, pargos, peixe-espada que eram colocados no areal para a venda até os anos 1970. A barca de Sesimbra e aoila (3,30 m de comprimento e 1,52 m de boca): duas embarcações de pesca características até meados do séc. XX. Os barcos de Sesimbra descobriram o mundo. A construção de barcos remete a 7/4/1410, do deão de Coimbra, D. Álvaro Afonso, que menciona os dízimos a pagar pelos calafates e carpinteiros que construíram os barcos.

Em uma sala, a religiosidade dos pescadores. Culto a Santa Maria do Cabo Espichel, do séc. XVII/XVIII. Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Boa Viagem. Sala da Memória, Identidade e Comunidade. Mais escadas em curva se abaixando e saímos na parte de cima da fortaleza, um cenário deslumbrante. Valeu o passeio. Lembrei do Museu do Mar de Parnaíba-Piauí.

Hora do almoço. Descobrimos ali perto o restaurante O Canhão. Robalinho com batatas e legumes salteados para mim, e para o Carlos, bacalhau assado com o refrigerante Ginger Ale, nossa paixão, e vinho verde Azevedo (da região do Minho), perfeito. De entrada nos ofereceram azeitonas e queijo de ovelha cremoso de Azeitão (da região) e pão português. O garçom João Paulo, uma simpatia, conhecedor de Londrina-Paraná. Que refeição deliciosa! Pagamos €50 com a taxa de serviço.

Em breve, prosseguiremos com mais passeios nesta cidade praiana e ensolarada.

Lisboa-Portugal-2024-dia 5-Viagem a Fátima, Batalha, (Nazaré e Óbidos)

Lisboa-Portugal-2024-dia 5-Viagem a Fátima, Batalha, (Nazaré e Óbidos)

Hoje é domingo, dia 7 de abril de 2024. Vamos em excursão de um dia às cidades de Fátima, Batalha, Nazaré e Óbidos, nós já conhecíamos, mas o Carlos queria conhecer melhor o Mosteiro de Batalha, aí depois de muitas pesquisas, chegamos à conclusão que valia pegar um bate e volta desses. Por €89 (euros) por pessoa, pagamos para a atendente Patrícia no balcão do hotel Borges Chiado um dia antes.

O motorista Francisco, da empresa Seven Tours e Transferes Lda., nos apanha no hotel e vamos acompanhados de três brasileiras em uma Sprinter. Ficaremos em Fátima 1h15 min, em Batalha 30 min, em Nazaré 2 h, e em Óbidos 1h30 minutos. Na autoestrada, há paredões para as pessoas não atravessarem, vi isso em Viena-Áustria também. Acho correto, pois cruzamos cidades e eles evitam acidentes.

Passamos por Santarém, Castelo das Torres Novas e por dois pedágios. A estrada é um tapete. Entramos em Fátima, uma preciosidade de cidade, com prédios baixos e jardins, rosas nos canteiros e paralelepípedos nas ruas. Muitos comércios de itens religiosos.

O ônibus nos deixa perto do Santuário de Fátima. Visita iluminada com missa na Capelinha das Aparições às 10 h, compramos velas por 1 euro e fizemos nossa oração. Saímos rumo ao santuário. No espaço todo, uma multidão. Trata-se de um lugar emocionante, ladeado pela Colunata, que integra uma Via sacra em painéis em cerâmica.

Segundo a Wikipédia, é formalmente intitulado pela igreja Católica como Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. Santuário mariano dedicado à N. Sra. de Fátima, localizado no lugar da Cova da Iria, na cidade de Fátima, município de Ourém. É um dos mais importantes santuários marianos do mundo e o maior destino internacional de turismo religioso, recebendo cerca de 6 milhões de visitantes por ano. A sua edificação se iniciou em 1919 com a construção da Capelinha das Aparições.

No santuário, vimos os túmulos de Jacinta e Lúcia lado a lado e na frente o de Francisco. Jacinta e Francisco eram irmãos e primos de Lúcia, os pastorinhos que viram Nossa Senhora de Fátima na Cova da Iria. O local é imenso, há uma igreja mais recente, a Basílica da Santíssima Trindade (que integra o edifício principal e os espaços subterrâneos da Galilé dos Apóstolos São Pedro e São Paulo e capelas anexas), e no pátio, perto da Cruz Alta, a praça do papa João Paulo II (santo) onde se encontra a estátua dele, a praça de Paulo VI com a sua estátua fica próxima. Há muito a conhecer: os lugares de culto, a Colunata, estátuas, monumentos, áreas subterrâneas, porém o tempo é pouco.

De lá, demos uma parada no Centro Comercial Fátima (Estrada de Leiria, 108), onde achei tudo bem mais barato. A loja é gigantesca e ganhamos uma lembrancinha ao comprar.

Rumo à Batalha. Covão da Carvalha, Vale da Quebrada. Região verde com oliveiras e eucaliptos. Estrada sinuosa. Requengo do Fetal. Zona rural, pequenas vilas adoráveis, muito verde. Casas grandes. Celeiros. Há muita reciclagem no país. Casal do Quinta.

Chegamos ao Mosteiro de Batalha ou Santa Maria da Vitória. Uma campanha de outdoor na cidade: “Agarre a vida, largue o telemóvel.” Genial. O mosteiro é em homenagem à batalha de Aljubarrota, ocorrida em 1385. A estátua do general Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável (título do primeiro oficial da coroa portuguesa que tinha o comando de todo o exército) está do lado de fora.

Conforme o site visitportugal.com, do local onde se ergue o Mosteiro da Batalha ocorreu em 14 de agosto de 1385 um acontecimento decisivo para a consolidação da nação portuguesa: D. João, Mestre de Avis e futuro rei de Portugal, venceu os exércitos castelhanos na batalha de Aljubarrota. Essa vitória pôs termo a uma crise dinástica que se arrastava desde 1383, quando da morte do rei D. Fernando, cuja única filha (D. Beatriz) era casada com o rei de Castela (na Espanha), pretendente ao trono de Portugal.

O site continua: D. João dedicou o mosteiro à Virgem Maria, que havia invocado para que intercedesse pelo seu triunfo, e doou-o à Ordem Dominicana, à qual pertencia seu confessor. Esta foi a razão de ser do nascimento de uma obra cuja construção se prolongou por quase dois séculos e que resultou num dos mais fascinantes monumentos góticos da Península Ibérica. A construção do mosteiro corporizou também a consagração de D. João I como rei de Portugal, assumindo-se assim como símbolo da dinastia e legitimada pela vontade divina.

A nave central do mosteiro se eleva a 32,5 m de altura e se apoia sobre oito colunas de cada lado, e tem 80 m de comprimento. Na igreja, a visita é livre. É Monumento Nacional desde 1907, Panteão Nacional desde 2016 e Patrimônio da Humanidade desde 1983. Por conta de um evento militar e de ex-combatentes, não pudemos visitar o claustro Dom Afonso V, estava fechado por 1 h e meia, e era pago. O primeiro-ministro e o presidente de Portugal estavam presentes, logo a segurança estava reforçada. Só deu pra visitar a Sala do Capítulo, o Panteão e o interior da igreja. De acordo com a Wikipédia, panteão significa um mausoléu que abriga os restos mortais de diversas pessoas notáveis. No panteão está o túmulo do rei Dom João I (1357-1433) e de D. Filipa de Lencastre (inglesa-1360-1415).

O site tigets.com acrescenta que o mosteiro alberga o mais importante núcleo de vitrais medievais portugueses, que podem admirar na Capela-mor e na Sala do Capítulo. Há ainda capelas e claustros, e se visita o dormitório, o refeitório e a cozinha do mosteiro.

Seguiremos com a cidade de Nazaré e Óbidos.



Montevidéu-Uruguai-2023-dia 7-Fortaleza del Cerro de Montevideo

Montevidéu-Uruguai-2023-dia 7-Fortaleza del Cerro de Montevideo

Hoje é segunda-feira, dia 24 de abril de 2023. Incrível que a gente achava que era o dia da viagem de volta ao Brasil. Fomos checar, aí descobrimos que seria no dia seguinte e que estávamos “trelelé” da cabeça. Tudo bem, relaxamos e decidimos conhecer a Fortaleza do Cerro de Montevidéu ou Fortaleza General Artigas, onde se localiza o Museu Militar desde 1916.Endereço:Jose Battle y Ordonez, 12800.

Fomos de Uber e nos dirigimos ao cerro, uns 1000 pesos uruguaios (R$140,50) de ida e volta, lugar bem longínquo. O motorista Marcelo nos dá dicas valiosas sobre a cidade. O monte tem 134 metros acima do nível do mar, está no bairro Casabó. Ele não sabe como o Uruguai sobrevive sem petróleo e indústrias, somente com serviços e pecuária. Disse que deveríamos conhecer Cabo Polonio, distante 260 km de Montevidéu. É um balneário rústico, sem luz, interessante e receptivo a turistas do mundo todo pela sua beleza e natureza exuberante e inóspita.

Falemos sobre o cerro. O Museu Militar vale a pena conhecer, mostra batalhas importantes, armas, generais, canhões, e muita história sobre a fundação de Montevidéu, a declaração de independência do Uruguai em 25 de agosto de 1825, mapas etc. O mirante da fortaleza nos proporciona um cenário grandioso da baía de Montevidéu, com o rio da Prata embaixo e a cidade de Montevidéu do outro lado. Também se vê o porto e a refinaria de lá. A dica foi da Shame, atendente do hotel América.

Para chegar no local, tem que tomar cuidado, pois não é um bairro tão policiado. A fortaleza por ser área militar, sim. Melhor não ir de ônibus.

A Fortaleza del Cerro foi construída na pedra em 1809 e fundada pelo governador Francisco Xavier Elio. Ali estava a Guarnição Real Corpo de Artilharia. Segundo a Wikipédia, em posição dominante sobre o monte mais elevado da região, tinha como função a defesa do povoado e seu porto, à margem esquerda do rio da Prata. Trata-se da última fortificação espanhola construída no Uruguai. É um Monumento Nacional desde 1931.

O Marcelo ficou nos esperando e ao sairmos, retornamos ao centro direto para almoçar no El Fogón (rua San José,1080). Eu escolhi tilápia com legumes ao vapor, regada ao vinho jovem Cabernet Franc tinto, da Bodega Tomasi (Região Vinícola Atlântica Lomas de la Paloma/Rocha) e o Carlos: entrecôte bovino com salada, e de sobremesa: sorvete de limão com creme. O garçom Luís muito solícito, queria aprender português. Muito bom almoço, bem servido e tratamento de primeira.

Passeamos à tarde pelo centro. Não se veem fios elétricos nas ruas, por isso as árvores altas. A cidade fica bem mais agradável e bucólica. Perto do hotel América está a Passagemdos Direitos Humanos com o Palácio dosTribunais de um lado e a Suprema Corte do outro. Na avenida 18 de Julho, 1249, paramos no Bar Facal para um café expresso, detalhe: 110 pesos, ou seja, R$15,43. Ali fora está a Fonte dos Cadeados (Fuente de los Candados), local dos românticos frequentadores que colocam cadeados para ter um amor duradouro. Na rua Paraguay, descobrimos o Mercado dos Artesãos, onde indico a lojinha Caravanas com bijuterias originais, aliás, que mercado mais deslumbrante. São os mesmos artesãos do Mercado do Porto. Gostei, artesanato de alto nível, muitos feitos em vidro e osso.

Na praça de Cagancha ou Liberdade, demos uma parada. Para jantar, sanduíches e suco de laranja no Bar Hispano (San José, 1050) com os garçons Eduardo e Gustavo. Ficaram nossos “chapas”.

Dia 25 de abril de 2023. Dia da partida para Porto Alegre-Rio Grande do Sul. Às 12 h o transfer para o aeroporto nos pegou. Fizemos outro passeio pelas ramblas. O motorista Eduardo foi um ótimo guia, aliás, como gostam de nos contar detalhes. A música candombe nasceu no bairro Cordón. A praia Ramirez foi a primeira praia a ser frequentada pelas pessoas que logo depois tomavam chá no Parque Hotel de Montevidéu, de 1909 (hoje sede do Mercosul desde 1997). O bairro Pocitos é uma Copacabana pequena. Depois vem Buceo. Nas ramblas não se aceitam ambulantes. Passamos pelo museu Oceanográfico (Rambla República de Chile, 4215). A ilha das Gaivotas, uma reserva natural. Na praia Malvín se localiza a Casa de Veraneio de Carlos Gardel, Villa Yeruá, hoje museu (Rambla O´Higgins Rimac). Os bairros à beira rio são charmosos. Não se podem construir prédios altos.

Em Punta Gorda se encontram residências bem cuidadas, protegidas, a arquitetura é europeia. Carrasco é a região mais cara da cidade. No séc. XIX era um balneário como Punta del Este é hoje. Era um bairro privado, só entravam pelos portões de Carrasco. Depois o bairro foi crescendo com a venda dos terrenos. O hotel Sofitel Montevideo Casino Carrasco & Spa é um deslumbre. Carrasco é pensado, planejado com parques, árvores, flores, beleza. Vemos o parque Roosevelt no caminho do aeroporto. No aeroporto pediram comprovante de vacina da COVID-19. Havíamos comprado empanadas no centro por garantia.

Chegamos a Porto Alegre-Rio Grande do Sul, meus pais estavam lá. Na quarta, fomos ver a tia Rita no bairro Agronomia, e à tarde passeamos pela praça Comendador Souza Gomes no bairro Tristeza. De triste não tem nada, é alegre e movimentado. Lá nos deparamos com uma feira de verduras, cucas e produtos feitos e plantados pelos agricultores. Fiquei com água na boca. A confeitaria Bassani é uma tentação, antesera o café Itália (Praça Comendador Souza Gomes, 15). Passear pelas casas ao longo do rio/lago Guaíba é um cenário e tanto. As fotos com os barcos velejando viram poesia. Na confeitaria Rony Francês, as tortas são tentadoras (av. Wenceslau Escobar, 2389). À noite pizza com a família e amigos Isa e Fernando na Don Matraconni Pizzeria (av. Wenceslau Escobar, 2320, loja 6). Bom demais estar com os familiares do RS e casal amigo. A Zona Sul do Portinho é uma festa.

No dia seguinte, retorno a Fortaleza. Uma baita viagem. Uruguai, país pequeno, organizado, letrado, bonito e com um povo muito querido. Além de Porto Alegre e Gramado no Rio Grande do Sul, foi uma jornada gastronômica com muito vinho e encontros carinhosos.

Montevidéu-Uruguai-2023-passeio nas Ramblas, shopping Punta Carretas e Memorial do Holocausto do Povo Judeu-dia 4

Montevidéu-Uruguai-2023-passeio nas Ramblas, shopping Punta Carretas e Memorial do Holocausto do Povo Judeu-dia 4.

Sexta-feira, dia 21 de abril de 2023. Dia de passeio em Montevidéu nas lindas Ramblas, a beira rio (rio da Prata) deles. Mais parece uma beira mar, na verdade, por ter praias pelo caminho. Fomos a pé saindo do hotel América (rua Rio Negro, 1330), com o sol o calor aumentava. E a gente vai tirando casaco e roupas de lã.

Rumamos até a Playa (praia) Ramirez. Praia com areia escura, havia pouca gente conversando na praia. Vemos o parque Rodó, nós sem wifi e táxi difícil de encontrar. Que cansaço! A rambla é extensa demais. Muito bem cuidada, por sinal. Entramos no bairro Pocitos, na Boulevar España. Uau! Aqui a história muda, pois há cada casa linda, muitas árvores, prédios robustos, muito agradável. Prédios com varandas, amo! Avenida (da praia) larga, show!

Sobre o parque Rodó, diz o site guia.melhoresdestinos.com.br que é um dos mais visitados da cidade. O nome homenageia o escritor uruguaio José Enrique Rodó, tem amplos gramados, um lago, árvores, monumentos e chafarizes. Ao longo de sete quadras, oferece uma área verde ótima para caminhadas, passeios de bicicleta e a prática de esportes. O Museu Nacional de Artes Visuais se encontra no local e a primeira biblioteca infantil da América Latina foi construída ali em 1935, em forma de castelo.

Enfim, um táxi! 320 pesos uruguaios (R$42,59) para o shopping Punta Carretas, queria muito conhecer. Endereço: rua José Ellauri, 350. Considerado o melhor da cidade, foi há alguns anos a penitenciária de segurança máxima. O site viveruruguay.com nos explica que lá estiveram presos guerrilheiros do grupo político Tupamaro, incluído o ex-presidente José Mujica. Em 1971, mais de 100 presos fugiram por meio de um túnel cavado de 45 m desde a cela de número 73 (a penitenciária contava com 400 celas) que se conectava com uma casa que ficava na frente do estabelecimento penitenciário. Pepe Mujica foi um dos que escapou. A penitenciária deixou de funcionar em 1986 e em 1994 abriu as portas como um shopping center. Fazia parte do projeto de reciclagem o arquiteto uruguaio Casildo Rodríguez e o argentino Juan Carlos López, autor das Galerias Pacífico em Buenos Aires.

Shopping bom para almoçar depois de tanto esforço físico nas ramblas. No Buffet Express, pedimos: milanesa com arroz à grega e salada por 295 pesos (R$39,26); e o Carlos: taco de carne bem completo com presunto, queijo, molho barbecue e salada (alface, tomate e cebola). Comida simples que matou a fome. A sorveteria Le Cigalle: chocolate e creme de figo turco, valeu. A loja Indian expõe roupas encantadoras. Detalhe: as sacolas de plástico são pagas. Outra loja que gostei foi a Mumuso com objetos para casa, crianças, produtos para pele, escovas, coisinhas pequenas. Só a arcada de entrada do shopping center já vale a visita.

Na saída, uma parada de táxi à frente com um senhor organizando a fila. Percebi proteção de vidro no táxi, vi isso há muito tempo em Nova York, EUA.

Pedi ao taxista pra ficar um tempinho no Memorial do Holocausto do Povo Judeu. Para quem gosta do tema da II Guerra Mundial, não perderia por nada. Tirei muitas fotos, são lápides, colunas e pedras que compõem o memorial. Lugar simples, bucólico e singelo que impacta com sua história de dor. Segundo a Wikipédia, é um memorial ao ar livre dedicado às vítimas do Holocausto. Está localizado na junção da Rambla Presidente Wilson com a Av. Artigas, no bairro de Punta Carretas às margens do rio da Prata. Declarado Monumento Histórico Nacional. Em uma das lápides, encontrei o histórico de Ana Balog (Montevidéu, 1929-Auschwitz, (Polônia) 1945): judia uruguaia, emigrou para a Hungria com sua mãe e irmã. Foi detida aos 15 anos em Nyirmerggyes (Hungria) e deportada junto com sua avó para o campo de concentração e extermínio de Auschwitz. Recebeu a lápide de homenagem da Prefeitura Municipal de Montevidéu e da comunidade judia uruguaia em 20 de julho de 2009.

De dentro do carro, fomos visualizando a Rambla República do Peru, na praia de Pocitos. Vemos muito movimento, há vida, gente sentada no banco contínuo de alvenaria, muitos outros bancos de madeira disponíveis, carros, atletas correndo, um visual de primeira. Os prédios atraentes, com poucos andares, uma beleza! Um lugar convidativo e habitável. Parece Camboriú em Santa Catarina, mas sem os paredões de edifícios. Eis Montevidéu das esculturas, estátuas, parques, árvores, praças, natureza. Esta parte da cidade realmente é um cartão-postal. Por isso muita gente prefere se hospedar em Pocitos. Já a gente aprecia a calmaria do centro, e também porque é mais perto da apaixonante Cidade Velha.

As ramblas são para encontros, com espaço verde para esportes e pesca, pode se sentar em uma cadeira e contemplar o rio da Prata. O pôr do sol é alaranjado, mágico. O prédio sede do Mercosul é no bairro Parque Rodó. Era um hotel/cassino. O taxista, sr. Eduardo, muito solícito, nos deu dicas de turismo.

De volta ao centro, paramos no nosso velho conhecido Bar Hispano (Calle San Jose,150) para um lanche de jantar: misto quente, suco de laranja, café com leite, torta de limão, biscoitos, tratamento de primeira do garçom Rafael, parecido com o meu irmão Ricardo.

Depois, demos uma caminhada pela avenida 18 de Julho. Muitas lojas do shopping Punta Carretas no local. Em frente à Suprema Corte, manifestação na praça dos Armênios contra o extermínio deles pela Turquia na II Guerra Mundial.

Há uma placa patrocinada pela COCA COLA na qual está escrito a respeito da avenida 18 de Julho, a mais importante da cidade: No ano de 1830, foi jurada a primeira Constituição de acordo com as formalidades estabelecidas em lei de 26 de junho de 1830. Em Montevidéu, o ato se realizou na Sala do Cabildo (Conselho Municipal à época de colônia espanhola), com a participação das mais altas autoridades civis, eclesiásticas e militares e à frente da Praça Matriz prestou juramento ao povo.

Em suma, o uruguaio preserva a sua História, seus monumentos, suas estátuas, considero isso muito bonito.

Em breve, o paraíso de Punta del Este.